Segunda-feira, 12 de Março de 2018

«SURDOS DOS OLHOS, CEGOS DOS OUVIDOS»

 

Faz bem à alma ler textos escritos com lucidez e num Português escorreito.

Obrigada, Nuno Pacheco.

Possam eles, os governantes e seus acólitos, entendê-los (aos textos)…

 

NUNO.jpg

Nuno Pacheco

 

Chamaram ao livro O Nervo Ótico. Ou seja: a senhora vê com os olhos mas regista o que vê com um “nervo” auditivo.

 

 A escritora argentina María Gaínza (nascida em Buenos Aires, em 1975) estreou-se na novela com uma obra a que deu o nome de El Nervio Óptico. O livro, lançado em 2014, não teve ainda edição no Brasil; mas, se a tivesse, chamar-se-ia O Nervo Óptico. Editado em Portugal, pela D. Quixote, puseram na capa a fotografia de uma sala de museu com uma senhora a olhar para uma parede com quadros e este título em letras garrafais: O Nervo Ótico. Ou seja: a senhora vê com os olhos mas, pelo título, regista o que vê com um “nervo” auditivo. Consulte-se o dicionário Priberam brasileiro, numa edição recente, e o que lá vem é isto: “ótico adj. 1. Relativo ou pertencente ao ouvido. 2. Diz-se do medicamento que se emprega contra doenças do ouvido.” Nenhuma dúvida. E com P? “óptico [ót] adj. 1. Relativo à óptica ou à visão. = OCULAR, VISUAL (…).” [Portugal] Grafia de ótico antes do Acordo Ortográfico de 1990.” Para os brasileiros parece não haver aqui dúvidas quanto à escrita ou quanto à fala. Repare-se que escrevem “óptico” e, à frente, indicam que se deve ler “ót”, “ótico”, não “ópt”, “óptico”. Ora, se bem se lembram, um dos mais fortes argumentos para banir as ditas “consoantes mudas” em Portugal era que não se liam; e “o que não se lê não se escreve.” Verdade? Mentira. O “óptico” brasileiro prova-o de forma categórica: não lêem o P mas escrevem-no. Porque entendem que não se pode ser surdo dos olhos e cego dos ouvidos.

 

Ou pode? Em Portugal pode. Com o acordo ortográfico (AO), a palavra é a mesma, ouvidos e olhos tudo misturado, numa lamentável miscelânea pós-cubista que nada deve à arte. “Óptico” ou “ótico”? Vai-se aos vocabulários oficiais do acordismo (os do IILP) e lá está: nos vocabulários nacionais de Portugal, Cabo Verde, Timor-Leste e Moçambique (até neste, que nem ratificou o AO), ao inserirmos a palavra “óptica” recebemos por resposta: “A forma óptica não se encontra atestada neste vocabulário”. Mas está no do Brasil; neste e no chamado “vocabulário comum”, que mistura tudo sem critério só para fingir que há unificação na escrita.

 

 

Há alguma vantagem neste inominável disparate, que ainda por cima foi inventado aqui, para consumo interno e para imposição colonial a terceiros pelas áfricas e orientes? Nenhuma vantagem. Um exemplo: os ingleses pronunciam “no” e “know” da mesma exacta maneira, tal como “night” e “knight”, ou “right” e “wright”. Imaginam alguém a sugerir que tais palavras passem a ser escritas da mesma forma porque têm o mesmíssimo som? Não, loucos desses só existem por cá. O que se passa com “óptico” e “ótico”, ou “acto” e “ato” é similar: lêem-se da mesma maneira mas são palavras diferentes, com raízes diferentes e sentidos diferentes. Custa muito entender coisa tão simples?

 

Hoje é Dia da Mulher e provavelmente esta crónica devia falar de outras coisas. Mas já que o livro aqui citado (devido ao assassinato do seu título) foi escrito por uma mulher, juntemos-lhe textos recentes de duas escritoras, ambos a propósito. No Expresso de 3 de Março, numa crónica intitulada “Ninguém para o AO (lê-se à vontade do freguês)”, escreveu Ana Cristina Leonardo: “Continuamos a não conseguir distinguir ‘óptica’ (vista) de ‘ótica’ (audição), palavras que se tornaram homónimas em nome da uniformização da língua, mas só em Portugal, já que no Brasil a distinção se mantém e também em nome da uniformização da língua. Confused?” Não, que ideia, é tudo claro como água! No dia anterior, 2 de Março, já Alexandra Lucas Coelho escrevera, no Sapo24, um texto revoltado e notável, intitulado “Este país partido ao meio pela própria língua. Um pequeno excerto: “Supostamente este acordo era para aproximar os países de língua portuguesa. Mas o que separa os países de língua portuguesa são muitas outras coisas, muitas delas de facto políticas, muitas delas de facto incómodas, muitas delas de facto sistematicamente ignoradas, ou menosprezadas, enquanto um acordo totalmente desnecessário, supostamente a bem da lusofonia, nos mói o juízo há 28 anos.”

