Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021

Que as nossas crianças e jovens aprendam Inglês, Castelhano, Francês, porque, ao menos, saberão grafar correctamente essas Línguas

 

Uma troca de ideias, com o Professor A. Vieira, que torno pública, para que elas circulem, pois pode ser que alguém mais atento ou interessado nesta questão do AO90 (há milhares a dizerem-se contra, mas é talvez uma escassa dezena de pessoas que estão na linha da frente a lançar torpedos – bem fundamentados, é preciso sublinhar isto -  para manter a luta activa, até aparecer alguém que reúna todas as condições para ser candidato a Herói da Exterminação do AO90.

 

IMPOSSÍVEL.jpg

Nós, desacordistas, não temos nada a ver com esta invenção, porque nós não desistimos e, para nós, a palavra IMPOSSÍVEL não existe.

 

Dr.ª Isabel, como está? vou alinhavar em traços gerais aquilo que eu penso ser o "estado da arte" actual da nossa luta; assim, e em poucas linhas:

 

- Enquanto o "lobby" das Editoras de manuais escolares (e dicionários) continuar a "mamar" do M. E. é para esquecer qualquer possibilidade de operar um volte-face na nossa luta. Facto é que hoje em dia os jovens já quase não lêem livros (só quando são a isso obrigados), as mensagens que trocam (redes sociais, telemóveis, etc.) só as sabem fazer com abreviaturas (é mais rápido...e cómodo..!) são os tb. (também) pk (porque), etc., por vezes "trazem" para a nossa Língua termos tirados do Inglês, pela via informática (quantas vezes  eu lia "contracto"!!), e só dão prova que o nosso índice de literacia é cada vez mais baixo!! os argumentos que imputavam à "Outra Senhora" as causas do nosso atraso, o obscurantismo (!!)  a falta de sentido crítico "imposto" não passam de balelas, nada mais.

 

- Quando a Dr.ª Isabel critica a Classe dos Professores por nada fazerem para acabar com o AO 90, está a ser demasiado dura; não é que eu não deva ser solidário para com a minha antiga Classe Profissional, mas sei muito bem (e por um imperativo de consciência) que tanto a segurança do posto de trabalho como a garantia do salário no final do mês é que contam; para além disso, nenhum profissional do Ensino pode fazer o que quer que seja individualmente. E aqui, torno a trazer à baila aquilo que li há tempos atrás, quando a Associação de Professores de Português assumiu a posição de repensar o AO90 - e até torno a trazer à colação a célebre frase: dar um passo atrás para de seguida caminhar dois em frente (seria uma citação da célebre frase do Lenine?) “. Disto tenho eu a CERTEZA: só que depois ficou-se com a impressão de que "foi passada uma esponja" rápida sobre o assunto e nunca se ouviu falar mais no assunto. O que é que TERÁ ACONTECIDO?

 

Assim é de perguntar: quem "mexeu" os cordelinhos e barrou o caminho? quem é que por detrás da cortina "puxou o tapete”? A Dr. ª Isabel tem algum dado sobre este assunto? eu não tenho! é que lá estranho, muito estranho, isso foi! Houve forças "muito estranhas", garantidamente "tocadas" por interesses (todos imaginamos quais é que serão!) que não perderam tempo e mexeram-se logo.

 

- Torno a "martelar" na mesma tecla de sempre (e as vezes necessárias): só com um grande interesse ECONÓMICO ou um grande interesse a nível de PROTAGONISMO INDIVIDUAL" é que algum volte-face poderá ocorrer. pela via do primeiro, nada há a fazer, já concluímos (e as empresas não ligam "peva" ao assunto, têm outras prioridades); quanto ao segundo, só estou a ver qualquer intervenção NA ESFERA POLÍTICA. E já houve precedentes! duas: a proposta do candidato às presidenciais de 2017 Sampaio da Nóvoa (por puro eleitoralismo ??) e a iniciativa legislativa do PCP de Fev. de 2018 (por puro protagonismo?). Assim sendo, só vejo que em próximos actos eleitorais o assunto possa ser relançado. Mas só com um esforço colectivo, sendo que para isso, a criação de uma base de dados de indefectíveis anti-AO 90 é crucial, e por exemplo nas próximas eleições autárquicas, se houver um número substancial de candidatos aderentes a esta causa, a coisa poderá ser viável. Mas sempre com aderentes-entusiastas da ordem dos milhares, nunca menos. Para tanto, a criação da referida base de dados através do Facebook) é o passo a tomar. basta ser um tomar a iniciativa e em moldes convincentes. Como os Portugueses funcionam sempre em espírito de "Maria vai com as outras" é a única via possível.

 

Tirando isto eu não estou a ver o que mais se possa fazer DE CONCRETO. Contudo, faz todo o sentido que as duas iniciativas, o "Acordo Zero" e os autocolantes sigam em frente. Despeço-me, aguardando os desenvolvimentos respectivos.

 

Um abraço do

A. Vieira

 

***

 

Boa tarde, Professor A. Vieira,

Respondendo à sua mensagem:

 

- Concordo consigo, quanto ao lobby das Editoras mercenárias. Deviam ir todas à falência. Para tal, as Associações de PAIS deviam reclamar junto às escolas da mediocridade dos manuais, no conteúdo e na forma. Uma vergonha. E queimá-los todos à porta da escola. Se eu tivesse um filho a estudar, não permitiria que usasse tais manuais.

 

- Os jovens já não lêem livros porque o que lhes dão para ler é de uma pobreza e mediocridade gritante. A literatura infantil e juvenil está abaixo de zero, acrescentando-lhe a mixórdia ortográfica para a piorar. Mas a intenção dos governantes e dos que, hoje em dia, se dedica a traduzir e a escrever para crianças será a de formar os analfabetos funcionais do futuro.

 

- Que as nossas crianças e jovens aprendam Inglês, Castelhano, Francês, porque, ao menos, saberão grafar correctamente essas Línguas.

