Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2021

No “Nascer do SOL” online, bastou aludir à «ditadura ortográfica que nos foi imposta, à força, ditatorialmente» para o meu comentário ser eliminado, ou as verdades inconvenientes estão proibidas?

 

 

Ou estarei enganada? Como não obtive esclarecimento, embora tivesse tentado, sou livre de pensar o que bem entender, acerca disto. Até porque o AO90 é tabu, e não pode ser abordado com a verdade.

 

Trago a público este episódio, a pender para o pidesco, porque não concebo censuras, a não ser que estejamos, realmente, a viver na mais pura e dura ditadura, fantasiada de democracia, só para disfarçar. E também porque não admitito atitudes machistas, na tentativa de me calar.

 

Eu, e muitos como eu, consideramos estar debaixo das asas de ditadores cegos, surdos e mudos às incontáveis vozes que se erguem contra a absurda imposição ditatorial do AO90. E que não haja qualquer dúvida acerca disto.

 

A história conta-se numa penada.

 

Tudo começou com um comentário que deixei ao texto «Ramalho Eanes: "Se não fosse o império, seríamos uma Catalunha" – a propósito da polémica sobre a remoção dos brasões da Praça do Império, em Belém, o qual pode ser consultado neste link:

https://sol.sapo.pt/artigo/724678/ramalho-eanes-se-nao-fosse-o-imperio-seriamos-uma-catalunha#comment-5267370625

 

Sendo eu uma livre-pensadora, dos quatro costados, e não conseguindo ver passar o vento, sem entrar na tempestade, e depois de consultar as Regras da Comunidade [SOL], li no ponto 1 que «todos os leitores podem comentar no site do Nascer do SOL, para tal necessitam estar registados na plataforma de comentários DISQUS», e estando já registada, ousei lá deixar o seguinte comentário:

SOL1.PNG

 

Então um outro comentador, ripostou deste modo:

 

SOL.png

 

E eu respondi-lhe o seguinte (que não consegui capturar, porque o comentário foi eliminado). Contudo, tinha-o arquivado na lista dos comentários que faço online, não vá o diabo tecê-las, como, aliás, foi o caso:
 

***

O meu comentário censurado:

 

O que é que significa “ter problemas em assumir o que escrevo”? Quem tem problemas? Eu? Quem parece ter problemas é você, que lê, mas não entende o que está escrito.


Está muito enganado quanto ao regresso às ditaduras, pois se actualmente vivemos uma ditadura disfarçada de democracia (e não me refiro ao estado de emergência, que não é para aqui chamado)! 

 

Vou dar-lhe apenas um exemplo, entre uma lista enorme de exemplos que poderia dar, mas não cabe neste espaço. Vou dar-lhe o exemplo mais flagrante, porque põe em causa a nossa identidade de nação livre e independente: a ditadura ortográfica que nos foi imposta, à força, ditatorialmente, e que nenhum país “lusófono” quer.

 

O facto de existir um SS a comandar as “tropas” servilistas e seguidistas, que não têm o mínimo espírito crítico, para se lhe opor, é um prenúncio de ditadura, de tal forma, que o actual governo, desprezando a Lei, anda a espezinhar uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos [Contra o Acordo Ortográfico ILC-AO] e a manter uma ortografia ilegal e inconstitucional, aos milhares de Portugueses, que já se pronunciaram desfavoravelmente acerca desta matéria. E se isto não é uma “arte” ditatorial, eu sou a Rainha de Sabá.

 

E por causa desta ditadura de extrema-esquerda, anda meio mundo português desiludido, estando a dar força a uma possível ditadura de extrema-direita, que já está bastante bem posicionada.

 

Não se ponham a pau, e muito brevemente andaremos todos a marchar: ou de punho erguido ou de mão estendida, em todos os Terreiros do Paço do nosso pequeno, pobre e desgraçado País! E ambas as marchas serão um regresso ao passado que tanto se quer ver destruído!

 

***

Bem, não sei ao certo se o comentário foi eliminado por causa da alusão ao AO90, ou por outro motivo qualquer.

