Terça-feira, 2 de Outubro de 2018

FERNANDO VENÂNCIO DIXIT: «ARRE, PORRA, VÃO-SE CATAR» A PROPÓSITO DA CARTA ENVIADA À UNESCO PELO MPLP

 

 

bruno_fernandes_nada_mais_facil_que_odiar_o_proxim

 

Foi usando estas expressões eruditas, referidas no título, que o mui ilustre escritor português, intelectual, crítico literário e académico, actualmente com a nacionalidade holandesa, Fernando Venâncio comentou no Facebook, numa página intitulada «Acordo Ortográfico Não!» a Carta enviada à UNESCO Pela Salvaguarda da Língua Portuguesa como Património Cultural Imaterial, subscrita por 61 cidadãos de nacionalidade portuguesa (que integraram o núcleo inicial, mas que, em poucos dias, já aumentou para 85).

 

Não que eu tenha alguma coisa contra o eruditismo de tão notável intelectual, muito pelo contrário, penso que tal até lhe confere bastante prestígio, além de que o insigne académico tem todo o direito e liberdade de expressar o que lhe vai na alma.

 

Mas não à custa do meu nome e de falácias.

 

Pois o notável escritor português, que agora tem nacionalidade holandesa, escreveu o seguinte, nessa tal página do Facebook, sobre a Carta à UNESCO, que, ao que parece, leu pela rama:

 

Fernando Venâncio:

 

«Como é possível que gente sensata como NUNO PACHECO, ANTÓNIO CHAGAS (António Chagas Dias?) e ANTÓNIO-PEDRO VASCONCELOS tenham aposto o seu nobre nome a esta abominável mixórdia (refere-se à Carta) cozinhada pela pseudo-linguista ISABEL A. FERREIRA, conhecida detractora do Português do Brasil?

 

«Existe actualmente uma situação absurda em Portugal, onde, de forma oculta, está a tentar-se substituir a Língua Portuguesa, conforme determinado no artigo 11.º n.º 3 da Constituição da República Portuguesa (CRP), pelo Dialecto Brasileiro», lê-se no texto.

 

Mais se lê: «O governo português violou a Constituição da República Portuguesa (CRP), impondo de forma brutal, autoritária, ilegal e inconstitucional, o dialecto brasileiro».

 

Meus Senhores e Amigos: para cozinhados indigestos, já nos chegava o próprio "Acordo Ortográfico de 1990".

 

Link para a Carta à UNESCO:

https://www.publico.pt/2018/09/27/opiniao/opiniao/carta-a-unesco-pela-salvaguarda-da-lingua-portuguesa-como-patrimonio-cultural-imaterial-1845511

 

Link para a publicação de Fernando Venâncio:

https://www.facebook.com/groups/acordo.ortografico.nao/permalink/2275121362512331/

 

***

 

Como mulher PENSANTE e LIVRE, sou frequentemente alvo do ataque de machistas que acham que a mulher foi feita para estar em casa a coser as meias do marido, ficar de boca calada, e não fazer sombra ao homem. Daí que me veja obrigada a vir a público, de vez em quando, defender-me desses ataques, não só para marcar posição, como também para pôr no seu devido lugar os que acham que as mulheres existem para serem dominadas socialmente pelos homens.

 

Ora acontece que, já há bastante tempo, sou o ódio de estimação do distinto crítico literário Fernando Venâncio, o qual certa vez me mandou calar, e claro, eu não me calei, fiz-lhe frente e fiz-lhe sombra, facto que ele nunca me perdoou, e isto acontece até aos mais ilustres intelectuais!

 

Excelentíssimo Senhor Doutor Fernando Venâncio,

 

Continuarei, como sempre, a fazer orelhas moucas aos que odeiam as mulheres que PENSAM, e desafio-o a mostrar-me onde encontra, no meu currículo, que é público, que sou "linguista", para dizer que sou pseudo; e exemplifique essa de ser "detractora" do que chama erradamente Português do Brasil; e justifique a designação de abominável mixórdia, para que os leitores percebam o que quis dizer com isso, e eu possa defender-me deste elevadíssimo ataque de um holandês.

 

Que me odeie, porque tem aversão a mulheres que PENSAM, que têm opinião, que não aceitam tudo o que suas eminências dizem, tudo bem. Estou habituada a esse tipo de ódio machista.

