Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2022

«Em Defesa da Ortografia (XLIV)», por João Esperança Barroca

 

«O Português é a expressão da nossa identidade coletiva [sic] e da presença de Portugal à escala global, sendo que as diferenças no uso da língua portuguesa não a empobrecem, mas antes revelam as diferentes dinâmicas culturais de cada país na sua apropriação. A tentativa da uniformização ortográfica não constitui qualquer vantagem face ao mundo globalizado, pelo que o PSD defende a avaliação do real impacto do novo Acordo Ortográfico.»

Programa Eleitoral do PSD 2022, página 112

«O Acordo Ortográfico, que estraga a língua portuguesa, é de esquerda ou direita?»

José Pacheco Pereira, professor, cronista e político

João Barroca.png

 

Por João Esperança Barroca

 

Em Defesa da Ortografia (XLIV)

 

O primeiro texto em epígrafe aguça a curiosidade em relação à opção ortográfica deste documento do partido em que militam ou militaram, entre outros, Santana Lopes, Vasco Graça Moura, Cavaco Silva e Ricardo Baptista Leite, a quem o Expresso roubou há dias uma consoante. Para satisfazer essa curiosidade, pesquisámos com algum cuidado as mais de 150 páginas do referido documento.

 

A conclusão a que chegámos é a de que a opção ortográfica inicial foi a de seguir o AO90. Mas, como em muitos casos aqui exemplificados, em escritos anteriores, as perguntas que nos ocorrem são: Aplica o AO90? Em que proporção?

 

Ora, vejamos, num escrito com 100% oxigénio ortográfico e livre de emissões de AO90: Na página 142, pode ler-se: “A nossa concessão do Estado é diferente da esquerda.” O que o redactor queria dizer era certamente a nossa concepção do Estado… Trata-se de uma gralha, dirão os defensores da cacografia, enquanto vão assobiando para o lado. Erros destes existiam antes da adopção da mixórdia ortográfica? Todos sabemos que não.

 

João Barroca (2).png

 

Exemplifiquemos agora, recorrendo ao imenso manancial do documento:

 

- ação, ações, acionista, inação, interação surgem 78 vezes , mas activa(s) aparece em 4 ocasiões;

 

- afeta, afetação, afetadas, afetado(s), afetando, afetar, afetará e afetos são usadas em 15 ocasiões, mas afectados surge na página 138;

 

- agroalimentar, agroambiental, agroflorestal(ais), agroindústria, agroindustrial(ais) apresentam 18 ocorrências, contudo agro-indústrias tem uma, na página 46;

 

- ativação, ativamente, ativar, atividade(s), ativo(s)ativa(s), Reativar, hiperatividade registam 113 ocorrências, mas  activa(s)  surge 4 vezes e criptoactivos aparece na página 164;  

 

- atração, atratividade, e atrativo registam 17 ocorrências, a par de atractividade com uma;

 

- atual, atuais, atualmente, atualidade, atualização, atualizado,  atualizámos, atualizando, atualizar apresentam 74 ocorrências, mas actualizando aparece na página 109;

      

- carácter, com 5 ocorrências rivaliza com caráter que tem 4; 

 

- co-financiamento, com 3 aparições compete com cogestão e corresponsabilizem com uma cada;

 

- conta-corrente surge nas páginas 3 e 52 (duas vezes), mas conta corrente aparece na página 3;

 

- contra-ordenações na página 143 chama-nos a atenção para  contraordenações na página 39;

 

- Nos meses, numa espécie de dança entre maiúsculas e minúsculas, encontramos dezembro nas páginas 3, 98 e 158, Janeiro (página 7), janeiro (página 15), Julho (página 103), julho (páginas 3 e 158), junho (página 155), outubro (páginas 48 e 155), novembro (página 38) e setembro (página 12);

 

- dia-a-dia na página 147 lembra  dia a dia na página 26;

 

- efetivo(a),  efetivos(as), efetivamente, efetivar,  efetividade,  efetuada(s), efetuado, efetuam, efetuar surgem 43 vezes, mas  efectivadas aparece na página 74;

 

- elétrica(s), eletricidade, eletrificação, eletrónicos, microeletrónicos, eletroprodutores ocorrem 15 vezes, mas electroprodutoras está na página 77;

   

- espectro na página 18 chama a atenção para espetro na página 40;

 

- higiosanitário na  página 98 colide com  higiossanitárias, página 99;

    

- infra-estruturas nas páginas 24 e 51 contradiz as 53 ocorrências de  infraestrutura(s);

 

- mão-de-obra e matérias-primas (4 vezes) colidem com mão de obra e matérias primas, também com 4 ocorrências,  

 

- perceção(ões), percecionadas, percecionava, percetível e percetíveis são usadas nove vezes, mas percepcionados aparece na página 71;  

 

- perspectiva, página 34, colide com perspetiva(s) / perspetivada, que registam 12 ocorrências;

 

- pólos, página 56, é incompatível com  polos, na página 66;

 

- proteção / desproteção , ocorrem 55 vezes, mas protecção surge na página 110;

 

- sector(es), sectorial e sectoriais ocorrem em 40 ocasiões, colidindo com setor(es), setorial e setoriais, com 82 ocorrências.

 

Além destes exemplos de oscilografia, há a registar a veia criativa dos autores do documento com: ecoserviços, fenômeno, gênero, prefêrencia e trinômio, respectivamente nas páginas 98, 135, 139 114 e 60 e seção (nas páginas 25, 51, 62).