 

Nas regras da Comunidade, que podem ser consultadas aqui:

 Nascer do SOL Comment Policy

Ao comentar no Nascer do SOL está de acordo com a política de comentários.

Please read our Comment Policy before commenting

 

nada vi que pudesse levar à censura do meu comentário, até porque se se derem ao trabalho de ver os outros 288 comentários, podem comprovar que em muitos deles quase todas as regras são violadas, desde o anonimato, ao insulto. E o meu nem era anónimo nem insultava ninguém. Penso eu.

 

O meu comentário continha apenas umas verdades, que não convinham estar ali. Não, naquele “Nascer do SOL”, por motivos muito óbvios, aliás, algo que o sociólogo António Barreto abordou num texto lapidar, que pode ser consultado neste link:

 

O que diz António Barreto sobre a actual Comunicação Social

***

Concluindo: todos os Portugueses (mas também milhares de cidadãos dos restantes países lusófonos), que têm os seus neurónios a funcionar plenamente, rejeitam o AO90, por este não ter ponta por onde se lhe pegue. Contudo, ditatorialmente, continua por aí a ser imposto, divulgado e apoiado, contribuindo para um analfabetismo funcional, sem precedentes na nossa já longa História, algo que Portugal pagará muito caro.

 

Como diz o meu amigo Eduardo Amarante «isto já não é o "lápis azul" a actuar; é o "lápis vermelho" dos tiranos!» Certíssimo.

 

E se isto não faz parte de uma táctica ditatorial, eu sou a Rainha de Sabá.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:53

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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021

Deputados da Assembleia da República (PS, PSD, BE) não têm competência nem habilitações literárias específicas para avaliarem a questão do AO90

 

 

Todos os Portugueses pensantes, em Portugal o dizem, o sabem, o demonstram: o AO90 é um aborto ortográfico fraudulento, que apenas os ignorantes ou os muito mal-intencionados, ao serviço da ignorância e da estupidez, crêem que tem pernas para andar, que já assentou arraiais, e não pode ser mandado às malvas.

 

Puro engano, que um estranho delírio gera.

 

Mas vamos aos factos:

 

Em Junho do ano passado, o Partido Os Verdes (PEV),  apresentou na Assembleia da República o  Projecto de Resolução 533/XIVAvaliação do Acordo Ortográfico de 1990 - que foi discutido e votado em plenário, na passada sexta-feira, dia 15 de Janeiro, com grande sigilo, por parte da comunicação social servilista.

 

PEV.png

 

Como já era de esperar, o resultado foi mais do mesmo, porque nesta questão do AO90, o que impera é uma abismal incompetência, assente numa colossal ignorância que, por sua vez, tem origem na falta de habilitações literárias específicas, que lhes outorguem aptidão para poderem aprofundar esta questão com conhecimentos adequados sobre Língua Portuguesa (que, aliás, poucos deputados escrevem e falam escorreitamente), e um baixo nível intelectual, que os impedem de saber separar o trigo do joio.

 

E o resultado ficou à vista nas desvairadas intervenções do deputado Pedro Cegonho (PS), e da deputada Fernanda Velez (PSD) que esgrimiram pseudo-argumentos, absolutamente delirantes, sem o mínimo fundamento linguístico-científico, que os sustentasse.

 

Duas intervenções de amadores, sem os mínimos conhecimentos, nem formação académica adequada para discutir o tema, intervenções essas que podem ser vistas e ouvidas nestes vídeos.

Mas por onde andarão e o que estarão a fazer os habilitados, os profissionais em Língua Portuguesa, os linguistas, os professores que  a abandonam às mãos de amadores?

 

 

A deputada Fernanda Velez diz que não faz sentido suspender o AO90?

 

Não faz sentido suspender o AO90 para os ignorantes, senhora deputada. Unicamente para os ignorantes, que negam as mais evidentes evidências. O AO90 está a levar Portugal para um analfabetismo funcional sem precedentes, só os cérebros de pedra não vêem isto. Ouçam os milhares de VOZES DISCORDANTES, que apresentam argumentos que fazem cair por terra o malfadado AO9O!

