Sexta-feira, 13 de Novembro de 2020

Comentários de um professor universitário brasileiro sobre os brasileirismos introduzidos na linguagem oral e escrita em Portugal

 

Para que não digam que apenas eu implico com esses brasileirismos, publico aqui os comentários que o professor   Arthur Virmond de Lacerda publicou no Facebook, a propósito do meu texto

Nos canais de televisão, para além do AO90, reina o espírito de imitação bacoca

 
Devo dizer que o jurista Arthur Virmond de Lacerda pertence a uma elite culta brasileira que defende a Língua Portuguesa, no Brasil, tal como eu a defendo em Portugal. Divergimos em alguns pontos, mas no essencial concordamos. Está atento ao que se passa em Portugal, até porque já estudou cá, como eu estudei lá, e até já escreveu ao Governo Sombra, sobre os brasileirismos que os seus integrantes usam, e sobre o fenómeno do abrasileiramento da prosódia portuguesa.

 

Brasileirismos.png

Ernesto Carneiro Ribeiro foi um médico, professor, linguista e educador brasileiro, conhecido pela polémica mantida com Ruy Barbosa, seu ex-aluno, acerca da revisão ortográfica do Código Civil Brasileiro. Curiosidade: repare-se na designação idioma luso-brasileiro.

 

Arthur Virmond de Lacerda Também observo a legendagem à brasileira, em canais portugueses, e textos abrasileirados das telenovelas portuguesas, há mais de dez anos. Também me parece que os diálogos destas e as legendas são escritos por brasileiros, com introdução dos mais variados vocábulos e expressões que descaracterizam o falar tipicamente português. Seus autores não apreenderam o léxico corrente em Portugal e, aos poucos, vão descaracterizando a elocução típica dos portugueses. Tal abrasileiramento não favorece a audiência dos programas no Brasil nem creio que seja necessário para captar a audiência dos brasileiros daí. Os programas feitos em Portugal devem exprimir-se consoante aos usos daí e não consoante aos daqui ou de alhures.
Também noto que apresentadores e comentadores televisivos (Jornal da Noite, da SIC, Marques Mendes) [sim Marques Mendes parabeniza demasiado] empregam brasileirismos coloquiais, ou seja, o que é rasca, trivial, raso, no Brasil, alguns (somente alguns ?) usam em lugares formais, a exemplo de "dica", "correr atrás do prejuízo", "só que não". São dizeres da arraia miúda, que não no Brasil evita-se em contextos como os em que aí se usam, ou seja, alguns portugueses usam o pior do Brasil em lugar do que seja tipicamente português. — Nutro as mais acentuadas reservas quanto a tudo quanto provém de Marcos Bagno, grande inimigo da herança portuguesa em relação ao idioma. Ele é propugnador da recusa da gramática e dos usos vernaculares e do mudancismo idiomático: quanto menos portuguesmente se falar no Brasil, tanto mais ele se rejubila. Reputo-o influência decisiva no declínio acentuado do idioma entre nós e que ela precisa de ser erradicada urgentemente. Suas doutrinas são em muito responsáveis pelo abandalhamento do idioma no Brasil.

 

Arthur Virmond de Lacerda Outros brasileirismos rascas: "Eu vô ti falá para você entendê, mas se quisé a gente repete prá você". "Se você tá com problema, digita aqui": confusão entre pessoas do discurso.

 

 ***

 

Vergo-me aos seus comentários, amigo Arthur Virmond de Lacerda.


Também tenho essa perspectiva do abuso dos brasileirismos na linguagem oral e escrita, em Portugal. entre muitos outros, até os oi e , já estão na linguagem oral e escrita dos mais jovens. Muita influência também das novelas, onde se fala muito mal, obviamente com algumas honrosas excepções.

 

Não existe, nem no Brasil, nem em Portugal, a prática da Cultura da Linguagem, que deve ser o nosso maior cartão de visita, na comunicação com o mundo.


Nós, por aqui, desde o presidente da República, passando por ministros, deputados, professores, jornalistas, até ao mais comum dos mortais, actualmente estamos abaixo de zero, no que respeita ao falar e ao escrever. Uma miséria franciscana.


Quanto ao Marcos Bagno, na verdade, ele é um seguidor do Antônio Houaiss, que deslusitanizou o Português, com determinada intenção. No entanto, concordo com Bagno no que respeita à "bobagem da lusofonia", porque cada país dito lusófono, tem os seus próprios dialectos, e só alguma elite é que ainda fala e escreve Português escorreito, e isto serve para todos os países africanos de expressão portuguesa, Timor-Leste e também o Brasil, onde existe uma elite, infelizmente pouco numerosa, na qual o meu amigo se inclui, que resiste à deslusitanização da Língua oficial, que ainda é Portuguesa.

 

Agradeço os seus comentários, até porque, por cá, há muito quem pense que SÓ eu é que implico com os brasileirismos introduzidos na oralidade e na escrita portuguesas. E eu apenas pretendo defender a Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:59

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Terça-feira, 13 de Outubro de 2020

«Os candidatos à presidência [da República Portuguesa] deviam assacar responsabilidades ao actual PR, do estado caótico a que a Língua Portuguesa chegou»

 

Nos bastidores deste Blogue, via e-mail, há muita gente que desabafa, troca ideias, critica, porque nem só de pão vivem os Portugueses, e nem todos os Portugueses são servilistas ou indiferentes ao que se passa no nosso desgovernado País, no que a matérias extra-OE, extra-Covid, extra-Trump, extra-Bolsonaro diz respeito.

 

Hoje, quero partilhar convosco o desabafo de um leitor, que podia ser o meu desabafo.

 

O que pensa o cidadão comum sobre os seus governantes não sai nas televisões. Nas televisões só se pronunciam os lambe-botas. Mas existe uma outra realidade, para além dos ecrãs televisivos.

 

Carlos Fernandes.jpg

 

Eis o desabafo de um cidadão pensante, dotado de espírito crítico:

 

«O Senhor presidente da República deve ser o garante do cumprimento da Constituição Portuguesa, em particular de não permitir a continuação do desastroso AO90 (porque não existe Lei alguma que o obrigue a executar).

 

A não actuação neste assunto, de enorme importância para o país, faz dele:

 

Um "Chico-Esperto", vai a todas para cativar o Zé Povinho e granjear votos para mais uns anos de tacho e lazer na próxima presidência. 

 

Desde logo, quanto a este assunto do AO90 versus Desastre Ortográfico (aborto ortográfico, mixórdia ortográfica, cocografia, etc.) os outros candidatos à Presidência, deviam assacar responsabilidades ao PR, do estado caótico a que a Língua Portuguesa chegou.

 

Diz o ditado: "quem cala consente".

É exactamente a este silêncio que o Sr. Presidente se propôs!

 

Continua mudo e surdo, apesar dos diversos apelos efectuados por pessoas de bom senso, carácter e do saber.

 

Resta saber o porquê (...). Melhor do que ninguém será que a candidata Ana Gomes, a mais arguta de todos os candidatos, é capaz de o interpelar sobre este assunto de máxima importância?!

 

Mais uma vez, vamos esperar para ver.

Haja esperança. (A. M.)

 

***

Caro amigo A. M.,

Estou absolutamente de acordo com tudo o que diz.

 

Ainda bem que tocou neste assunto, até porque já tinha intenção de abordar a candidata Ana Gomes publicamente, uma vez que lhe enviei um e-mail no passado dia 7 de Outubro, a solicitar que esclarecesse a sua posição em relação ao AO90, e  aguardo resposta.  

