Segunda-feira, 27 de Abril de 2020

Respondendo à questão de um Professor do Ensino Secundário: «É obrigatório adoptar a ortografia estabelecida pelo AO90?» (Parte I)

 

(Porque em tempo de pandemia a Língua Portuguesa continua a ser atacada, também impiedosamente).

 

De um Professor (com maiúsculo, porque os há com minúsculo) do Ensino Secundário, recebi um e-mail onde, quase em desespero, declara que tem sido, consecutivamente, admoestado e ameaçado por escrever de acordo com a grafia portuguesa de 1945, que ainda está em vigor, porque o Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, alterado pelo Decreto-Lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro, que tornou obrigatória essa ortografia, em Portugal, de acordo com os juristas, livres e de elevado gabarito (e não feitos à pressão, seguidistas e servilistas), não foi revogado, e apenas uma Lei, e nada mais do que uma Lei, pode revogá-lo, além de o Acordo Ortográfico de 1990 não estar em vigor, em parte alguma, ser ilegal e inconstitucional, conforme mais adiante se verá.

Contudo,  os governantes e acordistas, pouco esclarecidos, apoiados num mero despacho (Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, que não faz lei) acham que sim.

Os Juristas, livres e de elevado gabarito, consideram que não.

E entre uns e outros, a quem devemos dar mais crédito: a quem sabe da matéria, e não tem segundas intenções, ou a quem nada sabe da matéria e tem segundas, terceiras e quartas intenções, na aplicação de um acordo, que resulta do maior desacordo jamais visto à face da Terra?

 

Livros AO90.png

 

 

Nestes livros (verdadeiras bíblias de quem escreve e quer estar a par da ilegalidade e inconstituconalidade do AO90) de leitura absolutamente obrigatória, está tudo o que há a saber sobre a Língua Portuguesa e o fraudulento AO90. O mal está em que nem políticos, nem professores são adeptos da leitura, se fossem, os primeiros já teriam chegado à conclusão de que o AO90 foi um monumental erro, daí que a atitude mais inteligente a tomar seja atirá-lo ao caixote do lixo, urgentemente; os segundos saberiam que não são obrigados a aceitar uma fraude, por não existir lei alguma que os obrigue a ser cúmplices de uma fraude.

 

O Coordenador de Grupo deste Professor (repare-se na construção frásica) diz-lhe que «todos os instrumentos de trabalho utilizados têm que estar no acordo ortográfico aprovado pelo estado português em 2009, situação que já lhe foi comunicada no inicio deste ano, e não está a cumprir…»

 

Vejamos: numa busca pela Internet, à pergunta é obrigatório adoptar a nova ortografia estabelecida pelo AO90 encontramos esta maravilha, no portal AP/Portugal – Tech Language Solutions, escrito em mixordês (uma vez que mistura o AO90, como a grafia portuguesa que corrijo entre parêntesis, para que não se julgue que o correCto é escrever “incurrêtâmente” a grafia que, em termos legais, não é obrigatória adoptar:

 

 «O novo Acordo Ortográfico não é obrigatório em termos legais, uma vez que ao utilizar a grafia antiga [antiga?] não se incorre num ato (aCto) ilegal, à exceção (excePção) do que acontece com os documentos oficiais, que terão de obedecer às regras da nova ortografia. No entanto, visto que a nova ortografia está a ser implementada como única forma correta (correCta) na comunicação social e no ensino escolar, a sua aprendizagem e aplicação serão meios para uma melhor compreensão de documentos e comunicação de informação [?] mesmo a nível profissional, visto que a ortografia antiga [antiga?] vai ser considerada errada (ou seja, a correCta grafia portuguesa de 1945, que está em vigor, é que vai ser considerada errada?).  

 

Para ajudar na adaptação às novas regras há um período de transição de seis anos, que começou em Janeiro de 2009 e termina em 2015, onde a ortografia antiga [?] ainda é aceitável, mas já circulam textos e documentos com a nova grafia, o que facilita a familiarização com as alterações do novo Acordo Ortográfico.»

 Vide:  https://www.apportugal.com/novo-acordo-ortografico/perguntas-frequentes/

 

Esmiuçando o que acabámos de ler: o AO90 não é obrigatório em termos legais, porque é uma fraude, e não existe lei alguma que a tal obrigue. À excePção dos documentos oficiais.

 

Porém (e aqui é que se fez jogo sujo para tornear a fraude e conseguir o desejado, ou seja, disseminar a ortografia fraudulenta, porque uma vez disseminada, [acham os acordistas] já não poderá voltar-se atrás [como se enganam!]), tratou-se de a disseminar apressadamente na comunicação social (cúmplice deste jogo) e no ensino escolar como única forma “currêtâ”, acenando aos professores com um despacho ministerial, como se este tivesse valor de Lei. E os mais incautos acreditaram. Os mais informados e conscientes do absurdo da aplicação de uma grafia incoerente, assente numa manifesta ignorância, questionaram-se, rebelaram-se, recusaram-se a escrever e alguns (sei eu) a ensinarem tão “incurrêta” grafia, completamente desenraizada da origem greco-latina da nossa bela Língua.     

 

Por conseguinte, tendo em conta que:

 

lei: é um preceito ou regra estabelecida por direito;

resolução: é uma decisão; desígnio; deliberação; propósito;

despacho: é uma resolução de autoridade superior sobre pretensões…

 

pode afirmar-se que a Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 constituiu um mero despacho sobre a pretensão de impor, de forçar os Portugueses, nomeadamente os organismos públicos e escolas, áreas onde impera uma subserviência assente no medo de represálias, despedimentos e processos disciplinares (e a isto chama-se chantagem e acto ditatorial), a aplicar uma ortografia deturpada que nada tem a ver com a Língua Portuguesa.  

 

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011-2012 e, a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República.

Vide: https://dre.pt/pesquisa/-/search/280944/details/maximized

 

Nas escolas, não se trata de determinar o uso ou o não-uso de roupa interior, no interior do recinto escolar. Trata-se de determinar a aplicação de uma grafia deturpada, e isso nem por decreto presidencial seria aceitável, quanto mais por mero despacho ministerial! Desobedecer a uma tal determinação não pode ser taxado como crime, sendo a Língua o pilar da Cultura e da Identidade de um Povo. Qualquer cidadão tem o dever de rejeitar esta imposição.

 

Determinar significa decidir, ordenar. Não significa decretar como o enunciado no Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945: «Usando da faculdade conferida pelo n.º 3.° do artigo 109.° da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo o seguinte (…) Paços do Governo da República, 8 de Dezembro de 1945. — ANTÓNIO ÓSCAR DE FRAGOSO CARMONA — António de Oliveira Salazar — José Caeiro da Mata.

Neste link encontram o texto deste decreto:

http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog45_73.pdf

 

Daqui se depreende que algo só se torna obrigatório, através de um decreto assinado por um Presidente da República. Estou errada?

 

Existe o Decreto do Presidente da República nº 43/91, de 23 de Agosto, assinado em 4 de Agosto de 1991, pelo Presidente da República Mário Soares,  em que ele decreta que o Acordo Ortográfico de 1990 fica ratificado…

 

Vide: https://dre.pt/application/dir/pdf1s/1991/08/193A00/43704388.pdf

 

Disse-nos o já falecido Embaixador Carlos Fernandes, Professor de Direitos Internacionais (Privado e Público): 

 

«Como todos os iniciados em Direito sabem, a nossa Constituição impõe que se legisle, exclusivamente, por lei ou decreto-lei, no continente (v. artigo 112.º, números 1 e 5). Isto diz-nos que não se pode legislar por resoluções, sejam do Governo, da Assembleia da República ou do Presidente da República. Mas foi o que, inconstitucionalmente, o Governo de José Sócrates fez, legislando, através da RCM n.º 8/2011, para impor, nos domínios governamentais (que não no Estado português), o AO/90, com vocabulário ortográfico, não comum, que o próprio Governo mandara elaborar (isto, mesmo se fosse legal, só vincularia o Governo, não o Estado português, sendo necessário fazer notar esta diferença essencial, porque o público, em geral, não a conhece).

 

Vide:

https://www.publico.pt/2016/03/01/culturaipsilon/opiniao/o-presidente-da-republica-e-o-acordo-ortografico-de-1990-1724879

 

Qual a Lei ou Decreto-lei que decretou a obrigação de os Portugueses, incluindo os Professores, nomeadamente os de Português, que é os que têm mais responsabilidade na propagação da mixórdia ortográfica entre os alunos, aplicarem o deturpado AO90 que, conforme escreveu o  Embaixador Carlos Fernandes, num artigo publicado em 2016, no Jornal Público, na sua qualidade de Professor de Direitos Internacionais (Público e Privado)  «O AO /90, que não está, de jure, em vigor em Estado nenhum dos seus sete signatários, é, a meu ver, um aborto ortográfico, e, como tal, de deitar ao lixo o mais depressa possível, já que é evidente que está provocando, efectivamente, o caos linguístico em Portugal, sendo de observar que o Português, agora, já não é só de Portugal e do Brasil, mas também de mais sete Estados soberanos que o adoptaram como língua oficial. É, por isso, de esperar que o novo Presidente da República, [Marcelo Rebelo de Sousa] muito abalizado e ilustre constitucionalista, agora (depois da posse), garante da constitucionalidade da acção governativa, suspenda, imediatamente, a aplicação abstrusa do abstruso AO/90 nos Serviços presidenciais.»

 

Vide:

https://www.publico.pt/2016/03/01/culturaipsilon/opiniao/o-presidente-da-republica-e-o-acordo-ortografico-de-1990-1724879

 

Pois como veio a verificar-se, Marcelo Rebelo de Sousa não só não suspendeu coisa nenhuma, em nome da constitucionalidade, nem em nome do senso comum, nem sequer em nome da racionalidade, como vergonhosamente assina decretos escritos em mixordês, misturando uma grafia inventada pela loucura do que não se lê, não se escreve, (ex.: exceto) com a grafia de uma ex-colónia portuguesa (ex.: excePto ou objeto) e ainda com a grafia portuguesa (em vigor) (ex.: acção). Ele, que é o Presidente da República Portuguesa. Tenho dúvidas se Marcelo não será o PR também do Brasil, por afinidade. Não foi ele que considerou Jair Bolsonaro um irmão?

 

Na segunda parte deste texto, demonstrar-se-á por que não é obrigatória a aplicação do AO90, e ninguém pode ser penalizado (ainda que seja ameaçado com represálias, tribunais, despedimentos, processos disciplinares), porque se um Professor quiser abrir um processo contra quem o obrigar a ensinar ou a escrever segundo a cartilha brasileira, esse alguém terá de apresentar a Lei pela qual se rege, para exigir a aplicação abstrusa do abstruso AO/90. Porque a justificação chapa cinco, que o MNE anda por aí a divulgar, não tem fundamento jurídico.

