Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019

CASSETE DA POLÍTICA SUBJACENTE AO AO90, QUE OS GOVERNANTES PORTUGUESES ESTÃO A “ENGOLIR” SOFREGAMENTE

 

Publiquei há dias, neste Blogue, mas também na minha página do Facebook, um texto intitulado «Nos Canais de Televisão, Para Além do AO90, Reina o Espírito da Imitação Bacoca», que pode ser consultado neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/nos-canais-de-televisao-para-alem-do-167463

Então, um cidadão brasileiro fez uns comentários iguaizinhos a tantos outros comentários que os Brasileiros espalham pelas redes sociais e Internet, qual cassete, bem orientada e gravada, reproduzindo a política subjacente ao AO90, papagueada pelos acordistas portugueses, e engolida pelos actuais governantes de Portugal que, subservientemente, entram no jogo político, onde as equipas são Brasil e Portugal.

 

Gerou-se então entre mim e esse cidadão brasileiro, uma troca de palavras, bastante elucidativa, que diz do que verdadeiramente está em jogo, quando falamos de Acordo Ortográfico de 1990.

 

CASSETE2.png

Origem da imagem: Internet

 

A propósito do “Espírito da Imitação Bacoca”:

 

José Augusto Fondeca: Isso se chama "influência". É inevitável. Os EUA influenciam o Brasil e, o Brasil influência seus pares menores como Portugal e Moçambique. A música, a política e a cultura brasileira é largamente difundida em Portugal, mas o oposto não ocorre!

 

Isabel A. Ferreira: Como disse? O Brasil «influencia seus pares menores como Portugal e Moçambique?» Menores em que sentido? Territorialmente ou culturalmente?

 

José Augusto Fondeca: Isabel A. Ferreira em ambos! O Brasil está entre as 10 maiores economias do mundo; possui 209 milhões de habitantes; etc... Não há como negar que se trata de um gigante. Não há como não ser um influenciador...

 

Isabel A. Ferreira : José Augusto Fondeca discordo de si. O Brasil, actualmente, não está em condições de "influenciar" quem quer que seja, nem a nível político, nem social ou cultural. Ter 209 milhões de habitantes e estar entre as 10 maires economias do mundo, só diz do seu tamanho. O Brasil é o país mais violento do mundo; a cultura, o ensino, a educação deixam muito a desejar, entre outras questões, e não é de todo um bom exemplo para o mundo. Não se iluda com o TAMANHO. Nos menores frascos é que se encontram as melhores essências. E ao Brasil, neste momento, falta essência.

Não quero dizer com isto que o Brasil não venha a ser uma grande potência a longo prazo. Neste momento não é. Ainda têm muito, mas muito que fazer para lá chegar.

Mas estou a torcer para que seja.

 

Isabel A. Ferreira: José Augusto Fondeca o "gigante" Brasil, neste momento está reduzido a anão. E não está a influenciar beneficamente, na questão da Língua. E não me parece que cada vez será mais influente... Estamos a trabalhar para que não seja, porque Portugal é um país europeu. Não é um país sul-americano. Esqueceu-se?

 

José Augusto Fondeca: Isabel A. Ferreira não estou a julgar o tipo de influência. Estou a atestar que a influência existe e será cada vez mais forte. 209 milhões de falantes é um número muito expressivo. Uma economia forte e cultura larga são características que levam um país a influênciar outros. O Brasil tem muitos problemas. Mas não diminui seu poder nem sua grandeza. Sua belíssima crítica analítica sobre o uso do português brasileiro na imprensa portuguesa é prova incontestável de que o gigante Brasil está a adentrar Portugal... E vossa crítica é valida! Afinal, se Portugal não reforçar sua língua e cultura, seus 10 milhões de habitantes estarão a falar o português dos 209 milhões de brasileiros em muitos pouco tempo!

 

Isabel A. Ferreira: José Augusto Fondeca acontece que os Portugueses NÃO QUEREM que o Brasil se ADENTRE em Portugal. Temos culturas diferentes, falamos uma língua diferentemente, temos a nossa CULTURA EUROPEIA, não a queremos sul-americanizada, como a brasileira está norte-americanizada.

Não queremos falar a língua que 209 milhões de brasileiros falam, porque não somos brasileiros.

Isso jamais acontecerá, porque somos EUROPEUS. Os Ingleses jamais se interessaram pela linguagem que os milhões de norte-americanos e australianos falam. Somos poucos, mas somos EUROPEUS.

 

José Augusto Fondeca : Outro fator importante a ser considerado é que o Brasil é o maior produtor de conteúdo lusófono do mundo. O Brasil também possui a segunda maior rede de comunicação do mundo, com 100% de conteúdo em português brasileiro. A TV brasileira já adentrou Portugal e já figura nela há muito tempo através das novelas. Na internet, a maioria do conteúdo em português existente é brasileiro. A Disney americana já produz versões de seus conteúdos em português brasileiro. Em Nova York existem lojas com funcionários falantes da língua portuguesa do Brasil. Observe que é uma influência difícil de negar. Portugal terá que fazer uso de grande esforço para manter sua língua original... O que pensas disto?

