Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2019

«Sophia, “A Menina do Mar” e as partidas dos meninos da terra»

 

«Sophia, que era declaradamente contra o Acordo Ortográfico, foi “adaptada” a ele numa edição recente que no resto não o respeita. Faz isto qualquer sentido?» (Nuno Pacheco in Jornal Público)


Não é só o livro “A Menina do Mar” que está acordizado. Todos os outros livros de Sophia para a infância foram acordizados, pelo motivo parvo que mais abaixo é referido (e está a negrito). Vi-os na Feira do Livro do Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, deste ano. Feriu-me a alma ver as obras para a infância, de Sophia de Mello Breyner, acordizadas, pela porto editora, assim em letras minúsculas, à acordês. Apeteceu-me comprá-los todos e ir queimá-los à rua. Mas não tinha onde queimá-los. Na próxima, providenciarei uma lata e queimá-los-ei, como lixo, não pelo conteúdo, que, para mim, é sagrado. Mas pela forma: um insulto à memória de Sophia. Um insulto à Língua Portuguesa. Um insulto às crianças portuguesas, as quais são forçadas a desaprender a própria Língua Materna, até porque o AO90 é uma fraude, não está em vigor, e ninguém é obrigado a aplicá-lo. E um livro em acordês, não é um LIVRO: é um conjunto de meras folhas de papel. (Isabel A. Ferreira)

 

LÍNGUA.png

 

 «Sophia, “A Menina do Mar” e as partidas dos meninos da terra»

 

Um texto de Nuno Pacheco, no Jornal Público.

 

«Está a chegar ao fim o ano em que se têm vindo a celebrar os centenários do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978) e Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). E se em Setembro essa celebração os juntou em pelo menos dois momentos (um colóquio no Brasil, no Rio de Janeiro, e um ciclo na Cinemateca, dedicados a ambos), agora é a vez dos Encontros Imaginários criados no grupo de teatro A Barraca darem voz a um “diálogo” entre os dois, com Maria do Céu Guerra a encarnar Sophia e José Manuel Mendes na pele de Jorge de Sena. A moderação, como sempre, cabe ao criador destes encontros, o encenador Helder Costa. Dia 16 de Dezembro, às 21h30.

 

Falando apenas de Sophia, este último trimestre tem sido pródigo em apontamentos sobre a sua vida e obra. Matosinhos dedicou-lhe um dia, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (onde agora, de 6 a 8, celebra Sophia e Sena na Festa da Poesia). E o Centro Cultural Vila Flor, de Guimarães, recebeu a adaptação para teatro e música do conto A Menina do Mar, pelo Teatro do Eléctrico, com encenação de Ricardo Neves-Neves e direcção musical de Martim Sousa Tavares (neto de Sophia). Anuncia-se ainda para 13 de Dezembro o espectáculo multimédia O Mundo de Sophia, pela Lisbon Poetry Orchestra, no Auditório Renato Araújo da Universidade de Aveiro. É o queimar dos últimos cartuchos. Oxalá não lhes suceda, depois, o silêncio.

 

Mas ainda falando de Sophia, foi recém-lançada uma “edição muito especial” do conto A Menina do Mar, pela Valentim de Carvalho. E o “muito especial” justifica-se por juntar àquele que foi o primeiro livro infantil de Sophia (de 1958) duas leituras dramatizadas distintas: a que dele fizeram, em 1961, os actores Eunice Muñoz, Francisca Maria, António David e Luís Horta, com direcção de Artur Ramos e música de Fernando Lopes-Graça (aqui incluída em CD); e o espectáculo estreado em Fevereiro no São Luiz, em Lisboa, interpretado por Carla Galvão e Filipe Raposo (ao piano) a partir de música de Bernardo Sassetti (1970-2012), com direcção de Paula Diogo e animações de Beatriz Bagulho, também chamada a ilustrar o livro (o espectáculo surge aqui em DVD). Para dar um ar ainda mais “especial” à edição, pensada e produzida por Rui Portulez, o texto introdutório é de Marcelo Rebelo de Sousa, que sublinha estarmos perante “diferentes leituras, diferentes gerações e diferentes métodos de revisitar um texto fundador.”

 

A única estranheza resulta desta pequena nota incluída na ficha técnica: “Considerando a sua possível leitura em contexto escolar, este livro respeita as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assumindo a Porto Editora a responsabilidade desta adaptação”. É curioso, porque nem a ficha nem o texto do Presidente da República têm essa preocupação, lendo-se, neles, palavras “proibidas” como “direcção” ou “espectáculo”. Será porque pensam que estes não serão lidos “em contexto escolar”? Vamos então conferir o trabalho de adaptação feito no texto original de Sophia. “Hei-de” passou a “hei de”; “Outono” a “outono” (3 vezes); “Verão” a “verão”; “Primavera” a “primavera” (2 vezes); “Inverno” a “inverno”; “projecto” a “projeto”; “vêem” a “veem”. E é só. Dez alterações, ao todo. Justificava o trabalho? Justificava a nota?

 

Aqui podem sempre brandir-se dois argumentos. Um, a favor do Acordo, que dirá: estão a ver, quase não se nota. Outro, contra, que oporá: se quase não se nota, para quê mexer? Sobretudo quando se sabe que Sophia foi declaradamente contra o Acordo Ortográfico? Teve até uma argumentação em dez pontos, em entrevista ao JL, em 1991. Recordemo-la, na íntegra:

 

“1. A cultura é feita de exigência e este acordo é feito de transigência. 2. Vai alterar, em muitos casos, a dicção oral. 3. Vai desfigurar o carácter emblemático e a estética da escrita. 4. Vai-nos separar da tradição grega e latina e, assim, para os estrangeiros que falam línguas românicas, o Português vai-se tornando mais difícil. 5. Vai destruir a modulação das vogais, tornando algumas delas surdas. 6. O acordo nada unifica, pois constantemente recorre a alternativas. 7. A escrita nunca pode coincidir com a fala. 8. A ortografia pertence ao número de coisas que só raríssimas vezes devem ser modificadas, pois também na forma gráfica nos reconhecemos. 9. É verdade que as línguas evoluem, mas evoluem dentro das leis que lhes são próprias e segundo o espírito criador do tempo. O mesmo é verdade para a escrita que, por isso, não pode ser modificada por comissões nem por estratégias políticas. 10. A única palavra portuguesa cuja ortografia precisa de ser mudada é dança que se deve escrever com ‘s’ como era antes, porque o ‘ç’ é uma letra sentada.”

 

Tirando esta última sugestão poética, que os defensores do Acordo costumam usar como caricatura, a argumentação de Sophia é clara. Corrigi-la postumamente é indefensável, pelo que o livro, para honrar a sua memória, deveria ser mantido na grafia original da autora. Porque não são as dez palavrinhas que estão em causa, mas sim uma questão de princípio. Ou sugerem atirar à fogueira as edições anteriores, não vão as crianças ter um choque ao lê-las?»

 

Fonte:

https://www-publico-pt.cdn.ampproject.org/v/s/www.publico.pt/2019/12/05/culturaipsilon/opiniao/sophia-menina-mar-partidas-meninos-terra-1896127/amp?fbclid=IwAR0NAf6QEUEx-oxR2QkuAKY_KZNyt5gtB6JOAvmszERuXYUH7RP1jfvjQqg&amp_js_v=0.1#referrer=h

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:59

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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2019

Ir de “cavalo para burro”, ou seja, de Língua para Dialecto, no caso da imposição do AO90 a Portugal, não significa desdenhar do Dialecto, louvando a Língua…

 

Vem isto a propósito de um comentário que Pedro Luís Azevedo, fez ao meu texto «O que talvez não se saiba sobre o AO90, e é crucial saber, para não se fazer papel de parvo». Consultar o link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-que-talvez-nao-se-saiba-sobre-o-ao90-218187?fbclid=IwAR0XuNdzLXI1Dcsirt07mWpW2PdTTRLlHOEyK7bNjDNF93htvY72BjzxbUc

partilhado no Facebook, por Irene Noites, no Grupo «Em Acção Contra o Acordo Ortográfico».

