Domingo, 26 de Setembro de 2021

«O Acordo Ortográfico de 1990 (AO-90) e a incurável azia» - Artigo de opinião enviado ao jornal Público e, naturalmente, não publicado

 

Chegou-me este artigo via e-mail.
Fiquei estupefacta com o facto de depois do tremendo INSUCESSO e do caos ortográfico causado pelo AO90, ainda haja alguém que, sem argumentar coisa nenhuma a favor dele, venha a público dizer o que disse, sem o menor pejo.    

Desta vez não fiquei com azia. Fiquei irritada. Como é isto possível?
Então decidi esmiuçar o que disse Carlos Esperança, autor do texto .

O que está em itálico é dele. O que está a negrito é meu.

Isabel A. Ferreira

Grafia portuguesa vs grafia brasileira.png

A grafia portuguesa que vigora em Portugal vs. a que o governo português nos quer impingir

(Para quem estiver interessado em consultar)

 

Por Carlos Esperança in:

https://ponteeuropa.blogspot.com/2021/09/artigo-de-opiniao-enviado-ao-jornal.html

 

Começando pelo título: sim, o AO90 é tão, mas tão, mas tão intragável que provoca não uma azia, mas uma espécie de azia nefasta a todos os que amam a Língua Portuguesa, e a conhecem muito bem, ou mais ou menos, ou assim-assim. Contudo incurável azia, não! Ela será curada quando o intragável AO90, deixar de ser introduzido, à força, pelas goelas de quem abomina ignorâncias linguísticas, e nem sequer é preciso ser-se linguista. 

 

Quem conhece a grande alteração e uniformização da língua portuguesa, efetuada [em Português efeCtuada] pela Reforma Ortográfica de 1911, não devia solidarizar-se com manifestações de raiva que a perda de algumas consoantes mudas e tímidas alterações provocaram numa sociedade avessa à mudança, independentemente da validade dos argumentos. 

 

Primeiro: a Reforma Ortográfica de 1911 foi elaborada segundo as regras das Ciências da Linguagem, e NÃO porque um punhado de políticos ignorantes e editores mercenários assim o quiseram.


Segundo: as manifestações que existem com a perda de várias CENTENAS (não de algumas) consoantes não-pronunciadas, mas com função diacrítica, e aberrantes (não tímidas) alterações nos hífenes e acentuação, não são de raiva, mas de inquietação pela enormidade da ignorância dos acordistas que não apresentaram UM SÓ argumento racional, portanto VÁLIDO, para defender um tal “Acordo”, que na verdade nem sequer existe, e não porque a sociedade seja avessa à mudança, porque MUDANÇA implica EVOLUÇÃO, e o que aconteceu foi um gigantesco RETROCESSO linguístico, e a sociedade portuguesa é AVESSA sim, a retrocessos. E por que é o AO90 é um retrocesso? Porque pretende que a Língua Portuguesa, bela, elegante e europeia, retroceda a uma variante sul-americana derivada do Português, no que à grafia de inúmeras palavras diz respeito.

 

O misoneísmo, palavra cunhada pelo psicologista [em Portugal psicólogo] italiano César Lombroso, esse horror à novidade, está bem entranhado nos portugueses.

 

Aqui temos algo que apenas por muita má-fé se diz sobre a personalidade dos Portugueses, que, de boa-fé, até aceitam bem as novidades. Acontece que a destruição da Língua Portuguesa não pertence ao rol das novidades. A Língua Portuguesa é o maior Património Cultural Imaterial de Portugal, que não se ajeita a "novidades" assentes na ignorância. Os Portugueses não rejeitaram a caixinha mágica (televisão), os telefones, os telemóveis, os computadores, os hipermercados, os tractores, os frigoríficos, enfim, nunca rejeitaram as novidades que lhes vieram facilitar a vida, mesmo no mundo rural. Rejeitam sim, e nisso fazem muito bem, as “novidades” prejudiciais ao corpo e à mente e à sua intelectualidade, quando lhes querem vender gato por lebre. Que é o caso do AO90.

 

A Reforma Ortográfica de 1911, a primeira iniciativa de normalização e simplificação da escrita da língua portuguesa, foi profunda, numa altura em que o Brasil facilmente a aceitou e as colónias não participavam.

 

Repetindo: o que fez a Reforma Ortográfica de 1911 foi simplificar a escrita, mas NÃO a afastou das suas raízes, das suas origens, da sua História. Os vocábulos não foram mutilados. Passou-se do PH (fonema grego, com o mesmo som da consoante latina F), porque o nosso alfabeto era e continua a ser o LATINO, onde a letra F está incluída, tão incluída que Fernando Pessoa grafava PHarmacia, mas escrevia o seu nome com F. Passou-se de “elle” para ele sem lhe mexer na pronúncia. Passou-se de “lyrio” (com o i grego) para lírio (com o i do alfabeto latino) sem lhe mexer na pronúncia. Todas as consoantes com função diacrítica mantiveram-se, porque se os cês ou os pês fossem suprimidos, a pronúncia deveria modificar-se.

 

O Brasil aceitou (mal) esta reforma, tanto quanto sabemos,  tanto que muitos continuaram a escrever com a grafia anterior a 1911, e logo que puderam, em 1943, os Brasileiros elaboraram um Formulário Ortográfico, que distanciou o Português da sua Matriz, transformando-o na Variante Brasileira da Língua Portuguesa, ainda hoje em vigor, no qual, na sua Base IV, os parideiros do AO90 foram buscar a mutilação das palavras cujas consoantes não se pronunciavam.

 

Tenho enorme consideração por muitos dos que não toleram as pequenas alterações que o AO-90 introduziu, sobretudo quando se trata de cultores da língua, de prosa imaculada na sintaxe e na ortografia que mantêm, mas vejo neles a exaltação de Fernando Pessoa e Teixeira de Pascoais cuja ortografia que estes defenderam repudiariam agora.

 

Como está enganado o senhor Carlos Esperança. O AO90 não introduziu pequenas alterações em Portugal, o AO90 introduziu gigantescas alterações na NOSSA Língua, na forma de grafar, mutilando as palavras que o Brasil já mutilava, desde 1943 (excePtuando as que eles, por algum motivo, continuaram a pronunciar os pês e os cês, como excePção ou aspeCto), e na forma de falar, porque quem escreve afeto (lê-se âfêtu”) e pronuncia afétu, pronuncia mal. Porque aféto só é aféto se levar o C =  afeCto, porque o C tem função diacrítica.

 

A ortografia é uma convenção imposta por lei sem sanções penais, salvo para os alunos, que se arriscam a reprovar se não escreverem como está oficialmente determinado.

 

As ortografias de 1911 e de 1945 até podem ser convenções impostas por LEI, porque essas LEIS EXISTEM. Contudo, a de 1990 não é nem acordo, nem convenção nem coisa nenhuma, porque NÃO EXISTE LEI que obrigue os professores, ou os alunos a escreverem incurrêtâmente a Língua Portuguesa, e se algum professor ou aluno OUSAR ensinar ou escrever correCtamente a sua Língua Materna, as reprovações ou as sanções são ILEGAIS. Só uma LEI poderia sancionar algo que uma simples RCM quis impor, mas como não tem valor de Lei, não pode obrigar. Aliás todos os juristas são unânimes em dizer que o AO90 é ILEGAL e INCONSTITUCIONAL, algo que está mais do que comprovado nos livros que se escreveram a este propósito e que os governantes, Marcelo Rebelo de Sousa incluído, IGNORARAM e continuam vergonhosamente a IGNORAR. Por algum MAU motivo há-de ser.

 

Aos autores da Reforma Ortográfica de 1911, que hoje já ninguém contesta, coube-lhes pôr fim à anarquia ortográfica do país, com 80% de analfabetismo, quando os países do norte da Europa tinham entre 2% e 10%, e normalizar a ortografia. Eminentes filólogos discutiram se deviam seguir o modelo francês, fortemente dependente da etimologia, ou o espanhol e italiano, que seguiam de perto a oralidade.

Optaram por revogar falsas etimologias e, condescendendo com a origem das palavras, deram preferência à oralidade, caminho que embora tímido esteve presente no AO-90.

 

Os autores das Reformas Ortográficas de 1911 e de 1945, que tiveram MOTIVAÇÕES LINGUÍSTICAS NÃO revogaram falsas etimologias, nem condescenderam com a origem das palavras, nem deram preferência à oralidade,  deram isso, sim, preferência à ETIMOLOGIA das palavras. Estas reformas foram feitas com o intuito de diminuir a taxa de analfabetismo então existente no Brasil e em Portugal. Pelo que vemos, não adiantaram de nada, porque tanto no Brasil como em Portugal a taxa de analfabetismo é ainda elevadíssima, e em Portugal é a mais alta da Europa.


