Sábado, 29 de Maio de 2021

«A Língua Portuguesa no seu melhor…»

 

«Porque alguém decidiu, por gosto ou conveniência (falta saber quantos milhões de euros saiu do erário público), alterar determinados vocábulos, eis a Língua Portuguesa no seu melhor…»  

 

Um texto de Amadeu Mata, que mata a pretensão dos políticos que nos desgovernam, e põe de rastos os seus muito leais e submissos seguidistas.

 

De leitura obrigatória.

 

Isabel A. Ferreira

 

José Barata Moura.jpg

 

Texto de Amadeu Mata

 

Porque alguém decidiu, por gosto ou conveniência (falta saber quantos milhões de euros saiu do erário público), alterar determinados vocábulos, eis a Língua Portuguesa no seu melhor…  

 

A evolução da Língua Portuguesa, segundo os acordistas tem destas coisas.

 

Como já não somos o país que deu origem à Língua Portuguesa, a partir de agora vai ser assim: 

 

No Brasil, final do século XIX, do ponto de vista político, interessou fazer uma simplificação abusiva do português, promovendo a diferença, aproximando-o do crioulo então praticado pelos analfabetos.  

 

Depois de criados, o hábito de uma escrita desigual, agora é difícil conseguir um entendimento.


Com o argumento de que a esmagadora maioria pratica este português simplista, os políticos (outra vez eles) não se importam de colonizar a meia dúzia (10 Milhões) de falantes deste lado do Atlântico.

 

Não percebo como é que por um lado se privilegia a diferença, (são os mesmos), e por outro se elogia a uniformização. 

 

Será que o Professor Malaca Casteleiro nunca ouviu falar na regra gramatical das consoantes mudas que servem para indicar que as vogais que as antecedem devem ser pronunciadas abertas?  

 

Se não escrevermos o “c” em “director”, em vez de pronunciarmos “dirétor” teremos que pronunciar “dir’tor – “e” fechado e tantas outras palavras como por exemplo objectivo, activo, actual, etc., etc. ... 

 

Porque se há-de tirar o ‘c’ da palavra “acto”? Para ficar “ato”, igual ao “ato” do verbo “atar”?  

 

Por causa dos acordistas cortarem os “c” e os “p” a eito, deu origem a vocábulos inexistentes na Língua Portuguesa. 

 

Recepção por (receção), decepção por (deceção) excepção por (exceção), espectador por (espetador)…etc., etc.,   palavras estranhas à Língua Portuguesa de Matriz indo-europeia

 

 “Facto” passar a “Fato”? – Não, o “c” até nem é mudo, pronuncia-se.


“Pacto” passar a “Pato”? – Não, nunca, o “c”, além de não ser mudo, pronuncia-se.

 

“De fato está cagado” e não “de facto o cágado”, ou “de fato é corruto” e não “de facto é corrupto”, ou passar a mão pelo pelo do cão e não “ passar a mão pelo pêlo do cão”.  

 

Como poderemos distinguir os tempos presente e passado em formas verbais como “acabamos”, presente, e “acabámos”, passado, já que de uma assentada, os acordistas em todas as palavras acentuadas na penúltima sílaba retiraram o acento?

 

À conta do aborto ortográfico já anda por aí muito boa gente a pronunciar da mesma maneira as duas formas verbais, com a respectiva confusão inerente, e o manda-chuva do AO90, o SS cometeu este erro, numa entrevista dada à TVI e ficou admirado, por ter sido chamado à atenção, pelo entrevistador da “patacoada” pronunciada, isto só denota a falta de cultura, prepotência e respeito deste senhor.  

 

 Afinal, qual é o Património Imaterial mais importante de uma comunidade?

 

É seguramente, o instrumento de comunicação, a LÍNGUA, as pessoas de bom senso e carácter assim o reconhecem e exigem. 

 

Bagão Félix.png

 

Os “iluminados” usam o argumento da palavra “pharmacia”, que passou a “farmácia”, para justificar o recente acordo ortográfico… Mas esquecem que essa grafia partiu de iniciativa nacional, e não externa, no ano de 1945!

 

Tratou-se de substituir o fonema grego PH, pela letra do NOSSO alfabeto latino F (com o mesmo som). [Fernando Pessoa escrevia pharmacia, mas Fernando, e não tinha razão de ser]. 



 Também à revelia de todos, entre os quais os maiores especialistas da Língua, os escritores, os poetas e os “usuários” utilizadores da Língua em geral, fizeram alterações arbitrárias à maneira de escrever o Português, com a cumplicidade oportunista de muitos. 

 

 “Coscuvilheiro/a” passou a “Cusco/a”. “Coscuvilhice” passou a “Cusquice”. Isto é evolução.


Com o advento da informática e os computadores mais antigos a não reconhecerem correctamente os acentos, as pessoas habituaram-se a “esquecê-los”, sobretudo no serviço do “messenger”, do “MSN”, e nos velhinhos “Mirc” e “Chat”, que desconfiguravam os acentos, e o mesmo se verificava nos primeiros telemóveis no serviço de mensagens escritas.

 

Para poupar tempo e espaço, os mais jovens inventaram uma escrita estenográfica, que a maioria dos adultos não entende, mas ninguém condena esta tendência, a não ser quando se trata do ambiente escolar, obviamente!  

 

Será isto  evolução da língua, ou  dentro de anos teremos como oficial uma escrita abreviada para algumas palavras: “Que” passará a “K”; “Quê” passará a “Ke”; “Porque” passará a “Pk”; “Porquê” passará a “Pke”; “Queres” passará a “Keres” ou “Kers”; “Achas” passará a “Axas” ou “Axs”; etc., etc., etc..

 

Foi um escândalo quando passou a constar a palavra “bué”, de origem africana, no Dicionário da Língua Portuguesa!  

 

Considera-se uma aberração, mas quase todos se habituaram a dizê-la, mas há muita gente que não a diz nem a escreve, talvez apenas por não gostar mesmo da palavra. É considerada um africanismo, porque não? Isto é evolução.

 

A palavra “computador” apareceu no nosso dicionário há pouco mais de 25 anos, e é um estrangeirismo, anglicismo (“computer”). Isto é evolução.

 

Agora já temos, também no dicionário, “software” e “hardware”, anglicismos, que não conseguimos arranjar palavras em Português para adaptação. Isto é evolução.

 

Quase todos usamos, em informática, o sistema operativo “Windows”, e ninguém teve a ousadia de traduzir para “Janelas”, seria uma comédia. Isto é evolução.

 

Quando apareceram os “Compact Disc”, ainda houve algum tempo em que se pronunciava o anglicismo, mas passou a dizer-se naturalmente disco, e a designar-se o “velho” disco como “disco de vinil”, e depois agarrou-se o (ainda actual) “CD”. Isto é evolução.

 

Quando apareceram os filmes em CD de grande capacidade, designados “DVD”, ninguém tentou contornar o acrónimo e em todo o mundo diz-se DVD. Isto é evolução.

 

Muita gente não deve saber que a palavra “etapa” é um galicismo, estrangeirismo de origem francesa. Nas competições de ciclismo ninguém se dá ao trabalho de substituir esta palavra. Isto é evolução.

 

O que dizer dos anglicismos desportivos? Futebol, Basquetebol, Andebol, Voleibol (que já se diz e escreve Vólei), Hóquei, Ténis, Beisebol, Râguebi (que ainda há quem teime em dizer “reibi”, ou “reiguebi”). Isto é evolução.  

 

Os espanhóis ainda se deram ao trabalho de traduzir algumas, como “Balomano”, “Baloncesto”, e nos Estados Unidos da América chamam ao verdadeiro futebol de “soccer” (lêem “sóquer”)! Manias.  

 

No Brasil até se diz “futchibó” (eles chamam a esta palavra evolução)!


Tendo em conta a quantidade de povos e civilizações que passaram pela Península Ibérica e a povoaram, deixando vestígios ao nível da escrita e alguns ablativos, ninguém pode afirmar que a nossa língua ficou ou quer ficar estática.  

 

Temos escrita alfanumérica de origem árabe e romana, palavras de origem árabe, castelhana, anglo-saxónica e africana, por exemplo, e agora querem chamar-nos de “velhos do restelo”, “atrasados”, “preguiçosos” por sermos uns chatos que não queremos “apagar” umas consoantes e uns “h” mudos, que nunca chatearam ninguém, quando afinal os brasileiros têm o “timi”, que escrevem “time” e dizem “tchimi”, um anglicismo (“team”), enquanto nós dizemos e escrevemos “equipa”, um galicismo (“équipe”); eles dizem e escrevem “copa”, um anglicismo (“cup”), enquanto nós dizemos e escrevemos “taça”;  

 

Eles dizem e escrevem “torcida”, nós dizemos e escrevemos “adeptos”; eles dizem “vai ‘txi’ cátá”, enquanto nós dizemos “vai à merda”; eles dizem “panaca”, enquanto nós dizemos “panasca”, e afinal eles é que têm uma letra a menos!

 

Eles chamam de “galera” ao público dos concertos, nós usamos essa palavra no que se refere a camiões TIR!  

 

E por falar em CAMIÕES, eles ainda dizem “CAMINHÕES”, que pode remeter para o verbo caminhar! Para esta palavra não quiseram acordo ortográfico! 

 

 Nós dizemos e escrevemos BILIÃO, que no nosso sistema de contagem vale muito mais que Mil Milhões, enquanto eles dizem “Bilhão” (que mais parece uma bilha muito grande), e lá, vale o mesmo que cá,  Mil milhões! Para esta palavra também não quiseram acordo ortográfico!



Nós dizemos “stress”, embora escrevamos “stresse”, eles dizem “istressi” e escrevem “estresse”. Não quiseram acordo ortográfico!


Por acaso alguém deixou de escrever “Humidade”? “Hoje”? “Homem”? “Horta”? “Hábito”? Claro que não! Se eles omitem o “H” isto é lá com eles, mas respeitem as diferenças dos outros oito países de expressão portuguesa: Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor e até mesmo Macau e Goa. 

 

Na palavra Egipto não se pode eliminar o “p”, porque se pronuncia! Todas as pessoas que se prezam,  a pronunciam, se assim não fosse os seus habitantes não se chamariam Egípcios mas sim Egítios  ou Egícios ou outro nome qualquer ao sabor dos acordistas.

FACTO e CONTACTO  permanecem FACTO e CONTACTO, e não passará a “FATO”e CONTATO, como se vê escrito por toda a comunicação social, incluído no diário da república, jornal oficial do Estado, o que  é muito grave,  denota  que os deputados da Nação e os correspondentes órgãos de soberania, estão-se nas tintas para a sua leitura, e como  responsáveis deviam dar o exemplo, chamando à atenção para estas situações. 

 

Já dizia Voltaire: “É muito perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas (regime autoritário) estão comple­tamente equivocadas.”  

 

É muito perigoso ter razão quando se denunciam palavras substituídas por outras ao sabor dos acordistas, a saber: 

 

Recepção por receção, e a palavra recessão! 

Concepção por conceção, e a palavra concessão. 

Etc., .etc. …  

 

Quando o sábio aponta a Lua, os idiotas olham para o dedo... Isto para dizer o quê? Sempre que alguém divulga estes crimes de lesa-língua, as pessoas atacam o denunciador e deixam os infractores em paz, isso só acontece num governo de faz de conta mais os seus súbditos delatores. 

 

Os verdadeiros responsáveis são os políticos e um sistema de justiça que apenas anda preocupado com os anjos e se têm ou não sexo....  

 

Quem cala consente, é bem verdade, e quem vota nestes partidos acordistas ps e psd e cds e BE, que fazem isto há anos, é cúmplice. 

 

O que eu penso é que este Acordo é uma grande merrda – com dois erres, que é como os brasileiros pronunciam! 

 

O que faz sentido é respeitar a evolução das grafias dos vários países e plasmá-las no papel.  

 

Segundo dizem os defensores do Acordo Ortográfico (aborto) ninguém é dono da Língua, mas sempre que o dizem (políticos) estão a tornar-se donos dela, com a agravante de o terem imposto à viva força (Estado, especial incidência à Educação).  

 

Não sendo ninguém dono da Língua, é preciso respeitar as especificidades dos vários donos, a Língua é a coisa mais livre que há, façam o favor de não a aprisionarem.  

 

Inventou-se um problema real que não existia, e enquanto não se acabar com ele, andaremos sempre a tropeçar e a viver nesta mixórdia inventada por analfabetos. 

 

A verdade é só uma: fizeram o AO90 porque já havia o plano de encherem Portugal de Brasileiros e assim também é mais fácil para os estrangeiros aprenderem porque não há referências etimológicas — que agora se calhar até as consideram fascistas e autoritárias. 


Isto é um produto deliberado da canalha miserável que governa este buraco — e da rataria subserviente que a apoia.  

 

E só vai lá com uma guerra entre os bons e os maus.  

 

A forma como falam os brasileiros é cheia de gerúndios, pronomes trocados e palavras desconhecidas. E é esta, a língua imposta aos portugueses…

 

Não quero ir ao dicionário quando comprar um produto para descobrir o que é “pimbolim”, cardaço, planilha, bate-papo, e muitos mais. 

 

Como todo o processo da mixórdia ortográfica vem de gente analfabeta, que cozinhou toda esta esta tramóia, temos de acabar com este sistema de coisas que coloca o PODER ABSOLUTO nas mãos da Maçonaria e dos Partidos Políticos (constituídos maioritariamente por maçons), enquanto o Povo não passa da massa ESCRAVA que sustenta tudo isto.  