 

- A sociedade portuguesa está transformada num bando de tansos e mansos (a expressão não é minha) que não contribuem em nada para a evolução cultural do País.

 

- Critico e continuarei a criticar a classe docente, sabe porquê? Porque se se revoltassem, em BLOCO, contra a situação, até porque NÃO SÃO obrigados a aplicar o AO90, não haveria como instaurar processos disciplinares ou despedir tantos professores, porque seria irracional deixar milhares de crianças sem escola. O posto de trabalho NÃO estaria em causa, nem sequer o salário. E é óbvio que nenhum profissional, seja de que profissão for, não pode fazer uma revolução INDIVIDUALMENTE. Existem Associações de Professores que poderiam, SE QUISESSEM, fazer essa revolução, necessária e urgente, para acabar, de uma vez por todas, com esta fraude ortográfica, que impuseram aos inocentes alunos e aos que, muito servilmente, se apressaram a usar, sem o mínimo sentido crítico. Quando estamos diante de um absurdo deste calibre, a primeira pergunta a fazer é a seguinte: sou obrigado a fazer figura de parvo? E a resposta é: obviamente, NÃO! Mas como cada um sabe de si, optam por fazer o que mais condiz com a personalidade deles.

 

- Quanto ao que diz sobre a ANPROPORT - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PROFESSORES DE PORTUGUÊS, é bem provável que “alguém” mexesse cordelinhos para que tivessem desistido de dar um passo em frente. Mas ainda assim, deveriam ter dado esse passo, até porque não acredito que estivessem a ser dissuadidos sob a ameaça de uma metralhadora. E quando assim é, vai-se para a frente, porque ninguém poderá barrar uma multidão que tem como arma a RAZÃO. Até porque o mundo nunca avançou com gente que se esconde debaixo da mesa, quando alguém os intimida, fazendo de bicho-papão. Há que enfrentar os bichos-papões, e apontar certeiro para o calcanhar de Aquiles de cada um, porque todo os bichos-papões têm um calcanhar de Aquiles. É só QUERER. 

 

- Quanto ao que diz sobre o aparecimento de um outro grande interesse ECONÓMICO, é preciso ir mais além das palavras: é preciso uma ideia concreta sobre isso.

 

- Quanto a um grande interesse a nível de PROTAGONISMO INDIVIDUAL é pouco provável, devido à actual inexistência de BRIO. Tudo é feito sem profissionalismo, sem o mínimo interesse pelo requinte, sem o mínimo gosto em apresentar uma ideia inteligente, sem a mínima vontade de serem competentes no que fazem. O que interessa é o PODER, ainda que exercido mediocremente. Vivemos numa época em que predomina uma mediocridade extravagante, ociosa, apalermada. Já não há vergonha na cara, porque a cara transformou-se em careta. Não há palavra de honra, porque não há honra. Não há dignidade porque foi substituída pela falta de respeito por eles mesmos. Sampaio da Nóvoa, por interesses óbvios, transformou-se num defensor do AO90. O PCP não tem quórum para poder eliminar mostrengo.

 

- Posto isto, há várias vias para acabar com o AO90, tendo algumas de passar pelo QUERER dos que se dizem anti-AO90, mas, também dizem, que são obrigados! São obrigados a quê? A serem servis e submissos?

 

Uma outra via, e talvez a mais provável, é a de a Solução Final vir de fora para dentro, quando o AO90 estiver ainda mais podre do que já está, e os intervenientes estiverem falidos e os políticos, envolvidos nisto, totalmente na mó de baixo.

 

Entretanto, iremos continuar a lutar e a pôr em prática várias ideias.

Espero que nestas próximas eleições autárquicas, os anti-AO90 façam muita mossa àqueles que não pugnam pelos interesses de Portugal e dos Portugueses, no que à Cultura Linguística diz respeito.

 

E, meu caro Professor, para que esta nossa troca de palavras não seja completamente inútil (como foram todas as outras) vou dar-lhe publicidade, porque só assim as ideias circulam, e pode ser que alguém mais atento ou interessado nesta questão do AO90 (há milhares a dizer-se contra, mas são talvez uma escassa dezena de pessoas que estão na linha da frente a lançar torpedosbem fundamentados, é preciso dizer isto -  para manter a luta activa, até aparecer alguém que reúna todas as condições para ser candidato a Herói da Exterminação do AO90.

 

Com as minhas saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:19

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Quinta-feira, 1 de Abril de 2021

Ao cuidado da classe docente portuguesa: qual o DECRETO que obriga os professores a ensinarem os seus alunos a escrever “incurrêtâmente” a Língua Materna deles?

 

Muitas e variadas vezes deparo-me com professores a dizerem que são OBRIGADOS a adoptar o AO90, porque não têm outro remédio, não têm outra opção, senão OBEDECER, etc., etc., etc..

 

Obedecer a quê?

 

São obrigados como? Quem os obriga? Baseados em qual Lei? Sim, porque só somos obrigados a alguma coisa através de um Decreto-lei. Ainda assim, se essa lei for contrária às nossas convicções éticas, humanísticas, filosóficas, religiosas, temos o Direito à Objecção de Consciência, consignado no n.º 6 do artigo 41 da Constituição da República Portuguesa (CRP), que permite a um cidadão NÃO cumprir determinadas “obrigações”; e, pelo mesmo motivo, temos ainda o Direito à Resistência, consignado no Artigo 21, da mesma CRP. Mas isto aplica-se quando EXISTE uma Lei que obriga a determinada obrigação legal

 

O que não é o caso do AO90. Quando NÃO existe lei, estes direitos são ainda mais direitos.