 

Apesar da oscilografia anteriormente posta a descoberto, convém, também assinalar a preferência por termos da ortografia acordista como: adoção, adota, adotado(a), adotados(as), adotando, adotar aeroespacial, anteveem, arquitetónicos, aspeto(s),  assunção, ator(es),  atos,  atua, atuação, atuando, atuantes, atuar, atuassem, autoabastecimento, autoemprego, autoestimaautorregulação, coação (que aqui não é acto de coar), coletiva(s), coletivo(s), conceção(ões), confeção, correção, correta(s), correto(s), Direção,  direcionados,  direto (s), direta(s)diretiva(s), diretor(es),  subdiretores, indiretamente, espetáculo, exceção, excecionais, extração, fações, fator (es), fatura, inspeção, instrumento chave, jardim de infância, letivo, objetiva, objetivamente, objetivo(s), objetoótica, otimização, otimizados, otimizar, projeção(ões), projeta, projetado, projeta-‑se, projete , projeto(s)reação, Reativar, redaçãoreflete(m), reflitarespetivo(s), respetiva(s), respetivamente, seleção,  seletivo, tetostransacionáveis e vetor(es).

 

Em oposição, muito esporadicamente, os autores do documento optam por termos do Português lídimo, como: conectividade, nas páginas 129 e 144 e peremptórios, na página 35.

 

Não podemos deixar passar em claro, na página 110, a coabitação, no mesmo parágrafo, de protecção e proteção. Situação semelhante acontece na página 128, onde coabitam sectores e setor.

 

Além do acima exposto, merecem referência as faltas do ponto na utilização dos ordinais (páginas 4, 108 e 120) e a ausência de acento, na página 105, em papeis (plural de papel e não forma do verbo papar).

 

(Imagens retiradas de páginas de Facebook de oposição ao AO90)

 

João Esperança Barroca

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:47

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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022

«Em defesa da Ortografia XLIII», por João Esperança Barroca

 

«É evidente que a escrita da palavra tem um carácter emblemático que não pode ser mudado por decretos ou acordos oficiais. Ao mesmo tempo, simplificar demais a ortografia é um simplismo contrário ao desenvolvimento intelectual de todos os povos que falam uma determinada língua. […] E creio também que o dito acordo [ortográfico] vai interferir na oralidade e a vai degradar. […] Em face de tudo isto, só posso sentir a mais extrema indignação

Sophia de Mello Breyner Andresen, Escritora

 

«Vivi na Inglaterra quase doze anos e reparei que os ingleses nunca se preocuparam se os americanos escreviam de forma diferente ou não. Para os ingleses o problema é dos americanos, não deles. Nunca foi por isso que a língua inglesa deixou de ter importância no mundo. […] Os ingleses fazem a língua através da sua escrita forte, apesar de serem muito menos do que os americanos; fazem a sua cultura valer (nós “vendemos” a nossa cultura).»

Mário Forjaz Secca, Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa

 

Na senda dos anteriores escritos, que põem a nu as fragilidades do AO90, continuamos hoje a expor as incoerências de alguns destes apoiantes da nova ortografia, em contraste com a posição assumida por muitos autores, tradutores, revisores e outros que modelam a língua. Tem sido um desfile, iniciado no Outono, que chegou ao Inverno e que, ao contrário da moda, não expõe fatos. Aqui fatos não são factos e para é uma simples preposição, que jamais ascenderá a forma verbal, como o mostra uma das imagens que acompanha este escrito, colhida na página do Facebook dos Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990.

 

 

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Dêmos (diferente de demos) então início ao desfile de mais um grupo de lesados pelo AO90:

 

- Martim Silva, director adjunto do Expresso, escreve Janeiro, Dezembro, directo, reacção e hiperactivo (saudável recaída!), mas ativo, fim de semana, novembro, objetivos e reação, o que lhe permite, na lógica do Expresso, poupar a módica quantia de três consoantes;

 

- O Conselho Superior da Magistratura grafa Janeiro, acção, actividade, actos, dia-a-dia, electrónico, excepção e respectivos, mas estas formas coexistem com afetação, agosto, atividade, atos, correção, Inspeção, projetos e com o cada vez mais omnipresente contato;  

 

- Gonçalo Ribeiro Teles, utilizador da nova ortografia, consultor de comunicação, usa anti-vacinas e fim-de-semana, por exemplo;

 

- Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda, escreve neocanabinóides, (acentuação que se saúda e inviabilizadora do fechamento da vogal que se vai insidiosamente instalando);

 

- Bebiana Cunha, deputada do PAN, grafa proactiva, mas, sem razão que se vislumbre, além do pouco estudo das Bases do AO90, opta pela forma reativa;

 

- A página do Governo no comunicado do Conselho de Ministros de 10 de Junho, utilizou a forma fim-de-semana;

 

- A mensagem de Ano Novo do Senhor Presidente da República leva-nos a concluir que se livrou do ortogravírus, pois desrespeita, como o mostrou Francisco Miguel Valada, a Base XIX; 

 

 

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- Para finalizar estes exemplos, Elísio Estanque, professor universitário e investigador, escreve Verão quente e verão quente na mesma linha.

 

Os acordistas mais assanhados dirão que erros destes sempre existiram e que o AO90 é alheio a esse facto. Como explicar, então, que a maior parte dos escreventes soubesse escrever correctamente na ortografia de 1945 e tenha deixado de o fazer nestes últimos dez anos? Lembre-se ainda que o AO90 surgiu, segundo os seus mentores, para simplificar e prestigiar o português no mundo. Simplificar? Só se for a ocorrência de erros. Prestigiar? Só no âmbito do anedotário.