 

Temos de acabar com o PODER CENTRAL, arrancar os Municípios das mãos da corrupção e entregá-los aos HOMENS BONS, sérios e honrados, que, juntamente com as famílias de cada Município, irão recolocá-los no caminho certo.» 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:17

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Segunda-feira, 26 de Abril de 2021

«Não será o acordo ortográfico, nos termos em que foi feito, sintoma do esquecimento da realidade histórica da nossa colonização?»

 

Um texto notável, imperdível, de Joana Lamas, onde se fala da Língua, do colonialismo e da inviabilidade e inutilidade do AO90, a partir da análise do filme Vitalina Varela, «inteiramente falado em crioulo cabo-verdiano – língua com origem na apropriação da língua do colonizador, mesclando empréstimos de línguas bantu e outras, aquartelada nos bairros pobres de Lisboa, recalcada na escrita (oficial e administrativa), como aliás os outros crioulos portugueses, cada um numa melodia diferente»

 

Isabel A. Ferreira

 

Vitalina Varela.jpg

Vitalina Varela, um filme de Pedro Costa (2019)

 

Texto de  Joana Lamas (*)

 

«O recalcamento do colonialismo, a partir de Vitalina Varela»

 

«Que marcas deixou o colonialismo na língua portuguesa? Que marcas são essas, das quais não se pode ou não se sabe falar, em Portugal? Em Vitalina Varela, estas questões atingiram-me com a clareza de um murro no estômago. 

 

O filme de Pedro Costa é feito a partir da linguagem, em substância, que corre nas ruas, onde o inconsciente se faz ouvir, nos enlaçamentos da fala que vêm de além, cuja análise convoca o sujeito do ponto de vista psicanalítico, mas também o sujeito político na sua construção social. 

 

Pedro Costa exibe uma notável capacidade de escuta, recorte e registo desse material que ele próprio suscita e provoca, e para tanto, como diz o próprio, tem de estar realmente próximo de uma fonte. Mas Vitalina Varela não é uma obra expositiva, de reprodução documental, à superfície. Com uma fotografia meticulosamente concebida – na cor, no contraste entre luz e escuridão, nas várias tonalidades da sombra… – neste filme, tudo tem uma qualidade irrepreensível, trata-se de uma experiência estética de tal modo intensa, forte que, pesada em toda a sua riqueza, torna-se difícil de gerir.

 

Inteiramente falado em crioulo cabo-verdianolíngua com origem na apropriação da língua do colonizador, mesclando empréstimos de línguas bantu e outras, aquartelada nos bairros pobres de Lisboa, recalcada na escrita (oficial e administrativa), como aliás os outros crioulos portugueses, cada um numa melodia diferente. Precisei de legendas para compreender o que era dito. 

 

Vitalina chega a Portugal. Toda a vida esperou pelo marido Ventura, em Cabo Verde, toda a vida não, quarenta anos; a sua vinda a Portugal sempre adiada: esperou quarenta anos para vir para Portugal, tal como os israelitas no deserto, nas fronteiras da terra prometida. Mas Vitalina já não vem a tempo de rever o marido, morto há três dias, enterrado, já nem o corpo pode velar. Morto há três dias, como no mito cristão da ressurreição. 

 

Se logo na primeira cena do filme vemos Ventura levado em braços, numa rua junto ao cemitério, só o ouvimos depois, já morto, e ele diz “a vela cai no colchão”, mas soa “a vela cai no caixão”. Nessa cena, Joaquim Ventura afirma a dificuldade da vida que levou, da fome, da exploração, questiona o seu lugar de corpo, o lugar de homem, na casa, no trabalho, no beco… Sem lugar, está-se vivo ou morto? No colchão, ou no caixão? Pois o filme é delimitado temporalmente por duas mortes: a de Ventura e a de Marina, ambas num colchão, ambas apontando para o adormecimento como morte, um sono sem sonhos, morte simbólica: “Ele não está morto. Ele está apenas dormindo” diz-se de Ventura. Um morto não deseja, onde está o lugar do desejo? Onde estão os sonhos que lhe habitam o corpo? Não é por acaso que os dois mortos do filme se chamam Ventura e Marina, não é inócuo, não cai no vazio: essa aventura marítima, que na expressão infanto-juvenil do Estado Novo distraía do colonialismo português.

 

Da dificuldade de um lugar de exclusão

 

A língua que alguém fala, onde é falada, opera sobre o ser falante, situa-o, fá-lo habitar um certo lugar, esse lugar Outro. Também a cor da pele e as designações que lhe são atribuídas, o local de onde provimos, a família, a história, tudo isso marca. Para os homens e mulheres que vêm de países outrora colonizados por Portugal, sobretudo dos africanos, esse é um lugar muito difícil no que respeita à subjectivização, como Joaquim Ventura, o morto, bem revela.  

 

Se falo destes crioulos como se de identidade se tratassem, como se os sujeitos racializados que habitam os bairros pobres de Lisboa ocupassem todo o território de exclusão, ou como se a Cova da Moura fosse a representação espacial de todos os sujeitos racializados e excluídos, é porque assim me parece, não de um ponto de vista quantitativo, como é evidente, mas, a partir da perspectiva deleuziana, de quem sabe que é a minoria que opera, em potência, o devir revolucionário, possibilidade estrita nos limites da maioria. Ou seja, só a partir de um lugar de margem é que a minoria pode operar a transformação. 

 

Claridosos nas trevas

 

Vitalina chega descalça ao aeroporto, outras mulheres, vestidas no uniforme da empresa de subcontratação para prestação de serviços de limpeza, esperam-na; dizem-lhe “vai-te embora, aqui não há nada para ti”. Uma vez em Portugal, embora haja uma dificuldade imensa num lugar a ocupar, o regresso parece impossível e isto tanto vale para Vitalina como para muitos outros: “Estava esperando minha passagem de avião para Portugal há 40 anos. Eu ficarei pelo resto da minha vida”. Essa dificuldade em ter um lugar, ela é dita de várias formas: aqui só haverá lugar para mortos, adivinha-se, não há lugar para vivos desejantes. Assim o padre (que também é Ventura) lhe diz “nada resta para você aqui”, por outro lado, diz-lhe que também está de luto: “você perdeu seu marido, eu perdi minha fé nessa escuridão.”

 

Vitalina tem, de resto, um luto para fazer e vai dialogando com o seu morto e com o padre, sempre em contracena com Ventura: então, vela as fotos, as memórias, e tem o apoio da comunidade cabo-verdiana. 

 

À conversa com o fantasma

 

Em termos psicanalíticos, o conceito de fantasma1 respeita simultaneamente ao efeito do desejo arcaico inconsciente e à matriz dos desejos actuais, mais ou menos inconscientes. Lacan define o fantasma como superfície encobridora do real, incluindo diversas representações do eu, do outro imaginário, da mãe originária, do ideal do eu e do objecto; destaca a sua natureza de linguagem. O fantasma teria, assim, um carácter trans-individual, participando nos campos do simbólico e do imaginário. Maria Belo resume da seguinte forma: “o fantasma é o cenário que põe o desejo em cena; este cenário, tendo várias formações possíveis é, no entanto, estruturalmente semelhante para todos numa mesma estrutura cultural, mas específico na forma como, falando na sua história, ele se constrói para cada um”.

 

Uma frase evoca o fantasma do colonialismo e a frase ecoa e persiste nas sombras: há que aprender a falar português para falar com os espíritos. Também as cartas de amor de Vitalina a Ventura foram escritas em português. 

 

Noutra cena, vemos Vitalina no telhado da casa em Portugal, como que navegando no mar tempestuoso, e, logo de seguida, Vitalina e Joaquim em Cabo Verde; diz Vitalina: “nós viemos da escuridão” e, no entanto, para ela, o amor em que um dia se encontraram é clareza, é luz. Pois, em todo o filme, está presente o confronto entre as sombras da pobreza do bairro e a claridade cabo-verdiana, excepção feita às cenas no cemitério, diurnas em céu nublado, ou não circulassem os claridosos2 nas várias tonalidades da treva.

 

Já no final, Vitalina pergunta ao seu fantasma: “se eu falar português, você fala comigo?”. Então, o fantasma e Vitalina, juntos, relatam parte fundamental do mito cristão, o beijo de Judas, o modo como entregou Jesus dizendo: “que Deus te salve, mestre”. Pois, dizem, “era duro o caminho, dos dois lados”, sim, o caminho foi duro, em ambos os sentidos. O som de fundo é o de uma enxada a cavar a terra, e eles recordam a crucifixão de Jesus, falando da treva que cobria todo o mundo quando, de repente, uma luz alumiou a face de Jesus, aquela que Judas não beijou, e o mundo fendeu-se em dois, luz e escuridão… “é dessas sombras que nós somos feitos”, conclui Ventura, nós que vivemos nessa escuridão. 

 

A terra prometida

 

Espelhando o início, o filme termina com um enterro, o de Marina, a mulher mar, uma morte provocada pela queda de uma vela: “Marina morreu ontem, uma vela caiu no seu colchão”. Impossível não notar a semelhança dos significantes na morte e na navegação, na vela que tomba, na vela do barco, no velar dos mortos, o colonialismo que se (re)vela, no lugar de homem, no bairro, no beco, na casa, no seu lugar de trabalhador, na exploração, na língua, pois o fantasma persiste, insiste, por mais que se tente recalcá-lo.

 

Morreu Marina, mar no feminino, e recordo que: “O mar tem caprichos de mulher. É preciso acarinhá-lo, cantar-lhe canções muito tristes. Para seu dorso de gigante se entorpecer, tolhido na tristeza vaga que vem nas asas das cantigas. (…) O mar é fêmea (…) O mar era a abertura que os enxadeiros tinham para o mundo”3.

 

Qual o lugar dos mortos e qual o lugar dos vivos, parece interpelar-nos a última cena: no cemitério, com Vitalina de um lado e, do outro, o padre, vêem-se placas numeradas, lajes e montes de terra: será essa a única terra prometida?

 

Estranhamento familiar

 

Sobre a língua portuguesa, essa língua que é preciso saber falar para falar com os mortos, é precisamente a língua em que se recalca o colonialismo, em que o seu fantasma se mantém vivo, activo e actuando, e isso em Portugal, como na Guiné, Angola, Moçambique e Cabo Verde com suas idiossincrasias. O crioulo, como língua apropriada, vai circulando nos seus desvios do português, na sua musicalidade, na sua sintaxe própria. Se é verdade que a subjectividade sempre se constrói e dissimula através do mito e da fantasia, na e pela fala, não é precisamente o papel do poeta, do realizador, do artista, o de revelar (ou velar) as ideologias por detrás? Abrindo caminhos, libertando desvios? Ou de outro modo: expondo as estruturas de protecção (na língua) das quais se rodeia o sujeito na sua relação com o real? 

 

Não será isso mais rico e complexo do que impor, por tratado, uma grafia idêntica, uma centralidade lusófona que, a pretexto de interesses e vantagens mercantis, acaba por cilindrar as diferenças? Refiro-me agora ao acordo ortográfico de 1990 e às pretensões unificadoras e quantitativas de alguns dos seus defensores. Não seria muito mais precioso e culturalmente fértil lutar por um espaço criativo que implicasse a escuta das outras singularidades, construídas nesse português assimilado e apropriado, transformado? Não se permitiria, assim, ventilar melhor os fantasmas bafientos do colonialismo, dar-lhes outras tonalidades, expô-los a outras luzes? Talvez assim não fossem tão necessárias as legendas.

 

Pedro Costa traz-nos essa escuta de outra voz, de outro português, tão familiar enquanto se estranha. Vitalina Varela é uma lufada de ar fresco no beco hermético do colonialismo, um descobrimento do colonialismo, por assim dizer.

 

Subjectividade vs uniformização mercantil

 

Tomar a palavra consiste em fracturar a massa imponente de uma língua, para aí abrir uma brecha4, trata-se da emancipação própria ao acto da fala, e isso em todas as línguas. A propaganda de uma suposta unificação que seria promovida pelo acordo ortográfico, não vai exactamente no sentido contrário? Ao não se expressar a diferença da fala na escrita, não se estará a contribuir para o esquecimento da realidade histórica da nossa colonização? Não será o acordo ortográfico, nos termos em que foi feito, sintoma desse esquecimento? E simultaneamente cortam-se as raízes latinas da língua: como se a presente geração não nascesse de outras gerações, mas simplesmente tivesse aparecido, inteira sem história, numa espécie de geração espontânea, chocada na ideologia capitalista e pelas virtudes da tecnologia, escondendo as problemáticas próprias da filiação na poda etimológica e na eficácia da literalidade. 

 

Este processo de uniformização linguística imposta verticalmente e através de tratado, que não tem em conta as diferentes utilizações da fala, as suas realidades e influências africanas, lembra a evangelização colonialista e todas as “boas intenções” da dominação feudal, ou como os arautos de um português único não se cansam de promover: trata-se de algo muito benéfico para o mercado.

 

Se trazer o assunto do acordo ortográfico para esta análise, pode parecer um tanto forçado, importa que se levantem estas questões quando se trata de analisar a língua e um longo passado comum. Tens de aprender a falar português para falar com os mortos. Nos dias seguintes a ter visto este filme, fui perseguida por essa frase. Pensar o esquecimento estrutural e sistemático de mais de 500 anos de colonialismo, a nossa língua comum, inegável herança colonial, os diferentes crioulos portugueses, o acordo ortográfico e a lógica que lhe subjaz e, sobretudo, a forma como não se fala sobre nada disto na sociedade portuguesa: tudo isto são questões fundamentais que devem permanecer abertas, que devem ser faladas, pensadas, discutidas, sem receio dos fantasmas que tais falas venham a convocar, pois os fantasmas serão sempre mais rígidos e inescapáveis, quando mais ecoarem no silêncio. A lógica unificadora e mercantil que subjaz ao acordo ortográfico, tende mais para um fechamento, censura e corte de caminhos metafóricos e metonímicos possíveis, em suma, para o esquecimento de uma memória comum, do que para o encontro, abertura ou construção histórica partilhada. Não seria mais prolífero o desenvolvimento de projectos que promovessem a produção e divulgação de objectos culturais de países de língua oficial portuguesa, num português dado a conhecer na sua riqueza e diferença?  

