Terça-feira, 11 de Maio de 2021

Pequena amostra de testemunhos do desacordo gerado, desde sempre, pelo AO90, e que os políticos desprezam ignaramente…

 

«Um acordo que nos foi imposto à força... prova que não foi acordo, mas imposição... Felizmente, eu já não era professor... Porque às vezes é necessário dizer: Não. O «desacordo» só foi para a frente porque os professores se acobardaram...» (Fernando Serrano)

 

José Sousa Dias.PNG

António Aguiar.PNG

in

Jsé Sousa Dias 1.PNG

aqui: 

https://www.publico.pt/2021/05/09/opiniao/noticia/cartas-director-1961647?fbclid=IwAR2_ofwfOglaromNkiAH1WwRw5RQYIWbKiLRAIFyz-iNJgMAURwTYkOebkU

 

***

Associação Nacional dos Professores de Português considera acordo ortográfico um erro

 

Os docentes dão a matéria seguindo as regras deste acordo, mas consideram que a mudança trouxe prejuízos para o ensino. Por isso, a Associação defende que seja dado um passo atrás, para que fosse possível, depois, dar dois passos em frente.

Ler o texto aqui:

 https://www.rtp.pt/noticias/pais/associacao-nacional-dos-professores-de-portugues-considera-acordo-ortografico-um-erro_a1317554

 

***

Opositores do [AO90] dizem que [este] criou erros evitáveis

 

 

***

«Políticos que defendem e votaram a favor do Acordo Ortográfico, para a projecção da língua portuguesa, mas que vão para Bruxelas falar inglês e francês» - Francisco Miguel Valada

 

Excerto da comunicação de Francisco Miguel Valada, intérprete na União Europeia e linguista, na conferência "A Língua Portuguesa Tem Dias…" (05/05/2021) inserida no ciclo Foz Literária promovido pela União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:04

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Quinta-feira, 15 de Abril de 2021

«Os factos que os apoiantes do Acordo Ortográfico não querem ver revelados»

 

Um texto imperdível, para todos os que se dizem amantes da Língua Portuguesa.

Um importantíssimo e magnífico texto assinado por J. Nuno A. P. S. Ferreira que põe a nu a irracionalidade da mais monumental fraude linguística de todos os tempos, em todo o mundo: o mal dito e escrito AO90.

 

E isto acontece em Portugal.

Pobre país quando cai nas mãos de pobres de espírito (não confundir com pobres em espírito, que é outro conceito).

 

AO90.png

 

Discórdia Ortográfica

 

1 - A unificação que não existe

 

Não existe nenhuma Língua global que seja unificada.

Admitindo que seremos (erradamente) pioneiros numa iniciativa deste tipo, fica apenas a certeza de que haverá o dia em que um povo adoptará numa nova palavra ou ortografia não adoptada por outros.

A unificação é uma miragem que o tempo se encarregará de levantar.

 

Ficará apenas a certeza dos erros cometidos.

As Línguas, faladas ou escritas, não pertencem a nenhum governo.

Pertencem ao povo que as falam e escrevem.

A fala e a escrita estão tão vivas quanto o povo, e sofrem as influências do ambiente que as rodeia.

 

Em Portugal diz‐se “betão” do francês “béton”, enquanto que no Brasil usa‐se um “concreto” do inglês “concrete”.

Ainda no Brasil, “espingarda” é “rifle” (“rifle” em inglês), “travões” são “breques” (“breaks” em inglês), e “congéneres” são “contrapartes” (“counterparts” em inglês).

 

Demonstra‐se apenas a ignorância a respeito das regras e práticas das restantes Línguas que se querem como exemplo, mas também a respeito na nossa própria Língua.

 

Em discussão, esta ignorância fica patente quando os defensores do Acordo Ortográfico referem como exemplo a seguir uma Língua Inglesa que, segundo estes, não têm diferenças de ortografia entre os vários países com esta Língua Oficial.

Nada poderia estar mais errado.

Existe “color” nos USA e “colour” no UK, “gray” e “grey”, “modeling” e “modelling”, e muitas outras diferenças ortográficas.

Isto para além das análogas a um “betão/concreto” como é o caso do “solicitor/lawyer”.

 

Não existe qualquer mal na ignorância, apenas na omissão de se informar antes de argumentar.

 

A verdadeira unificação é a aceitação das diferenças. É entender que as diferenças contribuem para um enriquecimento da Língua.

 

Quantos mais países falarem a Língua, mais contribuições existirão para o enriquecimento da mesma.

Isto é riqueza linguística, cada país com a sua variante:

O que o Acordo Ortográfico promete, é a substituição do “Português (Brasil)” e do “Português (Portugal)” por um tímido e fraco “Português”.

 

No entanto, aquilo que deveríamos almejar seria um “Português (Brasil)” e “Português (Portugal)” acrescidos de: • “Português (Angola)” • “Português (Cabo Verde)” • “Português (Guiné)” • “Português (Macau)” • “Português (Moçambique)” • “Português (São Tomé e Príncipe)” • “Português (Timor)”

E já agora, porque não: • “Português (Galiza)” • “Português (Goa)”

 

Os mais atentos terão certamente reparado que a versão que possuo do Microsoft Word é em inglês.

Lá chegaremos em momento oportuno.

Outro aspecto, que só pode ser distracção, é a eliminação das ditas consoantes mudas, sustentada em argumentação de facilidade de aprendizagem.

Resta saber o que fica dificultado.

Se actualmente se escreve “colecção” (do latim “collectio”), e se pretende mudar para “coleção”, gostaria que explicassem como facilita a aprendizagem de Línguas estrangeiras (ou a Língua Portuguesa por estrangeiros), quando temos “collection” em inglês e “collection” em francês.

Voltamos à base do facilitismo.

A iliteracia é elevada.

Escreve‐se mal Português.

Mudar o sistema de ensino está fora de questão.

Muda‐se a Língua.

Albarda‐se o burro à vontade do dono.

 

Enquanto nos outros países se aumenta a exigência do sistema de ensino, de modo a produzir recursos humanos com maiores competências, em Portugal promove‐se as passagens de ano administrativas.

O resultado de anos de facilitismo, tanto em Portugal como no Brasil, salta à vista, como facilmente se pode observar:

 

2 - Força da Língua

 

Muito se fala em torno da Língua Portuguesa ser a quinta ou a sexta mais falada em todo o mundo.

Como se a quantidade de pessoas fosse assim tão relevante quanto isso.

Na lógica da quantidade temos à frente do Português o Mandarim, Hindi, Castelhano, Inglês e, dependendo de como se conta, o Árabe.

Mas será a quantidade assim tão importante, tão relevante? Ou será a qualidade?

Não será mais importante a qualidade dos artigos, documentos, livros originais escritos nessa mesma Língua? Não será mais importante a excelência profissional e intelectual das pessoas com essa Língua nativa?

 

SIC.png

 E assim anda a "inteletualidade" da comunicação social televisiva…

 

Onde está o Mandarim? O Hindi? Alemão, Francês, Polaco, Japonês, Italiano e Holandês à frente do Português? Como?!

 

Parece óbvio que o desenvolvimento económico, tecnológico e cultural dos países é mais importante para a projecção de uma Língua do que a quantidade de falantes.

Nem entendo como é possível pensar o contrário.

Repare‐se como o Espanhol (Castelhano) foi prejudicado (de segunda Língua mais falada para nono lugar na WIKIPÉDIA) pelo fraco desenvolvimento da generalidade dos países com esta Língua materna.

Se Portugal pretende dar projecção mundial à Língua Portuguesa, não alcançará o sucesso através de Acordos Ortográficos, mas sim através do apoio económico, tecnológico e cultural aos restantes países de Expressão Portuguesa.

