Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

Por que será que só os estudantes que têm o “Português” como língua oficial nos seus países não conseguem entender a Língua Portuguesa (*) nas nossas universidades?

 

(*) Quando falo de Língua Portuguesa refiro-me à Língua Portuguesa, a genetriz das muitas variantes e dialectos que, a partir dela, se espalharam pelos quatro cantos do mundo.

 

Antes do actual “boom” de chegada de estrangeiros a Portugal, milhares de estudantes estrangeiros (provenientes de todo o mundo) passaram pela Universidade de Coimbra (falarei da minha experiência, apenas) para estudarem a Língua Portuguesa e não tiveram qualquer dificuldade. Sou testemunha disso, porque em Coimbra, nós, alunos portugueses, ajudávamos os alunos estrangeiros no Português, em troca de eles nos ensinarem a Língua deles. A mim calharam-me japoneses. E eles aprenderam a minha língua, e eu aprendi a deles. Esta troca de conhecimentos é que enriquece a convivência e a aprendizagem universitárias.

 

O que pretendem que Portugal faça, neste tempo, em que nem Língua que nos identifique como Portugueses temos? Adaptar o já tão esfarrapado ”Português” ao “boom” de estrangeiros que frequentam as nossas escolas e universidades, ou seja, de acordo com a notícia, que focarei mais adiante, Brasileiros e Timorenses?

 

Header_Mestrado-em-Portugal-1-2.jpg

Origem da imagem: Internet

 

A notícia diz o seguinte:

«"Fala português!" Artigo científico fala em discriminação de brasileiros e timorenses nas universidades portuguesas.

 

Investigadoras analisaram o acolhimento de alunos brasileiros e timorenses. Dizem que há discriminação de quem não fala português de Portugal e que as universidades não estavam preparadas para "boom".»


Uma das autoras de um artigo sobre o acolhimento a estudantes internacionais em Portugal alerta para a falta de preparação das universidades para o actual ‘boom’ de alunos estrangeiros que já são a maioria em alguns cursos.

 

Juliana Chatti Iorio, uma brasileira a viver em Portugal há 20 anos, assinou o artigo intitulado “O acolhimento de estudantes internacionais: brasileiros e timorenses em Portugal”, juntamente com Silvia Garcia Nogueira (Universidade Estadual da Paraíba, Brasil), recentemente publicado na Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios.

 

No artigo lê-se  que “ainda há muito a ser feito, como uma maior atenção às dificuldades de brasileiros e timorenses com o português de Portugal”.

 

Como disse???????

 

Então os Brasileiros e os Timorenses, que têm como língua oficial o Português, não conseguem entender-se com a Língua Portuguesa, quando os Ingleses, Franceses, Espanhóis, Italianos, Japoneses, Chineses, Ucranianos, entre outras nacionalidades, que estudam em Portugal, entendem-se perfeitamente com a nossa Língua Portuguesa?  

 

Alguma coisa aqui está errada, e não é a Língua Portuguesa.

 

Quando um português vai estudar para o Brasil ou para um qualquer país estrangeiro não tem qualquer mordomia, por parte dos países que o acolhe. Ou o estudante se adapta, ou não se adapta e retorna à base, ou seja, ao seu país de origem.



Quando os alunos do Programa Erasmus (**) andam por aí a estudar, ou vêm para Portugal estudar, ninguém tem mordomias nenhuma, em parte alguma. Se não sabem a língua, aprendem-na. Ninguém, em país nenhum MODIFICA a língua do país para fazer o jeito aos estrangeiros. E o que acontece normalmente, é que TODOS se adaptam, às mais estranhas línguas.



Quando fui para o Brasil estudar, ninguém mexeu um dedo para ajudar a portuguesinha (como me chamavam carinhosamente) na questão das consoantes que não se escreviam. Ou aprendia, ou vai para a tua terra escrevê-las. E como boa estrangeira, que era, aprendi o brasileiro, para me manter no Brasil. E não foi só na escrita, mas também na oralidade, nos tchis, nos djis, nos ius, talvez com um ligeiro sotaque, que me valia, por vezes, também a alcunha de inglesinha, o que me deu muito jeito no tempo dos racionamentos. As portuguesinhas tinham direito a um litro de leite, na leitaria do bairro.  A inglesinha (alta, esguia, cabelo claro e trancinhas) tinha direito a dois litros de leite. Nada mau.

 

Em entrevista à agência Lusa, Juliana Chatti Iorio disse que «hoje, há cursos em Portugal que têm mais estudantes estrangeiros do que portugueses, e eu penso que muitas faculdades ou institutos não estavam preparadas para isso (o tal boom de estudantes estrangeiros). Nem tinham de estar. Chegados a um país estrangeiro, ou nos integramos nos hábitos, na língua, nos costumes, ou estamos mal.

 

É óbvio que entre estudantes (era o que eu fazia) quando chegava uma leva de estrangeiros, como boa anfitriã, fazia tudo para integrar os novos amigos (Brasileiros, sobretudo, mas também Japoneses, Ingleses, Italianos, entre muitos outros): a minha casa era a casa deles, e com eles treinava a Língua Portuguesa, para que se adaptassem mais facilmente, porque tudo começa com a comunicação.

 

Juliana Chatti Iorio queixa-se a respeito das relações humanas, onde continua a encontrar dificuldades: «Devido mesmo ao choque de culturas, acaba por ser um problema, uma vez que muitos funcionários e professores não conhecem a cultura desses alunos e muitos desses alunos também não conhecem a cultura em Portugal».

 

Muitos funcionários e professores não conhecem a cultura desses alunos, nem têm de conhecer. Porém, os estrangeiros que vêm para Portugal, devem fazer o trabalho de casa e interessarem-se por saber o mínimo sobre Portugal, e depois desenvolver esse conhecimento, para se integrarem. É assim que qualquer estudante português faz, quando vai para o estrangeiro.

 

Não são os Portugueses que têm de adaptar-se aos hábitos dos estrangeiros ou à língua deles. Mas sim os estrangeiros é que têm de se adaptar à língua e aos hábitos dos Portugueses.

 

 No artigo lê-se que «a não aceitação da língua portuguesa falada e escrita por esses estudantes, bem como os casos de discriminação sofridos em sala de aula por parte de alguns professores, evidenciou que ainda muito trabalho deverá ser feito para desconstruir a representação de que o português é imune ao racismo e possui uma pré-disposição para o convívio com outros povos e culturas».



Mas isto nada tem a ver com descriminação. Um português que vá para o Brasil estudar depara-se com o mesmo problema: os Brasileiros não aceitam que escrevamos direCtor, seCtor, adoPtar, etc., por aí fora, porque estas palavras não fazem parte da língua do Brasil. Eu tive de as aprender sem consoante, se quis ter boas notas. É natural que em Portugal palavras como “diretor”, “sector”, “adotar”, enfim… não sejam aceites, porque não fazem parte da NOSSA Língua.



Não são os Portugueses que têm de adaptar-se aos Brasileiros, mas os Brasileiros é que têm de adaptar-se aos Portugueses. Não são obrigados a isso, é óbvio, mas é recomendável.

 

A investigadora explica que, «à chegada, os alunos brasileiros depararam-se com algumas dificuldades que não estavam à espera, nomeadamente ao nível da compreensão do português».

 

Mas então não falamos a mesma Língua? Ficam abespinhados comigo quando digo que não falamos a mesma língua, precisamente porque os Brasileiros não nos entendem, e agora vêm com esta?

 

Isto é absolutamente normal. Qualquer aluno que vá para o estrangeiro estudar, depara-se com as mesmas dificuldades.  Mas não andam a queixar-se. Procuram adaptar-se imediatamente.  Não andam a dizer «ah, vocês têm de mudar a vossa língua ou os vossos costumes por que estamos cá…».



Quem vem de fora ou vai para fora é que tem de se ADAPTAR.

 

Mas o mais estranho é ISTO:

 

«Muitas vezes, os próprios professores não aceitam a língua portuguesa falada e escrita no Brasil, discriminando mesmo o seu uso em sala de aula e não permitindo o uso de livros cuja tradução seja feita no Brasil», refere Juliana Chatti Iorio.


Muitas vezes, os próprios professores não aceitam a língua portuguesa falada e escrita no Brasil? Não é o facto de aceitar ou não a língua falada e escrita no Brasil (uma língua estrangeira). Se os alunos brasileiros forem estudar em escolas norte-americanas ou inglesas, de certeza que os professores NÃO ACEITARÃO a língua falada e escrita no Brasil, porque estão nos EUA ou em Inglaterra, e não no Brasil. Em Portugal dá-se o mesmo. E no Brasil a mesma coisa. Lá, ou aprendemos brasileiro, ou estamos mal.



Quanto ao  discriminar (???) o seu uso do “brasileiro” (como as  crianças portuguesas lhe chamam) em sala de aula e não permitindo o uso de livros cuja tradução seja feita no Brasil, é absolutamente normal. Não o fariam nos EUA ou em Inglaterra ou noutro qualquer país do mundo. Estão em PORTUGAL, portanto, as regras têm de ser as portuguesas. E tal atitude não é descriminação. Tal atitude é apenas um procedimento normal. No Brasil jamais permitiriam um livro escrito em Língua Portuguesa, com os cês e pês nos devidos lugares. Os livros escritos em Portugal, não eram aceites no Brasil. Isto é NORMAL.

 

Não estou a criticar. Estou a corroborar um FACTO, que ocorre em qualquer país do mundo.



Porque haveriam os Brasileiros de serem acolhidos de modo diferente dos Ucranianos, dos Chineses, dos Ingleses, dos Africanos e doutras nacionalidades que estudam em escolas portuguesas? 

 

Diz a senhora Juliana Chatti Iorio «a discriminação é notada quando um professor se vira para um aluno brasileiro e diz, por exemplo, ‘fala português!’, ou quando um professor diz que as traduções feitas por editoras brasileiras não têm qualidade».



Bem, os professores devem dizer o mesmo aos Ucranianos, Chineses e Ingleses que frequentam a turma. Se estivessem nos Estados Unidos da América, diziam-lhe: fala em Inglês! Não estamos no Brasil.



Quanto à falta de qualidade das traduções feitas por editoras brasileiras é um facto. Mas nós por cá também temos disso. Se há bons tradutores, há outros que é de fugir, e os livros,traduzidos pelos maus tradutores, são um lixo.

