Segunda-feira, 29 de Junho de 2020

AO90 (e não só): «Existe ressentimento entre Brasil e Portugal?»

 

João Santos (PhD Física) responde a esta pergunta.

 

E eu, que conheço a realidade de lá, tanto quanto conheço a de cá, não posso estar mais de acordo. É assim, tal e qual.

 

João Santos.jpg

João Santos

 

Podia dizer que "não, não existe", mas estaria a faltar à verdade e a ser politicamente correcto. Por mais que se queira dizer que não, que não existe nada, que são todos amigos e admiradores uns dos outros, isso, embora estatisticamente até seja verdade, não o é para todos, infelizmente. Pelo que eu tenho visto aqui no Quora e noutras redes sociais, isso não acontece e existe ressentimento de parte a parte, muitas vezes por causa dos próprios governantes, de uma forma mais ou menos deliberada. Vou tentar fazer duas listas que indicam alguns motivos de ressentimento dos portugueses relativamente ao Brasil e vice-versa. Atenção que pode não se aplicar à generalidade dos indivíduos, mas por vezes apenas a uma parte:

 

Razões de queixa dos portugueses:

 

  1. a) A Língua: existe uma sensação generalizada em Portugal de que os brasileiros se acham donos da língua portuguesa apenas por serem em muito maior número. O acordo ortográfico de 1990 veio reforçar isso. Muitos portugueses, embora as diferenças entre a norma brasileira e a norma portuguesa, quer ao nível da sintaxe, do léxico ou da ortografia, não sejam nem de perto nem de longe suficientes para considerar a separação do Português em duas línguas diferentes (a prova é que todos escrevemos e nos compreendemos perfeitamente nas redes sociais), desejam mesmo que as línguas se separem para deixarem o Português de Portugal em paz e sossego. Isto, em parte, é culpa das autoridades, que fizeram (ou deixaram fazer) o acordo ortográfico de forma a "colarem" a norma portuguesa à norma brasileira. Continuam a existir duas normas, mas no Brasil perderam o trema, alguns assentos e pouco mais, e em Portugal, uma grande parte das palavras, e palavras utilizadas todos os dias, foram alteradas e vão mesmo contra a forma de pronunciação portuguesa, resultando em aberrações linguísticas. Por essa razão, existem petições, iniciativas legislativas de cidadãos, grupos em redes sociais, boicotes, e juramentos de morte em nunca utilizar o acordo ortográfico nem comprar nada com o dito até ao fim dos dias, incluindo intenções de voto em partidos que sejam mais ou menos favoráveis ao acordo ortográfico. O certo é que existem ainda periódicos importantes, e grande parte dos maiores escritores portugueses, que não o utilizam nem virão a utilizar. Há posições extremadas do tipo: "antes a morte", como se se tratasse de uma invasão ao solo pátrio. E com alguma razão.
  2. b) As várias vagas de emigração para Portugal, embora o povo português seja acolhedor e goste de algumas características do povo brasileiro, considerando-o mesmo como um povo irmão, levantam em certos sectores políticos e sociais alguma xenofobia injustificada. É aborrecido e indesejável, mas não se pode dizer que não exista.
  3. c) A contínua reclamação por parte de alguns brasileiros de que os portugueses escravizaram os indígenas, que retiraram indevidamente ouro do Brasil, escravizaram tudo e mais alguma coisa, que carregam em cima uma culpa milenar de colonização (que nenhum português actual sente), e outras polémicas que surgem nas redes sociais, com acesas discussões, acicatam o ressentimento dos portugueses relativamente aos brasileiros que se envolvem, de parte a parte, nestas discussões inúteis e inférteis.
  4. d) Por mais que os portugueses digam que não se importam, que acham piada e que também fazem o mesmo ao próprios portugueses, só o simples facto de existirem piadas sobre portugueses no Brasil, provoca ressentimento em qualquer português. Até podem dizer que não, mas fazem-no apenas para serem politicamente correctos e imaginam logo se podem contar a piada ao contrário. E contam-na, se se lembrarem.

 

Razões de queixa dos brasileiros (um pouco especuladas; talvez existam mais que desconheço, uma vez que não sou brasileiro e peço a alguém que complete a lista nos comentários). De qualquer forma, esta é sempre a percepção de um português:

 

  1. a) Questão colonial. Existem brasileiros que não conseguem ultrapassar este facto, de que o território que é o Brasil hoje, já foi uma extensão do território de Portugal. Fazem sentir este ressentimento em muitas das questões colocadas no Quora. Existem brasileiros que desejariam que o território brasileiro tivesse sido conquistado por outra potência mundial que não Portugal, imaginando que, se assim fosse, à semelhança dos Estados Unidos da América do Norte, o Brasil seria hoje uma superpotência mundial.

 

  1. b) Questão da língua. Mais ou menos o sentimento recíproco, mas sem a agravante do acordo ortográfico, que pouco alterou a ortografia brasileira.
  2. c) O interesse e a crítica dos portugueses relativamente à política brasileira. Existem brasileiros que acham que os portugueses nem sequer deveriam pensar ou fazer juízos sobre a política brasileira, uma vez que não é nada com eles.
  3. d) E deve haver mais que desconheço.

Deixo apenas um comentário de Antônio Houaiss com uma sua opinião sobre a implementação do acordo ortográfico no Brasil, e a razão pela qual os brasileiros não se deveriam preocupar com isso (ao contrários dos portugueses). Estava coberto de razão.

 

 

(NotaEste senhor desconhecia a Língua Portuguesa e a pronúncia portuguesa em Portugal, nas várias regiões. Este senhor era adepto da deslusitanização da Língua Portuguesa, e aplicou-a. Este senhor está na génese do Acordo Ortográfico de 1990, por motivos económicos. Este senhor era brasileiro, filho de libaneses. A sua Língua Materna era a Libanesa, não era a Portuguesa. Daí este "desamor" pela língua do ex-colonizador - Isabel A. Ferreira).

 

Fonte:

https://pt.quora.com/Existe-ressentimento-entre-Brasil-e-Portugal/answer/Jo%C3%A3o-Santos-27?ch=1&share=4bb7ce7a&srid=LyCYf&fbclid=IwAR3v2ko3xyGJrZRQQtKEPFW56XaEVZfvQyOezyCJrr-QucO_8AUAy-2egrU

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:30

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Terça-feira, 23 de Junho de 2020

«Abraços do Brasil sem excePtuar ninguém…» vs. «Abraços de Portugal (também) sem “excetuar” ninguém…»

 

Resposta a um comentário que recebi de um brasileiro, que me deu oportunidade de esclarecer o que parece não estar ainda esclarecido: nem lá, nem cá.

 

Brasil Portugal.jpg

Origem da imagem (abram o link e leiam o texto)

https://nacionalidadeportuguesa.com.br/2019/11/08/diferencas-de-morar-em-portugal-e-no-brasil/

 

Comentário no post Eliminação das consoantes mudas é fruto de uma descomunal ignorância da Língua Portuguesa

 

Como brasileiro, sou contra ao AO90 por tantos males que ele tem dado à língua portuguesa. Concordo plenamente que as consoantes mudas devem persistir na língua por direito, coesão e etimologia, porém há um ponto que penso eu, admito, leigo, porém apaixonado em linguagens, sobretudo a lusófona, que seja demasiadamente ab-rupto culpar friamente o Brasil por tanta coisa e implicar a forma como nós outros, brasileiros, usamos a lingua portuguesa gráfica mente, conseqüência isso das incansáveis reformulações ortográficas desde o começo do século XX, as quais foram propostas principalmente por quem? Portugal.... Tantas mesquices, besteiras que foram alteradas inúmeras e inúmeras vezes que só feriram as raizes lusitanas e americanas e ainda não chegaram a lugar nenhum =D. O Brasil já é mais do que cansado de sofrer penas de um velho colonizador, não mais por terras, mas por linguas. Sei bem que as mudanças foram tamanhas nas grafia portuguesa aí para o lado dos lusiadas, mas não vás pensando que para cá as coisas foram fáceis assim. Mudanças aqui que há mais de décadas já haviam se extinguido de Portugal, mas que conservava-se aqui por haver sentido para nós outros, brasileiros. Quedas de acentos, caos nós hifens... Isto afecta sim o Brasil até hoje, inclusive. Adoro os meus amigos portugueses, com eles a lingua é mais que uma união, mas se o rancor for grande demais, sinceramente, grande parte dos Brasileiros também assumem a sua língua, inclusive, quando escutamos um galego falando, é mais famíliar do que um português, mas não quero ofender a ninguém! Abraços do Brasil sem excePtuar ninguém... 😉😉😉

Pedro Braga

 

***

Caro Pedro Braga, começo por agradecer este seu comentário.

