Quinta-feira, 17 de Maio de 2018

A NEGLIGÊNCIA NA LÍNGUA E NA ESCRITA É PRINCÍPIO DA DECADÊNCIA DE UM PAÍS

 

«Se tivermos presentes os inúmeros exemplos da aberração, mais do que documentada, do Acordo Ortográfico, estas rápidas considerações que fiz deviam bastar para se ter consciência da monstruosidade que foi fabricada, decidida e tão célere e surdamente imposta.»

 

Excelente texto para ler e reflectir.

 

DECADÊNCIA.jpg

(Origem da imagem: Internet)

 

Texto de Guilherme Valente

 

A escrita não é uma arbitrariedade. Tem uma lógica, uma história, uma função, valor e importância inestimáveis.

 

"Patriotismo é o amor pela nossa Terra. Nacionalismo é o ódio à Terra dos outros” Romain Gary

 

"É sempre um défice de pátria que atiça o nacionalismo, nunca um excesso" Pascal Bruckner

 

  1. A escrita não é “uma mera representação do idioma” (1). Nem é uma arbitrariedade. Tem uma lógica, uma história, uma função, valor e importância inestimáveis.

 

A gramática, a sua nomenclatura e terminologia também não podem ser o tricot com que os nossos linguistas alteraram recorrentemente os programas de Português. Talvez para fazerem passar por avanços de ciência o que na realidade não o é.

 

Mas a gramática e a sua nomenclatura têm também uma lógica e uma história.

 

Do mesmo modo que os Jerónimos ou a Batalha também não são a construção de lego com que uma criança possa brincar, ou mamarrachos que se possam alterar ou destruir à vontade. Nem a obra Os Maias pode ser trocada por uma versão facilitista, idiota dela. De facilitismo em facilitismo, de simplificação em simplificação, é inteligência que se atrofia e que matam.

 

A língua, organismo vivo, enriquecível pela interacção inevitável das culturas, não deixa de ser por isso a herança matricial que é, que tem de ser cuidada, ensinada e amada - escola é, sempre, a palavra-chave.

 

Por isso, a escrita, que reflecte essa natureza da língua, pode e deve ser actualizada. Mas no seu tempo e com critério, tocando-se nela com precisão cirúrgica, sem ferir a sua lógica, sem quebrar o fio agregador da sua origem e da sua história. Porque tal como todos os outros elementos que referi, tal como a História, é constitutiva e constituinte duma identidade humana, que é, na sua universalidade, singular. Porque tudo o que somos, pensamos ou fazemos é resultado duma cultura, isto é, "duma compreensão do mundo historicamente adquirida". Que devemos assumir e de nos devemos orgulhar.

 

  1. Se tivermos presentes os inúmeros exemplos da aberração, mais do que documentada, do Acordo Ortográfico, estas rápidas considerações que fiz deviam bastar para se ter consciência da monstruosidade que foi fabricada, decidida e tão célere e surdamente imposta.

 

Tão célere e surdamente que se impõe a pergunta metódica que deve ser colocada quando, entre nós, algo é decidido e imposto tão célere e surdamente: que interesses beneficiou este AO?

 

Devo declarar que muito boa gente lutou por este AO por muito boas razões, sobretudo de política cultural e mesmo económica, designadamente as relações, de vária natureza, com o Brasil, e a valorização da língua portuguesa na comunidade internacional. Na minha opinião, contudo, que os factos confirmam, não era correcta a avaliação que fizeram. E essas bem-intencionadas razões não deviam ter ignorado o desiderato que acima formulei.

 

  1. Na verdade, depois de tudo o que recorrentemente foi sendo imposto na Educação, este AO era, e continua a ser na escola, a bomba atómica que faltava. Que ainda faltava, depois da mediocrização dos programas de Português, da liquidação da História e dos seus protagonistas, da ignorância das datas, do desaparecimento da Geografia, da estigmatização da literatura, da desvalorização do conhecimento substantivo e da cultura (colocaram a palavra entre aspas e estigmatizaram-na chamando-lhe "erudita"), depois da dissolução ou relativização de tudo o que nos torna Portugueses e, sem contradição, cidadãos do mundo.

 

Cidadãos do mundo, porque amar a nossa Terra não é incompatível, bem pelo contrário, com o sonho empolgante de podermos contribuir, com a oferta do que conseguirmos ser, da nossa diferença, para o progresso de todas as nações.

