Segunda-feira, 12 de Agosto de 2019

O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 É (JÁ SE SABE) “GATO ESCONDIDO COM O RABO DE FORA” – E AGORA, SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA?

 

E agora que se achou o fio à meada, ou seja, que se descobriu todo o enredo obscuro em que o AO90 estava enleado, agora que se encontraram provas que esclarecem o que sempre nos pareceu anormal, o que fará o Senhor Presidente da República Portuguesa? Continuará a remeter-se ao estrondoso silêncio, no que ao AO90 diz respeito, ou tomará uma posição pública, para acabar de vez com o que nunca devia ter começado, até porque sempre se soube que a aplicação do AO90 era ilegal e inconstitucional?

 

AO90.png

 

 

Desde há muito que se sabia que os políticos portugueses escondiam algo muito obscuro sobre o Acordo Ortográfico de 1990, o qual, com base num decreto que, na realidade, nunca existiu, se apressaram a OBRIGAR a aplicar nas escolas, na função pública e nos organismos Estatais, entre eles, os meios de comunicação social servis, (que, pelo visto, fazem parte do aparelho de Estado, tal o servilismo!).

 

Intriga-me o facto de esses, que, cegamente, se apressaram a aplicar o AO90, ou por ignorância, ou porque foram alvo de chantagem, ou por uma mera vocação servil inata, nunca tivessem a curiosidade de perguntar: qual a Lei que obriga a aplicar o AO90?

 

Eu já perguntei. E a resposta foi ZERO, o que significa que essa lei não existe. Se existisse, teriam esclarecido a cidadã ignorante. Não teriam?

 

Podem consultar essa minha tentativa de obter um esclarecimento junto dos governantes, neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/ao90-todos-os-caminhos-vao-dar-ao-197027?tc=15453345475

 

O resultado da aplicação ilegal do AO90 foi o seguinte: desatou-se a escrever incorreCtamente a Língua Portuguesa, para agora chegar-se à conclusão, a partir de provas documentais irrefutáveis, de que o AO90, de facto, nunca esteve em vigor em país nenhum, e que os Portugueses foram alvo, e as crianças portuguesas, as grandes vítimas, da maior BURLA de todos os tempos.

 

E ninguém nos venha dizer que os que nos governam NÃO SABIAM!

 

E agora que se achou o fio à meada, ou seja, que se descobriu todo o enredo obscuro em que o AO90 estava enleado, agora que se encontraram provas que esclarecem o que sempre nos pareceu anormal, o que fará o Senhor Presidente da República Portuguesa? Continuará a remeter-se ao estrondoso silêncio, no que ao AO90 diz respeito, ou tomará uma posição pública, para acabar de vez com o que nunca devia ter começado, até porque sempre se soube que a aplicação do AO90 era ilegal e inconstitucional.

 

Neste meu Blogue, sempre se chamou à atenção para o facto de o AO90 ser a maior FRAUDE de todos os tempos, desde que Dom Afonso Henriques nos deixou de herança um pequeno País, que já teve grande influência no Mundo, e hoje é apenas um País pequeno, encolhido e subserviente, que se arrasta na cauda da Europa, graças a uma corrupção engravatada, instalada numa política de trazer por casa.

 

Uma autêntica vergonha! E não julguem os políticos portugueses que são aceites na Europa, devido à sua competência e clareza. Porque não são. Aceitam-nos apenas por mero interesse estratégico. De resto, todos sabem que Portugal se arrasta na cauda da Europa, sendo o último em quase tudo.

 

Quiseram-nos arrancar à força o nosso maior símbolo identitário: a Língua Portuguesa, substituindo a nossa grafia, pela grafia brasileira, que apenas ao Brasil diz respeito, perdendo Portugal, deste modo, o respeito por si próprio, apenas porque uns poucos (porque eles até são poucos) traidores da Pátria decidiram dar um golpe de mão. (*)

 

Só que esses poucos esqueceram-se de um pormenor: o de esconder o rabo da tramóia (como na expressão gato escondido com o rabo de fora) que, trocado em miúdos, significa que os que se envolveram nesta coisa do AO90, fizeram uma negociata entre eles, esquecendo-se de que, como em tudo o que não é legal, há sempre um ponto fraco por onde se pode descobrir o “segredo” que parecia estar no “olimpo dos deuses menores”.

 

Podem consultar «O Negócio do Acordo Ortográfico», publicado nos Jornal O Diabo, neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-negocio-do-acordo-ortografico-172469

 

Os negociantes contaram com a subserviência (ressalvando todas as raras e honrosas excePções, obviamente) dos meios de comunicação social (nomeadamente dos televisivos, os mais servis), dos funcionários públicos, dos professores, de uma classe política ignorante e de uma população alienada, mais interessada em futebol, telenovelas e reality shows do que nas trafulhices da Língua, que devia identificar-nos como um POVO europeu independente, e, neste momento, identifica-nos como um povo servil e parvo, que trocou a bandeira portuguesa, pela bandeira brasileira, no que se refere à Língua; bem comotambém um povo trapaceiro, que, para tal, usou de um cambalacho, para impor a Portugal uma grafia que é pertença exclusiva do Brasil.

 

Para os negociantes, o segredo parecia estar bem guardado no olímpico Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mas não estava, porque o AO90 configura um gato escondido com o rabo de fora. E como nem todos são servis, neste país cheio de serviçais, conseguiu-se achar o fio à meada…

 

Coube a Nuno Pacheco, redactor-principal do Jornal Público, descobrir a ponta da meada, e, sob o título «Querem datas giras para duvidar da validade do Acordo Ortográfico? Aqui vão algumas», publicou um artigo (que pode ser consultado no link mais abaixo), em que, apresentando provas documentais, conclui o seguinte:

 

«Finalizando (por agora): se Portugal só ratificou o Segundo Protocolo em 2009, a 13 de Maio (data célebre, não devido à ortografia mas a Fátima); se de São Tomé não se conhece registo de que tal protocolo tenha sido mesmo ratificado; e se Cabo Verde, em Dezembro de 2009, ainda estava a pensar notificar o MNE, “com a urgência possível”, da sua ratificação interna, como é possível afirmar (como se lê em notas, avisos e decretos) que o AO “entrou em vigor, a nível internacional, em 1 de Janeiro de 2007”? Não era altura de tais documentos serem mostrados a uma alta instituição, independente e idónea (talvez a Presidência da República ou a Provedoria de Justiça), para deslindar, seriamente, esta monumental trapalhada?»