O problema é que ainda nem nos conseguimos apoiar a nós mesmos.

Urge resolver o problema do sistema de ensino Português.

Aumentar o nível de exigência.

Acabar com os facilitismos.

 

3 - Exemplos de bom senso

 

Ainda ao abrigo da ignorância, há quem torture os números para que estes digam que a Língua Portuguesa está em oitavo lugar na WIKIPÉDIA devido às diferenças ortográficas, que sem elas estaríamos num lugar muito mais honroso.

Como, uma vez mais, o problema não é a ignorância, mas sim a falta de pesquisa de informação que sustente a argumentação, aqui fica, preto no branco, essa mesma informação em falta.

Informação esta que denota o bom senso e elevação demonstrado por uma comunidade de colaboradores na WIKIPÉDIA que terá, certamente, um elevado nível cultural.

Vejamos de que se trata: «Wikipédia: Versões da língua portuguesa (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)

 

O Português escrito em Portugal, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné‐Bissau, Angola, Moçambique, Timor‐Leste e Macau (chamado de ʺportuguês europeuʺ) tem diferença sensível em relação ao português escrito no Brasil (chamado de ʺportuguês brasileiroʺ). Ainda, entre cada país do considerado ʺportuguês europeuʺ há diferenças locais relevantes.

 

No próprio território brasileiro, entre uma região e outra, também há diferenças no modo da escrita e nas gírias locais.

Por exemplo, na página principal aparece em vários sítios a palavra ʺprojectoʺ.

Esta palavra está escrita na norma seguida em Portugal e na África.

No Brasil, escreve‐se ʺprojetoʺ, omitindo a letra ʺcʺ.

Qual das duas versões está correcta? Ambas.

Simplesmente uma versão é usada no Brasil e outra em Portugal, África e territórios asiáticos.

 

Como acontece nas outras grandes línguas internacionais, não existem versões superiores ou inferiores: são apenas diferentes.

Por isso, não veja algo que não está escrito no seu português como incorrecto apenas por isso.

Este projecto é a Wikipédia em língua portuguesa, também chamada de Wikipédia lusófona.

Ou seja, é de todos os falantes do português, seja qual for a norma que utilizam.

Consequentemente, mudar da norma ʺAʺ para a norma ʺBʺ não é bem‐vindo, porque isso implica uma falta de respeito com os utilizadores das edições anteriores. (...)»

 

Se os defensores do Acordo Ortográfico partilhassem deste mesmo bom senso e elevação, e estivessem despidos de outros interesses que não a riqueza da Língua Portuguesa, não haveria certamente lugar a um tão ridículo acordo.

 

Mas ainda se pode ir mais longe.

Podemos chegar ao topo da lista: a Língua Inglesa. «National varieties of English (See also: Wikipédia: Manual of Style (spelling).

The English Wikipedia has no general preference for a major national variety of the language. No variety is more correct than the others. Users are asked to take into account that the differences between the varieties are superficial. Cultural clashes over spelling and grammar are avoided by using four simple guidelines. The accepted style of punctuation is covered in the punctuation section. Consistency within articles Each article should consistently use the same conventions of spelling and grammar. For example, center and centre are not to be used in the same article. The exceptions are: quotations (the original variety is retained);   titles (the original spelling is used, for example United States Department of Defense and Australian Defence Force); and   explicit comparisons of varieties of English.   Strong national ties to a topic An article on a topic that has strong ties to a particular English‐speaking nation uses the appropriate variety of English for that nation. For example:

 

American Civil War—(American English)   Tolkienʹs The Lord of the Rings—(British English)   European Union institutions—(British or Irish English)   Australian Defence Force—(Australian English)   Vancouver—(Canadian English)   Retaining the existing variety If an article has evolved using predominantly one variety, the whole article should conform to that variety, unless there are reasons for changing it on the basis of strong national ties to the topic. In the early stages of writing an article, the variety chosen by the first major contributor to the article should be used, unless there is reason to change it on the basis of strong national ties to the topic. Where an article that is not a stub shows no signs of which variety it is written in, the first person to make an edit that disambiguates the variety is equivalent to the first major contributor. (…)»

 

Como se pode observar, exactamente os mesmos problemas (ou ainda maiores, com os problemas derivados das unidades de medida), e ainda assim conseguem ter o maior número de artigos na WIKIPÉDIA.

 

4 - Perigos e certezas

 

Muitos são os que olham para este Acordo Ortográfico como uma oportunidade de negócio.

Um longo caminho se percorreu para evitar que os manuais escolares fossem substituídos anualmente.

Neste momento as editoras esfregam as mãos de contentes para terem a oportunidade de substituir novamente todos os manuais escolares. Em 2009 os do primeiro ano, em 2010 os do segundo, e assim sucessivamente.

Poucos são aqueles que se apercebem dos perigos vindos de Oeste.

Grandes editoras, com matérias‐primas mais baratas, mão‐de‐obra ainda mais barata e sem garantias de qualificações apropriadas.

Por coincidência, ainda há pouco tempo peguei em alguns manuais dos tempos da universidade.

Em dois manuais de apoio (probabilidade e estatística), um era de origem brasileira.

Desconheço a situação actual a nível universitário, mas a nível profissional sei que a grande maioria de traduções para Português de livros técnicos de informática são em Português do Brasil.

Mas não se restringe a livros impressos.

Não é necessário estar muito atento para entender as dificuldades que os tradutores Portugueses têm em Portugal para encontrar trabalho, com a concorrência dos congéneres Brasileiros.

Com o Acordo Ortográfico a situação só tende a agravar‐se.

 

É um Acordo muito mais vantajoso para o Brasil que para Portugal.

Não só pela mão‐de‐obra mais barata, como também pela facilidade na desvalorização da moeda para facilitar as exportações.

E quem fala em livros, fala em filmes, em programas de computador, etc.

 

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As legendagens estão entregues a mão-de-obra barata brasileira daí este “de dia 23”…

 

Estes são os perigos.

Quanto às certezas, apenas as de que não existe nenhum Acordo Ortográfico que obrigue as pessoas a mudar o modo como escrevem, nem que obrigue a ler o que quer que seja que esteja nessa forma imposta.

Não posso falar pelos outros Portugueses, mas, no que me diz respeito, posso afirmar que continuarei a escrever do mesmo modo, e que evitarei comprar tudo o que não esteja na forma pré‐Acordo.

Aliás, a esse respeito pouco irá sofrer alguma alteração.

Como se pôde observar, faço os possíveis por ter software apenas em Inglês, sempre que tenho possibilidade de escolha.

Quando não encontro em lojas nacionais, compro através da Internet no UK.

Prática que adquiri desde que fui confrontado nos finais dos anos 80 com a tradução de “help” por “socorro”.

O mesmo se passa com os livros técnicos.

O único livro técnico que tenho em Português do Brasil está vergonhosamente escondido atrás de muitos outros, e apenas consta na minha biblioteca porque foi oferecido num curso de formação que frequentei.

Nunca o teria comprado.

Livros técnicos em Português (poucos) só mesmo os de autores portugueses.

Canais de TV sofrem do mesmo tratamento.

A evitar as dobragens e as legendagens de fraca qualidade.

Para telenovelas não há pachorra.

A avaliar pela quantidade e qualidade dos opositores ao Acordo Ortográfico, fico com a sensação de que a única garantia é que este Acordo irá conseguir afastar ainda mais estas mais‐valias para a Língua Inglesa, empobrecendo cada vez mais a Língua Portuguesa.

Imagino que a tendência seja para haver cada vez mais crianças a frequentar colégios Ingleses, Franceses. Espanhóis e Alemães.

