Quarta-feira, 16 de Novembro de 2022

Quiseram celebrar o centenário do nascimento de Saramago, o mago da Literatura, e fizeram uma nova edição da sua obra em “mixordês” - a novilíngua dos “brutogueses”

 

Caramba, podiam não gostar de Saramago, afinal ele era comunista, e em Portugal, ainda há quem alvitre que os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço, o que, no entanto, não era o caso de José Saramago.

 

Podiam não gostar da sua obra, do seu estilo literário. Mas caramba, José Saramago SABIA da Língua Portuguesa. Escrevia em Português, com mestria. A pontuação não era o seu forte. Não era. Mas o que importava era a sua ESCRITA e as suas histórias, tanto que, mereceu o Prémio Nobel da Literatura, em 1998, o único até hoje, em Portugal, e temo que possa ser o último, se os governantes portugueses continuarem a insistir no gravíssimo erro que foi a introdução, no nosso País, de uma grafia capada, absurda, idiota, algo que só ignorantes, amantes da estupidez, poderiam permitir e aplicar, e que dá pelo nome de “acordo ortográfico de 1990”.

 

Saramago.jpeg

Origem da imagem: Internet

 

A cegueira mental em que estão mergulhados os nossos actuais governantes, que mantêm activo um acordo ortográfico que só os descerebrados, por serem descerebrados, aceitaram cegamente, é muito redutora.

Como poderá reverter-se esta situação? Sim, porque esta afronta à nossa independência linguística, mais dia, menos dia, terá de ser revertida. Não podemos permitir que a próxima geração dos nossos filhos, dos nossos netos, enfim, dos nossos jovens, seja tratada abaixo de cão por gente que não tem a mínima ética, o mínimo brio profissional, nem espinha dorsal.

 

Tenho e li toda a obra que Saramago escreveu até à sua morte. Depois do seu desaparecimento físico, todos os que se diziam seus colaboradores e admiradores perderam todo o respeito por ele, o RESPEITO que ele mereceu em vida, como ESCRITOR, e desataram a conspurcar os seus escritos, substituindo-os pela mixórdia acordizada que os brutogueses - os que, não tendo respeito por si próprios, nem pelas suas origens, nem pela sua Cultura, pela sua História e, muito menos, pela sua Língua – começaram a expandir em Portugal, e só em Portugal, porque lá fora, os Portugueses na diáspora e os próprios estrangeiros, por não reconhecerem nessa mixórdia a alma das Línguas Europeias, pura e simplesmente, rejeitaram-na.

 

Um destes dias, entrei numa Livraria Bertrand (há muito que não entrava numa livraria) e ao entrar, senti um arrepio desconfortável. Eu, que tinha as livrarias como lugares sagrados, onde os livros eram uma espécie de divindades, e eu sentia-me no Céu.

 

Estranhei aquele arrepio, e ao dar dois ou três passos adiante, diante de mim estava alinhada a nova edição da obra de Saramago. Peguei num dos seus “novos” livros para senti-lo, e o que vi arrepiou-me ainda mais: desrespeitaram Saramago acordizando a sua obra.

 

Pousei o livro como se ele estivesse a queimar-me as mãos, e saí da livraria. As livrarias já não são lugares sagrados, onde os livros são uma espécie de divindades. E eu já não me sinto bem dentro delas, pois sou afrontada com algo ANORMAL, que me causa uma repulsa instintiva.

 

Numa entrevista, em 2008, no Brasil, Saramago disse o seguinte:

 

Saramago critica AO90.PNG

 

Pois transformaram o Português de Saramago em Húngaro, se bem que um Húngaro muito, muito deformado.

 

Porque era leitora de José Saramago (e para aqui nunca foi chamada a sua cor política, porque sei separar as águas) não quis deixar de prestar uma homenagem ao autor do genial “Ensaio Sobre a Cegueira”, na passagem do centenário do seu nascimento, deixando aqui o meu REPÚDIO pelo DESRESPEITO que ele mereceu, depois da sua morte, ao amixordizarem a sua Língua Portuguesa, que era o seu mais precioso instrumento de trabalho.

 

Ao amixordizarem a obra de Saramago, nenhum leitor conseguirá conhecer exactamente a escrita do mago da Literatura, chamado José Saramago

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:44

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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2022

«Em Defesa da Ortografia (LI)», por João Esperança Barroca

 

«O Acordo Ortográfico está a criar imensa confusão e novos erros, como a troca de “recessão” por “receção” ou de “conceção” por “concessão”. Também no Diário da República tiram consoantes a mais, como “união de facto” que lá aparece “união de fato”. O acordo tinha o argumento político e económico, mas só três países é que o aplicam e a circulação de livros entre o Brasil e Portugal não ocorreu.

É complicado voltar atrás e recompor livros e manuais escolares, mas antes mudar do que perpetuar alguns errosAs línguas devem ser deixadas em paz e o Brasil fará sempre o que bem lhe apetecer com a criatividade que tem em relação à língua.»

Luísa Schmidt, Socióloga

 

«Os defensores do Acordo Ortográfico de 1990 recorrem a um argumento de uniformidade que é simplesmente aporético. Essa uniformidade nunca existirá. Nenhum decreto poderá travar a progressiva diversidade inerente a uma língua partilhada por tantas culturas diferentes. Essa diversidade é um facto. E não tem de ser vista como um factor de separação ou empobrecimento; bem pelo contrário, é algo que enriquece a língua — e nos enriquece a todos.»

Rosa Maria Martelo, Escritora e professora da Faculdade de Letras do Porto

 

«Uma língua não é do Estado, uma língua é de uma nação. O caso do português, é de mais do que uma nação, estamos a falar da 5.ª língua nativa do mundo.  E o que nós temos neste momento é uma desordem ortográfica imprópria de uma língua destas. Acho que ainda estamos a tempo de impedir este equívoco e de não sermos meros “espetadores”, quer dizer, “espectadores”.»

Bagão Félix, Político e economista

 

O nosso escrito do mês de Setembro contém, tal como o anterior, três citações.

 

A primeira delas aborda uma questão do maior interesse. Ao contrário do que foi afirmado pelos seus defensores, o Acordo Ortográfico de 1990 interferiu com a pronúncia. Com a remoção das consoantes ditas mudas, o falante tem tendência para fechar a vogal anterior, átona, como era expectável. É assaz curioso, para não dizer outra coisa, que Malaca Casteleiro, a par de Houäiss e Bechara, um dos pais do Acordo Ortográfico de 1990, tenha manifestado a sua preocupação com o fechamento das vogais no português europeu quando esse acordo contribui decisivamente para essa situação. Esta citação rebate ainda o argumento dos custos, usado para manter o AO90 em vigor. Os custos serão exactamente iguais aos da aplicação do acordo, custos esses que nunca foram contabilizados.

 

A segunda citação contraria a tese da uniformidade ou da aproximação entre as variantes das línguas. Se elas se vêm afastando há séculos, por que carga de água haveriam de se aproximar agora. Por decreto?

 

A última citação trata do caos ortográfico, que também é ilustrado pelas imagens que acompanham este escrito, exemplificativas das ortografias com que convivemos hoje: a de 1945, que se mantêm mesmo em órgãos que aplicam o acordo, a do AO90 e uma terceira onde cabe tudo, inclusive as maiores barbaridades.

 

Repare, agora, o leitor, baseando-nos num texto de José Carlos Fernandes, publicado no jornal Observador, nos procedimentos de duas línguas pouco dadas a malaquices, perdão, maluquices.

 

No inglês, no século XVII, com base nos étimos latinos foram reintroduzidas inúmeras consoantes, como, por exemplo: aventure passou a escrever-se adventure; dette passou a debt; doute tornou-se doubt; iland ganhou um “s” e ficou island; perfet recebeu um “c” e transformou-se em perfect; receit tornou-se receipt e verdit deu lugar a verdict. Repare o leitor que este último termo em português consta como sendo um dos casos de dupla grafia: veredito e veredicto. Não consta que as crianças inglesas tenham mais dificuldades por terem de escrever grafemas que não são pronunciados, como acontece em island.

 

No francês, se aparecesse a ideia peregrina de privilegiar o critério da pronúncia, a palavra femme escrever-se-ia fame; fille, fie; endroit, andruá; et, ê; voilá, vualá; salut, saliu; bisou, bisu; pendre, pandre. Isto permitiria, na perspectiva do jornal Expresso, uma considerável poupança.

