Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2021

Imposição do AO90: «Todos os cidadãos Portugueses (...) têm, mais que o direito, o dever da desobediência e de objecção de consciência (...) a recomendações ministeriais ilegais (...)»

 

Em 04 de Maio de 2012, o Professor Rui Baptista publicou, no seu Blogue De Rerum Natura [Sobre a Natureza das Coisas], um texto de Eugénio Lisboa, ensaísta e crítico literário português, o qual reflecte o absurdo que foi e continua a ser a  imposição do AO90 aos Portugueses, nomeadamente às crianças e jovens, que estão a ser oficialmente ludibriadas.

Os anos foram passando, e, apesar de a onda de uma bem fundamentada contestação ainda ser gigantesca,  o AO90 continua a ser impingido ilegalmente, sem que quem de direito mexa uma palha, para pôr termo a esta atitude, digna apenas de um regime ditatorial

 

Hoje, repesco este texto, que, mais do que em 2012, tem a sua razão de ser, uma vez que a escrita da Língua Portuguesa está hoje cotada vários zeros abaixo de zero, e alguém tem de parar esta escalada de mediocridade e ignorância instalada no Poder, com o propósito de impedir que a Cultura Culta se propague.



No final do texto existe o link da fonte do texto, e recomendo que o consultem, para lerem também os comentários que são bastante preciosos.


Isabel A. Ferreira

 

EUGÉNIO.jpg

Eugénio Lisboa

 

Num prestimoso serviço à cultura, transcreve-se este artigo, do académico e ensaísta Eugénio Lisboa, publicado no “Jornal de Letras” do passado dia 1 de Maio - (Rui Baptista - in Blogue De Rerum Natura)

 

Por Eugénio Lisboa

 

«Antígona ou O Coração Indomável»

  

“Desobediência, a mais rara

e corajosa das virtudes”

George Bernard Shaw

 

Numa carta admirável e meticulosamente fundamentada, dirigida ao Ministro da Educação, a propósito da suposta entrada em vigor do famigerado Acordo Ortográfico, a médica Madalena Homem Cardoso, na sua qualidade de mãe de uma filha de sete anos, agora a iniciar-se na arte de escrever em língua portuguesa, informa aquele Ministro de que não poderá “anuir a que a aprendizagem da [sua] filha seja perturbada pelo autodenominado “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990)” (...) o qual não é “acordo”, pois conta com a oposição quase unânime dos especialistas em língua portuguesa  e da esmagadora maioria dos falantes-escreventes de Português de Portugal (...)”.

 

Não vou aqui esmiuçar a argumentação lúcida e magnificamente articulada, que a Dra. Madalena Cardoso desenvolve, ao longo de nove páginas, e que eu sugeriria ao Sr. Ministro da Educação que lesse, ele mesmo, com atenção e cuidado, em vez de a mandar analisar pelos seus colaboradores. Creia que é uma boa sugestão!

 

O meu ponto é outro: na carta referida, a autora, por mais de uma vez – e isto poderá chocar alguns leitores e, provavelmente, o Ministro e os seus directores-gerais – incita, em termos nada ambíguos, “todos os cidadãos portugueses” à desobediência civil, relativamente àquele Acordo. Eu cito uma passagem só: “Todos os cidadãos portugueses (em particular os que assumem especiais responsabilidades na transmissão do património linguístico às gerações futuras) têm, mais que o direito, o dever da desobediência (art.º 21º CRP: “Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias...”) e de objecção de consciência (art.º 41º nº 6 CRP) a recomendações ministeriais ilegais, além de prematuras e de impraticáveis em muitos aspectos.”

 

O conceito de “desobediência civil” vem de longe e as suas raízes filosóficas estão profundamente enraizadas no pensamento ocidental, em obras de Cícero, S. Tomás de Aquino, John Locke, Thomas Jefferson, Henry David Thoreau ou Bertrand Russell. A “desobediência civil” não é mais do que uma resistência passiva – de carácter simbólico – a actos tidos por injustos e iníquos praticados pelo Estado – actos que podem ser “legais” mas que são eticamente reprováveis. Em África, na América e na Índia, a “desobediência civil” tem sido uma táctica usada, com êxito, ainda que morosa e dolorosa, na obtenção dos resultados almejados. Gandhi, na África do Sul e na Índia, e Martin Luther King, entre outros, nos Estados Unidos, usaram de resistência passiva, isto é, de desobediência civil, para atingirem os seus objectivos.

 

Em muitos países do mundo de hoje e, em particular, na Europa (incluindo Portugal), os cidadãos sentem-se tentados, perante as medidas de sacrifício promulgadas, não equitativamente, para remediar uma situação económico-financeira de quase catástrofe – de que muitos deles não foram nem cúmplices nem culpados - , muitos deles, dizia, sentem-se seriamente tentados a praticar actos de desobediência civil, em relação a Estados que não consideram “pessoas de bem”: a injustiça persistente gera sempre o desejo de resistência àquilo que se considera “o mal”.

 

O conceito, repito, vem de longe, dos tempos míticos da Grécia Antiga, em que Antígona, filha de Édipo, afrontou o Rei de Tebas, Créon, em dilema dilacerante, que marcou a fogo a inteligência e o imaginário dos homens, ao longo dos séculos. O conflito, glosado na tragédia de Sófocles, resume-se em poucas palavras: regressando a Tebas, após a morte do pai (Édipo), Antígona e sua irmã Ismena tentam reconciliar os seus irmãos Etéocles e Polinices, que se encontravam desavindos – Polinices, atacando a cidade e Etéocles, defendendo-a. Ambos morrem em combate e o tio Créon, tornado Rei, pune Polinices, proibindo o seu enterro. Antígona, movida pelo amor ao irmão e pelo horror à iniquidade do decreto real, enterra secretamente o irmão. Entre a lei do Estado e a lei divina (a da sua consciência, a da Justiça), optou por esta, arriscando a vida.