 

Mas mesmo quando não se fala, isso fala… 

 

Em tempos de pandemia, de perda de direitos individuais, colectivos e laborais, e de uma crescente pobreza e exploração daqueles que têm como única forma de sobrevivência o trabalho, importa, por fim, trazer outro assunto, indissociável das questões do colonialismo: o 25 de Abril de 1974 e o fim da guerra colonial. Revolução dos Cravos do ponto de vista fonético é extraordinariamente próximo de Revolução dos (E)scravos – e não é preciso ter sotaque da Beira, embora facilite, para que soe assim: o inconsciente faz-se ouvir, ele insiste, mesmo onde o esforço para o encerrar é grande! A verdade é que os festejos do 25 de Abril, ano após ano, têm sempre mantido relativamente bem escondida, discreta, a importância que a justa luta pela independência dos povos africanos teve no derrube da ditadura portuguesa, ainda assim, sem consciência, devido a um acaso, chamamos-lhe Revolução dos (E)scravos. Não fosse forte a tendência em poder para esconder séculos de colonialismo e a emancipação dos povos africanos e estaríamos mais próximos do devir revolucionário experimentado em Abril de 1974.

 

Nota 

Este texto foi provocado pela participação no cartel Nós, a Voz e Avós (o cartel é um dispositivo de transmissão de saber das escolas psicanalíticas lacanianas, no caso o Centro Português de Psicanálise e o Fórum Lacaniano Brasil, consistindo na formação de um grupo de 4+1 elementos que se debruça sobre um determinado assunto, durante um dado período de tempo, seguindo uma certa forma de construção de saber que é psicanalítica) agradeço pelo frutífero questionamento e partilha carinhosa à Glaucia Nagen, à Lucília Sousa, à Raquel Laranjeira Pais e à Susana Travassos.

 

  • 1.Para aprofundar este assunto: Lacan, J. (2008). A Lógica do Fantasma - Seminário 1961-1962. Centro de Estudos Freudianos do Recife. Recife. Aceder em http://clinicand.com/wp-content/uploads/2020/06/14-Jacques-Lacan-O-Semin... e Belo, M. (2007). Filhos da Mãe. Edeline. Lisboa: pp.91-159.
  • 2.Referência ao movimento literário e cultural iniciado com a publicação da revista Claridade em 1936, que inicia a mistura literária entre as estruturas do português clássico e da língua crioula, Belo, M. (2007). Filhos da Mãe. Edeline. Lisboa: pp. 189-236.
  • 3.Lopes, B. (1997 1947) Chiquinho. Mindelo. Calebedotche: 174-175, citado por Belo, M. (2007). Filhos da Mãe. Edeline. Lisboa: pp 215.
  • 4.Roubei esta expressão de Toumson, R. (2000). Metáfora e Alteridade. Um Inconsciente Pós-colonial – se é que ele existe. Artes e Ofícios, Porto Alegre. Publicação dos ciclos de conferências organizados pela Association Freudienne Internationale e pela Maison d’Amerique Latine, a conferência referida foi proferida a 16 de Novembro de 1993 no 2.º ciclo de conferências “O inconsciente e as línguas”.

 

 Joana Lamas

(*) (Psicanalista, membro do Centro Português de Psicanálise – Associação Lacaniana Internacional)


Afroscreen | 21 Abril 2021  

 

Fonte:   https://www.buala.org/pt/afroscreen/o-recalcamento-do-colonialismo-a-partir-de-vitalina-varela

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:50

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Quinta-feira, 15 de Abril de 2021

«Os factos que os apoiantes do Acordo Ortográfico não querem ver revelados»

 

Um texto imperdível, para todos os que se dizem amantes da Língua Portuguesa.

Um importantíssimo e magnífico texto assinado por J. Nuno A. P. S. Ferreira que põe a nu a irracionalidade da mais monumental fraude linguística de todos os tempos, em todo o mundo: o mal dito e escrito AO90.

 

E isto acontece em Portugal.

Pobre país quando cai nas mãos de pobres de espírito (não confundir com pobres em espírito, que é outro conceito).

 

AO90.png

 

Discórdia Ortográfica

 

1 - A unificação que não existe

 

Não existe nenhuma Língua global que seja unificada.

Admitindo que seremos (erradamente) pioneiros numa iniciativa deste tipo, fica apenas a certeza de que haverá o dia em que um povo adoptará numa nova palavra ou ortografia não adoptada por outros.

A unificação é uma miragem que o tempo se encarregará de levantar.

 

Ficará apenas a certeza dos erros cometidos.

As Línguas, faladas ou escritas, não pertencem a nenhum governo.

Pertencem ao povo que as falam e escrevem.

A fala e a escrita estão tão vivas quanto o povo, e sofrem as influências do ambiente que as rodeia.

 

Em Portugal diz‐se “betão” do francês “béton”, enquanto que no Brasil usa‐se um “concreto” do inglês “concrete”.

Ainda no Brasil, “espingarda” é “rifle” (“rifle” em inglês), “travões” são “breques” (“breaks” em inglês), e “congéneres” são “contrapartes” (“counterparts” em inglês).

 

Demonstra‐se apenas a ignorância a respeito das regras e práticas das restantes Línguas que se querem como exemplo, mas também a respeito na nossa própria Língua.

 

Em discussão, esta ignorância fica patente quando os defensores do Acordo Ortográfico referem como exemplo a seguir uma Língua Inglesa que, segundo estes, não têm diferenças de ortografia entre os vários países com esta Língua Oficial.

Nada poderia estar mais errado.

Existe “color” nos USA e “colour” no UK, “gray” e “grey”, “modeling” e “modelling”, e muitas outras diferenças ortográficas.

Isto para além das análogas a um “betão/concreto” como é o caso do “solicitor/lawyer”.

 

Não existe qualquer mal na ignorância, apenas na omissão de se informar antes de argumentar.

 

A verdadeira unificação é a aceitação das diferenças. É entender que as diferenças contribuem para um enriquecimento da Língua.

 

Quantos mais países falarem a Língua, mais contribuições existirão para o enriquecimento da mesma.

Isto é riqueza linguística, cada país com a sua variante:

O que o Acordo Ortográfico promete, é a substituição do “Português (Brasil)” e do “Português (Portugal)” por um tímido e fraco “Português”.

 

No entanto, aquilo que deveríamos almejar seria um “Português (Brasil)” e “Português (Portugal)” acrescidos de: • “Português (Angola)” • “Português (Cabo Verde)” • “Português (Guiné)” • “Português (Macau)” • “Português (Moçambique)” • “Português (São Tomé e Príncipe)” • “Português (Timor)”

E já agora, porque não: • “Português (Galiza)” • “Português (Goa)”

 

Os mais atentos terão certamente reparado que a versão que possuo do Microsoft Word é em inglês.

Lá chegaremos em momento oportuno.

Outro aspecto, que só pode ser distracção, é a eliminação das ditas consoantes mudas, sustentada em argumentação de facilidade de aprendizagem.

Resta saber o que fica dificultado.

Se actualmente se escreve “colecção” (do latim “collectio”), e se pretende mudar para “coleção”, gostaria que explicassem como facilita a aprendizagem de Línguas estrangeiras (ou a Língua Portuguesa por estrangeiros), quando temos “collection” em inglês e “collection” em francês.

Voltamos à base do facilitismo.

A iliteracia é elevada.

Escreve‐se mal Português.

Mudar o sistema de ensino está fora de questão.

Muda‐se a Língua.

Albarda‐se o burro à vontade do dono.

 

Enquanto nos outros países se aumenta a exigência do sistema de ensino, de modo a produzir recursos humanos com maiores competências, em Portugal promove‐se as passagens de ano administrativas.

O resultado de anos de facilitismo, tanto em Portugal como no Brasil, salta à vista, como facilmente se pode observar:

 

2 - Força da Língua

 

Muito se fala em torno da Língua Portuguesa ser a quinta ou a sexta mais falada em todo o mundo.

Como se a quantidade de pessoas fosse assim tão relevante quanto isso.

Na lógica da quantidade temos à frente do Português o Mandarim, Hindi, Castelhano, Inglês e, dependendo de como se conta, o Árabe.

Mas será a quantidade assim tão importante, tão relevante? Ou será a qualidade?

Não será mais importante a qualidade dos artigos, documentos, livros originais escritos nessa mesma Língua? Não será mais importante a excelência profissional e intelectual das pessoas com essa Língua nativa?

 

SIC.png

 E assim anda a "inteletualidade" da comunicação social televisiva…

 

Onde está o Mandarim? O Hindi? Alemão, Francês, Polaco, Japonês, Italiano e Holandês à frente do Português? Como?!

 

Parece óbvio que o desenvolvimento económico, tecnológico e cultural dos países é mais importante para a projecção de uma Língua do que a quantidade de falantes.

Nem entendo como é possível pensar o contrário.

Repare‐se como o Espanhol (Castelhano) foi prejudicado (de segunda Língua mais falada para nono lugar na WIKIPÉDIA) pelo fraco desenvolvimento da generalidade dos países com esta Língua materna.

Se Portugal pretende dar projecção mundial à Língua Portuguesa, não alcançará o sucesso através de Acordos Ortográficos, mas sim através do apoio económico, tecnológico e cultural aos restantes países de Expressão Portuguesa.

O problema é que ainda nem nos conseguimos apoiar a nós mesmos.

Urge resolver o problema do sistema de ensino Português.

Aumentar o nível de exigência.

Acabar com os facilitismos.

 

3 - Exemplos de bom senso

 

Ainda ao abrigo da ignorância, há quem torture os números para que estes digam que a Língua Portuguesa está em oitavo lugar na WIKIPÉDIA devido às diferenças ortográficas, que sem elas estaríamos num lugar muito mais honroso.

Como, uma vez mais, o problema não é a ignorância, mas sim a falta de pesquisa de informação que sustente a argumentação, aqui fica, preto no branco, essa mesma informação em falta.

Informação esta que denota o bom senso e elevação demonstrado por uma comunidade de colaboradores na WIKIPÉDIA que terá, certamente, um elevado nível cultural.

Vejamos de que se trata: «Wikipédia: Versões da língua portuguesa (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)

 

O Português escrito em Portugal, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné‐Bissau, Angola, Moçambique, Timor‐Leste e Macau (chamado de ʺportuguês europeuʺ) tem diferença sensível em relação ao português escrito no Brasil (chamado de ʺportuguês brasileiroʺ). Ainda, entre cada país do considerado ʺportuguês europeuʺ há diferenças locais relevantes.

 

No próprio território brasileiro, entre uma região e outra, também há diferenças no modo da escrita e nas gírias locais.

Por exemplo, na página principal aparece em vários sítios a palavra ʺprojectoʺ.

Esta palavra está escrita na norma seguida em Portugal e na África.

No Brasil, escreve‐se ʺprojetoʺ, omitindo a letra ʺcʺ.

Qual das duas versões está correcta? Ambas.

Simplesmente uma versão é usada no Brasil e outra em Portugal, África e territórios asiáticos.

 

Como acontece nas outras grandes línguas internacionais, não existem versões superiores ou inferiores: são apenas diferentes.

Por isso, não veja algo que não está escrito no seu português como incorrecto apenas por isso.

Este projecto é a Wikipédia em língua portuguesa, também chamada de Wikipédia lusófona.

Ou seja, é de todos os falantes do português, seja qual for a norma que utilizam.

Consequentemente, mudar da norma ʺAʺ para a norma ʺBʺ não é bem‐vindo, porque isso implica uma falta de respeito com os utilizadores das edições anteriores. (...)»

 

Se os defensores do Acordo Ortográfico partilhassem deste mesmo bom senso e elevação, e estivessem despidos de outros interesses que não a riqueza da Língua Portuguesa, não haveria certamente lugar a um tão ridículo acordo.

 

Mas ainda se pode ir mais longe.

Podemos chegar ao topo da lista: a Língua Inglesa. «National varieties of English (See also: Wikipédia: Manual of Style (spelling).

The English Wikipedia has no general preference for a major national variety of the language. No variety is more correct than the others. Users are asked to take into account that the differences between the varieties are superficial. Cultural clashes over spelling and grammar are avoided by using four simple guidelines. The accepted style of punctuation is covered in the punctuation section. Consistency within articles Each article should consistently use the same conventions of spelling and grammar. For example, center and centre are not to be used in the same article. The exceptions are: quotations (the original variety is retained);   titles (the original spelling is used, for example United States Department of Defense and Australian Defence Force); and   explicit comparisons of varieties of English.   Strong national ties to a topic An article on a topic that has strong ties to a particular English‐speaking nation uses the appropriate variety of English for that nation. For example:

 

American Civil War—(American English)   Tolkienʹs The Lord of the Rings—(British English)   European Union institutions—(British or Irish English)   Australian Defence Force—(Australian English)   Vancouver—(Canadian English)   Retaining the existing variety If an article has evolved using predominantly one variety, the whole article should conform to that variety, unless there are reasons for changing it on the basis of strong national ties to the topic. In the early stages of writing an article, the variety chosen by the first major contributor to the article should be used, unless there is reason to change it on the basis of strong national ties to the topic. Where an article that is not a stub shows no signs of which variety it is written in, the first person to make an edit that disambiguates the variety is equivalent to the first major contributor. (…)»

 

Como se pode observar, exactamente os mesmos problemas (ou ainda maiores, com os problemas derivados das unidades de medida), e ainda assim conseguem ter o maior número de artigos na WIKIPÉDIA.

