Sexta-feira, 12 de Abril de 2019

E ASSIM VAI O INADMISSÍVEL E ARRUINADO ENSINO EM PORTUGAL

 

Ao cuidado de todos os que estão envolvidos no sistema de (des)ensino português, incluindo pais e encarregados de educação.

 

A imagem que aqui reproduzo (tive o cuidado de esconder o nome do Agrupamento, por motivos óbvios) chegou-me via-email, destinada a uma querida aluna, a meu cargo, nestas férias de Páscoa.

 

4º ano de escolaridade.

 

Fotocopiei a mensagem, e dei-a a ler à aluna. Só lhe pedi para ler alto o que a professora escreveu. E aguardei o resultado, esperando que a criança (de 10 anos) tivesse a mesma reacção que eu (porque as crianças não são as estúpidas que os governantes querem que sejam), quando me vi diante deste documento timbrado, do Governo de Portugal, Ministério da Educação e Ciência.

 

Scan.jpg

 

Marquei a vermelho os trechos com os quais a aluna esbarrou e me questionou, com os olhos esbugalhados (e não estou a inventar), e reproduzo fielmente as falas da menina (em sublinhado) que se seguiram.

 

Primeira linha: o trabalho de féria é importe. Hã? Não é assim, pois não?

Não, não é. Então como será?

Imediatamente a menina disse: o trabalho de férias é importante.

Muito bem.

Mas a professora não sabe escrever?

Saberá, mas está baralhada. Continua.

 

Segunda linha: agradeço que percam um pouco do vosso de tempo. O quê? Do vosso DE tempo? É do vosso tempo, não é?

Exactamente.

Mas o que é isto? A professora não sabe escrever?

Estaria distraída.

Sim, sim, ela é muito distraída. Às vezes ela escreve mal no quadro e temos de a corrigir.

Isso acontece. Vá, continua a ler.

 

E fomos parar à sexta sugestão onde se fala de treinar os algoritmos e (…) a subtração (que a aluna leu subtrâção, e muito bem).

 

E mais adiante os números fraccionários (frácionárius), inclusive a (…) subtracção (que a aluna leu subtráção, e muito bem)…

O quê? É subtracção ou subtração?

Não havia como enganar a criança. Jamais o faria.

Expliquei: subtracção (subtráção) é grafia portuguesa, é Português. Subtração (subtrâção) é grafia brasileira, é Brasileiro.

Mas nós somos portugueses!

Pois somos.

Então porque querem que se escreva à brasileira? Isto só me baralha!

 

Como responder a esta pergunta? Com a verdade, evidentemente. Às perguntas das crianças sempre devemos responder com a verdade, para que elas possam desenvolver o espírito crítico que falta aos governantes, a muitos pais e encarregados de educação, e aos próprios professores, que se entregam a esta missão desonrosa de enganar as crianças.

 

E a verdade é que os governantes portugueses, desde Cavaco Silva a Marcelo Rebelo de Sousa, todos eles, primeiros-ministros, ministros e deputados da ex-Nação Portuguesa, e professores e jornalistas servilistas e todos os outros marias-vão-com-as-outras, dotados de coluna vertebral cartilaginosa, trocaram a Língua Portuguesa pela Língua Brasileira, pelos motivos mais vis:  mania de grandeza e dinheiro.

 

A aluna bem sabe o que é a Língua Brasileira, porque tem uma colega brasileira na turma, que fala diferente e diz coisas diferentes das nossas. Não fala Português.

 

Não fala.

 

Esta “carta aos alunos” escrita atabalhoadamente (sem revisão) em mixordês (mistura de português com brasileiro) é inadmissível.

 

Não será a única.

 

Os maiores exemplos da mixórdia ortográfica vêm de cima, da presidência da República, do gabinete do primeiro-ministro, dos restantes ministros, de todos os grupos parlamentares. Dos próprios professores que, nas páginas do Facebook, escrevem as maiores barbaridades, incluindo palavrões.

 

Os manuais escolares são uma autêntica mina de disparates, desde as águias com grandes dentes, às invasões francesas para prender Dom João VI, e cheios de desenhos e desenhinhos, como se as crianças fossem muito estúpidas, não dando qualquer oportunidade à imaginação.

 

O que pretendem os governantes com este tipo de ensino idiota? Formarem os analfabetos funcionais do futuro, para que sejam tão submissos como os analfabetos funcionais da actualidade?

 

E há mais: é proibido dar más notas ou chumbar os alunos, para mostrar ao mundo que o sucesso escolar em Portugal existe. Quando isto não passa de uma grande aldrabice!

 

Alunos que escrevem gatafunhos, que ninguém entende, têm MUITO BOM a Português, ou melhor, a Brasileiro. Intolerável.

 

É inadmissível o que está a passar-se em Portugal no que respeita à Educação, ao Ensino, à Cultura.

 

DEMITA-SE senhor ministro da Educação e Ciência. Permitir uma tal balbúrdia no Ensino é um postura terceiro-mundista.

 

E os pais e encarregados de educação deviam tomar uma atitude drástica e EXIGIR um ensino de qualidade para os seus filhos, como está consignado na Constituição da República Portuguesa.

 

 

Com esta “carta” fiquei tão escandalizada e indignada quanto a aluna, que apesar dos seus dez anos, tem algo que falta aos actuais governantes: inteligência para ver as coisas tal como elas estão, ou seja, MAL. Muito MAL.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:52

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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019

QUE COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA É A CPLP?

 

Cplp.png

 

A CPLP é uma comunidade constituída por Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste. O que unia estes países era a Língua Portuguesa mais ou menos uniformizada na sua essência e diversificada na sua especificidade, à excepção do Brasil, que criou uma outra língua, distanciando-se do Português, na fonética, na ortografia, na sintaxe, no léxico, na acentuação e até na semântica.

 

A dada altura, foi introduzida nesta comunidade de países de Língua Portuguesa, a Guiné-Equatorial, que não fala Português, mas passou a integrar (à pressão) a Língua Portuguesa (que ninguém fala) nas línguas oficiais dom país, a Castelhana e a Francesa, apenas para se entranhar na CPLP.

 

E Portugal, um país que se diz democrático, permitiu unir-se por laços fantasmas, a um país que vive numa terrível ditadura militar, e cujo presidente foi apontado pela revista Forbes como o oitavo governante mais rico do mundo, apesar do seu país ser considerado um dos mais pobres da Terra, e onde se usa o canibalismo como arma psicológica de guerra.

