Terça-feira, 14 de Setembro de 2021

«Abaixo a Ditadura Ortográfica!» - Um projecto de Amadeu Mata, no qual TODOS os que abominam o AO90 podem e devem participar

 

Em que consiste?

 

Consite em ostentar um autocolante (conforme a imagem exibe) na bagageira da viatura de cada desacordista, a fim de publicitar a nossa indignação contra a Ditadura Ortográfica imposta pelos sucessivos governos de Portugal. 

 

Informa-se que há a garantia de que o autocolante não danifica nem corrói  a pintura do carro.

 

O que vemos na imagem é a maqueta do autocolante e a sua aplicação na bagageira da viatura de Amadeu Mata, a qual já circula por aí a mostrar a indignação deste desacordista, que não tem poupado esforços na luta contra este atentado à identidade portuguesa, embora todo o seu trabalho esteja a ser feito nos bastidores.

 

Amadeu Mata enviou-me a maqueta e a ideia, solicitando a minha opinião.

 

AUTOCOLANTE e MAQUETA.png

 

Considerei a ideia brilhante. Gostei bastante, apenas fiz um reparo ao autocolante: não é só nas escolas e função pública que a ditadura ortográfica está a ser imposta. É também nas empresas (privadas e não privadas), nas televisões, nos jornais, nas revistas, e até parece que são todos organismos do Estado, ou então, não sendo, são meros servilistas e seguidistas sem o mínimo espírito crítico.

 

Diz-me Amadeu Mata que «a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) sobre o AO90 decide impor (ditadura) ao Ensino, à Função Pública e aos Organismos ligados ao Estado o AO90, não vincula o mesmo ao sector privado. As empresas privadas e também o próprio Estado, aparecem no processo do AO90, por influência e oportunismo dos políticos, como sempre se afirmou, através de interesses obscuros

 

Concordo totalmente com esta análise.

 

Obviamente que não ficaria bem, esteticamente falando, mencionar, no autocolante, todos estes servilistas e seguidistas, daí que o que lá vem, referido, estará em boa conta.

 

Contudo Amadeu Mata solicitou-me o seguinte:

 

«Informar os caros leitores do Blogue da iniciativa do autocolante e, se desejam aderir a este projecto, o mesmo está à disposição, basta enviar o nome e a morada. Caso queiram aderir mantendo o anonimato, vejam a foto e peçam a uma gráfica da localidade para o fazer. E se alguém considerar que o conteúdo do autocolante não é elucidativo ou convincente, então a alternativa é mandar fazer outro de acordo com a sua preferência. 

Salvo melhor opinião, aceitam-se sugestões para o endereço electrónico deste Blogue:

[isabelferreira@net.sapo.pt] 

Saudações desacordistas

AFMata»

 

A finalizar, Amadeu Mata faz estes votos:

 

«Como é do interesse de todos os desacordistas acabar com esta palhaçada, faço votos que TODOS adiram a esta ideia do autocolante, após a publicação no seu Blogue.»

 

Assim também eu espero.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:44

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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2021

«Admirável Língua Nova – uma resposta a J.-M. Nobre-Correia» - um acordista apátrida [*]

 

Parabéns Manuel Matos Monteiro, por mais este excelente, minucioso e precioso texto, que rebate inteligentemente os (des)argumentos do sr. Nobre-Correia, no que ao AO90 diz respeito.


É de lamentar que nem os políticos portugueses (que têm a faca na mão), nem os professores portugueses (que têm o queijo na mão), nem os linguistas portugueses (que têm [terão?] conhecimentos específicos sobre a estrutura da nossa Língua) venham beber a esta fonte, o SABER que desconstrói o AO90, e o põe no seu devido lugar: o caixote do lixo.

 

Porque é muito triste ver alguém a remexer no lixo, para retirar dele migalhas conspurcadas, com que alimenta a sua pobreza de espírito.

Isabel A. Ferreira

 

***

«Não encontro no texto de J.-M. Nobre-Correia uma resposta à única pergunta relevante nesta matéria: porque é o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 um instrumento melhor do que o anterior?» (Manuel Matos Monteiro)

 

Manuel M. Monteiro.jpg

 

Por Manuel Matos Monteiro

 

«Admirável Língua Nova – uma resposta a J.-M. Nobre-Correia»

Começo por saudar J.-M. Nobre-Correia pela coragem. O acordismo tem andado mudo. Ei-lo de volta.

 

Quem já leu e ouviu quilómetros de discussão em torno do assunto ficou, porém, desanimado. Mais uma vez. Porque o acordismo sistematicamente defende o Acordo sem conseguir uma coisa singela: apresentar motivos de defesa do que o Acordo introduz (ou mutila) na nossa língua. Há sempre desvios, tergiversação, evasivas, subterfúgios, tiros para todo o lado, mas nunca nada que tenha que ver com a redacção desse texto. Perdi a conta ao número de discussões sobre o dito que seguem o padrão (só mudam os matizes):

 

— Erros? Já havia antes… Homografia? Já havia antes.

— Mas agora há novos erros… E bem mais palavras homógrafas, algumas que dificultam a leitura…

— A ortografia é dos aspectos menos importantes…

— Porque fizeram o Acordo Ortográfico, então?

— O que nos deveria preocupar não é o Acordo, é a falta de leitura, os estrangeirismos, uma série de erros que damos, isto, aquilo e aqueloutro.

— Mas o Acordo não resolveu nenhum desses problemas e criou inúmeros problemas. Porque está a defender o Acordo, então?!

— Também há coisas absurdas com que não concordo nada…

— E porque nem essas se emendam?

— Nada é perfeito.

 

Os argumentos em favor da adopção do “novo acordo” só têm legitimidade se consubstanciarem respostas à pergunta: quais as vantagens do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90) perante o anterior? Tudo o que não diga respeito à comparação entre os dois instrumentos é, por conseguinte, usando uma expressão popular do Brasil, conversa para boi dormir.

 

Não encontro no texto de J.-M. Nobre-Correia uma resposta à única pergunta relevante nesta matéria. Repito-a com outra formulação: porque é o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 um instrumento melhor do que o anterior?

 

J.-M. Nobre-Correia nem sequer se digna de responder a algumas das inúmeras perguntas que foram feitas ou sequer refuta incongruências e graves defeitos que muitos estudiosos da língua portuguesa, provenientes de diferentes países, têm denunciado ao longo dos anos. Não deverá espantar-nos. Nem os próprios fautores do AO90 se deram a tal trabalho, havendo até livros explicativos do AO90, designadamente do seu principal mentor, que contrariam o próprio texto do AO90. O único documento oficial de defesa do Acordo será a sua própria Nota Explicativa, que não apresenta nenhum estudo e que tem valor científico, técnico e linguístico nulo, enquanto jura amor eterno às pobres criancinhas, que terão de aprender as consoantes roubadas pelo AO90 para falar e escrever inglês (e francês e espanhol).

 

O Estado português, que decidiu ignorar a quase unanimidade de pareceres negativos sobre o AO90, não propôs — impôs. Não convocou uma discussão pública nem tão-pouco apresentou justificações ao povo português, que, a avaliar por todas as sondagens conhecidas, é contra o AO90. Pior do que isso: o Estado português continua a não saber aplicar o AO90. Não está sozinho. Nos livros, no jornalismo, na academia, na comunicação escrita que garante adoptar o Acordo, encontramos a escrita tripla: um pouco do AO90, um pouco do AO45, um pouco de hipercorrecção do AO90. Se J.-M. Nobre-Correia quiser, far-lhe-ei chegar (privada ou publicamente, como preferir), todos os dias, grafias destrambelhadas que começaram a surgir depois da aplicação do AO90: “mição”, “núcias”, “fição”, “oção”, “inteletual”, “proveta idade”, “helicótero”, “fatos e contatos” aos pontapés, entre tantas outras. Bem como adulterações da própria língua inglesa: fator, eletronic, eletro, diretion, nomes de meses em inglês com minúscula.   

 

Esperava-se mais de quem é tão contundente na descrição dos que se opõem (publicamente, supõe-se) ao AO90: os “fetichistas da precedente ortografia”, a “autoproclamada intelectualidade” [quem se proclamou intelectual no exercício da crítica ao AO90?], a “autoproclamada “elite” persiste, no entanto, em escrever na antiga ortografia [vírgula que não está na versão em linha, mas está na versão em papel] marca para ela de pertença à “boa sociedade”, “esta mesma autoproclamada ‘elite’ purista”.

 

Homogeneizar um grupo tão vário é difícil, porquanto abrange diferentes faixas etárias, diferentes ideologias políticas e filiações partidárias, diferentes classes sociais, diferentes países. Sobra o insulto. Quanto ao mais, se o AO90 é “uma guerrilha largamente estéril”, não se compreende por que razão o autor decidiu meter a colher (e da forma que o fez…) na discussão.

