Sexta-feira, 14 de Novembro de 2025
“Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.”

É oficial: já não há repercussões, efeitos, consequências, embates, colisões — há impactos. Impactos que impactam. Não se consegue, muitas vezes, divisar se beneficiam, prejudicam, influenciam, mas que importa isso? Importante é a violência sonora e o perfume inglês (língua em que a palavra impact superabunda): os impactos impactam e deixam outros impactados (há quem diga a palavra tão rapidamente, que soa a “empacotados”). As pessoas e as coisas são constantemente impactadas.
Disse “constantemente”? Isso já não se usa. Nada é frequente, ou ocorre frequentemente, nada é comum, ou ocorre comummente, nada é usual, costumeiro, habitual, regular, e os diferentes matizes das palavras, as modulações de significado dos diferentes vocábulos só atrapalham. Papagueemos o que ouvimos a toda a hora (sem sequer haver poupança silábica): tudo é recorrente, tudo acontece recorrentemente. É mais simples. É mais rápido. É mais moderno.
Regressemos ao “impacto”. Não raro, Fulano não tem influência no balneário (entre uma caterva de exemplos) — ele tem impacto no balneário. Não raro, Fulano nem deixa a sua marca — deixa o seu impacto. Ou, como se diz hoje, naquilo que é o balneário. É impressionante. Ou impactante. Whatever!
Em cima disto tudo, ainda temos as aberrações fomentadas pelo espírito do infausto acordo ortográfico (que pouco tem de acordo e de ortográfico) — em 31 de Julho deste ano, podemos ler no Diário da República: “colete de impato e flutuação”. De “impato”. Quem anda frequentemente (recorrentemente, leia-se) atento a estas monstruosidades do acordês já havia encontrado (e denunciado, incluindo em Camilo e Saramago) e ferido os olhos e ouvidos com patos de silêncio, patos de estabilidade, patos com o Diabo, patos com Satanás.
Naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude. Ou como sói dizer-se hoje: dizer que, naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude.
A macaqueação, a redução do léxico, a mecanização da linguagem e do pensamento são metuendas, isto é, creepy, mas nunca desistamos, porfiemos sempre, isto é, sejamos sempre resilientes, pesem embora as baixas expectativas (outra palavra de todas as horas). Afirmar que o expectável não é incrível (leia-se: “maravilhoso”), mas pelejemos. Quem lê este texto poderá pensar que o estado de espírito (o mood, aliás) daquele que burila estas linhas não é incrível, mas, se de ora em diante, tiver os olhos e os ouvidos de vigia, não passará um dia sem tropeçar recorrentemente nestes aleijões. Concentre-se e comprove-o por si. Sentir-se-á overwhelmed.
Concentre-se? Perdão, foque-se. Foca-te, foco-me, o meu foco, o importante é focar de três em três minutos: atente (foque-se, quero dizer) na quantidade de focas e focos (quais animais fêmeos e machos) que ouve e lê por hora. É por essa razão que estou a inventariá-los. Inventariar? Pausa, pausa, pausa. Não se inventaria, nem se lista, nem se enumera — elenca-se.
Nem tudo é mau, porém, porque, nos dias de hoje, há sempre, sempre, sempre janelas de oportunidades para coisas bonitas. Que disse? Também já não se diz assim: para coisas diferenciadas, leia-se. Eis uma palavra que vai invadindo as diferentes áreas do saber e sendo crescentemente utilizada, ou seja, e traduzindo para português hodierno: há uma escalada do vocábulo “diferenciado”. Escalada essa que… vai escalando e escalando. Vivam os automatismos que evitam pensar e perder tempo!
Lembremo-nos sempre: já temos um adjectivo obrigatório para quando morre certa pessoa com determinada exposição mediática — na esfera pública, impõe-se dizer que morreu uma figura incontornável. Lembremo-nos ainda: se não sabemos o que foi, diga-se que foi um evento interessante. Essas duas palavrinhas dão para tudo. São, no fundo, brutais. Ou incríveis. Em suma: são vocábulos que provocam boas vibes.
E, claro, nos diálogos, mormente das gerações mais novas, enxameia-se a linguagem escrita e falada com “imagina”, “tipo”, “é do género”, “basicamente”, e os verbos colocar e partilhar (que deslizou do mundo digital para o dia-a-dia, tal como o pesquisar; já só falta pesquisar se temos as chaves, a carteira e o telemóvel quando saímos de casa).
— Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.
— Tens razão nessa cena, basicamente. Quando coloco a minha atenção nas cenas, tipo, é incrível. Obrigado por partilhares comigo.
Quanto mais familiarizado o leitor estiver com outras línguas (olá, inglês), mais fundamente perceberá que as hodiernas palavras ubíquas são um epifenómeno da globalização linguística.
Fonte: https://www.publico.pt/2025/11/12/opiniao/opiniao/lingua-pau-dias-2154348#
Sexta-feira, 1 de Agosto de 2025

João Esperança Barroca
O 82.º escrito da série “Em Defesa da Ortografia”, na linha do artigo de Junho, apresenta as mesmas características do seu antecessor.
A aposta continua a ser, agora, a de apresentar diálogos de teor humorístico que exemplificam o rotundo falhanço do AO90, pondo a nu as suas incoerências e a completa ausência de lógica.
Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias.
XIII
— Vou abrir uma alfaiataria.
— Tens a certeza de que é um investimento rendível?
— Claro! Até o Diário da República, nos últimos anos, como o mostra o Francisco Miguel Valada, está cheio de fatos. Queres melhor sinal?
— E tens a certeza de que são todos fatos de vestir?
XIV
— A minha mulher, que está sempre com modernices, vai fazer uma redução mamária com um cirurgião estrangeiro. Diz que vai ficar com melhor aspeto.
— Já tu especializaste-te em fazer reduções estúpidas. Primeiro no cérebro e depois na ortografia. Ou terá sido ao contrário?
XV
— Estive agora a ler, no jornal Público, que os agricultores estão na rua com os seus tractores, de norte a sul do país, para reclamar valorização do sector e condições justas, num protesto que deverá bloquear várias estradas.
— Faz sentido. Se tivessem levado os tratores, teriam muito menos impacto, ou impato, como já se ouve por aí…
XVI
— O meu filho é muito impetuoso, mas também extremamente afetuoso. É muito sensível e qualquer tragédia o deixa muito afetado.
— Já pensaste levá-lo ao médico?
— Que médico?
— Estomatologista, é claro! Não disseste que ele anda cheio de aftas?
XVII
— Estou furibundo.
— Porquê?
— Fui multado.
— Como é que te aconteceu isso?
— É muito fácil explicar como foi. Ia a caminho da máquina para tirar o talão e li numa placa “Máquina para pagamento”. Como aplico o coiso ortográfico, entendi que a máquina parava o pagamento. Por isso, fui à procura de outra máquina, mas não encontrei nenhuma.