 

Também já lhe deixei na Página da sua candidatura, no Facebook, este apelo:

 

«Seria de toda a conveniência falar sobre o Acordo Ortográfico de 1990, que está a destruir a Língua Portuguesa, é ilegal, inconstitucional, é uma grande fraude e está envolto em obscuras negociatas, colocando Portugal na posição de VASSALO, e a Língua recuada a dialecto. Isto é gravíssimo, e não vejo ninguém preocupado com o facto de Portugal andar a rastejar pelo mundo, reduzido a colónia sul-americana.»

 

MÁRCIO DOS SANTOS.jpg

 

E isto porque já vi textos escritos por Ana Gomes (ou de alguém por ela) na sua página do Facebook, em acordês, dirigidos ao irritável eivado de ignorância "todas e todos", o que me levou imediatamente a retirar-lhe o apoio, que já lhe tinha dado publicamente, até que me esclareça. Porque mais do mesmo, não, obrigada! Já basta o vergonhoso brazuquês de Marcelo Rebelo de Sousa, na página oficial da Presidência da República, sem respeito algum pela Constituição da República Portuguesa.

 

As minhas saudações desacordistas,

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:35

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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2020

Provedor do Ouvinte da RTP: «Os erros na Língua Portuguesa derivados do AO90 (…) são danos terríveis na [sua] difusão pelo mundo (…)»

 

Isalinda Schattner (*) uma dinâmica anti-acordista, membro do Grupo «Em Acção Contra o Acordo Ortográfico» no Facebook, escreveu ao Provedor do Ouvinte da RTP, questionando-o sobre os danos (que podem vir a ser irreversíveis) que o AO90 está a causar à Língua Portuguesa, em Portugal e na sua difusão pelo mundo, tornando-a numa língua reconhecidamente de ninguém.

 

O Provedor, que não aplica o AO90, respondeu-lhe. E é disto que esta publicação dá conta.

 

(*) Um apartezinho só para dizer que os acordistas jamais conseguirão escrever este nome, devido às várias consoantes que não se lêem. Coitados! Se não sabem escrever correCtamente, como conseguirão escrever Schattner?

 

COLÉTIVO.png

 

Origem da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1625795517584705&set=gm.3585772958134718&type=3&theater&ifg=1

 

Pois é. Este é um dos milhares de exemplos do estrago que o AO90 fez à Língua Portuguesa. Ou se escreve coleCtivo, para poder ler-se o E aberto, ou o E necessita de um acento.  Para os Brasileiros, que retiraram o , com o Formulário Ortográfico de 1943, com acento ou sem acento, com ou sem , a pronúncia é sempre Ê: côlêtchivu”. Em Portugal sem o , a palavrinha lê-se, obrigatoriamente, “cul’tivu”. Aproveitando a deixa, esperemos que a treta do presidente diga com a careta, e que nesse «vamos SOBREPOR o interesse coleCtivo aos meros interesses pessoais» inclua o Acordo Ortográfico de 1990, e o mande às malvas, porque o interesse coleCtivo, em Portugal, é que se mantenha a Língua Portuguesa na sua matriz greco-latina, e não na variante brasileira, que apenas ao Brasil diz respeito, e absolutamente a mais nenhum outro país.

 

 

***

 

RTP - Provedor do Ouvinte <provedor.ouvinte@rtp.pt>

13:28 (há 2 horas)

para mim

Senhora ouvinte Isalinda Schattner

 

Recebi a sua mensagem e estou inteiramente de acordo com o seu conteúdo. Aliás, devo informá-la que os documentos do Provedor do Ouvinte – nomeadamente os relatórios anuais de actividades, que são avaliados por uma Comissão Parlamentar, pela ERC, pelo Conselho de Opinião da RTP, contêm sempre a indicação: “este relatório está redigido de acordo com a norma ortográfica antiga”.

 

E na verdade se há estragos na língua portuguesa por motivo da introdução do AO90, eles são particularmente graves ao contaminarem a fonética, o português falado, que é a matéria-prima da Radiodifusão sonora. Um exemplo: a perda da obrigatoriedade da acentuação de certas palavras paroxítonas está a traduzir-se, no português falado, designadamente na rádio, pela confusão entre os tempos presente e passado de certos verbos terminados em ar. E assim é frequente ouvir frases deste tipo: “… o Presidente da Câmara, com quem falamos ontem…” em lugar de “… o Presidente da Câmara, com quem falámos ontem…”.

 

Os erros na língua portuguesa derivados do AO90, acrescidos da cessação da transmissão da Rádio pública portuguesa em Onda Curta, em muitos casos substituída por emissões em português do Brasil, com todas as vogais abertas por regra, sem necessitarem de acentos nem de consoantes mudas, são danos terríveis na difusão da língua portuguesa pelo mundo, que é uma função institucional, legal e contractual da Rádio pública de Portugal.

 

No entanto, tenho sérias dúvidas que uma proposta no sentido de pôr no ar na Rádio pública, que tem diversos programas sobre língua portuguesa, um programa especificamente visando a anulação do AO90, obtenha aprovação.

 

Enviarei a sua proposta à Direcção de Programas da Antena 1 e dar-lhe-ei conta da resposta, se a obtiver.

 

O que lhe posso garantir é que proximamente, no programa do Provedor do Ouvinte (às sextas-feiras, na Antena 1, às 16 h 08), a propósito da sua proposta, abordarei a questão do AO90 e os danos que a ortografia “acordista” está a causar na língua portuguesa, tal qual se fala na Rádio.

 

Espero ter respondido à questão que colocou. Disponha sempre do Provedor e receba cordiais saudações

 

João Paulo Guerra

Provedor do Ouvinte

 

 

***

 

07 Outubro 2020

Isalinda Schattner <isa.schattner@gmail.com>

14:32 (há 1 hora)

para RTP

Ex.mo Provedor,

 

muito obrigada pela sua reacção à minha abordagem deste assunto, que me parece de grande importância. Os meios de Comunicação Social serão sempre a melhor forma de difusão de um problema existente, da sua discussão surgirá, sem dúvida, um maior conhecimento do que está a acontecer com a nossa língua e, com isso, talvez esteja dado um passo decisivo na consciencialização da maior parte do povo português, que pela sua iliteracia se acomoda facilmente a qualquer problema com o seu maior Bem Cultural Imaterial.

 

Mais uma vez, muito obrigada - seguramente também em nome do Grupo "Em ACção contra o Acordo Ortográfico" de que sou membro, apesar desta ter sido uma iniciativa privada - pelas suas planeadas diligências. Ficarei à espera da resposta da Direcção de Programas da Antena 1, desejando poder confiar na sua coragem e vontade de fazer algo de válido pela nossa língua e não só emitir uma música brasileira a cada três que propaga.

 

Os meus cordiais cumprimentos,

 

Isalinda Schattner

 

Fonte:

https://www.facebook.com/groups/emaccao/permalink/3592800884098592/

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:18

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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020

«Não haverá, no plano político e institucional, uma alminha que erga a voz para, ao menos, contestar mais uma secundarização da nossa língua (…)»

 

Uma óptima reflexão do Dr.  António Bagão Félix, publicada no seu Facebook.

 

Temo que o plano político e institucional seja esse mesmo: acabar com a Língua Portuguesa, que já anda de rastos, por toda a parte.

 

stayaway_00-1-720x405.jpg

 

Origem da imagem: Internet

 

«Será que alguém me pode explicar por que razão a aplicação de rastreamento voluntário da COVID-19 está escrita em língua inglesa (STAYAWAY COVID), assim se pondo de lado a língua portuguesa? Já não nos chega o acrónimo inglês da doença (𝐂𝐎rona 𝐕𝐈rus 𝐃isease) universalmente consagrado?

