Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019

«O Acordo nasce do delírio português de que existe uma entidade chamada “lusofonia” e da ambição do Brasil»

 

 Porque é da inteligência olhar para as coisas com olhos de ver, e não com olhos de não-querer-ver.

 

Sabem o que distingue os  “Velhos do Restelo” (os que têm saber e defendem a Língua Portuguesa), dos “Novos de São Bento e Belém” (os que não têm saber e estão a destruir a Língua Portuguesa)? Responderei a esta pergunta, mais adiante, depois da leitura do texto de Luciano Amaral.


 

 

LUCIANO AMARAL.jpg

 

Para já vamos a outra questão: recebi, via e-mail, a imagem, que aqui reproduzo, de um texto, assinado por Luciano Amaral, publicado no Correio da Manhã em 03 de Março de 2014, um texto com cinco anos, mas de validade actualíssima. Infelizmente.

 

Todos os que estamos a trabalhar para restaurar a Língua Portuguesa, em Portugal, sabemos que ela será restaurada, mais dia, menos dia, porque um País não pode avançar para o futuro, sem uma Língua que o identifique.

 

E neste momento, Portugal não tem uma Língua que seja SUA.

 

O que se passa actualmente é que Portugal perdeu a sua Língua, perdeu a sua identidade linguística, perdeu o brio, perdeu o profissionalismo, perdeu a vergonha, perdeu a dignidade, e agora só quer ser “grande” outra vez, como no tempo do Império, à pala do Brasil.

 

Concordo em absoluto quando Luciano Amaral diz que «os portugueses só entendem a sua imaginada grandeza como algo para além de Portugal: antes era o império. Agora é a lusofonia (…), a coisa vai tão longe que chega muitas vezes ao ponto da anulação do País».

 

Bem, mas acontece que o País já está anulado. Um país que perde a sua Língua, fica automaticamente anulado. Portugal desviou-se da Europa, e anda por aí, à deriva, sem rei nem roque: é que nem é deste lado do Atlântico, nem do outro. Não tem uma Língua que o identifique: nem portuguesa, nem brasileira.

 

Um País que não cuida da sua Língua, não merece o estatuto de País. É simplesmente uma colónia da ex-colónia.

 

Estão muito enganados aqueles que acham que o “Acordo Ortográfico de 1990” é essencial para o “prestígio” da Lusofonia. Mas que acordo, que prestígio, que lusofonia?

 

Uma Língua só dá prestígio a alguma coisa, quando é uma LÍNGUA. Neste momento, a língua que circula em Portugal é apenas uma imitação de língua, que identifica o Brasil, mas não identifica Portugal. Por isso se insiste que cada país fique com a respectiva Língua.

 

A língua que actualmente é grafada (e já começa a ser falada) em Portugal é made in Brazil (escrito assim à americana). E digam-me lá: que outro país do mundo, senão Portugal, mudou a Língua que o identificava, para adoptar uma língua, made num país estrangeiro?

 

Todos sabemos o que está por trás deste “acordo” para o qual não foram chamados os restantes seis países ditos lusófonos. Apenas o Brasil e Portugal se enfronharam numa negociata de bradar aos céus, cheia de mentiras. Repletíssima de fraudes!

 

Como diz Luciano Amaral, e muito bem, este “acordo” nasceu apenas do delírio português de que (ainda) existe uma entidade chamada “Lusofonia” e da ambição do Brasil.

 

Acontece que o Brasil não se distanciou, do modo como se distanciou, e cada vez se distancia mais, da Língua Portuguesa, para ficar eternamente ligado à língua do colonizador, e não fruir de uma língua própria, de uma língua que o identifique como uma Nação independente. E quem não acredita ou não aceita este incontestável facto, é bocó (já agora, e uma vez que estamos numa de brasileirismos…)

 

Portugal amesquinhou-se. Portugal deixou-se levar pelo “sonho brasileiro”. O Brasil acenou-lhe com os “milhões” de falantes e escreventes de uma língua a que eles, por enquanto, ainda chamam Portuguesa, mas que, na verdade, já não é portuguesa, e nem sequer é estudada nas escolas, como tal. E Portugal sentiu-se um pigmeu, e deslumbrou-se com a ideia de se agigantar à pala de uma Língua que tem o destino marcado para ser Brasileira.

 

Nada é mais perverso e caracterizador da pequenez de espírito, do que políticos pigmeus deslumbrados com a fictícia grandeza de um gigante. Se ao menos soubessem a história de David e Golias!

 

O Brasil tem todo o direito de ter o seu “sonho brasileiro”. Porque não? O nosso Rei Dom Diniz também teve o seu “sonho português” e ficou para a História como o responsável pelo nascimento oficial da Língua Portuguesa. Em 1290, Dom Diniz decretou que a “língua vulgar” (o galaico-português falado) fosse usada na corte, em vez do Latim, e designada como “Português”. E é facto que o Rei adoptou uma língua própria para o reino de Portugal, tal como o seu avô Afonso X “O Sábio”, e de quem era tradutor, fizera com o Castelhano.

 

E foi assim que do Latim se passou ao dialecto galaico-português, e deste, à Língua Portuguesa. E será assim que o Português (ainda dito) do Brasil, e que tecnicamente é classificado como um dialecto, evoluirá naturalmente para Língua Brasileira.

 

Resta saber quem será o governante brasileiro que ficará para a História como o responsável pelo nascimento oficial da Língua Brasileira.

 

Este é o percurso natural das línguas que os povos que dominam outros povos vão deixando pelo caminho…

 

No que a isto diz respeito, não entendo a estranheza e os ataques de certas pessoas, que não param para pensar, que não lêem, que não procuram informar-se, nem querem, porque deliram com as falsas grandezas.

 

Portugal está dividido entre os ditos “Velhos do Restelo” e os “Novos de São Bento e Belém”. Qual a diferença entre uns e outros?

 

É que os “Velhos do Restelo” escrevem correCtamente a Língua Portuguesa, a oficial, a que permanece em vigor, a do Convénio Luso-Brasileiro 1945.

 

E os “Novos de São Bento e Belém” desprezaram a Língua Portuguesa, e substituíram-na por uma novilíngua conhecida por Mixordês, uma mistura do Português e do Brasilês.

 

E para que não digam que estou a inventar coisas (o Brasilês) aqui deixo a fonte onde fui beber o significado deste termo, que considero bastante interessante: Dicionário inFormal, neste link:

https://www.dicionarioinformal.com.br/brasil%C3%AAs/

  1. Brasilês

Significado de Brasilês Por C (SP) em 02-03-2011

Brasilês é uma lingua falada no Brasil.

Embora derivada do português, tem sintaxe, morfologia, fonética, semântica e vocabulário autóctones, especialmente pela absorção de elementos lingüísticos de origem indígena e africana,

Em virtude da grande extensão do nosso país, o brasilês apresenta grande diversidade de sotaques sem que isto afete o significado das palavras.

Isto é muito natural para um universo de mais de 180 milhões de pessoas falando o mesmo idioma.

***

 Porque é da inteligência olhar para as coisas com olhos de ver, e não com olhos de não-ver.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019

«Movimento pela Língua Brasileira»

 

Não estranhei absolutamente nada quando li a frase supracitada, no “assunto”, de um e-mail que me foi dirigido por Sérgio Lopes. Apenas fiquei muito curiosa, obviamente.  


E se há por aí alguns Portugueses e Brasileiros que, por uma conveniência mais política do que linguística, não aceitam a existência de um Movimento pela Língua Brasileira, outros há que, muito pela calada, se movimentam no sentido de elevarem o mal denominado “Português do Brasil” a Língua Brasileira.

 

E eu, como conhecedora da cultura brasileira, dos desígnios brasileiros, da política brasileira, e principalmente do imo brasileiro, só tenho a dizer força, Brasil!

 

O que se escreve e fala no Brasil é, de facto, uma nova língua, derivada da Língua Portuguesa. Não sei por que existe tanta resistência, em Portugal, a admitir tal facto, quando, no Brasil, falar de Língua Brasileira já é uma realidade.

 

O que se segue é a troca de e-mails entre mim e o Sérgio Lopes (com o seu consentimento), acerca deste facto, que os menos esclarecidos se recusam a aceitar como verdadeiros.

 

portugal brasileiro 1.png

 

Nos tempos que correm (e espera-se que por pouco tempo) Portugal é uma extensão do Brasil, no que à Língua diz respeito (ou não pugnasse o AO90 pela grafia brasileira), até porque, na Internet, a bandeira portuguesa foi substituída pela bandeira brasileira, para designar o Português que, obviamente, não é português.

 

Escreveu Sérgio Lopes:

 

Ouso enviar-lhe estes links na eventualidade de os não conhecer.
Gosto das suas intervenções.
Saudações

 

A hora e a vez do português brasileiro

http://museudalinguaportuguesa.org.br/wp-content/uploads/2017/09/A-hora-e-a-vez-do-portugues-brasileiro.pdf

 

Afinal, existe 'língua brasileira'?

http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/post/afinal-existe-lingua-brasileira.html
 

A LÍNGUA BRASILEIRA


Excerto: Embora no início do século XIX muito se tenha falado da língua brasileira, como a Constituição não foi votada, mas outorgada por D. Pedro, em 1823, decidiu-se que a língua que falamos é a língua portuguesa. E os efeitos desse jogo político, que nos acompanha desde a aurora do Brasil, nos faz oscilar sempre entre uma língua outorgada, legado de Portugal, intocável, e uma língua nossa, que falamos em nosso dia-a-dia, a língua brasileira. É assim que distingo entre língua fluida (o brasileiro) e a língua imaginária (o português), cuja tensão não pára de produzir os seus efeitos.

https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/22/a-lingua-brasileira-2/

 

Sérgio Lopes

 

***

 

A minha resposta foi a seguinte:

 

Caro Sérgio Lopes,

 

Agradeço a sua mensagem e a sua gentileza, e os links que me enviou.

 

Os dois primeiros eu não conhecia.

 

O último, o da Eni P. Orlandi, conhecia, e já o publiquei no meu Blogue, faz algum tempo.

 

Para falar da “Língua Brasileira”, sou uma privilegiada, pois frequentei escolas brasileiras desde a primária à universidade, intercalando com a frequência em escolas portuguesas, também desde a primária à universidade. E o que tenho a dizer sobre isto, é que a Língua que se fala e escreve no Brasil é a Língua Brasileira, (com toda a justiça) e não a Portuguesa.

 

Estou com os brasileiros que pugnam pela Língua Brasileira, e defendo-a com a mesma garra com que defendo a minha Língua Portuguesa.

 

Não estou com os brasileiros quando eles dizem que o Português é a língua mais horrorosa do mundo, porque não é. É uma das línguas mais ricas e belas do mundo, de acordo com os estudiosos das línguas indo-europeias. Só os que nada sabem desta língua podem dizer tal disparate.

 

Também não estou com os brasileiros, na questão da imposição da grafia brasileira aos restantes países lusógrafos, com a invenção do pseudo-AO90, que não passa da maior fraude de todos os tempos.

