Quarta-feira, 18 de Novembro de 2020

No XI Festival Literário de Araxá (Outubro 2020 - Brasil) lamentou-se “a morte do tupi e de outras línguas indígenas, por abafamento da língua oficial” (a Portuguesa)…

 

Um interessante texto, do jornalista e escritor brasileiro, Chico Mendonça, através do qual podemos “medir a temperatura” da Língua que se fala e escreve no Brasil, e o pulsar da situação…

 

Nada do que se diz no artigo que aqui transcrevo, está longe daquilo que venho dizendo, há tanto tempo: o Brasil não está interessado na Língua Portuguesa. Como poderia, se a influência indígena e africana, e dos outros povos que ali se fixaram, diz mais aos Brasileiros do que a influência portuguesa, que lhes soa a colonialismo... conforme podem comprovar no texto?

 

(Os excertos a negrito são da minha responsabilidade).

E mais não digo.

 

Isabel A. Ferreira

 

CHICO MENDONÇA.jpg

 

Por Chico Mendonça 

 

O Lugar das Transgressões

 

«Para ver e medir toda a vida que há dentro e em torno de uma língua, usar a régua do tempo é imprescindível. Principalmente, no caso da língua portuguesa, e seu corpo formado de tantas línguas em português. Se a navegação fez naufragar o apego à ilusão de uma língua nacional e pura séculos atrás, nos dias de hoje sua unidade e riqueza se dão pela mestiçagem manifestada na infinidade de ruas que cruzam os nove países de fala portuguesa. Nem lusofonia se adequa mais, insiste Afonso Borges, porque o termo traz memórias dolorosas dos tempos coloniais. E descolonizar é preciso, mais do que nunca, tal a delicadeza da fase atual desse processo: a descolonização das mentes, dos que colonizaram e dos que foram colonizados.

 

No terceiro dia do Fliaraxá, o equívoco do Acordo Ortográfico de 1990 foi se desenhando, a caminho do consenso. “Não há nada uniformizável, as diferenças é que enriquecem a língua. A ortografia tem que ser diferente. Não devem ser os governos que decidem isso, porque a língua é livre e pertence ao povo”, defendeu a escritora portuguesa Teolinda Gersão, na Mesa “Escrever em língua portuguesa”. Seu parceiro de conversa, o manauara Milton Hatoum, lembrou que o rompimento com a forma cristalizada da língua é antiga: “Machado de Assis já não escrevia como Eça de Queiroz (*) ”. A Semana de Arte Moderna deu um longo passo nesse sentido, com o surgimento de obras como Macunaíma, de Mário de Andrade, que utiliza muitas expressões indígenas e africanas. Meu Tio Iauaretê, de Guimarães Rosa, é outro exemplo do uso de uma linguagem nova, repleta de contribuições linguísticas alheias ao português. “É o limite possível do que se pode fazer usando linguagem de vários troncos linguísticos, incluindo o mais arcaico português. Uma linguagem mestiça e transgressora”, avaliou Hatoum.

 

Transgressões não devem faltar para a evolução de uma língua e das diversas culturas que ela compartilha. Do contrário, ficaria impermeável a essas contribuições que o modernismo libertou no Brasil. Ou a outras influências de tradições não reconhecidas e mesmo condenadas, como o “pretoguês”. Segundo a filósofa e feminista negra Djamila Ribeiro, na Mesa “Cultura, crença e preconceito”, dividida com o jornalista Xico Sá, a troca do “L” pelo “R” em algumas palavras, como ‘Framengo”, não é manifestação da ignorância, mas herança, mesmo inconsciente, de língua africana que não possui em seu alfabeto a letra “L”. Ela lamentou a morte do tupi e de outras línguas indígenas, por abafamento da língua oficial. Com elas, a diversidade e seus saberes estariam garantidos, bem como potencializada a influência que já exerceu na construção do português falado no Brasil.

 

Na verdade, mostrou Djamila, junto da assimilação da língua oficial pela pluralidade dos brasileiros, aconteceu também a submissão ao pensar dominante. Na universidade, conta ela, aprendeu o pensamento do homem branco europeu. Da mesma forma, na literatura ainda é hegemônico esse lugar de cor e procedência. Surgem, ressalta, as antologias com espírito de caixas separadas, como de escritoras negras, em lugar do acolhimento de cada um como parte de um todo. Em lugar de uma antologia de escritores e escritoras brasileiros, o racismo estrutural produz coletâneas em forma de caixas que dão sobrevida às hierarquias culturais.

 

Organizador e professor de um curso on-line sobre crônica, Xico Sá confirmou igual espanto. Segundo ele, as antologias que pesquisou do gênero refletem o amplo domínio de autores brancos sobre autoras brancas, autores e autoras negras. Não se trata, diz ele, de justificar-se pelo espelhamento de uma pré-seleção feita pelos jornais ao longo do tempo, mas da falta de uma pesquisa em outras fontes para encontrar trabalhos que não saíram nos jornas. Ele próprio tratou de incluir no currículo de seu curso capítulos do diário de Carolina de Jesus, em Quarto de despejo. “Não dá para falar em democracia com esse racismo estrutural”, conclui.

 

Respondendo a uma questão proposta pelo cientista político Sérgio Abranches, sobre qual escritor brasileiro estaria hoje traduzindo o espírito de nosso tempo, a escritora Noemi Jaffe deu nova pista a respeito do momento da evolução da língua. “Não é preciso buscar alguém que expresse o espírito do nosso tempo, porque não temos mais os gênios. Existem muitas pessoas escrevendo e produzindo conteúdos fantásticos em celulares, que respondem às necessidades de seus lugares de viver, mesmo que não tenham a qualidade de um Proust.” Tal afirmação tem a força de uma revelação, e, mesmo que polêmica, sugere novos desafios às línguas vividas em português ou em qualquer outra língua. O movimento descrito por Noemi é universal e, essencialmente, transgressor.

 

Ao ler o texto acima, Afonso Borges sentou diante do computador e escreveu. Neste campo, Afonso Borges, ao ser inquirido sobre a determinada “concorrência” que a imagem e o cinema estabelecem com o exercício da leitura, disse: “A leitura induz o cinema interno”.

 

E nada mais tendo sido dito, acabei por decidir que por aqui fico.»