O AO90, como não teve nenhuma motivação linguística, mas apenas política e económica, não timidamente, mas DESCARADAMENTE, deu preferência à oralidade, que já vinha do Formulário Ortográfico de 1943, desenraizando e desfeando a Língua Portuguesa. isto é um facto.

 

Há muito que as palavras homógrafas não são necessariamente homófonas, mas duvido que os críticos mais cultos tenham dificuldade em distinguir a fonia das que perderam os acentos e cujos exemplos caricaturais não passam disso mesmo.

 

A acentuação e a hifenização EXISTEM para melhor facilitar a compreensão das palavras e das frases. A ortografia de 1945 tem algumas falhas nesse sentido. Dever-se-iam retomar alguns acentos, para que as frases fossem imediatamente perceptíveis, para quem está a aprender a Língua -  as nossas crianças, por exemplo. Se lhes perguntarmos, como eu já perguntei, o que quero dizer quando digo “ninguém PARA o Benfica”, na aCtual conjuntura, as respostas são as mais óbvias: não há ninguém para o Benfica. E o que eu quis disser foi ninguém PÁRA o Benfica, (porque não perde há sete jogos consecutivos). Se o acento estivesse lá, ninguém teria dúvidas.

 

Lamentável é ver as redes sociais, até jornais, com inúmeros detratores [em Português detraCtores] do AO-90, que explodem de raiva na mais boçal prevaricação ortográfica e ignorância de elementares conhecimentos básicos do idioma cuja ‘nova’ ortografia condenam sem respeitarem a anterior, não sendo este o caso do Público.

 

Em Portugal não há detractores do AO90, nem explodem de raiva. Explodem de tristeza por ver uma Língua tão bela escorrer para o esgoto. O que há é DEFENSORES da Língua Portuguesa.  Os detractores são os que muito servilmente, muito ignorantemente, muito acriticamente aceitaram este “acordo”, que não é “ acordo”  e desataram por aí a escrever uma mixórdia ortográfica (mistura da grafia brasileira com a grafia portuguesa, numa mesma frase) Ex: «o objetivo da acção foi repor os salários em atraso», sim porque em 1943 os Brasileiros passaram a escrever objetivo (que sem o lê-se “ub’j’tivu” de acordo com as regras gramaticais, algo que os acordistas também atiraram ao lixo, até as crianças já sabem disto) , e aCção, como deve ser escrita esta palavra em Língua Portuguesa. “Âção” sem pertence à Variante Brasileira do Português, que em Portugal se lê deste modo.

 

Definida uma grafia, que alguns julgam facultativa, depois de vários anos a ser ensinada de acordo com a lei, qualquer tentativa de regresso é um apelo à anarquia ortográfica e à instabilidade do idioma e das normas jurídicas que o definem.

 

Senhor Carlos Esperança, não é da boa praxe vir para aqui tentar enganar os mais incautos, porque os menos incautos SABEM que a grafia que nos querem impor é ILEGAL, e a qual ninguém em Portugal é obrigado a usar, e foi vilmente ensinada às nossas crianças, que escrevem CAOTICAMENTE, incluindo os governantes, os jornalistas (com excePções do Jornal PÚBLICO e muitos jornais regionais) e todos os que se atiram para aí a escrever acordês/mixordês. Mais caótico do que isto é IMPOSSÍVEL.



As crianças aprenderão mais facilmente a escrever correCtamente a Língua Materna do que estão aprender “incurrêtamente”, tendo em conta que aprendem Inglês e já escrevem um Inglês ACORDIZADO, de tanto escreverem mal o Português. Há quem escreva em Inglês “diretor”, porque foi assim, mutilada, que aprenderam a escrever essa palavra. Isto é inadmissível, e argumentar com a aprendizagem das criancinhas é da estupidez,  pois as crianças têm uma capacidade extraordinária para a aprendizagem de Línguas. O AO90 ficará como MAIS uma língua, a BRASILEIRA, que eles aprenderam, como eu aprendi. Na lista de Línguas que aprendi, está incluída a Brasileira, porque aprendi-a no Brasil, aos seis anos, e quando vim para Portugal, aprendi o Português.  Foi isto que me explicaram aos oito anos. Nunca mais esqueci a lição.

 

E outra coisa, senhor Carlos Esperança, não há normas jurídicas que definem o AO90. Simplesmente NÃO HÁ. Isso é a cassete do ministério dos Negócios Estrangeiros, que os papagaios papagueiam por aí como se fosse verdade. Mas não é verdade.

 

Já é tempo de os jornais que cultivam o imobilismo subversor da legalidade ortográfica se submeterem. O Público não pode continuar a ser o arauto da insurreição ortográfica contra a norma legal que há 12 anos vigora em Portugal e Brasil e observada por autores como José E. Agualusa e Mia Couto, respetivamente [em Português respectivamente] de Angola e Moçambique.

 

O tempo é de os predadores da Língua Portuguesa se recolherem à sua insignificância, e saírem de cena, até porque cada vez há mais gente a abandonar o AO90, por chegar à conclusão de que além de ILEGAL é uma mixórdia intragável que, de facto, provoca azia, e se alguém está a subverter a legalidade são TODOS os que estão a usar uma ortografia ILEGAL. Em Portugal, o que vigora há 12 anos, é uma MIXÓRDIA linguística sem precedentes, e o Agualusa e o Mia Couto, que eu muito prezava, são apenas dois, e mais não fazem do que garantir a publicação dos seus livros nas editoras ACORDISTAS deles. Perderam leitores com essa atitude subserviente. Fale-me de Ondjaki, de Paulina Chiziane e de muitos outros angolanos e moçambicanos que não cederam à falsa miragem acordista.

 

Não é seguramente o facto de o tratado internacional ter sido firmado em 1990 pelo PM Cavaco Silva e promulgado em 2008 por Cavaco Silva (PR) que motiva a obstinação do Público na insurreição ortográfica contra o AO-90, e não se percebe a deliberada teimosia na prevaricação ortográfica. 

  

Quem está a prevaricar são TODOS os que aplicam o ILEGAL AO90. Os políticos e servilistas e seguidistas portugueses são os únicos, do universo da CPLP, que muito servilmente, se arrastam atrás dos milhões, porque sofrem de um absurdo complexo de inferioridade.

 

Não me obriguem a esconder o Público aos netos. Não quero agravar as suas hesitações ortográficas.

Coimbra, 18 de setembro [em português Setembro] de 2021

 

O que deverá esconder aos netos é a MIXÓRDIA que o AO90 veio gerar, e que os obrigaram a aprender. Isso é que é de esconder. Os meus netos SABEM distinguir MIXÓRDIA ortográfica e Língua Portuguesa, e se na escola escrevem “incurrêtamente”, para não serem penalizados (e eles têm essa consciência) cá fora sabem exaCtamente conde estão os cês e os pês, os hífenes e os acentos, nas palavras que escrevem. O PÚBLICO, como todos os outros que não cederam à ignorância e muito inteligentemente não adoPtaram o AO90 sabem que mais dia, menos dia, o AO90 acabará por acabar, e todos os que para tal contribuíram acabarão também a um canto, como os maiores predadores da Língua Portuguesa, desde que Dom Dinis a elevou a Língua de Portugal.  E a esses, ninguém erguerá estátuas ou serão perpetuados em nomes de ruas. Se forem, os filhos dos meus netos e os filhos dos seus netos encarregar-se-ão de as destruir. E os livros acordizados mofarão numa qualquer cave húmida, e desaparecerão, para sempre, da face da Terra.


E a história do AO90 será, então, contada aos vindouros, como uma história de terror, cujos protagonistas serão descritos como gente que, no lugar da cabeça, tinha uma cabaça

 

Isabel A. Ferreira

***

Nota:

Para uma douta opinião, uma pérola, sugiro aos leitores a leitura do artigo que está neste link, sob o título:


Uma lição do Estado Novo Ortográfico

Obedeçam! Submetam-se!

https://oposto.pinho.org/argumentos-legalistas-em-favor-do-4862?fbclid=IwAR0GZuWuDaZZkM_TLjociLjaXAlmOgCqgClP_x2cFGBl4qn0V21HVct9C-Y

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:57

link do post | comentar | ver comentários (9) | adicionar aos favoritos
partilhar
Segunda-feira, 3 de Maio de 2021

Diz Santos Silva: “o acordo ortográfico é para cumprir”, esquecendo-se de que milhares de opositores, em todos os países “lusófonos” não o cumprem, por este ser uma comprovada aberração ortográfica

 

A isto chama-se despotismo, senhor ministro. DES-PO-TISMO.

 

O AO90 já devia estar no caixote do lixo há muito, e só não está porque uma estranha espécie de gente se alojou em São Bento e em Belém, a qual gente, por motivos dos mais obscuros, mantém a aberração ortográfica, imposta ditatorialmente, contra tudo e contra todos. Porquê? Para não ter de passar a si própria um atestado de insanidade, já diagnosticada, faz tempo, através de argumentos racionais anti-AO90, por milhares de anti-acordistas?

