Domingo, 23 de Novembro de 2025
Francisco Miguel Valada
When the band first started, I went for a vocal approach that was rhythmic and spoken, but sometimes unleashed, because of all the different guitar tunings we used.
— Kim Gordon
Ontem, um dia antes da data prevista, o Governo apresentou a proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). É sabido que em 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021, 2022 [1] e [2], 2023, 2024 e 2025 as coisas não correram bem. Prevê-se que, para 2026, tudo esteja como dantes. Recorde-se que, nas palavras do Governo, a Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2026 é um dos documentos políticos e legislativos mais importantes da vida colectiva de Portugal (e das “vidas individuais das pessoas e empresas”), por isso, “é urgente, inadiável e uma exigência categórica de transparência, a apresentação e explicação aos portugueses do seu conteúdo”.
Sem mais delongas, vejamos alguns exemplos do Relatório (pdf), para compreendermos um bocadinho melhor aquilo que efectivamente se passa no mundo ortográfico português:
-- “redireccionamento do comércio com os EUA” (p. 23) e “redirecionar o investimento público” (p. 382);
-- PLANO DE ACÇÃO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL (p.180) e “Plano de Ação para as Migrações do XXIV Governo” (pp. 9-10);
-- “PROTECÇÃO SOCIAL DE BASE” (p. 180) e “sistema de proteção social de cidadania” (p. 69);
-- "informação de carácter patrimonial (p. 45) e “eventos de caráter internacional” (p. 341)
-- “Entidade Nacional para o Sector Energético, E.P.E.” (p. 68) e Entidade Nacional para o Setor Energético, E.P.E (p. 68) — exactamente, na mesma página;
--“Aquisição líquida de activos financeiros (excepto privatizações)” (p. 112) e “são registadas como ativos financeiro” (p. 45) + “excetuando o período da pandemia de COVID-19″ (p. 259)
--“de expansão de conectividade aérea” (p. 187) e “a expansão da conetividade aérea” (p. 9);
-- “Aumento do número de casos de branqueamento de capitais detectados, face ao ano anterior” (p. 242) e “será monitorizado o número de casos detetados” (p. 247);
-- “EDA – Electricidade dos Açores, SA” (p. 357) e “A interrupção do fornecimento de eletricidade («apagão»)” (p. 316);
-- “FERCONSULT- Consultoria, Estudos e Projectos de Engenharia de Transportes, S.A.” (p. 400) e “serviços e projetos” (p. 191).
Chumbe-se este OE2026.
Fonte: https://aventar.eu/2025/10/10/oe-2026/
tags: cidaddania,
comunicação social,
covid-19,
eua,
francisco miguel valada,
governo,
kim gordon,
migrações,
ministro das finanças,
orçamento de estado 026,
parlamento,
protecção social,
sector energético
Sexta-feira, 1 de Agosto de 2025

João Esperança Barroca
O 82.º escrito da série “Em Defesa da Ortografia”, na linha do artigo de Junho, apresenta as mesmas características do seu antecessor.
A aposta continua a ser, agora, a de apresentar diálogos de teor humorístico que exemplificam o rotundo falhanço do AO90, pondo a nu as suas incoerências e a completa ausência de lógica.
Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias.
XIII
— Vou abrir uma alfaiataria.
— Tens a certeza de que é um investimento rendível?
— Claro! Até o Diário da República, nos últimos anos, como o mostra o Francisco Miguel Valada, está cheio de fatos. Queres melhor sinal?
— E tens a certeza de que são todos fatos de vestir?
XIV
— A minha mulher, que está sempre com modernices, vai fazer uma redução mamária com um cirurgião estrangeiro. Diz que vai ficar com melhor aspeto.
— Já tu especializaste-te em fazer reduções estúpidas. Primeiro no cérebro e depois na ortografia. Ou terá sido ao contrário?
XV
— Estive agora a ler, no jornal Público, que os agricultores estão na rua com os seus tractores, de norte a sul do país, para reclamar valorização do sector e condições justas, num protesto que deverá bloquear várias estradas.
— Faz sentido. Se tivessem levado os tratores, teriam muito menos impacto, ou impato, como já se ouve por aí…
XVI
— O meu filho é muito impetuoso, mas também extremamente afetuoso. É muito sensível e qualquer tragédia o deixa muito afetado.
— Já pensaste levá-lo ao médico?
— Que médico?
— Estomatologista, é claro! Não disseste que ele anda cheio de aftas?
XVII
— Estou furibundo.
— Porquê?
— Fui multado.
— Como é que te aconteceu isso?
— É muito fácil explicar como foi. Ia a caminho da máquina para tirar o talão e li numa placa “Máquina para pagamento”. Como aplico o coiso ortográfico, entendi que a máquina parava o pagamento. Por isso, fui à procura de outra máquina, mas não encontrei nenhuma.
— Eu bem te avisei que adoptar o AO90 era sinal de estupidez. Como vês, saiu-te cara a modernice.
XVIII
— O meu primo, que é brasileiro, vem trabalhar para cá como rececionista. Conheces alguma oferta de emprego aqui perto?
Não, não conheço nada. E o teu primo tem alguma experiência nessa área?
— Só sei que no Brasil era recepcionista num hotel. Que eu saiba, não é a mesma coisa. Parece-me até muito mais completo.
XIX
— Nunca negociarei sob coação!
— Eu também não. Debaixo do coador, corro sérios riscos de ficar com o fato molhado. O preço das limpezas a seco está pela hora da morte.
XX
— Deparei-me há dias com a palavra fatura. Não percebi o que significa. Não consegui entender se é uma fractura nos dedos, pois dizia lá “fatura digital”.
— Não te posso ajudar porque também não sei. Talvez, seja uma espécie de miacoutismo.
— Que raio de coisa é essa?
— É a criação de novas palavras a partir de outras já existentes.
— Então, a fatura poderá ser uma fartura pouco estaladiça?
XXI
— Por causa da recessão, adiei as obras na receção.
— O quê? Que estás a dizer? Não percebo nada.
— É a novilíngua, estúpido.
— Seja lá o que for, não percebo.
— É a maravilhosa língua unificada.
— Continuo sem perceber!
— Se queres que seja franco, também não sei explicar-te. Aprendi este palavreado e que a língua evolui…
XXII
— Andas acabrunhado, pá. Passa-se alguma coisa?
— Tenho uma disfunção erétil.
— Isso não é grave. É uma disfunção ligeira.
— O que percebes de urologia para dizeres isso?
— Se é erétil, é ligeira e localizada. Grave e mais disseminada seria se fosse eréctil. Assim é que terias um problema preocupante.
XXIII
— Há dias, li num cartaz a palavra táctil. Como não a entendi, consultei o dicionário.
— O que é que dizia?
— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.
— É curioso! Já eu procurei o sentido de tátil.
— O que é que dizia?
— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.
— Não percebo. Será a mesma coisa?
— Talvez, mas com menos tacto, seguramente.
XXIV
— O meu pai foi ao Egito e trouxe-me vários artefatos indígenas.
— São mesmo egícios esses artefatos?
— São, são.
— E são esculturas?
— Não, pá! São fatos de artista ou fatos feitos com arte.
Ah, a página de Facebook dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico de 1990 continua a publicar imagens elucidativas do caos ortográfico que se instalou.
Ah, Maria do Carmo Vieira publicou no jornal Público um excelente artigo de opinião intitulado “O acordo ortográfico e ‘a sonolência passiva’ que silenciou o espírito crítico”. Como é habitual, vale a pena ler. Por essa razão, aqui deixamos um excerto razoavelmente extenso: “Antes de se decretar o que os Portugueses nunca haviam pedido e tinham sistematicamente ignorado, escrevia-se, naturalmente, ‘acto’, ‘recepção’, ‘concepção’ ou ‘retractar’, entre muitos exemplos, vocábulos agora truncados na sua marca etimológica que determinava a abertura da sílaba. Não admira, pois, que esta alteração ao ‘traje’ da palavra tenha prejudicado a sua leitura, dando azo a distorções, escritas e ouvidas. Realce-se os vocábulos ‘recepção’ ou ‘concepção’ que, pelo ‘critério da pronúncia’, se mantêm assim, no Brasil, alterando-se, em Portugal, para ‘receção’ ou ’conceção’, num evidente desmentido da ‘unidade ortográfica’ pretendida. No caso de ‘retractar’, o equívoco, que toda ortografia pretende eliminar, é notório porque agora tudo é ‘retratar’.
Ah! Quando tiver dúvidas, faça como os jornalistas de revista Flash: numa ocorrência, grafe a consoante dita muda; noutra, omita-a. Nalgum caso, há-de acertar.
João Esperança Barroca