 

Argumentou Henrique Monteiro, no Expresso, que muitos milhares de miúdos já aprenderam as novas regras. Diz isso porque não tem reparado como escrevem hoje os alunos e... muitos professores. E está a esquecer os milhões de portugueses que não as aprenderam e nunca aprenderão. E se muitos miúdos as aprenderam, estão na idade perfeita para aprenderem o que deve ser ensinado.

 

Um dos danos mais profundos e irreversíveis deste AO, tal como acontecera com as sucessivas alterações absolutamente gratuitas na nomenclatura e na terminologia da gramática, foi separar os pais dos filhos, foi impedir que os apoiassem no estudo do Português. Como me aconteceu a mim há trinta e tal anos.

 

  1. Não há Nação sem língua, sem escrita, sem escola. Sem memória, sem História, sem afectos. Que só o conhecimento pode gerar. Sem herança imaterial e material, que se ensine e se aprenda a reconhecer, a compreender, a valorizar criticamente, a continuar. A amar.

 

Não se “nasce” português, ou francês, ou chinês, qualquer um de nós, ser biológico, poderia ter nascido num lugar qualquer. E seria desse lugar. É-se verdadeiramente português, mais português, por se querer ser Português. Wenceslau de Moraes, por exemplo, escolheu ser japonês, e foi tão japonês, mais japonês, seguramente, do que muitos japoneses. Portugueses de Macau, como eu os conheci, mesmo sem nunca terem vindo a Portugal, são mais portugueses do que inúmeros cidadãos portugueses que aqui nasceram, cujos antepassados viveram desde sempre em Portugal.

 

Apagamento da História que foi fazendo com que as gerações que começam hoje a chegar aos 50 anos vivam, na generalidade, sem dimensão do passado, por isso sem sentimento do futuro. Num eterno presente em que só o egoísmo pode dominar.

 

  1. Atente-se na língua e na escrita que cada vez mais frequentemente se ouve e se lê, em que tantas vezes se diz e se escreve exactamente o contrário do que se queria transmitir, na comunicação social ou nas universidades.

 

"A minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Pessoa. Neste sentido parece estarmos a tornar-nos rapidamente apátridas.

 

A negligência e a arbitrariedade com que se trata a língua e a escrita são o primeiro sinal da decadência de uma cultura e de uma nação.

 

Mas tudo depende da inteligência e da vontade dos homens. Por isso estou certo que Portugal será esse País por tantos de tantas gerações sonhado. Por isso combati persistentemente contra as ideias e os actos que livre e convictamente considerei adiarem esse desígnio, bem ao alcance dos Portugueses, não tenho dúvidas. Para que também nós, Portugueses, participemos de novo no destino de conhecimento e solidariedade que tem de ser o destino do Homem.

 

(1) Henrique Monteiro, Expresso, 7/5/16.

P.S.: Gosto muito de me ver representado pelo actual PR. O que não impede, naturalmente, que não subscreva a sua decisão de só intervir na questão do AO se este não obtiver a aprovação dos países que o não aprovaram.

 

Editor da Gradiva

Fonte:

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-negligencia-na-lingua-e-na-escrita-sao-principio-da-decadencia-dum-pais-1731784?page=-1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:49

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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

A CEGUEIRA DOS ACORDISTAS

 

LA FELIZ CEGUERA.jpg

 La feliz ceguera, escultura de Sergio Bustamante, um dos mais prestigiados artistas plásticos mexicanos contemporâneos

 

Para não se dizer que a grafia preconizada pelo AO90 era cuspida e escarrada a grafia brasileira, aos acordistas deram-lhes para suprimir, completamente às cegas, os hífenes e alguns acentos, apenas para justificar o AO90 no Brasil. De outro modo, o Brasil nada tinha para alterar.

 

Por exemplo, vê-se por aí agora o nosso dia-a-dia escrito dia a dia, porque os acordistas assim o quiseram. Mas quiseram mal.

 

Porquê?

Por isto:

 

«No meu dia-a-dia, ou seja, no meu quotidiano, tenho de me defrontar com uma ignorância que me dá cabo dos nervos». Daí que «dia a dia, ou seja, dia após dia, a Língua se vá degradando cada vez mais, e os analfabetos aumentando em Portugal».