 

Diz Juliana Chatti Iorio «Portugal não dá o devido valor à língua portuguesa a partir do momento em que permite o uso do inglês em sala de aula, que não luta pela afirmação da quinta língua mais falada no mundo e a partir do momento em que possui muito mais ferramentas em inglês para acolher os estudantes Erasmus do que para acolher os estudantes lusófonos».
 

Portugal não dá o devido valor à Língua Portuguesa. Isto é verdade. Actualmente Portugal não dá o devido valor à Língua Portuguesa, porque a tem vendida ao Brasil. Em Portugal abrasileirou-se a ortografia, a partir da imposição do ilegal AO90, e a Língua Portuguesa anda de rastos. Nas escolas ensina-se o mixordês.

 

E se dá mais ferramentas à Língua Inglesa, do que à Brasileira, faz muito bem, pois aquela é a Língua de comunicação global, e todos os alunos portugueses devem aprender o Inglês tão bem quanto o NOSSO Português, para poder safar-se lá fora, porque ao contrário do que a senhora Juliana julga, nem a Língua Portuguesa, nem a sua variante brasileira têm qualquer expressão no mundo. Fala-se português nos países que o têm como língua oficial. Ponto. Mais nada.

 

E a senhora Juliana acrescentou esta coisa de pasmar: “ainda age como se fosse a ‘metrópole’ a ditar as regras do uso da língua portuguesa às suas ‘colónias’, quando inferioriza a maneira como a língua portuguesa é utilizada pelos outros países lusófonos”.



Muito se engana a senhora Juliana.  Não é a “ex-metrópole” que quer ditar as regras do uso da Língua Portuguesa às suas ex-colónias. A verdade é apenas UMA: é a ex-colónia do Brasil que quer impor a sua grafia à ex-metrópole, e às restantes ex-colónias, e só ainda não conseguiu, porque existe uma forte resistência e oposição a essa pretensão. E ninguém inferioriza (aqui está o complexo que tolhe os Brasileiros há séculos) a Língua utilizada pelos outros países lusófonos, porque a língua utilizada pelos outros países lusófonos é a PORTUGUESA, à excepção de Cabo Verde (que tem o Crioulo Cabo-Verdiano como língua oficial) e do Brasil, onde se fala e escreve o Brasileiro, já reconhecido no mundo, como tal.

 

Não queira a senhora Juliana virar o bico ao prego.

 

E o artigo prossegue com este absurdo:

Ideia errada sobre Portugal justifica desilusão

 

«Justifica as dificuldades que os estudantes sentem,» no dizer da senhora Juliana, «com o facto de estes partirem com um imaginário que nem sempre corresponde à realidade encontrada


O mesmo dizem os Portugueses que rumam ao Brasil. Parte-se com ilusões assentes, por vezes, em premissas erradas. Contudo, em Portugal, os Brasileiros são bem acolhidos (no meu prédio vive uma dezena de Brasileiros, e a todos dei as boas-vindas, que gostaria de ter recebido no Brasil e nunca recebi, mas não dou qualquer valor a isso, por isso, faço aos outros o que gostaria que me fizessem, ainda que não mo façam. Nem recebi eu, nem os meus conterrâneos, que como se sabe, são bastantes, no Brasil.

 

Diz a senhora Juliana: «Muitos imaginaram uma hospitalidade diferente daquela que encontraram. (…) As diferenças culturais também se podem traduzir num choque cultural vivenciado quotidianamente na instituição e no país de acolhimento. Os estudantes brasileiros apontaram “a falta de aceitação da língua portuguesa como é escrita e falada no Brasil” como “uma falha no acolhimento de Portugal”. Por seu lado, os timorenses, “por não dominarem bem o português, sentiram que as dificuldades na chegada, em circular pela cidade, e para escolher moradia foram, por esse motivo, reforçadas – ainda que a língua portuguesa, ao lado do tétum, também seja um idioma oficial do Timor-Leste”.

 

Mas isto é tão normal e óbvio, que não sei porquê tanta aflição. Quando vamos para um outro país, tudo isto é tão natural como respirar. O que pretendia a senhora Juliana, que andassem com ela ao colo? Quando vamos para um país estrangeiro, não esperamos que venham todos para a rua saudar-nos, esperamos? Os Brasileiros e os Timorenses, ou outro qualquer povo, lusófono ou não, são tratados como os Portugueses são tratados nos países dos outros. Ou não? Ninguém nos vai receber com fanfarra. Ou vai? E isso importa-nos? Não nos importa nada. Somos capazes de nos adaptar e darmos a volta e integrarmo-nos, sem qualquer queixume descabido.



Quando vim do Brasil para Portugal acabar o curso universitário em Coimbra, vinha a brasucar, na escrita e na fala. Pedi um tempo aos professores para me adaptar. Tempo concedido. Não EXIGI que andassem comigo ao colo. E eu sou PORTUGUESA, mas fui tratada como uma aluna estrangeira, nos primeiros tempos, obviamente. Num mês, pus a escrita e a fala em dia, com a maior facilidade e naturalidade. E segui em frente. 

 

E esta investigação conclui o seguinte: “a falta de informações sobre o funcionamento do sistema académico e problemas nas interacções em sala de aula com outros alunos e com professores resultou, muitas vezes, em má compreensão dos conteúdos ministrados nos cursos”. A ausência de divulgação dos serviços de apoio disponíveis para eles, também. Além disso, alguns estudantes bolseiros timorenses reclamaram da falta de orientação para os gastos com a bolsa e de ajuda com documentos (vistos, sistema académico, etc.) e os brasileiros referiram que até tiveram alguma assistência, inclusive com o processo de inscrição no curso, mas que só souberam da existência de alguns serviços prestados pela universidade e de associações que os poderiam ter ajudado, quando já estavam em Portugal».



Senhora Juliana, isto não acontece apenas com os Brasileiros e com os Timorenses, acontece igualmente com os Portugueses que vivem em Portugal. Nós, para os governantes e para as instituições estatais, estamos abaixo de cão. Quando é para nos sacarem dinheiro, vão para as televisões gritar. Quando é para recebermos privilégios, calam-se todos, e nós que adivinhemos. Por que haveria de ser diferente com os estrangeiros?

 

As autoras do estudo recomendam um «maior apoio na chegada e nos momentos iniciais desses alunos no país de destino. Conhecer as especificidades das culturas de origem desses estudantes e estar disponível para aprender sobre a melhor forma de recebê-los são estratégias que poderiam ser adoptadas pelas universidades portuguesas, de modo que a dádiva da hospitalidade correspondesse a práticas do bem receber, e que anfitriões e hóspedes pudessem dar, um ao outro, o melhor de si»


Nenhum país põe tal coisa em prática, quando há muitos alunos de várias nacionalidades. É pedir o impossível.


Estão à espera de apoio estatal ou do povo? O Estado não dá mimos a ninguém, talvez o nosso PR pudesse ir tirar uma selfies e distribuir beijinhos à chegada dos Brasileiros. Ainda não vi que fosse. O povo, esse, penso que é caloroso com os estrangeiros. Ele adora tudo o que vem do estrangeiro. Não devem ter razão de queixa.



Bom, mas as duas perguntas finais a fazer são as seguintes: fazem todas estas exigências quando vão estudar para os EUA? Ou para Inglaterra? Ou França?  Quando estudantes portugueses vão para o Brasil estudar, o Brasil brinda-os com este tipo de mordomia que exigem de Portugal? Ou cada um amanha-se como pode?

 

De tudo o que li, ficou-me um pulga atrás da orelha: ou muito me enganei ou a senhora Juliana insinuou que o Brasil deveria impor as sua regras a Portugal, incluindo a língua falada e escrita no Brasil, para que os Brasileiros possam sentir-se em casa?


(**) O programa Erasmus, acrónimo do nome oficial em língua inglesa, European Region Action Scheme for the Mobility of University Students, é um plano de gestão de diversas administrações públicas, que apoia e facilita a mobilidade académica dos estudantes e professores universitários através do mundo inteiro.

Origem da notícia:

https://observador.pt/2019/12/08/fala-portugues-artigo-cientifico-fala-em-discriminacao-de-brasileiros-e-timorenses-nas-universidades-portuguesas/?fbclid=IwAR30shy23hWaXxLwJPxVqwT5sZoltk4_8QIk6gehNhB5Nsp6Lgz0_UFqEDw

 

 Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:38

link do post | comentar | ver comentários (10) | adicionar aos favoritos
partilhar
Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019

O que decidirá a Conferência Geral da UNESCO, a decorrer em Paris: «Dia Mundial da Língua Portuguesa» ou «Dia Mundial do Dialecto Brasileiro» (AO90)?

 

«Conselho Executivo da UNESCO endossa proclamação do Dia Mundial da Língua Portuguesa»

lê-se no  

 

UNESCO.jpg

 

onde este Conselho está sediado. E não é por acaso que ele está sediado no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

 

Por falar em UNESCO, o MPLP (Movimento em Prol da Língua Portuguesa), que conta com cerca de uma centena de subscritores, aguarda ainda por uma resposta à denúncia da violação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (CSPCI), por um Estado-Membro, ou seja, por Portugal,  dirigida em 7 de Setembro de 2018 a Madame Audrey AZOULAY, Directora-Geral da UNESCO, e a uma outra exposição enviada em 7 de Janeiro de 2019,  pedindo um esclarecimento acerca de uma curta e dúbia resposta  que, entretanto, o MPLP recebeu da UNESCO.

 

Bem, mas o assunto hoje é a proclamação do dia de uma língua a que chamam “portuguesa”, mas que de Portuguesa já quase nada tem, e esta proclamação não passa de mais um fait divers, para fazer crer que a nossa Língua Portuguesa (a nossa) está de boa saúde, quando na realidade, está a desaparecer do mapa. E isto é um facto. Não é uma conjectura.  

 

Esta notícia é de 17 Outubro de 2019, ou seja, é relativamente recente. Não tive a oportunidade de me debruçar sobre ela, na devida altura, mas isto é daquelas coisas que podem abordar-se a qualquer momento, e o actual momento é o ideal, porque a deliberação final, acerca desta proclamação, cabe ao órgão mais representativo da UNESCO, a Conferência Geral, que congrega os cento e noventa e três Estados-membros, na sua 40º sessão, que teve início no passado dia 12 de Novembro e decorrerá até ao dia 27 deste mesmo mês.  