tags: acordo ortográfico de 1945,
ao90,
brasil,
diário da república,
em defesa da ortografia,
facebook,
francisco miguel valada,
jornal público,
joão esperança barroca,
maria do carmo vieira,
portugal,
revista flash,
tradutores contra o acordo ortográfico d
Sábado, 25 de Janeiro de 2025
«A ortografia é um fenómeno da cultura, e, portanto, um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.»
Fernando Pessoa, Escritor
«Tem sido um desastre a forma como os governos têm gerido a língua portuguesa. O Acordo Ortográfico é um desastre, ninguém o cumpre, uns escrevem assim e outros, assado. No Brasil, o acordo é diferente, é a variante brasileira. Isto é um absurdo! Só estamos a criar muros quando já existem tantos muros. O nosso problema não é obviamente ortográfico, muitas vezes, é semântico, sintáctico e vocabular. O que temos de fazer é publicar os autores como eles escrevem, em Portugal e no Brasil.»
Bárbara Bulhosa, Directora e fundadora das Edições Tinta-da-China
«1. Os opositores ao AO tinham razão quando argumentavam que as grandes diferenças entre o português de Portugal e do Brasil não eram ortográficas, mas sobretudo de sintaxe.
- Os opositores ao AO tinham razão quando argumentavam que o AO não vinha unificar coisa nenhuma, criando até diferenças inexistentes na ortografia usada em cada um dos países (só um exemplo: antes do AO todos escrevíamos recepção, do latim receptio, agora só aos brasileiros é permitido tal privilégio, tendo nós, portugueses, sido condenados às galés da receção)»
Ana Cristina Leonardo, Escritora e jornalista, em artigo de opinião, no jornal Público, em 29-11-2024
Muito próximo das festas natalícias, ocorreu um facto (e facto agora não é igual a fato, como disse um putativo candidato à Presidência da República) assaz curioso, que pode ter passado despercebido à maioria dos leitores. O DN (Diário de Notícias) publicou um artigo de opinião de José Sócrates, intitulado “Defesa mínima consentida”, constituído por nove parágrafos, terminando os dois primeiros com a interrogação “Compreendido?”.
Tendo em conta o passado, em termos de ortografia, do autor do dito artigo, esperar-se-ia que a sua opção recaísse na ortografia do AO90, mas, surpresa das surpresas, no final do referido escrito, aparece a nota: “Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico.”
O leitor mais ingénuo pensaria, certamente, tratar-se de um acto de contrição, mais de um decénio depois. O leitor mais calejado optaria por querer ver, como São Tomé. Para que não fiquem dúvidas, consultou-se, na íntegra, o referido artigo, disponível na página da internet do jornal em
https://www.dn.pt/opiniao/defesa-minima-consentida
Analisando o escrito, parágrafo por parágrafo, conclui-se que é um objecto adequado para um jogo de “Verdadeiro ou falso?”. Expliquemo-nos:
- No primeiro parágrafo, a resposta é dúbia, pois não há uma única palavra afectada pela entrada em vigor do AO90. Compreendido?
- No parágrafo seguinte, o caso muda de figura. O autor escreve “actual”, “efectivas” e “exacto”, demonstrando a sua preferência pela ortografia de 1945, tornando verdadeira a afirmação da nota. Compreendido?
- No terceiro parágrafo, o autor grafa “janeiro” (em letra minúscula), em consonância com a nova ortografia, sendo falsa a afirmação da nota final. Compreendido?
- Prosseguindo na leitura do artigo, o quarto parágrafo, sobre uma floresta de enganos, e o quinto, sobre recursos, repetem exactamente a situação do primeiro parágrafo, não se podendo concluir da veracidade ou falsidade da afirmação. Compreendido?
- No sexto parágrafo, encontramos o termo “exceção”, numa inequívoca opção pela norma ortográfica do AO90, sendo, por isso, falsa a afirmação final. Compreendido?
- O sétimo e o oitavo, sobre o “faroeste jurídico”, possuem as mesmas características do primeiro e quarto parágrafos, não podendo concluir-se se a afirmação é verdadeira ou falsa. Compreendido?
- Para terminar, o parágrafo final, sobre manobras, traz com ele um “espetáculo”, numa clara opção pela ortografia do AO90. Compreendido?
Em conclusão, como muitos outros, José Sócrates embarca no comboio do faroeste ortográfico e usa uma mixórdia ortográfica (que por aí vai circulando), misturando duas normas completamente distintas. Compreendido?
Apetece perguntar, pela enésima vez: se é assim nos círculos cultos, como será com o cidadão comum?
Ah, como se pode ver nas imagens que acompanham este escrito e que foram retiradas de páginas de Facebook de grupos contra o AO90, a ribaldaria não levantou arraiais.
Ah, como Francisco Miguel Valada tem amplamente denunciado no blogue Aventar, no Diário da República, o espe(c)táculo continua.
Ah, a RTP e outros vão tendo umas saudáveis recaídas.
Ah, ainda existem uns comentadores com opções ortográficas coerentes.
Ah, quem pode resolver esta malaquice opta por assobiar para o lado.
João Esperança Barroca