 

De todos os países que herdaram a Língua Portuguesa e a têm como língua oficial, apenas o Brasil a deturpou, a mutilou, e dela se afastou substancialmente, americanizando-a, afrancesando-a, castelhanizando-a, italianizando-a, para não falar na introdução dos milhares de vocábulos indígenas e africanos (que aliás só a enriqueceram sobremaneira) e tudo isto confere-lhe o estatuto de uma nova língua, oriunda da Portuguesa, mas que já não é portuguesa.

 

Conheço as duas línguas como as palmas das minhas mãos. E, na realidade, são duas línguas diferentes.

 

Irei ler com mais atenção os textos que enviou, porque já vi que tenho ali muito pano para mangas, e não só, visando elaborar um texto para o Blogue.

 

Os meus agradecimentos e as minhas saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

***

 

Do que li nos textos enviados pelo Sérgio Lopes, tudo espremidinho, dá o seguinte:  existe um grande equívoco por parte dos brasileiros (e também dos acordistas portugueses) quando metem a Língua Portuguesa no saco das Variantes. E a Língua Portuguesa não é uma variante (ando sempre a repetir isto). A Língua Portuguesa é a ORIGEM das variantes, assim como o Latim não era uma variante entre os diversos dialectos (em que o galaico-português se incluía) que do Latim se originaram. O Latim era a ORIGEM. E a Língua Portuguesa, logo que se implantou como Língua, também é a Origem. Não uma variante.


E é esse grande equívoco que leva a que Portugal, um país que já foi livre, esteja actualmente dominado pela variante brasileira (ou dialecto, vai tudo dar ao mesmo), tendo perdido a sua identidade portuguesa, apenas porque os governantes portugueses, neles incluído o presidente da República, ou sofrem de um gigantesco complexo de pequenez, e acham que se se colarem ao Brasil ficam gigantes, ou andam a mando de alguma força oculta.

 

E como eu, e muitos como eu, gostaríamos de estar enganados, quando dizemos que a Língua Brasileira nunca esteve tão perto de ser implantada, e a Língua Portuguesa de desaparecer!!!!

 

***

Entretanto, enviei este outro e-mail ao Sérgio:

 

Caro Sérgio Lopes,

 

Agradeço o seu e-mail, com o qual não podia estar mais de acordo. Tão de acordo que quero pedir-lhe permissão para integrar as partes que dizem respeito ao Brasil, à Língua, ao AO90, aos indígenas, num texto acerca desta matéria.

 

Eu não sou perita em Ciências da Linguagem, apenas tenho a Língua Portuguesa como o meu mais precioso instrumento de trabalho, já leccionei Português, e aprofundei o meu conhecimento da Língua, nessa altura, em Portugal, e conheço a riqueza da Língua Brasileira, para a considerar uma outra língua. Apenas isso. 

 

Quanto aos neo-brasileiros estou completamente de acordo consigo, que também andou por lá, e sabe como é. Sempre defendi que os verdadeiros “donos” do Brasil são os indígenas, e não o povo que veio depois de os Portugueses terem achado as terras de Vera Cruz, e que nada fez para engrandecer o Brasil depois da independência.

 

Um destes dias enviaram-me um texto incrível que pode ver aqui:

 

https://www.imub.org/fraudes-montadas-sobre-o-tema-o-brasil-colonia/?fbclid=IwAR0HiTx4cN2k52dq_sARybjf5vEjXN5G7Kelf-71w66AFVOo7ecgoRdMJk8

 

o que me levou a deixar lá um comentário, que não foi aprovado, e está-se mesmo a ver porquê. E o comentário dizia o seguinte:

 

O que não se inventa para deturpar a História comum do Brasil e Portugal, tentando com isso atenuar o gigantesco complexo de colonizado, entranhado em alguns "brasileiros" (?), que não aceitam o seu passado. Todos os países, de uma forma ou de outra foram colonizados. Portugal foi colonizado por vários povos. De todos eles recebeu benefícios, e todos eles fazem parte da História de Portugal. Complexo para quê? Porquê?

 

É de realçar que, de todos os países colonizadores (Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Holanda - algo que pertence a uma época específica, tal como a pré-história é pré-histórica) Portugal foi o menos bárbaro e o que mais legado cultural deixou. Não extinguiu nenhuma civilização autóctone, e foi também o menos racista e xenófobo.

 

Não vejo qualquer motivo, para andar a escarafunchar historietas, para justificar um passado que na realidade não existiu, ou seja, o de que o Brasil não foi colónia.

 

Melhor fariam atirar o complexo de colonizado a um abismo, e tentar construir um grande país, que desde 1822 é livre, e ainda não encontrou o seu rumo.

 

Cortem o cordão umbilical que ainda liga o Brasil ao colonizador, como todos os povos colonizados fizeram, e deixem o passado no lugar dele. Vivam o presente e construam o futuro, como um povo livre. Até ao momento, e desde 1822, os Brasileiros são escravos do seu passado português. Libertem-se, de uma vez por todas. A começar pela Língua. Assumam que ela é a Língua Brasileira, porque ela é, e vivam a vossa vida brasileira, porque nós por cá, queremos viver a nossa vida portuguesa, sem colonizados agarrados ao nosso pé. O tempo da colonização acabou. Pertence ao passado, que ninguém pode mudar ou apagar.

 

Digo isto com amizade. Sem mágoa. Sem remorsos. Sem culpas.

 

E tenho quase a certeza, (este quase é muito fraquinho) de que esta imposição do AO90 a Portugal é a vingança desses “brasileiros” complexados.

 (…)

As minhas mais cordiais saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

***

 O Sérgio escreveu:

 

Cara Isabel,

 

«Agradeço o seu amável retorno e, desde já lhe digo, que estou consigo quanto à aspiração dos (neo*) brasileiros de rebaptizar a sua língua. Alguma razão há para não existirem acordos ortográficos nos espaços anglófonos, francófonos e “hispanófonos”. O simples bom-senso, que faltou aos promotores do OA90 e antecessores, dita-nos que uma língua uma vez exportada para fora do seu habitat geográfico natural, sofre influências tais de ordem fonética e lexical a ela estranhas que não permitem a sua unificação.

 

O “brasileiro” é disso um rico exemplo, agravado pela noção de que em termos linguísticos não existe “o certo, nem o errado, existe o diferente”. Facto que, eventualmente, com tantos "diferentes" empurrará o Brasil a dividir-se em vários dialectos.   Por motivos de ordem profissional conheço o Brasil de lés-a-lés, onde estive expatriado, primeiro como director-comercial, e uma segunda vez como director-geral de uma transnacional que tinha e tem filiais espalhadas por todo aquele imenso país-continente.

 

Bom, mas a eventual divisão em dialectos não é um problema português… O que é interessante notar é que a história da língua inglesa exportada da Europa para os EUA, não é muito diferente da língua portuguesa exportada para o Brasil. Os índios, os escravos e até os colonos franceses, holandeses (Nova Iorque nasceu de Nieuw-Amsterdam), etc., influenciaram a língua hoje falada nos EUA. O que não causa o alarido que no nosso caso se faz sentir e ouvir! 

 

Reconheço, porém, que a Isabel reúne as condições ideais e muito superiores às minhas para julgar este tema. Eu conheci o uso da razão em Angola, fiz o liceu antigo num colégio interno em Portugal e estudos superiores em língua inglesa em Cape Town, na anda África do Sul do Apartheid, licenciatura, e o mestrado em Plantation, Flórida nos EUA. 

 

A justificação dada pela parte portuguesa dos promotores do AO90 é completamente tola, imbecil mesmo. A Isabel verá que defendendo a preservação da língua, o Casteleiro e companhia caíram na ratoeira dos promotores da “língua Brasileira”! E correram o risco de deixar Portugal sozinho, com uma língua mutilada!!!

 

Retribuo as saudações “desacordistas” e votos das maiores venturas.

 

Sérgio Lopes

 

Nota* - para mim os actuais habitantes não indígenas do Brasil são-neo-brasileiros, dado que os índios são os verdadeiros aborígenes. Pena é que ainda estejam sob a tutela do "Estatuto do Índio" nome como ficou conhecida a lei 6.001. Promulgada em 1973, ela dispõe sobre as relações do Estado e da sociedade brasileira com os índios. Em linhas gerais, o Estatuto seguiu um princípio estabelecido pelo velho Código Civil brasileiro (de 1916): de que os índios, sendo "relativamente incapazes", deveriam ser tutelados por um órgão indigenista estatal (de 1910 a 1967, o Serviço de Proteção ao Índio - SPI; actualmente, a Fundação Nacional do Índio - Funai) até que eles estivessem “integrados à comunhão nacional”, ou seja, à sociedade brasileira…

 

Uma coisa é certa, durante mais de 300 anos só imigraram portugueses, quase exclusivamente, para a terra que recebeu o nome de Brasil. E durante esse tempo, quase só homens, facto que explica a miscigenação massiva com índios e africanos. Ora, ninguém se coloniza a si próprio, portanto, conquanto os índios pudessem reivindicar o estatuto de colonizados, curiosamente são os descendentes dos supostos "colonizadores" que o fazem e com tanto empenho. A imigração de italianos, franceses, alemães, árabes, asiáticos, etc., em números significativos deu-se já depois da independência, portanto, mais uma vez, não foram colonizados... Tenho para mim que é este complexo do "falso colonizado" que tem travado a ascensão do Brasil ao mundo desenvolvido. Lamentável!

 

Sérgio Lopes

 

***

 

Também lamento muito. E não só lamento, como me questiono: por que é que estas questiúnculas só existem entre Portugal e Brasil, e não com mais nenhuma outra ex-colónia?

Alguma coisa está mal, nesta relação luso-brasileira, e tem de ser resolvida, para que o Brasil possa cumprir a sua brasilidade, e Portugal recuperar a sua identidade europeia.



Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:46

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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2019

Ir de “cavalo para burro”, ou seja, de Língua para Dialecto, no caso da imposição do AO90 a Portugal, não significa desdenhar do Dialecto, louvando a Língua…

 

Vem isto a propósito de um comentário que Pedro Luís Azevedo, fez ao meu texto «O que talvez não se saiba sobre o AO90, e é crucial saber, para não se fazer papel de parvo». Consultar o link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-que-talvez-nao-se-saiba-sobre-o-ao90-218187?fbclid=IwAR0XuNdzLXI1Dcsirt07mWpW2PdTTRLlHOEyK7bNjDNF93htvY72BjzxbUc

partilhado no Facebook, por Irene Noites, no Grupo «Em Acção Contra o Acordo Ortográfico».

