Terça-feira, 19 de Maio de 2020

«Eu sou a vossa professora de Português, OK?»

 

Isto aconteceu logo no primeiro dia em que abriu a telescola, na RTP. Fiquei com curiosidade e andei a espreitar. A professora chegou e apresentou-se: «Eu sou a vossa professora de Português, OK?» (Agora entendo por que as crianças e os jovens, por tudo e por nada, andam sempre com o “OK” na boca).

 

So, OK, teacher. Let's go to learn Portuguese Language.  Está bem?

 

E isto para não deixar esmorecer a luta que um grupo de resistentes vem travando contra a imposição ilegal e inconstitucional do AO90, nomeadamente nas escolas, onde os alunos deveriam aprender a ler e a escrever correCtamente o Português, e o que lhes ensinam é um vergonhoso mixordês, que faz catedrático qualquer cidadão português, que tem apenas a 4ª classe concluída antes de 2012.

 

Todos sabemos do engajamento de Marcelo Rebelo de Sousa (PR), de António Costa (PM), de Augusto Santos Silva (MNE) e de certos deputados da Nação (que acham que reduzir a Língua à sua norma vulgar é evoluir), nesta questão da imposição do AO90, que apenas Portugal aplica servilmente, como bom pau-mandado que é. Isto está de tal modo forjado, que ninguém olha a meios para, ditatorialmente, levarem a deles adiante. Contudo, lá reza os anais da História, que, mais dia, menos dia (é uma questão de tempo) cairão do cavalo, porque por muito que o cavalo possa parecer forte, para se aguentar na corrida, tem essencialmente de ser forte.  E forte, todos nós sabemos que não é. Porque para se ser forte há que estar-se bem alimentado, e, como todos nós também sabemos, o alimento deste cavalo é um farelo bastante inconsistente e cheio de bafios.

Então vamos à lição.

 

PROFESSORA.png

 

No meu entender, um IDIOMA  - sistema de signos e de regras combinatórias que constitui um instrumento de comunicação de uma comunidade, o qual cobre os conceitos de falar e escrever) -  serve para nos comunicarmos com as outras pessoas de uma forma clara e escorreita, e não para tentar adivinhações, daí que uso todas as ferramentas que a Gramática (que, eu saiba, ainda não foi atirada ao lixo) nos proporciona, para tornar percePtível aquilo que quero dizer através da escrita ou através da fala.

 

Por exemplo, escrevo Língua e Língua Portuguesa com maiúscula, quando quero referir-me ao idioma, porque língua pode ser também o órgão móvel da cavidade bucal; pode ser a tromba dos insectos lepidópteros; pode ser o fiel da balança; pode ser a parte estreita e comprida de terra banhada lateralmente por água; também se pode dar à língua, ou dar com a língua nos dentes, ou ter língua afiada ou língua viperina, ou ainda puxar pela língua a alguém. E quando eu puxo pela língua a alguém, não me refiro à Língua Portuguesa, mas ao órgão móvel da cavidade bucal, para que a pessoa diga mais do que queria ou devia…


É óbvio que isto serve para a escrita, e não para a fala. A falar digo idioma = Língua; mas se digo o nosso idioma , já me refiro à Língua Portuguesa.

 

Um Professor (com maiúscula, para evidenciar a sua importância na formação de todos os que buscam na Escola (instituição) uma formação de qualidade) tem por missão ENSINAR = transmitir conhecimentos, para tal tem de percorrer um longo caminho e adquirir esses conhecimentos e as técnicas de os transmitir, para que os alunos captem a mensagem e, sobretudo, gostem de estar na aula a aprender o que lhes interessa, e não o que não lhes interessa, sobretudo para não os baralhar com incoerências, como agora se vê, no que respeita à Língua Portuguesa, que é fala, mas sobretudo escrita, porque é a escrita que fixa o Saber, o Pensamento de um Povo (com maiúscula para significar o conjunto dos habitantes de uma nação, e não, por exemplo, aquele povo = aglomeração de pessoas, que se juntou à porta do tribunal para chamar nomes ao assassino).