 

(Nota: uma vez que estamos a falar na proclamação do “Dia Mundial da Língua Portuguesa”, é em Língua Portuguesa que escreverei, e não em Dialecto Brasileiro (AO90) conforme lemos no portal diplomático do MNE, ou isto não faria qualquer sentido, ou então em vez do “Dia Mundial da Língua Portuguesa” ter-se-ia de proclamar o “Dia Mundial do Dialecto Brasileiro”, para sermos rigorosos.

 

Vejamos: a Comissão do Programa e Relações Exteriores do Conselho Executivo da UNESCO, com sede no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, aprovou uma decisão que recomenda à próxima Conferência Geral da UNESCO  ( já a decorrer) a adoPção de uma resolução proclamando o dia 5 de Maio como “Dia Mundial da Língua Portuguesa”.

 

Lê-se no portal: «O Ministério dos Negócios Estrangeiros congratula-se com esta aprovação. Muito mais do que apenas uma língua oficial, a Língua Portuguesa é uma das línguas mais faladas do mundo e deverá continuar a crescer, em número de falantes e com uma expressão cada vez mais forte na Internet, nas organizações internacionais, no mundo dos negócios e artístico e em muitos outros domínios

 

Mentira. Lá que o MNE desse pulinhos e esfregasse as mãos de contente com esta aprovação, é natural que sim, pois isso faz parte da negociata que está por trás do AO90.

 

Porém, o resto é pura mentira.  A Língua Portuguesa não é uma das mais faladas do mundo, porque os Brasileiros falam Brasileiro, e eles são milhões. E isto é um facto. Não é uma teoria. E o que se vê cada vez mais forte na Internet, não está escrito em Língua Portuguesa, mas sim, em Dialecto Brasileiro, que muito brevemente passará a Língua Brasileira. Nem sequer nas organizações internacionais, no mundo dos negócios e artístico, porque é a Língua Inglesa que predomina nestas organizações e no mundo dos negócios e artístico. Dizer que é a Língua Portuguesa (a NOSSA) que predomina é delírio dos acordistas.  É uma gigantesca falácia. Todas as pessoas lúcidas o sabem. ExcePto os actuais governantes portugueses.

 

Outra mentira, outro delírio é dizer isto:

 

«A decisão, que será formalmente adoPtada (assim escrito à portuguesa) pelo plenário do Conselho Executivo no próximo dia 23, reconhece o papel e a contribuição da Língua Portuguesa para a preservação e disseminação da civilização e da cultura humanas, destacando ainda que o Português é a língua mais falada do hemisfério sul e a língua oficial de três organizações regionais e da Conferência Geral da UNESCO

 

O Português NÃO É a língua mais falada no hemisfério sul, porque no hemisfério sul fala-se o Dialecto Brasileiro. E quanto ao ser língua oficial de três organizações regionais (quais?)  e da Conferência Geral da UNESCO, a ver vamos.  Se assim fosse, não seria necessário escrever ou traduzir para Francês ou Inglês, o que escrevemos no NOSSO Português.

 

E dizem mais:

Dizem que «Esta proposta, submetida ao Conselho Executivo pelos nove países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (como se na Guiné Equatorial se fale Português ou sequer Brasileiro) contou com o co-patrocínio de mais vinte e quatro países de todos os continentes e regiões do mundo (quais países?), e, agora, com o endosso dos cinquenta e oito membros do Conselho Executivo.» Só 58 membros?

 

Nós somos muito mais a dizer NÃO a toda esta embófia.

 

Na altura, Marcelo Rebelo de Sousa veio congratular-se, em nota publicada no portal da Presidência da República, “com o endosso, por unanimidade, pela comissão da UNESCO, do 5 de Maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa”, afirmando que esta é uma decisão que “testemunha o reconhecimento do papel da nossa língua para o património da Humanidade, como língua de diálogo e de cooperação entre povos e culturas”, como se isto fosse verdade.

 

E saudou o embaixador de Portugal na UNESCO, António Sampaio da Nóvoa, que não soube defender a Língua Portuguesa, e felicitou igualmente a CPLP e todos os falantes da língua portuguesa, que, enfatiza-se no mesmo texto, “é a quarta língua mais falada no mundo, com mais de 260 milhões de falantes”, como se isto fosse verdade!

 

Esperemos que a UNESCO faça jus à Língua Portuguesa e proclame o dia Mundial desta Língua, NÃO na sua versão brasileira (AO90), mas na sua versão PORTUGUESA, porque só assim este dia terá razão de ser.

 

Basta de mentiras! Estamos fartos de mentiras!

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte:

https://www.portaldiplomatico.mne.gov.pt/comunicacao-e-media/comunciados-de-imprensa/conselho-executivo-da-unesco-endossa-proclamacao-do-dia-mundial-da-lingua-portuguesa

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:51

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Domingo, 23 de Junho de 2019

Quando eliminar os “penduricalhos” das palavras se tornou moda em Portugal

 

Se me contassem eu não acreditava. Mas li. E li no comentário (que abaixo reproduzo) e que me enviou o João Abreu, que se diz professor, mas aparenta nada saber das Ciências da Linguagem, nem da nobre missão de ENSINAR, e chocou-me particularmente o modo leviano e indigno como tratou a nossa venerável Língua Portuguesa, símbolo maior da nossa Identidade.

 

Tive de responder-lhe à altura.

 

penduricalhos.jpg

 

Estes serão os “penduricalhos” que o João Abreu pretende eliminar dos vocábulos portugueses, para lhe facilitar a escrita da Língua?

Fonte da imagem: Internet

 

João Abreu comentou o post RESPONDENDO AO DELÍRIO DE UM ACORDISTA às 18:15, 19/06/2019 :

Para acabar de vez com os penduricalhos na Ortografia! Resposta aos fanáticos ANTI AO90 Cara Isabel Ferreira, não se enerve tanto por coisa pouca. O debate de ideias deve ser realizado de forma serena e construtiva. Em resposta aos dez pontos que enunciou direi o seguinte: Primeiro- está mal informada! é mesmo “detrator” que se escreve segundo a lei. Dê uma vista de olhos na lista de palavras que passaram a escrever-se segundo a nova ortografia, por exemplo, no portal da língua portuguesa. É daquelas palavras que nem sequer admite dupla grafia. Portanto, a Isabel é que está em falta quando escreve essa palavra de forma INCORREcTA, digo, (perdão) INCORRETA (aquele “c” mudo que escrevi estava a mais). Segundo- Não lhe vou chamar ignorante porque sei que é uma pessoa culta mas convém relembrar alguns factos: grande parte da nossa grafia ATUAL vem da profunda reforma que se fez em 1911. Foi aí que se eliminaram aquelas consoantes etimológicas que vinham do grego e do latim. E por que razão se fez isso? Porque chegaram, na altura, à conclusão ( e bem) que a nossa língua estava bastante opaca. O objetivo era dar mais transparência à língua, livrando-se dessas consoantes inúteis e facilitar a aprendizagem da leitura e escrita, desiderato inscrito nos ideiais da Primeira República que apostava fortemente na educação e na diminuição da taxa de analfabetismo. Ora, o AO90 apenas veio concluir essa lógica da reforma de 1911 de dar a primazia à fonética em detrimento da etimologia. Sim, devo confessar: concordo absolutamente em que se acabe de vez com estas consoantes mudas etimológicas ! A imagem que tenho delas é a seguinte: são como penduricalhos que só servem para criar excesso de peso nas palavras. São obsoletas e anacrónicas assim como já na segunda metade do XIX se considerava abstruso escrever alumno, orthographia e escripta. E olhe que já em em 1911 havia muitos velhos do Restelo (tal como há hoje) que de forma obstinada teimavam em resistir à mudança! Terceiro- insisto em dizer que não apenas nas escolas mas em todos os serviços públicos a entrada em vigor do AO90 fez-se de forma totalmente pacífica. Onde é que vê um levantamento geral de funcionários públicos contra o AO90? A realidade que eu conheço é a das escolas porque sou professor e desde 2009 já andei por muitas. Garanto-lhe que o AO90 não é assunto de conversa entre professores e muito menos entre alunos, ou, se já o foi no início, deixou de o ser agora. E a razão é porque o AO90 é já como o ar que se respira, já faz parte do código genético do ato de escrever, tanto de professores como de alunos. E a Isabel sabe que os professores, entre outras coisas, escrevem ATAS de reuniões. E já não vejo ninguém reclamar do tipo “Ai, que confusão me faz escrever “ATA” em vez de “AcTA”! Os alunos continuam a dar erros? Claro que continuam. Mas isso não se deve à existência ou não do AO90. Também já davam muitos erros na anterior graf ia. O problema da desortografia tem causas mais profundas como deve saber. Quarto- já reparou, Isabel que neste texto que escrevi só existem três palavras que se alteram em relação à grafia anterior ao AO90? “DETRATOR”; “ATUAL” E “ATA”. E isto para responder ao ponto que mencionou em resposta àquilo que afirmei sobre “um punhado de palavras” que se alteram. Não concorda? Então veja: são três palavras num total de 556 palavras. São 0,5%, até menos do que os especialistas dizem para o total geral das palavras que se alteraram no vocabulário que é na ordem dos 4 ou 5%. Será que a Língua Portuguesa mudou assim tanto só porque se eliminaram os penduricalhos “p” e “c” conhecidos como consoantes mudas? Eu creio que não.

 

***

Primeiro: João Abreu, gostaria de saber o que significa esta frase: «Para acabar de vez com os penduricalhos na Ortografia! Resposta aos fanáticos ANTI AO90», porque estes “penduricalhos na ortografia” soam-me a qualquer coisa que nem ouso dizer alto. E “fanáticos anti AO90”, soa-me a algo distorcido, até porque os desacordistas têm toda a legitimidade de serem anti-acordo, porque o acordo é um malparido aborto ortográfico, e ser contra um malparido aborto ortográfico nada tem de fanático, mas de patriótico, que é um sentimento saudável e aconselhável, de amor à Pátria. Se não amamos e defendemos a Nossa Pátria, vamos amar e defender a pátria de quem? A dos outros, a dos que se estão nas tintas para nós?