 

Abram as mentes e OUÇAM essas vozes: são aos milhares contra uma escassa centena de parlamentares sem habilitações adequadas para abordarem esta matéria.

 

Nunca pensaram o porquê da existência dos diversos cursos, que outorgam habilitações académicas específicas, para que cada um possa exercer a sua profissão com conhecimentos adequados?  

Diz a sabedoria popular que um dentista não opera  apendicites.

Desenterrem essas cabeças cheias de nada, da areia, e olhem o estrago, real e concreto, que o AO90 está a espalhar pelo País.

E recuem, porque é da inteligência RECUAR.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:16

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Domingo, 17 de Janeiro de 2021

No debate Parlamentar para Avaliação do Acordo Ortográfico de 1990, Pedro Cegonho enveredou por ilimitadas ignorâncias, muita hipocrisia e pilhas de mentiras

 

Quanta ignorância, quantas mentiras, quanta hipocrisia para aqui vai. Não é com gente deste calibre que Portugal avança. Nem todos, em Portugal, são parvos, para aceitar a vergonhosa intervenção deste deputado ao serviço da ignorância e da estupidez.

 

Tenham vergonha, e acabem com esta farsa chamada acordo ortográfico de 1990, que só serviu para aumentar a iliteracia e o analfabetismo funcional, em Portugal, bastamente enraizados no parlamento português.

 

Para memória futura aqui fica registada a enxurrada de disparates que o actual governo socialista quer transformar em verdades, que apenas eles descortinam do nada… Porque, de resto, o desacordo é total e anarcográfico. 


Como é que isto é possível?

A quem pretendem enganar? 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:34

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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019

António Costa diz que quer “promover o sucesso escolar” sem chumbar os alunos até ao 9º ano, mas não diz que um aluno que repete o ano, sai mais caro ao Estado, do que um quase analfabeto

 

Como se promove o sucesso escolar com base no insucesso?

 

O sucesso escolar só é promovido com SABER, não com ignorância.

 

A falta de uma política de Ensino, baseada no SABER e na má preparação dos professores (nem todos felizmente) e no  caos em que se transformou o ensino da Língua Portuguesa, importante PILAR para todas as disciplinas, porque é a Língua que gera a LITERACIA, e na  trapalhada em que o ensino se tornou, está na base do elevado índice de insucesso escolar, em Portugal, país com o maior índice de analfabetismo (sem contar com os analfabetos funcionais que por aí  já circulam, incluindo na classe docente), como pode comprovar-se neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/portugal-tem-a-taxa-de-analfabetismo-96078

 

Mas vamos dar voz à professora Teresa Botelho, e ao professor universitário Fernando Alberto II.

 

escola.png

 

Texto de Teresa Botelho, que subscrevo na totalidade.

 

«Explique-me quem puder, onde vai parar a literacia e a cultura deste país, porque se os erros ortográficos já fervem em muitos comentários que por aí leio, como será se acabarem as retenções e os meninos forem para as escolas só porque sim?

 

Se nesta altura do ano ainda faltam professores em muitas escolas, onde vão arranjar quem dê apoio aos alunos que transitam para o ano seguinte sem saberem nada do que ficou para trás e quantas horas lectivas a mais se irão acrescentar à carga horária normal para os recuperar?

 

Poupa-se em profissionais no SNS, carrega-se nos impostos, financiam-se bancos e formam-se ignorantes nas escolas, porque um aluno que repete, sai mais caro ao Estado, do que um quase analfabeto a prazo com 635€ mensais que trabalha 40h por semana.

 

Não se fala em conteúdos, novas estratégias, alterações de programas, nem incentivos à aprendizagem, porque isso custa dinheiro. O que com isto se pretende, não é a valorização das competências dos nossos jovens, mas sim o aumento de um falso sucesso, para as estatísticas.

 

Sinto-me ultrajada perante tamanha manobra suja de poupança, à custa das gerações futuras (sobretudo as mais carenciadas) que não terão acesso a escolas privadas, a explicações, ou a famílias que os saibam apoiar, porque são esses que jamais conseguirão os conhecimentos necessários para entrarem numa universidade, ou para terem qualquer outra formação que os faça ter um futuro.

