Quinta-feira, 7 de Agosto de 2025

Em país nenhum do mundo, se anda a travar uma luta pela integridade de um Idioma quase milenar, apenas porque uma ex-colónia, que o adoptou, mexeu na sua estrutura, transformou-o numa outra linguagem e continuou abusivamente a chamar-lhe Português

 

A imagem abaixo foi retirada daqui, com a seguinte introdução:

 

«Não se pode dizer a uma criança que vem de uma escola brasileira, onde aprendeu de uma determinada forma, que aquilo que aprendeu está incorrecto. O que tem de ser dito é que existem variedades e, estando aqui, também é bom conhecer a variedade de Portugal para poder usá-la cá, caso venha a continuar a viver no país, sem perder a variedade que já conhece.», sublinha Marco Neves.

 

 É obvio que não pode dizer-se a uma criança que vem de uma escola brasileira que a linguagem que aprendeu está incorrecta, porque não está. O que tem de ser dito é que no Brasil aprende-se a escrever e a ler a Variante Brasileira do Português, que é diferente do Português que as crianças portuguesas aprendem nas escolas portuguesas, e aproveita-se para acrescentar que a diferença não está apenas na fala (a fonética é a parte mais audível das diferenças), mas também na ortografia (onde as diferenças são inúmeras), no léxico, na morfologia, na sintaxe, na semântica, na acentuação, na construção frásica, explicando de um modo simples, o que tudo isto quer dizer.

 

O que se fala e escreve em Portugal NÃO é nem uma variedade nem uma variante do Português. O que se fala e escreve em Portugal é o Português ou Língua Portuguesa, ou Idioma Português, a Língua de Portugal,  e desta Língua criaram-se muitas variantes ( = dialectos) como a do Brasil, a de Cabo Verde (Crioulo Cabo-verdiano, que evoluiu para Língua Cabo-Verdiana), e muitas outras espalhadas pela Ásia e África, de acordo com o mais conceituado dialectologista português: José Leite de Vasconcelos. Sendo que Angola, Moçambique, Timor escrevem e falam Português, com um ligeiro sotaque característico de cada um desses países. O modo de falar brasileiro NÃO é um sotaque, porque tem elementos sonoros bem distanciados da fonética portuguesa.

 

Sotaque é o modo como se fala no Norte e no Sul de Portugal, portuenses e alentejanos, por exemplo.

 

O que se tem de dizer às crianças, não só brasileiras, mas de todas as outras nacionalidades (e são muitas) que frequentam as escolas portuguesas, é que devem aprender o Português original, livre do AO90, sem, contudo, esquecer as suas Línguas Maternas. Porque o Português só é Língua Materna de quem nasceu português.

 

Marco Neves -1.png

 

O que se lê nesta imagem não é verdade. Aprendi a ler e a escrever no Brasil, lá passei por todos os ciclos de ensino e sei que isto não é verdade.

 

Quando regressei a Portugal, tive de aprender a ler e a escrever a minha Língua Materna. E tanta, tanta coisa nova tive de aprender! O Brasileiro NÃO era a minha Língua Materna.

 

O Brasileiro é brasileiro. O Português é português.

 

Por muito que queiram não podem distorcer o que é factual, e o que é factual, é que o Brasil usa a Variante Brasileira do Português (Língua do Brasil) e Portugal usa o seu Idioma de raiz greco-latina, o Português ou Língua Portuguesa (Língua de Portugal).

 

Manuel Lameira, a propósito disto, escreveu um texto, que me foi enviado via Messenger, por uma amiga anti-acordista, e que tomo a liberdade de transcrever, concordando com ele:

  

«A língua é muito mais que a ortografia. Porque é que uma criança brasileira há-de ser tratada de forma diferente de uma marroquina ou ucraniana quando frequente as nossas escolas? Aquilo que ela aprendeu noutro lado tem alguma coisa a ver? Em Portugal as regras são as nossas e são essas que todos devem seguir (infelizmente aldrabadas com os acordos ortográficos).

 

Além disso se a maioria das palavras se escrevem do mesmo modo, em Portugal e no Brasil, o seu uso e significado - a língua - podem ser totalmente diferentes. Nós vamos "para casa" e os brasileiros vão "em casa"; facto e fato escrevem-se do mesmo modo em Portugal e Brasil, mas não significam o mesmo. Além do mais, isso de variedades é treta de "professores" que se armam em donos "onipotentes" da língua. Por esse andar ainda falamos todos variantes do galego, do latim, ... dos grunhidos do Pai Adão.

 

O que há é uma língua original, com séculos, o Português genuíno, e outra derivada que evolui de forma independente há 200 anos, e pelo número de falantes, e pela forma como é favorecida no nosso país de subservientes (com a gente que hoje temos a mandar - o fraco rei, já dizia Camões ... - , nem às Berlengas teríamos chegado!) acaba por inquinar a nossa língua. Falar em variantes é meter tudo no mesmo saco e já se sabe quem sai a perder, e não é o brasileiro. Tratar o português e o brasileiro como variantes (*), é imaginar uma árvore só com ramos e sem tronco, coisa que só cabe na cabeça de professores "amigos da onça", que sabem "tudo" sobre a matéria que ensinam, mas desconhecem o essencial. E o essencial, que as universidades não ensinam e a inútil Academia das Ciências não defende, é que o Português é a língua que se fala em Portugal. Como diria o Senhor de La Palice.»

Manuel Lameira

***

 Obs. da autora deste Blogue:

 (*) O Português é a Língua original, NÃO é variante de coisa nenhuma. Já foi dialecto, e hoje é uma Língua oriunda do Latim. O Brasileiro é a Variante Brasileira do Português, que um dia será uma Língua oriunda do Português.

***

Em país nenhum, em parte alguma do mundo, se andou ou anda a travar uma luta pela integridade de um Idioma, com quase mil anos de história, apenas porque uma ex-colónia, que o adoptou, mexeu na sua estrutura, transformou-o numa outra linguagem e continuou abusivamente a chamar-lhe Português.

 

Já é tempo de parar com este abuso.

O Brasil tem a sua Língua.  

E nós temos a nossa.


***

E posto isto, aqui deixo um recado para o Brasil:

 

«Excelentíssimo Senhor Inácio Lula da Silva, venho aqui apenas para lhe lembrar que o que de mal se faz neste mundo, cá se paga. O Brasil está metido em alhadas com as tarifas de Trump, e Vossa Excelência não está a gostar nada disso. É para ver!

 

Nós, Portugueses, também não estamos a gostar nada da ingerência de Vossa Excelência na vergonhosa questão da Língua Portuguesa. O Brasil tem uma Língua própria, que já não é a Portuguesa, porém, o Brasil insiste em destruir um Idioma quase milenar, para impor a Variante Brasileira do Português, com o aval dos muito servis políticos portugueses, que serão todos julgados pela História.

 

Nós não gostamos disto. Nós não aceitamos isto. Nós não vamos acatar o que nos querem impor.

 

Espero que Vossa Excelência aprenda a lição que a vida quis dar ao Brasil, com esta ingerência das taxas de Trump (que está na lista dos que também hão-de sofrer as consequências dos seus actos desprezíveis). A História está cheia de exemplos desse “sofrer as consequências pelos actos desprezíveis cometidos”.



Há um ditado português que diz: «o que cá se faz, cá se paga». É a mais pura verdade.
Não queremos mal a Vossa Excelência.

 

Só queremos que liberte Portugal do jugo brasileiro (de qualquer modo, havemos de nos libertar), e venha para o evoluído século XXI d. C.. Só assim poderá redimir-se e, talvez, entrar para a História. Os nossos políticos, que não souberam defender a soberania linguística de Portugal, já têm lugar garantido do lado de fora da História.

Com os meus mais cordiais cumprimentos,

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:48

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Sexta-feira, 18 de Outubro de 2024

Nunca nenhuma outra Língua no mundo deu tanta polémica e voltas e reviravoltas entre dois países (neste caso, Brasil e Portugal) como a Língua Portuguesa (Português)

 

Porquê?

Porque estes dois países são os que têm mais ignorantes por metro quadrado, e acham (não pensam) que têm o direito de pôr alcunhas à Língua Portuguesa, com designações que NÃO lhe dizem respeito, até porque a Língua de Portugal foi baptizada como LÍNGUA PORTUGUESA ou Português, e não é pelo simples querer de gente que tem um profundo desafecto pelo que é português, que pode andar por aí a mudar o nome da Língua que pertence a Portugal, e absolutamente a mais ninguém.

 

NÃO existe português do Brasil, nem português brasileiro, nem português europeu, nem português de Portugal.

 

Existe, isso sim, a Língua Portuguesa (Português), cuja designação ninguém tem o direito de mudar, por meras conveniências políticas.

 

E se Portugal fosse governado por políticos com maiúsculo, e que dignificassem os cargos que ocupam e zelassem pelos interesses de Portugal, esta vergonhosa e abusiva interferência alienígena na NOSSA Língua jamais estaria a acontecer.

 

Olhemos para a Inglaterra,  Espanha, França, Holanda... Nenhum destes países ex-colonizadores anda, por aí, com as suas Línguas arrastadas pelo chão, porque NÃO precisam da boleia das ex-colónias para exibirem os seus Idiomas, quase tão antigos como o Português.

 

Só Portugal, através da pequenez mental dos seus decisores políticos, se presta a este papel de uma repugnante subserviência, que faz dele um país sem eira nem beira, uma autêntica República DOS Bananas.

 

No Brasil, fala-se e escreve-se a Variante Brasileira do Português, candidata a designar-se como Língua Brasileira, brevemente, tal como o Crioulo Cabo-Verdiano, oriundo do Português, já passou a ser Língua Cabo-Verdiana.



