Quarta-feira, 25 de Junho de 2025

Respondendo a uma questão que me foi posta por um leitor, a propósito da minha luta contra o “acordo ortográfico de 1990”

 

Questão:

«Minha Senhora não tenha expectativas nem julgue que vai mudar algo. Aliás, com o Ensino em Portugal no ponto em que está o tal AO não existe para além da criatividade de erros dos alunos. Até na Universidade. Eu aposto no fim da III República e no advento da IV, trampolim para o regresso à Nação, realidade cultural que só uma monarquia pode garantir. O resto é Maçonaria. Cumprimentos.» João A. M.

 

Resposta:

Senhor João, ai de mim se eu não tivesse expectativas e não pensasse que com a minha atitude diante do mundo, eu não pudesse mudar alguma coisa, ainda que seja invisível aos olhos de quem não quer ver. Com as minhas lutas , já ganhei muitas batalhas, e mudei muita coisa na sociedade ao meu redor.

Eu sigo o lema da Joana D’Arc: «Defende o que é certo, mesmo que isso signifique estar sozinha».
 E quer saber? Já consegui que muitos adeptos do acordo ortográfico o abandonassem, por considerarem que eu estou certa. E já contribuí para mudanças de opinião sobre a justeza da continuidade de tão desacordado acordo.


O Ensino em Portugal está de rastos, graças à deterioração do principal pilar que o eleva: a Língua Portuguesa. Se todas as pessoas do Bem, do Bom e do Belo fossem como eu, o AO90 já teria sido atirado ao caixote do lixo. Infelizmente temos um povo maioritariamente não-pensante, para o qual tudo tanto-faz-como-tanto-fez...

Concordo consigo quanto à Maçonaria: quem manda em Portugal NÃO são os governantes portugueses, que o povo escolheu para os (des)governar (eu estou fora dessa escolha, porque voto em branco). Quem manda em Portugal talvez seja é a Maçonaria brasileira, da qual os governantes portugueses são vassalos muito, muito servis. Se não for da Maçonaria é, sem dúvida, dos governantes esquerdistas brasileiros, da ala mais ignorante, que, sem se aperceberem, ainda arrastam os grilhões coloniais, agarrados à Língua Portuguesa, que não falam, nem escrevem, precisando da muleta europeia para se mostrarem ao mundo.   

Isabel A. Ferreira

 
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Domingo, 20 de Dezembro de 2020

«O grande Eça no Panteão Nacional?»

 

Subscrevo este texto de João-Afonso Machado, publicado no Blogue Corta-Fitas.

 

Por tudo o que conhecemos do carácter de Eça de Queiroz, ele jamais desejaria que a sua ossada repousasse no Panteão Nacional. Eça está acima dessa vã vaidade, além de que Tormes é o lugar ideal para acolher um corpo que deu guarida a um espírito que, se existisse nos dias de hoje, demoliria os que, para proveito político, pretendem desalojá-lo da paz da sua sepultura, varrida pelos ventos…

 

Contudo, como refere João-Afonso Machado, a derradeira palavra pertencerá à Família Eça de Queiroz.


 Isabel A. Ferreira

 

Eça de Queiroz.jpeg

 

Por João-Afonso Machado, em 19.12.20

 

«O grande Eça no Panteão Nacional?»

 

«Está na ordem do dia: os restos mortais de Eça de Queiroz, pretende o Governo de Costa trasladá-los para o chamado Panteão Nacional.

 

O grande Eça, caso não saibam - e muitos não saberão... - morreu em Neuilly, França, e foi o cabo dos trabalhos para o trazer para Portugal, onde foi sepultado nos Prazeres, Lisboa, e, posteriormente, levado para Tormes, em Santa Cruz do Douro.

 

Ali repousa na sua merecida paz, longe da política e de todos os Abranhos deste mundo.

 

Agora, manifesta o Governo a sua vontade em o levar para o Panteão Nacional. Onde jazem figuras várias, nenhuma com a sua visão da política, do mundo e da Arte. Aliás (sem procurar apoio historiográfico), arrisco dizer - quase todos os sepultos no dito Panteão, far-se-iam mais depressa em nada se Eça sobre eles escrevesse...

 

Eu suponho - e espero! - a derradeira palavra caiba à Família Eça de Queiroz. E contra a Família Eça de Queiroz, é óbvio nada tenho a contradizer. Tenho é algumas ideias na cabeça. Por exemplo:

 

- Os governantes da época de Eça não perderam muita atenção com a sua morte. Só devido aos esforços de alguns amigos dele, atribuiram uma "pensão de sobrevivência" (aliás, de extrema necessidade) à viúva,  a Senhora Dona Emília de Castro, e aos Filhos;

 

- Os ditos Filhos perderam essa pensão em virtude das suas convicções monárquicas, pelas quais se manifestaram nas "Incursões" de 1911-12;

 

- Eça, monárquico que foi, é lido da frente para trás, assim se esquecendo os seus romances A Cidade e as Serras, e A Ilustre Casa de Ramires, entre outros escritos do maior significado;

 

- Eça, confrontado com esta III República morreria do primeiro mal que lhe desse. Calcula-se que esse mal seria a própria enunciação do termo - "III República". É só imaginar o grande Eça em conversa com o Eduardo (Dâmaso) Cabrita;

 

- Pensando em As Farpas, Ramalho acompanhá-lo-ia, também, em tal desterro no Panteão. Mas Ramalho, politicamente, não é tão sonante. Mais a mais, sobreviveu à Monarquia e (in Últimas Farpas) escreveu - «A República continua dando ao mundo o mais inacreditável espectáculo - existe»...

Costa quer popularidade. Eça, que na História vai imenso mais além deste batoteiro, quer sossego. Está bem em Tormes, e recomenda-se. Por isso... Vamos todos zurzir bengaladas nestes Palmas Cavalões (e cavalonas...) da sacanice governamental. Pelo inesquecível e inigualável Eça de Queiroz.»

 

Fonte: 

https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/o-grande-eca-no-panteao-nacional-7168155?view=35892891#t35892891

Nota: clicar no link para ler os comentários ao texto, porque vale a pena.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:59

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