 

(*) É curioso e consolador ver um Brasileiro a  escrever correctamente o nome de Eça de Queiroz, porque em Portugal, raros são os que o escrevem correctamente. Eça nasceu Queiroz, não, Queirós.

 

 Fonte:   https://fliaraxa.com.br/o-lugar-das-transgressoes/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:23

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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2020

Nos canais de televisão, para além do AO90, reina o espírito de imitação bacoca

 

O que pretendo demonstrar com o que aqui apresento hoje, é que nos canais de televisão servilistas portugueses, não se limitam a aplicar ilegalmente a grafia brasileira, ou seja, o AO90. Começaram já a introduzir outros brasileirismos, para além dos vocábulos mutilados, e de uma acentuação e hifenização completamente obtusas.

 

E das duas uma: ou a legendagem está estrategicamente entregue a cidadãos brasileiros, para que garantam que a língua seja a Brasileira, ou os portugueses decidiram êscrêvê à brasileira, numa imitação muito bacoca, para além do exigido pelo AO90.

 

Então vejamos a amostragem seleccionada:

 

BAGUNÇA.jpg

 

A palavra BAGUNÇA é brasileira (de origem duvidosa) e significa desordem, confusão, em Língua Portuguesa. No Brasil, “bagunça” também significa máquina de remover aterro. O que é que isto tem a ver com Portugal? Nada.

 

Parabenizar.png

A palavra PARABENIZAR é brasileira, e significa dar os parabéns a, felicitar, congratular, saudar, em Língua Portuguesa. O que é que isto tem a ver com Portugal? Nada.

Ver mais neste link:

Ao redor da palabra "parabenizar"…

 

A palavra fita (= filme) é expressão brasileira.

RIFLE.png

 

A palavra RIFLE significa espingarda em Língua Portuguesa, e vem do Inglês rifle, e que os Brasileiros preferiram usar, em detrimento da palavra portuguesa espingarda, que é como em Portugal se diz. Um exemplo da americanização do Português, no Brasil.

 

VIRA.png

 

Em Língua Portuguesa, o verbo VIRAR tem vários significados, mas apenas no Brasil tem o significado que a legenda lhe dá: transformar-se em.

 

DIZER A VOCÊ.png

 

Em Portugal, esta legenda pode escrever-se de dois modos, dependendo do grau de relação entre as personagens: se se tratam por tu, escrever-se-á: tenho uma coisa para dizer-te; se se tratam com cerimónia: tenho uma coisa para dizer-lhe.

Em brasileiro falado: “Eu tênhu úmá côisá párá djizê à vôcê”.

 

VAGÕES.png

 

Neste caso, não era um vagão (do Inglês wagon) que, em Língua Portuguesa, significa veículo que circula sobre carris, especialmente destinado ao transporte de mercadorias. Era sim, uma carruagem de passageiros, a que se referia a notícia, no entanto, usaram a palavra vagão que, no Brasil, tem um significado mais alargado: é cada um dos carros de um comboio ferroviário, utilizados no transporte de mercadorias, animais ou passageiros.

 

Em Portugal os passageiros viajam em carruagens. Em vagões transportam-se mercadorias e, infelizmente, também animais vivos em péssimas condições.

 

PINGUINS.png

 

O trema é um sinal ortográfico (¨) usado para indicar que certas vogais não formam ditongo com a vogal anterior. Em Língua Portuguesa, o trema era utilizado nas vogais átonas -i- e -u- e foi (a meu ver, infelizmente) suprimido depois do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 1945, antes do qual se escrevia, por exemplo saüdade .

 

Porém, no Brasil, o trema continuou a usar-se, e muito bem, e só foi hipoteticamente suprimido com o AO90 (porque no Brasil apenas os acordistas o suprimiram), o que traz, e muito naturalmente, os restantes Brasileiros tão importunados, como os Portugueses desacordistas com a parvoíce da supressão do acento em pára do verbo parar. Porque para os Brasileiros, ter acento ou não ter acento, tanto faz, porque eles abrem o A, em pára (verbo) e em para (preposição).

 

E isto tudo para dizer que em Portugal, em Língua Portuguesa, escreve-se Pinguins sem trema, e no Brasil, com trema. Contudo, fica-nos a dúvida: ou este grupo carnavalesco, da minha terra (Ovar) é escrito com trema, para imitar a grafia brasileira, ou por ser um grupo que integra um carnaval quase 100% à moda do Brasil.

 

CONFECCIONADOS.png

Pois a Lagoa da são e os “peixes mais confeccionado” até pode ser gralha, ou então aquele pavoroso desleixo com que agora se trata a Língua, mas bem podia ser um fraseado à brasileira, como eu te preciso, beija eu, eu lhe amo, nós vai, ou aquele super-irritante para eu, com que o Gmail nos atira à cara, nos e-mails.

 

***

 

Bem, os exemplos são às centenas. Esta foi uma pequena amostra, da invasão da Língua Brasileira, em Portugal. Os canais de televisão servilistas, filmes e séries e documentários na TVCINE e outros canais da NOS estão cheios de legendas escritas tipicamente à brasileira, na acentuação (econômico, atômico), na grafia, na sintaxe, no vocabulário, enfim, fica-nos a quase certeza de que as legendas são escritas por Brasileiros. Se são Portugueses que as escrevem, então, são uns paus-muito-mal-mandados.

 

E, tal como milhares de Portugueses, também me questiono: por que será que todos os (des)governantes olham para o lado quando se trata de reverter esta caótica situação? Esta anormalidade? Poderá ser possível que no contrato desta parceria público-privada (entre o Estado e as editoras) constem cláusulas de indemnização às editoras, caso o AO90 seja anulado? Que outro motivo poderá haver? O da irreversibilidade, por as crianças não conseguirem reaprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna, depois de lhes ser ensinado a escrevê-la incorreCtamente?

 

Consulte-se os Pedopsicólogos. As crianças têm uma capacidade superior à dos adultos, no que respeita à aprendizagem. Mais difícil será pôr os professores a reaprenderem o que andaram anos a ensinar correCtamnente.

