Segunda-feira, 30 de Julho de 2018

«ABORTO ORTOGRÁFICO»

 

Um texto que descobri no Blogue DEPROFUNDIS, o qual vem ao encontro do que, no meu Blogue, tenho andado a escrever e publicar.

É que eu não invento nada. E a minha opinião até pode valer zero, mas o que escrevo é o eco dos amantes da Língua Portuguesa.

E não sou, de modo algum, a “chata” de serviço.

 

LÍNGUA.jpg

Origem da imagem:

https://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/a-importancia-da-lingua-portuguesa-1381869

 

 

Adaptado de um texto de autor desconhecido

 

Nossa Língua “perdeu” as suas origens (o Latim), não havendo justificação para a forma como agora querem escrever o “NOSSO” PORTUGUÊS.

 

EXPLIQUEM AGORA AOS ALUNOS COMO SE FORMARAM ESTAS NOVAS PALAVRAS!!!!!

A MAIS VÁLIDA QUEIXA, SOBRE O "DESACORDO" ORTOGRÁFICO...

 

"DESAcordo" Ortográfico (*)

 

O novo "Desacordo" ortográfico é mais uma prova da imbecilidade desta gente que governa Portugal nos últimos 3 decénios!

 

Nos nossos sete, oito e nove anos tínhamos que fazer aqueles malditos ditados que as professoras se orgulhavam de leccionar. A partir do terceiro erro de cada texto, tínhamos que aquecer as mãos para as dar à palmatória. E levávamos reguadas com erros destes: "ação", "ator", "fato", "tato", "fatura", "reação", etc., etc...

 

Com o novo acordo ortográfico, voltam a vencer-nos, pois nós é que temos que nos adaptar a eles e não ao contrário. Ridículo...

 

Mas, afinal de onde vem a origem das palavras da nossa Língua? Do Latim!!! E desta, derivam muitas outras línguas da Europa. Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim.

 

Então, vejam alguns exemplos:

 

Em Latim

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selectio, exacto, excepto, baptismus, excepcio, optimus,

 

Em Francês

Acteur, facteur, tact, réacteur, secteur, protecteur, sélection, exacte, excepté, baptême, exception, optimum,

 

Em Espanhol

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selección, exacto, excepto, (-), excepción, (-),

 

Em Inglês

Actor, factor, tact, reactor, sector, protector, selection, exact, except, baptism, exception, optimum,

 

Até em Alemão, reparem:

Akteur, faktor, takt, reaktor, sektor, protektor, (-)(-)(-)(-)(-)(-)

 

Velho Português (o que desleixámos)

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selecção, exacto, excepto, baptismo, excepção, óptimo,

 

Novo Português (importado do Brasil)

Ator, fator, tato, reator, setor, protetor, seleção, exato, exceto, batismo, exceção (sendo que no Brasil se escreve excePção), ótimo...

 

Conclusão: na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente.

 

Se a origem está na Velha Europa, porque é temos que imitar os do outro lado do Atlântico?

 

Mais um crime na Cultura Portuguesa e, desta vez, provocada pelos nossos intelectuais da Língua de Camões.

 

Ex.: Será que fui de fato à praia?

 

... Na tourada, estavam 2000 espetadores!

...etc., etc.

 

Porque se escreve Egito se os naturais desse país são Egípcios?

 

Ainda não percebi se com o novo Desacordo ortográfico os Polacos também passaram a ser Poloneses e os Canadianos agora são Canadenses, como se diz nas Terras de Vera Cruz …

 

Inovações sim, mas sem exageros e com coerência !!!

 

(*) Não existe qualquer acordo, mas sim a "Resolução do Conselho de Ministros" n.º8/2011.

 

Nenhum dos Países da CPLP subscreveu esta "Resolução" (nem a Guiné Equatorial...)

 

NOTA: quem "faz" a língua são os falantes e não os académicos ou os políticos. Por outro lado, a língua escrita está subordinada à falada e não o contrário.

 

De qualquer forma, à medida que a língua falada evolui, torna-se necessário, de vez em quando, fazer alterações à forma de a escrever. O que é muito diferente de aproximar a escrita do registo brasileiro (algo que ninguém sabe ao certo o que é).

 

Neste "desacordo" o que me parece mal é o exagero insensato e imprudente das alterações impostas (pela via administrativa).

 

Acabe-se com ele o mais depressa possível, para nosso bem e, sobretudo das nossas crianças.

