Domingo, 9 de Setembro de 2018

NA «CAIXA DE PANDORA» DE PEDRO SANTANA LOPES ENCONTREI UM TEXTO EM BOM PORTUGUÊS COM UM “SENÃO”

 

 

Todos sabemos que Pedro Santana Lopes é um dos predadores da Língua Portuguesa, e que ficará para a História como tal, pois este foi o seu feito mais imperfeito e mais desastroso para Portugal.

Santana Lopes costuma escrever umas crónicas para o jornal Económico, onde aplica o mixordês, gerado pela sua ousadia de tramar o Português.

(O texto é um pouco longo, mas vale a pena ler até ao fim, para se poder compreender o imbróglio chamado AO90.

 

SANTANA LOPES.jpg

Origem da foto: https://ionline.sapo.pt/583565

 

Desta vez, num texto publicado no passado dia 5 de Setembro, sob o título “Caixa de Pandora” Santana Lopes escreveu em Bom Português, com todos os pês e cês no devido lugar. Porém, no final do artigo, espantosamente, lê-se «artigo em conformidade com o novo acordo ortográfico».

 

Depois de ter contribuído para o caos ortográfico, para o mixordês que por aí se vê, o senhor regressou ao colo materno, ou escreveu o texto grafado à portuguesa, por engano?

 

Muito bem, Dr. Santana Lopes. Até gostei de ler o texto em Bom Português. Passei por cima do conteúdo, porque a minha preocupação, neste momento, é a Língua Portuguesa grafada à brasileira, simplesmente porque o senhor assinou umas papeladas que condenou à morte a minha Língua Materna.

 

E os seus motivos foram inacreditáveis. A história conta-se num artigo publicado em Junho de 2016, no jornal acordizado SOL.

 

Estávamos no tempo em que Marcelo Rebelo de Sousa tinha acabado de visitar Moçambique, onde admitiu reabrir a questão do Acordo Ortográfico. «Foi o pior momento dele desde que assumiu funções», considerou Santana Lopes. Porquê? Porque MRS disse algo que devia ter feito e não fez? Porque quando ele chegou a Portugal o mandaram calar, e ele calou-se? Só assim se justifica o pior momento de Marcelo Rebelo de Sousa, um pior momento que perdura até aos dias de hoje.

 

Ainda hoje ouvi MRS dizer na SIC que os Portugueses têm o direito de saber o que se passou no incêndio de Pedrógão, com todos aqueles mortos.

 

Os Portugueses têm o direito de saber iso, e não têm o direito de saber o que está a passar-se com a ilegalidade da aplicação do AO90? Pois os Portugueses TAMBÉM têm o direito de saber (e isso já lhe foi perguntado centenas de vezes) o porquê de ele não estar a cumprir a Constituição da República Portuguesa e não manda revogar o AO90, como é da sua competência, uma vez que o AO90 está a ser aplicado ILEGALMENTE em Portugal. E ele remete-se a um estrondoso silêncio. O que tem ele a esconder?

 

Ora Santana Lopes conta ao Sol que estava no emblemático Empire State Building, em Nova Iorque, quando viu algo que não lhe agradou: «Lá em baixo havia uma placa a dizer: ‘Vídeo disponível em alemão, inglês, italiano, espanhol, brasileiro’. Com a bandeira do Brasil. Confesso que fiquei transtornado». Disse Santana. E agora vem o mais inconcebível: e foi precisamente para evitar que a Língua Portuguesa fosse ‘engolida’ pelo português do Brasil que, ele, Pedro Santana Lopes, se empenhou pela assinatura do Acordo Ortográfico de 1990.

 

Falhou-me aqui alguma coisa?

Para evitar que a Língua Portuguesa fosse “engolida” pelo Dialecto Brasileiro (é assim que devemos identificar o que se escreve e fala no Brasil, porque é errado dizer português do Brasil, isso não existe, podem consultar o especialista em dialectologia portuguesa, Leite de Vasconcelos) Santana Lopes foi pôr a Língua Portuguesa precisamente na boca do lobo, isto é, grafada à brasileira, para ser engolida mais facilmente? Isto faz algum sentido?

 

Agora sabe o que temos? Temos a grafia brasileira, em Portugal, com a bandeirinha portuguesa, o que é ainda mais de transtornar, porque o tal vídeo estava disponível em brasileiro, e a bandeira era a brasileira, a condizer. Em Portugal grafa-se à brasileira, com a bandeirinha a não condizer, a portuguesa.

 

 

BANDEIRINHA.png

(Veja-se nesta imagem, que captei no Dino Parque da Lourinhã, as informações com as respectivas bandeirinhas. Em Castelhano, Inglês e Francês o enunciado está a condizer com a bandeira, excePto o Português, porque em Português escrevemos e dizemos inseCtos (insétus), não insetos (insêtus) à brasileira, se bem que os brasileiros abram as consoantes em todas as circunstâncias. Nas línguas europeias escreve-se inseCto (Português e Castelhano), inseCt (Inglês) e inseCte / inseCtivore (Francês). Daí que a bandeirinha neste quadro está incorrecta, no que a Portugal diz  respeito. Devia lá estar a bandeira brasileira. E assim se enganam os portugueses e os estrangeiros, que não reconhecem aqueles INSETOS (insÊTos) como sendo portugueses.

 

No mesmo artigo, Santana Lopes ainda tem o desplante de dizer que «ver o Acordo Ortográfico como uma cedência ao Brasil é um disparate». Chamar a esta mais pura verdade um disparate, é que é um monumental disparate.

 

Que visão mais distorcida o senhor tem da realidade, que salta à vista até do mais analfabeto dos analfabetos.

 

E uma vez que comecei a contar esta história, vou contar o resto.

 

Santana Lopes disse ao SOL que “perdeu muitas horas de sono a pensar se devíamos fazer o Acordo», mas a partir do momento em que ficou convencido trabalhou afincadamente para conseguir que outros países de Língua Portuguesa o aceitassem. Ainda bem que esse afincadamente não foi eficaz, nem podia ser, porque substituir uma Língua íntegra, por um dialecto, na forma grafada, é uma atitude absolutamente retrógrada, que nenhum país livre, que se preze de o ser, se sujeita a tomar. E os que a tomaram desistiram dela, logo que viram o erro.

Vamos recordar os meandros desta falta de visão de Estado, que faz com que Portugal ande a rastejar, como um lagarto, no chão que o Brasil pisa.

 

***

Em conversa com o SOL, o antigo secretário de Estado da Cultura, que foi incumbido por Cavaco Silva de conduzir politicamente o processo, recorda os bastidores da assinatura do polémico Acordo e a resistência, «muitas vezes misturada com desprezo», que encontrou no Brasil.

 

SOL - De quem partiu a ideia de fazer este Acordo?

 

Santana Lopes (SL) - Já tive ocasião de dizer isso publicamente. Quando o professor Cavaco Silva me convidou [para secretário de Estado da Cultura], esta foi uma das três tarefas principais de que me encarregou. E com base nessa ideia: ‘Ou conseguimos mobilizar os nossos parceiros para esta causa ou, lá para meio do século XXI, o português vai ser o latim do século XX’.

 

Isto é de uma ignorância infinita. É de quem não vê um palmo adiante do nariz. Lá para o meio do século XXI, pelo andar da carruagem, a Língua Portuguesa terá desaparecido do mapa (a não ser que os africanos a segurem) e ter-se-á imposto o dialecto brasileiro, com o nome de Língua Brasileira. E só não vê isto quem é muito cego mental, ou está a lucrar mundos e fundos, porque as evidências são claríssimas. (IAF)

 

SOL - O que fazia prever isso?

 

SL - Muita gente acha que o Prof. Cavaco só tem defeitos, mas tenho de dizer que é um estadista, um homem com visão – e até estou à vontade para falar das qualidades dele, porque, como é sabido, hoje não temos uma relação propriamente próxima. Na altura, ele disse-me: ‘Você vai aos leitorados das universidades em vários países do mundo e tem brasileiros, não tem portugueses. Vai a organizações internacionais e os tradutores são brasileiros, não são portugueses. O Brasil tem 200 milhões de pessoas, portanto cada vez mais o português usado vai ser o português do Brasil. Acho que é uma obrigação patriótica, nacional, lutarmos por um acordo sobre a língua’.

Mas há quem ache que é desnecessário haver um acordo. O Reino Unido, por exemplo, não tem um acordo com os Estados Unidos.

Pois não. Não precisam! Eles têm uma dimensão tal que querem lá saber se os EUA falam com sotaque americano ou escrevem não sei como… Mas Portugal não tem esse estatuto nem esse peso. Por isso é que existe uma necessidade acrescida de um acordo.

 

Como é possível dizer uma coisa destas?

O que interessa a Portugal que os brasileiros sejam milhões a falar e a escrever e a expandir o dialecto deles? Temos alguma coisa com isso? Precisamos de ir a reboque de uma ex-colónia para que sejamos vistos e ouvidos e lidos no mundo? Precisamos desta subserviência? Por alma de quem? Que raio de obrigação patriótica é esta? Trocar uma Língua pelo dialecto de uma ex-colónia, na sua forma grafada, apenas para que nas universidades do mundo, os brasileiros continuem a ser brasileiros e nós nada?

Acham que substituir a grafia portuguesa pela grafia brasileira vai catapultar-nos como um povo livre no mundo? E ficamos a ser muitos e importantes, porque trocámos a nossa Língua pelo dialecto brasileiro, que se tornará na Língua Brasileira brevemente?

Isto é surreal!  (IAF)

 

SOL - Como foi o processo de negociação dos termos do Acordo? Obrigou-o a viajar pelos países da CPLP?

 

SL - Não. No caso dos parceiros africanos, eles vinham cá. Ao Brasil fui duas vezes, uma vez com o Prof. Cavaco Silva, e outra quando o Dr. Antônio Houaiss era ministro da Cultura. O mais difícil foi a ida ao Senado Brasileiro e à Academia Brasileira.