 

4 - Perigos e certezas

 

Muitos são os que olham para este Acordo Ortográfico como uma oportunidade de negócio.

Um longo caminho se percorreu para evitar que os manuais escolares fossem substituídos anualmente.

Neste momento as editoras esfregam as mãos de contentes para terem a oportunidade de substituir novamente todos os manuais escolares. Em 2009 os do primeiro ano, em 2010 os do segundo, e assim sucessivamente.

Poucos são aqueles que se apercebem dos perigos vindos de Oeste.

Grandes editoras, com matérias‐primas mais baratas, mão‐de‐obra ainda mais barata e sem garantias de qualificações apropriadas.

Por coincidência, ainda há pouco tempo peguei em alguns manuais dos tempos da universidade.

Em dois manuais de apoio (probabilidade e estatística), um era de origem brasileira.

Desconheço a situação actual a nível universitário, mas a nível profissional sei que a grande maioria de traduções para Português de livros técnicos de informática são em Português do Brasil.

Mas não se restringe a livros impressos.

Não é necessário estar muito atento para entender as dificuldades que os tradutores Portugueses têm em Portugal para encontrar trabalho, com a concorrência dos congéneres Brasileiros.

Com o Acordo Ortográfico a situação só tende a agravar‐se.

 

É um Acordo muito mais vantajoso para o Brasil que para Portugal.

Não só pela mão‐de‐obra mais barata, como também pela facilidade na desvalorização da moeda para facilitar as exportações.

E quem fala em livros, fala em filmes, em programas de computador, etc.

 

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As legendagens estão entregues a mão-de-obra barata brasileira daí este “de dia 23”…

 

Estes são os perigos.

Quanto às certezas, apenas as de que não existe nenhum Acordo Ortográfico que obrigue as pessoas a mudar o modo como escrevem, nem que obrigue a ler o que quer que seja que esteja nessa forma imposta.

Não posso falar pelos outros Portugueses, mas, no que me diz respeito, posso afirmar que continuarei a escrever do mesmo modo, e que evitarei comprar tudo o que não esteja na forma pré‐Acordo.

Aliás, a esse respeito pouco irá sofrer alguma alteração.

Como se pôde observar, faço os possíveis por ter software apenas em Inglês, sempre que tenho possibilidade de escolha.

Quando não encontro em lojas nacionais, compro através da Internet no UK.

Prática que adquiri desde que fui confrontado nos finais dos anos 80 com a tradução de “help” por “socorro”.

O mesmo se passa com os livros técnicos.

O único livro técnico que tenho em Português do Brasil está vergonhosamente escondido atrás de muitos outros, e apenas consta na minha biblioteca porque foi oferecido num curso de formação que frequentei.

Nunca o teria comprado.

Livros técnicos em Português (poucos) só mesmo os de autores portugueses.

Canais de TV sofrem do mesmo tratamento.

A evitar as dobragens e as legendagens de fraca qualidade.

Para telenovelas não há pachorra.

A avaliar pela quantidade e qualidade dos opositores ao Acordo Ortográfico, fico com a sensação de que a única garantia é que este Acordo irá conseguir afastar ainda mais estas mais‐valias para a Língua Inglesa, empobrecendo cada vez mais a Língua Portuguesa.

Imagino que a tendência seja para haver cada vez mais crianças a frequentar colégios Ingleses, Franceses. Espanhóis e Alemães.

 

Realmente haverá muita gente a lucrar com este Acordo Ortográfico.

A perder só fica o País.

Penso mesmo existir uma excelente oportunidade de negócio, a editar livros em Português pré‐Acordo.

Quem sabe se não poderá chegar‐se ao extremo de criar um sistema de ensino paralelo. E com a certeza de uma qualidade claramente superior. Também imagino ser difícil fazer pior que o sistema de ensino que existe actualmente.

 

5 - Referendo

 

Como já foi referido, a Língua Portuguesa não é propriedade do Estado, nem de nenhum Governo, e muito menos de um qualquer partido político.

A nossa Língua apenas ao povo pertence, seja ele Português, Brasileiro ou outro.

Não me recordo, tão pouco, de um qualquer partido político ter feito referência à sua posição a respeito do Acordo Ortográfico em campanha para qualquer uma das eleições legislativas.

Se o Tratado de Lisboa poderá ser considerado como uma opção política, já o mesmo não se passa com esta questão da Língua que apenas ao povo diz respeito.

Tal ingerência apenas pode ser legitimada através da consulta popular num referendo.

 

6 - Autoria

 

J. Nuno A. P. S. Ferreira

 

Fonte:

http://fs1.nuno.net/DiscordiaOrtografica.pdf

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:25

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Segunda-feira, 12 de Abril de 2021

Carta de Amadeu M. ao Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, o “manda-chuva” do AO90

 

Neste conturbado momento que o nosso País atravessa, quando as injustiças estão a vir à tona, em catadupa, como se não existissem Justos nem Justiça em Portugal, esta carta, de Amadeu M., dirigida a Augusto Santos Silva é uma daquelas pérolas raras,  extremamente realista, a qual, se houvesse os tais Justos e Justiça em Portugal, depois da sua publicação, amanhã mesmo, os responsáveis pela mixórdia ortográfica portuguesa, imposta aos Portugueses, sem que lhes fosse pedida licença, os levaria a pedir a demissão, ou, no mínimo, mexer os cordelinhos para acabar com o AO90, como milhares de lusófonos desejam.

 

Bem sabemos que pedir a demissão de um cargo, que por um qualquer motivo, falhou nos seus objectivos, é algo para gente com espírito superior, com honra, e dotada de uma postura erecta. Contudo, tenhamos esperança de que, entre o joio político, exista um grão de trigo, que possa fazer rejuvenescer o trigal.

 

Esta carta é de leitura obrigatória, para todos os que abominam o capenga AO90, (para usar um termo brasileiro tão ao gosto dos acordistas).

 

Isabel A. Ferreira

 

Sérgio de Carvalho Pachá.jpg

 

Por Amadeu M.

 

«Excelentíssimo Senhor Ministro Augusto Santos Silva,

 

Na impossibilidade de o contactar, pessoalmente ou pelo endereço electrónico do ministério, venho por este meio notificá-lo e à sua filial governativa, (órgãos do poder, Presidente da República, Justiça e Parlamento), e todos os meios de comunicação social (Jornais, TV e Editoras acordistas) do seguinte:

 

A maioria dos portugueses está contra o AO90.

 

Todos temos “o direito à indignação”, frase muito na moda, proferida em tempos por alguém do seu partido (PS), pela falta de respeito e educação do Sr. e dos órgãos de soberania do poder instalado em Portugal, do extravasar das competências  limitadas pela  Constituição da República, da qual o mais alto magistrado da Nação devia ser o seu garante.

 

Nos meios académicos do país o AO90 é conhecido por “dialecto brasileiro”, “cartilha brasileira”, “aborto ortográfico”, “mixordês” e “mortografia”, etc., etc., imposto pelos órgãos do Governos de Portugal, com a concordância e prepotência do Exmº Sr. ex-presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

 

Isto foi feito à revelia de todos os homens do saber, por uma resolução do Conselho de Ministros, ao tempo do Sr. José Sócrates para que os portugueses, principalmente as crianças em idade escolar, aprendessem a escrever uma língua estranha, imposta a todas as escolas e instituições do Estado.

 

O AO90 e todo o processo de o tornar válido pelo Sr. Ministro e o seu partido PS, BE, PSD e o CDS, excepcionando o PCP (cuja posição continua dúbia) de que são acérrimos defensores, ficou pela fase da ratificação dos países signatários, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor!

 

O Sr. ministro, Augusto S. Silva, como guardião-mor deste “aborto ortográfico” fez questão de, em Janeiro de 2016, afirmar em público e aos órgãos comunicação social:

 

«Angola e Moçambique estão prestes a ratificar o acordo, é uma questão de tempo», (frase repetida de tempos a tempos para calar as vozes discordantes).

 

Sr. Ministro, passados cinco anos, a tal ambicionada ratificação por si desejada e pela sua filial, está por executar, e como deve saber, (o Sr.  e os órgãos de poder sabem de certeza) nunca será ratificado, por isso é que criaram em 2004 um 2º protocolo modificativo ao Tratado inicial, para tornear o problema, (necessidade absoluta e urgente de o por em prática, sem o consentimento dos outros signatários do tratado).

 

Angola, Moçambique, Guiné e Timor dizem que o AO90 firmado com o Brasil, é uma autêntica vigarice, está cheio de incongruências e excepções, é mentiroso, criminoso, completamente inútil, patético e, acima de tudo, é ilegal.

 

Só o Sr. Ministro e a sua filial governativa e os seus membros acordistas acham que não, e vá-se lá saber porquê! Resta saber se ouve dinheiro a passar por baixo da mesa.

 

Como o povo não é burro, com o devido respeito que se tem pelo “burro”, há muitos interesses obscuros por trás desta tramóia.

 

O tratado original do chamado Acordo Ortográfico de 1990, garantia que o mesmo só entraria em vigor quando todos os intervenientes o ratificassem na sua ordem jurídica.

 

Essa intenção foi reafirmada em protocolo modificativo de 1998.

 

Em 2004, há um segundo protocolo modificativo, em que o governo português, inquietado por tanta demora, (os signatários do tratado não o ratificavam), afirmou:

 

“Basta haver a ratificação de três países para que o acordo [aborto] entre em vigor”.

 

Não é preciso ser um génio da jurisprudência para detectar aqui um abuso de poder e má-fé, da parte do poder político.

 

Como permitir que o segundo protocolo tenha força de lei se ele nem sequer foi ratificado por todos os países?

 

O resultado está à vista de todos, é o caos ortográfico instalado em todas as instituições do Estado com a gravidade inerente, em tornar a língua numa autêntica mixordice, afastando-a da matriz culta indo-europeia, e obrigatória às crianças em idade escolar, sob coacção, a todos os professores de ensino.

 

Como alguém escreveu, um caostecnicamente insustentável, juridicamente inválido, politicamente inepto e materialmente impraticável”.

 

E como não há lei alguma que o sustente, nós, pessoas de bem e de carácter, continuamos a escrever correctamente de acordo com a Lei em vigor.

 

O Sr. e os seus, queriam ou querem uma mera unificação da ortografia em todo o espaço lusófono, e deixar tudo como está, ou melhor tudo como foi feito, agredindo barbaramente a etimologia das palavras, com o propósito de tornar a ortografia portuguesa numa autêntica “mixordice”.

 

Ninguém percebe esta sua obstinação e a precipitação dos políticos do país.

 

Sujeitamo-nos agora à vergonha de Angola e Moçambique, Timor-Leste, Guiné Bissau, não aceitar o acordo porque têm demasiado respeito pela Língua Portuguesa!

 

Quando as Resoluções do Conselho de Ministros são de lesa-pátria, o mínimo que se pede é a desobediência civil.

 

Ainda bem que há tantos portugueses que não foram no engodo, não ficaram cegos só porque o Sr. e os seus membros acordistas lhes disseram que «está na lei», e ninguém sabe que lei é essa.

 

Parece que os tempos mudaram, dando a entender que cada qual faz o que bem lhe apetece.

 

O país já não é de analfabetos, como o Sr. e outros da sua classe querem que seja, embora, com este aborto, queiram fazê-lo regredir para esses tempos de atraso.

 

O que vemos escrito em textos oficiais, jornais e televisões para nós é uma autêntica vergonha nacional.

 

O Sr. Ministro devia saber, que na nossa “democracia”, a justiça, as garantias individuais e as leis obedecem a uma série de formalismos e burocracias, são dispendiosos (de iniciativa particular e privada) cuja observância, cega, é mais importante dos que as garantias legais, sociais e pessoais dos cidadãos; nomeadamente de não discriminação em função da situação económica, grau de instrução, capacidade física e intelectual.

 

Isto porque os despachos normativos e seus formalismos são feitos para permitir estas infâmias, em que o Sr. e o seu Governo são mestres neste tipo de situações.

 

Estamos perante um Governo de “faz-de-conta”.

 

Tudo isto acontece apesar de o governo ser de “esquerda”, socialista ou de centro de direita ou esquerda, como gostam de ser chamados.

 

 Citando Guerra Junqueiro:

 

«Partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogo nas palavras, idêntico nos actos, iguais uns aos outros como metades do mesmo zero, pela razão que alguém deu no Parlamento de não caberem todos de uma vez na mesma sala de jantar…».  

 

Raios partam todos os abutres, vampiros malditos, instituições e os governos que lhes oferecem, de bandeja, as leis e os formalismos (e a inércia das instituições) que permitem a estes vampiros alimentarem-se da destruição da sociedade (a começar pelos valores).

 

Perdeu-se a noção de norma, aliás com a vossa preciosa ajuda, meteram a colher onde não são chamados, criaram uma coisa a que chamam de AO90, como se fosse um conceito científico - o de "pronúncia culta" para justificar a pseudo aproximação da ortografia à oralidade com o Brasil.

 

O resultado está à vista de todos, com excepção da inteligência suprema do Sr. Ministro e do governo de um país chamado Portugal, escrevem uma panóplia de vocábulos estranhos à Língua Portuguesa de matriz culta indo-europeia, provenientes dos vários dialectos que se fala no Brasil. 