 

Dia a dia, sem hífen, é como grão a grão enche a galinha o papo; um grão atrás do outro enche o papo da galinha. E dia a dia, cada vez mais cegamente, os portugueses seguidistas caminham em direcção a uma abissal ignorância optativa.

 

De igual modo devemos grafar fim-de-semana (período composto pelos dias de sábado e domingo) com hífenes. Fim de semana sem hífenes remete-nos para o término de um período de sete dias consecutivos, a começar em qualquer dos dias da semana.

 

E também café-com-leite (cor acastanhada) parecida com a cor do café com leite.

 

E à-toa (de modo atabalhoado, imperfeito, apressado); à toa, sem hífen, significa sem reflexão nem tino, «o João fez o trabalho de casa à toa»; ou «ele anda por aí à toa, a esmo, ao acaso…»

 

E quando se realiza um frente-a-frente, trata-se de um debate ou encontro entre duas pessoas, de um modo em que uma fique em frente à outra; enquanto que se «eles estiverem frente a frente», sem hífen, significa que estão numa posição em que um está diante do outro, cara a cara, face a face

 

Compreenderam a diferença? Entenderam por que devemos hifenizar estas (e outras) palavras, que perderam os hífenes apenas para que os brasileiros tivessem de alterar alguma coisa na grafia proposta pelo AO90?

 

«A pior cegueira é a mental, que faz com que não reconheçamos o que temos pela frente» (José Saramago), e a cegueira mental dos acordistas é tal que teimam em não reconhecer o abissal disparate que cometeram.

 

Ainda vamos a tempo de remediar o erro. É só deixarem de ser cobardes, e assumirem o fracasso. Como já tenho, por várias vezes, referido: errar é humano, mas insistir no erro é completamente insano.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:32

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Sexta-feira, 13 de Abril de 2018

QUE PORTUGUÊS SERÁ ESTE?

 

Fazem tudo por minha casa? Assim? Como quem não quer a coisa? Como quem não sabe o que faz, ou melhor, o que escreve?...

 

Estamos mal!!!

 

Nunca, como actualmente, a nossa Língua esteve tão maltratada!

 

Senhor Ministro da Educação, há que tomar medidas urgentes, para que as futuras gerações não sejam piores do que esta, no que diz respeito à escrita...

 

PORTUGUÊS.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:22

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Quinta-feira, 15 de Março de 2018

UM EXEMPLO DE ESCRITA EM BOM MIXORDÊS - A “NOVILÍNGUA” PORTUGUESA

 

«E, agora, um exemplo de um texto medieval, demonstrativo da ausência de normas ortográficas e de grafias díspares. Ah, não, afinal é só mais um texto de alguém que aplica o Acordo Ortográfico, mesmo sem obrigação de o fazer. Era isto a evolução da língua?»

(Tradutores contra o Acordo Ortográfico)

 

MIXORDES.png

 

Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.212426635525679.35361.199515723483437/1508138402621156/?type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:25

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Sexta-feira, 2 de Março de 2018

«ESTE PAÍS PARTIDO AO MEIO PELA PRÓPRIA LÍNGUA»

 

Muito bem, Alexandra Lucas Coelho.

 

Haja inteligência e lucidez para dizer as coisas certas.

 

Parabéns e obrigada pelo seu precioso contributo em prol da Cultura Linguística Portuguesa.

 

ALEXANDRA.jpg

 

A opinião de

Alexandra Lucas Coelho

 

 1 - «O que aconteceu há uma semana no parlamento português é de pasmar, para quem ainda for capaz. Todos os deputados portugueses, com a honrosa excepção dos comunistas e de dois centristas, são agora co-responsáveis por a) um erro com décadas b) Portugal estar partido ao meio pela própria língua c) manter tantos portugueses na clandestinidade. 

 

Que dia cheio, essa quinta-feira, 22 de Fevereiro. E lendo nas notícias até parecia que não tinha sido nada demais, a votação na assembleia. Assunto arrumado.