 

Nesta questão do AO90, NÃO EXISTE lei alguma que obrigue os professores a ensinarem os alunos a escrever incorretamente (lê-se obrigatoriamente “incurrêtâmente”) a Língua Portuguesa, a que, de facto e de direito, identifica a Nação Portuguesa, a nação-berço dos alunos portugueses, e a qual vem consignada na Constituição da República Portuguesa, que o Presidente da República tem o DEVER de defender, e é o primeiro a descartá-la.

 

Comecemos por ler atentamente o que nos dizem sábios JURISTAS:

 

Carlos Fernandes.png

Sebastião Póvoas.png

Paulo Saragoça da Matta.png

 

Portanto, o AO90 além de ser INCONSTITUCIONAL, é ILEGAL e NÃO ESTÁ em vigor, nem em Portugal, nem em parte alguma.

 

O problema é que os professores NÃO estão para se incomodar, e muitos são chantageados com a ameaça de penalizações, que os fazem recuar na afoiteza.  Contudo, se os professores se unissem e se recusassem obedecer a uma “ordem” ( = Resolução do Conselho de Ministros) que não faz lei, e não existindo lei, algum governo teria o atrevimento de penalizar, em bloco, os professores que se dispusessem a lutar pela NOBRE missão de ENSINAR?  

 

E ainda que fossem penalizados! Como se pode viver com a consciência do dever cumprido, depois de andar por aí a “ensinar” os estudantes portugueses, que têm o DIREITO a um ENSINO DE QUALIDADE, consignado na CRP, a escrever incurrêtâmente a Língua Materna deles, obrigando-os a usar uma mixórdia ortográfica, imprópria para consumo de seres instruídos?

 

Contudo, ainda que existisse uma lei que obrigasse a aplicar o AO90, (garantidamente INJUSTA), por substituir a ortografia portuguesa, por uma vergonhosa mixórdia ortográfica, apenas para fazer o jeito a políticos incompetentes, irresponsáveis, servilistas e eivados de prepotência, e a editores mercenários, não teriam os professores o direito de RESISTIR, por não ser da Ética Profissional andar por aí a enganar os alunos, chamando Português ao MIXORDÊS, oriundo do AO90, que os obrigam a escrever?

 

Não me agrada nada dizer isto, mas isto, além de ser voz corrente, é também a minha voz: o que falta aos professores é BRIO PROFISSIONAL, e vontade de se inteirarem dos seus direitos, porque NÃO SÃO OBRIGADOS a ser cúmplices da injustiça cometida contra crianças e jovens portugueses.

 

Mandela.png

 

Se queremos ser justos, acima de tudo, não teremos de ser LIVRES? 

 

Henry david Thoreau.png

 

Para sermos livres, não teremos de ser CORRECTOS?

 

Gandhi.png

 

Se queremos viver de acordo com a nossa consciência livre, justa e correcta, e exercer, plenamente, o nosso direito de cidadania, não teremos o DEVER de desobedecer a uma ordem prepotente, digna apenas de ditadores, e que está a lesar gravemente o Ensino em Portugal, e a gerar os analfabetos funcionais do futuro?

 

Poderão os professores viver com o peso desta responsabilidade às costas?

 

Luther King.png

 

Para consulta (obrigatória) deixo aqui este link, onde Portugueses cultos dizem de sua justiça, acerca do monumental erro que foi a criação do AO90, mas mais do que a criação, foi a aplicação ilegal, inconstitucional e unilateral do AO90, porquanto apenas Portugal, servilmente, cedeu à monumental ignorância acordista.

 

Neste link, existem mais dois links, que conduzem ao que Brasileiros cultos e Africanos cultos, de expressão portuguesa, pensam acerca do AO90.

 

O que os portugueses cultos pensam sobre o Acordo Ortográfico de 1990

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:06

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Sábado, 23 de Janeiro de 2021

Professores e governantes andam muito preocupados com a interrupção das aulas, por poder prejudicar a aprendizagem dos alunos, mas não vejo nenhum deles preocupado com o maior dano de todos os danos: o AO90

 

Vêm todos para as televisões muito preocupados com a pausa de quinze dias (que podem ser mais, devido ao agravamento da pandemia), porque aqui d’el rei que está provado que se se interromperem as aulas perde-se o fio à meada da aprendizagem, como se não fosse possível recuar, para recomeçar. E tratando-se de crianças, elas têm uma capacidade extraordinária para aprenderem e desaprenderem e tornarem a aprender, e se for preciso desaprenderem novamente, para logo aprenderem outra vez, sem o mínimo prejuízo.

 

Mas isto, para os decisores, é um bicho de sete cabeças.

 

Contudo, a grande questão, o grande prejuízo, o grave problema, como refere o escritor Fernando Dacosta, para todos os alunos de todos os níveis de ensinos, é a aplicação da mixórdia ortográfica, que lhes andam a impingir nas escolas, abrangendo todas as disciplinas, todos os alunos, todos os professores.

 

Fernando Dacosta.png

 

A Língua Portuguesa bem estruturada e gramaticalmente bem construída é o PILAR de toda a aprendizagem. É absolutamente fundamental, porque o desenvolvimento da inteligência acompanha a evolução da linguagem.

 

Comunicação, informação, memória cultural, transmissão, inovação e ruptura: eis o que a linguagem permite à inteligência. Clarificação, organização, ordenamento, análise, interpretação, compreensão, síntese, articulação: eis o que a inteligência oferece à linguagem.

 

Isto está estudado. E quem tiver curiosidade de aprofundar o assunto vá à Internet e procure os muitos estudos já realizados, que o comprovam.

 

«Fechar as escolas era liquidar o ano lectivo» disse Marcelo Rebelo de Sousa, antes de se fecharem as escolas. Contudo, o ano lectivo, à partida, já está liquidado, pelo vergonhoso ensino da mixórdia ortográfica portuguesa (novo nome da disciplina de Português), que anda a gerar os analfabetos funcionais do futuro.

 

O ensino está um verdadeiro caos. Só os cegos mentais não vêem isto.