 

Isabel A. Ferreira

 

***

Clicar no link para ver a Parte II:

Respondendo à questão de um Professor do Ensino Secundário: «É obrigatório adoptar a ortografia estabelecida pelo AO90?» (Parte II)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:46

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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020

Rui Rio no fecho do 38º Congresso do PSD em Viana do Castelo: «É preciso aumentar os níveis de exigência na Educação»

 

Concordadíssimo, Dr. Rui Rio. A Educação e o Ensino em Portugal andam de rastos. Mais rasteiros não podiam andar. É urgente elevar o nível, ou condenaremos a próxima geração à condição de analfabetos funcionais. Até porque já existe uma geração intermédia, entre a minha e a actual, que é completamente analfabeta funcional. Uma autêntica desgraça! E nós não temos o direito de condenar a próxima geração, ao mesmo destino obscuro, apenas porque políticos desabilitados assim o querem.

 

RUI RIO.png

 

Contudo, se de facto o Dr. Rui Rio pretende que os níveis de exigência na Educação aumentem, tem, com a autoridade que lhe é outorgada, de exigir a extinção do Acordo Ortográfico de 1990, que introduziu em Portugal a grafia brasileira (algo que só diz respeito ao Brasil), aplicada ilegalmente nas Escolas e instituições do Estado, ilegalidade essa que se apressaram a estender ao País, e pugne por mandar repor, já no próximo ano lectivo, a Língua Portuguesa na sua matriz indo-europeia, uma vez que é inconcebível e desprovido de todo o bom senso e senso comum, que um mero despacho ministerial, sem valor de Lei, desrespeite o nosso Património Imaterial – a Língua Portuguesa - e obrigue as nossas crianças, em idade escolar, a grafar a Língua Materna delas à moda brasileira, e isto baseado na proposta de uns poucos desalumiados, entre os quais se encontram o linguista, destruidor-mor da nossa Língua, Dr. Malaca Casteleiro (falecido ontem - paz à sua alma) e governantes e ex-governantes e políticos sem o mínimo conhecimento e sem a mínima habilitação, para condenarem à morte a Língua Portuguesa, que nos identifica como Nação, livre e independente.

 

Porque não há Educação sem uma Linguagem Escrita (mas também oral) escorreita.

Até  porque uma Educação de qualidade é incompatível com o AO90.

 

Porque é a Linguagem Escrita que fixa o Pensamento, as Memórias, a Criação Literária, os Factos que fazem a História e o Saber de um Povo, e se o que se escreve fica registado "incorrêtamente", isto significa apenas que o Povo que, desse modo danoso, fixou o seu Pensamento, as suas Memórias, a sua Criação Literária, os Factos que fizeram a sua História e o seu Saber, não passa de um povo apedeuta e decadente.

 

E nós, que somos seres pensantes e portugueses, não podemos permitir que o Povo Português caminhe para o Futuro como um povo apedeuta e decadente.

 

Por isso, continuamos a lutar pela Língua Portuguesa, pertencente à grande Família Linguística Indo-Europeia.  Nada temos a ver com a América do Sul.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:55

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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020

Não haverá por aí um “AO90 Leaks” por desvendar?

 

Todos sabemos que as fraudes que envolvem o AO90 são mais que muitas. E muitos são os que as têm denunciado, através de vários meios.

Apenas os cegos mentais não querem ver.

 

AO90 Leaks.png

 

Porém, os nossos políticos continuam a brincar às avestruzes, escondendo as cabeças na areia, para não verem a asneirice que cometeram quando aceitaram trocar a grafia portuguesa, pela grafia brasileira, acrescentando-lhe uns idiotismos tais que a transformaram numa inconcebível salgalhada ortográfica, demonstrativa de uma desmesurada ignorância que envergonha um país que foi de cavalo para burro, na questão do seu Idioma, porque o complexo de inferioridade que atacou os políticos, e o desejo desenfreado de alguns para encher os bolsos, ainda que à custa da destruição da Língua Portuguesa, falaram mais alto.

 

Não haverá por aí um “AO90 Leaks” por desvendar? É que, pelo que se vê, em Portugal, os casos mais bicudos só se tornam públicos, usando métodos mais ousados, porque as autoridades, que deviam ser competentes, na investigação das fraudes e dos crimes financeiros (entre outros) que se cometem, a rodos, em Portugal, e são visíveis a olho nu, não estão nem aí, para os investigar, por vias consideradas normais.

 

Porquê? Não será uma pergunta justa?

 

Então não é imperioso que haja quem ouse desmascarar, ainda que seja por portas travessas, os que, em nome de uma monumental parvoíce, nos atiraram com o AO90 à cara, transformando Portugal na mais vergonhosa cloaca linguística da Europa, quiçá, do mundo e arredores?

 

Não será imperioso que se mexa cordelinhos, pauzinhos e outros instrumentinhos, para que os predadores da Língua Portuguesa sejam levados à barra dos tribunais? Isto, obviamente, contando que haja justiça independente em Portugal. 


Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:45

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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2019

Um comunicado “chapa cinco” concebido por e para mentes não-pensantes, acerca da aplicação do AO90, que todos sabemos ser uma fraude

 

É absolutamente inacreditável o que está a passar-se em Portugal no que respeita à aplicação do AO90.

 

E quando um de nós se dá ao trabalho de chamar a atenção dos organismos estatais ou dos órgãos de comunicação social ou de entidades ligadas ao governo português, ou de empresas privadas e outros, para a desobrigaçãoda aplicação do AO90, que pugna pela grafia brasileira, portanto, uma grafia estrangeira que nada tem a ver connosco, levamos com um comunicado chapa cinco, nitidamente concebido por e para mentesnão-pensantes, que alguém muito interessado em servir o estrangeiro, mais do que servir Portugal, se encarregou de espalhar por todos os cantos e esquinas, como se fosse uma ORDEM baseada numa LEI

 

E se esse comunicado chapa cinco determinasse que os Portugueses se afogassem todos no mar, para desafogarem o Planeta dos muitos que o esmagam com a sua idiotice, esses, que se apressaram a aplicar o AO90 cegamente, ao que parece, atiravam-se ao mar sem a mínima contestação.

 

O-governo-não-quer-uma-população-capaz-de-fazer

George Carlin (n. 12/Maio/1937 - f. 22/Junho/2008) foi um humorista, comediante de stand-up, actor e autor norte-americano, vencedor de cinco Grammys.

 

Eis o comunicado chapa cinco que todos os que aplicam ilegalmente o AO90, em Portugal, nos enviam, a julgar que somos todos muitos parvos:

 

«Relativamente à grafia usada nos meios de comunicação (…) informamos que a resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa à grafia dos atos, decisões, normas, orientações, documentos, edições, publicações, bens culturais ou quaisquer textos e comunicações produzidos pelo Governo e pela Administração Pública, a partir de 1 de janeiro de 2012.

 

"A presente resolução do Conselho de Ministros determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano letivo de 2011-2012 e, a partir de 1 de janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República." in Diário da República, 1.ª série — N.º 17 — 25 de janeiro de 2011».

 

Isto é o que costumamos receber das entidades, que se dizem competentes, e dos que aplicam o AO90 cegamente, baseados numa RCM, que não tem validade de Lei.

 

Como podemos verificar, dizem que a RCM determina a aplicação do AO90 no sistema educativo (mais para o deseducativo), ao governo, e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do governo.

 

Ora vamos lá a ver: sendo assim, podemos concluir que os órgãos de comunicação social, os anunciantes, as empresas privadas, alguns escritores, alguns tradutores enfim, todos os que aplicam o AO90 são entidades na dependência do governo. Certo?

 

E mais:

 

O Poder Judiciário, em Portugal, é INDEPENDENTE do Poder Executivo e do Poder Legislativo, por conseguinte, o Poder Judiciário não deveria ter aplicado a RCM 8/2011. A Procuradoria Geral da República, o Ministério Público, os Tribunais não são abrangidos pela RCM 8/2011.

 

Pois excelentíssimos acordistas,

 

Todos nós, que somos desacordistas, sabemos que a resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 DETERMINA a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, NÃO OBRIGA à aplicação do pseudo-Acordo Ortográfico de 1990, porque essa resolução NÃO FAZ LEI.

 

E por Lei, nenhum Português, ou mesmo instituições públicas, professores, serviços, organismos e entidades na dependência do governo, e muito menos a comunicação social e empresas privadas SÃO OBRIGADOS a aplicar uma ortografia ILEGAL, estrangeira, decalcada da grafia brasileira, a qual desvirtua a Língua Portuguesa, a língua oficial de Portugal, a da reforma ortográfica de 1945, que, essa sim, continua em vigor. (Já cansa repetir isto, mas quando se está a falar para bonecos, é preciso insistir).

 

As resoluções do conselho de ministros são apenas deliberações. Não são leis. E ninguém, em Portugal, incluindo os organismos estatais ou dependentes do Estado, podem ser penalizados por se recusarem a não aplicar o ilegal AO90.

 

Só uma LEI OBRIGARIA a essa aplicação. E essa lei NÃO EXISTE.

 

O que existe é o Decreto-Lei n.º 35.228, de 8 de Dezembro de 1945, em vigor desde 1 de Janeiro de 1946, e que NÃO FOI REVOGADO. E é esta lei que obriga à NÃO APLICAÇÃO do AO90, em território português.

 

Além disso, o Estado português está a violar a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO de 17 de Outubro de 2003, artigos 2 (a)   11 (a e (b) 12º, 13º, 17 e 19ª /2, e da qual Portugal é Estado-Membro; a Constituição da República Portuguesa e a Convenção de Viena de 23 de Maio de 1969 (inter-alia, artigos 9º , 14 , 17 e 24) ; e a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 10 de Agosto de 1945, aprovada pelo Decreto-Lei Nº 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, em vigor, em Portugal, desde 1 de Janeiro de 1946 até aos dias de hoje, e que foi denunciada unilateralmente pelo Brasil.

 

Em Portugal, quem aplica o AO90 ou está muito desinformado, ou é subserviente ao Poder, ou comodista, ou acomodado, ou outra coisa pior, ou é ignorante por opção (a maioria), uma vez que existe muita informação à qual faz orelhas moucas.

 

Em Portugal ninguém é OBRIGADO a aplicar o AO90, por este ser ilegal e inconstitucional e uma grande fraude, e não existir Lei que a tal obrigue. E é lamentável que organismos do Estado, incluindo o governo e a presidência da República e principalmente os professores estejam a cometer esta ilegalidade e inconstitucionalidade, e não defendam o Património Cultural Imaterial Identitário de Portugal, e as normas da Convenção de 2003, da UNESCO, para a defesa das Línguas Nacionais, e não anulem de imediato o AO90, que apenas os subservientes portugueses aplicam. Nenhum outro país o aplica, incluindo o Brasil, que é o maior interessado nesta que é já considerada a maior fraude de todos os tempos.

 

Portanto, peço desculpa, mas a justificação implícita no comunicado chapa cinco, que nos é reiteradamente enviado, é completamente descabida, para não dizer coisa pior.