 

JB2.png

 

«É preciso haver mais livros, é preciso haver mais língua. Devo dizer que o Acordo Ortográfico é das coisas que não ajudam, é a sabotagem da língua portuguesa no mundo. Eu sou muito radical em relação ao acordo, acho a diversidade muito mais poderosa do que a coesão. Depois há todas as razões que muita gente apontou melhor do que eu, como acabar com a história das palavras, ignorar a escrita como um acto de cultura e argumentar que são os sons que regem a língua. Este populismo barato de que a língua é o que se fala — a língua é o que se fala e o que se escreve! Como se o que se escreve não afectasse o que se fala: “recessão” não é o mesmo que “recepção”.»

João Paulo Borges Coelho, Escritor e historiador moçambicano

 

João Esperança Barroca

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:59

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Segunda-feira, 19 de Abril de 2021

O AO90 é o «resultado de um “conluio entre acadêmicos espertos e parlamentares obtusos”, como disse o editorialista brasileiro Hélio Schwartsman.»

 

Já se disse tudo o que há a dizer sobre o AO90, condenado a ser a maior idiotice jamais perpetrada em Portugal, por governantes e gente que perdeu o juízo, daí não haver mal que lhe não venha…

 

Por isso, há que repescar textos que, apesar de terem já umas barbitas brancas, são actualíssimos, como se tivessem sido escritos hoje.

 

Este, que hoje sugiro, é de 20 de Março de 2015, da autoria de Teresa Ramalho, que se irrita, tal como todos nós, com saber que tudo isto foi negociado à socapa com a cumplicidade de todas as maiorias que governaram em Portugal desde 1990 (com a bênção de todos os Presidentes da República do mesmo Período).

 

Isabel A. Ferreira

 

Fernando Alberto II.png

 

Por Teresa Ramalho

 

Acabado de publicar na página do Daniel Oliveira:

 

«Fiquei a saber na sua crónica de hoje no Expresso que se irrita quando quer usar “para” num título e desiste porque as pessoas podem [não] pensar que as está a mandar parar. Pois sabe o que me irrita? Eu digo. É, por exemplo, saber que uma funcionária da LEYA que trabalha em SÃO PAULO, quando lhe perguntam o que sucede aos LIVROS PORTUGUESES COM O ACORDO ORTOGRÁFICO, se se vendem bem, etc., e ela responde «Os livros são editados aqui no Brasil de acordo com… com a língua brasileira. Portanto, têm algumas alterações das [edições] de Portugal e a língua brasileira é ligeiramente diferente.» in (programa ANTENA 1 “Uma Portuguesa no Mundo”, de 17.03.15).


Também me irrita bastante ver que se escreve, em Portugal, “abruto”, “acupuntura”, “adatação”, “adeto”, “adómen”, “ajunto”, “amidalite”, “aministração”, “aministrador”, “anistia”, “apocalise”, “artefato”, “autótenes”, “avertência”, “batéria”, “batericida”, “carateres”, “cetro”, “compatar”, “conetar”, “conosco”, “contratura”, “convição”, “cootar”, “correu”, “corrução”, “corrutor”, “critografia”, “dianóstico”, “disseção”, “dítico”, “dútil”, “eletroténico”, “elipsou(-se)”, “elise”, “elítico”, “enográfico”, “erução”, “esfínter”, “espetativa”, “espetável”, “espetro”, “estupefato”, “etópica”, “eucalito”, “expetoração”, “ezema”, “fição”, “fratais”, “frição”, “ginodesportivo”, “helicótero”, “histeretomia”, “ilariante”, “impato”, “indenização”, “infeciologia”, “intato”, “inteleto”, “interrução”, “interrutor”, “invita”, “iterícia”, “latente” (não o que ainda não se manifestou exteriormente), “manífico”, “mastetomia”, “mição”, “nétar”, “Netuno”, “oção”, “ocional”, “onívoros”, “ostáculo”, “ostipação”, “otanagem”, “otativo”, “otogenário”, “otógono”, “pato” (não a ave), “perfecionista”, “piroténico”, “pitórico”, “plânton”, “politénico”, “protologia”, “proveta” (não a dos bebés e dos laboratórios), “putrefato”, “refratário”, “réteis”, “reto” (não a parte da anatomia), “seticemia”, “setor”, “sução”, “sujacente”, “suntuoso”, “ténica”, “tenologia”, “tenológico”, “tetónico”, “trato” (não a forma de lidar com outros), “trítico”, “tumefação”, “tumefato”, “umidade” e “vasetomia” (OCTÁVIO DOS SANTOS, Público, 13/03/2015), Ou seja, já nem sequer são os “cc” e os “pp” as únicas vítimas da sanha anti-consonântica.

 

E irrita-me ainda mais saber que tudo isto foi negociado à socapa, que estas consequências foram previstas e amplamente denunciadas antes de terem acontecido e tudo “passou” com a cumplicidade de todas as maiorias que governaram em Portugal desde 1990 (com a bênção de todos os Presidentes da República do mesmo Período), talvez o resultado de um “conluio entre acadêmicos espertos e parlamentares obtusos” como disse o editorialista brasileiro Hélio Schwartsman.»