E este é o futuro dos dialectos dos países da CPLP: Cada País terá a sua Língua própria: Língua Angolana, Língua Moçambicana, etc.. E porquê? Porque, nesses países, a esmagadora maioria do povo NÃO fala Português, mas sim os seus inúmeros dialectos.

 

E querem saber mais?

Esse é o caminho mais inteligente a seguir, uma vez que a CPLP é uma organização internacional formada por países que de lusófonos já pouco têm, e existe um, a Guiné Equatorial, onde nem sequer se fala Português.

 

A Língua Portuguesa NÃO precisa de ser uma das Línguas mais faladas do mundo, porque jamais ultrapassará as Línguas mais faladas do mundo. E se quisermos preservá-la e que ela seja uma Língua nivelada, em qualidade, às restantes Línguas europeias da mesma Família, temos de a desmamar do Brasil.

 

O texto que se segue foi-me enviado via e-mail.

Isabel A. Ferreira

 

ACORDO ORTOGRÁFICO.png

publicado por Isabel A. Ferreira às 22:38

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Nunca nenhuma outra Língua no mundo deu tanta polémica e voltas e reviravoltas entre dois países (neste caso, Brasil e Portugal) como a Língua Portuguesa (Português)

 

Porquê?

Porque estes dois países são os que têm mais ignorantes por metro quadrado, e acham (não pensam) que têm o direito de pôr alcunhas à Língua Portuguesa, com designações que NÃO lhe dizem respeito, até porque a Língua de Portugal foi baptizada como LÍNGUA PORTUGUESA ou Português, e não é pelo simples querer de gente que tem um profundo desafecto pelo que é português, que pode andar por aí a mudar o nome da Língua que pertence a Portugal, e a absolutamente mais ninguém.

 

NÃO existe português do Brasil, nem português brasileiro, nem português europeu, nem português de Portugal.

 

Existe, isso sim, a Língua Portuguesa (Português), cuja designação ninguém tem o direito de mudar, por meras conveniências políticas.

 

E se Portugal fosse governado por políticos com maiúsculo, e que dignificassem os cargos que ocupam, e zelassem pelos interesses de Portugal, esta vergonhosa e abusiva interferência alienígena na NOSSA Língua, jamais estaria a acontecer.

 

Olhemos para a Inglaterra,  Espanha, França, Holanda... Nenhum destes países ex-colonizadores anda, por aí, com as suas Línguas arrastadas pelo chão, porque NÃO precisam da boleia das ex-colónias para exibirem os seus Idiomas, quase tão antigos como o Português.

 

Só Portugal, através da pequenez mental dos seus decisores políticos, se presta a este papel de uma repugnante subserviência, que faz dele um país sem eira nem beira, uma autêntica República DOS Bananas.

 

No Brasil, fala-se e escreve-se a Variante Brasileira do Português, candidata a designar-se como Língua Brasileira, brevemente, tal como o Crioulo Cabo-Verdiano, oriundo do Português, já passou a ser Língua Cabo-Verdiana.



E este é o futuro dos dialectos dos países da CPLP: cada País terá a sua Língua própria: Língua Angolana, Língua Moçambicana, etc.. E porquê? Porque, nesses países, a esmagadora maioria do povo NÃO fala Português, mas sim os seus inúmeros dialectos.

 

E querem saber mais?

Esse é o caminho mais inteligente a seguir, uma vez que a CPLP é uma organização internacional, formada por países que de lusófonos já pouco têm, e existe um, a Guiné Equatorial, onde nem sequer se fala Português.

 

A Língua Portuguesa NÃO precisa de ser uma das Línguas mais faladas do mundo, porque jamais ultrapassará as Línguas mais faladas do mundo. E se quisermos preservá-la e que ela seja uma Língua nivelada, em qualidade, às restantes Língua europeias da mesma Família, temos de a desmamar do Brasil.

 

O texto que se segue foi-me enviado via e-mail.

Isabel A. Ferreira

 

ACORDO ORTOGRÁFICO.png

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:07

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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2021

Quando ouço dizer que o AO90 foi “criado” por Portugueses, e que a Língua Portuguesa é uma “variante”, das duas uma: ou foram beber a fontes de águas muito turvas ou estão de má-fé

 

Comecemos pela criação do AO90, contando a verdadeira história, documentada, do negócio do AO90, uma ideia assente na Base IV do Formulário Ortográfico de 1943, ainda em vigor no Brasil.

 

Formulário Ortográfico de 1943.png

 

Sabendo, como sabemos, que a maior tragédia para Portugal, com a aplicação do AO90, foi OBRIGAR os Portugueses a grafar objetivo, teto, arquiteto, setor, fatura, adoção, direto, objecto, correto, etc., etc., etc., (pronunciando-se tudo isto com as consoantes antecedentes às não-pronunciadas, fechadas, se queremos pronunciar correCtamente) e uma infinidade mais de vocábulos, aos quais mutilaram as consoantes não-pronunciadas, mas com uma função diacrítica, vemos que em 1943, os Brasileiros começaram a escrever precisamente desse modo, como refere a Base IV, e apesar de terem assinado o Acordo Ortográfico de 1945, onde se pretendia unificar a Língua, mantendo-se as consoantes não-pronunciadas, deram o dito pelo não-dito e optaram por grafar os vocábulos mutilando-lhes os cês e os pês, à excepção de uns poucos, como aspeCto, excePção, recePção, infeCção, e as suas derivantes, que os Brasileiros pronunciavam e continuam a pronunciar. Porquê estes e não outros? É um mistério.


Para não se dizer que os Brasileiros não mexiam em nada, no que à grafia dizia respeito, pois se o AO90 mandava mutilar as palavras não-pronunciadas (como haveriam as crianças [e os
crianços, para contentar os que bradam pela linguagem inclusiva] de saber que direCtor tinha um , se não o pronunciavam, não é verdade?) e os Brasileiros já as mutilavam desde 1943, então decidiu-se mexer obtusamente nos hífenes e na acentuação, que têm a função de facilitar a leitura e compreensão das palavras, complicando essa mesma função e criando horrendos abortos ortográficos.  E os hífenes e a acentuação seriam a única mexedela na grafia para os Brasileiros, se aplicassem AO90, sendo a grande tragédia, para eles, a supressão do trema. E com toda a razão.

 

Uma investigação minuciosa e criteriosa, publicada pelo Jornal O DIABO em 05/12/2015, mostra, preto no branco, a negociata, que envolve o AO90, a qual está a conduzir à decadência da Língua Portuguesa, apenas porque uns “intelectais” (o termo é este mesmo) mercenários decidiram querer que sete países (Portugal, ) que mantinham e ainda mantêm, à excepção de Cabo Verde, uma ortografia normalizada, clara e escorreita, começassem a grafar à brasileira uma infinidade de palavras.

 

E para os que ficam com urticária quando se diz grafar à brasileira, é mesmo grafar à brasileira, porque, como se vê na imagem, a partir de 1943, os Brasileiros começaram a grafar objetivo, teto, arquiteto, setor, fatura, adoção, direto, objeto, correto (etc., etc., etc.), e, como aprendi a ler e a escrever no Brasil, era deste modo que eu escrevia estas e todas as outras palavras com consoantes não-pronunciadas. À portuguesa grafa-se objeCtivo, teCto, arquiteCto, seCtor, faCtura, adoPção, direCto, objeCto, correCto (etc., etc., etc.) abrindo-se as vogais, porque estas consoantes têm uma função diacrítica.

 

E, se bem que nada tenhamos contra a grafia brasileira (e que isto fique aqui bem claro) que pertence unicamente ao Brasil e aos Brasileiros, e faz parte da norma linguística da Variante Brasileira da Língua Portuguesa, a qual os políticos (não, os linguistas) brasileiros escolheram para o Brasil, não podemos aceitá-la como nossa, porque além de não ser nossa, retira Portugal do seu contexto Europeu, uma vez que a Língua de um Povo é a sua identidade, e nós não somos Brasileiros, e quem não quer perceber isto, só pode estar imbuído de muita má-fé.

 

Nesse artigo de fundo, O DIABO começa por dizer o seguinte:

 

«O projecto, nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss, foi desde o início um empreendimento com fins lucrativos, apoiado por uma poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portugal.

 

A ideia, é certo, nasceu na cabeça de um académico esquerdista, o brasileiro Antônio Houaiss, que contou em Portugal com o providencial auxílio do linguista Malaca Casteleiro. Viajemos, então, no tempo e procuremos a génese de todo o processo, que nas últimas três décadas tem enchido os bolsos a um grupo restrito de autores e editores.

 

O português mais distraído talvez pense que um colégio de sábios bons e eminentes terá decidido um dia, após longos anos de estudo e investigação, proceder à reforma do sistema ortográfico da Língua Portuguesae que os governos dos países lusófonos, tendo-se debruçado sobre o assunto com o auxílio ponderado de gramáticos e lexicógrafos, terão conscienciosamente aprovado essa tão bem preparada reforma. Mas o português distraído estaria redondamente enganado.

(…)

Segundo o testemunho do escritor português Ernesto Rodrigues, professor da Faculdade de Letras de Lisboa, publicado no seu ‘blog’ na Internet, “Antônio Houaiss e Malaca Casteleiro dinamizavam, desde 1986, um projecto de acordo ortográfico”. Este fora sugerido, em primeiro lugar, no ano anterior, por Houaiss, que até aí fizera carreira como autor de versões brasileiras de dicionários enciclopédicos e dirigira, havia pouco, um “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” (1981).