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 15:35

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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2022

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte II)

 

É urgentemente necessário, hoje, um novo “Grito do Ipiranga” às avessas, desta feita no Rio Tejo, em BELÉM, de onde partiam, outrora, as caravelas portuguesas. Só assim se poderá salvar a Matriz da Língua Portuguesa.

 

Padrão dos Descobrimentos

Fonte da Imagem: Internet

 

A Língua Portuguesa é um vector essencial do brasil, portugal, , conforme estabelecido no artigo 2, alínea 2 (a) da CONVENÇÃO PARA A SALVAGUARDA DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL (CSPCI), de 17 de Outubro de 2003, devidamente ratificada, mas infelizmente violada [mais uma] pelos sucessivos governantes de Portugal.

 

Cf. texto escrito em Língua Portuguesa, e NÃO na Variante Brasileira (é que o Português PT anda por aí muito adulterado e grafado à brasileira, e o mundonão pode confiar na sigla PT).

Consultar hiperligação:

https://ich.unesco.org/doc/src/00009-PT-Portugal-PDF.pdf

 

Com efeito, no dia 17 de Outubro de 2003, foi aprovada a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (CSPCI), no decurso da 32ª Conferência das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Esta Convenção entrou em vigor no dia 20 de Abril de 2006, três meses após a data do depósito do 30º instrumento de ratificação, aceitação, aprovação ou adesão por Portugal, junto do Director-Geral da UNESCO.

 

É PRECISO NÃO ESQUECER ISTO!

 

 Ora pasmem! E abram finalmente os olhos!

 

Esta exclamação é dirigida a ambos os Povos dos dois lados do Atlântico. Actualmente, as chamadas “elites” de ambos os países que serão responsabilizadas e julgadas perante a História, pois têm sido, de facto, instrumentos daquilo que está cada vez mais claro e evidente, ou seja, a marginalização e subsequente substituição da Língua Portuguesa, no plano internacional, por uma das suas Variantes actuais: a futura Língua Brasileira!

 

Examinemos, então, a triste realidade histórica e como no chamado “país irmão” (Brasil) foram tratados, no passado, os portugueses (repito a tal minoria, por exemplo, em Pernambuco e Mato-Grosso). As insurreições no Estado de Pernambuco (1848-1850) foram, no início, e mais uma vez, contra os comerciantes portugueses, tendo depois alastrado a toda a comunidade portuguesa. Na capital, Recife, os manifestantes gritavam “MATA-MARINHEIRO”, nome pelo qual eram conhecidos naquela altura os portugueses (M. J. M. Carvalho e B. A. Câmara -2008 - in Insurreição Praieira, Forum Almanaque Braziliense nº 8”, pp 5-38, Usp São Paulo.

 

Pois é, o tal ódio (de que se fala mais acima) era tanto contra Portugal que Deocleciano  Martyr, o jacobinista florianista, criador e  redactor-chefe  de O JACOBINO e ex-integrante do Batalhão Tiradentes, sugeriu ao governo brasileiro da época, o seguinte: «O confisco dos bens de raiz de todos os portugueses; a proibição de entrada nos portos do Brasil de navios que houvessem tocado portos portugueses; e pena de morte para os brasileiros que tentassem, mesmo ao de leve, proteger os portugueses».

in Suely Robles Reis de QUEIROZ (1986) - «Os radicais da República», São Paulo, Editora Brasiliense.

 

Cf. igualmente: «Jacobinos versus Galegos: Urban Radicals versus Portuguese Immigrants in Rio de Janeiro in the 1890s» - in JSTOR.

Consultar a hiperligação:

https://www.jstor.org/stable/174772

 

Ainda neste livro, de Suely R. R. de Queiroz, pode ler-se o seguinte, numa mensagem do já citado grupo JACOBINO, de apoio ao presidente Floriano Peixoto: «O Clube dos Jacobinos de São Paulo prometia combater os estrangeiros, especialmente “os portugueses”, raça inferior, povo refractário ao progresso, nosso inimigo de todas as épocas, causador de todos os nossos males e do nosso atrazo» - in S.R.R QUEIROZ, 1986:105]

 

Já tive a ocasião de falar neste tipo de ataques repugnantes, num artigo que foi publicado aqui neste Blogue:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-grito-do-ipiranga-da-variante-381214

 

Artigo esse que redigi em reacção a um outro artigo da autora do Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa», a qual foi alvo de ataques ad hominem:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/desde-ontem-que-o-grupo-novo-movimento-380362

 

Refiro estes dois artigos para demonstrar que os ataques à Nação Portuguesa e aos Portugueses, não ocorreram só nos Séculos passados, eles têm continuado ao longo dos tempos.


Hoje, tal como no passado, a história parece estar a repetir-se. As “elites” governativas, não costumam defender objectivamente os interesses do Povo Português e da Nação Portuguesa, mas acatam e seguem cegamente instruções/ordens vindas do estrangeiro, porque a isso são constrangidas.  A ausência de soberania, afinal, não existe apenas no plano político. A ausência de soberania existe também no domínio linguístico, na preservação do nosso Património Imaterial, do qual faz parte a LÍNGUA OFICIAL da NAÇÃO PORTUGUESA. Essas “elites” impuseram ditatorialmente um pseudo-acordo ortográfico, contra a vontade do Povo Português, carecendo de legitimidade, para tal (adicionalmente e no futuro a inconstitucionalidade de tudo o que os governantes fizeram desde a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) Nº 8/2011, será estabelecida e contas serão exigidas) já não falando na negociata repugnante, que constitui a “negociação” desse pseudo-acordo ortográfico, conforme pode ser consultada nesta hiperligação:  

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-negocio-do-acordo-ortografico-172469

 

O ANTI-LUSITANISMO existe, e isso há já muito tempo no Brasil (o republicanismo e o anti-lusitanismo andavam de mão-dada) desde o Jacobinismo (grupo homónimo inspirado da Revolução Maçónica Francesa (veja-se como se tropeça quase sempre na maçonaria) passando, inter alia, pelo hino anti-português (Hino ao 07 de Abril), continuando por um feroz MASSACRE de portugueses, na Província de Mato-Grosso, na noite de 30 para 31 de Maio de 1834. Chacina essa que também é cinicamente conhecida por RUSGA, e indo até à “Guerra à Nação Portugueza” (nos finais de 1891).

 

Esta “Guerra à Nação Portugueza” deve-se em grande parte à rivalidade que existia entre 1889 e 1945, no mercado do trabalho, no Brasil, e que originou mais uma onda de hostilidade anti-portuguesa, a qual se revestiu de variadas formas (ameaças, assaltos, etc. e que culminou numa carta, em finais de 1891, enviada à Embaixada de Portugal, no Rio de Janeiro, a qual ilustra perfeitamente a hostilidade (ou dever-se-á dizer o “ódio”?) aos portugueses, pois estes chegaram até a ser acusados de conspirar contra o Brasil.

 

Acusando os portugueses residentes no Brasil de conspirarem contra a República, os signatários dessa carta ameaçavam: «represálias que chegarão até o dynamite, o punhal ou o incêndio a pessôas e aos bens dos subditos portuguezes, suspeitados de conspiradores. Nós contamos para esse fim com o apoio de todos os homens de cor, grande parte da colónia ITALIANA [???!!!???] que justamente odeiam essa Nação de exploradores sem entranhas» - in JUNIOR, J. J. 2011

 

 «Recomeça a Guerra dos mascates! GUERRA À NAÇÃO PORTUGUEZA! Fora a essa RAÇA de JUDEUS do OCIDENTE» (***). in JUNIOR, J. J. 2011: 108 - «Jacobinismo, anti-lusitanismo e identidade nacional da República Velha». in Historiae, vol. 2 nº 2, pp 89-106 Rio Grande, FURG

 

(***) Em finais 1891, acusavam os portugueses de serem os “judeus do Ocidente”. Poucos de nós conhecíamos a vertente vergonhosamente anti-semita dessas camadas da sociedade brasileira.

 

Com efeito não só acusavam, em 1891, os portugueses de serem os “judeus do Ocidente”, mas também de serem uns “MONSTROS” e de [os portugueses serem] «uma raça inferior, povo refractário ao progresso, nosso inimigo de todas as épocas, causador de todos os nossos males e do nosso atrazo», conforme já foi citado.