 

Daí que um Professor = pessoa que ensina em escolas, universidades, colégios (não sendo necessário dizer professor e professora, para aqui e para ali, como agora, parvamente se usa, para dar visibilidade às mulheres [dizem] como se essa visibilidade passasse pelas palavras, e não exclusivamente por atitudes) deva estar munido dos conhecimentos necessários para responder às dúvidas das crianças e dos jovens, quando se deparam com situações como as que passo a referir, e com as quais já lidei, e respondi com a verdade: coisas de políticos pouco esclarecidos e muito desalumiados.

 

Com este modismo (= idiotismo de linguagem) a que se convencionou chamar AO90, os alunos deparam-se com isto:


Aspeto (âspêtu) – que o aluno atento lê como espeto (ispêtu), e o professor corrige para “âspétu”. Como vai explicar ao aluno que numa palavra se lê o E aberto, e na outra, fechado? Baseado em que regra gramatical?

 

Mas há muito mais:

Correto” (currêtu) que se lê como em carreto (cârrêtu).

Setor” (s’tôr) que se lê como em fedor (f’dôr), tenor (te’nôr).

Desinfetante” (d’sinf’tant’), que se lê como em desinteressante (d’sint’r’ssant’).

Adotar” (âdutár) que se lê como em adorar (âdurár), apodar (âpudár), amolar (âmulár).

receção” (r’c’ção) que se lê como em recessão (r’c’ssão).

Coação” (cuâção) que se lê como em doação (duâção).

Percetor” (p’erc’tôr) que se lê como torcedor (turc’dôr).

 

(E como estas há milhentas mais. Todas as palavras às quais se suprimiram os cês e os pês lêem-se com as vogais fechadas, porque as consoantes que suprimiram tinham um valor diacrítico (de acento gráfico) que lhes abria as vogais. Daí que dizer às crianças que leiam “âfétu” em vez de “âfêtu”, para “afeto”,  é burlar as crianças, levando-as ao engano, induzindo-as a lerem e escreverem incorreCtamente a própria Língua Materna. E a missão do Professor não é essa. Então, melhor seria que apresentassem a demissão e fossem fazer carreira política, porque enganar condiz mais com a política e não com a nobre missão de ENSINAR.

 

Já agora, como explicam às crianças que o substantivo masculino fim-de-semana = período composto pelos dias de sábado e domingo e que se opõe aos dias úteis, já não é um substantivo masculino, mas sim fim de semana = um substantivo masculino (fim = termo) + uma preposição (de = que une ao nome o seu complemento) + (semana = série de sete dias consecutivos a partir do domingo), acabando com o período composto pelo sábado e domingo?


Como interpretarão as crianças esta fase: «Nada para os professores»? Quando a linguagem quer-se clara para que se perceba, de imediato, o que escrevemos? Como explicar às crianças a acentuação na preposição/advérbio até, para se diferenciar de ate, do verbo atar, e a falta de acentuação em pára, do verbo parar, para se diferenciar da preposição para)? A linguagem tem de ser clara. Certo?

 

Como explicar às crianças que EGITO (o país dos egíPcios, dos egiPtólogos, da EgiPtologia) não se escreve com o (que permanece nas outras palavras) apenas porque alguns não o pronunciam? Eu sempre pronunciei o de EgiPto, porque é da RACIONALIDADE pronunciá-lo, e apenas Brasil e Portugal, em todo o mundo onde se escreve em caracteres latinos, EgiPto escreve-se com o .