 

Segundo: eu não estou nervosa, aplique a palavra certa: estou INDIGNADA, e não é por “coisa pouca”, porque não é “coisa pouca” um magote de ignorantes (que só assim podem ser chamados) terem a pretensão de destruir a Língua Materna dos Portugueses, que estava muito bem de saúde, e não necessitava que viessem feri-la de morte, a troco de uns trocos, e eu não seria EU, nem teria o direito à nacionalidade portuguesa, se não me INDIGNASSE com este LINGUICÍDIO, e num linguicídio não há debate de ideias, nem nada que possa ser construtivo. O AO90 é um linguicídio, ou seja, um CRIME de LESA-PÁTRIA e de LESA-LÍNGUA, e quando se trata de um crime não podemos andar a pôr paninhos quentes e fingir que um crime é algo aceitável, porque não é. E todos os que cometeram este crime serão severamente penalizados, tão certa como estar aqui a escrever isto. E bem merecem.

 

Terceiro: quem está mal informado é o senhor João Abreu, aliás, está muito mal informado. Segundo a LEI - o Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, que não foi revogado, logo, está em vigor, “detraCtor” escreve-se com Cê. E o que chama “nova ortografia”, não é nova, porque assenta na GRAFIA BRASILEIRA, vigente no Brasil, desde 1943. Além disso NÃO ESTÁ em vigor em país nenhum lusófono, e em Portugal (único país que a adoptou à ceguinha) só a utilizam os serviçais, os subservientes, os comodistas, os acomodados, os ignorantes optativos e os mal-informados. Não sei em qual destas categorias o senhor João Abreu se encaixa.

 

Quarto: é preciso muita lata (desculpe o termo) e ser completamente cego, para me vir dizer que eu escrevo incorreCtamente esta palavra, que pertence à Língua Portuguesa, assim como incorreCtly pertence à Língua Inglesa, incorreCtamente pertence à Língua Castelhana, e “incorretamente” pertence à Língua Brasileira. E como em Portugal, a Língua Oficial, consignada na Constituição da República (que suponho seja ainda) PORTUGUESA, é a Língua Portuguesa e não a Língua Brasileira, o senhor é que escreve “incurrêtamente” a palavra incorreCtamente, bem como todas as outras palavras às quais, colando-se ao Brasil, suprime as consoantes mudas (a que tem o desplante de chamar “penduricalhos”) e que estão lá por algum motivo, e o motivo é a sua função diacrítica. Ao suprimir as consoantes mudas, o senhor João Abreu, além de escrever incorreCtamente as palavras, também as pronuncia incorreCtamente, na Língua Portuguesa, em Portugal. Porque no Brasil eles escrevem “incorretamente” em Língua Brasileira. E então o senhor comete dois (erros) em um. O que para um professor é erro de palmatória. E só por isso, devia ser expulso do Ensino, por não cumprir correCtamente a sua missão de ensinar, e se for professor de Português, a sua falta é ainda maior.

 

E na verdade, nenhuma pessoa culta, em Portugal (no rol das quais me incluo) se vergou à imposição ILEGAL do AO90, nem o aplica, porque sabe PENSAR A LÍNGUA. Ao contrário dos acordistas que necessitam de “capar os penduricalhos” para conseguirem escrever (mal). Isto implica imediatamente dizer que os acordistas não têm capacidade inteleCtual para aprender nenhuma Língua Europeia, porque todas as Línguas Europeias estão cheias de “penduricalhos”. As crianças portuguesas aprendem as línguas europeias com uma perna às costas. Os estrangeiros, que vêm para Portugal, aprendem o Português integral, com uma perna às costas, com todos os “penduricalhos” da Língua, mas os acordistas portugueses não conseguem aprender a Língua com esses “penduricalhos”! Temos pena. A inteligência não se desenvolve em todos os seres humanos do mesmo modo.

 

Nós somos PORTUGUESES, não somos Brasileiros. E nenhum Português escreverá jamais numa ortografia que IDENTIFICA O BRASIL, mas NÃO IDENTIFICA Portugal. Além disso, o que obtusamente chama de “penduricalhos” faz parte de TODAS as Línguas Cultas Europeias. E que nós saibamos, Portugal AINDA é um PAÍS EUROPEU, com uma Língua europeia. SE Portugal deixar de ser um país livre e soberano (como pretendem os actuais governantes portugueses) para se transformar numa simples colónia, então terá a linguazinha que merece. Entretanto, surgirá um novo Dom Afonso Henriques, para reconstruir Portugal e devolver-lhe a dignidade perdida, graças à (des) governação de um punhado de ignorantes e seus ignorantes acólitos. E desse clone de Afonso Henriques é que rezará a História. Os outros serão atirados ao caixote do lixo dessa mesma História, onde estão todos os que passaram pelo Poder e não dignificaram Portugal.

 

Só por isto, o AO90 é uma carta fora do baralho, mas se lhe juntarmos tudo o resto, é o baralho todo fora do baralho, ou seja, uma aberração malparida, cujo destino é o caixote do lixo, em todos os países da dita lusofonia.

 

Quinto: a mim pode chamar-me ignorante à vontade, em matérias onde sou absolutamente ignorante, como Física Quântica, Astronomia, Física Nuclear, enfim, essas e outras matérias afins. Todos somos ignorantes em alguma coisa, já dizia Einstein. Mas não me chama ignorante a LÍNGUA PORTUGUESA, porque eu ESCREVO e a Língua é o meu instrumento de trabalho, e ninguém, no seu juízo perfeito, UTILIZA instrumentos de trabalho DEFEITUOSOS. CorreCto? Está a ver um médico a utilizar bisturis enferrujados? Também não está a ver-me a usar uma grafia MUTILADA, que não pertence a Portugal, mas sim ao Brasil, e que NÃO ESTÁ EM VIGOR em Portugal, porque não existe LEI alguma que obrigue um PORTUGUÊS a escrever à BRASILEIRA.

 

Sexto: desculpe perguntar: o senhor é professor de quê? Tem a noção do  que diz ao dizer que a nossa aCtual grafia provém da reforma de 1911? NÃO PROVÉM. A nossa aCtual grafia provém da reforma de 1945, a que está em vigor. Não vou aqui dar-lhe uma aula de grafias. Sugiro que ESTUDE as reformas de 1911 e 1945 e se aperceba de que a Língua EVOLUIU, mas não foi destruída em nenhuma dessas datas. Com a reforma de 1990, a Língua não só REGREDIU, como foi desalmadamente DESTRUÍDA.

 

Na verdade, esta evolução veio facilitar a escrita, porque existia (e AINDA existe, um elevado índice de analfabetismo em Portugal como no Brasil) por isso é que quanto MAIS IGNORANTE é um povo, mais precisa de reformas ortográficas. Portugal é campeão europeu em reformas ortográficas, e isto significa que os governos NÃO INVESTEM NO ENSINO e na CULTURA, e mantêm o povo inculto, encruado, ignorante que está sempre a precisar que lhe “capem os penduricalhos”.


Em 1943, o Brasil fez uma reforma ortográfica UNILATERAL, pela qual foram suprimidas as consoantes mudas que o AO90 pretendeu introduzir em Portugal. Em 1945, o Brasil assinou com Portugal a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, que mantinha as consoantes mudas, e o Brasil, como continuava com um índice elevado de analfabetismo, rasgou essa convenção, e regressou à reforma de 1943, e então passaram a escrever “incorretamente” e é essa “incorr’ção” que os acordistas servis querem, à força, introduzir em Portugal.

 

Sétimo: dito isto, penso que não é preciso dizer mais nada, a não ser que CONTE bem contadas (ou também é mau a Matemática?) as palavras às quais “caparam os penduricalhos”. E nem que fossem duas ou três, bastava para o chumbar, num exame de Português, ou para levar umas boas palmatoadas. Eu levei-as, até porque vim do Brasil a escrever à brasileira, ou seja, de acordo com o AO43 = AO90 (mais retoques, menos retoques) e não me fizeram mal nenhum. Nem nenhuma criança das gerações da palmatória ficou traumatizada por causa disso. Agora é que querem fazer das crianças umas MARIQUINHAS, e ai Jesus! que não se pode chumbá-las (já nem falo na palmatória!). E isso é PÉSSIMO para elas.

 

Pois tenho a dizer-lhe que só os ignorantes e os muito intelectualmente inaptos não conseguem escrever o que os povos cultos e europeus escrevem há séculos, nas respectivas Línguas: as consoantes mudas, em linguagem culta, e “penduricalhos”, em linguagem inculta. Então o Inglês, o Francês, o Castelhano, o Alemão estão cheios de PENDURICALHOS, mas os alunos e professores desses países CONSEGUEM escrevê-los sem o mínimo problema. O defeito, devo concluir, está nos PROFESSORES PORTUGUESES, porque os alunos sabem que direCtor se escreve com Cê, em algumas outras línguas que estão a aprender, e fora das escolas. Apenas nas escolas, e porque fazem MUITA CHANTAGEM com as NOTAS, eles vêem-se obrigados a escrever incorreCtamente, para não serem penalizados, ainda que contra a LEI VIGENTE. Tudo isto terá um preço a pagar.

 

Portugal é o único país do mundo, onde os alunos são PENALIZADOS por escreverem correCtamente a sua Língua Materna, a que está EM VIGOR no País deles.

 

E isto só acontece num país terceiro-mundista, que anda a arrastar-se pelo chão, onde não existe BRIO PROFISSIONAL, onde se acha que “capar os penduricalhos” das palavras tem a ver com inteligência e não com INCAPACIDADE.

 

Tenha santa Paciência! Quando a classe de professores chegou ao nível da cave, não surpreende que o ENSINO esteja um CAOS em Portugal, e a escrita da Língua uma MIXÓRDIA. Porque ninguém tem dúvida de que nunca se escreveu tão mal, em Portugal, como actualmente. Caso único no mundo.


Aceite-se de uma vez por todas que este acordo é uma aberração e nasceu morto à nascença. Percebe-se o desespero dos acordistas por sentirem que a revogação desta aberração está a chegar... Sabe que não é só Portugal a querer revogar esta parvoíce?! A ortografia portuguesa (em Portugal) foi limada à perfeição... sem qualquer "gordura” ao longo dos séculos... Até que este desacordo foi martelado sem qualquer lógica ou fundamento e tentaram, sem sucesso, que os Portugueses escrevessem aberrações e incongruências... Por que lhe custa tanto ver os Portugueses, com um pingo de inteligência, a defenderem a Língua Portuguesa?