 

Ver artigo completo aqui:

https://www.publico.pt/2019/08/08/culturaipsilon/opiniao/querem-datas-giras-duvidar-validade-acordo-ortografico-aqui-vao-1882433?fbclid=IwAR1_a4l2oOCnw3EO1DnfYOzil64bQy19vzKuX9kLuHvxr3pH57U2nB2xeLg

 

Com base naquele “por agora”, e tanto quanto sei, ainda há muito mais por desvendar, devidamente documentado. Aguardemos, pois.

 

Posto isto, do que estão à espera os órgãos de comunicação social televisivos, para abordarem este tema gravíssimo e danoso para a Nação Portuguesa? Fazem propaganda à selvajaria tauromáquica, e silenciam o que é importante para o País?

 

Do que estará à espera o senhor Presidente da República Portuguesa, para se pronunciar sobre esta descoberta macabra?

 

Isabel A. Ferreira

 

***

(*)Golpe de mão”: diz-se de um acto praticado com má-fé.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:00

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Quarta-feira, 7 de Agosto de 2019

EMBAIXADOR CARLOS FERNANDES DIZ EM ENTREVISTA AO JPN QUE O AO/90 É “MANIFESTAMENTE INCONSTITUCIONAL”

 

Neste momento, em que a bomba pode estourar a qualquer momento, é oportuno recordar esta entrevista ao Embaixador Carlos Fernandes, em 05/05/2016, a que nenhum "governante" deu atenção, nomeadmente o Presidente da República, que jurou ser o garante da Constituição da República Portuguesa, e falhou (ou tem falhado) de um modo tão gritante que até os "leigos", nestas coisas jurídicas, se apercebem de que algo vai mal nesta República das Bananas de Portugal.

 

Um acordo ortográfico assente em meros interesses económicos do lobby editorial/livreiro e políticos pouco escrupulosos não é um acordo ortográfico, é uma negociata entre vendilhões da Língua, interessados em encher os bolsos à custa dos parvos que foram nesta treta; aliás uma treta a dois: Brasil e Portugal.

 

E apenas os ditadores estão indisponíveis para ouvir a voz da razão, a voz de milhares de falantes e escreventes da Língua Portuguesa, por esse mundo fora, que se opõem ao AO/90, ilegal e inconstitucional (como afirmam os juristas honestos, porque os há batoteiros) e deveras, deveras um autêntico lixo ortográfico, mais conhecido por bechara-malaquês.

 

AO.jpg

 

 Em entrevista à jornalista Filipa Almeida Mendes, do JPN,  o Embaixador Carlos Fernandes, autor do livro “O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor” (da Guerra & Paz) e acérrimo defensor da abolição deste “acordo”, afirma que esta “não é uma questão de opinião, mas sim um problema jurídicoe que o processo ficou pela fase da ratificação, o que não chega para pôr um acordo em vigor.

 

«Durante a visita de Estado a Moçambique, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à RTP África, admitiu repensar o Acordo Ortográfico de 1990, caso Moçambique e Angola rejeitem este “acordo”.»

 

De acordo com as declarações de Carlos Fernandes, Professor de Direito Internacional o acordo «nunca reuniu unanimidade dos países e, portanto, nunca esteve em condições, nem está, de poder entrar em vigor, porque Angola e Moçambique não o ratificaram. Em Portugal, para esse acordo poder entrar em vigor, tinha de continuar o processo que parou na ratificação, em 1991, e não se chegou a fazer referendo, não se chegou a publicar o aviso no Ministério dos [Negócios] Estrangeiros e não se chegou a publicar [um decreto] a seguir a isso.»

 

Garante ainda o Embaixador que a “aplicação do acordo está a ser feita de uma forma manifestamente inconstitucional, porque se apoia na Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 25 de Janeiro e qualquer acto que a administração pratique tem de ter o apoio numa lei ou num decreto-lei, nunca podendo legislar-se por uma resolução”.

 

Este Professor de Direito Internacional (repita-se) afirma que “o Acordo Ortográfico de 1990 é uma estupidez crassa que desfigura completamente a Língua Portuguesa.”

 

Declarou ainda que apesar de todos os países terem o direito à evolução da sua língua, o Governo português está proibido, por força do Artigo 43 da Constituição, de orientar a cultura e a educação “segundo directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.”

 

Para terminar, Carlos Fernandes disse acreditar que, apesar de o Presidente da República não legislar sozinho e não ter poderes executivos, o facto de ponderar repensar o Acordo Ortográfico é já um avanço para a discussão da matéria.

 

Posto isto, repetirei o que tenho dito aos quatro ventos: «Apenas os ditadores estão indisponíveis para ouvir a voz da razão, a voz de milhares de falantes e escreventes da Língua Portuguesa, por esse mundo fora, que se opõem ao AO/90, ilegal e inconstitucional (como afirmam os juristas) e deveras um lixo ortográfico».

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte:

https://jpn.up.pt/2016/05/05/novo-acordo-ortografico-manifestamente-inconstitucional/#comment-10629

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:50

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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2019

«ACORDO ORTOGRÁFICO: UM BECO COM SAÍDA» NOVO LIVRO DE NUNO PACHECO

 

Depois de ler o livro e ver e ouvir o debate (no vídeo aqui reproduzido) chega-se a uma, e apenas a uma conclusão:

O AO90 é uma coisa estúpida, engendrada por parvos, para ser usado apenas, e apenas, pelos que não nasceram absolutamente nada dotados para a aprendizagem de uma Língua Culta Europeia, seja ela qual for. Porque quem não é capaz de perceber que em Língua Portuguesa direCtor se escreve com um , também não percebe que direCtor também se escreve com , em Inglês e em Castelhano; e, direCteur, em Francês, também com cê. E quem diz direCtor, diz todas as outras palavras às quais se suprimiram as consoantes não pronunciadas comuns às restantes Línguas europeias.

