... no entanto, ao que parece, o encontro serviu apenas para continuar a empurrar com a barriga um problema que afecta Portugal mais do que outro qualquer país da dita CPLP.
Na Iª reunião Portugal foi representado pela Academia Brasileira de Letras, e isto diz tudo da subserviência de Portugal ao Brasil, não tendo ninguém com capacidade para substituir a Academia de Ciências de Lisboa, que não pôde estar presente nesse encontro.
Já basta o estrago que fizeram até aos dias de hoje!!!!
Errar é humano, mas insistir no erro é INSANO!
Nesta IIª reunião continuou a insistir-se no ERRO.
A notícia, um tanto ou quanto SECRETA [os média portugueses estão proibidos de noticiar tais encontros dos predadores da Língua] está escrita em acordês, e para que os Portugueses saibam como se escreve, em PORTUGUÊS, as palavras que estão assinaladas a vermelho, elas vão correCtamente escritas entre parêntesis reCtos, a verde.
O secretismo destas reuniões diz da má-fé, com que elas são feitas.
Muito, muito lamentável.
Tenha-se em conta as sábias e lúcidas palavras de Constança Cunha e Sá, falecida há dias.

Exactamente, Constança Cunha e Sá.
Descanse em paz, se puder, porque nós cá neste pedaço de terra à beira mar plantado, em que vivemos, temos de continuar a defender a nossa amada Língua, de predadores, dos mais idiotas que existem.
Isabel A. Ferreira
***
A II Reunião do Grupo Multilateral de Reflexão sobre Língua Portuguesa (GMR-LP) do IILP teve ontem, dia 4, início com a presença de representantes de Angola (Ministério da Educação e Comissão Nacional do IILP), Brasil (Academia de Letras do Brasil e Representação Permanente do Brasil junto da CPLP), Cabo Verde (Ministério da Educação), Portugal (Academia de Ciências de Lisboa e Camões - Instituto da cooperação e da Língua/Comissão Nacional do IILP de Portugal), Timor-Leste (Comissão Nacional do IILP e Representação Permanente de Timor-Leste junto da CPLP) e do IILP (Diretor [DIRECTOR] Executivo e Assistente da Direção) [DIRECÇÃO] . Por problemas logísticos, as delegações de Moçambique (Ministério da Educação) e da Guiné-Equatorial (Ponto focal e Coordenador Nacional para Assuntos CPLP) juntam-se à reunião no segundo dia de trabalhos.
Por proposta da Academia das Ciências de Lisboa no decurso da primeira reunião, na cidade da Praia, em 2024, este segundo encontro decorre em Lisboa, na sede da ACL, tendo o seu Presidente, Prof. Doutor José Francisco Rodrigues, salientado, na intervenção de abertura, a sua satisfação pelo acolhimento da reunião, o compromisso da organização, no exercício da missão que lhe cumpre, com a promoção da língua portuguesa através de várias iniciativas e projectos [PROJECTOS] do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa e o balanço muito positivo queefetua [EFECTUA] da colaboração com o IILP, formalizada no protocolo assinado em maio [MAIO], que apresenta já resultados concretos e linhas de trabalho futuras já bem definidas, a que se junta o firme interesse em continuar a colaborar com este grupo de trabalho, em concreto.
Na sua intervenção, o Diretor [DIRECTOR] Executivo destacou o facto de a realização desta segunda reunião, com uma adesão crescente de entidades representativas dos Estados-Membros da CPLP, representar, desde logo, o reconhecimento da pertinência e da oportunidade da criação, em 2024, deste fórum de partilha e de reflexão em torno de matérias de política e gestão linguística de interesse para todos os países, procurando plataformas de colaboração e de articulação que concorram para o melhor cumprimento da missão do IILP, o fortalecimento das comissões nacionais e o enriquecimento de uma agenda para a promoção da língua portuguesa como língua pluricêntrica.
