Como foi possível o PÚBLICO chegar a este patamar tão básico?
A quem o novo Provedor do Leitor do PÚBLICO anda a fazer o frete?

Os meus caros leitores façam o favor de atentarem nos comentários que se fizeram ao artigo Um provedor infiltrado na aldeia de Astérix, da autoria do jornalista João Garcia:
Henrique Lopes Valente (publicado no PÚBLICO):
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Maria José Abranches (publicado no PÚBLICO):
«Uma vergonha! O "Público", de que sou assinante há anos, 'um jornal que se respeita e nos respeita'- a começar porque respeita a Língua de Portugal, na sua ortografia correcta e legal - ousa optar por um provedor cuja primeira intervenção é desfigurar a Língua nacional, que suporta o jornal, e defender a imposição política ilegítima e ilegal do AO90 ao país! Fui professora de Português e sei o que significa a sua língua, para qualquer povo que se preze. A submissão da nossa ortografia às opções brasileiras, destruindo a nossa identidade europeia e a nossa origem latina, é um atentado à democracia que devemos ao 25 de Abril e um insulto a Camões: «A língua de Camões está irreconhecível. Se ele voltasse ao mundo, decerto pensaria em rasgar a sua obra. Deixámos de ser dignos dela.» -V. G. Moura"
Maria José Abranches (publicado no Público):
"Estatuto do Provedor", sobre a relação de "confiança dos leitores": «Essa relação de confiança é o capital mais precioso do PÚBLICO, tal como o seu estatuto editorial reconhece quando afirma: o "PÚBLICO é responsável apenas perante os leitores, numa relação rigorosa e transparente, autónoma do poder político e independente dos poderes particulares".» Esta adopção intempestiva do indefensável AO90 é um insulto à 'confiança' que o "Público" tem mantido com os seus leitores. Ant. Emiliano: «Falar da ortografia portuguesa, um bem que levou 700 anos a estabilizar-se, como se fosse coisa pouca,[...] e falar de uma mudança ortográfica como de uma simples alteração cosmética do sistema linguístico padronizado de uma nação multissecular [...] é simplesmente não se saber do que se está a falar.»
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Do Facebook enviaram-me os seguintes comentários ao artigo:
Tradutor João Roque Dias:
«O aborto ortográfico, coisa de doidos vendida e comprada por políticos também doidos, falhada em toda a linha, continua a incomodar os acordistas. Este, que é agora provedor no Público, é mais um deles. O Malaca justificava a sua nefasta obra com a violência imposta às crianças de sete anos por terem de escrever as consoantes mudas portuguesas. Este, o provedor, está muito incomodado porque as crianças das escolas, que nem o aborto ortográfico sabem aplicar, porque nem o governo, nem os professores também não sabem, podem ler um jornal sem as malaquices dos doidos.»
Ex-bastonário da Ordem dos Advogados Luís Menezes Leitão:

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E aqui está uma amostra muito significativa do que deve ser dito sobre o artigo.
Faço minhas as palavras destes comentadores.
Eu nunca quis ser assinante do PÚBLICO, porque nele, já há bastante tempo, havia sinais de que isto poderia vir a acontecer, estavam no Público/Br; nos artigos acordistas, na ausência de respostas às acções levadas a cabo pelo Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes, enfim...
E tanto quanto me é dado a saber, o PÚBLICO perderá os seus assinantes, quase todos desacordistas, caso o jornal ceda à ignorância acordista.
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Depois de uma pausa, e de regresso ao Planeta Terra, deparo-me com um mundo virado do avesso, sem perspectiva alguma de racionalidade, e o que nos resta é o GRITO que nos sai da alma.
Estamos nas mãos de gente da mais doida que existe, insana, completamente desvairada, o que não augura nada de bom. É por estas e por outras que há muito deixei de festejar a chegada do Ano Novo, porque o ano nunca é novo, é simplesmente a continuação do ano velho, para pior.
Nesta luta que parece inglória contra o AO90, que nos impinge a grafia dos fracos, dos servilistas, dos menos instruídos, dos apátridas, dos ignorantes optativos, dos que não têm coluna vertebral, dos desinformados por opção, dos comodistas, dos acomodados, dos que não cumprem a Lei vigente, dos que se estão nas tintas para Portugal, aqui incluídos os governantes portugueses, presidentes da República, e agora também o Provedor do Leitor do PÚBLICO, há que ter em conta que jamais a ignorância medrou em terreno fértil. Enquanto houver Portugueses a defender o seu Património Linguístico, que ao contrário dos que dizem que só os velhos é que defendem (muito se enganam!) a Língua Portuguesa estará a salvo e salvar-se-á, em nome da Lei. É necessário apenas que sejamos persistentes e tenhamos a força das águas...
Por exemplo, nenhum professor é obrigado, por Lei (porque essa lei não existe) a ensinar incorrectamente o Português aos seus alunos. Se optar por cumprir a Lei vigente, usa a grafia de 1945, e ninguém pode penalizar o professor, porque aos professores acenam-lhes com a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) que não faz lei, tratando-se apenas de uma “recomendação”, e eles nem sequer se dão ao trabalho de ver que “recomendação” não significa “ser obrigado”.
É preciso não desistir da luta e mostrar aos alunos a VERDADE.
Nenhum professor será digno de o ser ao enganar os seus alunos, ao ponto de andar a impingir-lhes uma grafia que não pertence à sua Língua Materna.
Eu espero que o Ano 2026 seja o ano da morte do AO90, o acordo mais PARVO alguma vez gerado no mundo.
Isabel A. Ferreira
Porquê?
E isto é tão verdade que na apresentação do livro «Gouveia e Melo - As Razões», uma iniciativa da Porto Editora, os possíveis (e)leitores foram convidados a fazer perguntas ao candidato Gouveia e Melo, mas... que grande MAS se entrepôs...
Este foi o repto:

Como não pude estar presente, ousei enviar uma pergunta, via e-mail, seguindo a propaganda da editora, conforme imagem acima, publicada na página do Facebook, não querendo perder a oportunidade única de participar na entrevista, ainda que à distância, feita pela autora do livro, Valentina Marcelina...