 

Mas não me calará com a sua verborreia! Entendido?

 

E tudo por causa do "dialecto", como se chamar dialecto ao que se fala e escreve no Brasil seja um insulto! Logo no Brasil, que é um poço de dialectos! Enfim, gostaria que as pessoas reflectissem, mas ao que vejo, reflectir é algo inacessível a muitos.

 

E os que mais criticam são os que menos fazem em prol da Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:36

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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE VI)

 

 

Continuando o périplo pela grafia que o governo português nos quer impingir, hoje destacamos as palavras começadas pela letra F, começando pelo vocábulo facção e o inacreditável enredo que o envolve.

 

GRAFIA6.png

 

Vejam o que anda a circular na Internet:

Facção – Wikipédia, a enciclopédia livre

https://pt.wikipedia.org/wiki/Facção

  1. Em cache

Facção (português brasileiro) ou Fação (português europeu) pode(m) referir-se a: Facção Central — um grupo de rap brasileiro, formado na cidade de São Paulo no ano de 1989; Facção Central - Ao Vivo — a primeira compilação do grupo de rap Facção Central; Família Facção — um álbum da banda de rap Facção ...

 

 

Eu quando li isto não quis acreditar!

 

Facção, assim bem escrito em boa grafia portuguesa, é português brasileiro???

 

E fação, (lê-se fâção), assim mal escrito, numa grafia analfabeta, é português europeu???

 

Mas nem aqui nem na China!

 

Isto é de uma ignorância descomunal.

 

E os linguistas portugueses permitem que uma barbaridade destas circule na Internet, e não fazem nada?

 

Não faço ideia de quem foi o ignorante que colocou esta parvoíce na wikipédia, mas seja quem for, mostrou uma ignorância descomunal, não faz a menor ideia do que seja o Português (dito europeu), e prestou um péssimo serviço à História das Línguas Europeias.

 

Ponto único: o Português É europeu, e não há Português de mais parte alguma.

O que há é dialectos.

 

E fação (fâção) seja lá o que isto for, nem é dialecto, nem Português. É uma aberração ortográfica qualquer, inventada por uma cambada de ignorantes, que querem, à força dessa ignorância, destruir a Língua Portuguesa, e pô-la ao ridículo perante o mundo.

 

Senhor presidente da República, não acha que está na hora de virar os seus afectos para a Língua Portuguesa, e salvá-la desta vergonhosa destruição?

 

É um DEVER de Vossa Excelência.

 

Isabel A. Ferreira

 

Ver também:

GRAFIA PORTUGUESA VS. GRAFIA BRASILEIRA

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE I)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE II)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE III)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE IV)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE V)

 

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:42

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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018

UMA DAS MAIORES IGNORÂNCIAS DOS ACORDISTAS É PRETENDEREM COMPARAR O AO90 COM AS ANTERIORES REFORMAS ORTOGRÁFICAS

 

Os acordistas estão-se nas tintas para a contestação gerada ao redor do AO90, porque, dizem eles, os “outros”, os das outras épocas (e atiram-nos com Fernando Pessoa) também contestaram as reformas de 1911 e 1945, e elas avançaram.

 

Isto só demonstra uma profunda ignorância, e é essa ignorância que pretendo demonstrar.

 

oslusiadas[1].png

 

Não há comparação possível quanto a isto, porque a motivação da contestação às anteriores reformas nada tem a ver com a motivação da contestação ao AO90.

 

Porquê?

 

1 - Porque o AO90 não foi movido pela evolução da Língua, mas tão-só por obscuros interesses, políticos e económicos.

 

2 - Porque as anteriores contestações basearam-se na “mudança”, e mudar, para alguns, é difícil, é complicado. Não tinham justificações concretas para contestarem o conteúdo, mas apenas a forma. Por isso as outras reformas avançaram.

 

Ao contrário, a contestação ao AO90 baseia-se em algo muito mais objectivo: na mutilação de palavras que conduz a estranhos sentidos e a pronúncias impronunciáveis, pois trata-se da imposição da grafia de um dialecto. E os anteriores reformistas jamais nos impingiram a grafia de um dialecto. A Língua que já era Portuguesa, já tinha deixado o estatuto de dialecto do Latim, foi modernizada. Um dia, ao dialecto brasileiro também acontecerá o mesmo: será Língua Brasileira.