— Eu bem te avisei que adoptar o AO90 era sinal de estupidez. Como vês, saiu-te cara a modernice.
XVIII
— O meu primo, que é brasileiro, vem trabalhar para cá como rececionista. Conheces alguma oferta de emprego aqui perto?
Não, não conheço nada. E o teu primo tem alguma experiência nessa área?
— Só sei que no Brasil era recepcionista num hotel. Que eu saiba, não é a mesma coisa. Parece-me até muito mais completo.
XIX
— Nunca negociarei sob coação!
— Eu também não. Debaixo do coador, corro sérios riscos de ficar com o fato molhado. O preço das limpezas a seco está pela hora da morte.
XX
— Deparei-me há dias com a palavra fatura. Não percebi o que significa. Não consegui entender se é uma fractura nos dedos, pois dizia lá “fatura digital”.
— Não te posso ajudar porque também não sei. Talvez, seja uma espécie de miacoutismo.
— Que raio de coisa é essa?
— É a criação de novas palavras a partir de outras já existentes.
— Então, a fatura poderá ser uma fartura pouco estaladiça?
XXI
— Por causa da recessão, adiei as obras na receção.
— O quê? Que estás a dizer? Não percebo nada.
— É a novilíngua, estúpido.
— Seja lá o que for, não percebo.
— É a maravilhosa língua unificada.
— Continuo sem perceber!
— Se queres que seja franco, também não sei explicar-te. Aprendi este palavreado e que a língua evolui…
XXII
— Andas acabrunhado, pá. Passa-se alguma coisa?
— Tenho uma disfunção erétil.
— Isso não é grave. É uma disfunção ligeira.
— O que percebes de urologia para dizeres isso?
— Se é erétil, é ligeira e localizada. Grave e mais disseminada seria se fosse eréctil. Assim é que terias um problema preocupante.
XXIII
— Há dias, li num cartaz a palavra táctil. Como não a entendi, consultei o dicionário.
— O que é que dizia?
— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.
— É curioso! Já eu procurei o sentido de tátil.
— O que é que dizia?
— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.
— Não percebo. Será a mesma coisa?
— Talvez, mas com menos tacto, seguramente.
XXIV
— O meu pai foi ao Egito e trouxe-me vários artefatos indígenas.
— São mesmo egícios esses artefatos?
— São, são.
— E são esculturas?
— Não, pá! São fatos de artista ou fatos feitos com arte.
Ah, a página de Facebook dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico de 1990 continua a publicar imagens elucidativas do caos ortográfico que se instalou.
Ah, Maria do Carmo Vieira publicou no jornal Público um excelente artigo de opinião intitulado “O acordo ortográfico e ‘a sonolência passiva’ que silenciou o espírito crítico”. Como é habitual, vale a pena ler. Por essa razão, aqui deixamos um excerto razoavelmente extenso: “Antes de se decretar o que os Portugueses nunca haviam pedido e tinham sistematicamente ignorado, escrevia-se, naturalmente, ‘acto’, ‘recepção’, ‘concepção’ ou ‘retractar’, entre muitos exemplos, vocábulos agora truncados na sua marca etimológica que determinava a abertura da sílaba. Não admira, pois, que esta alteração ao ‘traje’ da palavra tenha prejudicado a sua leitura, dando azo a distorções, escritas e ouvidas. Realce-se os vocábulos ‘recepção’ ou ‘concepção’ que, pelo ‘critério da pronúncia’, se mantêm assim, no Brasil, alterando-se, em Portugal, para ‘receção’ ou ’conceção’, num evidente desmentido da ‘unidade ortográfica’ pretendida. No caso de ‘retractar’, o equívoco, que toda ortografia pretende eliminar, é notório porque agora tudo é ‘retratar’.
Ah! Quando tiver dúvidas, faça como os jornalistas de revista Flash: numa ocorrência, grafe a consoante dita muda; noutra, omita-a. Nalgum caso, há-de acertar.
João Esperança Barroca


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Segunda-feira, 16 de Junho de 2025
Escrevi uma carta aberta, com o conteúdo referido no título desta publicação, em 26 de Setembro de 2017, ao então primeiro-ministro Dr. António Costa que, muito democraticamente, a ignorou, aliás, como é apanágio dos muito democráticos governantes portugueses, a quem os cidadãos se dirigem, à espera de respostas para situações prementes. Nas campanhas eleitorais andam aos beijinhos e abraços ao Povo, depois de se sentarem no trono desprezam-no, pura e simplesmente, sem dó nem piedade, por isso, nunca levam o meu voto.
Dizem-nos que Portugal é um Estado de Direito Democrático, o que significa que o exercício do poder se baseia na participação popular, e a expressão “Estado de Direito” significa que o exercício do poder público está submetido a normas e procedimentos jurídicos (procedimentos legislativos, administrativos, judiciais) que permitem ao cidadão acompanhar e eventualmente contestar a legitimidade (i.e., a constitucionalidade, a legalidade, a regularidade) das decisões tomadas pelas autoridades públicas.
Além disso, li no Diário da República que a participação popular não se limita aos momentos eleitorais, mediante “sufrágio universal, igual, directo e secreto”, mas implica também a participação activa dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais, o permanente controlo/escrutínio do exercício do poder por cidadãos atentos e bem informados, o exercício descentralizado do poder e o desenvolvimento da democracia económica, social e cultural.
Então, uma vez que vivemos num Estado de Direito Democrático, qualquer cidadão atento e bem informado pode participar activamente na resolução dos problemas nacionais, e sendo a questão da Língua Portuguesa – maltratada pelo AO90 – um gravíssimo problema nacional, os cidadãos atentos e bem informados, no exercício do seu direito de participar activamente na resolução do gravíssimo problema, que deixa Portugal nivelado dezenas de zeros abaixo de zero, no que ao Ensino do Português e ao uso da Língua Portuguesa diz respeito, e de contestar a legitimidade da decisão de se impingir aos Portugueses o AO90, tal dá-me o direito de me dirigir aos governantes portugueses, e solicitar-lhes explicações racionais para a vergonhosa imposição a Portugal do ilegal e inconstitucional AO90, e no caso de não as haver (porque não as há) sugerir a anulação do AO90, e a reposição imediata da grafia de 1945, a que está de jure em vigor, já no ano lectivo de 2025/2026.

Os alunos que frequentam as escolas, hoje, com toda a certeza, não serão mais incapacitados intelectualmente do que os alunos de 2011/2012, que tiveram de abandonar, de um dia para o outro, a grafia ainda vigente, por Lei, para usar a grafia intrusa, ilegal e inconstitucional, que nem sequer está em vigor.