 

Diz-se que água mole em pedra dura… O resto já sabem. Mas não há água, mole ou dura, que lave tais misérias e nos deixe definitivamente em paz. Só mesmo uma enorme vaga, temível como as da Nazaré, será capaz de arredar tanto disparate do nosso quotidiano, deixando a língua viver e respirar como lhe compete. Tardará muito? Talvez não.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:35

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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

AO CUIDADO DOS GOVERNANTES E DAS "GOVERNANTAS"

 

PARVOICE.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:59

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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2018

NUNO PACHECO: CONTRA O AO90 E A FAVOR DA DIVERSIDADE LINGUÍSTICA

 

Brilhante! Absolutamente brilhante! Vale a pena ouvir. Não perdem o vosso tempo.

 

Trata-se de uma aula ao nível das mais prestigiadas Universidades do mundo.

 

Ouçam e aprendam, senhores governantes. Absorvam a lucidez de Nuno Pacheco. Por favor, façam esse favor a vós próprios.

 

Um prémio bastante bem atribuído. Muito merecido. Parabéns Nuno Pacheco, pelo prémio e pela sua lúcida intervenção.

 

Cerimónia de entrega do Prémio de Jornalismo Cultural 2018, atribuído ao jornalista Nuno Pacheco, redactor principal do "Público" no Auditório Maestro Frederico de Freitas na Sociedade Portuguesa de Autores a 30 de Janeiro de 2018.

 

"Nascido em Agosto de 1955, Nuno Pacheco integrou a equipa fundadora do matutino "Público" após ter trabalhado oito anos no "Expresso". Afirmou-se como um especialista nos temas relacionados com a música portuguesa e brasileira, sendo um dos jornalistas que de forma mais regular e rigorosa escrevem sobre o assunto. Defensor da diversidade da língua portuguesa, tem sido uma das vozes mais activas no combate contra o Acordo Ortográfico cuja vigência intensamente contesta.

 

O prémio destina-se a distinguir um jornalista "que se tenha destacado durante anos em qualquer órgão de comunicação social pela competência, dedicação e qualidade com que trata temas da actividade artística e cultural, seja qual for a área de expressão e a forma como se materializa."

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:53

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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018

O QUE DIZ ANTÓNIO BARRETO SOBRE A ACTUAL COMUNICAÇÃO SOCIAL

 

Um excelente texto, escrito em Bom Português, para reflectirmos o actual estado do país, através da actual comunicação social (com dignas excepções), vendida ao poder político-partidário, numa total e vergonhosa vassalagem.

 

Informa-se só o que interessa aos governantes, aos políticos, aos partidos; fala-se incorrectamente, e legenda-se ainda pior, ou seja, na versão mais inculta da Língua Portuguesa.

 

Faço totalmente minhas, todas as palavras de António Barreto.

 

AntonioBarreto-2[1].jpg

 António Barreto (Sociólogo português)

(Origem da foto: Internet)

 

Texto de António Barreto

 

AS NOTÍCIAS NA TELEVISÃO

 

«É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. 

 

A banalidade reina. O lugar-comum impera.

 

A linguagem é automática.

 

A preguiça é virtude. O tosco é arte.

 

A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

 

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não se sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense.

 

Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

 

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiza a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

 

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

 

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! 

 

Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. 

 

Arte? Um director-geral chega. Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

 

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. 

 

Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

 

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

 

A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!

 

Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão».

 

Origem do texto:

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/antonio-barreto/interior/as-noticias-na-televisao-5407534.html

  

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:16

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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

QUE ORTOGRAFIA PARA PORTUGAL?