 

O ministro português dos Negócios DOS Estrangeiros a quem pretende enganar?

 

Numa entrevista ao 

MULTINEWS.png

Por Paulo Jorge Pereira E Fábio Carvalho Da Silva em 09:09, 30 Abr 2021

https://multinews.sapo.pt/atualidade/santos-silva-acordo-ortografico-e-para-cumprir/

 

a pergunta feita a Santos Silva foi a seguinte:

 

Por que razão se insiste no acordo ortográfico? Não é já o tempo de o acordo voltar para trás?

 

Resposta de SS:

 

- «Bem, isso é da área da Cultura, não é comigo, mas vou responder-lhe com o meu ponto de vista. Eu não tenho nenhuma competência técnica nesse assunto, mas pelo que me dizem este acordo ortográfico é um dos que gozam de maior vigência na história dos acordos, porque tem havido revisões sucessivas. As pessoas escandalizam-se muito hoje por “para” não ter acento, assim como o meu grande mestre Vitorino Magalhães Godinho, em plenos anos 80, ainda escrevia e escreveu até morrer “criar” com “e”, porque não tinha aceitado a revisão de um determinado ano.»

 

***

As coisas da Língua, realmente, deveriam ser da área da Cultura. Mas, em Portugal, NÃO SÃO. Em Portugal, as coisas da Língua são da alçada dos NEGÓCIOS estrangeiros.  A única coisa acertada que Santos Silva aqui disse foi que «não tem nenhuma competência técnica neste assunto». Verdade, não tem a mínima competência, nem técnica, nem outra qualquer, porquanto a Língua Portuguesa nada lhe diz, e nem sequer sabe escrevê-la correCtamente.

 

Depois, em vez de se inteirar do que se passa, de moto-próprio, emprenha pelos ouvidos, e diz que pelo que lhe dizem este acordo é um dos que gozam de maior vigência na história dos acordos, quando isto não é verdade. Este acordo é o que goza da menor vigência, bem como da menor concordância de todos os tempos. Vinda de um ministro, esta declaração é deplorável.

 

Pois, as pessoas escandalizam-se muito hoje por “para” não ter acento, e escandalizam-se com toda a razão, porque para e pára são duas palavras de origem diferente, com significação diferente, e se o SS soubesse Gramática e a função da acentuação das palavras, não diria o disparate que disse. E também não citaria o seu grande mestre Vitorino Magalhães Godinho (com o qual, pelo visto, não aprendeu nada) no que respeita ao “criar” com e, porque nem tudo o que já se fez nas várias e desnecessárias revisões é para aceitar sem crítica. Há muita coisa errada nessas revisões, e eu sou daquelas que também não as aceita.

 

E SS disse mais:

 

- «Agora, eu sou ministro dos Negócios Estrangeiros e Portugal é conhecido e respeitado em todo o mundo por cumprir os compromissos que assume. Há um acordo internacional de que Portugal fez parte – e mais uma vez não encontrará a minha assinatura nesse documento, não porque eu não quisesse, mas porque não fazia parte do Governo de então – e Portugal não é um país que não cumpre os acordos internacionais que celebra. De outro ponto de vista, o acordo ortográfico é uma convenção ao abrigo do qual hoje em dia milhares de crianças aprenderam a escrever na escola, que antigamente se dizia primária e agora ensino básico, e julgo que também devemos respeitar os interesses dessas crianças e tudo o que fizemos

 

***

O senhor Santos Silva pretende enganar quem? Portugal é conhecido e respeitado em todo o mundo por cumprir os compromissos que assume, ainda que tenha de ser SERVIL e de rastejar pelo chão, para cumprir um compromisso que ninguém mais cumpre? Apenas Portugal, muito servilmente o cumpre, e o que é pior, cumpre MAL, transformando em cobaias, as nossas inocentes crianças, ao as obrigarem a aplicar uma mixórdia ortográfica, como a da imagem o demonstra. E nas escolas a situação é bem pior. 

 

MIXÓRDIA.png

Fonte da imagem:  https://www.facebook.com/photo?fbid=10221807646014045&set=gm.2932733470304482

 

Mas o pior, o pior de todos os piores, é o que SS diz a respeito do ensino desta mixórdia ortográfica às nossas crianças: «o acordo ortográfico é uma convenção ao abrigo do qual hoje em dia milhares de crianças aprenderam a escrever na escola e julgo que também devemos respeitar os interesses dessas crianças e tudo o que fizemos

 

Como disse?????

 

Primeiro: o AO90 foi imposto ilegalmente nas escolas, onde milhares de inocentes crianças/cobaias estão a ser enganadas e a DESAPRENDER a escrever correCtamente a Língua Materna delas, nas escolas, com a cumplicidade de professores, que se acobardaram e nada fizeram para impedir esta violação dos Direitos das Crianças, nas escolas, que deviam ser um lugar de aprendizagem, e não são; e os governantes, que IMPUSERAM ilegalmente a mixórdia ortográfica que os professores “ensinam” nas escolas, NÃO RESPEITARAM os direitos e os interesses desses milhares de crianças/cobaias, muito pelo contrário, esta imposição figura um crime de lesa-infância. E se, na verdade, vivêssemos num Estado de Direito, alguém teria de se sentar no branco dos réus, por este grave crime.

 

Segundo, além de Santos Silva não ter competência alguma nesta matéria, também nada sabe de crianças, pois se soubesse, saberia que as crianças apreendem e desaprendem, para logo reaprenderem com a maior das facilidades. Não queira que elas venham a ser os analfabetos do futuro. E o argumento de elas já terem aprendido a escrever a Língua Materna incurrêtamente, não tem a menor razão de ser, porque é mais fácil aprender uma Língua com regras, do que uma língua sem regras, “aprendida” à balda.

 

Analfabetos do futuro.jpg

Alvin Toffler é um escritor/pensador futurista norte-americano, doutorado em Letras, Leis e Ciência, falecido em 2016. É uma daquelas raras mentes brilhantes, que o Universo, de vez em quando, dá à Luz...

 

Quanto ao respeitar tudo o que fizeram, SS só pode estar a gozar com os Portugueses, porque esse tudo que fizeram foi apenas serem capachos de uma ex-colónia, que se está nas tintas para a Língua Portuguesa, no maior desrespeito por si próprios, e não se respeitando a si próprios, como podem respeitar as crianças e os Portugueses, e ainda pedir que sejam respeitados?

 

Eu nem acredito que um ministro do meu pobre País possa desrespeitar assim tanto as Crianças portuguesas e subestimar a inteligência dos Portugueses pensantes! Não serve os interesses das Crianças, nem de Portugal nem dos Portugueses, por isso, senhor ministro dos Negócios DOS Estrangeiros, deveria ter a dignidade de se DEMITIR, de sair do governo, pelo próprio pé, envergonhado da sua péssima prestração como ministro de Portugal.

 

Para terminar, SS diz o seguinte, como se fôssemos todos muito parvos:

 

- «Mas enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros o que posso dizer é que é um acordo internacional que foi celebrado pelas autoridades competentes, um Governo propôs a sua aprovação, uma Assembleia da República aprovou, um Presidente da República ratificou, cumpre ao ministro dos Negócios Estrangeiros verificar que o país respeita esse acordo.»

 

***

Diga-se antes como ministro do Negócio da Língua,  o que diz ser um acordo internacional não passa de uma falácia que autoridades portuguesas incompetentes celebraram;  que um governo incompetente e irresponsável, e uma Assembleia da República, ainda mais incompetente, irresponsável e desinformada, aprovaram, à ceguinha; que um presidente da República, que nem sabia o que estava a fazer, ratificou; e que um ministro dos Negócios DOS Estrangeiros, que indevidamente se apropriou da Língua Portuguesa, pondo-se ao serviço de uma ex-colónia, a mercadejou como se de uma mercadoria regateável se tratasse; e ninguém, com um neurónio a funcionar, respeita este “acordo”, porque este acordo NÃO É PARA RESPEITAR, tão-só para DESPREZAR, até porque nenhum país o aplica, a não ser os muito servis e ignorantes acordistas  portugueses.

 

Posto isto, obviamente, o AO90 é para NÃO CUMPRIR.

 

Porque em DEMOCRACIA o Povo é quem mais ordena, ou não foi para que o POVO mais ordenasse que se fez Abril?  E os milhares de opositores do AO90 são esse Povo que ordena ser urgente acabar com esta prepotência, digna apenas de uma vil e repulsiva autocracia.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
partilhar
Terça-feira, 6 de Abril de 2021

E por falar em AO90: «em cada dia que passa, fico mais revoltada e perplexa com a imbecilidade que invadiu Portugal»

 

RUI BEJA.png

 

Todos o dizem. Mas onde estarão esses “todos” que, subitamente, desapareceram do mapa da contestação? Já depuseram as armas? A guerra, ainda não a ganhámos, há muitas batalhas ainda por vencer, e os guerreiros, já depuseram as armas?