 

Neste País de faz-de-conta fechem-se as escolas e faça-se de conta que houve um chumbo colectivo. Afinal, a aprendizagem já está perdida, há muito.

 

Aproveite-se o fecho das escolas para:

 

- Qualificar o desqualificado ENSINO.

- Dar melhor formação aos professores, nomeadamente aos de Português, para que saibam ler, escrever, usar e falar correCtamente (nada de usar o verbo TAR) a Língua Portuguesa. O nosso País chama-se PORTUGAL.

- Atirem-se ao lixo os manuais escolares amixordizados, e editem-se manuais escorreitamente escritos, em Bom Português.

- Reponha-se a ortografia portuguesa de 1945.

- Revejam-se as matérias curriculares.

- Tornem o ensino mais criativo. Mais aliciante.

- Ensinem os alunos a PENSAR. Não, a simplesmente obedecer.

 

Depois, abram as portas das escolas, e deixem entrar a LUZ do SABER.

 

Só então teremos escolas a cumprir a sua função:  formar os alunos para o exercício de uma cidadania responsável, em que conte, acima de tudo, o amor pela Cultura e Língua Portuguesas.



Ouvi António Costa dizer que se fechassem as escolas teríamos maus políticos no futuro (mais ou menos isto). Não é verdade. Tanto quanto sabemos, as escolas, que os actuais políticos frequentaram, nunca fecharam, e os políticos são o que são: péssimos!


Ouvi também António Costa dizer, a propósito das restrições da pandemia, que não teria vergonha de recuar (mais ou menos isto).

 

Pois então? Também não tenha vergonha de recuar no que ao Acordo Ortográfico de 1990 diz respeito, porque é o maior erro de todos os erros que os políticos já cometeram.

 

Até porque recuar, para melhorar, é da INTELIGÊNCIA.

Manter o erro é da estupidez! E não sou apenas eu a dizê-lo.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:39

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Segunda-feira, 16 de Março de 2020

Num tempo em que um ser microscópico manda nos homens, mais do que os homens mandam no mundo, há que continuar a manter a chama contra o AO90…

 

…  porque o mundo continua a girar, e a Língua Portuguesa a ser esmagada, cada vez mais, e porque está montado um esquema de bloqueio a qualquer tentativa de erradicar o AO90 da face da Terra, questão à qual regressarei brevemente.

 

É certo que o momento que atravessamos desvia a nossa atenção da implantação ilegal do AO90 em Portugal (que ceifa a nossa Língua Portuguesa, pela vontade de uns tantos políticos atacados pela doença dos três is: Insciência, Irresponsabilidade e Incompetência) para a situação gravíssima que vivemos, devido à implantação natural de um novo coronavírus (que ceifa vidas, pela vontade da Mãe Natureza, quando esta pretende enviar aos homens mensagens claras, se bem que nunca entendidas pelos que se julgam os donos do mundo).

 

Contudo, devido à existência de uma ILCAO (Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico), que tarda a ser discutida no Parlamento, e aos rumores que por aí correm, assentes na premissa da irreversibilidade do AO90, sustentada por seres não-pensantes, é necessário reflectir sobre isto, agora que estamos num tempo de profundas reflexões.

 

É essa reflexão que proponho, ficando subjacente também a reflexão sobre a impotência dos homens diante da potência cósmica.

 

CAOS.jpg

Pensemos:

 

Se foi possível destruir o que levou séculos a ser construído racionalmente, mais possível ainda é reconstruir o que foi destruído irracionalmente, em 10 anos.

 

O argumento da irreversibilidade do AO90 que, ardilosamente, andam por aí a espalhar com o fito de se pensar que, lá pelo facto de já estar instalado, não é mais possível voltar atrás, é coisa para mentes mirradas e imbecis, porque o caos sempre pôde ser ordenado, e a Fénix pode ressurgir das cinzas a qualquer momento.

 

Phénix.png

Origem das imagens: Internet

 

Quando olhamos para a destruição de Berlim, por exemplo, depois da II Guerra Mundial, parecia impossível reconstruir a cidade a partir daquele caos, daquele monte de destroços, daquelas cinzas... No entanto, quando à vontade dos HOMENS (reparem que não me referi a hominhos) se acrescenta a inteligência, a responsabilidade e a competência encontra-se a fórmula perfeita e poderosa para fazer do impossível, o possível.

 

Apenas ressuscitar os mortos não é possível.

 

Como a Língua Portuguesa não está morta, está viva e bem viva, e cada vez mais viva, nas novas edições que vão surgindo, ver aqui:

https://www.facebook.com/portuguesdefacto/

exterminar o AO90 é possível, e cada vez mais imprescindível.

  

Uma Língua, ainda que adormecida ou mutilada, é sempre possível recuperar.

 

Dizem que o Latim é uma língua morta. Nada mais errado. O Latim é uma língua adormecida. Pode ser acordada a qualquer momento e ser activada nas escolas, o que seria bem necessário, para se compreender por que não se deve SUPRIMIR as consoantes ditas mudas, por exemplo. É por isso que os que estudaram Latim têm uma perspectiva diferente dos que não estudaram Latim, e não vomitam que a Língua Portuguesa é a língua do colonizador, ou a do Estado Novo, daí que seja necessário destruí-la e substituí-la pela língua do colonizado.

 

Portanto, abortar a questão do AO90, não só é possível, como desejado por milhares de falantes e escreventes de Língua Portuguesa, nos oito países, ditos lusófonos. O estrago que já se fez à Língua não é irrecuperável. Portugal ainda vai muito a tempo de desfazer o malfeito e malfadado (des)acordo.

 

Aqui há tempos espalhou-se, por aí, a notícia de que os candidatos à Educação nos Cursos Superiores são os que têm pior desempenho a Português. Pudera!!!! Nada que não fosse expectável.

