Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2020

Um texto acabado de chegar do outro lado do Atlântico: «Portugal: Colônia lingüística do Brasil»

 

Eis um texto escrito por um Professor universitário brasileiro, Arthur Virmond de Lacerda, que estudou em Portugal, e conhece a fundo a Língua Portuguesa, e também ele se ofende com o abrasileiramento do Português.

 

Tanto os políticos portugueses, como os políticos brasileiros meteram o pé na argola, e o povão, à ceguinha, vai atrás deles, sem a mínima noção de que caminham para o abismo, ou seja, para a extinção da Língua Portuguesa…

Um texto para ler e meditar.

Isabel A. Ferreira

 

Carmen de Frias e Gouveia.png

 

Por Arthur Virmond de Lacerda

 

«Portugal: Colônia lingüística do Brasil»

 

Portugal é colônia lingüística do Brasil, cujas expressões e palavras coloquiais aí grassam: tudo bem, dica, dar a volta por cima, bora, a gente, acho e sem-número de dizeres populares, bem como a alteração do sentido de palavras, a ausência das segundas pessoas, da mesóclise, dos pronomes contraídos, o desuso do pronome "vosso". As telenovelas portuguesas são abrasileiradas há décadas, quer na agressividade verbal, na cólera, no destempero de suas personagens, quer na sua elocução (não no sotaque).

 

Comunicadores falam à brasileira (Marques Mendes [já ouvi Marques Mendes a parabenizar já não sei quem] Carlos Vaz Guedes, Ricardo Araújo Pereira) e parece-me que fazem questão de marcar seu abrasileiramento, pela repetição, várias vezes, dos recursos brasileiros (como o verbo achar e "a gente"). Por outro lado, é raríssima qualquer palavra tipicamente portuguesa no Brasil ("cimeira" até circula, ocasionalmente; "mais do mesmo" circula um pouco). Mesóclise, segundas pessoas, pronomes contraídos, passam por lusitanismos. Importante corrente lingüística preconiza a recusa da herança idiomática portuguesa, a inovação da gramática, a independência idiomática de Portugal, o desprezo da mesóclise, da ênclise etc. No Brasil, saber mal e falar mal o idioma é traço da identidade cultural, bem assim condenar a forma culta do idioma como pedantismo e lusitanismo.

 

Ainda ontem (10.XII.2020) em telenovela da SIC, personagem feminina falava em tom colérico (o que é típico das telenovelas brasileiras, em que há ira, raiva, agressividade verbal) e com elocução brasileira de todo. Empregou, por exemplo, a palavra "aposta" em "fulano é nossa aposta" ou coisa por este estilo. Por que os redatores de telenovelas portuguesas, exibidas em Portugal, são brasileiros ou escrevem abrasileiradamente?

 

Livros portugueses são abrasileirados, em suas edições brasileiras (salvo os de Saramago e de Miguel de Sousa Tavares).

 

A edição juvenil da Ilíada e da Odisséia, de Frederico Lourenço, foi abrasileirada, com a supressão das segundas pessoas, de mesóclises, alteração de alguma sintaxe. O que seria leitura educadora para jovens e adultos brasileiros, é apenas mais da mesma mediocridade reinante no Brasil.

 

Ao mesmo tempo, o livro de ensinança de latim do próprio Frederico Lourenço leva título abrasileirado: "Latim do zero", em que "do zero" é como se diz no Brasil: comecei a estudar latim do zero, ou seja, sem dele nada saber.

 

Vá lá que o idioma é o mesmo e o que se incorpora do Brasil, incorpora-se do mesmo idioma. Mas pergunto-me por que os portugueses gostam tanto dos brasileirismos, por que comunicadores fazem questão de dizer à brasileira, por que as telenovelas portuguesas são abrasileiradas? A simpatia pelo Brasil vai a esse ponto?

 

É como praticam lusofonia? Seja, mas praticá-la envolve falar à brasileira, como se estivessem no Brasil?

 

É claro que há liberdade de falarem assim; cada um é livre de adotar brasileirismos (ou não), máxime porque o idioma é o mesmo. Até certo ponto, a influência dá-se naturalmente, pela presença já antiga de 40 anos de telenovelas brasileiras e de brasileiros em Portugal. Mas por que as telenovelas portuguesas são redigidas provavelmente por brasileiros, com elocução brasileira?

 

Por que comunicadores e até o presidente da república falam à brasileira? Julgam (os brasileiros dizem "acham") que assim aproximam Portugal do Brasil? Enganam-se. Julgam que assim granjearão ouvintes brasileiros? Necessitam disto?