 

E agora vamos lá por partes, mas antes devo frisar o seguinte: li algures que quanto mais ignorantes são os povos, de mais acordos ortográficos precisam. E isto não sou eu que digo. E se reparar, apenas o Brasil e Portugal, de todos os países do mundo (e arredores) são os povos que mais fizeram (des)acordos ortográficos. E a palavra certa é desacordos, porque o Brasil nunca cumpriu os acordos que assinou com Portugal, no que à Língua diz respeito.

 

A Língua Portuguesa, como qualquer outra Língua do mundo, não é fácil. Mas nenhuma Língua tem de ser fácil ou tem de ser simplificada para que possa ser aprendida e aplicada com rigor e exactidão pelos seus utilizadores. Isso já é amesquinhar o povo.

 

Posto isto, vamos ao seu comentário:

 

1 -  Ninguém culpa, muito menos, friamente, o Brasil de coisa nenhuma.  O Brasil desde 7 de Setembro de 1822 desvinculou-se do colonizador, e consequentemente poderia ter se desvinculado também da Língua que eles já falavam “agalegadamente”, e não o fez. Depois da independência, nenhum português tinha (tem) mais o direito de dizer o que quer que seja do modo como os Brasileiros usam a Língua que herdaram e simplificaram por  pretenderem diminuir o elevado índice de analfabetismo que então (como aliás ainda hoje) grassa no Brasil.  Até 1911, o Brasil (livre), Portugal e as restantes ainda colónias portuguesas tinham a Língua Portuguesa como Língua comum. Difícil, cheia de consoantes duplas (p. ex.: ella), ou fonemas gregos (p. ex.: PHarmacia): ou ainda caracteres gregos (p. ex.: lyrio) com correspondência no alfabeto LATINO, que era o nosso.

 

Em 1910, com a Implantação da República em Portugal, e para combater o analfabetismo, que também grassava no nosso país, um grupo de estudiosos da Língua (não políticos ou linguistas vendidos à política) estabeleceram uma ortografia mais simplificada, ficando o Brasil com a ortografia antiga, e Portugal com uma ortografia, em que as principais alterações introduzidas foram:

 

- Eliminação de todos os dígrafos de origem grega com substituição por grafemas simples: th (substituído por t), ph (substituído por f), ch (com valor de [k], substituído por c ou qu de acordo com o contexto) e rh (substituído por r ou rr de acordo com o contexto);

- Eliminação de y (substituído por i);

- Redução das consoantes dobradas (ou geminadas) a singelas, com excePção de rr e ss mediais de origem latina, que têm valores específicos em Português;

- Eliminação de algumas consoantes não-pronunciadas em final de sílaba gráfica, QUANDO NÃO AFECTAVAM A PRONUNCIA DA VOGAL QUE AS PRECEDIA (p. ex.: afecto (que sem o cê, se lê “âfêtu”)

- Introdução de numerosa acentuação gráfica, nomeadamente nas palavras proparoxítonas.

 

O Brasil opôs-se inicialmente, mas como o analfabetismo era elevadíssimo no Brasil, a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras uniram-se para  encontrar as bases de uma ortografia comum e firmaram o  primeiro Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro, em 30 de Abril de 1931 que praticamente adoPtou a ortografia portuguesa de 1911.



Porém, com todas estas simplificações, o índice de analfabetismo não baixava, no Brasil. Foi então que em 1943 a Academia Brasileira de Letras estabeleceu o Formulário Ortográfico de 1943, com as alterações que são a base do Acordo Ortográfico de 1990, à excePção de alguns acentos e hífenes. De resto a GRAFIA imposta pelo AO90, em Portugal é assente na GRAFIA deste FORMULÁRIO ORTOGRÁFICO BRASILEIRO de 1943.

 

Em 1945, grassava no Brasil e Portugal ainda um elevado índice de analfabetismo, e foi preciso fazer uma outra reforma (repare o Pedro Braga, que na base destes “acordos” ortográficos está o analfabetismo que não havia meio [e ainda  não há] de diminuir.

 

Desta vez, foi assinada em Lisboa em 6 de Outubro de 1945, a Formulário Ortográfico de 1943, pela Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras. Este acordo, ligeiramente alterado pelo decreto-lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro, estabeleceu as bases da ortografia portuguesa para todos os territórios portugueses (que à data do acordo e até 1975 compreendiam o território europeu de Portugal e as províncias ultramarinas portuguesas - na Ásia e África). No Brasil, o Acordo Ortográfico de 1945 foi aprovado pelo decreto-lei 8.286 de 5 de Dezembro de 1945. Entretanto, o texto nunca foi ratificado pelo Congresso Nacional, continuando os brasileiros a regular-se pela ortografia do Formulário Ortográfico de 1943, que é “ipsis verbis” a ortografia do Acordo Ortográfico de 1990, à excePção da retirada do bendito trema, e de alguns acentos como pára/para, e hífenes, como em fim-de-semana para Portugal (no Brasil já era fim de semana), que de um nome masculino que significa período composto pelos dias de sábado e domingo, e que se opõe aos dias úteis, passou a FIM (nome masculino = termo), DE (preposição que une ao nome o seu complemento) SEMANA (que pode ser uma série de sete dias consecutivos a partir do domingo, ou série de sete dias consecutivos. E lá se vai o sentido do período composto pelos dias de sábado e domingo.



Toda esta alucinação de unificar o que jamais poderá ser unificado, até porque ou o Brasil começava a escrever António, ou Portugal começava a escrever Antônio, e isto só para apresentar um pequeníssimo exemplo, porque teria de estar aqui até ao fim do mês, para lhe mostrar as inúmeras diferenças entre a VARIANTE que o Brasil gerou a partir da Língua Portuguesa (e fez muito bem, e que lhe chamem Língua Brasileira, que a será mais dia, menos dia), e a Língua Mãe, a Portuguesa, mas estava eu a dizer, toda esta alucinação começou com Antônio Houaiss, um libanês/brasdileiro que mal sabia Português, o que lhe interessava era o negócio, consulte, por favor, este texto «O Negócio do Acordo Ortográfico de 1990» neste link:


https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-negocio-do-acordo-ortografico-172469

e veja como tudo isto começou. Portugal estava muito bem, com a sua ortografia de 1945. Não pediu nenhum acordo. Porém, políticos esquerdistas brasileiros e políticos portugueses, uns esquerdistas, outros, não, mal informados, mal formados, gananciosos, ignorantes e corruptos uniram-se para destruir o Património Cultural Imaterial de Portugal mais precioso -  a sua Língua, e, com isso, destruir também sua identidade Linguística e Cultural.


 2 – Posto isto, caro Pedro Braga, as mudanças no Brasil, foram mínimas. Em Portugal foram devastadoras, porque não só mexeu com a grafia, como também com a pronúncia, e hoje, os que que se renderam à grafia demasiado simplista, de uma lógica extremamente simples, básica, não só escrevem incorreCtamente, como pronunciam também incorreCtamente as palavras grafadas à brasileira, porque no Brasil abrem as vogais, à moda galega. Os Brasileiros continuaram a pronunciar à galega, quando os Portugueses já tinham a sua própria pronúncia.

 

Portanto, o que se escreve e fala no Brasil, já não é Português, mas sim uma VARIANTE do Português, ou seja, um dialeCto.

 

Meu caro, eu também adoro os meus amigos e a minha família brasileira, que já vai na quarta geração. Com eles partilho, não a Língua, mas a VARIANTE da Língua Portuguesa, porque não falo nem escrevo como eles. Não é a Língua que nos une, mas sim os afeCtos, que eu, como portuguesa, escrevo com CÊ, e eles, como brasileiros, escrevem sem CÊ.