 

O centro da peça, que ainda hoje serve de medalha às consciências em luta e dilacera espíritos e corações, é o diálogo entre Antígona e Créon. Antes de desferir a sentença de morte, por desobediência, o rei pergunta: “E tu, responde-me, numa palavra e sem rodeios: conhecias a proibição que fiz publicar?” Antígona responde com altivez. ”Conhecia. Como podia ignorá-la? Toda a gente a conhecia.” O Rei desfere, então, a pergunta final: “E ousaste infringir as minhas ordens?” A resposta de Antígona ficou sendo o fundamento ardente de todas as futuras “desobediências civis”: “Ousei, porque elas não emanavam de Zeus nem da Justiça, que habita junto às divindades infernais; e não acreditei que um simples mortal como tu pudesse ter suficiente autoridade para se permitir transgredir as leis não escritas mas imortais dos deuses.”

 

A postulação da princesa é clara e pode “traduzir-se” deste modo: entre um mandato falível do Estado e o imperativo mais alto da nossa consciência (o nosso íntimo conceito de justiça e de bem), a escolha só pode ser uma: seguir o imperativo da consciência.

 

Este princípio de “desobediência civil”, a que outrora ficaria bem apelidar de “desobediência divina”, atingiu algum estatuto de lei internacional, por ocasião dos famosos julgamentos de Nuremberg, nos quais não foi considerado como atenuante aos crimes cometidos pelos réus nazis o facto, por eles alegado, de terem apenas “cumprido ordens”. Nesse famoso e controverso tribunal, foi afirmado, de modo imperativo, o princípio de que um indivíduo pode, em certas circunstâncias, ter que responder, em tribunal, por não ter desobedecido às leis do seu país.

 

Numa belíssima versão contemporânea do mito de Antígona, da autoria do grande dramaturgo francês, Jean Anouilh, a protagonista, pouco antes de ser mandada para a morte, envia, por intermédio de um dos guardas, uma mensagem a seu noivo Hémon, nos seguintes termos: “Sim. Perdão, meu querido. Sem a pequena Antígona, vós estaríeis todos muito tranquilos. Amo-te...” É, precisamente, o papel das Antígonas deste nosso mundo impedir-nos de ficarmos demasiado tranquilos, quando aquilo que as iniquidades vigentes estão a pedir é o desassossego, a intranquilidade geradora de acção e justiça. O coração indomável de Antígona é uma luz ao fundo do túnel.»

 

Fonte:  

http://dererummundi.blogspot.pt/2012/05/antigona-ou-o-coracao-indomavel.html

 

***

Para completar, aqui fica o que a escritora Idalete Giga pensa sobre esta matéria, com a qual concordo plenamente, fazendo minhas as suas palavras:

Idalete Giga

 

Já o nosso grande pensador Prof. Agostinho da Silva afirmava que " é a obediência dos povos que alimenta a tirania dos governos". Mas como fazer compreender a um povo manipulado, estupidificado por uma comunicação social mentirosa, sinistra, tendenciosa, cobarde, vil, que é URGENTE DESOBEDECER a tudo o que avilta e embrutece o ser humano, venham as ordens de onde vierem? Faltam Antígonas no mundo actual, capazes de morrer por uma causa. Aqueles que têm lutado contra o terrorismo cultural que foi e continua a ser o repugnante Aborto chamado Acordo/90, têm sofrido as mais diversas injúrias por parte de quem não entende nada do assunto e o desprezo inacreditável por parte dos (i)rresponsáveis pela Educação em Portugal que, infelizmente são muitos. O Brasil não quer saber do (des)AO/90 para nada. Mas a grande maioria dos governantes portugueses continua a considerar cobardemente, que O AO/90 foi um bom Acordo. Esta posição é verdadeiramente surrealista. Quem votou a favor do maldito (des)AO devia responder nos Tribunais sobre este crime cultural, porque é um CRIME CULTURAL. Mas em Portugal está tudo rendido a um PR que alimenta a PAZ PODRE. E já ninguém reage a coisa nenhuma. Tristeza.



publicado por Isabel A. Ferreira às 16:31

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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021

Deputados da Assembleia da República (PS, PSD, BE) não têm competência nem habilitações literárias específicas para avaliarem a questão do AO90

 

 

Todos os Portugueses pensantes, em Portugal o dizem, o sabem, o demonstram: o AO90 é um aborto ortográfico fraudulento, que apenas os ignorantes ou os muito mal-intencionados, ao serviço da ignorância e da estupidez, crêem que tem pernas para andar, que já assentou arraiais, e não pode ser mandado às malvas.

 

Puro engano, que um estranho delírio gera.

 

Mas vamos aos factos:

 

Em Junho do ano passado, o Partido Os Verdes (PEV),  apresentou na Assembleia da República o  Projecto de Resolução 533/XIVAvaliação do Acordo Ortográfico de 1990 - que foi discutido e votado em plenário, na passada sexta-feira, dia 15 de Janeiro, com grande sigilo, por parte da comunicação social servilista.

 

PEV.png

 

Como já era de esperar, o resultado foi mais do mesmo, porque nesta questão do AO90, o que impera é uma abismal incompetência, assente numa colossal ignorância que, por sua vez, tem origem na falta de habilitações literárias específicas, que lhes outorguem aptidão para poderem aprofundar esta questão com conhecimentos adequados sobre Língua Portuguesa (que, aliás, poucos deputados escrevem e falam escorreitamente), e um baixo nível intelectual, que os impedem de saber separar o trigo do joio.

 

E o resultado ficou à vista nas desvairadas intervenções do deputado Pedro Cegonho (PS), e da deputada Fernanda Velez (PSD) que esgrimiram pseudo-argumentos, absolutamente delirantes, sem o mínimo fundamento linguístico-científico, que os sustentasse.

