Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

Diz a notícia que Portugal é o 19º melhor a Inglês... E a Português?

 

 

Os Portugueses estão cada vez melhores no Inglês? Nada mau.

Mas no Português estão cada vez PIORES! A falar e, principalmente, a escrever.

Lamentável. Muito lamentável!

 

E isto não diz muito do país que somos? Um país subserviente a tudo o que é estrangeiro? Língua, programas de televisão, modas e modismos, halloween’s, enfim… Portugal, actualmente, é feito de um povo pobre de espírito (não confundir com pobre em espírito)… Muito, muito triste!

 

PORTUGAL.png

 

Os portugueses estão cada vez melhores no Inglês. Quem o diz é a Education First (EF), tendo por base a mais recente edição do English Proficiency Index, em que Portugal aparece no 19.º lugar, à frente de países como República Checa, Grécia, Argentina, Índia, Espanha, França, Itália e Brasil.

O que não surpreende nada.

 

Em relação ao ano passado, a pontuação de Portugal subiu pontos. Contudo, a entrada directa da Eslovénia para o nono lugar fez com que Portugal caísse uma posição.

 

O mesmo índice revela que no Norte de Portugal se fala melhor Inglês do que no Sul, ainda que Lisboa surja em primeiro lugar, e que as mulheres também ultrapassam os homens.

 

Elaborado a nível mundial, o ranking avalia a proficiência linguística de pessoas cuja língua nativa não é a inglesa. A Europa domina os primeiros lugares, com Suécia, Holanda, Singapura, Noruega e Dinamarca a liderar.

 

Pois esta notícia seria muito interessante se os Portugueses fossem décimos nonos a Inglês e os melhores a Português.

 

Infelizmente, se Portugal é o 19º país que melhor fala Inglês, é também o ÚNICO país do mundo em que domina melhor uma língua estrangeira, do que própria Língua Materna.

 

Quem nos ganha a palma são os países africanos de expressão portuguesa, e Timor-Leste, que não aderiram ao escanzelado acordo ortográfico, que foi criado com o único objectivo de destruir a Língua Portuguesa.

 

Tenham vergonha na cara, senhores governantes!

Isabel A. Ferreira

 

 

Fonte da notícia:

https://executivedigest.sapo.pt/portugal-e-o-19-o-melhor-pais-a-falar-ingles/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:50

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

REJEIÇÃO DA PROPOSTA DO PCP PARA ABANDONAR O AO90 - «UMA DECISÃO PARA LAMENTAR»

 

Excelente reflexão, de Luiz Menezes Leitão, publicada a 27 de Fevereiro de 2018, no Jornal i, ainda actualíssima.

 

É, de facto, para lamentar a cegueira mental que prolifera ali para os lados de São Bento, a qual não permite que os nossos deputados vejam o óbvio. A subserviência ao estrangeiro é demasiado evidente.

 

E Portugal irá pagar bem caro esta insólita aventura pelo Hemisfério Sul. (Isabel A. Ferreira)

 

LUÍS MENEZES LEITÃO.jpg

Luís Menezes Leitão

 (Os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

«UMA DECISÃO PARA LAMENTAR

 

 

O acordo ortográfico contribui para abolir as variantes cultas das palavras e as suas ligações etimológicas. A língua portuguesa torna-se mais pobre e distante das suas raízes, transformando-se num idioma de laboratório.

 

A semana passada foi marcada pela rejeição, pelo parlamento, da proposta do PCP de abandono do acordo ortográfico. Trata-se de decisão que demonstra bem a insensibilidade dos nossos deputados, uma vez que, perante o desastre que está a ser a aplicação deste acordo, o parlamento prefere ignorar o que se está a passar, assistindo pacificamente à destruição total da língua portuguesa. Porque de facto, com este acordo ortográfico, o português europeu está a transformar-se num estranho dialecto, com regras escritas incompreensíveis, que se afastam da sua etimologia e das restantes línguas latinas. Com a agravante de nem sequer haver qualquer uniformização com os outros países de língua portuguesa que ou não aplicam o acordo ou do mesmo resulta que sigam regras diferentes, graças à pronúncia que utilizam.

 

Um bom exemplo disto resulta da recente tradução do livro da escritora argentina María Gainza, que em espanhol se chama “El nervio óptico”, mas que no português acordista se transforma em “O Nervo Ótico”. O problema é que sempre se utilizou na língua portuguesa a expressão “ótico” como relativa ao ouvido, reservando-se o termo “óptico” para a visão. Tal é o significado dos respectivos antecedentes gregos “otikos” e “optikos”. O acordo ortográfico aboliu esta distinção essencial, mas apenas no português de Portugal, continuando a distinção a existir no português do Brasil. Será que isto faz algum sentido?

