Sexta-feira, 7 de Junho de 2019

DEVOLVA-SE A PORTUGAL A LÍNGUA PORTUGUESA, E TEREMOS MOTIVOS PARA COMEMORAR O DIA 10 DE JUNHO

 

10 de Junho

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas?

Têm a certeza?

Vejamos.

 

DEZ JUNHO.png

 

As comemorações do dia 10 de Junho/2019 vão realizar-se entre  domingo e terça-feira, de Portalegre ao Mindelo (Cabo Verde), e contam com a participação do presidente da República e do primeiro-ministro que, despudoradamente, andam por aí a vender Portugal e a Língua Portuguesa.

 

O que há para comemorar?

 

Os governantes portugueses celebrarão o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas com cerimónias que serão hipócritas, porque em nada honram a Bandeira do País, que está a ser vendido ao retalho; em nada honram Luís Vaz de Camões, o poeta maior da Língua Portuguesa, a qual está a ser deliberadamente destruída, estando Portugal a perder, deste modo infame, um dos seus maiores símbolos identitários; e em nada honram as Comunidades Portuguesas, que deixaram o seu País em busca de uma vida melhor, e que, por este andar, não terão País para onde possam regressar, porque o País estará nas mãos de estrangeiros, desde o Capital à Língua. Portugal está em vias de extinção. O facto de se ver a bandeira do Brasil como símbolo do Português em instâncias europeias, e isto não motivar um protesto dos governantes portugueses diz tudo.

 

No dia 10 de Junho, Luís de Camões será celebrado numa Língua que já não é a Língua de Camões, aquela com a qual tornou grande um Portugal pequeno, e que, devido à mania das grandezas, à pala do gigante sul-americano, tornará a ser pequeno e sem identidade própria, porque está a perder a Língua que o identificava (já não identifica mais) como uma nação europeia. Até a bandeira já não é a portuguesa, quando se fala de Português.

 

Se Luís de Camões pudesse falar, lá do limbo onde com certeza se encontra, diria, desgostoso:

 

«Parai, ó (h)omens sem (h)onra! Arrancastes as raízes da Língua, com a qual celebrei os feitos dos Portugueses, e agora só restam palavras alteradas, afastadas das suas origens, para contar as proezas imperfeitas dos que venderam, por baixo preço, o meu País!»

 

Jamais nenhuma Língua do mundo, mesmo aquelas com mais variantes do que a Língua Portuguesa, teve de se unificar para se impor internacionalmente. O acordo ortográfico de 1990 pretende ferir de morte a diversidade linguística e cultural que constitui o património que ainda UNE o mundo dito lusófono. Não queiram uns poucos alucinados com uma grandeza que, na realidade, não existe, destruir esse património e desunir o que estava unido pela diversidade.

 

***

 

Eu, como cidadã portuguesa, não compactuarei jamais com esta traição à minha Pátria. E chamem-se os nomes que quiserem. Eu amo o meu País, eu amo a minha Língua, e, qual padeira de Aljubarrota, continuarei a combater, com todas as garras de fora, os que, por trinta dinheiros, pretendem destruir o meu País, destruindo a minha Língua.

 

Que acordo ortográfico permitiu unificar que língua? A Língua Portuguesa não foi, com toda a certeza. A Língua Portuguesa não é aquela mixórdia de palavras mal escritas e mal ditas que os governantes portugueses pretendem impingir-nos, ilegalmente e à força.

 

É que no Brasil, fala-se e escreve-se Brasileiro. Nos restantes países ditos lusófonos, (excepto Cabo Verde) fala-se e escreve-se Português. Em Portugal, fala-se e escreve-se mixordês, uma mistura do Português e do Brasileiro.

 

Espero que quem ama verdadeiramente a sua Pátria e os seus valores culturais identitários, digam um rotundo NÃO a esta deslealdade para com os Homens (com H maiúsculo) que nos deixaram uma Língua íntegra, e que omens (sem H nenhum – se não se lê, não se escreve, não é esta a nova regra?) querem matar por trinta dinheiros.