 

Este é afinal, o socialismo das desigualdades, da vigarice e da rasteira mascarada de uma competência saloia e elitista que parece que poucos ainda se dignaram desmascarar, porque ainda engolem tudo o que lhes é vendido!

 

Fonte:

https://www.facebook.com/terezabotelho?__tn__=%2CdC-R-R&eid=ARAreTmemjhpuEPQs0o3jENpZSnR5-vGE9wlmy3s4pyTbgb61cRLzjix-7qk7wrN0PA_A4t4hDQ_XNNT&hc_ref=ARSenvNK9QwWEFBbU9G5o1UyLsYY5W3VHbeRJhOaFgPptiVIjUXC3dIDUOp17ojQ2-A&fref=nf

 

***

Eis um curto texto que o Professor Fernando Alberto II, publicou no Facebook, e que gerou um comentário de uma professora, o qual, infelizmente, é o pão nosso de cada dia de muitas mais professoras, incluindo de universitárias, protagonistas de comentários de pasmar, com ordinarices à mistura!!!!! (Tenho uma colecção deles, não os publico, porque o meu Blogue não é uma tasca rasca).

 

«Sempre estive a par da grande ilegalidade e inconstitucionalidade, que é este falso e traiçoeiro "Acordo Ortográfico, de 1990". Ninguém o encomendou nem ninguém o quer. Temos de lutar para que seja definitivamente ANULADO.»

 

Comentários:

 

Elsa Bernardes Temos que lutar por melhores salários e condições de vida mais dignas, isso sim! Acordo ortográfico? Que importa isso na nossa vida? Fernando, acho que há causas mais importantes para direcionares a tua atenção. 

  

Fernando Alberto II Esses problemas sempre existiram em Portugal, não são de agora.

 

Fernando Alberto II Este falso "Acordo Ortográfico, de 1990", é que é um grave problema surgido há poucos anos e, sem qualquer necessidade.

 

Isabel A. Ferreira Inacreditável, o seu comentário, Elsa Bernardes!
Na sua vidinha, que já vai adiantada, o Acordo Ortográfico pode não importar nada. Mas importa na VIDA das crianças e jovens estudantes, que estão a ser enganados e a aprender incorreCTamente a Língua Materna deles. Serão os analfabetos funcionais do futuro, se nada se fizer, para travar esta tragédia linguística. O que adianta bolso cheio, num cérebro vazio?

A Causa da Língua Portuguesa é uma causa das mais importantes, da actualidade, porque está em causa a IDENTIDADE PORTUGUESA e o analfabetismo funcional

Eu nem acredito, que alguém que está ligada ao ENSINO, possa ter uma visão tão economicista da nobre MISSÃO de ENSINAR. Nem acredito! Não admira que os jovens cheguem às universidades sem saberem escrever e com um elevado grau de ILITERACIA, o que implica numa ignorância de quase tudo.

 

Fernando Alberto II Não há dúvida de que tem razão, cara amiga Isabel A. Ferreira pois, o que eu noto, infelizmente, para grande desgosto meu, nas Universidades por onde tenho passado, quando os alunos entram no ensino Superior para se licenciarem no Curso por si escolhido, conseguem acabar esse mesmo Curso, com maior ou menor dificuldade mas, quanto à sua cultura geral, às Ciências Sociais e Humanas, Linguística, Semântica, Morfologia, Sintaxe, Gramática, Conjugações verbais, diferença entre verbos regulares e irregulares, Geografia Política, Ciências Políticas, Ciência Histórica, etc...etc..etc.., infelizmente, não sabem nada de nada, nada, mesmo nada de nada, nada, absolutamente nada de nada. Quanto a mim, infelizmente, a maior parte faz muito má figura, quando entra no mercado do trabalho.

 

Isabel A. Ferreira Pois, é uma vergonha. A Cultura Culta do futuro está comprometida, caro amigo. Não sei como se há-de corrigir este gravíssimo erro.