 

Mais abaixo, partilharei o comentário, e a resposta ao comentário, mas vou adiantando o seguinte:

 

«O Português já foi dialecto do Latim. Não se esqueçam disso. O que isto significa é que uma Língua que já ascendeu a Língua, não pode recuar para dialecto, sem que isto não constitua um retrocesso, ou, como sabiamente diz o povo: não pode ir de cavalo para burro. Contudo, um dialecto pode ascender a Língua, e a partir de então tem a sua dignidade garantida.» Consultar o link «Do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro»:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/do-que-falamos-quando-falamos-do-138183

 

Verdade.png

 

Pedro Luís Azevedo A Sra Irene Noites, com a sua fúria (que entendo e aliás acompanho) contra o 'AO'90 deve todavia esforçar-se na prudência para não alienar o apoio de todos no propósito que persegue e que é comum a todos os membros deste Grupo: a revogação do 'A'O90. Ao escrever "destruir a Língua Portuguesa e promover o Dialecto do Brasil" e mais à frente "é um tremendo retrocesso passar de cavalo para burro, ou seja, de Língua para Dialecto", não só ofende todos os falantes da variante brasileira da língua portuguesa, como atribui implicitamente uma escala de graduação de 'autenticidade' e de suposta 'superioridade' da variante falada em Portugal face à do Brasil. É um erro e é contraproducente. Todas as variantes da nossa língua (portuguesa, brasileira, angolana, etc) são igualmente 'autênticas', 'puras' e 'importantes'. A língua portuguesa falada em Portugal não beneficia de qualquer 'legitimidade linguística' superior à de qualquer outra variante. E sim, o português escrito e falado em Portugal é uma variante! Fico perplexo quando alguém atribui mais genuinidade à variante usada por um qualquer cidadão que vive e nasceu em Portugal face à variante usada por um seu primo afastado que vive e nasceu no Brasil, ambos descendentes de um dado cidadão que nasceu em Portugal e emigrou para o Brasil, por exemplo, no séc. XVIII! É a territorialidade que define um deles como falante de uma Língua e o outro como falante de um Dialecto?! Por amor da santa! Aliás, com a revogação do 'A'O90 obter-se-ia exactamente o livre curso das diversas cambiantes da Língua Portuguesa, sem espartilhos contra-natura e enriquecendo o todo... não é isso o pretendido? Para quê perder tempo com lateralidades? Muitos brasileiros defendem exactamente essa 'libertação linguística', são contra o 'A'O90. E também não podemos esquecer que a sua esmagadora maioria não quer saber para nada desse suposto acordo e vai continuar a seguir o seu caminho linguístico independentemente do que fizermos no nosso país. Para eles é praticamente irrelevante se pensamos assim ou assado. Até porque o malfadado 'A'O90 representou uma absoluta capitulação aos interesses deles, e a culpa disso é exclusivamente nossa! Sendo isto verdade, para quê pormo-nos em bicos de pés a bradar aos quatro ventos que o seu 'português' é mero dialecto? A troçar do 'seu' português, quando representam 200 milhões de falantes?! Se eu fosse brasileiro, sorriria do ridículo de tal discurso...

 

***

 

Senhor Pedro Luís Azevedo, lamento que não tivesse sabido interpretar correctamente a expressão «ir de cavalo para burro». É o que faz partir para a leitura de um texto, já com ideias preconcebidas.

 

Sugiro que leia o texto: «Do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro», no link supracitado. E talvez possa entender do que se fala quando se fala de destruir a Língua Portuguesa, para promover o Dialecto Brasileiro. Até porque, senhor Pedro Luís Azevedo, a Língua Portuguesa não é uma variante dela própria. A Língua Portuguesa É a Língua Portuguesa. Portanto, é a genetriz de todas as variantes existentes, incluindo a brasileira, como pode consultar no mesmo link.

 

Quando digo que o AO90 empobrece a Língua Portuguesa, quero dizer que o AO90 empobrece a Língua Portuguesa, e não a variante brasileira - o dialecto brasileiro. Certo?

 

Os Brasileiros têm o direito à língua deles. Optaram por afastar-se da Língua Portuguesa, quando rejeitaram o AO45, e elegeram o AO43 (elaborado unilateralmente) como o idioma nacional, a Língua do Brasil, mas oficialmente (por conveniências várias) mantiveram a designação de “Português do Brasil”.

 

Portanto, a partir desse momento, o que eles escrevem e falam no Brasil, já não é Português. É um dialecto oriundo do Português, e a designação "Português do Brasil" não é correcta.

 

Por muito que o Brasil queira "colar-se" ao Português (que já nem sequer é estudado nas escolas brasileiras com esta designação, mas como «Comunicação e Expressão») por ser uma Língua Europeia (não é uma qualquer língua ali da esquina) não é correcto, chamar-lhe "Português", porque não é.

 

O senhor diz: «Todas as variantes da nossa língua (portuguesa, brasileira, angolana, etc) são igualmente 'autênticas', 'puras' e 'importantes'. A língua portuguesa falada em Portugal não beneficia de qualquer 'legitimidade linguística' superior à de qualquer outra variante. E sim, o português escrito e falado em Portugal é uma variante! Fico perplexo quando alguém atribui mais genuinidade à variante usada por um qualquer cidadão que vive e nasceu em Portugal face à variante usada por um seu primo afastado que vive e nasceu no Brasil, ambos descendentes de um dado cidadão que nasceu em Portugal e emigrou para o Brasil, por exemplo, no séc. XVIII!.»

 

Eu é que fiquei assustadíssima com esta sua absurdez. Não sei qual é a sua formação académica, mas de certeza que não é da área das Letras, para dizer que o Português escrito e falado em Portugal é uma VARIANTE. É uma variante de quê? Sabe o que, em Linguística, significa VARIANTE? Significa DIALECTO. Como é que o PORTUGUÊS falado e escrito em Portugal pode ser dialecto dele próprio

 

Pois o senhor fica perplexo porque não domina esta matéria.

 

À Língua Portuguesa, atribuiu-se, com toda a legitimidade, a genuinidade de uma Língua que originou umas quantas VARIANTES, que obviamente NÃO É o Português falado e escrito em Portugal. Que absurdo!


Bem, eu não queria, juro que não queria, referir a sua iliteracia, contudo, mediante a sua última frase: «A troçar do 'seu' português, quando representam 200 milhões de falantes?! Se eu fosse brasileiro, sorriria do ridículo de tal discurso...» terei de dizer-lhe que LEIA com olhos de INTERPRETAR, e não com olhos de desinterpretar, o que eu escrevi. E se tiver capacidade de interpretação, chegará à conclusão de que, no meu texto, não troço da Língua de 200 milhões de falantes (e apenas de 200 milhões de falantes e mais nenhuns) que também foi a minha, desde a infância à juventude, pois foi no Brasil que aprendi a ler e a escrever e praticamente a falar, até porque chamar “dialecto” à língua que se escreve e fala no Brasil não é troçar, é citar os linguistas brasileiros e portugueses, numa verdade que muitos brasileiros aceitam, mas não, os portugueses desinformados (para não dizer outra coisa), como o senhor. E tenho certeza de que nenhum brasileiro culto sorriria de um discurso que contém uma verdade indesmentível. A não ser os que, como o senhor, nada sabem de Linguagens.

 

Porém, se quiser informar-se, leia o texto já sugerido acima, e mais os que se seguem, para que possa comentar com conhecimento, e não com desconhecimento.

 

Dialecto Brasileiro? Língua Brasileira? Novo Dialecto Luso-Acordês, engendrado pelo AO90? Que Língua para os países da “Lusofonia”?

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/dialecto-brasileiro-lingua-brasileira-174151

 

«Reflexões sobre a história da "Língua Brasileira"»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/reflexoes-sobre-a-historia-da-lingua-137008

 

«A Língua Brasileira»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-lingua-brasileira-99635

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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Quinta-feira, 28 de Novembro de 2019

O que talvez não se saiba sobre o AO90 e é crucial saber, para não se fazer papel de parvo

 

Fico pasmada com a ignorância que por aí vai, no que respeita ao modo como agora se escreve a Língua Portuguesa.

 

A maioria dos Portugueses não sabe o que é isso do AO90. Quando se pergunta por aí por que escrevem “fatura” em vez de faCtura, a resposta é de pasmar: «Agora escreve-se assim». E porquê? «Porquê o quê?». Por que é que agora se escreve assim? «Ora porque agora é assim, mandam escrever assim». Sabe o que é o Acordo Ortográfico de 1990? «O que é isso?».

 

Um destes dias, numa estação de serviço na A7, li o seguinte, num aviso colado à máquina registadora: «Se quiser fatura, deve pedi-la quando afatuar o pagamento». E isto já foge ao âmbito do “acordo”.

 

Ainda estava do lado de cá da fronteira com Espanha. Mas em Espanha não se escreve assim tão mal. Aliás, em país europeu nenhum, se escreve assim tão mal.

 

PARVOÍCE.jpg

 

Os Portugueses, no seu gosto desenfreado e patológico de imitar tudo o que é estrangeiro, acabam por cair na parvoíce e na deselegância, neste caso, na deselegância da escrita.

 

Em Portugal, como aliás em todos os países ditos lusófonos, quase ninguém sabe o que é o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), e as implicações perniciosas da sua aplicação.

 

E quando nos aparece alguém a dizer (uns, parvamente, outros, ingenuamente): «Ah! Agora escreve-se assim» e lhes falamos, por exemplo, no livro do Embaixador Carlos Fernandes «O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor» os parvos evocam imediatamente o Malaca Casteleiro (esse é que as sabe!); os ingénuos não se interessam por leituras, estão mais virados para o futebol e para os programas altamente "colturais" dos “casamentos” e "namoros", transmitidos na SIC e TVI, a somar às novelas.

 

E quem ganha com esta parvoíce de uns, e ingenuidade de outros?

 

Obviamente, os actuais governantes portugueses, os que se arvoram em "donos da Língua", e que recebem ordens para destruir a Língua Portuguesa e promover o Dialecto do Brasil.

