Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2026

Artigo do novo Provedor do Leitor do jornal PÚBLICO, a fazer a apologia do AO90, é um insulto à inteligência dos Portugueses Pensantes, pois os argumentos que apresenta para o justificar não têm o mínimo fundamento linguístico

 

Como foi possível o PÚBLICO chegar a este patamar tão básico?

A quem o novo Provedor do Leitor do PÚBLICO anda a fazer o frete?

 

PROVEDOR PÚBLICO.PNG

Os meus caros leitores façam o favor de atentarem nos comentários que se fizeram ao artigo  Um provedor infiltrado na aldeia de Astérix, da autoria do jornalista João Garcia:


Henrique Lopes Valente (publicado no PÚBLICO):

  • O texto do novo Provedor do Leitor parte de um equívoco estrutural: confunde norma jurídica com qualidade linguística, e facto consumado administrativo com legitimidade cultural e científica. O Acordo Ortográfico de 1990 não é consenso científico nem linguístico; é um instrumento político-administrativo profundamente contestado desde a sua origem.
  • Não compete ao Provedor legitimar uma opção ortográfica que o próprio jornal nunca assumiu como linha editorial, nem reescrever retroactivamente a identidade do PÚBLICO, que sempre foi — e é reconhecido como — o último grande órgão de comunicação social português a preservar uma escrita cuidada, historicamente informada e não submissa ao AO.
  • A invocação da “realidade” e da “inevitabilidade” não é argumento: é retórica de desistência. A História da língua portuguesa mostra precisamente o contrário — resistências fundamentadas, pluralidade normativa e evolução orgânica, não decretada.
  • O argumento pedagógico é particularmente falacioso. A escola não é critério de verdade linguística, nem o jornalismo existe para simplificar artificialmente a língua em nome de um suposto facilitismo geracional. Um jornal forma leitores; não os infantiliza.
  • A comparação com variações regionais (Minho/Algarve, oralidade, léxico local) é intelectualmente desonesta: não se comparam variações vivas e naturais com uma amputação ortográfica artificial, imposta por via política e sem adesão efectiva da comunidade científica.
  • A sugestão de que a ortografia anterior é “formalmente ultrapassada” é factualmente falsa. Essa ortografia continua plenamente válida, funcional, ensinável e utilizada em múltiplos contextos académicos, literários e editoriais — em Portugal e fora dele.
  • A defesa do “aviso” nos textos escritos sem AO é, em si mesma, um acto de estigmatização. Implica que a escrita correcta e historicamente consolidada carece de justificação, enquanto a escrita acordizada não.
  • O PÚBLICO não é — nem deve tornar-se — mais um jornal indiferenciado. A sua credibilidade construiu-se, entre outras coisas, por não ceder a modas, pressões administrativas ou consensos artificiais. Abdicar disso é abdicar de uma parte essencial da sua identidade.
  • Enquanto assinante, leitor e cidadão, deixo claro: cancelarei imediatamente a minha assinatura caso o PÚBLICO adopte o Acordo Ortográfico de 1990 como norma editorial ou caso este Provedor se mantenha em funções sem uma clarificação inequívoca da sua posição nos próximos três meses.
  • Um jornal é para os leitores. E muitos leitores do PÚBLICO escolheram-no precisamente por não trair a língua que escrevem, pensam e defendem.

 
***

Maria José Abranches (publicado no PÚBLICO):

«Uma vergonha! O "Público", de que sou assinante há anos, 'um jornal que se respeita e nos respeita'- a começar porque respeita a Língua de Portugal, na sua ortografia correcta e legal - ousa optar por um provedor cuja primeira intervenção é desfigurar a Língua nacional, que suporta o jornal, e defender a imposição política ilegítima e ilegal do AO90 ao país! Fui professora de Português e sei o que significa a sua língua, para qualquer povo que se preze. A submissão da nossa ortografia às opções brasileiras, destruindo a nossa identidade europeia e a nossa origem latina, é um atentado à democracia que devemos ao 25 de Abril e um insulto a Camões: «A língua de Camões está irreconhecível. Se ele voltasse ao mundo, decerto pensaria em rasgar a sua obra. Deixámos de ser dignos dela.» -V. G. Moura"

Maria José Abranches (publicado no Público):

"Estatuto do Provedor", sobre a relação de "confiança dos leitores": «Essa relação de confiança é o capital mais precioso do PÚBLICO, tal como o seu estatuto editorial reconhece quando afirma: o "PÚBLICO é responsável apenas perante os leitores, numa relação rigorosa e transparente, autónoma do poder político e independente dos poderes particulares".» Esta adopção intempestiva do indefensável AO90 é um insulto à 'confiança' que o "Público" tem mantido com os seus leitores. Ant. Emiliano: «Falar da ortografia portuguesa, um bem que levou 700 anos a estabilizar-se, como se fosse coisa pouca,[...] e falar de uma mudança ortográfica como de uma simples alteração cosmética do sistema linguístico padronizado de uma nação multissecular [...] é simplesmente não se saber do que se está a falar.»


***

Do Facebook enviaram-me os seguintes comentários ao artigo:
 

Tradutor João Roque Dias:

 

«O aborto ortográfico, coisa de doidos vendida e comprada por políticos também doidos, falhada em toda a linha, continua a incomodar os acordistas. Este, que é agora provedor no Público, é mais um deles. O Malaca justificava a sua nefasta obra com a violência imposta às crianças de sete anos por terem de escrever as consoantes mudas portuguesas. Este, o provedor, está muito incomodado porque as crianças das escolas, que nem o aborto ortográfico sabem aplicar, porque nem o governo, nem os professores também não sabem, podem ler um jornal sem as malaquices dos doidos.»

 

Ex-bastonário da Ordem dos Advogados Luís Menezes Leitão:

LUÍS MENESES LEITÃO - PÚBLICO.PNG

https://www.facebook.com/fseixasdacosta/posts/pfbid02zCd3FFtdgb9pUYCnaWCvaZcDHDbg8UVF4SfsjL3KybgDHuWZg8hNLe2zUgNSHKXKl?comment_id=1369903607574470

Comentário de A. E. QUEIROZ.PNG

***

E aqui está uma amostra muito significativa do que deve ser dito sobre o artigo.

Faço minhas as palavras destes comentadores.

Eu nunca quis ser assinante do PÚBLICO, porque nele, já há bastante tempo, havia sinais de que isto poderia vir a acontecer, estavam no Público/Br; nos artigos acordistas, na ausência de respostas às acções levadas a cabo pelo Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes, enfim...

E tanto quanto me é dado a saber, o PÚBLICO perderá os seus assinantes, quase todos desacordistas, caso o jornal ceda à ignorância acordista.  

 

***

 

Depois de uma pausa, e de regresso ao Planeta Terra, deparo-me com um mundo virado do avesso, sem perspectiva alguma de racionalidade, e o que nos resta é o GRITO que nos sai da alma.

Estamos nas mãos de gente da mais doida que existe, insana, completamente desvairada, o que não augura nada de bom. É por estas e por outras que há muito deixei de festejar a chegada do Ano Novo, porque o ano nunca é novo, é simplesmente a continuação do ano velho, para pior.

 

Nesta luta que parece inglória contra o AO90, que nos impinge a grafia dos fracos, dos servilistas, dos menos instruídos, dos apátridas, dos ignorantes optativos, dos que não têm coluna vertebral, dos desinformados por opção, dos comodistas, dos acomodados, dos que não cumprem a Lei vigente, dos que se estão nas tintas para Portugal,  aqui incluídos os governantes portugueses,  presidentes da República, e agora também o Provedor do Leitor do PÚBLICO, há que ter em conta que jamais a ignorância medrou em terreno fértil. Enquanto houver Portugueses a defender o seu Património Linguístico, que ao contrário dos que dizem que só os velhos é que defendem (muito se enganam!) a Língua Portuguesa estará a salvo e salvar-se-á, em nome da Lei. É necessário apenas que sejamos persistentes e tenhamos a força das águas...

Por exemplo, nenhum professor é obrigado, por Lei (porque essa lei não existe) a ensinar incorrectamente o Português aos seus alunos. Se optar por cumprir a Lei vigente, usa a grafia de 1945, e ninguém pode penalizar o professor, porque aos professores acenam-lhes com a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) que não faz lei, tratando-se apenas de uma “recomendação”, e eles nem sequer se dão ao trabalho de ver que “recomendação” não significa “ser obrigado”.     

É preciso não desistir da luta e mostrar aos alunos a VERDADE.
Nenhum professor será digno de o ser ao enganar os seus alunos, ao ponto de andar a impingir-lhes uma grafia que não pertence à sua Língua Materna.

Eu espero que o Ano 2026 seja o ano da morte do AO90, o acordo mais PARVO alguma vez gerado no mundo.

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:03

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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2025

Em Defesa da Ortografia (LXXXVII), por João Esperança Barroca

 

Na linha dos seus antecessores, o texto do mês de Dezembro (o 87.º da série “Em Defesa da Ortografia” e o último do corrente ano), continua a apresentar, exactamente, as mesmas características.

 

     A aposta continua a ser a de mostrar diálogos, por vezes absurdos, de índole humorística, que ilustram a fantochada do AO90, expondo as suas fragilidades, as suas incoerências e a completa ausência de lógica.

 

     As palavras a vermelho indicam as formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, remetem para grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos, se mantêm como duplas grafias.  A azul, temos os casos de hipercorrecção, decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

 

 

LXXIII.