 

Realmente haverá muita gente a lucrar com este Acordo Ortográfico.

A perder só fica o País.

Penso mesmo existir uma excelente oportunidade de negócio, a editar livros em Português pré‐Acordo.

Quem sabe se não poderá chegar‐se ao extremo de criar um sistema de ensino paralelo. E com a certeza de uma qualidade claramente superior. Também imagino ser difícil fazer pior que o sistema de ensino que existe actualmente.

 

5 - Referendo

 

Como já foi referido, a Língua Portuguesa não é propriedade do Estado, nem de nenhum Governo, e muito menos de um qualquer partido político.

A nossa Língua apenas ao povo pertence, seja ele Português, Brasileiro ou outro.

Não me recordo, tão pouco, de um qualquer partido político ter feito referência à sua posição a respeito do Acordo Ortográfico em campanha para qualquer uma das eleições legislativas.

Se o Tratado de Lisboa poderá ser considerado como uma opção política, já o mesmo não se passa com esta questão da Língua que apenas ao povo diz respeito.

Tal ingerência apenas pode ser legitimada através da consulta popular num referendo.

 

6 - Autoria

 

J. Nuno A. P. S. Ferreira

 

Fonte:

http://fs1.nuno.net/DiscordiaOrtografica.pdf

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:25

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Quinta-feira, 8 de Abril de 2021

O “abifalhar” e o “abrasileirar” é o que está a dar…!

 

Texto recebido, via e-mail, com este recadinho:

 

«Anglicismos: este texto é dos mais fabulosos e da mais fina mordacidade que tenho recebido. Dá para ver como estamos a deixar-nos “abifalhar” - até dizer basta!» .

 

Pois é, contudo, com um Português tão abrasileirado e tão maltratado, as pessoas estão a voltar-se para o Inglês, que, esse sim, continuará a ter FUTURO. O Português estará (está) condenado, se não aparecer um cérebro pensante que ponha um fim URGENTE, ao descalabro que por aí vai.

 

Isabel A. Ferreira

 

PARABENIZA.png

A propósito, sugiro a consulta deste texto:

Ao redor da palavra "parabenizar" ...

 

METE EM CAUSA.png

Significado de meter em = pôr dentro 

 

Agora fiquemos com os anglicismos que, ao menos, fazem SENTIDO, e pertencem a uma Língua a sério e internacionalmente aceite:

 

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Por Alexandre Borges

 

'Erradicar o português: ponto de situação'

 

 '« (...) O português está por um fiozinho – não vá cá em conversas de lusofonias e cêpê-élepês. Hoje mesmo, amiúde, já só serve para ligar estes conceitos. (...)»

 

Tenho a certeza de que sabe que estamos praticamente a caminhar sobre um cadáver. Que nos sirvamos do português roça a profanação de sepultura – deveria dizer: a necrofilia? A língua portuguesa caminha para a extinção mais depressa do que o rinoceronte e, no fim, embora possamos sempre resguardar em cativeiro porventura um bibliotecário macho e uma linguista fêmea, ou vice-versa, com vista à continuação da espécie, eu não depositaria demasiada fé na operação. Sabe-se lá que língua falarão então. E que líbido lhes restará.

 

Não culparei o infame acordo ortográfico, nem o Instituto Camões, nem as telenovelas, nem os sucessivos governos, nem as pessoas com necessidades especiais que a televisão filantropicamente emprega na inserção de caracteres com vista à criação no indivíduo de um sentimento de dignidade e amor-próprio. Não culparei os professores, nem os alunos, nem os brasileiros, nem os portugueses, nem o fado, nem o kuduro, nem ao menos a quizomba, nem necessariamente a televisão, que é capaz de ainda morrer primeiro. O português está prestes a bater a bota pela mesma razão que todas as outras línguas que não o inglês estão prestes a bater a bota: a monocultura do sucesso.

 

O que é a monocultura do sucesso? A forma mais curta que o presente autor encontrou de descrever a convicção generalizada de que: a) a felicidade individual é não só possível como o objectivo último da vida; b) a felicidade reside no sucesso; e c) há uma e uma só forma de lá chegar. E essa forma implica teses estruturantes como o trabalho estar acima de tudo e o crescimento ser um fim em si mesmo, e outras aparentemente acidentais, mas de que ninguém abdica, materializadas num comportamento de rebanho ou manada, e que significam, mormente: comermos todos a mesma coisa, fazermos todos o mesmo tipo de exercício, consumirmos todos o mesmo entretenimento, visitarmos todos os mesmos lugares, falarmos todos a mesma língua, através até das mesmas expressões.

 

Catastrofismo, dirá. Ou bullshit, quem sabe? Digo-lhe que não. Que vamos erradicar o português em poucas gerações. Extirpar da face da Terra essa chatice das línguas estrangeiras e das traduções. E não será preciso qualquer ditadura; fá-lo-emos por vontade própria.'

 

'Pense no que está no seu top of mind. Se tem ou não tem a drive. Nesse mindset. Estará na cloud? O importante é estar sempre on. Viu o mail? Foi ao chat? Recebeu o briefing. Fez o debriefing. Teve atenção ao target e ao benchmark. Fez o brainstorm com vista ao break-even. O problema é o budget. Mas pense no ROI. Não tem business plan. É um B to B; não um B to C. Não ouviu o chairman? É o nosso core business. Tem de experimentar o coaching. Falta-nos mentoring. Trabalha em cowork. Conseguiu com crowdfunding. Mas não se esqueça do deadline. Recebeu o forward? Agora, faça o follow-up. Dê-nos feedback. E cuidado com o gap.

 

É uma questão de know-how. A ninguém já interessam qualidades, capacidades ou atributos; somente as skills. Não há fundadores nem criadores; há founders. Já não se conhece pessoas; faz-se networking. Ninguém abre uma pastelaria; tem uma startup. E há o pitch, os players, o spin, o spin-off, os stakeholders, o take off e o set up. O importante é rodear-se dum staff multitasked que entenda as trends, mas pense out of the box. E escolher bem o timing na hora do kickoff.

 

 Confesse lá. Quantos destes termos não percebeu realmente? Quantos não usou na última semana, para não dizer hoje mesmo?

 

E o pior é o desgaste. O stress. Sim, sim, vimos o que fizemos aqui: o stress. Até isso. Em inglês. Poderia ser outra língua, poderia ser outra filosofia. Pense no francês. Lembra-se de quando era o francês o grande influenciador – influencer? – da língua e cultura pátrias? Ó saudade. O bâton, o parfum, a pâtisserie, o chauffer, o coiffeur, o robe de chambre, a lingerie, o soutien, o boudoir, a boîte, a bohème – as coisas realmente importantes da vida. A chaîse longue, Jesus Cristo, a chaîse longue! A delicadeza, a classe, a preguiça, a demora, a textura de cada palavra destas… Quão longe estávamos do frenesim ruidoso e áspero do think tank e das conference calls, das talks, do downsizing, das key words e dos highlights. Que se passa com essa gente que desce uma rua nas Olaias como se desfilasse para fora dum filme em Wall Street? Ao diabo o corporate e as commodities. Até para descansar é preciso comprar o pack e ir em jeans e t-shirt para o resort, mais o trolley, o tablet, os phones e o streaming.

 

Está tudo perdido? Claro que está. Estamos on the same page. Diz o report. Precisamos de team building. Tudo ASAP. E até quando rebentamos, já não temos esgotamentos; temos burnouts.

 

E os trainees, as brands, os accounts e os assets. O cash-flow, a mailing list, o background, o merchandising e o mainstream. Ide à meretriz que vos pôs no mundo, hypes, bits, beats, spots e hipsters, blogs, posts, comments, shares, views, hits e likes. O sentido da vida é agora contabilizável, FYI – For your Information – possivelmente em KPIs – key performance indicators (in case you don’t know). Soft sponsoring, product placement e hard sell, vão ler Eça e encher-se do que de mais haja na choldra.