 

Porque não há nada de mal em ser-se patriota, até porque ser patriota não é sinónimo de ser idiota, mas simplesmente sinónimo de amor pela sua Pátria, pela sua Origem, pela sua Ascendência, pelo seu Passado, porque sem isto, não se tem futuro, e anda-se no mundo só por ver andar os outros, tal qual zombies. Ou se é patriota, ou se é idiota.

 

Mas em Portugal, a quem interessa a destruição da Língua e da bandeira portuguesas?

 

Uma grande mulher, livre-pensadora portuguesa, Idalete Giga responde e eu subscrevo cada palavra sua: «Interessa aos mais variados lobbies (editoras, sobretudo, mas também ao próprio desgoverno que não tendo coragem para assumir a culpa do tremendo atentado contra a Língua e Cultura Portuguesas que é o (des)AO90, continua VERGONHOSAMENTE a esconder a cabeça na areia, a desprezar o DESCONTENTAMENTO de milhões de portugueses e a criar o maior universo de analfabetos de que não há memória em Portugal. Não ouve os verdadeiros especialistas na matéria. Não ouve intelectuais, jornalistas, poetas, escritores quer portugueses, quer brasileiros. Não ouve os governantes de Angola, Moçambique que não assinaram o Linguicídio. Fechou-se na casca dos imbecis e dos cobardes (!!!!!) Mas... mais cedo ou mais tarde (talvez depois do Brasil) o nosso Grito do Ipiranga tem de fazer tremer todos os recantos das várias lusofonias (que suas ex.as, como são vesgos, só conseguem ver uma lusofonia) (!!!!!!!).»

 

No próximo dia 10 de Junho, em vez de flores, continuarei, tal como nos anos anteriores, a depositar as minhas lágrimas no túmulo de Luís Vaz de Camões, porque sei, sinto que Camões estará a chorar comigo.

 

1280px-Jeronimos_12.jpg

Imagem: Carlos Luís M C da Cruz - Obra do próprio, Domínio público https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4831811

 

E que os hipócritas comemorem a própria vã glória de existir.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:18

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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2018

AO90 OU A SUBVERSÃO DO CONCEITO DE ORTOGRAFIA

 

(Um texto actualíssimo, que prova que Portugal não avança, muito pelo contrário, tem regredido desastrosamente, em múltiplos aspectos, sendo o mais desastroso, a sinistra imposição de uma grafia estrangeirada, aos Portugueses).

 

Excelente comentário de Sérgio Marques à publicação do deputado Pedro Delgado Alves, acerca da intervenção deste, na Assembleia da República, apresentando o projecto de lei que integra a Ordem de Camões nas ordens honoríficas nacionais, de forma a assegurar o reconhecimento de serviços prestados à Língua Portuguesa e às Comunidades Portuguesas.

 

Gerou-se uma discussão. E o comentário de Sérgio Marques destacou-se pela lucidez da análise.

 

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Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10204899228594693&set=p.10204899228594693&type=3&theater

 

Texto de Sérgio Marques

 

«Caro Senhor Deputado da Assembleia da República Portuguesa,

 

1) O que é incompreensível é que nós, cidadãos deste país (e contra mim falo), tenhamos deixado que a democracia se tenha degradado ao ponto de o nosso Parlamento contar no seu seio com figuras bidimensionais como V. Exa, personagens estereotipadas que povoam o Anedotário Nacional sobre política, que debitam frases feitas e considerações filosóficas germinadas em longas e profícuas carreiras nas 'Jotas' dos partidos do 'arco-da-governação';

 