O Pedro Braga usou a palavra RANCOR, uma palavra muito feia, e que eu abomino, porque rancor sentem os desalmados. Não, quem é de bem e do bem. Nenhum português sente rancor pelo Brasil ou pelos Brasileiros. O que talvez sintam, e falo por mim, que aprendi a ler e a escrever no Brasil, segundo a cartilha do AO90, e metade da minha vida foi vivida no Brasil, da minha Cultura também faz parte a riquíssima Cultura Brasileira, o que sinto é uma imensa tristeza por termos uma Língua da família linguística Indo-Europeia reduzida a uma Variante, que será Língua no Brasil, mas não em Portugal. Nós somos europeus. Vocês são sul-americanos e um País livre. Por que haveríamos, nós, um País livre também (agora nem tanto) de trocar a nossa grafia, pela grafia de uma ex-colónia? Porque haveríamos de andar para trás como o caranguejo? Há quem diga que o intuito dos esquerdistas brasileiros é colonizar o ex-colonizador através da Língua, e que o intuito dos esquerdistas portugueses que estão agora no Poder, é rastejar aos pés do Gigante, para se tornarem visíveis no mundo.  E se assim é, estão a conseguir, mas pela negativa.

 

A Língua Portuguesa está, cada vez mais, a perder prestígio no mundo, e acabará por se extinguir. Isso se nós, os que defendemos a nossa Língua (como os Brasileiros defendem a deles) deixarmos.

 

Para terminar, envio igualmente um abraço português, sem também “excetuar” (isto nem é português, nem brasileiro) ninguém, mas escrito na mixórdia em que se transformou a Língua Portuguesa, em Portugal, com a aplicação do AO90, projecto, nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss, [que] foi desde o início um empreendimento com fins lucrativos, apoiado por uma poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portugal.

 

E esta é a verdade verdadeira sobre um “acordo” que nunca foi e jamais será um acordo.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:32

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Terça-feira, 9 de Junho de 2020

«A propósito da Língua Portuguesa - Qualquer indivíduo, com um nível mínimo de capacidade de entendimento, entende que a Língua Portuguesa é a língua dos Portugueses»

 

 Um texto de Luís Filipe Pimentel Costa, o qual subscrevo inteiramente e remeto a todos os professores e órgãos de comunicação social seguidistas, os maiores disseminadores da mixórdia ortográfica que substituiu a nossa bela e europeia Língua Portuguesa.

 

Árvore genelógica das línguas.png

Árvore genealógica das línguas

 

Por Luís Filipe Pimentel Costa

 

«A propósito da Língua Portuguesa, vou abordar alguns pontos que considero importantes.



Ponto 1:
Começo por falar da própria Língua Portuguesa. Qualquer indivíduo, com um nível mínimo de capacidade de entendimento, entende que a Língua Portuguesa é a língua dos portugueses.

 

Quando falamos de Português como língua, falamos, pois, da língua dos portugueses.

 

Considero este ponto importante, e “sublinho-o” devidamente, pois verifica-se alguma confusão por parte de alguns indivíduos que várias vezes se saem com expressões no estilo “Lá vem o portuga que pensa que é dono da língua”. Sim, os Portugueses são os donos da Língua Portuguesa.

 

Outros povos, quando receberam o país, fizeram as suas opções que conduziram o país ao estado em que se encontra, entre outros assuntos, também na língua que adoptaram como língua oficial. Alguns foram-na enriquecendo com novos vocábulos, mantendo, no entanto, as suas estruturas quer gramaticais quer ortográficas. Outros optaram por, além de a nível vocabular, também a nível gramatical e ortográfico introduzir alterações. Em ambos os casos falamos, pois, de variantes da Língua Portuguesa, mais ainda no segundo caso.

 

Fica, pois, claro que temos a Língua portuguesa e as suas variantes, sendo que o português é a língua dos portugueses e, por exemplo, o português do Brasil é a língua dos brasileiros. E sempre haverá as variantes, pois sempre haverá diferenças vocabulares, apesar de todas as tentativas, sempre falhadas para quimeras de unificação.



Ponto 2:
Em 1945, Portugal e o Brasil entraram numa das quiméricas tentativas de unificação do idioma, firmando-o devidamente com Decretos-Lei, que em Portugal recebeu alterações em 1973.

 

Editou-se, inclusive uma “Enciclopédia Luso Brasileira”.
Quase que desde logo o Brasil começou a desrespeitar este acordo, desviando-se do mesmo.

 

Portugal, no entanto, com as alterações que introduziu em 1973 e firmou em Decreto-Lei, já o Brasil há muito que se desviara, manteve-se fiel, sendo este o português actualmente legal, sendo ilegal, por falta de legalidade a nível nacional, qualquer outra forma que se pretenda, e se tem pretendido, impor.



Ponto 3:
Mais uma vez, em 1990 se entrou numa quimérica pretensão irrealizável de unificar o português com a sua variante brasileira.

 

Desta vez a insensatez levou a que se pretendesse incluir todos os povos que adoptaram o português como língua oficial.

 

Verificando-se o irrealizável que esta tarefa é, entrou-se em remendos ao pretenso acordo, desvirtuando-o e impossibilitando a sua legalização.

 

Devido a esta impossibilidade de legalizar um acordo que nunca existiu, optou-se, numa claramente cega teimosia política por impor a nível da Função pública este pseudo-acordo.

 

Tirando proveito da falta de brio nacional da maioria da actual população portuguesa, a classe política portuguesa adoptou a atitude ditatorial e desrespeitosa para com os cidadãos portugueses de impor a nível das escolas a escrita ilegal.

 

Devido à já referida falta de brio nacional da actual população portuguesa esta ilegalidade linguística tem-se prolongado por tempo já há muito inadmissível.

 

Coibo-me de referir como a questão se vem desenrolando no Brasil, deixando isso aos brasileiros.


 
Ponto 4:
Quando esta ilegalidade linguística começou a ser imposta nas escolas, ninguém se importou com o impacto que iria ter nas “criancinhas”, pelo que não se aceita agora esse falacioso argumento de que as “criancinhas” já aprenderam a escrever de forma errada e ilegal. Com maior força se impõe e justifica a reposição da legalidade na Língua Portuguesa.



Quinto e último ponto:
Não é por acaso que o dia 10 de Junho, dia de Portugal e da Língua Portuguesa, está a morrer na sua significância. Ambos estão moribundos, o país como nação e a Língua como idioma.

 

Por tudo o acima exposto, é facto que a Língua Portuguesa só existe em alguns Portugueses “vero”, não existindo na imposta ilegalidade, oficialmente imposta e agachadamente aceite por portugueses que apenas o são porque têm um cartão de plástico que assim o diz.»

 

Fonte: https://www.facebook.com/pimentelcosta/posts/3372241392820789

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:31

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Sexta-feira, 5 de Junho de 2020

Portugal não é território brasileiro, tal como o Brasil já foi (mas já não é) território português, para termos de aceitar uma grafia que não nos pertence

 

Respondendo a um comentário que me deixou perplexa, pelo desaforo…

 

Walnice Nogueira Galvão.jpg

 

Comentário no post AO90: o maior erro histórico desde a fundação de Portugal, em 1139

 

Ficar de braços cruzados e ficar a destilar veneno na internet não adianta. Já se passaram dez anos e nada de Portugal voltar atrás com o AO90.O mundo está mudando e precisamos encontrar uma forma genérica para as duas variantes é uma desvantagem continuarmos assim no mercado de softwares. A maioria dos estrangeiros procuram o português brasileiro para aprender a falar. Os padres jesuítas que adaptaram o idioma depois que Marques de Pombal proibiu a pronunciação de qualquer outro idioma que não fosse o português. E anos mais tarde Getúlio Vargas proibiu que os imigrantes europeus e asiáticos famintos, depois da segunda grande guerra, falassem outro idioma além do português.Lembre-se: a língua é um organismo vivo em constante mudanças.

Laura Borelli Cabral 

 

***

Cara Laura Borelli Cabral,

 

Agradeço este seu comentário, porque me dá oportunidade de esclarecer o que não está claro para si.

 

Diz a Laura: «Ficar de braços cruzados e ficar a destilar veneno na internet não adianta».

 

Neste ponto quem pede esclarecimentos sou eu: quem “fica de braços cruzados”, e quem “fica a destilar veneno”??????

 

Diz a Laura: «Já se passaram dez anos e nada de Portugal voltar atrás com o AO90

 

Quer que eu lhe responda? Porque Portugal não tem gente suficientemente corajosa e lúcida para reconhecer o gravíssimo erro que foi embarcar na canoa furada que o Brasil lhe pôs à porta, e porque os políticos portugueses, tal como os políticos brasileiros, sofrem de um complexo de inferioridade tal, se bem que por motivos diferentes, que uns acham que têm de esmagar o ex-colonizador, através da Língua; os outros acham que como os ex-colonizados são milhões, a escrever uma língua que eles acham que é portuguesa, há que ser subserviente ao “gigante”.