 

Ninguém em Portugal é obrigado a grafar à brasileira. Ponto. E ainda que fosse, era caso para desobediência civil, porque nenhum país que se preze, troca a sua grafia por uma grafia estrangeira, ainda por cima, mutilada.

 

E é lamentável que, nomeadamente os governantes e fundamentalmente os professores de Português estejam a dar tão mau exemplo ao País, e a enganar as crianças, o principal alvo deste linguicídio.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:00

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Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2019

Li no “Público”: António Costa questionou: “Como é possível ainda ninguém ter sido julgado no caso BES?”- nós perguntamos: «Como é possível ainda ninguém ter sido julgado no caso das fraudes do Acordo Ortográfico de 1990»

 

Será pelos mesmos motivos? Ou por outros, ainda mais obscuros?

 

O AO90 lançou o caos ortográfico em Portugal, e descaracterizou a Língua Materna dos Portugueses, deixando-nos sem Língua que nos identifique como Nação Portuguesa.


Grafa-se por aí à brasileira, à balda, uma mixórdia ortográfica sem precedentes, denunciam-se as fraudes, e é como se nada estivesse a acontecer.

 

Isto é grave. Isto é gravíssimo, num Estado que se diz de Direito.

 

Portugal foi assaltado pela grafia brasileira, e a justificação para isto, a tal dos milhões de falantes e escreventes sul-americanos, é absolutamente patética!  Repetimos: jamais nenhum país ex-colonizador, trocou a própria grafia pela do ex-colonizado. Isto só poderia ter acontecido num país como o nosso, onde o complexo de pequenez avassala os que nos governam.

Vamos recordar o que nos diz Octávio dos Santos, no demolidor texto «Descolonização ortográfica, já!» que reduz a zero o AO90.



E nesta quadra natalícia, não desejaremos BOAS FESTAS aos que nos desgovernam.

 

Nesta quadra natalícia optamos por desejar que o Menino Jesus encha de LUZ as mentes ofuscadas pelo obscurantismo.

Isabel A. Ferreira

 

 

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Texto de Octávio dos Santos

Publicado no Jornal Público

 

«Descolonização ortográfica, já!

 

Como é que pessoas e instituições aparentemente sensatas aceitam participar nesta patética e degradante farsa, à qual não estão obrigadas? (Octávio dos Santos)

 

publico.pt, 16.04.19

 

Não deveria ser necessário, por se referir a algo evidente a quem é minimamente atento, honesto e inteligente, mas mesmo assim deixo um aviso aos “acordistas”, quer activos, por convicção (poucos, fanáticos, pervertidos), quer passivos, por capitulação (muitos, cobardes, preguiçosos): a (efectiva, plena) unificação ortográfica transcontinental “lusófona” nunca será concretizada.

 

Tal devemos agradecer principalmente a africanos (mas também a asiáticos, aos timorenses): Guiné-Bissau, Angola e Moçambique ainda não ratificaram, passados todos estes anos, o AO90 – aliás, a Academia Angolana de Letras, em Outubro de 2018, pronunciou-se formalmente contra a ratificação; e em Cabo Verde, que a fez, parece porém estar cada vez mais próxima (Abraão Vicente, ministro da Cultura do governo da Cidade da Praia, confirmou-o em entrevista concedida em Fevereiro último) a institucionalização do crioulo como idioma nacional – o que significará que aquele arquipélago deixará de ser, de facto, um país de língua oficial portuguesa, seja lá o que esta for actualmente. Portanto, e uma vez mais, em África luta-se pela descolonização; nisto deveriam reflectir muito seriamente todos os alegados “antifascistas” que se preparam para celebrar neste mês os 45 anos do 25 de Abril com “a” minúsculo.

 

Agora há que saber se em Portugal se vai acabar com a experiência catastrófica, não utópica mas sim distópica, de uma “novilíngua” que viola a etimologia europeia predominante em todas as nações civilizadas do Mundo e que resultou da “adoção” ilegal e reforçada, deste lado do Atlântico e isolando-nos daquelas, de uma subversão terceiro-mundista executada por uma ditadura brasileira da década de 40 do século passado decidida a diminuir os laços com o Velho Continente, e em especial com a nação ex-colonizadora de que muitos brasileiros se envergonha(va)m – para o comprovar basta recordar certas reacções ao incêndio que destruiu o Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, em Setembro de 2018. Os portugueses, e, mais concretamente, os seus supostos representantes que têm assentos (mas que dispensam acentos) no hemiciclo par(a)lamentar, poderão ter ainda em 2019 uma nova oportunidade de terminar esta traição, esta auto-sabotagem da cultura, identidade e honra nacionais, se e quando for apresentada e votada a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, cujos responsáveis anunciaram em Janeiro último terem alcançado finalmente (o número mínimo de) 20 mil assinaturas necessárias e isso o comunicaram à Divisão de Apoio ao Plenário da Assembleia da República, neste  momento aguardando o agendamento. Infeliz e vergonhosamente, sabe-se o que aconteceu na anterior oportunidade, ocorrida a 22 de Fevereiro de 2018: a proposta de desvinculação do “Acordo Ortográfico de 1990” defendida naquela data pelo PCP foi rejeitada por BE, PS, PSD e CDS, com as excepções, expressas em apoio ou abstenção, de oito deputados (um do PAN, uma socialista, um social-democrata e cinco centristas). Este quase consenso, da esquerda à “direita”, na continuação da destruição de uma componente fundamental do património nacional é apenas mais um motivo (outros, igualmente relevantes, existem) que justifica uma mudança de regime neste país, com a consequente exclusão (e, em alguns casos, detenção) dos “políticos” que manifestamente não sabem, não querem e/ou não conseguem defender o autêntico interesse público.

 

Já se sabia que a “ortografia” do AO90 é a do abuso, da arrogância. E desde que José Sócrates e Lula da Silva, principais culpados da exumação e da reanimação do “cadáver acordizador”, foram acusados judicialmente e mandados para a prisão, passou a ser igualmente a da corrupção, do crime. Pelo que todos os que aceitam “escrever” dessa maneira são cúmplices dessa corrupção, desse crime. Cada vez mais o “aborto pornortográfico” se assemelha a uma doença altamente “contagiosa”, cujo sintoma mais visível é a incapacidade dos que se submetem ao dito cujo se aperceberem do ridículo em que caem. Um exemplo (verdadeiro) entre vários possíveis: quem escreve “proveta referindo-se a “provecta” não pode estar num estado normal, minimamente saudável; e o mesmo se aplica a outras aberrações como “afetar”,detetar”, “espetáculo”, “fatura” oureceção. Isto para não falar daqueles que estão já em situação “terminal” e escrevemapocalise”, “abruto” ou “corruto. Como é que pessoas e instituições (públicas e privadas, empresas, e não só editoras) aparentemente sensatas aceitam participar nesta patética e degradante farsa, à qual não estão obrigadas? É na verdade espantoso como há tantas prontas a obedecer a “normas” absurdas e anormais só porque são impostas “de cima”. Compreende-se hoje ainda melhor por que é que Portugal aguentou quase 50 anos de ditadura.

 

Octávio dos Santos

 

Fonte:

https://cedilha.net/ap53/2019/04/descolonizacao-ortografica-ja-octavio-dos-santos-publico-16-04-19/?fbclid=IwAR03nl8FrgR0i4hpeZUbpEZ0t6g0__vRqj7WQ4T3yjDd-UxS83VIN0qMF0o

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:08

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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019

«Movimento pela Língua Brasileira»

 

Não estranhei absolutamente nada quando li a frase supracitada, no “assunto”, de um e-mail que me foi dirigido por Sérgio Lopes. Apenas fiquei muito curiosa, obviamente.  


E se há por aí alguns Portugueses e Brasileiros que, por uma conveniência mais política do que linguística, não aceitam a existência de um Movimento pela Língua Brasileira, outros há que, muito pela calada, se movimentam no sentido de elevarem o mal denominado “Português do Brasil” a Língua Brasileira.

 

E eu, como conhecedora da cultura brasileira, dos desígnios brasileiros, da política brasileira, e principalmente do imo brasileiro, só tenho a dizer força, Brasil!

 

O que se escreve e fala no Brasil é, de facto, uma nova língua, derivada da Língua Portuguesa. Não sei por que existe tanta resistência, em Portugal, a admitir tal facto, quando, no Brasil, falar de Língua Brasileira já é uma realidade.

 

O que se segue é a troca de e-mails entre mim e o Sérgio Lopes (com o seu consentimento), acerca deste facto, que os menos esclarecidos se recusam a aceitar como verdadeiros.

 

portugal brasileiro 1.png

 

Nos tempos que correm (e espera-se que por pouco tempo) Portugal é uma extensão do Brasil, no que à Língua diz respeito (ou não pugnasse o AO90 pela grafia brasileira), até porque, na Internet, a bandeira portuguesa foi substituída pela bandeira brasileira, para designar o Português que, obviamente, não é português.

 

Escreveu Sérgio Lopes:

 

Ouso enviar-lhe estes links na eventualidade de os não conhecer.
Gosto das suas intervenções.
Saudações

 

A hora e a vez do português brasileiro

http://museudalinguaportuguesa.org.br/wp-content/uploads/2017/09/A-hora-e-a-vez-do-portugues-brasileiro.pdf

 

Afinal, existe 'língua brasileira'?

http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/post/afinal-existe-lingua-brasileira.html
 

A LÍNGUA BRASILEIRA


Excerto: Embora no início do século XIX muito se tenha falado da língua brasileira, como a Constituição não foi votada, mas outorgada por D. Pedro, em 1823, decidiu-se que a língua que falamos é a língua portuguesa. E os efeitos desse jogo político, que nos acompanha desde a aurora do Brasil, nos faz oscilar sempre entre uma língua outorgada, legado de Portugal, intocável, e uma língua nossa, que falamos em nosso dia-a-dia, a língua brasileira. É assim que distingo entre língua fluida (o brasileiro) e a língua imaginária (o português), cuja tensão não pára de produzir os seus efeitos.

https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/22/a-lingua-brasileira-2/

 

Sérgio Lopes

 

***

 

A minha resposta foi a seguinte:

 

Caro Sérgio Lopes,

 

Agradeço a sua mensagem e a sua gentileza, e os links que me enviou.

 

Os dois primeiros eu não conhecia.

 

O último, o da Eni P. Orlandi, conhecia, e já o publiquei no meu Blogue, faz algum tempo.

 

Para falar da “Língua Brasileira”, sou uma privilegiada, pois frequentei escolas brasileiras desde a primária à universidade, intercalando com a frequência em escolas portuguesas, também desde a primária à universidade. E o que tenho a dizer sobre isto, é que a Língua que se fala e escreve no Brasil é a Língua Brasileira, (com toda a justiça) e não a Portuguesa.

 

Estou com os brasileiros que pugnam pela Língua Brasileira, e defendo-a com a mesma garra com que defendo a minha Língua Portuguesa.