             — Como vamos sair deste túnel sem luz?

             — Temos de tatear. É a única solução.

             — Não é suficiente.

             — Porquê?

             — Porque, para sairmos daqui, temos de usar o tacto, isto é, temos de tactear.

 

 

LXXIV.

 

             — Ó pai, como se chama um circuito usado numa subtracção entre números binários?

            — Acho que é um subtractor, Rafael Alexandre.

           — Pensei nisso, mas não consta no dicionário

           — Experimenta procurar subtrator.

            — Devem ter tido vergonha de pôr mais uma consoante em reclusão. Além disso, parece que estão a falar de um tractor que anda debaixo do chão.

 

 

 

LXXV.

             — Vou fazer uma intervenção cirúrgica na próxima semana.

             — Que intervenção?

             — Vou retirar as adenoides.

             — E não precisas de uma segunda intervenção depois?

             —  Para quê?

             — Para retirar o acento.

 

LXXVI.

 

              — O meu filho tem problemas respiratórios e vai ser operado às adenoides.

              — O que é isso?

              — É o mesmo que as amídalas faríngeas.

              — Olha lá, além de acentos, também andas a comer consoantes?

 

LXXVII.

 

             — Este ano, em Agosto, vou passar férias no Gerês.

             — E já preparaste tudo?

             — Tenho tudo controlado. Até já decidi o trajeto.

             — Mais uma vez, fizeste mal. Embora pareça mais longo, é muito mais seguro escolher o trajecto.

 

LXXVIII.

 

             — Olha, olha! Já estou a ver! Repara, ali, à esquerda, na trajetória do asteroide.

             — Que alarido! Estou a ver mais e melhor que tu.

             — Porquê?

             — Porque estou a ver a trajectória do asteróide, não te parece?

 

LXXIX.

 

             — Estive a ler um livro sobre o Apocalise.

             — Apocalise? Que raio de palavra é essa?

             — Nunca ouviste? És um ignorante! Significa o fim do mundo, pá!

             — Parece-me, antes, o fim da ortografia.

 

LXXX.

 

             — Estou a sentir as primeiras contrações. É melhor acionar o INEM.

            — Calma, calma…

            — Dizes isso porque não é contigo!

            — Por enquanto, só estás a sentir contrações, não é?

            — Sim, sim.

            — Exactamente por isso, deves ter calma. Quando começares a ter contracções, accionamos o INEM e damos ao canelo, pode ser?

 

LXXXI.

             — O meu advogado contatou-me, dizendo que sou arguido e acusado de corrução.

             — E estás preocupado com isso?

            — Claro que estou preocupado. Nunca me vi nestas alhadas.

            — Pois eu acho que não há razão para te preocupares.

            — Qual é a tua ideia?

            — O crime de corrução é uma coisa de somenos. Tenho sérias dúvidas de que seja crime. Grave seria se fosses acusado de corrupção. Aí, piava mais fino. Ah, e contrata um advogado que te contacte.

 

LXXXII.

 

             — Ó pai, preciso da tua opinião.

             — Sobre que assunto?

             — Estou a pensar oferecer à mãe um cato no Dia da Mãe. O que achas?

             — Um cato? Parece-me que estás a juntar um artigo indefinido com uma forma verbal do verbo catar.

             — Não percebo, pai.

             — Um é um determinante, artigo indefinido e cato é a 1.ª pessoa do presente do indicativo do verbo catar.

             — Não é nada disso, pai. Um cato é uma planta.

             — Da família das Cactáceas. Faz lá falta o cê.

 

 LXXIII.

 

             — Ó pai, o que é um dador?

             — É alguém que dá ou doa aos outros, a maior parte das vezes, sem querer algo em troca.

             — Tem sinónimos conhecidos, desses de que tu gostas?

             — Podes usar benemérito ou filantropo.

             — Então um conadador doa o quê?

 

 LXXXIV.

             — Ó pai, o que quer dizer mandante?

             — Mandante significa o que manda ou instiga outros a cometer determinados actos.

             — Há algum sinónimo?

             — Sim. Instigador.

             — Um cocomandante instiga os cocos? Não percebo.

             — Não estás sozinho. Ninguém compreende as questões da nova ortografia. Já o saudoso António-Pedro Vasconcelos o dizia.

 

Ah! Uma das imagens que acompanha este escrito demonstra como, vários anos após o início da aplicação do nefando Acordo Ortográfico de 1990, alguns órgãos de Comunicação Social continuam a ter saudáveis recaídas, distinguindo, neste caso, um verbo de uma proposição.

 

Ah! A outra imagem, sobre o desempenho de um futebolista português em França, mostra o estado a que isto chegou, como diria Salgueiro Maia, em que o verbo retratar-se, vítima da sanha de amputar indiscriminadamente consoantes, significa, agora, além de fotografar, desdizer-se, dar o dito por não dito…

 

Ah! É completamente obrigatório ler o artigo de Manuel Monteiro “A língua de pau de todos os dias”, publicado recentemente pelo jornal Público.

 

Ah! Como é habitual, vale a pena ler dois textos recentes de José Pacheco Pereira, também dados à estampa pelo Público: “O desprezo da pátria por via do desprezo da língua” e “O papel destrutivo do deslumbramento tecnológico na educação”.

 

Ah! O blogue O Lugar da Língua Portuguesa, administrado por Isabel A. Ferreira, continua a ser um local bem frequentado, onde os bons espíritos se vão regularmente reencontrando. Salubérrimo, portanto.

 

João Esperança Barroca

 

BARROCA 1.png

BARROCA 2.png


publicado por Isabel A. Ferreira às 16:32

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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2025

«O Governo quer dar a cada aluno um tutor de inteligência artificial», e a propósito deste antilogismo, José Pacheco Pereira diz que isto é «o papel destrutivo do deslumbramento tecnológico na educação»

 

Exactamente.

 

O artigo O papel destrutivo do deslumbramento tecnológico na educação, da autoria de José Pacheco Pereira, publicado no Jornal PÚBLICO foi-me enviado pela minha lúcida amiga Idalete Giga, que acrescentou a seguinte mensagem:

 

Este excelente artigo devia ser lido, sobretudo, pelo ministro da reforma administrativa. Que atrevimento formatar, com tecnologias duvidosas, as crianças como se fossem peças de xadrez e sua Exª. fosse o dono da personalidade e alma das crianças. Está tudo obcecado com a IA como se fosse a deusa da sabedoria. Esta medida é um absurdo, uma falta de respeito não só para com as crianças, mas para com os pais e toda a comunidade escolar.

Mais uma medida neonazi do ministro da reforma administrativa. É de bradar aos céus!

Isto tem de ser travado o mais depressa possível. É um atentado contra toda a comunidade educativa. (!)

Por favor, escreva no seu Blogue um artigo sobre esta pouca vergonha. Irá percorrer todo o mundo onde houver portugueses.

A este artigo, Idalete Giga deixou no Jornal PÚBLICO, o seguinte comentário:

Idalete Giga

Experiente

Obrigada, Caro José Pacheco Pereira pelo seu artigo que não navega na superfície, mas vai ao fundo da questão da IA, agora impingida pelo Sr. ministro da reforma administrativa às crianças na forma de tutora "inteligente". Para V. Exª. é mesmo um "deslumbramento tecnológico”, e eu completo: uma fixação perversa para ajudar a destruir definitivamente a Escola. As crianças não são peças de xadrez, mas para V. Exª. são e, por isso, quer manipulá-las à sua vontade e mandar para as silvas não só as crianças, mas os pais e os professores. Vou citar o sábio Noam Chomosky   expressamente para V. Exª.: "A IA é o maior ataque ao pensamento crítico, à inteligência crítica e, sobretudo, à Ciência, que eu já alguma vez vi (...) pensar que podemos aprender alguma coisa com a IA, é um erro".


Com a clarividência de Idalete Giga e com o saber científico de Noam Chomsky, por ela citado, penso que fica tudo dito, e o que terei eu mais para acrescentar?

Apenas isto: gosto de testar a “inteligência” da IA, que em muitas, mas muitas circunstâncias, quando lhe ponho questões de SABER, poderíamos ler Ignorância Artificial, se não soubesse que a construção da IA depende da recolha de dados, e se os dados estão incorrectos, a IA não tem capacidade de discernir o que é certo e o que é errado, de modo que por vezes, muitas vezes, dá a informação errada.

Não é de fiar.

 

Como poderão os governantes querer dar a cada aluno um tutor de inteligência artificial, que não é infalível? Erra quando os humanos erram, quando os dados, que os humanos espalham por aí, estiverem errados. E quando se trata da História, da Cultura e da Língua Portuguesas, as invenções, as incorrecções, as mentiras que andam espalhadas pela Internet são de bradar aos céus!

É isto que o governo português pretende oferecer aos já a caminho de serem os analfabetos funcionais do futuro? Isto, podemos dizer alto, configura um crime de lesa-alunos.

Nem tudo o que é moderno é da IN -- Inteligência Natural.

Isabel A. Ferreira

***

O papel destrutivo do deslumbramento tecnológico na educação

 

A primeira coisa que este “tutor” artificial vai fazer é minimizar o papel do professor.