tags: acordo ortográfico,
ana cristina leonardo,
ao,
brasil,
bárbara bulhosa,
diário da república,
diário e notícias,
dn,
edições tinta-da-china,
estado,
fernando pessoa,
francisco miguel valada,
jornal público,
josé sócrates,
portugal,
presidência da república,
rtp,
são tomé
Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2024
«Uma das consequências esperadas de um novo código ortográfico é a criação ou a manutenção da estabilidade da dimensão escrita de uma determinada língua. Infelizmente, no caso do "portuguez lingua escripta" (feliz expressão de Francisco Adolpho Coelho, criada no final do século XIX), apareceu o AO90 e, com ele, regressou a instabilidade ortográfica. A origem de tal desdita é política e deve-se ao desprezo pela opinião especializada, à propalação de erros crassos e à consequente invenção de teorias sem nexo. […] O "Diário da República" é uma montra crucial e privilegiada para se deduzir acerca do comportamento dos escreventes de português europeu em relação ao AO90. Crucial, porque, em última análise, foi uma verificação do caos ortográfico que reinava no (então) "Diário do Governo" que levou à criação, em 1911, de uma ortografia oficial do português europeu. Privilegiada, porque temos à mão de semear uma indicação real (e não uma ideia peregrina) daquilo que efectivamente se passa.»
Francisco Miguel Valada, linguista, em artigo do jornal Lusitano de Zurique edição de Dezembro
«Vivemos tempos em que o Acordo Ortográfico destrói dia a dia não apenas a ortografia, mas também a própria ideia de ortografia, fazendo o País regredir séculos.»
Maria Rueff, actriz, no programa Assim se faz Portugal, em 27-11-23
«A língua de Portugal, que há séculos nos define, nos molda e estrutura, está a ser ostensiva e visivelmente esfarrapada. É insuportável assistir a esta destruição da nossa língua, em tudo o que é texto escrito, inclusivamente na televisão, assim como nos atropelos à própria pronúncia abundantemente adulterada!
Claro que os políticos são responsáveis, por terem imposto o AO90 ao país, sem atenderem aos inúmeros pareceres que o condenam. Esse "mostrengo" NÃO «constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional», como lá expressamente se diz. Constitui sim o desmembramento da língua portuguesa, que tinha duas normas oficialmente reconhecidas, e tem agora, no país que lhe deu vida, uma nova versão, disparatada e ridícula!»
Maria José Abranches, professora reformada, no Blogue O Lugar da Língua Portuguesa
Uma das marcas identificativas da ortografia que por aí circula (expressão roubada a Manuel Monteiro) é a caterva de dislates, com os omnipresentes fatos e contatos à cabeça. Um olhar mais atento, centrado no que por cá se publica, traz à superfície inúmeros exemplos da cacografia imposta pelo AO90. Nesse levantamento sobressaem também as misturas de grafias, dando razão a quem afirma a inaplicabilidade do referido Acordo Ortográfico. Vejamos, então, com breves comentários, mais alguns casos ilustrativos da burundanga:
1 - «Outro aspecto que realça é o fato de na montanha se estar em total sintonia com a natureza e esta ser um equilibrador. Expresso, 28-11-23. Poupa-se uma consoante aqui para a desperdiçar ali.
2 - Chipre tem uma superpopulação de felinos na rua e, desde o início do ano, a chamada “ilha dos gatos” está a ser afetada de forma “anormal” por uma “combinação de um coronavírus felino e de um coronavírus canino”. O primeiro caso já foi identificado no Reino Unido e “existe a possibilidade” de a infecção se espalhar no país. O que está em causa? Expresso, 21-11-23. De novo, a mistura de ortografias.
3 - «Distinção sem grande impato nos mercados (vídeo).
Sem retirar importância à escolha da Madeira como melhor destino insular do mundo, os hoteleiros consideram que este prémio tem um impacto relativo junto dos mercados emissores. A região ganhou pela sétima vez o World Travel Awards.» RTP, 06-12-21. O impato tem sempre algum impacto.
4 - «O fato de Yesilgöz ser ela própria uma ex-refugiada, de origem turca, dá-lhe alguma vantagem argumentativa.Como a própria explicou ao Politico [sic]], "existe um influxo de demasiadas pessoas, não apenas em busca de asilo e estudantes internacionais, o que significa que não temos capacidade para auxiliar verdadeiros refugiados.» RTP, 22-11-2023. De quando em vez, o omnipresente fato que não é de vestir.
5 - «O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, lamentou hoje o espancamento do deputado Farid Fadul, vulgo Cuca, alegadamente por militares do palácio da República, mas esclareceu que aquele estava de fato a filmar aquelas instalações.» RTP 14-11-2023. Conclui-se, pois, que é expressamente proibido filmar de fato.
6 - «A DGAV apelou ainda a que todos os detentores de aves que cumpram as boas práticas de produção, evitem contatos entre aves domésticas e selvagens e a que se reforcem os procedimentos de higiene nas explorações e equipamentos.» Jornal I 14-11-2023. Conselho de amigo: Os contatos são sempre de evitar.
Ah, pára por aí um grupo significativo de acérrimos defensores do AO90 que se espalha de cada vez que escreve. Usa a nova ortografia, mas só numa determinada fatia.
Ah, há dias, ao consultar a página de uma empresa de fisioterapia, encontrei o que se segue: «Em certas ocasiões, pode mesmo surgir uma dor torácica mais intensa com irradiação para a grade costal ou mama esquerda, a qual se confunde incorretamente com um problema cardíaco. Nestas situações, é possível distinguir a azia, não só pelo ardor/queimadura, como também por outros sintomas que muitas vezes a acompanham: erutação (arrotos), aumento da salivação ou gosto amargo na boca, correspondente ao refluxo do ácido do estômago que sobe para o esófago.» Erutação? É arroto sem cê!
João Esperança Barroca



Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2023
É um regalo para os nossos olhos ler este Jornal.
Na diáspora os Portugueses são Portugueses e respeitam a sua História, a sua Língua, a sua Cultura.
Neste Jornal, foi publicado o artigo que aqui reproduzo (espero que o «Lusitano de Zurique» não se importe) mas é importante mostrar ao mundo que Portugal e a Língua Portuguesa existem, e têm esta bandeira 
Neste artigo, Francisco Miguel Valada expõe a estranheza com que agora vemos a nossa Língua Portuguesa escrita tão desrespeitosamente por quem a devia defender.
Mas nem tudo está perdido, porque existem oásis em Zurique, e posso acrescentar também em Angola, com o Folha 8 , e nas comunidades portuguesas, descendentes do Homo Erectus, que já existiu em Portugal, e ainda bem que emigraram, porque cá dentro, muitos já retrocederam para o Homo Reptilianus.
Bem-haja «Lusitano de Zurique»!
Bem-haja Francisco Miguel Valada!
Isabel A. Ferreira



Fonte: https://online.fliphtml5.com/lgioc/aboo/#p=1 (página 28)
Segunda-feira, 14 de Agosto de 2023