 

Mando o layout assim que tiver os teus inputs. Seguindo as guidelines internacionais e os insights locais. Tudo premium, evidentemente. A guita segue em attachment, como vi no showroom, diz o slogan, e o claim, no outdoor, online e offline, se não for para o spam, como aprendemos no workshop. O approach foi acordado com o departamento de research e tem em conta o pipeline e o workflow. Tudo para o melhor outcome.

 

Querer dormir e acordar, comer e beber, ler e contemplar, estar bem com o que se tem. Não ter urgência alguma de ir descobrir o que ainda não se conhece nem explorar todo o nosso potencial escondido – ó crimes capitais! Aproveita o coffee break, ou o out of office, e fala naquela língua ainda pior, bastarda, filha do inglês e do português, e que diz coisas que dariam ao Camões, se ainda cá estivesse, vontade de vazar a outra vista só para não ter de as ler, como: “mandatório”, “empoderamento” ou “customizável”.

 

O português está por um fiozinho – não vá cá em conversas de lusofonias e cêpê-élepês. Hoje mesmo, amiúde, já só serve para ligar estes conceitos. Substantivos e adjectivos já foram colonizados pelo inglês; os verbos para lá caminham (veja o googlar, o brandisar ou – desculpa, Camilo, as voltas na tumba – o spoilar); ao português, em breve, não restarão mais do que preposições, conjunções e meia dúzia de advérbios. E não se perder em grandes elaborações frásicas, que, para garantir que o receptor percebe o que queremos que sinta, estão lá os emojis.

 

E o meu problema, caro leitor, não é sequer só o estar de serviço na hora em que vemos esboroar diante de nós uma língua com 800 anos como quem implode um prédio devoluto na Amadora (com o devido respeito pelo povo irmão da Amadora); é ver a que lhe toma o lugar. Deitamos fora a língua erudita que tivemos a felicidade de herdar do império romano, para pegar numa língua bárbara, minimal e monolítica, incapaz ao menos de conjugar um verbo (I love you – Eu amar tu.) Uma língua que, circunstâncias do tempo, evoluiu na boca daqueles que implantariam a dita monocultura do sucesso, do triunfo pessoal. E eis porque uma pessoa lê os termos inscritos neste texto e fica com palpitações. Em que outro idioma poderia ter nascido uma palavra como “workaholic”?

 

O português vem doutro tempo, quando se andava mais devagar e sonhava com outras coisas. Foi válido durante uns bons 800 anos, de Dom Dinis ao meu avô Grimanez. Mas, de repente, o mundo decidiu que já chega. O mundo em que ler os 10 resultados da primeira página de resultados do Google é investigação que chegue praticamente para um doutoramento. O mundo em que já não há sapateiros, mas sobram chief operating strategy officers. O mundo em que o palavrão é um dos últimos redutos de verdade entre um falante e a respectiva língua materna.

 

Sim, ilustre desconhecido que me lês. O foda-se ainda há-de ser o nosso porta-estandarte. Carregar a bandeira do português contra todos os smarts, low costs, take-aways, call centers, old school, fast food, clusters, CEOs, CFOs, partners, managers, consultants, advisors, foodies, selfies e dumpings, gajos do running e do gaming e do cross-fit e do snorkeling.

 

(...) Deixem-me em paz com o meu Alberto Caeiro e a minha preguiça. A vida também é feita de latas de atum e tédio. Podemos declará-lo no LinkedIn? A linguagem chegará sempre demasiado tarde para explicar o mundo – qualquer filósofo depois de Wittgenstein o dirá. Deixem-nos ficar uma língua ao menos para quando não queremos ser compreendidos.'

 

in https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/controversias/erradicar-o-portugues-ponto-de-situacao/4406#

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:49

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Segunda-feira, 29 de Março de 2021

Engana-se quem diz que o Português é a Língua mais falada no Hemisfério Sul e arredores

 

Há quem queira esticar a corda, para parecerem muitos, e justificar uma unificação de grafias que jamais acontecerá. E há também quem tenha a alucinante pretensão de que a NOSSA Língua Portuguesa venha a ser uma Língua oficial da ONU. Poderia até ser se esses “milhões” de pretensos falantes, falassem, de facto, Português. Mas não falam.

 

A matemática dos “milhões”, que serve de base ao insano AO90, peca por estar muito aldrabada. Se não vejamos por que é uma falácia dizer que “milhões” falam Português. Se bem que os oito países lusófonos, que integram a eivada de colonialismo e inútil CPLP, tenham (ainda) a Língua Portuguesa como Língua Oficial.

 

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Imagem: Reprodução

 

Porém, de facto, o único país onde se fala, quase a 100% Português, é Portugal, tendo o Mirandês também como Língua oficial. A estas duas Línguas acrescentem-se os dialectos Madeirense e Açoriano. E, no mundo, falar-se-á Português, onde quer que exista uma comunidade portuguesa, se bem que as novas gerações sejam, no mínimo, bilingues: falam a Língua dos Pais e a do País que os acolheu.

 

De resto, eis o que na realidade se passa:

 

- No Brasil, fala-se o Crioulo Brasileiro, oriundo do Português; a acrescentar a este, existem mais 274 línguas diferentes, faladas pelas 305 etnias indígenas; a estas, juntem-se mais as seguintes línguas regionais, bem enraizadas no quotidiano brasileiro:  Alemão, Castelhano (nas áreas fronteiriças), Hunsrik, Italiano, Japonês, Polaco, Ucraniano, Inglês, Pomerano, Talian, Chinês e Coreano.

 

- Em Cabo Verde fala-se o Crioulo Cabo-verdiano, oriundo da Língua Portuguesa, usado no quotidiano das pessoas, como Língua oficial, e o Português, como Língua estrangeira.

 

- Em Angola a Língua oficial é a Portuguesa, contudo a maioria da população angolana fala, como primeira língua, algumas das línguas angolanas, a saber: o Umbundo, o Kimbundu, o Quicongo, o Chócue, o Nganguela, o Kwanyama, além de dezenas de outros dialectos.  

 

 - Em Moçambique a Língua oficial é a Portuguesa, mais utilizada no meio urbano. Contudo, existem 43 línguas nacionais, das quais 41 são línguas Bantu, faladas no meio rural, as quais me abstenho de mencionar por serem demasiadas.

 

- Na Guiné-Bissau predomina o Francês, nas universidades (por motivos de vizinhança) e o Crioulo da Guiné-Bissau, oriundo do Português, é a língua franca da Guiné-Bissau, e é falado por cerca de 70% da população total do país.

 

 - Em São Tomé e Príncipe, o Português como língua oficial é falado apenas virtualmente pela população, porque o que predomina são os crioulos desenvolvidos a partir do Português como o Forro, o Angolar e o Principense. Mas também é ali bastante falado o Crioulo Cabo-verdiano, o Português dos Tongas e resquícios de Línguas do grupo Bantu. Contudo, actualmente, o Francês e o Inglês são também profusamente falados no país.

 

- Em Timor-Leste, de acordo com a Constituição do país, o Tétum, que sofreu influências da Língua Portuguesa (uma Língua de elite em Timor), é a Língua Nacional, mas também Língua Oficial, que partilha com o Português. A estas, juntam-se mais as seguintes quinze Línguas Nacionais faladas pelo povo timorense: Ataurense, Baiqueno, Becais, Búnaque, Cauaimina, Fataluco, Galóli, Habo, Idalaca, Lovaia, Macalero, Macassai, Mambai, Quémaque e Tocodede. 