(…)

Em 1985, Antônio Houaiss era apenas um intelectual de esquerda com uma ambição: compor um dicionário da Língua Portuguesa que ombreasse com o famoso “Dicionário Aurélio”, da autoria de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, que desde a sua primeira edição, em 1975, já vendera até então mais de um milhão de exemplares. Mas Houaiss confrontava-se com uma “pequena” dificuldade técnica: para ultrapassar as marcas de Aurélio, o seu dicionário teria de galgar as fronteiras do Brasil e impor-se em todo o mundo lusófono como obra de referência. E para tanto era preciso “unificar a Língua”…

 

Esta é a verdadeira história da criação do AO90.

 

O artigo completo, onde se conta toda a negociata e fraude do AO90, investigadas pel’ O DIABO pode ser consultado neste link:

http://jornaldiabo.com/cultura/acordo-ortografico-negocio/

 

***

Vamos agora à dita “variante europeia” do Português:

 

Ouço muito por aí falar no Português de Portugal (que é, de facto e de direito, de Portugal, pois foi Portugal que lhe deu o nome e a forma) como variante europeia do Português. Só que, uma linguagem, que ascendeu a Língua, jamais poderá ser variante, se é a genetriz das variantes que por aí vão surgindo! Isto é como dizer que a Mãe da Isabel descende da Isabel, quando é a Isabel que descende da Mãe dela.

 

A Língua Portuguesa é O Idioma. O que se fala e escreve nos outros países, ditos lusófonos, é que são as VARIANTES da Língua Portuguesa. A Língua Portuguesa, se tem de ser chamada de “variante” que seja Variante Portuguesa do Latim, que é a genetriz das Línguas Românicas, na qual o Português se inclui. Mas essa variante já ascendeu a Língua, como a Variante Brasileira ascenderá, muito brevemente. 

 

Porque a palavra VARIANTE (o mesmo que dialecto  - há quem não goste que se diga isto, mas procurem nos dicionários e vejam o significado de variante e de dialecto) linguisticamente falando, significa uma DERIVAÇÃO que uma determinada comunidade ou povo criou a partir de um determinado Idioma, na pronúncia, na grafia, no léxico, na sintaxe, na morfologia, na semântica, afastando-se da raiz desse Idioma. Que foi o caso do Brasil, ou de Cabo Verde, com o seu Crioulo Cabo-verdiano, hoje língua oficial de Cabo Verde, ou de alguns ex-territórios portugueses da Ásia. E não cito os restantes países de expressão portuguesa, porque esses não desvirtuaram a Língua, apenas a enriqueceram com um léxico local e nacional.


Como é que a Língua Portuguesa é uma VARIANTE, se ela é a GENETRIZ de todas as variantes que se criaram a partir dela?

   

Não há meio de entenderem isto? Isto ofenderá o Brasil? Isto terá alguma coisa a ver com xenofobia e racismo, de que às vezes me acusam? Os que assim agem, desconhecem, por completo, o significado de variante, de racismo, de xenofobia.

 

Desconhecem igualmente o que passa no Brasil, onde um aluno português, ou inglês ou de qualquer outra nacionalidade, tem de aprender a escrever e a falar à brasileira, para poder estudar e ter boas notas nas escolas. E eu penso que essa exigência deve ser feita, de outro modo, numa turma onde estivessem várias nacionalidades, falar e escrever seria uma balbúrdia. Em Roma sê romano. É o que todos fazem, quando assentam arraiais em terras estrangeiras.

 

Surpreende-me ouvir falar da variante europeia da Língua Portuguesa, quando a Língua Portuguesa é simplesmente A Língua Portuguesa, a Língua que foi gerada em PORTUGAL, a Língua que identifica Portugal, que é um país europeu, que deu novos mundos ao mundo, e andou por aí a espalhar a sua Língua, a sua Cultura. Porque é que isto incomoda certos senhores?



Surpreende-me também que se recusem a LER, a investigar, a raciocinar, apenas porque têm medo de que lhes chamem xenófobos,  outra palavra mal aplicada neste contexto.

 

O que aqui está em causa não é o Brasil, nem os Brasileiros, nem a Variante Brasileira da Língua Portuguesa, nem o pseudo anti-brasileirismo, porque o anti-brasileirismo não existe. O que existe é um sentimento de preservação da NOSSA Cultura, que é riquíssima, tão rica como a dos Brasileiros.  

 

O que não há necessidade é de se FUNDIR as duas Culturas, porque são duas entidades diferentes, e que assim continuem, para que a riqueza de ambas perdure ad aeternum.

 

O que aqui está em causa é uma negociata idealizada pelo brasileiro Antônio Houaiss, que chamou à liça o linguista português,  Malaca Casteleiro,  que,   muito finoriamente (que Deus o tenha em descanso) lá conseguiu convencer os desinformados e complexados e subservientes políticos portugueses, tanto do PS (não esquecer que tudo começou com Mário Soares, depois José Sócrates, António Costa, Augusto Santos Silva) como do PSD (Aníbal Cavaco Silva, Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa) tão desinformados e complexados como os políticos marxistas brasileiros, entre eles Lula da Silva.

 

Talvez por vingança, ferido no seu brio, pelo insucesso do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, editado pela Academia das Ciências de Lisboa, que lhe mereceu muitas críticas, ou por outro motivo qualquer, João Malaca Casteleiro passou de linguista a negociante da Língua, conseguindo passar a mensagem de que este era um bom “negócio”.

 

Mas não foi. No Brasil ninguém lê autores portugueses, a não ser, obviamente, uma elite intelectual muito restrita; a Língua Portuguesa já não é ensinada nas escolas, substituíram-na por “Comunicação e Expressão”, que é para o que serve agora; o Grupo LEYA, com o fito de ganhar milhões, implantou-se no Brasil, mas já de lá saiu. Em Portugal, ninguém lê autores brasileiros, e nem sequer estão à venda nas Feiras dos Livros.

 

Há um muito insalubre virar-de-costas entre Brasil e Portugal, que o AO90 só veio agravar.

 

O que está aqui em causa é a ditadura do Acordo Ortográfico de 1990, imposta aos Portugueses pelos políticos, sem os consultarem, não tendo sequer em conta a opinião dos linguistas portugueses (por onde andarão eles? Emigrariam?) Não queremos o AO90, não serve os interesses dos Portugueses. Aliás, não serve os interesses de nenhum país da CPLP. Apenas serve os interesses dos poucos que encheram os bolsos à custa desta obscura negociata.

 

O caos ortográfico continua, cada vez mais agravado. O pacto de silêncio, por parte dos actuais predadores-mor da Língua (SS, PM, PR) continua. E na campanha eleitoral, em curso, ninguém aborda este gravíssimo problema nacional. Temos aí um novo ano escolar, com manuais cheios de erros ortográficos. As crianças continuarão a escrever e a ler incorrectamente, os pais não dizem nada, e resta um punhado de desacordistas a tentar salvar a Língua Portuguesa, em cima de um pedaço de madeira, em alto mar revoltoso. E isto é uma tarefa hercúlea. Mas havemos de conseguir matar o monstro.

 

E é assim que Portugal está orgulhosa e parvamente só, na aplicação de um “acordo” essencialmente político, tão político que está nas mãos do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto S. S. pôr ou não pôr fim a esta vergonhosa subserviência. Um dia, ele disse (está publicado algures): «Se eu quisesse acabava com o AO90. Mas não quero». Pois não quer. É muito cioso das obrigações que tem para com os estrangeiros, em detrimento das obrigações que tem para com os Portugueses e para com Portugal.  Querem atitude mais ditatorial do que esta? Isto não dirá tudo deste (des)acordo?


Penso que seria da racionalidade que, os que andam por aí sempre a criticar quem LUTA contra o AO90, apresentando actos e factos, deixassem o que não interessa, e se fixassem no fundamental:  exigir e obrigar o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro António Costa e o ministro dos Negócios DOS Estanheiros, Augusto Santos Silva, que têm como aliados e cúmplices os professores, a libertarem a Língua Portuguesa, que está perversamente agrilhoada ao mostrengo AO90.


Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:48

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Segunda-feira, 26 de Abril de 2021

«Não será o acordo ortográfico, nos termos em que foi feito, sintoma do esquecimento da realidade histórica da nossa colonização?» (*)

 

Um texto notável, imperdível, de Joana Lamas, onde se fala da Língua, do colonialismo e da inviabilidade e inutilidade do AO90, a partir da análise do filme Vitalina Varela, «inteiramente falado em crioulo cabo-verdiano – língua com origem na apropriação da língua do colonizador, mesclando empréstimos de línguas bantu e outras, aquartelada nos bairros pobres de Lisboa, recalcada na escrita (oficial e administrativa), como aliás os outros crioulos portugueses, cada um numa melodia diferente»

 

Isabel A. Ferreira

 

Vitalina Varela.jpg

Vitalina Varela, um filme de Pedro Costa (2019)

 

Texto de  Joana Lamas (*)

 

«O recalcamento do colonialismo, a partir de Vitalina Varela»

 

«Que marcas deixou o colonialismo na língua portuguesa? Que marcas são essas, das quais não se pode ou não se sabe falar, em Portugal? Em Vitalina Varela, estas questões atingiram-me com a clareza de um murro no estômago. 

 

O filme de Pedro Costa é feito a partir da linguagem, em substância, que corre nas ruas, onde o inconsciente se faz ouvir, nos enlaçamentos da fala que vêm de além, cuja análise convoca o sujeito do ponto de vista psicanalítico, mas também o sujeito político na sua construção social. 