 

José Pacheco Pereira.PNG

José Pacheco Pereira

15 de Novembro de 2025, 7:01

 
A notícia diz isto: “O Governo quer dar a cada aluno um tutor de inteligência artificial.” A notícia refere que o ministro da Reforma Administrativa fez esta promessa na abertura do Web Summit, o que presumo deve ter dado grande satisfação ao crescente e altamente lucrativo negócio à volta da inteligência artificial. Esta é mais uma medida “modernizadora” na sequência do computador Magalhães, dos quadros interactivos, da supremacia dos ecrãs relativamente aos livros. O único travão a este caminho foi a proibição dos telemóveis nas salas de aula, que abrange um número escasso de estudantes e está longe de ser aplicada como norma. Duvido que o actual ministro da Educação esteja tão disponível para os tutores de inteligência artificial e duvido que ambos se tenham entendido.


Ter e saber usar um computador é bom? Certamente que é. Saber “navegar” na Internet é bom? Em absoluto é, é aliás fundamental. Saber usar os ecrãs de telemóveis e tablets é bom? De novo, certamente que é, em particular no uso do hipertexto. Começar a usar as enormes vantagens da inteligência artificial é bom? É excelente, se houver inteligência dos dois lados.


Convém é não esquecer uma realidade tão básica, e que devia entrar pelos olhos dentro, ensinada pelos tutores de inteligência artificial usados pelos governantes: os homens são analógicos e não digitais. Têm sentidos que os limitam, não vêem tudo que está à sua volta, não ouvem tudo que está à sua volta, não têm memória das máquinas, envelhecem e não lêem como os jovens, não têm a velocidade de processar dados dos computadores, e toda a sua experiência de uma vida, tudo o que vêem, tudo o que ouvem, tudo o que dizem cabe em escassos terabytes. Mas combinam tudo numa realidade cuja dimensão é a da sua humanidade, razão, emoções, virtudes, medos, coragem e, acima de tudo, vida, escassa, pobre, difícil por regra. Pode haver um dia em que tudo isto possa ser entendido pelas máquinas, mas mesmo assim faltará sempre alguma coisa.


O problema não está aqui, está no modo como cada um destes instrumentos entra na escola e de modo mais geral na vida quotidiana e no trabalho das pessoas, e no que é que eles substituem nas políticas de educação e como afectam o processo de aprendizagem e, mais importante ainda, de socialização. E é aqui que entra um dos mais perversos e poderosos mecanismos que é a moda, a moda impulsionada pelo deslumbramento tecnológico, a ideia de que é mais “moderno” usar os instrumentos das novas tecnologias para realizar tarefas que implicam outro tipo de conhecimentos e uma sociabilidade mais rica. Ora, o que acontece é que elas são usadas com escassa vantagem, com efeitos negativos que vêm do modo como se inserem na sociedade, acentuando o individualismo, a solidão, o antagonismo, o conflito, e a ignorância. Nenhuma destas coisas vem das máquinas, vem do modo como estamos a construir o nosso viver, só que as máquinas oferecem um amplificador gigantesco para estas perversões sociais, e isso muda muita coisa. Uma das áreas em que os seus efeitos são mais devastadores é na educação e no ensino, impulsionadas por governantes que só querem ser “modernos” nestas coisas, e pelo cada vez mais importante negócio tecnológico.


IMAGEM TEXTO PÚBLICO.PNG

 

A primeira coisa que este “tutor” artificial vai fazer é minimizar o papel do professor. Ora, o mecanismo mais importante na eficácia do ensino é a relação de empatia entre o estudante e o professor. Falar com uma máquina é uma coisa muito diferente do que com um humano e se, pelas piores razões – infelizmente, hoje demasiado comuns –, isso cria habituação e dependência, isso vai cada vez mais acentuar formas de solidão modernas e de sociabilidade pobre. É como considerar que os likes são uma forma de amizade e aceitação afectiva.


Depois, vai acentuar o caminho de ignorar que o uso capaz de todas as tecnologias, a começar pelo modo como se “procura” na rede, quanto mais dialogar com o “tutor”, depende de literacias a montante, que vão desde o mais simples ler, escrever e contar, todas em risco nos nossos dias. E parte desse risco também é resultado do deslumbramento tecnológico, com a desvalorização da leitura, e da escrita resultante do modo gutural como se “escreve” nas redes sociais, do vocabulário cada vez mais reduzido e do modo como essas ignorâncias se reflectem em dificuldades de compreensão.

 
A ideia de que os estudantes podem ler livros como Os Maias, de Eça, com o vocabulário restrito que possuem e usam, como também com a ruptura de saberes que estão presentes na nossa tradição cultural, como é a da Bíblia ou do mundo clássico greco-romano, é mirífica. A minha experiência de falar em dezenas de escolas do ensino secundário é a de encontrar centenas de estudantes que não sabem quem são Adão e Eva (com excepção dos evangélicos), já para não falar de Aquiles ou do Cavalo de Tróia. Como é que podem ler Eça? E esses mesmos estudantes não sabem o significado de palavras correntes no português de hoje, quanto mais vocábulos menos comuns mas circulantes na literatura.
 
Acresce que é evidente a diferenciação social entre falar para estudantes de colégios ou escolas em zonas “da alta” e de zonas que um eufemismo designa como “desfavorecidas”, onde a socialização pela escola é praticamente nula na competição entre a rua, o bairro e o telemóvel. Embora eu tenha esta experiência directa, não me limito a ela, todos os estudos a confirmam perante a impotência de professores e autoridades governativas.

 
Quem saiba história sabe que momentos como este, na história do mundo, já se verificaram e todos acabaram mal. É a sociedade que manda nas máquinas, e não o contrário, e é sociedade que está mal. Não façam um upgrade tecnológico desse mal, porque fica pior.

O autor é colunista do PÚBLICO   

Fonte:

https://www.publico.pt/2025/11/15/opiniao/opiniao/papel-destrutivo-deslumbramento-tecnologico-educacao-2154683

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:25

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Domingo, 9 de Novembro de 2025

Périplo pelo último artigo de Nuno Pacheco no Jornal PÚBLICO, sob o título «Em português, se faz favor. Muito bem; mas qual deles?» - Esmiuçando os comentários (Parte II)

 

Como sempre, os artigos de Nuno Pacheco geram muitos comentários, uns mais a favor do que outros, e como para esta questão da Língua Portuguesa parece que ainda não se vislumbra o fim, que virá, só ainda não se sabe quando, respigo alguns comentários feitos ao  texto  de Nuno Pacheco que chamaram a minha atenção, e é sobre eles que me proponho a discorrer hoje.

 

Mas antes quero dizer isto: Portugal está na cauda da Europa em quase, quase tudo, e também no desleixo que governantes, professores, canais televisivos, alguns escritores, jornalistas e tradutores, e uma massa amorfa de portugueses servilistas, que vão atrás de modismos, apenas porque não sabem pensar por si próprios, dedicam à Língua Oficial do País que servem de um modo bastamente medíocre.


Penso que já era tempo de se deixar de venerar a Ignorância e a Estupidez que grassam por aí, chamando a atenção dos que as veneram para o mal que estão a fazer a Portugal e a si próprios, quando decidem expor publicamente a miséria cultural que os embriaga, ainda que anonimamente, como é apanágio dos cobardes.

COMENTÁRIOS ARTIGO NUNO - 1.PNG

 

O Fernando. Camencelha deu a sua opinião, e a ela tem todo o direito. Porém, na realidade, e tal como disse a Maria do Vieira, o Fernando não tem a noção do que diz.


Limitou-se a repetir o argumento sem pés nem cabeça usado pelos acordistas-mor, para justificar a introdução em Portugal, de uma grafia que não nos diz respeito e jamais dirá. Sabe porquê? Porque enquanto houver no mundo um português, apenas UM português, que se preze de o ser e que respeite os símbolos do seu País, a Língua Portuguesa estará a salvo.

Se em 2125 só houver quatro milhões de portugueses, a Língua Portuguesa será uma Língua minoritária, mas continuará VIVA.  O Galego, Língua-gémea do Português, esteve quase a extinguir-se, com a imposição, na Galiza, do Castelhano, e vou citar uma passagem do livro «Historia da Língua Galega», referido no texto que ontem publiquei, contada na primeira pessoa como se o Galego fosse gente: «Ora ben, afortunadamente, mesmo nas peores épocas, sempre contei com defensores entre os galegos, com xente que loitou pola dignificación e defensa da súa fala dentro da Galiza, tradición reivindicativa procedente das classes sociais cultas e que estivo acesa ininterrompidamente até a actualidade». (Pág. 28).

 

Fiz questão de não traduzir esta passagem do livro, do Galego para Português, porque como Línguas-gémeas, e quem assim as designa são os autores do livro, que português não conseguirá perceber o que aqui está escrito?

 

Pois o mesmo está a acontecer com o Português, genetriz de muitas Variantes, o qual tem muitos defensores espalhados por todo o mundo, e que também manterão acesa a Língua ininterrompidamente até ao final dos tempos. Graças aos defensores do Galego, esta Língua foi recuperada e hoje é uma das Línguas co-oficiais de Espanha.

COMENTÁRIOS ARTIGO NUNO - 2.PNG

 

Ai o a.galrinho! Escreve em que linguagem? Nem é Português, nem é Acordês, nem é Brasilês. Tem todo o direito de opinar, mas ao menos opine numa linguagem correCtamente escrita, e que se entenda. O a.galrinho quer regressar à linguagem básica, de comunicação apenas. Porém, a função de um Idioma bem estruturado é fixar o Saber e o Pensamento dos Povos. E pobre é aquele que mesmo sabendo as letras, não sabe escrever.