 

 J.-M. Nobre-Correia decidiu que a “autoproclamada intelectualidade continua a guerrear o acordo ortográfico, mas fica indiferente perante a acelerada perversão da língua” e que: “Curiosamente, esta mesma autoproclamada ‘elite’ purista não diz nada da avassaladora invasão da terminologia inglesa na versão estado-unidense.” Reconheço, como outros, a avassaladora invasão de que o autor, justamente, fala, tendo escrito sobre isso ao longo dos anos. Mas que tem isso que ver com o AO90? Nada. Acaso quem é crítico do AO90 é tendencialmente favorável a essa invasão? Evidentemente, não. Posso enviar-lhe, caro J.-M. Nobre-Correia, um punhado de autores que criticam o AO90 e essa avassaladora invasão. (Não o fazem é no mesmo arrazoado, inventando tribos e putativos nexos de causalidade.)

 

Já que falou da importância de consultar dicionários, pergunto-lhe: está ao corrente da quantidade de palavras em que os dicionários e prontuários acordizados não se entendem quanto à presença do cê ou do pê, à sua ausência ou à dupla grafia, bem como quanto à presença ou ausência de hífenes nas locuções? Sabe que, consoante a fonte acordizada que consultar, encontrará diferentes respostas quantos às ditas “consoantes mudas” em não poucas palavras e quanto à presença ou ausência de hífenes em muitas locuções (e, por conseguinte, da presença de maiúscula ou minúscula em nomes próprios que integrem tais locuções)?

 

Como sempre, a defesa do acordismo desagua num desvio. Ainda não foi desta que escutámos (consegue, J.-M. Nobre-Correia, explicar-me a vantagem de o AO90 tornar este acento dispensável, facultativo?) argumentos fundamentados em favor do AO90. Misturar alhos com bugalhos parece ser a única forma de defender o indefensável.

 

Com excepção de lérias como “simplificação” (menos letras, menos acentos, menos hífenes não significa, de forma alguma!, maior facilidade de aprendizagem da escrita ou maior facilidade de leitura ou de clareza na mensagem, como demonstra o acento de “pára”, de que nem os acordistas abdicam); “evolução” (já mudámos antes, mudemos outra vez e tantas quantas forem necessárias, apenas porque isso é evolução!, desconhecendo-se que o AO90 tem características únicas, como a ortografia ir a reboque dessa mirífica “pronúncia culta”); “unificação” (é mentira, é mentira, é mentira), com excepção dessas tretas, dizia, não há, até hoje, um argumento sólido em favor do Coiso.

 

Deixo uma sugestão a J.-M. Nobre-Correia e a todos os leitores que se preocupam com a língua portuguesa. Procurem ler os resultados do projecto EILOS (Estudo sobre o Impacto na Linguagem Oral e na Sematologia – AO90), incluindo sobre a própria adulteração da pronúncia das palavras por parte dos discentes. Entre outros dados, leia-se: “33% dos alunos não distinguem o significado de receção e recessão (e 43% conhecem um deles); 73% não distinguem o significado de concessão e conceção (10% conhecem um deles); 60% não distinguem o significado de intercessão e interceção (16,6% conhecem um deles).”

 

Pós-escrito: para quem se proclama tão avesso a estrangeirismos, “constatação” e “constatações” são galicismos, e “em termos de”, um anglicismo.

 

 Manuel Matos Monteiro - Autor, jornalista, formador e revisor

 

***

 
Comentários ao texto de Manuel Matos Monteiro:

 

Moderador

Fantástico artigo, bem escrito e fluente, que só vem comprovar a lucidez do lado Anti-Acordo nesta luta que não pode parar. O provinciano e esganiçado texto de Nobre-Correia era uma coisa mal enjorcada e o seu autor acusou o toque de uma forma muito estranha. Enfim: o acordismo andava mudo, e voltará a andar mudo nos próximos tempos; o que era bom era que nunca mais se ouvisse e que desaparecesse, juntamente com o estúpido AO, para os alçapões da história.

 

Influente

Bravo! Tinha de ser dito!

 

Iniciante

Além dos anglicisnos apresentados por Manuel Monteiro, não percebi a necessidade de Nobre-Correia usar o termo estadunidense. Os habitantes dos Estados Unidos da América sempre foram designados, em Portugal, por americanos, sem qualquer confusão. Quantos aos pretensos argumentos em favor do #AO90, não existem. Aquele texto é uma miséria a todos os níveis. Obrigado Manuel Monteiro.

 

  1.  

JOSE GOMES FERREIRA.381108

Iniciante

Pois foi a única coisa correcta no texto de Nobre-Correia. E é "estado-unidense" no português europeu. [**] O termo que escreveu no seu texto é mais usado no Brasil. A América não é um país, é um continente. Estados Unidos da América é um país da América. Até o uso de "norte-americano" para referir apenas os EUA é errado. Norte-americanos são os canadianos, os estado-unidenses, os mexicanos e os cubanos.

 

  1.  

chagas_antonio

Moderador

Os Estados Unidos da América são um país da América, certíssimo: mas também é certo que, em Portugal, os habitantes dos Estados Unidos da América são os americanos. Da mesma forma que os habitantes da Rússia são os russos, mesmo que este termo inclua moscovitas, siberianos, mongóis, quirguizes... E o facto de existir um termo não quer dizer que se use, nem o facto de se usar quer dizer que esteja correcto; são tudo coisas diferentes. Espero não provocar nenhum terramoto dogmático, mas o termo estado-unidense também se pode aplicar correctamente ao México (e, no passado, ao Brasil); aí, onde ficamos? E, já agora: os cubanos são tão norte-americanos quanto os haitianos ou os jamaicanos, ou seja: não são. São caribenhos.

 

  1.  

Luis_Morgado

Experiente

JGF, o que diz parece-me ser discutível. A designação de "Americano" para nomear os nacionais dos EUA está legitimada pelo uso em Portugal. Por outro lado, se é verdade que a "América" não é um país, os "Estados Unidos" não são também um país. Esta última designação, que diz ser a correcta, não está isenta de problemas: o nome oficial do vizinho México é precisamente "Estados Unidos Mexicanos". O argumento do rigor levar-nos-ia então a adoptar "estado-unidenses-americanos".

 

Experiente

Espero que este artigo venha a ocupar, na edição digital do Público de amanhã, uma posição de relevo equivalente à que foi concedida ao artigo a que responde. Neste momento, está como que escondido, de tal forma que só quem esteja muito familiarizado com a navegação na net o consegue encontrar.

 

Experiente

Muito bem Manuel Matos Monteiro! Bem desmontada a arrogância e o ataque gratuito e desastrado que Nobre-Correia fez àqueles que justamente não aceitaram o malfadado Acordo Ortográfico de 1990.

 

Iniciante

Excelente crónica/resposta do autor ao texto de J.M. Nobre-Correia. Mais uma vez, não se consegue ler uma argumentação coesa e que faça algum sentido, em defesa do acordo ortográfico. Talvez porque seja mesmo impossível, e estejamos numa situação em que a falta de respeito pela apresentação de provas e princípios de racionalidade estejam a pôr em causa a sociedade liberal e de democracia representativa em que pensamos viver.

 

Experiente

Obrigada por mais esta sua intervenção, pois "é uma vergonha calarmo-nos e deixarmos falar os bárbaros" (Eurípides). O AO90 é indefensável sob todos os pontos de vista e a argumentação da sua Nota Explicativa chega a ser ridícula! «O Estado português (...) não propôs - impôs». Sim, apoderou-se da nossa língua materna e decidiu servir-se dela, desprezando os pareceres dos especialistas e o conhecimento e o sentir dos portugueses. E a Assembleia da República tem tido um comportamento vergonhoso, sempre que solicitada sobre esta questão. Portugal não é uma democracia, pois os políticos eleitos por nós se permitem ignorar-nos. Nem com o Presidente da República poderemos contar?! Será possível?!

 

Iniciante

O "Acordo" foi uma negociata inventada por nabos e destinada a quem não sabe escrever. O governo deveria preocupar-se com a má qualidade do ensino e procurar que a Língua fosse ensinada correctamente, mas não... agora vale tudo para que as estatísticas mostrem "notas de excelência", mesmo que os alunos mal saibam falar ou escrever. Quem defende o AO90 fá-lo por ignorância ou por estupidez, porque é indefensável. O AO90 é mau e ilegal, tanto internamente como internacionalmente, mas para ninguém acabar com ele deve ter havido marosca da grossa para a aprovação da RCM 08/2011.

 

Influente

Enquanto os doutos se insultam e vão lucrando, uns no contra e outros a favor, e enquanto não se faz a inevitável reversão para o glorioso passado, vou aproveitando estes dias felizes em que posso ignorar as malfadadas consoantes mudas, retorcidos rococós que sempre abominei...

 

Experiente

Excelente, Manuel Monteiro. O artigo lamentável a que se refere já mereceu mais de 150 comentários de leitores do Público, na sua maioria contestando as falácias nele incluídas. Mas impunha-se uma resposta estruturada, e você soube dá-la.

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2021/08/31/opiniao/opiniao/admiravel-lingua-nova-resposta-jm-nobrecorreia-1975831

 

***

[*] O epíteto acordista apátrida é da responsabilidade da autora do Blogue. E isto para dizer que os discursos, a que o sr.  Nobre-Correia chama de patrioteiros, ao menos, têm uma vantagem: são feitos por gente que tem uma Pátria. E ter uma Pátria, não é defeito. Defeito é ter Pátria e ir defender os interesses da Pátria dos outros, em detrimento da própria Pátria, por mero servilismo e obscurantismo.