 

Fernando Alberto II Como já deve ter tido oportunidade de verificar, a maior parte das pessoas são extremamente materialistas e, não lhes interessa para nada o conhecimento e a cultura. Como referiu e bem, no futuro vamos ser um "povo materialista rico, com os bolsos cheios de dinheiro mas, com a CABEÇA ÔCA, SEM CÉREBRO pois, o que conta é o dinheiro, o materialismo CAPITALISTA/SELVAGEM.

 

 Fonte:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100013357123117

 

***

 

Posto isto, aqui fica uma amostra deste nosso triste Portugal, que caiu em mãos erradas.  

 

Espero que tal governo caia. Espero que haja uma forte oposição, de todos os restantes partidos com assento na Assembleia da República, a estas políticas socialistas desastrosas, porque comprometem seriamente o futuro das próximas gerações, e atira Portugal para o charco.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:01

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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

«Pela Língua Portuguesa contra o "acordo"!»

 

Andando eu a “limpar” o meu e-mail, deparei-me com um texto actualíssimo, arquivado como algo precioso, escrito em 2011, por Victor Santos Carvalho, e que aqui reproduzo, na esperança de que possa servir de orientação aos “distraídos” governantes portugueses que sujaram a escrita, estando a contribuir para o analfabetismo funcional em Portugal (como se já não bastasse o elevado índice do outro analfabetismo), e, pior, ainda não se deram conta disso.

 

BASTA! Portugal merece melhor sorte.

 

MILTON FERRETTI JUNG.png

 

No Brasil o AO90 resume-se apenas aos hífenes e acentuação, e causa esta reacção no Milton Ferretti Jung! Agora imagine-se em Portugal, que a somar aos mal engendrados hífenes e acentuação, temos de levar com a mutilação de centenas de palavras, que se afastaram da matriz da Língua, e pertencem apenas à Variante Brasileira do Português,  que nada tem a ver connosco.

 

***

(Nota: os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

***

Pela Língua Portuguesa contra o "Acordo"!

Posted By: Victor Santos Carvalho

To: Members in Pela Língua Portuguesa contra o "Acordo"!

 

PELA SUSPENSÃO IMEDIATA DO ACORDO ORTOGRÁFICO! → LEIA, DIVULGUE E ESCREVA AOS SEUS GOVERNANTES E DEPUTADOS!

 

Em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico

in Público, 25 de Junho de 2011

 

Carta aberta ao Primeiro-Ministro, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e ao Ministro da Educação

 

PELA SUSPENSÃO IMEDIATA DO ACORDO ORTOGRÁFICO

 

Senhor Primeiro-Ministro

Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros

Senhor Ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência

 

  1. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO) foi aprovado em 1990 pelo Parlamento e ratificado pelo Presidente da República em 91, sendo mera adaptação do Acordo de 86, abandonado por força da reacção da opinião pública portuguesa. Ao contrário do AO de 86, que teve divulgação nos meios de comunicação portugueses, a redacção e tramitação do AO de 90 ocorreram discretamente, longe do olhar e escrutínio público dos portugueses.

 

  1. Enquanto reforma ortográfica, o AO é um desastre: não assenta em nenhum consenso alargado, não foi objecto de discussão pública, não resulta do trabalho de especialistas competentes (a julgar pelas imprecisões, erros e inconsistências que contém e pelos problemas que cria) e vem minar, pela introdução generalizada e irrestrita de facultatividades ortográficas, a própria noção de ortografia. Tudo isto foi devidamente apontado por intelectuais e linguistas portugueses ao longo dos últimos 20 anos em pareceres, artigos e livros ignorados pelas entidades responsáveis. O único parecer favorável (assinado em 2005 por um dos co-autores do AO!) é o da Academia das Ciências, instituição que patrocinou a criação do acordo.