COMENTÁRIOS ARTIGO NUNO - 3.PNG

 

O a.galrinho ou é o protótipo do menino que foi à escola, aprendeu as letras, e depois desistiu, porque não conseguiu aprender mais do que isso, ou é um adulto que, continuando a não conseguir juntar o B com o A, vem para aqui gozar com a Língua. A isto chama-se, como bem disse a Maria do Vieira, ignorância, e uma vez que é ignorante, quer que todos sejam ignorantes também. Há gente assim. O que vale é que também há gente assado

 

COMENTÁRIO TEXTO NUNO 4.PNG

 

Martim Joane, isso é que é escrever com estilo! Muito bem.
Quanto ao vocábulo percePção, o Brasil grafa-o, vá-se lá saber porquê, à portuguesa, tal como os Portugueses, mas atenção! a falar, os Brasileiros acrescentam-lhe um i: dizem “pêrrcépição”. Quem escreve perceção são aqueles que não têm a percePção do que é um Idioma, ou seja, são uns requintados ignorantes.

Para que a parvoíce não se espalhe por aí como uma praga, declara-se aqui que a palavra percePção, em Portugal, leva o P, ainda que muitos não o queiram. Porém, como a grafia de 1945 é a que está em vigor “de jure”, a palavra escreve-se com ., e não adianta dizer que o correCto é escrever sem. Eu, por exemplo, pronuncio-lhe o , e, neste caso, concordo com os Brasileiros. O mais correCto é, portanto, pronunciar todos os pês e cês não pronunciados, como fazem os restantes povos de Línguas Românicas. Deste modo, os acordistas já conseguiriam escrever correCtamente.

 

COMENTÁRIO TEXTO NUNO 5.PNG

 

Ó a.galrinho, o documento do acordo ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é uma enxurrada de ignorâncias, de incongruências, de disparates jamais reunidos num só lugar.  Um deles, mas há-os aos montes, é o facto de o AO90 ter sido engendrado para unir as ortografias do Brasil e de Portugal. Certo?  Veja-se essa união, por exemplo, no artigo 6º do dito documento: «Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam blálábláblá...».

 

Como é sabido, o AO90 foi gerado e criado no Brasil pelo enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss, para unir as ortografias, ou seja, para que Portugal começasse a escrever à brasileira, porque eles são milhões blábláblá... blábláblá... Porém, eles lá não abdicaram dos acentos circunflexos, em Antônio, Amazônia, topônimos, enfim uma salgalhada dos diabos. Querem enganar quem?????? O documento do AO90, nem para estrumar uma terra infértil serve.


O Pedro Penha é que disse bem: o AO90 foi uma medida colonialista fora do tempo, uma fazedora de analfabetos funcionais, a começar pelos governantes que nos impuseram e continuam a impor tal palermice.

 

Comentário Texto Nuno 6.PNG

 

Decididamente o a.galrinho é adepto da simplicidade linguística. Ora isso é um sintoma muito comum entre aqueles que, não tendo nenhuma capacidade para PENSAR a Língua, precisam de a reduzir ao mínimo, para poderem escrevê-la ainda que, mesmo assim, mal.

 
Uma escrita que se aproxime da fala é a escrita das gentes primitivas. 

Não se andou milhares de anos a aprimorar a Linguagem do Homem, para virem agora uns omens que, devido a uma incapacidade atávica, querem recuar a tempos em que se faziam desenhos para que o outro percebesse o que se estava a dizer.

 

Isto só acontece porque existem dois países no mundo, Brasil e Portugal, com mais ignorantes por metro quadrado. Por este motivo, foram os dois únicos países do mundo que fizeram mais acordos ortográficos, e ainda assim, inutilmente...

 

Isabel A. Ferreira

Os comentários foram retirados daqui  

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:23

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Sábado, 8 de Novembro de 2025

Périplo pelo último artigo de Nuno Pacheco no Jornal PÚBLICO, sob o título «Em português, se faz favor. Muito bem; mas qual deles?» (Parte I)

 

Introdução:

Porque considero este artigo de Nuno Pacheco de importantíssimo interesse público, até porque destaca certos aspectos que gostaria de esmiuçar, ouso reproduzi-lo neste Blogue, cumprindo todas as regras dos créditos jornalísticos, para que chegue aos leitores d’O Lugar da Língua Portuguesa –  um repositório de tudo o que importa acerca da nossa Língua – os quais estão dispersos por 160 países, de todos os continentes, e que vão seguindo e consultando os textos que aqui são publicados.

Espero que Nuno Pacheco não me leve a mal, até porque tem sido um acérrimo defensor da Língua Portuguesa.

As minhas observações estão entre parêntesis rectos [...], em itálico e a negrito.

Regressarei com a Parte II, para esmiuçar os comentários ao texto do Nuno Pacheco.

 

Isabel A. Ferreira

 

NUNO PACHECO IMAGEM.png

 

Em português, se faz favor. Muito bem; mas qual deles?

 

Quando falamos de língua portuguesa, o que nos divide não são as diferenças; é, infelizmente, e quase sempre, a estupidez.

 

Sempre que a língua portuguesa vem à baila, seja em entrevistas, textos ou artigos de opinião, avolumam-se leitores e comentários. O que é bom sinal, dada a relevância do tema. Com uma ressalva: seria melhor se não encalhássemos sempre nos dilemas do costume, que são estes: o que é “português certo” e “português errado”, sem olhar às culturas nem às geografias, como se houvesse uma única norma-padrão internacional; e o fantasma do Acordo Ortográfico de 1990.

 
A primeira frase do título desta crónica é assumidamente decalcada de um muito recomendável livro de Helder Guégués, tradutor e revisor, que nele se ocupa de “questões de regência verbal, ortografia, pronúncia, concordância, formação do plural, modismos e mau uso” do idioma na escrita – já que a fala, como se sabe, é outro assunto e é frequentemente indomável. O prefácio de Fernando Venâncio e o posfácio de Desidério Murcho sublinham-lhe a utilidade e interesse.

 
Ora este livro, como muitos outros, vem lembrar-nos de que a escrita tem regras e, sim, há erros que é melhor evitar a bem da clareza da comunicação e da saúde do idioma. Posto isto, convém recordar que o português, tal como o conhecemos, tem um percurso no país que lhe deu nome (derivando o nosso idioma do galego e dele se afastando a partir do século XV) e outros, bem diferentes, naqueles aonde chegou por imposição colonial como contraponto às línguas locais.

 

***


[“Derivando o nosso idioma do galego e dele se afastando a partir do século XV”, diz o Nuno Pacheco. Aqui tenho de concordar com o Henrique Duarte, que num comentário disse o seguinte:  

Henrique Duarte

 Moderador 

«(...) derivando o nosso idioma do galego e dele se afastando a partir do século XV» É errado dizer que o português deriva do galego. O português deriva da língua falada antigamente no Norte de Portugal e na Galiza, a que se pode chamar de galego-português, galaico ou, quando muito, galego antigo. Galego nunca, pois galego é outra coisa muito diferente. É a língua falada atualmente (cada vez menos, infelizmente) na comunidade autónoma chamada de Galiza, que está fortemente castelhanizada, na sintaxe, no vocabulário, etc., e que por isso é depreciativamente designada por "castrapo". Esperaria outro rigor da sua parte, Nuno Pacheco.»

 

... embora o Henrique Duarte também esteja equivocado quando diz que «É a língua falada atualmente (cada vez menos, infelizmente) na comunidade autónoma chamada de Galiza, que está fortemente castelhanizada, na sintaxe, no vocabulário, etc.»

 

Não, não é bem assim. O Galego é actualmente  Língua Oficial da Região Autónoma da Galiza, juntamente com o Castelhano (não o Espanhol, porque o Espanhol não existe em Espanha como Língua, e o Galego está de boa saúde, na Galiza.)

 

O equívoco do Nuno Pacheco, talvez venha do facto de ter lido o livro de Fernando Venâncio «Assim Nasceu uma Língua». Fernando Venâncio também estava equivocado, porque foi beber a fontes a que os que querem amesquinhar a Língua Portuguesa também foram beber, tendo distorcido a História.

O Português é uma Língua-gémea do Galego, o dialecto Galaico-Português, oriundo do Latim vulgar, que os povos da Galécia (Gallecia romana) antepassados dos Galegos e dos Portugueses actuais partilhavam, e cuja história está deliciosamente contada no livro «Historia da Lingua Galega», da autoria dos insignes mestres galegos Xosé Ramón Freixeiro Mato e Anxo Gómez Sánchez,  que não estão ao serviço de ninguém, a não ser da Galiza. Um livro que todos os que se interessam pela Língua Portuguesa deviam ler.

Aqui deixo o link para o livro, escrito em Galego, mas quem souber Português a fundo, lê-o perfeitamente.

https://www.goodreads.com/book/show/38621990-historia-da-lingua-galega#CommunityReviews

Vejamos a este propósito o que diz o nosso maior dialectologista, José Leite de Vasconcelos: «Nos dois lados do Rio Minho desenvolveu-se do Latim vulgar da Lusitânia, nos primeiros séculos da era cristã, uma língua substancialmente uniforme, embora, talvez desde sempre, com algumas particularidades dialectais. Por causa das vicissitudes políticas da Galiza e de Portugal, da Idade Média em diante, essas particularidades foram aumentando com o tempo, e constituíram depois o Galego e o Português, embora o Português seja forma principal, como Língua de nação autónoma órgão de rica literatura.» (Textos Arcaicos, p. 120, 3ª edição). Foi com Dom Dinis, que o Português seguiu o seu caminho separado do Galego.]