Até porque eles sabem que Portugal é o país europeu com o maior índice de analfabetismo; e  também sabem que 80% da população não se interessa nada por estas coisas da Cultura, da Língua e da Identidade Portuguesas, e que as informações cruciais acerca das verdades sobre o AO90 confinam-se a um universo de 20% dos Portugueses.

 

É uma falácia dizer que o AO90 tem a ver com a evolução da Língua, quando é um tremendo retrocesso passar de cavalo para burro, ou seja, de Língua para Dialecto.

 

Posto isto, aqui deixo uma informação útil, assente nos pareceres de juristas, de linguistas habilitados (porque os há desabilitados, co mo Malaca Casteleiro e quejandos)  e dos estudiosos desta droga alucinogénia chamada AO90, e principalmente baseada no livro: «O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor – Prepotências do Governo de José Sócrates e do Presidente Cavaco Silva», do Embaixador Carlos Fernandes, que nenhum governante, incluindo o PR, e professores de Português leram, para estarem informados do que é essa fraude do AO90.

 

- O AO90 agride barbaramente a etimologia das palavras, empobrecendo a ortografia portuguesa, desenraizando-a da sua família indo-europeia;

 

- O AO90 é tecnicamente insustentável; juridicamente inválido, politicamente insciente e materialmente impraticável;

 

- O AO90 não tem validade internacional, até porque não passa de uma fraude;

 

- O AO90 é ilegal e inconstitucional, não estando em vigor na ordem jurídica internacional;

 

- Os professores ensinam nas escolas portuguesas, sob coacção, uma ortografia baseada na "Cartilha Brasileira", juridicamente ilegal, porquanto não existe lei alguma que o sustente;

 

- Na ordem jurídica internacional a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) Nº 8/2011, que “obrigou” à aplicação do AO90, não tem qualquer valor de lei;

 

- Não é preciso ser um génio da jurisprudência para reconhecer que   Portugal agiu de má-fé e com abuso de poder, ao permitir que o 2º protocolo tivesse força de Lei, uma vez que este protocolo não foi ratificado por todos os países, segundo o tratado original;

 

- O AO90 é uma burla à Lei Constitucional e aos princípios elementares da Democracia e do Estado de Direito;

 

- O AO90 viola o princípio da igualdade dos Estados;

 

- Não existe Lei alguma que o torne obrigatório, a única Lei existente que está em vigor em Portugal e na ordem jurídica internacional é o Decreto-Lei Nº 35.228, de 8 de Dezembro de 1945, e alterado pelo Decreto-Lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro de 1973, que não foi revogado;

 

- A Resolução do Conselho de Ministros (RCM) Nº 8/2011, que “obrigou” à aplicação do AO90, não tem valor de lei;

 

- Nenhum cidadão português pode ser penalizado por se recusar a aplicar o AO90, algo que é ilegal, é uma fraude e não tem validade internacional;

 

- Rejeitar o AO90 é um acto de cidadania, não punível por Lei;

 

- Quem aplica o AO90 ou está  mal informado ou de má-fé.

 

- Quem aplica o AO90 é cúmplice de uma ilegalidade, de uma inconstitucionalide, de mentiras e de fraudes cometidas pelos intervenientes;

 

Consultar este link, para confirmação:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-203378

 

- A aplicação ilegal do AO90 sujeita-nos à vergonha de Angola, Moçambique, Timor, Guiné Bissau e S. Tomé e Príncipe não aceitar o acordo porque têm mais respeito pela Língua Portuguesa do que os portugueses que o aplicam ilegalmente, sendo os governantes,  (presidente da República à cabeça, como Chefe de Estado), o primeiro-ministro, os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Educação,  os principais responsáveis pelo caos ortográfico instalado em Portugal.

 

***

 

Depois disto, a grande e crucial pergunta, que todos os Portugueses devem fazer, principalmente os professores, exigindo uma resposta urgente e objectiva, antes de se curvarem servilmente diante do monstro ortográfico, é a seguinte:

 

Qual a Lei ou Decreto-lei que obriga os Portugueses a aplicarem o AO90?

 

É que só uma lei ou um decreto-lei poderá obrigar os cidadãos portugueses a aplicarem a ortografia brasileira, disfarçada de AO90. Onde está essa Lei? E não venham com a RCM Nº 8/201, porque isto não tem qualquer valor de lei.

 

Ninguém é obrigado a fazer o mesmo que as outras pessoas fazem, só por imitação, ignorância ou servilismo (a isto chama-se carneirada). E carneirada é o que mais há em Portugal.

 

E não esquecer que passar a palavra sobre esta informação útil é um dever cívico de todos os Portugueses que se prezam de o ser.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:26

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Terça-feira, 26 de Novembro de 2019

«A arrogância do grande propagandista do Acordo “Tortográfico” começa a ser patológica»

 

Isto é um facto. E quem o diz é uma mulher portuguesa, pensante, lúcida, sem papas na língua, que não tem medo de caras feias, nem de bichos-papões. Uma mulher comparável às “padeiras de Aljubarrota” de outros tempos, as quais, lamentavelmente, escasseiam, hoje, em Portugal. E são tão necessárias, neste momento difícil, de caos e insanidade que o nosso País vive!

 

Esta mulher, por quem tenho a maior admiração e respeito, é Idalete Giga, professora universitária, autora da análise, em jeito de desabafo, que se segue, extremamente lúcida e real, no que concerne à pouca-vergonha que envolve o AO90, e a qual subscrevo na íntegra.

 

Isabel A. Ferreira

 

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Vem esta análise a propósito do que disse Manuel Maria Carrilho, num vídeo que circula na Internet, e que está publicado neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-laxismo-nacional-do-fim-dos-chumbos-216233?tc=24781008632

 

(As passagens a negrito são da responsabilidade da autora deste Blogue )  

 

 Por Idalete Giga

 

"A ignorância casou com o Poder". Foi com estas palavras que Manuel Maria Carrilho terminou a sua intervenção, no vídeo, referindo-se ao (des)AO90. Também afirmou logo no início que este Acordo Ortográfico é um crime de lesa-pátria!

 

Acrescento que quanto mais tarde se atacar o problema, mais danoso se torna, sobretudo para as crianças que são obrigadas a escrever o absurdo "acordês"(!) Mas parece que o (des)governo continua a assobiar para o lado. A arrogância do grande propagandista do Acordo TORTOGRÁFICO começa a ser patológica, pois não assumir o erro do maior desastre linguístico ocorrido na nossa História, revela uma estranha patologia. O grande propagandista e ilusionista é o ministro dos N. Estrangeiros Santos Silva. (!)

 

Quanto ao fim dos chumbos é uma monstruosidade pedagógica. É alimentar o facilitismo, a irresponsabilidade, a desigualdade entre os alunos, tudo por uma questão economicista repugnante. É uma medida que se for avante, causará um mal-estar permanente em toda a comunidade educativa. Poupar 250 milhões de euros à custa das crianças é um crime (!) Em Portugal andamos sempre a copiar modelos estrangeiros. Pois este modelo de passar de ano, quer se tenha ou não aproveitamento, já fracassou na Inglaterra (!) Agora é até ao 9º ano, depois será no 10, 11º e 12º e finalmente na Universidade (!!!!!!!!!!!!!!!) E VIVA A IGNORÂNCIA, O ANALFABETISMO LEGALIZADOS POR IDIOTAS (!!!!!!!!!!!!!)

 

(…)

 Não sei como tudo isto vai terminar. Nunca se viu uma coisa destas (!) E hoje, dia da manifestação das forças de segurança (PSP e GNR ) o (des)governo que teme, sem dúvida, quem nos defende, manda colocar um VERGONHOSO MURO junto da escadaria do Palácio de S. Bento (!!!!) Isto é inadmissível. É tratar os polícias como terroristas e malfeitores. É um insulto a todos os portugueses. Quem não deve, não teme, mas o (des)governo teme porque deve. Deve muito. Deve milhões aos portugueses que trata como escravos : não são só os polícias. São os médicos, enfermeiros, professores de todos os graus e níveis de ensino. São os reformados que recebem pensões de miséria, etc., etc. Os três pilares em qualquer País desenvolvido e democrático são a EDUCAÇÃO, a SAÚDE, a JUSTIÇA. Pois qualquer destes pilares estão a colapsar PERIGOSAMENTE (!) E o PR alimenta toda a paz podre que se vive em Portugal. Se ele visse a revolta da maioria do povo português que cresce dia a dia pelos mais variados motivos, fugiria já para o Brasil para junto da família que lá vive....

 

(…)

É assustador o que se está a passar em Portugal, em todos os seCtores importantes da vida do País, mas o mais assustador ainda é que o (des)governo continue a usar óculos cor-de-rosa e o PR ajude à absurda festa (!)