 

Duas intervenções de amadores, sem os mínimos conhecimentos, nem formação académica adequada para discutir o tema, intervenções essas que podem ser vistas e ouvidas nestes vídeos.

Mas por onde andarão e o que estarão a fazer os habilitados, os profissionais em Língua Portuguesa, os linguistas, os professores que  a abandonam às mãos de amadores?

 

 

A deputada Fernanda Velez diz que não faz sentido suspender o AO90?

 

Não faz sentido suspender o AO90 para os ignorantes, senhora deputada. Unicamente para os ignorantes, que negam as mais evidentes evidências. O AO90 está a levar Portugal para um analfabetismo funcional sem precedentes, só os cérebros de pedra não vêem isto. Ouçam os milhares de VOZES DISCORDANTES, que apresentam argumentos que fazem cair por terra o malfadado AO9O!

 

Abram as mentes e OUÇAM essas vozes: são aos milhares contra uma escassa centena de parlamentares sem habilitações adequadas para abordarem esta matéria.

 

Nunca pensaram o porquê da existência dos diversos cursos, que outorgam habilitações académicas específicas, para que cada um possa exercer a sua profissão com conhecimentos adequados?  

Diz a sabedoria popular que um dentista não opera  apendicites.

Desenterrem essas cabeças cheias de nada, da areia, e olhem o estrago, real e concreto, que o AO90 está a espalhar pelo País.

E recuem, porque é da inteligência RECUAR.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:16

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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2021

«A Língua Portuguesa [património identitário de Portugal, destruído pelo AO90] também deveria interessar aos candidatos à Presidência»

 

«Será uma exigência a discussão da Língua Portuguesa e do AO90 nos vossos debates, caros candidatos à Presidência da República. Os Portugueses, de quem se dirão representantes, desejam-na (Maria do Carmo Vieira - Professora)

 

António Emiliano.png

 

«A Língua Portuguesa também deveria interessar aos candidatos à Presidência»

 

Por Maria do Carmo Vieira

 

Maria do Carmo Vieira.jpg

 

Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos. N.º 2 do Artigo 48.º da Constituição.

 

Em qualquer eleição que se realize, não há candidato que não justifique a sua candidatura, invocando o desejo de bem servir o país e o povo, ou que não alerte e incentive para a necessidade de, em democracia, ser benéfica a intervenção dos cidadãos porque forma de a sustentar e fortalecer. Palavras que conduzem ao significado etimológico de Política e que é, ou não, do conhecimento dos candidatos. Inicialmente, congratulámo-nos com a bondade dessas palavras, depois conhecemos a desilusão, mas na complexidade que caracteriza todo o ser humano, apesar de desiludidos, incitamo-nos continuamente a teimar, a recomeçar, como uma espécie de sobrevivência espiritual.

 

Redigido o preâmbulo, dirijo-me agora a todos os candidatos presidenciais cujos encontros a dois já se iniciaram nas televisões, em princípio, para que os cidadãos conheçam as suas ideias relativamente aos vários temas que caracterizam e tecem a vida de uma sociedade. Relevante será o papel dos jornalistas que moderam os debates e a quem se exige conhecer e estar atento a esses temas essenciais: saúde, educação, cultura, trabalho, migração, economia, política externa, etc. Forçosamente, incidirá a minha atenção sobre a Língua Portuguesa, património privilegiado em duas áreas íntimas entre si – Educação e Culturaque são substanciais no desenvolvimento de um país e na formação espiritual dos seus cidadãos. Duas mais-valias que não podem ser interpretadas na perspectiva do lucro imediato, mas a médio e a longo prazos.

 

Assim acontece com a Natureza que requer tempo para criar e que o Homem tem destruído, com uma rapidez estonteante, movido pela ganância do lucro rápido, bem evidente na proliferação de culturas intensivas e na construção desenfreada, com a consequente destruição da biodiversidade e da extinção de espécies (serra de Carnaxide, barragens a eito para depois serem vendidas ou aeroportos sem um sério estudo de impacto ambiental …), numa miríade de exemplos que poderiam ser identificados.

 

Mencionar a Língua Portuguesa, património identitário que “gerações dos nossos maiores” pacientemente trabalharam, enriqueceram e valorizaram, implica forçosamente pensar na sua ortografia, relíquia que nos conta a história das múltiplas influências geográficas e linguísticas, ao longo dos tempos. Uma ortografia que disputas políticas, negociatas, sucessivas aventuras e irresponsabilidades várias têm vindo a lesar impunemente. E chegamos ao cerne da questão: o Acordo Ortográfico de 1990 que nos foi imposto e cuja discussão nunca foi abertamente feita, com a lamentável cumplicidade da Comunicação Social, na sua generalidade, que se tem recusado abordar o tema quando nesse sentido contactada.

 

Senhores candidatos à Presidência da República, tendo em conta os ideais democráticos que vos orientam, ou deveriam orientar, e o respeito pela Constituição, no dever de defesa e de preservação do nosso património cultural (artigo 78.º, n.º 1) em que se integra a Língua Portuguesa, será intolerável que não discutam, nos debates em que intervirão, e a par de outros temas, a polémica que se arrasta há anos relativamente ao AO90 (independentemente de serem a favor ou contra) e cujas nefastas consequências são visíveis no dia-a-dia, com uma repercussão fortemente negativa na qualidade do Ensino e da Cultura.