 

Enquanto a influência brasileira em Portugal é maciça, é ínfima a presença da fala portuguesa no Brasil: tirante os livros de Saramago e M. S. Tavares (acaso também outro), os mais são adaptados, ou seja, descaracterizados em sua construção original, com supressão das segundas pessoas, mesóclises, vocabulário. Enquanto os portugueses leem Jorge Amado tal como ele escreveu, os brasileiros não leem F. Lourenço tal como ele escreveu. Enquanto as telenovelas portuguesas são abrasileiradas há décadas, os dizeres portugueses no Brasil resumem-se a "mais do mesmo", "cimeira" e mais uma ou duas expressões. João Pereira Coutinho e Ricardo Araújo Pereira escrevem na Folha de S. Paulo: à brasileira?

 

Isto tudo é lusofonia e aproximação cultural entre Brasil e Portugal no sentido limitado e unilateral da presença da fala brasileira em Portugal e da modificação da elocução portuguesa ao modo brasileiro. A pouco e pouco, a lusofonia vai se tornando em brasileirofonia, o que, aliás, presumivelmente fortalece a concepção, típica de certos meios brasileiros, de que a quantidade de usuários serve como padrão do idioma e que, portanto, o estilo brasileiro representa a língua portuguesa: os brasileiros são mais, os portugueses são menos e já falam à brasileira. Tal critério não leva em conta a profundidade do conhecimento do idioma, que até poucos anos distinguia os portugueses dos brasileiros: aqueles eram menos e melhores; estes são mais e piores (melhores e piores no conhecimento do idioma e no seu uso).

 

A influência brasileira é deletéria, com sua pobreza de elocução quanto aos recursos do idioma.

 

Até 10 ou 15 anos, era educativo os brasileiros freqüentarem Portugal e portugueses, para aprimorarem seu uso do idioma; já agora, não mais: a influência brasileira leva aos portugueses, além de locuções, vícios, empobrecimentos, alterações de sentido, supressão de recursos. Está na hora de os portugueses combaterem a influência brasileira no idioma.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/arthur.virmonddelacerda/posts/3671609496211434?comment_id=3671680132871037&notif_id=1607689856195518&notif_t=comment_mention&ref=notif

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:43

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Terça-feira, 10 de Março de 2020

«O Acordo Ortográfico e as respectivas facções»

 

Francisco Miguel Viegas diz, e muito bem, no artigo que dá título a esta publicação:

«O impacto real do AO90 verifica-se em textos concretos e não em ilusões. Convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos ou, segundo a doutrina vigente, arena para os óculos».

Na minha perspeCtiva, o que FMV escreveu neste texto, seguindo uma óPtica correCtíssima, assim muito, muito espremidinho, significa isto: se os acordistas não assentaram o AO90 na mais profunda ignorância do Português (e já nem falo no de lá ou no de cá) parece, pois demonstram-no constantemente, diariamente, insistentemente, mentendo dó...

Além disso, se pretenderam unificar as ortografias brasileira e portuguesa, esqueceram-se de um pormenor importantíssimo: ou o Brasil começava a escrever totalmente à portuguesa, pois é à portuguesa que todas as outras ex-colónias escrevem, ou Portugal e todas as outras ex-colônias começavam a escrever à brasileira. De outro modo, cada um puxa a brasa à sua sardinha, e lá vai a tontice de querer unificar algo que é absolutamente impossível de unificar, pelos motivos mais óbvios a qualquer ser pensante.

E é bem verdade o que diz, FMV: convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos de todos os que os têm bem abertos e são capazes de raciocinar...

Isabel A. Ferreira

 

FMV.jpg

 

Por Francisco Miguel Valada

 

«O Acordo Ortográfico e as respectivas facções»

 

«Está nisto desde que veio. (…) De curtas e compridas tem-nos chamado de tudo.»
António Lobo Antunes, Memória de Elefante

 

«A primeira frase de um recente despacho da Lusa, divulgado pelo Expresso, ilustra bem a farsa do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90). Passo a transcrever: “As fações rivais líbias convidadas pela ONU a participar em negociações políticas na quarta-feira em Genebra (Suíça) anunciaram esta segunda-feira separadamente a decisão de suspenderem a respetiva participação no diálogo, alegando motivos diferentes.” Efectivamente, esta frase está e não está de acordo com o esperado de uma frase cumpridora do estabelecido na base IV do AO90. Por um lado, temos *fações e *respetiva, porque em português europeu a oclusiva velar correspondente à letra ‘c’ nas palavras facções e respectiva não é pronunciada. Por outro lado, como em português do Brasil a oclusiva velar correspondente à letra ‘c’ naquelas palavras é pronunciada, o resultado seria diferente se este texto, em vez de aparecer no Expresso, tivesse aparecido na Folha de S. Paulo, ou seja, haveria facções e respectiva.