 

Depois temos Cabo Verde, um país aparentemente lusófono, mas onde a maioria do povo nunca deixou de falar os seus dialectos, nomeadamente o Crioulo Cabo-Verdiano, uma língua crioula, de base lexical portuguesa. Como os restantes outros países ditos lusófonos, Cabo Verde aderiu ao AO90, com bastantes benefícios para a mais importante editora local: a do escritor Germano Almeida.

 

No entanto, em 2017, a Língua Portuguesa passou a ser ensinada em Cabo Verde como segunda língua (língua estrangeira) e o Crioulo Cabo-Verdiano passou a ser a língua oficial de Cabo Verde. Pela lógica das coisas, Cabo Verde está fora da lusofonia.

 

No entanto o chefe do Estado cabo-verdiano, José Carlos Fonseca, preside a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 

É bem verdade que a CPLP não gira apenas ao redor da Língua Portuguesa, gira essencialmente ao redor de negócios, onde, no entanto, também está incluída a negociata da Língua, através da qual uns tantos mercenários enchem os bolsos.

 

Nesta negociata do AO90, que está a destruir a Língua Portuguesa, em Portugal, e apenas em Portugal, não colaboraram Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Timor Leste. E embora São Tomé e Príncipe tivesse assinado o dito, e dito que aderiu, na verdade, naquele País, a língua mais falada e utilizada é a Língua Francesa, e percebe-se bem porquê: os seus vizinhos não são Portugueses. São Franceses.

 

Dito isto, que espécie de Comunidade de Países de Língua Portuguesa é a CPLP? Terá razão de existir? Há quem diga que não. E eu sou uma delas.

 

Portugal é um país territorialmente pequeno, mas já teve uma ALMA GRANDE. Agora não tem mais. E mais pequeno fica, quando se verga aos interesses dos estrangeiros, porque não tenhamos dúvidas: todos estes países (à excepção da Guiné-Equatorial, que nem sequer é para aqui chamada) são nossos irmãos. São. Mas até entre irmãos deve reinar a máxima: amigos, amigos, negócios à parte, para que o caldo não se entorne. Mas todos eles são fundamentalmente países estrangeiros, livres, autónomos. Com culturas próprias, riquíssimas, bastante diversificadas, incluindo as variantes linguísticas. Algo que cada país deve preservar para si próprio.

 

E todos, à excePção de Portugal, estão a preservar as suas culturas e a tratar da vida deles.

 

Portugal é o único que se está nas tintas para a sua Cultura, para a sua Língua e para a sua Identidade.

 

E eu, como cidadã portuguesa LIVRE, envergonho-me dos governantes que actualmente desgovernam Portugal, sem espinha dorsal. No futuro serão recordados como aqueles que optaram pelo lado errado da História. E isto é muito triste.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:20

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Sábado, 29 de Dezembro de 2018

A PROPÓSITO DE PORTUGAL CONTINUAR NA CAUDA DA EUROPA EM QUESTÕES DE EDUCAÇÃO

 

E em que matéria Portugal não está na cauda da Europa?

Mas em questão de Cultura, Educação e Ensino Portugal deixa muito a desejar, porque não tem uma política cultural e educacional de primeiro-mundo.

 

LEITURA.jpg

 

Os maiores veículos de cultura são as televisões, que só oferecem futebol, novelas brasileiras e luso-brasileiras, e programas muito "pimba", que deixam o povo em banho-maria, e usam uma linguagem bastante inculta e incorreCtamente escrita e falada. Um péssimo exemplo para as crianças.

 

Nas escolas não se incentiva nem ao saber (os manuais escolares são um monumento à imbecilidade) nem à leitura, porque também não se incentiva à aprendizagem da Língua Portuguesa na sua versão culta e europeia. E se não se aprende a ler e a escrever um Português correCto, para que servirá a leitura?

 

E a culpa é nossa? Minha não será, que não voto em inscientes, apesar de ser povo, como todo o povo.

 

Mas o povo, altamente "analfabetizado", contribui para que se mantenha a iliteracia, e o statu quo político, desastrosamente impróprio para consumo de primeiro-mundo.

 

Daí que não me admira nada este rastejar de Portugal na cauda da Europa.

 

Origem da notícia:

https://www.jn.pt/nacional/interior/portugal-continua-na-cauda-da-europa-em-questoes-de-educacao-9972246.html

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:44

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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

A INACEITÁVEL LIGEIREZA DE ANTÓNIO COSTA AO FALAR DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

«António Costa está "bué" contente com afastamento contínuo do Português da matriz greco-romana» (…)

 

Quando li isto pensei que era uma brincadeira de mau gosto. Vi o vídeo, que julguei ser uma montagem. Revi o vídeo, para me certificar se era ou não uma brincadeira, e, infelizmente, comprovei que a voz que ouvi correspondia à do primeiro-ministro de Portugal.

 

Depois de ouvir o que ouvi e ler o que li, cheguei a esta triste conclusão: com um primeiro-ministro assim, Portugal não precisa de inimigos. Nem os do Daesh causariam maior dano ao nosso País. É que António Costa, até pode ser primeiro-ministro de Portugal, mas não é um cidadão Português, nem sequer europeu, está-se nas tintas para Portugal, para os Portugueses, e a única coisa que lhe interessa é o Poder pelo Poder.

 

TEMER e COSTA.jpg

 Michel Temer (Brasil) e António Costa (Portugal), um “casamento” quase perfeito...

Origem da imagem: Internet

 

Eis o vídeo que me causou dano na alma:

 

 

«António Costa está "bué" contente com afastamento contínuo do português da matriz greco-romana e com uma aproximação ou simbiose com línguas de matriz nigero-congolesas e indígenas sul-americanas (CPLP). A nova moda da "portugalidade da língua" pretende reformular e adaptar a ortografia e a dicção em consonância com os interesses políticos ultramarinos. Através da língua, pretende-se, também, transformar este nosso país do Sul da Europa num país do Norte de África. A língua desempenha a função de "veículo de integração", isto num contexto onde a nossa sociedade europeia está a ser continuamente substituída por elementos daquelas origens. Esta é, também, uma visão crítica que passa muito desapercebida pelos nossos "anti-Acordo Ortográfico de 1990".