 

Não estou com os brasileiros quando eles dizem que o Português é a língua mais horrorosa do mundo, porque não é. É uma das línguas mais ricas e belas do mundo, de acordo com os estudiosos das línguas indo-europeias. Só os que nada sabem desta língua podem dizer tal disparate.

 

Também não estou com os brasileiros, na questão da imposição da grafia brasileira aos restantes países lusógrafos, com a invenção do pseudo-AO90, que não passa da maior fraude de todos os tempos.

 

De todos os países que herdaram a Língua Portuguesa e a têm como língua oficial, apenas o Brasil a deturpou, a mutilou, e dela se afastou substancialmente, americanizando-a, afrancesando-a, castelhanizando-a, italianizando-a, para não falar na introdução dos milhares de vocábulos indígenas e africanos (que aliás só a enriqueceram sobremaneira) e tudo isto confere-lhe o estatuto de uma nova língua, oriunda da Portuguesa, mas que já não é portuguesa.

 

Conheço as duas línguas como as palmas das minhas mãos. E, na realidade, são duas línguas diferentes.

 

Irei ler com mais atenção os textos que enviou, porque já vi que tenho ali muito pano para mangas, e não só, visando elaborar um texto para o Blogue.

 

Os meus agradecimentos e as minhas saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

***

 

Do que li nos textos enviados pelo Sérgio Lopes, tudo espremidinho, dá o seguinte:  existe um grande equívoco por parte dos brasileiros (e também dos acordistas portugueses) quando metem a Língua Portuguesa no saco das Variantes. E a Língua Portuguesa não é uma variante (ando sempre a repetir isto). A Língua Portuguesa é a ORIGEM das variantes, assim como o Latim não era uma variante entre os diversos dialectos (em que o galaico-português se incluía) que do Latim se originaram. O Latim era a ORIGEM. E a Língua Portuguesa, logo que se implantou como Língua, também é a Origem. Não uma variante.


E é esse grande equívoco que leva a que Portugal, um país que já foi livre, esteja actualmente dominado pela variante brasileira (ou dialecto, vai tudo dar ao mesmo), tendo perdido a sua identidade portuguesa, apenas porque os governantes portugueses, neles incluído o presidente da República, ou sofrem de um gigantesco complexo de pequenez, e acham que se se colarem ao Brasil ficam gigantes, ou andam a mando de alguma força oculta.

 

E como eu, e muitos como eu, gostaríamos de estar enganados, quando dizemos que a Língua Brasileira nunca esteve tão perto de ser implantada, e a Língua Portuguesa de desaparecer!!!!

 

***

Entretanto, enviei este outro e-mail ao Sérgio:

 

Caro Sérgio Lopes,

 

Agradeço o seu e-mail, com o qual não podia estar mais de acordo. Tão de acordo que quero pedir-lhe permissão para integrar as partes que dizem respeito ao Brasil, à Língua, ao AO90, aos indígenas, num texto acerca desta matéria.

 

Eu não sou perita em Ciências da Linguagem, apenas tenho a Língua Portuguesa como o meu mais precioso instrumento de trabalho, já leccionei Português, e aprofundei o meu conhecimento da Língua, nessa altura, em Portugal, e conheço a riqueza da Língua Brasileira, para a considerar uma outra língua. Apenas isso. 

 

Quanto aos neo-brasileiros estou completamente de acordo consigo, que também andou por lá, e sabe como é. Sempre defendi que os verdadeiros “donos” do Brasil são os indígenas, e não o povo que veio depois de os Portugueses terem achado as terras de Vera Cruz, e que nada fez para engrandecer o Brasil depois da independência.

 

Um destes dias enviaram-me um texto incrível que pode ver aqui:

 

https://www.imub.org/fraudes-montadas-sobre-o-tema-o-brasil-colonia/?fbclid=IwAR0HiTx4cN2k52dq_sARybjf5vEjXN5G7Kelf-71w66AFVOo7ecgoRdMJk8

 

o que me levou a deixar lá um comentário, que não foi aprovado, e está-se mesmo a ver porquê. E o comentário dizia o seguinte:

 

O que não se inventa para deturpar a História comum do Brasil e Portugal, tentando com isso atenuar o gigantesco complexo de colonizado, entranhado em alguns "brasileiros" (?), que não aceitam o seu passado. Todos os países, de uma forma ou de outra foram colonizados. Portugal foi colonizado por vários povos. De todos eles recebeu benefícios, e todos eles fazem parte da História de Portugal. Complexo para quê? Porquê?

 

É de realçar que, de todos os países colonizadores (Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Holanda - algo que pertence a uma época específica, tal como a pré-história é pré-histórica) Portugal foi o menos bárbaro e o que mais legado cultural deixou. Não extinguiu nenhuma civilização autóctone, e foi também o menos racista e xenófobo.

 

Não vejo qualquer motivo, para andar a escarafunchar historietas, para justificar um passado que na realidade não existiu, ou seja, o de que o Brasil não foi colónia.

 

Melhor fariam atirar o complexo de colonizado a um abismo, e tentar construir um grande país, que desde 1822 é livre, e ainda não encontrou o seu rumo.

 

Cortem o cordão umbilical que ainda liga o Brasil ao colonizador, como todos os povos colonizados fizeram, e deixem o passado no lugar dele. Vivam o presente e construam o futuro, como um povo livre. Até ao momento, e desde 1822, os Brasileiros são escravos do seu passado português. Libertem-se, de uma vez por todas. A começar pela Língua. Assumam que ela é a Língua Brasileira, porque ela é, e vivam a vossa vida brasileira, porque nós por cá, queremos viver a nossa vida portuguesa, sem colonizados agarrados ao nosso pé. O tempo da colonização acabou. Pertence ao passado, que ninguém pode mudar ou apagar.

 

Digo isto com amizade. Sem mágoa. Sem remorsos. Sem culpas.

 

E tenho quase a certeza, (este quase é muito fraquinho) de que esta imposição do AO90 a Portugal é a vingança desses “brasileiros” complexados.

 (…)

As minhas mais cordiais saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

***

 O Sérgio escreveu:

 

Cara Isabel,

 

«Agradeço o seu amável retorno e, desde já lhe digo, que estou consigo quanto à aspiração dos (neo*) brasileiros de rebaptizar a sua língua. Alguma razão há para não existirem acordos ortográficos nos espaços anglófonos, francófonos e “hispanófonos”. O simples bom-senso, que faltou aos promotores do OA90 e antecessores, dita-nos que uma língua uma vez exportada para fora do seu habitat geográfico natural, sofre influências tais de ordem fonética e lexical a ela estranhas que não permitem a sua unificação.

 

O “brasileiro” é disso um rico exemplo, agravado pela noção de que em termos linguísticos não existe “o certo, nem o errado, existe o diferente”. Facto que, eventualmente, com tantos "diferentes" empurrará o Brasil a dividir-se em vários dialectos.   Por motivos de ordem profissional conheço o Brasil de lés-a-lés, onde estive expatriado, primeiro como director-comercial, e uma segunda vez como director-geral de uma transnacional que tinha e tem filiais espalhadas por todo aquele imenso país-continente.

 

Bom, mas a eventual divisão em dialectos não é um problema português… O que é interessante notar é que a história da língua inglesa exportada da Europa para os EUA, não é muito diferente da língua portuguesa exportada para o Brasil. Os índios, os escravos e até os colonos franceses, holandeses (Nova Iorque nasceu de Nieuw-Amsterdam), etc., influenciaram a língua hoje falada nos EUA. O que não causa o alarido que no nosso caso se faz sentir e ouvir! 

 

Reconheço, porém, que a Isabel reúne as condições ideais e muito superiores às minhas para julgar este tema. Eu conheci o uso da razão em Angola, fiz o liceu antigo num colégio interno em Portugal e estudos superiores em língua inglesa em Cape Town, na anda África do Sul do Apartheid, licenciatura, e o mestrado em Plantation, Flórida nos EUA. 

 

A justificação dada pela parte portuguesa dos promotores do AO90 é completamente tola, imbecil mesmo. A Isabel verá que defendendo a preservação da língua, o Casteleiro e companhia caíram na ratoeira dos promotores da “língua Brasileira”! E correram o risco de deixar Portugal sozinho, com uma língua mutilada!!!

 

Retribuo as saudações “desacordistas” e votos das maiores venturas.

 

Sérgio Lopes

 

Nota* - para mim os actuais habitantes não indígenas do Brasil são-neo-brasileiros, dado que os índios são os verdadeiros aborígenes. Pena é que ainda estejam sob a tutela do "Estatuto do Índio" nome como ficou conhecida a lei 6.001. Promulgada em 1973, ela dispõe sobre as relações do Estado e da sociedade brasileira com os índios. Em linhas gerais, o Estatuto seguiu um princípio estabelecido pelo velho Código Civil brasileiro (de 1916): de que os índios, sendo "relativamente incapazes", deveriam ser tutelados por um órgão indigenista estatal (de 1910 a 1967, o Serviço de Proteção ao Índio - SPI; actualmente, a Fundação Nacional do Índio - Funai) até que eles estivessem “integrados à comunhão nacional”, ou seja, à sociedade brasileira…

 

Uma coisa é certa, durante mais de 300 anos só imigraram portugueses, quase exclusivamente, para a terra que recebeu o nome de Brasil. E durante esse tempo, quase só homens, facto que explica a miscigenação massiva com índios e africanos. Ora, ninguém se coloniza a si próprio, portanto, conquanto os índios pudessem reivindicar o estatuto de colonizados, curiosamente são os descendentes dos supostos "colonizadores" que o fazem e com tanto empenho. A imigração de italianos, franceses, alemães, árabes, asiáticos, etc., em números significativos deu-se já depois da independência, portanto, mais uma vez, não foram colonizados... Tenho para mim que é este complexo do "falso colonizado" que tem travado a ascensão do Brasil ao mundo desenvolvido. Lamentável!

 

Sérgio Lopes

 

***

 

Também lamento muito. E não só lamento, como me questiono: por que é que estas questiúnculas só existem entre Portugal e Brasil, e não com mais nenhuma outra ex-colónia?

Alguma coisa está mal, nesta relação luso-brasileira, e tem de ser resolvida, para que o Brasil possa cumprir a sua brasilidade, e Portugal recuperar a sua identidade europeia.



Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:46

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Domingo, 23 de Junho de 2019

Quando eliminar os “penduricalhos” das palavras se tornou moda em Portugal

 

Se me contassem eu não acreditava. Mas li. E li no comentário (que abaixo reproduzo) e que me enviou o João Abreu, que se diz professor, mas aparenta nada saber das Ciências da Linguagem, nem da nobre missão de ENSINAR, e chocou-me particularmente o modo leviano e indigno como tratou a nossa venerável Língua Portuguesa, símbolo maior da nossa Identidade.

 

Tive de responder-lhe à altura.

 

penduricalhos.jpg

 

Estes serão os “penduricalhos” que o João Abreu pretende eliminar dos vocábulos portugueses, para lhe facilitar a escrita da Língua?