 

***


Foi o que sucedeu no Brasil ou nas então colónias de África, onde numerosas línguas locais foram silenciadas ou até proibidas em nome da língua do colonizador. Com as independências, chegando primeiro a do Brasil, em 1822, e muito mais tarde as de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde (independentes há 50 anos, o que agora celebram), e tendo cada país as suas leis, bandeiras, hinos, regras e culturas, natural seria que o português, língua que adoptaram como oficial, tomasse em cada um deles o seu rumo, não só com palavras novas ditadas por cada cultura como, eventualmente, novas regras lexicais e gramaticais.

Pôr o português daqui (que já é tão diverso, com os seus coloquialismos e regionalismos) em confronto com as suas mutações noutros países é coisa que nos deveria aliciar, interessar, e não indignar, levantando de imediato a bandeira do “português certo” ou “português correcto” para afastar, com desprezo, as diferenças que naturalmente se foram desenvolvendo noutros lugares.


***

[A este respeito, a indignação não vem  do facto de o Português ser ou não ser correcto neste ou naquele país. Vem do facto de terem mudado a Estrutura do Português, no que à Fonética, Fonologia, Escrita, Ortografia, Léxico, Morfologia, Sintaxe e Semântica diz respeito, e continuarem a chamar-lhe Português, quando o correcto seria dar-lhe outra designação, e não pretender, por questões meramente político-jurídicas-económicas, que a Variante Brasileira do Português, (porque é disto que se está sempre a falar, até porque as outras ex-colónias nunca são chamadas à liça sobre esta matéria) seja designada como Português, inclusive andar na Internet a representar o Português com a bandeira brasileira.  

A linguagem da Variante Brasileira do Português é perfeitamente correcta, uma vez que o Brasil, tendo optado por pôr – veja-se neste exemplo a importância da acentuação, e pensemos no para para, introduzido pelo AO90  –  de lado as regras gramaticais, e enriquecendo-a com as Línguas e dialectos indígenas brasileiros, e dialectos africanos levados pelos escravos – o termo escravizados não se aplica neste âmbito, e agora há um modismo que “proíbe” usar a palavra escravo, como se os escravos nunca tivessem existido, desde as mais remotas civilizaçõese, acrescentando-lhe a deslusitanização da Língua do ex-colonizador, mudaram o rumo da Língua Portuguesa.]

 

***
 


Quando o professor brasileiro Caetano Galindo, em entrevista recente ao PÚBLICO (que muito comentada foi), dizia que só agora o Brasil estava a aperceber-se de que a sua fala e escrita não configuravam um “português errado”, mas sim o português que o Brasil moldou à sua imagem, houve quem o compreendesse e também quem se indignasse ou ironizasse com tal observação. Recordemos o que ele disse, a frase completa: “Só agora se começa a perceber que não estamos falando português errado, não estamos falando incompetentemente a língua da Europa, porque não há português errado nem português certo, nem nas variedades que existem no Brasil nem nas inúmeras variedades que existem em Portugal.”



***

[Aqui concordo com o professor Caetano Galindo, quando diz «Só agora se começa a perceber que não estamos falando português errado, não estamos falando incompetentemente a língua da Europa, porque não há português errado nem português certo, nem nas variedades que existem no Brasil nem nas inúmeras variedades que existem em Portugal.» Não, não estão falando um Português errado, porque não estão falando sequer Português, estão falando a Variante Brasileira do Português, e designando essa linguagem deste modo, é óbvio que estão a articulá-la correctamente.]



***
 
Independência ou morte? Não, independência e língua. Podia o português do Brasil chamar-se, por mera decisão política, “brasileiro” (e há quem levante, sem êxito, tal bandeira há anos), que isso não alteraria a sua real condição: a de um idioma, o português, que ganhou características próprias num outro continente, e que com elas tem produzido excelentes obras nos mais variados domínios das letras e das outras artes.

 

***

[Aqui discordo do Nuno Pacheco, pois já não existe o Português do Brasil, a partir do momento em que o enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss deslusitanizou (e o termo é dele) o Português, afastando-o das suas raízes portuguesas, greco-latinas, indo-europeias, e quando isso acontece, a Língua terá de ter outra designação, tal como a já Língua Cabo-Verdiana, que é oriunda do Português, mas já não é Português de Cabo Verde. E não vejo que mal venha ao mundo se tal acontecesse, e as ex-colónias terem uma Língua própria, enriquecida pelos Dialectos e Línguas locais tão diferenciados do Português. É preciso viver e principalmente estudar no Brasil para perceber que, lá, o Português diluiu-se por entre tanta miscelânea de línguas, dialectos e falares dos muitos povos que lá se fixaram, e aqui estou a pensar na Língua Italiana, que tanto se impôs na linguagem falada e escrita no Brasil, e darei apenas um exemplo, mas há muitos mais: Netuno].
 

***

Isso põe em causa o português de Portugal? De maneira nenhuma, tal como o inglês dos Estados Unidos da América não pôs nem põe em causa o inglês de Inglaterra — e tantas diferenças têm, na fala como na escrita. O erro é sempre tentar afunilar as diferenças numa espécie de idioma padrão, que não existe nem existirá nunca, por mais que bramem os paladinos da “unificação”. Esse foi o erro do chamado Acordo Ortográfico de 1990, como lembrou, e bem, José Pacheco Pereira na sua mais recente crónica, “O desprezo da pátria por via do desprezo da língua”.


***

[Aqui volto a discordar do Nuno Pacheco. Claro que põe em causa a Língua Portuguesa – dizer Português de Portugal soa a redundância.  

Não podemos comparar o que se passa com as ex-colónias inglesas e também espanholas, por exemplo, com o que se passou no Brasil. A Língua Inglesa não foi desinglesada em nenhuma ex-colónia, e a Língua Castelhana não foi descastelhanizada,  e nenhuma dessas ex-colónias pretendeu impor aos Ingleses ou aos Espanhóis as poucas diferenças existentes entre as suas Variantes que passam quase despercebidas em relação à Língua Inglesa e ao Castelhano. Porém, a Variante Brasileira do Português não passa despercebida, principalmente na oralidade, em relação ao Português. Há este pormenor que é preciso ter em conta.]


***
 
Graças a tal erro, que não unificou coisa alguma e que, pelo contrário, acirrou animosidades, ouvimos por estes dias locutores de televisão, a propósito do roubo no Louvre, pronunciarem “jôias” (retorno da escrita sobre a fala, pela perda do acento agudo em “jóia”, como antes se escrevia em todo o espaço da língua portuguesa); e temos, entre as várias palavras que vão a votos para “Palavra do Ano” (iniciativa da Porto Editora) uma coisa que, mercê de tal acordo, só existe mesmo em Portugal: “Perceção.” Isto quando o Brasil continua a escrever “percepção”. Não, o que nos divide não são as diferenças; é, infelizmente, e quase sempre, a estupidez.


***

[Os vocábulos que em Portugal perderam a consoante muda, mas no Brasil não, como “perceção”, que no Brasil escreve-se à portuguesa, percePção, deve-se de facto à estupidez. No Brasil há umas poucas palavras mais que os Brasileiros escrevem à portuguesa, simplesmente porque pronunciam as consoantes mudas, porém, há uma questão a pôr: qual o critério que levaram Brasileiros, mas também Portugueses, a pronunciarem alguns cês e pês, em determinadas palavras e não noutras? Temos o exemplo de Egito. Não é da estupidez grafar Egito sem pê, e escrever todas as suas derivadas com pê? Sempre pronunciei o pê de EgiPto, por coerência linguística. Esta é uma das incoerências dos acordos ortográficos que já se fizeram entre Brasil e Portugal, e por mais acordos que façam ainda não acertaram as agulhas, e jamais acertarão.

Daí a necessidade de cada país ficar com a sua Língua: a quase nonagenária Língua Portuguesa para Portugal, o seu berço, e a nova Língua gerada no Brasil, a partir do Português, a Variante Brasileira do Português, ou Língua Brasileira, ou Brasilês,  para o Brasil.]

Isabel A. Ferreira

***

Fonte do artigo de Nuno Pacheco: 

https://www.publico.pt/2025/11/06/opiniao/opiniao/portugues-faz-favor-bem-2153373



publicado por Isabel A. Ferreira às 15:32

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Sábado, 4 de Outubro de 2025

«Em Defesa da Ortografia (LXXXV)», por João Esperança Barroca

 

O texto de Outubro (o 85.º da série “Em Defesa da Ortografia”), na linha dos recentes antecessores, apresenta, exactamente, as mesmas características.

 

A aposta continua a ser a de apresentar diálogos, por vezes absurdos, de teor humorístico, que exemplificam a fantochada do AO90, pondo a nu as suas fragilidades, as suas incoerências e a sua completa ausência de lógica.

Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias.  A azul, temos os casos de hipercorrecção, potenciados pela aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

 

IL

— Estou tramado…

— Porquê?

— Sou arguido num processo que envolve contrafaç

Contrafação? Então não te preocupes. Quase nem precisas de advogado. Não aplicas o Acordo Ortográfico

— Aplico!