 

Fonte: 

https://www.facebook.com/groups/acordoortograficocidadaoscontraao90/permalink/571738552929605/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:48

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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2021

Porque o que é Português é bom, os leitores escolheram o Jornal PÚBLICO como site de referência em Portugal com mais visitas

 

Diz o seu director-adjunto, Amílcar Correia:

 

"No ano que terminou, um ano para esquecer, como se chamava o nosso especial dedicado aos acontecimentos de 2020, o PÚBLICO foi o site de referência em Portugal com mais visitas. O PÚBLICO online totalizou mais de 276 milhões visitas durante o último ano, um crescimento de 43% face a 2019. O tempo médio de permanência dos leitores nas páginas do site aumentou 35% nos últimos 12 meses. Comparando com os dados revelados pelo Expresso e pelo Observador, o PÚBLICO teve mais 35% de visitas do que o primeiro (que registou um total de 203 milhões de visitas) e mais 4,3% do que o segundo (que registou 264 milhões de visitas)."  

 

Isto não surpreende, porque os Portugueses que LÊEM não procuram ler textos truncados, escritos no vergonhoso mixordês, que anda por aí, e nada tem a ver com a Cultura Linguística Portuguesa.

 

Quem LÊ, procura textos escorreitamente escritos em Bom Português, e não só o Jornal PÚBLICO, como LIVROS, que, felizmente, estão a desabrochar, por aí, em Bom Português, incluindo as traduções de obras estrangeiras.

 

Parabéns PÚBLICO! Parabéns a todos os que preferem o que é Português, porque o que é Português é bom e é nosso!

 

Isabel A. Ferreira

 

Público.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:43

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Sexta-feira, 10 de Julho de 2020

Portugal é o único país do mundo que, conforme o grau de instrução e de cultura dos seus escribas, emprega várias grafias diferentes simultaneamente

 

1 – A grafia portuguesa de 1945, que está em vigor, visto não ter sido revogada -  é aplicada pelos mais instruídos, mais cultos e pelos mais conscientes do significado de uma Língua para um País.

 

2 – A grafia brasileira de 1943, preconizada pelo AO90, e que não está em vigor em país nenhum, excePto em Portugal - é aplicada pelos mal informados, mal formados, ignorantes, cobardes, acomodados, comodistas e escravos do Poder, mais conhecidos por acordistas.

 

3 – A Mixórdia Ortográfica Portuguesa, a mais disseminada – é aplicada pelos semianalfabetos e pelos analfabetos funcionais (que os há por aí aos montes) que escrevem absolutamente à balda, como lhes dá na telha, a mistura das grafias portuguesa e brasileira e a que provém da ignorância deles.

 

Perante isto, é da inteligência mandar às malvas o AO90, e regressar à nossa grafia, à grafia portuguesa, pois Portugal é um país (por enquanto independente, mas a caminho de deixar de ser) que tem uma Língua, por que haverá de adoPtar a variante brasileira do nosso Português, e andar para trás como o caranguejo?

 

Porém, ao que consta, os que podem, querem e mandam não pretendem finar o AO90, nem aprimorar o estudo da Língua Portuguesa, nas escolas portuguesas, para estarmos ao nível das escolas europeias. Os que podem, querem e mandam apoiam, incondicionalmente, a Mixórdia Ortográfica Portuguesa, a nova linguagem, que eles próprios adoPtaram, e que acham (se ao menos pensassem!) que é moderna e muito graciosa.

 

Vivemos tempos estranhos, em que os €€€€€€€€€€€ e outros obscurantismos, e não o sonho da Língua escrita e falada com qualidade, comandam a vida… 

 

Então façamos correr mundo, o que se passa em Portugal, no que respeita ao desrespeito pela Língua Oficial do País.

 

Claro que o que irão ver a seguir, tem a ver com a bandalheira que o AO90 introduziu na grafia portuguesa. Nunca como depois deste "acordo", o Português se degradou tanto, porque agora tanto faz, como tanto fez, escrever de um modo ou de outro. Ninguém paga multa por escrever incorrectamente a Língua Materna. Mas devia pagar. Por cada erro deviam pagar uma multa de 5.000 €, e Portugal poderia, deste modo, contratar Professores habilitados para o Ensino da Língua Portuguesa Portuguesa, pagar as suas dívidas, e ainda sobraria dinheiro nos cofres do Estado para editar manuais escolares em Língua Portuguesa. Portugal seria um país muito, muito rico.

 

Assim, é um pobretanas,  e desprestigiado no mundo inteiro, um alvo fácil da chacota das pessoas mais cultas e instruídas.

 

José Sousa Dias.png

 

O jornal i em grande estilo 😂

 

1 - jornal i.png

Fonte:

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A filosofia do AO90 é para cortar tudo o que não se lê, mas a gana é tanta, que eles cortam até o que se lê…

 

2 - A bola.png

Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645077242260614/2806779406090376/?type=3&theater&ifg=1

 

 Até tu, Expresso?

 

3- Expresso.png

Fonte:

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Será que isto é abrangido pelo novo acordo ortográfico!? 😅 É que não se lê, corta-se!  

 

4 - RTP não se lê corta.png

Fonte:

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 Do verbo “TRACAR”

 

5 - Do verbo TRACAR.png

Fonte:

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No site da RTP anda alguém fortemente empenhado em dar cabo da língua portuguesa.
Vergonhoso! Santa ignorância!

 

6 - CESCES RTP.jpg

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10220677746591465&set=a.1278758846968&type=3&theater&ifg=1

 

Portugal... RTP 3 – CULTA e Adulta e portuguesa (?) e paga com os nossos impostos.