A agenda da reunião, que se estende ao dia 5, compreende três tópicos de discussão (Ampliação das discussões sobre recursos lexicais e ferramentas digitais para a promoção da diversidade e da variação da língua portuguesa; VOC: Estratégias para a ampliação, atualização [ACTUALIZAÇÃO] e gestão do Vocabulário Ortográfico Comum e Tecnologias da língua e variação linguística). Aprofundar temas e reflexões que integraram a agenda da primeira reunião; efetuar [EFECTUAR] o balanço de ações [ACÇÕES] cuja realização decorreu já de recomendações da primeira reunião; articular novas iniciativas conjuntas no âmbito do desenvolvimento de projetos [PROJECTOS] e de ferramentas de promoção da língua portuguesa numa perspetiva [PERSPECTIVA] pluricêntrica figuram entre os principais objetivos [OBJECTIVOS] do encontro.
Fonte:
Esta tentativa de espezinhar a Língua Portuguesa, a Língua de Portugal, só acontece porque o governo português é um governo frouxo e servil, sem coluna vertebral, acolitado pela franja menos instruída e subserviente da população portuguesa.
Podem dizer o que quiserem, nesse Festival Literário da Paraíba, porque digam o que disserem, jamais conseguirão impor essa ideia de que o Português não pertence a ninguém.
A Língua de Portugal seria parida pelo vento, que a todos pertence?
As Línguas pertencem a quem as gera, as estima, as ama, as fala e escreve correCtamente, as defende de predadores políticos, de literatos de meia-tigela e de mercenários.
As Línguas pertencem a quem NÃO tem a pretensão de querer que sejam as Línguas mais faladas no mundo, porque nem sempre as mais faladas são as mais Cultas. O que interessa é que sejam as Línguas que fixam o Saber e o Pensamento dos Povos que as geraram, e não apenas as Línguas com que se comunicam uns com os outros.
As Línguas são o Bilhete de Identidade de cada Povo, e cada Povo é representado por essa Língua que é a sua, e os outros Povos NÃO têm o direito de usurpar uma Língua que não lhe pertence, apenas para tirar proveitos político-jurídico-económicos.
As Línguas podem gerar variantes entre os Povos que as adoptaram, mas não passam disso mesmo: variantes das Línguas-Mães. E essas variantes pertencem apenas aos Povos que as criaram, NÃO sendo da decência humana, significando isto dizer da dignidade e honestidade humanas, e dos preceitos morais e éticos, tentar impingir as variantes aos Povos que geram as Línguas-Mães.
Digam o que disserem no Festival Literário da Paraíba, a Língua Portuguesa pertence a Portugal, é o símbolo Identitário de Portugal, e as variantes geradas pela Língua de Portugal pertencem aos Povos que as criaram.
E esta idiotice de dizer que o Português não pertence a ninguém, só e possível entre os dois únicos países do mundo com mais desinstruídos por metro quadrado. Em mais nenhuns Países do mundo, tal acontece.
Basta desta ignorância aleivosa, porque ainda há esperança para a Língua Portuguesa:

Isabel A. Ferreira

Como pode ver-se, a imagem faz publicidade à TV CINE, em painéis publicitários, à beira da estrada.
Como se não bastasse difundirem ignorância q.b. nas legendas, agora querem que os telespeCtadores sejam espetadores de quê????????
Isto só acontece neste nosso País, sem rei nem roque, onde tudo é permitido, até escrever-se incorrectamente a Língua Oficial de Portugal, a Língua Portuguesa, no meio da rua, para que todos vejam e imitem a estupidez que por aí vai.
Isabel A. Ferreira
Ontem, publiquei neste Blogue o texto Montenegro quer ser o coveiro da Língua Portuguesa. E da Dinamarca, onde está radicado o meu amigo Fernando Kvistgaard, chegou-me o lamento transcrito mais abaixo, por ser também o meu lamento e o lamento de milhares de Portugueses na diáspora, por sabermos todos que o nosso País está a caminhar para o abismo, nas mãos dos irresponsáveis que foram eleitos, NÃO para pugnar pelos interesses de Portugal, mas SIM pelos interesses dos estrangeiros.
Fernando Kvistgaard sente-se profundamente humilhado e decepcionado. E o que mais custa, é ver que estão a destruir a Língua Portuguesa, a Língua que une os Portugueses, dentro e fora de Portugal, a Língua que identifica os Portugueses, a Língua que é o Pilar do Saber e do Pensamento do Povo Português.
Terão os governantes portugueses o direito de humilhar e decepcionar, desde modo tão ilógico, os cidadãos portugueses, sobretudo os que estão fora do País? O que de mal fazem ao País, fazem-no também aos que, longe dele, o sentem como um colo materno, quando a saudade bate à porta da alma.