 

Isto é, actualmente, em português do Brasil escrito, versão 1990, aquelas grafias correspondem às fabulosas formas já existentes no português europeu escrito com a ortografia de 1945, a ortografia óptima, segundo a melhor informação científica disponível. Assim sendo, em português do Brasil com AO90 e em português europeu sem AO90, temos esta deliciosa frase: “As facções rivais líbias convidadas pela ONU a participar em negociações políticas na quarta-feira em Genebra (Suíça) anunciaram esta segunda-feira separadamente a decisão de suspenderem a respectiva participação no diálogo, alegando motivos diferentes.”

 

Com efeito, apesar do reconhecido valor grafémico da letra ‘c’ em facções e respectiva, os autores do AO90 decidiram aniquilá-la em português europeu. É evidente que tal decisão de supressão da letra ‘c’ foi tomada ao arrepio de pareceres e artigos científicos, aos quais os deputados e o Governo não ligaram nenhuma, escolhendo o pouco corajoso acto da fuga para a frente. Alguns, aliás, têm preferido mesmo o recurso à provocação e à deselegância. Recentemente, um deputado do Partido Socialista (PS) aproveitou a morte de João Malaca Casteleiro para ofender quem estuda e trabalha. De facto, Ascenso Luís Simões lamentou que “quem nega a atual [sic] ortografia não entenda que a língua portuguesa não pode ficar agarrada a uma visão é [sic] um tempo marcados pelo colonialismo”. Aguarda-se uma retractação, uma vez que pedir para ler pareceres e artigos, pelos vistos, é pedir imenso. Convém, apesar de tudo, separar o trigo do joio. Por exemplo, Pedro Cegonho, também ele deputado do PS, tem disponibilidade para ouvir educadamente argumentos contra o AO90. É essa, aliás, a impressão que fica do excelente e minucioso relato feito por Rui Valente, sobre o encontro de uma delegação da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico com representantes do Grupo Parlamentar do PS.

 

Voltando ao assunto que aqui trago, a supressão da letra ‘c’ tem, portanto, duas consequências: uma consequência interna e outra externa. Quanto à interna (do ponto de vista português europeu), temos a provável homonímia de *fação com uma localidade do concelho de Sintra chamada Fação e a potencial rima de *respetiva com discretiva. No que diz respeito à externa, cria-se um novo fosso entre as normas europeia e brasileira, afastamento provocado justamente pela principal base do AO90. Em suma, exactamente o oposto das promessas e juras de negociadores, promotores e amigos do dito cujo.

 

O impacto real do AO90 verifica-se em textos concretos e não em ilusões. Como vimos no início, a primeira frase de um despacho da Lusa não tem qualquer palavra afectada pelo AO90 em português do Brasil, mas tem duas palavras afectadas pelo AO90 em português europeu. Convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos ou, segundo a doutrina vigente, arena para os óculos.

 

Autor de “Demanda, Deriva, Desastre: Os Três Dês do Acordo Ortográfico” (Textiverso, 2009)

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2020/03/10/culturaipsilon/opiniao/acordo-ortografico-respectivas-faccoes-1906712?fbclid=IwAR2pSbfyKLv1OdVY4d5L3TLVE-0K8DeUYhWNeKChCfPwZrvEqJhOCSIBoY8

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

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Sexta-feira, 6 de Março de 2020

Unificação/tipo AO90: «Portugal: infetado, infetada, infecioso, infeção, infeções, infetou, infetar, desinfeção. Brasil: infectado, infectada, infectados, infecção, infecções, infecciosas, infectologista, desinfecção»

 

O Jornal Público nasceu há 30 anos.  

