Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2020

«O instituto, a língua, os amantes dela e a penúria do costume»

 

As inconcebíveis peripécias da “novela”, que tem como principal protagonista a nossa Língua Portuguesa, somam e seguem, com novos capítulos, que vão sendo escritos a partir dos já velhos e gastos desaires em que a nossa bela e amada Língua foi envolvida, desde que o AO90 veio à luz do dia, que logo se fez noite, e nessa inimaginável escuridão mental permanece até aos dias de hoje.

 

E isto diz tudo da irracionalidade que mantém a Língua Portuguesa cativa de interesses que não interessam absolutamente nada a Portugal, até porque esta questão da Língua assenta no desmesurado complexo de inferioridade e estreiteza mental dos políticos que se recusam a pôr fim a este pesadelo linguístico, que traz Portugal sobressaltado.

 

E uma vez mais, a questão é levantada por Nuno Pacheco, em mais um artigo no Jornal Público:

«A língua portuguesa está hoje mais “promovida” e “difundida” do que estava quanto esta farsa começou? Era bom sabermos, antes de passarem mais cheques em branco.» 

 

Nuno Pacheco.jpg

 

Um texto de Nuno Pacheco

 

«O título deste texto lembra o de um filme de Peter Greenaway, e não é simples coincidência. Porque o que o motiva é uma cansativa longa-metragem que não se sabe quando acabará.

 

No último dia de Dezembro, veio a público (no JN) uma notícia a dar conta do estado de penúria do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), com sede em Cabo Verde, na Cidade da Praia. “Oito dos nove países da CPLP estão em incumprimento com a instituição, mas há Estados que nunca pagaram. Dívida ascende aos 600 mil euros”, noticiava o jornal. Parece que Portugal paga sempre a horas (“nenhum país paga mais de 100 mil euros”, garante o actual director do IILP, o guineense Incanha Intumbo), o Brasil atrasa-se e o resto oscila entre quem paga pouco ou tarde e quem nunca pagou. Sabem o que é o IILP? Não sabem? Já lá vamos. Convém dizer, primeiro, que neste reduto de penúria institucional o IILP não está só. No dia seguinte, 1 de Janeiro, o secretário-geral da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, também veio queixar-se de que a situação financeira da CPLP “é séria e preocupante.” A razão é a mesma: o dinheiro não chega a tempo ou não chega de todo. Querem mais? A ONU vive idêntico dilema: dos 2582 milhões de euros do seu orçamento, só recebeu 1803 milhões. “Existem 65 países que ainda não pagaram”, queixava-se em Outubro o subsecretário-geral de Finanças da ONU. António Guterres, perante tal situação, já mandou apertar o cinto: cancelar reuniões, reduzir viagens, adiar difusão de documentos, parar escadas rolantes, cortar no uso de ar condicionado ou no aquecimento, reduzir apoios e estancar o preenchimento de vagas.

 

Mas voltemos ao IILP. Para quem não sabe, a decisão de criar tal coisa foi tomada em São Luís do Maranhão, no Brasil, em 1 de Novembro de 1989, quando por iniciativa brasileira se lançou a “primeira pedra” da CPLP. Era preciso alguma coisa que cuidasse da “promoção e difusão do idioma comum” e achou-se por bem entregar tal tarefa a um instituto. Porém, como é hábito nestes casos, tudo se atrasou. A CPLP só nasceu oficialmente em 1996 e o IILP em 2002, mantendo-se em estado vegetativo até ver aprovados novos estatutos e o respectivo regimento interno oito anos mais tarde, em 2010. O governo português aprovou-os dois anos depois, por decreto (12/2012), com este palavroso intróito: “Dado que o IILP é a instituição da CPLP que visa a construção de políticas concretas de promoção e difusão da Língua Portuguesa conducentes à sua internacionalização efetiva e afirmação como Língua Global, pretende-se através dos novos estatutos dotá-lo de meios adequados para a prossecução desses objetivos.” Um texto já escrito segundo o Acordo Ortográfico de 1990, de que o IILP viria a tornar-se guardião oficial. Com um pormenor divertido: a resolução anexa a tal decreto, aprovada em Luanda no âmbito da CPLP, é toda ela escrita no português de 1945.