 

Esta notícia devia ter sido considerada por aquele grupo (fantasma?)  criado para avaliar o impacto do AO90 (?) para que daí pudesse tirar conclusões objectivas, ou seja, que a aplicação (ilegal) do AO90 é de tal modo caótica que, hoje em dia, desde os governantes ao mais alto nível, incluindo o Chefe de Estado português, e os professores e os acordistas seguidistas, não sabem escrever correCtamente a sua Língua Materna, a Língua Portuguesa. Aliás, o que se escreve por aí nem sequer é o tal acordês. A linguagem (escrita e falada), que anda por aí disseminada tal qual um vírus, é um mixordês de fazer corar as pedras da calçada portuguesa.

 

E a tendência para piorar é cada vez mais crescente. Basta-nos estar atentos às legendas, nas televisões e às falas. Como se escreve e fala mal, em Portugal! Que país deixa chegar a este ponto um Património Cultural Imaterial tão precioso?

 

E não se pense que o que está instalado por aí é o sucesso do AO90, como os acordistas pretendem. Não! O que está instalado por aí é o seu bestial insucesso.

 

De modo que, repito, se foi possível destruir o que levou séculos a ser construído racionalmente, mais possível ainda é reconstruir o que foi destruído irracionalmente, em 10 anos, e fazer a Língua Portuguesa ressurgir dos destroços a que o AO90 a reduziu.


E isto em nome de um ensino de qualidade, a começar pela Língua Materna, consignado na Constituição da República Portuguesa (CRP), e a que TODOS os Portugueses têm direito. E isto está a falhar desastrosamente, vergonhosamente, bem nas barbas do Chefe do Estado Português, que nada faz para acabar com este insulto à CRP.

 

O que, neste momento, o Estado Português está a permitir, nas escolas portuguesas, é um ensino caótico, baseado numa aprendizagem incorreta (lê-se incurrêtâ, e quem não lê assim, é um zero a Gramática Portuguesa) da Língua Materna, que engloba todas as outras disciplinas, lançando o caos e fomentando a ignorância.

 

E será que não existe em Portugal nem um governantezinho que seja, que se aperceba deste caos que está a transformar o nosso país no paraíso dos analfabetos funcionais? Dos que vão para a escola desaprender a escrever?



Pensem nisto, senhores governantes e senhores professores, porque isto é uma vergonha. Porque isto é um vírus que não mata as pessoas que são atacadas por ele, mas mata a Língua Portuguesa, através dessas pessoas infeCtadas. Mata a nossa Língua Materna, um património inviolável.  É que uma Língua não se destrói, constrói-se. Uma Língua não retrocede, evolui. E evoluir é acrescentar, não é suprimir.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:28

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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020

Rui Rio no fecho do 38º Congresso do PSD em Viana do Castelo: «É preciso aumentar os níveis de exigência na Educação»

 

Concordadíssimo, Dr. Rui Rio. A Educação e o Ensino em Portugal andam de rastos. Mais rasteiros não podiam andar. É urgente elevar o nível, ou condenaremos a próxima geração à condição de analfabetos funcionais. Até porque já existe uma geração intermédia, entre a minha e a actual, que é completamente analfabeta funcional. Uma autêntica desgraça! E nós não temos o direito de condenar a próxima geração, ao mesmo destino obscuro, apenas porque políticos desabilitados assim o querem.

 

RUI RIO.png

 

Contudo, se de facto o Dr. Rui Rio pretende que os níveis de exigência na Educação aumentem, tem, com a autoridade que lhe é outorgada, de exigir a extinção do Acordo Ortográfico de 1990, que introduziu em Portugal a grafia brasileira (algo que só diz respeito ao Brasil), aplicada ilegalmente nas Escolas e instituições do Estado, ilegalidade essa que se apressaram a estender ao País, e pugne por mandar repor, já no próximo ano lectivo, a Língua Portuguesa na sua matriz indo-europeia, uma vez que é inconcebível e desprovido de todo o bom senso e senso comum, que um mero despacho ministerial, sem valor de Lei, desrespeite o nosso Património Imaterial – a Língua Portuguesa - e obrigue as nossas crianças, em idade escolar, a grafar a Língua Materna delas à moda brasileira, e isto baseado na proposta de uns poucos desalumiados, entre os quais se encontram o linguista, destruidor-mor da nossa Língua, Dr. Malaca Casteleiro (falecido ontem - paz à sua alma) e governantes e ex-governantes e políticos sem o mínimo conhecimento e sem a mínima habilitação, para condenarem à morte a Língua Portuguesa, que nos identifica como Nação, livre e independente.

 

Porque não há Educação sem uma Linguagem Escrita (mas também oral) escorreita.

Até  porque uma Educação de qualidade é incompatível com o AO90.

 

Porque é a Linguagem Escrita que fixa o Pensamento, as Memórias, a Criação Literária, os Factos que fazem a História e o Saber de um Povo, e se o que se escreve fica registado "incorrêtamente", isto significa apenas que o Povo que, desse modo danoso, fixou o seu Pensamento, as suas Memórias, a sua Criação Literária, os Factos que fizeram a sua História e o seu Saber, não passa de um povo apedeuta e decadente.

 

E nós, que somos seres pensantes e portugueses, não podemos permitir que o Povo Português caminhe para o Futuro como um povo apedeuta e decadente.

 

Por isso, continuamos a lutar pela Língua Portuguesa, pertencente à grande Família Linguística Indo-Europeia.  Nada temos a ver com a América do Sul.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:55

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Domingo, 30 de Junho de 2019

Portugal – único país no mundo que dá aos seus “súbditos” a liberdade de escrever de acordo com a ignorância de cada um

 

Pois esperemos que as coisas se componham no sentido de mandar às malvas este desacordo ortográfico (AO90) que só serve para facilitar a vida dos pouco dotados para a aprendizagem de Línguas. Há gente dessa por aí, mais do que se imagina. Mas os que sabem pensar a Língua, são muitos mais.