 

TVIO.png

 

Já não é a primeira vez que, nas legendas de telejornais e filmes, me deparo com o “chapeuzinho” em palavras que deveriam levar acento agudo, como em económico, quilómetro e outras que tais assim…

 

Também já ouvi uma jornalista portuguesa pronunciar “Ôpção” entre outros ÔS que tais…

 

Por vezes, parece-me que ainda permaneço no Brasil…

 

É que não é só a ortografia, é também a oralidade, que já começa a infiltrar-se furtivamente… como quem não quer a coisa.

 

E é os oi, em vez dos o; e é o , em vez do não é?

 

Além de, segundo a nova e parva teoria acordizada, se retirar o acento em “pára” forma do verbo parar, que se confunde com a preposição “para”, vamos também começar a substituir os acentos agudos por acentos circunflexos à moda brasileira?

 

Vamos dizer António, e escrever Antônio? Ou começamos a pronunciar quilômetro ou econômico para justificar o “chapeuzinho” nas legendas?

 

Eu não tenho nada contra esta linguagem. Mas esta linguagem pertence aos Brasileiros, não aos Portugueses.

 

E querem que acreditemos que a “língua” que andam a impingir nas escolas portuguesas às crianças portuguesas é a Portuguesa? A culta? A europeia?

 

E com isto não quero dizer que a linguagem brasileira, falada e escrita, é inculta. Mas não é a europeia.

Que balbúrdia é esta?

 

Os Brasileiros Cultos estão perplexos com esta subserviência de Portugal à ortografia brasileira, fazendo comentários tais como «os Portugueses nem sequer sabem cuidar do que é deles». Pois não sabem.

 

É vergonhoso o que se passa nos sites oficiais dos governantes portugueses, incluindo o do Presidente da República Portuguesa: cheios de erros ortográficos.

 

Dêem uma voltinha pelos sites dos países que têm relações diplomáticas com Portugal, e pasmem: está tudo escrito em Língua Portuguesa, culta e europeia.

 

Envergonho-me dos governantes do meu País, sem brio, sem patriotismo, sem dignidade, sem a mínima noção dos deveres para com a Nação, uns autênticos capatazes ao serviço de um país estrangeiro.

 

Tenham vergonha, deixem de ser servis, porque até aqueles que vós servis vos menosprezam pelo desamor que têm pelas coisas de Portugal.

 

Isabel A. Ferreira

  

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:53

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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2017

«AS VÍTIMAS E OS ALVOS DOS CONSPIRADORES DO AO/90 NÃO SOMOS NÓS: SÃO AS CRIANCINHAS QUE NÃO SABEM DEFENDER-SE»

 

Um texto de Miguel Esteves Cardoso, datado de 2015, infelizmente, ainda muito actual, porque nada foi feito no sentido de pôr fim ao linguicídio e ao crime de lesa-infância que está a ser cometido, impunemente, por governantes, professores e pais.

 

AO90.jpg

 

Origem da imagem -  http://pt.winkal.com/share/m/X9VO

 

É urgente que se comece a dizer às crianças portuguesas (que estão a começar a aprender a escrever) que estão a escrever à moda do Brasil, e tal ortografia nada tem a ver com Portugal e com as raízes europeias da Língua Materna delas.

 

A Língua das crianças portuguesas é a Língua Portuguesa, com todas as letras no seu devido lugar, como no Inglês, por exemplo, língua que muitas crianças portuguesas estão a prender nas escolas, como segunda Língua, e baralham-se tanto ao ponto de já terem questionado: «Por que em Inglês se escreve direCtor, aCtor, objeCt, aspeCt, inseCt, colleCtion, adoPt, affeCtion, colleCtive, dialeCt, direCt, correCt, inspeCtor (etc.) e em Português (aquele que lhes estão a impingir nas escolas portuguesas), se escreve diretor (dir’tor), ator (âtor), objeto (objêto), aspeto (aspêto), inseto (insêto), coleção (col’ção), adotar (adutar), afeto (afêto), coletivo (col’tivo), dialeto (dialêto), direto (dirêto), correto (corrêto), inspetor (insp’tor), (etc.)?

 

(O que está entre parêntesis é o modo de ler das crianças que aprendem Inglês, porque elas não são estúpidas, como querem que sejam).

 

A esta pergunta simples e lógica há que responder-lhes, como eu já respondi à minha neta: «Em Inglês escreve-se desse modo, porque os governantes ingleses sabem Inglês, respeitam e defendem a Língua Inglesa, e não se subjugam ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias; e em Português escreve-se e lê-se desse modo, porque os governantes portugueses não sabem Português, não respeitam, nem defendem a Língua Portuguesa e subjugam-se ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias».