 

Fonte:

https://deprofundis.blogs.sapo.pt/aborto-ortografico-165526

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:42

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

REJEIÇÃO DA PROPOSTA DO PCP PARA ABANDONAR O AO90 - «UMA DECISÃO PARA LAMENTAR»

 

Excelente reflexão, de Luiz Menezes Leitão, publicada a 27 de Fevereiro de 2018, no Jornal i, ainda actualíssima.

 

É, de facto, para lamentar a cegueira mental que prolifera ali para os lados de São Bento, a qual não permite que os nossos deputados vejam o óbvio. A subserviência ao estrangeiro é demasiado evidente.

 

E Portugal irá pagar bem caro esta insólita aventura pelo Hemisfério Sul. (Isabel A. Ferreira)

 

LUÍS MENEZES LEITÃO.jpg

Luís Menezes Leitão

 (Os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

«UMA DECISÃO PARA LAMENTAR

 

 

O acordo ortográfico contribui para abolir as variantes cultas das palavras e as suas ligações etimológicas. A língua portuguesa torna-se mais pobre e distante das suas raízes, transformando-se num idioma de laboratório.

 

A semana passada foi marcada pela rejeição, pelo parlamento, da proposta do PCP de abandono do acordo ortográfico. Trata-se de decisão que demonstra bem a insensibilidade dos nossos deputados, uma vez que, perante o desastre que está a ser a aplicação deste acordo, o parlamento prefere ignorar o que se está a passar, assistindo pacificamente à destruição total da língua portuguesa. Porque de facto, com este acordo ortográfico, o português europeu está a transformar-se num estranho dialecto, com regras escritas incompreensíveis, que se afastam da sua etimologia e das restantes línguas latinas. Com a agravante de nem sequer haver qualquer uniformização com os outros países de língua portuguesa que ou não aplicam o acordo ou do mesmo resulta que sigam regras diferentes, graças à pronúncia que utilizam.

 

Um bom exemplo disto resulta da recente tradução do livro da escritora argentina María Gainza, que em espanhol se chama “El nervio óptico”, mas que no português acordista se transforma em “O Nervo Ótico”. O problema é que sempre se utilizou na língua portuguesa a expressão “ótico” como relativa ao ouvido, reservando-se o termo “óptico” para a visão. Tal é o significado dos respectivos antecedentes gregos “otikos” e “optikos”. O acordo ortográfico aboliu esta distinção essencial, mas apenas no português de Portugal, continuando a distinção a existir no português do Brasil. Será que isto faz algum sentido?

 

E o mesmo sucede com outras palavras como “recepção”, “concepção”, que se conservam sem alterações na ortografia brasileira, mas que na portuguesa passam a “receção” e “conceção”, facilmente confundíveis com “recessão” e “concessão”. Qual a necessidade de abolir a grafia anterior se o que se consegue é criar uma ortografia que ainda mais se diferencia da dos outros países lusófonos?

 

Isto já para não falar da multiplicação dos erros de escrita que o acordo ortográfico causou, com a absurda directriz de querer abolir as consoantes mudas, estando muita gente a abolir consoantes que continuam a pronunciar-se. É assim que já se viu aparecer erros como “fato”, “ineto”, “corruto”, que demonstram bem a falta de critério na abolição das consoantes pretensamente mudas.

 

E por último deveria salientar-se o facto de o acordo ortográfico contribuir para levar à abolição das variantes cultas das palavras e às ligações etimológicas das mesmas. Assim, a expressão culta “ruptura”, mais próxima do latim, foi transformada em “rutura”, esquecendo-se que já existia a variante popular “rotura”. Fala-se em “ótico” para a visão, mas esquece-se que a medição da mesma continua a ser a “optometria”. E os egípcios, pelos vistos, passaram agora a viver no “Egito”, esquecendo-se que a palavra Egipto tem origem no deus Ptah que, que se saiba, ainda não passou a Tah. Com o acordo ortográfico, a língua portuguesa torna-se assim mais pobre e distante das suas raízes, transformando-se num idioma de laboratório.

 

Na banda desenhada “Spirou e Fantásio”, da autoria de Franquin, aparece um vilão chamado Zorglub que pretende criar uma ditadura alterando o cérebro das pessoas, o que as faz falar e escrever numa nova língua, a zorglíngua, em que todas as palavras surgem ao contrário. Esperava-se que um parlamento democrático, como o português, nos livrasse deste triste destino. Mas afinal, graças aos restantes partidos, com excepção do PCP, vai tudo continuar como dantes. Isto não foi uma decisão parlamentar, foi uma decisão para lamentar.

 

Fonte:

https://ionline.sapo.pt/602187

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:35

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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

QUE PORTUGUÊS PARA A ONU?