 

SOL - Porquê? Mandavam-lhe bocas?

 

SL - Não, não! Por causa dos artigos nos jornais.

 

SOL - Eram violentos?

 

SL - Alguns muito violentos. Havia uns intelectuais, sobretudo escritores, que escreviam palavras de desconsideração para com Portugal e para com o Acordo. Não foi um ambiente hostil, mas foi uma missão difícil. Na altura era presidente da Academia Brasileira um senhor que se chamava Austregésilo de Athayde, que tinha quase cem anos, uma figura venerada. Nunca se sabia se estava acordado ou a dormir. Enquanto eu discursava, ia olhando para ele, até que percebi que ele estava sempre a ouvir tudo. No final bateram-me umas palmas tímidas. Foram educados, mas foi um processo difícil.

 

Pudera! Os Brasileiros cultos e lúcidos são os próprios a considerar um absurdo os Portugueses sujeitarem-se a uma coisa destas: substituir uma Língua pelo dialecto deles. Só um povo parvo e submisso o faz. (IAF)

 

SOL - Os portugueses acham que estão a abrir mão da sua forma de escrever, mas os brasileiros também tinham muitas reservas, é isso?

 

SL - Muitos portugueses não fazem ideia – e eu também não fazia, só passei a fazer quando me envolvi nesse processo – da aversão que existe em muitos setores da sociedade brasileira.

 

SOL - Houve resistência?

 

SL - Houve, nomeadamente numa certa elite intelectual brasileira, e muitas vezes misturada com um desprezo pelas pretensões de Portugal. Portanto esta ideia bacoca de que isto é uma cedência ao Brasil é um disparate sem pés nem cabeça.

 

Esquece-se Santana Lopes que não se está a ceder a certa elite intelectual brasileira, está a ceder-se aos políticos marxistas brasileiros que querem acabar com o passado e colonizar Portugal através da Língua, das novelas, da música… etc.. Não nos esqueçamos de que o AO90 foi engendrado por Evanildo Bechara (brasileiro) e Malaca Casteleiro (português). E só Portugal se interessou por ele, COM MEDO de ficar pequenino diante do gigante, como se isso importasse para alguma coisa! Somos territorialmente pequenos, mas se quisermos, podemos ser um povo GRANDE, se conseguirmos livrar-nos destes políticos pequenos, mesquinhos, subservientes, sem visão alguma.  (IAF)

 

SOL - E como venceu essa resistência? O Acordo destinava-se a ‘salvar’ o português de Portugal, mas não podia usar esse argumento no Brasil…

 

(Como se pode salvar uma Língua, substituindo-a por um dialecto, numa atitude absurdamente retrógrada?) (IAF)

 

SL - Estávamos numa época em que, fruto também da nossa adesão recente à CEE, havia um grande fascínio pelo processo que Portugal estava a seguir e uma grande vontade do Brasil de aproximação política a Portugal. Eles queriam que Portugal fosse a porta de entrada na União Europeia, e eu falei-lhes na importância da língua como instrumento de aproximação entre os povos. ‘A língua utilizada na EU não é o português do Brasil, é o português de Portugal, e se vocês querem ter esse relacionamento mais profundo precisamos de uniformizar a língua’.

 

Mas que argumento mais absurdo! Mais estapafúrdio! Eles (brasileiros) queriam que Portugal fosse a porta de entrada na União Europeia, então o que faz Portugal? SERVILMENTE, ajuda o Brasil nessa pretensão, “uniformizando” o que é impossível de uniformizar, sobrepondo o brasileiro ao Português. Isto só mesmo de quem não sabe o que está a fazer. (IAF)

 

SOL - Como correu a cerimónia da assinatura na Ajuda?

 

SL - Estive até 10 minutos antes de começar a cerimónia sem saber se o ministro brasileiro vinha ou não…

 

SOL - Mas não tinha a garantia de que o Brasil ia assinar?

 

SL - Tínhamos a palavra, mas havia uma desculpa dada ‘por compromissos de última hora’. Fizeram quase suspense até à última da hora, houve sempre incerteza. De repente recebi a informação de que o ministro da Educação brasileiro já estava a chegar ao aeroporto. Todos os países tinham a noção de que esta questão era politicamente muito relevante. Eu perdi muitas horas de sono a pensar se devia assinar o Acordo. Se não estivesse convencido, ia ter com o primeiro-ministro e apresentava-lhe a demissão. Mas a partir do momento em que me convenci, o mais importante para mim não era se ‘facto’ devia ter C ou não ter – isso não era comigo, era com as academias. O que eu tinha era de garantir que os países assinassem o acordo. E terem assinado foi uma proeza – não digo minha, mas de todos. É bom lembrar que estávamos em outubro de 90 – só 16 anos depois da revolução de 25 de Abril. Foi um achievement, um feito extraordinário.

 

Tão “extraordinário”, que apenas Portugal se apressou a aplicar o monstro, numa pressa completamente insana. Irracional. Irresponsável. (IAF)

 

SOL - Ainda assim gerou muita polémica na altura.

 

SL - É verdade, mas hoje as pessoas fazem pouco trabalho de memória. Se forem aos jornais da época verão que também havia um movimento grande pró acordo, da esquerda à direita. Às vezes, as pessoas têm a mania de dizer: ‘Foi o Santana Lopes’ ou ‘foi o Cavaco Silva’. Não. Foi também Mário Soares, Jorge Sampaio, António Guterres, até Edite Estrela, que era a especialista da língua do Partido Socialista. Foram pessoas de todos os setores e mais alguns. O dr. Mário Soares era um entusiasta absoluto do Acordo! E a grande maioria das pessoas com visão política também são defensoras. Pense no seguinte: por que houve uma série de dirigentes políticos de todos os quadrantes que se empenharam nisso? É porque tinham alguma dependência do Brasil? Teriam algum primo brasileiro? É porque escrever com acento dá muito trabalho? Não. É porque consideramos que é bom para Portugal. E continuo genuinamente convencido disso.

 

Não dr. Santana Lopes. O acordo não é bom para Portugal. Não é bom para nenhum outro país dito lusófono. Tanto não é que ninguém o aplica, a não ser os ignorantes, os mal informados, os servilistas, os acomodados e medricas portugueses, e Cabo Verde já se retirou da lusofonia. Porque o acordo é uma fraude, é ilegal, é inconstitucional. Só serve os interesses dos políticos marxistas brasileiros e dos políticos portugueses, sem visão alguma de futuro. Completamente cegos mentais. E nenhum nome dos que aqui referiu tem credibilidade. Nenhum deles é especialista em Ciências da Linguagem, incluindo Edite Estrela, que se bandeou para o lado errado. Ficarão todos na História pelos piores motivos.  (IAF)

 

SOL - Vê-se muitas pessoas a atacar o Acordo, mas poucas a defendê-lo. Por que será isso?

 

SL - Há coisas em que se você falar contra, já sabe que tem aplausos. E é preciso estoicismo para dizer o contrário. No Acordo é limpinho: é muito mais fácil dizer que se é contra. E também parece que algumas pessoas têm de encontrar válvulas de escape para a insatisfação em que vivem. É um pouco como chamar nomes ao árbitro. Acho que às vezes as pessoas precisam de conhecer mais mundo. Vou dar-lhe um exemplo: ainda na semana passada estava no Empire State Building e lá em baixo dizia ‘Vídeo disponível em alemão, inglês, italiano, espanhol, brasileiro…’. Com a bandeira do Brasil. É isto que nós queremos? Pode haver pessoas que não se importam com isso, mas eu importo-me.

 

Tanto se importa que substituiu a grafia portuguesa pela grafia brasileira, para que a Língua Portuguesa sobreviva. Isto só mesmo de alguém que não sabe o que diz. Não faz a mínima ideia da enormidade do que diz. Não sabe o que faz.

Poucos são os que defendem o AO90, porque o AO90 não tem ponta por onde se lhe pegue, e os acordistas não têm UM SÓ argumento racional e válido que justifique este absurdo. NEM UM SÓ.  (IAF)

 

SOL - Mas não compreende os argumentos dos opositores?

 

SL - Se eu compreendo os argumentos? Compreendo. Mas acho graça às pessoas que se empertigam com essas matérias. Costumo dizer que há umas décadas o meu nome também se escrevia com apóstrofo e dois NN: Sant’Anna. O meu avô escrevia assim, a minha mãe escrevia assim – eu não escrevo. Não me faz diferença nenhuma. E tenho alguma dificuldade em compreender como é que as pessoas rejeitam tanto o acordo de 90. É porque gostam muito do anterior? Acho que este argumento tem alguma lógica. Escrever farmácia com F em vez de Ph não foi uma cedência à fonética? Respeito os argumentos dos opositores – mas às vezes dá-me vontade de sorrir quando vejo pessoas com uns calores enormes por causa de um C ou de um acento.

 

Outro, que vem com o argumento da ignorância: o PH, que passou a ser o símbolo da ignorância acordista. Não fazem a mínima ideia por que se passou de PH para F. Se soubessem a patacoada que dizem quando vêm com esta do PH cobriam a cara de lama.

E quem diz «às vezes dá-me vontade de sorrir quando vejo pessoas com uns calores enormes por causa de um C ou de um acento», é um completo ignorante das Ciências da Linguagem. Eu sou uma grande ignorante no que respeita a Física Quântica. Por isso, não me atrevo a meter o bedelho nessa matéria. E os políticos portugueses deviam fazer o mesmo, no que respeita à Língua Portuguesa, porque são um zero à esquerda. Deviam revogar este acordo ilegal e reduzirem-se, depois, à vossa insignificância, nesta matéria. (IAF)

 

SOL - Acha que essa questão das consoantes mudas não é relevante?