 

São indesmentíveis a instabilidade e o caos que este acordo trouxe, e não há quem não os presencie, seja na aplicação dos hífens ou na existência das facultatividades ou na supressão de acentos, ou nas novas palavras, como “receção” ou “conceção”… que em flagrante contrariam a impossível “unidade ortográfica” ou ainda na avalancha diária de “corrutos”, “sutis”, “núcias”, “patos”, “impatos”, “contatos”, “convição”, “batérias”, “infeciologia”, “fatos”, “putrefato”, “manânimo”, exemplos que se desdobram numa listagem infindável de palavras inventadas que a Associação Portuguesa de Tradutores, entre outros, tem rigorosamente registado. A própria pronúncia das palavras está a ser atingida por esta voracidade e por isso mesmo ouvimos amiúde, na televisão e na rádio, a euforia de “infeção” (com a vogal fechada) e “infeciologia” (aqui com o “e” aberto, mas falhando um “c”, ao arrepio das próprias regras deste acordo que o mantém porque “pronunciado”).

 

Tendo ainda em conta que:

 

  1. Os portugueses são, na sua maioria, contrários a este AO, e manifestaram-se não só na Petição “Manifesto contra o Acordo Ortográfico”, cujo primeiro signatário foi Vasco Graça Moura, e que entre 2008 e 2009 reuniu mais de 120 mil assinaturas, mas também na Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico (ILCAO), entregue na AR em Abril de 2019, com mais de 21 mil assinaturas, sendo os sucessivos atrasos e adiamentos na sua discussão inaceitáveis, mesmo tendo em conta o ano atípico que se viveu em 2020;

 

  1. Os próprios mentores do AO90, do lado português e brasileiro, afirmaram, respectivamente, “ser sensível”, entre outros aspectos polémicos, “à não acentuação do verbo parar, admitindo o recuo” - Prof. Malaca Casteleiro, e Evanildo Bechara que “O Acordo ortográfico não [tem] condições para servir de base a uma proposta normativa, contendo imprecisões, erros e ambiguidades” (2008);

 

  1. A opção pelo “critério da pronúncia”, que subjaz a este AO90, não é científica e põe em causa o carácter normativo da ortografia, traduzindo igualmente um evidente menosprezo pela vertente etimológica, como se pode verificar no texto da “Nota Explicativa ao Acordo Ortográfico de 1990”;

 

  1. O processo desenvolvido pelo poder político ignorou a totalidade dos pareceres negativos de especialistas e entidades consultadas pelo Instituto Camões (25 em 27), relevando-se os pareceres muito críticos da Direcção-Geral de Educação do Ensino Básico e Secundário (1990) e o da Associação Portuguesa de Linguística (2005) cujo conteúdo só foi desvendado aos portugueses, em 2008, e porque solicitado;

 

  1. O parecer da Comissão Nacional de Língua Portuguesa (CNALP) ao anteprojecto do AO (1989) foi arrasador. Órgão consultivo do Governo, estranhamente foi extinto em 1992. Era seu presidente o Professor Vítor Aguiar e Silva que então afirmou: “Há pontos escandalosos do ponto de vista técnico-linguístico, como o da facultatividade ortográfica, que coloca grandes problemas de natureza pedagógico-didáctica.” Insigne estudioso da Cultura, da Língua e da Literatura Portuguesas, Aguiar e Silva recebeu a edição do Prémio Camões de 2020 tendo afirmado: “O novo acordo ortográfico tem normas que necessitam urgentemente de uma revisão. A sua aplicação resulta numa língua desfigurada nas suas raízes latinas e românicas”;

 

  1. A história do processo relativo ao AO90, desenvolvida com a participação activa de Governos e da Assembleia da República, deveria ser honestamente recontada. Não só o Tratado Internacional foi gravemente ferido no seu conteúdo com a aprovação do Segundo Protocolo Modificativo (2004), definindo a entrada em vigor do AO90 com a ratificação de apenas 3 Estados, em lugar dos 7 anteriormente apontados, como é inadmissível a confusão de datas que baralham diferentes momentos do processo. Para uma melhor compreensão dos dois aspectos mencionados, aconselha-se a leitura de dois artigos do jornalista Nuno Pacheco que, rigorosa e aturadamente, se tem envolvido nesta causa: “A ortografia do português e a estranha história do prédio pintado de roxo” e “Querem datas giras para duvidar da validade do Acordo Ortográfico? Aqui vão algumas”.

 

Creio, na base do que enumerei, repetindo vozes em número infindável, que será uma exigência a discussão deste tema, nos vossos debates, caros candidatos à Presidência da República. Os Portugueses, de quem se dirão representantes, desejam-na.

 

Termino com palavras de António Emiliano, conhecendo as nefastas experiências dos professores com o uso forçado do AO90 e certa de que serão também motivo de reflexão: “A ortografia não é apenas património cultural do Povo português […] é a ferramenta que dá acesso a todas as áreas do saber. A estabilidade ortográfica é um bem que importa preservar: pôr em causa a estabilidade ortográfica é atentar contra a qualidade do ensino, contra a integridade do uso da língua e contra o desenvolvimento cultural e científico do povo português.

 

Fonte:  https://www.facebook.com/groups/178207905663865/permalink/1864409907043648/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:31

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Quarta-feira, 24 de Junho de 2020

Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) quer avaliação do Acordo Ortográfico de 1990 e admite a sua suspensão

 

PEV.png

 

Parabéns, PEV, pela excelente argumentação, implícita no texto do projecto de resolução apresentado.

 

Haja quem tenha coragem de ser lúcido, no Parlamento, na questão do AO90, um tema tabu para a comunicação social. Até parece que o problema não é grave, nem sequer existe. E ele existe e é muitíssimo grave.

 

O caos ortográfico está instalado, e caminha-se a passos largos para o abismo.

 

A suspensão deste “acordo” que, passado tanto tempo, ainda gera tanto desacordo, é a atitude mais inteligente a tomar. Tudo o resto será remendar o roto, e afundar ainda mais a Língua Portuguesa, já tão mergulhada na lama.