Fonte da imagem: Internet

 

João Abreu comentou o post RESPONDENDO AO DELÍRIO DE UM ACORDISTA às 18:15, 19/06/2019 :

Para acabar de vez com os penduricalhos na Ortografia! Resposta aos fanáticos ANTI AO90 Cara Isabel Ferreira, não se enerve tanto por coisa pouca. O debate de ideias deve ser realizado de forma serena e construtiva. Em resposta aos dez pontos que enunciou direi o seguinte: Primeiro- está mal informada! é mesmo “detrator” que se escreve segundo a lei. Dê uma vista de olhos na lista de palavras que passaram a escrever-se segundo a nova ortografia, por exemplo, no portal da língua portuguesa. É daquelas palavras que nem sequer admite dupla grafia. Portanto, a Isabel é que está em falta quando escreve essa palavra de forma INCORREcTA, digo, (perdão) INCORRETA (aquele “c” mudo que escrevi estava a mais). Segundo- Não lhe vou chamar ignorante porque sei que é uma pessoa culta mas convém relembrar alguns factos: grande parte da nossa grafia ATUAL vem da profunda reforma que se fez em 1911. Foi aí que se eliminaram aquelas consoantes etimológicas que vinham do grego e do latim. E por que razão se fez isso? Porque chegaram, na altura, à conclusão ( e bem) que a nossa língua estava bastante opaca. O objetivo era dar mais transparência à língua, livrando-se dessas consoantes inúteis e facilitar a aprendizagem da leitura e escrita, desiderato inscrito nos ideiais da Primeira República que apostava fortemente na educação e na diminuição da taxa de analfabetismo. Ora, o AO90 apenas veio concluir essa lógica da reforma de 1911 de dar a primazia à fonética em detrimento da etimologia. Sim, devo confessar: concordo absolutamente em que se acabe de vez com estas consoantes mudas etimológicas ! A imagem que tenho delas é a seguinte: são como penduricalhos que só servem para criar excesso de peso nas palavras. São obsoletas e anacrónicas assim como já na segunda metade do XIX se considerava abstruso escrever alumno, orthographia e escripta. E olhe que já em em 1911 havia muitos velhos do Restelo (tal como há hoje) que de forma obstinada teimavam em resistir à mudança! Terceiro- insisto em dizer que não apenas nas escolas mas em todos os serviços públicos a entrada em vigor do AO90 fez-se de forma totalmente pacífica. Onde é que vê um levantamento geral de funcionários públicos contra o AO90? A realidade que eu conheço é a das escolas porque sou professor e desde 2009 já andei por muitas. Garanto-lhe que o AO90 não é assunto de conversa entre professores e muito menos entre alunos, ou, se já o foi no início, deixou de o ser agora. E a razão é porque o AO90 é já como o ar que se respira, já faz parte do código genético do ato de escrever, tanto de professores como de alunos. E a Isabel sabe que os professores, entre outras coisas, escrevem ATAS de reuniões. E já não vejo ninguém reclamar do tipo “Ai, que confusão me faz escrever “ATA” em vez de “AcTA”! Os alunos continuam a dar erros? Claro que continuam. Mas isso não se deve à existência ou não do AO90. Também já davam muitos erros na anterior graf ia. O problema da desortografia tem causas mais profundas como deve saber. Quarto- já reparou, Isabel que neste texto que escrevi só existem três palavras que se alteram em relação à grafia anterior ao AO90? “DETRATOR”; “ATUAL” E “ATA”. E isto para responder ao ponto que mencionou em resposta àquilo que afirmei sobre “um punhado de palavras” que se alteram. Não concorda? Então veja: são três palavras num total de 556 palavras. São 0,5%, até menos do que os especialistas dizem para o total geral das palavras que se alteraram no vocabulário que é na ordem dos 4 ou 5%. Será que a Língua Portuguesa mudou assim tanto só porque se eliminaram os penduricalhos “p” e “c” conhecidos como consoantes mudas? Eu creio que não.

 

***

Primeiro: João Abreu, gostaria de saber o que significa esta frase: «Para acabar de vez com os penduricalhos na Ortografia! Resposta aos fanáticos ANTI AO90», porque estes “penduricalhos na ortografia” soam-me a qualquer coisa que nem ouso dizer alto. E “fanáticos anti AO90”, soa-me a algo distorcido, até porque os desacordistas têm toda a legitimidade de serem anti-acordo, porque o acordo é um malparido aborto ortográfico, e ser contra um malparido aborto ortográfico nada tem de fanático, mas de patriótico, que é um sentimento saudável e aconselhável, de amor à Pátria. Se não amamos e defendemos a Nossa Pátria, vamos amar e defender a pátria de quem? A dos outros, a dos que se estão nas tintas para nós?

 

Segundo: eu não estou nervosa, aplique a palavra certa: estou INDIGNADA, e não é por “coisa pouca”, porque não é “coisa pouca” um magote de ignorantes (que só assim podem ser chamados) terem a pretensão de destruir a Língua Materna dos Portugueses, que estava muito bem de saúde, e não necessitava que viessem feri-la de morte, a troco de uns trocos, e eu não seria EU, nem teria o direito à nacionalidade portuguesa, se não me INDIGNASSE com este LINGUICÍDIO, e num linguicídio não há debate de ideias, nem nada que possa ser construtivo. O AO90 é um linguicídio, ou seja, um CRIME de LESA-PÁTRIA e de LESA-LÍNGUA, e quando se trata de um crime não podemos andar a pôr paninhos quentes e fingir que um crime é algo aceitável, porque não é. E todos os que cometeram este crime serão severamente penalizados, tão certa como estar aqui a escrever isto. E bem merecem.

 

Terceiro: quem está mal informado é o senhor João Abreu, aliás, está muito mal informado. Segundo a LEI - o Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, que não foi revogado, logo, está em vigor, “detraCtor” escreve-se com Cê. E o que chama “nova ortografia”, não é nova, porque assenta na GRAFIA BRASILEIRA, vigente no Brasil, desde 1943. Além disso NÃO ESTÁ em vigor em país nenhum lusófono, e em Portugal (único país que a adoptou à ceguinha) só a utilizam os serviçais, os subservientes, os comodistas, os acomodados, os ignorantes optativos e os mal-informados. Não sei em qual destas categorias o senhor João Abreu se encaixa.

 

Quarto: é preciso muita lata (desculpe o termo) e ser completamente cego, para me vir dizer que eu escrevo incorreCtamente esta palavra, que pertence à Língua Portuguesa, assim como incorreCtly pertence à Língua Inglesa, incorreCtamente pertence à Língua Castelhana, e “incorretamente” pertence à Língua Brasileira. E como em Portugal, a Língua Oficial, consignada na Constituição da República (que suponho seja ainda) PORTUGUESA, é a Língua Portuguesa e não a Língua Brasileira, o senhor é que escreve “incurrêtamente” a palavra incorreCtamente, bem como todas as outras palavras às quais, colando-se ao Brasil, suprime as consoantes mudas (a que tem o desplante de chamar “penduricalhos”) e que estão lá por algum motivo, e o motivo é a sua função diacrítica. Ao suprimir as consoantes mudas, o senhor João Abreu, além de escrever incorreCtamente as palavras, também as pronuncia incorreCtamente, na Língua Portuguesa, em Portugal. Porque no Brasil eles escrevem “incorretamente” em Língua Brasileira. E então o senhor comete dois (erros) em um. O que para um professor é erro de palmatória. E só por isso, devia ser expulso do Ensino, por não cumprir correCtamente a sua missão de ensinar, e se for professor de Português, a sua falta é ainda maior.

 

E na verdade, nenhuma pessoa culta, em Portugal (no rol das quais me incluo) se vergou à imposição ILEGAL do AO90, nem o aplica, porque sabe PENSAR A LÍNGUA. Ao contrário dos acordistas que necessitam de “capar os penduricalhos” para conseguirem escrever (mal). Isto implica imediatamente dizer que os acordistas não têm capacidade inteleCtual para aprender nenhuma Língua Europeia, porque todas as Línguas Europeias estão cheias de “penduricalhos”. As crianças portuguesas aprendem as línguas europeias com uma perna às costas. Os estrangeiros, que vêm para Portugal, aprendem o Português integral, com uma perna às costas, com todos os “penduricalhos” da Língua, mas os acordistas portugueses não conseguem aprender a Língua com esses “penduricalhos”! Temos pena. A inteligência não se desenvolve em todos os seres humanos do mesmo modo.

 

Nós somos PORTUGUESES, não somos Brasileiros. E nenhum Português escreverá jamais numa ortografia que IDENTIFICA O BRASIL, mas NÃO IDENTIFICA Portugal. Além disso, o que obtusamente chama de “penduricalhos” faz parte de TODAS as Línguas Cultas Europeias. E que nós saibamos, Portugal AINDA é um PAÍS EUROPEU, com uma Língua europeia. SE Portugal deixar de ser um país livre e soberano (como pretendem os actuais governantes portugueses) para se transformar numa simples colónia, então terá a linguazinha que merece. Entretanto, surgirá um novo Dom Afonso Henriques, para reconstruir Portugal e devolver-lhe a dignidade perdida, graças à (des) governação de um punhado de ignorantes e seus ignorantes acólitos. E desse clone de Afonso Henriques é que rezará a História. Os outros serão atirados ao caixote do lixo dessa mesma História, onde estão todos os que passaram pelo Poder e não dignificaram Portugal.

 

Só por isto, o AO90 é uma carta fora do baralho, mas se lhe juntarmos tudo o resto, é o baralho todo fora do baralho, ou seja, uma aberração malparida, cujo destino é o caixote do lixo, em todos os países da dita lusofonia.

 

Quinto: a mim pode chamar-me ignorante à vontade, em matérias onde sou absolutamente ignorante, como Física Quântica, Astronomia, Física Nuclear, enfim, essas e outras matérias afins. Todos somos ignorantes em alguma coisa, já dizia Einstein. Mas não me chama ignorante a LÍNGUA PORTUGUESA, porque eu ESCREVO e a Língua é o meu instrumento de trabalho, e ninguém, no seu juízo perfeito, UTILIZA instrumentos de trabalho DEFEITUOSOS. CorreCto? Está a ver um médico a utilizar bisturis enferrujados? Também não está a ver-me a usar uma grafia MUTILADA, que não pertence a Portugal, mas sim ao Brasil, e que NÃO ESTÁ EM VIGOR em Portugal, porque não existe LEI alguma que obrigue um PORTUGUÊS a escrever à BRASILEIRA.

 

Sexto: desculpe perguntar: o senhor é professor de quê? Tem a noção do  que diz ao dizer que a nossa aCtual grafia provém da reforma de 1911? NÃO PROVÉM. A nossa aCtual grafia provém da reforma de 1945, a que está em vigor. Não vou aqui dar-lhe uma aula de grafias. Sugiro que ESTUDE as reformas de 1911 e 1945 e se aperceba de que a Língua EVOLUIU, mas não foi destruída em nenhuma dessas datas. Com a reforma de 1990, a Língua não só REGREDIU, como foi desalmadamente DESTRUÍDA.

