Quinta-feira, 8 de Março de 2018

Pérolas linguísticas nos canais de televisão

 

E nem tudo tem a ver com o caos gerado pelo AO90, mas com uma descomunal falta de Saber…

 

RTP, o grupo chama-se "Peste & Sida"...

 

E como estamos em Portugal, secção é seCção, até porque se lê o ; e como ainda continuamos em Portugal, arquitecto é arquiteCto, apesar de não se ler o . Porquê? Porque em Portugal a palavra arquiteto (ârquitêtu) leva-nos para umas grandes tetas, no masculino, até porque no Dicionário Infopédia, teto (têtu) é um sinónimo de teta: mama; órgão mamário das fêmeas de alguns mamíferos; úbere; teto (têtu) Podem ir lá consultar.

 

No Brasil, sim, escreve-se seção e arquiteto - lê-se s’ção e arquitêto - de acordo com as regras gramaticais da Língua Portuguesa.

 

PESTICIDA.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10210320908612428&set=gm.2079639865613851&type=3&theater&ifg=1

 

RTP.png

 ***

E na TVI o “desiquilíbrio” é total.

 

É que nem em Português, nem em Inglês se acerta…

O que será merchandisin? Uma gralha? Ou isto será aplicação do papa-letras AO90, em vocábulos ingleses?

 

TVI-1.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155498349488333&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

TVI -2.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155498349488333&set=gm.2079621838948987&type=3&theater&ifg=1

 

***

Bem… A SIC não pode dizer que chamar primeiro-ministro ao presidente da República foi gralha... Por que não foi.

 

Isto é uma imperdoável falta de tudo: de atenção, de conhecimento, de profissionalismo, uma autêntica balda…

 

MARCELO MINISTRO.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10212870085082219&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

E esta?

O teclado falhou? Quem estava a escrever estaria com os copos?

Isto é inadmissível num órgão de informação.

 

SICNOTICIAS.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10156319636239880&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

***

E na CMTV, que também aderiu à ortografia brasileira, aquele “projêto” que prevê que oscônjugues” … em que tempo verbal? 

 

CONJUGUES.jpg

Fonte da imagem

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1582971198404733&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

***

E não só de brasileirices os nossos canais estão cheios, mas também de um desconhecimento (ou será desleixo?) da Gramática.

 

CMTV.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155394852153472&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

***

Isto é uma pequeníssima amostra do que vai por aí...

 

Estas situações são imperdoáveis e inadmissíveis em qualquer circunstância, mas muito menos em canais de televisão, os maiores difusores da cultura ou da incultura, conforme o caso.

 

Nos tempos que correm, a difusão está mais para a incultura linguística, uma autêntica calamidade, no nosso país.

 

Todos os órgãos de comunicação, já contactados a este respeito da vergonhosa aplicação do AO90, dizem-nos isto, à laia de treta de cassete: o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) foi tornado oficial em 2010 e obrigatório em todos os organismos do Estado.

 

Por conseguinte, devemos concluir então que todos os jornais, revistas e canais de televisão que adotaram (âdutáram) a ortografia brasileira são organismos do Estado. Certo? Ou devemos dizer lacaios do Estado?  

 

Só os organismos do Estado, em princípio, deveriam seguir, apenas por obediência cega e acrítica ao Poder, esse tal VOP, mais VOB (Vocabulário Ortográfico do Brasileiro) do que VOP, porque não existe lei alguma que os obrigue (e muitos são os que desobedeceram) a escrever à moda brasileira.

 

Isto foi o que sempre desconfiámos: os órgãos de comunicação social são manipulados pelo Estado. Mas são os próprios que confirmam ser organismos do Estado…  Ou não?

 

Haja ao menos profissionalismo e brio profissional.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:04

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Segunda-feira, 11 de Abril de 2016

«DELÍRIOS DO ACORDO»

 

O que nos diz Vasco Graça Moura (na imagem) e Hugo Picado de Almeida (num texto pitoresco, uma verdadeira lição para os ignorantes que urdiram um delírio chamado AO/90).

 

Vale a pena ler.

 

É lamentável que o governo português se vergue aos casteleiros e becharas e demais criaturas quejandas, e não ouça a voz dos que sabem o que dizem e por que o dizem…

 

VGM.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645080985593573.1073741828.199515723483437/814867225281614/?type=3&theater

 

Texto de Hugo Picado de Almeida

 

É uma pena que o Acordo Ortográfico se tenha apostado em criar inimigos por toda a parte, e ninguém mais do que as próprias palavras pode desejar apanhá-lo num beco escuro, à saída de um bar numa noite de pândega bem demolhada, e numa emboscada cinematográfica enriquecê-lo com duas balas de cobre embutidas no bucho sem graça.

 

Já aqui falei sobre o Acordo Ortográfico, em que nada nem ninguém acordou coisa nenhuma. Isso parece-me evidente, tanto mais à luz das recentes notícias. Importa-me, agora, notar que o desacordo é mais grave do que poderá um leigo argumentar, dizendo que isso são coisas para os puristas se entreterem e os inocupados debaterem.

 

Podem dizê-lo e não os censuro por isso, pois que a culpa não é deles. A culpa é das mesmas gentes que compuseram e aceitaram o Acordo, esquecendo-se das origens da língua e atirando a etimologia, tão importante e tão interessante na forma como permite compreender passado e presente, o sentido das palavras e seus usos, e a racionalidade da escrita, para o caixote do lixo mais esquecido. A regra, como em tantas outras coisas, passou do perceber ao decorar.

 

Um arquitecto não é um arquitecto por acaso. Não é um arquitecto porque o Viriato ou o Sertório, num dia calmo em que não havia romanos para emboscar, decidiram que arquitecto soava bem com aquela que era a sua actividade, e poderíamos até felicitá-los por isso, pois assim ficariam livres outras palavras e sons para outras ocupações.

 

Um arquitecto é um arquitecto porque os gregos lhe chamavam arkhitektōn – como chegou aos gregos e sob essa forma já não sei, mas isso é um problema no qual não temos mão, ao contrário deste –, nascido de arkhi- (principal) e tektōn (construtor). É essa a razão pela qual o “c” faz falta antes do “t”, assinalando a filiação da palavra e também a abertura da vogal precedente, o “e”.

 

Oportunamente, afastava-se assim o «tecto» da «teta» (também do grego: thêta) — ou do «teto», seu sinónimo perfeito por alteração da palavra original.

 

O Acordo consegue, assim, a proeza de transformar o arquitecto, de construtor principal, em teta principal, e isso não nos deve passar despercebido. Afinal, faz uma pequena diferença. Eu, que tenho a teta em grande consideração, não gostaria porém de a ver desenhar uma casa. Inversamente, nunca me passaria pela cabeça fazer com o arquitecto aquilo que se pode fazer com a teta. Por respeito a ambos.

 

Hugo Picado de Almeida

Fonte do texto:

https://aliteracaoemh.wordpress.com/2013/04/05/delirios-do-acordo/ 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:00

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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