 

6 - estado unidenses.png

Fonte:

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É só ler com sotaque…

 

7 - Dos português.png

Fonte:

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Ainda andamos nisto de fato. Só falta a gravata.

 

8 - Ainda andamos nisto.jpg

 

Não é à primeira, não é à segunda… seria à terceira?

 

10 - Carróseis.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4097308630311304&set=gm.2704066529837845&type=3&theater&ifg=1

 

E, para finalizar, algo com que nos deparamos demasiadas vezes:

9 - gostas-te.jpg

 

Quem, no seu juízo perfeito, poderá dizer que está contentinho com o que se passa em Portugal com todo este desmando ortográfico (e isto é apenas uma ínfima recolha, das várias centenas que por aí existem).

 

E com isto me vou, por um tempo, para preservar a minha sanidade.

Até ao meu regresso!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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Terça-feira, 10 de Março de 2020

«O Acordo Ortográfico e as respectivas facções»

 

Francisco Miguel Viegas diz, e muito bem, no artigo que dá título a esta publicação:

«O impacto real do AO90 verifica-se em textos concretos e não em ilusões. Convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos ou, segundo a doutrina vigente, arena para os óculos».

Na minha perspeCtiva, o que FMV escreveu neste texto, seguindo uma óPtica correCtíssima, assim muito, muito espremidinho, significa isto: se os acordistas não assentaram o AO90 na mais profunda ignorância do Português (e já nem falo no de lá ou no de cá) parece, pois demonstram-no constantemente, diariamente, insistentemente, mentendo dó...

Além disso, se pretenderam unificar as ortografias brasileira e portuguesa, esqueceram-se de um pormenor importantíssimo: ou o Brasil começava a escrever totalmente à portuguesa, pois é à portuguesa que todas as outras ex-colónias escrevem, ou Portugal e todas as outras ex-colônias começavam a escrever à brasileira. De outro modo, cada um puxa a brasa à sua sardinha, e lá vai a tontice de querer unificar algo que é absolutamente impossível de unificar, pelos motivos mais óbvios a qualquer ser pensante.

E é bem verdade o que diz, FMV: convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos de todos os que os têm bem abertos e são capazes de raciocinar...

Isabel A. Ferreira

 

FMV.jpg

 

Por Francisco Miguel Valada

 

«O Acordo Ortográfico e as respectivas facções»

 

«Está nisto desde que veio. (…) De curtas e compridas tem-nos chamado de tudo.»
António Lobo Antunes, Memória de Elefante

 

«A primeira frase de um recente despacho da Lusa, divulgado pelo Expresso, ilustra bem a farsa do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90). Passo a transcrever: “As fações rivais líbias convidadas pela ONU a participar em negociações políticas na quarta-feira em Genebra (Suíça) anunciaram esta segunda-feira separadamente a decisão de suspenderem a respetiva participação no diálogo, alegando motivos diferentes.” Efectivamente, esta frase está e não está de acordo com o esperado de uma frase cumpridora do estabelecido na base IV do AO90. Por um lado, temos *fações e *respetiva, porque em português europeu a oclusiva velar correspondente à letra ‘c’ nas palavras facções e respectiva não é pronunciada. Por outro lado, como em português do Brasil a oclusiva velar correspondente à letra ‘c’ naquelas palavras é pronunciada, o resultado seria diferente se este texto, em vez de aparecer no Expresso, tivesse aparecido na Folha de S. Paulo, ou seja, haveria facções e respectiva.

 

Isto é, actualmente, em português do Brasil escrito, versão 1990, aquelas grafias correspondem às fabulosas formas já existentes no português europeu escrito com a ortografia de 1945, a ortografia óptima, segundo a melhor informação científica disponível. Assim sendo, em português do Brasil com AO90 e em português europeu sem AO90, temos esta deliciosa frase: “As facções rivais líbias convidadas pela ONU a participar em negociações políticas na quarta-feira em Genebra (Suíça) anunciaram esta segunda-feira separadamente a decisão de suspenderem a respectiva participação no diálogo, alegando motivos diferentes.”

 

Com efeito, apesar do reconhecido valor grafémico da letra ‘c’ em facções e respectiva, os autores do AO90 decidiram aniquilá-la em português europeu. É evidente que tal decisão de supressão da letra ‘c’ foi tomada ao arrepio de pareceres e artigos científicos, aos quais os deputados e o Governo não ligaram nenhuma, escolhendo o pouco corajoso acto da fuga para a frente. Alguns, aliás, têm preferido mesmo o recurso à provocação e à deselegância. Recentemente, um deputado do Partido Socialista (PS) aproveitou a morte de João Malaca Casteleiro para ofender quem estuda e trabalha. De facto, Ascenso Luís Simões lamentou que “quem nega a atual [sic] ortografia não entenda que a língua portuguesa não pode ficar agarrada a uma visão é [sic] um tempo marcados pelo colonialismo”. Aguarda-se uma retractação, uma vez que pedir para ler pareceres e artigos, pelos vistos, é pedir imenso. Convém, apesar de tudo, separar o trigo do joio. Por exemplo, Pedro Cegonho, também ele deputado do PS, tem disponibilidade para ouvir educadamente argumentos contra o AO90. É essa, aliás, a impressão que fica do excelente e minucioso relato feito por Rui Valente, sobre o encontro de uma delegação da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico com representantes do Grupo Parlamentar do PS.