 

Mais abaixo, partilharei o comentário, e a resposta ao comentário, mas vou adiantando o seguinte:

 

«O Português já foi dialecto do Latim. Não se esqueçam disso. O que isto significa é que uma Língua que já ascendeu a Língua, não pode recuar para dialecto, sem que isto não constitua um retrocesso, ou, como sabiamente diz o povo: não pode ir de cavalo para burro. Contudo, um dialecto pode ascender a Língua, e a partir de então tem a sua dignidade garantida.» Consultar o link «Do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro»:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/do-que-falamos-quando-falamos-do-138183

 

Verdade.png

 

Pedro Luís Azevedo A Sra Irene Noites, com a sua fúria (que entendo e aliás acompanho) contra o 'AO'90 deve todavia esforçar-se na prudência para não alienar o apoio de todos no propósito que persegue e que é comum a todos os membros deste Grupo: a revogação do 'A'O90. Ao escrever "destruir a Língua Portuguesa e promover o Dialecto do Brasil" e mais à frente "é um tremendo retrocesso passar de cavalo para burro, ou seja, de Língua para Dialecto", não só ofende todos os falantes da variante brasileira da língua portuguesa, como atribui implicitamente uma escala de graduação de 'autenticidade' e de suposta 'superioridade' da variante falada em Portugal face à do Brasil. É um erro e é contraproducente. Todas as variantes da nossa língua (portuguesa, brasileira, angolana, etc) são igualmente 'autênticas', 'puras' e 'importantes'. A língua portuguesa falada em Portugal não beneficia de qualquer 'legitimidade linguística' superior à de qualquer outra variante. E sim, o português escrito e falado em Portugal é uma variante! Fico perplexo quando alguém atribui mais genuinidade à variante usada por um qualquer cidadão que vive e nasceu em Portugal face à variante usada por um seu primo afastado que vive e nasceu no Brasil, ambos descendentes de um dado cidadão que nasceu em Portugal e emigrou para o Brasil, por exemplo, no séc. XVIII! É a territorialidade que define um deles como falante de uma Língua e o outro como falante de um Dialecto?! Por amor da santa! Aliás, com a revogação do 'A'O90 obter-se-ia exactamente o livre curso das diversas cambiantes da Língua Portuguesa, sem espartilhos contra-natura e enriquecendo o todo... não é isso o pretendido? Para quê perder tempo com lateralidades? Muitos brasileiros defendem exactamente essa 'libertação linguística', são contra o 'A'O90. E também não podemos esquecer que a sua esmagadora maioria não quer saber para nada desse suposto acordo e vai continuar a seguir o seu caminho linguístico independentemente do que fizermos no nosso país. Para eles é praticamente irrelevante se pensamos assim ou assado. Até porque o malfadado 'A'O90 representou uma absoluta capitulação aos interesses deles, e a culpa disso é exclusivamente nossa! Sendo isto verdade, para quê pormo-nos em bicos de pés a bradar aos quatro ventos que o seu 'português' é mero dialecto? A troçar do 'seu' português, quando representam 200 milhões de falantes?! Se eu fosse brasileiro, sorriria do ridículo de tal discurso...

 

***

 

Senhor Pedro Luís Azevedo, lamento que não tivesse sabido interpretar correctamente a expressão «ir de cavalo para burro». É o que faz partir para a leitura de um texto, já com ideias preconcebidas.

 

Sugiro que leia o texto: «Do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro», no link supracitado. E talvez possa entender do que se fala quando se fala de destruir a Língua Portuguesa, para promover o Dialecto Brasileiro. Até porque, senhor Pedro Luís Azevedo, a Língua Portuguesa não é uma variante dela própria. A Língua Portuguesa É a Língua Portuguesa. Portanto, é a genetriz de todas as variantes existentes, incluindo a brasileira, como pode consultar no mesmo link.

 

Quando digo que o AO90 empobrece a Língua Portuguesa, quero dizer que o AO90 empobrece a Língua Portuguesa, e não a variante brasileira - o dialecto brasileiro. Certo?

 

Os Brasileiros têm o direito à língua deles. Optaram por afastar-se da Língua Portuguesa, quando rejeitaram o AO45, e elegeram o AO43 (elaborado unilateralmente) como o idioma nacional, a Língua do Brasil, mas oficialmente (por conveniências várias) mantiveram a designação de “Português do Brasil”.

 

Portanto, a partir desse momento, o que eles escrevem e falam no Brasil, já não é Português. É um dialecto oriundo do Português, e a designação "Português do Brasil" não é correcta.

 

Por muito que o Brasil queira "colar-se" ao Português (que já nem sequer é estudado nas escolas brasileiras com esta designação, mas como «Comunicação e Expressão») por ser uma Língua Europeia (não é uma qualquer língua ali da esquina) não é correcto, chamar-lhe "Português", porque não é.

 

O senhor diz: «Todas as variantes da nossa língua (portuguesa, brasileira, angolana, etc) são igualmente 'autênticas', 'puras' e 'importantes'. A língua portuguesa falada em Portugal não beneficia de qualquer 'legitimidade linguística' superior à de qualquer outra variante. E sim, o português escrito e falado em Portugal é uma variante! Fico perplexo quando alguém atribui mais genuinidade à variante usada por um qualquer cidadão que vive e nasceu em Portugal face à variante usada por um seu primo afastado que vive e nasceu no Brasil, ambos descendentes de um dado cidadão que nasceu em Portugal e emigrou para o Brasil, por exemplo, no séc. XVIII!.»

 

Eu é que fiquei assustadíssima com esta sua absurdez. Não sei qual é a sua formação académica, mas de certeza que não é da área das Letras, para dizer que o Português escrito e falado em Portugal é uma VARIANTE. É uma variante de quê? Sabe o que, em Linguística, significa VARIANTE? Significa DIALECTO. Como é que o PORTUGUÊS falado e escrito em Portugal pode ser dialecto dele próprio

 

Pois o senhor fica perplexo porque não domina esta matéria.

 

À Língua Portuguesa, atribuiu-se, com toda a legitimidade, a genuinidade de uma Língua que originou umas quantas VARIANTES, que obviamente NÃO É o Português falado e escrito em Portugal. Que absurdo!


Bem, eu não queria, juro que não queria, referir a sua iliteracia, contudo, mediante a sua última frase: «A troçar do 'seu' português, quando representam 200 milhões de falantes?! Se eu fosse brasileiro, sorriria do ridículo de tal discurso...» terei de dizer-lhe que LEIA com olhos de INTERPRETAR, e não com olhos de desinterpretar, o que eu escrevi. E se tiver capacidade de interpretação, chegará à conclusão de que, no meu texto, não troço da Língua de 200 milhões de falantes (e apenas de 200 milhões de falantes e mais nenhuns) que também foi a minha, desde a infância à juventude, pois foi no Brasil que aprendi a ler e a escrever e praticamente a falar, até porque chamar “dialecto” à língua que se escreve e fala no Brasil não é troçar, é citar os linguistas brasileiros e portugueses, numa verdade que muitos brasileiros aceitam, mas não, os portugueses desinformados (para não dizer outra coisa), como o senhor. E tenho certeza de que nenhum brasileiro culto sorriria de um discurso que contém uma verdade indesmentível. A não ser os que, como o senhor, nada sabem de Linguagens.

 

Porém, se quiser informar-se, leia o texto já sugerido acima, e mais os que se seguem, para que possa comentar com conhecimento, e não com desconhecimento.

 

Dialecto Brasileiro? Língua Brasileira? Novo Dialecto Luso-Acordês, engendrado pelo AO90? Que Língua para os países da “Lusofonia”?

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/dialecto-brasileiro-lingua-brasileira-174151

 

«Reflexões sobre a história da "Língua Brasileira"»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/reflexoes-sobre-a-historia-da-lingua-137008

 

«A Língua Brasileira»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-lingua-brasileira-99635

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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Terça-feira, 1 de Outubro de 2019

O Bom e o Mau na Gala dos “Globo de Ouro” no que à Língua Portuguesa diz respeito

 

No passado domingo, apeteceu-me, e vi a Gala dos “Globo de Ouro”, na SIC.

 

E ainda bem que vi, para ouvir o que lá se disse, porque de todo o espectáculo e dos prémios e das elegâncias, de umas coisas gostei, de outras não, e de uma, em particular (homenagem à memória de um torturador de Touros), abominei.

 

E o que é que o meu gosto ou desgosto interessa? Perguntarão.

Nada. Não interessa nada. Mas, mesmo assim, vou revelar o que gostei de ouvir, e o que me repugnou.

 

E vou começar pelo que gostei, daí deixar já aqui, antes de mais, o meu preito a Vera Holtz e Marcos Caruso, dois actores que sempre admirei, pelo elevado grau de profissionalismo, e pela simpatia e simplicidade com que se movimentam no mundo do brilho e do glamour…

 

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Origem da foto: Internet

 

Gostei de ouvir:

 

Vera Holtz e Marcos Caruso, dois excePcionais aCtores brasileiros, que subiram ao palco para anunciar o Globo de Ouro, na categoria de Melhor Peça / EspeCtáculo (que foi entregue a ‘Tio Vânia’), e dirigiram-se à plateia, na Língua deles, não sentindo a mínima necessidade de serem servis e falarem à portuguesa, para agradarem ou fazerem-se entender por uma plateia constituída, certamente, na sua maioria, por Portugueses.

 

Até porque, dizem por aí, que Brasil e Portugal falam a mesma Língua (oficialmente), se bem que com substanciais diferenças na fonética, na fonologia, na ortografia, no léxico, na sintaxe, na acentuação, algo que (oficiosamente) é já Língua Brasileira, mas não há necessidade nem de aportuguesar, nem de abrasileirar as falas, quando falamos uns com os outros.

 

Por isso, Vera e Marcos merecem o meu aplauso e a minha admiração: honraram a Língua e o País deles - o Brasil.

 

Não gostei de ouvir:

 

Ricardo Pereira.png

(Divulgação/ TV Globo)

 

O aCtor Ricardo Pereira, a entrevistar, em Brasileiro, Vera Holtz e Marcos Caruso, na Gala dos Globos de Ouro, como se eles fossem muito desprovidos de entendimento, como se não entendessem a fala portuguesa, não é mesmo? E o Ricardo Pereira demonstrou, deste modo, que não falamos a mesma Língua, pois se falássemos, não havia necessidade de estrangeirar.

 

Mas estrangeirou, e foi esta atitude servil que me repugnou. Vera e Marcos não são ignorantes, conseguem perfeitamente entender a fala portuguesa. Não precisam de legendas, nem que um português lhes fale à brasileira, para que o entendam. Ricardo Pereira esteve muito mal: insultou a inteligência dos aCtores brasileiros e desprezou a própria Língua e o seu País, a não ser que já não seja português.

 

Isto fez-me lembrar o nosso Presidente da República, que, também muito servilmente, no Palácio de Belém, deu, aqui há tempos, uma entrevista à TV Globo falando brasileiro, como se o entrevistador não soubesse Português. E com isto, o PR desonrou Portugal e a Língua Portuguesa.  Aposto que jamais Jair Bolsonaro daria uma entrevista à SIC aportuguesando a sua fala.

 

Gostei de ouvir:

 

E soou-me bem, os vários Olá, a todos! Naquela plateia constituída por homens e mulheres. Quem assim saudou o público presente no Coliseu dos Recreios é gente que sabe falar.

 

Não é como uns e outros (ou teremos de dizer uns, umas, e outros, outras?) que andam por aí a parvoar numa linguagem a que chamam inclusiva, para reforçar uma visibilidade ainda reduzida das mulheres no contexto social nacional (foi a explicação que me deram). Então, para dar visibilidade às mulheres, desatam a dizer olá a todos e a todas”, demonstrando uma gigantesca ignorância da Língua Portuguesa, porquanto o vocábulo TODOS é um substantivo masculino plural, que significa toda a gente, incluindo a Humanidade. Significa totalidade numérica de pessoas (e pessoos?) ou coisas (e coisos?), dizem os dicionários. E um grupo de pessoas pode incluir apenas mulheres, ou apenas homens, ou homens e mulheres, crianças (e crianços?) jovens, e idosos.