 

2 - Como quiçá 99 por cento dos portugueses, estou farta deste assunto. Há uma boa razão para isso. É que o assunto tem barbas. Tanto tempo que o facto de até agora não ter sido possível enfiarem-nos o acordo pela goela é uma prova de como ele é um mau acordo. Outra prova, claro, é o facto de terem que tentar, e continuarem a tentar, enfiar-nos o acordo pela goela. Quanto mais tempo passa, mais me apetece dizer que nunca escrevi nem escreverei uma frase segundo o acordo. E quanto mais tempo passa mais me chateia que os meus sobrinhos sejam obrigados a ler e escrever asneiras, e quando todos eles aprenderem a ler e escrever fiquemos separados por tanta asneira. Cada um dos deputados que se absteve ou votou pela continuidade é responsável por isso. De resto, com o aval dos deputados eleitos, a minha situação, e a de tantos portugueses, é oficialmente essa: estamos, vivemos, trabalhamos na clandestinidade. Mas quem sequestrou a língua não fomos nós. De certa forma, o auto-proclamado acordo é um golpe de estado progressivo. Um golpe de estados, aliás. E isso faz parte do equívoco de base.

3 - Esta monumental perda de tempo, dinheiro, burocracia e energia vem de 1990. São 28 anos — vinte e oito anos — de declarações, contorções, petições, recursos, rejeições, discussões, pancadaria verbal desde o equívoco de base. Os contestatários foram ignorados, partiu-se para a imposição: em Portugal, o acordo entrou em vigor em 2009, tornou-se obrigatório nas escolas públicas em 2011, nos organismos públicos em 2012, e em geral (?) em 2015, data desde a qual um aluno que não escreva segundo o acordo é penalizado. 

 

Totalitarismo por etapas. Mas em nome de quê?

 

4 - Aí está o equívoco de base: em nome de uma visão política desligada da vida. Da vida da língua, com as suas mutações naturais, da vida de cada país onde essa língua é dominante, e das relações entre esses países. Já me perdi no imbróglio do que gerou o acordo, se/como os linguistas foram utilizados pelos políticos e/ou vice-versa, ou a certa altura os defensores do acordo se cristalizaram nessa posição porque sentiam que já tinham ido demasiado longe para voltar atrás.Supostamente este acordo era para aproximar os países de língua portuguesa. Mas o que separa os países de língua portuguesa são muitas outras coisas, muitas delas de facto políticas, muitas delas de facto incómodas, muitas delas de facto sistematicamente ignoradas, ou menosprezadas, enquanto um acordo totalmente desnecessário, supostamente a bem da lusofonia, nos mói o juízo há 28 anos.Expressões que me tiram do sério: países da lusofonia. Que países da lusofonia? Lusofonia resulta de uma ideia de dominação, ou dominância, lusa, sem sentido. Não há países da lusofonia. Há países que falam a língua portuguesa. E, não por acaso, Portugal está bem, bem longe de ser o mais populoso.

 

5 - Também estou longe de em geral votar PCP, o partido que corajosamente fez a proposta rejeitada no parlamento, para que Portugal se retirasse do acordo. Estar contra o acordo é o ponto em que coincido com os comunistas, depois divirjo em parte quanto à visão da língua portuguesa, as relações entre os países que falam a língua portuguesa. Mas pasmei com a quantidade de deputados que votaram em massa, ao lado dos seus partidos, contra a proposta do PCP. As abstenções ficaram-se pela meia dúzia.Difícil de acreditar. Toda esta gente está mesmo convicta de que o acordo é uma coisa boa? Ou acha apenas que dá demasiado trabalho voltar atrás? Seja como for parecem imunes ao facto de tanta gente, com argumentos, não seguir o acordo.

 

Mexeu-se na língua, onde não fazia falta, por maus motivos políticos. Esse acordo, alegadamente para o melhor entendimento de vários países, conseguiu transformar-se em grande desentendimento neste país. Entretanto, todos os dias me sento a esta mesa, e bato neste teclado palavras que oficialmente já estão erradas, como pára em vez de para, ou pêlos em vez de pelos.O meu trabalho é escrever há mais de trinta anos. Na minha geração, tenho de pensar um bocado para achar conhecidos que escrevam voluntariamente segundo o acordo. E na geração posterior idem. A petição que acompanhava a proposta do PCP tinha 20 mil assinaturas, mas multiplicar isso por 100 não me pareceria pouco razoável. Imagino a quantidade de professores que não gostam do acordo e são obrigados a usá-lo. Com certeza que muitos seguidores do acordo o fazem por obrigação, em organismos públicos, ou empresas que tomaram a decisão de aplicar o acordo por contingências várias. Entre 2011 e 2012 aconteceu editoras acharem que o caminho já era irreversível, e terem começado a aplicar o acordo, para depois retrocederem.Falhado o parlamento, a próxima esperança dos desalinhados será o recurso que o Supremo vai analisar, quanto à ilegalidade ou não de impor a aplicação do acordo.