Mas, obviamente, embora se esteja num beco, este beco tem saída, diz Nuno Pacheco.

Recomendo vivamente a leitura do livro e a audição do debate ao redor do livro, com Artur Anselmo [Academia das Ciências de Lisboa], Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia, Guilherme Valente [editor da Gradiva Publicações, S.A.] e de Nuno Pacheco ["Público"].

 

250x.jpg

https://www.youtube.com/watch?v=VumXddbmchI

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:29

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Quarta-feira, 24 de Julho de 2019

«OS NOVOS ANALFABETOS DO SÉCULO XXI», SRA. LÚCIA VAZ PEDRO, SÃO OBVIAMENTE OS QUE NÃO TÊM CAPACIDADE INTELECTUAL PARA APRENDER LÍNGUAS

 

Não resisto a transcrever o texto que a acordista Lúcia Vaz Pedro publicou no Jornal Público, sob o título «Os Novos Analfabetos do Século XXI». Um texto incrível. E não resisto, não só porque é preciso divulgar a colossal pobreza argumentativa desta “professora” que achincalha a classe (pobres alunos!), mas especialmente pelo extraordinário comentário a este texto, publicado pela Cláudia Mealha, que diz tudo o que eu me apetecia dizer a este propósito.

 

Lúcia Vaz Pedro insulta os Portugueses, colocando-os ao nível dela, no que respeita à aprendizagem da Língua Portuguesa. Apenas um grupo muito restrito de portugueses (no qual ela se inclui) não consegue PENSAR a própria Língua, como os outros povos europeus conseguem pensar a deles.

 

Para demonstrar o quanto Lúcia Vaz Pedro está longe da Cultura Portuguesa, apresento aos leitores o Saber daqueles que representam os VERDADEIROS docentes.

 

Isabel A. Ferreira

 

Maria do Carmo Vieira.png

 

(Nota: os erros ortográficos cometidos por Lúcia Vaz Pedro vão assinalados, uma vez que é cidadã portuguesa (e não brasileira) e a ortografia em vigor em Portugal é a de 1945 (e não a de 1990), e este Blogue não pactua com ilegalidades).

 

«Os novos analfabetos do século XXI

 

Se esta minoria ensinasse Português, não se preocuparia tanto com a grafia, mas com as dificuldades que os alunos (e a sociedade em geral) revelam ao nível da compreensão escrita.

 

18 de Julho de 2019, 19:18

 

Há neologismos que se criam para determinadas realidades ou situações.

Na verdade, quando se fala de uma minoria “antiquada e lúgubre”, ao estilo de Tomás de Alencar de Os Maias de Eça de Queirós, empedernida numa grafia arcaica, desatualizada, que se recusa a aprender, que se reforma, para não o fazer (porque há professores que gostam de novidades, estudando para ensinar), que sente escangalhada a sua “catedral romântica”, parece ter lógica criar neologismos, agitando e evitando essa espécie de “analfabetização” que não quer compreender a evolução da nossa sagrada Língua Portuguesa.

 

Nesse debate, que não o foi, pois foi convocada toda uma plateia, excessivamente participativa, que “limpa os bigodes dos pingos de sopa”, houve alguém que quis falar, quis explicar, que se prontificou a esclarecer, a debater (porque da discussão nasce a luz) e foi sistematicamente interrompida, insultada por uma geração “romântica”, incapaz de aceitar que todos os “meninos e meninas LVP” deste país escrevem há quase uma década com a grafia que está em vigor. Esqueceu-se o AJP [António Jacinto Pascoal, no artigo “Acordo ortográfico? Revogar, claro!”, publicado em 16 de Julho de 2019] de referir que essa pessoa não se vitimou. Aceitou um desafio. Não se autoelogiou, credibilizou-se, porque nem o seu CV foi apresentado, como o dos dois outros intervenientes.

 

Helena Carvalhão Buescu.png

 

Esta minoria fala do que não pretende saber. Não aceita um estudo apresentado pelo Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico, no âmbito da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República. Se, em vez de fazer multiplicações sem sentido, aceitasse que com o AO convergiram cerca de 5,5 vezes mais formas do que as que divergiram, pois 1230 palavras que se escreviam de modo diferente passaram a escrever-se de forma igual e que apenas 221 divergem, aceitaria o sucesso da grafia em vigor. Mesmo no que diz respeito às sequências consonânticas analisadas o número de convergências é superior.

 

Se essa minoria aceitasse o VOCLP como uma garantia de que a norma ortográfica, legalmente aplicada em todos os oito países de Língua Portuguesa, é a mesma, dando lugar a um idêntico estatuto legal e permitindo, pela primeira vez, a participação e a contribuição de todos os países na gestão da língua, reunindo definitivamente as grafias avalizadas, então poderia, talvez, acompanhar a geração dos seus netos que não compreende a letra /p/ na palavra ótimo, nem o /c/ na palavra ação.

 

Mais: se esta minoria ensinasse Português, não se preocuparia tanto com a grafia, mas com as dificuldades que os alunos (e a sociedade em geral) revelam ao nível da compreensão escrita, devido à ausência de hábitos de leitura. Estaria preocupada não com os /c/ e o /p/ etimológicos, mas com a (in)capacidade de expressão escrita.

 

Mário Forjaz Secca.png

 

Relativamente ao /h/, ‘hoje’ ainda se escreve assim. Mas, utilizar o /h/ no verbo ‘haver’ seria mais ‘chic a valer’ se as pessoas soubessem conjugá-lo devidamente. Se assim fosse, poderíamos gritar ao mundo que dominamos a Língua Portuguesa, que ela surge correta e esbelta em textos coerentes, coesos e lógicos.

 

Talvez para esta minoria saudosista fosse preferível recuar à grafia anterior a 1911 e continuar a escrever agglutinar, alchimista, céllula, chapeo, chirurgia, damnificado, estylo, hombro, hibérico, immóvel, propheta, retrahir.

 

Quanto a mim, todo este saudosismo sem sentido e esta revolta que já aconteceu nos acordos anteriores, faz-me derramar lagrymas, como as de Teixeira de Pascoais, que, na revista A Águia, se lamentava de ter de chorar de outra forma, sem a harmonia do /y/, substituído pelo /i/.