 

Como explicar às crianças que infeCcioso e infeCciologia, se escreve com dois cês, porque se lêem, e infeção, infetar, infetado (que deve ler-se inf’ção, inf’tar, inf’tadu) escreve-se deste modo apoucado, só porque não se pronuncia os cês, palavras que no Brasil (eureka!) os cês são pronunciados e escritos, tornando ainda mais desunificada uma ortografia que se pretendeu, desinteligentemente, unificar?

 

Bem, por hoje, penso que já chega.

Isto só para dizer que para ser Professor não basta parecer ou ter um canudo (OK?).

É preciso essencialmente SER Professor e TER SABER, para não andar a enganar quem frequenta uma Escola para aprender a ler e a escrever, e sai de lá semianalfabeto (= quem tem apenas os rudimentos da escrita e da leitura e não é capaz de ler e escrever correCtamente).

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:19

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

REJEIÇÃO DA PROPOSTA DO PCP PARA ABANDONAR O AO90 - «UMA DECISÃO PARA LAMENTAR»

 

Excelente reflexão, de Luiz Menezes Leitão, publicada a 27 de Fevereiro de 2018, no Jornal i, ainda actualíssima.

 

É, de facto, para lamentar a cegueira mental que prolifera ali para os lados de São Bento, a qual não permite que os nossos deputados vejam o óbvio. A subserviência ao estrangeiro é demasiado evidente.

 

E Portugal irá pagar bem caro esta insólita aventura pelo Hemisfério Sul. (Isabel A. Ferreira)

 

LUÍS MENEZES LEITÃO.jpg

Luís Menezes Leitão

 (Os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

«UMA DECISÃO PARA LAMENTAR

 

 

O acordo ortográfico contribui para abolir as variantes cultas das palavras e as suas ligações etimológicas. A língua portuguesa torna-se mais pobre e distante das suas raízes, transformando-se num idioma de laboratório.

 

A semana passada foi marcada pela rejeição, pelo parlamento, da proposta do PCP de abandono do acordo ortográfico. Trata-se de decisão que demonstra bem a insensibilidade dos nossos deputados, uma vez que, perante o desastre que está a ser a aplicação deste acordo, o parlamento prefere ignorar o que se está a passar, assistindo pacificamente à destruição total da língua portuguesa. Porque de facto, com este acordo ortográfico, o português europeu está a transformar-se num estranho dialecto, com regras escritas incompreensíveis, que se afastam da sua etimologia e das restantes línguas latinas. Com a agravante de nem sequer haver qualquer uniformização com os outros países de língua portuguesa que ou não aplicam o acordo ou do mesmo resulta que sigam regras diferentes, graças à pronúncia que utilizam.

 

Um bom exemplo disto resulta da recente tradução do livro da escritora argentina María Gainza, que em espanhol se chama “El nervio óptico”, mas que no português acordista se transforma em “O Nervo Ótico”. O problema é que sempre se utilizou na língua portuguesa a expressão “ótico” como relativa ao ouvido, reservando-se o termo “óptico” para a visão. Tal é o significado dos respectivos antecedentes gregos “otikos” e “optikos”. O acordo ortográfico aboliu esta distinção essencial, mas apenas no português de Portugal, continuando a distinção a existir no português do Brasil. Será que isto faz algum sentido?

 

E o mesmo sucede com outras palavras como “recepção”, “concepção”, que se conservam sem alterações na ortografia brasileira, mas que na portuguesa passam a “receção” e “conceção”, facilmente confundíveis com “recessão” e “concessão”. Qual a necessidade de abolir a grafia anterior se o que se consegue é criar uma ortografia que ainda mais se diferencia da dos outros países lusófonos?

 

Isto já para não falar da multiplicação dos erros de escrita que o acordo ortográfico causou, com a absurda directriz de querer abolir as consoantes mudas, estando muita gente a abolir consoantes que continuam a pronunciar-se. É assim que já se viu aparecer erros como “fato”, “ineto”, “corruto”, que demonstram bem a falta de critério na abolição das consoantes pretensamente mudas.