 

Além disso, as reformas de 1911 e 1945 basearam-se na evolução da Língua. E para se entender isto, é preciso conhecer a Gramática e as regras pelas quais a Língua se rege. O AO90 não segue regras linguísticas. Segue regras de ignorantes. Porque todas as línguas, aliás, toda a actividade humana se baseia em regras. E isto, ou se sabe ou não se sabe.

 

Se se sabe, entende-se que as reformas anteriores ao AO90 assentaram em regras específicas que simplificaram a escrita, sem a desenraizar, sem a afastar da sua raiz greco-latina, sem a mutilar, sem a deformar, sem a desformosear, sem a descaracterizar.

 

Se não se sabe, faz-se papel de ignorante, ao dizer-se que “os outros” também contestaram as reformas, e que os contestatários actuais são velhos do Restelo, e que os brasileiros são milhões e nós milhares, como se isso fosse argumento para se destruir uma Língua.

 

A diferença entre as reformas ortográficas de 1911 e 1945 e a do AO90 é abissal.

 

Não cabe aqui esmiuçar a questão até á exaustão. Vou dar apenas os exemplos mais comuns:

 

Nas reformas de 1911 e 1945 o que era exahusto passou a exausto; o que era orthographia passou a ortografia; o que era portvgvesa, passou a portuguesa; o que era immoral passou a imoral; o que era lyrio passou a lírio; o que era pharmacia passou a farmácia; o que era phosphoro passou a fósforo, etc.. E o que mudou aqui? Suprimiu-se o H mudo, que não mudou a pronúncia; os Vs, para não serem confundidos, passaram a Us, e a pronúncia continuou a mesma; suprimiu-se o eme mudo, e a pronúncia continuou igual; substituiu-se o Y grego, pelo I do nosso alfabeto romano, e a pronúncia ficou igual; e o PH (som F) foi substituído pelo F do nosso alfabeto romano. Antigamente, grafava-se o fonema f com ph somente nas palavras de origem grega, por isso, Fernando Pessoa escrevia pharmacia com ph, e o F de Fernando, seu nome, grafava f. E o som era o mesmo.

 

Portanto, as consoantes mudas foram suprimidas apenas quando não interferiam com as vogais que as precediam, ou com a sua pronúncia, mantendo-se a etimologia e a elegância das palavras. As letras gregas foram substituídas pelas já existentes no nosso alfabeto, que é latino e não grego. E a matriz da Língua não foi alterada.

 

E a isto chama-se evolução.

 

Já o que acontece com o AO90 nada tem a ver com evolução, mas com a decadência da língua, assente na sua destruição deliberada.

 

O AO90 mutila as palavras, suprimindo consoantes mudas que interferem com as vogais que as precedem, alterando a sua pronúncia e, em determinados casos, o seu significado, afastando-as da sua etimologia, da sua raiz, e tornando-as visivelmente muito deselegantes.

 

Veja-se este exemplo: ao suprimir-se a consoante P no vocábulo adoção, não só se interfere com a vogal O que a precede, modificando a sua pronúncia (deve ler-se âdução), como no seu significado, que será algo a que se acrescentou bastante açúcar.

 

Agora repare-se neste conjunto de vocábulos, correctamente escritos, na grafia portuguesa, ao lado da sua forma mutilada, na grafia brasileira, com a respectiva pronúncia exacta:

 

Actor - Ator (âtôr); acepção - aceção (âc’ção); recepção - receção (rec’ção); adopto - adoto (âdôtu); afecto - afeto (âfêtu); arquitecto - arquiteto (ârquitêtu); tecto - teto (têtu); aspecto - aspeto (âspêtu); excepto - exceto (êxcêtu); coacção - coação (cuâção); colecta - coleta (culêta); correcto - correto (currêto); erecto - ereto (irêtu).

 

Repare-se na elegância da grafia portuguesa em relação à outra. As palavras mutiladas não são nada. Não significam nada. Não pertencem à Língua Portuguesa. São deselegantes. Ao lhes serem suprimidos os Cês e os Pês, interferiu-se com as vogais que as precedem, mudou-se-lhes a pronúncia, e, em certos casos, o significado também mudou, como na palavra coação (cuâção), que significa o acto de coar, e não coagir, como os acordistas pretendem.