 

E isto só diz da pequenez de espírito dos que assim pensam.

 

Diz a Laura: «O mundo está mudando e precisamos encontrar uma forma genérica para as duas variantes é uma desvantagem continuarmos assim no mercado de softwares».

 

De que “duas” VARIANTES está a falar a Laura? Uma variante eu sei que é o DIALECTO (= variante de uma língua que apresenta particularidades fonéticas, lexicais, morfológicas, sintácticas) BRASILEIRO, que é uma variante da Língua Portuguesa. Chegados aqui, qual é a outra variante? Que eu saiba, todos os outros países da CPLP mantiveram a Língua Portuguesa intacta, e foram enriquecendo-a com os próprios regionalismos. Qual o problema no mercado de software, se a língua do mercado do software é a INGLESA? Pretendem que digamos à brasileira “mercado logiciário ou mercado de suporte lógico”?  Mil vezes o anglicismo, porque a linguagem técnica não é traduzível, assim como não são traduzíveis os nomes próprios.  Ninguém diz João Lenão. Sabe quem é? Um cantor, dos mais badalados, já falecido, fundador da Banda mais famosa do mundo, cujo nome traduzido é um horror linguístico.

 

Diz a Laura: «A maioria dos estrangeiros procuram o português brasileiro para aprender a falar

 

A maioria dos estrangeiros procura (não procuram; consegue ver a diferença?) o português brasileiro (= dialecto brasileiro) para FALAR, comunicar, porém, quando querem aprender o IDIOMA PORTUGUÊS não é o “brasileiro” que eles procuram, mas sim o PORTUGUÊS, o original, o europeu, o que é da grande família indo-europeia. E isto é um facto, não é uma ideia. Contudo, agora, vêm-se aflitos por causa do mal-amanhado acordês. A Língua Portuguesa, tal como está, será uma Língua para esquecer. E isto é um facto. Não, uma ideia.

 

Diz a Laura: «Os padres jesuítas que adaptaram o idioma depois que Marques de Pombal proibiu a pronunciação de qualquer outro idioma que não fosse o português».


E o Marquês de Pombal estava no seu direito, uma vez que o Brasil, naquela época, era território português e em território português fala-se a Língua oficial, ou seja, o PORTUGUÊS. Com toda a lógica. E os padres jesuítas também fizeram bem em adaptar a Língua, uma vez que o objectivo deles era evangelizar, e não se pode evangelizar numa Língua que os indígenas não conhecem. E isto faz parte da História da época. Quer se goste, ou não se goste.

 

Ora acontece que, hoje, o Brasil é um país independente e Portugal NÃO É território brasileiro. Então, por alma de quem é que os PORTUGUESES têm de grafar à brasileira, se os brasileiros se recusaram a grafar à portuguesa?  Por serem milhões? A quantidade jamais foi bitola para esmagar a qualidade. Muito pelo contrário: quanto maior a quantidade, menor a qualidade. Isto acontece em tudo.   

 

Dia a Laura: « E anos mais tarde Getúlio Vargas proibiu que os imigrantes europeus e asiáticos famintos, depois da segunda grande guerra, falassem outro idioma além do português


E Getúlio Vargas fez muito bem em proibir as “outras falas” que não a brasileira. Se assim não fosse o Brasil viraria uma BABEL. E não sei se sabe que para se ter uma determinada NACIONALIDADE um dos requisitos é saber falar a língua do país, e em Portugal, fala-se Português, não, Brasileiro.

 

E por fim a Laura diz algo muito estranho: «Lembre-se: a língua é um organismo vivo em constante mudanças

 

É verdade que a Língua é um organismo vivo em constantes mudanças (plural). Mas não é verdade que nessas constantes mudanças a Língua tenha de sofrer mutilações e reduzir-se ao dialecto (= variante) de uma ex-colónia.

As mudanças sempre se fizeram com fito no AVANÇO, não, no RECUO.
E o AO90, impingido a Portugal ilegalmente, constitui um monumental recuo, um retrocesso único no mundo: fazer regressar uma Língua, que deixou de ser um dialecto do Latim, para se tornar numa Língua Independente e Íntegra, a um dialecto oriundo dessa mesma Língua, que uma ex-colónia adoptou, com a agravante de se ter tornado numa “coisa” que nem é português, nem brasileiro; mas simplesmente numa mixórdia ortográfica que põe Portugal fora da família linguística indo-europeia.


E isto não é algo que os Portugueses dotados de espinha dorsal possam aceitar de ânimo leve.



Daí que, cara Laura Borelli Cabral, não venha para aqui tentar que atiremos fora a Cultura de um dos países mais antigos da Europa, que tem uma das também mais antigas Línguas da Europa, só por causa da desvantagem no mercado do software, que não é por acaso que se serve da Língua Inglesa para comunicar. Ou os Brasileiros não são capazes de escrever em Inglês, os vocábulos próprios da tecnologia informática, por terem muitas consoantes não-pronunciáveis, e querem reduzi-la ao básico e traduzi-la inabilmente?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:47

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Quinta-feira, 23 de Abril de 2020

23 de Abril - Dia Mundial do Livro: neste dia celebramos os livros escritos em Bom Português

 

"A Cultura assusta muito. É coisa apavorante para os ditadores. Um Povo que lê (bons livros) nunca será um povo de escravos» (António Lobo Antunes)

https://www.apeiron-edicoes.com/?fbclid=IwAR2pqLCEF9RIz-rsqrYOZvqCUsMyVWhRUqcwX4_ldkhRzKAWPLYf6ghwh2c
  

 

Lei-tura.jpg

Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3362702717092073&set=a.102726493089728&type=3&theater

 

***

 

Hoje é o #diamundialdolivro e vamos celebrar ao longo do dia com a voz dos nossos autores e editores!


Acompanhe-nos por aqui e pelo Facebook das nossas chancelas: Companhia das Letras Portugal, Alfaguara Portugal, Editora ObjectivaNuvem de Tinta, Suma de Letras Portugal, Arena Editora.

Um bom dia do livro para todos!

#PenguinRandomHouse #FicoemCasaaLer

PENGUIN.jpg

 

 ***

Estão dez clássicos a querer cativá-lo

Feira dos Clássicos II.png

 

O Principezinho é um livro que já quase toda a gente leu. Lembram-se da palavra chave desse livro? Cativar! Não “cativar” à maneira de Mário Centeno, o senhor ministro que me desculpe, mas cativar seduzindo, encantando. Há no livro, como na raposa, que pede ao Principezinho que a cative, a mesma exigência: o livro quer que fiquemos a olhar para ele, a contemplá-lo, e quer que tenhamos tempo para o fazer. O prazer de olhar longamente e sermos nós donos do nosso tempo são características de civilização. De civilização avançada, uma civilização que saboreia, que frui, que se deleita.

 

Hoje, Dia Mundial do Livro, é esse tempo dos deuses que devemos usar. Usem-no, os meus caros leitores, para afagar as capas tão bonitas destes dez clássicos que aqui, navegando na nossa colecção de Clássicos,  vos oferecemos. Virem depois a página e deixem-se levar pela torrente de sensações, pelos mundos que se colam a cada página, pelos dramas intensos, pela doce ironia, pelos conflitos pícaros. Um livro são páginas e palavras. Mas que transubstanciação é essa que converte essas palavras, que seriam só água corrente, no mais exaltante dos vinhos, como no milagre das Bodas de Caná? Que paixão se solta do papel e das páginas que nos sabe aos beijos da boca da amada no Cântico dos Cânticos?

 

Cinco clássicos das literaturas de língua portuguesa, cinco das literaturas russa, inglesa, francesa e americana. Estes são os livros com que hoje, Dia Mundial do Livro, e nos dias que se seguem, celebramos o mistério e a paixão do livro. Quase lhos oferecemos, mas tem ainda assim de os comprar. Porque comprar livros é um acto de civilização com que o leitor cativa cada autor.

 

***

Na página do Facebook Português de Facto encontram muitas sugestões de bons livros escritos em BOM Português:

https://www.facebook.com/portuguesdefacto/photos/a.789300531156489/1574763905943477/?type=1&theater

 

português de facto.jpg

 

Porque há que celebrar os Livros escritos com afeCto pela Língua Portuguesa.