Não, não têm esse direito.
Isabel A. Ferreira

Lamento de um cidadão português que se despede da sociedade portuguesa com tristeza.
O que veio a lume no Blogue de sábado, 15 de Novembro, sobre como os políticos portugueses tencionam abastardar mais uma vez a Língua portuguesa, chocou-me de tal maneira que, pela primeira vez me sinto humilhado em ter nascido em Portugal, e descender de um povo outrora glorioso, que lutou pelos valores nacionais.
Nasci em Santarém em 1941 onde aprendi, através das lições de História dadas pelo único professor – ex-jesuíta – que conseguiu atear em mim a chama do interesse pela História e a sentir orgulho e respeito pelo passado.
A certo ponto, até vim a sentir-me privilegiado pela minha cidade berço. Quando me senti confortável com o parco domínio da Língua Francesa, passei os meus tempos livres na loja do Turismo, onde tive oportunidade de servir de guia turístico a turistas franceses. Com o que agora me veio ao conhecimento tudo se desvaneceu, entristeceu, revoltou.
Enquanto vivi em Portugal, sempre ouvi dizer que Portugal estava 40 anos atrasado, comparado com outros países mais desenvolvidos. Comecei a viajar pela Europa depois dos 18 anos de idade e, triste, constatei a veracidade de tal observação. Traduzindo-a, vejo a imagem de quem chega tardiamente à estação de caminho de ferro, e corre desesperado ao lado do comboio sem conseguir entrar na carruagem; mas antes a vê distanciar-se sem a esperança de, alguma vez, poder entrar nela.
Portugal, a meu ver, é como um feudalismo que se arroga o título de democracia, onde o povo deixou de pensar, mas segue o carneiro da frente do rebanho com destino ao abismo. A elite é presidida pelo chefe que dá beijinhos a torto e a direito e se expõe disponível a “selfies”. Estranho que ainda ninguém notou que ‘O Rei Vai Nu’ segundo a história do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.
Com esta gota que fez transbordar o somatório das decepções, despeço-me da ‘sociedade portuguesa’ antes que a nave se afunda.
Um abraço amigo de um decepcionado,
Fernando
PS: é com receio de mais decepções que, no entanto, vou acedendo ao Blogue.
***
Nota: quanto a ninguém ter notado que «O Rei Vai Nu», como na história do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, tenho a dizer que eu fui uma das que notou, e até já escrevi algo sobre isso, num texto algures, neste Blogue. (Isabel A. Ferreira)
in Blogue «3P - Portugal País de Patetas»

Montenegro quer ser o coveiro da Língua Portuguesa
As crianças portuguesas em idade escolar podem ter de aprender a sua língua materna com sotaque de uma variante da mesma, se a contratação de professores brasileiros for aprovada por imbecis.
Aug 16, 2025
O anúncio de que um político “português”, Montenegro, pretende “importar” professores brasileiros para ensinar Português na Primária é um sinal mais da choldra de políticos que domina, de forma feudal, um país que se deixa enrolar em todas as tretas.
Afinal, um povo tem os políticos que merece… e este povinho – que não merece a designação de Povo porque de há muito perdeu o sentido do que isso é – tem um Montenegro, que pretende mesmo ser o coveiro maior da Língua Portuguesa. Com o beneplácito de Lula, esse polvo político do Brasil.
Depois dos Cavacos, Sócrates e outros políticos de má fama que este País teve - e tem - de sustentar, se terem comprometido com a hegemónica ambição de Lula da Silva de querer “todo o mundo a falar brasileiro” – uma meta que aparentemente António Costa perfilha, ciumento do sotaque da variante brasileira do Português falada naquele país – é a vez de Montenegro vir dizer que “Nós temos todo o interesse, temos mesmo todo o interesse, em recrutar professores, nomeadamente professores para o ensino primário, o ensino do ciclo básico, do primeiro ciclo” , o que parece ser a forma mais rápida de acabar com o Português. Mata-se a Língua de forma rápida, fazendo com que logo na chegada à escola as crianças comecem a falar… brasileiro. Imagino o que diria Camões se soubesse quão estúpido este outro Luís é! Ou talvez esse seja o plano desta “montanha negra” que ensombrou a política portuguesa.