 

in:

https://www.facebook.com/o.bom.europeu/videos/270905407096627/

 

O que disse António Costa: «Eu percebo as reticências que existem aqui e ali…».

 

Não percebe, senhor primeiro-ministro. Se percebesse, não lhe chamaria de “reticências”, e muito menos existentes aqui e ali

 

O que devia perceber é que o que diz ser “reticências” é uma enorme revolta generalizada, por parte de milhares (MILHARES, é só estar atento) de escreventes de Língua Portuguesa, provenientes de todos os países ditos lusófonos, cujas vozes, pura e simplesmente, V. Exa. despreza.

 

E António Costa prossegue: «As línguas vivas, na realidade, não são fixas, vão se transformando, não só na sua ortografia como no seu vocabulário…».

 

Esquece-se o senhor primeiro-ministro de que transformar não é sinónimo de substituir, ou seja, de trocar uma Língua Culta e Europeia, pelo dialecto, na sua forma grafada, de uma ex-colónia, dialecto esse, assente precisamente, nessa Língua que se quer trocar. E isto é algo inacreditável, inadmissível e absolutamente irracional.

 

E António Costa vai buscar (pasmemo-nos!) às NOVELAS brasileiras, portanto, à cultura popular brasileira, ao mais popular que existe, um conjunto de expressões (?) do (mal denominado) português do Brasil (o correcto é dizer dialecto brasileiro) e que introduziu no seu linguajar, tal como introduziu MUITAS (e eu só conheço esta) expressões do Português de Angola (e aqui sim, a designação está correcta, segundo o mais abalizado dialectologista português, Leite de Vasconcelos) como BUÉ, uma palavra corrente em Portugal.

 

Acontece que BUÉ consta do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia de Ciência de Lisboa (2001), curiosamente elaborado sob a orientação (?) de João Malaca Casteleiro (o destruidor-mor da grafia portuguesa) como um adjectivo, um advérbio e uma interjeição angolana, de origem obscura. Mas não as teremos nós, também às dezenas?

 

Porém, os vocábulos fatura, ação, aspeto, exceto, receção, afeto, letivo, ejeção, teto, direto, diretor, inseto, objeto, e centenas de outros mutilados como estes, e que se pronunciam com as vogais fechadas (se as abrem, além de os escreverem mal, pronunciam-nos mal), os quais querem introduzir em Portugal, não constam do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, porque fazem parte do dialeCto brasileiro.

 

E uma coisa é introduzir no vocabulário da oralidade palavras genuinamente oriundas dos dialectos das ex-colónias, como, por exemplo, bué (Angola) ou cafuné (Brasil), outra coisa é introduzir na ESCRITA, que se quer escorreita, vocábulos que foram mutilados, sem qualquer objectivo científico, distanciando-os da sua origem greco-latina. E isto, para dialecto, está muito bem. Mas para uma Língua, está muito mal.

 

E termino com este comentário de um Brasileiro, a este vídeo:

 

Geraldo Carmo - Sou brasileiro, sou contra o acordo ortográfico, a matriz greco-latina da L portuguesa deve ser prestigiada. Há muito, no Brasil, a esquerda impôs um desprezo pela língua portuguesa no meio de comunicação e no ensino (escolas e universidades). A ordem é: falar bem e conhecer a gramática é coisa opressora imposta pela direita. Não conhecer a gramática, falar errado, ter pouco vocabulário é bonito e democrático.

 

Sou testemunha presencial, nas escolas e nas Universidades brasileiras, de como o que diz o Geraldo Carmo é a mais pura, nua e crua verdade. Lamentavelmente.

 

Não queira o senhor primeiro-ministro ser mais brasileiro do que os Brasileiros.

 

E se eu fosse ao senhor, senhor primeiro-ministro, rebobinava o vídeo, e fazia uma nova declaração mais condizente com o Saber e com a Responsabilidade que o cargo que ocupa exige.

 

Porque ser primeiro-ministro implica pugnar pelos interesses de Portugal, e não por interesses de uma “integração” que não interessa a nenhum país, a não ser ao Brasil, obviamente.

 

E ao extinguirem a diversidade linguística dos ditos países lusógrafos, estar-se-á a empobrecer a Cultura dos SETE países que, por enquanto, ainda falam e escrevem em Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:01

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Sábado, 4 de Agosto de 2018

AS VAGAS DE CALOR “EXTENÇAS” BATEM “RECORD” E AFECTAM EXTENSAMENTE O CÉREBRO

 

GATO.png

 

Tenho cá para mim que o governo português decretou que se passe a escrever incorreCtamente a Língua Portuguesa, para além do AO90. É que ele também o faz.

 

Isto está a tomar umas proporções gigantescas, e não vejo os ministros da Educação ou da Cultura preocupados com este vergonhoso descalabro.

 

Se as calinadas que saem nas legendas de todos os canais de televisão pagassem imposto, Portugal poderia equilibrar as suas contas e ter dinheiro suficiente para investir no Ensino e na Cultura, que andam a rastejar na mais viscosa ignorância.

 

RTP.png

 

Pois… se não é à brasileira é à inglesa: record é a palavra inglesa que deu origem a recorde, que é como se deve escrever em Português.

 

Mas eles sabem lá!...

 

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10156584022589660&set=a.242962134659.135783.639924659&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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Terça-feira, 17 de Julho de 2018

ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA (PARTE VIII)

 

Mais uma achega que destrói, por completo, o AO90 – o putrefacto cadáver ortográfico que, inacreditavelmente, o governo português insiste em manter de pé.

 

MANEL.png

 

Um texto de:

Manuel Matos Monteiro (Autor, jornalista, formador e revisor)

 

Antes do Acordo, há UMA ortografia: “Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.”

 

Com o Acordo, há oito ortografias para a frase. E num livro acordizado há facilmente milhões de ortografias possíveis para o mesmíssimo texto.

 

Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeámos na avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeámos na avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeamos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeamos na Avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeamos na avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeamos na avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

 

Antes do Acordo, há UMA ortografia: “Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.” Com o Acordo, há oito ortografias para a frase.

 

Com o Acordo, “expectativa” aparece nos dicionários acordizados como sendo de dupla grafia em Portugal, porque se entende que há quem pronuncie e há quem não pronuncie. (São as trémulas “pronúncias cultas”.) Se um aluno escrever “expectativa” no singular e “expetativas” no plural, fazendo uso da facultatividade que o Acordo lhe dá, deverá o professor assinalar a anomalia?