 

Claro que na língua de Shakespeare tudo parece mais modernaço, mais tecnocrata, mais jovial, mais na moda, mais estrangeirado, mais globalista, mais “comercial”, mesmo que “made in Portugal”.

 

Se o objectivo é ter uma taxa de adesão que permita que a aplicação seja mais eficaz, qual o interesse em designá-la em inglês? Ainda que, visto da cidade, possa parecer um detalhe, é também uma forma discriminatória de ignorar os portugueses que não sabem sequer rudimentos de inglês, os mais velhos, os mais info-excluídos, os mais pobres, os mais sós, os mais esquecidos.

 

Recordo o que disse o PM, em 20 de Maio: “𝑎 𝐿𝑖́𝑛𝑔𝑢𝑎 𝑃𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑠𝑎 𝑒́ 𝑜 𝑛𝑜𝑠𝑠𝑜 𝑚𝑢𝑛𝑑𝑜, 𝑎𝑏𝑒𝑟𝑡𝑜 𝑒 𝑝𝑙𝑢𝑟𝑎𝑙. [...]𝐴𝑠𝑠𝑢𝑚𝑒-𝑠𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑢𝑚 𝑓𝑎𝑐𝑡𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑒𝑡𝑖𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒, 𝑞𝑢𝑒𝑟 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑙𝑖́𝑛𝑔𝑢𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑢𝑙𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜, 𝑞𝑢𝑒𝑟 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑙𝑖́𝑛𝑔𝑢𝑎 𝑑𝑒 𝑝𝑜𝑙𝑖́𝑡𝑖𝑐𝑎 𝑒 𝑑𝑒 𝑛𝑒𝑔𝑜́𝑐𝑖𝑜𝑠, 𝑞𝑢𝑒𝑟 𝑎𝑖𝑛𝑑𝑎 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑖𝑚𝑝𝑜𝑟𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑣𝑒𝑖́𝑐𝑢𝑙𝑜 𝑛𝑎 𝐼𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑒𝑡 𝑒 𝑛𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑑𝑒𝑠 𝑠𝑜𝑐𝑖𝑎𝑖𝑠.”

 

Não haverá, no plano político e institucional, uma alminha que erga a voz para, ao menos, contestar mais uma secundarização da nossa língua, cada vez mais sujeita a sevícias de toda a espécie e a uma crescente indiferença educativa, pese embora a panóplia de discursos para “inglês ver”?

 

Bem sei que isto não terá grande importância. Mas significado não deixa de ter.»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:30

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Quinta-feira, 14 de Maio de 2020

«Quanto mais ignorantes são os povos, mais necessitam de “acordos ortográficos”»

 

Não, não fui eu que inventei isto. Isto é o que dizem os estudiosos das Ciências da Linguagem.

 

E foi exactamente isto que aconteceu com a Língua Portuguesa, o Idioma Europeu que mais reformas ortográficas fez. E porquê?

 

Simplesmente porque tanto no Brasil, como em Portugal, o índice de analfabetismo era (e o pior é que continua a ser) de tal modo elevado que tiveram de simplificar uma ortografia que vinha do tempo do Rei Dom Dinis, que estabeleceu o Português como língua oficial de Portugal. Em 1290, concluída a reconquista portuguesa, o rei Dom Dinis de Portugal decretou que a “língua vulgar” (o galaico-português falado) fosse usada na corte, em vez do Latim, e nomeada Português. O Rei Trovador, neto e tradutor de Afonso X, O Sábio, adoptou assim, uma língua própria para o reino, tal como o seu avô fizera com o Castelhano. Em 1296 o Português foi adaptado pela chancelaria régia e passou a ser usado não só na poesia, mas também na redacção das leis e pelos notários, e depressa se espalhou entre os que tinham o privilégio de poder frequentar uma escola.

 

Dom Dinis.png

 

E esse Português, na sua forma grafada, manteve-se até 1911 quando, devido ao elevado índice de analfabetismo luso-brasileiro, se decidiu simplificar a grafia. No entanto, «é de salientar que quem elaborou a Reforma de 1911, fê-lo com cabeça, tronco e membros, simplificando, sim, mas não destruindo a língua, nem a desenraizando, nem modificando a sua pronúncia.

 

Em 1943, contudo, o Brasil, ainda às voltas com o elevado índice de analfabetismo, decidiu, por moto-próprio, fazer uma outra reforma, mutilando aleatoriamente, sem o mínimo rigor científico, as consoantes que não eram pronunciadas, e aproximou a escrita da oralidade, que já se tinha afastado do Português, e aproximado do Castelhano.

 

Em 1945, Portugal e (novamente) o Brasil fizeram uma outra reforma, desta vez simplificando a grafia de 1911, continuando-se a não desenraizar a língua, ou modificando a sua pronúncia.  Mas desta vez, o Brasil deu um passo atrás, mandou às malvas o AO45, e regressou ao seu simplificado Formulário Ortográfico de 1943.

 

Na reforma de 1945, a Língua Portuguesa foi lapidada, tal como se lapida um diamante, sem destruir o seu alicerce. O resultado ortográfico não se mostrou perfeitíssimo? Não, não se mostrou. Porém, atingiu-se a perfeição possível, mantendo-a ao nível das restantes Línguas Europeias: nem muito básica (como propuseram os acordistas), nem muito ataviada, como no tempo de Dom Dinis.

 

Chegados à década de 90, como com as reformas ortográficas já realizadas não se conseguiu baixar o índice de analfabetismo, nem no Brasil nem em Portugal, dois “entendedores” de linguagem, Evanildo Bechara (pelo Brasil) e Malaca Casteleiro (por Portugal) decidiram tramar a Língua Portuguesa e, inspirando-se no formulário ortográfico brasileiro de 1943, retirando-lhe uns acentos e uns hífenes, para não parecer que o Brasil não tinha nada para mudar, toca a impingir-nos esse formulário, a que deram o nome de Acordo Ortográfico de 1990, ao qual os Portugueses e os restantes países de Língua Oficial Portuguesa (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde (agora fora deste grupo) São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) teriam de se vergar adoptando a grafia brasileira, com o falso objectivo de unificar as grafias. Algo completamente absurdo e impraticável, como qualquer pessoa com apenas UM neurónio a funcionar, facilmente conclui. A isto somou-se um abstrusíssimo interesse económico-jurídico-político-diplomático, e a Língua Portuguesa, na sua forma grafada, mas também falada (para cada palavra “incurrêtamente” escrita, uma dicção também “incurrêtâ”) começou a circular por aí, lançando um verdadeiro caos ortográfico, nunca visto em país nenhum do mundo. Uma autêntica vergonha! 

 

Com uma agravante: Portugal começou a escrever incorrectamente vocábulos que o Brasil escreve correctamente, apenas porque se decidiu, aleatoriamente, pronunciar umas consoantes, que em Portugal não se pronunciam, e não pronunciar outras, que em Portugal se pronunciam, tornado ainda menos provável a tal unificação, e enchendo o belo Idioma Português de verdadeiros abortos ortográficos, como exceto (excêtu), aspeto (aspêtu), infeção (inf´ção), receção (rec’ção), respectivo (r’sp’tivu), entre muitos outros que tais abortos. E disto nasceu a maior mixórdia ortográfica, jamais vista, em todo o Planeta Terra e arredores.

 

Entretanto, os acordistas, sem um pingo de saber e sem conseguir raciocinar, atiram-nos à cara argumentos completamente impregnados de uma ignorância descomunal.