 

***

Como levar à falência as editoras que se vergaram ao AO90?

(Sim, porque esta é a pena que elas merecem por terem cometido um linguicídio)

 

Andar pelo Facebook a passar o tempo, gostando desgostando das publicações anti-AO90, que por lá se propagam, em várias páginas, não leva a lado nenhum.

É preciso mais acção e menos conversa.

O que pode ser feito?

 

Podemos levar à FALÊNCIA as editoras que se vergaram ao AO90, com olhos esbugalhados a pensar nos €€€€€€€€€ que podiam meter ao bolso. E este é UM dos caminhos para acabar com a mixórdia que se ensina nas Escolas portuguesas e se anda a escrever por aí, ignorantemente.

 

Sabemos que o acordo ortográfico não abriu o mercado brasileiro ao livro português, nem vice-versa, aliás como já era de esperar (e não vou sequer entrar nos pormenores que justificam este falhanço, porque só os muito ingénuos acreditaram em tal abertura).

 

Um destes dias, tive na mão um livro para crianças intitulado Diário de um Banana, da Booksmile, onde se lia Edição em Português (venda interdita no Brasil). Estando o livro escrito à brasileira, por que a sua venda é interdita no Brasil? Isto é algo que gostaria de saber e vou averiguar.

 

Achou-se (se tivessem pensado, não chegariam a esta conclusão) achou-se que ao estabelecer uma ortografia "unificada" (o que foi um falhanço total, porque absolutamente inviável) o AO90 iria facilitar a circulação do livro português no Brasil (uma vez que no Brasil não se entende o nosso Português). E este foi um dos argumentos usados a favor da aplicação do acordo, cujo tiro saiu pela culatra.

 

Porém, como achar que o acordo unificaria a ortografia do Brasil e de Portugal foi um erro de cálculo incalculável, essa ilusão deu com os burros n’água, tanto que a LeYa, que foi logo in$talar-$e no Brasil, a achar que ia encher os bol$o$, já de lá saiu. E agora marca-se passo, por que nem livros portugueses entram no Brasil, nem livros brasileiros entram em Portugal (no Correntes D'Escritas 2020, só havia uma autora brasileira).

 

AO90 foi (é) um daqueles erros apenas cometidos por quem só viu (vê) $$$$$$$$$ diante dos olhos. E como sempre ouvi dizer: quem tudo quer, tudo perde.

 

A aplicação do AO90 é ilegal e inconstitucional, dizem os juristas de alto gabarito.

 

AO90 não unificou coisa nenhuma, e jamais unificará, a não ser que o Brasil ceda e adoPte a Língua Portuguesa, de faCto, porque é o único país da dita lusofonia, que não a escreve e fala na íntegra, e que Portugal mande o AO90 às malvas e regresse à racionalidade.

 

E como os maiores vendilhões da Língua Portuguesa são as editoras que andam por aí a vender gato por lebre, ou seja, a chamar portuguesa a uma grafia abrasileirada, há que levá-las à falência e obrigá-las a publicar livros e manuais escolares e dicionários em Português correCto, se quiserem que os Portugueses, que não se renderam a este modismo acordista, a esta fraude, a este negócio dos mais sujos de que há memória em Portugal, comecem a comprar-lhes livros.

***

Sugestão de Miguel F.:

«Uma forma adicional de dar força à falência dessas editoras, seria por exemplo no ínicio dos anos escolares, ser comprado apenas UM ÚNICO exemplar de cada manual escolar e distribuí-lo digitalmente (fazer scans, criar um pdf e enviar por email) por todas as famílias e estudantes do país.

Conseguem imaginar o IMPACTO NEGATIVO que teriam essas editoras (acordistas, fraudulentas e traidoras da língua)?»

 

Se isto não for ilegal, é uma excelente ideia!

 

Análise jurídica a esta ideia:

 

«Supostamente será ilegal segundo a protecção de direitos de autor (?), mas por outro lado também o DESacordo é ilegal e usam-no impunemente.»

 

A dedução lógica da lei é que supostas "obras" que usam uma ortografia claramente ilegal não poderão ser consideradas obras, não estando por isso protegidas por direitos de autor. E assim sendo, deixa de ser ilegal a sua reprodução.

 

Na pior das hipóteses, e já que o governo e a justiça portugueses funcionam tão pobremente que deixam algo tão obsceno como o DESacordo continuar a ser inconstitucional e ilegalmente impingido aos portugueses, certamente não será difícil alguém publicar esses pdfs online e partilhá-los sob anonimato, uma vez que quem usar esses pdfs (famílias e estudantes) não poderão ser criminalizados pois não foram eles quem reproduziram tais "obras" cheias de erros

 

Pois aqui aqui fica a sugestão, porque já chega de tanta mixórdia ortográfica, que anda disseminada por aí, como um vírus, que não mata gente, mas mata a Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:38

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Segunda-feira, 6 de Abril de 2020

Desmistificando a ideia da irreversibilidade do AO90

 

Nem só de coronavírus vive Portugal.

É preciso não esquecer que a Língua Portuguesa anda pelas ruas da amargura, neste tempo de crise. É necessário combater o vírus, mas não esquecer que depois do vírus virá a bonança, porém, a ortografia estará mais arruinada, do que nunca, e é necessário e urgente recuperá-la.

É preciso limpar Portugal destes dois vírus que nos arruínam.

Para os que acham que não se pode voltar atrás, porque muitas crianças, adolescentes e jovens já aprenderam a escrever segundo o AO90, e porque o erro já está instalado em Portugal, de casa e pucarinho, há que desmistificar esta ideia obtusa.

 

Não queiram rotular as nossas crianças de “mais estúpidas” do que as das gerações anteriores, porque elas não são.

 

ACORDO DO PASSADO.jpg

 

Eu passei a minha infância, adolescência e juventude entre o Brasil e Portugal e, de todas as vezes que mudava de país, tinha de mudar de Língua, porque a Língua, na sua forma grafada e escrita, não é a mesma nos dois países, apesar de os políticos desejarem que sim.

 

Aprendi a ler e a escrever no Brasil, com seis anos, com todos os djis e tchis no devido lugar, e suprimindo as consoantes mudas, com função diacrítica, da Língua original. Aos oito anos, regresso a Portugal e tive de abandonar os djis e tchis e introduzir as consoantes mudas onde elas são necessárias. Aos 13 anos abalei para o Brasil novamente, e tive de abandonar o que tinha aprendido em Portugal, e regressar ao Brasileiro. Aos 20, vim definitivamente para Portugal e foi então que me fixei na minha Língua Materna. E tudo isto com a maior facilidade. Foi como aprender duas Línguas: a Portuguesa e a Brasileira; às quais juntei a Inglesa, a Castelhana e a Francesa, que me ajudou a aprender a Brasileira, pois esta está assente nestas três Línguas, mais do que na Portuguesa.



Não sendo eu mais DOTADA do que a mais comum das crianças portuguesas do século XXI, não vejo que estas possam ter dificuldade em desaprender o AO90 e aprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna, que apesar de parecer mais difícil, tem uma virtude: é de compreensão mais fácil e ajuda na aprendizagem das restantes Línguas Europeias, irmãs da Portuguesa.

 

Se eu consegui, qualquer criança hodierna consegue…

 

E não me fez qualquer mossa. Pelo contrário, aprendi tanto, mas tanto sobre a Língua Portuguesa nas duas versões (a original e a desviada da sua matriz) que hoje (e que me perdoem os meus irmãos brasileiros) tenho aversão ao AO90, quase por instinto, porque este veio destruir uma Língua Europeia.

 

Além disso, continuar no erro trará mais prejuízo para o futuro, do que se se recuar e atirar ao lixo esta vergonhosa maneira de escrever incorreCtamente o Português, em Portugal. Além de que, ao contrário do que acham os acordistas, se quisermos preservar a Língua Portuguesa, temos de abandonar urgentemente o AO90, de outro modo, ela extingui-se-á.

 

Sejamos racionais.

 

Se alguém tem de perder alguma coisa, que sejam os culpados do crime de lesa-língua e de lesa-pátria (os responsáveis pela desintegração da Língua Portuguesa), e não as crianças, os adolescentes e os jovens portugueses, que estão a ser vilmente enganados.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:03

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Quarta-feira, 1 de Abril de 2020

Sejamos francos, isto não é escrita de gente letrada. Ponto.