 

E o mesmo sucede com outras palavras como “recepção”, “concepção”, que se conservam sem alterações na ortografia brasileira, mas que na portuguesa passam a “receção” e “conceção”, facilmente confundíveis com “recessão” e “concessão”. Qual a necessidade de abolir a grafia anterior se o que se consegue é criar uma ortografia que ainda mais se diferencia da dos outros países lusófonos?

 

Isto já para não falar da multiplicação dos erros de escrita que o acordo ortográfico causou, com a absurda directriz de querer abolir as consoantes mudas, estando muita gente a abolir consoantes que continuam a pronunciar-se. É assim que já se viu aparecer erros como “fato”, “ineto”, “corruto”, que demonstram bem a falta de critério na abolição das consoantes pretensamente mudas.

 

E por último deveria salientar-se o facto de o acordo ortográfico contribuir para levar à abolição das variantes cultas das palavras e às ligações etimológicas das mesmas. Assim, a expressão culta “ruptura”, mais próxima do latim, foi transformada em “rutura”, esquecendo-se que já existia a variante popular “rotura”. Fala-se em “ótico” para a visão, mas esquece-se que a medição da mesma continua a ser a “optometria”. E os egípcios, pelos vistos, passaram agora a viver no “Egito”, esquecendo-se que a palavra Egipto tem origem no deus Ptah que, que se saiba, ainda não passou a Tah. Com o acordo ortográfico, a língua portuguesa torna-se assim mais pobre e distante das suas raízes, transformando-se num idioma de laboratório.

 

Na banda desenhada “Spirou e Fantásio”, da autoria de Franquin, aparece um vilão chamado Zorglub que pretende criar uma ditadura alterando o cérebro das pessoas, o que as faz falar e escrever numa nova língua, a zorglíngua, em que todas as palavras surgem ao contrário. Esperava-se que um parlamento democrático, como o português, nos livrasse deste triste destino. Mas afinal, graças aos restantes partidos, com excepção do PCP, vai tudo continuar como dantes. Isto não foi uma decisão parlamentar, foi uma decisão para lamentar.

 

Fonte:

https://ionline.sapo.pt/602187

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:35

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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

QUANDO A ESTUPIDEZ MUDA O RUMO DE UMA HISTÓRIA

 

INSULTO.png

 

A escritora argentina María Gainza escreveu, em bom Castelhano, um livro que, no original, se intitula “El Niervo Óptico”. Um livro feito de olhares. Olhares sobre pinturas, sobre os artistas que os pintaram e sobre a intimidade da narradora e o mundo que a rodeia…

 

Então, a Publicações Dom Quixote, que se tinha em boa conta, decidiu traduzir o livro para mau Português, seguindo cegamente a regra do «não se lê, não se escreve», que irracionalmente o AO90 preconiza, transformou o nervo óPtico (de olhar) em nervo auditivo – ótico (de ouvir), e a obra de María Gainza foi, deste modo, abusivamente adulterada.

 

Na tradução “portuguesa”, que utiliza a ortografia brasileira, «O Nervo Ótico” já não é um livro feito de olhares, mas de sons. Sons sobre pinturas, sons sobre os artistas que os pintaram, sons sobre a intimidade da narradora e do que ela ouve ao redor dela…

 

Porque, meus senhores, o termo ÓTICO (dom grego ótikós) é relativo ao OUVIDO. O termo ÓPTICO (óptikós) é relativo à VISÃO. E confundir anatomia com uma lei da Física é de IGNORANTES!

 

Isto é a maior demonstração da subserviência à estupidez. Aos acordistas não interessa raciocinar. Interessa abrasileirar. E que me desculpem os Brasileiros, mas quando decidiram mutilar as palavras, deviam ter PENSADO melhor. Não se suprime consoantes, apenas porque não se lêem. Tem de se ir à raiz das palavras. Tem de se saber Latim e Grego. E jamais no Brasil brasileiro, se estudou essas duas línguas-esteios da Língua Portuguesa.

 

Seria, pois, da inteligência, retirar do mercado esta tradução que insulta María Gainza, que não escreveu sobre OUVIDOS, mas sobre OLHARES, e desonra a Língua Portuguesa.