 

Foi um (des)governo do PS que pôs o AO90 em prática. Seguiu-se outro (des)governo, do PSD/CDS, no qual os líderes, enquanto na oposição eram contra, passaram a defender o AO90 ao chegarem ao "poder". Formou-se depois mais outro (des)governo, liderado por um antigo elemento do (des)governo que impôs o AO90 à população. Claro que o actual primeiro-ministro não iria contra as decisões que ele próprio havia apoiado enquanto ministro. O actual (des)governo tem na sua composição partidos que eram opositores do primeiro (des)governo "socialista", mas apesar disso, um deles (o BE) até adoptou o AO90, e o outro (o PCP) faz de conta que não percebe o que aconteceu, mas, ao menos, parece que é contra o AO90!

 

Por vezes digo que nisto há muita ignorância por parte dos políticos. Mas não, aqui além da ignorância da Língua e muita "distracção", há, também, muita, muita corrupção e traição.

 

Tudo isto acontece com a conivência de quem nos (des)governa. Infelizmente, para eles, a Língua Portuguesa não é prioridade, nem sequer importante. Falar e escrever à balda é um fenómeno exclusivamente português.

 

O grande problema é sermos desgovernados por traidores. Que os Brasileiros queiram impor-se no mundo, através de uma língua europeia deformada, é um problema deles,  mas que quem nos deveria defender ceda aos interesses de estrangeiros é que já é um problema nosso.

 

Tal como muitos intelectuais e linguistas brasileiros, e porque conheço bem a Língua que aprendi no Brasil, sou defensora de que o Brasil mude o nome da sua língua para Língua Brasileira. É que se o vão fazer (como é certo e seguro, todos o sabemos) que o façam já, pois este é o momento certo. Brasil acima de tudo!

 

Se o Brasil mudasse oficialmente (porque oficiosamente já circula por aí, na Internet) o nome da Língua para Brasileira, a Língua Portuguesa não ficaria mais pobre, pelo contrário, haveria, até, de se manter mais rica. Porque empobrecida ficou ela agora, com a imposição ilegal deste patético AO90.

 

Com essa mudança não haveria necessidade de "uniformizar" o que não tem uniformização possível, e jamais, em tempo algum, será uniformizado.

 

O tempo vai passando, e dado o vergonhoso desleixo a que está votada a Língua Portuguesa, as novas gerações "lusitanas” a quem os (des)governantes não dão oportunidades em Portugal, irão interessar-se muito mais pelo Inglês, Língua de Comunicação Internacional, do que por um Português que nem é carne nem é peixe, mal-amanhado, desenraizado, empobrecido, menosprezado, desrespeitado  e apalermado... 

 

E é como disse Marcos Bagno, um dos mais importantes linguistas do Brasil, numa entrevista: «Essa ideia de que existe uma coisa chamada “lusofonia”, com vários países de Língua Portuguesa é uma bobagem»…

 

E que BOBAGEM! Acrescento eu, concordando, em absoluto, com Bagno.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020

AO90: afinal, as Resoluções do Conselho de Ministros (RCM) são inconstitucionais para umas coisas e para outras, não, ou é a minha ignorância que está a baralhar-me?

 

portugal-gov-pt.jpg

Origem da imagem: Internet

 

Elucidem-me, por favor:

 

Uma vez que sou muito ignorante, nestas coisas de leis, alguém de direito, pode explicar-me por que é que uma Resolução do Conselho de Ministros (RCM) é inconstitucional, para impor restrições à circulação de pessoas entre concelhos, em tempo de pandemia, ao ponto de André Ventura, deputado único e presidente do partido CHEGA, considerar a medida inconstitucional, por ter sido decretada fora do Estado de Emergência, levando o caso a tribunal; mas uma RCM já é constitucional, para impor a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (que nem sequer um acordo é) no sistema educativo, no Governo e em todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo (aqui podemos incluir vários órgãos de comunicação social), bem como no Diário da República?  

 

E o Supremo Tribunal Administrativo (STA) aceitou a providência cautelar interposta pelo CHEGA contra as restrições de circulação entre concelhos, que entra em vigor a 30 de Outubro e se prolonga até 3 de Novembro, e o Governo tem 24 horas para responder?

 

Mas com a RCM que impôs o AO90, já não se passa nada disto?

 

As Resoluções em questão, dizem o seguinte:

Resolução do Conselho de Ministros 89-A/2020, 2020-10-26

Determina a limitação de circulação entre diferentes concelhos do território continental no período entre as 00h00 de 30 de Outubro e as 06h00 de dia 3 de Novembro de 2020.

 

Resolução do Conselho de Ministros 8/2011, 2011-01-25 

Determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011-2012 e, a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República.

 

Assim sendo, porque é que a RCM 89-A/2020, considerada inconstitucional (não estamos em estado de emergência) teve direito a interferência do STA, e a RCM 8/2011, que TODOS os juristas consideram inconstitucional, (e também não se estava em estado de emergência e  já se provou por A+B que é inconstitucional) continua a valer, a despeito de tudo e de todos e à margem da Constituição da República Portuguesa, com o ilustre aval de Sua Excelência, o Presidente da República Portuguesa?

 

Haverá alguma coisa aqui que me passou ao lado, ou em Portugal o que convém a uns poucos é inconstitucional, e o que não convém à maioria dos portugueses é constitucional?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:30

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Terça-feira, 13 de Outubro de 2020

«Os candidatos à presidência [da República Portuguesa] deviam assacar responsabilidades ao actual PR, do estado caótico a que a Língua Portuguesa chegou»

 

Nos bastidores deste Blogue, via e-mail, há muita gente que desabafa, troca ideias, critica, porque nem só de pão vivem os Portugueses, e nem todos os Portugueses são servilistas ou indiferentes ao que se passa no nosso desgovernado País, no que a matérias extra-OE, extra-Covid, extra-Trump, extra-Bolsonaro diz respeito.

 

Hoje, quero partilhar convosco o desabafo de um leitor, que podia ser o meu desabafo.

 

O que pensa o cidadão comum sobre os seus governantes não sai nas televisões. Nas televisões só se pronunciam os lambe-botas. Mas existe uma outra realidade, para além dos ecrãs televisivos.

 

Carlos Fernandes.jpg

 

Eis o desabafo de um cidadão pensante, dotado de espírito crítico:

 

«O Senhor presidente da República deve ser o garante do cumprimento da Constituição Portuguesa, em particular de não permitir a continuação do desastroso AO90 (porque não existe Lei alguma que o obrigue a executar).