 

Isabel A. Ferreira : José Augusto Fondeca a cultura novelística brasileira não nos interessa. O "brasileiro" que circula na Internet é de má qualidade. Também não nos interessa que o BRASILEIRO esteja implantado por aí, porque é BRASILEIRO, não é o PORTUGUÊS, reconhecido pelos países europeus.

 

Isabel A. Ferreira: Não percebe que a vossa implantação por aí é implantação BRASILEIRA? E a Europa sabe distinguir o que é português e o que é brasileiro: duas coisas diferentes, que jamais se fundirão.

 

Isabel A. Ferreira : A vossa tentativa de nos colonizar pela língua será o vosso maior falhanço. Neste momento parece, e apenas parece, que estão a dar cartas. Mas é uma ilusão. Pode crer. O Brasil jamais será uma potência sul-americana com este tipo de atitude colonialista. O colonialismo é coisa do passado. O seu discurso é o de um ex-colonizado com ganas de colonizar. E a isto chama-se complexo de inferioridade. Não se dá conta disto?

 

José Augusto Fondeca : Portugal está a se render à cultura brasileira. Isto é um fato inquestionável.

Embora não seja do gosto de alguns poucos portugueses, é visível que os jovens portugueses adoram a música brasileira e andam a cantar por toda parte.

A mídia televisiva de Portugal já está a adotar palavras do vocabulário do Brasil, tal qual atesta seu artigo.

As emissoras de TV brasileiras registram o sucesso expressivo das telenovelas junto ao público português que consome o conteúdo brasileiro.

Se Portugal já consome a música, a TV e a imprensa brasileira, não há como evitar que em breve se fale como no Brasil.

Com exceção a alguns portugueses tradicionais, a grande maioria consome conteúdo em português do Brasil. Afinal, é inevitável já que a maior parte está escrito em português do Brasil!

Seu artigo atesta isso com fatos!

 

Isabel A. Ferreira : José Augusto Fondeca vamos lá a ver, Portugal não está a render-se à cultura brasileira. Quem está a render-se à “cultura brasileira” (a designação é sua, eu chamo-lhe outra coisa), são apenas os escravos do poder, e uma fatia do povo português, ainda muito inculta. A fatia culta do povo português não se rendeu e jamais se renderá a uma intromissão estrangeira, ainda por cima de fraca qualidade.

 

Você está a confundir tudo. Estamos aqui a falar de LÍNGUA PORTUGUESA. Não estamos a falar de música, nem de novelas. É óbvio, que nós, portugueses, eu incluída, gostamos da MÚSICA BRASILEIRA, bem como gostamos das músicas portuguesa, francesa, italiana, inglesa, norte-americana. Os jovens portugueses cantam as músicas brasileiras, tanto quanto cantam e dançam ao som das outras todas que mencionei. Não se julguem exclusivos, nos nossos gostos, porque não são. Nem pouco mais ou menos.

 

E nós, Portugueses, a gostar ou a NÃO GOSTAR, não somos poucos. Somos muitos mais do que possa imaginar. Não se julguem os “reis do pedaço”, porque não são.

 

Apenas os MEDIA televisivos, escravos do Poder estão a adoptar vocabulário brasileiro, porque a legendagem, ou está na mão de brasileiros, ou de paus-mandados dos políticos.

 

E é bem verdade que as novelas brasileiras são do agrado de muitos portugueses (não de todos), até porque existe uma força oculta que os quer alienados, então encharcam-nos de novelas, futebol e reality shows de muito má qualidade.

 

Você deve viver numa bolha de ilusão, se pensa que Portugal está rendido ao Brasil, e brevemente andará por aí a falar à brasileira. Engana-se. Como já disse, apenas os escravos do Poder, se renderam à brasilidade. Portugal sempre soube livrar-se de invasores muito mais poderosos, e não será agora que se deixará ocupar por um Brasil que oferece novelas, música e uma língua mal falada e mal escrita. O ensino da Língua no Brasil é péssimo, e isto são os próprios brasileiros cultos que o dizem.

 

E engana-se quando faz menção a portugueses “tradicionais”. Os portugueses que combatem esta invasão da linguagem brasileira, são tudo menos tradicionais. São FUTURISTAS. VISIONÁRIOS. Têm ESPÍRITO CRÍTICO e não se vergam à mediocridade que que se quer impor a Portugal.

 

A sua visão de tudo isto, parece ser a de alguém que anda por aí a vender gato por lebre. Mas nem todos os Portugueses andam a dormir.

 

E engana-se. O meu artigo não atesta isto com “fatos”. O meu artigo apresenta FACTOS, cujo significado vai muito para além do entendimento de mentes que se escudam dentro de uma bolha ilusória e acham que são os “reis do pedaço”, quando são apenas meros peões.