 

***

A citação do título desta publicação, é da minha amiga Idalete Giga, uma livre-pensadora que, tal como eu, não tem medo de dizer alto o que pensa. E uma mulher que pensa é uma mulher livre, até quando a atiram para as fogueiras ateadas por tiranos.

 

Corroboro tudo o que Idalete Giga diz acerca do maldito (des)AO90, numa troca de ideias que tivemos:

 

«Sempre me causou uma grande perplexidade a obediência cega de editoras, jornais, revistas, panfletos sobre tudo e mais alguma coisa, literatura médica, com péssimas traduções e erros execráveis, os lambe-botas dos canais de Televisão que enojam qualquer cidadão consciente do que é a sua Língua Materna, etc., etc.. Sim, o AO90. Este Linguicídio trágico não pode ter qualquer futuro. Uma revisão do mesmo é pior a emenda que o soneto. O que merece tal desastre linguístico é o LIXO (!) Socratistas, santanistas, cavaquistas e toda a restante corte de traidores e ignorantes terão de assumir o gigantesco erro que foi o maldito (des)AO90. No nosso País, tudo é possível, minha amiga. Em cada dia que passa, fico mais revoltada e perplexa com a imbecilidade que invadiu Portugal e, infelizmente, talvez a maioria do povo português.» (Idalete Giga)

 

Pois também eu fico revoltada e perplexa com a imbecilidade que por aí anda, como se fosse dona do mundo, amiga Idalete. E a imbecilidade é um vírus tão pernicioso como qualquer vírus da família corona.

 

E quem podia fazer alguma coisa para evitar todo este desaire, ao redor da Língua, escudou-se e continua a escudar-se na falsa obrigatoriedade da sua aplicação, ou na do ser penalizados, optando por ser cúmplices e não opositores.

 

E as revoluções não se fazem sem resistência e sem perdas, se bem que, neste caso, nada tivessem a perder, muito pelo contrário, só teriam a ganhar.

 

Os professores, os únicos que tinham a faca e o queijo na mão, para impedirem o avanço da epidemia ortográfica, que, indesejavelmente, está a assolar a Língua Portuguesa, elegeram o lado errado da História, e nela ficarão como os aliados submissos da destruição da nossa Língua, numa época em que foi mais importante obedecer do que lutar pela nobre missão de ENSINAR. Algo imperdoável.

 

No entanto, ainda vão muito a tempo de reverter a situação.

 

Basta gritar: BASTA de tanto desacerto!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:22

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Quinta-feira, 1 de Abril de 2021

Ao cuidado da classe docente portuguesa: qual o DECRETO que obriga os professores a ensinarem os seus alunos a escrever “incurrêtâmente” a Língua Materna deles?

 

Muitas e variadas vezes deparo-me com professores a dizerem que são OBRIGADOS a adoptar o AO90, porque não têm outro remédio, não têm outra opção, senão OBEDECER, etc., etc., etc..

 

Obedecer a quê?

 

São obrigados como? Quem os obriga? Baseados em qual Lei? Sim, porque só somos obrigados a alguma coisa através de um Decreto-lei. Ainda assim, se essa lei for contrária às nossas convicções éticas, humanísticas, filosóficas, religiosas, temos o Direito à Objecção de Consciência, consignado no n.º 6 do artigo 41 da Constituição da República Portuguesa (CRP), que permite a um cidadão NÃO cumprir determinadas “obrigações”; e, pelo mesmo motivo, temos ainda o Direito à Resistência, consignado no Artigo 21, da mesma CRP. Mas isto aplica-se quando EXISTE uma Lei que obriga a determinada obrigação legal

 

O que não é o caso do AO90. Quando NÃO existe lei, estes direitos são ainda mais direitos.

 

Nesta questão do AO90, NÃO EXISTE lei alguma que obrigue os professores a ensinarem os alunos a escrever incorretamente (lê-se obrigatoriamente “incurrêtâmente”) a Língua Portuguesa, a que, de facto e de direito, identifica a Nação Portuguesa, a nação-berço dos alunos portugueses, e a qual vem consignada na Constituição da República Portuguesa, que o Presidente da República tem o DEVER de defender, e é o primeiro a descartá-la.

 

Comecemos por ler atentamente o que nos dizem sábios JURISTAS:

 

Carlos Fernandes.png

Sebastião Póvoas.png

Paulo Saragoça da Matta.png

 

Portanto, o AO90 além de ser INCONSTITUCIONAL, é ILEGAL e NÃO ESTÁ em vigor, nem em Portugal, nem em parte alguma.

 

O problema é que os professores NÃO estão para se incomodar, e muitos são chantageados com a ameaça de penalizações, que os fazem recuar na afoiteza.  Contudo, se os professores se unissem e se recusassem obedecer a uma “ordem” ( = Resolução do Conselho de Ministros) que não faz lei, e não existindo lei, algum governo teria o atrevimento de penalizar, em bloco, os professores que se dispusessem a lutar pela NOBRE missão de ENSINAR?  

 

E ainda que fossem penalizados! Como se pode viver com a consciência do dever cumprido, depois de andar por aí a “ensinar” os estudantes portugueses, que têm o DIREITO a um ENSINO DE QUALIDADE, consignado na CRP, a escrever incurrêtâmente a Língua Materna deles, obrigando-os a usar uma mixórdia ortográfica, imprópria para consumo de seres instruídos?

 

Contudo, ainda que existisse uma lei que obrigasse a aplicar o AO90, (garantidamente INJUSTA), por substituir a ortografia portuguesa, por uma vergonhosa mixórdia ortográfica, apenas para fazer o jeito a políticos incompetentes, irresponsáveis, servilistas e eivados de prepotência, e a editores mercenários, não teriam os professores o direito de RESISTIR, por não ser da Ética Profissional andar por aí a enganar os alunos, chamando Português ao MIXORDÊS, oriundo do AO90, que os obrigam a escrever?

 

Não me agrada nada dizer isto, mas isto, além de ser voz corrente, é também a minha voz: o que falta aos professores é BRIO PROFISSIONAL, e vontade de se inteirarem dos seus direitos, porque NÃO SÃO OBRIGADOS a ser cúmplices da injustiça cometida contra crianças e jovens portugueses.

 

Mandela.png

 

Se queremos ser justos, acima de tudo, não teremos de ser LIVRES? 

 

Henry david Thoreau.png

 

Para sermos livres, não teremos de ser CORRECTOS?

 

Gandhi.png

 

Se queremos viver de acordo com a nossa consciência livre, justa e correcta, e exercer, plenamente, o nosso direito de cidadania, não teremos o DEVER de desobedecer a uma ordem prepotente, digna apenas de ditadores, e que está a lesar gravemente o Ensino em Portugal, e a gerar os analfabetos funcionais do futuro?

 

Poderão os professores viver com o peso desta responsabilidade às costas?

 

Luther King.png

 

Para consulta (obrigatória) deixo aqui este link, onde Portugueses cultos dizem de sua justiça, acerca do monumental erro que foi a criação do AO90, mas mais do que a criação, foi a aplicação ilegal, inconstitucional e unilateral do AO90, porquanto apenas Portugal, servilmente, cedeu à monumental ignorância acordista.

 

Neste link, existem mais dois links, que conduzem ao que Brasileiros cultos e Africanos cultos, de expressão portuguesa, pensam acerca do AO90.

 

O que os portugueses cultos pensam sobre o Acordo Ortográfico de 1990

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:06

link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
partilhar
Domingo, 14 de Março de 2021

Ninguém, em Portugal, tem o direito de exigir que se escreva uma Tese de Mestrado aplicando a mixórdia ortográfica ILEGAL, que dá pelo nome de AO90

 

De uma mestranda, recebi o e-mail que aqui reproduzo, com a resposta que lhe dei.

 

É preciso desfazer mitos.

 

É preciso desmascarar os predadores da Língua Portuguesa.

 

É preciso pôr os pontos em todos os is do inútil, do inconstitucional, do ilegal, do imbecil, do incongruente, do indecifrável, do ignaro, do ignóbil, do irracional, do injusto, do impreciso, do impraticável, do improcedente, do improvisado, do impróprio, do impugnável, do inaceitável, do  inaplicável, do incoerente, do incómodo, do irritante, do inconcebível, do inconspícuo, do inconsistente, do incorrecto, do ineficiente, do inexacto, do inacreditável, do inaceitável, do ignominioso, do infame, do injustificável, do inoportuno, do insano, do insultuoso AO90.  