 

Pedro Costa exibe uma notável capacidade de escuta, recorte e registo desse material que ele próprio suscita e provoca, e para tanto, como diz o próprio, tem de estar realmente próximo de uma fonte. Mas Vitalina Varela não é uma obra expositiva, de reprodução documental, à superfície. Com uma fotografia meticulosamente concebida – na cor, no contraste entre luz e escuridão, nas várias tonalidades da sombra… – neste filme, tudo tem uma qualidade irrepreensível, trata-se de uma experiência estética de tal modo intensa, forte que, pesada em toda a sua riqueza, torna-se difícil de gerir.

 

Inteiramente falado em crioulo cabo-verdianolíngua com origem na apropriação da língua do colonizador, mesclando empréstimos de línguas bantu e outras, aquartelada nos bairros pobres de Lisboa, recalcada na escrita (oficial e administrativa), como aliás os outros crioulos portugueses, cada um numa melodia diferente. Precisei de legendas para compreender o que era dito. 

 

Vitalina chega a Portugal. Toda a vida esperou pelo marido Ventura, em Cabo Verde, toda a vida não, quarenta anos; a sua vinda a Portugal sempre adiada: esperou quarenta anos para vir para Portugal, tal como os israelitas no deserto, nas fronteiras da terra prometida. Mas Vitalina já não vem a tempo de rever o marido, morto há três dias, enterrado, já nem o corpo pode velar. Morto há três dias, como no mito cristão da ressurreição. 

 

Se logo na primeira cena do filme vemos Ventura levado em braços, numa rua junto ao cemitério, só o ouvimos depois, já morto, e ele diz “a vela cai no colchão”, mas soa “a vela cai no caixão”. Nessa cena, Joaquim Ventura afirma a dificuldade da vida que levou, da fome, da exploração, questiona o seu lugar de corpo, o lugar de homem, na casa, no trabalho, no beco… Sem lugar, está-se vivo ou morto? No colchão, ou no caixão? Pois o filme é delimitado temporalmente por duas mortes: a de Ventura e a de Marina, ambas num colchão, ambas apontando para o adormecimento como morte, um sono sem sonhos, morte simbólica: “Ele não está morto. Ele está apenas dormindo” diz-se de Ventura. Um morto não deseja, onde está o lugar do desejo? Onde estão os sonhos que lhe habitam o corpo? Não é por acaso que os dois mortos do filme se chamam Ventura e Marina, não é inócuo, não cai no vazio: essa aventura marítima, que na expressão infanto-juvenil do Estado Novo distraía do colonialismo português.

 

Da dificuldade de um lugar de exclusão

 

A língua que alguém fala, onde é falada, opera sobre o ser falante, situa-o, fá-lo habitar um certo lugar, esse lugar Outro. Também a cor da pele e as designações que lhe são atribuídas, o local de onde provimos, a família, a história, tudo isso marca. Para os homens e mulheres que vêm de países outrora colonizados por Portugal, sobretudo dos africanos, esse é um lugar muito difícil no que respeita à subjectivização, como Joaquim Ventura, o morto, bem revela.  

 

Se falo destes crioulos como se de identidade se tratassem, como se os sujeitos racializados que habitam os bairros pobres de Lisboa ocupassem todo o território de exclusão, ou como se a Cova da Moura fosse a representação espacial de todos os sujeitos racializados e excluídos, é porque assim me parece, não de um ponto de vista quantitativo, como é evidente, mas, a partir da perspectiva deleuziana, de quem sabe que é a minoria que opera, em potência, o devir revolucionário, possibilidade estrita nos limites da maioria. Ou seja, só a partir de um lugar de margem é que a minoria pode operar a transformação. 

 

Claridosos nas trevas

 

Vitalina chega descalça ao aeroporto, outras mulheres, vestidas no uniforme da empresa de subcontratação para prestação de serviços de limpeza, esperam-na; dizem-lhe “vai-te embora, aqui não há nada para ti”. Uma vez em Portugal, embora haja uma dificuldade imensa num lugar a ocupar, o regresso parece impossível e isto tanto vale para Vitalina como para muitos outros: “Estava esperando minha passagem de avião para Portugal há 40 anos. Eu ficarei pelo resto da minha vida”. Essa dificuldade em ter um lugar, ela é dita de várias formas: aqui só haverá lugar para mortos, adivinha-se, não há lugar para vivos desejantes. Assim o padre (que também é Ventura) lhe diz “nada resta para você aqui”, por outro lado, diz-lhe que também está de luto: “você perdeu seu marido, eu perdi minha fé nessa escuridão.”

 

Vitalina tem, de resto, um luto para fazer e vai dialogando com o seu morto e com o padre, sempre em contracena com Ventura: então, vela as fotos, as memórias, e tem o apoio da comunidade cabo-verdiana. 

 

À conversa com o fantasma

 

Em termos psicanalíticos, o conceito de fantasma1 respeita simultaneamente ao efeito do desejo arcaico inconsciente e à matriz dos desejos actuais, mais ou menos inconscientes. Lacan define o fantasma como superfície encobridora do real, incluindo diversas representações do eu, do outro imaginário, da mãe originária, do ideal do eu e do objecto; destaca a sua natureza de linguagem. O fantasma teria, assim, um carácter trans-individual, participando nos campos do simbólico e do imaginário. Maria Belo resume da seguinte forma: “o fantasma é o cenário que põe o desejo em cena; este cenário, tendo várias formações possíveis é, no entanto, estruturalmente semelhante para todos numa mesma estrutura cultural, mas específico na forma como, falando na sua história, ele se constrói para cada um”.

 

Uma frase evoca o fantasma do colonialismo e a frase ecoa e persiste nas sombras: há que aprender a falar português para falar com os espíritos. Também as cartas de amor de Vitalina a Ventura foram escritas em português. 

 

Noutra cena, vemos Vitalina no telhado da casa em Portugal, como que navegando no mar tempestuoso, e, logo de seguida, Vitalina e Joaquim em Cabo Verde; diz Vitalina: “nós viemos da escuridão” e, no entanto, para ela, o amor em que um dia se encontraram é clareza, é luz. Pois, em todo o filme, está presente o confronto entre as sombras da pobreza do bairro e a claridade cabo-verdiana, excepção feita às cenas no cemitério, diurnas em céu nublado, ou não circulassem os claridosos2 nas várias tonalidades da treva.

 

Já no final, Vitalina pergunta ao seu fantasma: “se eu falar português, você fala comigo?”. Então, o fantasma e Vitalina, juntos, relatam parte fundamental do mito cristão, o beijo de Judas, o modo como entregou Jesus dizendo: “que Deus te salve, mestre”. Pois, dizem, “era duro o caminho, dos dois lados”, sim, o caminho foi duro, em ambos os sentidos. O som de fundo é o de uma enxada a cavar a terra, e eles recordam a crucifixão de Jesus, falando da treva que cobria todo o mundo quando, de repente, uma luz alumiou a face de Jesus, aquela que Judas não beijou, e o mundo fendeu-se em dois, luz e escuridão… “é dessas sombras que nós somos feitos”, conclui Ventura, nós que vivemos nessa escuridão. 

 

A terra prometida

 

Espelhando o início, o filme termina com um enterro, o de Marina, a mulher mar, uma morte provocada pela queda de uma vela: “Marina morreu ontem, uma vela caiu no seu colchão”. Impossível não notar a semelhança dos significantes na morte e na navegação, na vela que tomba, na vela do barco, no velar dos mortos, o colonialismo que se (re)vela, no lugar de homem, no bairro, no beco, na casa, no seu lugar de trabalhador, na exploração, na língua, pois o fantasma persiste, insiste, por mais que se tente recalcá-lo.

 

Morreu Marina, mar no feminino, e recordo que: “O mar tem caprichos de mulher. É preciso acarinhá-lo, cantar-lhe canções muito tristes. Para seu dorso de gigante se entorpecer, tolhido na tristeza vaga que vem nas asas das cantigas. (…) O mar é fêmea (…) O mar era a abertura que os enxadeiros tinham para o mundo”3.

 

Qual o lugar dos mortos e qual o lugar dos vivos, parece interpelar-nos a última cena: no cemitério, com Vitalina de um lado e, do outro, o padre, vêem-se placas numeradas, lajes e montes de terra: será essa a única terra prometida?

 

Estranhamento familiar

 

Sobre a língua portuguesa, essa língua que é preciso saber falar para falar com os mortos, é precisamente a língua em que se recalca o colonialismo, em que o seu fantasma se mantém vivo, activo e actuando, e isso em Portugal, como na Guiné, Angola, Moçambique e Cabo Verde com suas idiossincrasias. O crioulo, como língua apropriada, vai circulando nos seus desvios do português, na sua musicalidade, na sua sintaxe própria. Se é verdade que a subjectividade sempre se constrói e dissimula através do mito e da fantasia, na e pela fala, não é precisamente o papel do poeta, do realizador, do artista, o de revelar (ou velar) as ideologias por detrás? Abrindo caminhos, libertando desvios? Ou de outro modo: expondo as estruturas de protecção (na língua) das quais se rodeia o sujeito na sua relação com o real? 

 

Não será isso mais rico e complexo do que impor, por tratado, uma grafia idêntica, uma centralidade lusófona que, a pretexto de interesses e vantagens mercantis, acaba por cilindrar as diferenças? Refiro-me agora ao acordo ortográfico de 1990 e às pretensões unificadoras e quantitativas de alguns dos seus defensores. Não seria muito mais precioso e culturalmente fértil lutar por um espaço criativo que implicasse a escuta das outras singularidades, construídas nesse português assimilado e apropriado, transformado? Não se permitiria, assim, ventilar melhor os fantasmas bafientos do colonialismo, dar-lhes outras tonalidades, expô-los a outras luzes? Talvez assim não fossem tão necessárias as legendas.