Como vivemos num Estado de Direito Democrático, até ao momento, muito democraticamente, os governantes portugueses, que estiveram no Poder desde 1974 até aos dias de hoje, incluindo o ainda presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, fizeram-se de cegos, surdos e mudos, e transformaram o Estado de Direito Democrático em Estado de Direito Ditatorial, ao não levarem em conta o direito dos cidadãos, que já se dirigiram ao “estado democrático”, a uma resposta racional, para uma pergunta também racional.
Sabemos que:

Por esse motivo, vou repetir a carta que escrevi ao Dr. António Costa, desta vez dirigida ao Dr. Luís Montenegro, recém-empossado no cargo de primeiro-ministro de Portugal, o qual, quem sabe, com o seu saber, discernimento e poder possa cortar este nó górdio, ou seja, possa ter uma resolução pronta e decisiva para eliminar o tóxico AO90, que está a destruir a Língua de Portugal, uma dificuldade que parece insuperável, mas não é.
Portanto:
Senhor Primeiro-Ministro de Portugal, Vossa Excelência quer saber o que pensam e dizem os estrangeiros sobre a submissão de Portugal ao Brasil na questão do AO90?
Sei que não quer saber. Não está interessado. Se estivesse, não faria orelhas moucas aos numerosos apelos públicos dos mais eminentes intelectuais dos países lusófonos que, energicamente, rejeitam o AO90, por este ser a maior fraude de todos os tempos.
Mas ainda assim, vou contar-lhe o que se passou num certo fim-de-semana, no ano de 2017, em Espanha, quando participei numa tertúlia, realizada na Galiza, num lugar frequentado por escritores, poetas, jornalistas, artistas plásticos, cineastas (sendo Mel Gibson o mais afamado que por lá passou) actores e também pessoas absolutamente comuns, com as mais diversas profissões, enfim, um lugar onde se discute e se troca Culturas, Artes, Literaturas, Ideias, Ideais e Políticas comuns, ou menos comuns, enquanto fazemos as refeições.
Como sempre acontece, sou a única cidadã de nacionalidade portuguesa, que pára por aquelas paragens, com a frequência possível. Nunca lá encontrei as mesmas pessoas.
Desta vez estavam presentes representantes do México, Suíça, de várias regiões de Espanha e de Portugal, representado por mim. E adivinhe, Senhor Primeiro-ministro, qual foi o teor de uma das nossas conversas: Portugal e a sua Língua, que nenhum dos presentes dominava. Comunicámo-nos em Castelhano e Inglês.
Então, aproveitei a ocasião para sondar aquelas pessoas, viajadas, cultas e conhecedoras do mundo, acerca do que pensavam sobre um país, que foi colonizador (tal como Espanha), vergar-se ao ex-colonizado (Brasil) adoptando a ortografia brasileira, destruindo, por completo, as raízes latinas, e a integridade de uma Língua, que é considerada pelos europeus, das mais belas e ricas línguas indo-europeias – a Língua Portuguesa.
A estupefacção foi enorme!
Os Mexicanos, que se encontravam presentes, e que foram colonizados por Espanha, consideraram rara esta submissão; os Espanhóis, que colonizaram parte das Américas do Sul e Central, disseram que era raríssimo o ex-colonizador absorver a Língua alterada do ex-colonizado, a Espanha jamais o faria; da Suíça veio uma interrogação que me deixou surpreendida, porque lá existe a ideia de que os Brasileiros têm uma Língua, e os Portugueses têm outra Língua: «Portugal está a adoptar o brasileño?» Assim mesmo: o brasileño.
Exactamente. Portugal está a adoptar o brasileño, na sua forma grafada, com a (má) perspectiva de o adoptar na sua forma falada, disse eu. E acrescentei: «Mas isto nem é raro, nem é raríssimo. Isto é caso único na História de toda a Humanidade. Conhecem algum país (ex) colonizador que tivesse adoptado a Língua que o (ex) colonizado herdou, mas alterou, originando uma variante da Língua Mãe, continuando, porém, a usar o nome original da Língua?
Ninguém conhecia. Bem puxámos pela memória. Mas não há memória de uma coisa assim, em tempo algum…
Pois é, Senhor Primeiro-Ministro, não tive como defender o governo de Portugal e esta sua política de vassalagem a uma ex-colónia. Nem podia. Deixei bem vincada a minha repulsa, e o descontentamento de milhares de Portugueses que, doravante, aquelas pessoas teriam a oportunidade de espalhar por onde passassem…
Desta vez, não pude impedir que Portugal fosse apoucado, no que respeita à desveneração que os sucessivos governos de Portugal e o actual presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, consagram ao símbolo maior da nossa identidade, a Língua Portuguesa.
Envergonho-me deles (dos governos e do PR que temos). E disse-o lá, bem alto... E continuo a envergonhar-me de todos, e também dos deputados da Nação e Partidos políticos (à excepção dos do PCP que escrevem correCtamente o Português) porque nada fizeram para repor a legalidade e a constitucionalidade da Língua Portuguesa.
De resto, faço o que posso e sei, para que Portugal regresse à sua origem linguística europeia, até porque não há outra origem.
Posto isto, solicito a Vossa Excelência, Senhor Primeiro-ministro, Dr. Luís Montenegro que, não a mim, particularmente, mas ao Povo que o ajudou a ocupar o cargo que agora ocupa, para servir Portugal e não os interesses do Brasil, se digne a dar-nos uma justificação racional para tão irracional atitude de nos impor uma grafia ilegal e que não serve os interesses dos Portugueses, e, principalmente, é um desrespeito para com as nossas crianças e jovens, que andam a ser enganadas, como para os estrangeiros que andam a aprender uma linguagem, a que chamam Português, grafada à brasileira.
Isto não é honesto, nem bonito.
Isabel A. Ferreira
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Sexta-feira, 7 de Março de 2025
O que a escritora Teolinda Gersão proferiu durante a Conferência, e anda a circular pelo Facebook, induzindo os menos atentos em erro, foi o seguinte (destaco a vermelho as incorrecções):
«O Acordo Ortográfico é demasiado irracional para ser levado a sério. Não posso entender como escrevemos "pára" sem acento ou "receção", que não existe em língua nenhuma e que os Brasileiros escrevem com "p". Nós começámos a cortar à toa as consoantes que não lemos e a língua tornou-se uma trapalhada. Nunca usarei o Acordo. Aliás, o "Diário da República" também não usa — linha sim, linha não, as coisas variam. A língua não evolui por decreto, e os Governos, que têm sido cegos, surdos e mudos, não mandam nela. Estou aberta a todas as mudanças, desde que elas sejam feitas pelo povo, pelos artistas e pelos escritores.»
Não é verdade que nós [eu não me incluo neste nós] começámos a cortar à toa as consoantes que não lemos. O facto é que o AO90, engendrado pelo enciclopedista brasileiro, Antônio Houaiss, com a cumplicidade do linguista português, Malaca Casteleiro, que na altura andava de candeias às avessas com Portugal, trouxe na bagagem a supressão das consoantes não-pronunciadas no Brasil. Escaparam algumas, porque os Brasileiros as pronunciavam, como percePção, aspeCto, perspeCtiva, infeCção e suas derivadas, entre outros poucos vocábulos, que escaparam à mutilação.