 

A não actuação neste assunto, de enorme importância para o país, faz dele:

 

Um "Chico-Esperto", vai a todas para cativar o Zé Povinho e granjear votos para mais uns anos de tacho e lazer na próxima presidência. 

 

Desde logo, quanto a este assunto do AO90 versus Desastre Ortográfico (aborto ortográfico, mixórdia ortográfica, cocografia, etc.) os outros candidatos à Presidência, deviam assacar responsabilidades ao PR, do estado caótico a que a Língua Portuguesa chegou.

 

Diz o ditado: "quem cala consente".

É exactamente a este silêncio que o Sr. Presidente se propôs!

 

Continua mudo e surdo, apesar dos diversos apelos efectuados por pessoas de bom senso, carácter e do saber.

 

Resta saber o porquê (...). Melhor do que ninguém será que a candidata Ana Gomes, a mais arguta de todos os candidatos, é capaz de o interpelar sobre este assunto de máxima importância?!

 

Mais uma vez, vamos esperar para ver.

Haja esperança. (A. M.)

 

***

Caro amigo A. M.,

Estou absolutamente de acordo com tudo o que diz.

 

Ainda bem que tocou neste assunto, até porque já tinha intenção de abordar a candidata Ana Gomes publicamente, uma vez que lhe enviei um e-mail no passado dia 7 de Outubro, a solicitar que esclarecesse a sua posição em relação ao AO90, e  aguardo resposta.  

 

Também já lhe deixei na Página da sua candidatura, no Facebook, este apelo:

 

«Seria de toda a conveniência falar sobre o Acordo Ortográfico de 1990, que está a destruir a Língua Portuguesa, é ilegal, inconstitucional, é uma grande fraude e está envolto em obscuras negociatas, colocando Portugal na posição de VASSALO, e a Língua recuada a dialecto. Isto é gravíssimo, e não vejo ninguém preocupado com o facto de Portugal andar a rastejar pelo mundo, reduzido a colónia sul-americana.»

 

MÁRCIO DOS SANTOS.jpg

 

E isto porque já vi textos escritos por Ana Gomes (ou de alguém por ela) na sua página do Facebook, em acordês, dirigidos ao irritável eivado de ignorância "todas e todos", o que me levou imediatamente a retirar-lhe o apoio, que já lhe tinha dado publicamente, até que me esclareça. Porque mais do mesmo, não, obrigada! Já basta o vergonhoso brazuquês de Marcelo Rebelo de Sousa, na página oficial da Presidência da República, sem respeito algum pela Constituição da República Portuguesa.

 

As minhas saudações desacordistas,

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:35

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Sábado, 19 de Setembro de 2020

«Enquanto presidente da Academia Angolana de Letras, Paulo de Carvalho diz subscrever “inteiramente” a não ratificação, por Angola, do Acordo Ortográfico de 1990»

 

Portugal cada vez mais isolado na sua vocação servilista.

Portugal: vergonhosamente só, com a sua mixórdia ortográfica!

 

Portugal e Brasil arvoraram-se em “donos” da Língua Portuguesa, e engendraram o AO90, esquecendo-se de que os Africanos, de expressão portuguesa, falavam e escreviam um Português, que não foi adulterado, como no Brasil, onde políticos esquerdistas, pelo facto de serem milhões (mas não só) entenderam que deviam impor aos restantes países da dita lusofonia, a VARIANTE BRASILEIRA da Língua Portuguesa. E apenas Portugal, muito servilmente, se vergou a esta pretensão.

 

Os Cabo-verdianos já oficializaram a VARIANTE CABO–VERDIANA (o Crioulo Cabo-verdiano) da Língua Portuguesa.

 

Por que não Angola ter também a sua própria VARIANTE ANGOLANA da Língua Portuguesa?

 

Eis o que Paulo de Carvalho, Presidente da Academia Angolana de Letras, defende, no artigo que aqui se transcreve, publicado na Agência Angola Press

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Porque é um facto indesmentível que o Português, que os Portugueses espalharam pelo mundo, enriqueceu-se com os dialectos dos povos locais, e transformou-se num outro Português, que deve seguir o seu caminho, desatrelado da Língua-Mãe: a Língua Portuguesa. Não foi assim com o LATIM, que originou as Línguas Românicas, das quais o Português faz parte?


FORÇA ANGOLA!

 

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É isto, assim, tal e qual. De que andaram à espera os governantes portugueses, mais Marcelo Rebelo de Sousa, Chefe do Estado Português, que nada fizeram para preservar a Língua Portuguesa, em Portugal? Enquanto que em Angola é como diz Ondjaki:

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Paulo de Carvalho, Presidente da Academia Angolana de Letras

 

«Angola: Académico defende português angolano»

16 Setembro de 2020 | 22h39 - Educação

 

Luanda - O presidente da Academia Angolana de Letras, Paulo de Carvalho, defende, em entrevista à ANGOP, que académicos e linguistas trabalhem para a adopção oficial de uma variante da língua portuguesa, em Angola, com base em regras devidamente definidas.

 

A este propósito, Paulo de Carvalho diz ser “absolutamente” recomendável considerar a sugestão de linguistas, sociólogos e antropólogos, no sentido de “legitimação” de um português angolano.

 

O igualmente sociólogo e professor catedrático, na Universidade Agostinho Neto, sublinha que “o que os linguistas e outros profissionais devem fazer é indicar as características dessa variante”.

 

“Qualquer língua possui regras, que devem ser seguidas no ensino e na comunicação social”, alerta Paulo de Carvalho, antes de chamar a atenção para o facto de que “uma coisa é a variante da língua portuguesa e, outra, falar mal o português”.

 

Em relação ao imperativo de se falar bem a língua portuguesa, Paulo de Carvalho defende a introdução de exames “obrigatórios” de português na transição do ensino básico para o secundário.

 

“A partir do momento em que o sistema prevê exames, então o português deve ser uma das disciplinas com obrigatoriedade de exame”, diz.

 

Para o entrevistado, a “grande maka” tem a ver é com os professores de português, que deveriam ser eles examinados anualmente, em primeiro lugar”.

 

Quanto à construção da variante da língua portuguesa de Angola, Paulo de Carvalho diz ser um processo que “demora” sempre algum tempo e que “exige” recursos.