 

Num comentário, numa página, que se diz anti-AO90, do Facebook, encontrei este relambório que já cansa, de tanto ser dito e redito, sem saberem o que dizem.

 

«A língua portuguesa teve ao longo dos tempos ajustamentos e sempre houve quem fosse a favor e contra. Imaginemos que nos obrigavam a escrever português como há mais ou menos 100 anos: Gostava de ler os vossos pensamentos, dos que são prós e os que são contra.• Como se escrevia em Portugal há cem anos... antes do Acordo Ortográfico de 1911:

E que tal, se ainda tivéssemos de escrever assim?

O autor Monteiro Leite (escrevendo contra a reforma ortográfica de 1911):

 

(Convido os leitores a lerem em voz alta os excertos que se seguem, e a certificarem-se de que se suprimirem as consoantes duplas, ou os fonemas gregos PH, TH, RH e o grego Y, com correspondência no alfabeto LATINO, que é o nosso, F (PH), T (TH), R (RH), I (Y), a pronúncia das palavras será exactamente a mesma, e este foi um critério racional para a supressão dessas consoantes (que não faziam falta) e da substituição dos fonemas e caracteres gregos, pelos caracteres latinos. Afinal, o alfabeto português é o latino e não o grego).

 

Placa_pre-1911_Porto-1-1.jpg

 

... «A escripta, como expressão graphica do pensamento, é um assumpto
muito melindroso e delicado da grammatica scientifica da lingua
portugueza.»


Páginas à frente, outros argumentos:

«As palavras com o digramma, por exemplo, ph, th (phothographia), rh
(rheumatismo) o y (hyperbole) attestam uma physionomia de nação grega.
As palavras com duas consoantes eguaes são o caracteristico principal
de que procedem de origem latina como: acceitar, adduzir, affecto,
aggravo, illustre, annexo, pressão, etc. Quaes são os signaes physicos
ou materiaes que distinguem e separam as raças humanas umas das
outras? São evidentemente os desenhos, os traços, os signaes variados,
differentes, da physionomia. Quaes são os signaes physicos ou
materiaes que assignalam e attestam a origem da nacionalidade d'uma
palavra? São com certeza as consoantes e grupos consonantaes, que se
empregam na fórma orthographica. Portanto, supprimir, alterar,
augmentar lettras na orthographia d'uma palavra é apagar, é extinguir,
é assassinar um organismo vivo d'uma nacionalidade, o qual emprestou o
valor do seu significado á vida e á convivencia social da lingua
portugueza.»

No mesmo livro, o autor dá outro exemplo contra uma das alterações
feitas nesta reforma:

«Certas palavras portuquezas escrevem-se com h, sem que seja pedido
pela etymologia da palavra em que elle se emprega, mas é para evitar a
união de duas vogaes formando um diphthongo: ahi, bahia, bahu cahir,
sahir, etc., por aí, baía, baú, caír, saír. Impressiona mais a vista
do leitor a graphia do h que o microscopico desenho do accento agudo
sobre as vogaes d'essas palavras.»

 

Todas as consoantes que não se pronunciam nestes textos e foram suprimidas não têm função diacrítica, ou seja, não servem de sinal gráfico que abre as vogais que as antecedem. O resto foi adequado segundo as regras das Ciências da Linguagem, e não porque sim ou porque fica mais fácil escrever assim do que assado. Um Idioma não é um pedaço de carne que se corta daqui e dali, para fazer picadinho. Não é.

 

Esquecem se os acordistas do seguinte:

Devido ao elevado índice de analfabetismo da época em que foi realizada a reforma de 1945, que não é perfeita, conforme já foi referido, mas é a que mais facilita a escrita, se se aprender as regras gramaticais, como em todas as outras Línguas Europeias, que foram fixadas a partir de UMA só reforma, os linguistas que a elaboraram, elaboraram-na sem segundas, nem terceiras, nem quartas nem quintas MÁS intenções, nem com o fito de negociatas obscuras, nem sequer para seguir vontades de políticos pouco esclarecidos e com um enorme complexo de inferioridade (eles acham que uma língua falada por milhões confere GRANDEZA a essa Língua, ainda que ela seja RUDIMENTARMENTE escrita e falada, quase a abeirar um patoá de meia-tigela.

 

Em 1945, os linguistas pegaram nas palavras e fizeram o seguinte raciocínio:

 

Para que este Povo, a quem calhou uma Língua riquíssima, semelhante às mais prestigiadas Línguas europeias, possa escrevê-la minimamente bem, como os outros povos escrevem as deles, sem necessitarem de simplificações, há que dar uma volta à ortographia portugueza, sem, no entanto, afastá-la das suas raízes etimológicas ou dar-lhe outros significados.

 

Não esquecer que Fernando Pessoa escrevia pharmácia com PH, mas Fernando com F. Nunca se perguntaram porquê?

 

Termino com este pequeno texto, que repesquei no Facebook, da autoria de José Sousa Dias, e com o qual concordo em absoluto:

 

 «(…) [No dia] 5 de Maio (…) [tivemos] o primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa. Quarta língua em número de falantes de língua materna. É urgente reverter a ortografia, pois o acordo ortográfico de 1990 não está em vigor, segundo a melhor doutrina jurídica. Não foi revogado o Decreto que pôs em vigor a ortografia de 1945. Como tratado internacional, só o teríamos de cumprir se fosse ratificado pelos oito países de língua oficial portuguesa, o que não aconteceu. Cientificamente constitui uma manta de retalhos, está carregado de ilogicidades e recebeu parecer negativo de 25 linguistas e académicos num total de 27 recebidos. Espalhou o caos ortográfico. Finalmente, se milhões poderiam mudar e aceitar o pretenso acordo, muito mais facilmente escassos milhares de alunos podem reaprender a ortografia de 1945, muito mais próxima das restantes línguas europeias.»

 

E só não vê isto quem é muito, mas muito, mas muito ceguinho mental. E também surdíssimo, para não ouvir as vozes de todas as RAZÕES. E mudo, para silenciar este insulto a Portugal e aos Portugueses.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:43

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Quinta-feira, 23 de Abril de 2020

23 de Abril - Dia Mundial do Livro: neste dia celebramos os livros escritos em Bom Português

 

"A Cultura assusta muito. É coisa apavorante para os ditadores. Um Povo que lê (bons livros) nunca será um povo de escravos» (António Lobo Antunes)

https://www.apeiron-edicoes.com/?fbclid=IwAR2pqLCEF9RIz-rsqrYOZvqCUsMyVWhRUqcwX4_ldkhRzKAWPLYf6ghwh2c
  

 

Lei-tura.jpg

Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3362702717092073&set=a.102726493089728&type=3&theater

 

***

 

Hoje é o #diamundialdolivro e vamos celebrar ao longo do dia com a voz dos nossos autores e editores!


Acompanhe-nos por aqui e pelo Facebook das nossas chancelas: Companhia das Letras Portugal, Alfaguara Portugal, Editora ObjectivaNuvem de Tinta, Suma de Letras Portugal, Arena Editora.

Um bom dia do livro para todos!

#PenguinRandomHouse #FicoemCasaaLer

PENGUIN.jpg

 

 ***

Estão dez clássicos a querer cativá-lo

Feira dos Clássicos II.png

 

O Principezinho é um livro que já quase toda a gente leu. Lembram-se da palavra chave desse livro? Cativar! Não “cativar” à maneira de Mário Centeno, o senhor ministro que me desculpe, mas cativar seduzindo, encantando. Há no livro, como na raposa, que pede ao Principezinho que a cative, a mesma exigência: o livro quer que fiquemos a olhar para ele, a contemplá-lo, e quer que tenhamos tempo para o fazer. O prazer de olhar longamente e sermos nós donos do nosso tempo são características de civilização. De civilização avançada, uma civilização que saboreia, que frui, que se deleita.