 

António Machado Pires.jpg

 

Cara Isabel

 

Muito obrigada pela sua exposição, no blogue da sapo, sobre a irrazoabilidade do novo acordo ortográfico. 

 

Concordo plenamente consigo, mas vou mais longe... Acho-o perigoso.

 

Perigoso porque segue a senda do facilitismo (preceito comum ao nosso ensino hodierno). Não interessa saber expressar uma opinião, correcta e coerentemente, interessa debitar palavras, sem risco de cometer uma gafe. Interessa mitigar fronteiras para que possamos acolher os nossos irmãos transatlânticos, sem que eles tenham a pesadíssima tarefa de se adaptar a uma língua estranha e mística (falhou este intento, visto que conheço brasileiros que não entendem o "nosso" português falado).

 

Na altura da transposição falavam do perigo eminente da morte da língua portuguesa?! Não somos nós 10 milhões de cidadãos para a continuar a falar e a cuidar? Ou terá sido lobbying das editoras que poupam nos custos de terem de fazer uma edição para Portugal e outra para o Brasil entenda o português que (não) fala?

 

Mas divago.... A razão de lhe escrever é a de indagar se sabe porque razão a iniciativa popular foi "abafada". Eu só com o seu artigo tomei conhecimento da dita.... Com muito pesar meu, pois acredito que cometemos um crime ao deixar que a moda se instalasse.

 

Estou a preparar a minha tese de mestrado (em ramo do direito- ramo por excelência tradicionalista), e exigem ser aquela escrita segundo o AO. Barbaridade.... Vou evocar objecção de consciência e apresentar a dita em português... De Portugal... Tal como me foi muito bem ensinado, desde a escola primária e que tanto prezo. Vou receber represálias, mas... Fico de consciência limpa.

 

Muito, muito obrigada por, passado tanto tempo desta incongruência ter sido cimentada, continuar a lutar pelo que é a real língua portuguesa.

 

Com votos de elevada consideração e estima

 T. F.

 

***

Cara T. F.,

 

Agradeço a sua mensagem.

 

Começo por dizer-lhe que concordo consigo: o AO90 é perigoso, em todos os sentidos.

 

E nada tem a ver com a falsa intenção de unir Portugal e Brasil através da Língua, porque até o mais analfabeto dos cidadãos sabe que jamais isso seria possível. Aqui a questão é meramente política. Não, uma política elevada, obviamente, mas uma política da mais rasteira. Muito, muito rasteira.



E nem sequer também nasceu para pouparem os custos de terem de fazer uma edição para Portugal e outra para o Brasil, porque o que se publica em Portugal não circula no Brasil, e o que se publica no Brasil não circula em Portugal.

 

É tudo uma monumental falácia para enganar os ceguinhos.

 

Pois o que tenho a dizer-lhe quanto à razão de a iniciativa popular estar a ser “abafada” é o seguinte: a política vigente é a do quero, posso e mando, ainda que viole a lei. O Parlamento está a violar a Lei que rege as ILCs, bem como está a violar a Constituição da República Portuguesa quanto à aplicação ilegal e inconstitucional do AO90, referida por TODOS os juristas, que já se debruçaram sobre o assunto.

Mas, nesta ditadura socialista, disfarçada de democracia, em que Portugal vive, os que governam têm o privilégio de violar tudo e mais alguma coisa, sem que se sentem no banco dos réus, porque se algum dia a JUSTIÇA portuguesa decidir cumprir a LEI, e culpar os governantes envolvidos nesta FRAUDE, chamada AO90, o Parlamento é capaz de mudar a Lei, a favor deles, como o querem fazer, por exemplo, na questão do aeroporto do Montijo. Os pareceres, em ambos os casos, são TODOS negativos, mas o que importa, se são eles que têm a faca e o queijo na mão, até para mudarem as leis, se as leis não lhes convierem?

 

Nesta questão do AO90, comentem-se vários crimes.  Entre eles:

 

1 - O primeiro, e o mais grave, é o Crime de Lesa-Infância, ao obrigarem as nossas crianças a “aprenderem” uma mixórdia ortográfica ilegal, que nada tem a ver com a Língua Materna delas.

 

2 – O segundo, é o Crime de Lesa-Língua, ao substituírem a grafia portuguesa, pela grafia brasileira, com objectivos obscuros e impraticáveis, e acrescentando-lhe vocábulos desenraizados da Língua-Mãe, transformando-a na maior mixórdia linguística do Mundo.

 

3 – O terceiro, é o Crime de Lesa-Pátria, ao destruírem a Língua Portuguesa, vector de Identidade Nacional e Património Cultural Imaterial do nosso País, empurrando Portugal para a perda da Soberania Nacional, uma vez que o português acordizado, abrasileirado e amixordizado, que por aí circula, já não nos identifica, nem nos representa.

 

Daí que, cara T. F., ninguém, em Portugal, tem o direito de exigir que escreva a sua Tese de Mestrado na mixórdia ortográfica ILEGAL, que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990.

 

A T. F., como cidadã portuguesa, tem o direito de escrever a sua Tese na sua Língua Materna original, e não conforme a ortografia amixordizada que lhe impingiram, inconstitucionalmente. 

 

Se a importunarem, quando apresentar a sua tese correCtamente escrita, peça que lhe mostrem a LEI que a obriga a escrever segundo a cartilha do AO90, tendo em conta que Lei NÃO É a Resolução do Conselho de Ministros 8/2011, 2011-01-25 que, ilegalmente, determinou (não OBRIGOU, porque apenas uma LEI OBRIGA) a aplicação do AO90.

 

Obviamente que poderá evocar a objecção de consciência e o direito à resistência, ambos direitos consignados na Constituição da República Portuguesa.

 

Há muitos mestrandos que se opuseram a escrever incorrectamente a sua Língua Materna, e nada lhes aconteceu, porque, na verdade, não existindo Lei que a tal obrigue, quem se recusar a aplicar a grafia ilegal, está a cumprir a Lei, ou seja, o Decreto 35.228, de 8 de Dezembro de 1945, vigente em Portugal, porque não foi revogado. E só uma lei revoga outra lei. Não uma RCM.

 

Por fim, quero dizer-lhe que esta incongruência não foi cimentada, como refere. Parece que foi, mas não foi. Há milhares de Portugueses, não só em Portugal, como por esse mundo fora, a manter intacta a Língua Portuguesa, porque a Língua Portuguesa NÃO É a mixórdia que circula na Internet, nos rodapés dos telejornais, nas legendas dos filmes que passam na televisão, nas traduções de livros acordizadas, nem nas obras de escritores acordistas, nem aquela linguagem que as nossas crianças estão a (des)aprender nas escolas, criminosamente.

 

Essa é a mixórdia linguística portuguesa, apenas usada pelos seguidistas, pelos servilistas, pelos comodistas, pelos acomodados e pelos ignorantes optativos de Portugal. 

 

 

A Língua Portuguesa está preservada com os muitos, muitos milhares de Portugueses LIVRES que a escrevem correCtamente, e que a ensinam aos mais novos. É o que também faço com os meus netos, que aprendem acordês e Inglês na escola, e Português, em casa. E sabem que o acordês é para esquecer, quando tiverem idade para dizer NÃO!

 

Mas até lá, cara T. F., o mundo dará muitas voltas, e os predadores da Língua Portuguesa, numa dessas voltas, cairão no chão, atacados pela putrescência dos seus actos ignaros, e o AO90 será finalmente atirado para o caixote do lixo.

 

Com as minhas saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:46

link do post | comentar | ver comentários (3) | adicionar aos favoritos
partilhar
Sexta-feira, 27 de Novembro de 2020

«A Língua é o Sangue de uma Cultura»

 

Quem o diz é o filólogo e escritor J.R.R. Tolkien, autor da saga «O Senhor dos Anéis», no filme “Tolkien”, baseado, como o nome indica, na sua vida.

E quem sou eu para desdizer Tolkien?

 

Daí que, com este texto, não só pretendo demonstrar que a Língua Portuguesa é o Sangue da Cultura Portuguesa, que está nas mãos de predadores e dos ignorantes que acham quo o AO90 é um instrumento de evolução da Língua, quando não passa de uma guilhotina ferrugenta, que está a levar à morte a nossa amada Língua Materna; como também justificar a minha luta em prol da Língua, porque se não tenho o talento de Tolkien, tenho a mesma paixão que ele tinha pelas palavras, e custa-me ver a ignorância moldada à grafia que políticos complexados e apedeutas impingiram aos Portugueses.

 

Tolkien era um apaixonado por idiomas. Para ele, primeiro vinha a Palavra, depois a história. Para mim, também.

 

Tolkien.jpg

 

A sua paixão pelas palavras levou-o a criar várias Línguas. E, para ele, «uma Língua bonita deve ter um alfabeto elegante», e, por isso, criou alfabetos elegantes para as suas Línguas.