 

ONU.jpg

 

Na entrevista feita pelo acordista Jornal Expresso a Luís Faro Ramos, presidente do “Camões” – Instituto da Cooperação e da Língua (mas qual língua?) li que fazer do Português uma das línguas oficiais da ONU é uma aposta estratégica do Governo (mas qual governo?). E esta foi uma das razões que levaram Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios dos Estrangeiros, a nomear pela primeira vez um diplomata para dirigir o instituto que tutela a língua e a cooperação.

 

E aqui colocam-se algumas questões: o tal “Camões” que agora é cooperador dos verdugos da Língua Portuguesa, nesta questão, estará a servir os interesses de quem? De Portugal, como Estado soberano e independente de influências estrangeiras, ou do Portugal subserviente aos interesses do Brasil?

 

É que a Portugal só interessa apresentar na ONU a Língua Materna Portuguesa, na sua versão culta e europeia, para não destoar das restantes Línguas Maternas cultas (algumas europeias) que fazem parte das línguas oficiais da ONU, a saber: o Inglês (de Inglaterra e não das ex-colónias); o Francês (de França e não das ex-colónias); o Chinês (o mandarim e não nenhum dos dialectos chineses); o Espanhol, (de Espanha e não das ex-colónias); o Árabe culto e não nenhuma das suas variantes; e o Russo, Língua Materna da Rússia e de vários outros países da Eurásia, e não nenhuma das suas variantes.

 

Ora não podemos apresentar na ONU outra língua que não seja a Língua Materna de Portugal, que é a Língua Portuguesa na sua versão falada e escrita, culta e europeia, e não na variante ortográfica brasileira que tem implicações com a oralidade (por exemplo, os que escrevem “direto” terão forçosamente de ler “dirêto”, sob pena de estarem a pronunciar mal o monstrinho ortográfico), e a qual andam a impingir aos Portugueses.

 

Sabemos que a aposta estratégica do Governo é a de apresentar à ONU a versão brasileira da Língua Portuguesa, no que respeita à ortografia, até porque foram os Brasileiros que tiveram a ideia primeiro, porque acham que eles são milhões, e nós, os outros escreventes e falantes lusófonos, que incluem os Angolanos, Moçambicanos, Timorenses, Cabo-Verdianos, São-Tomenses e Guineenses somos apenas milhares. Por isso, é tão importante para Santos Silva que os portuguesinhos aceitem o AO90 sem barafustar. A negociata passa por este detalhe. Por isso, o nosso ministro dos negócios DOS estrangeiros anda tão empenhadíssimo nesta negociata, e o “Camões” (quanto desprestígio para o Poeta!) ajuda a esta “missa (ão)”.

 

Portugal não pode impor-se internacionalmente com uma variante da Língua Portuguesa. Seria o desprestígio total. E penso que a ONU descartará essa possibilidade, a exemplo do que já fez o Vaticano: a Língua Portuguesa deixou de ser língua de trabalho na Cúria Romana, por ter perdido o seu cunho de língua culta europeia...

 

(Ler notícia aqui)

A SANTA SÉ FARTOU-SE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-santa-se-fartou-se-do-acordo-22657

 

LUSOFONIA: BISPOS LAMENTAM SUSPENSÃO DO USO DA LÍNGUA PORTUGUESA NOS PROCESSOS DE CANONIZAÇÃO

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/lusofonia-bispos-lamentam-suspensao-do-48332

 

Seria uma vergonha, um país europeu impor-se internacionalmente com um dialecto mutilado, e não com a Língua Materna, como todo os outros.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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Sábado, 8 de Outubro de 2016

«AS PALAVRAS E OS (F)ACTOS»

 

 

Um magnífico texto de Viriato Teles para se reflectir o estado caótico em que se encontra a Língua Portuguesa, que quem pode e manda continua a trucidar irracionalmente.

 

VIRIATO TELES.png

 

Texto de Viriato Teles  

(Jornalista e escritor)

 

30/09/2016 - 07:30

 

Querer “unificar” a língua através da ortografia é um disparate incomensurável e só pode resultar no inverso do que pretende.

 

A ser verdade, como proclamava Fernando Pessoa, que a minha pátria é a língua portuguesa, não tenho grandes dúvidas de que, mesmo contra vontade, irei por certo terminar os meus dias como apátrida. Há pouco tempo, Alberto Pimenta – outro poeta maior a quem, como Pessoa, só tardiamente Portugal irá prestar tributo – vaticinava que “daqui a uma centena de anos (pode ser mais, pode ser menos), o português deverá ser uma língua meia morta”. A avaliar pelo que nos é dado ler, ver e ouvir, acho que esta premonição só peca por optimismo.