 

Ainda está por nascer aquele que terá alguma coisa POSITIVA a dizer a favor desta aberração. As reformas de 1911 e 1945 foram contestadas por poucos e por pouco tempo, e, na altura, estavam no terreno apenas o Brasil e Portugal, e os motivos dessa pouca contestação não tiveram nada a ver com a DESTRUIÇÃO da Língua, mas com as mudanças que muito naturalmente alguns não aceitam bem.

 

Contudo, HOJE, estão mais SEIS países a mandar às malvas o AO90, à excepção de Cabo Verde (porque a Cabo Verde interessa este servilismo a Portugal, por motivos completamente alheios à Língua, até porque eles adoptaram o Crioulo Cabo-Verdiano como Língua Oficial, e estão-se nas tintas para o Português acordizado, tido como língua estrangeira, que ninguém quererá aprender). O AO90 está a ser contestado desde o dia em que foi malparido, já lá vão 29 anos, e nestes 29 anos, milhares de escreventes de Português estão continuamente a protestar, e o AO90 só ainda não foi atirado ao lixo, porque vivemos numa DITADURA SOCIALISTA, pior do que a salazarista, porque a salazarista não se disfarçava de democracia.

 

O motivo actual da contestação ao AO90 NÃO É a evolução natural da ortografia, mas a sua destruição e descaracterização. E é isto que os acordistas não têm capacidade para encaixar.

 

Aceite isto, senhor João Abreu, e viverá feliz no paraíso. Até lá, com estes seus comentários, só contribui, ainda mais, para o enterro do aborto ortográfico. E nós só agradecemos.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:28

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Quinta-feira, 6 de Junho de 2019

Mértola será uma cidade de algum Estado brasileiro?

 

Mértola1.png

 

É porque a verdade dos fatos, no Brasil, é uma coisa. Em Portugal a verdade dos fatos é outra.

Estará o senhor Paulo Jorge Colaço Rosa a referir-se à verdade dos fatos-macaco dos funcionários da autarquia?

No Brasil, os fatos não se vestem. Lá vestem-se ternos.

Em Portugal os fatos servem para vestir. E ternos são os namorados muito enamorados.

De faCto, este cê, que é mudo no Brasil, em Portugal não é. Logo, lê-se e escreve-se.

 

***

 

Também sabemos que, no Brasil, os Brasileiros são contatados para muitas acções.

Em Portugal, os Portugueses não contatam, nem são contatados.

Em Portugal, os Portugueses contaCtam e são contaCtados (do Latim contaCtus), porque em Portugal lê-se o.

 

***

Sabemos que no Brasil, talvez por influência da colónia italiana, bastante importante no país, os meses do ano são escritos com letra minúscula: febbraio (fevereiro); giugno (junho).

Em Portugal, os meses do ano grafam-se em letra maiúscula, tal como nas restantes grandes línguas europeias: Fevereiro, Junho (Língua Portuguesa); February, June (Língua Inglesa); Février, Juin (Língua Francesa); Februar, Juni (Língua Alemã).

 

***

No Brasil, talvez igualmente por influência da colónia italiana, vai-se diretamente (direttamente) para a cadeia, se se é apanhado, em flagrante, a roubar alguém.

 

Em Portugal, não. Em Portugal pode ir-se direCto (do Latim direCtus) ou direCtamente para a cadeia, se se é apanhado, em flagrante, a roubar alguém. Diretamente, que se lê dirêtamente (o mudo tem função diacrítica, e o a dobrar no italiano também tem, e a vogal E lê-se aberta, e sem o terá de ler-se dirêtamente), não se vai.

 

***

No Brasil, atua-se (átuá-si) quando é preciso.

Em Portugal, aCtua-se (do Latim aCtum = aCção).

 

***

 

Ah! mas agora o que não se lê não se escreve. Então e o acordo ortográfico para que serve? Dirá o senhor Paulo Jorge Colaço Rosa, presidente da Câmara Municipal de Mértola.



Acontece que o acordo ortográfico foi imposto ilegalmente ao Portugueses, e não está em vigor em país nenhum, dizem os juristas. E só os mal informados e os servilistas o aplicam. Se bem que, entre esses, existe uma tendência para abrasileirar o que mandam e o que não mandam, porque desconhecem o Português e o Brasileiro.

Em vigor, em Portugal e em mais seis países, está a ortografia do AO45. No Brasil, unilateralmente, está em vigor a ortografia de 1943.


E como é do senso comum, que o acordo ortográfico de 1990 não veio UNIFICAR a ortografia dos oito países ditos lusófonos, como pretendiam os seus engendradores, porque tal tarefa é completamente impraticável, só os cegos mentais não vêem isto, e uma vez que na ilegal aplicação do AO90 mistura-se alhos com bugalhos, e o que se escreve e se lê é uma mixórdia linguística, jamais vista em qualquer país do mundo ( e eles são 193) e Portugal é caso único, qual é a atitude mais racional a tomar quanto a esta matéria?

 

Acertaram. A REVOGAÇÃO imediata deste inútil e irracional acordo ortográfico, que nenhum país (nem o Brasil) quer. E Portugal também não. Em Portugal, os únicos que o querem (e estão em minoria) são os que, ao que parece, recebem ordens, oriundas de um submundo oculto e obscuro que manieta os governantes portugueses, presidente da República incluído, para que se destrua Portugal, destruindo o seu mais precioso símbolo identitário: a Língua Portuguesa.

 

E todos sabemos que Portugal pagará muito caro por tudo isto. E o pior, é que já começou a pagar.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:56

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Terça-feira, 28 de Maio de 2019

«Acordo Ortográfico» (1990) – Análise da discórdia

 

 

Fernando Alberto II, um estudioso da Língua Portuguesa e grande opositor do «Acordo Ortográfico de 1990», a que chama Perverso Desastre Histórico-Cultural e Linguístico, apresenta-nos uma análise lúcida e muito racional da discórdia que tal (des)acordo gerou nos oito países de expressão portuguesa.

 

Espero que se faça luz nas mentes daqueles que ainda não se aperceberam do tamanho da tragédia linguística que este “acordo” gerou no seio da lusofonia. Ainda vamos muito a tempo de emendar o erro. Insistir nele é admitir uma latente insanidade mental.

 

Viriato Teles.png

 

Por Fernando Alberto II

 

«Vasta associação de ciências do conhecimento, todas elas intimamente ligadas à LINGUÍSTICA, COMUNICAÇÃO, CIÊNCIA, FILOSOFIA, RELIGIÃO ou ARTE, as quais foram sucessiva e reiteradamente desrespeitadas, desprezadas, ofendidas e deveras maltratadas no mesmo «Pseudo Acordo Ortográfico», de 1990.

 

Na prossecução do esclarecimento sobre vários paradigmas deste absurdo, demagógico, tendencioso, corporativo e falacioso «Pseudo Acordo Ortográfico», de 1990, refliCtamos sobre sucessivas questões linguísticas pertinentes decorrentes do mesmo.

 

Continuemos igualmente a analisar mais algumas das milhares de palavras, com ortografias, prosódias/ortoépicas e semânticas algo diferentes ou mesmo, completamente diferentes, sobretudo entre Portugal e o Brasil, próprias do léxico comum de cada um dos países associados na CPLP, para já, para se concluir facilmente que, não será a pretensa e utópica unificação/uniformização linguística/ortográfica/lexical que irá enriquecer a língua portuguesa pois, o que sempre a enriqueceu foi, de faCto, essa sua grande variedade, diferença de culturas e riqueza linguística com algumas normas, como a seguir se comprova plenamente.

 

Aliás, como muito bem se sabe e, já o repeti inúmeras vezes, NUNCA, NUNCA, NUNCA, MAS MESMO NUNCA ou JAMAIS, JAMAIS, com toda a certeza, será possível uma UNIFORMIDADE ORTOGRÁFICA, linguística, prosódica/ortoépica, fonética, semântica, morfológica, sintáctica, gramatical e lexical entre todos os países associados na CPLP pois, a história económica e social, a cultura, o ensino, as influências linguísticas autóCtones ou outras, a prosódia/ortoépica, a gramática, a morfologia, a sintaxe e a semântica de cada um dos países associados na CPLP é algo diferente entre todos, ou mesmo muito diferente, completamente diferente, como acontece em relação ao Brasil, tornando esta ambição mórbida numa autêntica utopia fiCcionista. Por isso mesmo, esse sonho quimérico não passa de uma miragem, de uma fiCção, de uma verdadeira utopia delirante e alucinogénia. Trata-se de um idealismo surreal, de um sonho impossível.

 

Com a entrada em vigor, à força, deste «Pseudo Acordo Ortográfico, de 1990», infelizmente, a Língua Portuguesa sofreu um rude golpe, de tal forma que, deixou de fazer parte do leque de Línguas Oficiais da FIFA, do Vaticano, da União Europeia e NUNCA, JAMAIS, JAMAIS, fará parte do leque de Línguas Oficiais da ONU, que era um dos grandes objeCtivos deste mesmo «Pseudo Acordo Ortográfico, de 1990». Assim, jamais a nossa amada Língua Portuguesa, criminosamente amputada e vandalizada pelo «Pseudo Acordo Ortográfico, de 1990», poderá ser considerada, como tal, em qualquer organização internacional, o que não era, de forma alguma, o objeCtivo final deste «Pseudo Acordo Ortográfico, de 1990».

 

Segundo o Sr. Padre Professor Doutor Fernando Alves Cristóvão, um dos responsáveis pela concePção desastrosa do perverso e criminoso «Pseudo-Acordo Ortográfico, de 1990», é de quatrocentos mil o número de vocábulos que resultam da associação de todos os léxicos dos países associados na C.P.L.P. Salvo o devido respeito e, pela minha investigação e conhecimento, julgo que serão algo mais mas, seja como for, a verdade é que, tendo em conta o lado Português, se o léxico comum de Portugal tem cerca de 110 mil vocábulos, os Portugueses teriam de admitir, ter de aprender e de saber, pelo menos, cerca de mais uns 300 mil vocábulos que, nem sequer poderiam ser considerados como neologismos, tendo em conta o previsto na falaciosa “filosofia” que preside a este criminoso, abominável e perverso «Pseudo-Acordo Ortográfico, de 1990», uma vez que, de faCto, nunca houve acordo pleno entre todos os países associados na Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, tendo em conta que, nem todos ratificaram esse pretenso acordo.