 

Hoje, Dia Mundial do Livro, é esse tempo dos deuses que devemos usar. Usem-no, os meus caros leitores, para afagar as capas tão bonitas destes dez clássicos que aqui, navegando na nossa colecção de Clássicos,  vos oferecemos. Virem depois a página e deixem-se levar pela torrente de sensações, pelos mundos que se colam a cada página, pelos dramas intensos, pela doce ironia, pelos conflitos pícaros. Um livro são páginas e palavras. Mas que transubstanciação é essa que converte essas palavras, que seriam só água corrente, no mais exaltante dos vinhos, como no milagre das Bodas de Caná? Que paixão se solta do papel e das páginas que nos sabe aos beijos da boca da amada no Cântico dos Cânticos?

 

Cinco clássicos das literaturas de língua portuguesa, cinco das literaturas russa, inglesa, francesa e americana. Estes são os livros com que hoje, Dia Mundial do Livro, e nos dias que se seguem, celebramos o mistério e a paixão do livro. Quase lhos oferecemos, mas tem ainda assim de os comprar. Porque comprar livros é um acto de civilização com que o leitor cativa cada autor.

 

***

Na página do Facebook Português de Facto encontram muitas sugestões de bons livros escritos em BOM Português:

https://www.facebook.com/portuguesdefacto/photos/a.789300531156489/1574763905943477/?type=1&theater

 

português de facto.jpg

 

Porque há que celebrar os Livros escritos com afeCto pela Língua Portuguesa.

 

***

Como levar à falência as editoras que se vergaram ao AO90?

(Sim, porque esta é a pena que elas merecem por terem cometido um linguicídio)

 

Andar pelo Facebook a passar o tempo, gostando desgostando das publicações anti-AO90, que por lá se propagam, em várias páginas, não leva a lado nenhum.

É preciso mais acção e menos conversa.

O que pode ser feito?

 

Podemos levar à FALÊNCIA as editoras que se vergaram ao AO90, com olhos esbugalhados a pensar nos €€€€€€€€€ que podiam meter ao bolso. E este é UM dos caminhos para acabar com a mixórdia que se ensina nas Escolas portuguesas e se anda a escrever por aí, ignorantemente.

 

Sabemos que o acordo ortográfico não abriu o mercado brasileiro ao livro português, nem vice-versa, aliás como já era de esperar (e não vou sequer entrar nos pormenores que justificam este falhanço, porque só os muito ingénuos acreditaram em tal abertura).

 

Um destes dias, tive na mão um livro para crianças intitulado Diário de um Banana, da Booksmile, onde se lia Edição em Português (venda interdita no Brasil). Estando o livro escrito à brasileira, por que a sua venda é interdita no Brasil? Isto é algo que gostaria de saber e vou averiguar.

 

Achou-se (se tivessem pensado, não chegariam a esta conclusão) achou-se que ao estabelecer uma ortografia "unificada" (o que foi um falhanço total, porque absolutamente inviável) o AO90 iria facilitar a circulação do livro português no Brasil (uma vez que no Brasil não se entende o nosso Português). E este foi um dos argumentos usados a favor da aplicação do acordo, cujo tiro saiu pela culatra.

 

Porém, como achar que o acordo unificaria a ortografia do Brasil e de Portugal foi um erro de cálculo incalculável, essa ilusão deu com os burros n’água, tanto que a LeYa, que foi logo in$talar-$e no Brasil, a achar que ia encher os bol$o$, já de lá saiu. E agora marca-se passo, por que nem livros portugueses entram no Brasil, nem livros brasileiros entram em Portugal (no Correntes D'Escritas 2020, só havia uma autora brasileira).

 

AO90 foi (é) um daqueles erros apenas cometidos por quem só viu (vê) $$$$$$$$$ diante dos olhos. E como sempre ouvi dizer: quem tudo quer, tudo perde.

 

A aplicação do AO90 é ilegal e inconstitucional, dizem os juristas de alto gabarito.

 

AO90 não unificou coisa nenhuma, e jamais unificará, a não ser que o Brasil ceda e adoPte a Língua Portuguesa, de faCto, porque é o único país da dita lusofonia, que não a escreve e fala na íntegra, e que Portugal mande o AO90 às malvas e regresse à racionalidade.

 

E como os maiores vendilhões da Língua Portuguesa são as editoras que andam por aí a vender gato por lebre, ou seja, a chamar portuguesa a uma grafia abrasileirada, há que levá-las à falência e obrigá-las a publicar livros e manuais escolares e dicionários em Português correCto, se quiserem que os Portugueses, que não se renderam a este modismo acordista, a esta fraude, a este negócio dos mais sujos de que há memória em Portugal, comecem a comprar-lhes livros.

***

Sugestão de Miguel F.:

«Uma forma adicional de dar força à falência dessas editoras, seria por exemplo no ínicio dos anos escolares, ser comprado apenas UM ÚNICO exemplar de cada manual escolar e distribuí-lo digitalmente (fazer scans, criar um pdf e enviar por email) por todas as famílias e estudantes do país.

Conseguem imaginar o IMPACTO NEGATIVO que teriam essas editoras (acordistas, fraudulentas e traidoras da língua)?»

 

Se isto não for ilegal, é uma excelente ideia!

 

Análise jurídica a esta ideia:

 

«Supostamente será ilegal segundo a protecção de direitos de autor (?), mas por outro lado também o DESacordo é ilegal e usam-no impunemente.»

 

A dedução lógica da lei é que supostas "obras" que usam uma ortografia claramente ilegal não poderão ser consideradas obras, não estando por isso protegidas por direitos de autor. E assim sendo, deixa de ser ilegal a sua reprodução.

 

Na pior das hipóteses, e já que o governo e a justiça portugueses funcionam tão pobremente que deixam algo tão obsceno como o DESacordo continuar a ser inconstitucional e ilegalmente impingido aos portugueses, certamente não será difícil alguém publicar esses pdfs online e partilhá-los sob anonimato, uma vez que quem usar esses pdfs (famílias e estudantes) não poderão ser criminalizados pois não foram eles quem reproduziram tais "obras" cheias de erros

 

Pois aqui aqui fica a sugestão, porque já chega de tanta mixórdia ortográfica, que anda disseminada por aí, como um vírus, que não mata gente, mas mata a Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:38

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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020

Ex-professor do Ensino Secundário exorta todos os Professores a encetarem uma campanha pró-abolição do Acordo Ortográfico de 1990, para salvar a Língua Portuguesa

 

Todos os que estão atentos a esta questão, têm conhecimento dos graves (mas não irreversíveis) estragos que o AO90 provocou no Ensino em Portugal, que está um verdadeiro caos, com alunos e professores a grafarem em mixordês, que foi tudo o que restou da imposição ilegal de uma grafia estrangeira mutilada. E não resta qualquer dúvida de que todos aqueles que, por medo de represálias ou de perder o emprego ou por mero comodismo (sempre foi mais fácil ceder do que lutar) adoPtaram o AO90, já não sabem escrever correCtamente em Português e, consequentemente, ensinam incorrêtamente os alunos. E isto é inconcebível.