 

Quando, em Abril passado, o Presidente da República falou de “uma oportunidade para repensar” o impropriamente designado “acordo ortográfico”, não faltou quem achasse que, desta vez e por uma vez, o poder político pudesse ter, se não a sabedoria, pelo menos o bom senso de entender o mal que já foi feito pela imposição de uma norma que confunde e complica tudo o que se propõe simplificar. Um padrão que atropela e mutila a língua quando insiste em expurgá-la das raízes etimológicas, numa verdadeira manipulação genética sem outro sentido que não seja o do negócio, e mesmo esse só a curto prazo. Uma tolice que enfia o idioma numa jaula de inconsequências – afinal a mesma teoria-do-zoo que os comissários europeus usam com as nossas maçãs e as nossas vidas, com os resultados que se conhecem.

 

A questão da língua deveria, essa sim, ser considerada um “assunto de superior interesse nacional”, palavrosidade que tanto enche a boca de políticos e doutores, mas pela qual políticos e doutores tão pouco têm zelado. Não é por teimosia ou conservadorismo que há, felizmente, quem insista na insalubridade do “acordo” e na urgência de revertê-lo enquanto ainda é possível erradicar a moléstia. Porque ele é cientificamente mau, socialmente inútil e culturalmente nefasto. Não se trata de uma opinião, mas de factos, evidenciados pelos numerosos escritos e pareceres de reputados cientistas da língua, em Portugal e no Brasil. E não é coisa que passe com o tempo, como uma vulgar dor de cabeça. O que ficar disto será para sempre. Os efeitos, aliás, já se estão a sentir um pouco por toda a parte: nas escolas, nas empresas, nas instituições ou nos jornais, multiplicam-se as evidências de que o AO falhou em tudo e só complicou ainda mais aquilo que se propunha simplificar.

 

O problema do “acordo” é um problema de pessoas e é um problema de políticas. E de vaidades e interesses. Idealizado pelo lexicógrafo brasileiro António Houaiss com o apoio do colega português Malaca Casteleiro, o projecto nunca foi encarado como devia, isto é, como uma questão essencialmente linguística. Um hipotético “alargamento do mercado editorial” foi o argumento mais fortemente esgrimido pelos defensores da coisa, transformando uma discussão que deveria ser científica, num argumentário político-económico. E assim, demudado em trunfo politiqueiro, o “acordo” acabou por originar um problema político sério, e a sério. De que o poder-de-turno não sabe muito bem como sair sem perder a face.

 

Como era de se esperar, a fugaz esperança vislumbrada nas palavras presidenciais não foi além do soundbyte. Para ser diferente, era necessário que os agentes políticos tivessem consciência de que uma língua é muito mais do que o conjunto de palavras e expressões, códigos, sinais e regras que os dicionários e as gramáticas registam, com maior ou menor rigor. Uma língua, para mais uma língua já relativamente antiga como o português, tem uma história, um percurso e uma memória, é uma entidade viva sujeita às regras naturais da existência. E por isso não pode ser manipulada sem ter em conta tudo o que está nela e para além dela: a origem e razão de ser desta ou daquela palavra, o modo como é utilizada, os diferentes significados que pode ter num ou noutro lugar, etc., etc..

 

Os agentes políticos de que falo são, na realidade, quase todos, independentemente do lugar que ocupam, quer sejam ou tenham sido ou queiram vir a ser governo ou oposição. A leviandade com que a grande maioria deles olhou para este assunto é, aliás, reveladora da incultura geral que se espalhou pelos aparelhos partidários. É célebre a história de um secretário de estado (por acaso da Educação e, por acaso também, do CDS) que justificava os atentados frequentes à ortografia e à sintaxe, perpetrados pelo próprio no respectivo blogue pessoal, com o facto de utilizar um computador sem corrector ortográfico. E Cavaco ainda hoje não sabe quantos cantos têm Os Lusíadas, mas isso não o impediu de ocupar sucessivamente os cadeirões de São Bento e de Belém durante duas dezenas de anos. Não faltam, aliás, exemplos de ministros, secretários ou directores-gerais incapazes de alinhar correctamente duas frases. E poderíamos continuar por aí afora, pois que até professores, jornalistas e escritores contribuem com quotas significativas para o estado de apedeutismo geral a que o país chegou.