 

A maiúscula inicial da “Avenida da Liberdade” passa a ser opcional, como resulta da Base XIX, 2.º, i).

 

E reza a Base IX, 4.º: “É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo amámos, louvámos, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos) […].”

 

Chamamos, chamámos, falamos, falámos, brincamos, brincámos, trocamos, trocámos — é facultativo distinguir o tempo pretérito do tempo presente. Se o contexto for ambíguo, o leitor que se amanhe. Em frases que aparecem desgarradas e desprovidas de contexto (na televisão, na imprensa, na Internet), a salgalhada é total. Numa época de hiperinformação tombando a cada instante, em que muitos só lêem os títulos, que mal tem a interpretação contrária quanto ao tempo em que se situa a acção ou quanto ao próprio sentido da frase? “Jogamos mal” ou “pagamos mal”, numa fonte acordizada, pode ser “jogámos mal” ou “pagámos mal”.

 

Uma palavra hoje muito na moda (que não me suscita simpatia alguma) é “expectável”. O Portal da Língua Portuguesa e a Infopédia, por exemplo, acolhem “expectável” e “expetável” (pronúncia que passam a legitimar e a fomentar…[i]). O verbo acordizado pode escrever-se “expectar” e “expetar”. Ou seja, no pretérito perfeito, temos “nós expetámos/expetamos/expectámos/expectamos”.

 

Não tenho conhecimento de outra língua em que na mesma pessoa, no mesmo tempo, no mesmo verbo, haja quatro ortografias.

 

No exemplo acima, se o verbo não fosse “passear”, mas um de dupla grafia, teríamos não oito, mas dezasseis formas ortográficas de escrever a frase. Se ainda acrescentarmos o inacreditavelmente facultativo acento de “dêmos”[ii] (para distinguir de “demos”), teremos trinta e duas ortografias para a frase, parágrafo ou texto. Se tivermos o nome de um curso (por exemplo, Medicina), também aqui passa a ser opcional a maiúscula… e vamos em sessenta e quatro ortografias. Um santo (ou santa) seguido do respectivo nome e eis outra nova facultatividade quanto à maiúscula inicial… cento e vinte e oito ortografias. O nome de um edifício (Palácio da Cultura/palácio da Cultura)… e outra facultatividade… duzentas e cinquenta e seis. O nome completo de uma igreja, opcional também a maiúscula inicial… quinhentas e doze ortografias. O nome de uma rua, mais uma nova facultatividade (Rua do Ouro/rua do Ouro)… mil e vinte e quatro ortografias. Basta mais uma palavra de dupla grafia e chegamos às duas mil e quarenta e oito ortografias. Com as facultatividades dos acentos, das maiúsculas iniciais e com as duplas grafias das palavras pronunciadas ora com ora sem consoante, bastarão vinte casos e teremos um milhão quarenta e oito mil quinhentas e setenta seis formas de escrever o mesmo texto. E assim sucessivamente multiplicando por dois. (Os números começam a ser terrivelmente assustadores, o Acordo torna-nos multimilionários das ortografias.)

 

Num livro acordizado, há facilmente mais do que vinte casos de facultatividades, ou seja, há milhões de ortografias possíveis para o mesmíssimo texto.

 

Se a isto somar as diferentes interpretações quanto às locuções que perderam os hífenes (e quanto às próprias consoantes mudas), porque os dicionários e os livros de estilo com o Acordo não se entendem [VER ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA PARTE III], a cabeça explode, não apenas pelo número de ortografias possíveis, mas por não haver dois dicionários ou prontuários acordizados que não tenham muitas divergências quanto àquilo que é a ortografia de certa locução ou palavra.

 

Ainda agora, nas notícias sobre o Mundial, li em órgãos de comunicação social que seguem o Acordo: “oitavos-de-final”, “quartos-de-final”, “ponta-de-lança” ora com ora sem hífenes, com flutuações dentro do mesmo órgão. Mero exemplo: num canal televisivo (o 5 na minha casa), no espaço de minutos, consegui ler “oitavos-de-final” com e sem hífenes. Antes do Acordo, inquestionavelmente com hífenes. Depois, a salgalhada que faz saltar os olhos. (Se quereis a minha opinião, caros acordistas, com o vosso Acordo, deve ser sem hífenes, ainda que o espírito da lei seja inexcedivelmente ambíguo, como já demonstrei antes. Ou seja, ficais com “guarda-redes”, “defesa-central”, mas “ponta de lança”; com “oitavos de final” e “quartos de final”, mas “meias-finais”[iii].) [VER ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA PARTE II.]

 

Lembremos as palavras mágicas do Acordo: simplificar, uniformizar, internacionalizar a língua. Hoje, demonstrada a fraude em toda a sua extensão (algum brasileiro passou a comprar um livro português por este seguir o Acordo e vice-versa?), sobra apenas o argumento, ou pretexto, de que já não podemos voltar atrás, de que as crianças já aprendem assim, de que teríamos de imprimir novos livros — blá-blá-blá que esconde o vácuo: apenas a inércia e a obstinação do orgulho de quem não admite que criou e deixou criar um monstro metuendo e indomável permitem que o Acordo não seja atirado para o sítio das coisas que não prestam para nada. O caixote do lixo que não é reciclável.

 

[i] O engenheiro informático João Miranda que trabalha em Praga escreveu-me numa mensagem de correio electrónico: “Uma das características interessantes do Acordo, que se presume ortográfico, é que interfere, esperada ou inesperadamente, com a pronúncia, em vez de interferir apenas com a ortografia. Houve quem mudasse a forma como sempre disse certas palavras (inconscientemente ou não), e, por outro lado, há palavras cuja pronúncia se impõe, porque os autores do Acordo [e aqueles que se viram obrigados a interpretá-lo, nem que fosse para fazer dicionários] acham que se deve dizer de determinada forma (e a grafia impõe essa leitura).”

 

[ii] veja-se o seguinte passo de Camilo Castelo Branco, em O Santo da Montanha: “Já que morreu a serpente, dêmos duas cabriolas; que, medrosos de seus olhos, nada até ora fizemos.” Perceba e sinta como o tempo verbal sem o acento é lido de outra forma. E já há Camilo acordizado por aí. Pegue na frase “Para que demos tudo?” e veja como a ausência do acento altera o sentido (além de aquele “para” poder tratar-se de um “pára”).