Esta foi a minha pergunta:
Correspondendo a este repto que a Porto Editora lança aos eleitores que terão de escolher o próximo candidato a Presidente da República Portuguesa, em Janeiro de 2026, eis a pergunta que gostaria de ver respondida:
Vossa Excelência, Senhor Almirante Henrique de Gouveia e Melo, cumpriu e fez cumprir, nas instituições da Marinha, o acordo ortográfico de 1990, porque a tal, naturalmente, foi obrigado – uma vez que as Forças Armadas obedecem ao poder político. Porém, o Candidato à Presidência da República Portuguesa/2026, cidadão Henrique de Gouveia e Melo terá de obedecer a essa imposição ilegal e inconstitucional, comprometendo o juramento que terá de fazer ao assumir o cargo, caso seja eleito como o próximo Presidente da República Portuguesa, ou cumprirá de facto e de jure a Constituição da República Portuguesa, depois de proferir estas palavras: «Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa», algo que os últimos presidentes da República não cumpriram?
A cidadã portuguesa Isabel A. Ferreira
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A partir daqui, troquei alguns e-mails com a Porto Editora, que não posso divulgar, porque é estritamente proibido o uso, distribuição, cópia ou qualquer forma de difusão não autorizada das mensagens e respectivos anexos.
Mas contarei em duas penadas o seguimento desta minha ousadia.
A Porto Editora recebeu a minha pergunta e informou-me de que as respostas seriam filmadas e partilhadas.
Aguardei a partilha das respostas, que não encontrei em parte alguma.
Entretanto voltei a perguntar e informaram-me de que receberam muitas questões para pôr ao Almirante, e a sessão alongou-se e foi impossível dar resposta a todos, e nesses todos estava eu e a minha questão, mas também a questão de um amigo que me informou que também tinha participado com a seguinte pergunta sobre o mesmo tema:
O candidato Gouveia e Melo vai cumprir a CRP, defendendo a Língua Portuguesa. Disso não restam dúvidas.
Os dois últimos PRs, neste tema tão importante, NÃO cumpriram a Constituição, pois mantiveram a ilegalidade e a inconstitucionalidade.
Pode o próximo Presidente da República garantir a reposição da legalidade?
M. Figueiredo
Entretanto, recebi da Editora duas perguntas e respectivas respostas de Gouveia e Melo, e mais nada, nem sequer onde estariam partilhadas todas as restantes perguntas e respostas. Então decidi responder o seguinte:
Agradeço o envio destas duas amostras de perguntas feitas ao Almirante Gouveia e Melo.
Pergunto: só houve tempo para fazer estas duas perguntas, ou há mais? Se há mais onde posso encontrá-las?
Fui ao Facebook da Porto Editora, e não vi lá nada.
Mais: quero acrescentar que quando enviei a minha pergunta, já sabia que ela jamais seria respondida, ainda que fosse a única pergunta apresentada. O tema que abordei, é dos mais importantes para um candidato a presidente da República responder, porque mexe com a violação da Constituição da República Portuguesa, com a ilegalidade e inconstitucionalidade de um acto governamental e com a perda da nossa soberania, bem como com a destruição do símbolo maior da Identidade Portuguesa.
E agradeci uma resposta, que até hoje não veio, e jamais virá, porque a questão da Língua Portuguesa é uma questão menor para os candidatos, infelizmente, todos acordistas, para os actuais governantes e para os jornalistas que fazem perguntas nos debates presidenciais, nas televisões.
A campanha eleitoral para as eleições presidenciais/2026 é uma coisa estranha.
Nos debates NÃO se discutem as competências de um Presidente da República, mas competências de primeiros-ministros e afins, e, por vezes, incompetências de políticos de meia-tigela. Passam muito tempo a insultarem-se uns aos outros, o que faz baixar o nível dos debates presidenciais.
É preciso ter em conta que estas eleições são eleições presidenciais, não são eleições legislativas.
Nenhum candidato a Presidente da República devia estar pendurado em partidos políticos, porque levam para os debates os VÍCIOS da política partidária, que devem estar fora do cargo da Presidência da República.
De modo que, apesar da lista de candidatos ser longa, para mim, não há nenhum que, para já, me encha o olho, a não ser que se comprometa publicamente, com juramento por alma da Mãe, «defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa», lugar onde estão todas as competências do cargo, para que possamos abandonar a designação da República DOS Bananas, sendo os bananas-mor gente que eu cá sei, e que não fizeram mais do que INCUMPRIR a CRP no que à Identidade e Soberania portuguesas diz respeito, consentindo que nos impusessem uma grafia ilegal e inconstitucional.
Por isso, o meu destino será votar em branco, lamentando que a percentagem dos votos em branco e da abstenção (que vislumbro elevada) não possam corresponder a cadeiras vazias, no Parlamento.
Isabel A. Ferreira
António Eça de Queiroz dixit na sua página do Facebook:
«Ahahhahahahhaah!!! Só a tugalhada burocrata para fazer uma lei pétrea em que mais de metade da administração pública chumbaria (políticos incluídos)»

Para ter a nacionalidade portuguesa os candidatos terão de demonstrar “suficiente” conhecimento de algo que nem o presidente da República, nem o primeiro-ministro, conseguem demonstrar?
Primeiro: em Língua Portuguesa, grafando-a incorrectamente, ou melhor, usando a grafia brasileira para a escrever, e a dizer “portuguesas” e “portugueses”, parolamente, sem terem conhecimento da Gramática portuguesa?
Segundo: o mesmo para a Cultura e História portuguesas que andam por aí a espezinhar, a desrespeitar, a enchê-las de incongruências e de coisas inventadas para reparar um passado que não pode ser reparado, por ninguém do século XXI depois de Cristo, que não tem culpa de nada do que se passou há séculos?
Terceiro: dos símbolos nacionais, (como a bandeira e o hino), que andam também a desrespeitar na Internet, nomeadamente a bandeira portuguesa estando a ser substituída pela bandeira brasileira para assinalar o Português, a Língua de Portugal? Quanto ao hino, ainda vai sendo cantado como foi criado, mas já houve tentativas de o mudar.
Quarto: dos direitos e deveres “inerentes à nacionalidade portuguesa”, que os políticos portugueses não respeitam, dando uma imagem de pobreza moral, social e cultural ao mundo?