 

SL - Acho que isso não é o principal para Portugal. Se as pessoas amam a língua, têm de pensar nisto: como se preserva mais o português? A língua é tanto mais viva quanto for falada por mais pessoas. Acho que isto é óbvio. As línguas mortas podem ser muito bonitas. Estudei latim e adoro saber latim. Não falo muito bem, mas tenho noções, estudei no liceu e depois tive explicações. Mas serve-me de quê? Permite conhecer melhor as línguas latinas, mas não tem uso no dia-a-dia.

 

Está muito, muito enganado. Não se preserva o Português, substituindo-o por um dialecto, na sua forma grafada, porque ele tenderá a desaparecer. E o que interessa a Portugal que milhões escrevam à brasileira? Em que é que isto preserva o Português? (IAF)

 

SOL - Deixe-me insistir neste ponto. Há tempos o El País publicou uma notícia sobre o acordo que tinha este título ‘Egípcios de Egito’. E dizia o seguinte: «O acordo ortográfico muda o nome do país das pirâmides, que passa a chamar-se Egito [sem P], mas não o dos seus nativos, que continuarão a ser ‘egípcios’ [com P]». Já me disse que não quer entrar em questões técnicas, mas reconhece que há incongruências no Acordo?

 

SL - Ninguém deve ter falta de humildade nesta matéria. Se eu fosse da Academia das Ciências e chegasse à conclusão de que houve soluções mal encontradas, até poderia tomar a iniciativa de corrigir um ou outro ponto. Agora, não se pode atirar fora o bebé com a água do banho – lá por haver três ou quatro soluções erradas não podemos dizer ‘olha, que se dane o acordo’. Aliás deixe-me dizer que Acordo Ortográfico é um nome que está gasto, isto é um acordo internacional sobre a utilização da língua portuguesa.

 

Um acordo internacional de OITO implica que os OITO estejam em sintonia. Porém, apenas Portugal insiste neste erro. E se errar é humano, insistir no erro é insano. E o AO90 NÃO TEM três ou quatro soluções erradas. O AO90 TODO ELE É UM ERRO. Não tem nada que o salve. (IAF)

 

SOL - Acha que as pessoas reagem porquê? Por conservadorismo?

 

SL - Respeito sinceramente quem acha que não se devia mudar por razões culturais. Mas também vejo outros dizerem: ‘Não quero saber disso para nada. Quero é escrever pela norma antiga’. Fica muito bem, é um cravo na lapela, mas é muito prejudicial para Portugal. Alguns países africanos têm idiomas que usam mais do que o português. E ainda assim fazem esse esforço de aderir ao Acordo. Parece-me de uma arrogância cultural sem limites dizermos que não damos importância a essa aproximação. Para Portugal, como pequeno país, a língua devia ser um instrumento poderosíssimo, no entanto por vezes temos aquela sobranceria dos velhos senhores, das plantações agrícolas, que não queriam saber do pessoal menor. É essa atitude que vejo muitas vezes nas pessoas: ‘Nós falamos o português puro’ – como outros fumavam os cigarros puros… – ‘e não queremos saber de quem não pode falar como nós’.

 

Falácias, falácias, e mais falácias. Só dá chutos para fora da baliza. Os países africanos NÃO ADERIRAM ao acordo. Nenhum deles segue o acordo. Nem sequer o Brasil. Apenas os portuguesinhos subservientezinhos o fazem. (IAF)

 

SOL - Há quem se queixe: ‘A mim ninguém me perguntou nada’. Este é o tipo de assunto que poderia ter merecido um referendo ou algum tipo de consulta pública?

 

SL - Não me chocava. Só não gosto é de ver defenderem um referendo para o Acordo aqueles que se opõem ao referendo para outras matérias. Gosto do referendo tanto nas matérias em que sou a favor como naquelas em que sou contra, não condiciono o referendo às minhas posições. E também não me chocava se, depois de uma campanha esclarecedora, a comunidade nacional rejeitasse por referendo o Acordo.

 

A comunidade nacional já rejeita o acordo sem referendo. Referendar o acordo, num país com um índice de analfabetismo alto e com uma iliteracia elevada, cheio de analfabetos escolarizados seria atirar pérolas a um monturo. (IAF)

 

SOL - E faz sentido, na sua opinião, o Presidente ter aberto a porta à discussão do Acordo nesta altura do campeonato?

 

SL - De todo. O Presidente entrou muito bem, fez quase tudo muito bem, mas pronto… os humanos nunca fazem tudo bem. Acho que esse foi o pior momento dele desde que assumiu funções como Presidente. O Chefe de Estado do país berço de um acordo internacional nunca pode fazer uma declaração conjuntural sobre um tema tão relevante. Foi um momento infeliz do Presidente, que tem estado feliz no resto das situações.

 

O presidente da República está a sair-se mal em tudo, mas sobretudo nesta matéria. Porque ele, como institucionalista, ou nada sabe de acordos internacionais ou está caladinho porque o mandaram calar. E foi um momento infeliz, sim, pelos motivos que já referi mais trás.  (IAF)

 

SOL - Muitas pessoas perguntam-se: ‘O que me acontece se não cumprir as normas? Vão-me prender? Multam-me?’.

 

SL - Acho que esse é um aspeto positivo do acordo. Para ser cumprido, só exige a livre adesão individual. Aliás, é um aspeto que devia ser elogiado e que vejo ser pouco referido: tirando os alunos na escola, que terão erro, quem não quiser não escreve com o Acordo. Ninguém tem multas pecuniárias nem lhe tiram a carta de condução. Não é proibido escrever de outra maneira. Mas eu gostava de ver a comunidade internacional aderir livremente.

 

Ai este aspêto! É que além de escreverem mal, pronunciam mal as palavras mutiladas. São dois (erros) em um. Ninguém em Portugal é obrigado, nem nas escolas, a escrever incorreCtamente a Língua Materna, porque não existe LEI alguma que o obrigue. E os alunos que se recusarem a escrever incorreCtamente a sua Língua NÃO PODEM ser penalizados. Era isto que a comunicação social deveria informar, mas CALA-SE, cúmplice deste desgoverno. (IAF)

 

SOL - Já vi que a Santa Casa adotou – sem P – a nova grafia…

 

(Este adotou, sem P, lê-se âdutou, seja lá o que isto for).

 

SL - Eu nunca dei ordem. Espero que não seja algum temor reverencial [risos].

 

SOL - E quando começou a escrever ‘com Acordo’?

 

SL - Não sei… Foi natural. Procuro escrever de acordo com a nova grafia mas, se alguma coisa me chocar, não me sinto proibido de escrever de outra maneira. Não olho para isto como um dogma. Aliás, acho uma snobeira aquilo que aparece nos jornais: ‘Este artigo foi escrito segundo a antiga grafia’. Importante, importante é que o acordo seja ratificado. Se isso acontecer algum dia fico todo contente. Depois se quiserem pôr um acento ou tirar um acento ou pôr mais um C ou P, eu aplaudo na mesma. Desde que todos assinem e ratifiquem, é-me igual.

 

Devia dizer ESNOBEIRA, para condizer com a grafia brasileira, que tanto defende. Pois eu também não concordo nada quando leio por aí «Este artigo foi escrito segundo a antiga grafia». Não há “antiga grafia” nenhuma. O que há é a Língua Portuguesa, ainda em vigor, em Portugal. Apenas os ignorantes, os mal informados, os servilistas, os acomodados e os medricas escrevem à brasileira. Assim como não há novo acordo ortográfico. Porque o AO90 não é novo, não é um acordo, e não está em vigor em nenhum país dito lusófono, a não ser neste nosso país que tem a desventura de ser governado por políticos subservientes e com falta de visão.

 

E não fique todo contente, Drantana Lopes, porque o AO90 está destinado ao caixote do lixo.

 

Isabel A. Ferreira

 

(Nota: os vocábulos a vermelho estão grafados à brasileira).

Fontes:

 

https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/pedro-santana-lopes/detalhe/caixa-de-pandora

https://sol.sapo.pt/artigo/513353/pedro-santana-lopes-ver-o-acordo-ortografico-como-uma-ced-ncia-ao-brasil-e-um-disparate

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Sábado, 8 de Setembro de 2018

O AO90 É “COISA” PORTUGUESA PORQUE TODOS OS OUTROS PAÍSES DITOS LUSÓFONOS ESTÃO-SE NAS TINTAS PARA ESTA FRAUDE…

 

«A CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Acordo Ortográfico e a Guiné Equatorial. Tudo interligado e usando a língua portuguesa para os mais variados e questionáveis negócios, desde a (re)venda de livros escolares e outros aos interesses económicos e geoestratégicos. E há ainda a acrescentar a inutilidade do Instituto Camões. É o que explica sucintamente a escritora Inês Pedrosa (página oficial) no programa "O Último Apaga a Luz" (RTP3, 20/07/2018).»

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:49

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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2018

JÁ NÃO HÁ PACHORRA PARA AS IGNORÂNCIAS DOS ACORDISTAS

 

Recebi dois comentários insólitos, que me proponho esmiuçar e divulgar, para servir de LIÇÃO a todos os que acham que todos os Portugueses são parvos ou ignorantes.

 

Se querem argumentar comigo sejam racionais e tenham um mínimo de conhecimento sobre as matérias que pretendem comentar.

 

É que já não há pachorra para tanta ignorância optativa, uma doença social que, no entanto, tem cura (já hoje é a segunda vez que digo isto).

 

ALBERT.png

 E  a minha vontade de ver devolvida a grafia portuguesa a Portugal é mais poderosa do que o vapor, a electricidade e a energia atómica. Podem crer.

 

Se repararem, os comentários chegaram-me num espaço de segundos, no mesmo dia, e no mesmo estilo.