 

(…)

«Que problema, Amiga! Ouviu hoje o propagandista do (des)AO/90? Santos Silva, a propósito da criação do dia 5 de Maio que foi destinado à"Língua Portuguesa"? - Não tem um pingo de vergonha e continua a mentir descaradamente sobre a Língua Portuguesa. Coloca tudo no mesmo saco e continua a falar despudoradamente de "Língua comum" que é cada vez mais falada no mundo… Mas qual comum, qual carapuça? É o português do Brasil que se tem espalhado, efectivamente, e não o Português europeu que é o LEGÍTIMO!!!! Mas este, a continuar com a profunda arrogância e desprezo do propagandista e não só, por todos os portugueses que não aceitam o Acordo TORTOGRÁFICO transformar-se-á, como já foi afirmado por gente que pensa com a sua cabeça, num simples DIALECTO (!) Isto causa-me arrepios e uma revolta sem limites (!!!!!!). Parece que está tudo rendido à grande burla que foi e continua a ser o maldito e absurdo AO90 (!!!!!!!) Mas que Portugal é este?????????

(…)

Não há dúvida que o "lápis azul da pide facebookiana" é uma realidade. Não tenho quaisquer dúvidas que há um complot do silêncio para calar quem se revolta das mais variadas formas contra o maldito e absurdo desAcordo Tortográfico(!) Neste complot, também o PR está comprometido, vergonhosamente, já que, segundo tem afirmado, é contra o AO (!) Há tanto lóbi metido neste cano de esgoto que serão necessárias, talvez duas ou três gerações ( Já cá não estarei) para fazer JUSTIÇA À NOSSA QUERIDA LÍNGUA MATERNA que vários desgovernos têm ajudado e continuam a ajudar à sua decadência (!)

 

(…)

Mas neste momento quem é que ouve a voz da razão? - Por enquanto é a voz da força e do totalitarismo desenfreado, nojento, desumano, que impera (!)

 

 

***

Perfeito, prezada amiga Idalete Giga.  Eu não diria melhor. E concordo plenamente com tudo o que disse. Assino em baixo.

 

E pergunto-me: por que será que todas as pessoas lúcidas chegam à conclusão, que tão brilhantemente Idalete Giga expôs, excePto os governantes, fechados no seu mundinho bacoco, cegos, surdos e mudos à racionalidade, que grita ao redor deles? Eles vão cair. Tenho certeza disso. E quando caírem, cairão de vez, e ficarão para a História como os maiores inimigos que Portugal já teve.

 

Espero que esta sua análise, em jeito de desabafo, possa ajudar a abrir o escuro em que vive o nosso tão apatetado país, governado por tão cega gente!  

 

***

Vou aproveitar esta maré de desabafos, para transcrever outro desabafo. Desta vez, o de Luís Paixão Martins, consultor de comunicação e relações públicas, que fundou a LPM Comunicação, e criou o NewsMuseum.

 

 «O meu modesto desabafo sobre o Acordo Ortográfico

 

O coiso foi-nos vendido como uma fórmula para homogeneizar a escrita da Língua Portuguesa nos vários países que a usam oficialmente. Sim, parece boa ideia.

 

Mas, desconfia-se logo, será que falámos com os outros? E os outros estão de acordo com o Acordo? E, tendo-o subscrito porque somos todos uns porreiros, irão aplicá-lo? E as assinaturas dos porreiros da Língua Portuguesa serão ratificadas nos respectivos órgãos de soberania?

 

Pensa-se logo no Brasil. Para que uma potência com 200 milhões de habitantes precisa dos apenas 10 milhões de portugueses para reforçar o peso global da língua comum? Sim, calcula-se, o Brasil não se irá (nunca) adaptar a um Acordo com Portugal. Por que não precisa. Ponto final.

 

Portanto, o desígnio do Acordo – digo eu, modesto utilizador profissional da Língua escrita -  fica logo ferido de morte.

 

Mesmo assim, perguntar-se-á, e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa? Aqui, cada caso é um caso, mas sobressai – pela sua dimensão geoestratégica e económica – o caso de Angola.

 

E não é que Angola – a Nação de Língua Portuguesa com quem Portugal tem relações mais fortes – também não adere ao Acordo.

 

Resultado: quem escreve simultaneamente conteúdos para Portugal e Angola tem de aplicar duas normas ortográficas. Ou aplica em Portugal as normas antigas.

 

Isto é surreal. Afinal, aquilo que nos venderam como sendo um instrumento de aproximação transformou-se em mais uma dificuldade e um afastamento.

 

Antes do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (é assim que se chama o coiso) havia duas normas ortográficas oficiais divergentes. O coiso foi criado para as unificar. Agora temos três normas.

 

É o milagre da multiplicação da Língua Portuguesa.»

 

Fonte do texto e da imagem:

http://www.ateoriadoq.pt/content/o-meu-modesto-desabafo-sobre-o-acordo-ortografico

 

***

Um milagre que ninguém pediu, nem desejou.

Vade retro satanás, com tal diabólico “milagre”!

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:23

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Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019

«Escrutínio parlamentar, precisa-se!»

 

(…) «E claro — acima de tudo — a complacência e a tibieza com que vê empurrada com a barriga a permanência de um mentecapto «acordo ortográfico» com graves consequências educativas e culturais para as gerações do futuro.» (Vasco Rosa)

 

Uma crítica lúcida, num texto de Vasco Rosa, no Blogue Corta-Fitas, à inacção do governo socialista, empenhadíssimo em destruir a Cultura e a Língua Portuguesas.

 

E a pergunta que se impõe é esta:  por que será que todas as pessoas lúcidas chegam à conclusão veiculada por Vasco Rosa, excePto os governantes portugueses?

 

Ministra da Cultura.jpg

por Corta-fitas, em 18.11.19

(Nota: o excerto a negrito é da responsabilidade da autora deste Blogue)

 

Texto de Vasco Rosa

 

«Desconheço que actividade tem a Comissão de Cultura do parlamento português, ou que acção desenvolvem os assessores ditos culturais — se os há — dos partidos de centro-direita, mas não deixa de ser flagrante a ausência de escrutínio parlamentar às políticas de cultura dos governos de António Costa e seus aliados, diante do avolumar de casos de burocratização, desinvestimento ou do mais insultuoso desleixo patrimonial.

 

A recentíssima denúncia de que a maioria dos directores de museus e monumentos nacionais está em situação de precaridade por ausência de concursos, com todos os prazos legais ultrapassados para esse efeito — enquanto são forçados por lei nova a planos de actividade plurianuais que não sabem se eles ou outros vão cumprir —, é apenas um desses casos que raiam o absurdo de o próprio Estado não cumprir ele próprio leis que aprovou. Mas há bastante mais, desde a gravíssima e lastimosa situação da Biblioteca Nacional ao adiamento da renovação da lei do depósito legal de livros, da falta de uma campanha nacional de digitalização documental à medíocre, mas bastante dispendiosa «internacionalização da cultura portuguesa», onde o clientelismo impera sem pudor, e milhões gastos de nada servem de facto. E claro — acima de tudo — a complacência e a tibieza com que vê empurrada com a barriga a permanência de um mentecapto «acordo ortográfico» com graves consequências educativas e culturais para as gerações do futuro.

 

Enfrentar e desmascarar — e tão fácil é — o mais que propagandístico «amor da esquerda pela cultura» é algo que precisa de ser feito, e a chamada de ministros a prestar contas e esclarecer políticas deveria ser parte do trabalho parlamentar de quem não quer resignar-se a uma fatídica travessia de deserto.»

Vasco Rosa

 

Fonte:

https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/escrutinio-parlamentar-precisa-se-6839985?fbclid=IwAR0O4FbJfOD1XddXa9Hds3LOYmztRgSJK8pz38P7ARePcS2lh_jlqsWxAQg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:08

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Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019

«Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (ILC-AO) finalmente admitida na Assembleia da República»

 

«O regresso da questão ortográfica ao Parlamento deixou finalmente de ser uma possibilidade e passou a ser uma certeza. Graças à nossa ILC, os deputados passam a dispor da oportunidade de corrigir o colossal erro histórico ocorrido naquele mesmo plenário, em 2008, quando os deputados de então aprovaram o II Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico — uma aberração partidária fabricada à medida para fazer passar à força o AO90, uma aberração política.»

 

AR.jpg

 

«ILC-AO finalmente admitida na AR»

 

Por Rui Valente

 

«Na sequência da “nota de admissibilidade” elaborada pela Divisão de Apoio ao Plenário e do respectivo despacho positivo de S. Excia. o Presidente da Assembleia da República, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico foi finalmente admitida no Parlamento, tendo baixado à 12ª Comissão Permanente — que, nesta nova Legislatura, adopta a designação de Comissão de Cultura e Comunicação.

 

Depois da entrega da ILC em Abril e de dois pedidos de entrega de assinaturas suplementares (em Maio e em Setembro), a ILC-AO/Projecto de Lei 1195/XIIIª deixou de estar simplesmente “entregue” na AR, para passar finalmente à condição de “admitida”. E, por consequência, apenas aguardando agora o seu agendamento.

É certo que, desde Abril, a ILC-AO deu já alguns passos concretos. A simples entrega da ILC permitiu-nos colocar o tema do Acordo Ortográfico na ordem do dia, quer em reuniões com Partidos Políticos quer na campanha eleitoral que entretanto decorreu. Mas a actual mudança de estatuto é, sem dúvida, ainda mais importante. Desde logo, ao ser admitida a ILC, a Assembleia da República afasta de vez qualquer cenário de rejeição liminar, reconhecendo que esta Iniciativa cumpriu todos os requisitos formais e que o respectivo Projecto de Lei incide sobre matéria da competência do Parlamento. Outra coisa não seria de esperar mas é sempre bom vermos este passo concretizar-se expressamente.