 

Professora de Português e Francês no ensino secundário

 

in

https://www.publico.pt/2019/07/18/culturaipsilon/opiniao/novos-analfabetos-seculo-xxi-1880361?fbclid=IwAR3AdV14C8tV_w6tD9KVKQnMZPKwjUOa9P3mvrQ1lU-LJET3a5o-7Sg0x80

 

Comentário de Cláudia Mealha

22.07.2019 04:39

 

(Nota: as passagens a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

"Cara Lúcia Vaz Pedro: tem de se acalmar, que ainda lhe dá uma coisa má! A avaliar pela forma como escreve, e pelo conteúdo, deu-lhe obviamente um chilique! Um texto cheio de fel, despeito e ressentimento, de imprecisões e mentiras! Claro que a senhora, como não tem defesa possível, como não tem argumentos passa à ofensa soez! Para além do mais, a sua pálida tentativa de ironia é tão pobrezinha, demonstra uma tão grande falta de profundidade e conhecimento, que é confrangedora!

 

Chamou-me, por arrasto, analfabeta empedernida e, ainda por cima, em minoria, se percebi bem -, pois a senhora expressa-se de uma forma confusa. Para já, minoria é a senhora e a meia dúzia de acólitos militantes deste AO imbecil. (Uma acólita que por aqui anda chama-lhe “sábios”! Hahahahahaha!) E, para defender este indefensável AO, vem a senhora inventar um problema inexistente nas crianças que começam a aprender a ler? Coitadinhas das criancinhas, tão “estúpidas” aos 6 anos que se lhes ensinarem 2 ou 3 línguas em simultâneo, aprendem todas e mais que venha, quanto mais a escrever “acção”, ou “Egipto”, ou “recepção”! Um pequeno aparte: digo-lhe, com sinceridade, que não há maior nojo do que a não-palavra “receção” - é de escangalhar a rir! E reto? É do melhor!!! E “ótica”? É para os ouvidos ou para os olhos? Barbaridades!!!!!!! O AO é também perigoso e destruidor! Perigoso para a língua, para a própria oralidade! A quantidade de gente que está a mudar a forma como fala por causa da mixórdia ignara desta novilíngua idiota e que já diz “contato”, “dirsão”, “âtor” “âtivo” , “corrêto” e tantas outras calinadas porque o cérebro, minha senhora, segue a ortografia, o que a aplicação irresponsável deste AO não teve em linha de conta.

 

E vem a senhora defender o indefensável por causa da ignorância das pessoas? O AO a nivelar por baixo, aplicado à força por causa da falta de hábitos de leitura das pessoas? E então? Foi desvirtuar-se uma língua inteira por causa das dificuldades das pessoas em vez de as ensinar, estimular, ser cada vez mais exigente para subir o nível de conhecimento geral da população? Agora com a ideologia do facilitismo do AO, como vale tudo, já podem escrever de qualquer maneira e com erros porque isto da ortografia não interessa nada, a fonética é que vale? Já se sentem melhor assim?

 

O AO é espécie de mezinha psicológica para o português assim um bocadinho ignorante, que não se dá ao trabalho de ler um livro por ano sequer? No meio do seu texto rancoroso, a senhora invoca os Maias a despropósito - quase que diria que foi o único livro que leu, se não soubesse que terá sido obrigada a ler mais uns quantos para chegar onde chegou. Deve-lhe ter custado um bocado, percebo, e agora tem a sua grande oportunidade de brilhar como portadora do estandarte da língua trapalhona, feita à medida para quem não gosta, cá está, de ler, de literatura, da Língua! Sagrada, sim, mas dispensamos a patente blasfémia da sua apropriação da sacralidade da mesma! Só se for para rir - de novo! Pois uma coisa lhe digo: analfabeta é a senhora!

 

Empedernida a teimar numa mudança desnecessária, ilógica, ridícula e basicamente ERRADA é a senhora! A senhora e todos os seus acólitos militantes do AO é que são a MINORIA, com um projecto político escondido e promovidos por políticos iletrados ou, no mínimo, desinteressados da literatura e da língua! Muito espertamente impuseram às escolas este AO desgraçado para agora, volvidos estes anos, vir dizer que é muito tarde para andar para trás! Ora tenha juízo e não nos mace mais com o argumento estafado das palavras arcaicas. Pois vê-se que ignora que há uma diferença de substância entre a grafia equivalente de, por exemplo, o “ph” e o “f”, ou o “ch” para o “q”, ou o uso indistinto do I ou do y, todos de leitura e oralidade equivalentes, e as barbaridades que este AO provocou ao cortar a eito consoantes mudas e a aglutinar palavras, entre outras iniquidades.

 

São coisas distintas e a reforma de 1941 e a anterior seguiram uma lógica que não tem NADA a ver com a lógica boçal do AO. Analfabetos do século XXI são, isso sim, as gerações vítimas do AO mixordês, mixordês este verdadeiramente lúgubre e detestável, que nada tem a ver com o futuro e tudo com o passado: uma ditadura reformista ideológica e totalitária! Vade retro!!"

 

1 Luciano de Queiroz.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:12

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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

«OS APÁTRIDAS DA LÍNGUA QUE NOS GOVERNAM»

 

«É como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar.» (José Pacheco Pereira)

 

Mais um genial texto de José Pacheco Pereira, in Público, em 16/05/2015. Contudo, esta data bem pode ser a de hoje, 04/06/2019, porque os apátridas da Língua continuam a governar-nos (esperemos que por pouco tempo).

 

(Nota: os excertos a negrito e os sublinhados são da responsabilidade da autora do Blogue).

 

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Texto de José Pacheco Pereira

 

À memória do Vasco Graça Moura

 

«Não sei se são válidos ou não os argumentos jurídicos que discutem a data da aplicação efectiva do Acordo Ortográfico [AO], se nestes dias, ou em 2016. Isso não me interessa em particular, a não ser para registar a pressa suspeita em o aplicar contra tudo e contra todos. Mas uma coisa eu sei ao certo: é que o desprezo concreto do bem que ele pretende regular, a língua portuguesa, é evidente nessa mistura sinistra de inércia, indiferença e imposição burocrática com que se pretende obrigar os portugueses a escrever de uma forma cada vez mais abastardada.