 

[iii] Lemos na Infopédia, num “artigo de apoio”, que “quartos-de-final” perde os hífenes com a “explicação”: “Com o Acordo Ortográfico, não se usa hífen na maioria das locuções.”

 

Mas porque acolhem outras com hífenes?! Não explicam. Tal como não explicam como se distingue a maioria da minoria. Porque o Acordo também não o faz na sua prosa enrolada da Base XV, 6.º.

 

MAIS DE MANUEL MATOS MONTEIRO:

 

Admirável Língua Nova (Parte VI)

https://www.publico.pt/2018/03/09/culturaipsilon/opiniao/admiravel-lingua-nova-parte-vi-1806033

Admirável Língua Nova (Parte VII)

https://www.publico.pt/2018/04/02/culturaipsilon/opiniao/admiravel-lingua-nova-parte-vii-1808831

Lugares-comuns da linguagem hodierna

https://www.publico.pt/2018/04/30/culturaipsilon/opiniao/lugarescomuns-da-linguagem-hodierna-1815866

 

Comentário:

mzeabranches

 11:07

Mais um excelente artigo! Obrigada por tentar abrir os olhos aos portugueses. A ignorância, a estupidez e a subserviência nacionais não têm limites, e abundam na classe dominante, política e intelectualmente. Por uma estranha maldição, Portugal despreza a sua língua materna, contrariamente a todas as outras nações, incluindo o Brasil. Passo a citar o Prof. Dr. António Emiliano, no seu Contributo para o Grupo de Trabalho da AR: «É uma péssima reforma ortográfica, que tem como mirífico objectivo a unificação ortográfica da "lusofonia" e que, na realidade, contribui de forma clamorosa, para a acentuação da fragmentação ortográfica da mesma.» Sugiro que vejam, na net, a opinião do Prof. universitário brasileiro Maurício Silva (USP), «Reforma Ortográfica e Nacionalismo Lingüístico no Brasil».

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/07/16/culturaipsilon/opiniao/admiravel-lingua-nova-parte-viii-1838111#comments

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:43

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Domingo, 3 de Junho de 2018

POSSO PERGUNTAR?

 

Parodiando o argumento dos defensores do AO90: o que não se lê não se escreve.

 

POSSO PERGUNTAR.png

 

Estou aqui a pensar nas desventuradas crianças inglesas e alemãs que aprendem aqueles thoughts e aqueles Auschwitzes sem pestanejar... e as nossas crianças (as actuais, porque as das gerações anteriores estão fora desta apreciação), coitadinhas, como  podem compreender que em palavras como concePção, excePção, recePção, a consoante não articulada é um , e que em vocábulos como correCção, direCção, objeCção, tal consoante é um (conf. Nota Explicativa do AO90, publicada no Diário da República)?

 

Realmente como é que as nossas desventuradas crianças vão compreender isto, e que os vocábulos humidade, homem, hora, haver, levam aquele agá que não se lê, mas tem de se escrever?

 

Isto não será uma enorme tragédia grega? As crianças portuguesas, da actual geração, nascerem todas com deficiência intelectual, e não conseguirem compreender algo que todas as crianças das outras gerações compreenderam, e que por toda a Europa todas as crianças compreendem?

 

Não haverá nisto uma projecção freudiana, da incapacidade intelectual dos actuais adultos em perceber o alcance da parvoíce que andam por aí a espalhar, e transpõem essa incapacidade deles para as crianças que, por serem crianças, conseguem assimilar muito mais facilmente tudo o que lhes é ensinado? Pois não é esta a fase da vida de um ser humano mais propícia à aprendizagem de todas as coisas?

 

A este uso e abuso da falsa incapacidade de as crianças aprenderem correCtamente a sua Língua Materna, chama-se crime de lesa-infância, que deve ser punido severamente, pois põe em causa o futuro dessas crianças no que diz respeito à Educação e Cultura. São fortes candidatas a analfabetas.

 

Deixo isto à consideração de pais, professores e psicólogos, uma vez que os políticos estão tão cegos por servir o estrangeiro, que não se dão conta da imensidade deste crime.

 

Isabel A. Ferreira

  

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:12

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Quarta-feira, 9 de Maio de 2018

«OS AGENTES POLÍTICOS E O (DES)ACORDO ORTOGRÁFICO»

 

Mais uma voz que se levanta, que protesta, que diz verdades incontornáveis sobre o AO90. E o que dizem a isto os “donos” deste “acordo”? Nada, porque não sabem como sair desta trapalhada.

 

«Já se percebeu que a classe política decidiu “assobiar para o lado” em relação ao conhecido “AO90”, de modo a fazer aceitar paulatinamente, e por inacção, uma ortografia da língua portuguesa com as propostas aberrantes que vai impondo através da gestão do silêncio. De tal modo se manifesta a rejeição de um debate sobre o tema que dir-se-ia existir um lobby secreto actuando na sombra para obter dividendos que, por ora, nos escapam».

 

MANUEL SIMÕES.png

 

por MANUEL SIMÕES

 

«A comunicação social informou-nos de que finalmente ia ser apreciada na Assembleia da República uma das muitas petições formuladas pelos cidadãos indignados, mas nem sei se chegou a saber que destino teve a petição, se foi discutida, se foi adiada… ou se foi simplesmente ignorada. À consideração de quem concede os votos a estes agentes da política…

 

Pelos vistos, nem sequer se considera a hipótese de aperfeiçoamento do “AO90”, de que se começou a falar há anos e sobre o qual a Academia das Ciências de Lisboa, como «órgão consultivo do Governo português em matéria linguística», apresentou em 2017 um projecto-base de discussão, tendo em vista questões de acentuação gráfica (“pára” e “para”, “pôr” e “por”, exemplos gritantes), de sequências consonânticas (o fulcro do desacordo) e ainda sobre o emprego do hífen, sugestões não totalmente adequadas, visto que não colmatariam as lacunas e manteriam a contradição evidente, ao diferenciar (eliminação ou conservação) as consoantes ditas surdas. Como é sabido, a língua portuguesa passa por um processo de consonantização (já o disse Mia Couto), razão por que a supressão das consoantes etimológicas tenderá a um sucessivo fechamento das vogais átonas, com efeitos imprevisíveis na evolução da língua. Apesar disso, esta proposta de trabalho não teve seguimento, talvez porque os “donos” do acordo não sabem como sair desta trapalhada e por isso calam-se.