 

Gonçalo comentou o post A “SEMIRRÊTA” (***) às 14:42, 05/09/2018 :

Eu fico de boca aberta com comentários como o seu aqui e o próprio artigo do A M Pires Cabral. É essa xenofobia tão característica de nosso amado e triste Portugal. Triste como o nosso fado. É por isso que ainda evoluimos pouco e talvez nunca cheguemos ao que sonhamos ser como país: um país moderno. As diferenças entre o Português de Portugal e o Português do Brasil são dialetais. Existem, mas não justificam de maneira alguma a consideração do Português do Brasil como língua diferente. O resto é isso mesmo, xenofobia. É algo que tem acontecido entre vizinhos, como na Sérbia e na Croácia. Como se diz moeda no Brasil? Moeda. Em espanhol Moneda. Como se diz Lua no Brasil? Lua. Em Espanhol Luna. Como se diz Engraçado no Brasil? Engraçado. Como se diz em Espanhol: Gracioso. O Espanhol é uma língua diferente. O PortuguÊs do Brasil NÃO é. É uma variedade dialetal da mesma língua. Como o Flamengo e o Holandês. E tantos outros exemplos. A ignorância do povo, que é incapaz de aceitar mudanças positivas, por essa alergia que as pessoas fechadas têm às mudanças é a verdadeira causa dessa reação em Portugal ao Acordo Ortográfico. Unificar a ortografia da nossa língua favorece o aprendizado por parte de estrangeiros (que até hoje não entenderam essa parvoíce de ter duas ortografias para a mesma língua). Favorece o comércio. Favorece o intercâmbio cultural. Só os retrôgrados que não conseguem sequer se adaptar a mudar como escrevem 1% DAS PALAVRAS(!!! Oh meu Deus, que enorme sacrifício) são contrários a isto. As crianças aprenderão a ortografia atual e nem mais vão lembrar daquela velha ortografia, que é desnecessária. Como quando Portugal mudou a ortografia de palavras como producto para produto e não aconteceu ABSOLUTAMENTE NADA. Então, querida, velha um pouquinho além do seu nariz. A vida não é apenas sobre VOCÊS. Viram outras geração e usufruirão este Acordo Ortográfico. Enquanto isso, seria bom s e darem conta do antiquados e rabugentos que vocês são. Estamos fartos de tanta parvoíce.

 

***

Bem, pelo estilo da linguagem deste comentário e pelo que se diz na parte final, é um autêntico papo de brasileiro.

 

Pois, senhor Gonçalo, não me surpreende nada que fique de boca aberta com o que nós, defensores da Língua Portuguesa, comentamos ou escrevemos. Vivemos em mundos diferentes, com opções e saberes muito diferentes.

 

O senhor Gonçalo, por exemplo, não sabe o significado de xenofobia. Mas de lusofobia, sabe, com toda a certeza, tanto sabe que deixou escapar, no final deste seu brilhante comentário, essa lusofobia que vos revolve as entranhas.

 

Pelo choradinho da sua prosa, triste Portugal, triste como o fado (isto até dava letra de fado) vê-se que é alguém que ama Portugal tanto como eu amo um monte de lixo. E na verdade, com gente como o senhor Gonçalo, um país não tem condições de evoluir.

 

Os acordistas, coitados, no seu fraco e pobre entendimento, acham que para se ser moderno tem de se ser idiota e ignorante. Mas enfim, cada um opta pelo que lhe dá mais jeito para encher os bolsos e o ego.

 

Depois alapam-se na ignorância, e não se interessam por ler, por se informarem, por se cultivarem. Os linguistas (os verdadeiros) portugueses e brasileiros (e há publicações sobre esta matéria, que já citei no meu Blogue) dizem claramente que o que se escreve e fala no Brasil é o Dialecto Brasileiro, e até já há linguistas brasileiros, que lhe chamam Língua Brasileira (e se já não é, muito brevemente será) de tão distanciado que está da Língua Portuguesa. E não há Português de Portugal, e muito menos Português do Brasil. O que há é Língua Portuguesa e Dialecto Brasileiro. E quem não sabe isto é ignorante. E quem sabe isto não é xenófobo. É esclarecido. Vá esclarecer-se, senhor Gonçalo, para não andar por aqui a ignorantar.

 

O seu argumento para explicar o inexplicável, é tão infantil, mas tão infantil, que mete dó. O senhor que idade tem? Se já escreve (se bem que muito mal) terá uns sete anos?

 

Olhe a sua lógica: como se diz eléCtrico no Brasil? Bonde. Como se diz comboio no Brasil? Trem. Como se diz rebuçado no Brasil? Bala. Como se diz quarto-de-banho no Brasil? Banheiro. Bem, podia estar aqui o dia todo. Mas chega desta conversa, porque não nos interessa esta parte. O que nos interessa é a grafia. Como é que se grafa António, Amazónia, ideia, no Brasil? Antônio, Amazônia, idéia… E como se grafa seCtor, direCto, excePto, Setembro, no Brasil? Setor (s’tôr), direto (dirêtu), exceto (excÊtu), setembro.

 

E chamar a isto mudanças positivas é como dizer que existe luz nas trevas.

 

Depois, chamar a isto UNIFICAÇÃO para facilitar a vida aos estrangeiros, é passar um atestado de uma monumental estupidez a si próprio. Quem troca uma Língua por um dialecto, para favorecer a aprendizagem de estrangeiros, é a coisa mais estúpida que já ouvi na vida.

 

Ó senhor Gonçalo, que o senhor tenha vocação para a estupidez, nada contra, mas vá ser estúpido assim lá na Cochinchina. Isso não é um argumento é uma monumental idiotice.

 

E pensar que a Língua Portuguesa está ameaçada (ainda não foi, e garanto-lhe, não será destruída) por uns ignorantes deste calibre!

 

E se você, como brasileiro que parece ser, acha que os portugueses são antiquados e rabugentos, imagine o que nós, Portugueses, pensamos dos gonçalos brasileiros. Nem lhe digo, nem lhe conto! Dos Brasileiros, dos outros, pensamos que devem estar muito envergonhados deste seu comentário tão ignorante quanto idiota.

 

***

Quatro segundos depois, chega-me este outro comentário, também do lado de lá e do mesmo estilo:

 

vincedee comentou o post HOJE (2 DE SETEMBRO DE 20016) NUM TELEJORNAL DA SIC às 14:46, 05/09/2018 :

Isto é apenas conhecido como uma EXCEÇÃO. Todas as regras têm exceções. O acordo ortográfico reconhece de maneira específica o termo FACTO usado em Portugal. Dever ser escrito e pronunciado em Portugal posto que é efetivamente pronunciado em Portugal. Parece-me que não conheces bem o Acordo. Leste bem? O Acordo aplica-se, neste caso, apenas ao que não é pronunciado. Como o "p" de EXCEPÇÃO". Escrever aqui sem ter conhecimentos adequados, é um pecado

 

Primeiro: não lhe dei confiança alguma para me tratar por tu. Isso é coisa de gente sem educação.

 

Pois, EXCEÇÃO (EXC’ÇÃO). Se soubéssemos o que isso significa, poderia dizer alguma coisa. Infelizmente, este monstrinho ortográfico, sem família, sem origens, sem raiz, não significa NADA.

 

Segundo: o acordo ortográfico NÃO reconhece coisa nenhuma, porque o acordo mortográfico é uma FRAUDE. É um nado-morto. Em Portugal usamos fatos. Não usamos ternos. E um faCto é um acontecimento, tal como o é em Inglaterra e no vosso tão amado “States”.

 

If’tivâmente” (transcrição fonética do que escreveu) eu conheço demasiado bem o que este acordo fajuto propõe, porque aprendi a ler e a escrever no Brasil. A vossa “rêcépição” salvou-se. No Brasil continua recePção, nem sei por alma de quem. Cá em Portugal, perdeu o PIO, quero dizer o PÊ, e a coisa ficou preta, ou seja, ficou receção (que se lê r’c’ção) que é um monstrinho ortográfico à portuguesa. Como os há à brasileira, por exemplo, anistia, mas se me dizem que isto faz parte do tal Dialecto Brasileiro, retiro o monstrinho.

 

Para terminar, digo-lhe que tem toda a razão: é um pecado escrever mal a Língua Portuguesa. Para se escrever comentários no meu Blogue é preciso ter conhecimentos profundos de Língua Portuguesa, que é algo que os gonçalos demonstraram não ter.

 

Passem bem. E cultivem-se. E principalmente abandonem a ideia obtusa de que para se ser moderno é preciso ser-se idiota.

 

Isabel A. Ferreira

 

Do mesmo autor destes dois comentários acima referidos (já confirmado) eis outro texto:

O QUE CONCLUIR QUANDO UM CIDADÃO CONFUNDE INDIGNAÇÃO COM ÓDIO, E ESPÍRITO CRÍTICO COM NEGATIVIDADE?

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:18

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Terça-feira, 4 de Setembro de 2018

A “SEMIRRÊTA” (***)

 

Um delicioso e escorreito texto em Bom Português de A M Pires Cabral, publicado no Facebook.

 

Sou das que tenho o dedo no ar.

 

rectas-2-728.jpg

 Acordistas, aprendam, em Bom Português...

 

Texto de A M Pires Cabral

 

«Em 2011 publiquei na imprensa regional a crónica infra. Hoje calhou emergir lá das insondáveis profundezas do computador. Reli-a. Achei-lhe alguma piada. E republico-a, sacudido o pó de 7 anos, em fé de que não me rendi nem me renderei jamais ao AO90. Quem concorda comigo e também se recusa à rendição, que ponha o dedo no ar.