 

Eu acrescentaria que para além de um alfabeto elegante, uma Língua bonita deve ter palavras elegantes, ou seja, palavras não-mutiladas. Tolkien diria exactamente isto, se as palavras, das suas amadas Línguas, fossem mutiladas por ignorantes, como a Língua Portuguesa foi.


Fascinado pela Linguística, desde criança, era dotado para Línguas antigas, que lhe serviram de base para o seu célebre Idioma Élfico.

 

Então, criou um mundo fantástico onde as suas Línguas fantásticas pudessem ser faladas.

 

A dada altura no filme, ele diz a um Professor, quando tentava persuadi-lo a frequentar a sua aula «a Língua é o sangue de uma Cultura», algo que tocou a alma do Professor e o levou a aceitar Tolkien como seu aluno.

 

Já sabíamos que «a língua de um povo é a sua alma», citando o filósofo alemão Johann Gottlieb Fichte.

 

E que povo será o português que “injeta” (injêtâ) no próprio sangue (a Língua) substância deteriorada, e açoita a própria alma com “ações” (âções) iníquas?

 

A legendagem deste filme, como é hábito dos canais TVCine, é absolutamente péssima. A alturas tantas, levamos um bofetão com o rapaizinho que era Tolkien, quando perdeu a Mãe.

 

Devo dizer que não estranhei ver aquela palavrinha ali, uma palavrinha que tantas vezes ouvi, no Brasil, porque é assim que, lá, o povo menos instruído fala, sabendo como sabemos (ou pelo menos deduzimos pelas construções frásicas e vocabulário) que as legendas estão entregues a mão-de-obra barata e desqualificada vinda do outro lado do Atlântico. Por vezes até nos apetece quebrar o televisor. BOLAS! Estamos em Portugal!

 

Conclusão: tudo isto para dizer que a Língua de um País não deve jamais ser “administrada” por políticos ignorantes, por “linguistas” com segundas intenções e por editores mercenários. E também para dizer que, no mundo, há pessoas como Tolkien, para quem a PALAVRA vem primeiro, e só depois a história.

 

A Língua é o sangue de uma Cultura. Grande verdade! E as Culturas morrem quando esse sangue é afectado por doenças malignas, no caso da Língua Portuguesa, pelo AO90.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:54

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Segunda-feira, 2 de Novembro de 2020

Senhores governantes, há que cobrar multas por cada calinada nas legendas televisivas (e não só) fruto da ignorância, desleixo, falta de brio profissional ou coisa pior?

 

Elas são tantas que a verba recolhida daria para montar um hospital inteiro, com todos os apetrechos necessários para combater o outro vírus que anda por aí, também a atormentar os Portugueses que se prezam de o ser.

Vejam a enxurrada de calinadas que se segue (e isto é uma percentagem minimíssima do que por aí vai) e digam se estamos num País onde o ensino da Língua Materna é qualificado. As calinadas acordistas também entram no rol,  uma vez que a grafia que está em vigor, em Portugal, é a de 1945.  

Ou isto não terá nada a ver com o ensino, mas sim, com uma directiva emanada de algures, para que a Língua Portuguesa seja tratada abaixo de lixo?

Isto é uma vergonha. Algo que que só existe em Portugal.

Isabel A. Ferreira

 

excessão.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10214657548710933&set=gm.3043835909053178&type=3&theater

 

EXCESSÕES.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10220865285173546&set=gm.2801792830065214&type=3&theater&ifg=1

 

MIXÓRDIA.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2143739485761215&set=pcb.2143739555761208&type=3&theater&ifg=1

Exeções.png

(As palavras acordizadas são consideradas erros ortográgficos, uma vez que é a grafia de 1945 que está em vigor, em Portugal).

 

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10220884692498717&set=gm.2804125736498590&type=3&theater&ifg=1

LANÇÃO.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3584238184962125&set=gm.2805757513002079&type=3&theater&ifg=1

 

PUDER.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10221412257108868&set=gm.2802902686620895&type=3&theater&ifg=1

 

VIAGEM.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10220907161860437&set=gm.2807427782835052&type=3&theater&ifg=1

 

 

SANGUÍNIA.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10159155504402806&set=gm.2804934926417671&type=3&theater&ifg=1

 

Hemorregia.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10219880538629252&set=gm.2801634406747723&type=3&theater&ifg=1

 

FIÇÃO.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3626715847346583&set=gm.2801015696809594&type=3&theater&ifg=1

 

BAISHA.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2655706094679816&set=a.1378004505783321&type=3&theater&ifg=1

Falta de preposição.png

Isto é o linguajar brasileiro, que pegou moda em Portugal. Acabaram com as preposições, para poupar  na saliva e espaço.

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4646440545427165&set=gm.2797270077184156&type=3&theater&ifg=1

 

Enchada.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10219849140044307&set=gm.2797737150470782&type=3&theater&ifg=1

 

CONCERTOS DE CARROS.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1932563970244738&set=gm.2799164946994669&type=3&theater&ifg=1

 

PUDER.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4633163706754849&set=gm.2794653837445780&type=3&theater&ifg=1

 

SENTIS-TE.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3678853318799577&set=gm.2792772947633869&type=3&theater&ifg=1

INTENSÃO.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10219803157654776&set=gm.2791743241070173&type=3&theater&ifg=1

 

MANDATO.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4370765946273094&set=gm.2788529558058208&type=3&theater&ifg=1

 

CÁSSICO.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3384094158324155&set=gm.2789936047917559&type=3&theater&ifg=1

 

CÁSSICO1.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3569971029692289&set=gm.2789929677918196&type=3&theater&ifg=1

 

LÚDIGO.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/municipiodecastelodevide/photos/a.143678042361368/3652448204817650/?type=3&theater&ifg=1

 

PORLIFERA.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10221276218512289&set=gm.2782728558638308&type=3&theater&ifg=1

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:19

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Terça-feira, 8 de Setembro de 2020

É preciso responsabilizar o Estado português pela difusão caótica da Língua a que chamam “portuguesa”

 

É desonroso para Portugal. Uma autêntica vergonha. Um verdadeiro insulto à dignidade daqueles Portugueses que nasceram Portugueses, e um desprezo total pelas indefesas crianças portuguesas, que têm de levar com a mixórdia em que se transformou a Língua Materna delas, sem poderem protestar.


Por que estou tão indignada? Eu conto-vos.

Comecem por observar esta imagem.

 

VÊM.png

 

O que VÊEM na imagem é um táblete, pertencente à minha neta. Ela andava a fazer uma pesquisa e deparou-se com um vídeo (aquele para você diz da sua proveniência) sobre como as crianças vêm determinados objectos. Ela achou o conteúdo interessante e veio mostrar-me.

 

Foi então que me deparei com a imagem que me apressei a fotografar. E perguntei-lhe se ela via ali alguma coisa mal escrita. Não via. Pedi-lhe para ler alto: «Como as crianças vêm (uma cama)» pronunciando “vêem”.

 

Então, aproveitei e escrevi numa folha de papel a frase como as crianças vêm para a escola, a pé ou de autocarro? E ela leu alto a frase e leu o vêm correctamente.  E foi então que se fez o clique, e ela automaticamente disse que o vêm no táblete estava errado. Pois estava.

 

Uma criança que não esteja atenta (e não é obrigatório estar, porque, em princípio, TUDO o que é escrito para elas lerem DEVE estar correCtamente escrito) de tanto VER as palavras escritas incorreCtamente, nem se dão conta de que estão incorreCtas, e começam a escrevê-las incorreCtamente também.

 

O que se passa ao nível da escrita (e já agora da oralidade também, pois como se pronuncia mal tantas palavras, por aí, senhores ministros e senhores doutores incluídos!) é de bradar aos céus! E assim como uma mentira repetida muitas vezes, transforma-se em Lei, uma palavra mal escrita (ou mal pronunciada) repetida constantemente torna-se regra.

 

E é um português” super super super maltratado que corre pela Internet, pelo YouTube, por todas as redes sociais, em todas as pesquisas que as crianças fazem no que elas pensam ser “português”, pelas legendas dos filmes, pela legendas de todos os canais televisivos, nos manuais escolares, nos jornais, nas revistas, nos livros infantis…  

 

E se o Estado português fosse um Estado brioso, digno de ser chamado ESTADO PORTUGUÊS, e cobrasse uma multa de 500 Euros, no mínimo, por cada erro ortográfico (aqui incluídos os da grafia portuguesa, os da grafia brasileira e os da grafia acordizada, a tal mixórdia ortográfica) e por cada frase mal-amanhada, os Portugueses não precisariam de pagar impostos, porque as multas dariam para saldar todas as despesas e dívidas do País, e ainda poderia fazer-se um PPPF (Plano Poupança Para o Futuro).

 

Tal a miséria ortográfica que corre por aí!