 

[**] Tanto quanto me é dado saber, e até porque já estudei no Brasil e sei do que estou a falar, o termo “estado-unidense”, embora existindo em Português, é um termo usado exclusivamente no Brasil. Em Portugal, e conforme os comentadores já referiram, os habitantes dos EUA são americanos ou norte-americanos. Sempre foi assim. Não tentem os acordistas, à conta do AO90, querer, à força, impor a Portugal vocábulos que não utilizamos. Como também é o caso do vocábulo “parabenizar”, exclusivamente brasileiro, e que já se anda por aí a dizer, substituindo-o pelo muito nosso FELICITAR. (IAF)

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:21

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Sexta-feira, 25 de Junho de 2021

«Portugal em Movimento contra o AO90 – Unidos pela Defesa da Língua Portuguesa» - eis o que faltava para dar a machadada final à inadmissível imposição ilegal de uma ortografia que nada tem a ver com a cultura linguística europeia

 

A ideia partiu do Paulo Teixeira, que vai coordenar os trabalhos.

 

«Citando A. Jackson (presidente dos Estados Unidos da América do Norte de 1829 a 1837, pelo Partido Democrata): «um só homem armado de coragem, vale por uma maioria». Nem mais. 

 

O Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa» está totalmente à disposição deste novo Movimento, para divulgar o que for necessário divulgar. Eu continuarei a aplicar o meu lema: «Contra o AO90, marchar, marchar



Porque já chega de marcar passo e de deixar que políticos ignaros, incompetentes, irresponsáveis e servis usem e abusem do poder que (ainda) têm, para impor a Portugal um “tratado” que nenhum dos países, ditos lusófonos, cumpre, por ser algo do foro da irracionalidade.

 

Deixo-vos com a carta onde Paulo Teixeira diz ao que vem.

 

Da minha parte, espero que as figuras públicas/mediáticas, que se têm manifestado publicamente contra a absurdez do AO90, saiam da sua zona de conforto e se disponham a usar da sua influência e mediatismo, para que Portugal possa, definitivamente, ver-se livre, deste pesadelo, gerado por gente que não sabe ser e, muito menos, não sabe estar.

 

Isabel A. Ferreira

 

Portugal em Movimento contra o AO90.jpg

 

Caros desacordistas,

 

É com enorme agrado e orgulho que vos contacto, em especial para vos felicitar pela corajosa opção de rejeitar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) na vossa vida!

 

O meu é nome é Paulo Teixeira, sou gestor comercial e, certamente, do mesmo modo que todos vós, abomino o AO90! É um bom começo e uma constatação feliz para todos, sim, mas não basta haver muitas pessoas como nós. Na verdade, e ainda que sejamos a maioria nesta batalha contra o AO90, partilhamos entre nós um grave problema que nos impede de ser bem-sucedidos: estamos todos a trabalhar isoladamente, cada um para seu lado, desorganizados e a cada instante mais desgastados e desmotivados...

 

Mas há dias tive uma ideia que abrandou as minhas preocupações e me encheu de motivação, um pensamento que bem delineado poderá transformar-se numa poderosa "ferramenta" contra o AO90. E então pensei: se o acordo continua de pé por culpa de estarmos desunidos e desfocados do cerne desta batalha, então a criação de um "grupo de trabalho" no Facebook com as pessoas certas pode ser o primeiro passo para convergirmos para o mesmo fim!

 

E quem são as pessoas certas, perguntarão? Para mim, são todas aquelas capazes de contribuir activamente com algo importante para o grupo e suas acções, em especial as figuras públicas de relevo, que se manifestam declaradamente contra o AO90! Se queremos vencer este atentado ortográfico, vamos precisar de toda a criatividade do mundo para chegar às melhores ideias, de muita energia para dar andamento às estratégias de ataque mais eficazes e do "peso" das maiores figuras públicas/mediáticas! E porque são as figuras públicas/mediáticas tão especiais? Porque são a "influência" perfeita para inverter tendências e mudar mentalidades! Actores, cantores, compositores, músicos, escritores, tradutores, professores, linguistas, comediantes, juristas, médicos! Todos juntos seremos imparáveis e capazes de derrotar a inutilidade que é o AO90! Todos juntos num lugar que, passo a partilhar, se encontra aberto no Facebook com o nome Portugal em Movimento Contra o AO90, em:

https://facebook.com/groups/pemcao90/

 

Dito isto, ficam desde já convidados a integrar este Movimento, pois acredito que a vossa presença, a par de tantas outras de renome, vai fazer toda a diferença na defesa e preservação da Língua Portuguesa! Conto convosco!

 

Muito obrigado pelo vosso tempo!

Com os melhores cumprimentos,

PAULO TEIXEIRA - coordenador deste Movimento.

pauloteixeiramailbox@gmail.com

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:17

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Terça-feira, 1 de Junho de 2021

Celebrar o quê no Dia Mundial da Criança, em Portugal, quando se está a cometer contra elas um crime de lesa-infância, ao obrigá-las a escrever “incurrêtamente” a Língua Materna delas?

 

Infelizmente, em Portugal, os crimes de lesa-infância não se reduzem apenas a esta imposição absurda, de obrigarem as crianças a escrever “incurrêtamente” a Língua Materna delas. A fome, a pobreza extrema, as violações, a pedofilia, os assassinatos (demasiadas vezes perpetrados pelos progenitores), as desigualdades abismais, tudo isto são crimes inadmissíveis, numa sociedade do século XXI d. C..



No entanto, hoje, neste Blogue, ater-me-ei ao crime da Língua mal-ensinada, nas escolas portuguesas, com o aval de TODOS os governantes e do Presidente da República Portuguesa.

 

No outro meu Blogue, abordei os restantes crimes, perpetrados contra as crianças, que podem ser consultados neste link:

A HIPOCRISIA do mundo, neste Dia Mundial da Criança


 ***

«As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se» é um texto de Miguel Esteves Cardoso, reproduzido mais abaixo, datado de 2015, infelizmente, ainda muito actual, porque nada foi feito no sentido de pôr fim ao linguicídio e ao crime de lesa-infância que está a ser cometido, impunemente, por governantes, professores e pais.

 

É com ele que que “celebro” este dia dedicado às crianças, porque celebrar o Dia da Criança, com festas e festinhas, prendas e prendinhas, não as ajudará a NÃO SEREM as analfabetas funcionais do futuro, mal que não desejo para a nenhuma criança portuguesa.

 

O Português varêia.jpg

Origem da imagem -  http://pt.winkal.com/share/m/X9VO

 

Daí que seja urgente que se comece a dizer às crianças portuguesas, que estão a escrever à brasileira, e tal ortografia nada tem a ver com Portugal e com as raízes europeias da Língua Materna delas.

 

A Língua das crianças portuguesas é a Língua Portuguesa, com todas as letras no seu devido lugar, como no Inglês, por exemplo, Língua que muitas crianças portuguesas estão a aprender nas escolas, como segunda Língua, e baralham-se tanto ao ponto de já terem questionado: «Por que em Inglês se escreve direCtor, aCtor, objeCt, aspeCt, inseCt, colleCtion, adoPt, affeCtion, colleCtive, dialeCt, direCt, correCt, inspeCtor (etc.) e em Português (aquele que lhes estão a impingir nas escolas portuguesas), se escreve diretor (dir’tor), ator (âtor), objeto (objêto), aspeto (aspêto), inseto (insêto), coleção (col’ção), adotar (adutar), afeto (afêto), coletivo (col’tivo), dialeto (dialêto), direto (dirêto), correto (corrêto), inspetor (insp’tor), (etc.)?

 

(O que está entre parêntesis é o modo de ler das crianças que aprendem Inglês, porque elas não são estúpidas, como os governantes pretendem que elas sejam).

 

A esta pergunta simples e lógica há que responder-lhes, como eu já respondi à minha neta: «Em Inglês escreve-se desse modo, porque os governantes ingleses sabem Inglês, respeitam e defendem a Língua Inglesa, e não se subjugam ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias - os Estados unidos da América; e em Português escreve-se e lê-se desse modo, porque os governantes portugueses não sabem Português, não respeitam, nem defendem a Língua Portuguesa e subjugam-se ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias - o Brasil».

 

As crianças portuguesas, ao contrário do que os governantes portugueses acham (porque se conseguissem pensar achariam outra coisa) não são estúpidas e compreendem perfeitamente o que está a passar-se, basta explicar-lhes, tintim por tintim, a questão das três linguagens aqui envolvidas: a Língua Inglesa, a Língua Portuguesa e a ortografia brasileira.

 

Foi o que já fiz em relação à minha neta. E ela, obviamente, porque não é estúpida, entendeu perfeitamente, e perguntou: «Então estamos a aprender a escrever errado?».

 

Eu - «Erradíssimo».

 

Ela - «E agora?»

