Segunda-feira, 29 de Junho de 2020

AO90 (e não só): «Existe ressentimento entre Brasil e Portugal?»

 

João Santos (PhD Física) responde a esta pergunta.

 

E eu, que conheço a realidade de lá, tanto quanto conheço a de cá, não posso estar mais de acordo. É assim, tal e qual.

 

João Santos.jpg

João Santos

 

Podia dizer que "não, não existe", mas estaria a faltar à verdade e a ser politicamente correcto. Por mais que se queira dizer que não, que não existe nada, que são todos amigos e admiradores uns dos outros, isso, embora estatisticamente até seja verdade, não o é para todos, infelizmente. Pelo que eu tenho visto aqui no Quora e noutras redes sociais, isso não acontece e existe ressentimento de parte a parte, muitas vezes por causa dos próprios governantes, de uma forma mais ou menos deliberada. Vou tentar fazer duas listas que indicam alguns motivos de ressentimento dos portugueses relativamente ao Brasil e vice-versa. Atenção que pode não se aplicar à generalidade dos indivíduos, mas por vezes apenas a uma parte:

 

Razões de queixa dos portugueses:

 

  1. a) A Língua: existe uma sensação generalizada em Portugal de que os brasileiros se acham donos da língua portuguesa apenas por serem em muito maior número. O acordo ortográfico de 1990 veio reforçar isso. Muitos portugueses, embora as diferenças entre a norma brasileira e a norma portuguesa, quer ao nível da sintaxe, do léxico ou da ortografia, não sejam nem de perto nem de longe suficientes para considerar a separação do Português em duas línguas diferentes (a prova é que todos escrevemos e nos compreendemos perfeitamente nas redes sociais), desejam mesmo que as línguas se separem para deixarem o Português de Portugal em paz e sossego. Isto, em parte, é culpa das autoridades, que fizeram (ou deixaram fazer) o acordo ortográfico de forma a "colarem" a norma portuguesa à norma brasileira. Continuam a existir duas normas, mas no Brasil perderam o trema, alguns assentos e pouco mais, e em Portugal, uma grande parte das palavras, e palavras utilizadas todos os dias, foram alteradas e vão mesmo contra a forma de pronunciação portuguesa, resultando em aberrações linguísticas. Por essa razão, existem petições, iniciativas legislativas de cidadãos, grupos em redes sociais, boicotes, e juramentos de morte em nunca utilizar o acordo ortográfico nem comprar nada com o dito até ao fim dos dias, incluindo intenções de voto em partidos que sejam mais ou menos favoráveis ao acordo ortográfico. O certo é que existem ainda periódicos importantes, e grande parte dos maiores escritores portugueses, que não o utilizam nem virão a utilizar. Há posições extremadas do tipo: "antes a morte", como se se tratasse de uma invasão ao solo pátrio. E com alguma razão.
  2. b) As várias vagas de emigração para Portugal, embora o povo português seja acolhedor e goste de algumas características do povo brasileiro, considerando-o mesmo como um povo irmão, levantam em certos sectores políticos e sociais alguma xenofobia injustificada. É aborrecido e indesejável, mas não se pode dizer que não exista.
  3. c) A contínua reclamação por parte de alguns brasileiros de que os portugueses escravizaram os indígenas, que retiraram indevidamente ouro do Brasil, escravizaram tudo e mais alguma coisa, que carregam em cima uma culpa milenar de colonização (que nenhum português actual sente), e outras polémicas que surgem nas redes sociais, com acesas discussões, acicatam o ressentimento dos portugueses relativamente aos brasileiros que se envolvem, de parte a parte, nestas discussões inúteis e inférteis.
  4. d) Por mais que os portugueses digam que não se importam, que acham piada e que também fazem o mesmo ao próprios portugueses, só o simples facto de existirem piadas sobre portugueses no Brasil, provoca ressentimento em qualquer português. Até podem dizer que não, mas fazem-no apenas para serem politicamente correctos e imaginam logo se podem contar a piada ao contrário. E contam-na, se se lembrarem.

 

Razões de queixa dos brasileiros (um pouco especuladas; talvez existam mais que desconheço, uma vez que não sou brasileiro e peço a alguém que complete a lista nos comentários). De qualquer forma, esta é sempre a percepção de um português:

 

  1. a) Questão colonial. Existem brasileiros que não conseguem ultrapassar este facto, de que o território que é o Brasil hoje, já foi uma extensão do território de Portugal. Fazem sentir este ressentimento em muitas das questões colocadas no Quora. Existem brasileiros que desejariam que o território brasileiro tivesse sido conquistado por outra potência mundial que não Portugal, imaginando que, se assim fosse, à semelhança dos Estados Unidos da América do Norte, o Brasil seria hoje uma superpotência mundial.

 

  1. b) Questão da língua. Mais ou menos o sentimento recíproco, mas sem a agravante do acordo ortográfico, que pouco alterou a ortografia brasileira.
  2. c) O interesse e a crítica dos portugueses relativamente à política brasileira. Existem brasileiros que acham que os portugueses nem sequer deveriam pensar ou fazer juízos sobre a política brasileira, uma vez que não é nada com eles.
  3. d) E deve haver mais que desconheço.

Deixo apenas um comentário de Antônio Houaiss com uma sua opinião sobre a implementação do acordo ortográfico no Brasil, e a razão pela qual os brasileiros não se deveriam preocupar com isso (ao contrários dos portugueses). Estava coberto de razão.

 

 

(NotaEste senhor desconhecia a Língua Portuguesa e a pronúncia portuguesa em Portugal, nas várias regiões. Este senhor era adepto da deslusitanização da Língua Portuguesa, e aplicou-a. Este senhor está na génese do Acordo Ortográfico de 1990, por motivos económicos. Este senhor era brasileiro, filho de libaneses. A sua Língua Materna era a Libanesa, não era a Portuguesa. Daí este "desamor" pela língua do ex-colonizador - Isabel A. Ferreira).

 

Fonte:

https://pt.quora.com/Existe-ressentimento-entre-Brasil-e-Portugal/answer/Jo%C3%A3o-Santos-27?ch=1&share=4bb7ce7a&srid=LyCYf&fbclid=IwAR3v2ko3xyGJrZRQQtKEPFW56XaEVZfvQyOezyCJrr-QucO_8AUAy-2egrU

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:30

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Sexta-feira, 4 de Outubro de 2019

Lançamento do livro «Alegrias e Tristezas. Estudos sobre a Autobiografia de D. Isabel do Brasil»

 

Quer se goste, ou não se goste, queira, ou não queira, o Brasil tem um passado português. E nesse passado, nem tudo foram rosas, e nem tudo foram espinhos.

Contudo, os espinhos podem destruir-se. As rosas são eternas.  

 

Não queiram destruir esse passado, porque sem ele o Brasil não existirá como a grande Nação, que ainda não é, mas poderá vir a ser, no dia em que assumirem, como os outros países ex-colonizados, tal como os Estados Unidos da América do Norte, o seu estatuto de País livre, e cortarem definitivamente o cordão umbilical com o país colonizador, e seguirem o seu caminho, não, nem à frente, nem atrás, mas lado a lado, porque é lado a lado, e não a imporem-se, que os países livres constroem o futuro.

 

Desejo muito sucesso para este livro e para os seus autores.

Isabel A. Ferreira

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 10:57

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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