— Então, basta dizeres isso. Crime é a contrafacção. É curioso que “Contrafacção” é o título de uma canção de Sérgio Godinho. Prova-se, assim, que o homem, além de bom compositor e cantor, tem bom gosto ortográfico.

 

L

— O casamento entre o Raul e a Catarina terminou de forma abruta.

— Qual deles vai ser acusado de violência doméstica?

— E quem falou em violência?

— Tu! Não disseste que foi à bruta. Abrupta é outra coisa, como devias saber. Cortar consoantes a eito dá nisto.

 

LI

— O que é o trabalho nocturno?

— É o que é feito no turno da noite (do latim nocte).

— Faz sentido manter o cê, por essa razão.

— Pois faz, mas agora com o AO90, é, de poda em poda, até à destruição final e lá nasce o estropício: noturno.

— E noctívago? Ainda leva cê?

— Quase nunca. A Infopédia assume-a como dupla grafia, notívago e noctívago, ao contrário de outras fontes.

— E noctâmbulo e noctilúcio?

— Continuam com cê.              

— Não percebo estas incoerências, nem essas coisas das fontes.

— Acho que, pelo menos, esta parte do AO 90 foi redigida de noite e às escuras…

 

LII

— Já sabes o tema do teu trabalho?

— Já sei, já.

— O que te saiu?

— O Pato de Varsóvia.

— Calma aí… O trabalho não é da disciplina de História? Ou é de Zoologia?

— É de História. O professor é que corta consoantes a eito. É um poupador, percebes?

— Tem literacia financeira. Falta-lhe a outra…

 

LIII

— Por onde tens andado, pá? Não te tenho visto.

— Ando ocupadíssimo a pedir orçamentos para o batizado do meu filho. Só tenho recebido propostas muito altas, na ordem dos 80 euros por pessoa.

— Olha aqui. Esta empresa organiza toda a cerimónia do baptizado e cobra só 75 euros por pessoa.

— O que te parece? Se fosse contigo, o que farias?

— Eu optaria pela empresa que organiza o baptizado. Penso que dá outras garantias. Certamente, com mais uma consoante, é uma cerimónia mais completa. 

 

LIV

— Esta noite tive um sonho estranhíssimo.

— Sonhaste com extraterrestres?

— Nada disso! Sonhei que era acionista da SAD.

—  Isso é mesmo pensar em pequenino!

—  Porquê?

— Digno de admiração era se sonhasses ser accionista. Isso é que não é para todos!

 

LV

— O que te disse o professor sobre a composição?

— Disse que não referi todos os aspetos necessários.

— Espetos? Então a composição era sobre gastronomia ou sobre Alterações Climáticas?

 

LVI

— O meu neto é extraordinário!

— Então porquê?

— Sabe tudo sobre futebol. Lê tudo o que é publicado nos jornais e nas revistas. Está sempre atualizado.

— Estás enganado! Para saber tudo, teria de estar actualizado. Não é bem a mesma coisa…

 

LVII

— Ó pai, olha, olha…

— Olho o quê, Rafael Alexandre?

— Tantas palavras…

— Onde? Tenho mesmo de trocar de lentes. Não vejo nada.

— Ali, à porta da Associação dos Espoliados pelo AO 90.   Ação, acionar, acionável, acionista, ativar, reação… Todas sem cê. Estão a protestar.

— E o que querem?

— Querem a devolução do que lhes tiraram, ora essa!

 

LVIII

— Que porcaria, pai. Está tudo cheio de cocó de cão.

— Pois está.

— Mas naquele cartaz pede-se que as pessoas recolham os dejetos dos cães.

— Esse é que é o problema, Rafael Alexandre.

— Não percebo…

— As pessoas levam os dejetos, mas deixam os dejectos. Não é bem a mesma coisa.

 

LIX

— Trouxeste o que te pedi?

—  Aqui está.

— Mas isso é líquido assético.

— Não foi o que pediste?

— Não. E quanto é que pagaste?

— Dois euros.

— Isso é o preço habitual do líquido asséptico, que é muito melhor.

 

LX

— A minha namorada tem agora um rabo-de-cavalo.

— Passou a frequentar um ginásio?

— Não. Mudou de cabeleireiro, meu estúpido!

 

Ah, as imagens que acompanham este escrito (primeiras páginas de jornais desportivos, exemplificam o que muitos sabem, mas poucos denunciam.

Como se lê:

Horta para o estágio?

O que significa?

O jogador Horta vai para o estágio ou vai interromper o estágio?

 

Como se lê:

Melhoria salarial para o avançado?

O avançado vai usufruir de uma melhoria salarial ou vai ser parado por ela?

 

 Ah, Manuel Monteiro publicou no jornal Público um interessantíssimo artigo com o título “Os benefícios da leitura”. Como sempre, vale a pena ler.

 

João Esperança Barroca

 

BARROCA 1.png

BARROCA 2.png

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:54

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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2025

Em parte alguma deste nosso lazarento mundo, uma Língua foi tão alterada como o Português, com a desculpa de a simplificar, para diminuir o elevado índice de analfabetismo de um Povo, e tão maltratada pelo ilógico AO90, nado e criado no Brasil

 

Vem isto a propósito de mais um texto da autoria do linguista brasileiro José Luís Landeira, publicado no jornal PÚBLICO, sob o título «Brasil, Portugal e as gramáticas da língua portuguesa»  no passado dia 21 de Setembro, o qual comete alguns deslizes, chamemos-lhes assim, na avaliação histórica e linguística da Língua dos Portugueses, e que esmiuçarei numa próxima ocasião.

 

E o pior é que a Língua dos Portugueses continua a ser motivo de discussões ocas e absolutamente inúteis, baseadas em premissas falsas, inventadas por quem quer, porque quer, que o Português seja uma coisa que não é, tenha uma origem que não teve, só para preencher a lacuna da compreensão da Linguagem, que os Brasileiros falam e escrevem, considerando erradamente que é um "português brasileiro", quando não passa da VARIANTE brasileira do Português, algo completamente diferente. Português Português fala e escreve a elite culta de Angola, por exemplo.

 

E ainda pior do que isto é considerarem que existe DUAS variantes do Português: a brasileira e a europeia, quando, a bem da verdade, o que existe é a Língua Portuguesa (Português), a Língua dos Portugueses, e a sua variante brasileira, que é tão válida quanto as variantes de todas as outras Línguas que os ex-colonizadores plantaram por esse mundo fora. O Português NÃO é e jamais será uma variante de si mesmo. Dizer isto é da estupidez.

 

Por que motivo esta questão da Língua é apenas esgrimida entre Portugal e Brasil? Porque são os dois países onde existem mais ignorantes por metro quadrado.

ACORDEM.png

 

O Português que os Brasileiros aceitaram como Língua Oficial depois da Independência, em 1822, sofreu várias influências, entre elas as das Línguas indígenas e as dos escravos africanos, as dos povos que se foram fixando no Brasil, mas também da tendência de os Brasileiros abrasileirarem uma infinita quantidade de vocábulos pertencentes à Variante Americana do Inglês, e deslusitanizarem [o termo e a ideia são do enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss] o Português com a intenção de o afastar da Língua do ex-colonizador, castelhanizando-o, italianizando-o, afrancesando-o, de tal modo que deixou de ser Português para ser uma sua Variante: uma linguagem que deriva do Português, um dialecto, um crioulo, muito evidenciado na fonética. Além do distanciamento da fonética e da ortografia em relação ao Português, os Brasileiros ainda lhe introduziram mudanças no léxico (todas as palavras que puderam ser alteradas para se afastarem do Português, foram desfiguradas: umidade, anistia, onipresente, onívoros, balé, entre muitas, muitas outras), na morfologia, na sintaxe e na semântica.

 

Depois destas alterações intencionais, o que era da honestidade fazer, sendo a Língua Portuguesa um dos símbolos identitários de Portugal, país livre e soberano, que estava a ser usada pelos Brasileiros, apenas porque a escolheram para Língua Oficial? Não era continuar a chamar-lhe “Português” ainda que do Brasil, porque não era mais Português. O que era então da honestidade fazer? Era mudar-lhe o nome para Língua Brasileira (oriunda do Português), como fizeram os Cabo-verdianos com o seu Crioulo, oriundo do Português, que agora é a Língua Cabo-Verdiana.

 

É que uma coisa são as Línguas oficiais dos países, outra coisa é a linguagem que realmente se fala nesses mesmos países, e que nem sempre são coincidentes com a Língua Oficial, imposta pela via política.

 

O José Luís Landeira está na linha de alguns professores brasileiros que tive, quando estudei no Brasil. Pelo motivo mais torpe, o de amesquinhar Portugal, a história da colonização portuguesa e a Língua que eles escolheram depois da independência [porque não adoptaram uma das Línguas Brasileiras indígenas, as verdadeiras línguas brasileiras?] inventaram teorias improváveis e adaptaram o facto histórico às conveniências do Brasil, desprezando os factos históricos, e, pior,  continuam a espalhar essas falsidades nas escolas, e agora na Internet, sem que ninguém lhes faça frente.

 

Quem está a ler este meu texto quer que eu lhe diga uma coisa espantosa? Portugal está cheio de uma elite intelectual, principalmente linguistas, que com um medo bacoco de serem apodados de xenófobos e racistas, ou por mero comodismo, calam-se perante as idiotices que os brasileiros vão disseminando por aí, como sendo verdades, verdade deles, que prevalece sobre os factos históricos e linguísticos. O que significa que a nossa República é mesmo uma República DOS Bananas.  