Vem isto a propósito de um artigo publicado no Expresso, no passado dia 20 de Julho, sob o título O português de Portugal está em risco?, assinado pelo economista português Rodrigo Tavares, o qual passa bem por brasileiro.
Ao ler este artigo senti-me insultada. E não fui a única.
Vou fazer completamente minhas as palavras do cidadão pensante Sérgio Teixeira que, sobre a argumentação apresentada pelo articulista, no referido artigo, o qual se prestou a vender gato por lebre, talvez pensando que todos os leitores são tão servis como os decisores políticos portugueses, disse o seguinte: «Repudio por completo esta argumentação sofística vestida com jargões inacessíveis e léxico brasileiro para dar ideia, no texto, que o dialecto brasileiro por ter estes termos pluri-étnicos inseridos por alporquia na Língua Portuguesa, que é mais virtuoso, dinâmico e adaptável. (Adaptável a quê?). Na óptica dele, um economista (!), quanto mais descaracterizada, delapidada, esfrangalhada e, obviamente, mais abrasileirada, mais interessante é a Língua Portuguesa! São assim tão importantes os negócios no e com o Brasil para que estes senhores digam estas alarvidades com cara e tom sérios?»
Eu também repudio.
Nem todos os leitores e nem todos os portugueses são servis, nem servos da gleba.
Eis uma outra opinião sobre o mesmo artigo, da cidadã pensante Maria José Abranches, a qual também subscrevo inteiramente, e que aqui deixo como testemunho do sentimento de rejeição que estes arautos da novilíngua provocam nos portugueses que têm a capacidade de PENSAR:
«Leiam, por favor: «A língua portuguesa está efectivamente em risco», Francisco Miguel Valada, no "Público", a 03/08/2023.
Felizmente há quem não se cale, e a persistência incansável deste autor é de salientar e louvar (...).
Peço desculpa por me repetir, mas creio sinceramente que o maior crime nesta matéria é o silêncio, sobretudo de quem tem posição cultural, política e socialmente visível! Porque é indispensável 'gritar', até que alguém responsável nos ouça e tenha vergonha da traição, ao país e ao povo que somos há séculos, de que são responsáveis - a começar pelo Presidente da República!
Os meus dois comentários ao artigo que referi, já publicados, que passo a transcrever:
Excelente! «Porque há-de haver quem ouça, ainda há-de haver / quem ouça.» (Jorge de Sena, "O Grito do Silêncio"). Sim, a nossa língua «estará sempre em risco, enquanto (...) pairar sobre ela» "uma classe tecnocrático-burocrática, de aleatório saber, mas, sobretudo de específica vontade de poderio e gozo de privilégios, a única que até hoje tem fabricado a 'imagem portuguesa' em função da qual Portugal parece escolher-se «livremente», quando afinal é (e foi) apenas por ela 'escolhido'. (Eduardo Lourenço, "O Labirinto da Saudade").
Não assino nem compro nada em 'acordês', mas fui ler esse artigo de Rodrigo Tavares, "O português de Portugal está em risco?" - de que vou salientar uma passagem: «Não convém esquecer que o português deriva do Latim Vulgar, aquela língua do povo que se misturou a dialetos locais. Por isso é que sobreviveu.» Qual é a ideia?! Evitar o referido 'murchar' do português europeu, adoptando tudo o que vem de fora, até que surja uma outra 'nova' língua? E que tal ensinar Português capazmente nas nossas escolas e cuidar do seu emprego nos 'media', evitando, por exemplo, a perda colossal de vocabulário que está a acontecer, visto que já poucos lêem e poucos se exprimem, por escrito e oralmente, com profundidade e riqueza?»
As análises que acabei de reproduzir dizem tudo ou quase tudo o que há a dizer sobre esta imposição forçada de uma linguagem que nada diz aos Portugueses, porque a NOSSA Cultura é diferente da Cultura brasileira. Nem é melhor, nem é pior, é simplesmente DIFERENTE, e cada Povo deve ficar com a sua, porque é a maneira mais inteligente de estar no mundo.
O economista Rodrigo Tavares tem todo o direito de escrever artigos de opinião e publicá-los em jornais que se prestam a aceitá-los acriticamente, mas não tem o direito de vir para o país dos outros tentar impingir uma linguagem que só ao Brasil pertence. Não queiram que os Portugueses passem a dizer “xará” (vocábulo tupi, que significa que tem o mesmo nome que outro), só porque o Brasil descartou o vocábulo português homónimo (do Latim homonymus < Grego συνώνυμος) que significa que tem o mesmo nome que outro. O Brasil tem toda a legitimidade de escolher entre “homónimo” e “xará”, mas NÃO tem a legitimidade de insinuar que passemos todos a dizer “xará”.
Ao ler este artigo fica-se com a nítida sensação de que existe um conluio entre Portugal e Brasil, para impor aos Portugueses, de um modo FORÇADO, ou seja, ditatorialmente, a Variante Brasileira do Português, e, para tal, até se forjou uma artimanha, que dá pelo nome de acordo ortográfico de 1990, saído da mente do enciclopedista brasileiro-libanês, Antônio Houaiss, que acenou aos políticos portugueses com os milhões de falantes sul-americanos do mal denominado “português” do Brasil, DESLUSITANIZADO (e o termo é dele), e os muito subservientes políticos portugueses, aceitaram sem pestanejar. E nada mais falacioso do que usar os “milhões”, quando todos sabem que esses “milhões” NÃO falam Português, mas, sim, o dialecto brasileiro oriundo do Português, conforme o classificou José Leite de Vasconcelos, o nosso maior dialectologista (consultar o Prontuário da Língua Portuguesa, de Manuel dos Santos Alves, páginas 12/13, 2ª Edição 1993: Universitária Editora, LDA.):

Por alma de quem a linguagem mais AFASTADA do Português, ou seja, uma Variante do Português (um dialecto) tem de se impor à Língua-mãe, a não ser por muita má-fé e muita ignorância de quem pretende substituir uma Língua Culta por uma sua Variante?
Sofrendo os políticos portugueses do mesmo mal de que sofrem os políticos brasileiros, ou seja, de um acentuado complexo de inferioridade, tendo necessidade de se porem em pedestais para se imporem ao mundo, e, no caso dos portugueses, faz com que sejam servis capachos daqueles que eles julgam ser “grandes” (e isto é coisa de mentes pequenas), logo arranjaram um modo de aliciar arautos para propagandear a linguagem brasileira, infiltrando-a sub-repticiamente em todas as redes sociais e no Google, chamando-lhe simplesmente “português” e ilustrando-o, até, com a bandeira brasileira

para enganar os mais incautos, como fizeram, por exemplo, com o Papa Francisco, na Jornada Mundial da Juventude
Quando o Papa foi à Universidade Católica, os serviçais jornalistas de serviço, informaram que o Sumo Pontífice iria saudar os presentes em “português”. Foi então quando ele nos surpreendeu com um bem brasileiro “bom djia”. Saberia o Papa o que disse? Ou alguém o enganou ao dizer-lhe que “bom djia” era uma saudação em Português? Não era. Djia NÃO é Português. Também não é um sotaque. Djia faz parte da fonética brasileira, que é totalmente djifêrêntchi dá fônétchicá pôrrtuguêsá, o que lhe dá estatuto de Variante.