 

- Na Guiné-Equatorial, metida à força, no grupo dos países da CPLP, por questões meramente economicistas, NÃO SE FALA Português, mas sim o Castelhano e o Francês. Aqui tem-se a pretensão de criar escolas para se aprender o Português. Mas qual Português? Obviamente o Crioulo Brasileiro, oriundo do Português, aliás já bastamente disseminado pela Internet, com a bandeira brasileira.

 

- Em Macau já pouco se fala Português, a Língua predominante aqui é o Mandarim.

 

***

Feitas bem as contas, a Língua Portuguesa nem pouco mais ou menos é falada pelos “milhões” que, falaciosamente, os predadores da Língua Portuguesa (brasileiros e portugueses) propagam, para justificar a imposição (ilegal) do AO90.

 

O facto é que tudo bem espremidinho, e tendo em conta que Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste não ratificaram o AO90, e que Cabo Verde tem o Crioulo Cabo-verdiano como primeira Língua, e São Tomé e Príncipe está-se nas tintas para o AO90, quem sobra para defender o indefensável? O Brasil, o mais interessado nesta questão, pois é a sua VARIANTE que circula por aí, e o muito servilista Portugal. E tendo ainda em conta que apenas uma fatia seguidista de Portugueses aplica o AO90, pretender que a Língua Portuguesa tenha a importância que lhe querem atribuir, no plano internacional, é da mais cristalina estupidez.


E sim, concordo com o que diz Olavo de Carvalho.

 

Olavo de Carvalho.jpg

 

Ao suficientemente idiota que apareceu no Brasil, somam-se os idiotas portugueses que, deslumbrados com os falsos “milhões” de falantes, e imbuídos do complexo de inferioridade que os faz rastejar aos pés do gigante, andam por aí a justificar o Acordo Ortográfico de 1990, com a colossal e imbecil falácia da defesa do papel da Língua Portuguesa à escala internacional.

 

Que papel? Que Língua Portuguesa?  A quem querem enganar e fazer de parvos?

 

E pensar que a Língua Portuguesa, GENETRIZ de toda esta diversidade e riqueza de Crioulos, que disseminou pelo mundo, está a ser empobrecida, esmagada, reduzida a uma insignificante imitação ridícula e imperfeita da Língua que já foi, dá-me ímpetos de maldizer todos (os que obrigam e os que se dizem obrigados a…, mas não são) os que estão a contribuir para este monstruoso retrocesso linguístico, sem precedentes na História de Portugal.

 

E citando Maria Alzira Seixo, ao comentar uma publicação no Facebook: «Obrigar as pessoas a escrever mal, nem o próprio Salazar o teria feito. Até porque Salazar sabia escrever, ao menos».

 

Isabel A. Ferreira

 

Nota: artigos que me levaram a escrever este texto:

Português, a língua mais falada do Hemisfério Sul

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/portugues-a-lingua-mais-falada-do-hemisferio-sul-419517

A casa da lusofonia: riqueza linguística

https://eltrapezio.eu/pt-pt/opiniao/a-casa-da-lusofonia-riqueza-linguistica_18416.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:17

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Domingo, 7 de Março de 2021

Portugal já não tem Língua que o represente nem no Festival da Canção…

 

Os “The Black Mamba” venceram a 55ª edição do Festival da Canção. A música ‘Love Is On My Side’ vai representar Portugal no Festival da Eurovisão 2021, em Roterdão.

Congratulations,  “The Black Mamba”! 

 

A Banda vai cantar em Inglês. Num Inglês correCto, of course.

 

E querem saber?

 

Antes em Inglês correCto, do que no MIXORDÊS “incurrêtu” (incorreto) que anda por aí a fazer-de-conta que é Português, tanto na oralidade como na escrita.

 

Bye-bye Portuguese…

Good luck to The Black Mamba. Be the best, for Portugal. 

What matters is singing. Words are simply words that serve to fill musical harmonies... 

 

Elisabeth A.  Smith

 

Mamba.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:23

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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021

«Pretensa língua portuguesa utilizada numa reunião na UNESCO, mas que na verdade é a [futura] língua brasileira. CHOCANTE!»

 

O título desta publicação é o assunto de um e-mail que recebi de alguém, que não irei identificar, por motivos óbvios, e que me chocou tanto quanto chocou quem o escreveu.

 

Há muito sabemos o que está por trás da imposição ditatorial do AO90, em Portugal. Também sabemos que a Língua Portuguesa, internacionalmente, não existe. O que existe, e veio substituí-la, é a Variante Brasileira do Português, que já não é Língua Portuguesa.

 

Penso que nenhum português se incomodará se a Língua Brasileira vier a ser a Língua mais falada no mundo, ou mesmo ser A Língua do mundo, como o é, neste momento, o Inglês, embora seja a terceira Língua mais falada. Que tenham muito bom proveito e sejam felizes. A inveja é um sentimento muito feio.

 

Os Portugueses, que se prezam de o ser, não são complexados. Estão-se nas tintas se a Língua Portuguesa vier a ser uma Língua minoritária, como a Língua Galega, desde que seja uma Língua, porque mais vale ter uma Língua minoritária, do que ter um arremedo de Língua.  


Daí que, é com grande consternação que vemos a Língua Portuguesa ser substituída pela Variante Brasileira, e que continuem a chamar-lhe “portuguesa”. Porque já não é.

 

Sabemos que os governantes portugueses não têm um pingo de brio, daí que tanto se lhes dá como se lhes deu que a Língua Portuguesa tenha desaparecido da Internet ou do mundo. Contudo, enquanto houver PORTUGUESES (e não arremedos de portugueses) a Língua Portuguesa estará a salvo. Nós seremos o seu último reduto, tal como a Galiza é o último reduto da Língua Galega.

 

Isabel A. Ferreira

 

LÍNGUA.png

 

E-mail recebido:

 

Cara Isabel,

 

Eu inscrevi-me hoje nessa reunião na UNESCO. E ao inscrever-me eu escolhi como é óbvio a Língua Portuguesa, como estava indicado.

 

Como pode verificar no documento em anexo, a Língua Portuguesa parece ter deixado de existir nos cenáculos internacionais (além da Internet) e foi já claramente substituída pela [futura] língua brasileira.

 

Este documento não está redigido em português/acordês (AO1990) mas foi redigido directamente em brasileiro, o que não deveria suceder. Eu sublinhei a vermelho as palavras que demonstram o que aqui escrevo. Por exemplo, eu nunca “disquei” um número de telefone, e assim de seguida.

 

Por ter ficado extremamente chocado (para não dizer ferido com o que considero uma humilhação, para todos nós portugueses, para a Língua Portuguesa e para a Nação Portuguesa, decidi informá-la do que precede, assim como ao N. P.

 

Acho que seria útil e oportuno que se saiba, publicamente, como a LÍNGUA PORTUGUESA está inexoravelmente a ser eliminada internacionalmente por sucedâneos, como a futura língua brasileira, como aliás estava previsto na “AGENDA OCULTA” a qual continua a ser implementada.

 

Pelo menos agora está claro qual era o verdadeiro sentido deste desígnio. Só não vê quem não quer.

 

Cordialmente.

 F.J.

 

***

Documento anexado:

 

Olá  ……………………………………………………………………..  ,

Obrigado por se inscrever para " …  General Assembly".