 

Não me incluo nesta República, porque eu não me acomodo, nem tenho medo que me apodem de racista e xenófoba. Sabem porquê? Porque eu sei que NÃO sou nem racista, nem xenófoba. Sou apenas uma defensora da minha Língua Materna, o meu mais precioso instrumento de trabalho. E este é um direito que me assiste.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:06

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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2025

Em Defesa da Ortografia (LXXXII), por João Esperança Barroca

 

João Esperança Barroca.PNG

João Esperança Barroca

 

O 82.º escrito da série “Em Defesa da Ortografia”, na linha do artigo de Junho, apresenta as mesmas características do seu antecessor.

 

A aposta continua a ser, agora, a de apresentar diálogos de teor humorístico que exemplificam o rotundo falhanço do AO90, pondo a nu as suas incoerências e a completa ausência de lógica.

 

Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias.

 

XIII

— Vou abrir uma alfaiataria.

— Tens a certeza de que é um investimento rendível?

— Claro! Até o Diário da República, nos últimos anos, como o mostra o Francisco Miguel Valada, está cheio de fatos. Queres melhor sinal?

— E tens a certeza de que são todos fatos de vestir?

 

XIV

 — A minha mulher, que está sempre com modernices, vai fazer uma redução mamária com um cirurgião estrangeiro. Diz que vai ficar com melhor aspeto.

— Já tu especializaste-te em fazer reduções estúpidas. Primeiro no cérebro e depois na ortografia. Ou terá sido ao contrário?

 

XV

— Estive agora a ler, no jornal Público, que os agricultores estão na rua com os seus tractores, de norte a sul do país, para reclamar valorização do sector e condições justas, num protesto que deverá bloquear várias estradas.

— Faz sentido. Se tivessem levado os tratores, teriam muito menos impacto, ou impato, como já se ouve por aí…

 

XVI

 — O meu filho é muito impetuoso, mas também extremamente afetuoso. É muito sensível e qualquer tragédia o deixa muito afetado.

— Já pensaste levá-lo ao médico?

— Que médico?

— Estomatologista, é claro! Não disseste que ele anda cheio de aftas?

 

XVII

— Estou furibundo.

— Porquê?

 ­— Fui multado.

— Como é que te aconteceu isso?

— É muito fácil explicar como foi. Ia a caminho da máquina para tirar o talão e li numa placa “Máquina para pagamento”. Como aplico o coiso ortográfico, entendi que a máquina parava o pagamento. Por isso, fui à procura de outra máquina, mas não encontrei nenhuma.

 — Eu bem te avisei que adoptar o AO90 era sinal de estupidez. Como vês, saiu-te cara a modernice.

 

XVIII

 — O meu primo, que é brasileiro, vem trabalhar para cá como rececionista. Conheces alguma oferta de emprego aqui perto?

 Não, não conheço nada. E o teu primo tem alguma experiência nessa área?

— Só sei que no Brasil era recepcionista num hotel. Que eu saiba, não é a mesma coisa. Parece-me até muito mais completo.

 

XIX

— Nunca negociarei sob coação!

— Eu também não. Debaixo do coador, corro sérios riscos de ficar com o fato molhado. O preço das limpezas a seco está pela hora da morte.

 

XX

— Deparei-me há dias com a palavra fatura.  Não percebi o que significa. Não consegui entender se é uma fractura nos dedos, pois dizia lá “fatura digital”.

— Não te posso ajudar porque também não sei. Talvez, seja uma espécie de miacoutismo.

— Que raio de coisa é essa?

— É a criação de novas palavras a partir de outras já existentes.

— Então, a fatura poderá ser uma fartura pouco estaladiça?

 

XXI

— Por causa da recessão, adiei as obras na receção.

— O quê? Que estás a dizer? Não percebo nada.

— É a novilíngua, estúpido.

— Seja lá o que for, não percebo.

— É a maravilhosa língua unificada.

— Continuo sem perceber!

— Se queres que seja franco, também não sei explicar-te. Aprendi este palavreado e que a língua evolui…

 

XXII

— Andas acabrunhado, pá. Passa-se alguma coisa?

— Tenho uma disfunção erétil.

— Isso não é grave. É uma disfunção ligeira.

— O que percebes de urologia para dizeres isso?   

— Se é erétil, é ligeira e localizada. Grave e mais disseminada seria se fosse eréctil. Assim é que terias um problema preocupante.

 

XXIII

— Há dias, li num cartaz a palavra táctil. Como não a entendi, consultei o dicionário.

— O que é que dizia?

— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.

— É curioso! Já eu procurei o sentido de tátil.

— O que é que dizia?

— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.

— Não percebo. Será a mesma coisa?

— Talvez, mas com menos tacto, seguramente.

 

XXIV

— O meu pai foi ao Egito e trouxe-me vários artefatos indígenas.

— São mesmo egícios esses artefatos?

— São, são.

— E são esculturas?

— Não, pá! São fatos de artista ou fatos feitos com arte.

 

Ah, a página de Facebook dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico de 1990 continua a publicar imagens elucidativas do caos ortográfico que se instalou.

 

Ah, Maria do Carmo Vieira publicou no jornal Público um excelente artigo de opinião intitulado “O acordo ortográfico e ‘a sonolência passiva’ que silenciou o espírito crítico”. Como é habitual, vale a pena ler. Por essa razão, aqui deixamos um excerto razoavelmente extenso: “Antes de se decretar o que os Portugueses nunca haviam pedido e tinham sistematicamente ignorado, escrevia-se, naturalmente, ‘acto’, ‘recepção’, ‘concepção’ ou ‘retractar’, entre muitos exemplos, vocábulos agora truncados na sua marca etimológica que determinava a abertura da sílaba. Não admira, pois, que esta alteração ao ‘traje’ da palavra tenha prejudicado a sua leitura, dando azo a distorções, escritas e ouvidas. Realce-se os vocábulos ‘recepção’ ou ‘concepção’ que, pelo ‘critério da pronúncia’, se mantêm assim, no Brasil, alterando-se, em Portugal, para ‘receção’ ou ’conceção’, num evidente desmentido da ‘unidade ortográfica’ pretendida. No caso de ‘retractar’, o equívoco, que toda ortografia pretende eliminar, é notório porque agora tudo é ‘retratar’.

 

Ah! Quando tiver dúvidas, faça como os jornalistas de revista Flash: numa ocorrência, grafe a consoante dita muda; noutra, omita-a. Nalgum caso, há-de acertar.

João Esperança Barroca

 

João Barroca 3.png

 

João Barroca 2.jpg

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:23

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Segunda-feira, 19 de Maio de 2025

«Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico avança com acção no Supremo Tribunal Administrativo contra Assembleia da República»

 

By Rui Valente in acção, Media

13 de Maio de 2025

 

Nota prévia: este é um artigo que surge passados quase três anos sobre a última entrada nesta página. Foi — e continua a ser — um tempo de luto e um tempo de repúdio. Repúdio pela forma como esta ILC foi tratada pelas instituições que mais deviam defendê-la, repúdio pela visão do estropício que é hoje o Português Europeu. Luto pela “apagada e vil tristeza” em que vive hoje a nossa Língua, luto pela morte do João Pedro Graça, criador e primeiro subscritor desta ILC contra o Acordo Ortográfico.


Apesar de tudo, este tempo foi também — e continua a ser — um tempo de luta. Durante dois anos e quase onze meses os visitantes desta página foram recebidos pelo título de um artigo de Nuno Pacheco no jornal “Público” que incluía a frase “por que não desistimos”. É muito simples: tal como o AO90 nunca irá, por milagre, transformar-se numa coisa boa, também nós não podemos deixar de lutar contra ele. Enquanto houver luto, haverá luta.

PARLAMENTO.jpg

Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico avança com acção no Supremo Tribunal Administrativo contra Assembleia da República



No passado dia 9 de Maio de 2025, foi entregue no Supremo Tribunal Administrativo uma acção judicial contra a decisão da Assembleia da República (“AR”) e do respectivo Presidente de não agendar para debate e votação em plenário a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (“ILC-AO”), subscrita por mais de 20 mil cidadãos. Trata-se, em particular, de uma Acção Administrativa de Impugnação de Acto Administrativo e Condenação à Prática de Acto Administrativo Devido.

Esta acção visa repor o respeito pelo direito constitucional de Iniciativa Legislativa e denunciar o bloqueio político e jurídico que impediu o debate desta proposta, apesar de ter sido formalmente admitida pela AR como conforme à lei e à Constituição. Em vez de a agendar no prazo de 30 (trinta) dias, como a lei obrigava, a AR esgotou largamente esse prazo legal. Foram precisos mais de dez meses para que o Parlamento finalmente ponderasse o seu agendamento para debate — mas não sem antes promover uma alteração da Lei que regulamenta as ILC feita à medida para inviabilizar esta Iniciativa Legislativa.


Essa alteração é, ela própria, inconstitucional, tendo em conta que subverte um poder de decisão que é competência do Presidente da AR — com a agravante de, neste caso, ter sido aplicada retroactivamente a uma ILC que já existia, violando a confiança dos seus mais de 20 mil subscritores, a segurança jurídica e o direito de participação democrática.