 

Atente-se neste quadro negro, onde está uma pequena amostra de vocábulos que não pertencem à Língua Portuguesa – Língua Oficial de Portugal – e que os media, especialmente os canais televisivos, os professores, mas também o presidente da República, o primeiro-ministro, e os deputados da nossa desditosa Nação, usam nos seus sites oficiais, nos seus despachos, disseminam por aí, na escrita e oralidade, induzindo os Portugueses, menos atentos, em erro.

Uma VERGONHA! Até porque isto, não sendo escrita de gente letrada, demonstra uma descomunal ignorância da Língua Portuguesa.

Vejamos porquê.

 

Sejamos francos.png

 

Não venham escudar-se na falsa obrigatoriedade da aplicação do falso AO90, que os mais letrados, felizmente, se recusam a aplicar, o qual, como se sabe, à excepção de uns poucos vocábulos que não perderam nem o, nem o, assenta na grafia que, em 1943, os Brasileiros decidiram simplificar e adoptar, retirando-lhes as consoantes mudas, apesar de terem uma função diacrítica, com o objectivo de baixar o índice de analfabetismo, naquele país, num  claro desrespeito pela estrutura de uma Língua, que sendo a deles, não era a deles, ou seja, não era, efectivamente, autóctone. Portanto, para quê usar critérios científicos numa Língua herdada do colonizador?

 

Contudo, nós Portugueses, não temos nada com o que os Brasileiros fizeram com a Língua deles, desde 1822, quando o país se tornou independente. E o que o Brasil fez com a Língua que herdou do ex-colonizador é problema exclusivo do Brasil.

 

Dizia-me há dias, a este propósito, uma escritora italiana, minha amiga (via e-mail, obviamente), que fala e escreve Português: «o Brasil só tem um território maior do que o de Portugal, mas não é mais importante do que Portugal».

 

Pois não. Não é, nem mais, nem menos importante, até porque Portugal é um dos países mais antigos da Europa, como país independente, com mais de oito séculos de história, e o Brasil, como país independente, tem apenas 198 anos. E a História, a Cultura e a Língua Portuguesas não se destrói assim, apenas porque os Brasileiros são milhões, e nós milhares, e porque os políticos, que se envolveram nesta farsa do AO90, de um e de outro país, são uns refinados ignorantes, no que à Língua Portuguesa diz respeito.

 

E como os políticos vão, mas a Língua fica, não podemos aceitar que uns poucos ignorantes destruam a Língua e depois se ponham a andar, deixando-nos de herança uma vergonhosa língua esfarrapada.

 

O uso da teoria atolambada o que não se lê, não se escreve, algo que em mais país nenhum do mundo se aplica, e que só os Brasileiros e agora um punhadito de acordistas portugueses adoPtam, sem a mínima noção do que fazem, criou uma enxurrada de abortos ortográficos, como a amostra registada no quadro negro, que só dizem da profunda ignorância de quem os escreve. E se ao lerem esses abortinhos, os lerem com as consoantes abertas, demonstram que, além de não saberem escrever, também não sabem ler, porque todos eles devem ser lidos com as vogais fechadas, de acordo com as regras gramaticais VIGENTES.

 

É muito triste ver o que se passa nas televisões, nos jornais online, (salvo algumas excepções), nas redes sociais, onde a Língua Portuguesa é usada numa versão mutilada, empobrecida, deturpada, desprezada, e não me refiro apenas ao AO90, que esse, já sabemos, foi concebido para facilitar a vida de quem não nasceu dotado de capacidade intelectual para pensar a Língua, e saber que o que não se lê, também se escreve, como em Homem, Hora, Hoje etc…. Mas refiro-me também a erros de todas as espécies que conhecemos.

 

Outra VERGONHA!

 

É que falar, qualquer um fala. Contudo, escrever o trivial (não falo em literatura) é preciso conhecer as letras do alfabeto e saber as regras gramaticais, porque são a base de todas as Línguas do mundo, excepto desta mal-amanhada novilíngua, que não é portuguesa.

 

Vou deixar a qui um link, para que se confira o que acabei de escrever:

A nota explicativa (do AO90) mais idiota que o mundo já viu

 

E os governantes portugueses apostam na ignorância ortográfica difundida pelos media

  

Mas…

 

Ignorância.png

 

Em Portugal, a ignorância optativa está a alastrar-se a uma velocidade considerável, e os governantes portugueses, comprometidos com essa ignorância, estão a apostar nela, numa tentativa de levar adiante um plano assente num obscurantismo jamais visto em Portugal, no que à Língua oficial portuguesa diz respeito.

 

Tudo isto, a médio prazo, irá custar muito caro ao nosso País que, cada dia, mais se afunda numa insólita incultura e, para tal, o maior difusor dessa ignorância está a ser instrumentalizado para oferecer ao povo, já meio anestesiado com o soro do desatino, aquelas coisas que o desviam do essencial: futebol, novelas, realities shows, notícias sensacionalistas e sombrias, como se o Sol se tivesse retirado do mundo, e agora esta coisa inesperada que veio perturbar o mundo: a Covid-19.

 

E tudo isto baralhado numa linguagem escrita e falada de bradar aos céus, com a intenção de levarem a melhor… e com a agravante de estarem a insultar a inteligência de um Povo, que não é parvo, na sua totalidade.

 

Na verdade, ser ignorante não é defeito. Defeito é optar pela ignorância e achar que se tem razão. É o caso dos acordistas e dos políticos que os apoiam, que decidiram assentar o AO90 na mais descomunal ignorância da Língua, e achar que os sapientes são retrógrados.

 

E vamos deixar que isto perdure?

 

O momento é de uma grave crise sanitária, mas não vamos deixar que esta outra grave crise, a crise ortográfica, que está a destruir a Língua Oficial de Portugal, seja esquecida.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:20

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Segunda-feira, 9 de Março de 2020

«Que não restem dúvidas: o AO90 não é susceptível de qualquer aperfeiçoamento melhoria ou revisão...»

 

A ser verdade o que consta por aí: que a ILCAO (Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico) irá ser discutida brevemente (este parto não está a ser demasiado prolongado, dada a urgência de Portugal se ver livre deste aborto ortográfico?) na Assembleia da República, seria de toda a conveniência, para aqueles que ainda têm dúvidas,  reler o excelente artigo do jornalista e escritor Octávio dos Santos, que põe a nu a ilegalidade e a completa inutilidade do Acordo Ortográfico de 1990. Diz ele: 

 

«Que não restem dúvidas, que não sobrem ilusões: o “(des)acordo ortográfico de 1990” não é susceptível de qualquer aperfeiçoamento, melhoria ou revisão mas sim de uma erradicação completa e irreversível.Que, sim, não só é possível mas também indispensável.»  

 

Sim, é preciso que não restem quaisquer dúvidas, e, além de tudo o que pode ser lido na imagem, no texto de Octávio dos Santos está tudo tão bem explicadinho que todos poderão perceber o monumental erro que é perseverar no erro chamado AO90.

 

ACORDO.png

 

OCTÁVIO.jpg

Texto de Octávio dos Santos

in Jornal Público

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/nao-ha-qualquer-obrigacao-1726730?page=-1

 

«Há pessoas em Portugal que estão efectivamente a ser penalizadas, prejudicadas, por – ou se – não se submeterem ao AO90: principalmente, os alunos, os jovens em idade escolar.

 

Que não restem dúvidas, que não sobrem ilusões: o “(des)acordo ortográfico de 1990” não é susceptível de qualquer aperfeiçoamento, melhoria ou revisão mas sim de uma erradicação completa e irreversível. Que, sim, não só é possível mas também indispensável.

 

Há 25 anos eram muitos os que não imaginavam, que não acreditavam, que os seus piores pesadelos nesta matéria se tornariam realidade. Eu e outros contestatários do AO90 pensámos (prematuramente, percebeu-se depois) que o “dito cujo carcará” ficara definitivamente morto e enterrado quando então se tentou implementá-lo pela primeira vez; nessa altura já estávamos… “acordados” para combater os delírios de candidatos a ditadores.