Certo dia, um acordista disse-me isto: «Mas, então, a escrita de português atingiu o máximo da sua perfeição? Já não poderá ser modernizada, acompanhar a evolução dos tempos?»
Respondi-lhe: «Quem faz semelhante pergunta, desconhece o que é uma Língua, e que as Línguas até podem modernizar-se, como o Português, o Inglês, o Francês, o Castelhano (...) se modernizaram, contudo, "modernizar" não é sinónimo de MUTILAR, DETURPAR, EMPOBRECER e MODIFICAR as palavras desligando-as das suas origens [algo que nenhum outro país fez] e isto nada tem a ver com “modernização”, nem com "acompanhar a evolução dos tempos". Isto tem a ver [galicismo por opção de elegância linguística] com RECUO, com IGNORÂNCIA, ao reduzir-se as palavras à sua forma mais BÁSICA, ou seja, ao patoá dos que não têm capacidade de PENSAR a Língua.» E isto vale apenas para Portugal, porque nada tenho contra a Variante Brasileira do Português.
Realmente, a introdução do AO90 que, como toda a gente sabe, assenta na deslusitanização ou no abrasileiramento [como se queira] do Português, só veio fabricar ignorância e analfabetos funcionais, em Portugal.
Mas o objectivo dos que criaram o AO90, acolitados actualmente por Marcelo Rebelo de Sousa (PR), por António Costa (PM), por Augusto Santos Silva (PAR) e pela maioria dos deputados da Nação, é não só DESTRUIR a Língua Portuguesa, como fabricar analfabetos funcionais, para melhor poder manipulá-los. Quanto mais culto for um Povo mais insubmisso ele é, e isto não convém aos governantes.
E os nossos muito subservientes órgãos de informação, ou são funcionários públicos, ou, se não são, não passam de meros serviçais, de bonifrates à mercê dos cordelinhos dos que desgovernam Portugal, os quais se vergaram, sem o mínimo espírito crítico e brio profissional, ao AO90, e pior do que isso, propagam os disparates que dizem e escrevem nas televisões e jornais (salvaguardando, obviamente, as raríssimas excepções, que, no entanto, se mantêm silenciosas, não vão perder empregos e tachos), disseminando, deste modo, o não-saber e o desprezo pelo seu instrumento de trabalho: o Idioma Português.
Não existe Democracia [δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder")] em Portugal. Existe uma espécie de "democracia" onde o POVO tem a liberdade de protestar à vontade, mas NÃO é ouvido pelos "kratos", ou seja, pelos que se julgam “poderosos”, que querem, podem e mandam, e o POVO que se lixe.
A questão da Língua Portuguesa continua cada vez mais grave, e os decisores políticos cada vez mais subservientes ao "Krata" brasileiro. E os decisores judiciais são cúmplices dessa "aliança com benefícios apenas unilaterais”, porque ainda que se esteja a violar a Constituição da República Portuguesa, NADA fazem para repor a legalidade.
Portugal está a ser altamente prejudicado por essa atitude COBARDE dos quatro Órgãos de Soberania: Presidente da República, Assembleia da República (Parlamento), Governo e Tribunais.
Isto está péssimo. Somos um país terceiro-mundista, à conta de gente com mentalidade terceiro-mundista, onde uma elite intelectual compactua, com o seu silêncio, com este assalto à NOSSA Língua, e não só.
Portugal é um fruto podre, e não tardará a cair em mãos ainda mais podres.
Para fechar esta reflexão, quero partilhar algo, e apenas o partilho por ser o prato do dia na Internet, redes sociais, YouTube, em publicações sobre a Língua Portuguesa, sobre imigração etc.. Trata-se de uma publicação no Facebook, que não me deixou indiferente, aliás coisas destas nunca deixam, seja onde for, porque sou adepta desta "filosofia": se nada dissermos ou fizermos, se não demonstrarmos a nossa indignação diante do enxovalho, vão pensar que tudo está bem na República DOS Bananas de Portugal, por isso vou deixando mensagens aos ignorantes, com a esperança de que nem todos sejam calhaus com olhos.
Quanta ignorância leio em publicações como a que refiro! Só gente com mente muito pequena precisa de USURPAR uma das Línguas mais antigas da Europa, e DETURPAR a História de uma das Nações mais antigas da Europa, para se impor ao mundo, quando todos os povos CULTOS sabem que a Língua Portuguesa NÃO é falada no Brasil. No Brasil, fala-se e escreve-se a Variante Brasileira do Português. E quem quer aprender o Português para fixar o Pensamento, a Cultura, o Saber, não procura a Variante, mas a original. A Variante, para a grande maioria dos estrangeiros que a aprendem, serve apenas para língua de comunicação passageira, de viagem.
Sei disto porque aprendi a ler e a escrever no Brasil, e estudei nas escolas brasileiras, cujo ensino está bem patente nas publicações e comentários ignorantes que pululam na Internet, fruto da lavagem cerebral que os esquerdistas, da ala mais ignorante, fizeram aos brasileiros menos instruídos, e que, por serem menos instruídos propagam essa ignorância, sem terem a noção disso. Isto só envergonha a minoritária elite culta brasileira, e passa uma imagem PODRE e POBRE do Brasil, algo que me deixa muito triste, e incomodada, porque tenho o Brasil como a minha segunda Pátria.
Se assim o quiserem os desacordistas, ainda vamos muito a tempo de salvar a NOSSA Língua, porque a linguagem que anda por aí escrita e falada, um pouco por toda a parte, mais visível nas televisões e nos manuais escolares (um autêntico atentado à inteligência das crianças e jovens alunos) é uma linguagem pobre, andrajosa, deformada, desenraizada das suas origens, um verdadeiro insulto à Cultura Linguística Portuguesa, e isto não pode continuar assim.
O que temos de fazer?
Em primeiro lugar ter consciência de que os muito subservientes decisores políticos portugueses se vergaram aos muito perseverantes decisores políticos brasileiros (e não se pense que isto é uma alucinação) e NADA, NADA, NADA farão para defender os interesses dos Portugueses, e disso é prova máxima o DESPREZO que o presidente da República está a votar ao APELO subscrito por 297 cidadãos pensantes portugueses e também alguns brasileiros, que lhe foi enviado por quatro vias, através do formulário de Contacto, do site da presidência.
Em segundo lugar temos de AGIR em GRUPO e obrigar o Chefe de Estado Português a DEFENDER os interesses dos Portugueses, os quais passam pela PRESERVAÇÃO da Língua Portuguesa, ainda que MINORITÁRIA, aliás, como tantas outras Línguas de Povos que NÃO sofrendo da Síndrome da Pequenez são grandes Povos, porque a grandeza do Povos não se mede pela quantidade, mas pela qualidade do seu saber ser e estar em sociedade.
As Línguas Minoritárias fixam o Pensamento, a Cultura, a História e o Saber dos Povos, com tanta grandiosidade como as Línguas de grande tiragem. Só gente de mentalidade pequena e mirrada NÃO se orgulha de uma Língua minoritária, tão grandiosa como a Língua Portuguesa.
Por que haveríamos nós, Portugueses, de substituir a NOSSA Língua, que já foi dialecto do Latim, mas construiu um caminho próprio, transformando-se numa Língua autónoma, que, como sabemos, é uma das mais antigas da Europa, e que, pela simples vontade de políticos que sofrem da síndrome do pequeno poder (*) pretendem substituí-la pelo dialecto de uma ex-colónia que, de má-fé, USURPOU a Língua do ex-colonizador, com um objectivo pouco nobre, que acabou por contaminar a classe política portuguesa, que não teve o menor pejo em trair Portugal.
Pode não ser fácil eliminar o CAOS linguístico, no nosso País, mas NÃO é impossível. Basta empenharmo-nos, SEM MEDO de melindrar quem nos USA como trampolim para negociatas obscuras, que NÃO servem os nossos interesses.
Isabel A. Ferreira
(*) Segundo a Psicologia, a síndrome do pequeno poder é uma atitude de autoritarismo por parte de indivíduos que, ao alcançar o poder, usam-no de forma absoluta e autoritária, desprezando as consequências e problemas que possam vir a causar. Nem mais nem menos isto é o que está acontecer em Portugal.
***
Comentários na Página NOVO MOVIMENTO CONTRA O AO90 (Facebook):