 

Dizer todos e todas é uma muito infeliz redundância, assente na ignorância.

 

Mas até o nosso primeiro-ministro, que devia dar lições de bem falar a língua do país que representa, um destes dias, a discursar no Algarve, dirigiu-se aos Algarvios e Algarvias, como se os Algarvios não fossem os habitantes (e as habitantas?) do Algarve.

 

Fico-me por aqui, porque esta parte final já não pertence aos “Globos de Ouro”, que, contudo e obviamente, os adeptos da parva linguagem dita inclusiva, não ganhariam jamais, se houvesse tal distinção para os bons falantes de Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:50

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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2019

A RCM 8/2011 que "determinou" (não obrigou) a aplicação do AO90 é enganadora, além de não ter valor de lei

 

Uma vez que já estou farta de ouvir e ler por aí, nomeadamente a professores que «somos obrigados, por lei, a aplicar o AO90», vou reproduzir aqui o que dizem os juristas, a este respeito.

 

Não sou eu que digo, porém, apesar de não ser jurista, sei que uma RCM não tem valor de lei, portanto, jamais aplicaria o AO90, fosse em que circunstância fosse, por não ser obrigada, por Lei. Apenas uma Lei obriga a alguma coisa, e mesmo assim, uma lei injusta é passível de ser combatida.

 

Que um analfabeto não saiba distinguir uma Lei de um mero despacho é aceitável. Que uma pessoa que tem um curso superior não o saiba é inconcebível. Que um professor não questione a mixórdia que diz ser obrigado a ensinar, é inacreditável.

 

AO90.png

 

A Resolução do Conselho de Ministros nº 8/201, de 25 de Janeiro, determina (não obriga) que o governo português e os serviços e organismos e entidades na dependência desse governo (como, por exemplo, os professores e os órgãos de comunicação social servilistas, os maiores responsáveis pelo caos ortográfico instalado em Portugal), bem como o Diário da República, apliquem o “Acordo Ortográfico de 1990”.

 

Enviaram este “despacho” para as repartições públicas e escolas, e, à ceguinha, começou-se a aplicar o AO90, porque, dizem os “aplicadores”, foram obrigados.

 

Foram obrigados como? Sob ameaças de processos disciplinares? Sob chantagem? E ainda que o fossem, teriam o direito/dever de denunciar essas ameaças e chantagem.

 

Poucos foram os que questionaram a mixórdia ortográfica que lhes impuseram. Os outros, a maioria, os que dizem que “foram obrigados a ensinar contra a vontade o AO90”, aplicaram-no cegamente, por cobardia? Por comodismo? Se a RCM os tivesse mandado atirar a um abismo, eles atiravam-se, porque eram “obrigados”?


A Resolução RCM 8/2011 é apenas um despacho normativo autónomo, sem qualquer força de lei.

 

Não existe Lei alguma que tenha revogado o decreto-lei nº 35.228 de 8 de Dezembro de 1945,   portanto, a grafia vigente em Portugal, é a grafia portuguesa de 1945, e não a grafia brasileira de 1943, (preconizada pelo AO90), que é ilegal em Portugal, se bem que legal no Brasil, por ser exclusiva daquele País estrangeiro.

 

Em Portugal, fala-se e escreve-se a Língua Portuguesa.

 

A propósito de qual ortografia está actualmente vigente em Portugal, pediram um parecer ao Embaixador Carlos Fernandes, na sua qualidade de Professor de Direitos Internacionais (Público e Privado), com vários livros publicados sobre estes temas; na de decano dos membros portugueses do Instituto Hispano-Luso-Americano de Direito Internacional, de que foi presidente; e na de embaixador da carreira diplomática com longa experiência de negociação e conclusão de várias dezenas de acordos internacionais, e a sua conclusão foi a seguinte:

 

«A ortografia da língua portuguesa, fixada pela Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945, e a vigorar em Portugal e seu Ultramar, a partir de Janeiro de 1946, é a que vigora em Portugal actualmente, pela simples e válida razão de que não foi revogada, só o podendo ser por lei ou decreto-lei, que não existem» in pág. 29 do livro «O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor – Prepotências do Governo de José Sócrates e do Presidente Cavaco Silva», livro que devia ser de leitura obrigatória para todos os professores e jornalistas e escritores servilistas, os maiores difusores da fraude ortográfica.

 

AO NÃO ESTÁ EM VIGOR.png

 

Este livro explica, de um modo bastante acessível, a vigarice que está por trás da aplicação apressada do AO90, em Portugal.

 

O parecer foi dado, a título gratuito e publicado em livro. E o que fizeram com este douto parecer, incluindo o Presidente da República Portuguesa, ele próprio um constitucionalista (?), que nunca veio desmentir o Embaixador, logo, tudo o que está escrito neste livro é a mais pura realidade, o que fizeram com este douto parecer? Fizeram ouvidos de mercador, e insistiram na vigarice, recentemente posta a nu, pelo jornalista Nuno Pacheco, que há-de ter muitas mais coisas para contar.



Para recordar o que disse Nuno Pacheco, ver este link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/ao90-artigo-de-nuno-pacheco-no-jornal-198519?tc=17177018094

 

O texto da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 é sobejamente enganador e eivado de uma descomunal hipocrisia:

Dizem:

 

«A língua portuguesa é um elemento essencial do património cultural português. A protecção” a valorização e o ensino da língua portuguesa” bem como a sua defesa e promoção da difusão internacional” são tarefas fundamentais do Estado” consagradas na Constituição. A prossecução destes objectivos é” igualmente” um desígnio do XVIII Governo Constitucional” materializado na adopção de uma política da língua” unificada e eficaz” como eixo fundamental do desenvolvimento cultural” económico e social dos Portugueses.»

 

De facto, o que se diz neste parágrafo é verdade.

 

Mas o que fizeram os políticos, com esta verdade? Inverteram-na.

 

Transformaram o património cultural português, em património cultural brasileiro. Não protegeram a Língua Portuguesa, e o que andam por aí a impor ilegalmente é a grafia brasileira, que se transformou numa mixórdia à portuguesa, sem precedentes, e caso único no mundo.

 

Diz ainda a RCM:

«Ao Governo compete criar instrumentos e adoptar medidas que assegurem a unidade da língua portuguesa e a sua universalização nomeadamente através do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e da promoção da sua aplicação.»

 

De que unidade e universalização está a falar o governo, quando sabemos que o AO90 é o veículo da descomunal desunião e desuniversalização da Língua Portuguesa?

 

Além disso, uma Lei ou Decreto-Lei é assinado pelo presidente da República, e esta RCM foi assinada pelo prepotente primeiro-ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que lá teve os seus motivos, mais o presidente Cavaco e o “seu” Lula da Silva, para se apressarem a pôr em prática algo que não uniu nem universalizou coisa nenhuma, estando actualmente a Língua Portuguesa a rastejar na lama e sem a mínima credibilidade internacional.

 

Mas isto é matéria tabu, para os candidatos às legislativas, mais preocupados com números do que com letras, que também fazem parte de uma sociedade moderna e culta. 

 

Para mais informações acerca desta matéria, consultar estes links:

https://www.publico.pt/2016/07/30/politica/opiniao/inconstitucionalidades-da-resolucao-n-82011-ao90-1739766

 

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-imposicao-do-acordo-ortografico-de-186154

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:33

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Domingo, 23 de Junho de 2019

Quando eliminar os “penduricalhos” das palavras se tornou moda em Portugal

 

Se me contassem eu não acreditava. Mas li. E li no comentário (que abaixo reproduzo) e que me enviou o João Abreu, que se diz professor, mas aparenta nada saber das Ciências da Linguagem, nem da nobre missão de ENSINAR, e chocou-me particularmente o modo leviano e indigno como tratou a nossa venerável Língua Portuguesa, símbolo maior da nossa Identidade.

 

Tive de responder-lhe à altura.

 

penduricalhos.jpg

 

Estes serão os “penduricalhos” que o João Abreu pretende eliminar dos vocábulos portugueses, para lhe facilitar a escrita da Língua?

Fonte da imagem: Internet

 

João Abreu comentou o post RESPONDENDO AO DELÍRIO DE UM ACORDISTA às 18:15, 19/06/2019 :

Para acabar de vez com os penduricalhos na Ortografia! Resposta aos fanáticos ANTI AO90 Cara Isabel Ferreira, não se enerve tanto por coisa pouca. O debate de ideias deve ser realizado de forma serena e construtiva. Em resposta aos dez pontos que enunciou direi o seguinte: Primeiro- está mal informada! é mesmo “detrator” que se escreve segundo a lei. Dê uma vista de olhos na lista de palavras que passaram a escrever-se segundo a nova ortografia, por exemplo, no portal da língua portuguesa. É daquelas palavras que nem sequer admite dupla grafia. Portanto, a Isabel é que está em falta quando escreve essa palavra de forma INCORREcTA, digo, (perdão) INCORRETA (aquele “c” mudo que escrevi estava a mais). Segundo- Não lhe vou chamar ignorante porque sei que é uma pessoa culta mas convém relembrar alguns factos: grande parte da nossa grafia ATUAL vem da profunda reforma que se fez em 1911. Foi aí que se eliminaram aquelas consoantes etimológicas que vinham do grego e do latim. E por que razão se fez isso? Porque chegaram, na altura, à conclusão ( e bem) que a nossa língua estava bastante opaca. O objetivo era dar mais transparência à língua, livrando-se dessas consoantes inúteis e facilitar a aprendizagem da leitura e escrita, desiderato inscrito nos ideiais da Primeira República que apostava fortemente na educação e na diminuição da taxa de analfabetismo. Ora, o AO90 apenas veio concluir essa lógica da reforma de 1911 de dar a primazia à fonética em detrimento da etimologia. Sim, devo confessar: concordo absolutamente em que se acabe de vez com estas consoantes mudas etimológicas ! A imagem que tenho delas é a seguinte: são como penduricalhos que só servem para criar excesso de peso nas palavras. São obsoletas e anacrónicas assim como já na segunda metade do XIX se considerava abstruso escrever alumno, orthographia e escripta. E olhe que já em em 1911 havia muitos velhos do Restelo (tal como há hoje) que de forma obstinada teimavam em resistir à mudança! Terceiro- insisto em dizer que não apenas nas escolas mas em todos os serviços públicos a entrada em vigor do AO90 fez-se de forma totalmente pacífica. Onde é que vê um levantamento geral de funcionários públicos contra o AO90? A realidade que eu conheço é a das escolas porque sou professor e desde 2009 já andei por muitas. Garanto-lhe que o AO90 não é assunto de conversa entre professores e muito menos entre alunos, ou, se já o foi no início, deixou de o ser agora. E a razão é porque o AO90 é já como o ar que se respira, já faz parte do código genético do ato de escrever, tanto de professores como de alunos. E a Isabel sabe que os professores, entre outras coisas, escrevem ATAS de reuniões. E já não vejo ninguém reclamar do tipo “Ai, que confusão me faz escrever “ATA” em vez de “AcTA”! Os alunos continuam a dar erros? Claro que continuam. Mas isso não se deve à existência ou não do AO90. Também já davam muitos erros na anterior graf ia. O problema da desortografia tem causas mais profundas como deve saber. Quarto- já reparou, Isabel que neste texto que escrevi só existem três palavras que se alteram em relação à grafia anterior ao AO90? “DETRATOR”; “ATUAL” E “ATA”. E isto para responder ao ponto que mencionou em resposta àquilo que afirmei sobre “um punhado de palavras” que se alteram. Não concorda? Então veja: são três palavras num total de 556 palavras. São 0,5%, até menos do que os especialistas dizem para o total geral das palavras que se alteraram no vocabulário que é na ordem dos 4 ou 5%. Será que a Língua Portuguesa mudou assim tanto só porque se eliminaram os penduricalhos “p” e “c” conhecidos como consoantes mudas? Eu creio que não.