 

Pedro Costa traz-nos essa escuta de outra voz, de outro português, tão familiar enquanto se estranha. Vitalina Varela é uma lufada de ar fresco no beco hermético do colonialismo, um descobrimento do colonialismo, por assim dizer.

 

Subjectividade vs uniformização mercantil

 

Tomar a palavra consiste em fracturar a massa imponente de uma língua, para aí abrir uma brecha4, trata-se da emancipação própria ao acto da fala, e isso em todas as línguas. A propaganda de uma suposta unificação que seria promovida pelo acordo ortográfico, não vai exactamente no sentido contrário? Ao não se expressar a diferença da fala na escrita, não se estará a contribuir para o esquecimento da realidade histórica da nossa colonização? Não será o acordo ortográfico, nos termos em que foi feito, sintoma desse esquecimento? E simultaneamente cortam-se as raízes latinas da língua: como se a presente geração não nascesse de outras gerações, mas simplesmente tivesse aparecido, inteira sem história, numa espécie de geração espontânea, chocada na ideologia capitalista e pelas virtudes da tecnologia, escondendo as problemáticas próprias da filiação na poda etimológica e na eficácia da literalidade. 

 

Este processo de uniformização linguística imposta verticalmente e através de tratado, que não tem em conta as diferentes utilizações da fala, as suas realidades e influências africanas, lembra a evangelização colonialista e todas as “boas intenções” da dominação feudal, ou como os arautos de um português único não se cansam de promover: trata-se de algo muito benéfico para o mercado.

 

Se trazer o assunto do acordo ortográfico para esta análise, pode parecer um tanto forçado, importa que se levantem estas questões quando se trata de analisar a língua e um longo passado comum. Tens de aprender a falar português para falar com os mortos. Nos dias seguintes a ter visto este filme, fui perseguida por essa frase. Pensar o esquecimento estrutural e sistemático de mais de 500 anos de colonialismo, a nossa língua comum, inegável herança colonial, os diferentes crioulos portugueses, o acordo ortográfico e a lógica que lhe subjaz e, sobretudo, a forma como não se fala sobre nada disto na sociedade portuguesa: tudo isto são questões fundamentais que devem permanecer abertas, que devem ser faladas, pensadas, discutidas, sem receio dos fantasmas que tais falas venham a convocar, pois os fantasmas serão sempre mais rígidos e inescapáveis, quando mais ecoarem no silêncio. A lógica unificadora e mercantil que subjaz ao acordo ortográfico, tende mais para um fechamento, censura e corte de caminhos metafóricos e metonímicos possíveis, em suma, para o esquecimento de uma memória comum, do que para o encontro, abertura ou construção histórica partilhada. Não seria mais prolífero o desenvolvimento de projectos que promovessem a produção e divulgação de objectos culturais de países de língua oficial portuguesa, num português dado a conhecer na sua riqueza e diferença?  

 

Mas mesmo quando não se fala, isso fala… 

 

Em tempos de pandemia, de perda de direitos individuais, colectivos e laborais, e de uma crescente pobreza e exploração daqueles que têm como única forma de sobrevivência o trabalho, importa, por fim, trazer outro assunto, indissociável das questões do colonialismo: o 25 de Abril de 1974 e o fim da guerra colonial. Revolução dos Cravos do ponto de vista fonético é extraordinariamente próximo de Revolução dos (E)scravos – e não é preciso ter sotaque da Beira, embora facilite, para que soe assim: o inconsciente faz-se ouvir, ele insiste, mesmo onde o esforço para o encerrar é grande! A verdade é que os festejos do 25 de Abril, ano após ano, têm sempre mantido relativamente bem escondida, discreta, a importância que a justa luta pela independência dos povos africanos teve no derrube da ditadura portuguesa, ainda assim, sem consciência, devido a um acaso, chamamos-lhe Revolução dos (E)scravos. Não fosse forte a tendência em poder para esconder séculos de colonialismo e a emancipação dos povos africanos e estaríamos mais próximos do devir revolucionário experimentado em Abril de 1974.

 

Nota 

Este texto foi provocado pela participação no cartel Nós, a Voz e Avós (o cartel é um dispositivo de transmissão de saber das escolas psicanalíticas lacanianas, no caso o Centro Português de Psicanálise e o Fórum Lacaniano Brasil, consistindo na formação de um grupo de 4+1 elementos que se debruça sobre um determinado assunto, durante um dado período de tempo, seguindo uma certa forma de construção de saber que é psicanalítica) agradeço pelo frutífero questionamento e partilha carinhosa à Glaucia Nagen, à Lucília Sousa, à Raquel Laranjeira Pais e à Susana Travassos.

 

  • 1.Para aprofundar este assunto: Lacan, J. (2008). A Lógica do Fantasma - Seminário 1961-1962. Centro de Estudos Freudianos do Recife. Recife. Aceder em http://clinicand.com/wp-content/uploads/2020/06/14-Jacques-Lacan-O-Semin... e Belo, M. (2007). Filhos da Mãe. Edeline. Lisboa: pp.91-159.
  • 2.Referência ao movimento literário e cultural iniciado com a publicação da revista Claridade em 1936, que inicia a mistura literária entre as estruturas do português clássico e da língua crioula, Belo, M. (2007). Filhos da Mãe. Edeline. Lisboa: pp. 189-236.
  • 3.Lopes, B. (1997 1947) Chiquinho. Mindelo. Calebedotche: 174-175, citado por Belo, M. (2007). Filhos da Mãe. Edeline. Lisboa: pp 215.
  • 4.Roubei esta expressão de Toumson, R. (2000). Metáfora e Alteridade. Um Inconsciente Pós-colonial – se é que ele existe. Artes e Ofícios, Porto Alegre. Publicação dos ciclos de conferências organizados pela Association Freudienne Internationale e pela Maison d’Amerique Latine, a conferência referida foi proferida a 16 de Novembro de 1993 no 2.º ciclo de conferências “O inconsciente e as línguas”.

 

 Joana Lamas

(*) (Psicanalista, membro do Centro Português de Psicanálise – Associação Lacaniana Internacional)


Afroscreen | 21 Abril 2021  

 

Fonte:   https://www.buala.org/pt/afroscreen/o-recalcamento-do-colonialismo-a-partir-de-vitalina-varela

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:50

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Segunda-feira, 29 de Março de 2021

Engana-se quem diz que o Português é a Língua mais falada no Hemisfério-Sul e arredores (*)

 

Há quem queira esticar a corda, para parecerem muitos, e justificar uma unificação de grafias que jamais acontecerá. E há também quem tenha a alucinante pretensão de que a NOSSA Língua Portuguesa venha a ser uma Língua oficial da ONU. Poderia até ser se esses “milhões” de pretensos falantes, falassem, de facto, Português. Mas não falam, nem escrevem em Português.

 

A matemática dos “milhões” (com um elevadíssimo índice de analfabetos) que serve de base ao insano AO90, peca por estar muito aldrabada. Senão vejamos por que é uma falácia dizer que “milhões” falam Português. Se bem que os oito países lusófonos, que integram a eivada de colonialismo e inútil CPLP, tenham (ainda) a Língua Portuguesa como Língua Oficial, por meros interesses político-económicos, mas não linguísticos.

 

lingua-portuguesa-no-mundo.png

Imagem: Reprodução

 

Porém, de facto, o único país onde se fala, quase a 100% Português, é Portugal, tendo o Mirandês também como Língua oficial. A estas duas Línguas acrescentem-se os dialectos Madeirense e Açoriano. E, no mundo, falar-se-á Português, onde quer que exista uma comunidade portuguesa, se bem que as novas gerações sejam, no mínimo, bilingues: falam a Língua dos Pais e a do País que os acolheu.

 

De resto, eis o que na realidade se passa:

 

- No Brasil, fala-se a Variante Brasileira,  oriunda do Português ou Crioulo Brasileiro, ou seja, uma línguaoriginada pelo contacto intenso do Português com as línguas, nativas ou não, faladas numa região;  a acrescentar a este, existem mais 274 línguas diferentes, faladas pelas 305 etnias indígenas; a estas, juntem-se mais as seguintes línguas regionais, bem enraizadas no quotidiano brasileiro:  Alemão, Castelhano (nas áreas fronteiriças), Hunsrik, Italiano, Japonês, Polaco, Ucraniano, Inglês, Pomerano, Talian, Chinês e Coreano.  

 

- Em Cabo Verde fala-se o Crioulo Cabo-verdiano, oriundo da Língua Portuguesa, usado no quotidiano das pessoas, como Língua primeira, e o Português, como Língua estrangeira. Isto, oficiosamente, porque a Língua oficial, continua a ser a Portuguesa, por motivos políticos.

 

- Em Angola a Língua oficial é a Portuguesa, contudo a maioria da população angolana fala, como primeira língua, algumas das línguas angolanas, a saber: o Umbundo, o Kimbundu, o Quicongo, o Chócue, o Nganguela, o Kwanyama, além de dezenas de outros dialectos.  

 

 - Em Moçambique a Língua oficial é a Portuguesa, mais utilizada no meio urbano. Contudo, existem 43 línguas nacionais, das quais 41 são línguas Bantu, faladas no meio rural, as quais me abstenho de mencionar por serem demasiadas.

 

- Na Guiné-Bissau predomina o Francês, nas universidades (por motivos de vizinhança) e o Crioulo da Guiné-Bissau, oriundo do Português, é a língua franca da Guiné-Bissau, e é falado por cerca de 70% da população total do país.

 

 - Em São Tomé e Príncipe, o Português como língua oficial é falado apenas virtualmente pela população, porque o que predomina são os crioulos desenvolvidos a partir do Português como o Forro, o Angolar e o Principense. Mas também é ali bastante falado o Crioulo Cabo-verdiano, o Português dos Tongas e resquícios de Línguas do grupo Bantu. Contudo, actualmente, o Francês e o Inglês são também profusamente falados no país.