Quinto: da organização política do Estado Português? Se perguntássemos aos deputados da Nação o que isto era, quantos seriam capazes de dissertar sobre esta matéria?
É verdade que para se ter na nacionalidade portuguesa é preciso ter algum conhecimento sobre todas estas matérias. Porém, há um PORÉM, quem iria avaliar os candidatos a portugueses se nem os portugueses abarcam estes itens com saber?
Para exigirem, e muito bem, que para ter a nacionalidade portuguesa é preciso entranhar tudo o que dignifica o ser português, é preciso que quem vai avaliar seja PORTUGUÊS com letras maiúsculas, e como diz e muito bem António Eça de Queiroz querem avaliar os candidatos a portugueses, através de matérias em que a maioria dos portugueses, incluídos aqui os políticos, chumbariam.
Mas mais do que isso, é preciso NÃO andarem a enganar os estrangeiros com o brutuguês que lhes impingem, chamando-lhe Português.
Para mim, essa é a pior mentira.
Isabel A. Ferreira
Mas no estrangeiro, há quem esteja atento, mas também desesperado com a inacção dos que apregoam ser desacordistas, e em nada contribuem para que se possa recuperar a nossa Língua Materna.
Um dos vários portugueses que estão atentos ao que se passa em Portugal em relação à submersão da Língua Portuguesa, que está a ser substituída pelo Brutoguês dos medíocres que se apoderaram da Língua como se fossem donos delas, é Fernando Kvistgaard, cidadão luso-dinamarquês, que me enviou a seguinte mensagem:
Amiga Isabel.
A luta pela nossa Língua é uma batalha perdida?
Portugal é, que eu saiba, o único país do mundo, onde os políticos mandam na Língua e, estragando-a, a ridicularizaram. O pior de tudo isto é que ninguém se importa, a não ser uma "meia-dúzia" de patriotas que nada podem e mandam.
***
Respondi-lhe, e aqui publico o que disse, com o seu consentimento, para ver se os desacordistas ACORDAM.
Caro amigo Fernando.
Vou tentar responder à sua pergunta:
A luta pela nossa Língua é uma batalha perdida?
Nenhuma batalha está perdida antes de acabar, amigo Fernando.
Alguns de nós ainda não desistiram da luta. O que acontece é que somos poucos a lutar. São uma meia-dúzia aqueles que ainda mantém acesa a chama desta luta.
Em Portugal já não há guerreiros, nem padeiras de Aljubarrota com fartura. Somos meia-dúzia a fazer, o que milhares deveriam fazer. Mas não, estão todos caladinhos, nos seus cantinhos, e quando dizem alguma coisa em público, não ferem a fera do Poder, aqui-d’el-rei porque lhe devemos respeito.
Qual respeito? Eles respeitam os Portugueses? Eles interessam-se por resolver os problemas de Portugal? Como podemos respeitar quem se avassalou a um país sul-americano, que nos quer tramar?
Sim, Portugal é o único país do mundo e arredores em que os políticos (ignorantes) mandam na Língua, destruindo-a e ridicularizando-a, sim. E isto diz da pequenez actual deste rectangulozinho que deu novos mundos ao mundo, e hoje está na cauda da Europa em quase tudo, e em muita coisa é ainda um país terceiro-mundista.
E sim, caro Fernando, o pior de tudo isto é que ninguém se importa, a não ser uma "meia-dúzia" de patriotas que nada podem e mandam.
Nada podem e mandam, mas têm voz, e enquanto houver vozes a protestar, ainda que meia-dúzia delas, há esperança. Porque não?
***
Porém, se a esta meia-dúzia de vozes se juntassem as vozes individualmente das 297 pessoas, que fazem parte do Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes, e dos milhares de vozes dos elementos que fazem parte dos Grupos que se dizem anti-AO90 do Facebook, talvez as coisas fossem diferentes.
É preciso abanar as estruturas e fazer soar os tambores e ferir a fera do Poder mostrando-lhe que os Portugueses não são os parvos que eles querem fazer de nós.
Eu abandonei um pouco o Blogue, porque ando pela Internet, Google, Facebook e YouTube a fazer mossa em tudo o que encontro escrito em Brutuguês e a pôr na linha aqueles que (talvez) a soldo de mandantes poderosos, andam por aí a açoitar o Português com uma ignorância de bradar aos céus. É que, pelo que sei, é intenção dos governos envolvidos nesta teia, dar um golpe final à Língua Materna dos Portugueses, e substituí-la pela Língua Madrasta, que não pedimos, não queremos e rejeitamos veementemente.
Também deixei de enviar os textos que aqui escrevo às autoridades de Portugal, por começar a sentir-me uma idiota. Não é da idiotice enviar textos a Blocos de Betão para que os leiam e neles reflictam? Quem no seu perfeito juízo o faria? Eu fiz, por não acreditar que o Povo Português pudesse andar a votar em Blocos de Betão. Enganei-me. Abandonei a minha idiotice.

Isabel A. Ferreira

João Esperança Barroca
O 82.º escrito da série “Em Defesa da Ortografia”, na linha do artigo de Junho, apresenta as mesmas características do seu antecessor.
A aposta continua a ser, agora, a de apresentar diálogos de teor humorístico que exemplificam o rotundo falhanço do AO90, pondo a nu as suas incoerências e a completa ausência de lógica.
Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias.
XIII
— Vou abrir uma alfaiataria.
— Tens a certeza de que é um investimento rendível?
— Claro! Até o Diário da República, nos últimos anos, como o mostra o Francisco Miguel Valada, está cheio de fatos. Queres melhor sinal?
— E tens a certeza de que são todos fatos de vestir?
XIV
— A minha mulher, que está sempre com modernices, vai fazer uma redução mamária com um cirurgião estrangeiro. Diz que vai ficar com melhor aspeto.
— Já tu especializaste-te em fazer reduções estúpidas. Primeiro no cérebro e depois na ortografia. Ou terá sido ao contrário?
XV
— Estive agora a ler, no jornal Público, que os agricultores estão na rua com os seus tractores, de norte a sul do país, para reclamar valorização do sector e condições justas, num protesto que deverá bloquear várias estradas.