 

6 - A língua portuguesa são tantas que ainda não as conheço, nem conhecerei. Morei anos no Brasil, e que sorte, a língua tornou-se muito maior. Vou à Guiné, a Cabo Verde, a Moçambique, idem. A língua vai à frente de qualquer dicionário, e se quem escreve não der trabalho aos arrumadores da língua estamos tramados. Portanto, os clandestinos estão naturalmente na clandestinidade. Mas não por decreto, com um acordo tipo implante. Deixem a língua solta, porque ela muda a cada minuto. O trabalho dos dicionários, e dos especialistas, é correrem atrás.»

 

Fonte: 

 

https://24.sapo.pt/opiniao/artigos/este-pais-partido-ao-meio-pela-propria-lingua#_swa_cname=sapo24_share&_swa_cmedium=web&_swa_csource=facebook&utm_source=facebook&utm_medium=web&utm_campaign=sapo24_share

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:12

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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2018

«ACORDO ORTOGRÁFICO SIM, MAS O ANTIGO!»

 

«O Governo de António Costa que já fez inúmeras alterações na educação deveria ponderar um recuo neste Acordo Ortográfico. Seria um acto de inteligência, de liberdade individual e de liberdade de escrita. E, Marcelo Rebelo de Sousa deve reabrir o debate sobre o AO.»

 

JOAQUIM JORGE.png

Joaquim Jorge

Biólogo, Fundador do Clube dos Pensadores

 

 

«O PCP, no Parlamento, defendeu sozinho a desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990. O PSD, PS, CDS e BE demarcaram-se do projecto de resolução do PCP, que pretende a desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990, ainda que admitam a necessidade de o aperfeiçoar.

 

Tenho escrito inúmeros artigos de opinião, ao longo destes anos, contra este acordo ortográfico.

 

A diversidade da nossa língua é uma mais-valia e enriquecimento cultural. A beleza da nossa língua está nessa diversidade. Não é ser avesso à mudança, é ser contra ter que, adoptar uma ortografia que não se justifica e não é uma necessidade premente

 

Sou português e defendo a minha língua e como ma ensinaram, não sou brasileiro. Mudaram na secretaria algo que não serve para nada. Esta imposição legislativa é contraproducente. Esta unificação é ilusória. Quando se muda não quer dizer que se vá para melhor. Deixemos que a língua evolua naturalmente. Veja-se que estamos no euro mas continuamos muitos de nós ainda a falar em escudos, respeitemos o nosso passado.

 

O Governo de António Costa que já fez inúmeras alterações na educação deveria ponderar um recuo neste Acordo Ortográfico. Seria um acto de inteligência, de liberdade individual e de liberdade de escrita. E, Marcelo Rebelo de Sousa deve reabrir o debate sobre o AO.

 

Um episódio exemplar como nunca haverá unificação de coisa nenhuma. Um dia, em Portugal, o brasileiro Ruy Castro, autor do livro “Carnaval no Fogo”, disse à sua secretária: “Isabel, por favor, chame o bombeiro para consertar a descarga da privada”. Perante o espanto de Isabel, teve que ser ajudado por um amigo que fez a “tradução”: “Isabel, por favor, chame o canalizador para reparar o autoclismo da retrete”.

 

O Acordo tende a transformar-se numa confusão e barafunda, em que ninguém se entende, cujas consequências se desconhecem, além de subsistirem dificuldades na sua aplicação. O Acordo Ortográfico não passou de experimentalismo ortográfico sobretudo para os alunos que tiveram de o aplicar.

 

E não me venham com a desculpa dos tratados internacionais e dos manuais escolares. É um acto de bom-senso alterar o que está mal. O facto consumado e de que o AO não pode ter retroactividade é um pecado na nossa querida língua.»

 

Fonte:

http://www.jornaltornado.pt/acordo-ortografico-sim-mas-o-antigo/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:03

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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

A LÍNGUA DOS PAPA-LETRAS!