 

Queria-se, com tais “instrumentos jurídicos”, tornar o IILP num “instrumento operacional e útil”, para citar a resolução. E foi? Ora façamos uma viagem pela “sede” virtual do dito. O aspecto gráfico e os mecanismos de consulta são indigentes. Mas isso podia ser colmatado por uma extensa lista de actividade “úteis”, se ali as houvesse. Tem um registo de “eventos” (21, entre colóquios, cursos, conferências e até, pasme-se!, a celebração dos 30 anos do IILP em 2019, quando só a sigla é que soma três décadas), outro de “publicações” (sete números da revista Platô, quase todos reproduzindo colóquios que constam da lista de “eventos”), outro de “comunicações” (cujo conteúdo se resume a 5 vídeos, 5 álbuns de fotos e duas notícias!), um “blogue” (“um repositório de informações sobre a língua portuguesa”, cujos “conteúdos não são todos da responsabilidade do IILP”; as fontes são muitas, na maioria externas), uma remissão para “O IILP” (diz sumariamente o que é e quem o compõe, mas não tem sequer os estatutos ou o regimento interno para consulta) e, por fim, o “endereço”. Dos “projetos” (sic) constam ainda o VOC, Vocabulário Ortográfico Comum, que na verdade são oito, o que diz bem da noção de “unidade ortográfica” destes senhores (“O VOC tem versões específicas para cada país”, escrevem com o maior descaramento, chamando-lhe “vocabulário” no singular” e “comum”; mas comum como, se cada país tem o seu?). E um “Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna” cuja utilidade real carece de prova. 

 

Conclusão? Para penúria, penúria e meia. A vacuidade dos discursos dá nisto. Não admira que o dinheiro escasseie. Excepto o vindo de Portugal, que, segundo JN, já avançou com “uma contribuição extraordinária de 200 mil euros”; além de acoplar ao IILP mais um organismo inútil, o “Conselho de Ortografia”, enfeitado com os sujeitos do costume. Tudo isto para quê? Para “promoção e difusão da Língua Portuguesa”, claro! Viram-na? Sabem quem a faz? Com que resultados? A língua portuguesa está hoje mais “promovida” e “difundida” do que estava quanto esta farsa começou? Era bom sabermos, antes de passarem mais cheques em branco.

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2020/01/09/culturaipsilon/opiniao/instituto-lingua-amantes-penuria-costume-1899585?fbclid=IwAR25TvQPj2cjoUsrf6ANAUL_OqdnRi4Ixg7BMtVta4CnUjLfNob_55MuhCQ

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:34

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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019

LÚCIA VAZ PEDRO QUER MAIS PORTUGUÊS E MENOS ESTRANGEIRISMOS

 

«Temos uma das línguas mais ricas do Mundo. Uma das línguas mais faladas do Mundo. Uma das línguas mais bonitas do Mundo!», diz Lúcia Vaz Pedro, em mais uma das suas “aulas” de língua abrasileirada, no JN.

 

Hello.jpg

 

Mentira. TÍNHAMOS uma das línguas mais ricas e mais bonitas do mundo. Não temos mais. ACtualmente temos uma língua MUTILADA, DESFEADA, EMPOBRECIDA. E o que adianta ser uma das mais faladas, se é a mais mal falada e mal escrita?

 

E Lúcia Vaz Pedro diz mais:

«Então por que motivo utilizamos tantos estrangeirismos, quando temos alternativas em português

Vamos ver algumas soluções para os evitarmos:

App: aplicação móvel; Blog: blogue; Bold: negrito; Click: clique; Like: gosto; Login: iniciar sessão; Password: palavra-passe; Press release: nota de Imprensa; Username: nome de utilizador.

 

Então vejamos:

Mais Português, menos estrangeirismos? Muito bem, Lúcia Vaz Pedro.