 

Na sua intenção original, o Acordo pretendia ser um acto de política externa, uma forma de manter algum controlo sobre o português escrito pelo mundo todo, como forma de garantir uma réstia de influência portuguesa num conjunto de países que, cada vez mais, se afastam da centralidade portuguesa, em particular o Brasil. Se é um “acordo” é suposto que seja com alguém. No entanto, desse ponto de vista, o AO é um grande falhanço diplomático, visto que está neste momento em vigor apenas em Portugal, com promessas do Brasil e Cabo Verde, esquecimento em Moçambique, Guiné Bissau, S. Tomé e Timor-Leste, e recusa activa em Angola. Nalguns casos há protelamentos sucessivos, implementações adiadas e uma geral indiferença e má vontade. Para além disso, nenhuma implementação do AO, vagamente parecida com a pressão burocrática que tem sido feita em Portugal, existe em nenhum país, a começar por aquele que parecia ser o seu principal beneficiado, o Brasil. Ratificado ele foi, aplicado, não.

 

Mas com o mal ou a sorte (mais a sorte que o mal) dos outros podemos nós bem, mas ele revela o absurdo do zelo português num AO falhado e que nos isolará ainda mais. Onde os estragos serão mais significativos é em Portugal, para os portugueses, e para a sua língua. É que o Acordo Ortográfico não é matéria científica de linguistas nem, do meu ponto de vista, deve ser discutido nessa base, porque se trata de um acto cultural que não é técnico, e como acto cultural em que o Estado participa, é um acto político e as suas consequências são identitárias. Não me parece aliás que colha o historicismo habitual, como o daqueles que lembram que farmácia já se escreveu “pharmácia”, porque as circunstâncias políticas e nacionais da actualidade estão muito longe de ser comparáveis com as dos Acordos anteriores.

 

É um problema da nossa identidade como portugueses que está em causa, na forma como nos reconhecemos na nossa língua, na sua vida, na sua história e na sua proximidade das fontes vivas de onde nasceu: o latim. Não é irrelevante para o português e a sua pujança, a sua capacidade de manter laços com a sua origem no latim e assim comunicar com toda a riqueza do mundo romano e, por essa via, com o grego, ou seja, o mundo clássico onde nasceu a nossa cultura ocidental. Esta comunicação entre uma língua e a cultura que transporta é posta em causa quando a engenharia burocrática da língua a afasta da sua marca de origem, mesmo que essas marcas sejam “mudas” na fala, mas estão visíveis nas palavras. As palavras têm imagem e não apenas som, são vistas por nós e pela nossa cabeça, e essa imagem “antiga” puxa culturalmente para cima e não para baixo.

 

O AO é mais um passo no ataque generalizado que se faz hoje contra as humanidades, contra o saber clássico e dos clássicos, contra o melhor das nossas tradições. Não é por caso que ele colhe em políticos modernaços e ignorantes, neste e nos governos anteriores, que naturalmente são indiferentes a esse património que eles consideram caduco, ultrapassado e dispensável. Chegado aqui recordo-me sempre do “jovem” do Impulso Jovem aos saltos em cima do palco a dizer “ó meu isso não serve para nada”, sendo que o “isso” era a história. Esta é a gente do AO, e, como de costume, encontram sempre sábios professores ao seu lado, os mesmos que vêem as suas universidades a serem cortadas, em nome da “empregabilidade”, da investigação nas humanidades e em sectores como a física teórica e a matemática pura, teorias sem interesse para os negócios. “Ó meu, isso não interessa para nada!”.

 

Mas estamos em 2015 (2019) e hoje o português de Portugal está sitiado e numa situação defensiva. Não é no Brasil que o português está em risco, nem em Angola, Cabo Verde, Moçambique ou Timor. Aí os riscos do português são os riscos de sempre e vêm da extensão da colonização, da sua relação com as línguas autóctones, dos crioulos que gerou, e do modo como penetrou nas elites e no povo desses países, se é ou não a língua de cultura ou a língua da administração e do Estado. E não é certamente no Brasil que o português está na defensiva, bem pelo contrário, é no Brasil que o português está num momento particularmente criativo.

 

Quer se goste quer não, a locomotiva da língua portuguesa não é a academia portuguesa, mas a pujança do povo e da sociedade brasileira, a sua criatividade e dinamismo. E isso fará com que o português escrito no Brasil esteja sempre para lá de qualquer AO, como aliás aconteceu no passado e vai acontecer no futuro. É o mais fútil dos exercícios, até porque enquanto o tem um papel. Se abastardamos o português de Portugal, nem esse papel teremos, a não ser escrevermos um “brasileiro” mais pobre que não serve de exemplo a ninguém.

 

A vitalidade do nosso português está nos seus grandes escritores, Miranda, Camões, Bernardes, Vieira, Herculano, Camilo, Eça, todos conhecedores do seu Virgílio, do seu Horácio, do seu Ovídio, mesmo do seu escolar Tácito, César ou Salústio. Todos lidos, estimados e estudados no Brasil, que por eles faz muito mais do que nós alguma vez fizemos, por exemplo, com Machado de Assis. E é também por isso, que a maioria dos escritores portugueses contemporâneos recusa o AO, como quase toda a gente que está na escrita e vive pela escrita e é independente da burocracia do estado. Todos sabem que o português permite todas as rupturas criativas, dos simbolistas ao Sena dos Sonetos a Afrodite Anadiómena – “E, quando prolifarem as sangrárias,/ lambidonai tutílicos anárias,/ tão placitantos como o pedipeste”, – ao “U Omãi Qe Dava Pulus” de Nuno Bragança. Criativamente a nossa língua vernácula suporta e bem tudo, menos que seja institucionalizada com uma ortografia pobre e alheia à sua história.