 

- Em Timor-Leste, de acordo com a Constituição do país, o Tétum, que sofreu influências da Língua Portuguesa (uma Língua de elite em Timor), é a Língua Nacional, mas também Língua Oficial, que partilha com o Português. A estas, juntam-se mais as seguintes quinze Línguas Nacionais faladas pelo povo timorense: Ataurense, Baiqueno, Becais, Búnaque, Cauaimina, Fataluco, Galóli, Habo, Idalaca, Lovaia, Macalero, Macassai, Mambai, Quémaque e Tocodede. 

 

- Na Guiné-Equatorial, metida à força, no grupo dos países da CPLP, por questões meramente economicistas, NÃO SE FALA Português, mas sim o Castelhano e o Francês. Aqui tem-se a pretensão de criar escolas para se aprender o Português. Mas qual Português? Obviamente o Crioulo Brasileiro, oriundo do Português, aliás já bastamente disseminado pela Internet, com a bandeira brasileira.

 

- Em Macau já pouco se fala Português, a Língua predominante aqui é o Mandarim.

 

***

Feitas bem as contas, a Língua Portuguesa nem pouco mais ou menos é falada pelos “milhões” que, falaciosamente, os predadores da Língua Portuguesa (brasileiros e portugueses) propagam, para justificar a imposição (ilegal) do AO90.

 

O facto é que tudo bem espremidinho, e tendo em conta que Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste não ratificaram o AO90, e que Cabo Verde tem o Crioulo Cabo-verdiano como primeira Língua, e São Tomé e Príncipe está-se nas tintas para o AO90, quem sobra para defender o indefensável? O Brasil, o mais interessado nesta questão, pois é a sua VARIANTE que pretendem impor à CPLP e ao muito servilista Portugal. E tendo ainda em conta que apenas uma fatia seguidista de Portugueses aplica o AO90, pretender que a Língua Portuguesa tenha a importância que lhe querem atribuir, no plano internacional, é da mais cristalina estupidez.


E sim, concordo com o que diz Olavo de Carvalho.

 

Olavo de Carvalho.jpg

 

Ao suficientemente idiota que apareceu no Brasil, somam-se os idiotas portugueses que, deslumbrados com os falsos “milhões” de falantes, e imbuídos do complexo de inferioridade que os faz rastejar aos pés do gigante, andam por aí a justificar o Acordo Ortográfico de 1990, com a colossal e imbecil falácia da defesa do papel da Língua Portuguesa à escala internacional.

 

Que papel? Que Língua Portuguesa?  A quem querem enganar e fazer de parvos?

 

E pensar que a Língua Portuguesa, GENETRIZ de toda esta diversidade e riqueza de Crioulos, que disseminou pelo mundo, está a ser empobrecida, esmagada, reduzida a uma insignificante imitação ridícula e imperfeita da Língua que já foi, dá-me ímpetos de maldizer todos (os que obrigam e os que se dizem obrigados a…, mas não são) os que estão a contribuir para este monstruoso retrocesso linguístico, sem precedentes na História de Portugal.

 

E citando Maria Alzira Seixo, ao comentar uma publicação no Facebook: «Obrigar as pessoas a escrever mal, nem o próprio Salazar o teria feito. Até porque Salazar sabia escrever, ao menos».

 

Isabel A. Ferreira

 

Nota: artigos que me levaram a escrever este texto:

Português, a língua mais falada do Hemisfério Sul

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/portugues-a-lingua-mais-falada-do-hemisferio-sul-419517

A casa da lusofonia: riqueza linguística

https://eltrapezio.eu/pt-pt/opiniao/a-casa-da-lusofonia-riqueza-linguistica_18416.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:17

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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2020

Apontamentos sobre a Língua Portuguesa e o AO90 (*)

 

Um apanhado do que por aí se diz, a este respeito.

Tudo já foi dito e esmiuçado.

 

O facto é que, em Portugal, não existe um governante sequer, com capacidade de ver o óbvio e acabar com a fantochada do AO90, não digo palhaçada para não ofender os mui digníssimos palhaços, que têm muito mais dignidade do que aqueles que, sem saberem o que fazem, o que dizem e o que escrevem, estão a contribuir, aceleradamente, para o analfabetismo funcional e para a iliteracia, no nosso desventurado País, que anda por aí,  sem rei nem roque.

Isabel A. Ferreira

 

ANTÓNIO EMILIANO.png

 

Jamais a Variante Brasileira da Língua Portuguesa terá lugar na ONU, porque na ONU só vigoram as Línguas originais. Não as variantes.

 

E é da Variante Brasileira da Língua Portuguesa que os acordistas falam, quando falam da implantação do Português na ONU. 

 

Além disso, a Língua Portuguesa acordizada não tem prestígio algum, em parte alguma. Não se sabe qual a intenção das mentiras que por aí circulam, a respeito do falso prestígio do AO90.

 

O maior acinte que se faz à Língua Portuguesa não é o uso de palavras inglesas. É sim, o uso de palavras brasileiras, que desvirtuam a Língua Portuguesa e fazem-na recuar a uma variante ( = dialecto) oriundo dela própria. E a isto chama-se retrocesso.

 

O PS está comprometido com isto até à ponta dos cabelos. O AO90, projecto nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss,   foi desde o início um empreendimento com fins lucrativos, apoiado por uma poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portugal (in O Diabo).

 

Há quem diga que o intuito dos esquerdistas brasileiros é colonizar o ex-colonizador através da Língua, e que o intuito dos esquerdistas portugueses, que estão agora no Poder (e não só), é rastejar aos pés do Gigante, para se tornarem visíveis no mundo.  E se assim é, estão a conseguir, mas pela negativa: estão a apequenar-se. Pobrezinhos!

 

***

 

Comentário no post «O português brasileiro precisa de ser reconhecido como uma nova língua»

 

Concordo plenamente consigo. Não percebo porque é que os brasileiros ficam ofendidos quando alguém lhes diz que eles falam brasileiro? Eu, no entanto, sinto amargura quando em qualquer site ou aplicação do telemóvel procuro o idioma português e em vez de ter a bandeira portuguesa a representar, tem a brasileira. Sou a favor dos brasileiros assumirem a própria língua e que o governo português desista de alterar o acordo ortográfico, como se estivessem desesperadamente a tentar manter o mínimo de ligação entre Portugal e Brasil. De que vale dizer que o Português é das línguas mais faladas no mundo quando na realidade referem-se ao português brasileiro??

Batista a 16 de Junho 2020, 00:01

 

Caro Batista,

 

O texto não é meu. É assinado por um brasileiro. Mas estou absolutamente de acordo com ele.


Também não percebo por que é que os brasileiros não aceitam o óbvio. Eu tenho uma teoria, que também não é inteiramente minha, porque a retirei de um contexto que me levou a isto: a mal informada, malformada e ignorante esquerda brasileira pretende colonizar Portugal através da Língua, como “vingança por terem sido colonizados pelos Portugueses, e não pelos Ingleses». E eu acredito piamente nisto.


Tudo leva para esse caminho, incluindo o das bandeirinhas. A bandeira portuguesa desapareceu da Internet, para assinalar o “Português”. E isto o que será?

 

Estou completamente de acordo consigo:  de que vale dizer que o Português é das línguas mais faladas no mundo, quando na realidade se referem ao “brasileiro” (retiro-lhe o “português” porque é uma designação errada) que será a nova língua do Brasil. Tão certo, como eu estar aqui a escrever isto. (Isabel A. Ferreira)

 

***

«Avestruzes e a enxurrada de disparates: laticínios virá de lata, adoção de doces, adotar de dote, coação (de pessoas) de coar? Ótica será da família de otite? Conceção difere de concessão, receção de recessão, interseção de interceção?! Mas qual é a razão para não reconhecerem que o AO90 correu mal? Por que razão os políticos não desenterram a cabeça da areia?!»  (José Sousa Dias)

 

 ***

 

No Líbano fala-se, além do Francês, e alguns dialectos, o Árabe Libanês, que é uma variante do Árabe falado no Líbano, (tal como a variante brasileira do Português) embora muitos considerem o Libanês uma língua separada (tal como no Brasil e fora dele há quem considere, inclusive linguistas brasileiros, a Variante do Português falado no Brasil uma língua separada – o Brasileiro.

 

O senhor Antônio Houaiss era brasileiro nato, filho de libaneses, com todo um passado e antepassados libaneses. Nada o ligou nunca a Portugal e à Língua Portuguesa. O senhor Houaiss conhecia a Variante Brasileira do Português, que quis deslusitanizada (isto dito por ele) e os seus dicionários são a maior prova disso.  E deslusitanizar significa afastar o Português, da sua Matriz.

 

Os Portugueses não têm nada que gostar ou não gostar do que os Brasileiros falam ou escrevem. Os Portugueses sabem, como todo o mundo sabe, que no Brasil escreve-se e fala-se uma variante do Português, que o maior dialectologista português, Leite de Vasconcelos, considerava dialecto, e que significa o mesmo que variante.

 

Brasil e Portugal não falam a mesma Língua: em Portugal fala-se Português. No Brasil fala-se a Variante Brasileira do Português. 

 

Português falam e escrevem os africanos de expressão portuguesa (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, etc.), porque estes não deslusitanizaram o Português, e escrevem-no e falam-no à moda Portuguesa. Os Cabo-verdianos falam e escrevem o Crioulo cabo-verdiano, e que já é Língua Oficial, oriundo do Português. Um dia será a vez do Brasil.