 

A SEMIRRETA

 

O “Expresso”, um dos primeiros jornais portugueses a avalizar a vergonhosa almoeda da nossa língua, adoptando pressurosamente o assim-chamado Acordo Ortográfico, distribuiu há tempos um cadernozinho dedicado ao enxalmo. Folheando-o em busca de um norte para o uso do hífen, descobri coisas mirabolantes. Descobri por exemplo que se deve escrever ‘bem-falante’ e ‘bem-visto’, mas ‘benfazejo’ e ‘benfeito’. Descobri que se deve escrever ‘cor de laranja’ (sem hífenes), mas ‘cor-de-rosa’ (com hífenes).

 

Procurava eu encontrar alguma réstia de lógica nisto, quando me cai debaixo dos olhos a palavra ‘semirreta’. Dou-lhes a minha palavra de honra: poucas vezes me tenho rido tanto como com o estafermo da ‘semirreta’. Entre gargalhadas quase espasmódicas, tive de pôr de lado a brochura, mas o riso continuou a visitar-me ao longo de todo o dia. Mesmo à noite, já à boca de dormir, lembrou-me outra vez a ‘semirreta’ e rompi a rir desabaladamente, causando não pequena perplexidade a minha Mulher, que, por contágio, acabou por rir também.

 

Semirreta’!

 

Aqueles fulanos nem as pensam. Geram assim mostrengos do calibre da ‘semirreta’ e não lhes dói a consciência nem lhes dá rebate o bom-senso nem o bom-gosto. De qualquer modo estou-lhes agradecido, pois, acabrunhado como ando com tantas más notícias e prenúncios de notícias ainda piores, proporcionaram-me um dia de desopilação do fígado por interposta ‘semirreta’.

 

Mas estou se calhar a ser injusto. Não se ouvem já por todos os areópagos internacionais hossanas e bem-hajas pela unificação ortográfica do Português? Os participantes em fóruns e congressos dão graças a Deus porque já não ficam confundidos por em Portugal se escrever ‘actor’ e no Brasil ‘ator’. (Não obstante este grande e notável avanço, continua a haver quem não perceba por que é que em Portugal se escreve ‘receção’ e no Brasil ‘recepção’. Mas nada é perfeito, não é verdade? Lá chegaremos.)

 

Mas não se trata apenas de uma questão de prestígio internacional. A coisa tem também implicações económicas e financeiras. Consta mesmo que a Moody’s, a Fitch e a Standard and Poor’s ponderam já subir numa data de níveis (supõe-se que para o ansiado Triplo A: Ah! Ah! Ah!) a notação de Portugal, considerados os grandes benefícios para a redução do défice que se espera venham a resultar da aplicação do acordo.

 

Então, senhores acordo-cépticos: valeu ou não valeu a pena haver uns quantos sujeitos que queimaram as pestanas para nos dar de presente este primor do acordo?

 

E volta-me à ideia o enxovedo da ‘semirreta’. Céus! O que eles fizeram da «nossa portuguesa casta linguagem» de que falava, se não erro, Cruz e Silva!

 

A M Pires Cabral

 

(***) A palavrinha “semirreta”, lê-se “semirrêta”, e quem a ler “semirrétaestará a ler incorreCtamente. E então já serão duas patacoadas: a escrever e a pronunciar.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:17

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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018

HOJE (2 DE SETEMBRO DE 20016) NUM TELEJORNAL DA SIC

 

Um exemplo de (des) “união” das ortografias portuguesa e brasileira que o AO90 veio acentuar.

 

MICHEL.png

Michel Temer, actual presidente do Brasil

 

«Michel Tamer chegou hoje à cimeira do G20, na China, não como presidente interino, mas como presidente de fato», ouviu-se a jornalista anunciar.

 

Obviamente a jornalista portuguesa quis referir que Michel Tamer, como um homem elegante que é, chegou de fato… e gravata, como mandam as boas regras do vestuário dos chefes de Estado.

 

É que em Portugal, os portugueses ainda vestem fatos. O que não significa que não venham a despi-los para passarem a andar cobertos por coisas feitas ou acontecimentos. Esperemos que tal nunca venha a acontecer, porque ficariam muito deselegantes.

 

Ora isto para dizer que os acordistas, como Carlos Reis, não têm a menor ideia do que dizem, quando dizem a idiotice que se lê nesta imagem:

 

CARLOS REIS.png

 

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645118928923112.1073741834.199515723483437/910943402340662/?type=3&theater

 

Ai sim, senhor professor? Tem a certeza?

 

Com o acordo ortográfico de 1990 deixou-se de ter duas normas oficiais?

 

Muito nos conta, porque não é isso que vemos por aí…

 

Para deixar de haver duas normas oficiais da Língua Portuguesa, das duas, uma: ou os Portugueses, por exemplo, começam a substituir o acento agudo pelo acento circunflexo, e o nome do nosso primeiro-ministro passará a grafar-se Antônio Costa; ou começam os brasileiros a substituir o acento circunflexo pelo acento agudo, e começarão a andar de ónibus.

 

Um dos povos terá de abdicar destes detalhes, que não são poucos.

 

Ou os Portugueses começam a contatar os brasileiros; ou os brasileiros terão de contactar os portugueses.

 

Ou os Portugueses começam a anistiar condenados políticos; ou os Brasileiros amnistiarão os condenados injustamente no Brasil.

 

Com esta barafunda, até os problemas dos olhos passaram a ser exclusivos dos ouvidos. É que anda para aí muita doença óptica a passar por ótica.

 

E estaríamos aqui até domingo à noite a dar exemplos.

 

Vamos lá a ver: se querem as duas vertentes da Língua Portuguesa, unificada, fiquemos com a vertente mais culta, que é a europeia, e os Brasileiros que passem a escrever correCtamente, sim, porque são eles que escrevem erradamente o Português. Nenhum outro povo lusófono mutilou a Língua como o povo Brasileiro mutilou.

 

Daí que se quiserem fazer fatos de factos, chamem-lhe Língua Brasileira.

 

Não me importo nada.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:59

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Sábado, 1 de Setembro de 2018

ARGUMENTO MOÇAMBICANO CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

 

EXCELENTE ARGUMENTO!!! Vale a pena ler.

 

Por aqui se vê que o AO90 não tem qualquer possibilidade de dar certo em nenhum dos países ditos lusófonos…

 

LÍNGUA1.jpg

Língua2.jpg

 Origem das imagens: Internet

 

***

De José Do Nascimento

 

«Eh Oena,

 

Nós aqui em Moçambique sabemos que os mulungos de Lisboa fizeram um acordo ortográfico com aquele tocolocha do Brasil que tem nome de peixe.

 

A minha resposta é: naila.

 

Os mulungos não pensem que chegam aqui e buissa saguate sem milando, porque pensam que o moçambicano é bongolo.

O moçambicano não é bongolo não; o moçambicano estiva xilande.

 

Essa bula bula de acordo ortográfico é como babalaza de chope: quando a gente acorda manguana, se vai ticumzar a mamana já não tem estaleca e nem sequer sabe onde é o xitombo, e a gente arranja timaca com a nossa família.

 

E como pode o mufana moçambicano falar com um madala? Em português, naturalmente. A língua portuguesa é de todos, incluindo o mulato, o balabasso e os baneanes.

 

Por exemplo: em Portugal dizem "autocarro" e está no dicionário; no Brasil falam "bus" e está no dicionário; aqui em Moçambique falamos "machimbombo" e não está no dicionário. Porquê?

 

O moçambicano é machimba? Machimba é aquele congoaca do Coelho que pensa que é chibante junto com o chiconhoca ministro da economia de Lisboa. O Coelho não pensa, só faz tchócótchá com o th'xouco dele e aquilo que sai é só matope.

 

Este acordo ortográfico é canganhiça, chicuembo chanhaca! Aqui na minha terra a gente fez uma banja e decidiu que não podemos aceitar.

 

Bayete Moçambique!

 

Hambanine.»

 

Assina: Ze Macaneta

 

Publicado no Facebook por Elizabeth Pereira Gabas neste link:

https://www.facebook.com/groups/emaccao/permalink/2024788800899816/?comment_id=2025172530861443&reply_comment_id=2025226620856034&notif_id=1535810562354566&notif_t=group_comment_mention

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:04

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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

VAMOS FALAR DO AO90 EM PORTUGUÊS?

 

Neste texto fazemos uma recolha do que por aí se comenta acerca do acordo ortográfico, que não é novo, e que gerou o maior desacordo da História de Portugal.

 

E os governantes, quais paus e pedras, remetem-se ao silêncio, como se isso os livrasse do julgamento que os espera.

 

ACORDO.jpg

 

As crianças do século XXI D.C. não são mais estúpidas do que as de todas as outras gerações, desde que Portugal é Portugal. Os acordistas ao dizerem que elas não conseguem saber se a palavra objeCto leva um C, é passar um atestado de parvoíce a eles próprios.

 

O que falha aqui? Muita coisa, mas também um sistema de ensino completamente obsoleto, elaborado como se todos os envolvidos (alunos e professores) fossem muito estúpidos.

 

A começar pela formação dos professores, aos quais falta brio profissional e muita informação acerca do AO90, e que se estão nas tintas (salvo raras excePções) para o que os alunos aprendem ou deixam de aprender, ou mesmo para que aprendam ou deixem de aprender.

 

As escolas portuguesas, hoje, são um lugar de "matéria a despachar”, e não de aprendizagem. E sim, os alunos mereciam melhor.

 

A começar pelo estudo da Língua Materna das suas origens: a Língua Portuguesa, que se transformou num farrapo, graças à medíocre classe política portuguesa e aos seus seguidistas, também medíocres, tendo as televisões como os veículos perfeitos, através dos quais se estupidifica o povo.