 

“Trata-se de um processo moroso, que, felizmente, até já foi começado ao nível do Ministério da Educação. Era preciso pegar no que já foi feito, incluir investigadores de algumas áreas que não têm normalmente sido consideradas e elaborar um programa com acções concretas”, diz.

 

Enquanto presidente da Academia Angolana de Letras, Paulo de Carvalho diz subscrever “inteiramente” a não ratificação, por Angola, do Acordo Ortográfico de 1990.

 

“Enquanto se considerarem apenas as questões fundamentais que o Brasil e Portugal levantam, e se esquecerem as questões linguísticas fundamentais dos países africanos, não podemos ratificar esse acordo”, sublinhou.

 

Na sua opinião, os mitos da uni(ci)dade, da simplificação pedagógica e da parcimónia como a filosofia geral da estruturação do referido Acordo “teriam sustentabilidade” se tivessem considerado as “particularidades” dos países africanos e das línguas africanas, do mesmo modo que, no Brasil, foram consideradas as particularidades das línguas locais.

 

“Enquanto tivermos países subalternizados, sem se considerarem as particularidades das línguas que aí coexistem com o português, não vemos grande possibilidade de ratificação do acordo”, remata Paulo de Carvalho.»

 

Fonte:

http://m.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/mobile/noticias/educacao/2020/8/38/Angola-Academico-defende-portugues-angolano,b907bf51-7c8b-49a0-82d4-30d02699faa7.html?version=mobile

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:37

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2020

As Feiras do Livro de Lisboa e do Porto estão aí: o que os “desacordistas” têm de fazer?

 

Comprar livros, obviamente.

Mas ATENÇÃO: em nome da nossa Língua Portuguesa, não comprem livros acordizados. Temos óptimos escritores e editoras que recusam a absurdez do Acordo Ortográfico de 1990, e escrevem e publicam em Português de FaCto.

 

Aqui deixo a lista de escritores e editoras que rejeitam o AO90: 

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/estas-sao-as-vozes-audiveis-que-gritam-137738

 

A lista é longa, e a ela juntei a dos 199 subscritores da Petição «Cidadãos contra o “Acordo Ortográfico” de 1990» [publicada como Manifesto no Jornal "Público", em 23 de Janeiro de 2017] a qual vergonhosamente os meros 230 deputados da Nação (com algumas poucas excepções) se recusam a levar em conta, estando deste modo a empalear os Portugueses, numa atitude ditatorial, não se decidindo pela anulação deste que foi o maior desacordo em toda a História de Portugal.

 

Numa DEMOCRACIA isto jamais aconteceria.

 

E aqui fica o link para a Página Português de FaCto, no Facebook

https://www.facebook.com/portuguesdefacto/  

onde podem encontrar bastantes sugestões de livros recentemente editados, em Português CorreCto.

 

Em nome da Língua Portuguesa, dêem lucro a quem o merece.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 16:37

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Sexta-feira, 24 de Julho de 2020

«Este acordo [AO90] é vergonhoso para Portugal»

 

«A imprensa internacional noticiou este acordo, como sendo a primeira vez na História em que a outrora colónia (Brasil) de Portugal é que determina como se vai escrever português no presente e no futuro. Este acordo é vergonhoso para Portugal.» (Carlos Mota)

 

Vem isto a propósito de um artigo publicado no Diário de Notícias, há cerca de duas semanas, intitulado «Angola e o Acordo Ortográfico», da autoria de João Melo, jornalista e escritor angolano, e que pode ser consultado neste link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/11-jul-2020/angola-e-o-acordo-ortografico-12411257.html?target=conteudo_fechado

 

Um texto escrito em acordês, a apelar para a consagração do AO90, que, como todos sabem, só favorece a ex-colónia do Brasil, atirando para o charco a nossa Língua Portuguesa.

 

Tal texto gerou indignação entre os que se recusam a ser enganados, e a levar gato por lebre. É o resultado dessa indignação, em forma de comentários, que aqui transcrevo.

 

Mark Twain.jpg

 

Carlos Mota

 

Santa ignorância do autor deste artigo! Citando o dito cujo: "os números mostram, desde logo, que o Brasil fez mais concessões do que Portugal no que concerne ao novo Acordo Ortográfico". Mostre-nos lá esses números!


É preciso não conhecer nada do AO para produzir semelhante aberração. A única concessão que o Brasil fez foi no trema e nem sequer se pode falar de uma concessão, pois acho que a maioria dos portugueses não se importavam que os brasileiros continuassem a usar o trema. As concessões foram todas de Portugal!


A imprensa internacional noticiou este acordo, como sendo a primeira vez na História em que a outrora colónia (Brasil) de Portugal é que determina como se vai escrever português no presente e no futuro. Este acordo é vergonhoso para Portugal.


E os PALOP nem sequer foram ouvidos na redacção do AO, sendo completamente ignorados. Este "acordo" apenas serve ao Brasil, pois não muda nada na norma brasileira do português.


Este "Aborto Ortográfico" não serviu para mais nada excepto para vender mais papel, que constituiu a principal razão para a sua criação: satisfazer o lobby da indústria gráfica e livreira, pois de um momento para o outro as pessoas foram a correr comprar novos dicionários. A outra razão foi satisfazer os caprichos dos idiotas que o redigiram.


Como Português e Angolano deixo aqui o meu elogio a Angola por se recusar a ratificar o "Aborto Ortográfico".

 

*

 

Manuel Rodrigues

 

O texto, tal como o AO, parte de um pressuposto errado e acientífico: o de que é possível unificar a grafia do português a partir da fonética. Com efeito, as variações fonéticas do português falado nos vários países (e mesmo dentro de um país tão pequeno como Portugal) são de tal ordem que a aplicação desse princípio só pode produzir o efeito contrário do pretendido. Tal aconteceu com a norma portuguesa, onde ocorrem grafias que se afastam da brasileira e das dos outros países falantes do português - e, o que é bem pior, do bom senso. Veja-se o caso de palavras como "receção", "conceção", "perceção" e outras que tais.


Para além disso, faz uma afirmação que está longe de corresponder à verdade: a de que o Brasil fez mais concessões. Os estudos mostram exactamente o contrário. Finalmente, apoia-se num mito, o de que a unificação facilitaria a circulação internacional do português. O inglês mostra que tal não passa de um mito.


Finalmente: ao ratificar o AO, que norma irá seguir Angola? A portuguesa ou a brasileira? Como irá escrever as palavras transcritas acima entre aspas? À portuguesa ou à brasileira?