E se o AO90 não explica que a supressão das consoantes é coisa brasileira, tenho os meus apontamentos da Universidade Gama Filho, que frequentei no Brasil, em 1967, que não deixam dúvidas: a grafia que eu usava era a preconizada pelo AO90, suprimindo as consoantes não-pronunciadas. Também é um facto que eu aprendi a ler e a escrever no Brasil, com seis anos, e já escrevia setor, objeto, direto, teto, etc., etc., etc..
Portanto, os portugueses que se prestaram a ser cúmplices do acordo ilegal, começaram a suprimir as consoantes que o AO90 “obrigava”, mas também, e aqui sim, começaram a suprimir a torto e a direito as consoantes que pronunciavam, como em corrução, fato, contato, e tantas outras.
Seria de toda a conveniência que os Portugueses começassem a interessar-se mais por ler os textos que já foram publicados, ainda que em Blogues, onde se conta a história deste acordo. O problema é o preconceito: «ai os Blogues, os Bloggers, o que sabem eles?!!!!»
Sabem o que há a saber, através de fontes fidedignas.
Andam por aí a divulgar que o autor do AO90 foi Malaca Casteleiro. Malaca foi cúmplice do autor do abortográfico, Antônio Houaiss, um brasileiro-libanês que pretendeu e conseguiu deslusitanizar o Português. O papel de Malaca Casteleiro foi vir a Portugal convencer os políticos da época, um tanto ignorantes em questões linguísticas, que o AO90 era bom para Portugal. E os políticos acreditaram.
De leitura obrigatória é a investigação criteriosa, encetada e publicada pelo Jornal O DIABO em 05/12/2015, sob o título «O negócio do Acordo Ortográfico», que partilhei no meu Blogue («O negócio do Acordo Ortográfico»), como também João Pedro Graça, infelizmente já falecido, partilhou no seu Blogue Apartado 53, também infelizmente, já desactivado.
É de lamentar que os intelectuais portugueses sintam tanta aversão pelos Blogues, e só leiam os jornais de referência. É que nos Blogues está muita documentação oficial, que os jornais de referência não publicam, e muita informação válida, porque comprovada.
Depois há aquele medo de serem taxados de racistas ou xenófobos, e melindrar o Brasil, desconhecendo o conceito de uma coisa e outra. O Brasil não tem prurido algum em melindrar Portugal, quando usa a bandeira brasileira entre as bandeiras das Línguas Europeias para assinalar o Português.
O texto do negócio da Língua começa assim:
«O projecto, nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss, foi desde o início um empreendimento com fins lucrativos, apoiado por uma poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portugal.»
A partir daqui a história é contada com todos os pormenores.

***
Teolinda Gersão diz que o "Diário da República" também não usa [o AO90]. Isto só em parte é verdade, porque o “Diário da República” vai mais longe, aliás como os documentos oficiais do governo português: todos usam a linguagem mixordesa, criada a partir do AO90, e que integra o Português, a Variante Brasileira do Português, o acordês e o palermês (cmo contato, fato, entre outras, palavras que, em Portugal, de acordo com o acordo, se escrevem contacto e facto, porque nós pronunciamos o cê.
O Facebook tornou-se num lugar de desinformação e disseminação de mentiras acerca do acordo ortográfico de 1990.
É preciso acabar com este insulto a Portugal.
Isabel A. Ferreira
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Sábado, 25 de Janeiro de 2025
«A ortografia é um fenómeno da cultura, e, portanto, um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.»
Fernando Pessoa, Escritor
«Tem sido um desastre a forma como os governos têm gerido a língua portuguesa. O Acordo Ortográfico é um desastre, ninguém o cumpre, uns escrevem assim e outros, assado. No Brasil, o acordo é diferente, é a variante brasileira. Isto é um absurdo! Só estamos a criar muros quando já existem tantos muros. O nosso problema não é obviamente ortográfico, muitas vezes, é semântico, sintáctico e vocabular. O que temos de fazer é publicar os autores como eles escrevem, em Portugal e no Brasil.»
Bárbara Bulhosa, Directora e fundadora das Edições Tinta-da-China
«1. Os opositores ao AO tinham razão quando argumentavam que as grandes diferenças entre o português de Portugal e do Brasil não eram ortográficas, mas sobretudo de sintaxe.
- Os opositores ao AO tinham razão quando argumentavam que o AO não vinha unificar coisa nenhuma, criando até diferenças inexistentes na ortografia usada em cada um dos países (só um exemplo: antes do AO todos escrevíamos recepção, do latim receptio, agora só aos brasileiros é permitido tal privilégio, tendo nós, portugueses, sido condenados às galés da receção)»
Ana Cristina Leonardo, Escritora e jornalista, em artigo de opinião, no jornal Público, em 29-11-2024
Muito próximo das festas natalícias, ocorreu um facto (e facto agora não é igual a fato, como disse um putativo candidato à Presidência da República) assaz curioso, que pode ter passado despercebido à maioria dos leitores. O DN (Diário de Notícias) publicou um artigo de opinião de José Sócrates, intitulado “Defesa mínima consentida”, constituído por nove parágrafos, terminando os dois primeiros com a interrogação “Compreendido?”.
Tendo em conta o passado, em termos de ortografia, do autor do dito artigo, esperar-se-ia que a sua opção recaísse na ortografia do AO90, mas, surpresa das surpresas, no final do referido escrito, aparece a nota: “Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico.”
O leitor mais ingénuo pensaria, certamente, tratar-se de um acto de contrição, mais de um decénio depois. O leitor mais calejado optaria por querer ver, como São Tomé. Para que não fiquem dúvidas, consultou-se, na íntegra, o referido artigo, disponível na página da internet do jornal em
https://www.dn.pt/opiniao/defesa-minima-consentida
Analisando o escrito, parágrafo por parágrafo, conclui-se que é um objecto adequado para um jogo de “Verdadeiro ou falso?”. Expliquemo-nos:
- No primeiro parágrafo, a resposta é dúbia, pois não há uma única palavra afectada pela entrada em vigor do AO90. Compreendido?
- No parágrafo seguinte, o caso muda de figura. O autor escreve “actual”, “efectivas” e “exacto”, demonstrando a sua preferência pela ortografia de 1945, tornando verdadeira a afirmação da nota. Compreendido?
- No terceiro parágrafo, o autor grafa “janeiro” (em letra minúscula), em consonância com a nova ortografia, sendo falsa a afirmação da nota final. Compreendido?
- Prosseguindo na leitura do artigo, o quarto parágrafo, sobre uma floresta de enganos, e o quinto, sobre recursos, repetem exactamente a situação do primeiro parágrafo, não se podendo concluir da veracidade ou falsidade da afirmação. Compreendido?