 

Conclui-se facilmente que a linguagem, a cultura, a ortografia, a gramática, a semântica e a prosódia/fonética da variante do «português» do Brasil, é bastante diferente OU MESMO MUITO DIFERENTE, COMPLETAMENTE DIFERENTE, absolutamente diferente da norma-padrão do Português de Portugal, (Português Europeu) e, apresenta muitas singularidades próprias da Linguística do povo Brasileiro, vocábulos ou termos vernáculos Brasileiros, como é, aliás, muito natural e, perfeitamente admissível.

 

Para bem da vernaculidade e da riqueza cultural da Língua Portuguesa, é absolutamente essencial que mantenha as suas diferenças e caraCterísticas próprias de cada um dos povos e nações da C.P.L.P., excepto na Guiné Equatorial, que a adoPtaram como língua oficial.

 

Para além da parte lexical da Língua Portuguesa usada no Brasil, ortograficamente idêntica, quase igual ou mesmo igual à nossa Língua Portuguesa, (embora a prosódia/fonética, seja muito diferente pois, no Brasil as sílabas são quase sempre abertas ou semi-abertas), desde que com a mesma origem etimológica, sobretudo do Grego e do Latim, uma boa percentagem do léxico comum do Brasil é constituído por termos vernáculos Brasileiros, cerca de 100 mil, essencialmente com origem etimológica nas Línguas Ameríndias dos nativos autóCtones Brasileiros, das nações «Tupi», «Guarani» e «Aruaque», Língua esta falada entre as bacias do Amazonas e do Oiapoque e ainda na Língua africana «Quimbundo», Língua falada em Angola, sobretudo nas províncias de Luanda e de Malange, pela raça Banto, negros autóctones da África Central e Austral, a qual foi levada para o Brasil pelos escravos negros Africanos que, colonizaram o Brasil à força, entre os séculos dezasseis e dezanove, levados de África pelos “seus amos senhores feudais”, alguns totalmente ignorados da esmagadora maioria dos portugueses, quer em termos semânticos quer ortográficos e que, por isso mesmo, nunca se usam e, naturalmente, nem se podem usar em Portugal.

 

O léxico comum da variante da Língua Portuguesa do Brasil, terá cerca de 210 mil vocábulos, assim distribuídos: 110 mil vocábulos iguais ou idênticos ao léxico comum da norma-padrão da Língua Portuguesa ou Português Europeu, acrescidos ainda dos supra-referidos 100 mil vocábulos vernáculos Brasileiros.

 

Pelo exposto, não me parece nada disparatado poder afirmar hoje, haver já a considerar uma verdadeira Língua Vernácula Brasileira baseada, em exclusivo em pelo menos, 100 mil vocábulos vernáculos do Brasil, ESTES ABSOLUTAMENTE IGNORADOS EM PORTUGAL, como é natural.

 

Aliás, como muito bem sabemos, desde há cerca de 100 anos que, as normas Linguísticas, desde as ortográficas-lexicais e morfológicas até às semânticas do Português-Europeu e do Português-Brasileiro estão a afastar-se cada vez mais, de dia-para-dia sobretudo devido ao facto de, no Brasil nascerem constantemente “neologismos”, aportuguesados ou abrasileirados, por influência da Língua Inglesa, sobretudo dos Estados Unidos da América.

 

No entanto, no Portugal de hoje, resulta extremamente preocupante e algo perverso, o faCto abusivo e odioso de, diversos média, sobretudo na/a televisão, lamentavelmente, aplicarem de forma delirante, arrogante, traiçoeira, pedante e perversa, constantemente, vários estrangeirismos, sobretudo anglicismos, “qual massacre de intoxicação linguística e, talvez mesmo prova de uma excessiva xenofilia, (xenófilo-dependência)”, absolutamente desnecessários que, tornam a televisão numa espécie de clube xenófilo viciado dependente, elitista e esotérico, contrariando em absoluto a sua vocação e tradição populares ofendendo, deliberadamente, nomeadamente, o nº. 3, do Artº 11º, da Constituição da República Portuguesa, bem como ainda, o próprio Povo Português.

 

(…)

 

Agora registou-se um faCto novo e abominável: «Portugal ficou orgulhosamente só», o que me parece completamente absurdo pois, Portugal, embora não seja o proprietário da Língua Portuguesa é, no entanto, o país onde foi criada a matriz desta mesma língua embora, devamos considerar que, a actual província Espanhola da Galiza teve igualmente um papel decisivo na concePção dessa mesma matriz.

 

«CONVENÇÃO ORTOGRÁFICA LUSO-BRASILEIRA, de 1945»

 

A «Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, de 1945», foi assinada e ratificada, pelos dois países, em 10 de Agosto de 1945.

 

Grande parte do povo brasileiro e a imprensa rejeitaram a referida «Convenção», ainda que TENHA SIDO APROVADA POR DECRETO-LEI.

 

Perante tantos protestos, a Assembleia Legislativa Brasileira acabou por ceder, de tal forma que, se recuou novamente para a ortografia anterior, ou seja, a de 1943.

 

Portanto, o Brasil acabou por não respeitar e rejeitar totalmente a «Convenção Ortográfica», de 1945, que havia assinado e ratificado com Portugal.

 

A ortografia prescrita na referida «Convenção Ortográfica, de 1945», foi tornada obrigatória em todas as publicações editadas em Portugal, por força do Decreto, nº. 35.228, de 8 de Dezembro de 1945.

 

O Decreto-Lei, nº. 32/73, publicado em 6 de Fevereiro de 1973, veio reforçar ainda mais aquele referido Decreto. Ambos estes preceitos encontram-se em PLENO VIGOR na Ordem Jurídica Portuguesa uma vez que não foi, nem poderia ser, revogada a «Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, de 1945», assinada e ratificada, pelos dois países, em 10 de Agosto de 1945.

 

Pelo que julgo saber, a Resolução do Conselho de Ministros, nº. 8/2011, de Agosto de 2011, consubstanciará um mero despacho administrativo o qual, por isso mesmo, não pode nunca sobrepor-se às supra referidas Leis. A conclusão que me parece ser de extrair é a de que se trata de mais um despacho perverso e prepotente, o qual me parece ainda que, infelizmente, colide frontalmente com a devida legalidade, é ILEGAL. Para além disso, na minha modesta opinião, a supracitada Resolução, parece-me que viola ainda, ostensivamente, nomeadamente, o nº. 2, do Artº. 43º da Constituição da República Portuguesa). (...) 

 

Fernando Tordo.png

 

 

O actual Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Marcelo Duarte Rebelo de Sousa, parece que mantém uma posição algo ambígua, indefinida em relação ao inconstitucional «Pseudo Acordo Ortográfico, de 1990» pois, apesar de respeitar a legalidade escrevendo na base da «Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, de 1945», já terá tido a oportunidade de afirmar, há algum tempo, algo absolutamente infeliz, e “apátrida”, referindo mais ou menos isto: “Os Portugueses têm de se convencer de que o Brasil é que tem de conduzir a política da Língua Portuguesa”. Se esta sua afirmação, produzida quando era um simples cidadão comum, seria perversa, infeliz e prova de servilismo apátrida, agora, que é Presidente da República Portuguesa, para além de perversa e servilista, é danosa, indigna, irresponsável, traiçoeira e desleal, para com a nação Portuguesa. Além disso, jurou cumprir e FAZER CUMPRIR o texto Constitucional da República Portuguesa e esta sua afirmação é mesmo o perfeito antípoda do respeito que deve nutrir sempre e, em qualquer circunstância, por este texto SAGRADO para todos os portugueses. Não votei e jamais poderia votar nele, mas veremos o que o futuro ainda nos reserva pois, se não for imediatamente revogado o ILEGAL «Pseudo Acordo Ortográfico, de 1990», o actual SAGRADO texto da Constituição da República Portuguesa» tal como acontecia com a Constituição Portuguesa de antes do 25 de Abril de 1974, continuará a ser um texto bonito e democrático apenas para enganar os estrangeiros pois será sempre FALSO e HIPÓCRITA, se aplicado em Portugal.

 

Com a adoPção demagógica, política e não Linguística, deste perverso e ILEGAL «Pseudo Acordo Ortográfico, de 1990», “desta toxicidade Linguística venenosa”, da (IR)responsabilidade de políticos ignorantes e irresponsáveis em delírio mental, apátridas escroques traidores, Portugal desprezou e acabou por perder a sua verdadeira identidade Linguística, a sua matriz, a sua independência e vernaculidade Linguísticas, a “sua alma, o seu cérebro e a sua intelectualidade”.

 

Por fim, atente-se na perfeita actualidade e pertinência do texto profético, com mais de 40 anos, se também aplicado ao perverso «Pseudo Acordo Ortográfico, de 1990», que a seguir transcrevo, da autoria de Marcelo Caetano, o último Primeiro-Ministro fascista, deposto pelo golpe de estado de 25 de Abril de 1974:

 

“Veremos alçados ao Poder ANALFABETOS, meninos mimados, ESCROQUES de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, DEPUTADOS, administradores, MINISTROS e até Presidentes de República.”

 

A Língua e ortografia de Portugal, evoluindo ao longo de mais de 3.000 anos, é sagrada, a melhor identidade do povo português e não pode nunca ser alterada, de forma radical, iníqua e arbitrária, por uma espécie de vassalagem, através de um desastroso, dúbio, inculto, demagógico, abominável, ILEGAL, perverso, subjeCtivo e corporativo Pseudo Tratado Político-Mercantilista-Comercial-Económico.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/groups/345711412486554/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:40

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2019

A MINHA DECLARAÇÃO DE AMOR À LÍNGUA PORTUGUESA

 

Hoje, recordo aqui um texto que publiquei em Outubro de 2016, para que saibam do meu amor pela Língua Portuguesa e do meu grande apreço pela Cultura Brasileira, tão maltratada no Brasil e tão pouco (ou nada) divulgada em Portugal.

 

Do Brasil, os Portugueses conhecem apenas as novelas, o samba e o futebol.  E a isto chama-se  pobreza cultural.

 

De Portugal, os Brasileiros  sabem apenas que eram escravocratas e andaram a roubar o ouro do Brasil, que, na verdade, pertencia aos indígenas, os verdadeiros donos daquelas terras. E a isto chama-se descontextualização histórica.

 

Poesia_Gonçálves_Dias[1].JPG

 

Quando falamos de Língua Inglesa, falamos de que país?

De Inglaterra, obviamente.

 

Quando falamos de Língua Castelhana, falamos de que país?