 

*

 

Isabel A. Ferreira

 

 

O autor deste artigo que me desculpe a sinceridade, mas demonstra uma gigantesca IGNORÂNCIA sobre o que é uma Língua e a sua funcionalidade.

 

Demonstra, aliás, uma grande ignorância sobre tudo o que diz respeito ao acordo ortográfico de 1990.

 

Estará a soldo dos que querem destruir a Língua Portuguesa, e substituí-la pela variante brasileira ( = dialecto oriundo do Português)?

 

 

Que vergonha! E diz-se jornalista e escritor angolano, "dir'tôr" de uma revista.

 

Aconselho-o a ir estudar Língua Portuguesa e a sua já longa história, para não vir a público esparramar tantas ignorâncias e tantas inverdades!

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:49

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Quarta-feira, 22 de Julho de 2020

AO90: «Como conclusão temos um pretenso acordo entre oito países em que só dois levam a sério, outros dois não ratificam e os restantes "estão-se borrifando"…

 

«Parabéns. Este escrito devia ser de leitura obrigatória no início das sessões da Assembleia da República». (Diamantino Correia)

 

Faço minhas as palavras de Diamantino Correia, com uma observação: será que na Assembleia da República existe alguém que tenha a capacidade de entender o que o nosso amigo Luís Filipe Pimentel Costa escreve?  Digo isto porque há vários anos o AO90 é amplamente contestado pelos mais ilustres intelectuais, juristas, escritores, jornalistas (poucos, mas bons) de todos os países lusófonos, e os nossos deputados da Nação ainda não conseguiram entender que o AO90 é uma perfeita idiotice (coisa única em todo o mundo) que um grupo de idiotas implementou e ainda mantém, insistindo num erro que custará muito caro a Portugal. 

 

Vejamos o que Luís Filipe Pimentel Costa tem para nos dizer a este respeito.

 

Isabel A. Ferreira

 

Luís Leitão.png

Olavo de Carvalho.jpg

 

Por Luis Filipe Pimentel Costa

 

 

UMA HISTÓRIA DA CAROCHINHA


.
Em tempos idos a escrita era restrita a uma elite de copistas, normalmente monges, que copiavam documentos.
.
Com o tempo, os nobres aprenderam a ler e a escrever.
.
Havia divergências de escrita, mesmo dentro da mesma língua e do mesmo povo.
.
Com o surgimento das universidades e a escolaridade obrigatória a escrita estendeu-se ao cidadão comum, verificando-se uma necessidade de uniformização da escrita. Esta uniformização era feita a nível académico por pessoas entendidas no assunto, que, mais do que impor normas, procuravam acompanhar as evoluções naturais da língua, enquadrando-a na sua realidade.
.
Até aqui as coisas caminharam dentro duma mínima normalidade e assertividade.
.
Cedo, no entanto, os donos dos povos, antes ainda com os nobres e mais ainda com o surgimento dos políticos, se acharam no direito de mandar também na língua.
.
Assim surgiram normas, algumas através de acordos. Chegámos assim ao Acordo Ortográfico entre Portugal e o Brasil, numa vã, ilusória e utópica tentativa de uniformizar a língua portuguesa entre os dois países. Em Portugal esse acordo foi legalizado com o Decreto-lei n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945.
.
Na altura ainda faltavam 12 anos para eu nascer, pelo que pouco sei sobre o mesmo. Tenho, no entanto, na ideia que este acordo foi elaborado com cuidados mínimos, por forma a respeitar minimamente a língua portuguesa. O certo é que quando nasci estava este acordo em vigor e legalizado com o referido Decreto-lei.
.
Mais do que até então, na indústria livreira, foi reacesa a ilusão utópica de fazer o irrealizável e impraticável, uniformizar a língua portuguesa, não vendo ou não querendo ver ou ainda não tendo capacidade para ver que as diferenças entre os dois países, o português e o português do Brasil, se colocam, mais do que a nível da ortografia, a nível vocabular, pelo que uma obra dum país, para ser editada no outro país, ou mantém a escrita original, o que eu considero mais correcto, ou tem sempre que ter adaptações, porque, em Portugal sempre será um autocarro, enquanto que no Brasil sempre será um
ônibus, tal como em Moçambique e em Angola será um machimbombo.
.
O certo é que um grupo de interesseiros da indústria livreira pretendeu fazê-lo. Precisavam, no entanto de cativar os donos dos países, os políticos, pelo que lançaram em Portugal o fantasma de que, a nível internacional, o português do Brasil iria substituir o português, por força dos números que se traduzem na força financeira. No Brasil lançaram a "cenoura-isco" de que uniformizando o português com a sua variante brasileira traria vantagens a nível internacional o que se traduziria em vantagens financeiras.
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Basearam-se em duas premissas irrealizáveis. A primeira foi quererem igualar a oralidade à escrita, o que não é possível, devido à imensa variedade nas pronúncias, mesmo dentro do mesmo país. Para isto cortaram umas letras e hífens e acentos. Isto veio contra a sua segunda premissa, que seria igualar a escrita nos dois países e que se confirmou também impossível de realizar, porque, por força da primeira premissa criou variantes entre os dois países, pelo que uma pretensa unificação se traduziria em formas diversas de escrita nos dois países.
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Para os políticos justificarem a sua concordância tiveram que incluir os restantes países que adoptaram a língua portuguesa como língua oficial.
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Toda esta salganhada teve os seguintes resultados.
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1) A igualdade entre pronúncia e escrita confirmou-se irrealizada e irrealizável.
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2) A uniformização entre a escrita nos dois países confirmou-se irrealizada, criando, com excepções e duplas grafias, várias variantes mais da escrita. O português, que muitos portugueses continuam a fazer questão de utilizar; o português do Brasil, que muitos brasileiros fazem questão de continuar a utilizar; mais o malaquês, que é a forma que Portugal adoptou, do ao90 (agressor ortográfico de 1990), mais a versão do mesmo ao90 que o Brasil pretende adoptar, e mais ainda as infinitas variantes das enormes confusões que diariamente se verificam, nos mais diversos meios, públicos e privados, e mais ainda outras tantas variantes daqueles que começaram a recuperar formas antigas de escrever, como o caso do uso do trema.
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3) Entrou-se numa ilegalidade, pelo menos em Portugal, visto que o Decreto-lei em vigor é e continua a ser o de 1945, porque um Decreto-lei só pode ser revogado ou alterado por outro Decreto-lei ou diploma legal de valor superior, o que, tanto quanto eu tenha conhecimento não aconteceu, e nem poderia acontecer, pelo menos em Portugal, por forças legais que têm que ver com o ponto seguinte.
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4) O que se pretendia, um acordo entre 8 países, resultou no seguinte:
a) Dos 8 países só dois estão a, ditatorialmente, e, pelo menos em Portugal, ilegalmente a impor a sua utilização, Brasil e Portugal,
b) Pelo menos dois dos oito países não ratificou o pretenso acordo, Angola e Moçambique, e tudo indica que o não irão ratificar, visto já há muito ter passado os 6 (seis) anos que foram considerados para tal acontecer,
c) Os outros 4 países não o aplicam nem mostram que o venham a aplicar.
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Como conclusão temos um pretenso acordo entre 8 países em que só dois levam a sério, outros dois não ratificam e os restantes "estão-se borrifando".