 

E isto não será uma forma de “ódio” aos Portugueses? 

 

Esta hostilidade nunca desapareceu, continuando, até pelo contrário, a ser veiculada até por personagens políticas igualmente tóxicas e inclusive condenadas pela Justiça Brasileira. Com efeito este tipo de ataque repugnante, foi de novo proferido por Lula da Silva, numa Universidade em Madrid, em 16 de Dezembro de 2015, o qual culpou os colonizadores por atrasos na educação do Brasil. Cf. consta nesta hiperligação:

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151214_lula_colonizadores_mdb

 

No entanto, no site do Semanário Económico Oje, o colunista Diogo de Sousa-Martins publicou, na última segunda-feira (14) um texto dizendo que “não fica bem” a tentativa de atribuir o ónus do atraso do sistema de educação brasileiro para uma colonização que abandonou o país há quase 200 anos e que nele inaugurou o ensino superior -  Cf. hiperligação:

https://www.psdb.org.br/ro/polemica-em-portugal-lula-culpa-colonizadores-por-atrasos-na-educacao-do-brasil/

 

Esta declaração de Diogo de Sousa-Martins fala por si própria e não é necessário acrescentar mais nada. Os leitores apreciarão e julgarão, com conhecimento de causa, se se trata de xenofobia, de racismo anti-português ou até mesmo de “ódio” aos ex-colonizadores. Ou de qualquer outra elucubração … 

 

Os exemplos não faltam, e eu citarei mais abaixo outros casos concretos e históricos, que muitos portugueses não conhecem e decerto igualmente muitos brasileiros, o que não é certamente um motivo de orgulho para ninguém.

 

A abolição da escravatura no Brasil ocorreu em 1831 (Lei Feijó), e segundo se diz, sob pressão da Inglaterra, mais tarde, através da Lei de 1845 dita Bill Aberdeen (veja-se mais em: 

https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-abolicao-escravatura.htm

o que permitiria uma outra emigração “livre” para o Brasil, oriunda de outras paragens, mas o tráfico continuou a ser assegurado por navios com bandeira portuguesa, como era ainda permitido na época, pelas Convenções Internacionais, mas apenas a Sul do Equador.

 

Segundo M. Florentino e C. Machado (2002: 93) - «Imigração portuguesa e miscigenação no Brasil nos Séculos XIX e XX» - um ensaio, in C. Lessa 2002:25; «Os Lusíadas na Aventura do Rio Moderno», pp-91-116, Rio de Janeiro), os portugueses começaram por ser os únicos europeus no Brasil, ao longo da época colonial, e constituíram depois 1/3 dos 5 milhões e 600.000 mil estrangeiros chegados ao Brasil entre 1820 e 1972 contra 29% de italianos e 13% de espanhóis, e tenho de sublinhar o facto de que estes povos contribuíram para a italianização (que instilou a fobia da eliminação das consoantes ditas erradamente mudas, em certas palavras, e acrescentando-as, em contrapartida, noutras) ; e a castelhanização da Língua Portuguesa, em grande escala, não só na ortografia como  também na fonologia.

 

De 1884 a 1930, entram no Brasil quatro vezes mais portugueses que entre 1820 e 1883. «Chegados aqui, passam a substituir o trabalhador escravo [a abolição da escravatura ocorreu em 1888 (Lei Áurea, aprovada no dia 13 de Maio de 1888, e assinada pela Princesa Isabel) no campo e na cidade. No Rio de Janeiro, o emigrante português, já monopolizador do comércio a varejo, vai ocupando o mercado de trabalho, que passa de africano a luso-africano, e depois a totalmente português, nos anos imediatamente posteriores à Abolição». G. S. Ribeiro (1990:10. Mata Galegos – «Os portugueses e os conflitos de trabalho na República Velha» - São Paulo, Editora Brasiliense.

 

Temos aqui, decerto, mais uma causa [cf. igualmente mais abaixo a decisão de GUATIMOZIM, Imperador do Brasil Dom Pedro I de proibir as actividades maçónicas] da malquerença, da inveja, da hostilidade e do “ódio” aos portugueses, resumida igualmente nesta frase «Por que você veio encher o pandulho aqui?» (G. S. Ribeiro 1994, – «Os portugueses, o anti-lusitanismo e a exploração das moradias populares no Rio de Janeiro da República Velha», in «Análise Social», Vol. XXIX nº 127, pp 631-654 - Lisboa, UL Instituto de Ciências Sociais.

  

Como se sabe no Brasil, os brasileiros fazem chacota sobre Portugal e os Portugueses: «português é burro ou padeiro», ouvi eu tantas vezes!  

 

Como já tive a ocasião de o escrever num artigo publicado, no dia 19 de Junho 2022, neste Blogue e intitulado “O Grito do Ipiranga da Variante Brasileira da Língua Portuguesa deve ser gritado para pôr cobro a algo que desonra  o Brasil e  Portugal “. 

 

Esse tipo de brasileiro provavelmente oriundo de “camadas inferiores da sociedade” está, na verdade, a fazer chacota de si próprio.

 

Portugueses dignos e verticais nunca esquecerão como a nossa Nação, a nossa Cultura, a nossa Língua estão a ser enxovalhadas por um certo tipo de brasileiros, por indivíduos incultos e muito ignorantes e que, afinal de contas, ao cuspir dessa maneira em Portugal, na Língua Portuguesa e nos Portugueses estão, na verdade, a escarrar em cima de si próprios e dos próprios antepassados!    

 

Não esquecer que eles são meros descendentes de colonos portugueses, (castelhanos, italianos, etc., etc.). É bom não esquecer isto! É também irrefutável que os Brasileiros de raiz são os INDÍGENAS!

 

Agora veja-se como eles, os Brasileiros de raiz, os Indígenas, são HOJE tratados por esses brasileiros, descendentes de colonos, cuja cultura consiste essencialmente em ESCARRAR, em VOCIFERAR, em INSULTAR outros Povos e outras Nações.

 

Neste caso, a Nação Portuguesa, o seu Povo, a sua Cultura e a sua Língua.

 

Séculos depois, os métodos repugnantes continuam similares, e o alvo mais fácil de atingir continua, infelizmente, a ser PORTUGAL e os Portugueses.

 

A hostilidade (ódio?) a PORTUGAL e aos PORTUGUESES apenas mudou de contexto, de época e de apresentação. Na «Carta ao Autor das Festas Nacionais», R. Pompeia (2018) - São Paulo, Itaú Cultural -  descrevia-se assim o grande acontecimento anual da Comunidade Portuguesa no Rio de Janeiro (Festa tradicional da Penha): «crianças que comem de ventre em terra, ao redor de mesas de improviso; um que atravessa um frango à boca, outros virados mamando vinho…. E um bêbado que dorme sobre pilhas de melancia e outro que sai para a estrada cambaleando, agitando molemente a bengala, vomitando o viva à Penha …»

 

Na primeira versão do Hino ao 07 de Abril (que viria a ser o Hino Nacional Brasileiro, ou seja, a “Marcha Triunfal”) os portugueses são apelidados de “MONSTROS” e insultados desta maneira (manifestamente de maneira anti-semita): «Homens bárbaros, gerados de SANGUE JUDAICO e mouro, desenganai-vos, a Pátria já não é vosso tesouro». R. L. Souza (2005) - «O Anti-lusitanismo e a afirmação da Nacionalidade» Vol. 5 nº 1, pp. 133-151 «Vitória da Conquista», UESB.  (*** Cf. mais acima igualmente).  Em 1891, acusavam os portugueses de serem os “judeus do Ocidente”. Poucos de nós conhecíamos a vertente vergonhosamente anti-semita dessas camadas da sociedade brasileira. 

 

Conheceriam, porventura, a CHACINA de que foram vítimas os portugueses em CUIABÁ, capital da Província de Mato-Grosso, e em outras cidades, na noite de 30 para 31 de Maio de 1834, e a que chamaram cinicamente simplesmente uma RUSGA?

 

Mais pormenores: «Na hora combinada civis e militares atacam de maneira sangrenta os portugueses nascidos na Metrópole (muitos deles comerciantes). Foi uma chacina, surpreendidas nas suas casas fora de horas, as pessoas são mortas a tiro, à facada ou a golpes de espada. Os distúrbios continuaram durante meses.» (T. M. Cruz Ferreira 2000 - pp 500-501.