 

Na verdade, esta evolução veio facilitar a escrita, porque existia (e AINDA existe, um elevado índice de analfabetismo em Portugal como no Brasil) por isso é que quanto MAIS IGNORANTE é um povo, mais precisa de reformas ortográficas. Portugal é campeão europeu em reformas ortográficas, e isto significa que os governos NÃO INVESTEM NO ENSINO e na CULTURA, e mantêm o povo inculto, encruado, ignorante que está sempre a precisar que lhe “capem os penduricalhos”.


Em 1943, o Brasil fez uma reforma ortográfica UNILATERAL, pela qual foram suprimidas as consoantes mudas que o AO90 pretendeu introduzir em Portugal. Em 1945, o Brasil assinou com Portugal a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, que mantinha as consoantes mudas, e o Brasil, como continuava com um índice elevado de analfabetismo, rasgou essa convenção, e regressou à reforma de 1943, e então passaram a escrever “incorretamente” e é essa “incorr’ção” que os acordistas servis querem, à força, introduzir em Portugal.

 

Sétimo: dito isto, penso que não é preciso dizer mais nada, a não ser que CONTE bem contadas (ou também é mau a Matemática?) as palavras às quais “caparam os penduricalhos”. E nem que fossem duas ou três, bastava para o chumbar, num exame de Português, ou para levar umas boas palmatoadas. Eu levei-as, até porque vim do Brasil a escrever à brasileira, ou seja, de acordo com o AO43 = AO90 (mais retoques, menos retoques) e não me fizeram mal nenhum. Nem nenhuma criança das gerações da palmatória ficou traumatizada por causa disso. Agora é que querem fazer das crianças umas MARIQUINHAS, e ai Jesus! que não se pode chumbá-las (já nem falo na palmatória!). E isso é PÉSSIMO para elas.

 

Pois tenho a dizer-lhe que só os ignorantes e os muito intelectualmente inaptos não conseguem escrever o que os povos cultos e europeus escrevem há séculos, nas respectivas Línguas: as consoantes mudas, em linguagem culta, e “penduricalhos”, em linguagem inculta. Então o Inglês, o Francês, o Castelhano, o Alemão estão cheios de PENDURICALHOS, mas os alunos e professores desses países CONSEGUEM escrevê-los sem o mínimo problema. O defeito, devo concluir, está nos PROFESSORES PORTUGUESES, porque os alunos sabem que direCtor se escreve com Cê, em algumas outras línguas que estão a aprender, e fora das escolas. Apenas nas escolas, e porque fazem MUITA CHANTAGEM com as NOTAS, eles vêem-se obrigados a escrever incorreCtamente, para não serem penalizados, ainda que contra a LEI VIGENTE. Tudo isto terá um preço a pagar.

 

Portugal é o único país do mundo, onde os alunos são PENALIZADOS por escreverem correCtamente a sua Língua Materna, a que está EM VIGOR no País deles.

 

E isto só acontece num país terceiro-mundista, que anda a arrastar-se pelo chão, onde não existe BRIO PROFISSIONAL, onde se acha que “capar os penduricalhos” das palavras tem a ver com inteligência e não com INCAPACIDADE.

 

Tenha santa Paciência! Quando a classe de professores chegou ao nível da cave, não surpreende que o ENSINO esteja um CAOS em Portugal, e a escrita da Língua uma MIXÓRDIA. Porque ninguém tem dúvida de que nunca se escreveu tão mal, em Portugal, como actualmente. Caso único no mundo.


Aceite-se de uma vez por todas que este acordo é uma aberração e nasceu morto à nascença. Percebe-se o desespero dos acordistas por sentirem que a revogação desta aberração está a chegar... Sabe que não é só Portugal a querer revogar esta parvoíce?! A ortografia portuguesa (em Portugal) foi limada à perfeição... sem qualquer "gordura” ao longo dos séculos... Até que este desacordo foi martelado sem qualquer lógica ou fundamento e tentaram, sem sucesso, que os Portugueses escrevessem aberrações e incongruências... Por que lhe custa tanto ver os Portugueses, com um pingo de inteligência, a defenderem a Língua Portuguesa?

 

Ainda está por nascer aquele que terá alguma coisa POSITIVA a dizer a favor desta aberração. As reformas de 1911 e 1945 foram contestadas por poucos e por pouco tempo, e, na altura, estavam no terreno apenas o Brasil e Portugal, e os motivos dessa pouca contestação não tiveram nada a ver com a DESTRUIÇÃO da Língua, mas com as mudanças que muito naturalmente alguns não aceitam bem.

 

Contudo, HOJE, estão mais SEIS países a mandar às malvas o AO90, à excepção de Cabo Verde (porque a Cabo Verde interessa este servilismo a Portugal, por motivos completamente alheios à Língua, até porque eles adoptaram o Crioulo Cabo-Verdiano como Língua Oficial, e estão-se nas tintas para o Português acordizado, tido como língua estrangeira, que ninguém quererá aprender). O AO90 está a ser contestado desde o dia em que foi malparido, já lá vão 29 anos, e nestes 29 anos, milhares de escreventes de Português estão continuamente a protestar, e o AO90 só ainda não foi atirado ao lixo, porque vivemos numa DITADURA SOCIALISTA, pior do que a salazarista, porque a salazarista não se disfarçava de democracia.

 

O motivo actual da contestação ao AO90 NÃO É a evolução natural da ortografia, mas a sua destruição e descaracterização. E é isto que os acordistas não têm capacidade para encaixar.

 

Aceite isto, senhor João Abreu, e viverá feliz no paraíso. Até lá, com estes seus comentários, só contribui, ainda mais, para o enterro do aborto ortográfico. E nós só agradecemos.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:28

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Segunda-feira, 3 de Junho de 2019

Em Portugal, a quem interessa a negociata do AO90 e a destruição da Língua Portuguesa?

 

ATENÇÃO!

Na Feira do Livro de Lisboa não comprem obras acordizadas. Existem boas editoras a publicar em Bom Português.

 

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Agitaram-se as águas em que o AO90 tem vindo a navegar, e os paus-mandados saíram da toca e toca a escrevinhar artigos que pretendem fazer a apologia da grafia brasileira que, no Brasil é completamente válida, mas não em mais nenhuma outra parte do mundo.

 

E ainda se esses paus-mandados apresentassem argumentos racionais para justificar a irracionalidade do AO90, vá que não vá, mas não, o que eles expõem é de uma pobreza e incoerência tais que, se alguém tivesse ainda que uma remota ideia de aceitar trocar a grafia portuguesa pela brasileira, porque a grafia brasileira traria uma mais valia para a portuguesa, fazendo-a ultrapassar, em coerência, as Maiores Línguas Europeias, onde a Língua Portuguesa estava incluída (não está mais, e é preciso regressar às origens) tendo sido totalmente eliminada em favor da Língua Brasileira, perdeu essa ideia, por completo, porque os paus-mandados o que fizeram foi deixar-nos a certeza de que o AO90 é mesmo para atirar ao LIXO.

 

No Brasil, a revogação do AO90 já está em cima da mesa, para ser discutida.

 

No Brasil há quem defenda que o denominado português brasileiro precisa de ser reconhecido como uma nova língua. E eu, como portuguesa, que aprendeu a falar e a escrever no Brasil, e que conhece bem essa língua falada e escrita no Brasil, e o riquíssimo léxico brasileiro, defendo e aplaudo a ideia do Grito do Ipiranga Linguístico. Algo que só beneficiaria o Brasil, o gigante da América do Sul, seria o facto de este ter a sua própria língua, e não ficar atado à Língua Portuguesa, a língua do colonizador, aliás, da qual os Brasileiros se distanciaram substancialmente na fonética, na grafia e também no léxico, introduzindo-lhe milhares de vocábulos que não fazem parte do Português.

 

Regresso a um texto de Fernando Alberto II, um estudioso dessa língua brasileira, que merece, com toda a justeza, ser brasileira. Algo que eu corroboro, porque também estudei essa Língua:

 

«Conclui-se facilmente que a linguagem, a cultura, a ortografia, a gramática, a semântica e a prosódia/fonética da variante do «português» do Brasil, é bastante diferente ou mesmo muito diferente, completamente diferente, absolutamente diferente da norma-padrão do Português de Portugal, (Português Europeu) e, apresenta muitas singularidades próprias da Linguística do povo Brasileiro, vocábulos ou termos vernáculos Brasileiros, como é, aliás, muito natural e, perfeitamente admissível.

 

Para além da parte lexical da Língua Portuguesa usada no Brasil, ortograficamente idêntica, quase igual ou mesmo igual à nossa Língua Portuguesa, (embora a prosódia/fonética, seja muito diferente pois, no Brasil as sílabas são quase sempre abertas ou semiabertas), desde que com a mesma origem etimológica, sobretudo do Grego e do Latim, uma boa percentagem do léxico comum do Brasil é constituído por termos vernáculos Brasileiros, cerca de 100 mil, essencialmente com origem etimológica nas Línguas Ameríndias dos nativos autóCtones Brasileiros, das nações «Tupi», «Guarani» e «Aruaque», Língua esta falada entre as bacias do Amazonas e do Oiapoque e ainda na Língua africana «Quimbundo», Língua falada em Angola, sobretudo nas províncias de Luanda e de Malange, pela raça Banto, negros autóctones da África Central e Austral, a qual foi levada para o Brasil pelos escravos negros Africanos que, colonizaram o Brasil à força, entre os séculos dezasseis e dezanove, levados de África pelos “seus amos senhores feudais”, alguns totalmente ignorados da esmagadora maioria dos portugueses, quer em termos semânticos quer ortográficos e que, por isso mesmo, nunca se usam e, naturalmente, nem se podem usar em Portugal.

 

O léxico comum da variante da Língua Portuguesa do Brasil, terá cerca de 210 mil vocábulos, assim distribuídos: 110 mil vocábulos iguais ou idênticos ao léxico comum da norma-padrão da Língua Portuguesa ou Português Europeu, acrescidos ainda dos supra-referidos 100 mil vocábulos vernáculos Brasileiros.

 

Pelo exposto, não me parece nada disparatado poder afirmar hoje, haver já a considerar uma verdadeira Língua Vernácula Brasileira baseada, em exclusivo em pelo menos, 100 mil vocábulos vernáculos do Brasil, estes absolutamente ignorados em Portugal, como é natural.

in:

https://www.facebook.com/groups/345711412486554/



A mim, também não me parece nada disparatado, os Brasileiros pugnarem pelo Grito do Ipiranga Linguístico, pelos motivos mais óbvios, e bem patentes neste texto do Fernando Alberto II.



Os acordistas não gostam desta ideia, absolutamente legítima? O problema é deles. Os acordistas estão em minoria, no mundo dito lusófono, não têm um só argumento racional que sustente a continuidade da imposição ilegal e inconstitucional do AO90. Portanto o AO90 só pode ter um destino: a revogação imediata.