De forma intelectualmente desonesta, tentou-se ainda fazer crer que a ILC-AO pretendia a desvinculação internacional de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990 — argumento falso e usado para justificar o bloqueio — quando, na verdade, a proposta se limitava a revogar a Resolução da AR n.º 35/2008: o artifício legislativo criado para apressar a entrada em vigor do Acordo em Portugal sem a ratificação de todos os Estados da CPLP, como o próprio Acordo Ortográfico até então exigia.


Mais de uma década depois, o Acordo Ortográfico revelou-se um fracasso: dividiu as variantes do português, destruiu referências ortográficas estáveis, nunca foi aplicado de forma uniforme entre Portugal e o Brasil e continua por ratificar em vários outros países de expressão oficial portuguesa. Foi-nos imposto sem um verdadeiro debate público e reduziu a Língua Portuguesa a mero índice económico e instrumento de política externa, sem qualquer respeito pela sua carga identitária e pela sua importância enquanto factor de coesão social e linguística.



Esta acção pretende defender a legitimidade da causa da ILC-AO contra um Acordo Ortográfico que foi imposto de forma abusiva e nunca mereceu verdadeira aprovação democrática. Mas, em rigor, o alcance desta acção transcende o simples âmbito da ILC-AO — é a própria figura das ILC enquanto direito fundamental consagrado na Constituição que está em causa. Neste contexto, esta acção é também um imperativo de defesa do nosso direito de participação cívica contra o abuso de poder e a opacidade de quem devia honrar os direitos constitucionais dos cidadãos.

Em plena campanha para as Legislativas de 2025, é ainda uma oportunidade para os partidos se pronunciarem sobre o futuro da Língua Portuguesa e sobre as divisões, a confusão e o descrédito que o Acordo Ortográfico continua a causar na sociedade portuguesa, nomeadamente a nível educativo, numa altura em que é patente a necessidade de uma maior exigência e rigor no ensino.


A Comissão Representativa da ILC-AO está disponível para prestar esclarecimentos adicionais através do e-mail

henriquelopesvalente@gmail.com.

(transcrição integral de comunicado enviado no passado dia 13 de Maio de 2025 para a Comunicação Social)

 

AO90Assembleia da RepúblicaCausadivulgaçãoILCPortuguês

 

Fonte: https://ilcao.com/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:48

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Sexta-feira, 21 de Março de 2025

Nunca é demais recordar o óbvio: «O AO90 não está em vigor em Estado nenhum»

 

Recupero, hoje, um texto escrito, pelo Embaixador Carlos Fernandes que, recordo, era Licenciado em Direito, pela Universidade de Lisboa, Professor de Direitos Internacionais (Público e Privado), com vários livros publicados sobre estes temas, em Portugal, no México, e no Anuário do IHLADI; decano dos membros portugueses deste Instituto Hispano-Luso-Americano de Direito Internacional, de que foi presidente; e Embaixador da carreira diplomática com longa experiência de negociação e conclusão de vários acordos internacionais, portanto, não era um qualquer engenheiro e político,  economista e político, advogado e político, que pouco ou nada sabe de leis nem tão-pouco de política.

 

O Embaixador era alguém com consideráveis conhecimentos jurídicos que publicou o livro «O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor – Prepotências do Governo de José Sócrates e do Presidente Cavaco Silva» que, pelo que se vê, nenhum dos políticos envolvidos na imposição, à força, do AO90 aos Portugueses, bem como a maioria dos Portugueses nunca leram, tendo optado pela ignorância, e pior, andam a disseminá-la por aí, como uma praga, e a fazerem uma triste figura.

Capture.PNG

Comentário:

Capture 2.PNG

 

O texto foi publicado em 20 de Fevereiro de 2016, no Jornal PÚBLICO, e explica, com muito fundamento jurídico que, “de jure”, o AO90 NÃO está em vigor em Estado nenhum, dos que têm o Português como Língua Oficial.


Recupero-o, hoje, porque já estou farta de ouvir a cassete acordista, por parte de pessoas que deveriam pensar por si próprias, mas preferem aceitar o que os outros dizem, sem saberem o que estão a dizer. Não lêem, não querem saber, nem ouvir, nem aceitar os factos.

E só não aceita este facto (não é uma opinião) quem não quer, quem opta pela ignorância ou quem está de muito má-fé.

 

Isabel A. Ferreira

 

***

Embaixador carlos Fernandes  TESE.png

 

«O AO90 não está em vigor em Estado nenhum»

 

O Acordo Ortográfico de 1990 não está em vigor, de jure, nem em Portugal, nem no Brasil, nem em Cabo Verde.
 
 Sua Excelência o Embaixador do Brasil, que não sei se é jurista ou não, publicou, no Jornal PÚBLICO, em 9 do corrente, um artigo, dizendo que o Acordo Ortográfico de 1990 (= AO90) está em vigor em Portugal, Brasil e Cabo Verde, mas não explica como, e é pena.


Eu não sei se o texto é da sua própria autoria ou se é essencialmente do Itamaraty, mas vou-lhe responder como se fosse do Senhor Embaixador e fosse jurista.
 
Antes de mais, deixemos de parte o Brasil e Cabo Verde, para observar o seguinte: como é que o Senhor Embaixador do Brasil sabe que o AO/90 está a vigorar, isto é, a ser aplicado de jure em Portugal, que é um Estado de Direito? Porque eu, e muitos outros como eu, entendemos que não, e eu provo-o, como se pode depreender do meu artigo, que o mesmo Jornal publicou ao lado do Senhor Embaixador, e pode ser consultado integralmente na Internet, e melhor se verá num livro que, sobre o assunto, a Editora Guerra & Paz vai publicar brevemente.

 A seguir, comento o artigo do Senhor Embaixador do Brasil na sua essência, porque, quem o ler, sem conhecer bem o problema, certamente perguntará: quem tem razão?, o Embaixador Carlos Fernandes, ou o Senhor Embaixador do Brasil?

A meu ver, não podem considerar-se correctas quer as premissas quer a conclusão da afirmação expressa pelo Senhor Embaixador do Brasil, porque entendo que o AO/90, não só não está a ser aplicado de jure em nenhum dos Estados signatários, como não poderá lá estar em vigor. Trata-se de questão complexa, que custa a entender a muita gente, porque há outros que a não querem entender.

  Em minha opinião, o que Portugal, Brasil e Cabo Verde estão fazendo é sobrepor decisões políticas a soluções jurídicas. De facto, embora tendo motivação política, como é próprio de toda a acção de qualquer Estado, os acordos internacionais são instrumentos de Direito Internacional, e, consequentemente, depois de concluídos, é pelo Direito e não pela Política que têm de ser interpretados.
 
 
O AO/90, de 1990, exigia a unanimidade de aprovação final pelos sete Estados signatários, para, com o “vocabulário ortográfico comum”, entrarem em vigor. Não tendo podido entrar, negociou-se um 2.º Protocolo, em 2004, (já tinha falhado o 1.º), para modificar o AO90, o qual, em vez da unanimidade, impõe, para este entrar em vigor, a aprovação final por apenas três dos seus sete Estados signatários.

 
Porém, este 2.º Protocolo, ao modificar, retroactivamente, o texto do AO/90, esqueceu o vocabulário ortográfico comum, e não também diz quais são as aprovações finais (que reduz às ratificações, o que é, juridicamente, incorrecto) a ter em conta, se as feitas em 1991 (Portugal) e 1995 (Brasil), se outras a fazer (a mim, parece-me óbvio que só podem ser, de jure, outras a fazer).

 Ora, depois do 2.º Protocolo, o AO/90, de 1990, deixou de existir, passando a existir, em substituição dele, um texto essencialmente diferente, em que a lógica da unanimidade é trocada pela ilógica suficiência de três aprovações finais para entrar em vigor.

Por outro lado, as antigas ratificações, de Portugal (1991), e do Brasil (1995), foram extemporâneas porque não ratificaram o vocabulário ortográfico comum, que não existia, como não existe ainda.

 Portugal elaborou agora um vocabulário ortográfico, que não é comum. Não sei o que o Brasil e Cabo Verde fizeram. Ora, o que é que isto tem que ver com a exigência de um vocabulário ortográfico comum, feita pelo AO90?

Obviamente, nada, absolutamente nada.

Portanto, como é que algum jurista, ou apenas iniciado em lógica, poderá aceitar que ratificações, feitas em 1991 e 1995 (ademais, a meu ver, nulas, por extemporâneas), de um texto sem ser acompanhado do necessário vocabulário ortográfico, a ele inerente, poderão transportar-se, ad futurum, para valerem como ratificações, ao abrigo do 2.º Protocolo, de 2004, de um novo texto essencialmente diferente, e que continua a excluir o necessário vocabulário comum?!

É, para mim, óbvio que, para o modificado AO/90 poder entrar em vigor, tem de incluir o vocabulário comum, e ter nova aprovação final, isto é, feita agora, e não a feita antes, mesmo que fosse válida, o que, a meu ver, não é.

 A língua portuguesa é hoje, oficialmente, de nove Estados, e já não só de Portugal e Brasil, e, em meu parecer, os governos não têm legitimidade para a modificar.

É o que também entendem a França, a Inglaterra e os Estados Unidos da América.

Embaixador  

Fonte:
https://www.publico.pt/2016/02/20/culturaipsilon/opiniao/o-ao90-nao-esta-em-vigor-em-estado-nenhum-1723729

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:55

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