Quinta-feira, 6 de Maio de 2021

«Em Português nos entendemos» no «É ou Não É?» (RTP): «Chacina de consoantes etimológicas = atentado à inteligência dos bem-alfabetizados e... atentado à inteligibilidade da Língua para todos os outros!»

 

 A "escritora" e SS fizeram uma parelha, neste «É ou Não É?», que deve milhares e milhares de Euros à inteligência humana. Para aguentar ver o programa até ao fim, na parte que coube àquelas duas personagens insólitas, tive de violentar o meu conceito de Lógica, e conter-me para não atirar um objecto ao ecrã. (Isabel A. Ferreira)

 

Capture.PNG

 

Quem não assistiu ao Grande DebateEm Português nos entendemos, no «É ou Não É?» e estiver interessado, pode assistir aqui:

https://www.rtp.pt/play/p8396/e-ou-nao-e-o-grande-debate 

e comprovar a falta de competência e credibilidade de Santos Silva que, sobre o AO90, apresenta-se sempre com a mesma cassete, esteja onde estiver, e fale com quem falar, cassete essa que desbobina como se fosse um robô.  É inacreditável que um ministro de Estado não possa ir para além disso, daí que não faça a mínima ideia do que se passa ao redor de um “acordo”, que ninguém cumpre, a não ser os muito servilistas acordistas portugueses, e passe por incompetente e desacreditado.

 

E o que dizer da “escritora”? Alguém que sendo NIM, nesta questão do AO90, não serve nem a gregos, nem a troianos, daí que não será através dela que o mundo evoluirá.

 

Destaque para as intervenções de Nuno Pacheco (redactor-chefe do Jornal PÚBLICO, que reduz a pó a vergonhosa intervenção de SS), dos músicos Stewart Sukuma (moçambicano) e António Zambujo (português), e a de Arthur Dapieve, jornalista brasileiro. 

 

José.pngOrigem da imagem de José: Arquivo Agência Brasil/JC

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:28

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Quinta-feira, 12 de Março de 2020

«Delírios do Acordo»

 

Num momento em que anda tanta gente por aí "infetada" (lê-se inf'tádâ) e "afetada" (lê-se âf'tádâ) com um "português" que não é Português, vamos recordar o que nos diz Vasco Graça Moura (na imagem) e Hugo Picado de Almeida (num texto pitoresco, uma verdadeira lição para os ignorantes que urdiram um delírio chamado AO90), em mais uma tentativa de iluminar as mentes desalumiadas que,  talvez devido a uma pedra encravada num qualquer elo, não deixa a engrenagem cerebral funcionar plenamente,  porque não há meio de entenderem que o AO90 além de um monumental erro, faz parte daqueles atrasos de vida, que transformam a Ordem em Caos. E, como todos nós sabemos, o caos ortográfico está instalado em Portugal, mas não é para ficar.

É lamentável que o governo português se vergue aos ignorantes e demais criaturas quejandas, e não ouça a voz dos que sabem o que dizem e, fundamentalmente, por que o dizem…

 

Vale a pena ler.

 

VGM.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645080985593573.1073741828.199515723483437/814867225281614/?type=3&theater

 

«Delírios do Acordo»

Texto de Hugo Picado de Almeida

 

É uma pena que o Acordo Ortográfico se tenha apostado em criar inimigos por toda a parte, e ninguém mais do que as próprias palavras pode desejar apanhá-lo num beco escuro, à saída de um bar numa noite de pândega bem demolhada, e numa emboscada cinematográfica enriquecê-lo com duas balas de cobre embutidas no bucho sem graça.

 

Já aqui falei sobre o Acordo Ortográfico, em que nada nem ninguém acordou coisa nenhuma. Isso parece-me evidente, tanto mais à luz das recentes notícias. Importa-me, agora, notar que o desacordo é mais grave do que poderá um leigo argumentar, dizendo que isso são coisas para os puristas se entreterem e os inocupados debaterem.

 

Podem dizê-lo e não os censuro por isso, pois que a culpa não é deles. A culpa é das mesmas gentes que compuseram e aceitaram o Acordo, esquecendo-se das origens da língua e atirando a etimologia, tão importante e tão interessante na forma como permite compreender passado e presente, o sentido das palavras e seus usos, e a racionalidade da escrita, para o caixote do lixo mais esquecido. A regra, como em tantas outras coisas, passou do perceber ao decorar.

