Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021

Em Defesa da Ortografia (XL) por João Esperança Barroca

 

João Esperança Barroca apresenta-nos mais uns exemplos entre centenas, e cada vez mais frequentes, de um inaceitável mixordês, na comunicação social, a maior divulgadora de disparates linguísticos, e que já estão a ultrapassar todos os limites.

 

E o que se vislumbra lá para as bandas de Belém e de São Bento, no sentido de acabar com esta VERGONHA NACIONAL?

 

NADA.

 

E este NADA diz bem do NENHUM INTERESSE em defender a Língua Portuguesa, e de não ter vergonha na cara de se andar por aí a fazer de conta que Portugal NÃO é um país, mas simplesmente um insignificante território de NINGUÉM, que nem um presidente da República tem para defender a alínea 3 do artigo 11º (Símbolos Nacionais e Língua Oficial) da Constituição da República Portuguesa, que diz o seguinte: «A Língua oficial é o PORTUGUÊS». Não consta que seja o MIXORDÊS, que vai nesta amostragem mais abaixo.

 

Isabel A. Ferreira

 

MIXORDÊS 1.png

MIXORDÊS 2.jpg

MIXORDÊS 3.png

ERUÇÃO.png

 Fonte: https://www.facebook.com/photo?fbid=10224189935789452&set=gm.4702832613095408

 

Em Defesa da Ortografia (XL)

 

por João Esperança Barroca

 

«[…] neste ponto do inútil e inutilizável Acordo Ortográfico, ninguém sabe bem como se escreve ou pronuncia a língua portuguesa que, ao contrário das línguas anglo-saxónicas, cortou as suas raízes latinas na ortografia e na fonética e aderiu ao patois africano e brasileiro, países onde ninguém sabe bem o que é e para que serve o Acordo Ortográfico.» (Clara Ferreira Alves, Jornalista e escritora)

 

«De facto! Como é possível a crianças de língua inglesa conseguirem aos 6-7 anos aprender a escrever “egg”, “leg”, “science”, “scene”… ou de língua francesa, “scène”, “science”, “cousin”, “cousine”… sem ficarem traumatizadas para sempre? […] O chamado Acordo Ortográfico não decapitou apenas a eito as consoantes mudas, com os resultados conhecidos e prenhes de exotismo que fizeram brotar das pedras vocábulos como espetador, interrutor, receção, conceção, aceção, perceção, percetível, espetável, espectáculo, etc. O AO inventou também confusões onde estas não existiam, quando, por exemplo, decide incongruentemente retirar o acento diferencial a pára, mas o mantém no verbo pôr (para o distinguir, argumenta-se, da preposição por. […] Daí a alfaiataria em que se viu transformado o “Diário da República”, com fatos página sim, página não, os contatos para contactos, que passaram a encher as páginas online de Portugal, incluindo as das universidades, ou a invenção de uma espécie rara só existente entre nós: os inteletuais, alguns deles cultores de fição e ténicas apuradas.» (Ana Cristina Leonardo, Crítica literária e autora)

 

No último “Em Defesa da Ortografia XXXIX”, publicado em Setembro, apresentámos um conjunto de personalidades que, convictos (e não convitos, como também por aí se lê) de que aplicam o AO90, utilizam na verdade uma outra ortografia, com fatias do Acordo de 1945 à mistura com vocábulos nascidos com o AO90. São, pois, exemplos das multigrafias que este acordo potenciou, à imagem de um qualquer scriptorium medieval.

 

Como é infindável o número de erros a que o AO90 abriu portas, continuamos hoje a divulgar mais alguns exemplos dos que foram iludidos pelas lérias da unidade essencial da língua e da língua de trabalho da ONU, isto é, à imagem do BES, verdadeiramente lesados pelo Acordo Ortográfico:

 

- Maria Eduarda Gonçalves, investigadora, escreve adopção, contrariando a Base IV do acordo;

 

- Filipa Raimundo, professora, escreve Outubro, não respeitando a Base XIX;

 

- Miguel de Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira escreve projecção, prospecção, objectivos e perspectiva, não aplicando a Base IV;

 

- A Presidência da República utiliza, na sua página, proactivamente, reactivamente e Jardim-de-Infância, desrespeitando, respectivamente, as Bases IV e XV;

 

- Pedro Santana Lopes, Secretário de Estado da Cultura, em Dezembro de 1990, e responsável pela assinatura portuguesa no AO90, como já vimos num escrito anterior, recorre a uma ortografia mista, com os nomes dos meses em maiúscula (Janeiro, Abril, Maio, Julho, Agosto, Setembro e Dezembro), recta, cabeça-de-lista e anti-sistema, a par de redações, diretor, atuais, atualizados, diretas e perspetivas. O autor da tristemente célebre tirada “Agora facto é igual a fato” não respeita, pois, as Bases IV, XV e XIX.

 

Se nos meios académicos e nos actores políticos o panorama é este, como será com o cidadão comum?