 

E por último deveria salientar-se o facto de o acordo ortográfico contribuir para levar à abolição das variantes cultas das palavras e às ligações etimológicas das mesmas. Assim, a expressão culta “ruptura”, mais próxima do latim, foi transformada em “rutura”, esquecendo-se que já existia a variante popular “rotura”. Fala-se em “ótico” para a visão, mas esquece-se que a medição da mesma continua a ser a “optometria”. E os egípcios, pelos vistos, passaram agora a viver no “Egito”, esquecendo-se que a palavra Egipto tem origem no deus Ptah que, que se saiba, ainda não passou a Tah. Com o acordo ortográfico, a língua portuguesa torna-se assim mais pobre e distante das suas raízes, transformando-se num idioma de laboratório.

 

Na banda desenhada “Spirou e Fantásio”, da autoria de Franquin, aparece um vilão chamado Zorglub que pretende criar uma ditadura alterando o cérebro das pessoas, o que as faz falar e escrever numa nova língua, a zorglíngua, em que todas as palavras surgem ao contrário. Esperava-se que um parlamento democrático, como o português, nos livrasse deste triste destino. Mas afinal, graças aos restantes partidos, com excepção do PCP, vai tudo continuar como dantes. Isto não foi uma decisão parlamentar, foi uma decisão para lamentar.

 

Fonte:

https://ionline.sapo.pt/602187

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:35

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Sexta-feira, 2 de Março de 2018

O ESTADO DO IDIOMA NO BRASIL E EM PORTUGAL

 

ESTADO DO IDIOMA.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:41

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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2016

«O Idioma é o laço sagrado da identidade dos Povos»

 

O AO/90 não respeita as diversidades da Língua Portuguesa.

Insulta-as.

 

LÍNGUA.png

 

Ouçamos a voz de um Português que se preza de o ser:

João Graça

 

«Por isso as ridículas alterações na ortografia da Língua Portuguesa são uma ofensa.

 

Eu recuso aceder ao AO/90.

 

Os povos lusófonos, apesar da diversidade do idioma, têm-se entendido muito bem durante séculos. Todos ficamos confusos com a ortografia nova.

 

Este chamado acordo ortográfico não foi um acordo e nem sequer foi um acto democrático, numa questão bastante importante. O AO/90 foi impingido por abuso de poder de quem tomou decisões.

 

Os governantes só se importam com a opinião pública quando esta lhe causa “dores de cabeça” severas e persistentemente lhe perturba o sono.

 

Escrever-lhes cartas elucidativas não os influencia.

 

Demonstrações de protesto junto do parlamento, escolas, bibliotecas, cinema, etc., talvez não os incomode muito.

 

Quando se deseja mudanças é preciso acrescentar à opinião pública actos de demonstração de força com todos os métodos cívicos válidos.

Há que manifestar a vontade da população com actos concretos.

 

Sem tribulações nem barulho consegue-se fazer muita coisa.

 

Provavelmente a influência eficaz mais rápida seria criar uma onda de mobilização da população para bloqueios económicos a actividades e venda de produtos que utilizam o AO/90.

 

Refiro-me não só a artigos de leitura como os livros, jornais e revistas mas também aos variados artigos de mercado com publicidade e rótulos que seguem o AO/90.

 

Por exemplo, a classe de professores, entre outras profissões, poderia com relativa facilidade pôr isto em movimento.

 

Basta que um grupo de professores de uma cidade consiga incentivar a população para que o resto do país siga o seu exemplo.

 

As instituições e associações independentes com credibilidade poderão fazer o mesmo.

 

A Democracia dá-nos muitas regalias, mas como tudo o mais também tem o seu preço. O preço da Democracia é que para preservá-la é preciso a nossa participação contínua.

(…)

Obrigado.»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:23

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. a href="https://www.facebook.com/portuguesdefacto/" target="_blank">https://www.facebook.com/portuguesdefacto/

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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