 

Os exemplos seguintes demonstram a estupidez e o ridículo a que isto chegou.

 

O país mergulhado num completo “anarquismo ortográfico” (não se sabe o que é certo ou errado), palavras que vão minando a aprendizagem nas escolas, onde as nossas crianças em idade escolar são obrigadas a ler e a escrever:

 

parabenizar, contato, cidadje, falço, sobrescrite, descaçámos,  desfitava, exchefe deceção, registro, reptis, efeituar,  abatises,  galera,  esporte, bilhão, sobetas, esporte, águaardente recetáculo, ruinas , escaço, assignadas, deslisa  etc., etc., etc…etc..

 

E tantos outros disparates, que é impossível enumerá-los a todos.

 

Erros, em qualquer parte, são erros, insistir nos erros é pura estupidez.

 

Na ortografia portuguesa, com o mais alto beneplácito dos deputados, Presidente da República e tribunais, um erro passou a ser uma verdade indiscutível.

 

Está-se a perder  cada vez mais a noção do que é certo e do que é errado, e cai-se no ridículo do absurdo.

 

Os juízes do tribunal constitucional são nomeados pelos partidos. Existem juízes da (relação, supremo e constitucional), de todas as cores partidárias. A justiça ao arbítrio da política.

 

O que esperar dos tribunais, quando os juízes são nomeados pelo partido do governo? A nosso ver, responda quem souber.

 

Escrevem alegremente em “acordês”, ou melhor, em “mixordês” que se está a generalizar em todo o espaço português, tornam-no obrigatório nas escolas e nas instituições do país.

 

Afinal que sentido de Estado?

 

Será possível confiar no Supremo Tribunal, no Tribunal Constitucional ou no TEDH (Tribunal Europeu dos Direitos do Homem) onde o Estado português tem sido um réu permanente e condenado repetidas vezes?

 

Está na cara! Toda a gente sabe! Toda a gente vê!  É o que diz o povo. Só não vê o Sr. ministro dos Negócios Estrangeiros e a sua filial governativa e os seus membros delatores (Presidente da República, Parlamento, tribunais, jornais, editoras e TV) da república das bananas!

 

E, nestes casos, não há garantias constitucionais que nos valham, porque ninguém respeita a Constituição, nem mesmo o Sr. Presidente da República, que diz ser o seu garante.

 

A forma ardilosa com que as instituições judiciais pretendem, neste caso, dar cobertura e protecção aos criminosos, é antiga e muito utilizada em Portugal:

 

Consiste no arrastar dos processos, na morosidade da justiça, invocando falta de meios, quando o que existe, de facto, é manipulação e falta de “vontade” de actuar.

 

Um outro factor importante são os testemunhos utilizados para este efeito.

 

Não tenho dúvidas de que indiciam ser fabricados e obtidos com promessa de protecção para o envolvimento (os crimes) dos seus autores.

 

Isto só é possível porque nos Tribunais, todos os dias se mente e ninguém é condenado por perjúrio.

 

Além disso, dentro das instituições, são tolerados todo o tipo de falhas, devidas à incompetência e/ou premeditação; isto é: só existe tolerância absoluta para a incompetência, com que se auto-desculpa a premeditação.

 

Contudo, torna-se ainda mais complicado confiar nos 230 deputados que compõem a AR, porque 206 são maçónicos, os outros 24 são o que são, ou melhor, são aquilo que quiserem ser!

 

Quem sabe, por que razão o Sr. Presidente da República, como ilustre professor e jurista, não determina a sua abolição?

 

O mais alto magistrado da Nação, o Sr. Presidente da Republica, com todos os instrumentos constitucionais que tem ao seu dispor, nada faz, ou melhor, nada tem feito para pôr cobro a esta situação, e faz do assunto “ouvidos de mercador”.

 

Questionado pelos os órgãos de comunicação social sobre o AO90, prontamente respondeu, como é seu cariz, ser um “não-assunto”, perfilando-se ao lado do Sr. Ministro e do Governo.

 

Que lástima Sr. Presidente, que falta de senso e carácter!

 

Não se espere que isto melhore, não existe ninguém que tome uma atitude firme e séria, o mixordês avança, afasta cada vez mais a Língua Portuguesa da sua matriz culta indo-europeia!

 

E para que se saiba que toda a gente sabe! Como deve ser! Já se passaram dez anos, tudo continua na mesma, apesar da gravidade e da verosimilhança das denúncias.

 

Isto tem de ter um fim, para bem de todos nós e do País que nem país é com este tipo de democracia, num “Estado de direito democrático”, frase muito ao gosto do poder político.

 

Portugal, é conhecido lá fora como sendo um país de brandos costumes, e onde os governantes não tomam decisões importantes, para corrigir o que está mal.

 

O “aborto ortográfico”, foi feito por meia dúzia de imbecis, à pressa e às escondidas, ao serviço dos propósitos políticos, ligados à maçonaria, e a ortografia portuguesa começou a ficar em farrapos. 

 

Os professores sob coacção, e não coação, (acto ou efeito de coar, os brasileiros assim escrevem) palavra muito utilizada pelo Sr. e pelos seus acólitos (jornais, televisões e outros meios de comunicação social) iniciaram nova aprendizagem dos vários dialectos, transmitindo-os às criancinhas em idade escolar, desprezando deste modo a Língua Portuguesa de Matriz Culta Indo-Europeia.

 

Desde 2011, está instalado o caos ortográfico em Portugal! e tudo isto podia evitar-se, desde que houvesse gente poderosa para o evitar.

 

Os idiotas, são sempre idiotas, não conseguem ver o que é óbvio, ou se o vêem fazem questão de não o ver, sentem-se realizados por uma coisa qualquer, a destruição do Património Cultural Imaterial de Portugal”, a Língua Portuguesa de matriz culta indo-europeia

 

Vejam, as palavras acentuadas na penúltima sílaba, como devem ser escritas e por via do “mortográfico” deixaram-no de o ser:

 

Como deve ser escrito está a negrito.

Entre parêntesis, por via do AO90 é como passou a ser escrito.

 

pára (para)

móveis (moveis)

úteis (uteis)

fácil (facil)

ordinário (ordinario)

miséria (miseria)

míssil (missil)

ágil (agil)

alcançável (alcançavel)

capitólio (capitolio)

 

Etc., etc., etc., etc., é impossível enumerar todas, pois só os idiotas, por serem idiotas, é que escrevem desta forma e obrigam a escrever aos demais!

 

Um país em que a classe política da “república das bananas” pactua com estas anomalias vai destruindo a LÍNGUA Portuguesa de matriz culta indo-europeia muito rapidamente e em força.

 

O que se pode chamar a isto, senão uma absoluta incompetência?

 

Na nossa opinião, seria matéria clara para o Tribunal Constitucional, mas como acreditar, se ele próprio escreve em “mixordês”?

 

Não convém esquecer a violação grosseira, cometida com requintes de bestialidade primitiva, ao simples acto despótico da política.

 

Irrita haver gente favorável às modas, quando são as modas que conduzem o rebanho, e já basta o que basta, quanto mais ouvir os "méeee" concordantes.

 

Outro dos problemas do actual “aborto” é que grande parte dos seus paladinos não fazem a menor ideia de como aplicá-lo, precisamente porque é uma autêntica “mixordice”.

 

Confunde-se dicção com fonética, fixa-se a ortografia com base na fala apenas.

 

Em termos práticos, a tão apregoada mudança da língua (os defensores valorizam a mudança, confundindo mudança com evolução) começa a ser operada da má escrita para a fala, e não da fala para a escrita.

 

 

Só mesmo alguém muito poderoso e com coragem para enfrentar este grupelho sem escrúpulos é capaz de acabar com esta “lama” de vez!

 

O   esquema está tão bem montado e encruzilhado, que nem com um 25 de Abril idêntico ao que houve, se conseguiria deitar abaixo esta máfia!

 

Uma força muito mais poderosa do que a da ditadura do Salazar!

 

O único meio não seria começar a desvendar as trafulhices que levaram Portugal à ruína e também daí recuperar o dinheiro que foi roubado neste tipo de situações? Ou confiscar as empresas (jornais, TV e outras) que teriam recebido subornos ou ajudas por baixo da mesa e saber quem serão os próximos a serem denunciados?

 

Sr. Ministro, para terminar, Portugal será como o Sr. e a sua filial governativa querem que seja: pobre, moribundo, corrupto e traiçoeiro, e de um povo de emigrantes e sem valores.

 

Homenagem seja feita a Vasco Graça Moura, que tanto lutou contra “esta horda de imbecis[expressão dele].»

 

Amadeu M.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:47

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Segunda-feira, 5 de Abril de 2021

Alerta: estamos envoltos num «Nevoeiro Linguístico» que está a conduzir Portugal para um abismo…

 

Um actualíssimo texto da professora Maria João Gaspar Oliveira, escrito em Fevereiro de 2014, que repesco, neste momento, em que a Língua Portuguesa se esboroa, a cada dia que passa, e se caminha para o abismo, seguindo um "acordo" ortográfico que milhares de Portugueses repudiam, e que nenhum outro país lusófono deseja.

 

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Por Maria João Gaspar Oliveira

 

«Nevoeiro Linguístico»

 

«Ver a Língua Portuguesa tão maltratada pelo "acordo" ortográfico (AO90), não é fácil para quem a ama profundamente, desde os bancos da escola. Dói-me vê-la desfigurada, a tentar mover-se no caos, sem o conseguir, perdida num nevoeiro que não deixa ver claro... Cada vez mais, me sinto agredida, em cada dia que passa, pelo AO90, através de certos jornais, da televisão, da Internet, e até pelo próprio "Jornal de Letras", cuja leitura deixou de me dar prazer.

 

Os princípios que (des)orientam este "acordo" são tão incongruentes, confusos e inconsistentes, que contribuem para o desprestígio internacional do nosso país. Não é por acaso que a maioria dos portugueses, incluindo poetas, escritores e professores, repudia este "acordo", que nos foi imposto, sem discussão pública, e que não pode contribuir, de modo algum, para a evolução da nossa Língua, até porque ela não evolui por decisão política, mas sim, naturalmente, nos diferentes contextos socioculturais de cada país.

 

Ao fazer tábua rasa da sua raiz greco-latina, afastando-a, assim, das grandes Línguas mundiais, este "acordo" roubou, à nossa flor do Lácio, o casulo onde as palavras se metamorfoseiam, até à beleza do voo. Quem já leu o texto do AO90, mais se apercebe da inviabilização do vocabulário formado por via erudita, devido ao afastamento da etimologia das palavras. E isto empobrece, drasticamente, a Língua Portuguesa.

 

Subordinar a grafia à oralidade, que é tão variada na comunidade lusófona, faz divergir as grafias ainda mais, pelo que deita por terra uma propalada "unificação" que não é desejável (é a diversidade que enriquece a Língua), nem possível, porque este "acordo" admite múltiplas grafias (as famigeradas facultatividades), como por exemplo: corrupto/corruto; dicção/dição; sumptuoso/suntuoso; peremptório/perentório, etc., etc. Além disso, provoca sérias divergências em palavras que tinham a mesma grafia, com a agravante de crias homonímias e homografias que não têm razão de ser, tais como: receção em Portugal e recepção no Brasil; deceção em Portugal e decepção no Brasil; espetador em Portugal e espectador no Brasil, e assim por diante.

 

 A grafia, em função da pronúncia, desrespeita os próprios "objectivos" deste "acordo" que, afinal, nem é um Acordo, visto que, além de ser ilegal e inconstitucional, não foi subscrito por todas as comunidades falantes, e não está a ser aplicado nos países que o ratificaram (Brasil, Angola e Moçambique).

 

 Introduzindo formas tipicamente brasileiras, no Português de Portugal, provocando alterações nas consoantes  mudas, acentuação, hifenização, utilização de maiúsculas, etc., este "acordo" incoerente e sem fundamento científico, veio instaurar o caos linguístico na sociedade portuguesa, com consequências devastadoras a nível educacional, cultural, social e económico, coexistindo já três grafias: a do Português, a do AO90 e aquela que dá na real gana a quem é a favor do "acordo", mas que não o leu, ou seja as "multigrafias pessoais"... E a este "acordês", nem alguns responsáveis políticos, jornalistas e professores universitários conseguem escapar.

 

Como se tudo isto fosse pouco, o referido caos invadiu as escolas, onde também coexistem várias grafias, e onde os professores se vêem obrigados a ir contra a sua própria consciência, "ensinando", nos termos de um "acordo", que, liminarmente, rejeitam, mas que lhes foi arbitrariamente imposto, e ao arrepio de todos os pareceres. Com tal imposição, a maioria dos professores perdeu o prazer de ensinar, numa escola, onde aprender podia ser tão apaixonante como jogar à bola, ou andar de bicicleta. E, perante tamanho descalabro, como estimular, nos alunos, o gosto pela leitura e pela escrita? E o que vai acontecer ao rigor da Língua, na reflexão filosófica e na criação literária?

 

Um "acordo" que tem a fonética e o mercado livreiro como critérios, manifestando, assim, uma total insensibilidade, perante o valor patrimonial da ortografia, e que enferma de problemas, a nível legal e constitucional, prejudica seriamente o desenvolvimento, a educação, o progresso do país. O "acordo" em causa viola, por exemplo, o artº 78 (alínea c) do nº 2, da Constituição da República Portuguesa), sobre o dever estatal de defesa do património cultural.

 

 Sabe-se que a Língua não evolui por decreto, mas há a considerar que este "acordo", apenas autorizado por uma Resolução da Assembleia da República, é, na verdade, ilegal, estando assim em vigor a anterior ortografia, acordada pelo AO45.