— Faz sentido. Se tivessem levado os tratores, teriam muito menos impacto, ou impato, como já se ouve por aí…
XVI
— O meu filho é muito impetuoso, mas também extremamente afetuoso. É muito sensível e qualquer tragédia o deixa muito afetado.
— Já pensaste levá-lo ao médico?
— Que médico?
— Estomatologista, é claro! Não disseste que ele anda cheio de aftas?
XVII
— Estou furibundo.
— Porquê?
— Fui multado.
— Como é que te aconteceu isso?
— É muito fácil explicar como foi. Ia a caminho da máquina para tirar o talão e li numa placa “Máquina para pagamento”. Como aplico o coiso ortográfico, entendi que a máquina parava o pagamento. Por isso, fui à procura de outra máquina, mas não encontrei nenhuma.
— Eu bem te avisei que adoptar o AO90 era sinal de estupidez. Como vês, saiu-te cara a modernice.
XVIII
— O meu primo, que é brasileiro, vem trabalhar para cá como rececionista. Conheces alguma oferta de emprego aqui perto?
Não, não conheço nada. E o teu primo tem alguma experiência nessa área?
— Só sei que no Brasil era recepcionista num hotel. Que eu saiba, não é a mesma coisa. Parece-me até muito mais completo.
XIX
— Nunca negociarei sob coação!
— Eu também não. Debaixo do coador, corro sérios riscos de ficar com o fato molhado. O preço das limpezas a seco está pela hora da morte.
XX
— Deparei-me há dias com a palavra fatura. Não percebi o que significa. Não consegui entender se é uma fractura nos dedos, pois dizia lá “fatura digital”.
— Não te posso ajudar porque também não sei. Talvez, seja uma espécie de miacoutismo.
— Que raio de coisa é essa?
— É a criação de novas palavras a partir de outras já existentes.
— Então, a fatura poderá ser uma fartura pouco estaladiça?
XXI
— Por causa da recessão, adiei as obras na receção.
— O quê? Que estás a dizer? Não percebo nada.
— É a novilíngua, estúpido.
— Seja lá o que for, não percebo.
— É a maravilhosa língua unificada.
— Continuo sem perceber!
— Se queres que seja franco, também não sei explicar-te. Aprendi este palavreado e que a língua evolui…
XXII
— Andas acabrunhado, pá. Passa-se alguma coisa?
— Tenho uma disfunção erétil.
— Isso não é grave. É uma disfunção ligeira.
— O que percebes de urologia para dizeres isso?
— Se é erétil, é ligeira e localizada. Grave e mais disseminada seria se fosse eréctil. Assim é que terias um problema preocupante.
XXIII
— Há dias, li num cartaz a palavra táctil. Como não a entendi, consultei o dicionário.
— O que é que dizia?
— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.
— É curioso! Já eu procurei o sentido de tátil.
— O que é que dizia?
— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.
— Não percebo. Será a mesma coisa?
— Talvez, mas com menos tacto, seguramente.
XXIV
— O meu pai foi ao Egito e trouxe-me vários artefatos indígenas.
— São mesmo egícios esses artefatos?
— São, são.
— E são esculturas?
— Não, pá! São fatos de artista ou fatos feitos com arte.
Ah, a página de Facebook dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico de 1990 continua a publicar imagens elucidativas do caos ortográfico que se instalou.
Ah, Maria do Carmo Vieira publicou no jornal Público um excelente artigo de opinião intitulado “O acordo ortográfico e ‘a sonolência passiva’ que silenciou o espírito crítico”. Como é habitual, vale a pena ler. Por essa razão, aqui deixamos um excerto razoavelmente extenso: “Antes de se decretar o que os Portugueses nunca haviam pedido e tinham sistematicamente ignorado, escrevia-se, naturalmente, ‘acto’, ‘recepção’, ‘concepção’ ou ‘retractar’, entre muitos exemplos, vocábulos agora truncados na sua marca etimológica que determinava a abertura da sílaba. Não admira, pois, que esta alteração ao ‘traje’ da palavra tenha prejudicado a sua leitura, dando azo a distorções, escritas e ouvidas. Realce-se os vocábulos ‘recepção’ ou ‘concepção’ que, pelo ‘critério da pronúncia’, se mantêm assim, no Brasil, alterando-se, em Portugal, para ‘receção’ ou ’conceção’, num evidente desmentido da ‘unidade ortográfica’ pretendida. No caso de ‘retractar’, o equívoco, que toda ortografia pretende eliminar, é notório porque agora tudo é ‘retratar’.
Ah! Quando tiver dúvidas, faça como os jornalistas de revista Flash: numa ocorrência, grafe a consoante dita muda; noutra, omita-a. Nalgum caso, há-de acertar.
João Esperança Barroca


Como é possível isto estar a acontecer?
Só mesmo num país sem rei nem roque, numa República DOS Bananas, coisa única no mundo.
Todos os envolvidos, neste que se vivêssemos num país com governantes a sério seria considerado um crime de lesa-infância, deviam ser penalizados pelo que estão a fazer às crianças portuguesas, num momento em que corre por aí a possibilidade (mais possível do que impossível) de um novo idioma poder ser oficializado e substituir a Variante (=Dialecto) Brasileira do Português, no Brasil, até porque a Língua do Brasil já não é Portuguesa há muito, muito tempo, desde o tempo em que andei lá a estudar, e onde aprendi a ler e a escrever já sem cês e pês. E isto faz parte do percurso natural dos dialectos.
Quando a Variante Brasileira do Português mudar o seu nome para Língua Brasileira, então terá percorrido o caminho natural de todos os dialectos, pois todas as Línguas existentes no mundo, originaram-se a partir de dialectos.
O Brasil, neste momento, como já referi, fala e escreve o dialecto brasileiro, o mesmo que Variante Brasileira do Português, que muito naturalmente, de tão distante que já está do Português, transformar-se-á na Língua Brasileira, aliás, como já é conhecida no estrangeiro. Nenhum estrangeiro que conheça a Língua Portuguesa acha que no Brasil se fala Português.
É que o Brasil, estando agarrado ao Português, tem de continuar per omnia saecula saeculorum a ser o vislumbre da colónia portuguesa que já foi?
Isto para dizer que no dia em que o Brasil mudar o nome da Língua, o AO90, que a senhora professora está atentar impingir aos alunos, nas escolas portuguesas, não tem mais razão de ser. Então, para quê insistir?