 

analfabetismo.jpg

 

E isto vem a propósito de um texto publicado no Jornal Observador, sob o título «O desacordo. Ortograficamente falando» da autoria de André Duarte.

 


Na primeira frase o autor diz logo dessa grande dificuldade, que teve de ser colmatada com a liberdade de se escrever de acordo com a ignorância de cada um.

 

«Linguisticamente muita coisa mudou em Portugal e a principal é que cada um escreve hoje como quer, coisa que antes não sucedia. O Acordo é bem vindo, pois trouxe um cheirinho acrescentado a liberdade em que cada um respeita mais ou menos o que quer na medida aproximada do que pretende.»



Pois agora cada um é livre para não só dizer, como escrever incorreCtamente as asneiradas que quiser.

 

Este é o resultado caótico da aplicação do AO90 em Portugal, o único país do mundo que dá a liberdade aos seus “súbditos” de escrever de acordo com a ignorância de cada um. E desde os meios de comunicação social, subservientemente acordizados, aos funcionários públicos, deputados da Nação, políticos, governantes  e professores, o exercício da escrita é à vontade do “freguês”.

 

Nunca se escreveu tão mal, em Portugal, como hoje.

 

Actualmente somos o país com o índice de analfabetismo mais elevado da Europa, e brevemente seremos o país com o índice de ANALFABETOS FUNCIONAIS mais elevado do mundo, porque quando se é privado de se pensar a Língua, fica-se impossibilitado de entender os textos, ainda que sejam simples e estejam escritos de acordo com a tal ignorância de cada um.

 

Também seremos (se já não somos) o único País do mundo que não terá uma Língua que o identifique como país livre e soberano.


E Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, respectivamente presidente e primeiro-ministro da República Luso-Brasileira, são, actualmente, os maiores culpados deste analfabetismo instalado no País, e da perda da nossa identidade linguística, a juntar a Aníbal Cavaco Silva, José Sócrates e Santana Lopes.



Todos estes impatriotas pagarão bem caro esta postura desleixada, porque o Futuro e a História encarregar-se-ão de os atirar para o caixote do lixo, como eles estão a atirar para o caixote do lixo a Língua Portuguesa.

 

E isto é tão certo como eu estar aqui a escrever isto.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:14

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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Desde que o frango esteja “açado” e o peixe “cosido”, actualmente cada um escreve como quer, em Portugal

 

A propósito da minha resposta ao “professorJoão Abreu, que trata por “penduricalhos” as consoantes mudas, dos vocábulos portugueses, e a qual pode ser consultada neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/quando-eliminar-os-penduricalhos-das-191425?tc=11471967448

recebi este outro comentário, via e-mail, (que transcrevo mais abaixo com a devida autorização) do J. Santos que, sendo também professor, tem uma outra visão do que actualmente se passa nas escolas portuguesas.

Eu tenho conhecimento de que nem todos os professores seguem o AO90, e nem por isso são penalizados. Nem podiam ser legalmente. Noutras, a situação é como a descreve o J. Santos.

É da utilidade pública que se comece a DESMASCARAR estas situações.

O ensino está um caos. Escreve-se e fala-se, por aí, incorreCtamente, ao bel-prazer de cada escrevente e de cada falante.

O Ministério da Educação (aliás, como todos os outros ministérios) acha que Portugal é um paraíso de Saber e de Cultura, e até há uma ordem de passar de ano todos os alunos, saibam muito ou saibam pouco ou nada, para dar aquele aspecto (falso) de bom aproveitamento escolar.

Há que pôr fim a esta desordem. Há que pôr fim ao fabrico de analfabetos funcionais.

 

analfabetos do século XXI.jpg

 

Alvin Toffler é um escritor e futurista norte-americano, doutorado em Letras, Leis e Ciência, já falecido. Mas como futurista acertou em cheio, no alvo.

 

Em Portugal, acha-se que não pode recuar-se no AO90 porque coitadinhos dos acordistas (não dos alunos, porque esses aprendem, desaprendem e reaprendem - tal como aconteceu comigo na infância e juventude - porque andam na escola para serem alfabetizados) como é que depois de andarem quase 10 anos a escrever incorreCtamente, vão reaprender a escrever correCtamente? Não é mesmo? Coitadinhos!

 

Ser analfabeto foi (ainda é) o destino de muitos, a quem a Vida não deu (continua a não dar) oportunidade de frequentar a escola. Ser analfabeto funcional é uma opção, para os acordistas, e uma IMPOSIÇÃO para os alunos.

 

Mas atentemos no que nos diz o J. Santos:

 

«Como professor, que também sou, esse colega escreve que nas escolas se redigem "atas". Eu, quando as faço, escrevo Acta e não aceito alterações porque a assino. Só sei atar os cordões dos calções e das sapatilhas e actuo sempre que me sinto desconfortável, com o que me custa ler.

 

Os alunos não são penalizados, hoje em dia, pelos erros que dão a escrever. Deste modo, escrevem como entendem. Palavras homónimas, homófonas ou homógrafas é tudo igual, palavras acentuadas são para esquecer, termos verbais é o que são, etc.. Desde que o frango esteja "açado" e o peixe "cosido" é a mesma coisa! Ou, se as "tendencias" para escrever "para" quando usam o verbo parar ou referirem-se ao "pelo", para o que lhes nasce nos braços é tudo igual.

 

Não é verdade que muitos funcionários públicos escrevem mal porque o desejam. Fazem-no, por receio de represálias. Hoje, o ensino tornou-se numa competição para os alunos e para os professores. Não acatar as decisões das chefias implica ser penalizado na classificação e a não progressão na carreira

 

***

 

Pois também sabemos que este (des)acordo ortográfico foi imposto à base de muita chantagem. E se não se puser um travão a isto, caminha-se a passos largos para a criação, em Portugal, da maior comunidade de analfabetos funcionais do mundo (já o é da Europa).