2) O que é incompreensível, caro Deputado da Nação, é que nós, cidadãos deste país de faz de conta (e, novamente, contra mim falo), a bem do exponencial enriquecimento do referido Anedotário da Política Nacional - que se intensificou nos últimos trinta anos com a ascensão ao poder dos primeiros economistas (profissão que, desgraçadamente, abracei - economista, não político), seguidos, inevitavelmente, pelos inefáveis “Jotinhas” licenciados em cursos comercializados a preço de saldo nas universidades privadas, entretanto criadas em quantidades industriais para satisfazer a notável visão de negócio revelada por alguns dos seus anteriores e actuais companheiros no hemiciclo - tenhamos pactuado com a imposição da mediocridade intelectual e da excisão da coluna vertebral como critérios incontornáveis para o exercício da actividade política e Portugal;

 

3) O que é incompreensível, Senhor Deputado, é que nós, cidadãos portugueses, acalentemos, ainda, a secreta e utópica esperança de encontrar nessa casa mais que meia dúzia de homens e mulheres capazes de entender que o diálogo com esses cidadãos e tão válido e relevante como o estabelecido entre os seus pares. Permita-me, como tal, que lhe procure, com toda a humildade, explicar que no combate político, quando assumido, dentro da velha tradição parlamentar britânica, com o mais nobre sentido de serviço à causa pública, não há lugar para virgenzinhas ofendidas nem para prima-donas. Neste caso concreto, a frontalidade (supremo pecado, certamente, no meio em que V. Exa. se movimenta diariamente), intensidade e crueza das minhas palavras é directamente proporcional à indigência dos pueris argumentos com que o Senhor Deputado da Nação defendeu na Assembleia da República o crime de lesa-pátria que dá pelo nome de 'Acordo Ortográfico'.

 

Aquilo a que V. Exa chama de insulto, mais não é que uma forma dura de o convocar para um combate leal sobre ideias e problemas concretos, desviando-o das habituais discussões acerca do sexo dos anjos a que frequentemente os membros dessa casa se dedicam. Pretendia, honestamente, no quadro de um debate surreal sobre Ordens Honoríficas, assunto estéril e ofensivo para os portugueses e portuguesas que enfrentam diariamente problemas dramáticos de sobrevivência material e moral, deslocá-lo para um debate sério sobre algo superior a todos nós, a Língua Portuguesa, e sobre as inomináveis malfeitorias que, por decreto e em nome de sectários e inaceitáveis interesses, boa parte da nossa medíocre classe política lhe tenta, autocrática e arrogantemente, infligir.

 

Obviamente, sem sucesso, como era expectável de alguém que não consegue prescindir dos jogos de palavras com que - diga-se, sem subtileza - manipula a verdade e, aí sim, insulta a inteligência dos seus pares e dos cidadãos que indignamente representa, com absurdas e inacreditáveis referências a uma suposta liberdade de escolha na ortografia utilizada por cada português! Viveríamos, portanto, num regime libertário de anarquia ortográfica!!! Como pode alguém intelectualmente honesto defender simultaneamente uma concepção de homogeneização fascizante da Língua escrita nos diversos países lusófonos e outra concepção nas antípodas da primeira, de anarquia total dentro de portas, decorrente do livre arbítrio individual na escolha da ortografia da sua preferência !!!

 

Não entende V. Exa. que essas contorcionistas posições subvertem o conceito de Ortografia, pura e simplesmente? Se necessário fosse um suplementar atestado de ausência de inteligência no debate parlamentar por si protagonizado, ei-lo em todo o seu esplendor.

 

NOTA: Ao menos coerência num dos traços da sua personalidade: a aversão ao Humor, que V. Exa. considera uma forma "intelectualmente desonesta" de abordar a realidade. Estamos conversados...

 

Faça um favor à Nação: Demita-se e faça-se substituir na AR pelo belíssimo cão da fotografia (na altura a fotografia de perfil do deputado era um cão). Representará, seguramente, melhor os cidadãos deste país!»

 

Fonte do texto:

https://www.facebook.com/pedrodelgadoalves/posts/10153273951491906

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:06

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O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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