 

Lusofobia, in Vainfas, R. – Dicionário do Brasil Imperial, Rio de Janeiro, Editora Objectiva. «Desconhece-se o número exacto de vítimas pois os documentos da época, como por acaso, DESAPARECERAM! Fala-se de 400 mortos, se não mais» (Taunay- 1891-125). I.R.F. AGUIAR 1869 – Prefácio in MOUTINHO, J.F.

 

A notícia sobre a Província de Matto-Grosso, São Paulo, Typ. de Henrique Schröder, que foi outro autor da época, afirma que chegaram a registar-se «acessos do mais imprudente canibalismo». in I.R.F. Aguiar (1869 Prefácio. in Moutinho, J. F.  

 

Os moradores de CUIABÁ (capital da Província de Matto-Grosso), sob controlo de bandidos como foi referido, «foram obrigados mais tarde a acender luminárias, festejando a terrível matança» (T. M. CRUZ FERREIRA 200 500-501 in LUSOFOBIA, Editora Objectiva- Rio de Janeiro Dicionário do Brasil Imperial. 

 

Ora, Dom Pedro abdicou em 07 de Abril de 1834 e havia boatos de que seria reposto no trono. Mais uma vez acusaram os portugueses que viviam na cidade de serem conspiradores e futuros beneficiários dessa «suposta conspiração». Mais uma vez o alvo fácil foram os portugueses.

 

Mas, as verdadeiras razões foram a malquerença e a inveja em relação aos comerciantes portugueses. Pergunta que faço aos leitores: e isto não vos lembra outras vítimas e outros povos, noutras épocas?

 

É necessário relembrarmos, aqui e agora, um outro facto histórico (o pretendido acto de independência do Brasil, o tal grito no Rio Ipiranga, a pôr em paralelo com a travessia do Rio Delaware, nos EUA, durante a noite levada a cabo por um outro maçon, George WASHINGTON, para atacar traiçoeiramente os soldados Ingleses que dormiam na outra margem. Aqui temos de novo um maçon envolvido, detalhe muito pertinente para uma melhor compreensão das razões da hostilidade a Portugal, suscitada por uma certa “elite” de maçons portugueses, e que seriam os futuros brasileiros.

 

 E como se chegou, consequentemente, muitos anos depois, num outro capítulo de hostilização igualmente importante, ao estado presente da marginalização e da subsequente eliminação da Língua Portuguesa a médio/longo prazo, pela sua Variante, a futura Língua Brasileira. Para que tal acontecesse, utilizou-se um outro tipo de instrumento altamente perverso, o histórico "Cavalo de Tróia", a que chamam «Acordo Ortográfico de 1990 (A0-1990)».

 

Acordo esse que foi calcado sobre a Variante Brasileira da Língua Portuguesa, mas que nada mais é do que um dialecto estatal, minoritário e usado apenas em Portugal, através de actos ilegais e inconstitucionais, iniciados e impostos por uma outra personagem altamente tóxica e que levou Portugal à bancarrota. 

 

Assim como este político profissional o fez com o país levando-o à falência, este governante, tentou enviar para o cadafalso a LÍNGUA PORTUGUESA! Não o conseguiu totalmente, porque portugueses despertos, dignos e verticais, através de uma mobilização inicial, o impediram! 

 

Mas pôs a LÍNGUA PORTUGUESA em PERIGO DE MORTE

A HORA da RESISTÊNCIA ACTIVA CHEGOU!

 

(Continua…)

A Parte III será publicada amanhã, dia 09 de Setembro, e será dedicada a Dom Pedro IV de Portugal (I do Brasil) e de como a Maçonaria terá influenciado o que Portugal vivencia, HOJE, estando a perder a sua IDENTIDADE, apenas porque os políticos portugueses NÃO mandam NADA em Portugal, e fazendo-se também certas revelações sobre determinadas decisões de Dom Pedro IV.

 

***

Para quem está a seguir este trabalho de investigação:

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte I)

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte II)

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte III)

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:27

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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2022

Em Defesa da Ortografia (L), por João Esperança Barroca

 

«A riqueza da língua é haver variantes espontâneas e naturais. É preciso fazer frente a esta aberração do Acordo Ortográfico que, além da questão linguística, tem também uma série de incorrecções jurídicas e constitucionais. Na ortografia, temos neste momento o caos total, com as pessoas a retirarem cês e pês indiscriminadamente. “Adepto”, por exemplo, já se começou a escrever “adeto”. Isto é uma loucura. Tenho a certeza absoluta que não há 5% dos deputados que escrevam com a nova grafia, o que fazem é deixar a mudança aos correctores automáticos ou aos revisores.»

António-Pedro Vasconcelos, Cineasta

 

«Todos os livros da Guerra & Paz Editores se borrifam forte e feio no Acordo Ortográfico, coisa que lhes fica muito bem!»

Ricardo Araújo Pereira, humorista e autor, no programa Governo Sombra de 4 de Junho, na SIC Notícias

 

«Tem sido um desastre a forma como os governos têm gerido a língua portuguesa. O Acordo Ortográfico é um desastre, ninguém o cumpre, uns escrevem assim e outros assado. No Brasil, o acordo é diferente, é a variante brasileira. Isto é um absurdo! Só estamos a criar muros quando já existem tantos muros. O nosso problema não é obviamente ortográfico, muitas vezes, é semântico, sintáctico e vocabular. O que temos de fazer é publicar os autores como eles escrevem, em Portugal e no Brasil.»

Bárbara Bulhosa, Directora e fundadora da editora Edições Tinta-da-China

 

Fatos e contatos.png

 

Inicia-se o nosso texto de Agosto com uma citação do cineasta e escritor António-Pedro Vasconcelos, realizador, entre muitos outros, dos  filmes 27 Minutos com Fernando Lopes-Graça (1969), Fernando Lopes-Graça (1971), Perdido por Cem (1973), Adeus, Até ao Meu Regresso (1974), Oxalá (1981), O Lugar do Morto (1984), Aqui d’El Rei (1992), Jaime (1999), Os Imortais (2003), Call Girl (2007), A Bela e o Paparazzo (2010), Os Gatos Não Têm Vertigens (2013), Amor Impossível (2015),  Parque Mayer (2018) e Km 224 (2022).

 

Esta citação, apesar de pouco recente, continua extremamente actual, pois basta ver e ouvir a linguagem que circula à nossa volta para concluírmos que o caos ortográfico se instalou e que dificilmente nos livraremos dos fatos, dos contatos, dos impatos, dos inteletuais e doutros termos tão aberrantes como estes. Basta ler com alguma atenção o recente artigo de opinião no jornal Público (de 13 de Julho) do médico ortopedista Jorge Penedo, intitulado “A Saúde e o Houdini dos tempos modernos”. No final do dito artigo, afirma-se que “O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico”. Citando, o Senhor Primeiro-Ministro: ora, vamos lá a ver. Fazendo uma leitura atenta, encontramos, por ordem de aparição, Junho, Julho, novembro, outubro, otimismo, setor, cético, actual, Norte, Sul, expetativas, atos, sector, atuais. Nestas catorze palavras, o autor emprega seis que respeitam a ortografia de 1945 e oito que seguem o AO90. Citando Álvaro Cunhal em 6 de Novembro de 1975, num debate com Mário Soares, apetece dizer ao Dr. Jorge Penedo: “Olhe que não, olhe que não!”. Com todo o respeito, verificamos que o Dr. Jorge Penedo tem um melhor domínio da ortopedia do que da ortografia.

 

Na segunda citação, o humorista (e autor) Ricardo Araújo Pereira, um fervoroso apoiante do Sport Lisboa e Benfica e da ortografia anterior ao AO90, mostra mais uma vez qual a sua opção ortográfica. Repare, caro leitor, que, no sítio

https://pnl2027.gov.pt/np4/reaccionario.html

a sua obra Reaccionário com dois cês aparece, também, com a designação “Reacionário com dois cês”. Há, pois, muita gente que pensa ser incorrecta a existência de duas consoantes consecutivas, removendo uma delas. Se isto acontece em meios letrados, como será com o cidadão comum?

 

Mais contatos.jpg

 

A terceira e última citação, pela boca de alguém que conhece (bem!) o mercado editorial, desmonta a tese de que a língua portuguesa, por meio do AO90, iria ser protegida, promovida e valorizada. A adopção do AO90 iria, diziam eles, facilitar a circulação das obras dos autores portugueses em todo o espaço lusófono.