 

Diz Bento Caeiro:

«Nesta coisa do dito "AO" é enunciado que certas letras por serem, ou quando são, mudas - não lidas nem ditas - não deverão constar na escrita da palavra a que reportam (algo que se engendrou no Brasil, em 1943, muito antes do AO90). Contudo, apercebemo-nos de que em palavras como percepção, secção, ao retirar o (p) ou o (c), a vogal que a antecede - que antes era aberta -, pela dinâmica da língua, tende a fechar. Teríamos assim: pers'sãu e s'sãu, em lugar de persép'sãu e sék'sãu - do latim: perceptiōne e sectiōne. Obviamente que o que temos aqui é apenas parte da história da formação da língua; a qual leva a que no seu processo de criação a fonética e a escrita se vão mutuamente coadjuvando até que naturalmente é atingido o seu objectivo - a língua em si. Mesmo considerando que este é um processo dinâmico, há a ter em conta que o mesmo não deverá ser objecto de intervenções estranhas que mais não vão que desvirtuar esse desenvolvimento, porventura descaracterizando a própria língua, enquanto tal. Mormente quando são tomadas medidas que poderão romper o equilíbrio obtido ao longo do tempo, como é o presente caso, entre fala e escrita. Assim, eu pergunto - a quem e a quem não concorda com o "AO" (porque defendo o livre exercício do contraditório): nas referidas palavras, abre-se a vogal (é) por a seguir estar a consoante (p, c) ou, pelo contrário, as consoantes estão lá para abrir a vogal».

 

Para tudo na vida existem regras, que devem ser cumpridas, quando são racionais, de outro modo viveríamos mergulhados no caos, porque o homem não é um ser perfeito, não é Deus, e tão-pouco consegue viver sem regras. Dispensam-se as regras irracionais impostas pelos governantes.

 

A Linguagem é uma Ciência, e todas as Línguas do mundo assentam numa lógica linguística, criteriosamente elaborada ao longo dos tempos, por estudiosos que a englobaram em regras gramaticais, as quais ou se estudam, para PENSARMOS a Língua e podermos escrevê-la correCtamente, ou não se estudam, e teremos os tais analfabetos escolarizados, que aprenderão a juntar as letras do alfabeto, mas mal sabem ler e escrever.

 

As Ciências da Linguagem seguem regras específicas. Todas as palavras têm uma história, uma origem, uma raiz. As consoantes mudas existem em todas as línguas, e em algumas delas, em abundância, como no Alemão ou no Inglês, línguas que os acordistas JAMAIS conseguirão escrever correCtamente, por incapacidade intelectual de PENSAR as línguas, e o que deve ou não ser escrito.

 

As línguas são dinâmicas. Evoluem. Mas evolução não significa mutilar as palavras apenas porque umas espertezas saloias decidiram que as consoantes mudas atrapalham a aprendizagem. Isto é de ignorantes.

 

Em seCção o lê-se. Em percePção, sem o p, obrigatoriamente terá de ler-se “perc’ção” com os és fechados, porque o p tem uma função diacrítica, criada pelas tais regras que são necessárias cumprir, para que as palavras tenham sentido. O vocábulo perceção não existe. Não é nada. Não significa coisa nenhuma. Não pertence a nenhuma língua. É uma invenção saloia de quem nada sabe das Ciências da Linguagem.

 

Uma acordista desinformada disse-me aqui há tempos: «O que se lê, mantém-se. Só as mudas desaparecem. Lê-se, "optam", escreve-se "optam". Digo, "receção", escrevo "receção", digo "interrupção", escrevo “interrupção". Nestes casos até acho que facilita».

 

E não, as consoantes mudas não desaparecem, porque estamos em PORTUGAL. No Brasil, as mudas desapareceram com o formulário de 1943, para facilitar a aprendizagem, e porque no Brasil as reformas ortográficas não são formuladas por linguistas, filólogos ou professores de Português, e amplamente debatidas pela sociedade, mas são decididas e engendradas semi-confidencialmente, votadas por políticos e promulgadas pelo Presidente da República. Igual a Portugal. E como sabemos, os políticos são uma classe desinformada, perceberão daquilo que aprenderam (e mal) nas escolas e nas universidades, mas não são especialistas em coisa nenhuma, a não ser em trapaças.

 

No Brasil, excePcionalmente, nem todas as palavras perderam as consoantes, porque recePção, é recePção em todo o mundo dito lusófono, excePto para os portugueses seguidistas e muito distraídos, para não dizer muito ignorantes, que lhes dão para escrever “receção” que se lê r’c’ção, palavrinha que no mundo inteiro não tem qualquer significado.

 

A acordista não entendeu. E refuta:

Isabel aqui não temos a mesma opinião. Eu sou pelo novo acordo ortográfico ou dito de outra forma, não sou contra ele. Acho que facilita a escrita pelo que expús acima. Existem confusões por causa da acentuação como por exemplo "para com isso", ou "para que entendas", mas sei que ao ler se deve tirar o sentido e não acho assim tão grave. Julgo que como tudo, até a língua evolui, ou sofre alterações com o tempo. Temos exemplos na história, "pharmácia", "Ermezinde". Sei que não concorda e por isso lhe disse que não quero discutir.

 

Só que esta acordista nada sabe de evolução da língua, e qual o motivo de passar de pharmacia, para farmácia (que manteve a mesma pronúncia), que sendo a bandeira dos acordistas, passou a ser símbolo da monumental ignorância deles. No entanto, poderíamos manter o ph de pharmacia, mantendo o fonema grego, como nas restantes línguas europeias.

 

Portanto, o AO90 nada tem a ver com EVOLUÇÃO da linguagem. Tem a ver com ignorância e FACILITISMO, interesses políticos obscuros e repugnantes interesses económicos. Os exemplos que foram dados (farmácia e Ermesinde) têm a ver com EVOLUÇÃO. Agora, escrever "receção" (r’c’ção), "setor" (s’tôr), ação" (âção), etc.... tem a ver com uma monumental ignorância e retrocesso. E estou a ser simpática.

 

E isto não é uma questão de concordar ou discordar. Isto é uma questão de conhecimentos linguísticos, que falta à esmagadora maioria da nova geração, que confunde evolução com mutilação, porque não estudaram Latim, nem Grego, nem Língua Portuguesa. Tão-só estudaram Português, aligeiradamente, para poderem comunicar o básico. E nada mais.

 

Esta geração que nos atira com o PH (fonema grego com o som F) como pode saber que o PH é o nosso F latino, e que tendo nós o F no nosso alfabeto, o PH é dispensável, até porque não muda a pronúncia das palavras, nem as desenraíza, ou as transformam em coisa nenhuma, se esta geração não aprende nada disto nas escolas? Fernando Pessoa escrevia "pharmacia" e “philosophia”, mas grafava Fernando. Os acordistas ou os que se renderam à grafia brasileira nada sabem da Língua, porque nada aprenderam para além de juntar as letras do alfabeto. E a culpa de quem será?

 

O ensino da Língua e da História Portuguesas é uma vergonha. Tive de ensinar estas duas disciplinas no pós-25 de Abril (ou à moda do acordês devo escrever 25 de abril?) e PASMEI com a pobreza e as mentiras que tinha de “ensinar”! Então só tive uma opção: abandonar o ensino. Para analfabetos bastava os governantes. Jamais me prestaria a fazer-de-conta que ENSINAVA, para formar analfabetozinhos escolarizados.

 

Diz a Idalete Giga:

«Mas veja-se a indiferença do governo e o silêncio sepulcral do PR sobre os protestos, as posições firmes de muitos escritores, poetas , artistas , jornalistas que não seguem o Linguicídio, etc., etc. Felizmente, há cada vez mais vozes a levantar-se contra o AO90 imposto ditatorialmente ao povo português(!). Foi um verdadeiro atentado terrorista contra a Cultura em geral e contra a Língua Portuguesa em particular. O governo e todos os que pariram o Aborto Ortográfico não têm coragem para assumir os tremendos erros que o mesmo contém. Por isso, escondem-se por trás do silêncio cobarde e insultuoso para todos os portugueses! Quando é que este pesadelo acaba, minha amiga?»

 

Acabará quando encostarmos à parede o presidente da República Portuguesa e o primeiro-ministro de Portugal que, se tivessem brio político e fossem PORTUGUESES já teriam acabado com esta autêntica fantochada.

 

Qualquer alteração ortográfica é sempre contestada por aqueles que não estão abertos a mudanças, ainda que essas mudanças sejam racionais. A alteração ortográfica de 1911 também foi contestada, ainda que obedecesse a critérios linguísticos, e criasse uma norma onde ela não existia, pretendendo-se simplificar a escrita, sempre seguindo uma lógica linguística. O mesmo se passou com a reforma de 1945, que está em vigor em Portugal. A língua oficial de Portugal é o Português, uma das primeiras línguas cultas da Europa medieval a par do provençal, sendo a sua escrita influenciada por esta última. Não a queremos sul-americanizada.

 

O fraudulento acordo ortográfico de 1990, pelo contrário, propõe substituir a grafia portuguesa pela grafia brasileira, mutilada em 1943, a qual afastou o Português da sua matriz europeia, com o intuito de unificar grafias que jamais serão unificadas. E só não vê isto quem é muito, mas muito cego mental.

 

«O que o AO90 propõe vai contra a forma portuguesa de pronúncia e vai atrás de uma ortografia estrangeira, não natural ao falante português. Para no final, um livro editado em Portugal com a nova ortografia, nunca poder ser editado sem alterações no outro país. É um absurdo e uma inutilidade, que obedece a interesses políticos e económicos obscuros e que ninguém tem coragem de enfrentar. Morra este acordo ortográfico e boicote-se o dito até ao último suspiro!» diz J M Santos.

 

Pois continuaremos a bater nos governantes, como águas moles em pedras duras...

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:34

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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

«O IMPÉRIO ORTOGRÁFICO»

 

Excelente texto, de Rui Ramos.

Porém, lamentavelmente indecifrável para o primeiro-ministro de Portugal e para o presidente da República Portuguesa.