 

Eu - «E agora? E agora, mais dia, menos dia, irás aprender a escrever usando a tua Língua Materna, correCtamente (e vinquei bem o C), porque num futuro próximo, quando fores mais crescida, não pretenderás escrever incorreCtamente a tua própria Língua, que é uma Língua europeia e culta, trocando-a por uma ortografia sul-americana, que nada tem a ver com a Europa; e também a escrever correCtamente a Língua dos Ingleses, que não é a tua Língua, e também é uma Língua europeia e culta».

 

Fez-se um certo silêncio.

 

Contei-lhe, então, a minha história: a de ter aprendido a ler e a escrever no Brasil, à moda do Brasil, ou seja, usando a ortografia que agora estão a obrigá-la a aprender na escola, embora ela não esteja no Brasil; mas eu, era lá que me encontrava, desde os dois anos, e não tive outra opção. Com oito anos regressei a Portugal, e tive de reaprender a ler e a escrever a minha Língua Materna; e mais duas vezes fui e vim, vim e fui, e mais duas vezes tive de escrever e reescrever a Língua à moda do Brasil, e à moda de Portugal, durante a infância, a adolescência e parte da juventude.

 

Mas quando se é criança aprende-se e desaprende-se tudo muito facilmente. Só quem não está atento ao desenvolvimento das crianças, só quem não sabe nada sobre crianças, é que não sabe disto, o que parece ser o caso dos governantes portugueses e dos acordistas.

 

Portanto, os pais ou avós que se interessem realmente pelas suas crianças, devem dizer-lhes que estão a aprender a escrever incorreCtamente a Língua Materna delas, mas deverão aprender a escrevê-la correCtamente, fora da escola (na escola, por incrível que pareça, penalizam as crianças que escrevem correCtamente a sua Língua Materna) porque não seria justo saberem escrever a Língua Inglesa, com todas as letras que não se pronunciam (e são bastantes) e serem capazes disso; e não escreverem a Língua Portuguesa, com todas as letras que não se pronunciam, apenas porque um punhado de ignorantes as consideram mais estúpidas do que as crianças inglesas.

 

E isto não se faz.

 

As nossas crianças não merecem tamanha desconsideração.

 

Miguel Esteves Cardoso abordou esta problemática de um modo excePcional, e só posso fazer minhas as suas palavras.

 

Isabel A. Ferreira

 

 **** 

 

Texto de Miguel Esteves Cardoso  

 

O segundo acto

 

«Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

 

A jogada repugnante dos acordistas imperialistas — ignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

 

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se. Deseducando-as sistematicamente, conseguirão enganá-las facilmente. A ignorância é a inocência. Pensarão, a partir deste ano, que só existe aquela maneira de escrever a língua portuguesa.

 

Os adversários morrerão e predominará a inestética e estúpida ortografia de quem quis unir o "mundo lusófono" através de um Esperanto lusográfico que não tem uma única vontade colectiva ou raiz comum.

 

Como bilingue anglo-português, incito os jovens portugueses que falam bem inglês (quase todos) a falar português com a exactidão fonética, vinda do bom latim, da língua portuguesa. Eu digo "exacto" e "correcto" como digo "pacto" e "concreto". Digo "facto" como fact, tal como "pacto" como pact.

 

Falar como se escreve (ou escrevia) é um acto de rebeldia. Ler todas as letras é libertador. Compreender a raiz das palavras é conhecê-las e poder tratá-las por tu.

 

Às armas!

 

Miguel Esteves Cardoso»

 

Fonte:

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-segundo-acto-1696097?fb_ref=Default#/comments

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:55

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Sexta-feira, 26 de Março de 2021

Respondendo a Francisco Seixas da Costa que diz que «defender e seguir o Acordo Ortográfico integra-se na defesa do papel da Língua Portuguesa à escala internacional»

 

O Amor à Língua Portuguesa e a Verdade são as forças mais poderosas nesta questão do AO90, porque os que a ODEIAM, pugnando pela vigente Mixórdia Ortográfica Portuguesa, serão, inevitavelmente, destroçados.

 

É da defesa da Língua dos Portugueses que trata esta publicação.

 

200px-FranciscoSeixasdaCosta.jpg

Origem da imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Seixas_da_Costa

 

Nota prévia, para contextualizar a minha resposta, à afirmação do Dr. Seixas da Costa:

 

Há uns dias, publiquei, no meu outro Blogue, um texto da autoria de Paulo de Morais, sob o título «A Partidocracia destrói a Democracia», onde este referiu Francisco Seixas da Costa como “governante do seCtor das obras públicas”, facto que levou Seixas da Costa a refutar:

 

De Francisco Seixas da Costa a 20 de Março de 2021 às 15:06

 

Governante do “setor de obras públicas”? Saí há 20 anos do cargo de Secretário de Estado dos Assuntos Europeus. “Setor de obras públicas?”

 

Responder a comentário | discussão

 

E eu respondi:

 

De Isabel A. Ferreira a 20 de Março de 2021 às 16:21

 

Dr. Francisco Seixas da Costa, não sei se reparou, mas o Dr. Paulo de Morais refere-se ao seCtor das obras públicas. SeCtor das obras públicas. Isto sabemos nós o que é e quem por lá passou.

“Setor de obras públicas?” Que coisa mais estranha...

 

***

Meteu-se mais um comentário, que não interessa para o caso, e como “anónimo” o Dr. Seixas da Costa disse o seguinte:

 

De Anónimo a 25 de Março de 2021 às 12:15

 

Uso sempre o Acordo Ortográfico. Quanto ao assunto em si, ele fica esclarecido pelos factos. Muito obrigado.

 

Responder a comentário | início da discussão | discussão

 

E eu respondi:

 

De Isabel A. Ferreira a 25 de Março de 2021 às 15:25

 

Que usa sempre o acordo ortográfico, já todos nós sabemos, ou não fosse o senhor um cidadão seguidista. O que é de lamentar, até porque está a contribuir para o empobrecimento, e pior do que isso, para o desaparecimento da Língua Portuguesa no mundo. E todos nós, desacordistas, sabemos o que está por trás do seguidismo dos seguidistas. E, obviamente, serão julgados pela História. Contudo, antes disso, o AO90 cairá de podre.

Quanto ao resto, se está esclarecido, está esclarecido.

 

***

 

Foi então que o Dr. Francisco Seixas da Costa enviou este outro comentário, que me mereceu um comentário mais alargado:

 

Francisco Seixas da Costa respondeu a um comentário no post «A Partidocracia destrói a Democracia» às 00:27, 26/03/2021 :

 

Não fica claro o que designa sobre “o que está por trás do seguidismo dos seguidistas”. Quanto à língua portuguesa, fiz muito por ela em mais de quatro décadas de serviço público. E defender e seguir o Acordo Ortográfico, que as novas gerações já usam e que vão consagrar no futuro, integra-se precisamente na defesa do papel da língua portuguesa à escala internacional.

 

***

 

Dr. Francisco Seixas da Costa, o senhor sendo quem é, sabe muito bem, tal como todos [eu incluída] os que já investigaram a fraude que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990 e as suas obscuras motivações, o que está por trás do seguidismo dos seguidistas. Portanto, nem vale a pena estarmos a perder tempo com explicações extras, porque tal facto, que envergonha Portugal perante o mundo, está mais do que esmiuçado, neste meu Blogue. E como todos nós sabemos também, os piores cegos são aqueles que não querem ver o óbvio.

 

Vai desculpar-me que lhe diga isto assim, francamente, como é de meu apanágio, o senhor, neste seu comentário, demonstra uma notória INSIPIÊNCIA da Língua Portuguesa, e da sua função como Língua Identitária de um Povo. Nenhum outro país do mundo jamais se rebaixou como Portugal, ao tentar fazer um acordo ortográfico (que é o maior desacordo da nossa História) com uma ex-colónia, tendo prevalecido a VARIANTE ( = dialecto = crioulo) da ex-colónia, em detrimento da Língua-Mãe, apenas porque um punhado de políticos reptilianos, imbuídos de um colossal complexo de inferioridade e de muita ignorância e subserviência à mistura, ditatorialmente, assim o quis, apesar de TODOS os pareceres negativos; de todas as vozes RACIONAIS que se levantaram contra este idiotismo (o AO90 não passa de um acto IDIOTA, não sou a única a dizê-lo); e de todos os pareceres jurídicos que apontam para a inconstitucionalidade e ilegalidade deste (des)acordo. Não esquecer que apenas os seguidistas e servilistas, os acomodados e comodistas, os ignorantes optativos e os medricas portugueses, irracionalmente, usam a mixórdia ortográfica gerada pelo AO90.



Posto isto, o senhor não tem como dizer que fez MUITO pela Língua Portuguesa, em mais de quatro décadas de serviço público, a não ser que esse MUITO venha seguido de POUCO, ou seja, fez muito pouco. Aliás, para ser mais precisa, não fez NADA pela Língua Portuguesa.  E sabendo, como sabemos que o “serviço público” é um dos serviços mais descredibilizados da Nação, não tem absolutamente NADA de que se vangloriar, até porque esse MUITO de que fala, fê-lo, sim, pela Variante Brasileira da Língua Portuguesa, como todos nós também sabemos.

 

E a finalizar, o senhor diz esta coisa que, vindo de quem vem, permita-me que lhe diga francamente, é a maior prova do seu servilismo e seguidismo, porque totalmente desprovido de sentido crítico: «E defender e seguir o Acordo Ortográfico, que as novas gerações já usam e que vão consagrar no futuro, integra-se precisamente na defesa do papel da língua portuguesa à escala internacional».