tags: antónio costa,
ao90,
augusto santos silva,
brasil,
deputados da nação,
expresso,
francisco miguel valada,
língua portuguesa,
marcelo rebelo de sousa,
portugal,
variante brasileira do português
Quarta-feira, 22 de Junho de 2022
«O português que falamos hoje tem muito pouco a ver com o que [era] falado por Luís de Camões, a ortografia d’ Os Lusíadas tem aspectos que não são os que nós hoje consideramos a norma.»
Pedro Adão e Silva, Ministro da Cultura, em 5 de Maio de 2022, em Luanda
«Não se pode mandar esta gente toda para um país só deles, com o grunhês como língua oficial, dado que é o que falam e escrevem?»
José Antunes, em comentário no Facebook no grupo Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990
«É este o grande objectivo: produzir a confusão que consolide a ignorância em definitivo!»
Rodrigo Pereira Martins, em comentário no Facebook no grupo Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990
«A língua portuguesa veio do latim, mas já foi há imenso tempo. Aos nativos, no entanto, parece não interessar absolutamente nada, de onde é que ela veio, e sobretudo, para onde é que ela vai. O português do ano dois mil — como hoje se prefigura — não terá formas complexas de qualidade alguma. A tendência simplificadora e redutiva que se afirma no vocabulário e um pouco por todo o lado, fará desaparecer formas […]. Dominarão formas de rufianismo linguístico, no pressuposto de que “desde que se entenda, está certo”, tendendo a comunicação para o mais elementar dos grunhidos, apoiado pelo mais eloquente dos gestos.»
Luísa Costa Gomes, Escritora

Inicia-se o escrito do mês de Junho com quatro citações em epígrafe. Incluem-se duas citações de cidadãos comuns, respigadas de páginas do Facebook, nas quais se realiza, há imenso tempo, um laudabilíssimo serviço público de denúncia da fraude que é o AO90. Inclui-se também o excerto de uma declaração do ministro Pedro Adão e Silva, que, talvez, afectado pelas altas temperaturas tropicais, debitou um truísmo digno de um aluno do 9.º ano.
São, também, parte integrante deste escrito três imagens transmitidas por canais televisivos, que demonstram o cuidado (ou a falta dele!) com que estas estações lidam com a nossa língua. Uma dessas imagens ilustra a febre com que se eliminam consoantes, como no seguinte diálogo, mais real do que imaginário:
— Tem consoante?
— Tem!
— Então, corta!
— Mas…
— Nem mas, nem meio mas… Corta!

As outras duas imagens mostram como uma parte dos jornalistas ainda (mais de dez anos depois, o que dá uma infinidade de meias horas, das quais falava Paulo Feytor Pinto) não interiorizou algumas das bases do AO90.

Apetece perguntar pela enésima vez: Se é assim na Comunicação Social, como será com os cidadãos comuns?
No escrito do mês de Maio, mês em que ficámos a saber, através de Francisco Miguel Valada (no sítio aventar.eu/2022/05/30mrs-ao90) que Marcelo Rebelo de Sousa não adopta o AO90, citámos algumas frases da rubrica “Circo Cacográfico”, da página de Facebook da iniciativa Acordo Zero. A primeira dessas frases, “Cato pelos e pelo catos na boca do urso!” tem espoletado muitas e longas gargalhadas dos alunos, que se esforçam por ler e descodificar essas frases. Quando se lhes diz, que a dita frase, antes do Monstro Ortográfico, como se lhe refere Manuel Monteiro, era: Cato pêlos e pélo cactos na boca do urso!, faz-se luz. Ah, caro leitor, lembre-se sempre que os cactos (catos, como se diz e escreve agora) fazem parte da família das Cactáceas. Relembre também a origem desta palavra. Cacto deriva do grego káktos, pelo latim cactu. Ficou, caro leitor, esclarecido e convencido com a lógica acordesa? Já viu o orgulho que esta gente tem na história da sua língua?
A segunda dessas frases, “Pouco dinheiro para todos nós neste circo!”, levanta a questão de sabermos de a palavra “para”, neste contexto, é uma forma verbal ou uma preposição. Como se lê, caro leitor? Repare como, na ortografia de 1945, este problema não existia. Por esta razão, há quem diga que o AO90 veio trazer uma solução para um problema inexistente.
João Esperança Barroca
tags: ao90,
cidadãos contra o acordo ortográfico de,
comunicação social,
facebook,
francisco miguel valada,
luís de camões,
luísa costa gomes,
língua portuguesa,
ministro da cultura,
os lusíadas,
paulo feytor pinto,
pedro adão e silva,
português
Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022
«É evidente que a escrita da palavra tem um carácter emblemático que não pode ser mudado por decretos ou acordos oficiais. Ao mesmo tempo, simplificar demais a ortografia é um simplismo contrário ao desenvolvimento intelectual de todos os povos que falam uma determinada língua. […] E creio também que o dito acordo [ortográfico] vai interferir na oralidade e a vai degradar. […] Em face de tudo isto, só posso sentir a mais extrema indignação.»
Sophia de Mello Breyner Andresen, Escritora
«Vivi na Inglaterra quase doze anos e reparei que os ingleses nunca se preocuparam se os americanos escreviam de forma diferente ou não. Para os ingleses o problema é dos americanos, não deles. Nunca foi por isso que a língua inglesa deixou de ter importância no mundo. […] Os ingleses fazem a língua através da sua escrita forte, apesar de serem muito menos do que os americanos; fazem a sua cultura valer (nós “vendemos” a nossa cultura).»
Mário Forjaz Secca, Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Na senda dos anteriores escritos, que põem a nu as fragilidades do AO90, continuamos hoje a expor as incoerências de alguns destes apoiantes da nova ortografia, em contraste com a posição assumida por muitos autores, tradutores, revisores e outros que modelam a língua. Tem sido um desfile, iniciado no Outono, que chegou ao Inverno e que, ao contrário da moda, não expõe fatos. Aqui fatos não são factos e para é uma simples preposição, que jamais ascenderá a forma verbal, como o mostra uma das imagens que acompanha este escrito, colhida na página do Facebook dos Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990.