 

As crianças portuguesas, ao contrário do que os governantes portugueses acham (porque se conseguissem pensar achariam outra coisa) não são estúpidas e compreendem perfeitamente o que está a passar-se, basta explicar-lhes, tintim por tintim, a questão das três linguagens aqui envolvidas: a Língua Inglesa, a Língua Portuguesa e a ortografia brasileira.

 

Foi o que já fiz em relação à minha neta. E ela, obviamente, porque não é estúpida, entendeu perfeitamente, e perguntou: «Então estamos a aprender a escrever errado?».

 

Eu - «Erradíssimo».

 

Ela - «E agora?»

 

E - «E agora? E agora, mais dia, menos dia, irás aprender a escrever usando a tua Língua Materna, correCtamente (e vinquei bem o C), porque num futuro próximo, quando fores mais crescida, não pretenderás escrever incorreCtamente a tua própria Língua, que é uma Língua europeia e culta, trocando-a por uma ortografia sul-americana, que nada tem a ver com a Europa; e escrever correCtamente a Língua dos Ingleses, que não é a tua Língua, e também é uma Língua europeia e culta».

 

Fez-se um certo silêncio.

 

Contei-lhe, então, a minha história: a de ter aprendido a ler e a escrever no Brasil, à moda do Brasil, ou seja, usando a ortografia que agora estão a obrigá-la a aprender na escola, embora ela não esteja no Brasil; mas eu, era lá que me encontrava, desde os dois anos, e não tive outra opção. Com oito anos regressei a Portugal, e tive de reaprender a ler e a escrever a minha Língua Materna; e mais duas vezes fui e vim, vim e fui, e mais duas vezes reaprendi e desaprendi a minha Língua, durante a infância, a adolescência e parte da juventude.

 

Mas quando se é criança aprende-se e desaprende-se tudo muito facilmente. Só quem não está atento ao desenvolvimento das crianças, só quem não sabe nada sobre crianças, é que não sabe disto, o que parece ser o caso dos governantes e dos acordistas.

 

Portanto, os pais ou avós que se interessem realmente pelas suas crianças, devem dizer-lhes que estão a aprender a escrever incorreCtamente a Língua Materna delas, mas deverão aprender a escrevê-la correCtamente, fora da escola (para não serem penalizadas) porque não seria justo saberem escrever a Língua Inglesa, com todas as letras que não se pronunciam (e são bastantes) e serem capazes disso; e não escreverem a Língua Portuguesa, com todas as letras que não se pronunciam, apenas porque um punhado de ignorantes as consideram mais estúpidas do que as crianças inglesas.

 

E isto não se faz.

 

As nossas crianças não merecem tamanha desconsideração.

 

Miguel Esteves Cardoso abordou esta problemática de um modo interessante, e só posso fazer minhas as suas palavras.

 

Isabel A. Ferreira

 

 **********************************************************************************

 

Texto de Miguel Esteves Cardoso  

 

O segundo acto

 

«Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

 

A jogada repugnante dos acordistas imperialistasignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

 

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se. Deseducando-as sistematicamente, conseguirão enganá-las facilmente. A ignorância é a inocência. Pensarão, a partir deste ano, que só existe aquela maneira de escrever a língua portuguesa.

 

Os adversários morrerão e predominará a inestética e estúpida ortografia de quem quis unir o "mundo lusófono" através de um Esperanto lusográfico que não tem uma única vontade colectiva ou raiz comum.

 

Como bilingue anglo-português, incito os jovens portugueses que falam bem inglês (quase todos) a falar português com a exactidão fonética, vinda do bom latim, da língua portuguesa. Eu digo "exacto" e "correcto" como digo "pacto" e "concreto". Digo "facto" como fact, tal como "pacto" como pact.

 

Falar como se escreve (ou escrevia) é um acto de rebeldia. Ler todas as letras é libertador. Compreender a raiz das palavras é conhecê-las e poder tratá-las por tu.

 

Às armas!

 

Miguel Esteves Cardoso»

 

Fonte:

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-segundo-acto-1696097?fb_ref=Default#/comments

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:36

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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

A INCOERÊNCIA DE UM GOVERNO QUE NÃO SABE O QUE FAZ E UMA FENPROF SUBSERVIENTE

 

FENPROF.jpg

Origem da foto:

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/fenprof-entrega-documento-reivindicativo-na-residencia-do-primeiro-ministro

 

Hoje, ouvi o ministro da Saúde dizer no telejornal que as vacinas não são obrigatórias, porque soa a ditadura (mais ou menos isto).