 

Pois sobre isto tenho a dizer-lhe o seguinte: quem defende e segue o “acordo ortográfico de 1990”, mais conhecido por “aborto ortográfico”, tão “aborto” que apenas os subservientes portuguesinhos o aplicam (mais nenhum país dito lusófono o aplica) NÃO ESTÁ a defender o papel da Língua Portuguesa (com letra maiúscula, porque a Língua Portuguesa é PATRIMÓNIO da NAÇÃO) à escala internacional, porque, à escala internacional, o que circulará (já circula), por aí, será (já é) a novel Língua Brasileira, com etiqueta portuguesa, mas bandeira brasileira, ou então a vergonhosa MIXÓRDIA ORTOGRÁFICA PORTUGUESA, que não identifica Portugal, porque nada tem a ver com a Língua Portuguesa dos Portugueses.  E, como já referi, os piores cegos são aqueles que não querem ver o óbvio.



Quanto às gerações que já usam a MIXÓRDIA ORTOGRÁFICA PORTUGUESA (é esta a nova designação do vergonhoso linguajar que andam a impingir, nas escolas) poderão facilmente desaprendê-la, tal como as gerações que aprenderam a Língua Materna ORIGINAL, tiveram de deixar de escrever correCtamente, para escrever “incorretamente” (incurrêtâmente”) a própria Língua. Usar isto como argumento para manter a IDIOTICE ortográfica é uma falácia própria dos autocratas, e que só tem eco entre os inscientes.

 

O senhor deveria envergonhar-se por se expor deste modo, dizendo o que diz, como se TODOS os Portugueses fossem parvos.

 

O Acordo Ortográfico de 1990 tem um calcanhar de Aquiles, e assim como as glórias de Aquiles, que era um herói, terminaram, quando uma flecha certeira lhe atingiu o calcanhar, assim este AO90, que não é herói, e não passa de uma ignóbil fraude, sem ponta por onde se lhe pegue, mais dia, menos dia, arrastado para a beira do abismo, levará uma flechada no calcanhar, e cairá nesse abismo, levando com ele todos os que irracionalmente o defenderam e o seguem.

 

Portanto, Dr. Francisco Seixas da Costa, se eu fosse o senhor, não estaria tão certo de estar a fazer a coisa certa, porque, como disse Miguel de Cervantes, quando viu os seus carrascos condenados: «Deus suporta os maus, mas não eternamente», e «os tiranos podem governar por uns tempos, mas acabam sempre por cair», como diz Mahatma Gandhi, e a História comprova.

 

Os tiranos da Língua Portuguesa até podem parecer invencíveis, mas no final, serão derrubados como sempre foram todos os tiranos…

 

Mahatma Gandhi.png

 

O Amor à Língua Portuguesa e a Verdade são as forças mais poderosas nesta questão do AO90, porque os que a ODEIAM, pugnando pela vigente Mixórdia Ortográfica Portuguesa, serão, inevitavelmente, destroçados. E disto, que não haja qualquer dúvida.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:42

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Domingo, 14 de Março de 2021

Ninguém, em Portugal, tem o direito de exigir que se escreva uma Tese de Mestrado aplicando a mixórdia ortográfica ILEGAL, que dá pelo nome de AO90

 

De uma mestranda, recebi o e-mail que aqui reproduzo, com a resposta que lhe dei.

 

É preciso desfazer mitos.

 

É preciso desmascarar os predadores da Língua Portuguesa.

 

É preciso pôr os pontos em todos os is do inútil, do inconstitucional, do ilegal, do imbecil, do incongruente, do indecifrável, do ignaro, do ignóbil, do irracional, do injusto, do impreciso, do impraticável, do improcedente, do improvisado, do impróprio, do impugnável, do inaceitável, do  inaplicável, do incoerente, do incómodo, do irritante, do inconcebível, do inconspícuo, do inconsistente, do incorrecto, do ineficiente, do inexacto, do inacreditável, do inaceitável, do ignominioso, do infame, do injustificável, do inoportuno, do insano, do insultuoso AO90.  

 

António Machado Pires.jpg

 

Cara Isabel

 

Muito obrigada pela sua exposição, no blogue da sapo, sobre a irrazoabilidade do novo acordo ortográfico. 

 

Concordo plenamente consigo, mas vou mais longe... Acho-o perigoso.

 

Perigoso porque segue a senda do facilitismo (preceito comum ao nosso ensino hodierno). Não interessa saber expressar uma opinião, correcta e coerentemente, interessa debitar palavras, sem risco de cometer uma gafe. Interessa mitigar fronteiras para que possamos acolher os nossos irmãos transatlânticos, sem que eles tenham a pesadíssima tarefa de se adaptar a uma língua estranha e mística (falhou este intento, visto que conheço brasileiros que não entendem o "nosso" português falado).

 

Na altura da transposição falavam do perigo eminente da morte da língua portuguesa?! Não somos nós 10 milhões de cidadãos para a continuar a falar e a cuidar? Ou terá sido lobbying das editoras que poupam nos custos de terem de fazer uma edição para Portugal e outra para o Brasil entenda o português que (não) fala?

 

Mas divago.... A razão de lhe escrever é a de indagar se sabe porque razão a iniciativa popular foi "abafada". Eu só com o seu artigo tomei conhecimento da dita.... Com muito pesar meu, pois acredito que cometemos um crime ao deixar que a moda se instalasse.

 

Estou a preparar a minha tese de mestrado (em ramo do direito- ramo por excelência tradicionalista), e exigem ser aquela escrita segundo o AO. Barbaridade.... Vou evocar objecção de consciência e apresentar a dita em português... De Portugal... Tal como me foi muito bem ensinado, desde a escola primária e que tanto prezo. Vou receber represálias, mas... Fico de consciência limpa.

 

Muito, muito obrigada por, passado tanto tempo desta incongruência ter sido cimentada, continuar a lutar pelo que é a real língua portuguesa.

 

Com votos de elevada consideração e estima

 T. F.

 

***

Cara T. F.,

 

Agradeço a sua mensagem.

 

Começo por dizer-lhe que concordo consigo: o AO90 é perigoso, em todos os sentidos.

 

E nada tem a ver com a falsa intenção de unir Portugal e Brasil através da Língua, porque até o mais analfabeto dos cidadãos sabe que jamais isso seria possível. Aqui a questão é meramente política. Não, uma política elevada, obviamente, mas uma política da mais rasteira. Muito, muito rasteira.



E nem sequer também nasceu para pouparem os custos de terem de fazer uma edição para Portugal e outra para o Brasil, porque o que se publica em Portugal não circula no Brasil, e o que se publica no Brasil não circula em Portugal.

 

É tudo uma monumental falácia para enganar os ceguinhos.

 

Pois o que tenho a dizer-lhe quanto à razão de a iniciativa popular estar a ser “abafada” é o seguinte: a política vigente é a do quero, posso e mando, ainda que viole a lei. O Parlamento está a violar a Lei que rege as ILCs, bem como está a violar a Constituição da República Portuguesa quanto à aplicação ilegal e inconstitucional do AO90, referida por TODOS os juristas, que já se debruçaram sobre o assunto.

Mas, nesta ditadura socialista, disfarçada de democracia, em que Portugal vive, os que governam têm o privilégio de violar tudo e mais alguma coisa, sem que se sentem no banco dos réus, porque se algum dia a JUSTIÇA portuguesa decidir cumprir a LEI, e culpar os governantes envolvidos nesta FRAUDE, chamada AO90, o Parlamento é capaz de mudar a Lei, a favor deles, como o querem fazer, por exemplo, na questão do aeroporto do Montijo. Os pareceres, em ambos os casos, são TODOS negativos, mas o que importa, se são eles que têm a faca e o queijo na mão, até para mudarem as leis, se as leis não lhes convierem?

 

Nesta questão do AO90, comentem-se vários crimes.  Entre eles:

 

1 - O primeiro, e o mais grave, é o Crime de Lesa-Infância, ao obrigarem as nossas crianças a “aprenderem” uma mixórdia ortográfica ilegal, que nada tem a ver com a Língua Materna delas.

 

2 – O segundo, é o Crime de Lesa-Língua, ao substituírem a grafia portuguesa, pela grafia brasileira, com objectivos obscuros e impraticáveis, e acrescentando-lhe vocábulos desenraizados da Língua-Mãe, transformando-a na maior mixórdia linguística do Mundo.

 

3 – O terceiro, é o Crime de Lesa-Pátria, ao destruírem a Língua Portuguesa, vector de Identidade Nacional e Património Cultural Imaterial do nosso País, empurrando Portugal para a perda da Soberania Nacional, uma vez que o português acordizado, abrasileirado e amixordizado, que por aí circula, já não nos identifica, nem nos representa.

 

Daí que, cara T. F., ninguém, em Portugal, tem o direito de exigir que escreva a sua Tese de Mestrado na mixórdia ortográfica ILEGAL, que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990.