 

Voltando ao assunto que aqui trago, a supressão da letra ‘c’ tem, portanto, duas consequências: uma consequência interna e outra externa. Quanto à interna (do ponto de vista português europeu), temos a provável homonímia de *fação com uma localidade do concelho de Sintra chamada Fação e a potencial rima de *respetiva com discretiva. No que diz respeito à externa, cria-se um novo fosso entre as normas europeia e brasileira, afastamento provocado justamente pela principal base do AO90. Em suma, exactamente o oposto das promessas e juras de negociadores, promotores e amigos do dito cujo.

 

O impacto real do AO90 verifica-se em textos concretos e não em ilusões. Como vimos no início, a primeira frase de um despacho da Lusa não tem qualquer palavra afectada pelo AO90 em português do Brasil, mas tem duas palavras afectadas pelo AO90 em português europeu. Convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos ou, segundo a doutrina vigente, arena para os óculos.

 

Autor de “Demanda, Deriva, Desastre: Os Três Dês do Acordo Ortográfico” (Textiverso, 2009)

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2020/03/10/culturaipsilon/opiniao/acordo-ortografico-respectivas-faccoes-1906712?fbclid=IwAR2pSbfyKLv1OdVY4d5L3TLVE-0K8DeUYhWNeKChCfPwZrvEqJhOCSIBoY8

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2020

«A herança de Malaca Casteleiro e a alucinação unificadora da ortografia»

 

«Na morte do “pai” do Acordo Ortográfico de 1990, era preferível que tivesse ficado o homem e morrido a “obra”.» (Nuno Pacheco)

Pois concordo plenamente com o Nuno Pacheco.

 

E o facto é: não os Homens, mas o Futuro e a História sempre se encarregaram de julgar os que, pelas suas acções destruidoras, deixaram um rasto ruinoso, pelo caminho que percorreram em vida.


E o Dr. João Malaca Casteleiro (logo ele, um linguista, quem diria!) fez uma escolha errada, altamente prejudicial aos interesses de Portugal e dos Portugueses, e é essa escolha que marcará negativamente o seu lugar na História, e não só o dele, como o de todos os que se envolveram e estão envolvidos, na destruição da Língua Portuguesa, através da imposição ilegal (não esquecer que o AO45 não foi revogado e é a ele que devemos “obediência”) de um “acordo ortográfico” que nunca foi acordo, além de ser uma grande fraude.

 

Fiquemos com mais um excelente contributo de Nuno Pacheco, para a História da Defesa da Língua Portuguesa, em Portugal.

 

Nuno Pacheco.jpg

 

Texto de Nuno Pacheco, publicado no Jornal Público

 

«Há casos em que é justo dizer: morre o homem, fica a obra. Mas na morte de João Malaca Casteleiro, lembrado na maioria dos obituários noticiosos como “pai” do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), era preferível que tivesse ficado o homem e morrido a “obra”. Apesar de ser difícil nutrir por ele simpatia, dado o que protagonizou, há que reconhecer-lhe a teimosa persistência num acordo que desde a génese era claramente um logro, mas que ele acabou por fazer impor.

 

Numa entrevista recente ao Observador, o linguista Fernando Venâncio (autor de Assim Nasceu Uma Língua, ed. Guerra & Paz, 2019 caracterizou deste modo tal logro: “O AO90 visava possibilitar um relatório, uma declaração, uniformes para todos os países de língua portuguesa. Visava, até, e aí já entramos no terreno da alucinação, conseguir a circulação de produtos linguísticos idênticos (traduções de literatura, legendagens, instruções de máquinas de lavar) por todas essas áreas do Planeta. Mas tenho de lhe tirar o chapéu, ao Dr. Malaca Casteleiro e seus próximos: foi com essa visão paradisíaca que convenceram os políticos.”

 

Pois agora que morreu, nem todos se apressaram a tirar-lhe o chapéu. No dia em que foi conhecida a sua morte, domingo, 9 de Fevereiro (a morte ocorrera no dia 7), a primeira notícia surgiu no Jornal de Notícias, assinada por Sérgio Almeida, seguindo-se, por esta ordem, as do Correio da Manhã, Sapo, PÚBLICO, Diário de Notícias, Observador e Expresso. O jornal i só no dia seguinte deu a notícia e apenas na edição em papel, numa breve de última página. Curiosamente, quer o Ciberdúvidas, quer o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (sítio oficial do AO90), quer a Academia das Ciências de Lisboa (esta lamentando o falecimento numa curta nota) só no dia 10 deram notícia da sua morte. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, evocou-o como “defensor da língua portuguesa” (sic), mas do Governo, ou de ex-governantes que o apoiaram, nada se ouviu. Só o silêncio. Quanto à CPLP, só no dia 11 expressou “profunda consternação e grande pesar” pelo falecimento. 

 

Há outro motivo, na história da língua portuguesa, para recordar João Malaca Casteleiro: o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), também este controverso. Fundada em 24 de Dezembro de 1779, no reinado de D. Maria I e em pleno iluminismo, a então Academia Real das Ciências começou a editar um dicionário da língua portuguesa em 1793, mas não passou do primeiro volume, só com a letra A, volume esse que viria a ser reeditado, “com a modernização indispensável”, 183 anos depois, em 1976. E não passaria daí até 1988, ano em que a Fundação Gulbenkian “lhe concedeu os meios indispensáveis à remuneração permanente da equipa do Dicionário”, segundo escreve no prefácio do dito (que viria a ser publicado em 2001, mas já lá vamos) o então presidente da ACL, Pina Martins, que fala ainda num “vultoso subsídio pontual” de duas outras entidades: a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Malaca Casteleiro foi indicado para coordenador e a equipa, cuja lista o livro integra, contou com 61 “colaboradores externos” que trabalharam no dicionário por “um período, em princípio, não inferior a seis meses”.