 

«Um parecer do deputado socialista Pedro Delgado Alves, agendado para esta quarta-feira, na comissão de Assuntos Constitucionais, concluiu que não é possível suspender este tratado através de uma iniciativa legislativa de cidadãos.

 

Não é? Tem a certeza, Sr. deputado? Então que tipo de democracia é esta, onde ao povo não lhe é permitido ter a palavra? A conclusão do deputado Pedro Delgado Alves está adequada à ditadura que actualmente vigora. Não, a Democracia que dizem existir em Portugal. E se uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos não pode suspender o AO90, o AO90 também não pode ser aplicado através de uma simples Resolução de Conselho de Ministros, que não tem força de Lei.

 

Há muito que investigar neste imbróglio acordista. Soubesse a Procuradoria-Geral da República estar atenta. Mas, infelizmente, não está, ficando isto provado com o arquivamento das denúncias efectuadas a este respeito, com provas mais do que evidentes.

 

E anda por aí o embaixador Luís Faro Ramos, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua - a desonrar o nome de Camões, e a dizer que Portugal não é o dono da Língua Portuguesa. Tem a certeza? Se Portugal não é o dono da Língua Portuguesa, muito menos o serão os políticos e os directores de institutos que, nada sabendo da Língua, servem interesses que não dizem respeito à Língua, tão-só dizem respeito a políticas obscurantistas, retrógradas, que estão a levar Portugal para um  abissal retrocesso.

 

Mas vamos saber o que pensam “Os Verdes”.

 

«Verdes querem avaliação de Acordo Ortográfico e admitem suspensão

 

Resolução pede ao Governo que faça “avaliação global” e que retire conclusões.

 

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) quer que o Governo faça uma “avaliação científica global dos efeitos” do Acordo Ortográfico, de 1990, (AO1990) e admite, “numa situação limite”, a sua suspensão. A proposta dos Verdes é feita num projecto de resolução anunciado nesta terça-feira e em que pretende que a Assembleia da República recomende ao executivo que faça esta “avaliação global” ao acordo, que é uma convenção internacional, e que retire conclusões.

 

“Se as conclusões de tal avaliação assim apontarem, numa situação limite”, a orientação pode apontar para “a suspensão do Acordo Ortográfico de 1990, acautelando as medidas necessárias de acompanhamento e transição, por forma a evitar uma maior desestabilização neste processo”. Uma resolução não tem força de lei funcionando como uma recomendação, neste caso ao Governo.

 

No texto, os Verdes explicam que esta avaliação deve diagnosticar “a percepção da sua utilização entre a população em geral, as escolas, as comunidades académica e literária e os órgãos de comunicação social”. Do “resultado dessa avaliação”, o PEV sugere que “sejam promovidas medidas com vista à correcção dos efeitos nefastos e negativos que sejam identificados” e é admitido o cenário limite de suspensão do Acordo Ortográfico.

 

O anúncio desta iniciativa surge numa altura em que está em debate, na comissão de Cultura e Comunicação, da Assembleia da República, uma iniciativa legislativa de cidadãos a propor a suspensão do Acordo Ortográfico.

 

Um parecer do deputado socialista Pedro Delgado Alves, agendado para esta quarta-feira na comissão de Assuntos Constitucionais, concluiu que não é possível suspender este tratado através de uma iniciativa legislativa de cidadãos.

 

Na resolução, os dois deputados do PEV argumentam que “o que está em causa é a absoluta necessidade de se avaliar a implementação do Acordo Ortográfico de 1990, pois trata-se da defesa da Língua Portuguesa enquanto património cultural e, portanto, uma questão do interesse público”. A avaliação deve garantir “a participação da comunidade académica e literária e delinear o caminho a seguir”, acrescenta.

 

Os Verdes apontam, por exemplo, “evidentes contradições na conservação, ou não, das raízes etimológicas dos vocábulos, na eliminação de letras que, mesmo não se lendo, eram fundamentais para compreender a formação das palavras e na eliminação de acentos que antes distinguiam palavras”. O que leva à conclusão de que “a implementação deste acordo acaba por se mostrar incompatível com os objectivos a que se propôs, sendo fundamental proceder-se a uma avaliação da sua aplicação.

 

A bancada do PEV faz uma análise críticas aos efeitos do acordo, como a “verdadeira deslatinização do Português e por uma perda maior do sentido etimológico das palavras, e real desvirtuação da etimologia, e até por uma transformação fonética de certas palavras que roça a ridicularização e mutilação” da língua.

 

Para os Verdes, “chega-se a uma hipótese de que o AO90 falhou em criar alguns benefícios para os falantes” do Português, e, “ao contrário, criou múltiplos e novos problemas”.

 

Em 2019, um grupo de trabalho parlamentar criado para avaliar o impacto da aplicação do Acordo Ortográfico terminou funções em 19 de Julho, sem ter reunido consenso para uma possível alteração a esta convenção. O grupo de trabalho foi criado em 2017 para avaliar o impacto da aplicação do AO de 1990 e, nos dois anos seguintes, estes dois anos, foram ouvidas várias entidades e personalidades, mas manteve-se a divergência entre os deputados sobre a matéria.

 

Entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Acordo Ortográfico de 1990 está em vigor em Portugal, no Brasil, em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde, enquanto Timor-Leste e Guiné-Bissau apenas o ratificaram, sem implementar. Falta ainda a ratificação do acordo por parte de Angola e de Moçambique.»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2020/06/23/politica/noticia/verdes-querem-avaliacao-acordo-ortografico-admitem-suspensao-1921663

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:47

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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019

«AINDA O ACORDO ORTOGRÁFICO»

 

Um interessante texto, de Zé Morgado, no Blogue Atenta Inquietude, para reflectir o AO90.