Conferir aqui:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/portugal-tem-a-taxa-de-analfabetismo-96078

 

E se é isto que os actuais governantes querem para Portugal, o que devemos fazer com eles?

 

Isso mesmo: ir em massa votar, nas próximas eleições legislativas, e correr com eles do Parlamento!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:24

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Sexta-feira, 12 de Abril de 2019

E assim vai o inadmissível e arruinado ensino, em Portugal...

 

Ao cuidado de todos os que estão envolvidos no sistema do (des)ensino português, incluindo governantes, pais e encarregados de educação.

 

A imagem que aqui reproduzo (tive o cuidado de esconder o nome do Agrupamento, por motivos óbvios) chegou-me via-email, destinada a uma querida aluna, a meu cargo, nestas férias de Páscoa.

 

4º ano de escolaridade.

 

Fotocopiei a mensagem, e dei-a a ler à aluna. Só lhe pedi para ler alto o que a professora escreveu. E aguardei o resultado, esperando que a criança (de 10 anos) tivesse a mesma reacção que eu (porque as crianças não são as estúpidas que os governantes querem que sejam), quando me vi diante deste documento timbrado, do Governo de Portugal, Ministério da Educação e Ciência.

 

Scan.jpg

 

Marquei a vermelho os trechos com os quais a aluna esbarrou e me questionou, com os olhos esbugalhados (e não estou a inventar), e reproduzo fielmente as falas da menina (em sublinhado) que se seguiram.

 

Primeira linha: o trabalho de féria é importe. Hã? Não é assim, pois não?

Não, não é. Então como será?

Imediatamente a menina disse: o trabalho de férias é importante.

Muito bem.

Mas a professora não sabe escrever?

Saberá, mas está baralhada. Continua.

 

Segunda linha: agradeço que percam um pouco do vosso de tempo. O quê? Do vosso DE tempo? É do vosso tempo, não é?

Exactamente.

Mas o que é isto? A professora não sabe escrever?

Estaria distraída.

Sim, sim, ela é muito distraída. Às vezes ela escreve mal no quadro e temos de a corrigir.

Isso acontece. Vá, continua a ler.

 

E fomos parar à sexta sugestão onde se fala de treinar os algoritmos e (…) a subtração (que a aluna leu subtrâção, e muito bem).

 

E mais adiante os números fraccionários (frácionárius), inclusive a (…) subtracção (que a aluna leu subtráção, e muito bem)…

O quê? É subtracção ou subtração?

Não havia como enganar a criança. Jamais o faria.

Expliquei: subtracção (subtráção) é grafia portuguesa, é Português. Subtração (subtrâção) é grafia brasileira, é Brasileiro, como tu dizes.

Mas nós somos portugueses!

Pois somos.

Então porque querem que se escreva à brasileira? Isto só me baralha!

 

Como responder a esta pergunta? Com a verdade, evidentemente. Às perguntas das crianças sempre devemos responder com a verdade, para que elas possam desenvolver o espírito crítico que falta aos governantes, a muitos pais e encarregados de educação, e aos próprios professores, que se entregam a esta missão desonrosa de enganar as crianças.

 

E a verdade é que os governantes portugueses, desde Cavaco Silva a Marcelo Rebelo de Sousa, todos eles, primeiros-ministros, ministros e deputados da (ex) Nação Portuguesa (agora é brasileira) e professores e jornalistas servilistas e todos os outros marias-vão-com-as-outras, dotados de coluna vertebral cartilaginosa, trocaram a grafia portuguesa pela grafia brasileira, pelos motivos mais vis:  mania de grandeza e dinheiro.

 

A aluna bem sabe o que é a Língua Brasileira, porque tem uma colega brasileira na turma, que fala diferente e diz coisas diferentes das nossas. Não fala Português - disse-me, como quem sabe o que diz.

 

Não, não fala.

 

Esta “carta aos alunos” escrita atabalhoadamente (sem revisão) em mixordês (mistura de português com brasileiro) é inadmissível.

 

Não será a única.

 

Os maiores exemplos da mixórdia ortográfica vêm de cima, da presidência da República, do gabinete do primeiro-ministro, dos restantes ministros, de todos os grupos parlamentares. Dos próprios professores que, nas páginas do Facebook, escrevem as maiores barbaridades, incluindo palavrões.

 

Os manuais escolares são uma autêntica mina de disparates, desde as águias com grandes dentes, às invasões francesas para prender Dom João VI, e cheios de desenhos e desenhinhos, como se as crianças fossem muito estúpidas, não lhes dando qualquer oportunidade à imaginação.

 

O que pretendem os governantes com este tipo de ensino idiota? Formarem os analfabetos funcionais do futuro, para que sejam tão submissos como os analfabetos funcionais da actualidade?

 

E há mais: é proibido dar más notas ou chumbar os alunos, para mostrar ao mundo que o sucesso escolar em Portugal existe. Quando isto não passa de uma grande aldrabice!

 

Alunos que escrevem gatafunhos, que ninguém entende, têm MUITO BOM a Português, ou melhor, a Brasileiro. Intolerável.

 

É inadmissível o que está a passar-se em Portugal no que respeita à Educação, ao Ensino, à Cultura.

 

DEMITA-SE senhor ministro da Educação e Ciência. Permitir uma tal balbúrdia no Ensino é um postura terceiro-mundista.

 

E os pais e encarregados de educação deviam tomar uma atitude drástica e EXIGIR um ensino de qualidade para os seus filhos, como está consignado na Constituição da República Portuguesa, ao qual têm direito.