- No sexto parágrafo, encontramos o termo “exceção”, numa inequívoca opção pela norma ortográfica do AO90, sendo, por isso, falsa a afirmação final. Compreendido?
- O sétimo e o oitavo, sobre o “faroeste jurídico”, possuem as mesmas características do primeiro e quarto parágrafos, não podendo concluir-se se a afirmação é verdadeira ou falsa. Compreendido?
- Para terminar, o parágrafo final, sobre manobras, traz com ele um “espetáculo”, numa clara opção pela ortografia do AO90. Compreendido?
Em conclusão, como muitos outros, José Sócrates embarca no comboio do faroeste ortográfico e usa uma mixórdia ortográfica (que por aí vai circulando), misturando duas normas completamente distintas. Compreendido?
Apetece perguntar, pela enésima vez: se é assim nos círculos cultos, como será com o cidadão comum?
Ah, como se pode ver nas imagens que acompanham este escrito e que foram retiradas de páginas de Facebook de grupos contra o AO90, a ribaldaria não levantou arraiais.
Ah, como Francisco Miguel Valada tem amplamente denunciado no blogue Aventar, no Diário da República, o espe(c)táculo continua.
Ah, a RTP e outros vão tendo umas saudáveis recaídas.
Ah, ainda existem uns comentadores com opções ortográficas coerentes.
Ah, quem pode resolver esta malaquice opta por assobiar para o lado.
João Esperança Barroca




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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2025
«Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa), mas também ‘caso’ (de justiça) é igual a ‘caso’ (do verbo casar) e ‘falta’ (no desporto) é igual a ‘falta’ (de carência).»
Pedro Santana Lopes, em artigo de opinião no jornal Sol, em 13-02-2012
«Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida.»
Verso da canção “Cavalos de corrida”, do grupo UHF
As pessoas têm que [sic] estudar mais, têm que [sic] saber do que falam.»
Pedro Santana Lopes no canal “Now”, programa “Informação Privilegiada”, no dia 25/11/2024
«Uma: as línguas são por natureza conservadoras – as suas mudanças raramente se produzem internamente, mas como resultado de tensões e pressões linguísticas externas ou produzidas por artificialismos, como os de reformas ortográficas que possam condicionar a modulação das palavras, o que, traduzido, liquida o argumento da vivacidade estuante das línguas (esse lugar-comum do organismo vivo). Imagine-se uma comunidade isolada do mundo, proceda-se a um estudo diacrónico da língua dos seus falantes e veja-se o que mudou ao longo de séculos. Duas: o Acordo Ortográfico de 1990 (que não chegou, efectivamente, a sê-lo) procura unificar (nem há como camuflar a pretensão deliciosamente fascizante) vertentes que, naturalmente, tendem a afastar-se. Ou seja, ao AO90, para ser bom, só lhe faltam as qualidades…»
António Jacinto Pascoal, em artigo de opinião no jornal Público em 05-12-2024
«Um dos objetivos do Acordo Ortográfico de 1990 era criar uma harmonização entre o português daqui e o do Brasil, e de outros países da lusofonia, até para facilitar a vida às editoras. Acha que isso faz sentido? E que esse caminho foi percorrido?
Não. E até provocou mal-entendidos. Para um leitor brasileiro não é fácil ler Saramago, ou mesmo Eça de Queirós, mas sabemos que são exemplos de boa escrita em português, e isso nunca foi um problema. O Acordo não fez com que se lessem mais autores brasileiros aqui ou mais portugueses no Brasil. Na verdade, não fazia falta. [...] Acho que hoje há um mercado no Brasil para a literatura contemporânea portuguesa, mas isso não teve nada que ver com o Acordo Ortográfico e sim com estas vagas de que falávamos.»
Álvaro Filho, escritor e jornalista brasileiro, em entrevista à revista Visão
Fazendo a habitual incursão por alguns órgãos de Comunicação Social, encontramos, como poderá verificar abaixo, as habituais calinadas que não existiam antes da aplicação do AO90:
- A polícia brasileira executou, esta terça-feira, "cinco mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e 15 medidas cautelares diversas da prisão, que incluem a proibição de manter contato com os demais investigados, a proibição de se ausentar do país, com entrega de passaportes no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, e a suspensão do exercício de funções públicas". Expresso, 19-12-2024;
- "O mais importante não é [o que está no papel] se houver um [acordo] mas o fato de que teremos a obrigação, para garantir a segurança no norte [de Israel], de realizar sistematicamente operações contra os possíveis ataques do Hezbollah, mesmo após um cessar-fogo", declarou. “RTP, 18-11-2024;
- “O Vulcain é extremamente completo, com mais de 306 ossos originais, ou seja, cerca de 80-85% do esqueleto, bem como metade do crânio, um fato notável, já que os ossos do crânio raramente se fossilizam”, explicou Mickeler.” RTP, 18-11-2024;
- “A rolha é um produto que está em contato com o vinho, portanto é um produto alimentar e, por isso, são tidos todos os cuidados. Há boas práticas da indústria alimentar e tudo o que tem a ver com tecnologia para controle de qualidade e inspeção deste produto – isso está hoje massificado nesta indústria”, explica ao Expresso Tiago Gomes, engenheiro de gestão industrial e um dos administradores da Azevedos Indústria. Contudo, três problemas motivaram a empresa a criar uma solução que facilitasse a produção da rolha de cortiça.” Expresso, 07-12-2024
- “Segundo Chavez, este material foi localizado pela última vez na quinta-feira na Calçada de Santana, perto do Martim Moniz, em Lisboa. “Se alguém tiver contato com algum destes artigos, entre em contato comigo, por favor”, acrescentou.” Expresso, 01-12-2024;
- É junto à seiscentista Ponte de Prado, que faz a ligação entre os municípios de Vila Verde e Braga, que passa o troço do Caminho de Santiago – Caminho de Torres no concelho. “Este caminho é percorrido por motivos de fé ou apenas de lazer, podendo os peregrinos desfrutar das paisagens, património e contato com a população local. Expresso, 28-11-2024.
Nos sítios do costume, continua a reinar a ortografia do costume, aquela que foi germinando nos infindáveis encontros de turismo ortográfico. Se é assim no meio jornalístico, como será com o cidadão comum?
Ah, a SIC Notícias continua, sem complacência a decepar consoantes.
Ah, como se vê, há gente que continua a ser enganada. Pensam que utilizam a nova ortografia, mas só o fazem parcialmente.
Ah, o Diário da República continua a promover a indústria têxtil. Com esta vaga de frio, o povo agradece.
Ah, Ricardo Araújo Pereira falou, mais uma vez, do AO90. O que disse no “Programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer “? A propósito da futura plataforma de Inteligência Artificial, afirmou: «O Acordo Ortográfico não constituiu um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua, mas, sim, um passo irrelevante».