Por força deste desacordo no pretenso acordo, em Portugal não é possível legalizá-lo, devido a imposições legais, nomeadamente da Constituição da República Portuguesa, pelo que,
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5) Uma norma governamental impôs, abusivamente, a sua utilização no funcionalismo público e empresas sob a alçada dos políticos, não tendo força de lei, mantendo-se assim em vigor o decreto-lei de 1945.
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6) Usando este estratagema os políticos portugueses violam os direitos cívicos dos cidadãos impondo, ditatorial e abusivamente uma escrita errada e ilegal no ensino, forçando a que, mediante o uso da força de uma ilegalidade e por força do cansaço e subjugação se venha a tornar de uso corrente algo que, repito, é ilegal

 

Fonte:

https://www.facebook.com/pimentelcosta/posts/3489741847737409

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:48

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Terça-feira, 21 de Julho de 2020

«Não podemos deixar morrer o Português!»

 

Os apelos nunca faltaram.

 

O que falta é audácia para atacar com força e massivamente os predadores da Língua Portuguesa que, perante o comodismo dos milhares que se dizem anti-AO90, e que andam por aí e pelos grupos do Facebook a repetir eu não escrevo conforme o acordoeu não escrevo conforme o acordo, tal qual discos riscados (como se isso interessasse para alguma coisa, pois o problema grave e maior está na disseminação de uma grafia truncada, nas escolas e órgãos de comunicação social servilistas), perante este comodismo e servilismo, dizia eu, os predadores da Língua esfregam as mãos de contentamento, por poderem continuar a reduzir a Língua Portuguesa a uma linguagem gráfica, cada vez mais básica, mais primitiva, completamente distanciada do cerne de um Idioma Culto, para ser mais fácil de a aprender, como se isto não fosse um argumento de ignorantes.

 

Mas isto é fruto da cultura inculta que o Estado português obscurantista está a promover, com intenção de destruir a Cultura Portuguesa, e impor a incultura, à qual prestam vassalagem.

 

ACORDAI POVO, se não quereis ser escravos de uma tirania, que anda por aí fantasiada de democracia, para enganar os parvos.

 

Isabel A. Ferreira

 

MORTE.jpg

 

Texto de Sérgio Marques

 

«É incompreensível que uma instituição com a tremenda responsabilidade cívica de contribuir para a construção de uma sociedade cuja evolução tenha entre os seus principais pilares o conhecimento científico, se demita de assumir publicamente uma posição sobre o Acordo Ortográfico de 1990 assente exclusivamente em critérios científicos.

 

Com o vil argumento de não pretenderem fazer política - a ACL não é contra o AO90 e, aparentemente, nem se reconhece com legitimidade para poder sê-lo!... Santa paciência... foram muitos anos de salazarismo ... - acabam precisamente a fazer política, mas pela via mais infame: respeitando servilmente os poderes instituídos e os poderes fácticos, caucionam ignobilmente com a falsa chancela da ciência o mais violento e atroz atentado alguma vez cometido pelo Estado de uma nação soberana contra a sua própria língua.

 

A Academia de Ciências de Lisboa está, politicamente, de acordo com este assassinato irresponsável e doloroso do património maior de um povo, dispondo-se, apenas, a propor paliativos em vez de, com a coragem que se impunha, almejar erradicar a doença.

 

Tudo em nome de um projecto absurdo de unificação e uniformização da língua portuguesa no mundo, castrador da evolução natural e orgânica da diversidade geográfica dos falares lusófonos. Em nome de um tenebroso empreendimento orwelliano de empobrecimento coercivo da língua - coisa que os anglo-saxónicos, espanhóis e franceses tiveram a sabedoria e o bom senso de jamais tentar pôr em prática.

 

É uma espécie de imperialismo ao contrário, ditado pelos mesquinhos interesses de uma ou duas editoras portuguesas, posto em marcha por governantes acéfalos e ignorantes, gente sem visão nem sentido de Estado, notavelmente apoiada, à época, por todos os representantes eleitos pelos cidadãos deste país assim tristemente entregue em imundas mãos.

 

Face à cobardia e/ou ao comprometimento das instituições e individualidades nacionais de quem se esperaria outra independência e integridade moral e intelectual perante esta guerra desencadeada de forma brutal contra a língua de Pessoa e Camões, de Eça e Saramago, de Torga e Vieira e de outros ilustres embaixadores da Pátria maior que é o Português, guerra pusilânime que tomou como reféns e arautos involuntários da 'novilíngua' as nossas crianças e jovens, só nos resta, cidadãos comuns, tomar em mãos a tarefa de salvar a língua portuguesa da tragédia que se anuncia.

 

Com este inominável acordo, não estamos apenas a importar uma grafia estrangeira que reflecte uma fonética que nos é estranha, que incorpora uma História que não é a da nossa língua.

 

Com este acordo, estamos a garantir que no prazo de duas gerações se concretize a importação e assimilação dessa fonética que não é a nossa. Ou seja, a adulteração inorgânica e artificial, mas que será real, da língua portuguesa falada, e não apenas escrita, em Portugal.