Dêmos (diferente de demos) então início ao desfile de mais um grupo de lesados pelo AO90:
- Martim Silva, director adjunto do Expresso, escreve Janeiro, Dezembro, directo, reacção e hiperactivo (saudável recaída!), mas ativo, fim de semana, novembro, objetivos e reação, o que lhe permite, na lógica do Expresso, poupar a módica quantia de três consoantes;
- O Conselho Superior da Magistratura grafa Janeiro, acção, actividade, actos, dia-a-dia, electrónico, excepção e respectivos, mas estas formas coexistem com afetação, agosto, atividade, atos, correção, Inspeção, projetos e com o cada vez mais omnipresente contato;
- Gonçalo Ribeiro Teles, utilizador da nova ortografia, consultor de comunicação, usa anti-vacinas e fim-de-semana, por exemplo;
- Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda, escreve neocanabinóides, (acentuação que se saúda e inviabilizadora do fechamento da vogal que se vai insidiosamente instalando);
- Bebiana Cunha, deputada do PAN, grafa proactiva, mas, sem razão que se vislumbre, além do pouco estudo das Bases do AO90, opta pela forma reativa;
- A página do Governo no comunicado do Conselho de Ministros de 10 de Junho, utilizou a forma fim-de-semana;
- A mensagem de Ano Novo do Senhor Presidente da República leva-nos a concluir que se livrou do ortogravírus, pois desrespeita, como o mostrou Francisco Miguel Valada, a Base XIX;

- Para finalizar estes exemplos, Elísio Estanque, professor universitário e investigador, escreve Verão quente e verão quente na mesma linha.
Os acordistas mais assanhados dirão que erros destes sempre existiram e que o AO90 é alheio a esse facto. Como explicar, então, que a maior parte dos escreventes soubesse escrever correctamente na ortografia de 1945 e tenha deixado de o fazer nestes últimos dez anos? Lembre-se ainda que o AO90 surgiu, segundo os seus mentores, para simplificar e prestigiar o português no mundo. Simplificar? Só se for a ocorrência de erros. Prestigiar? Só no âmbito do anedotário.

«É preciso haver mais livros, é preciso haver mais língua. Devo dizer que o Acordo Ortográfico é das coisas que não ajudam, é a sabotagem da língua portuguesa no mundo. Eu sou muito radical em relação ao acordo, acho a diversidade muito mais poderosa do que a coesão. Depois há todas as razões que muita gente apontou melhor do que eu, como acabar com a história das palavras, ignorar a escrita como um acto de cultura e argumentar que são os sons que regem a língua. Este populismo barato de que a língua é o que se fala — a língua é o que se fala e o que se escreve! Como se o que se escreve não afectasse o que se fala: “recessão” não é o mesmo que “recepção”.»
João Paulo Borges Coelho, Escritor e historiador moçambicano
João Esperança Barroca
tags: acordo ortográfico,
ao90,
bases do ao90,
bebiana cunha,
bloco de esquerda,
cidadãos contra o acordo ortográfico de,
conselho superior da magistratura,
elísio estanque,
expresso,
facebook,
faculdade de ciências e tecnologia da un,
francisco miguel valada,
gonçalo ribeiro telles,
inglaterra,
joão esperança barroca,
joão paulo borges coelho,
martim silva,
mário forjaz secca,
nova ortografia,
ortografia,
pan,
presidente da república,
sophia de mello breyner andersen
Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2022
Por um 2022 livre do AO90
Ao cuidado dos candidatos às Eleições Legislativas:
Melhor seria para todos que, durante a campanha eleitoral, o AO90 estivesse TAMBÉM em foco. Os nossos votos TAMBÉM dependerão das posições dos candidatos sobre esta matéria-tabu. O silêncio será penalizado.
Portugal precisa livrar-se urgentemente deste vergonhoso motivo de chacota em alguns países da lusofonia, e do resto do mundo.
Um País que troca a sua Língua por um dialeCto não é um País, é um território ocupado, e abstenho-me de dizer por quem.
Isabel A. Ferreira
***
ANO NOVO, BATALHAS NOVAS!
É com imenso prazer que anuncio […] o ARRANQUE oficial da iniciativa Acordo ZERO, em fase de maturação há já alguns meses. De hoje em diante, as informações oficiais da mesma poderão ser consultadas na página oficial em
https://www.facebook.com/ACORDOZERO
e, mais importante do que tudo, PARTILHADAS por todos os vossos contactos!
Vamos tornar o ACORDO ZERO absolutamente viral!
Obrigado a todos!!
Paulo Teixeira
***
O QUE É A INICIATIVA "ACORDO ZERO"?