 

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Rui Ramos

 

«O Acordo Ortográfico é, entre nós, a última manifestação de um paroquialismo colonial que se voltou contra si próprio: não podendo aportuguesar o Brasil, vamos abrasileirar Portugal.

 

O chamado “Acordo Ortográfico” tornou-se obrigatório esta semana – ou talvez não, pois que tudo nesta matéria é confuso. O Brasil ou Angola são, geralmente, as razões dadas para passarmos do acto ao ato. Mas o Brasil nunca mostrou demasiado entusiasmo ou pressa em partilhar uma mesma ortografia com Portugal – a nova grafia ainda nem sequer é obrigatória por lá. Quanto a Angola, continua a pensar. A parte portuguesa andou aqui à frente. Porquê?

 

Para perceber o Acordo Ortográfico, não basta recuar a 1990. É preciso, pelo menos, voltar a 1961. Nesse ano, o ditador Salazar, sem consultar o país, decidiu que Portugal desenvolvera com os povos extra-europeus sujeitos à administração portuguesa uma relação tão especial, que se justificava defender essa administração contra tudo e contra todos. Em 1974, a direcção revolucionária das forças armadas, também sem consultar o país, decidiu abdicar dessa administração e abandonar territórios e populações à ditadura e à guerra civil dos chamados “movimentos de libertação”. Não renunciou, porém, ao mito da relação especial. Essa relação teve um novo avatar enquanto “solidariedade anti-imperialista”, quando uma parte do MFA também quis ser “movimento de libertação”, para depois, em democracia, se redefinir como “comunidade de língua”.

 

Foi assim que, para além das independências, as oligarquias democráticas mantiveram o império numa versão linguística, a que era consentida por uma das “línguas mais faladas do mundo”. Alguém então se terá lembrado que Fernando Pessoa escreveu algures que “a minha pátria é a língua portuguesa”. Nunca importou a ninguém o que Pessoa quis dizer com a frase, logo entendida como o direito de qualquer português continuar a sonhar com mapas onde Portugal, sendo talvez pequeno, tem uma língua muito grande (“a sexta mais falada do mundo”, etc.). Acontecia, porém, que, entre Portugal e o Brasil, havia diferenças. Era preciso apagar esses vestígios de fronteiras, pelo menos no papel. Só assim (argumentava-se), a língua poderia emergir como única e grandiosa, reunindo o que se separara e impondo-se ao que resistia. No fundo, este acordo ortográfico é apenas o sintoma de uma descolonização mal resolvida.

 

Dir-me-ão: mas não temos ou não deveremos cultivar as tais relações especiais com os Estados onde o português é língua oficial? Sim, claro. Mas é importante, a esse propósito, não esquecer duas coisas. A primeira é que relações especiais não significam necessariamente ausência de diferenças e de distâncias. Estas diferenças e distâncias são aliás, no que diz respeito ao Brasil, muito mais profundas e irreversíveis do que convém admitir ao imperialismo linguístico. O português escrito no Brasil não se distingue apenas pela ortografia, mas pelo vocabulário e sobretudo pela sintaxe. A existirem, as relações especiais não deviam depender de quaisquer homogeneizações, irrelevantes ou impossíveis, mas de uma maior intensidade de comunicação, que habituasse portugueses e brasileiros às características de escrever e de falar uns dos outros. Ao reconhecer isso, há porém que reconhecer isto: não há assim tanto interesse de um lado e do outro num intercâmbio demasiado enérgico. As culturas que tradicionalmente mais fascinam portugueses e brasileiros não são as dos outros países de língua portuguesa, mas, por muitas razões, a das grandes potências do Ocidente, como os EUA. Este Acordo Ortográfico é, portanto, uma ilusão.

 

Mas há uma segunda coisa: a língua portuguesa não nos une apenas ao Brasil ou a Angola ou a Moçambique, mas também à Espanha, à Itália, à França, mesmo à Inglaterra e a outros países europeus ou de formação europeia. E a esse respeito, o Acordo Ortográfico tem um efeito perverso: afasta o português escrito dessas outras línguas europeias, com as quais tem raízes comuns, por via da rejeição, como em reformas anteriores, da grafia etimológica. A palavra acto assim escrita ainda sugere a palavra act para um inglês que não fale português. Ato, não. Num momento de integração europeia, optamos por uma grafia tropical, destinada a complicar a decifração do português pelos nossos vizinhos e parceiros mais próximos (como se já não bastasse a nossa pronúncia impenetrável). Não vou reclamar o regresso da philosophia. Mas é pena que tivéssemos deixado de ter uma palavra que evocasse imediatamente a philosophie francesa ou a philosophy inglesa. Era aliás assim que Pessoa gostava da sua pátria: “Philosopho deve escrever-se com 2 vezes PH porque tal é a norma da maioria das nações da Europa, cuja ortografia assenta nas bases clássicas ou pseudo-clássicas”.

 

O Acordo Ortográfico é, entre nós, a última manifestação de um paroquialismo colonial que se voltou contra si próprio: não podendo aportuguesar o Brasil, vamos abrasileirar Portugal, a ver se salvamos o mapa onde não somos pequenos. Mas é precisamente assim que parecemos e somos pequenos. A grandeza, hoje em dia, deveria consistir em tratar os países que têm o português como língua oficial sem fraternidades falsas, paternalismos deslocados, ou sujeições ridículas. E passa também por perceber que há muito mais populações, para além das que falam português, com quem temos uma história e um destino em comum.

 

O resultado de todos estes devaneios de imperialismo linguístico é que deixámos de ter uma ortografia consensual. O regime tenta agora compensar isso através do terrorismo escolar exercido sobre crianças e jovens. O que começou como um disparate acaba numa indignidade.»

 

Fonte:

https://observador.pt/opiniao/o-imperio-ortografico/

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:28

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Segunda-feira, 30 de Julho de 2018

«ABORTO ORTOGRÁFICO»

 

Um texto que descobri no Blogue DEPROFUNDIS, o qual vem ao encontro do que, no meu Blogue, tenho andado a escrever e publicar.

É que eu não invento nada. E a minha opinião até pode valer zero, mas o que escrevo é o eco dos amantes da Língua Portuguesa.

E não sou, de modo algum, a “chata” de serviço.

 

LÍNGUA.jpg

Origem da imagem:

https://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/a-importancia-da-lingua-portuguesa-1381869

 

 

Adaptado de um texto de autor desconhecido

 

Nossa Língua “perdeu” as suas origens (o Latim), não havendo justificação para a forma como agora querem escrever o “NOSSO” PORTUGUÊS.

 

EXPLIQUEM AGORA AOS ALUNOS COMO SE FORMARAM ESTAS NOVAS PALAVRAS!!!!!

A MAIS VÁLIDA QUEIXA, SOBRE O "DESACORDO" ORTOGRÁFICO...

 

"DESAcordo" Ortográfico (*)

 

O novo "Desacordo" ortográfico é mais uma prova da imbecilidade desta gente que governa Portugal nos últimos 3 decénios!

 

Nos nossos sete, oito e nove anos tínhamos que fazer aqueles malditos ditados que as professoras se orgulhavam de leccionar. A partir do terceiro erro de cada texto, tínhamos que aquecer as mãos para as dar à palmatória. E levávamos reguadas com erros destes: "ação", "ator", "fato", "tato", "fatura", "reação", etc., etc...

 

Com o novo acordo ortográfico, voltam a vencer-nos, pois nós é que temos que nos adaptar a eles e não ao contrário. Ridículo...

 

Mas, afinal de onde vem a origem das palavras da nossa Língua? Do Latim!!! E desta, derivam muitas outras línguas da Europa. Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim.

 

Então, vejam alguns exemplos:

 

Em Latim

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selectio, exacto, excepto, baptismus, excepcio, optimus,

 

Em Francês

Acteur, facteur, tact, réacteur, secteur, protecteur, sélection, exacte, excepté, baptême, exception, optimum,

 

Em Espanhol

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selección, exacto, excepto, (-), excepción, (-),

 

Em Inglês

Actor, factor, tact, reactor, sector, protector, selection, exact, except, baptism, exception, optimum,

 

Até em Alemão, reparem:

Akteur, faktor, takt, reaktor, sektor, protektor, (-)(-)(-)(-)(-)(-)

 

Velho Português (o que desleixámos)

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selecção, exacto, excepto, baptismo, excepção, óptimo,

 

Novo Português (importado do Brasil)

Ator, fator, tato, reator, setor, protetor, seleção, exato, exceto, batismo, exceção (sendo que no Brasil se escreve excePção), ótimo...

 

Conclusão: na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente.

 

Se a origem está na Velha Europa, porque é temos que imitar os do outro lado do Atlântico?

 

Mais um crime na Cultura Portuguesa e, desta vez, provocada pelos nossos intelectuais da Língua de Camões.

 

Ex.: Será que fui de fato à praia?

 

... Na tourada, estavam 2000 espetadores!

...etc., etc.

 

Porque se escreve Egito se os naturais desse país são Egípcios?

 

Ainda não percebi se com o novo Desacordo ortográfico os Polacos também passaram a ser Poloneses e os Canadianos agora são Canadenses, como se diz nas Terras de Vera Cruz …

 

Inovações sim, mas sem exageros e com coerência !!!

 

(*) Não existe qualquer acordo, mas sim a "Resolução do Conselho de Ministros" n.º8/2011.

 

Nenhum dos Países da CPLP subscreveu esta "Resolução" (nem a Guiné Equatorial...)

 

NOTA: quem "faz" a língua são os falantes e não os académicos ou os políticos. Por outro lado, a língua escrita está subordinada à falada e não o contrário.

 

De qualquer forma, à medida que a língua falada evolui, torna-se necessário, de vez em quando, fazer alterações à forma de a escrever. O que é muito diferente de aproximar a escrita do registo brasileiro (algo que ninguém sabe ao certo o que é).