 

E então a obrigatoriedade nas escolas, da aplicação de uma ortografia mutilada, estrangeirada, inculta e idiota, que dá pelo nome de AO90, com a agravante da penalização para os alunos que escrevam correCtamente a sua Língua Materna, não soa a ditadura????

 

***

E a FENPROF (Federação Nacional de Professores)?

 

Quado lhes mexem nos bolsos ou nas carreiras, mexem-se eles nas ruas.

Agora, quando se trata de defender o instrumento maior do Ensino: a Língua Portuguesa, com que devem comunicar todos os saberes aos alunos, isso já não interessa.

 

Também, com um secretário-geral desta estrutura sindical a bandear-se para o lado dos predadores da Língua, tudo é possível!

 

Que vergonha de país!

Que vergonha de governantes!

Que vergonha de professores interesseiros!

Tudo isto é repugnante.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:02

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Terça-feira, 18 de Abril de 2017

ANTÓNIO BARRETO ESCREVEU SOBRE A ACTUAL COMUNICAÇÃO SOCIAL

 

 Um excelente texto, escrito em bom Português, para reflectirmos o actual estado do país, através da actual comunicação social (com dignas excepções), vendida ao poder político, numa total e vergonhosa vassalagem.

 

Informa-se apenas o que interessa aos governantes, aos políticos, aos partidos; fala-se incorrectamente, e legenda-se ainda pior, ou seja, na versão mais inculta da Língua Portuguesa.

 

Faço totalmente minhas, todas as palavras de António Barreto.

 

AntonioBarreto-2[1].jpg

 António Barreto (Sociólogo português)

(Origem da imagem: Internet)

 

É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática.

 

A preguiça é virtude. O tosco é arte.

 

A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

 

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não se sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense.

 

Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

 

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiza a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

 

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

 

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! 

 

Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. 

 

Arte? Um director-geral chega. Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

 

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. 

 

Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

 

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

 

A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!

 

Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.

 

Origem do texto:

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/antonio-barreto/interior/as-noticias-na-televisao-5407534.html

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:39

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Terça-feira, 4 de Abril de 2017

RELATÓRIO DA AUDIÇÃO DA ANPROPORT NO GRUPO DE TRABALHO DE AVALIAÇÃO DO IMPACTO DO AO90

 

Com fé e esperança no triunfo da lucidez dos governantes deste nosso país, vendido aos interesses dos estrangeiros.

 

É que a Língua Portuguesa não é matéria dos Ministérios da Educação ou da Cultura, como deveria ser, num país a sério.


A Língua Portuguesa, em Portugal,  é matéria do Ministério dos Negócios DOS Estrangeiros.


E isto não dirá tudo?

AO90.jpg

 

Origem da foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1331296350284032&set=gm.972341346202655&type=3&theater

 

Relatório da audição da ANPROPORT (Associação Nacional dos Professores de Portugueês) no Grupo de Trabalho de avaliação do impacto do AO90 (com Dra. Rosário Andorinha), 15 de Março de 2017:

 

"De entre os aspeCtos referidos, destacam-se:

- Aumento dos erros ortográficos ocorrido nos últimos anos fruto da aplicação do Acordo Ortográfico, questão muito preocupante para os docentes, pais e encarregados de educação e alunos;

- Gravidade da supressão das consoantes não articuladas;

- Ocorrência de problemas na aplicação do Acordo Ortográfico em diversos países;

- Com o Acordo Ortográfico 2691 palavras que se escreviam de forma diferente continuam a sê-lo; 569 palavras que se escreviam de forma diferente tornaram-se iguais; 1235 palavras que eram iguais tornaram-se diferentes; e 200 palavras que foram «inventadas»;

 

- Como cada país envolvido no Acordo Ortográfico tem a sua própria língua, não entende esta «tentativa» de uniformização. A este respeito as representantes da Associação adiantaram que até ao presente não foi feita qualquer uniformização ou harmonização e que há países que nem sequer ratificaram o Acordo Ortográfico (e provavelmente nunca irão fazer);

- Não é a ortografia que vai unificar a língua ou dispensar a existência de dois textos diferentes;

- O princípio fonético |"rectius", "critério da pronúncia"| é um erro e tende a criar divisões; não há princípios fonéticos em linguística no que respeita a grafia, a grafia é uma coisa e a fonética é outra;

