Quinta-feira, 9 de Maio de 2019

Presidente da República Portuguesa dá entrevista com sotaque brasileiro

 

Ler o que Sua Excelência disse é uma coisa. Ouvir é outra.

«Lá vem a Nau Catrineta, que tem muito que contar, ouvi agora senhores uma história de pasmar»…

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa (ou deverei dizer República Luso-Brasileira?) dá uma entrevista no Palácio de Belém, usando um sotaquezinho brasileiro, e diz ele: «Estou a fazer um enorme esforço para não falar à brasileira». Mas falou.

(Ver vídeo mais abaixo).

 

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Sim, senhor Presidente da República Portuguesa, deve ficar preocupado, preocupadíssimo, porque são muitos os Portugueses que, depois do que ouviram, na entrevista que deu ao jornalista brasileiro Pedro Bial, ficaram surpreendidos, decePcionados, estarrecidos, arrepiados, horrorizados, tristes, com a subserviência do Chefe de Estado Português a um país que, apesar de irmão, é estrangeiro. Ficará para a História com dois cognomes: «Celinho das Selfies" e Dom Marcelo Rebelo de Sousa, o Subserviente. 

 

 

Repare-se nas construções frásicas: meu irmão, meu avô, meus filhos, meu pai, minha campanha, de minha conta. Já não diz o meu irmão, o meu avô, os meus filhos, o meu pai, a minha campanha, da minha conta… (surripia os artigos, como fazem os Brasileiros).

 

E na fonética: prôfêssor, dêlirante, ôlhando, rêcandidátura, dêcido, considêrá, pôndêrá, Vêrão, Brásiu, eu me lembro, me levou, êducáção, subêsêcretário de estado, meu estilo é diferente, as duas comunidades se descobriram, uma relação muito formau, me adaptei, está acompanhando (usa os gerúndios).

 

O que é isto?

 

Este não é o Português Europeu. O Português do meu País. Não é o Português que o Chefe de Estado Português deva usar, quando está a representar Portugal, como Chefe de Estado Português.

 

Isto é inadmissível. Muito mau, senhor presidente. Não faça esforço. Já se espalhou. Está no Palácio de Belém, como Presidente da República, não como avô, ou pai, ou amigo dos brasileiros. Nem sequer está no Brasil. Também não está num "café" a bater um papo com um amigo brasileiro, ou com os netos.

 

Estava a dar uma entrevista no Palácio de Belém, como Presidente da República Portuguesa, a uma estação de televisão brasileira.

 

Pedro Bial não prescindiu da Língua dele, para entrevistar o PR português. Porém, o PR português prescindiu da sua Língua para dar a entrevista. Quanta subserviência!

 

Agora entende-se porque se remete ao silêncio, na questão do AO90, e despreza a opinião pública portuguesa, e não responde, como é de seu DEVER, às cartas que lhe escrevemos, a este respeito.

 

Não surpreende que a sua popularidade esteja a cair vertiginosamente. É que nem todos, em Portugal, são bajuladores.

 

Ao ouvir esta entrevista, senti vergonha do Chefe de Estado do meu País. E, inegavelmente, Marcelo Rebelo de Sousa não representa Portugal, nem milhares de Portugueses, que pensam como eu. Não me representa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:49

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Sábado, 9 de Março de 2019

SOBRE A VISITA DE MARCELO REBELO DE SOUSA A ANGOLA: «EXIBIÇÃO POBRE E HISTRIÓNICA DE UM “ESTADISTA” MEDÍOCRE» DIZ ORLANDO CASTRO

 

Um texto publicado no Folha 8, jornal Angolano.

Livre, independente, de informação geral e comprometido com a verdade. Folha 8, mais do que um jornal, a liberdade! conforme consta na sua apresentação.

 

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O seu director adjunto, Orlando Castro, assinou o texto, do qual me dispenso de fazer comentários.

 

Apenas direi que se trata de um texto correCtamente escrito, num Português escorreito, algo que já não existe em Portugal, e que nos conta o que os órgãos de comunicação social portugueses não contaram, mostrando apenas os “banhos de multidão” do “Ti Celito” (como é chamado em Angola), que valem o que valem. (I.A.F.)

 

sipaio-luso.jpg

 

O chefe de Estado português elogiou o “projecto de paz, de democracia, de regeneração financeira, de desenvolvimento económico, de combate à corrupção” protagonizado pelo Presidente de Angola, João Lourenço. Se o MPLA dizia que José Eduardo dos Santos era o “escolhido de Deus”, Marcelo Rebelo de Sousa diz que João Lourenço é o próprio… “Deus”.