 

Se o caro leitor, tiver mau gosto ortográfico e escrever, na grafia do AO90, uma obra intitulada O aspeto da receção do hotel estado-unidense é uma exceção, como será editada no Brasil? Lá terá o título O aspecto da recepção do hotel estadunidense é uma excepção.

 

A unidade essencial da língua é isto.

João Esperança Barroca

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:39

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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

«Degradação da Língua Portuguesa» - texto que veio de Toronto, e diz da preocupação das Comunidades Portuguesas em relação à destruição da NOSSA Língua (Parte III)

 

Com este percurso ao redor do Acordo Ortográfico de 1990, que apresento hoje, nesta Parte III, o qual contribuiu a milhões% para a «Degradação da Língua Portuguesa», Carlos M. Coimbra termina a sua exposição à Provedora da RTP, estação televisiva estatal, que em vez de dar um BOM exemplo de como bem falar e escrever a NOSSA Língua, muito subservientemente, curvou-se aos também muito subservientes governantes, e é uma das grandes cooperantes da destruição da Língua Portuguesa.

 

E é como diz António Manuel Ribeiro (UHF): «Cabe à Nação dizer não queremos» esta imbecilidade, que foi a de impor a Portugal, o imbecil AO90, que está a gerar os imbecis do futuro (linguisticamente falando).

 

Isabel A. Ferreira

 

António Manuel Ribeiro UHF.jpg

 

por Carlos M. Coimbra

 

«Degradação da Língua Portuguesa»

 

7. Acordo Ortográfico

 

Como criticar um Acordo Ortográfico que não tem razão de existir? Qual a vantagem para Portugal? A ortografia do português tem sido alterada, sim, e já não se escreve 'hum' nem 'pharmácia', mas essas foram mudanças que tiveram lugar em Portugal, para portugueses, e não foram empurradas por poderes estrangeiros nem para agradar a ninguém, e ainda muito menos para alinhar com um país para onde foi levada a língua e lhe tem vindo a fazer tropelias.

 

Eu não imagino o fundamento para Portugal ter "normalizado" a sua ortografia com um país onde eu tive ocasião de examinar provas de exame de português de liceu. Fiquei incrédulo pelo nível do questionamento! É que esse exame não seria usado em Portugal, por serem tão corriqueiras tais "dúvidas" sobre a fala e gramática. Quase parecia um exame de português para estrangeiros que estivessem a aprender a língua! Não é para admirar que, tendo eu estado no Brasil de norte a sul, só no Rio é que tive menos dificuldade em ser entendido.

 

Acontece que os brasileiros escrevem e falam erradamente, mas nem têm consciência disso, dizendo coisas como "estou lhe esperando".... E como nas telenovelas adaptam a fala aos variados personagens, as asneiras que dizem entram no ouvido dos portugueses e perduram. Existe um canal em Portugal que até emprega dois brasileiros como jornalistas (uma no Brasil e outro creio que em Lisboa) e dá-lhes o direito de falar ao microfone. Como eles esquecem qual é o público a quem se dirigem, saem palavras erradas, como "apoiadores" em vez de "apoiantes" ou "prefeito" no lugar de Presidente da Câmara. A RTP não faz tal uso de estrangeiros, mas o que é certo é que o frequente uso de entrevistas de rua com brasileiros prejudica a pureza do português.

 

Comparando com o castelhano, podemos observar que em programas de processamento de texto são mencionados "espanhol" de Espanha, do México, da Argentina e por aí fora. E quem teria a má ideia no Reino Unido de fazer um "acordo" com os EUA donde resultasse que os ingleses, escoceses, etc... passassem a escrever 'neighbor' e não 'neighbour', e chamassem 'zi' em vez de 'zed' à letra Z? Haveria uma revolução e contestação pior que a do Brexit! Esse tal Acordo, criado pelo que honestamente poderiam ser chamados Traidores à Pátria, deveria entrar em vigor quando um certo número de países dos PALOP o aprovassem. Como muitos não pareceram dispostos a fazer tal coisa, diminuiu-se o número requerido. E posteriormente, acho que esse número foi reduzido mais uma vez. Contudo, ainda não é considerado aprovado. Nem mesmo pelo Brasil, que é precisamente o país que teria que fazer a quantidade mais ínfima de modificações!

 

Ora então porque é que um governo português ordenou o seu uso em órgãos dele dependentes? Isto só criou confusão na ortografia, e bem hajam jornais como o Público que não aderiram a essa estupidez. Acontece que o AO, não contente com a mudança na ortografia, até pretende convencer o público português a começar a falar de maneira diferente! Se eu sempre disse "expectativa" (e continuo a dizer), porque razão passaria a dizer "expetativa", como já ouvi o presidente Rebelo de Sousa dizer?... E se eu devo dizer "expetativa", como se justifica que seja obrigado a dizer "expectável"? Isto não consiste em Degradação da Língua Portuguesa? O que são "telespetadores"? Gente que espeta coisas remotamente?...

 

A coisa ainda é pior para quem, como eu, lê ocasionalmente textos de jornais brasileiros e vê e escuta o Jornal Nacional da Rede Globo assiduamente! No Brasil, costumavam escrever os meses com minúscula; agora escrevem com maiúscula. Mas em Portugal, alguém decidiu fazer exactamente o contrário! Ainda mais escandaloso é comparar as mudanças que ocorreram em quem aderiu, à força ou por vontade, à "nova" ortografia: Enquanto em Portugal esses escrevem "infeção", os brasileiros não só continuam a escrever "infecção", mas há jornalistas que até dizem "infequição"! Isto é devido a muitos não conseguirem ou não gostarem de dizer duas consoantes seguidas, tal como palavras a começar com S. Então é tisunami, atimosfera, obistrução, hequitares, opitar, subimerso, etc...

 

Assim se ouve em vozes de quem deveria falar correctamente, inclusive o máximo exponente da nação. (O presidente Temer falava muito bom português, e eu até costumava dizer que era um português "de temer"). Que dizer da retirada do acento agudo no particípio perfeito simples de verbos em -ar? Falamos e falámos, escritos da mesma maneira? Só faz "sentido" se ouvirmos brasileiros a falar, como o actual presidente no seu 'pronunciamento' de Ano Novo, áudio do qual mandarei separadamente, captado do JN da Globo na noite de 31 de Dezembro.  

 

Ele aí fala claramente no passado, mas dizendo "amos" e não "ámos". E Portugal fez um Acordo com quem fala assim português?... Parece bem que sim, e a coisa pegou, pois no "Sexta às 9" de 14 de Julho de 2017, o título era "Onde para o dinheiro?"! Tal como o exemplo da "infecção", existem muitos outros, onde os brasileiros continuam todos lampeiros a dizer os 'c' e os 'p' que os portugueses foram proibidos de usar! Curiosamente, a única contribuição brasileira decente que conheço foi o uso do trema (diæresis) para se poder distinguir as pronúncias de "Anhangüera" e "Benguela". Acontece que o Acordo acabou com esse uso! Contraproducente, a meu ver.

 

Ora claro que tudo isto faz nervoso miudinho a quem presta atenção a estas coisas. O que fazer, não sei. Só mudando o governo radicalmente e arranjando um presidente (tanto no Brasil como sobretudo em Portugal) que se preocupe com a língua portuguesa no país e no mundo! Evidentemente que não espero que a Dª. Ana corrija isto tudo, nem a acho com a responsabilidade de o fazer. Mas penso que estes vários aspectos possam servir-lhe como um resumo para algum gesto que pretenda ter internamente na RTP.

    

Melhores cumprimentos, C. Coimbra Toronto

***

Para os interessados em seguir esta brilhante lição, aqui deixo os links, para os restantes textos (o primeiro, inclusive).