 

Além disso — e isto será talvez o mais importante — torna-se claro, neste momento, que só algo muito (mas mesmo muito) estranho poderá agora impedir o debate e votação da ILC-AO em sessão plenária.

 

O regresso da questão ortográfica ao Parlamento deixou finalmente de ser uma possibilidade e passou a ser uma certeza. Graças à nossa ILC, os deputados passam a dispor da oportunidade de corrigir o colossal erro histórico ocorrido naquele mesmo plenário, em 2008, quando os deputados de então aprovaram o II Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico — uma aberração partidária fabricada à medida para fazer passar à força o AO90, uma aberração política.

 

Não caberá aqui recapitular toda a nossa longa luta contra ambas as aberrações, lá chegaremos, mas para já conviria dizer que ainda não ultrapassámos todas as barreiras.

 

Estes serão os próximos (e derradeiros) passos de tramitação: a Comissão de Cultura irá nomear um dos seus membros como “deputado relator” para, num prazo de trinta dias, elaborar um relatório sobre o nosso Projecto de Lei. Durante esta fase, a nossa Comissão Representativa será naturalmente ouvida na Comissão de Cultura. Quando receber o relatório, o Presidente da Assembleia da República promoverá o agendamento da apreciação da ILC-AO para uma das dez sessões plenárias subsequentes.

 

Não deixa de ser um momento simbólico para uma Iniciativa Legislativa que se viu muitas vezes obrigada a atravessar o deserto, sempre sem o apoio de quaisquer Partidos, sindicatos, estruturas organizadas (ou mesmo desorganizadas), organismos (públicos ou privados), ordens de qualquer tipo ou entidades profissionais de qualquer género ou sequer de grupos organizados de apoiantes e voluntários.

 

Esta foi desde sempre e continuará a ser enquanto for preciso uma verdadeira Iniciativa Legislativa de Cidadãos — Causa nacional, transversal, independente e livre.»

Fonte:
https://ilcao.com/2019/11/13/ilc-ao-finalmente-admitida-na-ar/?fbclid=IwAR27JTn19Tk9VNDTUOI9qfoznCi-RcbaQhiaIP7eflYeWaPl77xnz4Nlhdk

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:43

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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019

António Costa diz que quer “promover o sucesso escolar” sem chumbar os alunos até ao 9º ano, mas não diz que um aluno que repete o ano, sai mais caro ao Estado, do que um quase analfabeto

 

Como se promove o sucesso escolar com base no insucesso?

 

O sucesso escolar só é promovido com SABER, não com ignorância.

 

A falta de uma política de Ensino, baseada no SABER e na má preparação dos professores (nem todos felizmente) e no  caos em que se transformou o ensino da Língua Portuguesa, importante PILAR para todas as disciplinas, porque é a Língua que gera a LITERACIA, e na  trapalhada em que o ensino se tornou, está na base do elevado índice de insucesso escolar, em Portugal, país com o maior índice de analfabetismo (sem contar com os analfabetos funcionais que por aí  já circulam, incluindo na classe docente), como pode comprovar-se neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/portugal-tem-a-taxa-de-analfabetismo-96078

 

Mas vamos dar voz à professora Teresa Botelho, e ao professor universitário Fernando Alberto II.

 

escola.png

 

Texto de Teresa Botelho, que subscrevo na totalidade.

 

«Explique-me quem puder, onde vai parar a literacia e a cultura deste país, porque se os erros ortográficos já fervem em muitos comentários que por aí leio, como será se acabarem as retenções e os meninos forem para as escolas só porque sim?

 

Se nesta altura do ano ainda faltam professores em muitas escolas, onde vão arranjar quem dê apoio aos alunos que transitam para o ano seguinte sem saberem nada do que ficou para trás e quantas horas lectivas a mais se irão acrescentar à carga horária normal para os recuperar?

 

Poupa-se em profissionais no SNS, carrega-se nos impostos, financiam-se bancos e formam-se ignorantes nas escolas, porque um aluno que repete, sai mais caro ao Estado, do que um quase analfabeto a prazo com 635€ mensais que trabalha 40h por semana.

 

Não se fala em conteúdos, novas estratégias, alterações de programas, nem incentivos à aprendizagem, porque isso custa dinheiro. O que com isto se pretende, não é a valorização das competências dos nossos jovens, mas sim o aumento de um falso sucesso, para as estatísticas.

 

Sinto-me ultrajada perante tamanha manobra suja de poupança, à custa das gerações futuras (sobretudo as mais carenciadas) que não terão acesso a escolas privadas, a explicações, ou a famílias que os saibam apoiar, porque são esses que jamais conseguirão os conhecimentos necessários para entrarem numa universidade, ou para terem qualquer outra formação que os faça ter um futuro.

 

Este é afinal, o socialismo das desigualdades, da vigarice e da rasteira mascarada de uma competência saloia e elitista que parece que poucos ainda se dignaram desmascarar, porque ainda engolem tudo o que lhes é vendido!

 

Fonte:

https://www.facebook.com/terezabotelho?__tn__=%2CdC-R-R&eid=ARAreTmemjhpuEPQs0o3jENpZSnR5-vGE9wlmy3s4pyTbgb61cRLzjix-7qk7wrN0PA_A4t4hDQ_XNNT&hc_ref=ARSenvNK9QwWEFBbU9G5o1UyLsYY5W3VHbeRJhOaFgPptiVIjUXC3dIDUOp17ojQ2-A&fref=nf

 

***

Eis um curto texto que o Professor Fernando Alberto II, publicou no Facebook, e que gerou um comentário de uma professora, o qual, infelizmente, é o pão nosso de cada dia de muitas mais professoras, incluindo de universitárias, protagonistas de comentários de pasmar, com ordinarices à mistura!!!!! (Tenho uma colecção deles, não os publico, porque o meu Blogue não é uma tasca rasca).

 

«Sempre estive a par da grande ilegalidade e inconstitucionalidade, que é este falso e traiçoeiro "Acordo Ortográfico, de 1990". Ninguém o encomendou nem ninguém o quer. Temos de lutar para que seja definitivamente ANULADO.»

 

Comentários:

 

Elsa Bernardes Temos que lutar por melhores salários e condições de vida mais dignas, isso sim! Acordo ortográfico? Que importa isso na nossa vida? Fernando, acho que há causas mais importantes para direcionares a tua atenção. 

  

Fernando Alberto II Esses problemas sempre existiram em Portugal, não são de agora.

 

Fernando Alberto II Este falso "Acordo Ortográfico, de 1990", é que é um grave problema surgido há poucos anos e, sem qualquer necessidade.

 

Isabel A. Ferreira Inacreditável, o seu comentário, Elsa Bernardes!
Na sua vidinha, que já vai adiantada, o Acordo Ortográfico pode não importar nada. Mas importa na VIDA das crianças e jovens estudantes, que estão a ser enganados e a aprender incorreCTamente a Língua Materna deles. Serão os analfabetos funcionais do futuro, se nada se fizer, para travar esta tragédia linguística. O que adianta bolso cheio, num cérebro vazio?

A Causa da Língua Portuguesa é uma causa das mais importantes, da actualidade, porque está em causa a IDENTIDADE PORTUGUESA e o analfabetismo funcional

Eu nem acredito, que alguém que está ligada ao ENSINO, possa ter uma visão tão economicista da nobre MISSÃO de ENSINAR. Nem acredito! Não admira que os jovens cheguem às universidades sem saberem escrever e com um elevado grau de ILITERACIA, o que implica numa ignorância de quase tudo.

 

Fernando Alberto II Não há dúvida de que tem razão, cara amiga Isabel A. Ferreira pois, o que eu noto, infelizmente, para grande desgosto meu, nas Universidades por onde tenho passado, quando os alunos entram no ensino Superior para se licenciarem no Curso por si escolhido, conseguem acabar esse mesmo Curso, com maior ou menor dificuldade mas, quanto à sua cultura geral, às Ciências Sociais e Humanas, Linguística, Semântica, Morfologia, Sintaxe, Gramática, Conjugações verbais, diferença entre verbos regulares e irregulares, Geografia Política, Ciências Políticas, Ciência Histórica, etc...etc..etc.., infelizmente, não sabem nada de nada, nada, mesmo nada de nada, nada, absolutamente nada de nada. Quanto a mim, infelizmente, a maior parte faz muito má figura, quando entra no mercado do trabalho.

 

Isabel A. Ferreira Pois, é uma vergonha. A Cultura Culta do futuro está comprometida, caro amigo. Não sei como se há-de corrigir este gravíssimo erro.