 

Por Orlando Castro

 

Numa intervenção durante um jantar oficial oferecido por João Lourenço, no Palácio Presidencial, em Luanda, Marcelo Rebelo de Sousa saudou-o como “o vulto cimeiro de um novo tempo angolano”. Não se terá lembrado de o propor para um Prémio Nobel, mas até ao fim da visita dita de Estado ainda está a tempo.

 

“Vossa excelência protagoniza-o com um projecto de paz, de democracia, de regeneração financeira, de desenvolvimento económico, de combate à corrupção, de afirmação regional e mundial. Nós, portugueses, seguimos com empenho essa aposta de modernização, de transparência, de abertura, de inovação, de acrescida ambição”, afirmou Marcelo, bem ao estilo dos sipaios coloniais, mas com uma substancial diferença. Estes eram obrigados a bajular, o presidente português não é obrigado a isso. Ou será que é?

 

Segundo o Presidente português, João Lourenço protagoniza “um novo tempo angolano, na lúcida, consistente e corajosa determinação de aproveitar do passado o que se mantém vivo, mas, sobretudo, entender o que importa renovar para tornar o futuro mais possível, mais ambicioso e mais feliz para todos os angolanos”.

 

Bem dizia Eça de Queiroz, provavelmente antecipando a pequenez intelectual de um tal Marcelo que haveria de ser presidente de Portugal, que “os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”.

 

Vejamos, por exemplo, o que disse Guerra Junqueiro, num retrato preciso e assertivo de Marcelo Rebelo de Sousa e de grande parte dos seus cidadãos: “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

 

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

 

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

 

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

 

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar”.

 

Continuemos, para memória futura, com o brilhantismo bacoco de Marcelo. Diz ele que, da parte de Portugal, Angola conta com “o empenho de centenas de milhares que querem contribuir para a riqueza e a justiça social” com o seu trabalho, bem como “das empresas, a começar nas mais modestas, no investimento e no reforço do tecido socioeconómico angolano” e também com “o empenho das instituições públicas portuguesas, do Estado às autarquias locais”.

 

“Podem contar connosco na vossa missão renovadora e recriadora. Portugal estará sempre e cada vez mais ao lado de Angola”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, fazendo aqui e mais uma vez o exercício de passar aos angolanos um atestado de menoridade e matumbez.

 

Portugal, por sua vez, conta com a “incansável solidariedade” de Angola. “Contamos com os vossos trabalhadores, as vossas empresas, as vossas instituições públicas, a vossa convergência nos domínios bilateral e multilateral. Temos a certeza de que Angola estará sempre e cada vez mais ao lado de Portugal”, prosseguiu Marcelo no seu laudatório e hipócrita exercício de servilismo.

 

De acordo com o Presidente português, este “novo momento na vida de Angola” coincide com “um novo ciclo” nas relações bilaterais. “E nada nem ninguém nos separará, porque os nossos povos já estabeleceram o seu e o nosso caminho”, considerou Marcelo, sentindo o umbigo aos saltos, alimentado pela esperança de que os portugueses não acordem e os angolanos nunca lhe cobrem a cobardia.

 

“Porque estamos mesmo juntos, na parceria estratégica, na cooperação económica, financeira, educativa, científica, cultural, social e política. Porque no essencial vemos o mundo e a nossa pertença global e regional do mesmo modo, a pensar na paz, nos direitos humanos, na democracia, no direito internacional, no desenvolvimento sustentável, na correcção das desigualdades”, argumentou aquele que, em matéria de bajulação, bateu todos os recordes anteriores, desde Álvaro Cunhal a Rosa Coutinho, passando por Vasco Gonçalves, José Sócrates, António Costa, Cavaco Silva, Passos Coelho e tantos outros.

 

No final da sua intervenção, de cerca de sete minutos (que entrará para o “Guinness World Records” por ser o que mais bajulação fez em tão curto espaço de tempo), Marcelo Rebelo de Sousa disse que “a história faz-se e refaz-se todos os dias e nuns dias mais do que noutros”, acrescentando: “Estes que vivemos são desses dias”.

 

Fonte:

https://jornalf8.net/2019/exibicao-pobre-e-histrionica-de-um-estadista-mediocre/?fbclid=IwAR0JzcQCENIRctbFxJx9I4puLDzlCgQsWUr8MmmETwznfsTnMlFRiHW4uFE

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:26

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