E, parafraseando o Dr. António Bagão Félix, não haverá, no plano político e institucional, uma alminha que erga a voz para, ao menos, contestar esta pouca-vergonha?

 

Não, não há. Quando o representante máximo do Estado Português, Marcelo Rebelo de Sousa, escreve uma carta aberta usando a grafia brasileira (*), ainda que não tenhamos de dar como perdida esta luta contra este ultraje à Língua Portuguesa, porque Marcelo não será eterno no Poder, temos de reconhecer que enquanto os vendilhões da Pátria estiverem ao serviço dos que a querem ver extinta, a Língua Portuguesa continuará a ser espezinhada, maltratada, humilhada, e as nossas crianças a serem vilmente enganadas.

 

E isto é aterrador? É. Mas temos uma oportunidade única de virar o bico a este prego nas próximas eleições presidenciais: se nós quisermos, só se sentará no trono do Palácio de Belém quem se comprometer a devolver a Portugal a sua dignidade ortográfica, para que possamos recuperar a nossa identidade portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

(*) O acordês do PR pode ser consultado neste link:

https://www.publico.pt/2020/09/08/politica/cronica/carta-aberta-vicente-jorge-silva-1930814?utm_source=notifications&utm_medium=web&utm_campaign=1930814

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:18

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2020

«São contra o novo Acordo Ortográfico?» Então leiam este texto e ficarão mais contra ainda...

 

Depois, ponham mãos à obra e lutem contra a destruição da NOSSA Língua Portuguesa.

Não permitam que nos façam passar por parvos!

 

Tinha o texto, que abaixo transcrevo, da autoria de Amadeu Mata, entre muitos outros textos que me vão chegando, a modos que esquecido.  

 

E atenção! Quem vir racismo ou xenofobia neste texto, tenha a certeza de que sofre de uma cegueira mental bastante acentuada e desconhece, por completo, o significado de racismo e de xenofobia!

 

Este é um texto que reduz o AO90, os acordistas e os seus apoiantes, a ZERO.

Muito bom. Não deixem de o ler.

 

NEGADA.jpg

 

Por Amadeu Mata

 

«A Língua Materna agradece!»

 

«Para quem acha que o Acordo é bom, ficam aqui algumas razões:

 

1 - É apenas o 1º de mais acordos que se seguirão, já se diz até que este será insignificante. Se prosseguir, outros virão. O que virá nos próximos? Se falam e escrevem "tu quer" e nós “tu queres”, um dia falaremos igual. Entre outras coisas lol.

 

2 - O "C" de Directo serve para algo. Para os Brasileiros é mudo. Eles acentuam todas as sílabas como os Espanhóis.

Nós não precisamos de ter o "C" para nos dizer que "directo" é lido como "diréto", senão seria como coreto ("corêto"), cloreto ("clorêto"), luneta ("lunêta"), não dizemos "lunéta" nem "cloréto" nem "coréto" não é? Vamos ler "direto" como? "dirêto"?

Enfim, o "C" serve para algo cá, no Brasil não, mas cá serve.

Ou sem o “P” em Baptismo ficar “bâtismo” como “batida” já que é o “P” que abre a vogal? Será melhor em vez desta regra do “C” e “P” dizermos antes às crianças e estrangeiros que têm de decorar uma lista de centenas de palavras de excepção onde se deve ler “Á” sem ter o “P” ou “C”, etc, ou mais fácil ensinar a regra do “P” e “C”?

 

3 - Vai ser bonito falarmos Egipto com o P e lermos Egito sem o P. Como as crianças aprendem o que é Egipto na escola e não em casa (não andamos a falar no Egipto a crianças de 3 ou 4 anos), irão aprender a falá-lo e escrever como "Egito" sem "P", mesmo que os pais falem com "P" (eu falo o “P” em Egipto, por acaso). Prova de que a escrita alterará a fonética. Depois as criancinhas ao escrever Egipto sem o “p”, irão adivinhar que o habitante local é Egípcio e não Egício.

 

4 - Vamos ensinar um Inglês como? Dizer-lhe «olhe, você aqui lê EGITO mas NESTE CASO específico, fale "EGIPTO" finja que existe lá um "P" imaginário, finja que é como o "EGYPT" do seu país, mas escreva só "EGITO" não tente perceber, o Português é assim! E olhe há egípcios, egiptólogos, tudo tem P, mas em Egipto é EGITO, sem "P"!» - É isto que vamos dizer ao ensinar Português? Obrigá-los a decorar palavras de “excepção à regra”?

 

5 - E que mal tem "pêlo" ter o acento? É mais bonito escrever: "agarrar o cão pelo pelo"?...

 

6 - Não há qualquer desvantagem em existir Português-PT e o dialecto-BR, como há Inglês diferente em UK e USA (doughnut e donut), como com o Espanhol onde "coche" na Espanha será "carro" na América do Sul, etc.. Cá só há desvantagens e custos com o Acordo. Seremos os únicos ex-colonizadores a escrever e falar como a colónia (por algum motivo obscuro). Não nos entendemos assim? Só pouparíamos dinheiro e neurónios.

 

7 - Peçam a um Brasileiro para dizer "Peniche".

Ao falar, notem a palavra que sai, ao tentarem imitar. O Português - PT tem muito mais riqueza fonética e linguística do que o dialecto - BR.

Aprendemos facilmente o dialecto - BR e eles não aprendem facilmente o Português – PT, falta-lhes a prática no range maior de sons da língua portuguesa. Há quem diga que somos os melhores a aprender línguas e sotaques no mundo devido à riqueza da nossa língua.

Vamos aproximar-nos do dialecto - BR porquê?

 

8 - Corretora Oanda, movimenta triliões, é a maior corretora cambial do mundo, traduziu os seus manuais para Português -PT. Isso mesmo, nada de Acordo, nada de dialecto -BR.

Português-PT.

Vamos nós andar a alterar o Português e mostrar-lhes que afinal fizeram a escolha errada? Entre muitas outras empresas.

 

9 - Querem que os livros escolares de 2012/13 sejam já com o novo acordo. As crianças serão ensinadas neste primeiro passo a ler e escrever de forma diferente.

Será assim opcional a mudança como nos querem fazer querer.

A mudança é obrigatória, é imposta nas escolas, já está nos media, etc.

Não podemos escolher continuar como estamos porque daqui a uns anos será mesmo errado.

Os Brasileiros cortam "C" e "P" e podem ler da mesma forma, nós não! Esqueçam a dupla grafia.

O que fazer com a palavra recepção.

Se o “p” desaparece fica receção. O que fazer depois com a palavra recessão, que tem outro significado e que se lê exactamente da mesma forma?

 

10 - O que é que o povo mandou? Inquéritos em que 65% das pessoas rejeitaram o acordo, umas 30% não sabem o que é, e o resto diz que sim? E que salvo erro umas 28 em 30 universidades e editoras consultadas disseram que não? Além de muitos linguistas? Porque é que é aprovado o acordo contra a vontade do próprio povo? Mesmo uma petição com 120.000 assinaturas foi apresentada a 50 deputados dos quais 49 faltaram e uma apareceu e ignorou. Para ir mesmo à Assembleia, só com uma ILC!

 

11 - Os Portugueses devem estar mesmo no fundo. A falar do glorioso povo do passado e ninguém quer saber da língua. Os Espanhóis nunca aceitariam um acordo destes para os obrigar a falar como os Argentinos! Os Bascos, são apenas uns 100.000 ou 200.000 a falar Basco, nunca desistiram até ao fim e agora têm até a língua Basca como oficial no seu pequeno "país". Só o Português é que deixa andar e desleixa a língua e deixa que outros façam o que querem dela...

 

12 - Estamos nós a defender letras como "C" em Directo que realmente são úteis, têm a sua função, e lá fora há línguas que mantêm letras que dizem ser desnecessárias, como "Dupond" ou "Dupont" em Francês o T permanece só porque não é lido, vamos suprimi-lo ? Apagar porquê? É difícil perceber para que servem e por isso cortamos? Agora um espectador passou a espetador = aquele que espéta o quê?

 

13 - Há mais falantes nativos de Inglês mais Espanhol juntos (Espanhol mais ainda que Inglês), que passam de um bilião de nativos, e mais de 2 biliões de falantes não nativos das mesmas, do que os 200 milhões de Brasileiros. Estarmos a afastar a língua de 2 biliões de pessoas para ficarmos mais próximos do Brasil é disparate.

 

Mais uma vez, para facilitar a vida aos Brasileiros, vamos dificultar a vida a quem quer aprender Português lá fora e tornar a língua portuguesa mais obsoleta.

 

Vejam: "Actor" aqui, "Actor" no Latim, "Acteur" no Francês, "Actor" no Espanhol, "Actor" no Inglês, "Akteur" no Alemão, tudo com o "C" ou "K", e depois vêm os Brasileiros com o seu novo: "Ator" (devem ser Influências dos milhões de Italianos que foram para o Brasil e falam "attore").