 

Neste "desacordo" o que me parece mal é o exagero insensato e imprudente das alterações impostas (pela via administrativa).

 

Acabe-se com ele o mais depressa possível, para nosso bem e, sobretudo das nossas crianças.

 

Fonte:

https://deprofundis.blogs.sapo.pt/aborto-ortografico-165526

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:42

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Terça-feira, 17 de Julho de 2018

ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA (PARTE VIII)

 

Mais uma achega que destrói, por completo, o AO90 – o putrefacto cadáver ortográfico que, inacreditavelmente, o governo português insiste em manter de pé.

 

MANEL.png

 

Um texto de:

Manuel Matos Monteiro (Autor, jornalista, formador e revisor)

 

Antes do Acordo, há UMA ortografia: “Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.”

 

Com o Acordo, há oito ortografias para a frase. E num livro acordizado há facilmente milhões de ortografias possíveis para o mesmíssimo texto.

 

Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeámos na avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeámos na avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeamos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeamos na Avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeamos na avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeamos na avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

 

Antes do Acordo, há UMA ortografia: “Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.” Com o Acordo, há oito ortografias para a frase.

 

Com o Acordo, “expectativa” aparece nos dicionários acordizados como sendo de dupla grafia em Portugal, porque se entende que há quem pronuncie e há quem não pronuncie. (São as trémulas “pronúncias cultas”.) Se um aluno escrever “expectativa” no singular e “expetativas” no plural, fazendo uso da facultatividade que o Acordo lhe dá, deverá o professor assinalar a anomalia?

 

A maiúscula inicial da “Avenida da Liberdade” passa a ser opcional, como resulta da Base XIX, 2.º, i).

 

E reza a Base IX, 4.º: “É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo amámos, louvámos, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos) […].”

 

Chamamos, chamámos, falamos, falámos, brincamos, brincámos, trocamos, trocámos — é facultativo distinguir o tempo pretérito do tempo presente. Se o contexto for ambíguo, o leitor que se amanhe. Em frases que aparecem desgarradas e desprovidas de contexto (na televisão, na imprensa, na Internet), a salgalhada é total. Numa época de hiperinformação tombando a cada instante, em que muitos só lêem os títulos, que mal tem a interpretação contrária quanto ao tempo em que se situa a acção ou quanto ao próprio sentido da frase? “Jogamos mal” ou “pagamos mal”, numa fonte acordizada, pode ser “jogámos mal” ou “pagámos mal”.

 

Uma palavra hoje muito na moda (que não me suscita simpatia alguma) é “expectável”. O Portal da Língua Portuguesa e a Infopédia, por exemplo, acolhem “expectável” e “expetável” (pronúncia que passam a legitimar e a fomentar…[i]). O verbo acordizado pode escrever-se “expectar” e “expetar”. Ou seja, no pretérito perfeito, temos “nós expetámos/expetamos/expectámos/expectamos”.

 

Não tenho conhecimento de outra língua em que na mesma pessoa, no mesmo tempo, no mesmo verbo, haja quatro ortografias.

 

No exemplo acima, se o verbo não fosse “passear”, mas um de dupla grafia, teríamos não oito, mas dezasseis formas ortográficas de escrever a frase. Se ainda acrescentarmos o inacreditavelmente facultativo acento de “dêmos”[ii] (para distinguir de “demos”), teremos trinta e duas ortografias para a frase, parágrafo ou texto. Se tivermos o nome de um curso (por exemplo, Medicina), também aqui passa a ser opcional a maiúscula… e vamos em sessenta e quatro ortografias. Um santo (ou santa) seguido do respectivo nome e eis outra nova facultatividade quanto à maiúscula inicial… cento e vinte e oito ortografias. O nome de um edifício (Palácio da Cultura/palácio da Cultura)… e outra facultatividade… duzentas e cinquenta e seis. O nome completo de uma igreja, opcional também a maiúscula inicial… quinhentas e doze ortografias. O nome de uma rua, mais uma nova facultatividade (Rua do Ouro/rua do Ouro)… mil e vinte e quatro ortografias. Basta mais uma palavra de dupla grafia e chegamos às duas mil e quarenta e oito ortografias. Com as facultatividades dos acentos, das maiúsculas iniciais e com as duplas grafias das palavras pronunciadas ora com ora sem consoante, bastarão vinte casos e teremos um milhão quarenta e oito mil quinhentas e setenta seis formas de escrever o mesmo texto. E assim sucessivamente multiplicando por dois. (Os números começam a ser terrivelmente assustadores, o Acordo torna-nos multimilionários das ortografias.)

 

Num livro acordizado, há facilmente mais do que vinte casos de facultatividades, ou seja, há milhões de ortografias possíveis para o mesmíssimo texto.

 

Se a isto somar as diferentes interpretações quanto às locuções que perderam os hífenes (e quanto às próprias consoantes mudas), porque os dicionários e os livros de estilo com o Acordo não se entendem [VER ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA PARTE III], a cabeça explode, não apenas pelo número de ortografias possíveis, mas por não haver dois dicionários ou prontuários acordizados que não tenham muitas divergências quanto àquilo que é a ortografia de certa locução ou palavra.

 

Ainda agora, nas notícias sobre o Mundial, li em órgãos de comunicação social que seguem o Acordo: “oitavos-de-final”, “quartos-de-final”, “ponta-de-lança” ora com ora sem hífenes, com flutuações dentro do mesmo órgão. Mero exemplo: num canal televisivo (o 5 na minha casa), no espaço de minutos, consegui ler “oitavos-de-final” com e sem hífenes. Antes do Acordo, inquestionavelmente com hífenes. Depois, a salgalhada que faz saltar os olhos. (Se quereis a minha opinião, caros acordistas, com o vosso Acordo, deve ser sem hífenes, ainda que o espírito da lei seja inexcedivelmente ambíguo, como já demonstrei antes. Ou seja, ficais com “guarda-redes”, “defesa-central”, mas “ponta de lança”; com “oitavos de final” e “quartos de final”, mas “meias-finais”[iii].) [VER ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA PARTE II.]

 

Lembremos as palavras mágicas do Acordo: simplificar, uniformizar, internacionalizar a língua. Hoje, demonstrada a fraude em toda a sua extensão (algum brasileiro passou a comprar um livro português por este seguir o Acordo e vice-versa?), sobra apenas o argumento, ou pretexto, de que já não podemos voltar atrás, de que as crianças já aprendem assim, de que teríamos de imprimir novos livros — blá-blá-blá que esconde o vácuo: apenas a inércia e a obstinação do orgulho de quem não admite que criou e deixou criar um monstro metuendo e indomável permitem que o Acordo não seja atirado para o sítio das coisas que não prestam para nada. O caixote do lixo que não é reciclável.

 

[i] O engenheiro informático João Miranda que trabalha em Praga escreveu-me numa mensagem de correio electrónico: “Uma das características interessantes do Acordo, que se presume ortográfico, é que interfere, esperada ou inesperadamente, com a pronúncia, em vez de interferir apenas com a ortografia. Houve quem mudasse a forma como sempre disse certas palavras (inconscientemente ou não), e, por outro lado, há palavras cuja pronúncia se impõe, porque os autores do Acordo [e aqueles que se viram obrigados a interpretá-lo, nem que fosse para fazer dicionários] acham que se deve dizer de determinada forma (e a grafia impõe essa leitura).”

 

[ii] veja-se o seguinte passo de Camilo Castelo Branco, em O Santo da Montanha: “Já que morreu a serpente, dêmos duas cabriolas; que, medrosos de seus olhos, nada até ora fizemos.” Perceba e sinta como o tempo verbal sem o acento é lido de outra forma. E já há Camilo acordizado por aí. Pegue na frase “Para que demos tudo?” e veja como a ausência do acento altera o sentido (além de aquele “para” poder tratar-se de um “pára”).

 

[iii] Lemos na Infopédia, num “artigo de apoio”, que “quartos-de-final” perde os hífenes com a “explicação”: “Com o Acordo Ortográfico, não se usa hífen na maioria das locuções.”

 

Mas porque acolhem outras com hífenes?! Não explicam. Tal como não explicam como se distingue a maioria da minoria. Porque o Acordo também não o faz na sua prosa enrolada da Base XV, 6.º.

 

MAIS DE MANUEL MATOS MONTEIRO:

 

Admirável Língua Nova (Parte VI)

https://www.publico.pt/2018/03/09/culturaipsilon/opiniao/admiravel-lingua-nova-parte-vi-1806033

Admirável Língua Nova (Parte VII)

https://www.publico.pt/2018/04/02/culturaipsilon/opiniao/admiravel-lingua-nova-parte-vii-1808831

Lugares-comuns da linguagem hodierna

https://www.publico.pt/2018/04/30/culturaipsilon/opiniao/lugarescomuns-da-linguagem-hodierna-1815866

 

Comentário:

mzeabranches

 11:07

Mais um excelente artigo! Obrigada por tentar abrir os olhos aos portugueses. A ignorância, a estupidez e a subserviência nacionais não têm limites, e abundam na classe dominante, política e intelectualmente. Por uma estranha maldição, Portugal despreza a sua língua materna, contrariamente a todas as outras nações, incluindo o Brasil. Passo a citar o Prof. Dr. António Emiliano, no seu Contributo para o Grupo de Trabalho da AR: «É uma péssima reforma ortográfica, que tem como mirífico objectivo a unificação ortográfica da "lusofonia" e que, na realidade, contribui de forma clamorosa, para a acentuação da fragmentação ortográfica da mesma.» Sugiro que vejam, na net, a opinião do Prof. universitário brasileiro Maurício Silva (USP), «Reforma Ortográfica e Nacionalismo Lingüístico no Brasil».

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/07/16/culturaipsilon/opiniao/admiravel-lingua-nova-parte-viii-1838111#comments

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:43

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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