O que se pretende com esta iniciativa de levar o Ciberdúvidas às escolas para mentir aos alunos, até porque o AO90, como todos sabem, não está em vigor na ordem jurídica internacional, nem na ordem jurídica nacional, de acordo com os cosntitucionalistas.
Perante isto, o que pretende fazer o governo de Luís Montenegro? Continuar a enganar as crianças, os jovens e os estrangeiros que pensam que estão a aprender o Português correCto, mas não estão?
Já lhe escrevi a questioná-lo.
A ver vamos se tem a hombridade de responder, como mandam as boas regras democráticas, numa Democracia.
Vejam o vídeo, e depois leiam os comentários que recolhi no Facebook, a propósito desta vergonhosa iniciativa.
Isabel A. Ferreira





Vou transcrever aqui a análise publicada no Facebook, que João Cruz fez à entrevista que o Almirante Gouveia e Melo concedeu à TVI/CNN, com a qual concordei, na sua generalidade, tendo apenas um reparo a fazer.
Aguardei esta entrevista com grande expectativa, porque só sabia três coisas acerca do Almirante: que ele foi muito eficiente ao coordenar a vacinação durante a pandemia da Covid-19; que ele levava à risca a sua missão na Marinha, cumprindo as regras, as leis e o seu DEVER escrupulosamente; e que NÃO grafava correCtamente a sua Língua Materna, a Língua Portuguesa, requisito essencial num Presidente da República, a ser, tendo aderido ao ilegal e inconstitucional acordo ortográfico de 1990 (AO90), que viola a Constituição da República Portuguesa (CPR).
Além isso, se for eleito Presidente da República será seu DEVER defender a CPR, algo que o ainda PR, Marcelo Rebelo de Sousa, não fez, e, para tal, terá de eliminar o ilegal e inconstitucional AO90, a peste negra que contamina a qualidade do Ensino, em Portugal, país que está a perder a sua identidade linguística e a sua condição de País livre e soberano.
E isto, para um Almirante a ser Presidente da República Portuguesa, não será coisa de pouca monta, para desprezarabo. Penso eu!
Isabel A. Ferreira

Texto de João Cruz
Henrique Gouveia e Melo deu hoje a sua primeira entrevista pública à CNN/TVI. Para quem achava que só quem tirou os cursos da política é que pode ser presidente da república, as esperanças caíram por terra, e já devem ter ficado a perceber que Gouveia e Melo está bem preparado para os enfrentar e, provavelmente, pronto para "os meter no bolso". Frequentámos a mesma "Alma Mater" durante 4 anos e as características que lhe conheci há 45 anos não mudaram. É claro a expor, é disciplinado, e não tem medo de ter opinião. Dificilmente perderá estas eleições, não só por se ir confrontar com palradores teatrais, como por ir suceder a um presidente que cansou pelo estilo. Não é comparável a ninguém nem quer ser.
Na entrevista, que durou cerca de uma hora e tocou em muitos assuntos, revelou que decidiu avançar em Setembro do ano passado quando percebeu que íamos ter um Trump na América. É positivo, porque Trump faz dos "bananas" uns bonecos de trapos.
Não gosta de julgamentos públicos, da ausência de sigilo, e de corrupção, nem quer ser apoiado por partidos políticos ou grupos organizados. Quanto a André Ventura, talvez uns dos grandes perigos à sua candidatura, foi muito claro: não concorda com o que diz e faz, mas não deixaria de o eleger se ganhasse eleições.
Foi esclarecedor quanto à imigração: somos tolerantes, mas a emigração tem de ser regulada, e não queremos importar intolerância estrangeira. Aborto está decidido há muito e eutanásia é aceitável em condições muito específicas. Não defende o SMO como o conhecíamos, mas é importante que os militares que saem dos contratos façam voluntariamente reciclagens para dar corpo a um efectivo robusto em caso de necessidade. A melhor defesa é a dissuasão.
A cidadania nas escolas deve existir e não ser ideológica. Os governos não devem cair de qualquer maneira. A Palestina tem direito a ser um Estado e o genocídio que Israel está a levar a cabo tem de acabar.
O SNS não evoluiu proporcionalmente ao dinheiro investido ao longo do tempo. Não se acha o D. Sebastião nem tem uma varinha de condão, mas exercerá a magistratura de influência mantendo o foco nos principais problemas na ordem do dia pressionando o governo para arranjar soluções. Veste a camisola de Portugal e não tem medo dos outros candidatos porque não teme a democracia.
Gouveia e Melo teve e terá de vencer aqueles que pensam que os militares são portugueses com direitos diminuídos e que um país que tenha um militar na presidência tem algum tipo de doença.
Os comentadores de todas as televisões tentam a todo o custo encontrar-lhe contradições e fraquezas, mas não está a ser fácil que o povo os compreenda.
Escolheu um mandatário que podia ter evitado. Havia outros com muito mérito sem cursos de política.
Gouveia e Melo entrou bem e à frente dos outros todos que, se antes já tinham dificuldade em lhe morder os calcanhares, agora ainda vão ter mais dificuldade.
João Cruz
Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=24770965112504014&set=a.132112583482609

15 de Fevereiro de 1911 –
O Governo português cria a Comissão para o Estudo da Reforma Ortográfica de 1911
Até ao início do século XX, tanto em Portugal como no Brasil, seguia-se uma ortografia que, por regra, se baseava nos étimos latino ou grego para escrever cada palavra — phosphoro (fósforo), lyrio (lírio), orthographia (ortografia), phleugma (fleuma), exhausto (exausto), estylo (estilo), prompto (pronto), diphthongo (ditongo), psalmo (salmo), etc..
Ao longo dos tempos, diversos estudiosos da língua apresentaram sucessivas propostas de simplificação da escrita, sem grande êxito.
Imediatamente depois da Implantação da República em Portugal, o novo governo, empenhado no alargamento da escolaridade e no combate ao analfabetismo, nomeou uma comissão — constituída por Gonçalves Viana, Carolina Michaëlis, Cândido de Figueiredo, Adolfo Coelho, Leite de Vasconcelos, Gonçalves Guimarães, Ribeiro de Vasconcelos, Júlio Gonçalves Moreira, José Joaquim Nunes, Borges Grainha e Augusto Epifânio da Silva Dias — para estabelecer uma ortografia simplificada a usar nas publicações oficiais e no ensino.