Ah, é possível que 2025 nos traga uma ortografia coerente e lógica.
«Enquanto há língua, há esperança.» Vasco Graça Moura.



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Segunda-feira, 14 de Outubro de 2024
A aplicação do AO90 só foi impingida ao sistema educativo no ano lectivo de 2011/12, através da Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 8/2011 e a partir de 01 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República. Era José Sócrates primeiro-ministro de Portugal.
Portanto, a aplicação da mixórdia ortográfica em que se transformou a disciplina de “Português”, nas escolas portuguesas, NÃO tem muuuuitos anos. Tem apenas 12 (DOZE) anos.
Quase 800 anos tinha a Língua Portuguesa, estudada nas nossas escolas, desde o tempo de Dom Diniz, quando políticos ignorantes decidiram substituir uma pedra preciosa (a grafia portuguesa) por um pau de carvão (a grafia acordista).
Daí que dizer que «este AO90 foi um erro, mas já tem muitos anos e não é de todo possível voltar atrás» é de quem não faz a mínima ideia do que está a dizer.

A propósito disto, ocorre-me citar Henry David Thoreau (um sábio norte-americano) que, em 1849, escreveu o ensaio «Desobediência Civil», onde defende que NÃO devemos permitir que os governos controlem a nossa consciência e muito menos que nos tornem agentes de injustiça. Para Thoreau, a desobediência civil é uma forma de luta legítima e pacífica contra a opressão e os atropelos a que estão sujeitos os mais fracos.
E Henry David Thoreau questiona:
«As leis injustas existem. Devemos contentar-nos com obedecer-lhes ou devemos esforçar-nos por as emendar?»
A segunda opção é a opção racional.
Contudo, no caso da injustiça provocada pelo AO90 não se põe a questão de uma lei injusta, porque NÃO existe nem uma lei injusta, nem uma lei justa, o que existe é uma ORDEM parva. Mas a teoria de Toureau serve também para ordens parvas.
O que faz falta aos professores é muita LEITURA das obras e artigos que se têm escrito sobre esta matéria. Leiam, e ficarão a saber o quanto estão errados, por terem escolhido o caminho mais fácil.

A falta de discernimento desses professores (felizmente há raras e honrosas excePções) quando dizem, «pois, é, este AO90 foi um erro, mas já tem muitos anos e não é de todo possível voltar atrás agora», é de uma dimensão gigantesca. Quando o acordo ortográfico foi adoptado pelas escolas, em Setembro de 2011, alguém se lembrou de dizer «pois é, o AO90 não pode ser adoptado, porque a Língua Portuguesa já tem perto de 800 anos, e já não é possível voltar atrás, não é possível introduzir uma nova linguagem, ainda por cima MUTILADA e completamente DESCONCHAVADA, até porque milhares de gerações e alunos já a aprenderam, e não é de todo possível voltar atrás».
Isto é o que deveriam ter dito os tais professores, e não aceitarem servil e cegamente uma RCM, que não tem valor de lei, e é apenas uma recomendação (e deviam saber isto). Se uma RCM recomendasse que se atirarem-se todos para debaixo de um combóio, atirar-se-iam, apenas por recomendação de uma RCM? Contudo, ainda que a RCM tivesse valor de lei, existe uma ferramenta chamada desobediência civil, que nos dá o direito de desobedecer a leis parvas e injustas, quando está em causa algo como o património identitário do País.
Ou esses professores consideram que os alunos são tão idiotas, que não conseguem voltar atrás, e aprender o que é certo, sabendo que foram vítimas de uma parvoíce, de um erro ignorante e gigantesco?
Errar é humano, mas corrigir o erro é um DEVER, ainda mais humano.
Os professores deviam saber que as crianças e os jovens têm uma capacidade enorme de aprender e desaprender, num ápice, tudo e mais alguma coisa, porque o cérebro deles ainda tem muito espaço para a aprendizagem. O cérebro humano é como um disco de computador. Os professores NÃO têm o direito de bitolar a inteligência das crianças e dos jovens pela desinteligência e incapacidade dos adultos, perante o incorreto (incurrêtu), para dar lugar ao correCto (currétu). Os milhares de alunos, que escreviam correCtamente o Português em 2011, não tiveram de começar a escrevê-lo “incurrêtamente”, de um momento para o outro? E aprenderam-no ou não o aprenderam, ainda que muito mal, até porque nem os professores souberam aplicar o AO90, por lhe desconhecerem o conteúdo, e o que ensinam por aí é um vergonhoso e miserável Mixordês.
É inadmissível que se ouça professores a dizer que é de todo impossível voltar atrás com o AO90, quando o AO90 além de ser ilegal e inconstitucional, NÃO é coisa que se ensine às crianças e aos jovens portugueses, mas também aos estrangeiros, que pensam que estão a aprender Português, mas estão a levar com uma mixórdia ortográfica, sem pés, nem cabeça.
E isto configura um crime de lesa-aprendizes da Língua.
Também ouvi alguém a dizer que «se a língua está em “perpétua evolução”, também a ortografia, sua serva, deve obedecer à mesma deriva». O autor desta infeliz frase é um grandessíssimo ignorante que desconhece que a evolução de uma Língua se avalia pela fixação da sua ortografia, que foi o que aconteceu a todas as Línguas cultas europeias. Ninguém andou, por aí, a fazer acordos com ninguém, a não ser os dois países do mundo com mais ignorantes por metro quadrado: Brasil e Portugal. E quando se diz fixar a ortografia é fazê-la evoluir desde o seu nível básico, até ao nível mais erudito.
A Língua é como uma pedra preciosa no seu estado bruto: só depois de lapidada é transformada numa bela jóia, de valor incalculável. Todas as Línguas evoluíram, foram lapidadas, acrescentaram-se-lhe vocábulos novos, foram sendo actualizadas, que não é sinónimo de mutiladas. Uma Língua NÃO evolui quando reduzem as palavras, já lapidadas, à sua forma mais bruta, mais básica. A isto chama-se decadência, indigência, retrocesso. O AO90 fez recuar a Língua Portuguesa para o seu estado mais bruto.

Isabel A. Ferreira
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2024
«Eu sou contra o Acordo Ortográfico. Por isso, até me prenderem ou me darem cacetadas, escrevo em português antigo. E mesmo depois de prenderem e de me darem cacetadas.»
Nuno Markl, Humorista, locutor e escritor
«O acordo ortográfico é uma merda. A Academia [Brasileira de Letras] é uma excrescência de velhos tempos.»
Millôr Fernandes, Humorista e escritor brasileiro
«A confusão entre gramática e convenção leva a muitos enganos — como defender o Acordo Ortográfico porque a língua muda (pois muda, mas a ortografia não tem de mudar à força) […]. O acordo ortográfico trouxe confusão à ortografia e, nesse ponto em particular, estamos pior do que estávamos há 10 ou 20 anos. É um dado objectivo, que pode ser atestado pelo número absurdo de “fatos” que aparecem no Diário da República.»