- A Associação defende que não se pode nem deve branquear este processo, inquinado desde o seu início, sobretudo porque os pareceres solicitados, 27 dos quais contrários à implementação do Acordo Ortográfico, designadamente o do Ministério da Educação, foram logo de seguida «escondidos» e ignorados;

- A desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico não criará problemas entre os diversos países;

- Com este Acordo Ortográfico o prestígio da língua portuguesa em todo o mundo não será maior, o que só pode e deve ser alcançado com outro tipo de medidas;

 

- O português estava estabilizado há 65 anos, o que já não acontece agora;

 

- A língua portuguesa, como fenómeno cultural que é, não pode estar sujeita a jogos políticos.

 

Fonte:

http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684a53556c4d5a5763765130394e4c7a457951304e44536b517652315242535546425479394562324e31625756756447397a51574e3061585a705a47466b5a554e7662576c7a633246764c7a67304e5467325a6d49324c544d78595759744e47566a4e7931684f4441344c5755334d44497a4e6a5134597a4e685a5335775a47593d&fich=84586fb6-31af-4ec7-a808-e7023648c3ae.pdf&Inline=true

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:56

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Sexta-feira, 24 de Março de 2017

«NÃO HAVERIA DITADORES SE NÃO TIVESSEM QUEM OS SEGUISSE»

 

Todos sabem que Portugal vive uma ditadura fantasiada de democracia, ou melhor, vivem numa autocracia: o povo não é para ali chamado.

 

Se assim não fosse, os ditos governantes “democráticos” já se tinham dado conta de que os Portugueses, minimamente instruídos, e os outros também, rejeitam o AO90.

Os acordistas são os novos escravos dessa ditadura. Dessa autocracia.

 

Luí Filipe Pimentel Costa conduz-nos a uma reflexão pertinente.

 

12106855_712219155546422_7087361473229470563_n[1].

 

Origem da imagem:
https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645118928923112.1073741834.199515723483437/712219155546422/

 

 «O principal responsável é o homem bom e cumpridor das legalidades que denuncia o vizinho, levando a que seja torturado e eventualmente morto.

 

Os principais responsáveis são os soldados que vêm buscar o vizinho denunciado pelo delator.

O principal responsável é o sargento que interroga o vizinho denunciado.

O principal responsável é o cabo que tortura o vizinho denunciado, "apenas" cumprindo ordens.

São mais responsáveis que os generais sentados nas suas poltronas, apenas a cagar ordens.

 

Estes generais só são mais responsáveis que o ditador que, do alto do seu púlpito dança sobre a cabeça dos generais, sem os quais se despenharia e seria encerrado num manicómio.

 

Responsáveis são os professores que se dizem contra o anti ortográfico e todos os dias violentam os alunos, ensinando-os e obrigando-os a escrever errado.

 

Imagine-se todos estes professores ... dezenas? centenas? dezenas de centenas? Imagine-se todos estes professores a recusarem-se a violentar os alunos na sua cidadania…

 

Imagine-se TODOS estes professores a formarem uma associação que se manifeste nos meios de comunicação social, que se manifeste no ministério que deveria ser da cultura.

 

Terão os seus porquês, as suas justificações, mas o facto é que são responsáveis, dos principais responsáveis pela manutenção e propagação do porcalhês que segue o anti ortográfico de 1990.

 

Como os professores, também os encarregados de educação que se dizem contra o anti ortográfico de 1990. Imagine-se todos estes encarregados de educação, TODOS, a recusarem que os seus educandos sejam violentados na sua cidadania e obrigados a escrever errado.

 

Imagine-se TODOS estes encarregados de educação a OBRIGAREM, a EXIGIREM que os seus educandos, não sendo, como não são funcionários públicos, não sejam violentados na sua cidadania e OBRIGADOS a escrever ERRADO.

 

Mais me preocupa o silêncio dos bons que voltam a cabeça para o lado, do que as atrocidades dos maus.

 

O importante é reconhecermos os nossos erros. O importante é, reconhecendo os nossos erros, dispormo-nos e esforçarmo-nos por não os repetir. Importante também é transmitirmos aos outros o conhecimento dos nossos erros, numa tentativa de que os outros os não façam.

 

Afinal de contas, todos nós somos humanos, e como tal erramos. Se não errássemos seriamos deuses.»

(…)

Luís Filipe Pimentel Costa

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:01

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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