 

f-pessoa.jpg

Origem da imagem: https://acasadevidro.files.wordpress.com/2015/03/f-pessoa.jpg

 

Por Zé Morgado

 

Segundo o Expresso, a Assembleia da República irá dentro de algum tempo apreciar um conjunto de recomendações de alterações no Acordo Ortográfico de 1990, o acordo do nosso descontentamento. As recomendações foram elaboradas por um grupo de trabalho constituído pelo Parlamento. Será ainda apreciado um projecto de lei decorrente de uma petição subscrita por mais de 20.000 cidadãos que exigem a sua revogação.

 

Enquanto for possível reverter a situação criada pelo AO90 vale a pena insistir, importa que não nos resignemos. É uma questão de cidadania, de defesa da Cultura e da Língua Portuguesa.

 

É importante recordar que apenas Portugal, S. Tomé e Príncipe, Brasil e Cabo Verde procederam à ratificação. Em 2018 a Academia Angolana de Letras solicitou ao Governo angolano que o Acordo Ortográfico de 1990 não seja ratificado e há uma semana a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados do Parlamento do Brasil aprovou um requerimento de audiência pública para que seja debatida a revogação do AO ao que parece por indicação do Presidente Bolsonaro o que será porventura umas raríssimas ideias positivas vindas da figura.

 

Como tantas vezes tenho escrito, desculpem a insistência e não inovar, entendo, evidentemente, que as línguas são estruturas vivas, em mutação, pelo que requerem ajustamentos, por exemplo, a introdução de palavras novas ou mudanças na grafia de outras, o que não me parece sustentação suficiente para o que o Acordo Ortográfico estabelece como norma.

 

Mas o que se fez foi transformar a Língua Portuguesa numa confusão impossível de concertar dadas as diferenças entre o Português falado pelos diferentes países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

 

Há dias, em vários órgãos de comunicação social encontrava-se um título onde se lia “Para brisas de Realidade Aumentada para tornar os carros mais seguros”. Como? A frase faz sentido em Português? O que são “brisas de realidade aumentada” e o que têm a ver com a segurança dos carros? Ah, afinal é pára-brisas. E não podia continuar a ser?

 

AO90.jpg

 

A ideia da impossível harmonização não colhe e não é um problema. Basta atentar no inglês ou no castelhano em tantos países que têm estas línguas com língua oficial sem necessidade de um “acordo”.

 

O que na verdade se verifica, existem exemplos extraordinários, é a transformação da Língua Portuguesa numa mixórdia abastardada. Por coincidência, ontem assinalou-se o Dia da Língua Portuguesa, talvez fosse boa ideia protegê-la.

 

Como tenho escrito e repito, vou continuar a escrever assim, “desacordadamente”.

***

Comentário:

CM disse...

 

As línguas serão "estruturas vivas", como dia, e a criação de novas palavras é um facto. Já quanto à necessidade da mudança da grafia das palavras, convirá reflectir...
O inglês não necessitou de mudanças e o francês teve uma há 250 anos.


Os alemães mudaram algumas grafias mas o resultado foi o aparecimento de sequências de três consoantes iguais...
A grande reforma do espanhol, exceptuadas as mudanças de hifenização, mudou 10 ou 15 palavras (sic) sendo que uma delas foi Qatar, que a reforma propõe que se escreva em espanhol, Catar... Propõe, porque como afirmava uma ilustre linguista e académica de número da Real Academia de Espanha, não se pode mudar a ortografia numa democracia, motivo pelo qual todas as mudanças são meramente indicativas.


"Reformas" como a de 1911, nenhuma democracia a teve.
Uma outra questão, num país onde o mito do progresso tem tanto sucesso, consistirá em verificar o que é "evolução": a evolução consiste na passagem de um estado inferior a outro superior e mais complexo... Na ortografia, consiste na estabilização da mesma - o que exige uma escolarização de qualidade e universal - acompanhada de hábitos de leitura e de escrita. Portugal é um dos países com maior analfabetismo na Europa e a taxa de decréscimo nos últimos 40 anos é menor que a mesma taxa dos 40 anos anteriores à década de 70 do século passado.

Quanto à iniciativa - tudo o que seja acabar com o acordo é bom, mas em Portugal rege o princípio da prevalência da lei internacional, pelo que o acordo - que legalmente não está em vigor em lado nenhum! - o acordo, dizia-se, mesmo apenas assinado, não pode ser modificado sem ser por ratificação unânime de todos os signatários do mesmo!


Conviria que Portugal deixasse de viver, no que ao estado de direito diz respeito, no país das maravilhas.

in
https://atentainquietude.blogspot.com/2019/05/ainda-o-acordo-ortografico.html?fbclid=IwAR2tO8Q4z_SL00dTm7OFjoCTRU0MkM8uCpVUKzavayZ26P_dgxTRcQs1m6k

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:31

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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2018

A idiotice dos que adoptaram o AO90 cegamente...

 

Respondendo a Vice.

 

NELSON RODRIGUES.jpg

 Nelson Rodrigues, um Brasileiro que muito prezo, porque não tinha papas na língua…

 

 

Vice comentou o post O QUE SE DIZ POR AÍ ACERCA DO AO90… às 17:48, 25/08/2018 :

A maioria pensa que é obrigada a escrever segundo o AO, até nas publicações feitas nas redes sociais prevalece essa ideia, nas empresas, lojas, entidades que nada têm a ver com o Estado, enfim numa séria de páginas. Também considero incrível que por se ter estudado português durante os anos obrigatórios do ensino se pense que já se é o melhor ou mais não seja preciso. Sim, é triste que não haja brio em querer escrever bem. De repente fiquei com curiosidade sobre a média actual da disciplina de Português e da sua evolução ao longo dos tempos...

 

***

Vice, penso que a maioria dos que andam por aí, não pensa nada, nem sequer tem capacidade para pensar.