 

Também, como todos sabemos, em nenhuma escola de nenhum país do mundo (talvez só no Brasil, parceiro de Portugal, nesta aventura pelo obscuro reino do AO90) os alunos são (des)ensinados pelos professores (que desaprenderam) a grafar de um modo completamente incerto, ora com cês e pês, ora sem cês e pês, ora com acentos, ora sem acentos, ora com hífenes, ora sem hífenes, tudo num mesmo texto.

 

Para acabar com esta situação caótica, surrealista, irracional e altamente lesiva à aprendizagem de qualidade a que os nossos alunos têm direito e merecem, até porque a Linguagem é o veículo primordial dessa aprendizagem, que não lhes está a ser proporcionada adequadamente, António Vieira, professor reformado, numa troca de mensagens que tivemos, decidiu apresentar uma exortação aos seus colegas de profissão, os únicos que têm a faca e o queijo na mão, e que podem acabar com este atentado ao Ensino do Português, em Portugal.

 

É essa exortação que passo a transcrever.

 

Por uma educação.jpg

 

«Vejo que este ano, que está a iniciar, é encarado com muito optimismo, por todos quantos se empenham nesta luta - a NOSSA LUTA -  nomeadamente pelo "combatente" Nuno Pacheco, cujo livro (que li já) "AO90 -um beco com saída" preconiza esse desiderato com algum excesso de fé (infelizmente), suponho.

 

A boa notícia foi a da inclusão do Dr. António Bagão Félix na comitiva da ILCAO que foi recebida pelo PS; sempre é um "peso-pesado" da cena política nacional e eu julgo que o trabalho de bastidores ("lobbying") é um factor muito relevante e ele será sempre um bom expoente nesse domínio.

 

Outro: a ILCAO divulgou no final do ano um "balanço" muito elaborado em termos estatísticos sobre o quantitativo de assinaturas recolhidas, desdobrando aquele universo estatístico por categorias profissionais; torna-se, pois, possível estipular o número total de professores (de todos os níveis) aderentes e sabendo-se da existência de uma plataforma no Facebook de Professores anti-AO90, seria esse precisamente o núcleo despoletador nas Escolas da campanha pró-abolição da aberração em questão. O seu número deverá cifrar-se na ordem das centenas, os "pioneiros" não irão sentir-se desacompanhados (a união faz a força) e poderia ser a iniciativa que aqui estou a sugerir a tal "mecha chegada ao rastilho".

 

Reitero a minha convicção de que só por intermédio da acção de "pesos-pesados" da cena política nacional (alguns dos seus nomes são bem conhecidos), com as Editoras fiéis à causa e com a acção concertada através das redes sociais de grupos profissionais convictos (professores de todos os níveis, autarcas) que actuando em rede (e não isoladamente, a fim de não sentirem em perigo os seus postos de trabalho) é que alguma coisa se poderá arranjar de concreto. A azáfama com que o actual governo do PS se obstina em nem sequer querer abordar o assunto só se compreende pela teia de compromissos de que muitos dispõem junto da esfera do poder e de que não se querem afastar.

 

(…) Sabendo que há muitos Professores que não concordam com a aberração e como uma Associação de professores de Português - a Anproport - assume a sua não-concordância e em moldes bem firmes, penso que se deveria começar por aí. Mas não tenho muitas dúvidas que só com acções de "lobbying" através de "pesos-pesados" como o Dr. Bagão Félix, ou outras figuras conhecidas como o actual bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Menezes Leitão e outros do mesmo calibre, e em Lisboaque é onde tudo se decide, dado que Portugal continua a ser Lisboa e o resto é paisagem (e assim irá continuar sempre) - é que poderão ser mexidos os cordelinhos indispensáveis.

  

Outra questão: tem que haver um interesse económico (diga-se: editorial) que sustente a iniciativa por que todos lutamos, pois de outra forma é "malhar em ferro frio". As Editoras "coladas" ao M. E. (…) estão muito bem "untadas": "mexeram-se" em tempo devido (é por esse motivo que o PS não quer "mexer" no assunto, (dado haver muitos interesses instalados e negociatas obscuras de que alguns usufruem e assim não haver interesse em mexer neste "status quo") e ocuparam o espaço editorial mais representativo no nosso panorama editorial escolar.

 

 António Vieira

 

***

Pois aqui está o que o Professor (uma vez Professor, sempre Professor, quando se é um verdadeiro Professor) António Vieira propõe:

Unam-se, Professores de Portugal, e fiquem para a História como a geração de Mestres que ousaram enfrentar o Poder e salvaram a Língua Portuguesa da desgraça anunciada há tanto tempo, porque, como diz o Professor António Vieira, a união faz a força, e quem vai ter a cobardia de despedir os Professores em massa, até porque quem o fizesse incorria numa ilegalidade, a juntar a todas as outras?

 

E se houver Justiça em Portugal, como todos esperamos que haja, a Petição/Denúncia facultativa, que um cidadão de nacionalidade portuguesa, devidamente identificado, e que, no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado livre, enviou à Procuradoria-Geral da República, para que sejam investigadas as incongruências que envolvem o Acordo Ortográfico de 1990, e que pode ser consultada neste link

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/enviada-peticaodenuncia-facultativa-a-230950?tc=32555773835

 

deverá seguir os trâmites legais, para que seja desnudado o que a olho nu parece estar revestido de ilicitudes.

 

A juntar a esta acção, e de acordo com o que se lê no Jornal Público, e pode ser consultado neste link:

https://www.publico.pt/2020/02/20/culturaipsilon/opiniao/ortografia-portugues-estranha-historia-predio-pintado-roxo-1904607?fbclid=IwAR2iPM4snkygnvMwzyihbOacgLaFSmKN18d3fv20SQQSrwej1Jonqs25V0k

 

«Vai ser discutida na AR uma iniciativa cidadã para repor a ordem ortográfica. Não bastam três países para validar um acordo: ou todos ou nenhum.» 

 

Aguardemos, pois, que em breve, Portugal possa ver-se livre deste pesadelo que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990

E que a união faça a FORÇA que o há-de derrubar!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:45

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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2020

E assim vai o ensino da Língua Portuguesa, em Portugal...

 

Um excelente texto da Escritora e Professora Catedrática Teolinda Gersão,  publicado no Facebook em 06 de Abril de 2018.

 

Se fosse escrito hoje, o ensino da Língua Portuguesa, que neste texto foi exposto como sendo mau, teria de ser revisto e qualificado de péssimo, porque, entretanto, as coisas degradaram-se de tal modo, que até os professores (salvo raras excePções) já não sabem ensinar ou sequer escrever correCtamente a Língua que, oficialmente, continua a ser a Portuguesa, assente na grafia proposta pela Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 (*), que entrou em vigor no nosso país através do Decreto N.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, o qual não foi revogado, logo, continua em vigor. Regra básica que qualquer estudante de Direito, do primeiro ano, sabe, e o cidadão comum, mais informado, também sabe.

 

E é este Decreto que dá validade jurídica ao facto de o Ensino da Língua Portuguesa dever ser efectuado segundo a grafia de 1945, delegando, assim, para a ilegalidade, a aplicação do AO90, em Portugal.  

 

LÍNGUA PORTUGUESA.png

 

«VOU CHUMBAR A LÍNGUA PORTUGUESA»…

 

Este texto é da autoria de Teolinda Gersão

 

Escritora, Professora Catedrática aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

(Escreveu-o depois de ajudar os netos a estudar Português, e colocou-o no Facebook).

 

"Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, “em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. “O Quim está na retrete”: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

 

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados; almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, “algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

 

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa. No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

 

A professora também anda aflita. Pelo visto, no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

 

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

 

E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impor a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

 

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática?