 

(Aguardo resposta)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:37

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Domingo, 4 de Fevereiro de 2018

SABIAM QUE EM PORTUGAL OS TRIBUNAIS APLICAM MEDIDAS PREVIAMENTE COADAS?

 

Antes de dizer ao que venho, quero deixar aqui bem claro que a Língua Portuguesa é a Língua Portuguesa. Ponto. Uma língua de raiz indo-europeia e greco-latina. Ponto. Uma Língua que absorveu o léxico dos vários povos que viveram na Península Ibérica *, tais como os Celtas, os Iberos, os Lusitanos, os Romanos, os Suevos, os Visigodos, os Árabes. A Língua assimilada de todos estes povos constitui a Língua Portuguesa Culta. Ponto. A Língua dos Portugueses. Ponto.

 

(* Para quem não sabe, a Península Ibérica está situada na parte mais ocidental da Europa, e jamais pertenceu à América do Sul).

 

COAÇÃO.png

No que respeita ao AO90, não sei qual é a posição do José Alberto Carvalho (que conheci quando trabalhava na RTP, e sempre o tive como um Jornalista de excelência, profissionalmente e humanamente falando. Mas que esta “coação”, nesta imagem, não diz a treta com a careta, não diz, caro José Alberto. Não diz. E como é lamentável!

 

Pois é. Isto vai por aí uma “coação” pegada, na nossa muito subserviente comunicação social (e não só na TVI) destituída de qualquer brio profissional e de conhecimentos básicos da Língua Portuguesa. É que este substantivo feminino lê-se “cuâção”, (e posso afirmar que apenas os ignorantes lêem esta palavra abrindo o primeiro a), e o significado de coação (cuâção) nos dicionários de Língua Portuguesa **, é a acção ou o resultado de COAR, de filtrar um líquido; é sinónimo de coadura = passagem de um líquido pelo coador, ou o líquido já coado. Nada tem a ver, portanto, com COAGIR.

 

(** Nestes, não se incluem os dicionários acordistas que, cheios de erros básicos, são bons apenas para fazer fogueiras neste Inverno (com I maiúsculo) tão frio…

 

Isto é simplesmente, uma vergonha!

 

Já um destes dias, publiquei um texto sob o título

DEPUTADA DA NAÇÃO COAGIDA A NÃO VOTAR CONTRA O AO90 NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

 

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/deputada-da-nacao-coagida-a-nao-votar-98802

 

onde se refere a “moda” de os governantes andarem por aí a coagir (obrigar a fazer ou a não fazer algo, usando a chantagem, a força ou outro processo violento ou moralmente inadmissível, que nada tem a ver com COAR) deputados da Nação, quando se trata de votar matérias tabus, no Parlamento. Ora o AO90 (entre outras) é uma matéria tabu no Parlamento, a qual convém ao ministro dos Negócios Estrangeiros, ao primeiro-ministro e ao presidente da República silenciar ou puxar a brasa para a sardinha deles, quando se trata de votar.

 

Muitas vezes me pergunto o que levará “profissionais” da comunicação social portuguesa a escrever e ler mal a nossa Língua?

Há três hipóteses:

 

- ou já nasceram parvos, e como tal não deviam ocupar cargos que dizem respeito à coisa pública;

- ou fazem-se de parvos, a troco de dinheiro;

- ou sujeitam-se a ser parvos, com medo de serem despedidos.

 

Conheço alguns que se encaixam nas duas primeiras hipóteses e, portanto, são o que são, e a mais não são obrigados.

 

Também conheço muitos que, com medo de serem despedidos, sujeitam-se a fazer papel de parvos. E isso é terrível.

 

A mim, se me dissessem: «pagamos-te para fazeres-te de parva, ou vais para o olho da rua…», eu escolheria o olho da rua, porque é mais honesto andar a pedir esmola do que vender a alma ao diabo. Até porque há alternativas.

 

Simplesmente, esta geração de “jornalistas” tem medo de se UNIR, em bloco, e enfrentar as feras, e defender, com justa causa, o seu mais precioso instrumento de trabalho: as palavras bem escritas e bem ditas. Ou escrevemos e lemos correCtamente a nossa Língua, ou não há nada para ninguém… Sem jornalistas, a comunicação social PARAVA.

 

O mesmo acontece nas escolas: se os professores se UNISSEM e se RECUSASSEM, em bloco, a “ensinar” os alunos a escrever segundo a cartilha brasileira, sendo eles cidadãos portugueses, logo, europeus, logo, tendo o direito a ser tratados como europeus, e não como sul-americanos, as escolas PARAVAM. E como é fácil desensinar o que foi mal ensinado! As crianças aprendem e desaprendem tudo, rapidamente!

 

Conclusão: só os cobardes necessitam da mentira para iludir a realidade. E a realidade é que um tsunami da mais crassa ignorância está a assolar o país e a fazer dele a cloaca linguística da Europa. E o pior, é que quem poderia travar este tsunami, abraçou a cobardia.

 

Lamentável! Muito lamentável!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:06

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O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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