 

A maioria ACHA, porque se pensasse, procuraria informar-se melhor sobre o porquê de ter de escrever incorreCtamente a sua própria Língua.

 

Aliás, a resolução do conselho de ministros, que não tem valor de LEI, apenas impôs ilegalmente o Dialecto Brasileiro, na sua forma grafada, aos organismos que estão sob a alçada do Poder e ao funcionalismo público. Entretanto, sub-repticiamente, o governo português, servil ao Brasil, anda por aí a enganar os incautos e os que ACHAM (não pensam) que têm de grafar à brasileira, para ir alastrando o cancro, como quem não quer a coisa...

 

Daí que vemos muita ignorância nas redes sociais, em empresas (nem todas), nas lojas (nem todas), nos anunciantes e na comunicação social (nem todas, mas onde encontramos os maiores ignorantes e subservientes ao Poder) que nada têm a ver com o Estado. Ou terão? Serão organismos estatais? Paus-mandados do governo? É o que parece.

 

Quem estudou Português durante anos, não aprendeu Língua Portuguesa. Aprendeu a juntar as letras do alfabeto, a ler (mal), a escrever (mal) e a interpretar (ainda pior). Não sabem Gramática, e também não fazem a mínima ideia por que devem escrever faCtor, recePção, fim-de-semana, pára, Janeiro, lêem, vêem… em vez de fator, perceção, fim de semana, janeiro, leem, veem…, que pode estar correCto no Brasil, porque são vocábulos novos, que fazem parte do DialeCto Brasileiro, mas em Portugal, são graves erros ortográficos, porque não fazem parte da grafia portuguesa.

 

As médias na disciplina de Português são baixíssimas. A ILITERACIA é descomunal. Os erros ortográficos e de sintaxe, entre outros, são uma razia, basta lermos o que se escreve por aí… Nem os ministros de Portugal, nem os deputados da Nação (salvo raras excepções) sabem escrever e falar. Já me disponibilizei a ir ao Parlamento ditar um ditado aos senhores que estão a tentar enterrar a Língua Portuguesa. Apostava tudo o que tenho como eles encheriam a folha de erros, de toda a espécie. A avaliar pelo modo como comprendem, como foncionam, como se comprimentam, como acham óvio, como fazem coisas à última DA hora, e reámente a nota deles seria ZERO.

 

A mediocridade, a ignorância e o idiotismo são a nota dominante.

 

Os medíocres acham que escrever à brasileira é moderno.

Os ignorantes acham que isto que estou a dizer é xenofobia.

Os idiotas acham que trocar uma Língua por um dialecto tem muita lógica.

 

 

bob-fosse-1-frasesdalua-960x504-01.jpg

 Eu também.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:26

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Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

«O AO90 ESTÁ A SER SUBSERVIENTEMENTE E INTERESSEIRAMENTE E ESTUPIDAMENTE SEGUIDO»

 

 

As verdades são para se dizerem, nua e cruamente.

Faço minhas as palavras de Luís Filipe Pimentel Costa.

 

SERVILISMO1.png

Origem da imagem:

https://thoughloversbelostloveshallnot.blogspot.com/2014/08/servilismo.html

 

 

«Este ao90 (atrofio ortográfico de 1990) foi aceite, é engolido e regurgitado.

 

Os professores, como funcionários públicos, são ditatorialmente obrigados a segui-lo, e, mesmo sendo ilegal, visto ferir o Decreto-Lei em vigor, de 1945, aceitam a ditatorial imposição, mas, pior que tudo, é aceitarem obrigar os estudantes, que NÃO SÃO FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS a escrever errado e ilegal.

 

A CHAMADA comunicação social, depende de subsídios e papeis-higiénicos de euros, e, como tal lambem o traseiro aos ditatoriais políticos, e, ignomínia das ignomínias, o ESTÚPIDO cidadão comum, que nada sabe e, estupidamente diz que é obrigatório, não me refiro aos inaptos incapazes que dizem que é difícil escrever mais um c ou mais um p, ou mais um acento, que segue subservientemente esta incúria.

 

SERVILISMO.png

Origem da imagem: Internet

 

Não, este atrofio ortográfico não se impôs! Foi subservientemente e interesseiramente e estupidamente aceite e está a ser subservientemente e interesseiramente e estupidamente seguido.

 

Pior que os actos dos maus são os encolher de ombros dos bons.»

 

Luís Filipe Pimentel Costa

 

Fonte:

https://www.facebook.com/pimentelcosta/posts/2017827194928889

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:51

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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

Imposição ortográfica ou ofuscamento dos pirosos?

 

«Ao procurar o calendário dos jogos da Selecção encontrei uma página da RTP, que me levou a crer estar a ler uma página da Globo, não fosse ter notado que a Polónia estava de acordo com os critérios da grafia portuguesa.

 

Ver Coréia, Irã e Egito (que se pronuncia Egipto) assim escritos, levou-me à triste conclusão de que se tudo assim continuar, a Imposição Ortográfica será total, aniquilando a ortografia portuguesa do séc. XX😥 😡 (João M. Félix Galizes‎)

 

Pois é óbvio que estamos a ser colonizados, e os parvos não se apercebem disso, ou se se apercebem, estão-se nas tintas, porque acham que o que é estrangeiro é que é giro e moderno. E a isto chama-se "ofuscamento dos pirosos", uma pestilência que atacou os políticos, alastrando-se pelos órgãos estatais, incluindo os da comunicação social, servos do Poder, e os subservientes de serviço. Uma autêntica calamidade pública. (Isabel A. Ferreira)

 

Fonte:

https://www.rtp.pt/noticias/desporto/mundial-2018-conheca-os-grupos-e-o-calendario-do-campeonato-do-mundo_i1043890

 

PIROSICE.jpg

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=864319553757991&set=gm.2127652110812626&type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:46

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Domingo, 25 de Março de 2018

PALAVRAS SEM SENTIDO QUE O AO90 ANDA POR AÍ A GRELAR…

 

… com o aval dos que podem e (des)governam…

 

E como estas, existem centenas de “intumescências” ortográficas na comunicação social, nos ofícios, comunicados e documentos governamentais, nos sites do governo português, em simples textos na Internet, nos comentários no Facebook… em cartazes, na publicidade, em legendas de filmes, e rodapés televisivos, nos próprios livros acordizados (e nestes há coisas de bradar aos céus!) enfim, pobre Língua Portuguesa que tão maltratada e espezinhada anda por aí…

 

Vejam-se estes exemplos, que não se esgotam nesta amostragem…

 

São palavras sem sentido, que o aparvalhado AO90 anda por aí a grelar.