 

O futuro do português como língua já está há muito fora do nosso alcance, mas o português que se fala e escreve em Portugal, desse ainda podemos cuidar. É que é em Portugal que o português está em risco, está na defensiva, e o AO é mais uma machadada nessa defesa de último baluarte. É em Portugal que um Big Brother invisível, que se chama sistema educativo, retira todos os anos centenas de palavras do português falado, afastando das escolas os nossos escritores do passado e substituindo-os por textos jornalísticos. É em Portugal que uma linguagem cada vez mais estereotipada domina os media, com a substituição dos argumentos pelos soundbites, matando qualquer forma mais racional e menos sensacional de conversação. É em Portugal que formas guturais de escrita, nos SMS e nos 140 caracteres do Twitter, enviados às centenas todos os dias por tudo que é adolescente, ou seja, também por muitos adultos, se associa à capacidade de escrever um texto, seja uma mera reclamação a uma descrição de viagem. É neste Portugal que, em vez de se puxar para cima, em nome da cultura e da sua complexidade, em nome da língua e da sua criatividade, em nome da conversação entre nós todos que é a democracia, se puxa para baixo não porque os povos o desejem, mas porque há umas elites que acham que a única pedagogia que existe é a facilidade.

 

E é neste Portugal que uma geração de apátridas da língua, todos muito destros em declamar que a “a nossa pátria é a língua portuguesa”, minimizam a nossa identidade e a nossa liberdade, que vem dessa coisa fundamental que é falar e escrever com a fluidez sonora do português, mas também com a complexidade da sua construção ortográfica. É como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar.

 

Fonte:

https://estatuadesal.com/2015/05/17/os-apatridas-da-lingua-que-nos-governam/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:28

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Sexta-feira, 28 de Junho de 2019

«O MEU MODESTO DESABAFO SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO»

 

(Um pequeno texto que diz tanto sobre um acordo que, em vez de unir, desuniu os países lusófonos. Efectivamente).

 

01novaortografia.jpg

 

Texto de Luís Paixão Martins

 

O coiso foi-nos vendido como uma fórmula para homogeneizar a escrita da Língua Portuguesa nos vários países que a usam oficialmente. Sim, parece boa ideia.

 

Mas, desconfia-se logo, será que falámos com os outros? E os outros estão de acordo com o Acordo? E, tendo-o subscrito porque somos todos uns porreiros, irão aplicá-lo? E as assinaturas dos porreiros da Língua Portuguesa serão ratificadas nos respectivos órgãos de soberania?

 

Pensa-se logo no Brasil. Para que uma potência com 200 milhões de habitantes precisa dos apenas 10 milhões de portugueses para reforçar o peso global da língua comum? Sim, calcula-se, o Brasil não se irá (nunca) adaptar a um Acordo com Portugal. Por que não precisa. Ponto final.

 

Portanto, o desígnio do Acordo – digo eu, modesto utilizador profissional da Língua escrita -  fica logo ferido de morte.

 

Mesmo assim, perguntar-se-á, e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa? Aqui, cada caso é um caso, mas sobressai – pela sua dimensão geoestratégica e económica – o caso de Angola.

 

E não é que Angola – a Nação de Língua Portuguesa com quem Portugal tem relações mais fortes – também não adere ao Acordo.

 

Resultado: quem escreve simultaneamente conteúdos para Portugal e Angola tem de aplicar duas normas ortográficas. Ou aplica em Portugal as normas antigas.

 

Isto é surreal. Afinal, aquilo que nos venderam como sendo um instrumento de aproximação transformou-se em mais uma dificuldade e um afastamento.

 

Antes do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (é assim que se chama o coiso) havia duas normas ortográficas oficiais divergentes. O coiso foi criado para as unificar. Agora temos três normas.

 

É o milagre da multiplicação da Língua Portuguesa.

 

Este post foi originalmente publicado por Luís Paixão Martins no blogue A Teoria do Q

Fonte:

http://www.ateoriadoq.pt/content/o-meu-modesto-desabafo-sobre-o-acordo-ortografico

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:04

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Segunda-feira, 17 de Junho de 2019

O MAL-AMADO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 VISTO PELO JORNAL “DIA 15” EM BOM PORTUGUÊS

 

Verdade. Os GRANDES autores portugueses recusam o AO90.
E as edições em Bom Português pululam por aí.

É só consultarem este link:

https://www.facebook.com/portuguesdefacto/

Já se gastaram todos os argumentos racionais que provam que o AO90 não tem viabilidade.

Faltará fazer desenhos para que os governantes entendam que o caminho a seguir é a anulação do falso acordo, e o regresso à Língua Portuguesa?

Ninguém se aflija: as crianças aprenderão num ápice, o que têm de aprender. É para isso que vão à escola.


Os adultos (poucos) terão um pouco mais de dificuldade, agora que desaprenderam a Língua. Mas desses NÃO É O FUTURO, nem rezará a História.

Por isso, há que ser racional e mandar às malvas um acordo que apenas uma minoria que não para para pensar, porque não tem capacidade para tal, teima em querer manter.

Esses ficarão para a História como aqueles que, por ignorância e ambição, um dia, tentaram destruir a Língua Portuguesa, mas não conseguiram, porque a Língua Portuguesa é indestrutível enquanto houver PORTUGUESES.

 

Isabel A. Ferreira

 

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https://imgur.com/SAbW8vE

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:30

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Sexta-feira, 7 de Junho de 2019

DEVOLVA-SE A PORTUGAL A LÍNGUA PORTUGUESA, E TEREMOS MOTIVOS PARA COMEMORAR O DIA 10 DE JUNHO

 

10 de Junho

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas?

Têm a certeza?

Vejamos.

 

DEZ JUNHO.png

 

As comemorações do dia 10 de Junho/2019 vão realizar-se entre  domingo e terça-feira, de Portalegre ao Mindelo (Cabo Verde), e contam com a participação do presidente da República e do primeiro-ministro que, despudoradamente, andam por aí a vender Portugal e a Língua Portuguesa.

 

O que há para comemorar?

 

Os governantes portugueses celebrarão o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas com cerimónias que serão hipócritas, porque em nada honram a Bandeira do País, que está a ser vendido ao retalho; em nada honram Luís Vaz de Camões, o poeta maior da Língua Portuguesa, a qual está a ser deliberadamente destruída, estando Portugal a perder, deste modo infame, um dos seus maiores símbolos identitários; e em nada honram as Comunidades Portuguesas, que deixaram o seu País em busca de uma vida melhor, e que, por este andar, não terão País para onde possam regressar, porque o País estará nas mãos de estrangeiros, desde o Capital à Língua. Portugal está em vias de extinção. O facto de se ver a bandeira do Brasil como símbolo do Português em instâncias europeias, e isto não motivar um protesto dos governantes portugueses diz tudo.