As bases da Reforma Ortográfica, muito inspiradas nas propostas de 1885, foram oficializadas por portaria de 01 de Setembro de 1911, permitindo-se um período de transição de três anos.
Apesar de já existir há longo tempo no Brasil uma forte corrente foneticista, que se batia pela simplificação ortográfica, o não envolvimento brasileiro na reforma portuguesa teve o efeito contrário, ficando os dois países com ortografias completamente diferentes: Portugal com uma ortografia reformada, o Brasil com a velha ortografia de base etimológica.
Em 1924 a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras começaram a procurar uma ortografia comum, firmando-se um acordo preliminar em 1931 que praticamente adoptava a ortografia portuguesa de 1911, iniciando-se um longo processo de convergência das ortografias dos dois países que dura até hoje.
Acordo Ortográfico de 1945
O Acordo Ortográfico de 1945 é uma convenção ortográfica assinada em Lisboa em 06 de Outubro de 1945 entre a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras. Este acordo estabelece as bases da ortografia portuguesa para todos os territórios portugueses (que à data do acordo e até 1975 eram Portugal e as colónias portuguesas - na Ásia e África) e o Brasil, que seguia o Formulário Ortográfico de 1943.
Na tentativa de pôr cobro às profundas diferenças ortográficas entre Portugal e o Brasil, como resultado da adopção em Portugal da Reforma Ortográfica de 1911, tiveram lugar diversos encontros entre as Academias dos dois países, dos quais resultou um acordo preliminar assinado em 1931. No entanto, como os vocabulários que se publicaram, em 1940 (pela Academia das Ciências de Lisboa) e em 1943 (pela Academia Brasileira de Letras), continham ainda algumas divergências, houve necessidade de novas reuniões, em Lisboa, que deram origem ao Acordo Ortográfico de 1945.
Acordo ortográfico de 1990
O Acordo Ortográfico de 1990 — que propõe uma significativa redução das diferenças de grafia entre o português europeu e o português brasileiro —, tem como objectivo substituir inteiramente o Acordo Ortográfico de 1945. Do ponto de vista legal, em Portugal o Acordo Ortográfico de 1990, apesar da portaria de 13 de Maio de 2009, onde se estabelece um período de transição de seis anos, durante o qual ambas as ortografias seriam válidas, não entrou em vigor. De acordo com a Constituição da República Portuguesa - artigo 112.º n.º 1 - só são actos legislativos Leis, Decretos-Lei e Decretos Legislativos Regionais.
Ora ainda não foi produzida nenhuma Lei ou Decreto-Lei que vise implementar o AO90. Assim sendo, as Portarias e Resoluções dos Ministérios não têm força jurídica para revogar a ortografia vigente em Portugal que é a que consta do Acordo Ortográfico de 1945, uma vez que este produz efeitos com base num Decreto-Lei. Ainda que usado pelo Estado e outros órgãos privados, o AO90 não está - do ponto de vista jurídico - em vigor em Portugal.
Fonte: https://www.facebook.com/photo?fbid=4824267814274950&set=a.661589607209479
Observação: por ser do interesse de todos os que, com boa-fé, se entregam à luta anti-AO90, eu, como autora do Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa», um lugar/repositório de quase, quase tudo o que tem sido publicado e realizado acerca da luta contra o AO90 e em defesa da Língua Portuguesa, considerei, por bem, reproduzir a entrevista que o site «Vidas e Obras» fez à Página do Facebook «Tradutores Contra o Acordo Ortográfico».
É preciso que exista em Portugal uma verdadeira e informada opinião pública, como refere a Professora Helena Carvalhão Buescu, e para tal é necessário ler o que se diz e o que se escreve acerca desta matéria.
Isabel A. Ferreira

Fizeram várias publicações no Facebook sobre a “Resistência ao Acordo Ortográfico”. O que é preciso para que a resistência consiga efeitos imediatos?
A resistência já vem de longe, desde 1986, quando a sociedade civil se mobilizou em peso contra uma proposta de acordo ortográfico cheia de bizarrias (como o famoso “cágado” sem acento). Ainda assim, esse plano não foi derrotado — com uns retoques, havia de redundar no Acordo Ortográfico (AO) de 1990. Desde Vitorino Magalhães Godinho e o Grémio Literário a Vasco Graça Moura e ao Público, passando por José Pacheco Pereira, Miguel Sousa Tavares, Teolinda Gersão, Maria do Carmo Vieira e tantas personalidades e cidadãos mais ou menos anónimos, a resistência sempre esteve viva, fosse sob a forma de artigos de opinião, petições, uma iniciativa legislativa de cidadãos, acções judiciais, cartas a deputados e governantes, audições parlamentares, grupos de trabalho no Parlamento, a tentativa de referendo, activismo nas redes sociais e em blogues, etc. Em 2012, porque a voz dos tradutores sobre a questão foi quase nula, esta página quis dar o seu contributo.
Para se ter uma ideia do nível de oposição que existe, nunca houve uma única sondagem ou inquérito de opinião favorável, com a rejeição do AO a ultrapassar sempre os 60 %. Por todo o país, inúmeros órgãos de comunicação social, entidades públicas e privadas, editoras e autores continuam a não aplicar a nova norma. Esse simples acto, juntamente com a renúncia à compra de determinados livros ou jornais, ou a correcção de grafias em placa/avisos, constitui uma poderosa forma de resistência ao alcance de todos, embora com o passar do tempo essa atitude vá esmorecendo. Chegou-se a uma fase em que enquanto não houver vontade política, seja da maioria dos partidos, do Governo ou da Presidência da República, as tentativas de anulação ou discussão do assunto ao mais alto nível estão votadas ao fracasso. A postura do facto consumado tem feito o seu caminho, mas como se costuma dizer, nunca é tarde para se corrigir um erro. Neste caso, vários erros, tantos quantas as bases do Acordo, que levaram a confusões ortográficas, semânticas e de pronúncia. Nenhuma reforma anterior levou a este estado de coisas, o que diz bem das deficiências técnicas e científicas do documento.