 

Deste modo, os agentes da política não se pronunciam, fazem resistência passiva aos milhares de páginas, de pareceres, de abaixo-assinados protestando contra um acordo ortográfico não discutido previamente, aprovado quase em segredo, e não ratificado por alguns dos mais significativos países de língua portuguesa. Recentemente, porém, o ministro da Cultura, em entrevista ao “Diário de Notícias” de 10 de Março, concedeu-nos a honra de dizer o que pensa sobre o acordo. E o que disse ele?

 

«Não considero que este Acordo Ortográfico seja perfeito […] mas sendo o que se utiliza oficialmente achei que seria hipócrita não o fazer. Isto sem criticar outras pessoas, até porque não tenho ideias tão fortes sobre ortografia como elas. O acordo não é o melhor possível, mas está vigente e segui-o para horror e espanto de muitos amigos. Não porque lhe tenha um grande amor, mas porque para mim a ortografia é uma convenção e não considero que a anterior seja a maior das maravilhas».

 

Dado o estatuto do entrevistado (ministro da Cultura), esta deve ser entendida como a posição explícita do partido do Governo e, considerando o silêncio, dos demais partidos com assento na Assembleia da República. Mas o discurso não deixa de ser espantoso pelo “encolher de ombros “com que se enfrenta a questão: o acordo não é perfeito, mas adopta-o; não tem ideias fortes sobre ortografia, mas aceita-a com o seguidismo acrítico de quem a sancionou; «não é o melhor possível», mas não propõe nada para o melhorar…porque «está vigente»; não lhe tem «grande amor» e «tudo se pode aperfeiçoar», mas a proposta da Academia das Ciências não teve qualquer efeito prático. Claro que a ortografia é uma convenção, assentando, porém, em bases científicas, de que a etimologia não pode ser apagada da memória das palavras.»

 

Fonte:

https://aviagemdosargonautas.net/2018/04/19/os-agentes-politicos-e-o-desacordo-ortografico-por-manuel-simoes/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:34

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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

O QUE FIZERAM DA REVOLUÇÃO DE ABRIL?

 

Hoje, os Portugueses deveriam celebrar, com alegria, o dia 25 de Abril, que agora querem que seja grafado abril, com letra minúscula, como minúscula se revelou a Revolução que nos livrou de uma ditadura, para nos lançar numa autocracia lobista, disfarçada de Democracia…

 

25 de ABRIL.png

Os jovens portugueses deveriam poder celebrar o 25 de Abril com a alegria que Agonia Sampaio colocou neste desenho. Mas que caminho para o futuro o 25 de Abril lhes abriu?

 

Na manhã do dia 25 de Abril de 1974, levantei-me cedo, como habitualmente, para ir dar aulas.

 

Apanhei a camioneta, e tudo parecia igual. As mesmas pessoas, caladas, indo para os seus empregos, como se carregassem um peso às costas. Era assim que se vivia naquela altura: como se carregássemos um peso às costas. Ninguém falava. Iam absortas, enleadas aos seus pensamentos.

 

Chegada a Vila do Conde, saí da camioneta, num ponto junto ao Mercado, e andei o habitual cerca de meio quilómetro até chegar à “Frei João”. À porta esperavam-me os meus alunos do primeiro tempo, contentíssimos, porque, disseram, hoje não há aulas setôra. Então porquê, perguntei. Houve uma revolução e não vai haver aulas, esclareceram-me. Uma revolução de quê, onde? Perguntei, pensando que se tratasse de algum problema na Escola. Não sabiam. O que sabiam era que houve uma revolução e não havia aulas.

 

Passei na Secretaria para saber o que estava a passar-se. Não sabiam muito bem, mas as ordens eram para suspender as aulas e ir toda a gente para casa.

 

Despedi-me dos alunos, e fiz o caminho de regresso, inquieta, e mal cheguei a casa apressei-me a ligar a televisão-miniatura, que era a minha, para saber notícias, pois na rua ninguém sabia de nada.

 

A informação era pouca. Passavam música, e de vez em quando lá vinha uma informação solta. Aquela seria uma revolução peculiar. Passei o dia colada ao mini-ecrã, no intuito de saber o que estava a passar-se. Mas foi apenas na manhã seguinte que soltaram a notícia do início de uma Revolução pacífica, a dos Cravos, que derrubou a ditadura, que atormentou os Portugueses durante décadas.

 

Até chorei! Finalmente iríamos respirar o ar da Libertação e da Democracia, e sentir o sabor da vontade do Povo Livre.

 

Porém, os dias, as semanas, os meses, os anos foram passando e eu sempre à espera de respirar o tal ar da Libertação e da Democracia, e de sentir o sabor da vontade do Povo Livre.

 

Que grande ilusão! Descobri que um Povo só é verdadeiramente livre através da Cultura, do Ensino, da Educação, e tudo isto não veio com a Revolução de Abril, muito pelo contrário, degradou-se paulatinamente, e o Povo, esse, confundiu Liberdade com “fazer tudo o que se quer”, e esse foi um erro que lhe está a sair bastante caro.

 

Os que, sucessivamente, foram ocupando as cadeiras do Poder, subiu-lhes o poder à cabeça e instituíram um sistema a que chamaram Democracia, pois até tivemos direito ao voto, e as mulheres até já podiam viajar sem autorização dos maridos, no entanto, para ser uma verdadeira Democracia faltava-lhe o principal: o poder do povo.

 

Enganam-se aqueles que acham que lá por terem direito ao voto e escolherem livremente os que se dizem ser representantes do povo, vivem em Democracia. Erro crasso, no caso de Portugal.

 

Os que se dizem representantes do povo, durante as campanhas eleitorais, prometendo tudo e mais alguma coisa a esse mesmo Povo, na realidade, não são representantes do povo, porquanto quando chegam ao Poder, esquecem-se de que são representantes do povo, esquecem-se de que estão ao serviço do Povo e que é o povo que lhes paga os salários, apesar de estes serem superiores aos do Povo, e porque necessitam de mais algum, viram-se para os lobbies, e é a esses que os falsos representantes do povo obedecem e servem cegamente. E isto não é Democracia. Isto é uma autocracia lobista.

 

Livrámo-nos de uma ditadura, para entrarmos noutra. Porque há muitas formas de ditadura. E esta, actualmente em vigor, está a levar Portugal para o abismo social, cultural e linguístico, bem nas barbas de um Povo, que já se esqueceu dos valores preconizados pela Revolução dos Cravos, e que na realidade nunca chegaram a ser postos em prática, porque o povo nunca teve poder.