Envie qualquer pergunta para   :    .......@unesco.org

Data Hora: 3 mar. 2021 01:00 da tarde Paris

Ingresse do seu PC, Mac, Linux, iOS ou Android: Clique aqui para ingressar
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        Federação Russa : +7 495 283 978
        Suécia : +46 8 4468 248
        Reino Unido : +44 131 460 119
        Brasil : +55 11 4680 678
        Chile : +56 23 210 906
        Peru : +51 1 707 578
        Costa Rica : +506 4100 769
        RAE de Hong Kong : +852 5803 373
        Austrália : +61 2 8015 601
        Bahrein  : +973 1619 760
ID da Reunião : 936 3054 140
Senha de acesso  :
Números internacionais disponíveis: https://unesco

Ou um sistema de salas

162.255.37.1 (Oeste dos EUA)
162.255.36.1 (Leste dos EUA)
221.122.88.19 (China)
115.114.131. (Mumbai Índia)
115.114.115. (Hyderabad Índia)
213.19.144.11 (Amsterdã
Países Baixos)
213.244.140.1 (Alemanha)
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Austrália)
103.122.167.5 (Melbourne
Austrália)
209.9.211.11 (RAE de Hong Kong)
149.137.40.11 (Cingapura)
64.211.144.16 (Brasil)
69.174.57.16 (Toronto
Canadá)
65.39.152.16 (Vancouver
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publicado por Isabel A. Ferreira às 19:02

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Sábado, 9 de Janeiro de 2021

«Tanta entrevista aos candidatos a PR, e nem uma só vez foram confrontados com a sua posição em relação ao Acordo Ortográfico de 1990!»

 

Um pertinente texto de Elisabeth Henriques, obrigatório ler, para se poder reflectir na sua mensagem, com a qual estou totalmente de acordo.

 

O AO90 é um tema tabu para os órgão de comunicação cocial, ou melhor, estão proibidos de o abordar.

 

oscar_wilde_o_jornalismo_moderno_tem_uma_coisa_a_s

 

Por Elisabeth Henriques

 

«Poderia dizer muita coisa a respeito de tal "jornalismo", que ignora uma das questões mais fracturantes da nossa sociedade, sobre a qual se pronunciaram (e continuam a pronunciar-se) as maiores figuras da Cultura portuguesa. Sobre a qual foram assinados manifestos e petições contra. Sobre a qual, sempre que foram empreendidos inquéritos à opinião pública, o NÃO ganhou com uma votação estrondosa, da ordem dos noventa e tal por cento.

 

Poderia realmente dizer muita coisa. Mas, sinceramente, é difícil classificar tal atitude jornalística. Uma atitude que, ao fim e ao cabo, traduz apenas a INÉRCIA generalizada de um povo, que permanece impassível perante a paulatina destruição da sua Língua, uma língua centenária e de tantos pergaminhos; destruição essa claramente constatada no dia-a-dia, em que vemos o Português substituído por um "brasileirês/mixordês". Nas televisões, nos jornais, nas revistas, nos livros, nas legendas dos filmes, nos jogos online, para não falar nas dobragens dos desenhos animados. Quando se vê "dobrado em português", depara-se com o português falado pelos brasileiros! Supostamente, o "acordo" pretendia unificar e prestigiar o Português. Em vez disso, conseguiu praticamente acabar com ele, substituindo-o pelo linguajar do colonizado, misturado com um arremedo de si mesmo.

 

Parabéns (muito cínicos) aos seus fautores!

 

Poderia realmente dizer muita coisa, mas vou optar pelo termo inglês "disgusting". Numa altura em que também os anglicismos abundam, talvez não melindre tanto...»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/elisabeth.lh/posts/10214938398573585?comment_id=10214941440729637&reply_comment_id=10214941528971843&notif_id=1610210240360283&notif_t=comment_mention&ref=notif

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:09

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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2020

A propósito da saga da “ILC-AO”: «Que língua aldrabada é esta [a gerada pelo AO90]?! Os responsáveis políticos e a ‘elite’ são ignorantes e não têm vergonha?!»

 

Exactamente: são ignorantes e não têm vergonha.



O título desta publicação é um excerto do comentário que Maria José Abranches (professora de Português reformada) deixou no Blogue Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, a propósito do texto de Rui Valente, «Um Setembro Sombrio» que pode ser consultado neste link:

https://ilcao.com/2020/09/23/um-setembro-sombrio/

 

que nos dá conta dos atropelos à Lei perpetrados pela Assembleia da República, e que pode ser passível de processo judicial. Por que não? Se um cidadão comum não cumpre a Lei, é penalizado. Se o órgão maior da dita “democracia portuguesa” (?) não cumpre a Lei, quando devia dar o exemplo, faz o que bem entende, desrespeita os Portugueses, fazem-nos a todos de parvos, e não acontece nada?

 

É exactamente como diz Maria José Abranches: «Será que ninguém se apercebe dos erros linguísticos, escritos e orais, cada vez mais abundantes, que vêm infestando a nossa comunicação social? Que língua aldrabada é esta?! Os responsáveis políticos e a ‘elite’ são ignorantes e não têm vergonha?!»

 

Não, poucos são os que se apercebem. E sim, os responsáveis políticos e a “elite” são ignorantes e não têm vergonha, porque para se ter vergonha é preciso ter-se HONRA.    

 

Gandhi - tiranos derrubados.png

Quanto a mim, o que me vale, é ter esta reflexão de Gandhi sempre no meu pensamento.

 

Mas para os tiranos serem derrubados há que derrubá-los. Eles não se derrubam a si mesmos. Daí que deixe aqui um apelo (referido no comentário mais abaixo).



O texto de Rui Valente, pode ser consultado no link, referido mais acima.

 

Destacarei aqui os três comentários de três pessoas que, nas suas diferentes funções, lutam para que a grafia de 1945, a que está em vigor, porque não foi revogada, mas não é aplicada, por ignorância, regresse às escolas e as nossas crianças possam aprender a escrever correCtamente a Língua Materna, que é a Portuguesa, não é a Brasileira.


A propósito, e antes de expor os comentários, deixo aqui este à parte: num artigo, recentemente publicado no Jornal Público, sob o título «Paira um espectro sobre os amigos do acordo ortográfico — o espectro da fonética» e que pode ser consultado neste link:

https://www.publico.pt/2020/09/24/culturaipsilon/opiniao/paira-espectro-amigos-acordo-ortografico-espectro-fonetica-1932580?fbclid=IwAR17F-fMmNv4lMqA3ujYN6gWXt2sl1CBPd2BGWy9h3ZLpzPEtewfeZ32z-E

 

Nuno Pacheco, o autor do texto, diz o seguinte:

 

«O acordo ortográfico, mexendo na escrita, mexeu também na fonética. Isto já foi dito mil vezes, mas nunca é demais repetir. Escrever “fator” e pretender que se leia “fàtôr” (factor) é ilusório. Daqui a uns anos, diremos “âtor”, “dir’ção”, “obj’tivo” e disparates do género. Sim, estamos a mudar a nossa fala por causa de uma escrita aberrante que, sendo diferente da brasileira (e nunca é excessivo insistir nisto), não respeita o nosso sistema vocálico e as suas idiossincrasias.»


Não, Nuno Pacheco, a escrita imposta pelo AO90, é 99% brasileira. Refiro-me aos infinitos vocábulos mutilados, assentes na Base 4 do Formulário Ortográfico (brasileiro) de 1943, que o Brasil “adotou” (lê-se “âdutou”) depois de ter rejeitado a grafia da Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945, que inicialmente assinou. E em que consistiu essa mutilação? Em suprimir TODAS as consoantes ditas mudas, dando preferência à fonética, e não à etimologia. E dessa mutilação, fazem parte um infinito número de vocábulos: ator, direção, fator, objetivosetor, diretor, fatura, adotar, direto, atual, atividade, coleção, seleção etc., etc., etc., à excePção de uns poucos vocábulos (mais os seus derivados), nos quais os Brasileiros pronunciam as consoantes mudas, e nós não: como excePção, recePção, perspeCtiva, ifeCção, infeCtado, excePto, e uns poucos (poucos) mais  que escaparam à mutilação e que os acordistas portugueses, muito parvamente, escrevem exceção, receção, exceto, perspetiva, infeção, infetado, exceto,  gerando uns autênticos abortos ortográficos, muito, muito, muito aberrantes.