 

  1. Os vícios do AO enquanto instrumento jurídico configuram mentiras gritantes vertidas em lei. No preâmbulo diz-se que «o texto do Acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos países signatários»; deste debate não há vestígio nem se conhece menção. A Nota Explicativa do AO refere estudos prévios dos quais não há registo, apresenta argumentos sem sustentação científica sobre o impacto do AO no vocabulário português (baseados numa lista desconhecida de 110 000 palavras e ignorando a importância de termos complexos, formas flexionadas de nomes e verbos e índice de frequência das palavras) e “explica” de forma confusa os aspectos mais controversos da reforma, p. ex. a consagração, como expediente de “unificação ortográfica”, de divergências luso-brasileiras inultrapassáveis com o estatuto de grafias facultativas. Algumas dessas divergências existiam antes do AO (‘fato’ ~ ‘facto’, ‘ação’ ~ ‘acção’, ‘cômodo’ ~ ‘cómodo’, ‘prêmio’ ~ ‘prémio’, ‘averígua’ ~ ‘averigua’, etc.); outras são criadas pelo próprio AO (‘decepção’ ~ ‘deceção’, ‘espectador’ ~ ‘espetador’, ‘falamos ~ ‘falámos’, ‘Filosofia’ ~ ‘filosofia’, ‘cor-de-rosa’ ~ ‘cor de laranja’, etc.). Pelo AO a palavra ‘decepcionámos’ (e outras similares) passaria a escrever-se correctamente em todos os países lusófonos de quatro maneiras diferentes (‘decepcionámos’, ‘dececionámos’, ‘decepcionamos’, ‘dececionamos’). O termo ‘Electrotecnia e Electrónica’ (designação de curso, disciplina e área do saber) poderia ser escrito de 32 maneiras diferentes, sem que o AO ofereça qualquer critério normativo. Sendo um tratado entre oito estados soberanos que reivindicam uma matriz cultural partilhada, o AO deveria ter concitado aceitação plena de (e em) todos os países signatários. Tal não aconteceu, o que, 21 anos após a sua assinatura, é prova dos problemas por ele criados.

 

  1. Da VI Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP de 2010 resultou a Resolução sobre o Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa, com a seguinte recomendação (III.5): «Nos pontos em que o Acordo admite grafias facultativas, é recomendável que a opção por uma delas, a ser feita pelos órgãos nacionais competentes, siga a tradição ortográfica vigente em cada Estado Membro, a qual deve ser reconhecida e considerada válida em todos os sistemas educativos.» Esta recomendação destitui, por si só, o AO de qualquer fundamento: como se pode defender simultaneamente um acordo que pretende unificar as tradições ortográficas vigentes nos Estados signatários através de facultatividades gráficas, e, ao mesmo tempo, propor-se que o problema das grafias facultativas se resolva pelo reconhecimento oficial de tradições ortográficas divergentes, logo, não unificadas?

 

  1. Ninguém conhece as consequências reais do AO na sociedade portuguesa, pois nenhum estudo de avaliação de impacto foi feito e ninguém sabe estimar os custos da sua aplicação — que não serão só de ordem financeira — pois não há estudos de avaliação custo/benefício. Se os grandes projectos de Estado exigem a realização de estudos preparatórios — recorde-se que o aeroporto da Ota foi, após 30 anos de indecisão, abandonado por causa de um estudo técnico —, como se pode exigir menos relativamente à língua portuguesa escrita? A Lei de Bases de Protecção do Património Cultural inclui no conceito e âmbito do património cultural a língua portuguesa, nestes termos: «enquanto fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português.» (art.º 2.º, n.º 2). É menos importante a estabilidade de um ‘fundamento da soberania nacional’ do que um aeroporto?

 

  1. Que o Estado português se proponha adoptar o AO sem um vocabulário normativo que não seja o vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa estipulado pelo art.º 2.º do AO (violando assim um tratado que assinou e ratificou) revela apenas a ligeireza com que esta matéria tem sido tratada e a incontrolada flexibilidade da aplicação prática do AO. Afinal, nenhum tratado internacional pode ficar sujeito a interpretações locais ou aplicações de carácter regional ou nacional.

 

  1. O domínio da ortografia, sabe-se hoje, faz parte intrínseca da competência linguística dos falantes; não é simples “roupagem gráfica” da língua. E, como é reconhecido não só por académicos, mas por instituições internacionais como, p. ex., a OCDE no relatório PISA 2003, a literacia — pedra angular da aquisição de todos os saberes formais e de todo e qualquer processo de aprendizagem escolar — pressupõe (em termos linguísticos estritos) o domínio de uma ortografia codificada estável, para além de um vasto conhecimento vocabular, gramatical e fonético.