Respondo: «Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito».

 

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática

 

Fonte:

https://www.facebook.com/pedrovalcerto/posts/1826140224076035

 

***

(*) A Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 (Acordo Ortográfico de 1945) foi assinada em Lisboa em 6 de Outubro de 1945, entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras. Este acordo, ligeiramente alterado pelo decreto-lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro, estabeleceu as bases da ortografia portuguesa para todos os territórios portugueses (que à data do acordo e até 1975 compreendiam o território europeu de Portugal e as províncias ultramarinas portuguesas - na Ásia e África), e que até aos dias de hoje está em vigor.  No Brasil, o Acordo Ortográfico de 1945 foi aprovado pelo decreto-lei 8.286 de 5 de Dezembro de 1945, contudo, o texto nunca foi ratificado pelo Congresso Nacional, e os Brasileiros logo o abandonaram para continuar a regular-se pela ortografia do Formulário Ortográfico de 1943. O texto foi posteriormente revogado pela lei 2.623, de 21 de Outubro de 1955, passados 10 anos.

 

Portugal anda vai muito a tempo de dar o dito pelo não dito (como o fez o Brasil, com o AO45), reconhecer o gravíssimo erro que foi adoPtar a grafia da ex-colónia sul-americana, e mandar repor a grafia portuguesa, nas Escolas portuguesas, e em todas as instituições estatais e privadas, fazendo, desde modo, cumprir a LEI VIGENTE.

***

Para complementar o que aqui foi dito, aconselho a leitura deste texto:

 E assim, vai o inadmissível e arruinado ensino, em Portugal...

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:40

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Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019

Se Portugal fosse um Estado de Direito, o AO90 já tinha sido extinto, e as fraudes, que o envolvem, investigadas por quem de direito

 

A palavra vergonha devia ser escolhida para Palavra do Ano 2019.

 

Explicamos porquê.

 

Sá Carneiro.jpg

Origem da imagem: Internet

 

O que se anda por aí a fazer é uma política verdadeiramente vergonhosa, sem um pingo de Ética, sem o mínimo de respeito pelo conceito de Estado de Direito e de Democracia, e sem qualquer consideração pelos Portugueses.


O que está a passar-se no que ao AO90 diz respeito é absolutamente inacreditável, e todos os que continuam a lançar um véu de silêncio sobre as fraudes do AO90, que estão a ser denunciadas no Jornal Público e neste Blogue são cúmplices do maior atentado ao Estado de Direito, que já se viu em Portugal, nomeadamente por terem substituído a grafia portuguesa pela grafia brasileira, pelos motivos mais fúteis.

 

Basta ler com atenção as denúncias das fraudes, já publicadas. Ver links:

 

https://www.publico.pt/2019/07/28/culturaipsilon/direito-de-resposta/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-publicado-25-julho-2019-1881479

 

https://www.publico.pt/2019/12/12/culturaipsilon/opiniao/bom-exemplo-brasileiro-datas-duvidar-validade-acordo-ortografico-1896941

 

https://www.publico.pt/2019/08/08/culturaipsilon/opiniao/querem-datas-giras-duvidar-validade-acordo-ortografico-aqui-vao-1882433?fbclid=IwAR2whidzKO-p7ZpEEcB-uNFNHn3VZQTgbpUCbkYNdNtyrBJORNiRGyBQVPs

 

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-203378

 

e consultar as Leis. Mas se não quisermos ter dúvidas, também podemos consultar juristas, e alguns deles dir-nos-ão que, com base nas provas tornadas públicas e de acordo com a legislação, parece existirem indícios muitíssimo graves e sérios de práticas de vários crimes da Lei de responsabilidade criminal de titulares de cargos políticos (Lei n.º 34/87), que pode ser consultada neste link:

https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/420430/details/normal?p_p_auth=nP9s53SD

 
Será verdade? Não será verdade? Quem nos explicará tal imbróglio?

 

Contudo, ao que também parece, nem os Partidos Políticos, com assento na Assembleia da República, nem outras autoridades, nem, por mais incrível que pareça, o Presidente da República, que jurou ser o garante da Constituição da República Portuguesa, a qual, dizem os juristas, está a ser violada, nem os muito subservientes canais de informação televisiva portugueses (se não o fossem, já tinham dado o ar da sua graça, tal a ânsia que sempre têm por escândalos, mas haverá escândalos proibidos, que não podem ser abordados), nem os professores de Português, nem os que se dizem ser anti-AO90,  estão interessados em esmiuçar estas graves denúncias, ou sequer tentar saber se têm ou não têm fundamento,  remetem-se a um muito esclarecedor silêncio.

 

Porquê? O porquê não é exactamente um mistério, mas tão-só um gato escondido com um enorme rabo de fora.  

Uma sugestiva leitura a propósito:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/descolonizacao-ortografica-ja-178822

 

Ontem, li algures no Facebook, como sendo uma óptima notícia, que a Academia das Ciências vai rever o AO90.

 

Vai rever o AO90? Vai rever o que dizem ser uma fraude? Vai rever algo que não interessa a ninguém, a nenhum país dito lusófono, está mal concebido, e não tem nada que se aproveite?

 

Mas ainda que estivesse bem concebido, e tivesse tudo para aproveitar, o AO90 teria de ser extinto, não por ser bom, mas por ser uma FRAUDE, que, dizem os juristas, viola o Estado de Direito. Segundo as análises, realizadas ao conteúdo das denúncias, comparadas ao exposto na Lei n.º 34/87, tudo indica, como já foi referido acima, que poderemos estar diante de graves indícios de práticas de vários crimes, que necessitam de ser judicialmente validados. 

  

Vai rever-se o quê? Algo que está a ser denunciado como a maior fraude de todos os tempos, cometida contra um Estado de Direito Democrático?

 

Tudo isto é um absurdo. É inconcebível. É surrealista. É VERGONHOSO, para os organismos estatais, judiciais e partidários, que têm o DEVER de manter a Constitucionalidade, a Legalidade, a Justiça, a Ordem. Tudo isto está a falhar no que ao AO90 diz respeito. Estamos sem uma Língua que nos identifique como Nação Portuguesa. Estamos sem a NOSSA Língua, na sua forma grafada.


Não será da racionalidade parar para pensar?

 

O caos está instalado. Os prejuízos causados pelo AO90 são incontáveis, mas absolutamente reversíveis. É necessário e urgente regressar à ORDEM.  É necessário e urgente praticar a ÉTICA nos organismos de Estado.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:19

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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2019

Ir de “cavalo para burro”, ou seja, de Língua para Dialecto, no caso da imposição do AO90 a Portugal, não significa desdenhar do Dialecto, louvando a Língua…

 

Vem isto a propósito de um comentário que Pedro Luís Azevedo, fez ao meu texto «O que talvez não se saiba sobre o AO90, e é crucial saber, para não se fazer papel de parvo». Consultar o link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-que-talvez-nao-se-saiba-sobre-o-ao90-218187?fbclid=IwAR0XuNdzLXI1Dcsirt07mWpW2PdTTRLlHOEyK7bNjDNF93htvY72BjzxbUc

partilhado no Facebook, por Irene Noites, no Grupo «Em Acção Contra o Acordo Ortográfico».