 

Com esta “carta” fiquei tão escandalizada e indignada quanto a aluna que, apesar dos seus dez anos, tem algo que falta aos actuais governantes: inteligência para ver as coisas tal como elas estão, ou seja, MAL. Muito MAL.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:52

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Domingo, 24 de Fevereiro de 2019

«CAVACO, SÓCRATES E OS ANALFABETOS FUNCIONAIS»

 

Um excelente texto, publicado por Pedro Correia, no Blogue «Delito de Opinião», em 19 de Fevereiro de 2019, que destrói o AO90

 

DELITO DE OPINIÃO.jpg

 

«Certas luminárias contemporâneas que pretendem fazer ironia com as orthographias antigas da língua portuguesa -- aludindo por vezes a autores que publicaram há pouco mais de cem anos -- estão, no fundo, a produzir argumentos contra o "acordo ortográfico" e não a favor. Ao contrário do que supunham.

 

É incompreensível que um inglês leia Walter Scott, Charles Dickens ou Oscar Wilde na grafia original, o mesmo sucedendo a um francês em relação a Balzac, Flaubert ou Zola, um espanhol em relação a Pérez Galdós ou Valle-Inclán e um norte-americano em relação a Herman Meville ou Mark Twain, enquanto as obras de um Camilo ou um Eça de Queiroz já foram impressas em quatro diferentes grafias do nosso idioma.

 

As sucessivas reformas da ortografia portuguesa -- somam-se quatro no último século -- constituem um péssimo exemplo de intromissão do poder político numa área que devia ser reservada em exclusivo à comunidade científica. Isto se ambicionássemos reproduzir os modelos implantados em nações com um índice de alfabetização muito mais sedimentado do que o nosso.

 

Cada mudança de regime, desde a queda da Monarquia, produziu pelo menos uma "reforma ortográfica" em Portugal. Para efeitos que nada tinham a ver com o amor à língua portuguesa, muito pelo contrário.

 

Cada "reforma" foi-nos afastando da raiz original da palavra, ao contrário do que sucedeu com a esmagadora maioria das línguas europeias -- como o inglês, o francês, o alemão e em certa medida o espanhol. A pior de todas essas reformas foi a mais recente, que separou famílias lexicais produzindo aberrações como "os egiptólogos que trabalham no Egito [sic] são quase todos egípcios" ou "a principal característica dos portugueses é terem um forte caráter [sic]".

 

Esta ruptura com a etimologia ocorre, convém sublinhar, num momento em que nunca foi tão generalizada a aprendizagem de línguas estrangeiras entre nós, impulsionada pela globalização em curso. Assim, enquanto os políticos de turno pretendem impor a grafia "ator" [sic] à palavra actor, os portugueses continuarão a aprender "actor" em inglês, "acteur" em francês, "actor" em castelhano e "akteur" em alemão.

 

Não adianta deitar fora a etimologia pela porta: ela regressa sempre pela janela. Através de idiomas nunca sujeitos aos tratos de polé de "acordos ortográficos" como o que Cavaco Silva pôs em marcha como primeiro-ministro, em 1990, e que José Sócrates, também como chefe do Governo, mandou aplicar nas escolas e repartições públicas, dezoito anos mais tarde. Ambos exorbitando dos seus poderes, ambos sem imaginarem que estariam a produzir novas legiões de analfabetos funcionais.»

 

Pedro Correia

 

Fonte:

https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/cavaco-socrates-e-os-analfabetos-10331788?fbclid=IwAR1tvZipv3eFYxg_UHYLAUZJoBcpUzFCKZ9R8OUS9X835ljFnWeEbaeAcpA

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:34

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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018

O desamor à Língua Portuguesa gerou o AO90 que, por sua vez, está a gerar analfabetos funcionais

 

E os governantes lá vão beijocando e rindo… levados, levados sim… pela voz do som tremendo, da ignorância sem fim…

 

REFORMA ORTOGRÁFICA.jpg

 

Penso rápido (19)

 

Texto de Pedro Correia

 

in Blogue Delito de Opinião

https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/penso-rapido-19-6470222

 

«Certos leitores que pretendem fazer ironia com as orthographias antigas da língua portuguesa - às vezes referindo-se a autores que publicaram há pouco mais de cem anos - estão, no fundo, a produzir argumentos contra o "acordo ortográfico" e não a favor. Ao contrário do que supunham.

 

É incompreensível que um inglês leia Walter Scott ou Oscar Wilde na grafia original, o mesmo sucedendo a um francês em relação a Balzac ou Zola, um espanhol em relação a Pérez Galdós e um norte-americano em relação a Mark Twain, enquanto as obras de um Camilo ou um Eça de Queirós já foram impressas em quatro diferentes grafias do nosso idioma.

 

As sucessivas reformas da ortografia portuguesa - já lá vão quatro no último século - são um péssimo exemplo de intromissão do poder político numa área que devia ser reservada à comunidade científica. Cada mudança de regime produziu uma "reforma ortográfica" em Portugal. Para efeitos que nada tinham a ver com o amor à língua portuguesa, antes pelo contrário.

 

Cada "reforma" foi-nos afastando da raiz original da palavra, ao contrário do que sucedeu com a esmagadora maioria das línguas europeias - como o inglês, o francês, o alemão e em certa medida o espanhol. A pior de todas essas reformas foi a de 1990 que separa famílias lexicais produzindo aberrações como "os egiptólogos que trabalham no Egito[sic] são quase todos egípcios" ou "a principal característica dos portugueses é terem um forte caráter[sic]".

 

Esta ruptura com a etimologia ocorre, convém sublinhar, num momento em que nunca foi tão generalizada a aprendizagem de línguas estrangeiras entre nós. Assim, enquanto os políticos de turno pretendem impor a grafia "ator"[sic] à palavra actor, os portugueses continuarão a aprender "actor" em inglês, "acteur" em francês, "actor" em castelhano e "akteur" em alemão.

 

Não adianta deitar fora a etimologia pela porta: ela regressa sempre pela janela. Através de idiomas nunca sujeitos aos tratos de polé de "acordos ortográficos" destinados a produzir legiões de analfabetos funcionais.»

 

Fonte:

https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/penso-rapido-19-6470222

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:35

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