Para que fique claro: o Português é uma Língua. O que se fala no Brasil é uma variante brasileira do Português. Deixem-se de tretas com a ideia de uma variante europeia do Português e outras idiotices quejandas. O Português é a matriz, o que se fala no Brasil é algo que perdeu a ligação às origens da língua e enveredou por uma senda própria que, por não ter matriz, corta “cês” e “pês” a eito. Como muitos sugerem, e o autor há muito defende, chamem-lhe Brasileiro, Brasilês, o que quiserem… mas não toquem na minha Língua! (...)
Infelizmente, apesar do que esta medida que Montenegro pretende implementar significa para a sobrevivência da Língua Portuguesa – que tantos parecem querer matar – poucos parecem importar-se, porque Portugal é um País de Patetas, de modo geral, havendo mui poucas cabeças pensantes numa população que, sempre avessa à escrita e leitura, mal consegue passar ao papel as suas ideias. E para quem a felicidade está no futebol, centros comerciais, apps de desconto e pouco mais…
A importação de professores Brasileiros para ensinar Português só podia mesmo sair da cabeça de PATETAS – e da corja de políticos e seus sequazes d’aquém e d’além mar, interessados nessa medida, – mesmo se isso significa, além da morte da Língua Portuguesa, um maior desemprego para os professores portugueses… que talvez agora se arrependam de não terem feito frente à implementação – ILEGAL diga-se – do A(b)cordo Ortográfico, quando o podiam ter feito. Tivessem os professores os ditos no sítio para dizer não ao “Abortês” e teriam, agora, menos uma preocupação pela frente. Mas como nem tugiram nem mugiram, salvo algumas excepções, e acataram a ordem de cortar “cês” e “pês” contentes com essa “modernização” simplista da Língua Portuguesa, agora vão ter de engolir mais um sapo.
Afinal, são mais uns PATETAS num reino de PATETAS que engole sapos a torto e a direito. Agora vão ter de engolir mais um sapo, este de Montenegro… a mando de um Lula.
Fonte: https://portugalpaispatetas.substack.com/p/montenegro-quer-ser-o-coveiro-da
“Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.”

É oficial: já não há repercussões, efeitos, consequências, embates, colisões — há impactos. Impactos que impactam. Não se consegue, muitas vezes, divisar se beneficiam, prejudicam, influenciam, mas que importa isso? Importante é a violência sonora e o perfume inglês (língua em que a palavra impact superabunda): os impactos impactam e deixam outros impactados (há quem diga a palavra tão rapidamente, que soa a “empacotados”). As pessoas e as coisas são constantemente impactadas.
Disse “constantemente”? Isso já não se usa. Nada é frequente, ou ocorre frequentemente, nada é comum, ou ocorre comummente, nada é usual, costumeiro, habitual, regular, e os diferentes matizes das palavras, as modulações de significado dos diferentes vocábulos só atrapalham. Papagueemos o que ouvimos a toda a hora (sem sequer haver poupança silábica): tudo é recorrente, tudo acontece recorrentemente. É mais simples. É mais rápido. É mais moderno.
Regressemos ao “impacto”. Não raro, Fulano não tem influência no balneário (entre uma caterva de exemplos) — ele tem impacto no balneário. Não raro, Fulano nem deixa a sua marca — deixa o seu impacto. Ou, como se diz hoje, naquilo que é o balneário. É impressionante. Ou impactante. Whatever!
Em cima disto tudo, ainda temos as aberrações fomentadas pelo espírito do infausto acordo ortográfico (que pouco tem de acordo e de ortográfico) — em 31 de Julho deste ano, podemos ler no Diário da República: “colete de impato e flutuação”. De “impato”. Quem anda frequentemente (recorrentemente, leia-se) atento a estas monstruosidades do acordês já havia encontrado (e denunciado, incluindo em Camilo e Saramago) e ferido os olhos e ouvidos com patos de silêncio, patos de estabilidade, patos com o Diabo, patos com Satanás.
Naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude. Ou como sói dizer-se hoje: dizer que, naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude.