 

  1. O AO não serve o fim a que se destina — a unificação ortográfica da língua portuguesa — e assenta no pressuposto falacioso de que a unificação ortográfica supriria as diferenças já antigas entre português europeu e português do Brasil, de ordem fonológica, lexical e sintáctica. Mesmo que a unificação a 100% fosse possível (e o AO reconhece que não é), escrever de igual forma dos dois lados do Atlântico não assegura a compreensão mútua daquilo que é (cada vez mais) diferente e divergente.

 

  1. Por atentar contra a estabilidade ortográfica em Portugal e integridade da língua portuguesa, o AO atenta contra o progresso e desenvolvimento do povo português em época particularmente difícil da sua História.

 

  1. O AO é um erro monstruoso que VV. EE. têm o poder de corrigir, suspendendo a sua aplicação.

 

João Roque Dias, Tradutor Certificado pela Associação Americana de Tradutores *

 

António Emiliano, Professor de Linguística da UNL, autor de Fonética do Português Europeu e de Apologia do Desacordo Ortográfico *

 

Francisco Miguel Valada, Intérprete de Conferência junto das Instituições da UE, autor de Demanda, Deriva, Desastre – Os Três Dês do Acordo Ortográfico *

 

Maria do Carmo Vieira, Professora de Português e Francês do Ensino Secundário, autora de Ensino do Português

 

* Administradores do grupo ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO! no Facebook

 

***

Para além deste texto, encontrei um outro, também muito revelador: o e-mail do Dr. Pedro Passos Coelho acerca do Acordo Ortográfico, datado do mesmo ano:

 

Bulletin from the cause: Pela Língua Portuguesa contra o "Acordo"!

Posted By: Victor Santos Carvalho

To: Members in Pela Língua Portuguesa contra o "Acordo"!

E-mail de Pedro Passos Coelho acerca do Acordo Ortográfico

 

Acedi ontem ao site de campanha de Pedro Passos Coelho, e porque aprecio este candidato pela sua juventude e inteligência, enviei-lhe um mail para saber qual a sua opinião acerca da questão do acordo ortográfico. Mostrou a sua simpatia e atenção ao responder hoje mesmo. Fiquei contente por saber que ele partilha da visão de que o acordo é errado. Se eu fosse militante do PSD com certeza votaria nele. Um dia que se candidate a primeiro-ministro terá o meu voto. Fica a transcrição.

 

Caro Ruben Azevedo

 

Já tenho afirmado, em resposta a essa questão colocada por jornalistas, que o acordo que Portugal assinou há vários anos atrás (porque tal acordo já foi assinado) não representa nenhum benefício para a língua e cultura portuguesa, pelo que não traria qualquer prejuízo que não entrasse em vigor. De resto, não vejo qualquer problema em que o português escrito possa ter grafias um pouco diferentes conforme seja de origem portuguesa ou brasileira. Antes pelo contrário, ajuda a mostrar a diversidade das expressões e acentua os factores de diferenciação que nos distinguem realmente e que reforçam a nossa identidade. Aliás, considero míope a visão de que o mercado brasileiro de cultura passará a estar aberto aos autores portugueses em razão da homogeneidade da grafia, pois que o interesse desse mercado pela nossa produção só pode depender do real interesse pelas nossas especificidades e aí a suposta barreira do grafismo não chega a ser uma barreira, pode ser um factor de distinção que acentua o interesse pela diferença.

 

Com os melhores cumprimentos

 

Pedro Passos Coelho

Reprodução integral de “post” publicado no blog “Cenáculo de um (pseudo) filósofo”, em 20 de Maio de 2008, da autoria de Ruben D.

 

***

Bem, pelo que aqui vimos, dirigir cartas abertas aos governantes e presidente da República expondo o óbvio tem sido o mesmo que “falar para bonecos”.

 

A atitude do governo português e da presidência da República não é normal, não é democrática, não é racional.

 

Então o que será?

 

ERRAR.png

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:25

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