 

A T. F., como cidadã portuguesa, tem o direito de escrever a sua Tese na sua Língua Materna original, e não conforme a ortografia amixordizada que lhe impingiram, inconstitucionalmente. 

 

Se a importunarem, quando apresentar a sua tese correCtamente escrita, peça que lhe mostrem a LEI que a obriga a escrever segundo a cartilha do AO90, tendo em conta que Lei NÃO É a Resolução do Conselho de Ministros 8/2011, 2011-01-25 que, ilegalmente, determinou (não OBRIGOU, porque apenas uma LEI OBRIGA) a aplicação do AO90.

 

Obviamente que poderá evocar a objecção de consciência e o direito à resistência, ambos direitos consignados na Constituição da República Portuguesa.

 

Há muitos mestrandos que se opuseram a escrever incorrectamente a sua Língua Materna, e nada lhes aconteceu, porque, na verdade, não existindo Lei que a tal obrigue, quem se recusar a aplicar a grafia ilegal, está a cumprir a Lei, ou seja, o Decreto 35.228, de 8 de Dezembro de 1945, vigente em Portugal, porque não foi revogado. E só uma lei revoga outra lei. Não uma RCM.

 

Por fim, quero dizer-lhe que esta incongruência não foi cimentada, como refere. Parece que foi, mas não foi. Há milhares de Portugueses, não só em Portugal, como por esse mundo fora, a manter intacta a Língua Portuguesa, porque a Língua Portuguesa NÃO É a mixórdia que circula na Internet, nos rodapés dos telejornais, nas legendas dos filmes que passam na televisão, nas traduções de livros acordizadas, nem nas obras de escritores acordistas, nem aquela linguagem que as nossas crianças estão a (des)aprender nas escolas, criminosamente.

 

Essa é a mixórdia linguística portuguesa, apenas usada pelos seguidistas, pelos servilistas, pelos comodistas, pelos acomodados e pelos ignorantes optativos de Portugal. 

 

 

A Língua Portuguesa está preservada com os muitos, muitos milhares de Portugueses LIVRES que a escrevem correCtamente, e que a ensinam aos mais novos. É o que também faço com os meus netos, que aprendem acordês e Inglês na escola, e Português, em casa. E sabem que o acordês é para esquecer, quando tiverem idade para dizer NÃO!

 

Mas até lá, cara T. F., o mundo dará muitas voltas, e os predadores da Língua Portuguesa, numa dessas voltas, cairão no chão, atacados pela putrescência dos seus actos ignaros, e o AO90 será finalmente atirado para o caixote do lixo.

 

Com as minhas saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:46

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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2021

«Vasco Graça Moura, a CPLP e o… Português»: «(…) a melhor maneira de projectar a Língua é acabar, pura e simplesmente, com o Acordo Ortográfico»

 

Trago-vos, hoje, um texto oriundo de Angola, publicado no dia 03 de Janeiro de 2021, no Folha 8, que se apresenta como um jornal Angolano, livre, independente, de informação geral e comprometido com a verdade. Folha 8, mais do que um jornal, a liberdade!

 

Um texto que recomendo vivamente a todos os que abominam o AO90 que, «Segundo o escritor [Vasco Graça Moura] (…) é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. É um atentado que tenta desfigurar completamente a língua e é absolutamente irresponsável da parte de quem negociou e da parte de quem o aprovou».

 

Como é revigorante ler um texto em Português, escrito tão escorreitamente! Em Portugal, a Língua Portuguesa, está moribunda, de tão maltratada, de tão espezinhada, de tão vilipendiada, de tão apoucada, como os apoucados que a querem destruir! Mas, em Angola, ela está viva e goza de muito boa saúde! Obrigada, Angola!

Que vergonha, Portugal!

Isabel A. Ferreira

 

Vasco Graça Moura.jpg

 

«Como o Folha 8 escreveu hoje, o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural distinguiu o gestor e jurista Emílio Rui, cujo percurso profissional “constituiu um expressivo exemplo de cidadania cultural”. Vasco Graça Moura nasceu no dia 3 de Janeiro de 1942 e morreu em 2014.

 

Consultar a notícia neste link:

https://jornalf8.net/2021/premio-vasco-graca-moura-cidadania-cultural-distingue-rui-vilar/

 

Emílio-Rui-Vilar_200x250.jpg

Fonte da imagem: https://www.regiaonline.pt/l/premio-vasco-graca-moura-da-estoril-sol-distingue-gestor-e-jurista-rui-vilar/

 

«Vasco Graça Moura, a CPLP e o… português»

 

(Nota: os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

«Vasco Graça Moura considerava que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) era uma espécie de organização fantasma, “que não serve para rigorosamente nada”, a não ser “ocupar gente desocupada”.

 

“O Instituto Internacional da Língua Portuguesa não está em funcionamento porque nenhum dos países membros da CPLP lhe dá meios para o fazer”, disse em Julho de 2010 o escritor e também poeta, a propósito da VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP.

 

“Isto corresponde a uma coisa chamada CPLP, que é uma espécie de fantasma que não serve para rigorosamente nada, que só serve para empatar e ocupar gente desocupada”, acrescentou na altura em declarações à Lusa. Para o escritor, o IILP “é uma entidade fantasma criada dentro de outra entidade fantasma.”

 

“Não se nota que exista qualquer espécie de política da língua da parte do Governo português e nota-se, da parte da mesma entidade, uma enorme estupidez na forma de tratar a língua, no que diz respeito ao Acordo Ortográfico”, disse o escritor.

 

Vasco Graça Moura, que foi uma das vozes contrárias ao Acordo Ortográfico por considerar que este tem deficiências e erros que lesam o Português, considerava que o Governo estava a cometer um crime contra a língua portuguesa.

 

“Os crimes que este Governo está a cometer e está em vias de cometer em relação à língua diz respeito ao Acordo Ortográfico. Portanto, não há política de língua digna deste nome. Há uma série de equívocos em que este Governo está a persistir”, sublinhou.

 

Segundo o escritor, “o acordo ortográfico é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.”

 

“É um atentado que tenta desfigurar completamente a língua e é absolutamente irresponsável da parte de quem negociou e da parte de quem o aprovou”, disse.

 

“As pessoas falam português em qualquer parte do mundo e se entendem, seja no aspecto familiar, cultural, negocial, diplomático, isso nunca prejudicou ninguém (o facto de não haver um acordo ortográfico)”, referiu.

 

Graça Moura sublinhou também a importância dos países africanos lusófonos na projecção do português no âmbito internacional, além de Portugal e Brasil.

 

“Basta considerar o número de habitantes de todos os países que falam a língua portuguesa, não apenas o Brasil, não apenas Portugal. Se considerarmos os países africanos de língua portuguesa, temos mais 50 milhões de pessoas, pelo menos, a falar português”, indicou na altura.

 

Para Graça Moura, nunca foi preciso um Acordo Ortográfico para a projecção internacional do português.

 

A projecção do português pode passar pelas organizações internacionais, pode passar pela promoção da cultura da língua, pela promoção da aprendizagem. Neste momento, a melhor maneira de projectar a língua é acabar, pura e simplesmente, com o Acordo Ortográfico”, concluiu.

 

Recordemos Amélia Mingas

 

No dia 21 de Julho de 2009, a directora executiva do Instituto Internacional de Língua Portuguêsa (IILP), Amélia Mingas, disse que não iria recandidatar-se ao cargo em 2010, alegando que estava “cansada de ser sacrificada”.

 

Bater com a porta é, nestes casos, uma boa solução. Na altura esperava-se que o barulho fizesse algo pela comunidade lusófona (algo mais do que a mera CPLP), acordando-a da longa, mas bem nutrida, letargia em que ainda hoje se encontra.

 

“Tudo o que poderia ter dado já dei, com muito sofrimento e com muitas noites sem dormir para tentar ver o que poderia ser feito para dar visibilidade ao IILP. A única coisa que se comenta é que o IILP não fez nada e que é inoperante. Mas nunca deram meios”, afirmou a linguista angolana, nomeada em 2006 e reconduzida em 2008.

 

Também nós somos dos que dizem que o IILP é, tal como a própria Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, um elefante branco anestesiado pelas sucessivas tentativas de o tornar ora cor-de-rosa, ora laranja, ora outra coisa qualquer.

 

Isso não significa, nem significou como o Folha 8 escreveu em 24 de Maio de 2016, uma crítica a Amélia Mingas, a não ser que deveria (exactamente porque nunca lhe deram meios) ter há muito dado um valente murro na mesa ou, talvez, até na chipala dos que se julgam donos da CPLP.

 

Amélia Mingas comentava nessa data os resultados da 14ª Reunião do Conselho de Ministros da CPLP, que decorreu na Cidade da Praia, em Cabo Verde, em que foi decidido criar um grupo de trabalho para pensar a refundação do Instituto, criado em 1989.

 

Questionada sobre se a perspectiva de Angola assumir a presidência da CPLP em Julho de 2010 poderia trazer benefícios para a direcção do IILP, Amélia Mingas foi clara na resposta: “Quando tudo isso for aprovado e capaz de ser posto em acção, já não estarei cá. Termino a minha comissão em Julho do próximo ano. E não me recandidato.”