 

***

Primeiro: João Abreu, gostaria de saber o que significa esta frase: «Para acabar de vez com os penduricalhos na Ortografia! Resposta aos fanáticos ANTI AO90», porque estes “penduricalhos na ortografia” soam-me a qualquer coisa que nem ouso dizer alto. E “fanáticos anti AO90”, soa-me a algo distorcido, até porque os desacordistas têm toda a legitimidade de serem anti-acordo, porque o acordo é um malparido aborto ortográfico, e ser contra um malparido aborto ortográfico nada tem de fanático, mas de patriótico, que é um sentimento saudável e aconselhável, de amor à Pátria. Se não amamos e defendemos a Nossa Pátria, vamos amar e defender a pátria de quem? A dos outros, a dos que se estão nas tintas para nós?

 

Segundo: eu não estou nervosa, aplique a palavra certa: estou INDIGNADA, e não é por “coisa pouca”, porque não é “coisa pouca” um magote de ignorantes (que só assim podem ser chamados) terem a pretensão de destruir a Língua Materna dos Portugueses, que estava muito bem de saúde, e não necessitava que viessem feri-la de morte, a troco de uns trocos, e eu não seria EU, nem teria o direito à nacionalidade portuguesa, se não me INDIGNASSE com este LINGUICÍDIO, e num linguicídio não há debate de ideias, nem nada que possa ser construtivo. O AO90 é um linguicídio, ou seja, um CRIME de LESA-PÁTRIA e de LESA-LÍNGUA, e quando se trata de um crime não podemos andar a pôr paninhos quentes e fingir que um crime é algo aceitável, porque não é. E todos os que cometeram este crime serão severamente penalizados, tão certa como estar aqui a escrever isto. E bem merecem.

 

Terceiro: quem está mal informado é o senhor João Abreu, aliás, está muito mal informado. Segundo a LEI - o Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, que não foi revogado, logo, está em vigor, “detraCtor” escreve-se com Cê. E o que chama “nova ortografia”, não é nova, porque assenta na GRAFIA BRASILEIRA, vigente no Brasil, desde 1943. Além disso NÃO ESTÁ em vigor em país nenhum lusófono, e em Portugal (único país que a adoptou à ceguinha) só a utilizam os serviçais, os subservientes, os comodistas, os acomodados, os ignorantes optativos e os mal-informados. Não sei em qual destas categorias o senhor João Abreu se encaixa.

 

Quarto: é preciso muita lata (desculpe o termo) e ser completamente cego, para me vir dizer que eu escrevo incorreCtamente esta palavra, que pertence à Língua Portuguesa, assim como incorreCtly pertence à Língua Inglesa, incorreCtamente pertence à Língua Castelhana, e “incorretamente” pertence à Língua Brasileira. E como em Portugal, a Língua Oficial, consignada na Constituição da República (que suponho seja ainda) PORTUGUESA, é a Língua Portuguesa e não a Língua Brasileira, o senhor é que escreve “incurrêtamente” a palavra incorreCtamente, bem como todas as outras palavras às quais, colando-se ao Brasil, suprime as consoantes mudas (a que tem o desplante de chamar “penduricalhos”) e que estão lá por algum motivo, e o motivo é a sua função diacrítica. Ao suprimir as consoantes mudas, o senhor João Abreu, além de escrever incorreCtamente as palavras, também as pronuncia incorreCtamente, na Língua Portuguesa, em Portugal. Porque no Brasil eles escrevem “incorretamente” em Língua Brasileira. E então o senhor comete dois (erros) em um. O que para um professor é erro de palmatória. E só por isso, devia ser expulso do Ensino, por não cumprir correCtamente a sua missão de ensinar, e se for professor de Português, a sua falta é ainda maior.

 

E na verdade, nenhuma pessoa culta, em Portugal (no rol das quais me incluo) se vergou à imposição ILEGAL do AO90, nem o aplica, porque sabe PENSAR A LÍNGUA. Ao contrário dos acordistas que necessitam de “capar os penduricalhos” para conseguirem escrever (mal). Isto implica imediatamente dizer que os acordistas não têm capacidade inteleCtual para aprender nenhuma Língua Europeia, porque todas as Línguas Europeias estão cheias de “penduricalhos”. As crianças portuguesas aprendem as línguas europeias com uma perna às costas. Os estrangeiros, que vêm para Portugal, aprendem o Português integral, com uma perna às costas, com todos os “penduricalhos” da Língua, mas os acordistas portugueses não conseguem aprender a Língua com esses “penduricalhos”! Temos pena. A inteligência não se desenvolve em todos os seres humanos do mesmo modo.

 

Nós somos PORTUGUESES, não somos Brasileiros. E nenhum Português escreverá jamais numa ortografia que IDENTIFICA O BRASIL, mas NÃO IDENTIFICA Portugal. Além disso, o que obtusamente chama de “penduricalhos” faz parte de TODAS as Línguas Cultas Europeias. E que nós saibamos, Portugal AINDA é um PAÍS EUROPEU, com uma Língua europeia. SE Portugal deixar de ser um país livre e soberano (como pretendem os actuais governantes portugueses) para se transformar numa simples colónia, então terá a linguazinha que merece. Entretanto, surgirá um novo Dom Afonso Henriques, para reconstruir Portugal e devolver-lhe a dignidade perdida, graças à (des) governação de um punhado de ignorantes e seus ignorantes acólitos. E desse clone de Afonso Henriques é que rezará a História. Os outros serão atirados ao caixote do lixo dessa mesma História, onde estão todos os que passaram pelo Poder e não dignificaram Portugal.

 

Só por isto, o AO90 é uma carta fora do baralho, mas se lhe juntarmos tudo o resto, é o baralho todo fora do baralho, ou seja, uma aberração malparida, cujo destino é o caixote do lixo, em todos os países da dita lusofonia.

 

Quinto: a mim pode chamar-me ignorante à vontade, em matérias onde sou absolutamente ignorante, como Física Quântica, Astronomia, Física Nuclear, enfim, essas e outras matérias afins. Todos somos ignorantes em alguma coisa, já dizia Einstein. Mas não me chama ignorante a LÍNGUA PORTUGUESA, porque eu ESCREVO e a Língua é o meu instrumento de trabalho, e ninguém, no seu juízo perfeito, UTILIZA instrumentos de trabalho DEFEITUOSOS. CorreCto? Está a ver um médico a utilizar bisturis enferrujados? Também não está a ver-me a usar uma grafia MUTILADA, que não pertence a Portugal, mas sim ao Brasil, e que NÃO ESTÁ EM VIGOR em Portugal, porque não existe LEI alguma que obrigue um PORTUGUÊS a escrever à BRASILEIRA.

 

Sexto: desculpe perguntar: o senhor é professor de quê? Tem a noção do  que diz ao dizer que a nossa aCtual grafia provém da reforma de 1911? NÃO PROVÉM. A nossa aCtual grafia provém da reforma de 1945, a que está em vigor. Não vou aqui dar-lhe uma aula de grafias. Sugiro que ESTUDE as reformas de 1911 e 1945 e se aperceba de que a Língua EVOLUIU, mas não foi destruída em nenhuma dessas datas. Com a reforma de 1990, a Língua não só REGREDIU, como foi desalmadamente DESTRUÍDA.

 

Na verdade, esta evolução veio facilitar a escrita, porque existia (e AINDA existe, um elevado índice de analfabetismo em Portugal como no Brasil) por isso é que quanto MAIS IGNORANTE é um povo, mais precisa de reformas ortográficas. Portugal é campeão europeu em reformas ortográficas, e isto significa que os governos NÃO INVESTEM NO ENSINO e na CULTURA, e mantêm o povo inculto, encruado, ignorante que está sempre a precisar que lhe “capem os penduricalhos”.


Em 1943, o Brasil fez uma reforma ortográfica UNILATERAL, pela qual foram suprimidas as consoantes mudas que o AO90 pretendeu introduzir em Portugal. Em 1945, o Brasil assinou com Portugal a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, que mantinha as consoantes mudas, e o Brasil, como continuava com um índice elevado de analfabetismo, rasgou essa convenção, e regressou à reforma de 1943, e então passaram a escrever “incorretamente” e é essa “incorr’ção” que os acordistas servis querem, à força, introduzir em Portugal.

 

Sétimo: dito isto, penso que não é preciso dizer mais nada, a não ser que CONTE bem contadas (ou também é mau a Matemática?) as palavras às quais “caparam os penduricalhos”. E nem que fossem duas ou três, bastava para o chumbar, num exame de Português, ou para levar umas boas palmatoadas. Eu levei-as, até porque vim do Brasil a escrever à brasileira, ou seja, de acordo com o AO43 = AO90 (mais retoques, menos retoques) e não me fizeram mal nenhum. Nem nenhuma criança das gerações da palmatória ficou traumatizada por causa disso. Agora é que querem fazer das crianças umas MARIQUINHAS, e ai Jesus! que não se pode chumbá-las (já nem falo na palmatória!). E isso é PÉSSIMO para elas.

 

Pois tenho a dizer-lhe que só os ignorantes e os muito intelectualmente inaptos não conseguem escrever o que os povos cultos e europeus escrevem há séculos, nas respectivas Línguas: as consoantes mudas, em linguagem culta, e “penduricalhos”, em linguagem inculta. Então o Inglês, o Francês, o Castelhano, o Alemão estão cheios de PENDURICALHOS, mas os alunos e professores desses países CONSEGUEM escrevê-los sem o mínimo problema. O defeito, devo concluir, está nos PROFESSORES PORTUGUESES, porque os alunos sabem que direCtor se escreve com Cê, em algumas outras línguas que estão a aprender, e fora das escolas. Apenas nas escolas, e porque fazem MUITA CHANTAGEM com as NOTAS, eles vêem-se obrigados a escrever incorreCtamente, para não serem penalizados, ainda que contra a LEI VIGENTE. Tudo isto terá um preço a pagar.

 

Portugal é o único país do mundo, onde os alunos são PENALIZADOS por escreverem correCtamente a sua Língua Materna, a que está EM VIGOR no País deles.

 

E isto só acontece num país terceiro-mundista, que anda a arrastar-se pelo chão, onde não existe BRIO PROFISSIONAL, onde se acha que “capar os penduricalhos” das palavras tem a ver com inteligência e não com INCAPACIDADE.