Têm uma fotografia duma manifestação intitulada “A Língua não é uma mercadoria. Não está à venda!”. A ortografia já foi alterada três vezes à revelia do povo, resultando neste novo acordo ortográfico. De que forma é possível que esta premissa de que a Língua não é uma mercadoria e que não está à venda seja cumprida?
As alterações ortográficas têm coincidido com mudanças de regime, fosse em 1911, com a instauração da República, em 1945, durante o Estado Novo, ou em 1990, na democracia. Daqui se depreende que têm sempre um grande cunho político, subalternizando-se a parte técnico-científica. Isto foi por demais evidente no caso do último Acordo, em que a vertigem do tema levou o então primeiro-ministro Cavaco Silva a mandar assinar logo o documento e o Governo de José Sócrates a fazer aprovar o Segundo Protocolo Modificativo, de acordo com o qual bastaria a ratificação de apenas três países para que o tratado vigorasse. Uma manobra de desespero e imposição a todo o custo, visto que o assunto estava engavetado e esquecido há vários anos.
O ritmo a que Portugal faz reformas ortográficas, já sem contar com ajustes pontuais, resulta em alterações a cada 35 anos, um caso sem paralelo na Europa, por exemplo. A ortografia é conservadora por natureza, dado que a estabilidade convém à compreensão e é uma forma de entendermos o ontem e nos fazermos entender no futuro. Não deve ser alterada a bel-prazer, com ligeireza e como uma cartada ideológica ou uma moeda de troca diplomática. Por alguma razão nada disto aconteceu com o inglês, que, apesar de “arcaico” na forma, é a língua franca internacional, da modernidade e do futuro, seja na Internet, nas aplicações, na programação informática, nas publicações científicas, etc. Também a ortografia cristalizada do francês, cheia de duplas consoantes, letras mudas e falta de correspondência entre escrita e fala, não obstou à sua aprendizagem e a que o idioma tivesse nível mundial e fosse veículo de conhecimento. Por conseguinte, deixe-se a língua em paz. O património maior de qualquer nação, por ser um bem intangível, não pode servir para mercadejar. Acresce que, volvidos quase 15 anos da adopção, nenhum dos objectivos do Acordo foi cumprido, fosse no intercâmbio entre países lusófonos, na uniformização, na projecção do português, na maior simplificação, nas actas únicas em fóruns internacionais e na abertura do mercado livreiro.
Têm um álbum no Facebook sobre: “Oposição em Portugal ao Acordo Ortográfico”. De que forma é possível aumentar a oposição ao acordo?
Páginas como esta e grupos no Facebook e noutros locais, blogues, artigos em jornais, reportagens específicas e emissões dedicadas ao AO constituem contributos valiosíssimos não só para a compreensão e o despertar para as questões da língua, mas também para desconstruir muitas das teorias do acordismo e expor o seu fracasso. A este respeito, o jornalista Nuno Pacheco tem sido um lutador incansável, divulgando não só os erros e o caos ortográfico, mas dissertando sobre a relação que a política e os costumes em geral têm com a língua e a sua forma escrita. Também o escritor e revisor Manuel Monteiro, nos seus livros e em entrevistas, nunca perde a oportunidade de denunciar os atropelos do Acordo, que nem estará vigente (o decreto da norma anterior não foi revogado), conforme explanou o embaixador Carlos Fernandes em livro.
Criou-se em relação à língua portuguesa a ideia de que pode ser diversa em tudo, menos na ortografia, o que não se passa em nenhuma das línguas com variantes fortes. Esta visão é completamente anacrónica nos dias que correm. Cada país deve seguir as suas próprias orientações em consonância com as especificidades da sua variante, gozando de soberania linguística. Os Brasileiros mandam na sua variante, nós na nossa e os Angolanos na sua. Esta perspectiva teria evitado tantos equívocos e verdadeiros atentados culturais. É divulgando estas ideias, que no fundo são de senso comum, que será possível chegar a mais pessoas e aumentar a oposição, seja do ponto de vista técnico, social ou até filosófico. É que o AO faz mesmo o pleno — é uma aberração científica, política, jurídica e diplomática.
Têm um álbum no Facebook sobre: “Caos ortográfico pós-AO”. Após vários anos de imposição ilegal do Estado, Presidência, escolas, universidades, revistas, canais de televisão e outros meios de comunicação em que medida o AO tem prejudicado quer a ortografia, quer a oralidade? E que impacto é que tem tido este este Caos Ortográfico nos alunos, quem lê na TV ou jornais e revistas? Em que medida as alterações desde a reforma ortográfica têm prejudicado a ortografia, e este caos tem prejudicado as traduções?
O Acordo lançou a ortografia portuguesa num caos que é indigno de uma língua desta dimensão, como observou Bagão Félix. Não só continua a existir uma mistura permanente de grafias pré e pós-AO, como surgiram erros atribuíveis aos novos preceitos, como sejam “adeto”, “elítico” e “interrutor” (supressão do “p”), “espétaculo” e “desinfétar” (acentuação indevida pela retirada da consoante muda diacrítica), “inteletual”, “impato” e “fição” (ausência do “c”), “galático”, ”adição”, “contato” e “fato” (não perderam mesmo o “c”), “25 de abril” (mantém a maiúscula), “excessão” (a queda do “p” levou a uma deturpação ainda maior), etc. Grafias deste tipo aparecem com frequência no Diário da República e já constaram numa reprodução da Constituição Portuguesa no site da Assembleia da República. Além disso, um fenómeno inédito que ocorreu foi o retorno da escrita sobre a oralidade, como proferir “afêta” (devido à grafia “afeta”), em vez de “aféta” (“afecta”), ouvido a um jornalista há uns dias, ou “coâção” (“coação”) por “coàção” (“coacção”). Vocábulos noutras línguas têm surgido com consoantes truncadas, incluindo na imprensa. Depois, por via da supressão de hífenes, passámos a ter verdadeiras aberrações gráficas, tais como “conarrar”, “cocomandante”, “corréu”, “contraião”, “semirrei” ou “intrauterino”, além de confusões ortográfico-semânticas entre palavras que se tornaram demasiado parecidas, como são os casos de “conceção”/“concessão” e “interceção”/”intercessão”/”interseção”. Tudo isto, que está documentado em profundidade na página, e a que acresce o desmembramento de famílias de palavras, leva o falante a ter mais dúvidas do que certezas na hora de escrever. Houve uma dispersão ortográfica ainda maior do que antes, com a não-aplicação das novas regras pela maioria dos países lusófonos, com destaque para Angola e Moçambique, e nos próprios países que as aplicam devido às duplas grafias e à colagem da grafia à pronúncia, que será o aspecto da língua que mais variação apresenta. Toda a gente passou a escrever de uma forma ainda mais diferente.