 

Então comece por eliminar os seguintes estrangeirismos (brasileiros): setor, fatura, diretor, atividade, ação, atual, adotar, direto, correto, parabenizar, alô, né, etc., etc., etc., e passe a escrever as  alternativas seCtor, faCtura, direCtor, aCtividade, aCção, aCtual, adoPtar, direCto, correCto, felicitar, olá, não é, etc., etc., etc., porque estes é que são vocábulos portugueses.

 

Os que recomenda que se traduzam, fazem parte da linguagem informática de comunicação internacional, que não faz mossa nenhuma ao Português. É como a Coca-Cola e outros termos que tais. Não se traduzem. Há estrangeirismos que enriquecem a Língua (caso da linguagem informática). Outros, que a empobrecem, como os estrangeirismos brasileiros, constituídos por palavras mutiladas aleatoriamente.

 

É com este estrangeirismo que tem de preocupar-se. Não com uma linguagem de comunicação internacional, adoPtada no mundo inteiro, e que não destrói a Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da notícia:

https://www.jn.pt/artes/dossiers/portugues-atual/interior/mais-portugues-por-favor-e-menos-estrangeirismos-10422831.html?fbclid=IwAR0MTAZQVBP0ZQGHhLU9E-QtvTeOf2hrswiHStosQhKhkXP_FMxTvzVgQQ8

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:35

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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018

«Acordo Ortográfico: o verbo obrigado a imitar uma preposição»

 

Mais um texto que explica, muito bem explicadinho, as aventuras insólitas do AO90 e de algo muito importante: nos finais do século XVIII e início do XIX, Portugal foi o único país da Europa que se esqueceu de elaborar um dicionário para fixar a Língua. O ÚNICO.

 

para-pára.jpg

 

Por António Fernando Nabais

 

«A imagem é do Jornal de Notícias, um dos muitos jornais que acreditam ter adoptado o acordo ortográfico, optando, ainda assim, por acentuar graficamente a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “parar”.

 

No meio das muitas facultatividades delirantes (porque, em ortografia, o aumento de facultatividades é delirante), o chamado acordo ortográfico, aqui, é muito claro: “(…) deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição” (Base IX, art. 9º).

 

Segundo o AO90, a primeira afirmação – “Salvio para a história” – está impecável. Se for verbo, a frase ganha uma força poética; se for preposição, Salvio vai em direcção a um lugar em que merece estar.

 

No caso de Felipe, segundo o AO90, há um erro, o que se pode relativizar se pensarmos que o AO90 é um erro.

 

Há uns anos, Rui Tavares defendia o AO90 e o direito a escrever “pára”, defendendo, portanto, que a ortografia não tem importância nenhuma, juntando-se a intelectuais da dimensão de Santana Lopes e de Maria João Marques.

 

Quando se fizer a história da ortografia em Portugal, o JN ficará do lado errado.

 

***

Comentário:

Elvimonte

As línguas evoluem por via erudita e por via popular. À evolução por via popular preside a lei do menor esforço. Que interessam a etimologia e os étimos, quando duas consoantes consecutivas dão muito trabalho a pronunciar? As palavras “adivogado”, “onipresente” e “onipotente”, a primeira do brasileiro popular e as restantes do brasileiro (já?) erudito, caem nesta categoria.

 

Mas não se pense que a lei do menor esforço não assume um carácter mais universal. Em finais do século XVIII e início do seguinte, já todas as Reais Academias por essa Europa fora tinham elaborado os primeiros dicionários, que viriam a fixar as respectivas línguas. Todas? Todas excepto a Real Academia Portuguesa, que nunca passou do “A” (não me esqueci das invasões francesas e da ida da corte para o Brasil). Sem a língua fixada, entrou-se numa deriva que permitiu ao português ser a língua europeia com mais reformas nos últimos 200 anos. E, regra geral, todas deram primazia à lei do menor esforço, em detrimento de regras fundamentadas e da clareza.