 

E isto a isto chama-se decadência.

 

Ao olhar para estas e todas as outras palavras mutiladas, e as sem hífenes e acentos que nos querem impingir, é como se olhássemos para esta imagem:

 

DECADÊNCIA.png

 

Na verdade, o AO90 é isto: é a desistência da Arte de bem grafar as palavras; é tornar degradante o que já foi belo.

 

A falsa reforma do AO90 baseia-se na mutilação de palavras, supressão de hífenes em palavras compostas que, sem eles, ficam com outro significado; e eliminação de acentos que descaracterizam os vocábulos, o que resultou num monumental empobrecimento da Língua, na destruição da sua matriz, na deformação e afeamento das palavras, e em inúmeras incongruências que a leviandade e os motivos obscuros que estão por detrás de tudo isto desencadearam.

 

Nada disto faz sentido, porque o AO90 tem como objectivo único impor-nos o dialecto brasileiro, justificando esta imposição com o argumento da quantidade, sobrepondo-a à qualidade: «eles são milhões e nós milhares», e isto nada tem a ver com o que levou Dom Diniz a rodear-se de estudiosos da Língua e a demarcar o Português, que se afastou do idioma galaico-português, usado por Galegos e Portugueses, e mais tarde em 1911 e 1945, outros estudiosos da Língua adaptaram-na aos tempos modernos, mas jamais a mutilaram, a deformaram, a empobreceram.

 

A Língua Portuguesa é uma língua românica ou neolatina, oriunda do Latim, introduzido na Península Ibérica aquando da invasão romana. É uma Língua irmã do Galego. Tem genealogia, tem história e é memória (cf. Fernando Paulo Baptista). Portanto, é inadmissível que um bando de ignorantes destrua essa genealogia, essa história, essa memória, apenas por que sim.

 

Anda-se há anos a tentar unificar o que não é unificável. Nada resultou, porque não pode resultar. Por que se há-de insistir neste monumental erro?

 

Lê-se por aí que a Língua portuguesa é o único idioma moderno a admitir duas ortografias, o que dificulta a sua promoção externa, quer em universidades estrangeiras, quer em organismos internacionais em que Portugal tem assento.

 

Mas que falácia é esta?

 

Tomemos a Língua Inglesa como exemplo. Uma língua culta e europeia, grafada nas suas ex-colónias de modo diferente e falada até de modo diferente. Mas quando se trata de promoção externa ou em universidades estrangeiras é a Língua Inglesa, na sua forma culta e europeia que prevalece, e não o dialecto americano. E o mesmo se dá com as outras línguas de ex-colonizadores.

 

Então porque há-de Portugal vergar-se ao dialecto brasileiro, e esquecer que a Língua Portuguesa é a Língua Portuguesa? Para agradar a quem?

 

É que aqui não se trata de uma “reforma ortográfica”, mas trata-se tão-só de impor o dialecto brasileiro a Portugal, ao mundo dito lusófono e aos estrangeiros, só porque eles são milhões.

 

Eu jamais trocaria a Língua Inglesa ou o Castelhano, que domino, pelos dialectos americano e sul-americanos. E a quem se dispõe a aprender Línguas, não lhe interessam dialectos, a não ser para complementar o conhecimento.

 

Lê-se também por aí que a “diferença” ortográfica era o principal impedimento à circulação do livro português no Brasil. Mas em Portugal não há impedimento. Os Portugueses sempre leram (os que lêem) as obras de autores brasileiros no seu original, e nunca foi impedimento a sua circulação em Portugal. Porquê? Os Brasileiros serão menos espertos do que os Portugueses?

 

Mas se isso é impedimento, então o Brasil que adopte a grafia da Língua Portuguesa, e não o contrário. Eles são milhões? E daí? São milhões e têm um dialecto. Nós somos milhares e temos uma Língua. Porque se há-de impor o dialecto em detrimento da Língua?