 

(Parte I)

«Degradação da Língua Portuguesa» - texto que veio de Toronto, e diz da preocupação das Comunidades Portuguesas em relação à destruição da NOSSA Língua (Parte I)

 

(Parte II)

«Degradação da Língua Portuguesa» - texto que veio de Toronto, e diz da preocupação das Comunidades Portuguesas em relação à destruição da NOSSA Língua (Parte II)

 

(Parte III)

«Degradação da Língua Portuguesa» - texto que veio de Toronto, e diz da preocupação das Comunidades Portuguesas em relação à destruição da NOSSA Língua (Parte III)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:41

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Quinta-feira, 4 de Agosto de 2022

Em defesa da Ortografia (XLIX), por João Esperança Barroca

 

«Não vale a pena exibir mais agravos do Acordo Ortográfico: as críticas que lhe têm sido feitas chegam e sobejam para entendermos o seu alcance de danificação, em expressão e raciocínio, a curto prazo (e já actual!) no falante luso. E as implicações a vir na descida do nosso nível cultural, profissional e económico, no futuro. É uma amputação! Quem aprovou a lei não o supunha, talvez. Embora tenha havido claros pareceres e advertências, na altura devida — e os responsáveis fizeram, no sentido mais próprio, ouvidos de mercador.»

 

Maria Alzira Seixo, Professora universitária

 

***

«O actual Acordo Ortográfico é desnecessário. A ortografia não é uma questão do Estado, mas de uso e de estabilidade do uso. Da estabilidade do uso é que se pode deduzir a correcção de uma forma ortográfica. O actual Acordo Ortográfico não estabiliza a norma, como é notório. Não foi necessário porque a norma estava perfeitamente estável até o Acordo chegar.»

 

António Feijó, Professor da Faculdade de Letras de Lisboa, actual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian

 

***

«Essa aberração a que chamaram “acordo ortográfico” deu livre-trânsito a toda uma série de calinadas. A norma deixou de se distinguir do erro, as “facultatividades” fizeram estender as duplas grafias a níveis impensáveis, cada um passou a escrever como lhe dá na gana, o dislate vai alastrando como nunca. Basta consultar o Diário da República para se perceber isto.

Os imbecis que pariram tal “acordo” tentaram justificá-lo porque vinha “unificar a ortografia” da língua portuguesa. Afinal, como era fácil de prever, nunca a nossa ortografia foi tão diversificada e alterada como agora.

Disto só beneficiam os burros que andam por aí à solta. Dando furiosos coices nas consoantes. Zurrando por escrito num idioma que nem imaginam qual é.»

 

Pedro Correia, jornalista e autor

 

Pé na Argola - 1.jpg

 

A leitura dos excertos em epígrafe, adicionada às imagens que acompanham este escrito (da iniciativa Acordo Zero) já são esclarecedoras do teor deste artigo de opinião, que, mais uma vez, tenta pôr a nu o caos ortográfico que o AO90 ajudou a instalar.

 

Repare, caro leitor, que as imagens que ilustram este escrito citam uma emissora de rádio (TSF), um canal televisivo (CNN Portugal) e um jornal, dito de referência (Expresso). Apetece perguntar: se é assim nos órgãos de comunicação social, como será com o cidadão comum?

 

Pé na Argola - 2.jpg

 

Para os bonzos do Acordo, a culpa destes erros (fato por facto, abruto por abrupto e convição por convicção) e de inúmeros outros não pode ser assacada ao AO90. A culpa, dizem eles, é apenas dos escreventes. Como se coubesse na cabeça de alguém que as pessoas que, anteriormente, escreviam sem erros, passassem, subitamente, a não saber escrever inumeráveis palavras. Como é lógico, muitos escreventes estão a eliminar consoantes, a torto e a direito, levados pela semelhança entre alguns vocábulos.

 

Atente, caro leitor, num exemplo da língua inglesa. Nesta língua, as palavras q (designação da letra) e queue (fila ou bicha) têm exactamente a mesma transcrição fonética, havendo, pois, nesta última forma quatro vogais mudas. Vale à língua inglesa que os seus governantes não estão virados para malaquices (perdão, maluquices) modernaças. Se não fosse assim, essas vogais seriam removidas, permitindo uma considerável poupança, na óptica do jornal Expresso. Por cá, é o que se vê: continuamos na linha da frente na poupança de consoantes.

 

Pé na Argola - 3.jpg

 

Como o leitor já percebeu, tínhamos uma ortografia (de 1945) e agora temos a ortografia de 1945, a do AO90 e uma terceira (como nalguns órgãos de comunicação social que dizem seguir o AO90, excepto onde ele é estúpido) que acolhe tudo e mais alguma coisa. Para aquilatar da perfeição do AO90, leia-se a frase do Circo Cacográfico da iniciativa Acordo Zero: Nem sei se o elefante tem problemas óticos ou óticos. Confuso? Nem por isso! É a unidade essencial da língua.

 

João Esperança Barroca

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:39

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Terça-feira, 21 de Junho de 2022

“A eterna questão ortográfica: por que não desistimos” (Nuno Pacheco, PÚBLICO, 16.06.2022)

 

“A eterna questão ortográfica: por que não desistimos” (Nuno Pacheco, PÚBLICO, 6.06.2022)

 A Provedoria de Justiça também não dá resposta

By Rui Valente in diversosMedia, Opinião

 

 

 

Nota prévia: a propósito da intervenção de Jorge Miranda e da sua cruzada contra os estrangeirismos, a que Nuno Pacheco se refere neste artigo, vale a pena tecermos algumas considerações. A primeira, e mais evidente, é que a crítica generalizada ao uso de estrangeirismos é, por si só, um terreno escorregadio. Com toda a subjectividade que o exercício comporta, há que ver caso a caso: o texto melhorou? Haveria uma solução mais elegante em Português? A mensagem tornou-se mais clara?

 

Esta análise estende-se, naturalmente, ao campo estético — convenhamos que os aportuguesamentos, por exemplo, nem sempre são felizes. Pela parte que me toca, dificilmente trocarei um dia a graça de um “dossier” pelo desengonçado “dossiê” português. Em última análise, estaremos sempre a falar do bom gosto (ou do mau gosto) de quem escreve — o que é, e será sempre, um tema controverso.

 

Acresce que um estrangeirismo é um fenómeno natural. As Línguas sempre se comeram umas às outras e, em larga medida, é também dessa forma que se desenvolvem. Com o Acordo Ortográfico ocorre precisamente o oposto. Um estrangeirismo é uma palavra que achamos interessante noutra Língua e que, voluntariamente, decidimos “roubar” e integrar na nossa. Com o Acordo Ortográfico, milhares de novas palavras, criadas artificialmente, sem qualquer adequação à nossa pronúncia — quase todas de uma deselegância atroz — estão a ser-nos impostas, sem apelo nem agravo.

 

É por isso que se torna particularmente doloroso assistir a esta moda que parece acometer agora os defensores do Acordo Ortográfico: como é possível que alguém não só tolere como até defenda a enorme agressão que o Acordo Ortográfico representa para o Português Europeu, para de seguida se indignar, a ponto de rasgar as próprias vestes, com uma questão de interesse duvidoso como é a dos estrangeirismos? Que autoridade esperam que lhes reconheçamos nesse papel de paladinos da Língua Portuguesa?

 

Jorge Miranda é um dos expoentes dessa moda acordista de ver no inglês todos os males da Língua Portuguesa. É impossível que o presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal não tenha noção de que, na sua boca, essa argumentação é uma anedota de mau gosto.

 

Não se percebe, portanto, porque insiste Jorge Miranda nessa tecla. Consciência pesada? Esforço desesperado para, apesar de tudo, tentar atamancar uma imagem de defensor da Língua? Tentativa de assobiar para o lado, assacando a outros a responsabilidade pelo mau estado da Língua Portuguesa, enquanto finge ignorar a sua própria?

 

Talvez um “mix” de tudo isto — passe o estrangeirismo.

 


 

Parece que o 10 de Junho, ou o que dele decorre, está fadado a estas sortes. Este ano, em Braga, ao discursar como presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal, quis o professor Jorge Miranda dedicar uma parcela dessa sua intervenção à língua portuguesa (1 minuto e 15 segundos num total de 10m35: confira-se dos 7m14s aos 8m29s). Falou dela como “um direito” [dos povos que a escrevem e falam] e “também um dever”, apontando depois o dedo “contra os atropelos que vem sofrendo entre nós”: “Constantes erros de sintaxe na comunicação social, ensino em escolas superiores portuguesas por professores portugueses a alunos portugueses em língua estrangeira; denominações de algumas escolas superiores, muitas das quais públicas, também em inglês; alastramento de denominações comerciais de empresas portuguesas operando em Portugal em inglês – outra coisa é o inglês ter-se tornado língua franca universal.