 

Fernando Alberto II Como já deve ter tido oportunidade de verificar, a maior parte das pessoas são extremamente materialistas e, não lhes interessa para nada o conhecimento e a cultura. Como referiu e bem, no futuro vamos ser um "povo materialista rico, com os bolsos cheios de dinheiro mas, com a CABEÇA ÔCA, SEM CÉREBRO pois, o que conta é o dinheiro, o materialismo CAPITALISTA/SELVAGEM.

 

 Fonte:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100013357123117

 

***

 

Posto isto, aqui fica uma amostra deste nosso triste Portugal, que caiu em mãos erradas.  

 

Espero que tal governo caia. Espero que haja uma forte oposição, de todos os restantes partidos com assento na Assembleia da República, a estas políticas socialistas desastrosas, porque comprometem seriamente o futuro das próximas gerações, e atira Portugal para o charco.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:01

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Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

O AO90 é um sarilho que está a ensarilhar a vida de muita gente. Este Blogue é apenas o lugar onde se monta o sarilho…

 

 

Trocando e-mails com leitores acerca do AO90, eu não sei tudo, sei quase tudo, porque o tempo do tudo ainda está por chegar. Mas uma coisa eu sei: o AO90 é um enredo de mentiras que se enrolam para fazer meadas, e a este Blogue cabe apenas desenlear essas meadas…

 

Por entender ser do interesse público, as considerações que recebi, via e-mail, do Professor A. Viera, transcreverei a nossa última troca de ideias, com a permissão do próprio, começando pelo último e-mail, que nos fala de um exemplo onde a racionalidade saiu vencedora, o que nos dá uma ideia de que o Acordo Ortográfico (é) um Beco Com Saída, como nos conta Nuno Pacheco neste seu livro, de leitura obrigatória.

 

Fraqueza.png

 

2º e-mail:

 

«Dr.ª Isabel, naturalmente que agradeço a inclusão do meu texto no seu blogue. No preciso momento em que li o seu mail, tive uma surpresa agradável - que felizmente também as há: ao receber a Revista "Combatente" (Edição da Liga dos Combatentes) reparei que a mesma vem agora redigida em Português correcto (a começar pela referência ao seu DireCtor) coisa que não acontecia; em tempos desinteressei-me da sua leitura e enviei um mail ao Gen. Chito Rodrigues, revoltado e a dar conta do erro em que uma edição das nossas F. A.´s incorria ao não respeitar a nossa Língua (e logo uma Instituição que deve pugnar pelos nossos valores - Pátrios). Assim comprovo que a mensagem surtiu efeito. Felizmente!!

Despeço-me, mantendo-nos em contacto e subscrevendo-me,

A.Vieira»

***

 

1º e-mail:

 

«Dr.ª Isabel, satisfaça-me a minha curiosidade p.f.: o dito "COLP" é uma iniciativa (ou organismo) meramente consultivo, ou tem algum alcance deliberativo?

 

Se bem reparou, naquele "conclave" de criaturas já visivelmente fossilizadas, que já deviam era estar de pantufas em casa a cuidar dos netos (ou mesmo até dos bisnetos) e que se auto-atribuem prebendas, num circuito fechado de resultado nulo, ninguém fez menção ao (dito) "A" O 90. Qual a razão?

 

 Há algum tempo, o nosso Primeiro Costa "chutou para canto" relativamente a esta questão, quando depois de se afirmar "contra" (há poucos anos atrás) passou a ser "a favor" dizendo de seguida que "acordos ortográficos, houve-os, está agora este, mas outros irão seguir-se... assim mais ou menos nestes termos! ou seja, e para bom entendedor, para não "dar o flanco" já está a preparar-se para não perder a face, deixando antever, no íntimo, que este "A"O não tem mais pernas para andar. Há já algum tempo o "Kaiser" numa atitude de arrogância miserável afirmava que " eu até podia suprimir o AO!!"…! ou seja, os ditames da nossa Língua sujeitos aos estados de humor e aos caprichos da criatura!

 

Mais importante: este CIO-AO90, com sede em Genebra (que desconheço e que se calhar o mesmo sucede com a maioria das pessoas) de que alcance jurídico dispõe?

 

E afinal qual a posição do Brasil? se a iniciativa do Presidente Bolsonaro tivesse o desfecho desejado (a começar por ele mesmo) o assunto estaria já arrumado e de vez.

 

Continuo a pensar que se se criasse uma plataforma informática de professores decididos a não cumprirem o "A"O 90 numa atitude rebelião assumida sem hesitações, mas concertada, e em número elevado, e se se recusassem a corrigir testes e exames subordinados ao mesmo, a coisa mudaria de figura.

 

Despeço-me por hoje; mantendo-nos em contacto, subscrevo-me,

 

A. Vieira»

 

***

 

Caro Professor,

 

Agradeço o seu e-mail.

Respondendo à sua primeira questão:

 

O dito “COLP” (Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa) é um órgão (mais um, para esbanjar dinheiros públicos) nem consultivo, nem coisa nenhuma. Foi criado em Julho, apenas para se andar a brincar com um assunto muito sério: a destruição da Língua Portuguesa, na sua forma grafada, uma vez que o que divulgam não é a Ortografia Portuguesa, mas sim a Ortografia Brasileira. É, portanto, um organismo, mais um, para enganar os mais distraídos...

 

Sim, reparei, que eles já nem falam no AO90, naturalmente para não levantarem ondas sobre a FRAUDE que o envolve, estando todas essas criaturas envolvidas nela.

 

O nosso primeiro Costa, anda nisto como um barco à deriva, pois nada percebe das Ciências da Linguagem, escreve mal e pronuncia mal o Português, está-se nas tintas para a Cultura Linguística e para a perda da nossa identidade, desde que continue a ser o primeiro de Portugal.

 

Que o AO90 não tem mais condições para continuar, é um facto. Que o SS da língua anda por aí arrogantemente a arvorar-se dono dela é igualmente outro facto, gravíssimo, que deve ser escrutinado na justiça. Pois esta coisa de os ditames da nossa Língua estarem sujeitos aos estados de humor e aos caprichos de um SS, tem muito que se lhe diga.

 

Quanto ao mais importante: o CIO-AO90, suponho que tenha sido criado por desacordistas portugueses, que os há, e muitos, a viverem no estrangeiro, e, naturalmente, devido à gravidade das denúncias, terão com toda a certeza, um substancial alcance jurídico. Mas o alcance jurídico qualquer cidadão português poderá tê-lo, se se dispuser a exercer o direito cívico da denúncia/queixa.



Não, ninguém conhece o CIO-AO90. Nem eu própria. Mas quanto a mim, não me interessa conhecer as pessoas que lá fora lutam pela extinção do AO90, desde que lutem, e dêem provas disso. Recebo bastantes e-mails do estrangeiro, de pessoas com nomes estranhos (naturalmente pseudónimos) e que estão a lutar contra o AO90. Suponho que os cargos que ocupam, não lhes permitam dar a cara. Porque no meio mafioso, todo o cuidado é pouco. Entendo perfeitamente esta atitude de precaução.

 

Quanto ao Brasil, o silêncio mantém-se.

 

Em relação à plataforma informática de professores decididos a não cumprirem o AO90, acho óptimo, concordo em absoluto consigo, daí que lhe sugira, uma vez que é do meio, que lance o repto aos seus colegas, alinhave as ideias, e eu publicarei no Blogue esse repto.


Penso que está nas mãos de professores conscienciosos do DEVER da nobre missão de ENSINAR, acabar de vez com esta farsa, que só está a prejudicar as crianças e os jovens que frequentam as escolas Portuguesas.

 

Por fim, peço-lhe permissão para publicar o seu e-mail assinado, com esta minha resposta, por ser do interesse público.


Aguardo que me diga alguma coisa.



Saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:13

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Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

Extinção do AO90: de que é que o Partido Socialista tem medo?

 

«O PS — ou, melhor dizendo, alguns deputados do PS — continuam a confundir evolução da Língua com evolução da Ortografia e esquecem-se de que já não vivemos na Idade Média: a Ortografia já não é decidida por monges copistas em mosteiros. Em 1911, para o bem e para o mal, procedeu-se pela primeira vez à fixação de uma norma ortográfica e dessa fixação resulta (ou devia resultar) a estabilidade — uma das maiores virtudes e razão de ser de qualquer norma.» (ILC-AO)

 

-Parlamento.png

 

«A ILC-AO e o PS»

 

Por Rui Valente

16 de Outubro 2019

 

«Depois da entrega da ILC-AO no Parlamento, no passado dia 10 de Abril, uma das nossas primeiras medidas foi a de pedirmos audiências com todos os partidos políticos com representação parlamentar na XIII Legislatura, que agora termina.

 

De todos aqueles Partidos, apenas o PS não respondeu.

 

Em Junho, numa altura em que a maior parte das reuniões já se tinha realizado, renovámos o pedido de contacto formal, salientando que, das forças políticas contactadas, “o confronto de ideias com o Partido Socialista a propósito do Acordo Ortográfico é um dos que aguardamos com maior expectativa”.

 

De novo, o PS não respondeu a este nosso segundo apelo e, entretanto, a ronda de contactos com os restantes seis Partidos completou-se mesmo, com a última reunião a ter lugar com o PAN no dia 17 de Setembro.