 

Em Portugal, a quem interessa a negociata do AO90 e a destruição da Língua Portuguesa?

 

Eu não vou responder a esta questão. Deixarei aos leitores a liberdade de encontrar a resposta, porque ela existe e é visível a olho nu.

 

Dois países duas línguas, num guia para turistas.
Falaremos a mesma língua?
Não falamos.

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Sugiro a leitura do texto «Socorro, querem roubar-nos a língua e deixar-nos mudos! - As variantes do português, riquíssimas, merecem ser reconhecidas como partes de uma mesma língua, mas soberanas nos seus países e não desfiguradas em “unificações”» assinado por Nuno Pacheco, no Jornal Público, e que pode ser consultado neste link:

https://www.publico.pt/2019/05/30/culturaipsilon/opiniao/socorro-querem-roubarnos-lingua-deixarnos-mudos-1874557

 

com os comentários, a propósito, que aqui reproduzo.

 

Isabel A. Ferreira

 

COMENTÁRIOS:

 

mzeabranches

30.05.2019 23:52

Estou com Nuno Pacheco e com todos os que condenam o AO90 e a sua imposição no nosso país. Os numerosos pareceres dos especialistas são contra, mas o poder político entendeu ignorá-los e seguir acriticamente o seu principal autor, Malaca Casteleiro! Recentemente, no seu contributo para o Grupo de Trabalho da 12.ª Comissão da AR, que ainda não chegou a nenhuma conclusão, António Emiliano diz: "Escrevi algures que «a elaboração, aprovação e aplicação do Acordo Ortográfico é um escândalo nacional. Um verdadeiro 'case study' sobre a falta de transparência e democraticidade com que dossiers da Cultura, da Educação e da Ciência são sistematicamente tratados em Portugal.» (Semanário Económico, 16/05/2009). Naturalmente mantenho." O AO90 é linguisticamente uma fraude e politicamente um crime!

 

Manuel Figueiredo

Póvoa de Varzim 30.05.2019 19:58

Subscrevo a opinião de Nuno Pacheco, assim como os comentários de AMG, Maria João Amaral e Luís Vaz. Já há muito que o Senhor Presidente da República devia ter tomado uma posição clara sobre a questão da defesa da Língua Portuguesa - o importante pilar da nossa Constituição da República - e exercer a sua magistratura de influência para que a Assembleia da República pura e simplesmente revogue a Resolução (não é Lei!) que introduziu aquilo que alguns chamam de "acordo ortográfico". A Língua Portuguesa não é mercadoria para traficar!

 

António Marques

Mem Martins 30.05.2019 19:36

A 'discussão' sobre o AO90 nunca se caraterizou por um nível muito elevado. Sendo um assunto com alguma complexidade poderíamos pensar que os doutos interessados se erguessem na sua estatura intelectual e nos dessem primores de erudição e argumentação. Não foi nem tem sido o caso: a argumentação tem sido rudimentar, orientada para o insulto e essencialmente emotiva. Trazer um texto de H. M. para a pilha é descer demasiado baixo. H. M. é o tipo de colunista a que a gente paga para falar bem daqueles que mais odiamos. Não havia necessidade... Espero que não tenha o azar de sofrer, um dia destes, H. M. a defender coisas de que o Nuno gosta.

 

luisvaz

Bem-aventurados os pobres de espírito, 30.05.2019 18:05

{LV4} Vitorino Nemésio, açoriano, que os mais antigos conhecem dos programas da televisão estatal fez parte de uma das embaixadas brasileiras que visitou Portugal na década de sessenta (1960) precisamente para tentar vender a ortografia brasileira. Assim como Nemésio, do grupo faziam parte alguns portugueses, professores de italiano que como sabemos dobram a consoante para abrir a vogal anterior. (Assim attore, battesimo, correttore). Quanto a Antônio Houaiss de ascendência libanesa, editor e ministro da Cultura do Brasil fez todos os possíveis e “impossíveis” para impor a ortografia brasileira em Portugal. Contou com a ajuda de Malaca Casteleiro, seu lugar-tenente e “dono” da Academia das Ciências de Lisboa. E mais não digo para não sofrer a habitual censura!...

 

luisvaz

Bem-aventurados os pobres de espírito, 30.05.2019 18:04

{LV3} “Essa forma de distinguir, no português europeu, as pretónicas abertas ou semi-abertas das reduzidas, não se justifica no português do Brasil, em cuja pronúncia-padrão não há pretónicas reduzidas, tendo-se as vogais nesta posição neutralizado num [a] aberto e num [e] ou num [o] semifechados. Daí escrever-se em Portugal: acto, acção, accionar, accionista, baptismo, baptizar, director, correcto, correcção, óptimo, optimismo, adoptar, adopção; e no Brasil: ato, ação, acionar, acionista, batismo, batizar, diretor, correto, correção, ótimo, otimismo, adotar, adoção.” Pelas palavras de Celso Cunha e Lindley Cintra, nada mas mesmo rigorosamente nada, diz que a ortografia portuguesa deve copiar a ortografia brasileira como é o caso no AO90/43.

 

luisvaz

Bem-aventurados os pobres de espírito, 30.05.2019 18:03

{LV2} Consultemos a página 74 da Nova Gramática do Português Contemporâneo por Celso Cunha e Lindley Cintra, Edições João Sá da Costa, 1984, 1950 escudos preço de capa. “No Brasil, por disposição do Formulário Ortográfico de 1943, as consoantes etimológicas finais de sílaba (implosivas), quando não articuladas? ou seja, quando “mudas” ? deixaram de se escrever. Em Portugal, no entanto, em conformidade com o texto do Acordo de 1945, continuaram a ser grafadas sempre que se seguem às vogais átonas [a] aberta, [e] ou [o] (semi-abertas), como forma de indicar a abertura dessas vogais. Por uma razão de coerência, mantêm-se tais consoantes em sílaba tónica nas palavras pertencentes à mesma família ou flexão.”

 

luisvaz

Bem-aventurados os pobres de espírito, 30.05.2019 18:02

{LV1} Do artigo de Henrique Monteiro, transcrevo o seguinte: “Cá também é moda ser contra o Acordo”. E ainda: — para que, de vez em quando, se defenda o trabalho de especialistas, alguns já falecidos, que com afinco defenderam a língua (Lindley Cintra, Houaiss, Nemésio, Celso Cunha para não falar dos vivos). Pois Henrique Monteiro não diz qual o Acordo contra o qual é moda ser? Se o Acordo de 1945 assinado por Portugal e Brasil ou se o Acordo Brasileiro de 1943 que mudou de nome para AO90 com uns retoques na pintura? Quanto aos defensores da Língua, falta definir qual a Língua? A Língua Portuguesa, o portuleiro ou o brasiguês?

 

Maria João Amaral

Lamego 30.05.2019 15:17

Obrigada por mais esta reflexão que se orienta para algo que uma professora de Inglês conhece há muitos anos. Tal como o Reino Unido foi um país expansionista, Portugal também andou pelo mundo mais ou menos pela mesma época e deixou a Sua Língua. Nos países de influência britânica o British English foi sendo apreendido e enriquecido com idiossincrasias do local. O nosso Português também foi sendo alterado, adaptado, enriquecido em cada contexto. Para quê obrigar os seus utilizadores de há séculos a serem “colonizados” e obrigados a aceitar as alterações que não fazem sentido para ninguém

 

Mapril Oliveira

30.05.2019 11:10

Creio que foi o sr HM que em tempos escreveu que o OA, ao eliminar as consoantes (chamadas) mudas, facilita a aprendizagem da escrita pelas criancinhas. Mas, coitadas das criancinhas, por causa do OA, vão ter muito mais dificuldade a aprender o inglês o espanhol, o francês, e até o alemão... que usam as ditas!

 

AMG

UE 30.05.2019 08:10

Devemos mobilizar-nos contra o AO e tomar acções efectivas como deixar de comprar qualquer livro, jornal ou revista escrita com erros (Acordo) ortográficos, também evitar visitar os websites escritos com o AO. Mobilizemos-nos Contra esta aberração e destruição da Lingua Portuguesa! Este AO é mais uma demonstração da mediocridade que tomou conta de tudo e do atoleiro de corrupção generalizada a que se chegou em Portugal.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:58

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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

Acções contra o AO90 e de como é possível recuperar o tempo perdido com esta aberração

 

O combate contra o AO90 não se faz apenas com palavras, porque as palavras entram por um ouvido e saem pelo outro, dos que se estão nas tintas para a Língua Portuguesa.

 

O combate contra o AO90 faz-se, sobretudo, através de acções que contribuam, na prática, para o fracasso desta imposição ilegal, inconstitucional e irracional.

 

Daí que vá deixar aqui o que eu, pessoalmente, faço para combater esta aberração, além de manter uma permanente luta neste Blogue.

 

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Porque a ditadura ortográfica não combina com Democracia, pode ser derrubada de várias maneiras, e uma delas é através do VOTO. (Origem da imagem: Internet)

 

- Rejeito ir a eventos, cujos convites estejam escritos em acordês ou mixordês.

 

- Trago sempre comigo uma esferográfica vermelha para corrigir tudo o que me aparece à frente (panfletos, cartazes) que estiverem escritos em acordês ou mixordês.

 

- Não compro nem ofereço livros, revistas, jornais, ou quaisquer outras publicações escritas em acordês ou mixordês.

 

- Quando vou a uma livraria, a um quiosque ou outro qualquer estabelecimento do género, digo alto e em bom som, que não compro este ou aquele livro, revista ou jornal em edições portuguesas, porque estão grafados à brasileira, e compro aqueloutros livros ou jornais ou revistas porque estão grafados à portuguesa.

 

- Quando entro em algum lugar e vejo a Língua Portuguesa mutilada, chamo a atenção para os erros ortográficos, porque Portugal, por enquanto, ainda é Portugal.

 

- Quando estou em público, ou diante de crianças (e não só) pronuncio as consoantes mudas, para realçar a função diacrítica dessas consoantes. E explico que se escreverem “fatura” devem ler fâtura, porque apenas com a consoante , o à é aberto faCtura (fátura).

 

- Sempre que tenho oportunidade digo a quem me diz que agora é obrigatório escrever assim (desconhecem que é assim devido ao AO90, que não sabem o que é, e este escrever assim é mutilar as palavras, suprimindo-lhes os cês e os pês) que estão a escrever à brasileira, e não à portuguesa, facto que elas não sabem (fora a parvoíce dos acentos e hífenes, que é comum ao Brasil e a Portugal).

 

- Às crianças explico-lhes que estão a ser enganadas e o que lhes ensinam a escrever na Escola não é a grafia portuguesa, mas sim a grafia brasileira, aquela que os Brasileiros escolheram para eles. O seu a seu dono. Digo-lhes também que, na escola, para não entrarem em conflito com o “s’tor” (senhor doutor), escrevam setor que se lê “s’tôr” (significando departamento, divisão, secção). Mas fora da escola escrevam seCtor (lendo sétôr) porque é assim que se grafa à portuguesa. E quando crescerem adoptarão a grafia da sua Língua Materna.