 

Entretanto, e à medida das possibilidades de cada um, tentámos promover a Lusofonia - a verdadeira, a respeitadora e apreciadora das especificidades, a do “todos diferentes, todos iguais” - de vários modos; no meu caso, lendo, estudando, recolhendo informações, participando em acções de promoção cultural, escrevendo artigos e um livro - “Os Novos Descobrimentos”, com Luís Ferreira Lopes, que neste ano de 2016 celebra(rá) o décimo aniversário da sua publicação…

 

... Até que, há cerca de dez anos, aconteceu que dois extremistas, dois radicais, alcançaram quase em simultâneo o poder em Portugal e no Brasil, e decidiram “desenterrar” uma aberração que tem tanto de imbecil como de inútil… e de ilegal.

 

Curiosamente, um já esteve na prisão (José Sócrates) e o outro está quase a ir para lá (Lula da Silva). Porém, e o que é pior, os que lhes sucederam e/ou continuaram no poder não tiveram (não têm) coragem para acabar com esse atentado à cultura. Dois exemplos recentes… Primeiro, o de Aníbal Cavaco Silva – que, nunca é demais recordar, era primeiro-ministro quando o AO90 foi iniciado e Presidente da República quando aquele foi “finalizado”: não vetou em (Agosto de) 2015 uma resolução da Assembleia da República que ratificou em Portugal o acordo relativo ao Tribunal Unificado Europeu de Patentes, entidades cujas únicas línguas de trabalho são o Inglês, o Francês… e o Alemão; a resolução foi aprovada com os votos favoráveis do PSD e do CDS e com a abstenção do PS, isto é, os três partidos (ir)responsáveis pela subsistência do aberrante “acordês” - ou seja, os protagonistas desta capitulação são os mesmos da concepção e da implementação do AO90: diferentes momentos, diferentes assuntos, e, no entanto, a mesma incompetência, a mesma falta de patriotismo, a mesma subserviência face ao estrangeiro; este - lamentável - caso é mais um exemplo de como o dito “acordo” falhou, e continuará a falhar, no seu alegado objectivo principal – o de contribuir para o aumento da expansão e da projecção internacionais da língua portuguesa. Segundo exemplo, o de António Costa: o actual primeiro-ministro* afirmou em Janeiro último na SIC, no programa “Quadratura do Círculo”, que “não tomo a iniciativa de desfazer o acordo ortográfico”, mas, entretanto, não hesitou em tomar a iniciativa de desfazer a privatização da TAP; aparentemente, há coisas mais “desfazíveis”, mais reversíveis do que outras... Os “acordistas” mencionam amiúde os (alegados) custos elevados de o “acordês” ser abandonado (patético “argumento”...); todavia, a “re-nacionalização” da transportadora aérea nacional poderá revelar-se tão ou mais dispendiosa do que mandar para a reciclagem livros e documentos cheios de erros.

 

Depois de três décadas de debate sobre a “questão ortográfica” ainda não me decidi sobre o que mais me surpreende nos “acordistas”: se a ignorância, se a desonestidade intelectual, se a cobardia... Algo que eles não compreendem claramente é o conceito de “evolução”: esta é uma transformação, ou conjuntos de transformações, que acontece(m) continuamente, muito lentamente, imperceptivelmente; são adaptações, respostas, a alterações ocorridas no ambiente (natural e/ou cultural). Obviamente, não serve como uma prova de “progresso” qualquer - ridícula, risível – lista de palavras que “perderam” as ditas “consoantes mudas”. Porque basta olhar para outras línguas (mais?) civilizadas, como o Inglês, o Francês e o Alemão, e verificar que elas mantêm todo o “excesso” de letras... sem, indubitavelmente, isso ter efeitos adversos no desenvolvimento cultural dos respectivos países.

 

Não é por acaso, evidentemente: maior complexidade - reflexo e receptáculo da história, da tradição, enfim, da etimologia – pode significar, ser, maior riqueza. Nem sempre a “simplicidade” é benéfica. O AO90 nada tem a ver com (a autêntica) evolução: tal como outras mudanças ortográficas abrangentes e súbitas ocorridas anteriormente, constitui(u) uma ruptura revolucionária causada, conduzida, por poucas pessoas, por pequenas minorias, aptas para imporem essas mudanças por estarem em posições de poder – e, frequentemente, poder ditatorial. Essas rupturas, feitas em nome de ideologias e não de necessidades reais, causa(ra)m perturbações, prejuízos - neste caso na língua, na ortografia. Para o comprovar nunca é demais apontar para os permanentemente altos índices de analfabetismo e de iliteracia tanto em Portugal como no Brasil. Seria de supor que, em democracia, tais rupturas radicais, referentes ao que de mais básico há numa nação - isto é, a sua forma de comunicação - e feitas à revelia do povo, da generalidade da população, já não fossem possíveis. Porém, e infelizmente, são... o que demonstra que, dos dois lados do Atlântico, a democracia não está, não é, propriamente desenvolvida e verdadeira.

 

A ver se nos entendemos de vez: não há qualquer obrigação, qualquer dever, de se proceder a regulares (grandes ou pequenas) alterações na ortografia. Se a maioria dos cidadãos as recusar, elas não se fazem. Ponto final. E eles não têm, não precisam, de dar qualquer justificação, qualquer explicação, da sua recusa; pelo contrário, quem tem de explicar e de convencer, correcta e legitimamente, são os “acordistas”, e estes têm falhado rotundamente nessa tarefa. Por isso, e como já escrevi em outra ocasião aludindo ao “jargão” futebolístico, tão do agrado de brasileiros e de portugueses, eles preconizam a “técnica da força” (a imposição sob pena de penalização) em vez da “força da técnica”...

 

E, ao contrário do que foi prometido, há pessoas em Portugal que estão efectivamente a ser penalizadas, prejudicadas, por – ou se – não se submeterem ao AO90: principalmente, os alunos, os jovens em idade escolar. Que não estão a ser defendidos pelos seus professores. E o que estes poderiam e deveriam fazer era juntarem-se – nas suas escolas, nos seus agrupamentos, nos distritos, no país – e recusarem-se a aplicá-lo. Se forem ameaçados com sanções… que recorram aos serviços jurídicos dos respectivos sindicatos. Apelem à FENPROF, e esta talvez os leve a sério, porque à ILCAO não levou aquando de uma reunião que tivemos em 2014.

 

Ganhem coragem! Após tantas greves, tantas manifestações, que os professores têm feito ao longo dos anos para defenderem os seus direitos e as suas regalias, que tal, finalmente, se mexerem em prol dos estudantes e do ensino (de qualidade)? E da cidadania e da democracia? E da liberdade?»

 

Jornalista e escritor

 

(Os excertos destacados a azul  são da responsabilidade da autora do Blogue).

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:46

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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020

Presidente da República evoca Malaca Casteleiro como "defensor" da Língua Portuguesa?

 

Inacreditável! Isto é um insulto a Portugal e aos Portugueses!

 

O presidente da República já não sabe o que diz.

 

Porque o “linguista” (assim entre aspas, porque um Linguista que se prezasse de o ser, jamais mutilaria uma Língua Indo-Europeia, para fazer o jeito a uma ex-colónia sul-americana) Malaca Casteleiro NÃO FOI um defensor da Língua Portuguesa. Nem pouco mais ou menos. Muito pelo contrário!

 

Malaca Casteleiro já passou à História como um dos principais predadores da NOSSA Língua. Diga o que disser o senhor presidente da República Portuguesa.

 

Malaca Casteleiro tentou destruí-la. E digo "tentou" porque os verdadeiros DEFENSORES da Língua Portuguesa continuam activos, e a grafia portuguesa persiste, e não será destruída, só porque uns poucos apátridas servilistas assim o querem.

 

O que levou Marcelo Rebelo de Sousa a dizer tal despautério? A quem serve Marcelo Rebelo de Sousa?

A Portugal não é, com toda a certeza.

 

MALACA CASTELEIRO.png

 

Que o presidente da República Portuguesa lamente a morte de Malaca Casteleiro, num comunicado publicado na sua página oficial (onde os erros ortográficos abundam) faz parte do protocolo. Aliás, faz parte do protocolo de qualquer ser humano diante da morte de outro ser humano, independentemente de ele ter servido bem ou mal a Nação.

 

Capture.PNG

 

Contudo, uma coisa é lamentar a morte de alguém, outra coisa é recordar esse alguém "dourando a pílula" dos seus actos reprováveis.