A macaqueação, a redução do léxico, a mecanização da linguagem e do pensamento são metuendas, isto é, creepy, mas nunca desistamos, porfiemos sempre, isto é, sejamos sempre resilientes, pesem embora as baixas expectativas (outra palavra de todas as horas). Afirmar que o expectável não é incrível (leia-se: “maravilhoso”), mas pelejemos. Quem lê este texto poderá pensar que o estado de espírito (o mood, aliás) daquele que burila estas linhas não é incrível, mas, se de ora em diante, tiver os olhos e os ouvidos de vigia, não passará um dia sem tropeçar recorrentemente nestes aleijões. Concentre-se e comprove-o por si. Sentir-se-á overwhelmed.
Concentre-se? Perdão, foque-se. Foca-te, foco-me, o meu foco, o importante é focar de três em três minutos: atente (foque-se, quero dizer) na quantidade de focas e focos (quais animais fêmeos e machos) que ouve e lê por hora. É por essa razão que estou a inventariá-los. Inventariar? Pausa, pausa, pausa. Não se inventaria, nem se lista, nem se enumera — elenca-se.
Nem tudo é mau, porém, porque, nos dias de hoje, há sempre, sempre, sempre janelas de oportunidades para coisas bonitas. Que disse? Também já não se diz assim: para coisas diferenciadas, leia-se. Eis uma palavra que vai invadindo as diferentes áreas do saber e sendo crescentemente utilizada, ou seja, e traduzindo para português hodierno: há uma escalada do vocábulo “diferenciado”. Escalada essa que… vai escalando e escalando. Vivam os automatismos que evitam pensar e perder tempo!
Lembremo-nos sempre: já temos um adjectivo obrigatório para quando morre certa pessoa com determinada exposição mediática — na esfera pública, impõe-se dizer que morreu uma figura incontornável. Lembremo-nos ainda: se não sabemos o que foi, diga-se que foi um evento interessante. Essas duas palavrinhas dão para tudo. São, no fundo, brutais. Ou incríveis. Em suma: são vocábulos que provocam boas vibes.
E, claro, nos diálogos, mormente das gerações mais novas, enxameia-se a linguagem escrita e falada com “imagina”, “tipo”, “é do género”, “basicamente”, e os verbos colocar e partilhar (que deslizou do mundo digital para o dia-a-dia, tal como o pesquisar; já só falta pesquisar se temos as chaves, a carteira e o telemóvel quando saímos de casa).
— Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.
— Tens razão nessa cena, basicamente. Quando coloco a minha atenção nas cenas, tipo, é incrível. Obrigado por partilhares comigo.
Quanto mais familiarizado o leitor estiver com outras línguas (olá, inglês), mais fundamente perceberá que as hodiernas palavras ubíquas são um epifenómeno da globalização linguística.
Fonte: https://www.publico.pt/2025/11/12/opiniao/opiniao/lingua-pau-dias-2154348#
Como sempre, os artigos de Nuno Pacheco geram muitos comentários, uns mais a favor do que outros, e como para esta questão da Língua Portuguesa parece que ainda não se vislumbra o fim, que virá, só ainda não se sabe quando, respigo alguns comentários feitos ao texto de Nuno Pacheco que chamaram a minha atenção, e é sobre eles que me proponho a discorrer hoje.
Mas antes quero dizer isto: Portugal está na cauda da Europa em quase, quase tudo, e também no desleixo que governantes, professores, canais televisivos, alguns escritores, jornalistas e tradutores, e uma massa amorfa de portugueses servilistas, que vão atrás de modismos, apenas porque não sabem pensar por si próprios, dedicam à Língua Oficial do País que servem de um modo bastamente medíocre.
Penso que já era tempo de se deixar de venerar a Ignorância e a Estupidez que grassam por aí, chamando a atenção dos que as veneram para o mal que estão a fazer a Portugal e a si próprios, quando decidem expor publicamente a miséria cultural que os embriaga, ainda que anonimamente, como é apanágio dos cobardes.

O Fernando. Camencelha deu a sua opinião, e a ela tem todo o direito. Porém, na realidade, e tal como disse a Maria do Vieira, o Fernando não tem a noção do que diz.
Limitou-se a repetir o argumento sem pés nem cabeça usado pelos acordistas-mor, para justificar a introdução em Portugal, de uma grafia que não nos diz respeito e jamais dirá. Sabe porquê? Porque enquanto houver no mundo um português, apenas UM português, que se preze de o ser e que respeite os símbolos do seu País, a Língua Portuguesa estará a salvo.