 

Algumas outras: Factor, Reactor, Sector, Protector, Selecção, Exacto, Baptismo, Excepção, Óptimo, Excepto, Recepção etc, "P", "C", etc. Estamos a fugir das origens, do mundo, para ir atrás dos Brasileiros.

 

14 - Alguém quis saber do resto das colónias que não falam da mesma forma que os Brasileiros? Só ao Brasil é que interessou o Acordo (Portugal foi o único que cedeu).

Tenho amigos Angolanos que dizem falar como o Português - PT e nunca quiseram o dialecto-BR nem o Acordo, não foram consultados! O Brasil quer tornar-se dono da língua portuguesa porque pertence ao G20!?

 

15 - O Galego-Português da Galiza, o da variante da AGLP, é mais parecido com o Português de Portugal neste momento que o próprio dialecto -BR. Os Brasileiros têm alterado a língua sem se preocupar com o resto do mundo, porque é que temos de ser nós a pagar pelos seus erros e prepotência?

 

16 - Sempre odiei instalar um software e ver que vem tudo em Português do Acordo, e fóruns também, em que uma votação é uma "ENQUETE" (sei lá como foram inventar isto), em que um utilizador é um usuário, em que "apagar" é "DELETAR" (do "Delete" Inglês, por incrível que pareça nos seus dicionários), ou Printar, ou etc. Por vezes sou obrigado a utilizar softwares em Inglês para aguentar... Como haverá agora Português-PT e o dialecto-BR ao gosto de cada um, se só existirá um "Português"? Eu quero sites e softwares que entenda e na minha língua e isso SÓ É POSSÍVEL mantendo o português-PT e o dialecto-BR separados! Senão será tudo misturado para sempre! E depois lá vamos nós "enquetar" (votar) e coisas assim (enquetes = votações)...

 

17 - A prova do ponto 16, é que o próprio Google Translator já só tem o "Português" e tudo o que escreverem ficará no dialecto-BR, e até "facto" que ainda não mudará já aparece lá como "fato", é bom que nos habituemos pois será o que virá nos próximos acordos, bem como "oje", "abitação", aja, aver = existir etc.

 

18 - No Brasil mesmo não sofrendo as alterações que temos, há milhões contra o acordo também por coisas insignificantes como a supressão do "trema"!!! Vejam na net!! Nós com alterações brutais, muito contentes sem fazer nada!!!

 

19 - Existirão sempre pseudo-intelectuais em todas as línguas que irão dar a vida pelo acordo (sem querer ofender ninguém), achando que é o ideal, e que salvará o país e que dará emprego ao país, e até que sem isto a Língua Portuguesa morre e haverá uma língua "Brasileira".

 

A variante dialectos-BR nunca poderia ser uma língua independente como "Brasileiro" só pelas alterações que fazem, não há esse perigo, teria de ser radicalmente mudada (nunca acontecerá) de propósito para o efeito. Não inventemos.

 

A variante dialecto-BR nunca poderia ser considerada outra língua.

 

E não deixem que pseudo-intelectuais nos tratem como burros só porque defendemos a língua.

 

São chicos espertos, pessoal de manias ou megalomanias para a defesa do acordo (existirão também pessoas decentes a defendê-lo é certo).

 

20 - Nada impede que haja uma espécie de concordância mais simples em que digam apenas que incluímos palavras deles e nossas num dicionário universal mas SEM IMPOR regras a ninguém. No futuro cada um dos países só alterará a SUA PRÓPRIA variante com acordo dos outros, sem impingir aos outros essas mudanças, apenas para evitar que as mudanças no Brasil possam ir ainda mais longe e arruinar ainda mais o Português das restantes colónias. Nada impede isso.

 

21 - Com o Português unido, como ficará a bandeira oficial? Já se vê por todo o lado a bandeira do Brasil no Português, mas se tivesse Brasil para o dialecto-BR e a Portuguesa para Português-PT, ainda era aceitável, apesar de sabermos que só há uma bandeira oficial que é a Portuguesa, mas é difícil impedir o patriotismo Brasileiro, com tudo unido, haverá a tendência das empresas adoptarem a bandeira do país que tem mais população, o Brasil. Então as variantes da língua?

 

22 - Cada vez que me lembro que lá se escreve "mais" em vez de "mas" porque falam no fundo "mais" com o sotaque têm a tendência de passar para a escrita a forma como falam.

Em futuros acordos seremos obrigados a escrever também: "eu fui lá MAIS não vi ninguém".

Há a tendência de se escrever como se fala.

“Presidenta” está nos dicionários, só falta transformar o “Presidente” em “Presidento”, era só o que faltava...

 

Há muito tempo que o Brasil anda a adulterar a língua sem ninguém intervir, e agora ALTERAM A NOSSA!

 

23 - Existem formas de travar este acordo!

Petições ou clicarmos num LIKE no Facebook não fazem nada. Há uma ILC em movimento que será entregue em breve, prazo final para impedir esta desgraça.

Porque temos de imprimir um miserável papel e enviá-lo, porque é para a Assembleia, mas quem é que diz ser contra e fica sem agir?

 

Se 20 pessoas assinarem, fica a 2 cêntimos cada o envio dessas assinaturas por correio. É só colocar num marco de correio! Houve uma ILC antes, e entrou na Assembleia, e anulou uma lei de Arquitectura.

 

As ILC's podem ter esse poder. É uma forma do POVO LEGISLAR. Do povo criar leis, e acabar com leis. O Governo fez isto sem apoio de ninguém e nós podemos tentar fazer algo para corrigir. Quem é o Governo para legislar sobre a língua, sem apoio dos letrados e da ciência e academia de letras, ilegitimamente?

 

24 - Há mil outras razões para dizer não ao acordo, mas... para quê? Estas não chegam?

 

25 -Para terminar fica uma frase de Edmund Burke: "Tudo o que é necessário fazer para que o mal triunfe, é que os homens bons nada façam." Neste caso, tudo o que é necessário fazer para que o Acordo triunfe, é que NÓS continuemos à sombra da bananeira, a deixar o tempo passar. Porque o Acordo foi aprovado e se ninguém lutar contra ele, já cá anda.

 

A RTP está a dar um triste espectáculo, faz disso a sua Bandeira.»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:28

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Segunda-feira, 1 de Junho de 2020

Querem festejar o Dia da Criança em Portugal? Festejem com ATITUDES , não com palavras ocas e brincadeiras do dia-a-dia

 

Todos os dias deveriam ser dias para celebrar as crianças, tratando-as com o respeito que elas merecem, e não como se fossem muito estúpidas, que é como os governantes, nomeadamente o Ministério da Educação, as tratam ao impingir-lhes a mixórdia ortográfica (= AO90) que são obrigadas a “aprender”, sem qualquer outra opção, pois, de outro modo, serão cobardemente penalizadas, nas escolas, uma vez que a pretensão é "fabricar" semianalfabetos, para serem cidadãos mais fáceis de subjugar.

 

E isto, além de uma vergonha e desonra para o País, é um colossal insulto e um monstruoso desrespeito pelas crianças.

 

Por isso, excelências, não venham, hoje, Dia Mundial da Criança, pretender, hipocritamente, “celebrá-las”, neste dia, quando são os primeiros a menosprezá-las, pela via infame de as obrigar a escrever e a ler “incorretamente” (“incurrêtâment’”) a própria Língua Materna.

 

Isabel A. Ferreira

 

CRIANÇAS.png

 

Fonte da imagem: http://pt.gde-fon.com/download/photo-frame_parabns_crianas_amigos_alma/567197/6000x4240

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:48

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Outubro 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. «O Acordo Ortográfico de ...

. Diz Santos Silva: “o acor...

. E por falar em AO90: «em ...

. Ao cuidado da classe doce...

. Ninguém, em Portugal, tem...

. «A Língua é o Sangue de ...

. Senhores governantes, há...

. É preciso responsabilizar...

. «São contra o novo Acord...

. Querem festejar o Dia da ...

.arquivos

. Outubro 2021

. Setembro 2021

. Agosto 2021

. Julho 2021

. Junho 2021

. Maio 2021

. Abril 2021

. Março 2021

. Fevereiro 2021

. Janeiro 2021

. Dezembro 2020

. Novembro 2020

. Outubro 2020

. Setembro 2020

. Agosto 2020

. Julho 2020

. Junho 2020

. Maio 2020

. Abril 2020

. Março 2020

. Fevereiro 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

. «Português de Facto» - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. https://www.facebook.com/portuguesdefacto

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. Comentários

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome. 2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas". 3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.

.Os textos assinados por Isabel A. Ferreira, autora deste Blogue, têm ©.

Agradeço a todos os que difundem os meus artigos que indiquem a fonte e os links dos mesmos.
blogs SAPO