De Espanha, evidentemente.

 

Quando falamos de Língua Francesa, falamos de que país?

De França, claramente.

 

Ainda que estas três línguas, destes três países, antigos colonizadores, sejam as línguas oficiais de vários países que se tornaram independentes, espalhados pelos cinco continentes.

 

Teremos alguma dúvida? Não temos, certamente.

 

E quando falamos de Língua Portuguesa, falamos de que país?

 

Eu não tenho qualquer dúvida: falamos de Portugal, seguramente.

 

É que a Língua Portuguesa, tal como as línguas que referi, tem origem na Europa, não tem origem em África, nem nas Américas (do Norte e do Sul), nem na Ásia, nem na Oceânia.

 

Mas os nossos políticos, mais uns tantos apátridas e outros tantos traidores, dirão sem pestanejar (como já ouvi): quando falamos de Língua Portuguesa, falamos do Brasil, porque no Brasil os falantes são milhões…

 

São milhões, os falantes? E daí? O que é que isso significa?

 

Nos EUA, também serão milhões, os falantes, mas quando falamos de Língua Inglesa, falamos de Inglaterra, naturalmente.

 

Na América do Sul, igualmente serão milhões, os falantes, mas quando falamos de Língua Castelhana, falamos de Espanha, decididamente.

 

Sempre assim foi e sempre assim será, porque podemos reescrever a História, mas não podemos reescrever a Origem.

 

Não conhecendo exactamente a negociata obscura que está por trás da tentativa de destruição da Língua Portuguesa, (reparem que eu disse tentativa), mas desconfiando, podemos dizer, sem qualquer margem de dúvida, que a nossa identidade linguística está a sofrer o maior atentado jamais perpetrado contra uma qualquer Língua do mundo, e todos os responsáveis pela governação de Portugal, desde o presidente da República, ao primeiro-ministro, ao presidente da Assembleia da República, passando pelos deputados (e deputadas, deverei dizer assim, à parola?) da Nação, estão-se nas tintas para que se diga que assim como o Hino Nacional é A Portuguesa, a Língua Nacional é a Brasileira, porque é deste modo que o AO90 é designado por aí…

 

Mas para que não digam que eu tenho algum sentimento menor pela Cultura Brasileira, que aprendi como sendo também a minha, deixo aqui uma declaração de amor à Língua Portuguesa, através de um poema que aprendi, era ainda adolescente, e que sempre guardei nas minhas mais gratas memórias, como um dos mais belos poemas do Poemário Brasileiro.

 

Trata-se da Canção do Exílio, do poeta Gonçalves Dias, expoente do romantismo brasileiro, e que eu venero.

 

Este é um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira.   Curiosamente, foi escrito em Julho de 1843, em Coimbra, a cidade eleita do meu coração.

 

A Canção do Exílio, escrita em Português, tornou-se emblemática na cultura brasileira, por aludir à tão saudosa pátria distante… um sentimento que foi também o meu, quando, no Brasil, suspirava pelo suave murmúrio das águas do rio Mondego, deslizando por entre o arvoredo, no Choupal…

 

 

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

 

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

 

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar — sozinho, à noite —

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

***

Unificar o quê?

Para quê?

Com que obscura intenção?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:13

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

MANUAL DE INGLÊS ACORDIZADO?

 

Helder Guégués, no seu Blogue Linguagista, onde se discute os factos da Língua, chamou a atenção para algo INA-CRE-DI-TÁ-VEL…

Eis o que é difícil de acreditar:

«É novamente Setembro

«Hello! It’s september again...» (What’s Up? 6, Cristina Costa, Isabel Teixeira e Paula Menezes, com revisão pedagógica e linguística de James Scott. Lisboa: Texto Editores, 2018, p. 13).

Mr. Scott, helloooo, esqueceu-se de ler o manual... E a editora também parece que se esqueceu de o dar a rever a um revisor. Acontece, não é? Até agora — acabou de me aterrar nas mãos — só vi este erro, mas antes do fim do ano (lectivo ou civil, eu logo decido), vou descobrir mais. Para não ficarem pontas soltas: criancinhas, pais, os meses em inglês escrevem-se com maiúscula inicial.

 

INGLÊS.jpg

 

Em busca da capa do Manual em questão, na Internet, para ilustrar esta minha publicação, dei com esta imagem muito sugestiva, e então pensei: estará desvendado o motivo por que no tal Manual, o mês de “september” está escrito com letra minúscula inicial, ou seja incorreCtamente?

 

 Será Inglês também para a GALERA portuguesa?

Se é, estamos mal. Muito mal.

 

Qualquer dia, as crianças portuguesas, além de já estarem a escrever incorreCtamente a sua Língua Materna, estarão a escrever também incorreCtamente a Língua Inglesa, e teremos “diret”, “diretion”, "helo" e Mr. Scott passará a ser apenas Mr. Scote isto será, ou melhor, É uma grande tragédia!

 

Não haverá ninguém, em Portugal, que tenha a coragem e a lucidez de pôr fim a esta IRRACIONALIDADE?

 

Fonte:

https://linguagista.blogs.sapo.pt/manual-de-ingles-2553988

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:00

link do post | comentar | ver comentários (4) | adicionar aos favoritos
partilhar
Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

PALAVRAS E CONSIDERAÇÕES AO REDOR DO AO90 – O MEU COMBATE

 

Via e-mail, frequentemente recebo pedidos de informação, ou mesmo uma opinião sobre o que está a passar-se a propósito do despropósito de um acordo ortográfico que ninguém pediu, não é necessário, sendo, portanto, inútil, e muito menos é um acordo racional.

 

E é sobre o que escrevo em privado, que partilho, hoje, em público.

 

PALAVRAS.jpg

 

Não sou Filóloga, nem Linguista. Tive de dar aulas de Português, porque os de História tinham de dar também a disciplina de Português, para a qual, no entanto, nunca foram preparados na Universidade. Daí, ter tido a necessidade de estudar a Língua Portuguesa, mais aprofundadamente, para não defraudar os meus alunos.

 

Aprendi a ler e a escrever no Brasil, e fui estudando cá e lá, ao longo da infância, adolescência e juventude. Conheço a fundo as duas versões do Português, para poder dizer, com conhecimento de causa, e sem titubear, que o que nos estão a impingir, hoje, é a ortografia brasileira, que eu aprendi na escola primária, no Brasil. Com que intenções fazem isso? Naturalmente com as intenções mais obscuras por parte de Portugal que, servilmente, se curva aos interesses exclusivos do Brasil.

 

Não sou propriamente avessa aos neologismos, quando estes têm fundamento. Não gosto de certas adaptações de palavras estrangeiras para Língua Portuguesa, se lhes retiram a elegância. Estou a lembrar-me de “avalanche”, do francês “avalanche”. Detesto a palavra aportuguesada “avalancha” que não tem graciosidade nenhuma. É uma palavra espessa. Eu utilizo o termo “avalanche”, que existe nos nossos dicionários (quando digo nossos, descarto os novos dicionários acordistas, que não são nossos). E isto é como chamar João Lenão ao John Lennon. Não gosto de palavras espessas, e agora com o AO90 é o que mais existe, por aí: palavras espessas e muito deselegantes.

***

Passando às questões:

Acessibilidade (do latim accessibilitas, -atis) significa qualidade do que é acessível, alcançável, atingível.

Jamais pode ser aplicada como acesso (entrada) a alguma coisa.

Os que usam o vocábulo acessibilidade para significar “acesso” cometem uma grande calinada.

 

Mas as calinadas são aos milhares: eles “cOmprimentam-se”, eles “fOncionam”, eles dizem das suas "circOnstâncias", à última DA hora, eles aplicam mal os tempos dos verbos, eles não sabem Português. Estou a referir-me aos governantes responsáveis pela decadência da Língua Portuguesa. Estejam atentos ao modo como falam.

 

***

Quanto ao “contratualizar” (contratual + izar), significa estabelecer as regras contratuais de…; pôr em contrato.

 

Deriva da palavra CONTRATUAL do francês “contractuel” relativo a um CONTRATO (= convenção, acordo).

Contratar = empregar (do latim contractare)

Contrato (do latim contractus)

Ambas as palavras perderam o C antes do AO90. São daquelas excepções, à regra.

 

A palavra “contratualizar” não existe nos dicionários de Língua Portuguesa, mas não me faz mossa.

Porque o vocábulo “contractar” não existe.

O que existe é “contracto” (do latim contractus) = contraído, encolhido, que sofreu contracção = CONTRAÍDO.

E como contratualizar significa “fazer um contrato”, é um neologismo que não faz mossa na Língua.

 

***

 

Agora, não me venham com “parabenizar”, uma palavra horrorosa que os portugueses andam a adoptar do brasileiro (e que me desculpem os brasileiros, também as temos horrorosas, por cá). É como “apenado” (condenado, o que sofreu uma sanção penal); ou “estrelar” (protagonizar - o Johnny Depp estrelou o filme «Piratas das Caraíbas», talvez com umas batatinhas fritas…), palavras americanizadas, escusadamente, até porque temos vocábulos tão mais graciosos, em Português.

 

Mas há muitos mais que agora não me ocorrem.

 

***

Pois se fôssemos a seguir essa regra parva de "perde a consoante porque não é pronunciada" teríamos de aumentar a lista em várias centenas de palavras.

 

É que a lógica dos acordistas quanto à supressão das consoantes mudas é tão ilógica que se lhes perguntamos porque (h)avemos de suprimir a consoante em faCtor, porque não pronunciamos o C, por que não a suprimir em (h)avemos, uma vez que também não pronunciamos o H? E eles não têm uma explicação racional para o fazer. Mas eu já vi por aí escrita este conjunto de letras - ospital. Talvez porque o H passe despercebido… como no vocábulo “umidade” (humidade em Portugal), que no Brasil se grafa sem H, porque o H passa "despercebido" na palavra... (li isto no Ciberdúvidas), e li mais, ainda se escreve, por exemplo, (h)oje e (h)ora, com H, porque, por força do uso, algumas palavras com H inicial já têm fixação visual e deixa alguma perplexidade grafias como "oje" ou "ora"... Foi o que li no Ciberdúvidas.

 

Considero esta “explicação” de uma inteligência raríssima.