 

Particularmente desconfortável é o facto de, em todo o espectro político português, apenas um partido de extrema-direita ter assumido uma posição frontal contra o “acordo”. Fê-lo, é claro, pelas piores razões, como se a língua portuguesa fosse propriedade dos portugueses, quando na verdade pertence por igual a brasileiros, angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, santomenses, guineenses, timorenses. E aos portugueses também, é claro. A língua é de todos eles, de todos nós, e também dos outros, luso-descendentes ou simples admiradores e cultivadores deste nosso jeito de dizer e de escrever. Com mais ou menos colorido tropical, o português cresceu e desenvolveu-se ao longo de nove séculos, moldou-se e acrescentou-se, multiplicou-se em milhões de vocábulos, e tornou-se a terceira língua ocidental mais falada no mundo, logo após o espanhol e o inglês.

 

E é por isso que querer “unificar” a língua através da ortografia, abastardando a etimologia e impondo umas absurdas e inexplicáveis “facultatividades”, é um disparate incomensurável e só pode resultar no inverso do que pretende. Hoje já se escrevem em Portugal, pelo menos três variantes do idioma: as de antes e depois do “acordo”, e a dos que misturam as duas e lhes acrescentam até palavras que não estão em nenhum deles. O português que se falará e escreverá dentro de cem anos será, seguramente, um em Portugal, outro no Brasil, outro ainda em Angola, e em Moçambique, até talvez em Timor. E então? Até pode acontecer que, nessa altura, o português seja já uma língua meia morta, como diz Pimenta, mas isso acontecerá independentemente de haver ou não acordo ortográfico.

 

Creio mesmo que esse risco é bem maior com um acordo desta (contra) natureza do que sem ele – e os casos do inglês ou do espanhol, que vivem desafogadamente há séculos sem nenhum espartilho, são em grande medida prova disso. As línguas, como as pessoas, nascem e crescem, vivem e morrem. E reproduzem-se, também. Se, e quando, o português vier a ter o destino do latim, outras línguas aparecerão em seu lugar, e só poderemos dizer como o engenheiro Guterres, “é a vida”. Até lá, é nossa obrigação tratá-la com rigor e carinho, e fazer o que for possível para que continue a desenvolver-se harmoniosa e naturalmente, única garantia de que poderá sobreviver-nos por muitos séculos.

 

Só assim, também, sobreviveremos como povo, já que a língua é a essência da nossa identidade cultural. Ou seja, da nossa vida – que não deveria estar à mercê de tão pequenas vaidades e tão grandes ignorâncias. Porque a língua é nossa, a única coisa realmente nossa que temos, mas pertence também aos que nos precederam e aos que estão para vir. Uns e outros merecem e exigem que a cuidemos.

 

 

Fonte:

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/as-palavras-e-os-factos-1745626?page=2#/follow

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:14

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Quarta-feira, 23 de Março de 2016

A SANTA SÉ FARTOU-SE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

 

A Língua Portuguesa deixa de ser língua de trabalho na Cúria Romana, talvez por ter perdido o seu cunho de língua culta e europeia...

 

A Santa Sé fartou-se do farrapo de língua em que se transformou a Língua Portuguesa, depois que o mal dito  e escrito AO90 foi imposto à força (da ignorância), com a intenção de que o Português passasse a ser língua oficial/de trabalho de organismos internacionais, como, por exemplo, a ONU.

 

A Santa Sé fartou-se, e fartou-se muito bem, tal como todos nós andamos fartos!

 

05175363 CÚRIA.jpg

Foto LUSA: Imagem divulgada pelo Osservatore Romano Basílica de S. Pedro, Cidade do Vaticano, 22 de Fevereiro de 2016. EPA / OSSERVATORE ROMANO

 

D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa recorreu esta segunda-feira aos mais de 160 milhões de católicos no Mundo que falam Português para contestar a decisão da Cúria Romana de afastar a Língua Portuguesa, «por ser muito complicada e aconselha a que a redacção das sínteses dos processos de futuros santos sejam redigidas só em Italiano, Espanhol, Inglês, Francês e Latim», as línguas cultas europeias.

 

D. Manuel garantiu que irá defender a continuidade da Língua Portuguesa no Vaticano, dando conta de que a estratégia será definida pela Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Esperamos apenas que o Cardeal-Patriarca de Lisboa defenda a Língua Portuguesa e não a língua acordizada que não passa de um dialecto mutilado...

 

Fonte:

http://observalinguaportuguesa.org/a-lingua-portuguesa-deixa-de-ser-lingua-de-trabalho-na-curia-romana/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:52

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O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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