 

Não é nova, esta indignação de Jorge Miranda. Já a expressara várias vezes, até no PÚBLICO, em artigos como Brevíssimas notas sobre três questões sérias (13/7/2011) ou Outro direito fundamental em risco: o direito à língua (11/2/2013), que o Ciberdúvidas reproduziu. Neste último, aliás, recorria à Constituição (de que é um dos “pais”, na sua génese) para reafirmar “o direito de uso da língua, sabendo-se como a língua materna, por seu turno, é o primeiro ou um dos primeiros elementos distintivos da identidade cultural”; havendo “o direito de defender, mesmo em tribunal, o património cultural [art. 52.º, n.º 3, alínea d)].” Mesmo em tribunal? Pois nem na Assembleia da República (AR), onde a Constituição foi feita e refeita.

 

Há um ano, numa destas crónicas, dávamos conta do silêncio a que fora votada na Assembleia da República uma iniciativa legislativa de cidadãos em torno do Acordo Ortográfico de 1990 (ILC-AO). Pretendia tal iniciativa, como foi amplamente divulgado, que a AR revogasse a sua Resolução n.º 35/2008, de 29 de Julho, pois esta aprovara o segundo protocolo modificativo do AO90, permitindo que este entrasse em vigor com a ratificação de apenas três países, em vez dos oito subscritores iniciais, contrariando o disposto na Convenção de Viena que Portugal ratificara escassos anos antes, em 2004. Entregue em Abril de 2019 (com 21.206 assinaturas validadas), foi transformada em projecto de lei (1195/XIII) por cumprir “os requisitos formais de admissibilidade.”

 

Mas não foi a plenário, porque a lei 17/2003, que obrigava, esgotados os prazos, a um agendamento “para uma das dez reuniões plenárias seguintes, para efeito de apreciação e votação na generalidade” teve, em Agosto de 2020, este acréscimo no final: “salvo se o parecer da comissão tiver concluído pela não reunião dos pressupostos para o respectivo agendamento.” E assim foi barrada pela comissão e remetida ao silêncio. Uma exposição dos promotores à Provedoria de Justiça (declaração de interesses: subscrevi ambas), com pedido de um parecer, teve o mesmo efeito. O que levou Rui Valente, em nome da ILC-AO, a escrever um artigo na página desta iniciativa intitulado A Provedoria de Justiça também não dá resposta, onde conclui: “Parece-nos evidente que não se poupam esforços quando o objectivo é manter o debate sobre o Acordo Ortográfico longe do Plenário. Vale tudo, incluindo a mais completa degradação da figura das Iniciativas Legislativas de Cidadãos. Em Portugal, a Língua Portuguesa vive momentos dramáticos, em que o Português Europeu luta pela sobrevivência. A democracia participativa parece ir pelo mesmo caminho.” E a culpa não é do inglês.

 

A ideia geral é esta: desistam. O AO90 é um facto consumado, habituem-se a ele, as crianças já não conhecem outra grafia, editoras, jornais, livros, televisões afinam pelo mesmo diapasão, com “exceção” [sic] de um punhado de teimosos a lutar contra moinhos de vento. A conversa do costume. Mas o plural expresso no título desta crónica também é verdadeiro: não desistimos. Porque o acordo, em lugar da propalada unificação ortográfica (promessa que é hoje absoluta vacuidade), continua a dar-nos “impatos”, “estupefatos”, “artefatos”, “convições”, “egícios”, “adetos”, “réteis”, “abrutos”, “inteletuais”, “mastetomias”, “nétares”, “fições”, “oções”, “evições”, “eruções”, “frições”, “autótones”, “invitos”, “galáticos”, “ténicos” e outras tantas aberrações que o acordo tem incentivado, ao desestruturar a escrita.

 

Talvez isto passe ao lado de Jorge Miranda, embora até já o inglês sofra cortes sob tal influência. Mas enquanto nada mudar, e a atitude de quem manda diz-nos que por sua vontade não mudará uma só vírgula, haverá resistência e resistentes.

 

Nota: transcrição integral de artigo publicado no jornal PÚBLICO na edição de quinta-feira, 16 de Junho de 2022.

 

Fonte: https://ilcao.com/2022/06/06/a-provedoria-de-justica-tambem-nao-da-resposta/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:26

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Terça-feira, 24 de Maio de 2022

«Em Defesa da Ortografia (XLVII), por João Esperança Barroca

 

ALERTA!!!!

Por tudo o que neste artigo, da autoria de João Esperança Barroca, se diz e se vê, SE, na Assembleia da República, houver alguém dotado de LUCIDEZ, apela-se a esse alguém que, em nome da RACIONALIDADE, sugira que (e citando José Vieira) «está na altura de baixar o IRS e passar a taxar a ignorância», porque a IGNORÂNCIA, disseminada nas escolas, nas televisões e nas traduções e edições acordizadas, está a ENCARCERAR os cérebros e a transformar Portugal no país com mais IGNORANTES por metro quadrado, nos sectores que mais estão ligados à expansão do nosso Idioma. (Isabel A. Ferreira)

 

Cérebro encarcerado.jpg

 

«Em Defesa da Ortografia (XLVII)»

por João Esperança Barroca

 

«É altura de dar uma alegria à língua portuguesa: é altura de a libertar do Acordo Ortográfico.

 O Acordo Ortográfico foi feito numa altura em que a uniformização estava na moda, numa época em que se pedia às pessoas que esquecessem as diferenças.

Mas, entretanto, tudo mudou: agora são as diferenças que é preciso celebrar. Portugal já não é um país pequenino diante do Brasil e dos outros países que falam português. Agora, Portugal é Portugal e o Brasil é o Brasil e São Tomé e Príncipe é São Tomé e Príncipe.  

O contrário da uniformização é a celebração das diferenças. A melhor maneira de as celebrar é através do estudo. Deite-se fora o Acordo Ortográfico e, em vez desse desmando, ensinemos às nossas crianças a riqueza, a graça e a personalidade das várias versões nacionais da língua portuguesa.

E nós também temos direito à nossa versão, à nossa ortografia, às nossas manias, às nossas particularidades.

Miguel Esteves Cardoso, Escritor, em 22 de Abril de 2022

 

«[…] o AO é um acto de genocídio cultural, estético, racional e político.»

Miguel Esteves Cardoso, Escritor, em 12 de Agosto de 2011

 

«Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

A jogada repugnante dos acordistas imperialistas — ignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se.

 Miguel Esteves Cardoso, Escritor, em 20 de Maio de 2015

 

Após três citações, do escritor Miguel Esteves Cardoso, apoiante oficial da iniciativa Acordo Zero, um pouco mais longas que o habitual, o espaço para as nossas reflexões ficou mais escasso. Por essa razão, o nosso texto de Maio, dedicado à Beatriz, que faz hoje 29 anos e que merece conviver com uma ortografia lógica, coerente, congruente e sem vergonha da sua história, incide sobre alguns aspectos desse movimento de cidadãos.

 

Em Fevereiro do corrente ano, o jornal Cidade de Tomar, divulgou esta iniciativa, totalmente independente, livre de facções de qualquer espécie e que canaliza as suas forças para a imediata revogação do Acordo Ortográfico de 1990, única forma de proteger a Língua Portuguesa em todo o espaço onde é falada e escrita. Saliente-se, a propósito, que há alguns cidadãos tomarenses com o estatuto de subscritores de apoio desta iniciativa.

 

Na página de Facebook da iniciativa Acordo Zero têm sido regularmente publicadas, no âmbito do tópico “Circo Cacográfico”, algumas frases, que abaixo se transcrevem, ilustrativas do caos a que isto chegou (parafraseando uma célebre expressão do capitão de Abril Salgueiro Maia):

 

- Cato pelos e pelo catos na boca do urso!

- Pouco dinheiro para todos nós neste circo!

- Nem sei se o elefante tem problemas óticos ou óticos!

- O corréu correu rua fora e acabou na jaula do tigre!

- O egiptólogo francês foi ao circo no Egito!

- O macaco roubou a caneta corretora do corretor!

- A adoção de adoçante no engodo da foca foi uma boa ideia!

- O palhaço não ata nem desata no primeiro ato da ata!

- Tetas e tetos falsos deteta o mágico à distância!

- Espetador arruína espetáculo de espetador de facas!