 

Em maior ou menor grau, todas as audiências foram produtivas — mesmo para os partidos que “adotaram” o Acordo Ortográfico o assunto está longe de estar encerrado. Pelo contrário, parece mesmo haver um interesse renovado por esta questão, como se viu na recente campanha eleitoral. Na verdade, a ILC-AO sugeriu, em todas estas reuniões, que o problema do AO fosse referido nos respectivos Programas Eleitorais para as eleições de 6 de Outubro. Coincidência ou não, o facto é que uma parte significativa destes Partidos acabou por salientar o tema, com destaque para o CDS-PP e para o PSD. O PCP não o fez, expressamente, mas é conhecido o historial deste Partido na luta contra o Acordo Ortográfico. Sem surpresas, o AO90 esteve mais presente nesta campanha eleitoral do que nas de 2015 e 2011.

 

O que pensam os deputados do Grupo Parlamentar do PS quanto a esta questão? Alguma vez foram consultados? Houve debate interno? Quando aprovaram a RAR 35/2008 limitaram-se a seguir as ordens da sua direcção partidária? Saberão, ao certo, o que é o AO90, ou tê-lo-ão lido, ao menos em parte?

 

Na falta de uma reunião, dada a total obscuridade do PS nesta matéria (que nele se reveste da aura misteriosa de um verdadeiro tabu), vemo-nos obrigados a ler nas entrelinhas dos documentos e a interpretar os raríssimos sinais que de vez em quando transpiram do Largo do Rato.

 

Em 2013, a ILC-AO foi a primeira entidade a ser recebida no âmbito do Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico. A representante do PS neste Grupo de Trabalho era, à data, a deputada Gabriela Canavilhas.

 

Na sua intervenção Gabriela Canavilhas disse que “foi identificada a necessidade de um Acordo”, mas acrescentou que “se ele [o AO90] não serve a sociedade portuguesa, cá estaremos para fazer a avaliação política dessa posição da sociedade civil”. De caminho, perguntou-nos ainda se a ILC era contra a ideia de um Acordo, seja ele qual for, ou apenas contra este Acordo.

 

Como se imagina, estas declarações dariam pano para mangas, a começar pela “necessidade de um acordo”. Foi identificada a necessidade de um Acordo? Por quem? E como foi esse diagnóstico validado?

 

Na verdade, esse debate quase acontecia ali, na própria sala de audiências. No final da reunião, já em conversa informal, a deputada não escondeu o seu interesse no aprofundamento destas questões e a sua apetência, que nos pareceu genuína, pelo confronto de ideias e pelo diálogo. Gabriela Canavilhas chegou mesmo a lamentar que outros compromissos já assumidos não lhe permitissem ficar mais tempo à conversa no final da audiência.

 

“Fast forward” para 2017 e para nova audiência, desta feita com outro Grupo de Trabalho cuja inovadora denominação era “Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990”. O representante do PS é agora o deputado Diogo Leão, que se limitou a dizer que a posição do PS é conhecida (?) e, portanto, não acompanha o nosso Projecto de Lei. Em resposta à nossa menção do cAOs que vigora actualmente disse apenas que este já era esperado e acontece, naturalmente, sempre que há mudanças na Ortografia.

 

O contraste com a sua antecessora foi flagrante: sem nunca olhar de frente os interlocutores (nós), Diogo Leão (certamente por motivos de força maior) abandonou a reunião logo após o seu discurso, não tendo chegado a ouvir a segunda parte da nossa intervenção nem o resto do encontro. Uma flagrante (e ostensiva) atitude de menosprezo por uma questão de evidente interesse nacional, atitude esta que tomamos a liberdade de interpretar como estritamente pessoal.

De 2013 para 2017 o PS parece ter cristalizado nesta ideia fixa: a Língua sempre “evoluiu”, e é natural que as pessoas tenham dificuldade em adaptar-se. O PS — ou, melhor dizendo, alguns deputados do PS — continuam a confundir evolução da Língua com evolução da Ortografia e esquecem-se de que já não vivemos na Idade Média: a Ortografia já não é decidida por monges copistas em mosteiros. Em 1911, para o bem e para o mal, procedeu-se pela primeira vez à fixação de uma norma ortográfica e dessa fixação resulta (ou devia resultar) a estabilidade — uma das maiores virtudes e razão de ser de qualquer norma.

 

O Acordo Ortográfico é actualmente um problema grave que afecta sobretudo as crianças e jovens, a população estudantil.

 

Recordamos que, historicamente, o ensino do inglês sempre foi um drama no Brasil, enquanto Portugal parece exibir uma propensão quase genética para o multi-linguismo. Este fenómeno tem uma explicação simples: a maior proximidade entre a estrutura do Português Europeu e a das principais Línguas da Europa. As mesmas raízes culturais, uma História milenar em comum, referências identitárias que se interligam. Portanto, a mesma matriz greco-latina. Aos alunos ensina-se actualmente gato por lebre: um arremedo de norma ortográfica isolacionista, que descarta o seu próprio património histórico e não augura boas (ou quaisquer) perspectivas para o futuro.

 

Estamos de facto com um problema em mãos, que o PS não pode continuar a ignorar. Pelo contrário, seria de todo o interesse termos o PS a fazer parte da solução e não do problema. É claro que resolver o AO sem o Partido Socialista não é impossível. Mas essa via está longe de ser desejável. O PS tem, no seu historial, um passado de resistência ao Acordo Ortográfico, personificado em nomes como Manuel Alegre, Manuel Maria Carrilho e Francisco Assis, entre muitos outros. A ILC-AO, enquanto estrutura completamente apartidária, conta certamente com largos milhares de militantes socialistas entre os seus subscritores, que veriam com bons olhos um novo olhar do PS sobre este assunto.

 

A origem do Acordo Ortográfico de 1990 perde-se na noite dos tempos. Há quem recue a Cavaco Silva, há quem aponte o dedo à Academia Brasileira de Letras, há quem recue ainda mais, até Lidley Cintra e aos colóquios luso-brasileiros dos anos sessenta. Entre os campeões do recuo, encontramos o próprio Malaca Casteleiro, para quem o AO90 resolve (diz ele) o cisma criado (diz ele) pela reforma de 1911. Pela nossa parte, dispensamos o exercício.

 

Contamos com todos, PS incluído, para que se tenha a humildade de reconhecer que algures, alguém, certamente animado por boas intenções, cometeu um erro, gerou um monstro, inventou um problema. Hoje, o Acordo Ortográfico é um insuportável estorvo: uma armadilha para as nossas crianças, uma força de bloqueio no seio da CPLP, um corpo estranho na literatura em Português, no jornalismo, na tradução, no intercâmbio cultural por extenso, no Ensino a todos os níveis. É tempo de eliminarmos esse estorvo e de seguirmos em frente. Oportunidades não faltarão — a começar pela apreciação da própria ILC-AO na próxima Legislatura.

 

Respondendo, à distância de quatro anos, a Gabriela Canavilhas: pronunciarmo-nos sobre qualquer outro Acordo que não o AO90 cairia fora do âmbito desta ILC. Contudo, parece-nos que será do mais elementar bom senso garantir que, num Acordo, cada país possa contribuir com aquilo que verdadeiramente lhe pertence. Só assim a troca será realmente enriquecedora. Com o AO90 não há troca alguma, há apenas imposição. E perdemos todos um património intangível para que meia dúzia ganhe sabe-se lá o quê.»

 

Fonte:

https://ilcao.com/2019/10/16/a-ilc-ao-e-o-ps/?fbclid=IwAR0OCXEx2uAvV7rp_oOIyZsv9bknJQzgGXf7V2UKWZNN6UCkolDCyEAHBdo

 

Nota: os trechos a negrito são da responsabilidade do Blogue.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:42

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Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

«Indignados, verberam contra o AO/90…»

 

«Pois» - um texto publicado no Blogue de Fausto Brinhol, jornalista brasileiro, escritor, poeta, enxadrista, mestre em Reiki pelos sistemas Usui e Tibetano, alguém que, indignadamente, verbera contra o AO90, do outro lado do Atlântico.

 

Cá, deste lado, os Portugueses também verberam contra o AO90, que (façamos figas) tem os seus dias contados, dado que, sendo uma fraude comprovada, um Estado de Direito, como consta que Portugal é,  não pode legitimar uma fraude, ou correrá o risco de se descredililizar perante o mundo (ou coisa pior). 