 

Tenha santa Paciência! Quando a classe de professores chegou ao nível da cave, não surpreende que o ENSINO esteja um CAOS em Portugal, e a escrita da Língua uma MIXÓRDIA. Porque ninguém tem dúvida de que nunca se escreveu tão mal, em Portugal, como actualmente. Caso único no mundo.


Aceite-se de uma vez por todas que este acordo é uma aberração e nasceu morto à nascença. Percebe-se o desespero dos acordistas por sentirem que a revogação desta aberração está a chegar... Sabe que não é só Portugal a querer revogar esta parvoíce?! A ortografia portuguesa (em Portugal) foi limada à perfeição... sem qualquer "gordura” ao longo dos séculos... Até que este desacordo foi martelado sem qualquer lógica ou fundamento e tentaram, sem sucesso, que os Portugueses escrevessem aberrações e incongruências... Por que lhe custa tanto ver os Portugueses, com um pingo de inteligência, a defenderem a Língua Portuguesa?

 

Ainda está por nascer aquele que terá alguma coisa POSITIVA a dizer a favor desta aberração. As reformas de 1911 e 1945 foram contestadas por poucos e por pouco tempo, e, na altura, estavam no terreno apenas o Brasil e Portugal, e os motivos dessa pouca contestação não tiveram nada a ver com a DESTRUIÇÃO da Língua, mas com as mudanças que muito naturalmente alguns não aceitam bem.

 

Contudo, HOJE, estão mais SEIS países a mandar às malvas o AO90, à excepção de Cabo Verde (porque a Cabo Verde interessa este servilismo a Portugal, por motivos completamente alheios à Língua, até porque eles adoptaram o Crioulo Cabo-Verdiano como Língua Oficial, e estão-se nas tintas para o Português acordizado, tido como língua estrangeira, que ninguém quererá aprender). O AO90 está a ser contestado desde o dia em que foi malparido, já lá vão 29 anos, e nestes 29 anos, milhares de escreventes de Português estão continuamente a protestar, e o AO90 só ainda não foi atirado ao lixo, porque vivemos numa DITADURA SOCIALISTA, pior do que a salazarista, porque a salazarista não se disfarçava de democracia.

 

O motivo actual da contestação ao AO90 NÃO É a evolução natural da ortografia, mas a sua destruição e descaracterização. E é isto que os acordistas não têm capacidade para encaixar.

 

Aceite isto, senhor João Abreu, e viverá feliz no paraíso. Até lá, com estes seus comentários, só contribui, ainda mais, para o enterro do aborto ortográfico. E nós só agradecemos.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:28

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Sábado, 15 de Junho de 2019

Respondendo ao delírio de um acordista

 

Recebi este comentário ao texto indicado.


Porque é preciso desfazer os “mitos” criados pela alucinação dos acordistas, aqui deixo a minha resposta.

 

João Abreu comentou o post CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO, MAS POUCO! às 00:29, 15/06/2019 :

Os detratores do acordo ortográfico de 90 não gostam de falar de um facto evidente que é este: desde que ele foi implementado em 2012 tem sido um sucesso nas escolas. A maioria dos alunos escreve segundo as novas regras e não estranha. Alguém já viu alguma manifestação de alunos contra o acordo? Quererão as novas gerações escrever à moda do século XX? Da mesma maneira se perguntassem hoje às pessoas se pretenderiam voltar a escrever segundo a grafia anterior a 1911 é certo que quase todos recusariam. Faria sentido escrever farmácia com ph? É verdade que o AO90 podia ser melhorado mas... por favor, tenham dó! Já não escrevemos como se escrevia no século XIX e os portugueses do século XIX também já não escreviam como no tempo do D.Dinis. Estamos a falar de um punhado de palavras que não muda muito a estrutura da língua portuguesa que é algo de bastante grande e resistente.

 

 

Senhor João Abreu, se há coisa que me tira do sério são comentários como este, que o senhor enviou, e que, no entanto, o senhor tem todo o direito de emitir. Ele está cheio de falácias, e demonstra um desconhecimento descomunal sobre esta matéria, este desastre linguístico, que dá pelo nome de acordo ortográfico de 1990.

 

Portanto, vamos por partes:

 

Primeiro: ninguém é detraCtor (com CÊ, se faz favor, “detrâtôr”, sem CÊ e, desde modo, pronunciado em Portugal, é um vocábulo que pertence EXCLUSIVAMENTE à Língua Brasileira) do AO90, porque o AO90 é uma aberração ortográfica imposta aos Portugueses ilegalmente, e que não está em vigor em país nenhum do mundo dito “lusófono”, e, portanto, tudo o que se diz CONTRA esta aberração é a mais pura verdade.

 

Segundo: o “facto evidente” que o senhor diz que os anti-acordistas não gostam de falar, a bem da verdade NÃO É um “facto evidente”, e por não ser um “facto evidente” falamos dele de outro modo, que é o seguinte: desde que ele foi implementado em 2012 NÃO TEM sido um sucesso nas escolas. Pelo contrário, gerou o CAOS nas escolas (porque as crianças que também aprendem línguas estrangeiras, não percebem porque hão-de suprimir as consoantes mudas no “Português”, e no Inglês e no Castelhano e no Francês, línguas EUROPEIAS, não suprimem. É que nem os professores sabem escrever, o que escrevem e ensinam é um MIXORDÊS pavoroso. Também ninguém diz aos alunos, que o que estão a (des)aprender NÃO É Português, a Língua Materna deles, mas uma grafia exclusivamente brasileira, ILEGAL em Portugal.

 

Terceiro: a MAIORIA (não a TOTALIDADE) dos alunos escreve segundo as regras da ortografia BRASILEIRA, porque a tal são obrigados, de outro modo, SÃO PENALIZADOS, o que é uma situação juridicamente ILEGAL, e disto é que ninguém fala. Porque NÃO existe em Portugal LEI NENHUMA que OBRIGUE alunos e professores a APLICAR a GRAFIA BRASILEIRA.

 

Quarto: ninguém ainda viu uma manifestação de alunos mais velhos contra o acordo ortográfico, porque se os alunos fizerem uma manifestação contra o acordo ortográfico VÊEM as suas notas baixarem, com uma chantagem asquerosa, e isto é um preço que ninguém está disposto a pagar. Os alunos mais pequenos não têm idade para fazerem manifestações, mas sabem que o que lhes desensinam é BRASILEIRO, e que em PORTUGUÊS direCtor é escrito com CÊ , e correCto é escrito com CÊ, e excePto é escrito com PÊ, e quando fora da escola é assim que escrevem. Portanto a aplicação do AO90 nas escolas é um autêntico FRACASSO, porque até os professores escrevem em MIXORDÊS, ou seja, misturam a grafia brasileira com a portuguesa num mesmo texto e deixam os alunos BARALHADOS. Sou testemunha de tal CAOS.

 

Quinto: só alguém muito, muito, mas muito estúpido perguntaria às pessoas se pretenderiam voltar a escrever segundo a grafia anterior a 1911, porque o que aqui está em causa não é o regresso à grafia de 1911, que EVOLUIU (não foi destruída) para a grafia de 1945 (a que está EM VIGOR em Portugal), mas a adoPção (com PÊ, à portuguesa) da grafia exclusivamente brasileira. E obviamente, se alguém fizesse essa pergunta estúpida, a resposta só poderia ser NÃO.

 

Sexto: «Faria sentido escrever farmácia com ph?» Pergunta o senhor João Abreu, numa clara demonstração da mais pura ignorância. Não, não faria sentido, até porque o PH passou a ser o símbolo da IGNORÂNCIA dos acordistas, porque os acordistas não fazem a mínima ideia, por que se passou de “pharmacia” (farmácia) para farmácia, de “lyrio” (lírio) para lírio, de “ella” (ela) para ela, enfim, não fazem a mínima ideia desta EVOLUÇÃO, que nada tem a ver com a DESTRUIÇÃO da raiz dos vocábulos, como passar de seCtor para “setor” (s’tôr), adoPção para “adoção” (âdução”), etc., etc., etc..

 

Sétimo: não, não é verdade que o AO90 podia ser melhorado. O AO90 não tem ponta por onde se lhe pegue. É uma aberração ortográfica, apenas defendida por quem NADA sabe sobre as Ciências da Linguagem, e o seu destino só pode ser o CAIXOTE DO LIXO.

 

Oitavo: tenha dó o senhor João Abreu, (e pare para pensar)! Já não escrevemos como se escrevia em 1911. E em 1911 já não se escrevia como no tempo de Dom Diniz (que nasceu DiniZ, e não DiniS, portanto há que manter o nome de origem) que nos deu a LÍNGUA PORTUGUESA. E sabe porquê? Porque a Língua EVOLUIU, como evoluíram as restantes línguas europeias, só que nenhuma língua indo-europeia, incluindo a Portuguesa, se distanciou das suas raízes greco-latinas. E a Língua Portuguesa é uma língua indo-europeia, da qual os brasileiros se distanciaram, abrasileirando-a, americanizando-a, italianizando-a, castelhanizando-a, afrancesando-a e deixou de ser Portuguesa. Por isso, no Brasil escreve-se brasileiro, em Portugal escreve-se português.

 

Nono: e o senhor João Abreu acaba com uma premissa completamente desfasada da realidade linguística: «Estamos a falar de um punhado de palavras que não muda muito a estrutura da língua portuguesa que é algo de bastante grande e resistente». Tem a noção do disparate que escreveu? Tem a noção de que com esta frase demonstrou a maior das ignorâncias sobre a Língua Portuguesa? Estamos a falar de CENTENAS de palavras que MUDAM TODA a estrutura da Língua. E a estrutura da Língua Portuguesa, na realidade, é algo bastante resistente, por isso, não SUCUMBIRÁ a esta HECATOMBE linguística.


Décimo: o único destino deste ABORTO ORTOGRÁFICO, que dá pelo nome de AO90, é a REVOGAÇÃO. O CAIXOTE DO LIXO. Pode escrever no seu caderninho

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:55

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Segunda-feira, 3 de Junho de 2019

Em Portugal, a quem interessa a negociata do AO90 e a destruição da Língua Portuguesa?

 

ATENÇÃO!

Na Feira do Livro de Lisboa não comprem obras acordizadas. Existem boas editoras a publicar em Bom Português.

 

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Agitaram-se as águas em que o AO90 tem vindo a navegar, e os paus-mandados saíram da toca e toca a escrevinhar artigos que pretendem fazer a apologia da grafia brasileira que, no Brasil é completamente válida, mas não em mais nenhuma outra parte do mundo.

 

E ainda se esses paus-mandados apresentassem argumentos racionais para justificar a irracionalidade do AO90, vá que não vá, mas não, o que eles expõem é de uma pobreza e incoerência tais que, se alguém tivesse ainda que uma remota ideia de aceitar trocar a grafia portuguesa pela brasileira, porque a grafia brasileira traria uma mais valia para a portuguesa, fazendo-a ultrapassar, em coerência, as Maiores Línguas Europeias, onde a Língua Portuguesa estava incluída (não está mais, e é preciso regressar às origens) tendo sido totalmente eliminada em favor da Língua Brasileira, perdeu essa ideia, por completo, porque os paus-mandados o que fizeram foi deixar-nos a certeza de que o AO90 é mesmo para atirar ao LIXO.