 

Recordar Malaca Casteleiro pelo seu «papel na projecção da Língua Portuguesa e na defesa do Acordo Ortográfico, a que dedicou boa parte da vida», é de quem não sabe o que está a dizer, unicamente porque o papel desempenhado pelo “linguista” Malaca Casteleiro, desde o dia em que se juntou ao “linguista” brasileiro  Evanildo Bechara,  para juntos engendrarem  o AO90, foi o de uma traição sem precedentes a Portugal, porquanto o AO90 não passa de uma fraude e é a maior parvoíce ortográfica alguma vez concebida. E tudo apenas para servir o Brasil.

 

Todo o prestígio que o Dr. Malaca Casteleiro poderia ter tido antes de se vender aos interesses brasileiros, foi completamente anulado pela sua traição à Pátria Portuguesa, e é como traidor da Pátria e como predador da Língua Portuguesa que ficará perpetuado para todo o sempre. Não há como contornar os factos, e no que respeita à História não há como “dourar a pílula”.

 

E o senhor presidente da República Portuguesa, caminha na mesma direcção, porque não se trai a Pátria impunemente.

 

E o que acabei de escrever não é uma opinião. É tão-só o que a História nos diz e sempre nos disse, porque há um preço a pagar, sempre que agimos em desconformidade com o pulsar natural da Vida.  

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da notícia:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/presidente-da-republica-evoca-malaca-casteleiro-como-defensor-da-lingua-portuguesa

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:35

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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020

Uma abordagem da Língua Portuguesa sob a óPtica (*) brasileira, para refleCtirmos que grafia queremos para Portugal

 

Aqui deixo esta dica, para que não digam que sou eu (Isabel A. Ferreira) que invento esta coisa de chamar Brasileiro ao que se fala e escreve no Brasil, pois se até os próprios Brasileiros e Alemães o dizem.   

 

Eu não invento nada. Tenho opiniões, obviamente, mas não trabalho debruçada nas minhas opiniões, tão-só sobre factos.

 

Se me perguntarem qual é a minha opinião sobre o que aqui se vai abordar direi: contra factos não há argumentos. E o facto é que, no Brasil, há muito quem considere Brasileiro ao que lá se fala e escreve. E quem sou eu para contrariar aqueles que têm direito a uma Língua que identifique o próprio país, e que não se revêem na Língua que herdaram do colonizador, ao ponto de se afastarem das suas raízes?

 

Li algures que «alterar o Idioma Português é sinal de falta de Cultura. O Idioma Português é um Idioma, cuja origem é o Latim, daí chamar-se um Idioma Neolatino, tal como o Castelhano, o Galego, o Catalão, o Francês e o Italiano. Os adeptos do AO90 coagem-nos a adoptar o nosso Idioma Neolatino adulterado na sua forma grafada.

 

É uma ortografia adulterada que queremos para Portugal?

 

Ensinar o brasileiro.jpg

 

Ensinar o Brasileiro” - Livro à venda na Amazon

 

Sinopse do livro:

Há um grande número de perguntas relevantes, comuns aos professores de língua materna, cujas respostas podem interferir na prática docente. Essa necessidade dos professores chamou tanto a atenção do autor, que ele começou a colecionar as perguntas que lhe eram feitas, no intuito de produzir um livro de respostas condensadas, com o objetivo de atender a essa demanda por material informativo. Cinquenta dessas perguntas reais estão aqui, mais ou menos com as mesmas respostas que foram dadas. Existem boas respostas na bibliografia corrente, mas essas respostas são ou dispersas, ou demasiadamente complexas, exigindo um tempo e um conhecimento nem sempre correspondentes à realidade de nossos professores do ensino fundamental e médio. Esse livro é o resultado dessa interação com os docentes do nível fundamental I e II e médio. Ele pretende ser sucinto, claro e objetivo, permitindo uma compreensão básica dos temas abordados. Esperamos que ele auxilie nossos professores do brasileiro na compreensão de alguns temas importantes. Mas é preciso ressaltar que não estamos propondo um receituário. Os conceitos e opiniões aqui apresentados nem sempre são consensuais, além de que precisam ser confrontados com a realidade de cada comunidade atendida e, em última instância, de cada professor e de cada aluno, para que as necessárias adaptações possam ser efetuadas, com bom senso e respeito.»

 

Fonte:

https://www.amazon.com.br/Ensinar-Brasileiro-Respostas-Perguntas-Professores/dp/8588456680

 

***

 

Português do Brasil a caminho da autonomia?

 

«A análise de documentos antigos e de entrevistas de campo ao longo dos últimos 30 anos está mostrando que o português brasileiro já pode ser considerado único, diferente do português europeu, do mesmo modo que o inglês americano é distinto do inglês britânico. O português brasileiro ainda não é, porém, uma língua autônoma: talvez seja quando acumular peculiaridades que nos impeçam de entender inteiramente o que um nativo de Portugal diz. Veja no vídeo produzido pela equipe de Pesquisa FAPESP como a expansão do português no Brasil, as variações regionais com suas possíveis explicações e as raízes das inovações da linguagem estão emergindo por meio do trabalho de diversos linguistas

 

Vale a pena ver e ouvir atentamente o que se diz no vídeo. E assim falassem todos os Brasileiros, porque era sinal de que, nas escolas, o Português (dito) do Brasil estava a ser ensinado adequadamente.

 https://www.youtube.com/watch?time_continue=331&v=0sDuGRKwguY&feature=emb_title

 

Fonte:

https://www.jornaltornado.pt/as-marcas-do-portugues-brasileiro/?fbclid=IwAR2gy2mTqjaZ-zkj2d8RgfxhewYzQhzzkm92iSoAEksYSRMu7hlysynSlis

 

«Adulteração, no Brasil, de livro português. A Ilíada, de Frederico Lourenço»

 

IlÌADA.jpg

 

Chamo a atenção para o facto de este texto, cuja leitura recomendo vivamente (clicar no link), porque além de excelente, está primorosamente bem escrito, ser da autoria de um jurista e professor universitário brasileiro, portanto, não é meu (para que não digam que eu é que ando sempre a implicar com o abrasileiramento de textos portugueses).

 

Soubessem os acordistas portugueses escrever tão apuradamente como Arthur Virmond de Lacerda Netto! Mas, lastimavelmente, os acordistas portugueses escrevem como meninos da primeira classe da escola básica.

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/dulteracao-no-brasil-de-livro-751590

 

«A mutilação da "Língua-Mater"»

 

O desabafo de uma cidadã brasileira sobre o acordo do seu descontentamento:

«Ando macambúzia, cabisbaixa e sorumbática, desde o dia 01/Janeiro, quando ouvi oficiosamente em dois jornais televisivos diferentes, que o AO entraria em vigor no Brasil, a partir de então...não pelo que representa aqui, tolices de meia dúzia (se tanto) de regras sem sentido, mas porque um aceite do Brasil, era a chancela de que "pulhíticos" de ambos os lados precisavam, para deflagrar a hecatombe nuclear da Língua Portuguesa, que como o próprio nome diz é a "Língua de Portugal"...»

 

Ler o texto completo aqui:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-mutilacao-da-lingua-mater-27973

 

Oscar wilde.jpg

 

 «O objectivo brasileiro é impor o Brasilês sobre o Português»

 

Quem o diz não sou eu. Quem o diz é Helena Seiler, uma brasileira que vive nos EUA, e tal como eu, sabe o que está por trás da imposição política do AO90.

Embora eu também o diga.

E digo mais: digo que o Português brasileiro, apenas diz respeito ao Brasil. Não diz absolutamente nada a Portugal.

 

Ver o texto aqui:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-objectivo-brasileiro-e-impor-o-67583

 

Orwell.jpg

 

(*) No Brasil, o vocábulo óptico (relativo a visão) não se escreve com , escreve-se ótico (relativo aos ouvidos), o que, na minha óPtica, e penso que na óPtica de todos quantos são pela clareza e objectividade da linguagem, deveria ser escrito óPtico, quando falamos de olhar, e ótico, apenas quando falamos de ouvidos, até porque em nenhuma língua europeia se confunde ouvidos com olhos, e o “nervo ótico” é algo que nem sequer existe.

Em Portugal, devido ao abrasileiramento da grafia portuguesa, passámos todos a ouvir pelos olhos e a ver pelos ouvidos, numa promiscuidade, sem precedentes.

 

É isto que queremos para Portugal?

 

Isabel A. Ferreira    

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:40

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