 

Confuso, caro leitor? Isto não é mais do que «[…] a impressionante oscilografia que o Monstruoso Acordo (MA) instalou, com consequências terríveis para os olhos e para os ouvidos — sim, para os ouvidos.  […] (Não, isto não tem nada que ver com o MA, contraporão os empedernidos. Nadinha. Ainda terão lata para tal dislate?)»

Manuel Monteiro, autor, tradutor, revisor e formador, em 22 de Março de 2022

 

Talvez a solução seja a preconizada por José Vieira, cidadão do Entroncamento, num comentário, no Facebook, ao artigo “Em Defesa da Ortografia XLIV: «Está na altura de baixar o IRS e passar a taxar a ignorância

 

João Esperança Barroca

 

LÁTEA.png

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GALÁTICO.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:25

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Quarta-feira, 27 de Abril de 2022

«Nótulas sobre o absurdo do Acordo Ortográfico»

 

Nem de propósito, hoje, ouvi nas notícias que 100 mil alunos estão em vias de ficar sem professores em algumas disciplinas, porque faltam professores. Entre os que mais faltam são os de Português.

 

Pudera! Quem quer sujar a sua carreira docente, ao enganar as crianças e os jovens, ministrando-lhe uma mixórdia ortográfica, que não pertence à Língua Materna deles? E o pior é que os alunos, desde os mais novos aos mais velhos, sabem que estão a levar gato por lebre, porque aprendem outras Línguas da mesma Família Linguística do Português, e não percebem por que hão-de escrever “infeção”, sem , quando todas as suas derivadas se escrevem com. É como esta, muitas mais. É que os alunos não são os parvos que os governantes e os professores (que estão a sujar a sua carreira) querem fazer deles.



O Denis S. Diderot, abordou o assunto, num texto muito perspicaz.

 

É que já andamos todos fartos da estupidez optativa dos acordistas, que não dão uma para a caixa, nesta questão da Língua.



Esperamos que o XXIII governo de Portugal tenha LUCIDEZ suficiente para reconhecer o erro, e anule o AO90, e reponha a legalidade da Língua Oficial Portuguesa, que anda por aí a ser violada descaradamente, sem que nenhuma autoridade judicial se dê ao trabalho de processar quem está a cometer um crime de lesa-pátria, bem como um crime de lesa-infância, algo que ultrapassa todos os limites do dever de Estado. E repor a legalidade é muito mais fácil do que impor a ilegalidade. Haja RACIONALIDADE e BOM SENSO.

 

Isabel A. Ferreira

PÁRA ou PARA.jpg

 

«Nótulas sobre o absurdo do Acordo Ortográfico»

 

Por Denis S. Diderot



Já ouvi diversos, mas todos absurdos, argumentos em defesa do Acordo Ortográfico.


A simplificação da escrita tornará mais acessível a língua aos estrangeiros e, sobretudo, facilitará a aprendizagem da mesma às crianças. É preciso, todavia, dizer, que o castelhano tem uma ortografia das mais simples, em comparação com o inglês, com o francês, com o alemão, para já não falar das línguas não alfabéticas, mas ideográficas, que não têm vinte e poucos caracteres, mas centenas ou mesmo milhares.

 

Ora, prova-se, com dados estatísticos, que a taxa de alfabetização dos países falantes dessas línguas tem a ver, não com a sua complexidade, mas com a qualidade do seu sistema de ensino e com o seu poder económico e político. O inglês é a língua mais estudada no mundo.


O Acordo Ortográfico criou uma escrita mais natural, aproximada à fala. Esta tese é ainda mais descabelada. Toda a gente sabe - menos o Malaca Casteleiro - que os caracteres das línguas alfabéticas são totalmente convencionais, isto é, não há relação motivada entre um caracter escrito e um fonema. Escrevia-se 'farmácia' com 'ph', mas a sua substituição por 'f' não aproximou um cagalhésimo (apetece-me exprimir-me assim, nesta circunstância) do som articulado que constitui um elemento da fala. Aliás, os ingleses e os franceses, que, como sabemos, possuem idiomas primitivos, mantêm o 'ph'.


 
Então porquê esta questiúncula em torno do Acordo Ortográfico, se tanto faz escrever duma maneira ou de outra? É que este Acordo faz surgir dois problemas sistemáticos.


O primeiro problema reside no aparecimento da inconsistência na forma de indicação de palavras com a mesma raiz. Por exemplo a modificação do nome '
Egito' no seu adjectivo 'egípcio' faz reaparecer a letra 'p', quando, em coerência, deveria passar a escrever-se 'egício'.


E, já agora, por que os ingleses e os franceses não se querem livrar de letras inúteis, mesmo do ponto-de-vista da codificação fonética? Só pode haver um único motivo, se não for a preguiça. Eles sabem que a escrita não tem apenas uma função pragmática; ela tem uma estética própria, diferenciada das outras, que dá uma certa roupagem à língua e define o estilo visual da mesma. Além disso, e este é um outro motivo de que agora me lembrei, sabem, e Malaca Casteleiro não, que a grafia está associada à génese de cada palavra, no nosso caso sobretudo ao latim.

 

O segundo problema consiste na perda de sinais gráficos indicadores (não importa se convencionais, porque todos o são) de regras de pronúncia, tornando mais difícil a aprendizagem e a conservação da dicção correcta (passaremos a escrever 'dição'?). É o caso de 'expectativa', que passa a 'expetativa'. Além de que é sabido que muita gente diz 'expectável' e 'expectaste' pronunciando a letra 'c', quando no Acordo Ortográfico ela não deve aparecer. O mesmo acontece com a substituição de 'espectador' por 'espetador'. A consoante muda 'c' não é exactamente muda mas tem uma função fonética evidente. Mais escandaloso ainda é a supressão do acento agudo em 'para' do verbo 'parar', o eliminar do acento circunflexo de 'pêlo', ficando 'pelo', o que tem apenas a vantagem de poupar na tinta e a desvantagem de criar equívocos. Isto mostra como o Acordo Ortográfico não nos aproxima a escrita da fala.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:10

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Sexta-feira, 8 de Abril de 2022

Marcelo Rebelo de Sousa ultraja a memória de Vasco Graça Moura, na inauguração da “Casa dos Livros” que albergará o espólio do escritor

 

No passado dia 01 de Abril, inaugurou-se, no Porto, a Casa dos Livros, em homenagem ao escritor e tradutor Vasco Graça Moura, e na qual foi acolhido o seu espólio literário.  


Na inauguração da Casa dos Livros esteve presente Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República Portuguesa, que discursou, e mais valia ter ficado calado.

 

Como todos devem recordar-se, Vasco Graça Moura era um inflexível opositor do AO90, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa que tem demonstrado ser o MAIOR defensor de um pseudo-acordo ortográfico que foi imposto ILEGALMENTE em Portugal, numa evidente violação à Constituição da República Portuguesa, que jurou defender.

 

Pois há a dizer que o discurso do presidente, foi um discurso vergonhoso, propagado pela própria Presidência da República Portuguesa, no YouTube, no qual insultou a memória de Vasco Graça Moura, diante dos filhos e demais família do homenageado.

 

Marcelo Rebelo de Sousa teve o desplante de chamar «desmancha-prazeres» a Vasco Graça Moura, por ter sido um acérrimo opositor do ILEGAL Acordo Ortográfico de 1990.

 

Um insulto à memória e ao legado literário de Vasco Graça Moura. Ele, que travou a sua última batalha em defesa da Língua Portuguesa, o seu mais precioso instrumento de trabalho, que viu estraçalhado, sem dó nem piedade, para se fazer o frete ao Brasil, a quem Marcelo é visivelmente subserviente.

 

Marcelo Rebelo de Sousa devia envergonhar-se de vir evocar o nome de Vasco Graça Moura chamando-lhe “desmancha-prazeres”, como se a Língua Portuguesa fosse do foro do simples prazer, e não um dos símbolos maiores da Identidade Portuguesa.

 

Sinto-me tão insultada como se sentiria Vasco Graça Moura, se ouvisse tais palavras, na boca de alguém que jurou defender os símbolos de Portugal, e despreza-os de um modo absolutamente aviltante.

 

Mas vamos ouvir o que disse Marcelo.

Isabel A. Ferreira

 

Vasco Graça Moura.jpg

 

O discurso completo neste link: 

https://www.youtube.com/watch?v=lmZd7zwDttk


publicado por Isabel A. Ferreira às 17:57

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