 

Pois se aos acordistas a grafia “oje” (por hoje) e “ora” (por hora) causa perplexidade, porque aquele H mudo inicial já tem fixação visual, a mesma perplexidade, causam grafias como "fatura" (fâturâ), "fator" (fâtôr), "fração" (frâção), “direto” (dirêtu), “diretor” (dir’tôr, “objeto” (objêtu), “rutura”, “receção” (r’c’ão),”exceto” (eiscêtu), “Egito”, “aspeto” (âspêtu), “adoção” (âdução), “inseto” (insêtu), “ação” (âção), “deteta” (d’têtâ), “exato” (ixâtu), enfim, estes e centenas de abortinhos ortográficos, que assim escritos, é obrigatório pronunciá-los conforme está entre parêntesis e não significam nada.

 

E é deste modo híbrido que os acordistas justificam a supressão das consoantes mudas em palavras onde elas são indispensáveis, e não fazem cair as outras porque, visualmente, elas criam perplexidade!!!!! Isto é de quem não tem a mínima noção do que diz, o mínimo conhecimento da estrutura das Línguas, de todas as Línguas.

 

Depois existe um outro detalhe: quando me dizem que os estrangeiros percebem o “brasileiro” melhor do que o Português… é mentira! Na escrita, um inglês, um francês, um espanhol ou um alemão que não saibam muito bem o Português, se depararem, por exemplo, com as palavras directo, director, factor, saberão reconhecê-las-ão. Ao contrário, se depararem com “direto”, diretor, fator, não saberão o que isto é.

 

Eu, que não domino o Alemão, mas domino o Inglês, consigo entender uma frase em alemão tirando pela a pinta as palavras. E isto acontece porque a etimologia é a mesma. Somos da família indo-europeia. Não somos da família sul-americana, aliás, cuja língua, à excepção das línguas nativas, é oriunda da Europa.

 

Quando eu digo que se fala mal, ou escreve mal, no Brasil, refiro-me ao emprego do tempo dos verbos, dos plurais, dos artigos, dos pronomes, da acentuação, que o comum dos Brasileiros não sabe aplicar, muito por culpa do "não-ensino" da Gramática, nas escolas. Não me refiro ao "sotaque" que, até lhe acho piada.

 

E o que se fala e escreve no Brasil será a mesma Língua Portuguesa que, por exemplo, os Angolanos e Moçambicanos instruídos falam e escrevem?

 

É óbvio que os Timorenses, Angolanos, Moçambicanos e restantes povos ditos lusófonos não falam todos do mesmo modo. Até em Portugal, de Norte para Sul, o modo de falar difere.

 

Mas não é ao "modo" que me refiro. É à "forma" como a Língua é utilizada, é grafada, é pronunciada. Não se conhecendo a Gramática, dizem-se e escrevem-se os maiores disparates.

 

Quanto à escrita, dos sete povos ditos lusófonos ou lusógrafos, apenas os Brasileiros deformaram a ortografia, mutilando-a e criando palavrinhas sem significação real alguma.

 

No que respeita ao Inglês e ao Castelhano o que se passa não é bem a mesma coisa. Os povos colonizados pelos Ingleses e Espanhóis não mutilaram as línguas que adoptaram do colonizador. Têm novos vocábulos para designar as mesmas coisas, uma grafia diferente, muito pontualmente, o “sotaque” difere de país para país, mas não mutilaram ostensivamente as palavras. E jamais Inglaterra ou Espanha fariam um "acordo" para adoptar a grafia das ex-colónias. E os falantes e escreventes das Línguas Inglesa e Castelhana também são aos milhões nas ex-colónias deles.

 

Então porquê substituirmos a nossa Língua Portuguesa, pelo Dialecto Brasileiro? Por eles serem milhões e nós milhares? Isso nunca será argumento válido, em parte alguma do mundo.

 

E é essencialmente isto que combato.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Domingo, 3 de Dezembro de 2017

QUAL A DIFERENÇA ENTRE O GOVERNO INGLÊS E O GOVERNO PORTUGUÊS?

 

É que o governo inglês não é subserviente à sua ex-colónia da América do Norte (EUA), e o governo português é subserviente à sua ex-colónia da América do Sul (Brasil), no que à Língua diz respeito.

Os norte-americanos podem ser milhões, mas Inglaterra é Inglaterra, e a Língua é a Inglesa. E os Estados Unidos da América são outro país…

Vejam a diferença do vocabulário “americano” em relação ao vocabulário da Língua Inglesa.

E quem se importa com as diferenças? Ninguém.

E o mesmo acontece com os Espanhóis, com os Franceses...

Mas em Portugal há quem goste de ser muuuuuuuito SERVIL… e verga-se à ortografia da ex-colónia...

The difference between American vocab and British vocab

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:49

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2017

DESTA VEZ NÃO SOU EU QUE O DIGO, É O CATARINO – UM BRASILEIRO

 

Atentem na “conversa” inserida nesta imagem, que ilustra o artigo «Reforma ortográfica da língua portuguesa», no Blog do Catarino, de onde retirei o texto que se segue.

As falas das personagens, com pronúncia italiana, não estão ali por acaso.

(As anotações a negrito, no texto do Catarino, são minhas).

 

BLOG1.jpg

 

Ma dove siamo noi? In Brasile o in Italia? (Isabel A. Ferreira dixit)

 

«Reforma ortográfica da língua portuguesa.

 

Hoje, no primeiro dia do ano 2009, vamos ter que nos acostumar com a mudança ortográfica da língua portuguesa. Mas somente a escrita no Brasil, único país que já implantou as alterações. Portugal, o segundo maior país que fala português, ainda não iniciou as alterações propostas.

 

Portugal, ( que não é o segundo maior país que fala Português) não iniciou em 2009 as “alterações” propostas, mas depois de umas “negociações” à porta fechada entre políticos, nomeadamente o Itamaraty e o ministro dos Negócios dos Estrangeiros de Portugal, e editores e livreiros, de ambos os países, iniciou-as em 2011, ilegalmente).

 

Vim em uma reportagem feita na TV Globo que os intelectuais de Portugal são contra as reformas, pois consideram que está havendo um abrasileiramento da língua.

 

(Só os ignorantes e cegos mentais é que ainda não se deram conta de que a ortografia proposta no falso acordo ortográfico é a ortografia brasileira, na sua versão italianizada).

 

Não sei dizer se as alterações irão facilitar a nossa escrita, pois as alterações se referem à acentuação gráfica e uso do hífen. Mesmo que as alterações sejam pequenas o gasto com impressões de novos livros didáticos, dicionários será grande.

 

(Espero que aqui tenham ficado bem claras as únicas alterações que os Brasileiros têm de fazer para que o falso “acordo” seja cumprido: acentuação gráfica e hífens. Unicamente. O resto, a supressão das consoantes mudas em vocábulos italianizados (recepção escapou, porque os italianos dizem «reception», e os acordistas portugueses, muito inteligentemente, escrevem receção, porque em Portugal não se lê o pê, dizem eles) mantém-se inalterável para os Brasileiros).

 

Na prática não haverá nenhuma unificação, pois os demais países não irão seguir de imediato as alterações acordadas.

 

(Nem de imediato, nem nunca. Por alma de quem irão os Angolanos, Moçambicanos e os restantes povos (por enquanto) lusófonos adoptar a ortografia brasileira, quando têm, nos seus países, dialectos riquíssimos? Foi o que já aconteceu em Cabo Verde, que adoptou o Crioulo cabo-verdiano como primeira língua e o Português como língua estrangeira. No que fazem muito bem).

 

O mais difícil é ver como natural uma palavra que tinha acento e não tem mais, como idéia que o Word insiste em colocar acento, mas não tem mais.

 

(Pois é… unificar o quê? Para quê? Para quem?)

in

BLOG.png

 

Neste link:

http://www.blogdocatarino.com/2009/01/reforma-ortogrfica-da-lngua-portuguesa.html

 

***

A Ignorância é uma senhora que se agarra a qualquer um, desde que esteja disponível: seja homem ou mulher, de qualquer estrato social ou cultural. E em Portugal, muitos andam agarrados a esta senhora.

 

A babel ortográfica já se instalou em Portugal, e apenas em Portugal, porque mais nenhum país lusófono se vergou à parvoíce de um "acordo" que não é acordo nenhum, e apenas uma minoria inculta o adoptou em Portugal, porque é mais simples escrever como se fala (e como se fala mal!) do que ESTUDAR a Língua Portuguesa na sua Matriz Culta e Europeia e escrevê-la tal como os Ingleses escrevem a Língua Inglesa, os Alemães, a Língua Alemã, os Franceses, a Língua Francesa, os Espanhóis, a Língua Castelhana. Nenhum destes povos jamais faria um acordo ortográfico para adoptar a ortografia estrangeirada de uma ex-colónia, que se tornou um país livre e pode e deve caminhar pelo próprio pé.

 

Apenas os portuguesinhos, com cérebros mirradinhos, em Portugal, são incapazes de PENSAR a Língua e escrevê-la na sua complexidade, que nem chega aos calcanhares da complexidade, por exemplo, das Línguas Alemã e Inglesa, quanto a consoantes mudas. Vão pelo simplex socratês.

 

Serão os portugueses menos dotados para aprender uma Língua integral?

 

Não serão todos menos dotados. Mas, e a minoria que servilmente, apressadamente e parvamente decidiu adoptar a ortografia brasileira (e atenção! não estou a desmerecer a ortografia brasileira italianizada, porque foi uma opção deles, capisci! só que nós não temos nada com isso) sem pensar, sem questionar, sem reflectir… O que pensar dessa minoria?

 

E o que pensar do nosso presidente da República, que nem cumpre nem faz cumprir a Constituição?

 

E o que pensar do nosso primeiro-ministro que não ata nem desata, nesta questão do falso “acordo”?

 

E o que pensar do ministro dos Negócios dos Estrangeiros, que guarda a sete chaves o segredo das negociações com o estrangeiro?

 

Quem estarão eles a servir?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:37

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Dezembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Por que será que só os es...

. O que decidirá a Conferên...

. Quando eliminar os “pe...

. Mértola será uma cidade d...

. «Acordo Ortográfico» (199...

. A MINHA DECLARAÇÃO DE AMO...

. MANUAL DE INGLÊS ACORDIZA...

. PALAVRAS E CONSIDERAÇÕES ...

. QUAL A DIFERENÇA ENTRE O ...

. DESTA VEZ NÃO SOU EU QUE ...

.arquivos

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

.

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
blogs SAPO