 

FAUSTO.jpg

 

Por Fausto Brignol 

 

«Preocupado com as mudanças que estão sendo feitas na nossa língua, que perde, aos poucos, o sabor, remendada com gírias formadas em morros cariocas, desertos nordestinos, festas sertanejas paulistas e mineiras, e também nas escolas de todo o país onde uma exótica educação fonética é passada para jovens internautas imersos em brinquedos eletrônicos (electrónicos) e balbuciando uma novilíngua autorizada por seres especializados em sabotagem vocabular, dados a acordos de destruição ortográfica e todo o apoio ao falar minguado, mínimo, gaguejante, da manipulável massa informe de eleitores; seres que, se deixarmos, refletirão (reflectirão) a sua aculturada mentalidade anglófila colocando definitivamente um “z” no lugar do “s” de Brasil, porque, afinal, é assim que se diz, com som de “z”: Brazil com “z” ou Zé, tão propício aos negócios com outros povos que não entendem o “s” entre duas vogais, povos bárbaros que usam linguagem binária em suas sintéticas comunicações; prestigiados piratas que fizeram da pirataria a sua razão de ser e possuem todo o dinheiro do mundo para comprar toda a madeira da Amazônia (Amazónia) e todo o gado e todos os políticos e todos os insumos agricultáveis e toda a nossa pobreza mental e física, prostituída em férteis terras d’além-mar e toda a nossa cultura para ser jogada no lixo e substituída por chiados robotizados e musicalidade lacrimejante e pútrida, e preferem o português brasileiro rasamente simplificado, a língua codificada em verbos indeclináveis, o fim da acentuação tônica (tónica), porque mais que o ‘yes-no-question’, o ‘pega-lá-da-cá’, o ‘qual é o teu preço’ é demasiado para essas pessoas tão necessitadas de açambarcar o mundo para saciar a sua fome de poder e glória, resolvi entrar para um ou dois grupos virtuais de Portugal que protestam contra o Acordo Ortográfico, também chamado de AO90 ou o desacordo que propõe o discordês, provável mutação do dilmês ou do lulês, quem sabe do cardosês, e constatei que em Portugal, ao contrário destas terras onde tudo dá, muitos portugueses estão em consciente vigília.

 

Pois. Indignados, verberam contra o AO/90, pressionam céus e terras, principalmente terras, a sua terra, apoquentam os eleitos e corruptíveis donos daquele país que está sendo levado à bancarrota ou a uma rota de amizade com os banqueiros internacionais, preterindo o povo que nada sabe de acordos, mas de fome e desemprego, assim como na Grécia, Itália, Espanha, Irlanda – onde mais? Brasil? -, e, nesses grupos, reúnem-se os que se sentem ofendidos, despeitados, desrespeitados, posto que a ortografia não deve ser mudada à força devido aos interesses comerciais, a leis estéreis e artificiais, mas sofre ligeiras modificações no decorrer dos séculos, adaptando-se ao costume dos povos, assim como do espanhol derivou o português e suas alterações, diferenças, semelhanças e dissemelhanças ocorreram naturalmente nas ex-colônias (ex-colónias) da nação que conquistou grande parte do mundo com armas e barões assinalados, que, a partir da ocidental praia lusitana – como diz o vate, o bardo, o poeta maior da língua que ofendemos com ameaças de destruição – disseminou hábitos e fecundou culturas com o idioma ainda a tomar forma, a encontrar os corretos (correctos)vocábulos, a buscar expressão em frases conexas, o castiço vernáculo anunciando-se gramaticalmente, eruditos a esquadrinhar a adequada morfologia, a inquirir do discurso a sintaxe perfeita na tentativa da ortodoxia dos dicionários – último limite aos barbarismos, à errada grafia, aos vícios de linguagem, às invasões semânticas, aos truísmos, às dúvidas da prosódia.

 

 Nas ex-colônias (ex-colónias) portuguesas, como Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Açores, Guiné-Bissau, Timor Leste, Ceuta, São Tomé e Príncipe, Tanger, Ilhas Canárias, Ilhas de Santa Helena e Macau, a língua portuguesa disseminou-se e se impôs, graciosa e bela, imperialista e soberba, e mesmo depois das guerras de libertação e de independência permaneceu como a lembrar o último resquício luso em terras invadidas, a derradeira herança a nações que foram obrigadas a esquecer os dialectos (dialectos) nativos, tão nativos e impróprios para povos civilizados, e em cada um dos lugares libertos fisicamente reina a soberana língua como déspota esclarecida, permitindo a introdução de variações, mas sempre resguardando a hermenêutica pureza que permite a perfeita comunicação, apesar dos ataques eventuais de insidiosos sotaques caipiras.

 

Eis quê! Lá pela década de 1990, sábios muito sábios de Portugal, Brasil e alhures reuniram-se para tentar a uniformidade da língua escrita e consideraram imprescindível que os oito países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe) membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estabelecessem um acordo ortográfico, alegando razões pedagógicas e de comunicação entre os países lusófonos; para isso, sacrifica-se a etimologia em favor do critério fonético como a dizer que a língua organizada deve obedecer aos sons e não à estrutura etimológica em gigantesco salto em busca da linguagem primitiva, babélica e disforme, e cá no Brasil, terra do é dando que se recebe, aproveitando a carona do retrocesso cultural, doutos membros dos ministérios da Educação e da Cultura e talvez de outros ministérios menos cultos e educativos e, quem sabe, ancorados em opiniões ululadas no Palácio do Planalto, lugar onde inteligentes criaturas usam um falar taquigráfico, pretendem que o português vulgar – curiosa língua que vem sendo criada na terra onde quase ninguém lê ou estuda – seja considerado correto (correcto), uma vez que é tartamudeado pela imensa maioria do povo e a democracia estipula que a maioria deve mandar, mesmo quando está errada, e essa maneira de pensar prevê que a quantidade é superior à qualidade e se grande número de pessoas fala e escreve mal e, mesmo assim, consegue se expressar sem grandes impedimentos, o errado passa a ser o certo e estamos conversados.

 

Em defesa do Acordo Ortográfico, muitos intelectuais fisiológicos afirmam que se trata da evolução da língua que deve ser ratificada através das letras que a traduzem, o que, por certo, não respeita a verdade, pois não se pode considerar como evolução a destruição do sistema de ensino ou o curvar-se do Governo à ignorância generalizada ao ponto de prescrever que o assim denominado “português vulgar” – uma forma cibernética de falar e expressar, resultado de gírias, anglicismos e palavras de baixo calão – deve ficar no mesmo nível do que apelidaram de “português culto”, que nada mais é que a tentativa de falar e escrever corretamente (correctamente), o que se torna cada vez mais difícil, visto que a massificação passa necessariamente pela midiatização do povo, pela alienação das pessoas e pela degeneração dos valores culturais, mas há aqueles que preferem aceitar passivamente todas as barbáries e todas as leis, mesmo as mais controversas e ridículas, e vemos que o AO90 promulgado por decreto é uma imposição dos governos interessados e não uma conseqüência (consequência) da natural mutação da língua, o que pode ocorrer a cada século com uma ou duas palavras ou pouco mais, e é sabido que toda prescrição cultural exibe indícios de fascismo e nenhum povo pode ser considerado verdadeiramente livre quando até a ortografia da sua língua é resultado de cominação e coerção social.

 

Coerção, e não coesão ortográfica, como os arautos da escatologia da linguagem pretendem passar ao iludido povo alucinado por futebol e que tudo aceita, desde que receba a sua dose diária de samba, malandragem e planejada desinformação; e, na dúvida, que muitos chamam de atroz como se fosse de urgência as calmas e católicas certezas; na dúvida, mãe da transformadora dialética (dialéctica), entrei em contato (contacto) com portugueses que se sentem usurpados em seu direito natural de autores e guardiães da língua, lutando para que o AO90 seja revogado ou, pelo menos, que grande número de pessoas não use as novas regras do desacordo, assim como faço neste blog, e nessas conversas percebi que estamos unidos no mesmo objetivo (objectivo) e, ironicamente, desejando a retificação (rectificação) do discordês para que possamos continuar a escrever de maneira diferente palavras da mesma língua.

 

O que é sumamente agradável, mesmo que haja suave divergência sobre a apropriada forma de grafar certas palavras ou de usar ou não determinados acentos tônicos (tónicos), mas uma única língua falada e escrita por povos de diferentes heranças culturais sofrerá inevitáveis modificações que não podem ser rectificadas (rectificadas) à força, por decreto; ao contrário, obedecer-se a peculiaridades fonéticas e léxicas de nações distintas sem que a língua-raiz seja prejudicada em sua principal função, qual seja a de promover a compreensão respeitando a diversidade de expressão ortográfica, é o que consiste, de fa(c)to, em verdadeira democracia, embora os doutores da lei, imbuídos de majestática infalibilidade, acreditem que somente a eles cabe designar a obrigatória verdade, e o pior – se há algo pior em todo este imbróglio provocado pelo desnecessário AO90 – é a exploração demagógica, caso típico do governo brasileiro ao promover, incentivar e vulgarizar o erro com evidentes objetivos (objectivos) eleitoreiros, deixando claro que a divisão entre classes sociais também acontece na ortografia.

 

E se nada mais nos resta, além de protestar - protestemos, ora pois!»

 

Fonte:

http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2013/10/preocupado-com-asmudancas-que-estao.html

 

***

 

(Aviso: as palavras a negrito entre parêntesis são da minha lavra, para salientar que em Portugal escreve-se deste modo, e no Brasil de outro modo, e assim continuará a ser, cá e lá, independentemente da vontade dos acordistas, até porque o AO90 não está em vigor em parte alguma. Em Portugal é aplicado por mera ignorância, agora que já existe muita informação sobre a monumental fraude que envolve este "acordo"  (IAF).

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:14

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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