 

Bem, isto é o que faço. Se os milhares que se dizem anti-AO90 fizessem o mesmo, talvez o AO90 já tivesse ido dar uma volta, para bem longe de Portugal.

 

Se foi possível destruir una Língua que levou séculos a ser construída laboriosamente, racionalmente, cientificamente, mais possível será reconstruir o que foi destruído em 10 anos, e sobre as ruínas fazer renascer a Língua Portuguesa segundo o AO45, o que na realidade está em vigor.

 

O argumento do irreversível é para os falhados, os cobardes, os derrotados, os dotados de mentes mirradas, os medíocres.

 

Quando olhamos para a destruição, por exemplo, da cidade de Berlim, depois dos bombardeamentos durante a II Grande Guerra Mundial, parecia-nos impossível que Berlim pudesse voltar a ser Berlim. No entanto, nada é impossível quando a vontade dos homens é inquebrantável e a sua capacidade intelectual é imbatível.

 

Ressuscitar os mortos não está ao alcance dos homens, contudo, reconstruir o que foi destruído pelo homem está ao alcance apenas daqueles que são fortes, são guerreiros, têm massa cinzenta e neurónios a funcionar em pleno.

 

Tornar ao antes do AO90, não só é possível como desejável e prioritário. Quando os governantes impingiram a Portugal o AO90, ninguém se questionou «como vamos agora aprender a escrever à brasileira, se aprendemos a escrever à portuguesa?». Alguém se preocupou com isto?

 

A mossa provocada pela aplicação do AO90 nada é comparada com o que é hoje a Língua Portuguesa, mutilada, grafada completamente à balda, sem pés nem cabeça, caminhando para a extinção. O AO90 fez mossa, mas nada que não seja recuperável. Ainda se vai muito a tempo de abandonar a anormalidade e regressar à normalidade. E sabem porquê? Porque há CORRECTORES ORTOGRÁFICOS pré-AO, (para os que já se esqueceram de escrever como  sempre escreveram), mas, principalmente, porque as crianças não são as estúpidas que os governantes querem que sejam, ou não são tão estúpidas como os que dizem que «agora que escrevemos assim (ou seja incorretamente) como vamos aprender a escrever assado (ou seja, o que escreveram durante toda a vida?)

 

As crianças vão à escola para APRENDEREM o que lhes for ENSINADO. E é essa a missão dos professores: ensinar-lhes a escrever correCtamente a Língua Materna delas.

 

E em menos de um ano lectivo tudo regressará ao normal.

 

Garanto-vos. Haja vontade política e audácia para reparar este que foi o maior erro político jamais cometido, até pelo mais ignorante governante que governou Portugal (que não vou dizer quem foi, porque o mal já foi feito, e assim ficou para a História).

 

Lembremo-nos de que os cobardes, os ignorantes optativos, os fracos, os falhados, os derrotados, os dotados de cérebros mirrados, os medíocres nunca fizeram AVANÇAR o Mundo.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:35

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Terça-feira, 14 de Maio de 2019

Nos dez anos da aplicação (ilegal) do AO90, TVI abre a "Caixa de Pandora" e solta a aberração em que o "acordo" assenta

 

 

«O Acordo Ortográfico é uma aberração. É estúpido e não deixa pensar» (Maria do Carmo Vieira).

 

Ontem, no espaço de comentário do Jornal das 8, da TVI, Miguel Sousa Tavares analisou os 10 anos em que Portugal se viu atrofiado pelo Acordo Ortográfico de 1990, imposto a quase toda a Administração Pública, às publicações no Diário da República, bem como a todo o sistema de ensino (público, particular e cooperativo) pela Resolução do Conselho de Ministros (RCM) nº 8/2011 (ilegal e inconstitucional) e NÃO por decreto, conforme referiu o jornalista Pedro Pinto, porque a RCM não tem validade de lei. Tem a natureza jurídica de um regulamento administrativo, e um regulamento ou uma RCM não são decretos. (***)

 

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Professora Maria do Carmo Vieira, em entrevista á TVI

Ver vídeo da entrevista aqui:

https://www.facebook.com/watch/?v=469570420450454

 

A entrevistada foi a Professora Maria do Carmo Vieira, numa altura em que se conclui que Portugal poderá ser o único país a usar a grafia imposta aos Portugueses em 2009. Maria do Carmo Vieira é uma grande defensora da Língua Portuguesa, que pediu a reforma antecipada, como recusa ao ensino de disparates aos seus alunos; e Miguel Sousa Tavares (anti-acordista) fez de Advogado do Diabo, uma vez que nenhum acordista teve a coragem e a hombridade de dar a cara e ir ao programa defender o que, ficou ontem bem claro, é indefensável, até porque, se fosse defensável, pelo menos um acordistazinho teria aceitado o convite, e dito de sua justiça.

 

O MPLP (Movimento em Prol da Língua Portuguesa) congratula-se com esta iniciativa da TVI, esperando que ela sirva para esclarecer os menos esclarecidos deputados, que ainda não se aperceberam de que insistir no erro, é muiiiiito insano.

 

Porém, por falta de tempo ou por simples esquecimento, ficaram por dizer algumas coisas importantes, e outras foram mal esclarecidas.

 

Para Miguel Sousa Tavares, assumidamente contra o Acordo Ortográfico, sobretudo desde 1991, (e para todos os defensores da Língua Portuguesa) a assinatura de acordo com outros países, no Brasil, que veio a definir o novo acordo «é um dos maiores casos de abuso cometidos na nossa democracia», e Portugal poderá ser o único país a usar o acordo ortográfico.

 

Uma maravilha! Não é? Parvamente sós. Como sempre.

 

«Todos teremos a ganhar com o não destroçar a Língua Portuguesa», afirmou Maria do Carmo Vieira, admitindo que o Acordo Ortográfico «é estúpido e não deixa pensar». Nesta entrevista, Maria do Carmo Vieira refere ainda que só não vê isto quem não ama verdadeiramente a Língua Portuguesa, que é o caso dos envolvidos nesta farsa.

 

Miguel Sousa Tavares afirmou, numa declaração de interesses, antes de continuar para a entrevista conjunta, com Pedro Pinto, a Maria do Carmo Vieira, que «cinco senhores, que não tinham nada que fazer, queriam ir ao Brasil à Academia das Ciências, precisavam de um pretexto, e o pretexto foi fazer um Acordo Ortográfico com o Brasil, que o Brasil não tinha pedido e impingiram-nos isso à força».

 

Não foi bem assim, Miguel Sousa Tavares.

 

Segundo uma investigação do Jornal O DIABO, publicada em 05/12/2015, sob o título O Negócio do Acordo Ortográfico que pode ser consulta na íntegra neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-negocio-do-acordo-ortografico-172469

 

diz-se que «O projecto (AO90), nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss, foi desde o início um empreendimento com fins lucrativos, apoiado por uma poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portugal.

 

Portanto não foram cinco servilistas que quiseram ir ao Brasil, mas sim, o Brasil, através de Antônio Houaiss é que chamou os servilistas portugueses, para a tal negociata. E Portugal, na mais profunda demonstração da sua vocação para a subserviência, aceitou o negócio, sem pestanejar.

 

O texto do Jornal SÁBADO mostra, preto no branco, a negociata (mais do que negócio) do AO90, que conduziu à decadência da Língua Portuguesa, apenas porque uns tantos “intelectais” (o termo é mesmo este) mercenários decidiram pôr sete países (Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde (que adoptou o Crioulo Cabo-Verdiano como Língua Oficial, e a Língua Portuguesa como língua estrangeira, assim é que é Miguel) São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), que mantinham uma ortografia normalizada, clara e escorreita, a grafar à brasileira. Daí que Cabo Verde tenha adoptado o Crioulo Cabo-Verdiano como Língua Oficial, e a Língua Portuguesa como língua estrangeira (assim é que é Miguel).

 

E, se bem que nada tenhamos contra a grafia brasileira (e que isto fique bem claro) que pertence unicamente ao Brasil e aos Brasileiros, e faz parte da norma linguística da Língua (oriunda da Língua Portuguesa) que os políticos brasileiros escolheram para o Brasil, não podemos aceitá-la como nossa, porque além de não ser nossa, retira Portugal do seu contexto Europeu, uma vez que a Língua de um Povo é a sua identidade, e nós não somos brasileiros.

 

Maria do Carmo Vieira referiu, e muito bem, que a ortografia é uma norma, e não pode ser decretada. Poderia ter acrescentado, aquando da alusão do Miguel em relação às consoantes mudas, que elas, lá por não se lerem, têm uma função diacrítica, e ainda que haja uma geração de crianças, que foram enganadas e lhe impingiram o AO90, e a escrever incorreCtamente a sua Língua Materna, elas, se vão para a escola, é para APRENDER. Logo, se se disser a essas crianças (como eu já disse) que andaram a ser enganadas, e que a partir de agora irão aprender a escrever correCtamente o Português, a Língua delas, que é para isso que estão na escola, e se lhes perguntar qual das grafias preferem, elas dirão em coro, que preferem aprender a Língua Portuguesa com todas as letrinhas nos respeCtivos lugares, porque é a Língua delas. Porque, como disse e muito bem, Maria do Carmo Vieira, que AMA a Língua Portuguesa, aprender correCtamente a nossa Língua ajuda a pensar.

 

Ora aqui é que está o grande problema: aos governantes portugueses não interessa um povo que saiba pensar, por isso obrigam as crianças a escreverem "incorrêtamente", para que não venham a ser adultos PENSANTES, mais difíceis de serem subservientes.

 

Os coordenadores do MPLP

Isabel A. Ferreira

Francisco João Da Silva

 

(***) Para mais informação sobre a inconstitucionalidade e a ilegalidade da RCM nº 8/2011, sugerimos a leitura dos textos inseridos nos seguintes links:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/comunicado-no-2-do-movimento-em-178490

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/comunicado-do-movimento-em-prol-da-176592

 

Para os menos informados, aqui também deixamos a sugestão de dois livros absolutamente imprescindíveis, para se compreender a ABERRAÇÃO do AO90, de que falou a professora Maria do Carmo Vieira, porque hoje, só é ignorante quem quer, e o ignorante optativo é o pior dos ignorantes:

 

- O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor Prepotência do Governo de José Sócrates e do Presidente Cavaco Silva, do Embaixador Carlos Fernandes (Licenciado em Direito, pela Universidade de Lisboa – Guerra e Paz Editores

 

- Por Amor à Língua PortuguesaEnsaio genealógico-filológico, científico-linguístico e pedagógico-didáctico, visando a superação crítica do actual Acordo Ortográfico / 1990, de Fernando Paulo Baptista (Filólogo em Humanidades Clássicas pela Universidade de Coimbra) – Edições PIAGET

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:56

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. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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