Embora o objectivo fosse facilitar e simplificar a escrita, o que vemos é o inverso, porque a nova ortografia é pouco intuitiva. Temos recebido na página imagens de professores que se deparam com erros gritantes resultantes do Acordo em provas dos seus alunos, com os próprios a confessarem que não viam esse tipo de erros antes. Nas traduções, particularmente em filmes e séries, e inclusive em capas de livros, surgem vários tipos de anomalias, de que damos conta na página. Em sites de empresas de tradução, não é raro ler a indicação “Contatos”. Há tradutores que passaram a trabalhar para os mercados de Angola e Moçambique, a fim de contornar toda esta trapalhada.
Têm um álbum no Facebook sobre “Factos e propaganda anti-AO”. De que forma pode isso ajudar a esclarecer e levarem as pessoas a tomarem uma posição contra o acordo ortográfico?
É no esclarecimento que está a chave para que os cidadãos tenham consciência deste problema. Há pessoas que não tinham uma opinião definitiva ou eram a favor, mas perante as contínuas evidências foram obrigadas a reconhecer que não estavam a par de toda a realidade da questão. Em vez de bater no peito com o patriotismo lusitano, que em si não serve de muito para esta causa e pode prejudicá-la pelo desvio para outros campos, a solução é informar, explicar, educar. E convocar pessoas que nos outros países combatem este processo, incluindo no Brasil, onde existe uma oposição significativa entre académicos, personalidades de várias áreas e políticos.
O AO não é de esquerda nem de direita, tem apoiantes e detractores de ambos os lados, nem a norma de 1945/73 é «o português dos nacionalistas», como se escreveu por aí, e não presta porque é «do tempo da ditadura», segundo Santana Lopes. É apenas a norma estável, mais coerente e mais bem elaborada após as alterações de 1911.
Quais são os vossos sonhos para a Língua portuguesa e para Portugal?
É evidente que a língua portuguesa não se esgota no AO. Há quem afirme, como o professor Fernando Venâncio, outro antiacordista, que o idioma não está tão mau como muitos querem fazer crer e que esse sentimento é cíclico e já ocorreu noutras épocas. Pode ser verdade até certo ponto, mas é inegável que, somando-se ao AO, o português enfrenta desafios como o uso massificado e tantas vezes despropositado de anglicismos, o empobrecimento do ensino ou o afunilamento do vocabulário. Não podemos ser passivos e ficar à espera de que a língua sobreviva só por si própria, até porque, como se sabe, se extinguem línguas todos os anos com a morte do último falante e o avanço hegemónico do inglês a nível global ou de outras línguas mais poderosas a nível regional.
Por outro lado, não podemos estar dependentes do Brasil como o motor da língua e a olhar sempre para o outro lado do Atlântico. O Brasil faz o que lhe compete, faz avançar a sua variante, e tem algo que Portugal ainda hoje não tem, uma verdadeira política da língua, algo que o AO serviu para mascarar, sem nenhuns resultados práticos, como é notório. Será isso que falta a Portugal como um todo, mais iniciativa, mais capacidade de comando, menos atrelamentos, menos dependências, seja demográfica, económica ou culturalmente. Por vezes, dá a ideia de que temos um país ao contrário.
Obrigado pelo seu tempo, votos de bom trabalho.
Projecto Vidas e Obras
Entrevista: Pedro Marques
Correcção: João Aristides Duarte
01 De Abril De 2025
Fonte:
Um destes dias, a Susana B., falando da minha (im)popularidade na luta contra o AO90, que leva algumas pessoas e Grupos, que se dizem desacordistas, a bloquearem-me no Facebook, disse-me que o meu estilo por vezes truculento e briguento cria amiúde atritos desnecessários.
Então, é o seguinte:
1 – Eu tenho vários estilos de escrita, e aplico-os conforme as circunstâncias. E isto porque não sou hipócrita, nem tenho medo de caras feias. Se é para fazer poesia, uso o meu estilo poético. Se é para escrever um romance, uso o meu estilo romântico. Se é para escrever uma crónica, uso o meu estilo ao correr da pena. Se é para escrever sobre política e políticos, uso o meu estilo mordaz. Se é para escrever cartas abertas ou privadas aos governantes, uso o meu estilo impecável. Se é para escrever uma peça jornalística, uso o meu estilo factual. Se é para escrever sobre flores, uso o meu estilo delicado. Se é para escrever sobre crianças e velhinhos, uso o meu estilo amoroso, mas se é para escrever um artigo sobre o AO90, sobre a parvoíce, a estupidez, a ignorância e práticas que não respeitam a Ética e o Direito dos animais não-humanos à sua própria existência, obviamente, uso o meu estilo audaz. E o meu estilo furacão uso apenas quando os anónimos, sem cara nem nome, escudam-se nessa circunstância obtusa, para tentar deitar-me abaixo, com as suas baboseiras.
2 – Chamar truculento e briguento ao estilo que uso quando discorro sobre a parvoíce ortográfica de 1990, a estupidez e a ignorância que andam por aí disseminadas ao redor da nossa Cultura, da nossa História e da nossa Língua, é mandar uma ao lado. Na minha óptica, os adjectivos que a Susana B. aplicou, estão mal aplicados.
3 – Se crio atritos, isso já não é problema meu. Eu apenas uso da minha franqueza, uma vez que não é da minha consciência pôr paninhos quentes em cabeças escavadas, até porque o meu principal objectivo é unicamente agitar as consciências, e o sucesso deste meu objectivo depende do grau da consciência de cada um...
[O título desta publicação é uma adaptação de um pensamento de Bob Marley, que era um ser livre, tal como o meu Mestre Mahatma Gandhi].

Isabel A. Ferreira
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