 

E é “ADÔTO”, “ADUÇÃO”, “CUÂÇÃO”, “DIRÊTO”, “DIRÊTA”EXCÊTO”, “REC’ÇÃO” (é assim que estas “coisas” se lêem), e agora mais este “ADÊTO” ….

 

Que raio de língua é esta?

 

Disseram-me que é a Língua dos Papa-Letras, uma nova linguagem que anda por aí à solta, sem eira nem beira, sem origem, sem raiz, sem pátria…

 

E quem são os Papa-Letras? São obviamente uns seres sem espinha dorsal, que andam por aí a vergar-se a tudo e a todos, sem o mínimo espírito crítico…

 

ADÊTOS.png

INCOERÊNCIA.png

Quanta incoerência! Afinal em que ficamos?

Estavam em “dirêto”, mas a discriminação era “dirêta” ou “indiréta”? Qual o critério?

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

QUE PORTUGUÊS!

 

E isto porque os Portugueses não contribuem em nada para a divulgação da Cultura, das Ciências, das Artes… em Língua Portuguesa, na Internet. Estão mais virados para o futebol e novelas…

Eu, como portuguesa, passo-me com este uso e abuso da nossa Língua, e dou-me a liberdade de reescrever os textos. Os estrangeiros, interessados em aprender Português, desaprendem-no

E o governo português cala-se...

 

QUE PORTUGUÊS.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:32

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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018

COMO ESCREVER EM BOM PORTUGUÊS

 

Querem saber por que os acordistas escrevem Ministério dos Negócios Estrangeiros com letra maiúscula, e o nome dos meses do ano - janeiro, fevereiro, março… e o das estações do ano primavera, verão… - com letra minúscula? Porque no Brasil escreve-se o nome dos ministérios com letra maiúscula e o nome dos meses do ano e o das estações do ano em minúsculas.

 

Só por isso.

 

 

JANEIRO.jpg

 (Origem da Imagem: Internet)

 

Em Bom Português, o nome dos meses do ano, quase todos derivados de nomes de deuses e deusas e imperadores, escreve-se com letra maiúscula:

Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro Dezembro.

 

O nome das estações do ano também se escreve com letra maiúscula, Em Bom Português:

Primavera, Verão, Outono, Inverno.

 

E os dias da semana escrevem-se com letra minúscula:

segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado, domingo.

 

***

Por que motivo Portugal, sendo um país livre e europeu, tem de se ajoelhar perante o Brasil, no que respeita às regras gramaticais, que regem a nossa Língua Oficial (a Língua Portuguesa), e as quais o Brasil nunca respeitou, mas, curiosamente, os restantes países lusófonos sempre respeitaram?

 

Também não temos, em questão da Língua (ou em qualquer outra questão) de seguir as “modas” dos países estrangeiros, porque os países estrangeiros jamais seguiriam as “modas” portuguesas, a este nível.

 

Por quê tanta subserviência às modas estrangeiras, numa matéria que só aos Portugueses diz respeito, e que é um dos símbolos maiores da identidade portuguesa? O que nos distingue dos demais povos – a Língua, a Portuguesa, claro!

 

Aqui há um gato escondido, que deixou o rabo de fora. E nós, que não somos parvos e temos olhos de ver, já detectámos esse rabo, há muito…

 

Sacrifica-se uma Língua íntegra, graciosa, estruturada com primor, com cabeça, tronco e membros, cortando-se-lhe a cabeça e os membros, desfigurando-a, transformando-a num patati infantil, desestruturado, mutilado, desgracioso, inestético, apenas porque uns poucos inhenhos assim o querem? Por dinheiro? Por poder? Por manigâncias? Por teimosia? Por falta de espinha dorsal? Ou por uma coisa pior, que eu cá sei?

 

Não, não permitiremos que a nossa Língua seja enxovalhada apenas por capricho de uns tantos ignorantes.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:39

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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018

«A CULTURA E A LÍNGUA SÃO A ESSÊNCIA DE UM POVO»

 

digitalizar0001.jpg

Excerto do precioso livro «A Historia da Lingua Galega» onde podemos comprovar a ligação do Português e do Galego, duas línguas irmãs, que nada têm a ver com o linguajar sul-americano de expressão portuguesa ou de expressão castelhana. Um livro que recomendo aos acordistas para que vejam e sintam o absurdo que é a imposição da ortografia brasileira a Portugal. Não faz o mínimo sentido. É algo que foge ao domínio da sensatez.