 

Um arquitecto não é um arquitecto por acaso. Não é um arquitecto porque o Viriato ou o Sertório, num dia calmo em que não havia romanos para emboscar, decidiram que arquitecto soava bem com aquela que era a sua actividade, e poderíamos até felicitá-los por isso, pois assim ficariam livres outras palavras e sons para outras ocupações.

 

Um arquitecto é um arquitecto porque os gregos lhe chamavam arkhitektōn – como chegou aos gregos e sob essa forma já não sei, mas isso é um problema no qual não temos mão, ao contrário deste –, nascido de arkhi- (principal) e tektōn (construtor). É essa a razão pela qual o “c” faz falta antes do “t”, assinalando a filiação da palavra e também a abertura da vogal precedente, o “e”.

 

Oportunamente, afastava-se assim o «tecto» da «teta» (também do grego: thêta) — ou do «teto», seu sinónimo perfeito por alteração da palavra original.

 

O Acordo consegue, assim, a proeza de transformar o arquitecto, de construtor principal, em teta principal, e isso não nos deve passar despercebido. Afinal, faz uma pequena diferença. Eu, que tenho a teta em grande consideração, não gostaria porém de a ver desenhar uma casa. Inversamente, nunca me passaria pela cabeça fazer com o arquitecto aquilo que se pode fazer com a teta. Por respeito a ambos.

 

Hugo Picado de Almeida

 

Fonte do texto:

https://aliteracaoemh.wordpress.com/2013/04/05/delirios-do-acordo/ 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:06

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Quarta-feira, 15 de Março de 2017

«Ortografia e Identidade»

 

Excelente reflexão sobre algo que os governantes portugueses desconhecem: que a ortografia de um país tem tudo a ver com a identidade desse mesmo país.

Só eles é que não sabem.

 

16641065_1134524876649179_8590712704754952287_n or

 

Texto de «Tradutores Contra o Acordo Ortográfico»

 

«Dizerem que a ortografia não faz parte da língua já é corriqueiro. Agora, dedicam-se a dizer que a escrita (e presume-se que o alfabeto) nada tem que ver com identidade. Isto corre na boca e na pena até de certos antropólogos da nossa praça. Pena é debruçarem-se sobre assuntos sobre os quais pouco sabem, com a sobranceria e o atrevimento dos ignorantes. Na verdade, até nem é preciso saber muito, basta pensar.

 

Todos conseguimos identificar determinadas línguas apenas ao olhar para a forma escrita, independentemente da compreensão. Quem não reconhece os caracteres chineses como sendo isso mesmo, chineses? Quem não associa imediatamente o alfabeto cirílico ao russo ou, em sentido mais lato, às línguas eslavas? De facto, no caso do sérvio e do búlgaro, por exemplo, o uso desse alfabeto é constitutivo de uma identidade nacional e da afiliação ao mundo eslavo e à Igreja Ortodoxa. Note-se como o croata, apesar de brotar do mesmo dialecto do sérvio, recorre ao alfabeto latino, sendo a Croácia um país maioritariamente católico romano. Se isto não é identidade, que é?

 

Outro exemplo mais próximo é o espanhol, com o seu tão típico "ñ". É certo que há outras (poucas) línguas que recorrem a essa letra, mas não a associamos imediatamente à língua de Cervantes? Repare-se, até, que, reportando-nos ao mundo do desporto, é frequente designar-se com "ÑBA" o contingente de jogadores hispânicos que disputam o campeonato norte-americano de basquetebol. Isto não forma uma identidade?

 

Atentemos ao caso português, novamente no campo desportivo. Com a nova grafia do Acordo Ortográfico, "selecção" passou a "seleção". Ou seja, o que anteriormente distinguia claramente as equipas nacionais de Portugal e do Brasil, passou a misturá-las. Repare-se como, até hoje, em alguma imprensa francesa, a designação da equipa portuguesa continua a grafar-se com "cç", distinguindo-se claramente da congénere brasileira para evitar confusões. Isto não faz uma identidade?

 

Alguém imagina os Gregos a abdicar do seu alfabeto próprio em favor do latino, que nada lhes diz? Já se pensou porque é que, apesar do jugo soviético (russo) durante décadas, tanto o georgiano como o arménio conservaram os seus próprios alfabetos? Quem se atreveria a retirar letras especiais do alfabeto islandês para o aproximar das restantes línguas nórdicas da Escandinávia? A lista de casos é infindável.