 

Quando um português e um brasileiro vão à televisão debater qualquer assunto, até as crianças dizem que um fala Português e o outro fala Brasileiro. Isto é elementar.

 

O Brasil mantém o “português” na Língua por conveniências políticas, contudo, a bandeira que a caracteriza é a brasileira. E só uma questão de tempo, para retirarem o “português” da designação da Língua.

 

Numa coisa os Brasileiros têm razão: a reclamação a fazer será junto às universidades e academia de letras portuguesas, bem como junto aos políticos portugueses que, atacados por um gigantesco complexo de inferioridade, acharam que se se colassem ao Brasil, no que respeita à Língua, agigantavam-se. Mas esqueceram-se de um pormenor: a língua que o Brasil fala e escreve já não é portuguesa. E isto é tão desprestigiante para Portugal que a imprensa internacional noticiou o Acordo Ortográfico de 1990 (que substituiu a grafia portuguesa pela brasileira, na sua generalidade) como sendo a primeira vez na História que uma ex-colónia (Brasil) determina como o ex-colonizador (Portugal) vai escrever a própria Língua (a Língua Portuguesa, a oficial, a Materna) no presente e no futuro. Este isto é vergonhoso para Portugal e para os Portugueses.

 

Por isso, quem ama a Língua e a Cultura e a História Portuguesas e Portugal lutará para que o Brasil fique com a sua Variante, e Portugal fique com a Língua Portuguesa, a original, até porque seria um retrocesso se Portugal trocasse a sua Língua por uma Variante de si própria.

 

Mas o problema não é dos Brasileiros, que puxam a brasa para a sardinha deles (como se diz por cá). O problema é dos políticos portugueses, complexados, ignorantes e cheios de interesses obscuros. Ou melhor, são bons paus-mandados.

***

 

 

Os Brasileiros são contra a aberração que o AO90 representa apenas devido aos acentos e hífenes. A restante “grafia”, ou seja, a supressão dos pês e dos cês, onde eles são absolutamente essenciais (para nós, mas não para eles) e que eles suprimiram e que o AO90 impõe, faz parte da grafia brasileira: setor, diretor, adotar, adoção, afeto, aspeto, e todas as outras palavrinhas sem sentido para os Portugueses, mas não para os Brasileiros, onde se suprimiram os pês e os cês. À excePção de excePção e suas variantes; infeCção e suas variantes; recePção e suas variantes, e demais vocábulos (uns poucos) que os Brasileiros escrevem correCtamente, e os Portugueses escrevem mal, de um modo básico, primário, a roçar o analfabetismo.

 

Isto é um facto, mais do que comprovado, por quem tem o cérebro a funcionar em pleno, conhece a Variante Brasileira da Língua Portuguesa, tanto quanto conhece a Língua Portuguesa.  

 

E Brasileiros e Portugueses não estão do mesmo lado da barricada, nesta matéria. Isto é uma falácia. Aparentemente parecem estar. Mas não estão.

 

Os Brasileiros são os únicos, dentre os restantes povos lusófonos, que só têm a ganhar se Portugal ceder às pretensões de se fixar na grafia brasileira. Para eles é uma questão apenas de acentuação e hifenização. Para os Portugueses é tudo: acentuação, hifenização, grafia, identidade, dignidade e tudo o resto.

 

O AO90 só se mantém devido à falta de informação que por aí circula. Os meios de comunicação social servilistas estão proibidos de informar a este respeito. E se não fosse essa desinformação, e o complexo de inferioridade dos políticos portugueses, e os suportes obscuros que os motivam, o AO90 há muito que já se tinha extinguido.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:41

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Sábado, 19 de Setembro de 2020

«Enquanto presidente da Academia Angolana de Letras, Paulo de Carvalho diz subscrever “inteiramente” a não ratificação, por Angola, do Acordo Ortográfico de 1990» (*)

 

Portugal cada vez mais isolado na sua vocação servilista.

Portugal: vergonhosamente só, com a sua mixórdia ortográfica!

 

Portugal e Brasil arvoraram-se em “donos” da Língua Portuguesa, e engendraram o AO90, esquecendo-se de que os Africanos, de expressão portuguesa, falavam e escreviam um Português, que não foi adulterado, como no Brasil, onde políticos esquerdistas, pelo facto de serem milhões (mas não só) entenderam que deviam impor aos restantes países da dita lusofonia, a VARIANTE BRASILEIRA da Língua Portuguesa. E apenas Portugal, muito servilmente, se vergou a esta pretensão.

 

Os Cabo-verdianos já oficializaram a VARIANTE CABO–VERDIANA (o Crioulo Cabo-verdiano) da Língua Portuguesa.

 

Por que não Angola ter também a sua própria VARIANTE ANGOLANA da Língua Portuguesa?

 

Eis o que Paulo de Carvalho, Presidente da Academia Angolana de Letras, defende, no artigo que aqui se transcreve, publicado na Agência Angola Press

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Porque é um facto indesmentível que o Português, que os Portugueses espalharam pelo mundo, enriqueceu-se com os dialectos dos povos locais, e transformou-se num outro Português, que deve seguir o seu caminho, desatrelado da Língua-Mãe: a Língua Portuguesa. Não foi assim com o LATIM, que originou as Línguas Românicas, das quais o Português faz parte?


FORÇA ANGOLA!

 

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É isto, assim, tal e qual. De que andaram à espera os governantes portugueses, mais Marcelo Rebelo de Sousa, Chefe do Estado Português, que nada fizeram para preservar a Língua Portuguesa, em Portugal? Enquanto que em Angola é como diz Ondjaki:

Ondjaki.jpg

Paulo de Carvalho.jpg

Paulo de Carvalho, Presidente da Academia Angolana de Letras

 

«Angola: Académico defende português angolano»

16 Setembro de 2020 | 22h39 - Educação

 

Luanda - O presidente da Academia Angolana de Letras, Paulo de Carvalho, defende, em entrevista à ANGOP, que académicos e linguistas trabalhem para a adopção oficial de uma variante da língua portuguesa, em Angola, com base em regras devidamente definidas.

 

A este propósito, Paulo de Carvalho diz ser “absolutamente” recomendável considerar a sugestão de linguistas, sociólogos e antropólogos, no sentido de “legitimação” de um português angolano.

 

O igualmente sociólogo e professor catedrático, na Universidade Agostinho Neto, sublinha que “o que os linguistas e outros profissionais devem fazer é indicar as características dessa variante”.

 

“Qualquer língua possui regras, que devem ser seguidas no ensino e na comunicação social”, alerta Paulo de Carvalho, antes de chamar a atenção para o facto de que “uma coisa é a variante da língua portuguesa e, outra, falar mal o português”.

 

Em relação ao imperativo de se falar bem a língua portuguesa, Paulo de Carvalho defende a introdução de exames “obrigatórios” de português na transição do ensino básico para o secundário.

 

“A partir do momento em que o sistema prevê exames, então o português deve ser uma das disciplinas com obrigatoriedade de exame”, diz.

 

Para o entrevistado, a “grande maka” tem a ver é com os professores de português, que deveriam ser eles examinados anualmente, em primeiro lugar”.

 

Quanto à construção da variante da língua portuguesa de Angola, Paulo de Carvalho diz ser um processo que “demora” sempre algum tempo e que “exige” recursos.

 

“Trata-se de um processo moroso, que, felizmente, até já foi começado ao nível do Ministério da Educação. Era preciso pegar no que já foi feito, incluir investigadores de algumas áreas que não têm normalmente sido consideradas e elaborar um programa com acções concretas”, diz.

 

Enquanto presidente da Academia Angolana de Letras, Paulo de Carvalho diz subscrever “inteiramente” a não ratificação, por Angola, do Acordo Ortográfico de 1990.

 

“Enquanto se considerarem apenas as questões fundamentais que o Brasil e Portugal levantam, e se esquecerem as questões linguísticas fundamentais dos países africanos, não podemos ratificar esse acordo”, sublinhou.

 

Na sua opinião, os mitos da uni(ci)dade, da simplificação pedagógica e da parcimónia como a filosofia geral da estruturação do referido Acordo “teriam sustentabilidade” se tivessem considerado as “particularidades” dos países africanos e das línguas africanas, do mesmo modo que, no Brasil, foram consideradas as particularidades das línguas locais.

 

“Enquanto tivermos países subalternizados, sem se considerarem as particularidades das línguas que aí coexistem com o português, não vemos grande possibilidade de ratificação do acordo”, remata Paulo de Carvalho.»

 

Fonte:

http://m.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/mobile/noticias/educacao/2020/8/38/Angola-Academico-defende-portugues-angolano,b907bf51-7c8b-49a0-82d4-30d02699faa7.html?version=mobile

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:37

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Terça-feira, 13 de Agosto de 2019

Uma lusofábula chamada AO90 – para reflectir (*)

 

Todos sabemos que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, encabeçado pelo Brasil e assinado por sete países em 2006, é a maior fraude de todos os tempos.

 

E porque a revogação deste acordo, que nasceu aborto, se impõe cada vez mais, deixo aqui algumas questões levantadas por Paulo Martins, num comentário ao texto 

«Cabo Verde já depositou junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) o instrumento de denúncia do pseudo-Acordo Ortográfico de 1990? Ou há ainda mais algo escondido?»

que exigem resposta clara e urgente por parte das autoridades portuguesas.

 

Hélder Guégés.png

 

Se Cabo Verde adoptou o "crioulo" como língua oficial, continuará a ter estatuto de PALOP?

 

No que concerne ao inenarrável IILP (http://iilp.cplp.org/), e restante "estrutura linguística" da também inenarrável CPLP, continuará a ter sede em Cabo Verde? Se sim, que sentido faz?