 

Há dois anos, numa daquelas tertúlias que costumo frequentar, quando vou à Galiza, conheci Juan Manuel Castro, um galego interessado pela Cultura Portuguesa.

 

Trocámos ideias e saberes, e dizendo-lhe da minha ascendência galega e do meu interesse pela Cultura, Língua e Literatura galegas, logo ali combinámos iniciar um intercâmbio cultural, que se tem mostrado bastante frutuoso, para os dois: eu envio-lhe livros que falam da Cultura Portuguesa, escritos em boa Língua Portuguesa, e ele envia-me livros sobre Literatura e Cultura galegas, escritos em boa Língua Galega.

 

Os últimos que recebi foram “Historia da Lingua Galega», um precioso livro que conta as aventuras e desventuras desta Língua irmã do Português (e sobre o qual ainda hei-de falar) e, há uns poucos dias, “Literatura Galego-Portuguesa Medieval”, onde as duas línguas, cultas e belas, se fundem.

 

Na nossa troca de correspondência foi inevitável falar da imposição a Portugal da ortografia brasileira, que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990, apenas para disfarçar, porque na realidade não existe acordo algum, e à qual me oponho visceralmente, pelos motivos mais óbvios. Portugal é um país europeu, cuja língua deriva do ramo indo-europeu, que nada tem a ver com a América do Sul e com um povo mesclado de muitos outros povos, e muito menos tem a ver com o que esse povo fez com a língua que adoptou, depois de se tornar independente.

 

A este propósito, o meu amigo Juan Manuel Castro escreveu o que passo a citar, já traduzido:

 

«Por Deus, estou impressionado com a vontade de se mudar a ortografia portuguesa para a ortografia brasileira.

 

Isabel, isso não se pode permitir. Quem é o louco que pretende cometer semelhante barbaridade?»

 

(Pois… quem será o louco ou os loucos?).

 

E o Juan diz mais:

«No tempo dos Descobrimentos, os nossos antepassados levaram a meio mundo (América, África, Ásia, etc.), a nossa Cultura, a nossa Língua, e eles não o fizeram tão mal assim, porque essa Cultura e essa Língua sobrevivem até hoje. E agora o governo quer impor a norma brasileira a Portugal?

 

Consegues imaginar, em Espanha, a Real Academia da Língua, constituída pelos melhores linguistas espanhóis, dizer que se iria impor, por exemplo, a normativa argentina do Castelhano? Isso é impensável e impossível, isso não passa pela imaginação de ninguém.

 

O Português e o Castelhano são de origem Latina, sem dúvida, basta ver o mapa antes e depois da romanização e estudar a raiz das palavras, e a origem comum é claríssima. De resto, isso é de gente inculta. Perdoa-me falar assim, mas há coisas que são inalienáveis, e esta, Isabel, é uma delas. A nossa Língua e a nossa Cultura são a nossa essência. Seria uma falta de respeito pelos nossos antepassados e por nós próprios, não as respeitar e honrar. Espero que a sanidade mental ponha as coisas no seu lugar e se respeite a História».

 

Trouxe à baila este episódio, apenas para partilhar o pensamento de um Galego (que é o pensamento de milhares de pessoas) com todos os que combatem a imposição a Portugal da ortografia que o Brasil utiliza desde 1943, e que, entretanto, para não dizerem que não se mexeu nesse modo de escrever, já com barbas brancas, de tão velho (não “nasceu” em 1990) disfarçou-se com a supressão de alguns acentos gráficos e hífens, que é apenas o que os Brasileiros têm de mudar, SE utilizarem este pseudo-acordo ortográfico de 1990.

 

Penso que qualquer pessoa lúcida dirá o que o Juan disse. E claro, só posso concordar com ele, e fazer minhas todas as palavras dele.

 

Ainda se nos impusessem a normativa angolana ou moçambicana, países que não mutilaram a Língua Portuguesa, outro galo cantaria

 

Estes argumentos são mais do que válidos e óbvios para que continuemos a exigir, junto do governo português e do presidente da República, que devolvam a Portugal, a Ortografia Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:48

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

.

.CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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