 

A grafia é língua, e a língua é sempre cultura e identidade. Mas ainda há quem se pergunte que tem uma convenção ortográfica que ver com isso...»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645118038923201.1073741833.199515723483437/1134524876649179/?type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:27

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Segunda-feira, 11 de Abril de 2016

«Delírios do Acordo»

 

O que nos diz Vasco Graça Moura (na imagem) e Hugo Picado de Almeida (num texto pitoresco, uma verdadeira lição para os ignorantes que urdiram um delírio chamado AO90).

 

Vale a pena ler.

 

É lamentável que o governo português se vergue aos casteleiros e becharas e demais criaturas quejandas, e não ouça a voz dos que sabem o que dizem e por que o dizem…

 

VASCO GRAÇA MOURA.png

 Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645080985593573.1073741828.199515723483437/814867225281614/?type=3&theater

 

Texto de Hugo Picado de Almeida

«Delírios do Acordo»

 

É uma pena que o Acordo Ortográfico se tenha apostado em criar inimigos por toda a parte, e ninguém mais do que as próprias palavras pode desejar apanhá-lo num beco escuro, à saída de um bar numa noite de pândega bem demolhada, e numa emboscada cinematográfica enriquecê-lo com duas balas de cobre embutidas no bucho sem graça.

 

Já aqui falei sobre o Acordo Ortográfico, em que nada nem ninguém acordou coisa nenhuma. Isso parece-me evidente, tanto mais à luz das recentes notícias. Importa-me, agora, notar que o desacordo é mais grave do que poderá um leigo argumentar, dizendo que isso são coisas para os puristas se entreterem e os inocupados debaterem.

 

Podem dizê-lo e não os censuro por isso, pois que a culpa não é deles. A culpa é das mesmas gentes que compuseram e aceitaram o Acordo, esquecendo-se das origens da língua e atirando a etimologia, tão importante e tão interessante na forma como permite compreender passado e presente, o sentido das palavras e seus usos, e a racionalidade da escrita, para o caixote do lixo mais esquecido. A regra, como em tantas outras coisas, passou do perceber ao decorar.

 

Um arquitecto não é um arquitecto por acaso. Não é um arquitecto porque o Viriato ou o Sertório, num dia calmo em que não havia romanos para emboscar, decidiram que arquitecto soava bem com aquela que era a sua actividade, e poderíamos até felicitá-los por isso, pois assim ficariam livres outras palavras e sons para outras ocupações.

 

Um arquitecto é um arquitecto porque os gregos lhe chamavam arkhitektōn – como chegou aos gregos e sob essa forma já não sei, mas isso é um problema no qual não temos mão, ao contrário deste –, nascido de arkhi- (principal) e tektōn (construtor). É essa a razão pela qual o “c” faz falta antes do “t”, assinalando a filiação da palavra e também a abertura da vogal precedente, o “e”.

 

Oportunamente, afastava-se assim o «tecto» da «teta» (também do grego: thêta) — ou do «teto», seu sinónimo perfeito por alteração da palavra original.

 

O Acordo consegue, assim, a proeza de transformar o arquitecto, de construtor principal, em teta principal, e isso não nos deve passar despercebido. Afinal, faz uma pequena diferença. Eu, que tenho a teta em grande consideração, não gostaria porém de a ver desenhar uma casa. Inversamente, nunca me passaria pela cabeça fazer com o arquitecto aquilo que se pode fazer com a teta. Por respeito a ambos.

 

Hugo Picado de Almeida

 

Fonte do texto:

https://aliteracaoemh.wordpress.com/2013/04/05/delirios-do-acordo/ 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:00

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Dezembro 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. «Em Português nos entend...

. «Delírios do Acordo»

. «Ortografia e Identidade»

. «Delírios do Acordo»

.arquivos

. Dezembro 2021

. Novembro 2021

. Outubro 2021

. Setembro 2021

. Agosto 2021

. Julho 2021

. Junho 2021

. Maio 2021

. Abril 2021

. Março 2021

. Fevereiro 2021

. Janeiro 2021

. Dezembro 2020

. Novembro 2020

. Outubro 2020

. Setembro 2020

. Agosto 2020

. Julho 2020

. Junho 2020

. Maio 2020

. Abril 2020

. Março 2020

. Fevereiro 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

. «Português de Facto» - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. https://www.facebook.com/portuguesdefacto

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. Comentários

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome. 2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas". 3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.

.Os textos assinados por Isabel A. Ferreira, autora deste Blogue, têm ©.

Agradeço a todos os que difundem os meus artigos que indiquem a fonte e os links dos mesmos.
blogs SAPO