 

Amélia Mingas sabia, melhor do que todos nós, que a refundação nada mais significaria do que a constatação do óbito do Instituto Internacional de Língua Português. Isto porque, ao esperarem que ele sobreviva sem “comer”, vão verificar que quando estava já a saber viver sem “comer”… morreu.

 

“Tem sido uma travessia difícil. A verdade é que, quer se queira ou não, o IILP tem uma directora executiva, que o representa e que dá a cara sempre que necessário, mas nunca se fala dos meios que lhe puseram à disposição. Foi uma missão muito ingrata”, sustentou.

 

Para Amélia Mingas, só os ministros e responsáveis da CPLP poderiam explicar a razão da criação de um grupo de trabalho vinte anos após a fundação do IILP.

 

“Essa resposta os ministros é que poderão dar. Eles saberão por que razão só agora estão preocupados com isso”, sublinhou, defendendo que esse trabalho deveria ter sido feito “antes da criação do próprio Instituto” e retomado mais tarde após a fundação da CPLP, em 1996.

 

“Como foi possível durante esse tempo todo deixar o IILP ao abandono? Não se pagam quotas, não se criam fundos para a comissão trabalhar, não se criam as comissões nacionais que deveriam trabalhar para a Língua Portuguesa em diálogo com o Instituto…”, criticou.

 

“Podem fazer-se mil projectos, mil propostas de refundação do IILP, mas se não se derem os meios financeiros para que realize tudo o que está pensado, um milhão de directores vão ter sempre o mesmo problema”, disse Amélia Mingas, adiantando que o orçamento de 190 mil euros voltava a servir unicamente para garantir o funcionamento do Instituto, que tem a sede na Cidade da Praia, em Cabo Verde.»

 

Fonte:  https://jornalf8.net/2021/vasco-graca-moura-a-cplp-e-o-portugues/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:02

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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2021

Sobre a aplicação do AO90: «Quem tem o poder não são os políticos, não é o governo, não são as editoras, mas, muito simplesmente, o Povo»

 

Todos os que vêm a este Blogue, quer seja por concordarem comigo, quer seja por não concordarem comigo, com certeza, já chegaram à conclusão de que defender a Língua Portuguesa é uma das minhas prioridades, por ser a Língua o motor da inteligência; e destruir o AO90 é o objectivo final.

 

Sabemos, porém, que tudo tem o seu tempo para acontecer. O AO90 nasceu já com a sua sentença de morte anunciada. Também o sabemos. Por enquanto, o dia da sua execução é uma incógnita, porque, primeiro, é necessário que todas as editoras acordistas vão à falência, para que novas edições, na grafia portuguesa de 1945, a que na realidade está em vigor,  em Portugal, lhes permitam a recuperação económica.  

 

Neste momento, o AO90 anda por aí a fazer cada vez mais estragos na Língua Portuguesa, contudo, escudados na pandemia, que parou o mundo, como se não houvesse mais vida inteligente para além da vida do muito inteligente novo corona vírus, vão adiando a morte do mostrengo ortográfico, esperando que a coisa fique esquecida.

 

Mas como esquecer, se todos os dias somos bombardeados com a iniquidade de um pseudo-acordo que só Portugal, parvamente, activou?

 

ABRAÃO VICENTE.png

 

No início eram três: Brasil, Cabo Verde e Portugal. O Brasil está-se nas tintas para o acordo, e 99 % da população nem sabe o que isso é. Cabo Verde, é como diz o seu actual Ministro da Cultura: «O acordo ortográfico não é adoptado com seriedade em Cabo Verde: (…) O quotidiano em Cabo Verde é todo ele pensado, amado sentido em crioulo».  

 

Só os mentecaptos portugueses insistem no erro que foi este acordo, que não era necessário, nem ninguém quis ou quer.

 

Dito isto, deixo-vos com um comentário publicado algures no Facebook, relativo a um outro comentário, no qual se abordava a possibilidade de os Professores terem se recusado a ensinar o Português, na grafia 90% brasileira, e no mixordês português, gerado pela parvoíce daquela regra acordista que diz:  o que não se lê, não se escreve, criando verdadeiros abortos ortográficos, como exceto, aspeto, receção, infeção, infetado, exceção, enfim, e demais abortinhos quejandos.

 

Comentário:

 

«Achei especialmente interessante o comentário sobre a possibilidade de recusa dos professores, particularmente porque eu, já há alguns anos, comentei exactamente o mesmo: se os professores (bastariam os de língua portuguesa) se unissem e insurgissem contra o AO90 (i. e. ensinassem português correcto à revelia das imposições do governo e ministério da educação (?), esta palhaçada já teria tido o seu fim definitivo.

 

Infelizmente as pessoas não compreendem nem se mentalizam que quem tem o poder não são os políticos, não é o governo, não são as editoras. É sim, muito simplesmente, o povo.

 

Se o povo se unir numa qualquer causa justa, com integridade e determinação, e dessa forma boicotar todos aqueles que tentam impor ou infiltrar algo que sabemos ser errado, o povo sai vencedor.

 

Se ao menos entendessem o poder que têm!... Mas lamentavelmente não entendem e sei-o por observação directa.

 

Tive uma tia (já falecida) que há anos, quando toda este absurdo começou, questionei-a exactamente sobre isto: "Tu és professora, como é que consegues admitir isto e ensinar aos teus alunos uma língua podre e corrompida? Devias recusar-te a ensinar isso, é até falta de ética profissional uma professora de português ensinar brasileiro. Eu não ensinava, ensinaria português correcto, independentemente do que o ministério dissesse."

 

E a resposta foi: "Tás tolo, que querias que fizesse? Ainda era despedida!”

 

Eu apenas fiquei a pensar para mim próprio: "Como é possível mentes tão pequenas e limitadas serem professores?"  (A. V.)

 

***

O que a tia deste comentador não sabia, ou talvez soubesse, mas dava muito trabalho saber, é que jamais seria despedida por se recusar a ensinar aos seus alunos o ilegal e inconstitucional AO90, 90% assente na grafia brasileira.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:55

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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2020

In memoriam Eduardo Lourenço (1923 -2020) – O que é que o mundo faz com o Saber de um Sábio?

 

Eduardo Lourenço partiu ontem, os 97 anos, no dia 1 de Dezembro, Dia da Restauração da Independência de Portugal, face à Espanha.  

 

«Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa, escrevendo várias obras sobre a sociedade e identidade portuguesaO Labirinto da Saudade (“discurso crítico sobre as imagens que de nós próprios temos forjado”, nas palavras do autor)Fernando, Rei da Nossa BavieraOs Militares e o Poder são algumas das suas principais obras. (in Jornal PÚBLICO).

 

Eduardo Lourenço era, sobretudo, um Homem Sábio, daqueles Homens que pensam e deixam ao mundo, como herança, o seu Pensar, para ser aplicado às circunstâncias da Vida. É essa a função do Saber de um Sábio.

 

E como é que o mundo agradece ao Sábio e o que faz com o Saber do Sábio?

 

Eduardo Lourenço.png

 

O mundo condecora o Sábio. Concede-lhe Distinções, Medalhas Prémios:

 

«Entre as várias distinções que Eduardo Lourenço recebeu, estão o Prémio Casa da Imprensa (1974), o Prémio Jacinto do Prado Coelho (1986), o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), o Prémio Camões (1996), o Prémio Pessoa (2011), e o Prix du Rayonnement de la Langue et de la Littérature Françaises da Academia Francesa (2016). Em França, recebeu também a condecoração de Officier de l’Ordre de Mérite, Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres; em Espanha, a Encomienda de Numero de la Orden del Mérito Civil. Em Portugal, era Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, de que também possuía a Grã-Cruz, assim como da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem da Liberdade. Era também Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.» (in Jornal PÚBLICO).

 

O mundo guarda um dia de luto pela morte do Sábio, e dedica-lhe elogios fúnebres:

«O primeiro-ministro anunciou luto nacional para quarta-feira. “É, para mim em particular, um momento de grande tristeza. Trata-se de um amigo, um camarada, de alguém com quem tive a oportunidade de privar, de aprender muito, e que nos deixa”, afirmou António Costa. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, evocou e agradeceu a Lourenço, que considerou ser, desde o início da segunda metade do século XX, o “mais destacado intelectual público” e uma “figura essencial” de Portugal.» (in Jornal PÚBLICO).

 

O mundo fala da sua paixão:

 

«Apaixonado pela literatura, referia-se aos livros como “filhos” e dizia que “estar-se sem livros é já ter morrido”. Em 2008, nessa conversa com a Ler, dizia que “dificilmente” conseguiria imaginar o mundo sem livros em papel. “Bom, de qualquer modo os livros ainda estarão aí. Estarão aí, mas como museu. Em vez de termos uma biblioteca, que é uma floresta viva da memória humana, os livros estarão lá como espectros. Mas, enfim, podem ser ressuscitados pela leitura de cada um. Isso modifica a nossa relação com o mundo. Porque o relacionamento com os livros – que vem de todos os livros que a gente lê quando é jovem – torna-os bocados de nós próprios. São as tábuas privadas das nossas leis. As escritas e as não escritas. Faltará qualquer coisa quando a nossa relação com eles for puramente electrónica.”» (in Jornal PÚBLICO)

 

E quanto ao Saber, propriamente dito, do Sábio, o que fez o mundo?