 

Não podemos deixar morrer o Português às mãos da triste e fraca gente que nos governa e governou. É um dever patriótico. É um dever moral, de cidadania, por respeito aos nossos antepassados, mas, principalmente, por respeito pelas gerações vindouras. É um imperativo histórico, de combate a esta afronta fascizante ao povo português, mas também aos povos de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de Timor, da Guiné, de São Tomé e Príncipe, do Brasil.

 

A língua é a manifestação maior da civilização humana. Tem vida, evoluiu, cresce, ramifica-se, diverge, mistura-se com outras línguas, gera novas línguas. Morre. É História. É quase Biologia. Não precisa de iluminados, oportunistas e neocolonialistas (neste caso, com papéis invertidos), auto-empossados ditadores da história futura, inteligências menores arrogadas em senhores do destino de um mundo que não lhes pertence.

 

Deixem em paz o Português do Brasil. Um dia já não será português, será outra coisa que a evolução histórica ditar, igualmente rica e tão nobre como o Português de Portugal, tão preciosa e respeitável como qualquer outra língua de outro lugar qualquer do mundo.

 

Já não falamos Latim! Mas deixem igualmente, em paz o Português de Portugal. Um dia, será, também diferente. E morrerá. Como qualquer outra língua. Mas não a matemos por decreto. Porque ainda está exuberante de vida. Porque está na boca, no pensamento, nos sentidos, na pena, na ponta dos dedos com que os nossos filhos riscam o ecrã do “tablet” e do telemóvel. Porque lhes está na alma. E há muito se entranhou na nossa.

 

Desobediência civil, massiva, activa, imperativa, ao criminoso acordo da vergonha. Pelos nossos filhos. Pelos filhos deles. Não há legado maior do que a nossa língua. A Língua de Portugal.

 

VAMOS À LUTA!»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/sergio.marques.37266/posts/1044559192322071

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:13

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Quarta-feira, 1 de Julho de 2020

Com o Acordo Ortográfico de 1990, “unificar grafias” passou a significar “cada um escreve de acordo com a sua sabença”…

 

Daí que a estupidez reine em Portugal, com o aval dos que deviam defender a Língua Portuguesa - presidente da República, primeiro-ministro, ministros da Educação, da Cultura e dos Negócios (dos) Estrangeiros, deputados da Nação, jornalistas, editores, etc. - e que mais não fazem do que, intencionalmente, seguindo instruções obscuras, atirá-la pela borda fora, como algo altamente pestilento… E o pior é que nem sequer têm a noção do que fazem, e deliram, quando dizem que a Língua Portuguesa está a expandir-se cada vez mais…

 

Está, está! Está a expandir-se cada vez mais para o fundo de um abismo… Exemplo:

 

escepção.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3125574670858594&set=gm.2693389070905591&type=3&theater&ifg=1

 

(No Brasil, escreve-se excePção com . Em Portugal, nem por isso, mas quando se acerta no, desacerta-se no resto. E a isto chamam expandir a Língua)

 

Vírus da estupidez.png

 

Mas vejamos o que nos diz João A M Santos, a propósito das “duplas grafias”.

 

Por João A M Santos‎

 

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«A dupla grafia não é poder escrever como quiser. É muito mais pernicioso e perverso que isso. Obedeceu a critérios obscuros que pretendem aproximar a ortografia de Portugal da ortografia do Brasil sem que as pessoas dêem por isso.

Após o acordo ortográfico, continuaram na mesma a existir duas ortografias distintas: a de Portugal e a do Brasil. Tirando alguns casos pontuais, como o uso do trema, alguns acentos diferenciais e alguns hífenes, a ortografia do Brasil manteve-se quase inalterada.

Em Portugal é que a confusão foi maior. Temos várias classes de palavras que foram modificadas.

Nos casos em que as consoantes eram quase praticamente mudas (em muitos casos até nem eram) e/ou onde tinham uma função diacrítica, foram simplesmente eliminadas e espera-se que a população decore a nova grafia da palavra. É o caso de "Egipto" que passou a "Egito" e "ceptro" que passou a "cetro", colando-se à norma brasileira, mesmo havendo falantes em Portugal que ainda pronunciam o "p".

Nos casos em que uma percentagem de portugueses ainda pronuncia a consoante, mas no Brasil já não se pronuncia nem se escreve, foi deixada a facultatividade (dupla grafia) em Portugal. É o caso de "aspecto" que pode ser escrito também "aspeto" e "espectador" que pode ser escrito "espetador". Normalmente, os portugueses, como não sabem quais são estas palavras, optam por retirar a consoante, escrevendo a palavra como esta se escreve no Brasil e mesmo em palavras de onde esta não foi retirada.

Nos casos em que a consoante se pronuncia nitidamente em Portugal mas não no Brasil, foi deixada como está, e a grafia manteve-se na mesma sem se alterar. É o caso de "facto" ou "contacto" (Portugal) e "fato" e "contato" (Brasil). Acontece um caso semelhante com alguns acentos: Antônio no Brasil, António em Portugal, que ficaram na mesma.

Nos casos em que a consoante é muda em Portugal mas é pronunciada no Brasil, foi retirada na palavra portuguesa e mantida no Brasil. Este é o caso que nos mete mais impressão, pois foram CRIADAS novas palavras para uso exclusivo em Portugal, enquanto que no Brasil a palavra foi deixada inalterada e tal como se escrevia em Portugal antes do acordo. É o caso, por exemplo de "recepção" (Brasil) e "receção" (Portugal).

 

Portanto, está a imaginar que o acordo não serve para nada se o objectivo for unificar as ortografias. As ortografias continuam diferentes, se não ainda mais (foram criadas palavras novas para uso exclusivo em Portugal). Se juntarmos as duas grafias diferentes no Brasil e em Portugal, ao léxico também diferente, à sintaxe que também tem diferenças, e palavras que se escrevem de forma diferente, como "electrão" (Portugal) e "elétron" (Brasil), chega rapidamente à conclusão que um livro traduzido para a ortografia do acordo ortográfico NUNCA poderá ser editado em Portugal e no Brasil sem ser alterado significativamente para passar de um país para o outro.

Daí que a utilidade deste acordo seja zero, existindo apenas para se poder dizer que houve um acordo e travar o Brasil caso queiram transformar a norma brasileira numa língua própria, que é o pesadelo de muita gente e o terror do Governo e de quem defende este acordo ortográfico.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3399167506761076&set=gm.3295085677203449&type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:24

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