 

 Para cúmulo, o AO90 recorreu a um conversor ortográfico, o Lince, já utilizado na AR e em várias instituições, e a um VOP ("Vocabulário Ortográfico do Português"), que não dignificam a cultura, e que entram em rota de colisão com ele próprio (imagine-se o Lince a abrasileirar Camões, Pessoa, etc.), por mais incrível que pareça.

 

Os problemas provocados pela aplicação deste "acordo" são tantos, que eu teria de me alongar ainda mais, para tentar fazer uma abordagem mais profunda de todos os pontos.

 

Como peticionária e amante da Língua Portuguesa, vou estar atenta, no próximo dia 28, ao debate e votação na Assembleia da República, da Petição nº 259/XII/2ª, que foi subscrita por Ivo Barroso e Madalena Homem Cardoso, e que exige a desvinculação de Portugal a este "acordo" ortográfico. Ao fim e ao cabo, todos sabemos que esta é a única solução. Qualquer outro "acordo", ou tentativa de "simplificação" do que já existe, só nos irá levar a novos e onerosos becos sem saída, que terão também, no futuro, graves consequências na Língua Portuguesa. (*)

 

Perante a selvática destruição da identidade e das raízes da nossa Língua, peço e espero que este Governo tenha o bom senso de pôr fim à imposição de um "acordo" que Portugal repudia, e que nenhum outro país lusófono deseja. Assumir um erro e erradicá-lo, só dignifica quem o pratica.

 

Caso contrário, ver-me-ei obrigada (e, decerto, a maioria dos portugueses...) a exercer o direito de resistência (artº 21, da Constituição da República Portuguesa).»

 

Maria João Gaspar Oliveira

 

Fonte:

https://www.facebook.com/notes/524069947710276/

 

(*) Malogradamente, a Petição nº 259/XII/2ª, não passou na Assembleia da República, devido à falta de conhecimentos específicos e à submissão do governo português a uma negociata obscura, que constituiu um descomunal erro, que ninguém ainda teve a dignidade, a hombridade, a honestidade de erradicar.

 

Tudo já foi dito e redito e esmiuçado acerca do maldito AO90 que, em muito má hora, foi parido por quem desejava ver Portugal a rastejar pelo chão, como um réptil.

 

E eis que, actualmente, temos um Portugal dividido entre os servilistas (que, obedientemente, se mantêm fiéis à aberração ortográfica, mais conhecida por AO90), e os insubmissos que o rejeitam convictamente, precisamente, por se tratar de uma aberração ortográfica, sem paralelo na História da Humanidade.

 

Para que Portugal regresse à sua condição de País independente, linguisticamente falando, é preciso que o Estado Português deixe de ser servil e recue nesta tentativa de colonização linguística, porque é da inteligência recuar, quando se caminha para o abismo.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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Segunda-feira, 29 de Março de 2021

Engana-se quem diz que o Português é a Língua mais falada no Hemisfério Sul e arredores

 

Há quem queira esticar a corda, para parecerem muitos, e justificar uma unificação de grafias que jamais acontecerá. E há também quem tenha a alucinante pretensão de que a NOSSA Língua Portuguesa venha a ser uma Língua oficial da ONU. Poderia até ser se esses “milhões” de pretensos falantes, falassem, de facto, Português. Mas não falam.

 

A matemática dos “milhões”, que serve de base ao insano AO90, peca por estar muito aldrabada. Se não vejamos por que é uma falácia dizer que “milhões” falam Português. Se bem que os oito países lusófonos, que integram a eivada de colonialismo e inútil CPLP, tenham (ainda) a Língua Portuguesa como Língua Oficial.

 

lingua-portuguesa-no-mundo.png

Imagem: Reprodução

 

Porém, de facto, o único país onde se fala, quase a 100% Português, é Portugal, tendo o Mirandês também como Língua oficial. A estas duas Línguas acrescentem-se os dialectos Madeirense e Açoriano. E, no mundo, falar-se-á Português, onde quer que exista uma comunidade portuguesa, se bem que as novas gerações sejam, no mínimo, bilingues: falam a Língua dos Pais e a do País que os acolheu.

 

De resto, eis o que na realidade se passa:

 

- No Brasil, fala-se o Crioulo Brasileiro, oriundo do Português; a acrescentar a este, existem mais 274 línguas diferentes, faladas pelas 305 etnias indígenas; a estas, juntem-se mais as seguintes línguas regionais, bem enraizadas no quotidiano brasileiro:  Alemão, Castelhano (nas áreas fronteiriças), Hunsrik, Italiano, Japonês, Polaco, Ucraniano, Inglês, Pomerano, Talian, Chinês e Coreano.

 

- Em Cabo Verde fala-se o Crioulo Cabo-verdiano, oriundo da Língua Portuguesa, usado no quotidiano das pessoas, como Língua oficial, e o Português, como Língua estrangeira.

 

- Em Angola a Língua oficial é a Portuguesa, contudo a maioria da população angolana fala, como primeira língua, algumas das línguas angolanas, a saber: o Umbundo, o Kimbundu, o Quicongo, o Chócue, o Nganguela, o Kwanyama, além de dezenas de outros dialectos.  

 

 - Em Moçambique a Língua oficial é a Portuguesa, mais utilizada no meio urbano. Contudo, existem 43 línguas nacionais, das quais 41 são línguas Bantu, faladas no meio rural, as quais me abstenho de mencionar por serem demasiadas.

 

- Na Guiné-Bissau predomina o Francês, nas universidades (por motivos de vizinhança) e o Crioulo da Guiné-Bissau, oriundo do Português, é a língua franca da Guiné-Bissau, e é falado por cerca de 70% da população total do país.

 

 - Em São Tomé e Príncipe, o Português como língua oficial é falado apenas virtualmente pela população, porque o que predomina são os crioulos desenvolvidos a partir do Português como o Forro, o Angolar e o Principense. Mas também é ali bastante falado o Crioulo Cabo-verdiano, o Português dos Tongas e resquícios de Línguas do grupo Bantu. Contudo, actualmente, o Francês e o Inglês são também profusamente falados no país.

 

- Em Timor-Leste, de acordo com a Constituição do país, o Tétum, que sofreu influências da Língua Portuguesa (uma Língua de elite em Timor), é a Língua Nacional, mas também Língua Oficial, que partilha com o Português. A estas, juntam-se mais as seguintes quinze Línguas Nacionais faladas pelo povo timorense: Ataurense, Baiqueno, Becais, Búnaque, Cauaimina, Fataluco, Galóli, Habo, Idalaca, Lovaia, Macalero, Macassai, Mambai, Quémaque e Tocodede. 

 

- Na Guiné-Equatorial, metida à força, no grupo dos países da CPLP, por questões meramente economicistas, NÃO SE FALA Português, mas sim o Castelhano e o Francês. Aqui tem-se a pretensão de criar escolas para se aprender o Português. Mas qual Português? Obviamente o Crioulo Brasileiro, oriundo do Português, aliás já bastamente disseminado pela Internet, com a bandeira brasileira.

 

- Em Macau já pouco se fala Português, a Língua predominante aqui é o Mandarim.

 

***

Feitas bem as contas, a Língua Portuguesa nem pouco mais ou menos é falada pelos “milhões” que, falaciosamente, os predadores da Língua Portuguesa (brasileiros e portugueses) propagam, para justificar a imposição (ilegal) do AO90.

 

O facto é que tudo bem espremidinho, e tendo em conta que Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste não ratificaram o AO90, e que Cabo Verde tem o Crioulo Cabo-verdiano como primeira Língua, e São Tomé e Príncipe está-se nas tintas para o AO90, quem sobra para defender o indefensável? O Brasil, o mais interessado nesta questão, pois é a sua VARIANTE que circula por aí, e o muito servilista Portugal. E tendo ainda em conta que apenas uma fatia seguidista de Portugueses aplica o AO90, pretender que a Língua Portuguesa tenha a importância que lhe querem atribuir, no plano internacional, é da mais cristalina estupidez.


E sim, concordo com o que diz Olavo de Carvalho.

 

Olavo de Carvalho.jpg

 

Ao suficientemente idiota que apareceu no Brasil, somam-se os idiotas portugueses que, deslumbrados com os falsos “milhões” de falantes, e imbuídos do complexo de inferioridade que os faz rastejar aos pés do gigante, andam por aí a justificar o Acordo Ortográfico de 1990, com a colossal e imbecil falácia da defesa do papel da Língua Portuguesa à escala internacional.

 

Que papel? Que Língua Portuguesa?  A quem querem enganar e fazer de parvos?

 

E pensar que a Língua Portuguesa, GENETRIZ de toda esta diversidade e riqueza de Crioulos, que disseminou pelo mundo, está a ser empobrecida, esmagada, reduzida a uma insignificante imitação ridícula e imperfeita da Língua que já foi, dá-me ímpetos de maldizer todos (os que obrigam e os que se dizem obrigados a…, mas não são) os que estão a contribuir para este monstruoso retrocesso linguístico, sem precedentes na História de Portugal.

 

E citando Maria Alzira Seixo, ao comentar uma publicação no Facebook: «Obrigar as pessoas a escrever mal, nem o próprio Salazar o teria feito. Até porque Salazar sabia escrever, ao menos».

 

Isabel A. Ferreira

 

Nota: artigos que me levaram a escrever este texto:

Português, a língua mais falada do Hemisfério Sul

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/portugues-a-lingua-mais-falada-do-hemisferio-sul-419517

A casa da lusofonia: riqueza linguística

https://eltrapezio.eu/pt-pt/opiniao/a-casa-da-lusofonia-riqueza-linguistica_18416.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:17

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Sábado, 6 de Março de 2021

Bagão Félix quer que Marcelo Rebelo de Sousa traga à luz do dia a questão do Acordo Ortográfico enquanto este não vai para o crematório

 

A revista SÁBADO, na sua edição do dia 04 de Março, pediu a várias personalidades que dessem ideias novas e conselhos para o novo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Então, na página 66, podemos ler o conselho mais lúcido que, actualmente, poderia ser dado ao Presidente da República Portuguesa, tão alheado que anda de uma questão de extrema gravidade, e que está a por em causa a soberania nacional.

 

António Bagão Félix.png

Origem da imagem: Mário Cruz/Lusa

 

O conselho é do Dr. António Bagão Félix, e é o seguinte:

 

5

BAGÃO FÉLIX

O ex-governante quer “desenterrar” uma polémica.

Talvez seja desenterrar, de facto, ou quase, admite: mas o que pretende é mesmo que o Presidente traga, de novo, à luz do dia a questão do Acordo Ortográfico, «enquanto não vai para o crematório». E argumenta: «é extraordinário que as posições de especialistas, de deputados, e até dos cidadãos, expressas numa petição não tenham resultado. E não faz sentido que Angola, Moçambique e Timor não tenham aderido, o Brasil aderiu à sua maneira, e em quase nada, e nós esqueçamos esta questão de soberania nacional».


E deixa uma discreta farpa: «O Presidente já se interessou por tantas questões de menor importância que esta…»
(Revista SÁBADO, pá. 66)

 

Verdade.

 

No seu primeiro mandato, Marcelo Rebelo de Sousa andou sempre por aí, metido em todas as questões, no que devia, e até no que não era da sua competência.

 

Muitas vezes foi confrontado com a questão do AO90, em privado e em público (eu própria o questionei em várias Cartas Abertas e privadas) e o silêncio a que se remeteu só teve o efeito contrário àquele que ele próprio pretendeu, pois sempre se ouviu dizer que quem cala consente. E posto diante das inúmeras alusões ao facto de estar a violar a Constituição da República Portuguesa, ao aceitar a fraude mais do que comprovada, que todos sabemos ser o AO90, o seu silêncio o que significará, senão o de consentir o erro?

 

Mas não é apenas o Dr. António Bagão Félix que quer que Marcelo Rebelo de Sousa traga à luz do dia a questão do Acordo Ortográfico. Querem também os milhares de Portugueses, espalhados pelos quatro cantos do mundo, que se sentem defraudados e envergonhados com a mixórdia ortográfica em que se transformou a nossa Língua Portuguesa, que já nem sequer é Portuguesa, tendo, aliás, desaparecido, por completo, do Universo Internético.

 

Eu, pessoalmente, também quero que o Presidente da República Portuguesa traga à liça a questão do AO90.

 

Em 2019, por duas vezes, propus-lhe uma entrevista para que me respondesse apenas à seguinte pergunta:

 

Porquê o Presidente da República Portuguesa não defende a Língua Portuguesa, como é de seu dever, ao fazer o seguinte juramento: «Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa», na sua tomada de posse, em 2016  e, nesta matéria, sendo o AO90 uma fraude, mais do que comprovada, ilegal e inconstitucional, como o afirmam TODOS os juristas, não só não está a desempenhar fielmente as funções em que ficou investido, como não está a defender, a cumprir e a fazer cumprir a CRP?

 

A resposta foi o mais profundo silêncio. Sempre o silêncio.

 

Contudo, queremos e merecemos saber, da boca do Presidente da República, por que motivo Portugal está a perder a sua soberania nacional, cultural e linguística, ao rastejar por aí, sem rei nem roque, e sem Língua que o represente?

 

É que uma Língua não é apenas um meio de comunicação. Uma Língua é essencialmente um vector de Identidade Nacional e Património Cultural Imaterial de cada país.

 

Ou isto não é da competência de um Presidente da República?

 

Esperemos que, sendo Bagão Félix a dizê-lo, o PR saia da caverna e venha explicar o motivo por que deixou chegar a Língua Portuguesa à condição de farrapo linguístico.