 

INTERSETAR.png

 Origem da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1988774657814201&set=p.1988774657814201&type=3&theater&ifg=1

 

«INTERSETAR»

(leia-se inters’tar)

 

A PSP só podia ter tido grande dificuldade em meter no meio de setas os tais suspeitos… E como se isto não bastasse, estão em "âçãoseja lá o que isto for…

 

***

JORNAL i22555116_10212944896075776_852896902380321

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10212944896075776&set=gm.1154280601342061&type=3&theater&ifg=1

 

«PARA A REVOLTA» marchar… marchar…

 

Realmente não há chuva para a revolta. É que nem sequer sabem que uma preposição vestida de verbo é coisa carnavalesca...

 

PARA PARA PENSAR UM POUCO Jornal i… (Até fico gaga!!!!)

 

***

EXETO22552454_530507693966746_4674507373895272212_

Origem da Foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=530507693966746&set=a.223017458049106.1073741829.100010225601299&type=3&theater&ifg=1

 

«EXCETO ("excêto") … EXETO ("exêto"?)»

 

O que é isto?

 

Isto é o descalabro dos descalabros. Nem os Brasileiros têm estes monstrinhos no seu léxico. Vá-se lá saber o que significa excêto e exêto… 

 

***

DN.png

 Origem da foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10209682743857805&set=gm.1154122778024510&type=3&theater&ifg=1

 

«ABRUTAMENTE»?

 

Pois…à bruta! A bruta mente gera antilogismos como este…

 

***

CONVIÇÕES.png

 

Origem da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10210109935769071&set=gm.924798644338117&type=3&theater&ifg=1

 

«CONVIÇÕES» muito «convitas» da estupidez reinante…

 

É o pior, é que segundo os Tradutores contra o Acordo Ortográfico, «no original, figurava "convicções", mas no Expresso acharam por bem cortar a consoante e, assim, fazer jus ao que apregoaram logo em 2010 (http://bit.ly/2duMAXV): «Expresso poupa letras e adota acordo ortográfico». Efectivamente, assim é. Continuem a dar razões aos opositores».

 

***

MIXORDÊS.png

 Origem da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10210826683638231&set=gm.2013967218847783&type=3&theater&ifg=1

 

A isto é o que se chama  «EXTENDER» ao comprido...

 

E o mixordês é exactamante isto: esta mistura de Português, de acordês-malaquês e de estupidez

***

JORNALi22712532_1638067449558781_70719587360160143

 Origem da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1638067449558781&set=gm.2013260978918407&type=3&theater&ifg=1

 

TEM «HAVER» … então não tem?

 

Tem a ver com uma descomunal ignorância...

***

 

TVI.png

 Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155814907642389&set=gm.927471130737535&type=3&theater&ifg=1

 

Aldeias AFECTADAS, muito bem, mas EX-DIRETOR (leia-se ex-dir’tor), muito mal…

 

A isto chama-se mixórdia ortográfica, a tal em que está em vigor em Portugal… 

 

***

Pois é, doutor António Costa, primeiro-ministro de Portugal.

 

É esta mixórdia ortográfica que o Senhor e o seu governo estão a promover no nosso País, que tem a desventura de ser desgovernado assim tão desnorteadamente…

 

Que tristeza! Apenas Portugal e o Brasil teimam nesta pobreza ortográfica, e mesmo assim, apenas os incultos, porque os cultos não a adoptaram, nem adoptarão jamais.

 

Cabo Verde está a promover o seu CRIOULO, no que faz muito bem. Sempre é mais culto e escorreito do que esta mixordice de ortografia que anda por aí… sem o mínimo senso e lógica. A Língua Portuguesa, em Cabo Verde, já é a segunda língua. 

Por isso, uma vez mais vimos exigir lucidez e que devolvam a Língua Portuguesa a Portugal!

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:27

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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018

O que diz António Barreto sobre a actual comunicação social

 

Um excelente texto, escrito em Bom Português, para reflectirmos o actual estado do país, através da actual comunicação social (com dignas excepções), vendida ao poder político-partidário, numa total e vergonhosa vassalagem.

 

Informa-se só o que interessa aos governantes, aos políticos, aos partidos; fala-se incorrectamente, e legenda-se ainda pior, ou seja, na versão mais inculta da Língua Portuguesa.

 

Faço minhas, todas as palavras de António Barreto.

 

AntonioBarreto-2[1].jpg

 

António Barreto (Sociólogo português)

(Origem da foto: Internet)

 

Texto de António Barreto

 

AS NOTÍCIAS NA TELEVISÃO

 

«É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. 

 

A banalidade reina. O lugar-comum impera.

 

A linguagem é automática.

 

A preguiça é virtude. O tosco é arte.

 

A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

 

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não se sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense.

 

Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

 

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiza a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

 

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

 

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! 

 

Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. 

 

Arte? Um director-geral chega. Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

 

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. 

 

Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

 

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

 

A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!

 

Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão».

 

Origem do texto: 

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/antonio-barreto/interior/as-noticias-na-televisao-5407534.html

  

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:16

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