 

Fonte:

https://aventar.eu/2018/10/23/acordo-ortografico-o-verbo-obrigado-a-imitar-uma-preposicao/?fbclid=IwAR2iLSyBDR6WtDfQGbd8anmaQzgRmcjK0Fz9R6CjcsY7S08l7Pto4hlpNKQ

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:12

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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2018

«O fato do senhor deputado»

 

E pensar que tudo isto seria escusado se os governantes portugueses (nomeadamente os actuais socialistas - inimigos nº 1 da Língua Portuguesa) não tivessem a mania da subserviência aos mandos estrangeiros!

 

FATO.png

 

O fato do senhor deputado

 

in Blog AVENTAR

06/02/2018 by António Fernando Nabais 2 Comments

 

No JN de hoje, o deputado social-democrata (ou do PSD) Paulo Rios de Oliveira escreve sobre os CTT. Aquém do conteúdo, está a forma. Como deputado de um dos partidos que impôs o chamado acordo ortográfico (AO90), é natural que o use.

 

Não sei se Paulo Rios de Oliveira terá sido apoiante de Santana Lopes nas últimas eleições internas, mas é, em termos ortográficos, um seguidor fiel do candidato derrotado por Rui Rio. Na realidade, foi Santana Lopes que declarou “Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).”

 

Os defensores do AO90 lá virão lembrar que, em Portugal, a palavra continua a escrever-se da mesma maneira, por causa do “critério fonético”. É claro que uma expressão “continua a escrever-se” está no mundo das regras, território semelhante ao das leis. Ora, uma lei mal feita, com erros de concepção e enunciados vagos, não pode ser respeitada nem desrespeitada.

 

O AO90 é uma dessas leis. Ao misturar um vago critério fonético com duplas grafias, mais quedas de consoantes portuguesas e manutenção de consoantes brasileiras ou vice-versa, as analogias descontroladas vêm à tona e a ortografia portuguesa está num estado tal que já não existe.

 

Um deputado da nação, certamente alfabetizado e dotado de um mínimo de literacia (o verbo “atentar”, apesar de tudo, rege outra preposição), escreve um texto em que substitui “facto” por “fato”, deixando essa marca visual em centenas de leitores que reproduzirão o erro até que Santana Lopes acabe por ter razão.

 

Fonte:

https://aventar.eu/2018/02/06/o-fato-do-senhor-deputado/#comment-236625

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:07

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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

URGENTE: RECECIONISTO PRECISA-SE!

 

Notícia de última hora

 

RECEPCIONISTO26231619_1798039893542644_35038591635

 Origem da foto
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1798039893542644&set=gm.2054571048120733&type=3&theater&ifg=1

 

Eles e elas, um grupo de amigos e amigas, portugueses e portuguesas, da região norte do país, dirigiram-se a Lisboa, para que os administradores e administradoras da Daylight Lda. (não devo escrever “Daylit”? (a professora Lúcia Vaz Pedro anda sempre a dizer no JN que as consoantes que não se lêem não se escrevem) escolhessem os secretários e as secretárias e os rececionistos e rececionistas com entrada imediata, porque estão muito necessitados e necessitadas de novos e novas empregados e empregadas.

 

Para quem não sabe, “rececionisto” é um novo posto de trabalho criado pelo governo português, para diminuir a taxa de desempregados e desempregadas… não, desempregadas aqui não se aplica… É só desempregados. Ai o que faz o hábito!!!

 

Talvez o Senhor Presidente da República Portuguesa, possa estar a precisar de um rececionisto, para que este possa receber os cidadãos e as cidadãs que estão fulos e fulas com o rumo que a Língua Portuguesa está a tomar, pois qualquer dia estamos todos e todas metidos e metidas num manicómio, por causa desta monumental doideira que se apoderou de alguns homens e mulheres, do nosso pobre país, a escorregar vertiginosamente para um abismo de loucos e loucas.

 

Isto só comigo e comiga!!!!!

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:22

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O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!

.Os textos assinados por Isabel A. Ferreira, autora deste Blogue, têm ©.

Agradeço a todos os que difundem os meus artigos que indiquem a fonte e os links dos mesmos.
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