 

Enquanto isto, o que sucedia no mundo, nestes dois séculos, em matéria de dicionários do português? Publicava-se o pioneiro Vocabulário do padre Raphael Bluteau (de 1712 a 1728), o Dicionário de Morais (1789, com uma edição monumental em 1961 de 12 volumes, 12.278 páginas e 304.460 vocábulos), o de Eduardo de Faria (1853), o de Frei Domingos Vieira (1871), o Aulete (iniciado em 1881), o Michaelis (1887?), o Cândido de Figueiredo (1898), o Lello Prático Ilustrado (1927), o da Porto Editora (1952), o de José Pedro Machado (1958, com reedições em 1971 e 1981, esta com 12 volumes e um 13.º de actualização, em 1986, num total de 8063 páginas), o Vocabulário de Rebelo Gonçalves (1966), o Aurélio (1975) e o da Texto Editora (de 1995, que dedicava as suas últimas 48 páginas, num total de 1654, a dizer o que mudaria com o acordo ortográfico).

 

 O da ACL sai em 2001, e com uma chancela comercial: a da Verbo. O mesmo ano em que, no Brasil, se publicava pela primeira vez o Dicionário Houaiss. Mas enquanto este, na edição portuguesa, logo em 2002 e também pela mão de Malaca Casteleiro (que coordenou a sua adaptação à ortografia de 1945), lamentava não ter havido “ainda vontade política de levar por diante a implantação do Acordo Ortográfico celebrado em 1990”, o da ACL omitia-o por completo. Como se não existisse. Dez anos depois de o AO90 ter sido assinado em Lisboa, a ACL punha à venda um caro dicionário em dois grossos volumes com a norma de 1945 (que ainda hoje está legalmente em vigor, assinale-se!), não dedicando uma só palavra ao acordo que o seu próprio coordenador fizera questão de “vender”, com êxito, a políticos desejosos de brilhar numa qualquer ribalta da História. Isto quando dicionários como o da Texto (de 1995) já incluíam listas de palavras que seriam alteradas no novo acordo! Uma alucinação por fases, que habilidade! Só que em todas elas coube ao público, e à língua, pagar o preço do desvario.

 

P.S.: Por lapso (já corrigido, devido ao alerta de um leitor), não tinha sido referido o Vocabulário de Rebelo Gonçalves, editado em 1966.»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2020/02/13/culturaipsilon/opiniao/heranca-malaca-casteleiro-alucinacao-unificadora-ortografia-1903805

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:14

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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020

«As intermitências do Acordo Ortográfico»

 

 «É esse o problema»

 

Por Hélder Guégués

 

Helder Guégués.jpg

 

«O Expresso Curto de hoje, assinado por João Cândido da Silva, coordenador do Expresso Online, não foi à máquina corta-língua: há um «baptizado», uma «direcção», vários «directos» e «indirectos», um «actualmente», um «jacto» (o de Carlos Ghosn), vários «objectivos» (nenhum, infelizmente, parece ser o de assentarem a cabeça), um «nocturno» (que não é o de Chopin, nem ninguém aqui falou de Santana Lopes), «actuais», «respectivos», «perspectiva», «actualidade», «actuação»... Para alguns, escarninhos, isto mostra a liberdade de que se goza no Expresso; para mim, é meramente a demonstração da bandalheira ortográfica e linguística que ali reina e campeia no reino. Mas eu nem me devia queixar, não é?, afinal, nem sinais do tal acordo. (Parabéns, João Cândido da Silva.) Só que logo, amanhã, no futuro outros jornalistas do mesmíssimo Expresso voltam a seguir ineptamente a ortografia mutiladora do AO90. Esse é que é o problema.»

 

Fonte:

As intermitências do Acordo Ortográfico

 

***

Concordo plenamente consigo, Helder Guégués.

Para mim, tudo isto é também uma grande bandalheira ortográfica e linguística, não só no Expresso, infelizmente, mas em muitos outros lugares, incluindo as escolas, pela mão de professores.

E este, realmente, é um grande e grave problema.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:36

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Terça-feira, 4 de Junho de 2019

«Sempre a aviar: a ortografia portuguesa no seu melhor ou o espelho do país…»

 

Um texto de Francisco Miguel Valada, para ler, reler e reflectir.

 

«A união de fato e o pára-raios: hábitos e recaídas

 

Kein Mensch kann wirklich leben, wenn nicht noch ein Funken von Hoffnung in ihm ist. Und das sollten die Massenmedien nie vergessen.

— Hans-Georg Gadamer

 

A marcha era lenta, iam velhos entre eles e mesmo os moços estavam no limite da fadiga, não podiam mais. Alguns quase se arrastavam, sustentados apenas pela esperança.

— Jorge Amado

 

***

 

Esta semana tem sido extremamente produtiva. Tivemos alguns exemplos do sítio do costume, como o contato de 13 de Maio ou os contatos de anteontem, aos quais se juntam os fatos de ontem:

 

UM dre-16052019a.png

 

Exactamente: fatos.

 

No Expresso. tem havido recaídas. Como se sabe, não há três sem quatro.