Esta escrita é aberrante, sim, em Portugal, porque a NOSSA escrita pertence a uma Língua românica, de raiz greco-latina, Indo-europeia, baseada na etimologia (como todas as restantes escritas europeias), e não na fonética.


No Brasil, as palavras que eles mutilaram, não são aberrantes para eles, porque para eles, que abrem todas as vogais, o som ficou igual. E o que o Brasil faz com a Língua que eles transformaram em outra língua, americanizando-a, castelhanizando-a, italianizando-a, afrancesando-a é problema deles e não nosso, se bem que não deviam chamar-lhe “portuguesa”, porque já se afastaram baste dela.



Em Portugal escrever ator, direção, fator, objetivosetor, diretor, fatura, adotar, direto, atual, atividade, coleção, seleção, etc., é escrever à brasileira, e aqui sim, nunca é excessivo insistir nisto, porque até uma criança, que frequenta a escola primária, e aprende outras línguas, sabe que aquele “direto”, que aparece frequentemente na tela da televisão, está escrito à brasileira, porque em Português, em Francês, em Inglês, em Castelhano, todas línguas europeias, que uns e outros aprendem, “direto” escreve-se com um cê: direCto. Sem é unicamente à brasileira. Não é à angolana, nem à moçambicana...

 

Posto isto, vamos aos comentários que podem ser lidos no original. (Os negritos são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

3 comentários

 

    • Maria José Abranches on 24 Setembro, 2020 at 17:05

 

Nunca sequer tinha imaginado que, uma vez instaurada a democracia em Portugal, graças ao 25 de Abril, uma sustentada e criminosa vandalização da mesma democracia fosse possível, levada a cabo pela AR, a instituição mais responsável pelo respeito e defesa da mesma democracia! Eu, portuguesa e democrata, quero que fique aqui registada a minha revolta e a minha indignação!


Que, para muita da dita ‘elite’ nacional, por uma aberração incompreensível, a língua materna dos portugueses seja algo de desprezível, está patente ao longo da nossa História: basta atentar na obsessão permanente em fazer ‘acordos’ ortográficos com o Brasil, em detrimento da preocupação com a qualidade do ensino da língua no nosso sistema educativo, assim como junto das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. E mais: o que temos feito para dar a conhecer e divulgar a nossa língua na União Europeia? O que tem sido feito em termos de investimento no estudo e conhecimento do português europeu, em termos científicos e na produção de estudos linguísticos, gramáticas, dicionários, métodos para aprendizagem da língua, formação de tradutores e intérpretes, tradução automática, etc.? Será que ninguém se apercebe dos erros linguísticos, escritos e orais, cada vez mais abundantes, que vêm infestando a nossa comunicação social? Que língua aldrabada é esta?! Os responsáveis políticos e a ‘elite’ são ignorantes e não têm vergonha?!


Como há, na Europa, quem saiba o que significa a sua língua, dou a palavra a Jean d’Ormesson, da Academia Francesa, defendendo a língua francesa: «Como defenderíamos o francês fora das nossas fronteiras se não o defendemos em casa (“chez nous”)? É aqui que está o problema fundamental. A tarefa mais urgente é salvar a nossa língua do naufrágio. Desculpar-me-ão a ingenuidade da afirmação: ser francês hoje, é saber falar, escrever e compreender o francês.» (in “Saveur du temps”, 2009, Éditions Héloïse d’Ormesson, que traduzi).

 

 

 

Rui Valente, desculpe a minha ignorância, porque nestas matérias sou muito ignorante: mediante o que aqui ficou relatado, não haverá matéria para processar o Estado Português ou o Governo Português, por este atropelo à Democracia, às leis, às regras, e pelo atropelo à Língua Portuguesa? Porque isto ultrapassa todos os limites de tudo.


Eles estão nitidamente a gozar connosco. Estão a fazer-nos de parvos. Estão a desrespeitar-nos. E vamos deixar que façam isso impunemente?


Concordo com tudo o que diz a Maria José Abranches, no seu comentário, e faço minhas as palavras dela.


E é bem verdade que a tarefa mais urgente é salvar a nossa língua do naufrágio iminente, porque ela “navega” numa canoa furada, já meio submersa. Temos de fazer alguma coisa em grande, massivamente, coesamente, no nosso País, antes que se afunde de vez.

 

 

    • Isalinda Schattner on 26 Setembro, 2020 at 15:33

 

Faço minhas as palavras de Maria José Abrantes e associo-me a Isabel A. Ferreira na sua questão quanto a um possível processo contra o Estado Português. Permito-me ainda classificar a forma como este acordo foi imposto aos portugueses, como absolutamente ditatorial, pois apesar da perfeita consciência da sua não aceitação e da criação de grupos que lutam pela sua abolição, recorrendo a formas legais para o efeito, os governos e respectivas AR “chutam a bola” mutuamente de maneira a enganar vergonhosamente os cidadãos, dando-lhes a entender que estão a tratar do assunto mas que, infelizmente, não é possível um retrocesso.


Gostaria de referir que, em 1983 fui eleita presidente de uma “Associação Euro-escolas para uma formação bilingue” – grupo de 11 pais que se juntaram em Berlim para assegurar esse tipo de ensino aos filhos. Para esse fim contactámos igualmente a Vice-cônsul do Brasil – à altura Monika Salski e foram realizados igualmente contactos com Angolanos aí residentes em número muito reduzido. A escola foi inaugurada e mantém-se em actividade até aos dias de hoje com sucesso.

 

Regressada a Portugal em 1996, deixei de saber exactamente qual o português aí ensinado. Pergunto-me hoje, face à luta que tenho travado contra o entretanto imposto AO90, se tal esforço valeu a pena. O nosso propósito na altura com o contacto com o consulado do Brasil, era assegurar o quórum necessário ao ensino do português. Depois da imposição deste maldito AO90, suspeito ter contribuído involuntariamente, para ensino de qualquer coisa difusa, com o nome de português, numa escola da capital alemã. E uma enorme raiva apodera-se de mim.

 

***

Uma enorme raiva apodera-se, sim, de todos nós, Portugueses, que temos consciência de que a NOSSA Língua foi vendida ao desbarato e está a transformar-se numa linguinha que nem os semianalfabetos (os que aprenderam os rudimentos da escrita), do tempo da monarquia e da ditadura, escreviam e falavam.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:37

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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020

A mais válida queixa, sobre o " desacordo ortográfico"...

 

Um texto que descobri no Blogue DEPROFUNDIS, da autoria de Fernando Vouga, o qual vem ao encontro do que, no meu Blogue, tenho andado a escrever e a publicar.

É que eu não invento nada. E a minha opinião até pode valer zero, mas o que escrevo é o eco dos amantes da Língua Portuguesa.

E não me venham dizer que sou a “chata de serviço", porque chatos são os que insistem em impingir-nos uma ortografia que não nos pertence. Esses é que são chatos, além de muuuuito ignorantes.

Isabel A. Ferreira

 

LÍNGUA.jpg

Origem da imagem:

https://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/a-importancia-da-lingua-portuguesa-1381869

 

Por Fernando Vouga

 

«Aborto Ortográfico

Adaptado de um texto de autor desconhecido

 

Nossa Língua “perdeu” as suas origens (o Latim), não havendo justificação para a forma como agora querem escrever o “NOSSO” PORTUGUÊS.