Marco Neves, Tradutor, escritor e professor universitário
«Contrariamente ao muito que se diz por aí, as alterações que vão ser introduzidas são muito poucas e julgo que basta uma meia hora para os professores aprenderem as novas regras. E depois é aplicá-las.»
Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP), 02-09-2009 Diário Digital.
Em escritos anteriores, temos chamado a atenção dos caros leitores para todo o tipo de aberrações que têm visto a luz do dia, à boleia do inadjectivável AO90. Não será por acaso, como já o dissemos anteriormente, que Millôr Fernandes, numa das citações em epígrafe, tenha optado por um substantivo em detrimento de um adjectivo quando o seu propósito era o de caracterizar negativamente o dito acordo.
Neste escrito de Março, a nossa pesquisa centrou-se essencialmente no termo contato, que a par de fato, é uma verdadeira pedra-de-toque da cacografia. Limitámos, desta vez, a nossa pesquisa a um único órgão de comunicação social, o jornal O Minho, contra o qual nada nos move. Apenas queremos, mais uma vez, denunciar o infindável sem-número de atropelos, decorrentes da aplicação do AO90. Acrescentamos ainda que a maior parte das citações e das imagens são relativamente recentes, comprovando que vieram para ficar. É ainda imperioso mencionar que este tipo de erros não existia antes da aplicação forçada do inaplicável AO90.
Vejamos, então, os resultados de uma breve pescaria numa tarde de fim-de-semana:
- «No dia da visita/teste à viatura o suspeito contata o legítimo proprietário, informando que não será ele a ver o veículo, mas sim outra pessoa, pedindo-lhe para não mencionar valores monetários. Após a visita efetuada, o suspeito informa o legítimo proprietário que quer comprar a viatura e que lhe irá efetuar uma transferência bancária, enviando-lhe um comprovativo de transferência bancária (não efetivada).» O Minho, 02-03-2024
- «“A ambição para o novo escritório de Braga não se limita às 100 pessoas que pretende contatar nos próximos 12 meses, tendo objetivos de crescimento para a cidade acima das 500 pessoas num horizonte de quatro anos”, referiu o comunicado, enviado às redações no mês de outubro de 2023.» O Minho, 23-02-2024
- «Os fundos esperam que os contatos para a venda comecem em breve, com o objetivo de finalizar a transação até (sic) o verão.
[…] As autoestradas geridas pela concessionária têm experimentado aumentos médios anuais no tráfego de 12% desde 2011, sendo impulsionadas pelo fato de servirem como uma alternativa ao congestionamento na VCI, no Porto.» O Minho, 22-02-2024
- «Para a distrital, esta é “uma forma diferente de fazer política, com o contato directo e permanente com as pessoas e garantindo que tudo será feito para ir além do resultado histórico nas próximas eleições, e levar André Ventura a ser o próximo Primeiro-Ministro de Portugal”. O Minho, 03-02-2024
- «Após vários contatos com diversas fontes, O MINHO sabe que tanto a comissão política distrital do Chega como a concelhia não confirmam Eduardo Teixeira a concorrer por aquele partido.» O Minho, 25-01-2024
- «“A ambição para o novo escritório de Braga não se limita às 100 pessoas que pretende contatar nos próximos 12 meses, tendo objetivos de crescimento para a cidade acima das 500 pessoas num horizonte de quatro anos”, refere o comunicado.» O Minho, 11-10-2023
- «Segundo a SIC Notícias, a jovem estava no festival pela Paz, que foi invadido pelas forças do grupo palestiniano no último sábado. A última vez que a mulher entrou em contato com a família foi ainda na sexta-feira. O Minho, 09-10-2023
- «O programa também alerta que entre as espécies de gelatinosos que ocorrem em Portugal, esta é a que exige maior cautela, devendo ser evitado qualquer contato com os seus tentáculos urticantes, capazes de provocar fortes queimaduras.» O Minho, 21-08-2023
Ah, repare na semelhança entre as citações números 2 e 6. O erro atrai o erro, não é? Os revisores fazem falta, não é?
Ah, seguindo o conselho expresso na citação número 8, é de evitar o contacto com esses seres gelatinosos e com uma ortografia incoerente, ilógica, incongruente e desrespeitadora da sua etimologia.
Ah, quantas meias horas há em catorze anos?
Ah, além de se perceber que esta ortografia só pode ter tido origem em gente sem tacto, não podemos deixar de referir o fato que impulsiona aumentos de tráfego. Sabe o leitor onde se vendem tais fatos e semelhantes fatiotas? Que estes fatos custam caro, temos absoluta certeza!
João Esperança Barroca


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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2023
Juntos somos mais fortes e se queremos ganhar esta batalha, temos de estar unidos e concentrarmo-nos no que é importante. Na realidade, não estamos a lutar uns contra os outros, estamos a lutar contra a classe política portuguesa, inactiva e corrupta. Foram eles que nos meteram a todos nisto, portanto são eles que têm de ser responsabilizados por isso.
Variantes e divergências
Uma das principais características deste Acordo Ortográfico é o argumento das variantes e das divergências. Percebo porquê. Para aqueles que não falam Português ou não têm qualquer ligação com a língua e a cultura dos países que a falam, aqui fica uma pequena introdução ao assunto.
O português é a língua oficial falada em Portugal, por vezes designada como Português europeu. Este é o único Português, como sucede com o Inglês, a língua oficial do Reino Unido. Outros países, devido a séculos de colonização, adoptaram a língua portuguesa como língua oficial. No entanto, a forma como a língua é falada nesses países é diferente do português. Isso deu origem a variantes, tal como acontece com o Inglês. Apesar de haver muita coisa em comum, há também muitas diferenças entre elas.
Misturar má política com línguas
Os políticos portugueses decidiram “unificar”, segundo eles, a língua portuguesa, assinando o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90). Alegaram que seria benéfico para todos os países lusófonos ter uma língua unificada/simplificada. Na realidade, o que fizeram foi impor uma variante da língua (o português do Brasil) à Língua Portuguesa e, no processo, apagar a língua e a cultura de todos os outros países que falam a Língua. Alguns não assinaram este absurdo e, na realidade, apenas Portugal, ou melhor, os políticos portugueses, o impuseram aos seus cidadãos.
O resultado desastroso pode ser visto nos jornais portugueses, nos canais de televisão, nos livros e em todo o lado, incluindo o Diário da República, que deveria ser o diário oficial do Governo.
A LUTA DOS CIDADÃOS
Pouco depois de este absurdo ter sido imposto aos cidadãos portugueses, estes revoltaram-se e começaram a lutar pela sua língua, pela sua cultura, pelos seus valores e pela sua soberania. Mas isso também trouxe muita divisão e reacções negativas contra o Brasil e os brasileiros. Bem, nós não estamos a lutar contra o Brasil, estamos a lutar contra o Governo português. De facto, há muitos brasileiros que também se opõem a isso, apesar de para o Brasil ter sido só “business as usual”.