 

No dia 10 de Junho, Luís de Camões será celebrado numa Língua que já não é a Língua de Camões, aquela com a qual tornou grande um Portugal pequeno, e que, devido à mania das grandezas, à pala do gigante sul-americano, tornará a ser pequeno e sem identidade própria, porque está a perder a Língua que o identificava (já não identifica mais) como uma nação europeia. Até a bandeira já não é a portuguesa, quando se fala de Português.

 

Se Luís de Camões pudesse falar, lá do limbo onde com certeza se encontra, diria, desgostoso:

 

«Parai, ó (h)omens sem (h)onra! Arrancastes as raízes da Língua, com a qual celebrei os feitos dos Portugueses, e agora só restam palavras alteradas, afastadas das suas origens, para contar as proezas imperfeitas dos que venderam, por baixo preço, o meu País!»

 

Jamais nenhuma Língua do mundo, mesmo aquelas com mais variantes do que a Língua Portuguesa, teve de se unificar para se impor internacionalmente. O acordo ortográfico de 1990 pretende ferir de morte a diversidade linguística e cultural que constitui o património que ainda UNE o mundo dito lusófono. Não queiram uns poucos alucinados com uma grandeza que, na realidade, não existe, destruir esse património e desunir o que estava unido pela diversidade.

 

***

 

Eu, como cidadã portuguesa, não compactuarei jamais com esta traição à minha Pátria. E chamem-se os nomes que quiserem. Eu amo o meu País, eu amo a minha Língua, e, qual padeira de Aljubarrota, continuarei a combater, com todas as garras de fora, os que, por trinta dinheiros, pretendem destruir o meu País, destruindo a minha Língua.

 

Que acordo ortográfico permitiu unificar que língua? A Língua Portuguesa não foi, com toda a certeza. A Língua Portuguesa não é aquela mixórdia de palavras mal escritas e mal ditas que os governantes portugueses pretendem impingir-nos, ilegalmente e à força.

 

É que no Brasil, fala-se e escreve-se Brasileiro. Nos restantes países ditos lusófonos, (excepto Cabo Verde) fala-se e escreve-se Português. Em Portugal, fala-se e escreve-se mixordês, uma mistura do Português e do Brasileiro.

 

Espero que quem ama verdadeiramente a sua Pátria e os seus valores culturais identitários, digam um rotundo NÃO a esta deslealdade para com os Homens (com H maiúsculo) que nos deixaram uma Língua íntegra, e que omens (sem H nenhum – se não se lê, não se escreve, não é esta a nova regra?) querem matar por trinta dinheiros.

 

Porque não há nada de mal em ser-se patriota, até porque ser patriota não é sinónimo de ser idiota, mas simplesmente sinónimo de amor pela sua Pátria, pela sua Origem, pela sua Ascendência, pelo seu Passado, porque sem isto, não se tem futuro, e anda-se no mundo só por ver andar os outros, tal qual zombies. Ou se é patriota, ou se é idiota.

 

Mas em Portugal, a quem interessa a destruição da Língua e da bandeira portuguesas?

 

Uma grande mulher, livre-pensadora portuguesa, Idalete Giga responde e eu subscrevo cada palavra sua: «Interessa aos mais variados lobbies (editoras, sobretudo, mas também ao próprio desgoverno que não tendo coragem para assumir a culpa do tremendo atentado contra a Língua e Cultura Portuguesas que é o (des)AO90, continua VERGONHOSAMENTE a esconder a cabeça na areia, a desprezar o DESCONTENTAMENTO de milhões de portugueses e a criar o maior universo de analfabetos de que não há memória em Portugal. Não ouve os verdadeiros especialistas na matéria. Não ouve intelectuais, jornalistas, poetas, escritores quer portugueses, quer brasileiros. Não ouve os governantes de Angola, Moçambique que não assinaram o Linguicídio. Fechou-se na casca dos imbecis e dos cobardes (!!!!!) Mas... mais cedo ou mais tarde (talvez depois do Brasil) o nosso Grito do Ipiranga tem de fazer tremer todos os recantos das várias lusofonias (que suas ex.as, como são vesgos, só conseguem ver uma lusofonia) (!!!!!!!).»

 

No próximo dia 10 de Junho, em vez de flores, continuarei, tal como nos anos anteriores, a depositar as minhas lágrimas no túmulo de Luís Vaz de Camões, porque sei, sinto que Camões estará a chorar comigo.

 

1280px-Jeronimos_12.jpg

Imagem: Carlos Luís M C da Cruz - Obra do próprio, Domínio público https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4831811

 

E que os hipócritas comemorem a própria vã glória de existir.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:18

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Quinta-feira, 30 de Maio de 2019

Ó ELES E ELAS QUE POR AÍ ANDAM: POUPAI-ME, PORQUE JÁ ANDO COM OS NERVOS E AS NERVAS EM PÉ!

 

Texto dedicado às mulheres que têm um complexo de inferioridade em relação aos homens, e necessitam que especifiquem o seu género, quando alguém se dirige ao TODO, em que elas estão integradas.

 

É que já não aguento mais andar por aí e deparar-me com este modismo (= idiotismo) do “todas e todos” “amigas e amigos”, “eles e elas”, que virou uma moda muito deselegante e sinónimo de ignorância, a qual no Brasil é considerada uma PRAGA LINGUÍSTICA, e em Portugal “é um must. Como sempre, na cauda do mundo.

 

TODOS E TODAS.jpg

Origem da imagem: http://www.geraldojose.com.br/index.php?sessao=noticia&cod_noticia=29802

 

Chamam-lhe "linguagem inclusiva” e dizem que é por causa da “igualdade de género”, como se a igualdade de género passasse pelo mau uso da Língua Portuguesa.

 

Dizer “todos e todas”, “amigos e amigasé um pleonasmo vicioso. É mais do que uma reiteração (repetição), é um ERRO, isto porque o TODAS já está incluído no TODOS. Bem como TODAS as outras palavras masculinas que integram o FEMININO, e o TODO.