 

É chegada a hora de cortar o cordão umbilical, e cada um ficar com a sua grafia, pois, para haver unificação, ou passamos todos a ser Pôrrtugau, ou passamos todos a ser Bráziu.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:47

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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2018

A LÍNGUA PORTUGUESA É SIMPLESMENTE A LÍNGUA PORTUGUESA

 

É um descomunal disparate andar por aí a falar-se na versão europeia da Língua Portuguesa e no português brasileiro...

 

A Língua Portuguesa não é uma VERSÃO de coisa nenhuma. A Língua Portuguesa é simplesmente a Língua Portuguesa.

 

E quando se fala (erradamente) do português brasileiro, está-se a falar do crioulo brasileiro, um dialecto sul-americano, com o qual Portugal jamais estará comprometido.

 

LÍNGUA.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:04

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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

QUE PORTUGUÊS PARA A ONU?

 

ONU.jpg

 

Na entrevista feita pelo acordista Jornal Expresso a Luís Faro Ramos, presidente do “Camões” – Instituto da Cooperação e da Língua (mas qual língua?) li que fazer do Português uma das línguas oficiais da ONU é uma aposta estratégica do Governo (mas qual governo?). E esta foi uma das razões que levaram Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios dos Estrangeiros, a nomear pela primeira vez um diplomata para dirigir o instituto que tutela a língua e a cooperação.

 

E aqui colocam-se algumas questões: o tal “Camões” que agora é cooperador dos verdugos da Língua Portuguesa, nesta questão, estará a servir os interesses de quem? De Portugal, como Estado soberano e independente de influências estrangeiras, ou do Portugal subserviente aos interesses do Brasil?

 

É que a Portugal só interessa apresentar na ONU a Língua Materna Portuguesa, na sua versão culta e europeia, para não destoar das restantes Línguas Maternas cultas (algumas europeias) que fazem parte das línguas oficiais da ONU, a saber: o Inglês (de Inglaterra e não das ex-colónias); o Francês (de França e não das ex-colónias); o Chinês (o mandarim e não nenhum dos dialectos chineses); o Espanhol, (de Espanha e não das ex-colónias); o Árabe culto e não nenhuma das suas variantes; e o Russo, Língua Materna da Rússia e de vários outros países da Eurásia, e não nenhuma das suas variantes.

 

Ora não podemos apresentar na ONU outra língua que não seja a Língua Materna de Portugal, que é a Língua Portuguesa na sua versão falada e escrita, culta e europeia, e não na variante ortográfica brasileira que tem implicações com a oralidade (por exemplo, os que escrevem “direto” terão forçosamente de ler “dirêto”, sob pena de estarem a pronunciar mal o monstrinho ortográfico), e a qual andam a impingir aos Portugueses.

 

Sabemos que a aposta estratégica do Governo é a de apresentar à ONU a versão brasileira da Língua Portuguesa, no que respeita à ortografia, até porque foram os Brasileiros que tiveram a ideia primeiro, porque acham que eles são milhões, e nós, os outros escreventes e falantes lusófonos, que incluem os Angolanos, Moçambicanos, Timorenses, Cabo-Verdianos, São-Tomenses e Guineenses somos apenas milhares. Por isso, é tão importante para Santos Silva que os portuguesinhos aceitem o AO90 sem barafustar. A negociata passa por este detalhe. Por isso, o nosso ministro dos negócios DOS estrangeiros anda tão empenhadíssimo nesta negociata, e o “Camões” (quanto desprestígio para o Poeta!) ajuda a esta “missa (ão)”.

 

Portugal não pode impor-se internacionalmente com uma variante da Língua Portuguesa. Seria o desprestígio total. E penso que a ONU descartará essa possibilidade, a exemplo do que já fez o Vaticano: a Língua Portuguesa deixou de ser língua de trabalho na Cúria Romana, por ter perdido o seu cunho de língua culta europeia...

 

(Ler notícia aqui)

A SANTA SÉ FARTOU-SE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-santa-se-fartou-se-do-acordo-22657

 

LUSOFONIA: BISPOS LAMENTAM SUSPENSÃO DO USO DA LÍNGUA PORTUGUESA NOS PROCESSOS DE CANONIZAÇÃO

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/lusofonia-bispos-lamentam-suspensao-do-48332

 

Seria uma vergonha, um país europeu impor-se internacionalmente com um dialecto mutilado, e não com a Língua Materna, como todo os outros.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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