Os meus parabéns, pelos 30 anos de bons serviços jornalísticos prestados ao País e aos Portugueses, não cedendo a pressões, mantendo a lucidez, sempre em Bom Português. E um jornal que se prestou a defender a Língua Portuguesa, numa época de loucura e caos, é um Jornal que ficará para a História (se assim continuar) como aquele que, tendo espinha dorsal, não se vergou às más intenções de um Poder que pretendeu destruir o mais precioso Património Cultural Imaterial que um Povo pode ter: a Língua que o identifica, e que deve ser impoluta, pois ela diz da cultura ou da incultura desse Povo. Uma Língua atabalhoada, como a que actualmente está disseminada em Portugal, não é uma Língua, é uma VERGONHA!

 

Mas fiquemos com mais este excelente texto de Nuno Pacheco, que nos fala dessa vergonha, no oásis que o Jornal Público constitui, no panorama da Comunicação Social, para os leitores mais exigentes.

Isabel A. Ferreira

 

Nuno Pacheco.jpg

 

Texto de Nuno Pacheco

 

«Aprende-se muito, ao rever 30 anos»

 

«Dir-se-á que português não tem tradução, mas cada cultura tem os seus códigos. Basta ler a Wikipédia.

 

«Passam depressa, 30 anos. Mas não passa, porque nada a apaga, a memória dos tempos que viram nascer o PÚBLICO: 1988-89, quando ele foi idealizado e teve “luz verde”; e 1990, quando finalmente chegou às bancas, no dia 5 de Março. Eram anos de optimismo, em que, por imprevisíveis circunstâncias históricas (desde logo a queda do infame muro de Berlim), o mundo parecia abrir-se auspiciosamente a realidades bem menos sombrias, despedindo-se do veneno que ainda sobrava das duas guerras mundiais. Abriam-se fronteiras, abraçavam-se antigos adversários e tudo parecia entusiasmante, naquele distante início de década. Ora 30 anos passados, sem esquecer o muito de positivo que se viu e se fez, erguem-se muros, há fronteiras que se fecham, aliados que se apartam e velhos ódios ou medos que renascem, para lá dos que aproveitam o alarmismo do novo coronavírus. Deles falaram já neste jornal, e de forma claríssima, Jorge Almeida Fernandes (“O medo é um vírus e a informação é a vacina”), Teresa de Sousa (“Há um outro vírus a infectar a Europa”) ou Vicente Jorge Silva (“Os vírus e as quarentenas do mundo”). Não perdendo um só minuto a baixar os braços perante cenários sombrios, como nos parecem, à vista deles, pueris as ilusões de 90!

  

É instrutivo passar em revista o que de mais relevante sucedeu nestes 30 anos e que o PÚBLICO acompanhou em milhares de edições (chega hoje à n.º 10.907). Como? Uma solução prática e acessível é a Wikipédia. Há uma súmula desses factos, para cada ano, e em português. Universal? Isso é coisa que não existe, apesar da ilusão, que também surgiu em 1990 sob a forma de um acordo ortográfico internacional, de uma “unificação”. Na verdade, tais textos estão escritos em legítimo português do Brasil e, por isso, neles lemos coisas que por cá se escrevem de outra maneira (e nada relacionado com ortografias): “metrô de Moscou”, “vai ao ar [o último episódio de Friends]”, “lançado videogame”, “[sonda] aterrissa em Titã”, “Microsoft lança o novo console de jogos”, “festividades de virada de ano”, “primeiro turno [de eleições]”, “pandas marrons”, “ônibus espacial”, “Copa do Mundo”, “Quênia decreta toque de recolher”, “[inaugurado] primeiro trem-bala chinês”, “governo de coalizão”, “vítima de parada cardíaca”, “terremoto”, “Madri”, “Copenhague”, “Irã”, “Teerã”, “Bagdá”, “tênis”, “Aids”, “usina nuclear”, “astrônomos”, “colisão entre trem, ônibus e caminhão”, “decolagem do aeroporto”, “restos mortais de 1.270 detentos”, “ministro do trabalho se demite após 1 mês de denúncias de propina”, “torcidas de times de futebol”, “Facebook atinge um bilhão de usuários cadastrados”, “Cuba concede anistia”, “fenômeno astronômico permite ver Vênus próximo da Lua”, “alunissagem”, “Ronaldo ganha o prêmio da FIFA”, “narrador esportivo”, “israelenses e palestinos”, “sofria de câncer”, “disparos contra policiais”, “no Marrocos”, “dezesseis pessoas”, “caminhoneiros [em greve]”, “caminhões-bombas”, “Donald Trump e Kim Jong-un fazem reunião de cúpula”, “Suprema Corte da Índia derruba lei colonial”, “primeira espaçonave a pousar no lado oculto da Lua”, “mortos após um vazamento de gás”, “contêiner refrigerado de um caminhão”, “1917 vence prêmio de Melhor Filme”, “Brigid Kosgei quebra recorde mundial de maratona”, “[astronauta] aterrissa na Soyuz MS-13”, etc.