 

TODOS (neutro) engloba todos e todas. Trata-se de um princípio gramatical do Português, que não herdou do Latim o género neutro.

 

Tentarei explicar o que acima referi (a insciência que por aí vai), como se estivesse numa sala de aula, a explicar a alunos do Ensino Básico, por que não devemos aplicar esta PRAGA LINGUÍSTICA para igualar os géneros.

 

Quando dizem: todos e todas; Portugueses e portuguesas; caros e caras; adeptos e adeptas; amigos e amigas; camaradas e camarados (esta à Bloco de Esquerda) demonstram que desconhecem o significado dos vocábulos: todos ( = toda a gente; humanidade); Portugueses ( = povo luso, habitantes de Portugal); caros (adjectivo masculino plural = quem estimamos, seja do sexo masculino ou feminino); adeptos (adjectivo/substantivo masculino plural = apoiantes, sejam do sexo masculino ou feminino); amigos (adjectivo/substantivo masculino plural = pessoas a quem nos ligamos por afectos); camaradas (substantivo de dois géneros = pessoas que connosco partilham uma função comum); e de todos os outros vocábulos que englobam o feminino e o masculino, porque se referem a PESSOAS no seu todo: homens, mulheres, crianças, novos e velhos, menos novos e menos velhos. Simplesmente TODOS.

 

Diferente é dizer especificamente minhas senhoras (porque - em princípio - não serão homens) e meus senhores (porque - em princípio - não serão mulheres). E isto sem qualquer segundo sentido, porque aceito a condição humana, tal qual ela é concebida. Só não sou tolerante (nem tenho de ser) com os que tendo obrigação de SABER, porque lhes foram dadas todas as oportunidades e privilégios, se recusam a QUERER SABER. E para tal não há perdão.

 

Suponho que o que leva os que se julgam modernos, a aplicar este modismo queira imitar algumas línguas estrangeiras, como o Inglês ou o Castelhano, que especificam, por exemplo, filhos e filhas (sons and daughters, hijos y hijas), quando querem referir-se a boys and girls, e a chicos y chicas. Porém quando se referem à sua prole (filhos) dizem children e niños (ou hijos).

 

Contudo, na Língua Portuguesa, o vocábulo Filhos é um substantivo masculino plural = conjunto dos descendentes = DESCENDÊNCIA, PROLE…

 

E o vocábulo filho é um substantivo masculino singular = indivíduo do sexo masculino (ou animal macho) em relação a seus pais. Se queremos dizer que tivemos mais de um indivíduo do sexo masculino, dizemos que temos X filho(s). Mas se quisermos dizer que, no todo, tivemos seis descendentes, dizemos seis filhos.

 

Portanto, quem anda agora, por aí, a imitar línguas estrangeiras, ou os modismos oriundos do complexo de inferioridade que certas mulheres sentem em relação ao homem, não conhecem nem essas línguas, nem a própria língua.

 

Experimentem traduzir isto para Inglês: meus queridos amigos e minhas queridas amigas = my dear friends and my dear friends. Experimentem também traduzir: Ingleses e Inglesas = English and English.

 

Agora reparem: como se traduz o modismo ( = idiotismo) Portugueses e Portuguesas, que agora tanto se ouve por aí:

 

Para Inglês = Portuguese and Portuguese
Para Castelhano = Portugués y portugués
Para Italiano = Portoghese e portoghese
Para Francês = Portugais et portugais

Para Alemão = Portugiesisch und Portugiesisch

 

No que pretendem transformar a Língua Portuguesa? Já não basta o Acordo Ortográfico que destruiu a Língua? Querem transformá-la numa língua extraterrestre? Extra-europeia? Extra-indo-europeia? Uma língua de ignorantes?

 

Já não será tempo de deixar os modismos e regressar ao que estava bem e não necessitava de remendos mal costurados?

 

Sempre ouvi dizer que o que é demais é moléstia.

 

E já chega de tanta moléstia!

É de nos deixar os nervos e as nervas em pé!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

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Quarta-feira, 29 de Maio de 2019

AO90 – «O MAIOR EMBUSTE DESDE O 25 DE ABRIL»

 

Quem o diz é Helder Guégués, no seu Blogue Linguagista

 

 helder_guegues.jpg

Origem da imagem:   https://www.novoslivros.pt/2015/09/helder-guegues-em-portugues-se-faz-favor.html

 

Por Hélder Guégués

 

«O maior embuste desde o 25 de Abril

Francisco Sarsfield Cabral vem hoje lembrar na Rádio Renascença que o «Acordo Ortográfico tem quase 40 anos». Pelas minhas contas, são quase 30. «Tempo suficiente para mostrar que não atingiu o seu objetivo de unificar a ortografia nos países de língua oficial portuguesa.» Bem verdade: o AO90 revela-se, a cada dia que passa, o maior embuste político depois do 25 de Abril em que nós, Portugueses, caímos.

 

«Não possuo qualificações para debater seriamente o AO.» É também, penaliza-me dizê-lo, uma evidência, pelo menos a avaliar pela amostra: «Mas há coisas que não são aceitáveis no AO. Por exemplo, tirar as maiúsculas dos dias da semana e dos meses. Ou implicar com a grafia de nomes pessoais. Mas ninguém protesta, e ainda bem, por se escrever Sophia, como se escrevia quando a poeta nasceu, há um século.» Desde quando é que os dias da semana eram escritos com maiúscula inicial? E em que aspecto implica com os nomes pessoais, se até há uma ressalva específica na Base XXI? Ninguém (são de espírito) protesta por se escrever Sophia, mas a maioria, entre os quais muitos jornalistas, deturpa o nome de Eça de Queiroz.

Posto isto, devo dizer que Sarsfield Cabral é um dos jornalistas mais cuidadosos que conheço, digo-o com conhecimento de causa, já revi muitos artigos da sua autoria.


Fonte:
https://linguagista.blogs.sapo.pt/acordo-ortografico-de-1990-2952945?fbclid=IwAR2ocEwlxv22gvYUL-JUprKIRZr8tAEIavv9sw_-e1KRga4CWiPkbpxo7p4

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:34

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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.CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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