Porque muitos de nós já fizemos tudo para que ele desencavernasse, e nada.

A culpa deve ser tanta, que não aguenta a LUZ.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:37

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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2021

«Devemos ter consciência de que qualquer Acordo Ortográfico que tenha por fim “unificar” as duas normas existentes — Português Europeu e Português do Brasil — está votado ao fracasso»

 

O que está em causa

 

Por Rui Valente

 

Enquanto esperamos que a Conferência de Líderes agende o debate e votação do Projecto de Lei n.º 1195/XIII vale a pena recordar o que está em causa nesta iniciativa legislativa [de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico].

 

Parlamento.jpg

 

Em primeiro lugar, devemos ter consciência de que qualquer Acordo Ortográfico que tenha por fim “unificar” as duas normas existentes — Português Europeu e Português do Brasil — está votado ao fracasso. Os promotores do AO90 evocam, compungidos, o grande cisma ortográfico de 1911, ignorando que a Língua escrita é também vocabulário e é também sintaxe. Nesse sentido, o afastamento entre as duas normas é um processo natural, muito anterior à implantação da República — começa, muito provavelmente, no dia em que o Padre António Vieira decide aprender tupi para mais facilmente evangelizar o Brasil. E é, obviamente, um processo irreversível.

 

Muito se estranha, portanto, o reiterado afã de produzir acordos ortográficos que volta e meia aflige alguns estudiosos, ainda que ninguém lhos peça nem neles vislumbre qualquer utilidade. Pelo contrário, a cada novo projecto de AO multiplicam-se críticas e pareceres negativos, aos quais se junta a oposição generalizada dos portugueses.

 

Neste cenário, percebe-se facilmente que, aquando da sua assinatura, no fatídico dia 16 de Dezembro de 1990, o AO90 preparava-se para ser apenas mais um na já longa lista de acordos ortográficos falhados entre Portugal e o Brasil — certamente cairia por si, sem ser preciso combatê-lo. Infelizmente, como sabemos, as coisas não se passaram exactamente assim. O Acordo Ortográfico falhou, como não podia deixar de acontecer, mas, paradoxalmente, entrou em vigor em alguns países, sendo um deles Portugal.

 

Para percebermos como foi isto possível temos de recuar um pouco no tempo.

Na sua origem, o Acordo Ortográfico de 1990 resumia-se em quatro singelos artigos:

  • O primeiro artigo aprovava as modificações a introduzir na ortografia — as tais que, como vimos, só prejudicam, sem que delas advenha qualquer benefício.
  • O segundo artigo dizia que os signatários, até ao dia 1 de Janeiro de 1993, elaborariam um vocabulário ortográfico comum (VOC) da Língua Portuguesa — aparentemente, uma espécie de “caldeirão” onde seriam vertidas todas as palavras de todos os países da CPLP. Graças a esta benesse, passaríamos a ter à nossa disposição palavras como “mouse” [informática], “registro” ou “pantorrilha”. Sendo à partida uma ferramenta que pode ser interessante, o VOC, que ainda hoje não está concluído, não precisava obviamente de um Acordo Ortográfico para ser elaborado — embora, como se vê pela amostra, não dispense a organização de um rigoroso manual de instruções.
  • O terceiro artigo dizia que o Acordo Ortográfico entraria em vigor a 1 de Janeiro de 1994, após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa. Sublinhe-se “todos os Estados”, com ênfase no “TODOS”, como é lógico — se é para “unificar” não poderia ser de outro modo.
  • E, finalmente, o quarto e último artigo dizia que os Estados tomariam as medidas consideradas adequadas para que se respeitasse a data de entrada em vigor prevista no Art. 3º.
  •  

Perante este articulado, como é bem de ver, escritores, tradutores, poetas, jornalistas e, de um modo geral, quem quer que estime a sua Língua materna e a use como ferramenta de trabalho, investigação ou estudo nas mais variadas áreas, da Medicina à Culinária, passado pela Química, Biologia, Informática e outras, mais não tinha de fazer do que cruzar os braços e esperar que a infeliz criatura seguisse o seu caminho em direcção ao esquecimento.

 

Quando tudo apontava para esse desfecho, eis que os promotores do AO começam a movimentar-se, alterando as regras do jogo que eles próprios haviam criado.

 

Em 1998, já os prazos originais estavam mais do que furados. No que só pode ser visto como uma “fuga para a frente”, surge o Primeiro Protocolo Modificativo. Reunidos na Praia (Cabo Verde), decidem os signatários extirpar os Artigos 2º e 3º de tão incómodos horizontes temporais.

 

Como é evidente, esse expediente não produziu qualquer efeito, pois subsistia ainda a necessidade de o Acordo Ortográfico ter de ser ratificado por todos os países envolvidos. À data, 14 anos volvidos sobre o Acordo original, só um país tinha ratificado o AO90 — o Brasil.

 

Qualquer um veria neste cenário uma prova de que, efectivamente, o Acordo Ortográfico não desperta o interesse de ninguém. Não foi esse o entendimento dos promotores do AO90. Em 2004, desta vez reunidos em São Tomé, entendem por bem promover o Segundo Protocolo Modificativo, alterando mais uma vez o Art.º 3º do Acordo Ortográfico: deixa de ser necessária a ratificação do Acordo Ortográfico por todos os países, bastando apenas a ratificação por três desses países.

 

Seria difícil conceber um maior esvaziamento da letra e do sentido de qualquer acordo e, por maioria de razão, de um acordo que pretenda “unificar” o que quer que seja.

 

Pior, ou, neste caso, melhor, só a criação de um Terceiro Protocolo Modificativo que altere a redacção do Artigo 1º, tornando facultativa a adopção das novas normas ortográficas por parte dos países signatários. Talvez assim se consiga reunir, passados mais de 30 anos, a ratificação ou a adesão efectiva de Angola, Moçambique e demais países da CPLP que não seguem o Tratado. Fica a sugestão.

 

No que à ILC diz respeito — e estamos finalmente a chegar ao cerne da questão — o Projecto de Lei n.º 1195/XIII debruça-se sobre este “pormenor” do II Protocolo Modificativo.

 

Como se imagina, cada uma destas modificações introduzidas no AO90 assumiu, por sua vez, a figura de um Tratado — que, tal como o Acordo Ortográfico original, teve de ser objecto de aprovação e ratificação por cada um dos países envolvidos.

 

Em Portugal, o II Protocolo Modificativo foi submetido à apreciação da Assembleia da República em 2008, através de um Projecto de Resolução. Tendo sido aprovado, transformou-se na Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008 — aprova o II Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

 

Uma nota adicional sobre esta segunda alteração do Acordo Ortográfico: tendo sido redigida em 2004, os promotores do AO resolveram ter em conta a independência de Timor-Leste, alcançada em 2002. Deste modo, o II Protocolo Modificativo introduz não uma, mas duas alterações no texto original. A primeira, como vimos, é a nova redacção do Art.º 3º, eliminando a necessidade da ratificação do AO por todos os países. A segunda é a criação de um novo Artigo, o 5º, abrindo a possibilidade de o AO90 ser ratificado pelo novo país.

 

Com o distanciamento e a frieza que hoje nos permitimos ter sobre todo este processo, torna-se ainda mais evidente o que sempre dissemos: toda esta saga do Acordo Ortográfico começou mal, com a invenção do próprio AO, e só piorou com as sucessivas alterações introduzidas.

 

Os subscritores da ILC-AO entendem que, em 2008, a Assembleia da República devia ter dito “basta”.

 

Se o AO90 promovia uma unificação impossível, o II Protocolo Modificativo consagrou a existência de três normas no espaço da CPLP — um resultado diametralmente oposto ao que certamente era pretendido pelas mentes esclarecidas de quem julgou necessário um Acordo Ortográfico. Hoje em dia, a própria Wikipedia, entidade acima de qualquer suspeita de anti-acordismo, reconhece esse facto: “Contudo, um dos efeitos do Acordo foi o de dividir ainda mais estes países, criando agora três normas ortográficas: a do Brasil, de Portugal e dos restantes países africanos que não implantaram o Acordo apesar de o terem assinado.”

 

Os subscritores da ILC-AO vão mais longe, defendendo que o debate em torno da RAR 35/2008 foi mal feito, pouco esclarecido e inquinado pela disciplina de voto vigente entre os diversos grupos parlamentares. A própria questão de Timor-Leste foi fonte de equívocos: graças à sua apresentação num único “pacote” legislativo, uma medida tão disparatada quanto a redução do número de ratificações apanhou a “boleia” do capital de simpatia da abertura a Timor-Leste, num gesto que muitos viram como a integração “de facto” do novo país na CPLP.

 

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Poucos foram os deputados que, a exemplo de Manuel Alegre (PS) ou Luísa Mesquita (não-inscrita), souberam interpretar o que estava em causa neste processo e votaram contra a aprovação desta Resolução.

 

Mais votos contra teria havido, certamente, não fosse a malfadada disciplina partidária. Veja-se o caso de Matilde Sousa Franco (PS), que declara ter pedido licença para votar contra: “foi-me dito tal ser impossível devido à disciplina de voto e evidentemente obedeci, mas foi-me concedida autorização para me ausentar no momento da votação, o que fiz.” A avaliar pelo quadro de votações nesse dia, vemos que Matilde Sousa Franco não consta da lista de ausências — muito provavelmente, a sua vontade não terá sido respeitada, tendo o seu voto sido considerado como favorável.

 

O nosso Projecto de Lei parte do princípio de que a Assembleia da República pode e deve rever uma sua Resolução e, se for o caso, ter a coragem de admitir que errou.

 

O nosso Projecto de Lei revoga apenas a RAR 35/2008 — não o segundo Protocolo Modificativo ou o próprio Acordo Ortográfico. Mas abre a porta para um verdadeiro debate sobre a pertinência de um Acordo Ortográfico que ninguém pediu e que falhou os seus objectivos — mas que, graças ao “truque” do II Protocolo Modificativo, continua a subsistir como um corpo estranho no seio dos próprios países que se propunha aproximar.

 

Fonte:

 https://ilcao.com/2021/02/11/o-que-esta-em-causa/?fbclid=IwAR2czXvd14RAq11dsSeJWJu7UAuaJDx7lTyz7FpNMLGnZVYst_NDzpHICqQ

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:55

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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2021

«Vasco Graça Moura, a CPLP e o… Português»: «(…) a melhor maneira de projectar a Língua é acabar, pura e simplesmente, com o Acordo Ortográfico»

 

Trago-vos, hoje, um texto oriundo de Angola, publicado no dia 03 de Janeiro de 2021, no Folha 8, que se apresenta como um jornal Angolano, livre, independente, de informação geral e comprometido com a verdade. Folha 8, mais do que um jornal, a liberdade!

 

Um texto que recomendo vivamente a todos os que abominam o AO90 que, «Segundo o escritor [Vasco Graça Moura] (…) é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. É um atentado que tenta desfigurar completamente a língua e é absolutamente irresponsável da parte de quem negociou e da parte de quem o aprovou».

 

Como é revigorante ler um texto em Português, escrito tão escorreitamente! Em Portugal, a Língua Portuguesa, está moribunda, de tão maltratada, de tão espezinhada, de tão vilipendiada, de tão apoucada, como os apoucados que a querem destruir! Mas, em Angola, ela está viva e goza de muito boa saúde! Obrigada, Angola!

Que vergonha, Portugal!

Isabel A. Ferreira

 

Vasco Graça Moura.jpg

 

«Como o Folha 8 escreveu hoje, o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural distinguiu o gestor e jurista Emílio Rui, cujo percurso profissional “constituiu um expressivo exemplo de cidadania cultural”. Vasco Graça Moura nasceu no dia 3 de Janeiro de 1942 e morreu em 2014.

 

Consultar a notícia neste link:

https://jornalf8.net/2021/premio-vasco-graca-moura-cidadania-cultural-distingue-rui-vilar/

 

Emílio-Rui-Vilar_200x250.jpg

Fonte da imagem: https://www.regiaonline.pt/l/premio-vasco-graca-moura-da-estoril-sol-distingue-gestor-e-jurista-rui-vilar/

 

«Vasco Graça Moura, a CPLP e o… português»

 

(Nota: os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

«Vasco Graça Moura considerava que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) era uma espécie de organização fantasma, “que não serve para rigorosamente nada”, a não ser “ocupar gente desocupada”.

 

“O Instituto Internacional da Língua Portuguesa não está em funcionamento porque nenhum dos países membros da CPLP lhe dá meios para o fazer”, disse em Julho de 2010 o escritor e também poeta, a propósito da VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP.

 

“Isto corresponde a uma coisa chamada CPLP, que é uma espécie de fantasma que não serve para rigorosamente nada, que só serve para empatar e ocupar gente desocupada”, acrescentou na altura em declarações à Lusa. Para o escritor, o IILP “é uma entidade fantasma criada dentro de outra entidade fantasma.”

 

“Não se nota que exista qualquer espécie de política da língua da parte do Governo português e nota-se, da parte da mesma entidade, uma enorme estupidez na forma de tratar a língua, no que diz respeito ao Acordo Ortográfico”, disse o escritor.

 

Vasco Graça Moura, que foi uma das vozes contrárias ao Acordo Ortográfico por considerar que este tem deficiências e erros que lesam o Português, considerava que o Governo estava a cometer um crime contra a língua portuguesa.

 

“Os crimes que este Governo está a cometer e está em vias de cometer em relação à língua diz respeito ao Acordo Ortográfico. Portanto, não há política de língua digna deste nome. Há uma série de equívocos em que este Governo está a persistir”, sublinhou.