 

O povo desuniu-se,  partidarizou-se, e a canção Portugal Ressuscitado, cantada por Fernando Tordo, Tonicha e o Grupo InClave, «Agora o povo unido nunca mais será vencido, nunca mais será vencido…», com letra de Ary dos Santos e música de Pedro Osório, fez sentido apenas naqueles tempos de ilusão.

 

O povo já não está unido, se é que alguma vez esteve. O povo foi completamente vencido pela autocracia que se instalou. Quem manda em Portugal não é o povo. Aliás, o povo nunca mandou em Portugal. Quem manda em Portugal são os estrangeiros, através de um Poder que está a marimbar-se para Portugal.

 

A Revolução de Abril ainda está por cumprir. Está nas mãos dos Portugueses ressuscitar Abril, utilizando a arma do voto.

 

Precisamos de uma nova revolução para acabar com esta autocracia lobista.

 

Por isso, hoje, o que temos para celebrar, se os pobres continuam pobres; os ricos, cada vez mais ricos; reina uma corrupção instalada no Poder, que nos mente descaradamente, servindo os lobbies instalados em Portugal; e com este negócio da venda da Língua Portuguesa ao Brasil estamos a ser colonizados, vilipendiados, e pior do que tudo isso, está-se a enganar as crianças e os jovens, a quem dão um mau exemplo.

 

O futuro do País está suspenso num abismo, por um fio de aranha...

 

Mas para um Povo sem Cultura basta ter pão, ainda que pouco, e bastante circo e beijinhos e abraços e selfies. E, deste modo, o Poder vai entretendo um Povo acrítico, amorfo, preocupado apenas com o seu próprio umbigo…

 

ACORDA PORTUGAL!

«Acordai, acordai homens que dormis a embalar a dor dos silêncios vis…» (***)

 

O 25 de Abril ainda está por cumprir.

 

(***) Verso de José Gomes Ferreira

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:24

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Quarta-feira, 11 de Abril de 2018

«O MINISTRO DA CULTURA E AO AO/90»

 

Um artigo do embaixador Carlos Fernandes, autor do livro "O Acordo ortográfico de 1990 não está em vigor", o qual, e uma vez mais, vem pôr a nu a ilegalidade do AO90, que o governo da geringonça silencia (à excepção do PCP) com a cumplicidade do presidente da República.

 

E as perguntas que se impõem, depois de se ler o livro e os vários artigos do Embaixador Carlos Fernandes e os de todos os que já se pronunciaram sobre esta matéria, são as seguintes: o que é que Vossas Excelências ainda não entenderam? O que escondem dos Portugueses? O que pretendem? Por que acham que os Portugueses são todos parvos? O que deveremos pensar dos que lhes é explicada a lição centenas de vezes e eles não conseguem entender? Será necessário fazer um desenho?

 

É que já estamos todos fartos, muito fartos, desta farsa chamada AO90, imposta por autocratas disfarçados de democratas. Numa Democracia a sério isto jamais aconteceria.

 

CARLOS FERNANDES.jpg

Carlos Fernandes

 

Texto do Embaixador Carlos Fernandes:

 

«E eu pergunto: o ministro da Cultura é ministro de quê, se o não for da língua?

 

Sempre houve, e continuará a haver, ministros louvados por competentes e, bem ou mal, ministros criticados por incompetentes. Não obstante estas frases vulgares, eu não pretendo nem me atrevo a classificar, ou adjectivar, o actual ministro da Cultura, até porque o conheço mal e não é meu costume fazer juízos à ligeira.

 

Dito isto, apenas vou comentar as declarações do ministro ao DN, em 10 de Março, e ainda bem que, por estas declarações, me deu a oportunidade de interpelar um membro do Governo quanto à aplicação do AO/90, ou melhor, do que se diz ser o AO/90.

 

Ora bem, por tais declarações ficámos a saber que o ministro da Cultura do actual Governo lavou, e prometeu continuar a lavar, pilaticamente, as mãos quanto à questão de saber se deve escrever-se em português ou nessa mixórdia linguística a que já se está dando a designação de acordês ou socratês, imposta, violenta e inconstitucionalmente, por José Sócrates, a todos os Portugueses, como ortografia obrigatória, por mera resolução do seu Conselho de Ministros (a RCM 8/2011, de 25 de Janeiro); ele que, acusado de ter arruinado, económica e financeiramente, o país, também o é, agora, culturalmente, por mutilar, gravemente, a própria língua portuguesa. Quanto a mim, só vim a conhecer as declarações do ministro da Cultura ao DN (jornal que deixei de ler por escrever, exclusivamente, em socratês, não em português), por um oportuno artigo do Dr. Nuno Pacheco no PÚBLICO, a 22 de Março. E confesso que fiquei surpreendido com os conhecimentos linguísticos do ministro da Cultura que, nisto, se iguala à generalidade dos cidadãos portugueses.

 

Mas, atentando no que disse, e ao contrário do que disse, afinal, o senhor ministro sempre tem religião linguística, e até já mudou de crença: antes escrevia em português, agora escreve em socratês. E eu pergunto, o ministro da Cultura é ministro de quê, se o não for da língua?!. Da dúvida ou da indiferença, quanto ao uso do português, como a nossa língua é designada, constitucionalmente, pelo artigo 3.º da lei fundamental vigente? Ou não será o português a base normal da actividade cultural de um ministro da Cultura?!; que, ademais, é obrigado a defendê-lo e a promovê-lo, interna e internacionalmente, como se dispõe e impõe no artigo 9.º, alínea f) da Constituição.

 

Francamente, senhor ministro, então o AO/90, que “não é o melhor possível, mas está vigente, e segui-o, para horror e espanto de muitos amigos”, e “enquanto estiver em vigor, vou segui-lo”! Antes de mais, creio que estas peremptórias declarações são precipitadas. Pois, como é que sabe que o AO/90 está legalmente em vigor? É pena que não no-lo tenha dito, porque, perante a dúvida, pública e notória, do país a este respeito, impõe-se esse esclarecimento.