Se em 2125 só houver quatro milhões de portugueses, a Língua Portuguesa será uma Língua minoritária, mas continuará VIVA. O Galego, Língua-gémea do Português, esteve quase a extinguir-se, com a imposição, na Galiza, do Castelhano, e vou citar uma passagem do livro «Historia da Língua Galega», referido no texto que ontem publiquei, contada na primeira pessoa como se o Galego fosse gente: «Ora ben, afortunadamente, mesmo nas peores épocas, sempre contei com defensores entre os galegos, com xente que loitou pola dignificación e defensa da súa fala dentro da Galiza, tradición reivindicativa procedente das classes sociais cultas e que estivo acesa ininterrompidamente até a actualidade». (Pág. 28).
Fiz questão de não traduzir esta passagem do livro, do Galego para Português, porque como Línguas-gémeas, e quem assim as designa são os autores do livro, que português não conseguirá perceber o que aqui está escrito?
Pois o mesmo está a acontecer com o Português, genetriz de muitas Variantes, o qual tem muitos defensores espalhados por todo o mundo, e que também manterão acesa a Língua ininterrompidamente até ao final dos tempos. Graças aos defensores do Galego, esta Língua foi recuperada e hoje é uma das Línguas co-oficiais de Espanha.

Ai o a.galrinho! Escreve em que linguagem? Nem é Português, nem é Acordês, nem é Brasilês. Tem todo o direito de opinar, mas ao menos opine numa linguagem correCtamente escrita, e que se entenda. O a.galrinho quer regressar à linguagem básica, de comunicação apenas. Porém, a função de um Idioma bem estruturado é fixar o Saber e o Pensamento dos Povos. E pobre é aquele que mesmo sabendo as letras, não sabe escrever.

O a.galrinho ou é o protótipo do menino que foi à escola, aprendeu as letras, e depois desistiu, porque não conseguiu aprender mais do que isso, ou é um adulto que, continuando a não conseguir juntar o B com o A, vem para aqui gozar com a Língua. A isto chama-se, como bem disse a Maria do Vieira, ignorância, e uma vez que é ignorante, quer que todos sejam ignorantes também. Há gente assim. O que vale é que também há gente assado.

Martim Joane, isso é que é escrever com estilo! Muito bem.
Quanto ao vocábulo percePção, o Brasil grafa-o, vá-se lá saber porquê, à portuguesa, tal como os Portugueses, mas atenção! a falar, os Brasileiros acrescentam-lhe um i: dizem “pêrrcépição”. Quem escreve perceção são aqueles que não têm a percePção do que é um Idioma, ou seja, são uns requintados ignorantes.
Para que a parvoíce não se espalhe por aí como uma praga, declara-se aqui que a palavra percePção, em Portugal, leva o P, ainda que muitos não o queiram. Porém, como a grafia de 1945 é a que está em vigor “de jure”, a palavra escreve-se com pê., e não adianta dizer que o correCto é escrever sem pê. Eu, por exemplo, pronuncio-lhe o pê, e, neste caso, concordo com os Brasileiros. O mais correCto é, portanto, pronunciar todos os pês e cês não pronunciados, como fazem os restantes povos de Línguas Românicas. Deste modo, os acordistas já conseguiriam escrever correCtamente.

Ó a.galrinho, o documento do acordo ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é uma enxurrada de ignorâncias, de incongruências, de disparates jamais reunidos num só lugar. Um deles, mas há-os aos montes, é o facto de o AO90 ter sido engendrado para unir as ortografias do Brasil e de Portugal. Certo? Veja-se essa união, por exemplo, no artigo 6º do dito documento: «Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam blálábláblá...».
Como é sabido, o AO90 foi gerado e criado no Brasil pelo enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss, para unir as ortografias, ou seja, para que Portugal começasse a escrever à brasileira, porque eles são milhões blábláblá... blábláblá... Porém, eles lá não abdicaram dos acentos circunflexos, em Antônio, Amazônia, topônimos, enfim uma salgalhada dos diabos. Querem enganar quem?????? O documento do AO90, nem para estrumar uma terra infértil serve.
O Pedro Penha é que disse bem: o AO90 foi uma medida colonialista fora do tempo, uma fazedora de analfabetos funcionais, a começar pelos governantes que nos impuseram e continuam a impor tal palermice.