 

Quando, caro leitor, deparar com este tipo de situação, em que os respectivos emissores caíram no logro e afirmam, sem rebuço, usar o AO90, desengane-os, por favor.

 

Apetece, pois, fazer a pergunta que já foi feita: «[…] O que pode levar indivíduos de reconhecida qualidade científica a propor, e tornar a propor, medidas que um exame crítico, mais ou menos aturado, demonstra serem descabeladas, irresponsáveis, quando não idiotas?» (Fernando Venâncio, escritor e crítico literário)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:47

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Sábado, 25 de Setembro de 2021

Em Defesa da Ortografia (XXXIX)

 

Um texto de João Esperança Barroca

 

João Barroca 3.jpg

 

«Tentar “unificar” a ortografia, em culturas tão diversas, por decretos aleatórios que ousam passar por cima dos misteriosos mecanismos da língua, traduz um insuportável colonialismo às avessas, um imperialismo envergonhado e bajulador que não dignifica nenhuma das várias pátrias envolvidas. É uma subtracção totalitária.» (Miguel Esteves Cardoso, Escritor e Jornalista)

 

Manuel Monteiro finalizou um recente artigo no jornal Público, no dia 1 de Julho, com uma nota mencionando que muitos julgam aplicar o Acordo Ortográfico quando, efectivamente, embora crendo (e querendo), não o estão a fazer. «Nota: “pôr” não perde o acento com o metuendo “novo acordo”, erro que se vê muito mais vezes desde a aplicação desse nefando instrumento, que, além de cês e pês, não estima hífenes e acentos. As publicações periódicas que assinalam que determinado autor segue “o novo acordo” deveriam, quase sempre, substituir tal inscrição por “acredita que segue o novo acordo”

 

Imbuído de um certo espírito de serviço público, deixamos aqui alguns factos que sustentam a interpretação de que muitos caíram, por indigência intelectual, por provincianismo patético e/ou por pioneirismo bacoco, numa espécie de conto do vigário linguístico. São, pois, futuros lesados do AO90.

 

Mostremos, então, alguns exemplos dos que foram ludibriados, julgando aplicar devidamente o AO90:

 

- Maria João Almeida, Professora de Educação Especial e Formadora na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, utiliza o adjectivo lectivo, contrariando a Base IV do AO90;

 

- Carlos Fino, Jornalista, escreve 25 de abril quando o AO estipula neste caso o uso de maiúscula;

 

- João Massano, Presidente do Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados, Jorge Bacelar Gouveia, Professor Catedrático de Direito, e Nuno Palma, Professor na Universidade de Manchester e Investigador do ICS, Universidade de Lisboa, escrevem o nome dos meses em maiúscula (Junho), ao arrepio da Base XIX;

 

- Paula Teixeira da Cruz, Advogada e Política, e Ana Paula Zacarias, Secretária de Estado dos Assuntos Europeus, também não cumprem o estipulado por esta Base (XIX), escrevendo, respectivamente Maio e Março;

 

- Francisca Van Dunem, Ministra da Justiça, escreve vêem, ao contrário do que estipula a base IX;

 

- António Costa, 1.º Ministro, no Tweeter, como se vê numa das imagens que acompanham este escrito, não respeita a Base IV, escrevendo excepção;

 

- Maria Manuel Leitão Marques, Professora Universitária e Política e Nuno Palma, Professor na Universidade de Manchester e Investigador do ICS, Universidade de Lisboa, não respeitam a Base XVI, escrevendo, respectivamente,  anti-democrática e anti-social, e anti-democrático, anti-liberal e anti-científico;

 

- Rui Tavares, Historiador e Político, acordista desde a primeira hora, escreve Verão (talvez para não se confundir com a forma verbal!), contrariando a Base XIX. Também a Base XVI, não foi correctamente compreendida pelo fundador do Livre, que escreve anti-pedofilia;

 

- Pedro Filipe Soares, Deputado do BE, escreve neocanabinóides, contrariando a Base IX;

 

- Rute Lima, Professora Universitária e Presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, escreve há-de, dia-a-dia, afecta e desinfecta, ao contrário do estipulado, respectivamente, pelas Bases XVII, XV e IV;

 

- Inês de Sousa Real, Deputada, escreve no mesmo parágrafo atividades e afectada, provando que não assimilou totalmente o estipulado pela Base IV.

 

Quando alguns destes exemplos, a que poderíamos adicionar outros dos mais variados órgãos da Comunicação Social, surgem a acompanhar textos em que se afirma que os seus autores utilizam o Acordo Ortográfico, é lícito atrevermo-nos a avisá-los, parafraseando Álvaro Cunhal, num debate com Mário Soares: — Olhe que não! Olhe que não!

 

Se estes casos acontecem pelas mãos de pessoas com formação, como será com os cidadãos comuns? Se isto não é o caos ortográfico, o que é então, caro leitor?

 

Porque o AO90 transformou a língua em algo próximo de uma anedota, ria-se com dois cartunes de Luís Afonso.

 

João Barroca 1.png

João barroca 2.png

João Esperança Barroca

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:38

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