 

No Brasil, a revogação do AO90 já está em cima da mesa, para ser discutida.

 

No Brasil há quem defenda que o denominado português brasileiro precisa de ser reconhecido como uma nova língua. E eu, como portuguesa, que aprendeu a falar e a escrever no Brasil, e que conhece bem essa língua falada e escrita no Brasil, e o riquíssimo léxico brasileiro, defendo e aplaudo a ideia do Grito do Ipiranga Linguístico. Algo que só beneficiaria o Brasil, o gigante da América do Sul, seria o facto de este ter a sua própria língua, e não ficar atado à Língua Portuguesa, a língua do colonizador, aliás, da qual os Brasileiros se distanciaram substancialmente na fonética, na grafia e também no léxico, introduzindo-lhe milhares de vocábulos que não fazem parte do Português.

 

Regresso a um texto de Fernando Alberto II, um estudioso dessa língua brasileira, que merece, com toda a justeza, ser brasileira. Algo que eu corroboro, porque também estudei essa Língua:

 

«Conclui-se facilmente que a linguagem, a cultura, a ortografia, a gramática, a semântica e a prosódia/fonética da variante do «português» do Brasil, é bastante diferente ou mesmo muito diferente, completamente diferente, absolutamente diferente da norma-padrão do Português de Portugal, (Português Europeu) e, apresenta muitas singularidades próprias da Linguística do povo Brasileiro, vocábulos ou termos vernáculos Brasileiros, como é, aliás, muito natural e, perfeitamente admissível.

 

Para além da parte lexical da Língua Portuguesa usada no Brasil, ortograficamente idêntica, quase igual ou mesmo igual à nossa Língua Portuguesa, (embora a prosódia/fonética, seja muito diferente pois, no Brasil as sílabas são quase sempre abertas ou semiabertas), desde que com a mesma origem etimológica, sobretudo do Grego e do Latim, uma boa percentagem do léxico comum do Brasil é constituído por termos vernáculos Brasileiros, cerca de 100 mil, essencialmente com origem etimológica nas Línguas Ameríndias dos nativos autóCtones Brasileiros, das nações «Tupi», «Guarani» e «Aruaque», Língua esta falada entre as bacias do Amazonas e do Oiapoque e ainda na Língua africana «Quimbundo», Língua falada em Angola, sobretudo nas províncias de Luanda e de Malange, pela raça Banto, negros autóctones da África Central e Austral, a qual foi levada para o Brasil pelos escravos negros Africanos que, colonizaram o Brasil à força, entre os séculos dezasseis e dezanove, levados de África pelos “seus amos senhores feudais”, alguns totalmente ignorados da esmagadora maioria dos portugueses, quer em termos semânticos quer ortográficos e que, por isso mesmo, nunca se usam e, naturalmente, nem se podem usar em Portugal.

 

O léxico comum da variante da Língua Portuguesa do Brasil, terá cerca de 210 mil vocábulos, assim distribuídos: 110 mil vocábulos iguais ou idênticos ao léxico comum da norma-padrão da Língua Portuguesa ou Português Europeu, acrescidos ainda dos supra-referidos 100 mil vocábulos vernáculos Brasileiros.

 

Pelo exposto, não me parece nada disparatado poder afirmar hoje, haver já a considerar uma verdadeira Língua Vernácula Brasileira baseada, em exclusivo em pelo menos, 100 mil vocábulos vernáculos do Brasil, estes absolutamente ignorados em Portugal, como é natural.

in:

https://www.facebook.com/groups/345711412486554/



A mim, também não me parece nada disparatado, os Brasileiros pugnarem pelo Grito do Ipiranga Linguístico, pelos motivos mais óbvios, e bem patentes neste texto do Fernando Alberto II.



Os acordistas não gostam desta ideia, absolutamente legítima? O problema é deles. Os acordistas estão em minoria, no mundo dito lusófono, não têm um só argumento racional que sustente a continuidade da imposição ilegal e inconstitucional do AO90. Portanto o AO90 só pode ter um destino: a revogação imediata.

 

Em Portugal, a quem interessa a negociata do AO90 e a destruição da Língua Portuguesa?

 

Eu não vou responder a esta questão. Deixarei aos leitores a liberdade de encontrar a resposta, porque ela existe e é visível a olho nu.

 

Dois países duas línguas, num guia para turistas.
Falaremos a mesma língua?
Não falamos.

Untitled3.png

 

 

Sugiro a leitura do texto «Socorro, querem roubar-nos a língua e deixar-nos mudos! - As variantes do português, riquíssimas, merecem ser reconhecidas como partes de uma mesma língua, mas soberanas nos seus países e não desfiguradas em “unificações”» assinado por Nuno Pacheco, no Jornal Público, e que pode ser consultado neste link:

https://www.publico.pt/2019/05/30/culturaipsilon/opiniao/socorro-querem-roubarnos-lingua-deixarnos-mudos-1874557

 

com os comentários, a propósito, que aqui reproduzo.

 

Isabel A. Ferreira

 

COMENTÁRIOS:

 

mzeabranches

30.05.2019 23:52

Estou com Nuno Pacheco e com todos os que condenam o AO90 e a sua imposição no nosso país. Os numerosos pareceres dos especialistas são contra, mas o poder político entendeu ignorá-los e seguir acriticamente o seu principal autor, Malaca Casteleiro! Recentemente, no seu contributo para o Grupo de Trabalho da 12.ª Comissão da AR, que ainda não chegou a nenhuma conclusão, António Emiliano diz: "Escrevi algures que «a elaboração, aprovação e aplicação do Acordo Ortográfico é um escândalo nacional. Um verdadeiro 'case study' sobre a falta de transparência e democraticidade com que dossiers da Cultura, da Educação e da Ciência são sistematicamente tratados em Portugal.» (Semanário Económico, 16/05/2009). Naturalmente mantenho." O AO90 é linguisticamente uma fraude e politicamente um crime!

 

Manuel Figueiredo

Póvoa de Varzim 30.05.2019 19:58

Subscrevo a opinião de Nuno Pacheco, assim como os comentários de AMG, Maria João Amaral e Luís Vaz. Já há muito que o Senhor Presidente da República devia ter tomado uma posição clara sobre a questão da defesa da Língua Portuguesa - o importante pilar da nossa Constituição da República - e exercer a sua magistratura de influência para que a Assembleia da República pura e simplesmente revogue a Resolução (não é Lei!) que introduziu aquilo que alguns chamam de "acordo ortográfico". A Língua Portuguesa não é mercadoria para traficar!

 

António Marques

Mem Martins 30.05.2019 19:36

A 'discussão' sobre o AO90 nunca se caraterizou por um nível muito elevado. Sendo um assunto com alguma complexidade poderíamos pensar que os doutos interessados se erguessem na sua estatura intelectual e nos dessem primores de erudição e argumentação. Não foi nem tem sido o caso: a argumentação tem sido rudimentar, orientada para o insulto e essencialmente emotiva. Trazer um texto de H. M. para a pilha é descer demasiado baixo. H. M. é o tipo de colunista a que a gente paga para falar bem daqueles que mais odiamos. Não havia necessidade... Espero que não tenha o azar de sofrer, um dia destes, H. M. a defender coisas de que o Nuno gosta.

 

luisvaz

Bem-aventurados os pobres de espírito, 30.05.2019 18:05

{LV4} Vitorino Nemésio, açoriano, que os mais antigos conhecem dos programas da televisão estatal fez parte de uma das embaixadas brasileiras que visitou Portugal na década de sessenta (1960) precisamente para tentar vender a ortografia brasileira. Assim como Nemésio, do grupo faziam parte alguns portugueses, professores de italiano que como sabemos dobram a consoante para abrir a vogal anterior. (Assim attore, battesimo, correttore). Quanto a Antônio Houaiss de ascendência libanesa, editor e ministro da Cultura do Brasil fez todos os possíveis e “impossíveis” para impor a ortografia brasileira em Portugal. Contou com a ajuda de Malaca Casteleiro, seu lugar-tenente e “dono” da Academia das Ciências de Lisboa. E mais não digo para não sofrer a habitual censura!...

 

luisvaz

Bem-aventurados os pobres de espírito, 30.05.2019 18:04

{LV3} “Essa forma de distinguir, no português europeu, as pretónicas abertas ou semi-abertas das reduzidas, não se justifica no português do Brasil, em cuja pronúncia-padrão não há pretónicas reduzidas, tendo-se as vogais nesta posição neutralizado num [a] aberto e num [e] ou num [o] semifechados. Daí escrever-se em Portugal: acto, acção, accionar, accionista, baptismo, baptizar, director, correcto, correcção, óptimo, optimismo, adoptar, adopção; e no Brasil: ato, ação, acionar, acionista, batismo, batizar, diretor, correto, correção, ótimo, otimismo, adotar, adoção.” Pelas palavras de Celso Cunha e Lindley Cintra, nada mas mesmo rigorosamente nada, diz que a ortografia portuguesa deve copiar a ortografia brasileira como é o caso no AO90/43.

 

luisvaz

Bem-aventurados os pobres de espírito, 30.05.2019 18:03

{LV2} Consultemos a página 74 da Nova Gramática do Português Contemporâneo por Celso Cunha e Lindley Cintra, Edições João Sá da Costa, 1984, 1950 escudos preço de capa. “No Brasil, por disposição do Formulário Ortográfico de 1943, as consoantes etimológicas finais de sílaba (implosivas), quando não articuladas? ou seja, quando “mudas” ? deixaram de se escrever. Em Portugal, no entanto, em conformidade com o texto do Acordo de 1945, continuaram a ser grafadas sempre que se seguem às vogais átonas [a] aberta, [e] ou [o] (semi-abertas), como forma de indicar a abertura dessas vogais. Por uma razão de coerência, mantêm-se tais consoantes em sílaba tónica nas palavras pertencentes à mesma família ou flexão.”

 

luisvaz

Bem-aventurados os pobres de espírito, 30.05.2019 18:02

{LV1} Do artigo de Henrique Monteiro, transcrevo o seguinte: “Cá também é moda ser contra o Acordo”. E ainda: — para que, de vez em quando, se defenda o trabalho de especialistas, alguns já falecidos, que com afinco defenderam a língua (Lindley Cintra, Houaiss, Nemésio, Celso Cunha para não falar dos vivos). Pois Henrique Monteiro não diz qual o Acordo contra o qual é moda ser? Se o Acordo de 1945 assinado por Portugal e Brasil ou se o Acordo Brasileiro de 1943 que mudou de nome para AO90 com uns retoques na pintura? Quanto aos defensores da Língua, falta definir qual a Língua? A Língua Portuguesa, o portuleiro ou o brasiguês?

 

Maria João Amaral

Lamego 30.05.2019 15:17

Obrigada por mais esta reflexão que se orienta para algo que uma professora de Inglês conhece há muitos anos. Tal como o Reino Unido foi um país expansionista, Portugal também andou pelo mundo mais ou menos pela mesma época e deixou a Sua Língua. Nos países de influência britânica o British English foi sendo apreendido e enriquecido com idiossincrasias do local. O nosso Português também foi sendo alterado, adaptado, enriquecido em cada contexto. Para quê obrigar os seus utilizadores de há séculos a serem “colonizados” e obrigados a aceitar as alterações que não fazem sentido para ninguém

 

Mapril Oliveira

30.05.2019 11:10

Creio que foi o sr HM que em tempos escreveu que o OA, ao eliminar as consoantes (chamadas) mudas, facilita a aprendizagem da escrita pelas criancinhas. Mas, coitadas das criancinhas, por causa do OA, vão ter muito mais dificuldade a aprender o inglês o espanhol, o francês, e até o alemão... que usam as ditas!