Decididamente o a.galrinho é adepto da simplicidade linguística. Ora isso é um sintoma muito comum entre aqueles que, não tendo nenhuma capacidade para PENSAR a Língua, precisam de a reduzir ao mínimo, para poderem escrevê-la ainda que, mesmo assim, mal.
Uma escrita que se aproxime da fala é a escrita das gentes primitivas.
Não se andou milhares de anos a aprimorar a Linguagem do Homem, para virem agora uns omens que, devido a uma incapacidade atávica, querem recuar a tempos em que se faziam desenhos para que o outro percebesse o que se estava a dizer.
Isto só acontece porque existem dois países no mundo, Brasil e Portugal, com mais ignorantes por metro quadrado. Por este motivo, foram os dois únicos países do mundo que fizeram mais acordos ortográficos, e ainda assim, inutilmente...
Isabel A. Ferreira
Os comentários foram retirados daqui
Introdução:
Porque considero este artigo de Nuno Pacheco de importantíssimo interesse público, até porque destaca certos aspectos que gostaria de esmiuçar, ouso reproduzi-lo neste Blogue, cumprindo todas as regras dos créditos jornalísticos, para que chegue aos leitores d’O Lugar da Língua Portuguesa – um repositório de tudo o que importa acerca da nossa Língua – os quais estão dispersos por 160 países, de todos os continentes, e que vão seguindo e consultando os textos que aqui são publicados.
Espero que Nuno Pacheco não me leve a mal, até porque tem sido um acérrimo defensor da Língua Portuguesa.
As minhas observações estão entre parêntesis rectos [...], em itálico e a negrito.
Regressarei com a Parte II, para esmiuçar os comentários ao texto do Nuno Pacheco.
Isabel A. Ferreira

Em português, se faz favor. Muito bem; mas qual deles?
Quando falamos de língua portuguesa, o que nos divide não são as diferenças; é, infelizmente, e quase sempre, a estupidez.
Sempre que a língua portuguesa vem à baila, seja em entrevistas, textos ou artigos de opinião, avolumam-se leitores e comentários. O que é bom sinal, dada a relevância do tema. Com uma ressalva: seria melhor se não encalhássemos sempre nos dilemas do costume, que são estes: o que é “português certo” e “português errado”, sem olhar às culturas nem às geografias, como se houvesse uma única norma-padrão internacional; e o fantasma do Acordo Ortográfico de 1990.
A primeira frase do título desta crónica é assumidamente decalcada de um muito recomendável livro de Helder Guégués, tradutor e revisor, que nele se ocupa de “questões de regência verbal, ortografia, pronúncia, concordância, formação do plural, modismos e mau uso” do idioma na escrita – já que a fala, como se sabe, é outro assunto e é frequentemente indomável. O prefácio de Fernando Venâncio e o posfácio de Desidério Murcho sublinham-lhe a utilidade e interesse.
Ora este livro, como muitos outros, vem lembrar-nos de que a escrita tem regras e, sim, há erros que é melhor evitar a bem da clareza da comunicação e da saúde do idioma. Posto isto, convém recordar que o português, tal como o conhecemos, tem um percurso no país que lhe deu nome (derivando o nosso idioma do galego e dele se afastando a partir do século XV) e outros, bem diferentes, naqueles aonde chegou por imposição colonial como contraponto às línguas locais.
***
[“Derivando o nosso idioma do galego e dele se afastando a partir do século XV”, diz o Nuno Pacheco. Aqui tenho de concordar com o Henrique Duarte, que num comentário disse o seguinte:
Henrique Duarte
Moderador
«(...) derivando o nosso idioma do galego e dele se afastando a partir do século XV» É errado dizer que o português deriva do galego. O português deriva da língua falada antigamente no Norte de Portugal e na Galiza, a que se pode chamar de galego-português, galaico ou, quando muito, galego antigo. Galego nunca, pois galego é outra coisa muito diferente. É a língua falada atualmente (cada vez menos, infelizmente) na comunidade autónoma chamada de Galiza, que está fortemente castelhanizada, na sintaxe, no vocabulário, etc., e que por isso é depreciativamente designada por "castrapo". Esperaria outro rigor da sua parte, Nuno Pacheco.»