 

Não vale a pena transcrever o resto da citação das suas palavras, porque, a meu ver, isso não lhe traria nem glória nem proveito. Na verdade, será que o senhor ministro tem mesmo a certeza de que o AO/90 está em vigor?!. De facto, a não ser o seu fabricante? o doutor Malaca Casteleiro?, ninguém ainda se atreveu a declarar, peremptoriamente, tal vigência legal, antes o contrário, e Malaca Casteleiro não sabe Direito, nem o entende, ou faz que não entende, posso garanti-lo, por experiência própria.

 

O senhor ministro já estudou o problema? Parece-me óbvio que não, de contrário não teria afirmado o que afirmou sem o esclarecer.

 

Mas, claro, como entende que escrever em português ou em socratês dá no mesmo, porque se trataria de opções, perante uma e outra escrita, ambas imperfeitas, não se importa que se use uma ou outra, mesmo que tal atitude desagrade a alguns amigos, e até a classifiquem de traição.

 

E eu pergunto-lhe: e os Portugueses, sobretudo os estudantes, e a Internet, senhor ministro, é só uma questão de opção? Graves frases as suas, até porque, repito, afinal, ao contrário do que afirmou, sempre tem religião linguística, optando, agora, pelo socratês, em vez do português.

 

Ora, como sabe, o AO/90 foi imposto, na prática, a todos os órgãos de soberania, pela RCM 8/2011, de 25 de Janeiro (em rigor, e se fosse constitucional, ela só obrigaria nos domínios exclusivos do Governo, no entanto, quiçá por desleixo, ou, aparentemente, por escasso respeito pelo Estado de Direito, tanto os serviços públicos como até os tribunais, assim como a Assembleia da República, através do Diário das Sessões e do Diário da República, controlados pelo Governo, passaram a submeter-se-lhe, sem mais)!

 

Porém, senhor ministro, a RCM 8/2011 é manifestamente inconstitucional, por mais de um vício, designadamente, porque legisla, não o podendo fazer (cá, só se legisla por lei ou decreto-lei), e porque os acordos internacionais não se põem em vigor por meras resoluções do Governo (mesmo os acordos compreendidos nas competências exclusivas dos governos, para vigorarem, têm de submeter-se à aprovação por decreto elaborado em Conselho de Ministros).

 

Por isso, por favor, ajude-nos a resolver definitivamente o problema, estudando-o, já que não é assunto menor, tendo muito por onde começar e acabar: há, de facto, um sem número de estudos válidos, em artigos de jornais e revistas, conversas televisadas, e até livros de Direito, incluindo um meu, intitulado O Acordo Ortográfico de 1990 não Está em Vigor, editado pela Guerra e Paz, em 2016, todos provando a inconstitucionalidade da RCM 8/2011 e, como consequência, a sua ineficácia jurídica.

 

Mas aplica-se. E porquê? O povo não sabe, e quem sabe cala-se. De facto, aplica-se apenas porque sim. Porque se mandou aplicar, e isso é aceite sem discussão, no Governo e nos partidos políticos, onde só o PCP começa agora a despertar de um longo sono. Uma vergonha, que, a meu ver, revela pouco respeito pelo Estado de Direito, e não só nesta questão. Veja-se, por exemplo, a impunidade e ineficiência da Justiça, quanto à resolução dos nossos principais bancos privados, sem falência ou equivalente, roubando-os, à pressa e descaradamente, aos accionistas portugueses, para os entregarem, praticamente de graça, ou até com encargo público, aos estrangeiros que lhes terá apetecido escolher (chineses e espanhóis), por mera decisão administrativa do Banco de Portugal e do BCE, de uma UE, agora protectorado nosso, sem que ninguém tenha discutido se isso é ou não constitucional, quando, nos termos do disposto na nossa Constituição, nada, de fora ou de dentro, pode, legitimamente, ser vigente em Portugal se não for constitucional, e a resolução dos bancos, como foi feita, não o é certamente no nosso Estado de Direito, que, por enquanto, na União Europeia ainda não existe, já que tem vivido, e cada vez mais, à sombra de um voluntarismo político governamental dos Estados-membros, a meu ver, inaceitável, democrática e juridicamente. E os próprios tribunais, que sendo o órgão de soberania encarregado de aplicar a lei, em nome do povo e, portanto, não vinculados por meras resoluções governamentais, aborregaram na aplicação do que, para mim e muitos como eu, é um crime de lesa língua portuguesa, e, mais grave, um claro atentado ao Estado de Direito. Até acontece que o conselheiro vice-presidente do STJ, Dr. Sebastião Póvoas, defendeu a ilegalidade da aplicação do AO/90, mas ninguém, nem no Conselho Superior da Magistratura nem no STJ, se importou minimamente com isso!

 

Como o actual Governo é dominado por ex-ministros de J. Sócrates, que terão votado a RCM 8/2011, ninguém no Governo tem dado um passo para acabar com esta violência inconstitucional de forçar a aplicação do socratês nas escolas, nos serviços públicos e na Internet, isto é, interna e internacionalmente, antes o contrário (veja-se a acção do ministro dos Negócios Estrangeiros no seio da CPLP, aliás, com pouco sucesso).

 

E, na oposição, salvo o PCP, continua tudo em hibernação.

 

Senhor ministro, quando acabar o seu estudo independente, ficando informado, verá que não perdeu o seu tempo, acabando certamente por concluir que a ortografia do português não é uma opção de cada um, ad libidum, mas sim uma exigência legal, resultante da vigência da ortografia adoptada pela Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945, pela simples mas boa razão de que ainda não foi revogada, só o podendo ser por lei ou decreto-lei, que não existem.

 

Que o Diário de Notícias tenha tomado como missão travestir o português em socratês, impingindo-o, diariamente, aos seus leitores, sem explicar porquê, e que os ex-ministros de Sócrates, que terão votado a RCM 8/2011 e, agora, estão no actual Governo, não removam uma palha para repor a legalidade, embora tal não seja correcto, ainda se entende, mas que, num país cheio de Faculdades de Direito, e vivendo sob um Estado de Direito, o ministro da Cultura e os próprios tribunais actuem como estão actuando, isso já não é aceitável nem compreensível.

 

Obviamente, todo este arrazoado não tem absolutamente nada que ver com a ilustre pessoa do Dr. Castro Mendes, mas, exclusivamente, com as declarações públicas do ministro Castro Mendes.

 

Por isso, bom estudo, e até breve, senhor ministro.»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/04/08/culturaipsilon/opiniao/o-ministro-da-cultura-e-o-ao90-1809107

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:58

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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