 

Dir-se-á que português não tem tradução, mas cada cultura tem os seus códigos. Se estes textos fossem escritos em Portugal, usar-se-iam outras palavras, que por sua vez soariam estranhas no Brasil. Nenhum acordo consegue iludir isto. E a ortografia? Tomemos o exemplo do coronavírus. Aqui sim, vemos que são possíveis os almejados “textos conjuntos”. Ou não?  Em Portugal, na televisão, revistas e jornais (tirando honrosas excepções) lemos: infetado, infetada, infecioso, infeção, infeções, infetou, infetar, desinfeção.  No Brasil, em breves rondas pelo  Globo,  Folha de S. Paulo ou BBC Brasil, lemos: infectado, infectada, infectados, infecção, infecções, infecciosas, infectologista, desinfecção.  Tal como se escrevia em Portugal antes da dita “unificação” ortográfica. Não só: também se lê “detectado” e “detectada”, onde aqui passou a escrever-se “detetado” e “detetada”. Custa muito perceber que, de todas as ilusões de 1990, esta foi a mais idiota e inútil?»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2020/03/05/sociedade/opiniao/aprendese-rever-30-anos-1906230?fbclid=IwAR231RDeXdmAlAmAD2eId2AZBfCKflXrMdlA4lIdgEQrASQoMP12zagvxj8

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:54

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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019

AO90 BEM-SUCEDIDO NO INSUCESSO DA SUA APLICAÇÃO ILEGAL NO MUNDO LUSÓFONO

 

A 2 de Janeiro de 2019 a “Folha de S. Paulo” publicou um artigo sob o título «Bem-sucedido, acordo ortográfico completa 10 anos e espera por ajustes».

Vamos lá pôr os pontos nos is.

 

AO90-2.jpg

 

A data da efectiva aplicação do AO90 foi apenas a 1 de Janeiro de 2016 no Brasil, e a 13 de Maio de 2015, em Portugal.

 

Além disso, o acordo não está em vigor em lado nenhum, se o Direito dos Tratados foi respeitado, porque o mundo lusófono é composto por oito, e não por apenas três países. Se o Direito dos Tratados não foi respeitado, e se tudo isto é a fingir, então estamos diante de uma fraude, com consequências graves, porque não se destrói uma Língua culta e europeia, em nome de uma fraude. Em nome de um porque-sim político.

 

O texto de a “Folha de S. Paulo” é altamente falacioso, cheio de imprecisões, que conduzem ao erro, porquanto o acordo ortográfico não completa 10 anos, e foi apenas bem-sucedido no INSUCESSO que em Portugal levou ao caos ortográfico, em Cabo Verde atirou o Português para língua estrangeira, e no Brasil? No Brasil quem o aplica? O pôvão? Os estudantes? A elite intelectual? Os paus-mandados aplicam-no, mas aplica o quê, deste acordo baseado na ortografia brasileira estabelecida em 1943, que agora querem impingir aos restantes países lusófonos, que não cederam a esta imposição ilegal, e que aplicam (e muito bem) a ortografia preconizada pela Convenção Ortográfica Luso-brasileira de 1945, que o Brasil assinou, mas logo rejeitou, fixando-se na ortografia de 1943, que suprimiu as consoantes mudas onde elas eram necessárias, destruindo a matriz da língua e as suas raízes europeias, e que serve de base ao AO90.

Estes são os factos. Irrefutáveis.

 

No texto diz-se que não existiam diferenças muito expressivas entre uma e outra ortografia, mas as distinções emperravam a difusão internacional do idioma, entre outros obstáculos.

Emperravam o quê? Porquê? Como? Que difusão internacional de que língua?

 

Apenas porque UM escreve setor, e TODOS os outros, seCtor (que todos os estrangeiros reconhecem como sendo um vocábulo europeu); o que UM escreve anistia e TODOS escrevem aMnistia (que todos os estrangeiros reconhecem, porque todos escrevem o vocábulo com M); o que UM escreve AmazÔnia, e TODOS escrevem AmazÓnia; o que UM diz e escreve “beija eu” e “nós vai” e TODOS os outros, beija-me e nós vamos? Enfim, era isto que emperrava a difusão da língua?