Temos de continuar a nossa luta contra esta ditadura linguística. Portugal é um país democrático; no entanto, os portugueses não tiveram voz activa neste absurdo, não o pediram, não o votaram, não foram consultados, portanto, como pode um Governo impor uma mudança destas aos seus eleitores sem o seu consentimento ou aprovação? Isto é uma ditadura e temos de actuar rapidamente para acabar com ela o mais depressa possível. Este absurdo tem de ser anulado e a Língua Portuguesa tem de ser restaurada. Para isso, temos de nos unir e travar a batalha certa.
Diga NÃO ao AO90!
[/tradução]
[Adaptação, destaques, sublinhados e “links” de JPG]
Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2023
«A corrupção é tanta que até já gamaram o P à palavra corrupto.»
Pedro Correia, Autor e jornalista
«Preservar este secular idioma passa pela revalorização de vocábulos antigos e pelo combate ao portinglês que nos invade, mesmo quando surge disfarçado de português (é o caso do anglicismo “evento”, hoje omnipresente). E por darmos luta sem tréguas ao chamado “acordo ortográfico”, que decretou a separação de famílias lexicais (lácteo mas laticínio, epilético mas epilepsia, tato mas táctil), inventou termos aberrantes (como corréu em vez de co-réu ou conavegador em vez de co-navegador) e substituiu a regra pelo arbítrio (uma trapalhada em que materno-infantil coexiste com infantojuvenil, bissetriz com trissectriz, cor-de-rosa com cor de laranja).»
Pedro Correia, Autor e jornalista, a propósito do livro Por Amor à Língua, de Manuel Monteiro
«O principal argumento contra o Acordo Ortográfico é a sua inutilidade. As dificuldades de leitura de textos da outra variedade da língua nunca estão relacionadas com a ortografia, as diferenças são outras. Para mudar a ortografia tem de haver uma razão muito forte, e eu não encontro aqui essa razão. As questões fiscais do comércio de livros entre Portugal e o Brasil são uma barreira mais grave do que a barreira ortográfica.
A ortografia do Acordo tornou-se menos adequada à fonética tanto do lado brasileiro como do português. As consoantes mudas tinham uma razão de ser, assinalavam uma forma diferente de ler a vogal, o que tornou mais difícil a leitura de algumas palavras. O Acordo criou uma instabilidade na língua que levou à existência de erros como "fato", em vez de "facto", mesmo no "Diário da República".»
Marco Neves, tradutor, escritor e professor universitário, no programa "Palavras Cruzadas" (Antena 2, 16/01/2023)
«Como os professores estão nas parangonas nos jornais, é deles que hoje falarei. Na última Feira do Livro de Lisboa, veio ter comigo uma professora de Língua Portuguesa que se apresentou, entre outras coisas, como leitora deste blogue. Disse-me que sabia que eu não tinha simpatia pelo presente Acordo Ortográfico (AO) e entregou-me meia folha A4 com um texto em que se explicava sumariamente que as escolas vivem hoje um autêntico caos linguístico, coexistindo no ensino da língua portuguesa três grafias: a do português pré-AO, a do AO e ainda outra, que é uma mistela de ambas e em que tudo parece ser permitido. Os maiores prejudicados por esta situação serão, muito naturalmente, os alunos, que aprendem uma coisa num ano e outra noutro, vêem os pais escrever de forma distinta daquela em que estão a ser ensinados e são penalizados nas notas pelos erros que muitos pais e professores não acham sequer que sejam erros. Diz ainda a nota que os professores são os Cavalos de Tróia desta operação com a qual frequentemente não concordam, vendo-se obrigados a ir contra a sua consciência.»
Maria do Rosário Pedreira, Escritora e editora
«[…] eles olham, mas não vêem; escutam, mas não ouvem nem entendem.»
Mateus, 13:13-16

Na linha do nosso escrito de Janeiro, voltamos hoje a escrever sobre corrução e corruto. Parafraseando Ricardo Araújo Pereira, deverá ser uma estratégia da defesa de alguns arguidos acusados do crime de corrupção. Desta maneira, a pena a aplicar será sempre muito reduzida, tendo em conta a prática inócua do crime de corrução. Como o caro leitor, certamente, deu conta, o AO90 veio trazer novos erros, que vamos respigando dos órgãos de Comunicação Social e de outras instituições.
Pesquisando apenas no jornal Record, detectamos as seguintes ocorrências:
- a) «Diretor de comunicação do FC Porto compara casos de corrução no Benfica com o que se passou com Pedro Pinho.» Record, 04-05-2021;
- b) O procurador-geral de Trinidad e Tobago autorizou na segunda-feira a extradição para os Estados Unidos do antigo vice-presidente da FIFA Jack Warner, acusado de corrução, crime organizado e branqueamento de capitais pelas autoridades norte-americanas.» Record, 22-09-2015;
- c) «O ainda vice-presidente do Sporting foi acusado de vários crimes (corrução, abuso de poder, burla qualificada, denúncia caluniosa e participação económica em negócio) e ouvido no Tribunal de Instrução Criminal pela primeira vez a 12 de junho de 2012.» Record, 03-03-2015;
- d) «Luís Figo defende que “é tempo de Blatter sair da FIFA por causa dos problemas de corrução”. Num [sic] entrevista publicada no diário espanhol ABC, o candidato português à presidência da FIFA diz que o “relatório Garcia”, que investiu as alegações de corrução na atribuição dos Mundiais de 2018 à Rússia e 2022 ao Qatar “devia ser publicado e se não o é, será porque a FIFA receia alguma coisa”.» Record, 11-05-2015.
Há poucos dias, mão amiga enviou-nos a seguinte lista de aberrações, criadas pelo AO90: Corréu, neoestoico, consunto, conarrar, conavegar, interruptor, opticidade, retouretral, semirrei, tecnolectal, cocolaborador, cooócito, perento, cocredor, cocapitão, adocionismo, expetar, cocoleta, contraião, intrauterino, cofiador, coutente, conavegante.
Parece piada ou brincadeira, não é, caro leitor? Se é assim na Comunicação Social, como será com o cidadão comum?
Para mais uma vez ilustrar o caos ortográfico que se instalou, repare como se escreve (neste caso, o que está em causa é a utilização do hífen) num jornal de referência «A seleção de espécies feita pelos nossos biólogos reflete a vegetação natural existente dentro da cidade de Lisboa, como oliveira, alfarroba, folhado, sobreiro ou capuz-de-frade”, enumera Fabio Brochetta [da Urbem, organização não-governamental]» («Estão a nascer mini-florestas no Areeiro», Ana Meireles, Diário de Notícias, 20-01-2023, p. 15), divulgado no blogue O Linguagista.



João Esperança Barroca
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