 

EXPLIQUEM AGORA AOS ALUNOS COMO SE FORMARAM ESTAS NOVAS PALAVRAS!!!!!

A MAIS VÁLIDA QUEIXA, SOBRE O "DESACORDO" ORTOGRÁFICO...

 

"DESAcordo" Ortográfico (*)

 

O novo "Desacordo" ortográfico é mais uma prova da imbecilidade desta gente que governa Portugal nos últimos 3 decénios!

 

Nos nossos sete, oito e nove anos tínhamos que fazer aqueles malditos ditados que as professoras se orgulhavam de leccionar. A partir do terceiro erro de cada texto, tínhamos que aquecer as mãos para as dar à palmatória. E levávamos reguadas com erros destes: "ação", "ator", "fato", "tato", "fatura", "reação", etc., etc...

 

Com o novo acordo ortográfico, voltam a vencer-nos, pois nós é que temos que nos adaptar a eles e não ao contrário. Ridículo...

 

Mas, afinal de onde vem a origem das palavras da nossa Língua? Do Latim!!! E desta, derivam muitas outras línguas da Europa. Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim.

 

Então, vejam alguns exemplos:

 

Em Latim

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selectio, exacto, excepto, baptismus, excepcio, optimus,

 

Em Francês

Acteur, facteur, tact, réacteur, secteur, protecteur, sélection, exacte, excepté, baptême, exception, optimum,

 

Em Espanhol

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selección, exacto, excepto, (-), excepción, (-),

 

Em Inglês

Actor, factor, tact, reactor, sector, protector, selection, exact, except, baptism, exception, optimum,

 

Até em Alemão, reparem:

Akteur, faktor, takt, reaktor, sektor, protektor, (-)(-)(-)(-)(-)(-)

 

Velho Português (o que desleixámos)

Actor, factor, tacto, reactor, sector, protector, selecção, exacto, excepto, baptismo, excepção, óptimo,

 

Novo Português (importado do Brasil)

Ator, fator, tato, reator, setor, protetor, seleção, exato, exceto, batismo, exceção (sendo que no Brasil se escreve excePção), ótimo...

 

Conclusão: na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente.

 

Se a origem está na Velha Europa, porque é temos que imitar os do outro lado do Atlântico?

 

Mais um crime na Cultura Portuguesa e, desta vez, provocada pelos nossos intelectuais da Língua de Camões.

 

Ex.: Será que fui de fato à praia?

 

... Na tourada, estavam 2000 espetadores!

...etc., etc.

 

Porque se escreve Egito se os naturais desse país são Egípcios?

 

Ainda não percebi se com o novo Desacordo ortográfico os Polacos também passaram a ser Poloneses e os Canadianos agora são Canadenses, como se diz nas Terras de Vera Cruz …

 

Inovações sim, mas sem exageros e com coerência !!!

 

(*) Não existe qualquer acordo, mas sim a "Resolução do Conselho de Ministros" n.º8/2011.

 

Nenhum dos Países da CPLP subscreveu esta "Resolução" (nem a Guiné Equatorial...)

 

NOTA: quem "faz" a língua são os falantes e não os académicos ou os políticos. Por outro lado, a língua escrita está subordinada à falada e não o contrário.

 

De qualquer forma, à medida que a língua falada evolui, torna-se necessário, de vez em quando, fazer alterações à forma de a escrever. O que é muito diferente de aproximar a escrita do registo brasileiro (algo que ninguém sabe ao certo o que é).

 

Neste "desacordo" o que me parece mal é o exagero insensato e imprudente das alterações impostas (pela via administrativa).

 

Acabe-se com ele o mais depressa possível, para nosso bem e, sobretudo das nossas crianças.»

 

 Fernando Vouga

 

Fonte:

https://deprofundis.blogs.sapo.pt/aborto-ortografico-165526

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:13

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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2020

Este é o tal “português dos milhões” que anda divulgado na Internet, e no qual os Portugueses não se revêem

 

Andava eu no YouTube à procura de música relaxante e deparei-me com isto:

 

CAPT.PNG

 

Link para a imagem: https://www.youtube.com/watch?v=Z8uvPLsah0s  

 

Não, não “aleviei o meu estresse”. Muito pelo contrário. Até porque textos como este são aos milhares na Internet.

 

Chamem-lhe outra coisa, mas não lhe chamem Português. Por favor!

 

Esta situação, verdadeiramente caótica, está a obrigar milhares de Portugueses a fazer o que o João Pinto fez: mudar a língua do seu Android para Inglês.

 

Em jeito de desabafo, o João Pinto, desalentado com os tratos de polé que por aí dão à NOSSA Língua, chamando-lhe “português”, escreveu, em jeito de desabafo, o texto que aqui reproduzo e subscrevo.

 

Eu também prefiro pesquisar em Inglês ou Castelhano, quando vou à Internet. Porque apesar de ter aprendido a escrever e a ler no Brasil, a Língua degradou-se tanto, mas tanto, que já não a reconheço. Basta ler o texto do YouTube, que, na verdade, em vez de aleviar o meu estresse, atiçou-me os nervos, de tanto ver a nossa língua chicoteada!

 

Daí que seja urgente que alguém de direito faça alguma coisa para libertar a Língua Portuguesa.

 

E como diz o João Pinto, isto não é para ser lido como um ataque à VARIANTE brasileira do Português, que, para o Brasil, é absolutamente legítima. Só não lhe chamem “Português”, nem do Brasil, nem de outra parte qualquer. Por favor. 

 

Ah! A propósito, isto não é racismo, nem xenofobia. Isto é simplesmente a constatação de algo que todos sentem, mas não consentem, por mera cobardia.

 

Isabel A. Ferreira

 

***

Por João Pinto

 

«Boa noite a todos,

 

Naturalmente como todos aqui sou contra o AO, não sigo o mesmo quando escrevo e, a não ser que seja forçado a fazê-lo, nunca o farei. Não porque foi “o que me ensinaram” (ainda creio ter em mim capacidade de aprendizagem), mas porque o acho desadequado na tradução fonética do Português de Portugal (PT-PT) e porque o afasta da origem comum das restantes línguas europeias.

 

O meu cérebro já aprendeu a ignorar o AO na maior parte dos casos com uma ENORME excepção: A Internet e tecnologia em geral.

 

Porque por mais que digam que o AO é uma aproximação, para a maior parte dos serviços online o que houve na realidade foi uma unificação da língua. Onde antes havia PT-PT e Português do Brasil (PT-BR), passou apenas a haver “Português”, que na prática representa o PT-BR.

 

Quebrou o que para mim é uma rotina antiga de pesquisar em Português e depois em Inglês, porque a esmagadora maioria dos resultados obtidos quando se pesquisa em Português são em PT-BR. Como não gosto de ler PT-BR, porque tem uma construção frásica diferente da que estou habituado e porque honestamente tem palavras que há vezes que não faço ideia o que significam, simplesmente pesquiso em Inglês. Hoje, cansado de “planilhas” e “camundongos” e “dublês” tive também de mudar a língua do meu Android para Inglês.

 

É com tristeza que tomo essas opções, mas sinceramente prefiro o Inglês ao PT-BR.

 

Esta para mim é a mentira profunda do AO. Não se apresenta como uma unificação da língua sendo, mas ao mesmo tempo mais que uma unificação é uma tentativa de substituição da língua Portuguesa (no geral em toda a sua diversidade) pelo PT-BR.

 

Nota importante: «Nunca para ser lido como um ataque ao PT-BR, que é uma variante do Português perfeitamente legítima

 

Fonte: https://www.facebook.com/groups/emaccao/permalink/3459113074134041/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:52

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