 

Os Brasileiros, apesar do acordo, continuarão a escrever anistia, Amazônia e a dizer beija eu e nós vai. E os portugueses e africanos de expressão portuguesa, continuaremos a escrever aMnistia, AmazÓnia, e a dizer beija-me e nós vamos. E os brasileiros continuarão a dizer e escrever uma infinidade de outras palavras que americanizaram, italianizaram, castelhanizaram e afrancesaram, apenas para se afastarem do Português do ex-colonizador, por motivos POLÍTICOS.

Estes são os factos.

 

Pode ver-se no texto as alterações que os Brasileiros tiveram de fazer APENAS na ACENTUAÇÃO e HÍFENES. Ao passo que TODOS os outros países lusófonos teriam de fazer alterações (TERIAM porque não fazem, a não ser o portuguesinho servil ou o portuguesinho desinformado ou o portuguesinho ignorante optativo) não só na acentuação e hifenização, assentes na maior das parvoíces, como em centenas de vocábulos que os Brasileiros mutilaram aleatoriamente (porque, no Brasil, alguns poucos safaram-se da mutilação, conforme se vê na imagem que ilustra este texto, e em Portugal deformaram-nos) para simplificar a aprendizagem, devido ao elevado índice de analfabetismo e iliteracia, que continua a existir no Brasil e em Portugal, com tendência para aumentar cada vez mais, nomeadamente em Portugal, com uma geração de analfabetos escolarizados, que aprenderam as letras e juntam-nas (mal) sem a mínima lógica. Uma autêntica tragédia linguística.

 

É que ao contrário dos Brasileiros, o problema português além da acentuação e hifenização assente na maior das ignorâncias, temos o grave problema dos vocábulos mutilados, que o Brasil não tem, pois já aplicam a “ortografia acordista”, desde 1943 (com as excePções quer vê na imagem).



A Língua Portuguesa é uma língua europeia, e jamais permitiremos que seja sul-americanizada, apenas para satisfazer a fantasia (para ser simpática) de políticos ignorantes.

 

A aplicação do AO90 é um enorme FALHANÇO em Portugal e no Brasil, de acordo com o que dizem os meus amigos Brasileiros mais cultos. Cabo Verde não conta, porque a língua oficial é o Crioulo Cabo-Verdiano, se bem que como língua estrangeira, o Português esteja abrasileirado, para agradar ao editor mais poderoso lá do sítio.



Nos restantes países o problema nem se põe, porque não é verdade que avancem lentamente para a UNIFICAÇÃO (como se lê no texto), porque não avançam. Jamais poderá existir unificação na diversidade dos linguajares dos oito países ditos lusófonos, porque isso seria MATAR a riqueza linguística que existe nas línguas dos OITO países lusófonos, e que não interessa a nenhum, excePto ao Brasil.

 

Portanto, dizer que o bem-sucedido, acordo ortográfico completa 10 anos e espera por ajustes, é uma grande falácia. E os ajustes a que os Brasileiros se referem são apenas no que respeita aos hífenes e ao tão saudoso trema. Mas para nós, Portugueses, que não deixaremos morrer a nossa Língua, e cada vez há mais publicações em BOM PORTUGUÊS, reivindicamos, não ajustes, mas a reposição integral, nas escolas portuguesas, para que as nossas crianças não estejam a ser enganadas, da ortografia que está, de facto, em vigor em Portugal, a de 1945, pois esta não foi revogada por nenhum decreto.

 

A Língua Portuguesa não é mercadoria barata, que esteja à mercê de negócios sujos entre políticos ignorantes e editores e livreiros mercenários. A Língua Portuguesa é Património Cultural Imaterial de Portugal, consignado na Convenção da UNESCO.

 

O que os órgãos de comunicação social servis, as escolas, pela mão de professores desprovidos do sentido de MISSÃO, e os desinformados, e os ignorantes optativos andam por aí a aplicar ilegalmente, não servirá de bitola para nada, porque a desunificação é total, o CAOS é total, e o que estava naturalmente unido, DESUNIFICOU-SE artificialmente, por via da ignorância POLÍTICA. E isto acabará por acabar, cheio te tiros nos próprios pés.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da notícia:

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/01/bem-sucedido-acordo-ortografico-completa-10-anos-e-espera-por-ajustes.shtml?fbclid=IwAR0kD_33UxGkKzfnf7C5ycmME5OLuPb2OS9XFP32T-uoH_Alw7XxDR__fuU

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:48

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