 

Segundo o escritor, “o acordo ortográfico é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.”

 

“É um atentado que tenta desfigurar completamente a língua e é absolutamente irresponsável da parte de quem negociou e da parte de quem o aprovou”, disse.

 

“As pessoas falam português em qualquer parte do mundo e se entendem, seja no aspecto familiar, cultural, negocial, diplomático, isso nunca prejudicou ninguém (o facto de não haver um acordo ortográfico)”, referiu.

 

Graça Moura sublinhou também a importância dos países africanos lusófonos na projecção do português no âmbito internacional, além de Portugal e Brasil.

 

“Basta considerar o número de habitantes de todos os países que falam a língua portuguesa, não apenas o Brasil, não apenas Portugal. Se considerarmos os países africanos de língua portuguesa, temos mais 50 milhões de pessoas, pelo menos, a falar português”, indicou na altura.

 

Para Graça Moura, nunca foi preciso um Acordo Ortográfico para a projecção internacional do português.

 

A projecção do português pode passar pelas organizações internacionais, pode passar pela promoção da cultura da língua, pela promoção da aprendizagem. Neste momento, a melhor maneira de projectar a língua é acabar, pura e simplesmente, com o Acordo Ortográfico”, concluiu.

 

Recordemos Amélia Mingas

 

No dia 21 de Julho de 2009, a directora executiva do Instituto Internacional de Língua Portuguêsa (IILP), Amélia Mingas, disse que não iria recandidatar-se ao cargo em 2010, alegando que estava “cansada de ser sacrificada”.

 

Bater com a porta é, nestes casos, uma boa solução. Na altura esperava-se que o barulho fizesse algo pela comunidade lusófona (algo mais do que a mera CPLP), acordando-a da longa, mas bem nutrida, letargia em que ainda hoje se encontra.

 

“Tudo o que poderia ter dado já dei, com muito sofrimento e com muitas noites sem dormir para tentar ver o que poderia ser feito para dar visibilidade ao IILP. A única coisa que se comenta é que o IILP não fez nada e que é inoperante. Mas nunca deram meios”, afirmou a linguista angolana, nomeada em 2006 e reconduzida em 2008.

 

Também nós somos dos que dizem que o IILP é, tal como a própria Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, um elefante branco anestesiado pelas sucessivas tentativas de o tornar ora cor-de-rosa, ora laranja, ora outra coisa qualquer.

 

Isso não significa, nem significou como o Folha 8 escreveu em 24 de Maio de 2016, uma crítica a Amélia Mingas, a não ser que deveria (exactamente porque nunca lhe deram meios) ter há muito dado um valente murro na mesa ou, talvez, até na chipala dos que se julgam donos da CPLP.

 

Amélia Mingas comentava nessa data os resultados da 14ª Reunião do Conselho de Ministros da CPLP, que decorreu na Cidade da Praia, em Cabo Verde, em que foi decidido criar um grupo de trabalho para pensar a refundação do Instituto, criado em 1989.

 

Questionada sobre se a perspectiva de Angola assumir a presidência da CPLP em Julho de 2010 poderia trazer benefícios para a direcção do IILP, Amélia Mingas foi clara na resposta: “Quando tudo isso for aprovado e capaz de ser posto em acção, já não estarei cá. Termino a minha comissão em Julho do próximo ano. E não me recandidato.”

 

Amélia Mingas sabia, melhor do que todos nós, que a refundação nada mais significaria do que a constatação do óbito do Instituto Internacional de Língua Português. Isto porque, ao esperarem que ele sobreviva sem “comer”, vão verificar que quando estava já a saber viver sem “comer”… morreu.

 

“Tem sido uma travessia difícil. A verdade é que, quer se queira ou não, o IILP tem uma directora executiva, que o representa e que dá a cara sempre que necessário, mas nunca se fala dos meios que lhe puseram à disposição. Foi uma missão muito ingrata”, sustentou.

 

Para Amélia Mingas, só os ministros e responsáveis da CPLP poderiam explicar a razão da criação de um grupo de trabalho vinte anos após a fundação do IILP.

 

“Essa resposta os ministros é que poderão dar. Eles saberão por que razão só agora estão preocupados com isso”, sublinhou, defendendo que esse trabalho deveria ter sido feito “antes da criação do próprio Instituto” e retomado mais tarde após a fundação da CPLP, em 1996.

 

“Como foi possível durante esse tempo todo deixar o IILP ao abandono? Não se pagam quotas, não se criam fundos para a comissão trabalhar, não se criam as comissões nacionais que deveriam trabalhar para a Língua Portuguesa em diálogo com o Instituto…”, criticou.

 

“Podem fazer-se mil projectos, mil propostas de refundação do IILP, mas se não se derem os meios financeiros para que realize tudo o que está pensado, um milhão de directores vão ter sempre o mesmo problema”, disse Amélia Mingas, adiantando que o orçamento de 190 mil euros voltava a servir unicamente para garantir o funcionamento do Instituto, que tem a sede na Cidade da Praia, em Cabo Verde.»

 

Fonte:  https://jornalf8.net/2021/vasco-graca-moura-a-cplp-e-o-portugues/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:02

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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2020

«A Assembleia da República e o Acordo Ortográfico» ou «O monte de lixo a que chamam acordo ortográfico» (de acordo com Duarte Afonso)

 

Em 2008, o romancista Duarte Afonso, escreveu um artigo de (excelente) opinião no «Jornal da Madeira», em que colocou em causa a insustentável leveza com que os políticos portugueses se vergaram a um acordo que, está mais do que provado, é um verdadeiro fiasco, sem a mínima viabilidade, em nenhum dos países lusófonos.

 

O texto está actualíssimo, porque desde 2008 nenhuma medida inteligente foi tomada, no sentido de corrigir o monumental erro que foi a adopção do monte de lixo a que chamam acordo ortográfico (de acordo com Duarte Afonso).

 

Isabel A. Ferreira

 

Eugénio de Andrade.png

 

«A Assembleia da República e o Acordo Ortográfico»

 

 Por Duarte Afonso

 

Depois de a RTP ter anunciado a adopção do acordo ortográfico, agora foi o Dr. Jaime Gama a brindar-nos com mais uma notícia trágica, ao anunciar que a Assembleia da República também o vai adoptar em Janeiro de 2012.

 

A Assembleia antes de adoptar esse monte de lixo a que chamam acordo ortográfico, devia preocupar-se primeiro com os erros e deficiências que existem no mesmo, e explicar ao país por que é que ignorou as recomendações da Comissão de Ética e Cultura da própria Assembleia, que alertava para esses mesmos erros e deficiências, depois de ter analisado e votado por unanimidade a petição contra o aludido acordo, dando razão aos peticionários.

 

Este é o mesmo acordo que em 2005 por solicitação do Instituto Camões a Associação Portuguesa de Linguística, emitiu um parecer que diz bem o que é o acordo ortográfico. Depois de ter demonstrado que o monstro não serve, termina assim:

 

“Em conclusão, por todas as razões acima aduzidas, a Associação Portuguesa de Linguística recomenda:

1 - Que seja de imediato suspenso o processo em curso, até uma reavaliação, em termos de política geral, linguística, cultural e educativa, das vantagens e custos da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

 

2 - Que, a manter-se o texto actual do Acordo, Portugal não ratifique o Segundo “Protocolo Modificativo”.

 

Ainda a respeito dos pareceres pedidos pelo Instituto Camões vale a pena referir uma notícia que saiu no Jornal de Notícias em 12-07-2008. Com a devida vénia passo a citar duas pequeninas passagens:

 

A mesma intitula-se: “Peritos arrasam acordo ortográfico”.

 

“Esmagadora maioria dos linguistas, académicos e editores consultados estão contra o tratado. Se a implementação do Acordo Ortográfico dependesse apenas do processo de consulta, há muito que o projecto teria sido abandonado. Das 27 entidades consultadas, apenas duas se mostraram favoráveis.

 

Nas respostas das 14 entidades que participaram no inquérito promovido pelo Instituto Camões abundam as criticas. Entre pedidos adicionais de informação e o desconhecimento sobre as alterações a introduzir, não faltam, também, entidades como a Associação Portuguesa de Linguística, ou Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que solicitam “a suspensão imediata do processo”.

 

Estes factos demonstram bem o que é o acordo ortográfico, e a atenção que mereceram por parte do Estado. A Assembleia antes de o adoptar também devia ter em atenção o (art.º 2) do próprio acordo que diz o seguinte:

 

“Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível no que se refere às terminologias científicas e técnicas”.

 

Este é o único vocabulário válido para a aplicação do acordo, e não há nenhum outro que o possa substituir. Isto significa que enquanto esse vocabulário comum não for elaborado e não estiver em vigor, o acordo ortográfico não tem qualquer valor, porque foram subvertidas as regras do próprio acordo. É um abuso dizer-se que os textos que seguem as regras do monstro foram escritos ao abrigo do acordo ortográfico, porque o mesmo não tem legitimidade jurídica nem democrática. O único abrigo que dá é à ilegalidade e ao obscurantismo.

 

Não é por acaso que Angola ainda não o ratificou, e o seu deputado Luís Reis Cuanga já veio dizer “que deve haver reciprocidade na aplicação do acordo com a integração do vocabulário angolano no comum”. Deu ainda como exemplo, “que se deve escrever Kanza e não Kuanza como se pretende no novo acordo”. Isto significa ainda que Angola não alinha na irresponsabilidade, e está a chamar a atenção para que as regras do acordo sejam cumpridas.

 

É penoso e revoltante ver a nossa língua ser adulterada por um acordo que nos foi imposto, cheio de erros grosseiros e disparates escandalosos, cozinhado nas costas do povo, protegido pelos nossos governantes e acarinhado por alguns órgãos de comunicação social.

 

Ao longo do tempo, sempre foram introduzidos ajustamentos na nossa língua; mas nunca foram introduzidos através de leis ou decretos, nem o Estado teve intervenção em matérias que dele não dependem nem a ele competem, como é o caso da evolução da nossa língua em qualquer das suas vertentes, sendo a ortografia uma dessas vertentes. Além disso, esses ajustamentos sempre foram elaborados por especialistas sábios e idóneos com conhecimento profundo da nossa língua.

 

Qual é o crédito que merece, este acordo, se o mesmo assenta na facultatividade, na acentuação gráfica, e na consagração pelo uso?

 

A Assembleia da República e o governo, antes de o adoptarem, prestariam um bom serviço à nossa língua e ao nosso país, se tomassem a iniciativa de constituir uma comissão formada por representantes das comunidades cientificas, académicas, literárias, e profissionais, para proceder a uma revisão do texto do acordo, de forma a expurgar os erros e disparates que existem no mesmo.

 

Vejamos agora alguns desses disparates. No preâmbulo do mesmo está escrito o seguinte:

 

“O projecto de texto de ORTOGRAFIA UNIFICADA, de língua portuguesa aprovado em Lisboa, em 12 de Outubro de 1990, constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

 

Aqui referem-se à ortografia como se já estivesse unificada. Na nota explicativa (5-2-4) podemos ler:

 

“Considerando que tais casos se encontram perfeitamente delimitados, como se referiu atrás, sendo assim possível enunciar a regra da aplicação, OPTOU-SE por fixar a DUPLA acentuação gráfica como a solução menos ONEROSA para a UNIFICAÇÃO da língua portuguesa”.

 

Esta explicação absurda e ignorante significa precisamente o contrário daquilo que defendem os seus autores. A dupla grafia não une, afasta que é bem diferente. A consagração da grafia dupla reflecte a impossibilidade efectiva e incontornável de unificação. Estes dois exemplos demonstram bem a falta de rigor em que assenta esse embuste a que chamam acordo ortográfico.

 

Primeiro apresentam-no como se a nossa ortografia já estivesse unificada. Depois demonstram que a unificação é impossível. Em que ficamos? Como é que é possível escreverem estes disparates e ao mesmo tempo defenderem esta porcaria de acordo?

 

Perante todos estes factos pergunta-se:

 

Por que é que se dá tanta atenção ao monstro, e por que é que há tanta pressa em adoptá-lo? Por que é que os portugueses foram sempre colocados perante factos consumados e nunca foram ouvidos nesta matéria? Por que é que se vai adoptar um acordo cheio de ilegalidades e erros grosseiros, detectados, inventariados e comentados pelos melhores especialistas do país? Porquê?

 

Por fim, passo a citar com a devida vénia, uma passagem que consta no livro intitulado “Apologia do desacordo ortográfico de António Emiliano, Professor de Linguística da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Investigador – responsável do projecto Origens do Português, no âmbito do qual foi digitalizada, transcrita e objecto de estudo linguístico a mais antiga documentação de Portugal”. Essa passagem consta na página 81 do aludido livro e diz o seguinte:

 

«O Acordo Ortográfico é um monumento de incompetência e ignorância: não interessa que nomes “reputados”, das letras brasileiras e portuguesas tenham nele colaborado; fizeram um mau trabalho e prestaram um péssimo serviço à língua portuguesa e às lusofonias que dizem defender. Meteram-se em assuntos para os quais não tinham, por mais que me custe dizê-lo, competência específica.»

 

Mais palavras para quê? Os factos falam por si. Resta-nos exercer o nosso direito de cidadania, manifestar a nossa indignação de forma activa, responsável, e esperar que os portugueses olhem o mais depressa possível para esta realidade. Temos ainda o dever de apoiar a Iniciativa Legislativa de Cidadãos, para podermos tirar a nossa língua do atoleiro em que a meteram.

 

Duarte Afonso

Romancista»

 

Fonte: https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-assembleia-da-republica-e-o-acordo-83832

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:52

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