Por Paulo Teixeira (ideólogo desta iniciativa)
O ACORDO ZERO é uma distinção de mérito independente atribuída a empresas/entidades que, em defesa da Língua Portuguesa, rejeitam a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.
ACORDO ZERO: 0% Emissões AO90, 100% Oxigénio ortográfico!
***
O QUE É A INICIATIVA "ACORDO ZERO"?
É uma distinção de mérito independente, livre de facções políticas ou comerciais, atribuída a entidades e/ou pessoas que, em defesa da Língua Portuguesa, rejeitem incondicionalmente a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 a ela tão prejudicial.
***
O QUE DEFENDE A INICIATIVA "ACORDO ZERO"?
1) a preservação da diversidade da Língua Portuguesa em cada um dos países que a fala e escreve;
2) o respeito pela etimologia e coerência morfológica das palavras;
3) a evolução natural da escrita e da fala, sem tendenciosas imposições;
4) uma ortografia e fonética livres de palavras sem qualquer identidade (inventadas) e de erráticas pronunciações;
5) a restituição da Língua Portuguesa aos portugueses pela rejeição do AO90 e afirmação do AO45!
***
O QUE REPRESENTA SER DISTINGUIDO COM O MÉRITO "ACORDO ZERO"?
1) HONRA e PRESTÍGIO pela coragem de defender a Língua Portuguesa através da firme rejeição do AO90;
2) RESPEITO e ORGULHO por um património de inestimável valor que não deve ceder a vontades ou imposições políticas, comerciais ou de quaisquer outras origens a ela prejudicial;
3) CONSCIÊNCIA pelo reconhecimento do valor da diversidade e natural evolução da Língua;
4) RESPONSABILIDADE pelo futuro da Língua e o seu impacto nas actuais/futuras gerações.
***
"ACORDO ZERO", UMA INICIATIVA FUNDADA E IMPULSIONADA...
Pelo grupo "Portugal em Movimento Contra o AO90", uma nova frente de ataque ao AO90 no Facebook com o objectivo de pôr fim ao desastre ortográfico artificialmente imposto a Portugal e ao Conjunto de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em prol da absurda e falaciosa união da Língua.
***
QUEM APOIA A INICIATIVA "ACORDO ZERO"?
Além de a grande maioria dos portugueses que se sabe estar manifestamente contra o AO90, a iniciativa "Acordo Zero" conta com o apoio crescente de conhecidíssimos nomes da nossa sociedade, cada um deles conscientemente unido por uma Língua verdadeiramente diversificada, natural, oxigenada e livre de condicionantes impostas à força. Não podia haver nada que fizesse mais sentido!
Enumerada, por ordem alfabética e em permanente crescimento, segue-se a actual lista de apoiantes oficiais desta iniciativa:
| 1 | Afonso Reis Cabral, escritor
| 2 | Alexandre Cortez, fundador Rádio Macau / músico / programador e produtor cultural | 3 | André Gago, actor
| 4 | António Bagão Félix, economista / político
| 5 | António Chagas Dias, tradutor
| 6 | António Eça de Queiroz, jornalista
| 7 | António Fernando Nabais, professor e membro do blogue Aventar | 8 | António Garcia Pereira, advogado / político
| 9 | António Jacinto Pascoal, escritor / professor
| 10 | António-Pedro Vasconcelos, cineasta
| 11 | Bárbara Reis, jornalista / redactora-principal jornal Público
| 12 | Carlos Fiolhais, físico / professor universitário
| 13 | Deana Barroqueiro, escritora
| 14 | Fernando Alvim, humorista / locutor / apresentador
| 15 | Fernando Dacosta, jornalista / escritor
| 16 | Fernando Paulo Baptista, filólogo / investigador
| 17 | Fernando Tordo, cantor / compositor
| 18 | Fernando Venâncio, linguista / escritor / crítico literário
| 19 | Francisco Miguel Valada, intérprete de conferência / linguista
| 20 | Helder Guégués, revisor / estudioso da Língua
| 21 | João Esperança Barroca, professor
| 22 | João Reis, actor / encenador
| 23 | João Roque Dias, tradutor
| 24 | José Alberto Reis, cantor
| 25 | José Pacheco Pereira, historiador
| 26 | Juva Batella, escritor / professor de literatura
| 27 | Manuel Alegre, poeta / político / romancista
| 28 | Manuel Matos Monteiro, autor / jornalista / formador / revisor
| 29 | Maria do Carmo Vieira, professora
| 30 | Maria Filomena Molder, professora catedrática / filósofa
| 31 | Mário Guerra Cabral, livreiro em: livraria Poesia Incompleta
| 32 | Mico da Câmara Pereira, cantor
| 33 | Miguel Ângelo, cantor / compositor
| 34 | Miguel Esteves Cardoso, crítico / jornalista / escritor
| 35 | Nilton, humorista
| 36 | Nuno Miguel Guedes, jornalista / programador cultural
| 37 | Nuno Pacheco, jornalista / redactor-principal jornal Público
| 38 | Paulo de Carvalho, cantor / compositor
| 39 | Ricardo Batalheiro, revisor
| 40 | Santana Castilho, professor ensino superior
| 41 | Silvina Pereira, actriz / encenadora / investigadora
| 42 | Teolinda Gersão, escritora
Consultar informação oficial neste link:
https://drive.google.com/file/d/1kna1o8HEdTqZlfFB_ZZAKDdBJafJ1PDQ/view?usp=sharing
***
PARCEIROS DESTA INICIATIVA
Esta secção encontra-se em fase de maturação. Contudo, conhecendo, concordando e respeitando os objectivos da iniciativa "Acordo Zero", qualquer grupo / projecto que se oponha afincadamente ao AO90 pode integrar a lista de parceiros oficiais, devendo apenas validar o seu interesse enviando um e-mail para: acordozero@gmail.com
***
ATRIBUIÇÃO DA DISTINÇÃO "ACORDO ZERO"
O grupo fundador e propulsor desta iniciativa, em data ainda por anunciar, iniciará a identificação de todas as empresas/entidades isentas da aplicação do AO90, sendo cada uma delas, progressivamente, contactada para se oficializar o processo de atribuição da distinção de mérito "Acordo Zero".
Qualquer empresa/entidade ainda não contactada para a obtenção da distinção de mérito "Acordo Zero", deverá enviar um e-mail para o endereço: acordozero@gmail.com
Enviar mensagem
acordozero@gmail.com
tags: acordo ortográfico de 1990,
acordo zero,
antónio fernando nabais,
antónio-pedro vasconcelos,
ao90,
carlos fiolhais,
deana barroqueiro,
fernando dacosta,
francisco miguel valada,
língua portuguesa,
manuel matos monteiro,
maria filomena molder,
miguel esteves cardoso,
nuno pacheco,
teolinda gersão
Terça-feira, 11 de Maio de 2021
«Um acordo que nos foi imposto à força... prova que não foi acordo, mas imposição... Felizmente, eu já não era professor... Porque às vezes é necessário dizer: Não. O «desacordo» só foi para a frente porque os professores se acobardaram...» (Fernando Serrano)


in

aqui:
https://www.publico.pt/2021/05/09/opiniao/noticia/cartas-director-1961647?fbclid=IwAR2_ofwfOglaromNkiAH1WwRw5RQYIWbKiLRAIFyz-iNJgMAURwTYkOebkU
***
Associação Nacional dos Professores de Português considera acordo ortográfico um erro
Os docentes dão a matéria seguindo as regras deste acordo, mas consideram que a mudança trouxe prejuízos para o ensino. Por isso, a Associação defende que seja dado um passo atrás, para que fosse possível, depois, dar dois passos em frente.
Ler o texto aqui:
https://www.rtp.pt/noticias/pais/associacao-nacional-dos-professores-de-portugues-considera-acordo-ortografico-um-erro_a1317554
***
Opositores do [AO90] dizem que [este] criou erros evitáveis
***
«Políticos que defendem e votaram a favor do Acordo Ortográfico, para a projecção da língua portuguesa, mas que vão para Bruxelas falar inglês e francês» - Francisco Miguel Valada
Excerto da comunicação de Francisco Miguel Valada, intérprete na União Europeia e linguista, na conferência "A Língua Portuguesa Tem Dias…" (05/05/2021) inserida no ciclo Foz Literária promovido pela União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
tags: acordo ortográfico,
ao90,
associação nacional dos professores de p,
bruxelas,
foz do douro e nevogilde.,
foz literária,
francisco miguel valada,
francês,
inglês,
linguista,
língua portuguesa,
políticos,
português,
professores,
união das freguesias de aldoar,
união europeia