 

AMG

UE 30.05.2019 08:10

Devemos mobilizar-nos contra o AO e tomar acções efectivas como deixar de comprar qualquer livro, jornal ou revista escrita com erros (Acordo) ortográficos, também evitar visitar os websites escritos com o AO. Mobilizemos-nos Contra esta aberração e destruição da Lingua Portuguesa! Este AO é mais uma demonstração da mediocridade que tomou conta de tudo e do atoleiro de corrupção generalizada a que se chegou em Portugal.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:58

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Quarta-feira, 15 de Maio de 2019

CARTA ABERTA DE FRANCISCO JOÃO DA SILVA A TODOS OS QUE AMAM E LUTAM PELA LÍNGUA PORTUGUESA

 

ovelha negra 18951082_1856979924329833_50639697814

Enquanto houver ovelhas negras  em Portugal, a Língua Portuguesa estará a salvo...

Origem da foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1856979924329833&set=a.561001547261017&type=3&theater#

 

Caros Amigos, Caros Colegas, Caros Companheiros de Luta!  

 

Como coordenador do Movimento em Prol da Língua Portuguesa   (MPLP), tenho o prazer de vos transmitir uma informação,   redigida ontem   rapidamente com a Isabel A. FERREIRA (igualmente   coordenadora do MPLP),   e que   demonstra   que a luta deste Movimento assim como a   de portugueses dignos e verticais,   contra a destruição da MATRIZ da LÍNGUA PORTUGUESA,   compensa     e contribuiu   também   para que a "OMERTA" de uma certa Imprensa Portuguesa, cessasse desde ontem,   dia 13 de Maio de 2019, graças à TVI   (consultar o texto mais abaixo (*)) que deve ser louvada por esta óptima iniciativa.  

 

É de salientar que, embora tenham sido convidados pela TVI, nenhum acordista (defensor do "acordo") se dignou responder ao convite da TVI para que viessem defender os seus  pontos   de vista, os quais como se sabe, apenas contribuem para a destruição da Matriz da Língua Portuguesa.

 

Porquê?   Falta de coragem?   Agora que o vento parece estar a mudar de direcção, será que os "acordistas" têm vergonha de dar a cara?   Estarão eles já a pressentir o princípio do fim do descalabro total da tal "unificação" da Língua Portuguesa nos oito países de Língua Oficial Portuguesa?

 

A nível nacional, desde ontem, dia 13 de Maio, muitas coisas mudaram. E decerto muitas outras vão mudar num futuro próximo, a começar no Congresso Brasileiro ....

 

Para vossa informação, o MPLP, apresentou queixa  contra o Estado Português, por violação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural e Imaterial (CSPCI) da UNESCO.

 

A própria Constituição da Nação Portuguesa foi violada grosseiramente, assim como a Convenção de Viena, que rege o Direito Internacional, no que respeita aos Tratados Internacionais. (O "acordo"  ortográfico de 1990 é, na verdade, um Tratado Internacional).

 

Esta  luta foi portanto internacionalizada, pelo MPLP, porque era necessária!

 

Actualmente, o Brasil   dirige-se para a revogação   do "acordo" ortográfico, AO1990 , como já todos o sabem! Portugal, teimosamente só, ou melhor   "orgulhosamente só", vai ser o único país a impor ilegalmente e inconstitucionalmente à população, um novo dialecto cujo nome é "ACORDÊS" ?

 

Quando o Congresso Brasileiro   rasgar e atirar     definitivamente   para o CAIXOTE do LIXO esse FRANKENSTEIN LINGUÍSTICO que é o "acordo" ortográfico,  o Brasil libertará   consequentemente PORTUGAL da ignomínia,  ou seja da destruição  do Património Imaterial de Portugal  (do qual a língua é um elemento / vector essencial)   por uma certa classe   política, que passará   vergonhosamente para a História, como traidores à Pátria de Fernando PESSOA.

 

Chegou a hora   de o Brasil   ajudar  Portugal  a libertar-se destas grilhetas!   Portugal, que deu "Mundos ao Mundo", assim como o seu Povo, já não consegue fazê-lo sozinho.   A   ajuda tem de vir de fora, como aliás o compreendeu o MPLP ao internacionalizar esta luta.

 

BRASIL, ANGOLA e outros Países de Língua Oficial Portuguesa mostram agora o caminho à antiga potência colonial. Devem ajudar-nos agora numa outra luta de libertação! A luta de libertação contra a DITADURA ORTOGRÁFICA, em PORTUGAL.

 

E ao fazê-lo, o Brasil estará igualmente a dar o primeiro passo (que é o mais difícil e importante)   para que   finalmente   proclame   urbi et orbe,   que a derradeira   herança   colonial e linguística chegou ao fim  e que a Língua Oficial da República Federativa do Brasil   será a Língua Brasileira   (sem dúvida alguma oriunda da Matriz da Língua Portuguesa).

 

É a diversidade inguístico-cultural que nos aproxima, e jamais uma unificação, imposta ilegalmente e inconstitucionalmente por políticos sem qualquer legitimidade ou competência para o fazer (não vá o sapateiro além da chinela).

 

ANGOLA, MOÇAMBIQUE, entre outros países de expressão portuguesa, bem o perceberam, pois não ratificaram esse FRANKENSTEIN LINGUÍSTICO que é o  "acordo " ortográfico, o dito AO1990.

 

CABO VERDE declarou oficialmente, creio que em 2017,     o CRIOULO   CABO-VERDIANO, Língua Oficial   de CABO-VERDE , relegando / classificando   o Português   como língua estrangeira! QUE GRANDE BOFETADA ! O DESCALABRO É  TOTAL!   

 

Cordialmente a todos.

Forte abraço.

Francisco João DA SILVA

 

(*)

NOS DEZ ANOS DA APLICAÇÃO (ILEGAL) DO AO90, TVI ABRE A “CAIXA DE PANDORA” E SOLTA A ABERRAÇÃO EM QUE O “ACORDO” ASSENTA

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/nos-dez-anos-da-aplicacao-ilegal-do-184141

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:07

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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019

«PÁTRIA E LÍNGUA DESACORDADAS»

 

«No Brasil preparam-se para rasgar o Acordo Ortográfico de 1990.»

 

Um excelente texto de Sarin, no Blogue Nem Lixivia nem Limonada, para reflectirmos Brasil e Portugal, na senda dos desencontros, nomeadamente, dos linguísticos, há séculos.


No Brasil deturpa-se a História e a Língua comuns. Era a minha maior tristeza, quando por lá andei a estudar. E à língua chamavam-lhe Portuguesa. E ainda chamam, apesar do fosso cavado pelo desportuguesamento da Língua, desde 1943.


E agora temos de levar com mais esta: "Portugal colonizador quer colonizar a Língua Portuguesa"? Já lá vão 187 anos, desde o Grito do Ipiranga, e o Brasil ainda não encontrou o seu próprio rumo, e Portugal ajuda à missa.


Tudo corria bem, até que alguém se lembrou de colonizar a Língua Portuguesa, e Portugal aceitou. Assim é que é.

(Isabel A. Ferreira)

 

21441064_2Bapl.png

"Fernando Pessoa", de Almada Negreiros

 

«PÁTRIA E LÍNGUA DESACORDADAS»

 

Por Sarin

 

«No Brasil preparam-se para rasgar o Acordo Ortográfico de 1990.


Podem mesmo mudar a língua e o português do Brasil passar a ser brasileiro. É uma opção política, embora não propriamente protagonizada por Bolsonaro. Talvez que a ênfase colocada nos símbolos pátrios a exacerbe, mas não é de sua autoria.

 

Na verdade, desde 1911 e do primeiro acordo ortográfico que a ideia estaria latente em algumas elites intelectuais e políticas. Mas, aparentemente, este AO90 reacendeu o debate inflamando-o até às cinzas.

 

Intriga-me a mecânica do processo: o acordo com que pretendiam harmonizar a escrita e consolidar uma língua vai acabar por criar duas línguas em países que durante duzentos anos se entenderam. Há quem ao AO90 chame Caixa de Pandora, para mim sempre se assemelhou a um boomerang.

 

Não tenho argumentos técnicos nem políticos para defender se deve ou não deve ser uma nova língua, e confesso que não me interessa desde que continue a perceber o que dizem e escrevem do lado de lá.

 

Gostaria também de dizer "desde que perceba o que sentem", mas... não percebo. De todo.

 

Sinto-me a viver outra dimensão perante alegações como "Portugal colonizador quer colonizar a Língua Portuguesa", perante outras acusações que vou ouvindo e que mais me parecem tentativas de branquear a sua brasileira vergonha por em duzentos anos de independência não terem estancado aquilo de que nos acusam. Branquear não no sentido de lavar, mas de colar aos portugueses brancos de Portugal. No caso, os males da História, presente passado e futuro.

 

Não peço desculpa por me ter reconciliado com a História do meu país, mesmo com aquelas passagens vergonhosas, e não foram poucas!, ou aquelas horríficas, das quais imagino apenas esboços sem vislumbre real do imensas que foram.

 

Mas no agora o verbo conjuga-se no presente, não no pretérito. E o pretérito que a uns foi ensinado mais-que-perfeito e a outros imperfeito não é mais do que pretérito, simples.

 

Não aceito que me cobrem no presente qualquer dos pretéritos vividos e sofridos pelos nossos ancestrais. Sim, os meus avós também foram colonizados, também foram expulsos dos seus lares, também foram escravos, também morreram na gleba. E foram arrancados das casas que reconstruíram tantas vezes para atravessarem os mares e morrerem longe destes seus. Por isso respeitemos os mortos. Onde quer que tenham caído.

 

E não me queiram condoída pelas vossas línguas indígenas: em plena campanha, o vosso presidente anunciou pretender reduzir o espaço onde algumas ainda se podem considerar nativas! Onde esteve a vossa preocupação? Onde está, quando os índios que não dizimámos continuam a cair às vossas próprias mãos?!

 

Portanto, lambam as feridas como as lamberam os meus avós, como eu lambo as minhas. E avancemos, porque a gramática não pára o relógio e os vivos precisam de atenção, não de cucos!

Podemos construir sociedades melhores se aceitarmos que não podemos refazer a nossa História comum. Mas que podemos e devemos aprender com ela.

 

Afinal, em português (pt) ou em português (br), em língua portuguesa ou em língua brasileira, futuro grafa-se, ainda, da mesma exacta maneira.


Fonte:
https://sarin-nemlixivianemlimonada.blogs.sapo.pt/patria-e-lingua-desacordadas-73919

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:57

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.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

. «Português de Facto» - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. a href="https://www.facebook.com/portuguesdefacto/" target="_blank">https://www.facebook.com/portuguesdefacto/

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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