 

Ei-la:

DOIS expresso-16052019.png

 

Efectivamente: pára-raios.

E hoje?

Hoje, dedicaremos a nossa atenção ao sítio do costume e a outro aspecto da adopção do AO90:

 

TRÊS dre17052019.png

 

Exacta e efectivamente: coletivo, colectiva e colectivamente.

E amanhã?

Amanhã, felizmente, não há Diário da República.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

 

Fonte: https://aventar.eu/2019/05/page/2/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:26

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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019

«Ainda o Acordo Ortográfico»

 

Um interessante texto, de Zé Morgado, no Blogue Atenta Inquietude, para reflectir o AO90.

 

f-pessoa.jpg

Origem da imagem: https://acasadevidro.files.wordpress.com/2015/03/f-pessoa.jpg

 

Por Zé Morgado

 

Segundo o Expresso, a Assembleia da República irá dentro de algum tempo apreciar um conjunto de recomendações de alterações no Acordo Ortográfico de 1990, o acordo do nosso descontentamento. As recomendações foram elaboradas por um grupo de trabalho constituído pelo Parlamento. Será ainda apreciado um projecto de lei decorrente de uma petição subscrita por mais de 20.000 cidadãos que exigem a sua revogação.

 

Enquanto for possível reverter a situação criada pelo AO90 vale a pena insistir, importa que não nos resignemos. É uma questão de cidadania, de defesa da Cultura e da Língua Portuguesa.

 

É importante recordar que apenas Portugal, S. Tomé e Príncipe, Brasil e Cabo Verde procederam à ratificação. Em 2018 a Academia Angolana de Letras solicitou ao Governo angolano que o Acordo Ortográfico de 1990 não seja ratificado e há uma semana a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados do Parlamento do Brasil aprovou um requerimento de audiência pública para que seja debatida a revogação do AO ao que parece por indicação do Presidente Bolsonaro o que será porventura umas raríssimas ideias positivas vindas da figura.

 

Como tantas vezes tenho escrito, desculpem a insistência e não inovar, entendo, evidentemente, que as línguas são estruturas vivas, em mutação, pelo que requerem ajustamentos, por exemplo, a introdução de palavras novas ou mudanças na grafia de outras, o que não me parece sustentação suficiente para o que o Acordo Ortográfico estabelece como norma.

 

Mas o que se fez foi transformar a Língua Portuguesa numa confusão impossível de concertar dadas as diferenças entre o Português falado pelos diferentes países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

 

Há dias, em vários órgãos de comunicação social encontrava-se um título onde se lia “Para brisas de Realidade Aumentada para tornar os carros mais seguros”. Como? A frase faz sentido em Português? O que são “brisas de realidade aumentada” e o que têm a ver com a segurança dos carros? Ah, afinal é pára-brisas. E não podia continuar a ser?

 

AO90.jpg

 

A ideia da impossível harmonização não colhe e não é um problema. Basta atentar no inglês ou no castelhano em tantos países que têm estas línguas com língua oficial sem necessidade de um “acordo”.

 

O que na verdade se verifica, existem exemplos extraordinários, é a transformação da Língua Portuguesa numa mixórdia abastardada. Por coincidência, ontem assinalou-se o Dia da Língua Portuguesa, talvez fosse boa ideia protegê-la.

 

Como tenho escrito e repito, vou continuar a escrever assim, “desacordadamente”.

***

Comentário:

CM disse...

 

As línguas serão "estruturas vivas", como dia, e a criação de novas palavras é um facto. Já quanto à necessidade da mudança da grafia das palavras, convirá reflectir...
O inglês não necessitou de mudanças e o francês teve uma há 250 anos.


Os alemães mudaram algumas grafias mas o resultado foi o aparecimento de sequências de três consoantes iguais...


A grande reforma do espanhol, exceptuadas as mudanças de hifenização, mudou 10 ou 15 palavras (sic) sendo que uma delas foi Qatar, que a reforma propõe que se escreva em espanhol, Catar... Propõe, porque como afirmava uma ilustre linguista e académica de número da Real Academia de Espanha, não se pode mudar a ortografia numa democracia, motivo pelo qual todas as mudanças são meramente indicativas.


"Reformas" como a de 1911, nenhuma democracia a teve.


Uma outra questão, num país onde o mito do progresso tem tanto sucesso, consistirá em verificar o que é "evolução": a evolução consiste na passagem de um estado inferior a outro superior e mais complexo... Na ortografia, consiste na estabilização da mesma - o que exige uma escolarização de qualidade e universal - acompanhada de hábitos de leitura e de escrita. Portugal é um dos países com maior analfabetismo na Europa e a taxa de decréscimo nos últimos 40 anos é menor que a mesma taxa dos 40 anos anteriores à década de 70 do século passado.

Quanto à iniciativa - tudo o que seja acabar com o acordo é bom, mas em Portugal rege o princípio da prevalência da lei internacional, pelo que o acordo - que legalmente não está em vigor em lado nenhum! - o acordo, dizia-se, mesmo apenas assinado, não pode ser modificado sem ser por ratificação unânime de todos os signatários do mesmo!


Conviria que Portugal deixasse de viver, no que ao estado de direito diz respeito, no país das maravilhas.

in
https://atentainquietude.blogspot.com/2019/05/ainda-o-acordo-ortografico.html?fbclid=IwAR2tO8Q4z_SL00dTm7OFjoCTRU0MkM8uCpVUKzavayZ26P_dgxTRcQs1m6k

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:31

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