 

O Saber de Eduardo Lourenço abarcou muitas áreas, e em todas elas ele distinguiu-se com uma lucidez e um conhecimento profundos. Porém, era inevitável abordar o tema do Acordo Ortográfico de 1990, num Blogue que se dedica à defesa da Língua Portuguesa, que ele usava com primorosa mestria.

 

Em Maio de 2008, em entrevista à TSF e ao DN, Eduardo Lourenço já dizia ser o Acordo Ortográfico de 1990 «uma ideia um bocado peregrina», tendo assinado o manifesto dos "Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990" (AO90), no qual se afirma que este. Nessa altura, o ensaísta reiterou que o documento não era necessário, porque a prática linguística dos brasileiros continuará a ser feita segundo os termos actuais, bem como a portuguesa. A este propósito, Eduardo Lourenço lembrou (e bem) que entre os Estados Unidos da América e o Reino Unido não existe nenhum acordo do género para a Língua Inglesa.

 

Ou seja, comprova-se que o Sábio se opunha ao novo modelo de escrita que abriu uma caixa de Pandora, criou um monstro e não uniu, não unificou, não simplificou o uso da Língua.

 

E o que fizeram António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa que, nos respectivos elogios fúnebres, o primeiro disse ter aprendido muito (?) com Eduardo Lourenço, e o segundo considerou Eduardo Lourenço o mais destacado intelectual público e uma figura essencial de Portugal; o que é que estes dois governantes fizeram com o Saber do Sábio que se opunha ao AO90 e deu razões inteligentes para o ser?

 

NADA. Não fizeram NADA. Absolutamente NADA. Simplesmente desprezaram o Saber do Sábio. Encheram-no de condecorações e desprezaram o seu Saber.



E que maior homenagem podemos prestar a um Sábio, do que colher o seu Saber e aplicá-lo à VIDA? O Saber de um Sábio, nomeadamente o seu Pensamento, a sua Filosofia, a sua Ciência, as suas Palavras ditas, de nada servirão encerrados nas páginas dos Livros que escreveu, ou confinados às páginas de jornais, ou nas entrevistas audiovisuais.


O Saber do Sábio quer-se vivo, para que o Sábio possa manter-se vivo também.

 

Honre-se a memória de Eduardo Lourenço, acabando de vez com a ideia um bocado peregrina de manter o AO90, cujo novo modelo de escrita abriu uma caixa de Pandora, criou um monstro e não uniu, não unificou, não simplificou o uso da Língua Portuguesa.

 

Só deste modo, poder-se-á dizer que se aprendeu muito com ele, e faremos dele, de facto, e não apenas em teoria, a figura essencial de Portugal.

 O meu respeito, consideração e gratidão. Até smpre! 

 

Isabel A. Ferreira

 

Fontes:

https://www.publico.pt/2020/12/01/culturaipsilon/noticia/morreu-ensaista-eduardo-lourenco-1941319

https://www.tsf.pt/portugal/acordo-ortografico-e-uma-ideia-peregrina-diz-eduardo-lourenco-920888.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:00

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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2020

A obscura questão do AO90: «(…) todo este "cozinhado" de tratamentos à porta fechada, imbuído de secretismos, tudo feito por "detrás da cortina" é que ajuda a explicar os bloqueios das iniciativas ILCAO»…

 

Costumo trocar ideias, com desacordistas, para tomar o pulso à situação caótica que se vive em Portugal, no que a quase tudo diz respeito, mas especificamente no que se refere à pouca-vergonha que evolve a questão da Língua Portuguesa, e que os governantes, silenciam e  fazem-de-conta que não é nada com eles, achando que os Portugueses andam todos a dormir a sesta, particularmente o Chefe de Estado Português, que se mete em tudo e mais alguma coisa, até em matérias que nem sequer são da sua competência, mas foge, como o diabo da cruz,  desta gravíssima questão da Língua Oficial Portuguesa, que está em vias de deixar de ser portuguesa, se nada fizermos para o impedir.

 

Numa dessas trocas de ideias, um Professor aposentado fez uma análise objectiva sobre o estado babelesco da nossa desventurada Nação, e por considerá-la perfeita, decidi partilhá-la com os meus leitores, juntamente com a resposta que lhe dei.

 

Democracia.jpg

 

«Dr.ª Isabel, bom dia, revi os seus links; já os tinha lido, nomeadamente os comentários de Paulo Franchetti, de Sérgio Vaz e do Dr. Ivo Miguel Barroso que esgrime argumentos do domínio da jurisprudência que só reforçam a certeza da  ilegalidade (e eventual inconstitucionalidade) do (dito) AO90; ou seja, tudo não passa de um atropelo grave à Lei, o que reforça a convicção de que não estamos num Estado democrático: as negociatas, os convénios sigilosos - e este caso, em que tudo ficou decidido à porta fechada (?!) entre o indivíduo Casteleiro e o Houaiss só ilustra isso mesmo; aliás o nosso sistema é uma "partidocracia", em que os partidos políticos mais não fazem do que distribuir entre si "tachos", prebendas e lugares "seguros" e protegidos, o que  confere à nossa “democracia”  um aspecto de autêntica palhaçada (como diz o Povo, é tudo "farinha do mesmo saco"). Numa verdadeira democracia, não se assiste a deputados a fazer batota (na A. R.), assinando uns pelos outros (são premiados pela presença, e não penalizados pela ausência !!), sem falar de aspectos caricatos de deputadas que vão para o plenário pintar as unhas, etc. etc..

 

E quando me refiro a partidos há que frisar que se trata somente daqueles que se "vêem", e que são a face visível do iceberg, dado que a parte "imersa", as maçonarias (ou que parece, três confissões) essas é que mexem todos os "cordelinhos", colocando os seus "irmãos" e "confrades" nos melhores postos da máquina do Estado, num secretismo totalmente absoluto, que nada tem que ver com democracia / transparência. 

 

Trago isto à colação só pelo facto de que todo este "cozinhado" de tratamentos à porta fechada, imbuído de secretismos, tudo feito por "detrás da cortina" é que ajuda a explicar os bloqueios das iniciativas ILCAO. É por demais evidente que as Editoras de manuais escolares, dicionários, etc., "coladas" ao Ministério da Educação (e quando eu estava no activo já se falava e se comentavam os dramáticos problemas de solvabilidade e sobrevivência que as afectavam) tudo fazem por se agarrarem ao Poder, por isto mesmo é que o partido do Poder, P.S., nem sequer deixa "mexer" no assunto.

 

Volto a insistir, só com uma acção de "longo curso" a cargo da " linha da frente", só com o repúdio definitivo por parte de Angola (parece já averbado) e do Brasil (toda a esperança mantêm-se de pé) e com o "magistério de influência" de figuras gradas da vida política (…), só com estes argumentos é que eu penso ser possível um volte-face.

 

Há que dar tempo ao tempo.

Um abraço do A. V.

 

Gregório de Matos.jpg

 

Para quem não sabe: Gregório de Matos Guerra, conhecido pela alcunha de Boca do Inferno ou Boca de Brasa (por atacar a Igreja Católica do seu tempo) foi um advogado e poeta português, nascido na então colónia do Brasil, em 1636. É considerado um dos maiores poetas do Barroco em Portugal e no Brasil, e o mais importante poeta satírico da Literatura de Língua Portuguesa, podendo dizer-se que era um autêntico enfant terrible.

 

***

 

A minha resposta:

 

Caro Professor,

 

Vou começar pelo fim: há que dar tempo ao tempo. Há. Nada acontece fora do tempo. Entretanto, o tempo vai passando, e os vícios deste novo dialecto vão-se espalhando, como os tentáculos de um polvo, e os todo-poderosos ganhando terreno, porque os da “linha da frente”, como o professor lhes chama, estão quietinhos no seu canto, enquanto Angola prepara a sua nova Língua, e o Brasil se afasta, cada vez mais, do AO90, que engendrou com Malaca Casteleiro (que Deus o tenha em paz, junto com Antônio Houaiss, uma vez que Evanildo Bechara (que completa a trilogia dos predadores-mor da Língua Portuguesa) do alto dos seus 92 anos, ainda vai fazendo e dizendo das suas.


(…)


É preciso abanar, quiçá, destruir, as estruturas de cimento (bem) armado que o Poder construiu, para manter sequestrada a Língua Portuguesa, enquanto deixa à solta o linguajar feio e pobre, esfarrapado e miserável, engendrado por mentes insanas, para a destruir, com uma finalidade absolutamente insólita.



Quem ousará abanar essas estruturas? Todos os que as poderiam abanar têm algo a perder com a ousadia, daí que não mexam uma palha, para defender e salvar a Língua Portuguesa. E o que fazem aqueles que têm acesso às televisões? Calam-se. (*)


E é isto que tenho a dizer por hoje.

 

As minhas saudações (cada vez mais) desacordistas,

 

(*) Bem, alguns lá vão, esporadicamente e de passagem, dizendo umas e outras contra o AO90. Mas muito esporadicamente e de passagem. Nada que abane as estruturas. Lamentavelmente.


Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:10

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