 

Mais abaixo, partilharei o comentário, e a resposta ao comentário, mas vou adiantando o seguinte:

 

«O Português já foi dialecto do Latim. Não se esqueçam disso. O que isto significa é que uma Língua que já ascendeu a Língua, não pode recuar para dialecto, sem que isto não constitua um retrocesso, ou, como sabiamente diz o povo: não pode ir de cavalo para burro. Contudo, um dialecto pode ascender a Língua, e a partir de então tem a sua dignidade garantida.» Consultar o link «Do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro»:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/do-que-falamos-quando-falamos-do-138183

 

Verdade.png

 

Pedro Luís Azevedo A Sra Irene Noites, com a sua fúria (que entendo e aliás acompanho) contra o 'AO'90 deve todavia esforçar-se na prudência para não alienar o apoio de todos no propósito que persegue e que é comum a todos os membros deste Grupo: a revogação do 'A'O90. Ao escrever "destruir a Língua Portuguesa e promover o Dialecto do Brasil" e mais à frente "é um tremendo retrocesso passar de cavalo para burro, ou seja, de Língua para Dialecto", não só ofende todos os falantes da variante brasileira da língua portuguesa, como atribui implicitamente uma escala de graduação de 'autenticidade' e de suposta 'superioridade' da variante falada em Portugal face à do Brasil. É um erro e é contraproducente. Todas as variantes da nossa língua (portuguesa, brasileira, angolana, etc) são igualmente 'autênticas', 'puras' e 'importantes'. A língua portuguesa falada em Portugal não beneficia de qualquer 'legitimidade linguística' superior à de qualquer outra variante. E sim, o português escrito e falado em Portugal é uma variante! Fico perplexo quando alguém atribui mais genuinidade à variante usada por um qualquer cidadão que vive e nasceu em Portugal face à variante usada por um seu primo afastado que vive e nasceu no Brasil, ambos descendentes de um dado cidadão que nasceu em Portugal e emigrou para o Brasil, por exemplo, no séc. XVIII! É a territorialidade que define um deles como falante de uma Língua e o outro como falante de um Dialecto?! Por amor da santa! Aliás, com a revogação do 'A'O90 obter-se-ia exactamente o livre curso das diversas cambiantes da Língua Portuguesa, sem espartilhos contra-natura e enriquecendo o todo... não é isso o pretendido? Para quê perder tempo com lateralidades? Muitos brasileiros defendem exactamente essa 'libertação linguística', são contra o 'A'O90. E também não podemos esquecer que a sua esmagadora maioria não quer saber para nada desse suposto acordo e vai continuar a seguir o seu caminho linguístico independentemente do que fizermos no nosso país. Para eles é praticamente irrelevante se pensamos assim ou assado. Até porque o malfadado 'A'O90 representou uma absoluta capitulação aos interesses deles, e a culpa disso é exclusivamente nossa! Sendo isto verdade, para quê pormo-nos em bicos de pés a bradar aos quatro ventos que o seu 'português' é mero dialecto? A troçar do 'seu' português, quando representam 200 milhões de falantes?! Se eu fosse brasileiro, sorriria do ridículo de tal discurso...

 

***

 

Senhor Pedro Luís Azevedo, lamento que não tivesse sabido interpretar correctamente a expressão «ir de cavalo para burro». É o que faz partir para a leitura de um texto, já com ideias preconcebidas.

 

Sugiro que leia o texto: «Do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro», no link supracitado. E talvez possa entender do que se fala quando se fala de destruir a Língua Portuguesa, para promover o Dialecto Brasileiro. Até porque, senhor Pedro Luís Azevedo, a Língua Portuguesa não é uma variante dela própria. A Língua Portuguesa É a Língua Portuguesa. Portanto, é a genetriz de todas as variantes existentes, incluindo a brasileira, como pode consultar no mesmo link.

 

Quando digo que o AO90 empobrece a Língua Portuguesa, quero dizer que o AO90 empobrece a Língua Portuguesa, e não a variante brasileira - o dialecto brasileiro. Certo?

 

Os Brasileiros têm o direito à língua deles. Optaram por afastar-se da Língua Portuguesa, quando rejeitaram o AO45, e elegeram o AO43 (elaborado unilateralmente) como o idioma nacional, a Língua do Brasil, mas oficialmente (por conveniências várias) mantiveram a designação de “Português do Brasil”.

 

Portanto, a partir desse momento, o que eles escrevem e falam no Brasil, já não é Português. É um dialecto oriundo do Português, e a designação "Português do Brasil" não é correcta.

 

Por muito que o Brasil queira "colar-se" ao Português (que já nem sequer é estudado nas escolas brasileiras com esta designação, mas como «Comunicação e Expressão») por ser uma Língua Europeia (não é uma qualquer língua ali da esquina) não é correcto, chamar-lhe "Português", porque não é.

 

O senhor diz: «Todas as variantes da nossa língua (portuguesa, brasileira, angolana, etc) são igualmente 'autênticas', 'puras' e 'importantes'. A língua portuguesa falada em Portugal não beneficia de qualquer 'legitimidade linguística' superior à de qualquer outra variante. E sim, o português escrito e falado em Portugal é uma variante! Fico perplexo quando alguém atribui mais genuinidade à variante usada por um qualquer cidadão que vive e nasceu em Portugal face à variante usada por um seu primo afastado que vive e nasceu no Brasil, ambos descendentes de um dado cidadão que nasceu em Portugal e emigrou para o Brasil, por exemplo, no séc. XVIII!.»

 

Eu é que fiquei assustadíssima com esta sua absurdez. Não sei qual é a sua formação académica, mas de certeza que não é da área das Letras, para dizer que o Português escrito e falado em Portugal é uma VARIANTE. É uma variante de quê? Sabe o que, em Linguística, significa VARIANTE? Significa DIALECTO. Como é que o PORTUGUÊS falado e escrito em Portugal pode ser dialecto dele próprio

 

Pois o senhor fica perplexo porque não domina esta matéria.

 

À Língua Portuguesa, atribuiu-se, com toda a legitimidade, a genuinidade de uma Língua que originou umas quantas VARIANTES, que obviamente NÃO É o Português falado e escrito em Portugal. Que absurdo!


Bem, eu não queria, juro que não queria, referir a sua iliteracia, contudo, mediante a sua última frase: «A troçar do 'seu' português, quando representam 200 milhões de falantes?! Se eu fosse brasileiro, sorriria do ridículo de tal discurso...» terei de dizer-lhe que LEIA com olhos de INTERPRETAR, e não com olhos de desinterpretar, o que eu escrevi. E se tiver capacidade de interpretação, chegará à conclusão de que, no meu texto, não troço da Língua de 200 milhões de falantes (e apenas de 200 milhões de falantes e mais nenhuns) que também foi a minha, desde a infância à juventude, pois foi no Brasil que aprendi a ler e a escrever e praticamente a falar, até porque chamar “dialecto” à língua que se escreve e fala no Brasil não é troçar, é citar os linguistas brasileiros e portugueses, numa verdade que muitos brasileiros aceitam, mas não, os portugueses desinformados (para não dizer outra coisa), como o senhor. E tenho certeza de que nenhum brasileiro culto sorriria de um discurso que contém uma verdade indesmentível. A não ser os que, como o senhor, nada sabem de Linguagens.

 

Porém, se quiser informar-se, leia o texto já sugerido acima, e mais os que se seguem, para que possa comentar com conhecimento, e não com desconhecimento.

 

Dialecto Brasileiro? Língua Brasileira? Novo Dialecto Luso-Acordês, engendrado pelo AO90? Que Língua para os países da “Lusofonia”?

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/dialecto-brasileiro-lingua-brasileira-174151

 

«Reflexões sobre a história da "Língua Brasileira"»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/reflexoes-sobre-a-historia-da-lingua-137008

 

«A Língua Brasileira»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-lingua-brasileira-99635

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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