 

Na prática o IILP deveria chamar-se IILB (Instituto Internacional da Língua Brasileira).

 

Já agora, os contribuintes portugueses continuarão a sustentar com milhões de euros anualmente este país insular, numa época em que Portugal sofre tantas carências a nível educativo e de saúde?

 

Exigirão oficialmente as autoridades portuguesas a desvinculação formal de Cabo Verde do tratado de acordo ortográfico, ou fica tudo bem assim como está?

 

O AO90 é também ele uma enorme ilegalidade que assenta em pressupostos ilusórios e ilegais. Parece que a lusofonia se está a desintegrar, mas o governo e o PR Marcelo "das selfies" fingem que não sabem e persistem teimosamente em manter o AO90, que tão lesivo é para Portugal e a Língua Portuguesa. Enfim, insistem em manter esta lusofábula.

 

Paulo Martins

 

***

 

Estava marcada para hoje, a discussão da revogação do AO90, no Brasil.

 

Se o Brasil revogar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), todos os países da dita lusofonia, sairiam a ganhar, e acabava-se de uma vez com este jogo nada limpo, porque, como já se sabe, o AO90 é uma fraude, e não existe, de facto, no Direito Internacional.

 

Cabo Verde já não pertence à lusofonia, porque adoptou o Crioulo Cabo-verdiano como Língua Oficial. O Português é língua estrangeira.

 

São Tomé e Príncipe não o aplicou. A Língua dominante em São Tomé é o Francês.

 

No Brasil, apenas uma minoria sabe o que é o AO90, e não é aplicado pela maioria.

 

Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste não querem saber de acordo algum.

 

Em Portugal, devido à imposição ilegal e inconstitucional do AO90, a contestação à sua aplicação é enorme, e apenas um grupo restrito o aplica, ou por ignorância, ou por servilismo ou por mera chantagem. Na verdade, a maioria do povo português nem sabe o que isso é. e os que o seguem, seguem-no por simples vocação para o seguidismo.

 

De modo que revogar o AO90 é a atitude mais inteligente.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:22

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Quarta-feira, 31 de Julho de 2019

Acordo Ortográfico de 1990 ou a Conspiração do Silêncio! (*)

 

Há já vários dias, lemos uns comentários sobre um pequeno artigo publicado neste Blogue.

Ver aqui:

«CABO VERDE JÁ DEPOSITOU JUNTO DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS (MNE) O INSTRUMENTO DE DENÚNCIA DO PSEUDO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990? OU HÁ AINDA MAIS ALGO ESCONDIDO?»

 

Este artigo diz respeito à questão de CABO VERDE ter rejeitado a Língua Portuguesa, e ter declarado o CRIOULO CABO-VERDIANO língua oficial daquele arquipélago, desde o ano lectivo de 2017, o que levou a esta pergunta:

 

MNE.png

 

Para se compreender melhor o porquê desta pergunta, aconselhamos que se leia um artigo do Jornal Público, do dia 25 Julho de 2019, sob o título «O Acordo Ortográfico ainda é uma caixinha de surpresas».  

Ver aqui:

https://www.publico.pt/2019/07/25/culturaipsilon/opiniao/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-1880995

 

Pergunta essa que levanta o que se afigura cada vez mais como uma bomba relógio, ou seja, a impossibilidade, até à data, de acesso e verificação da existência dos instrumentos de ratificação do pseudo-acordo ortográfico de 1990, depositados junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

 

Aconselhamos novamente a leitura do artigo do Público, já referido, e do qual citamos o seguinte:

«O bem-amado kaiser não teve tempo para responder (tão ocupado que andará) a um requerimento do coordenador e relator do Grupo de Trabalho para a Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, onde este requeria acesso aos instrumentos de ratificação do AO depositados à guarda do MNE, o seu ministério. Em trinta dias (prazo legal para o governo responder a requerimentos deste tipo), a resposta foi o silêncio

 

 Ora bem, aqui temos a palavra chave: SILÊNCIO

 

Aqui não se trata de teorias da conspiração, mas sim de uma verdadeira CONSPIRAÇÃO do SILÊNCIO!  E, segundo reza o ditado: «Quem cala consente», e nós acrescentaríamos «consente e esconde?»    

  

Senão examinemos, estes três exemplos, embora haja mais.

 

1)- O Supremo Tribunal Administrativo (STA) examina desde 2014 a inconstitucionalidade do acordo ortográfico (Processo 897/2014).

 

Este prazo (2014-2019 = 5 anos) não respeita a jurisprudência dos Tribunais Europeus que, relembram que as sentenças ou acórdãos devem ser tomados em “prazos razoáveis” e, consequentemente, condena os Estados implicados, cujas custas e multas são pagas com o dinheiro do erário público, e não pelos verdadeiros responsáveis.   

 

Até à data de hoje, nada se sabe (pelo menos, no que diz respeito ao MPLP – Movimento em Prol da Língua Portuguesa) quanto ao andamento do Processo Nº 897/2014 do STA. Porquê então este silêncio?

 

2)- A situação é grave para o Património Imaterial de Portugal, do qual a Língua é um elemento/vector essencial.

 

Sem entrar em demasiados pormenores técnico-jurídicos, é facto que a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) Nº 8/2011 é meramente um despacho normativo sem força de Lei e viola o artigo 112º nº 7 da Constituição da Nação Portuguesa (CNP) e, por conseguinte, não pode ser obrigatória para ninguém, em Portugal.   

 

 O que é Lei é o Decreto-Lei Nº 35.229 de 8 de Dezembro 1945, o qual NUNCA foi revogado por outro Decreto-Lei e, consequentemente, o PORTUGUÊS EUROPEU continua, de facto, a ser a LÍNGUA OFICIAL da Nação Portuguesa (artigo 11-3º da CNP), a qual não pode ser alterada para uma grafia estrangeira (no caso a brasileira) oriunda, sem dúvida, do Português, e isto sem uma Revisão Constitucional, a qual nunca seria aprovada pelo Povo Português. 

 

Os Tratados Internacionais (como é o caso do AO1990), em qualquer Estado de Direito, NÃO podem entrar em vigor por simples Resoluções do Conselho de Ministros (RCM 8/2011), ou mesmo através de Resoluções da Assembleia da República, ou Decretos Presidenciais, sem a prévia existência de uma Lei ou de um Decreto-Lei (cf. nºs 1 2 e 7 do artigo 112º e artigo 3º, nº 3 da Constituição).

 

Por conseguinte, o governo de Sócrates, violou escandalosamente a Constituição de um Estado de Direito ao mandar aplicar o abstruso AO199O, através da RCM 8/2011, e deu-se mesmo ao luxo de declarar  que ela tem por base, não uma Lei ou Decreto-Lei, mas sim o disposto na alínea g) do artigo 199 da Constituição, o qual nada tem a ver, com Tratados Internacionais !   (Carlos Fernandes, o AO1990, não está em vigor, página 79).

 

Esta prepotência é apenas digna de uma República das Bananas, e jamais de um Estado de Direito Europeu.

 

Todos sabemos que o Presidente da República Portuguesa é o garante da Constituição.  A Constituição foi violada várias vezes e o Supremo Magistrado da Nação pratica um silêncio atroante, a este propósito.

 

Porquê este silêncioO que é que este silêncio pode esconder?

 

3)- Violação da Convenção da UNESCO de 2013, para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (CSPCI) e consequente queixa contra Portugal.

 

Por cartas datadas de 7 de Setembro de 2018, e 7 de Janeiro de 2019, o Movimento em Prol da Língua Portuguesa (MPLP) apresentou queixa junto da UNESCO por violação da CSPCI, por Portugal.

 

O MPLP recebeu uma resposta da UNESCO por carta datada de 22 Março de 2019: ver Comunicado nº 2 do MPLP neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/comunicado-no-2-do-movimento-em-178490

que necessitou de uma resposta dada a 10 de Abril de 2019 e na qual o MPLP   teve de especificar que a violação da CSPCI não se limitava apenas ao artigo 2, mas abrangia igualmente os artigos 14 (a) (III) e (b), 11 (a) e (b) e (12 e 13) e, para tal, forneceu toda a Fundamentação Jurídica aplicável.

 

A instrução desta queixa segue o seu curso. 

 

E esperamos receber, na devida altura, a decisão que será tomada pelo Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial de Portugal, em aplicação do artigo 7 da CSPCI.

 

No primeiro caso (cartas de 7 de Setembro 2018 e Janeiro 2019), a UNESCO demorou sete meses a responder. O silêncio foi longo, mas foi quebrado.

 

No segundo caso (carta de 10 de Abril 2019), já lá vão quase quatro meses. Desta vez, será que o silêncio vai demorar menos tempo? Mais tempo?  Não sabemos.  

 

Mas o MPLP pergunta, então, desde já, e publicamente, àqueles que impõem o silêncio cá dentro de Portugal se não se vão privar de tentar impor igualmente o silêncio lá fora (através de eventuais pressões políticas e diplomáticas)?

 

Não o sabemos igualmente. Pois compete à UNESCO decidir se aceita a existência também do silêncio lá fora, ou não!

 

Se esse silêncio se mantiver, o MPLP ver-se-á obrigado a perguntar directamente à Directora-Geral da UNESCO, qual a razão desse eventual silêncio.

 

Sejamos, no entanto, optimistas, neste e nos outros casos acima indicados, pois há pressentimentos que nos levam a pensar que há razões para esperar que a Matriz da Língua Portuguesa e o Património Cultural Imaterial de Portugal saiam vitoriosos.

 

Os coordenadores do MPLP

(Movimento em Prol da Língua Portuguesa)

Francisco João Da Silva

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:49

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