 

Um motivo mais para se atirar ao lixo este miserando AO90, que só nos envergonha!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:26

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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018

«A CULTURA E A LÍNGUA SÃO A ESSÊNCIA DE UM POVO»

 

digitalizar0001.jpg

Excerto do precioso livro «A Historia da Lingua Galega» onde podemos comprovar a ligação do Português e do Galego, duas línguas irmãs, que nada têm a ver com o linguajar sul-americano de expressão portuguesa ou de expressão castelhana. Um livro que recomendo aos acordistas para que vejam e sintam o absurdo que é a imposição da ortografia brasileira a Portugal. Não faz o mínimo sentido. É algo que foge ao domínio da sensatez.

 

Há dois anos, numa daquelas tertúlias que costumo frequentar, quando vou à Galiza, conheci Juan Manuel Castro, um galego interessado pela Cultura Portuguesa.

 

Trocámos ideias e saberes, e dizendo-lhe da minha ascendência galega e do meu interesse pela Cultura, Língua e Literatura galegas, logo ali combinámos iniciar um intercâmbio cultural, que se tem mostrado bastante frutuoso, para os dois: eu envio-lhe livros que falam da Cultura Portuguesa, escritos em boa Língua Portuguesa, e ele envia-me livros sobre Literatura e Cultura galegas, escritos em boa Língua Galega.

 

Os últimos que recebi foram “Historia da Lingua Galega», um precioso livro que conta as aventuras e desventuras desta Língua irmã do Português (e sobre o qual ainda hei-de falar) e, há uns poucos dias, “Literatura Galego-Portuguesa Medieval”, onde as duas línguas, cultas e belas, se fundem.

 

Na nossa troca de correspondência foi inevitável falar da imposição a Portugal da ortografia brasileira, que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990, apenas para disfarçar, porque na realidade não existe acordo algum, e à qual me oponho visceralmente, pelos motivos mais óbvios. Portugal é um país europeu, cuja língua deriva do ramo indo-europeu, que nada tem a ver com a América do Sul e com um povo mesclado de muitos outros povos, e muito menos tem a ver com o que esse povo fez com a língua que adoptou, depois de se tornar independente.

 

A este propósito, o meu amigo Juan Manuel Castro escreveu o que passo a citar, já traduzido:

 

«Por Deus, estou impressionado com a vontade de se mudar a ortografia portuguesa para a ortografia brasileira.

 

Isabel, isso não se pode permitir. Quem é o louco que pretende cometer semelhante barbaridade?»

 

(Pois… quem será o louco ou os loucos?).

 

E o Juan diz mais:

«No tempo dos Descobrimentos, os nossos antepassados levaram a meio mundo (América, África, Ásia, etc.), a nossa Cultura, a nossa Língua, e eles não o fizeram tão mal assim, porque essa Cultura e essa Língua sobrevivem até hoje. E agora o governo quer impor a norma brasileira a Portugal?

 

Consegues imaginar, em Espanha, a Real Academia da Língua, constituída pelos melhores linguistas espanhóis, dizer que se iria impor, por exemplo, a normativa argentina do Castelhano? Isso é impensável e impossível, isso não passa pela imaginação de ninguém.

 

O Português e o Castelhano são de origem Latina, sem dúvida, basta ver o mapa antes e depois da romanização e estudar a raiz das palavras, e a origem comum é claríssima. De resto, isso é de gente inculta. Perdoa-me falar assim, mas há coisas que são inalienáveis, e esta, Isabel, é uma delas. A nossa Língua e a nossa Cultura são a nossa essência. Seria uma falta de respeito pelos nossos antepassados e por nós próprios, não as respeitar e honrar. Espero que a sanidade mental ponha as coisas no seu lugar e se respeite a História».

 

Trouxe à baila este episódio, apenas para partilhar o pensamento de um Galego (que é o pensamento de milhares de pessoas) com todos os que combatem a imposição a Portugal da ortografia que o Brasil utiliza desde 1943, e que, entretanto, para não dizerem que não se mexeu nesse modo de escrever, já com barbas brancas, de tão velho (não “nasceu” em 1990) disfarçou-se com a supressão de alguns acentos gráficos e hífens, que é apenas o que os Brasileiros têm de mudar, SE utilizarem este pseudo-acordo ortográfico de 1990.

 

Penso que qualquer pessoa lúcida dirá o que o Juan disse. E claro, só posso concordar com ele, e fazer minhas todas as palavras dele.

 

Ainda se nos impusessem a normativa angolana ou moçambicana, países que não mutilaram a Língua Portuguesa, outro galo cantaria

 

Estes argumentos são mais do que válidos e óbvios para que continuemos a exigir, junto do governo português e do presidente da República, que devolvam a Portugal, a Ortografia Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:48

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