... embora o Henrique Duarte também esteja equivocado quando diz que «É a língua falada atualmente (cada vez menos, infelizmente) na comunidade autónoma chamada de Galiza, que está fortemente castelhanizada, na sintaxe, no vocabulário, etc.»
Não, não é bem assim. O Galego é actualmente Língua Oficial da Região Autónoma da Galiza, juntamente com o Castelhano (não o Espanhol, porque o Espanhol não existe em Espanha como Língua, e o Galego está de boa saúde, na Galiza.)
O equívoco do Nuno Pacheco, talvez venha do facto de ter lido o livro de Fernando Venâncio «Assim Nasceu uma Língua». Fernando Venâncio também estava equivocado, porque foi beber a fontes a que os que querem amesquinhar a Língua Portuguesa também foram beber, tendo distorcido a História.
O Português é uma Língua-gémea do Galego, o dialecto Galaico-Português, oriundo do Latim vulgar, que os povos da Galécia (Gallecia romana) antepassados dos Galegos e dos Portugueses actuais partilhavam, e cuja história está deliciosamente contada no livro «Historia da Lingua Galega», da autoria dos insignes mestres galegos Xosé Ramón Freixeiro Mato e Anxo Gómez Sánchez, que não estão ao serviço de ninguém, a não ser da Galiza. Um livro que todos os que se interessam pela Língua Portuguesa deviam ler.
Aqui deixo o link para o livro, escrito em Galego, mas quem souber Português a fundo, lê-o perfeitamente.
https://www.goodreads.com/book/show/38621990-historia-da-lingua-galega#CommunityReviews
Vejamos a este propósito o que diz o nosso maior dialectologista, José Leite de Vasconcelos: «Nos dois lados do Rio Minho desenvolveu-se do Latim vulgar da Lusitânia, nos primeiros séculos da era cristã, uma língua substancialmente uniforme, embora, talvez desde sempre, com algumas particularidades dialectais. Por causa das vicissitudes políticas da Galiza e de Portugal, da Idade Média em diante, essas particularidades foram aumentando com o tempo, e constituíram depois o Galego e o Português, embora o Português seja forma principal, como Língua de nação autónoma órgão de rica literatura.» (Textos Arcaicos, p. 120, 3ª edição). Foi com Dom Dinis, que o Português seguiu o seu caminho separado do Galego.]
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Foi o que sucedeu no Brasil ou nas então colónias de África, onde numerosas línguas locais foram silenciadas ou até proibidas em nome da língua do colonizador. Com as independências, chegando primeiro a do Brasil, em 1822, e muito mais tarde as de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde (independentes há 50 anos, o que agora celebram), e tendo cada país as suas leis, bandeiras, hinos, regras e culturas, natural seria que o português, língua que adoptaram como oficial, tomasse em cada um deles o seu rumo, não só com palavras novas ditadas por cada cultura como, eventualmente, novas regras lexicais e gramaticais.
Pôr o português daqui (que já é tão diverso, com os seus coloquialismos e regionalismos) em confronto com as suas mutações noutros países é coisa que nos deveria aliciar, interessar, e não indignar, levantando de imediato a bandeira do “português certo” ou “português correcto” para afastar, com desprezo, as diferenças que naturalmente se foram desenvolvendo noutros lugares.
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[A este respeito, a indignação não vem do facto de o Português ser ou não ser correcto neste ou naquele país. Vem do facto de terem mudado a Estrutura do Português, no que à Fonética, Fonologia, Escrita, Ortografia, Léxico, Morfologia, Sintaxe e Semântica diz respeito, e continuarem a chamar-lhe Português, quando o correcto seria dar-lhe outra designação, e não pretender, por questões meramente político-jurídicas-económicas, que a Variante Brasileira do Português, (porque é disto que se está sempre a falar, até porque as outras ex-colónias nunca são chamadas à liça sobre esta matéria) seja designada como Português, inclusive andar na Internet a representar o Português com a bandeira brasileira.
A linguagem da Variante Brasileira do Português é perfeitamente correcta, uma vez que o Brasil, tendo optado por pôr – veja-se neste exemplo a importância da acentuação, e pensemos no para para, introduzido pelo AO90 – de lado as regras gramaticais, e enriquecendo-a com as Línguas e dialectos indígenas brasileiros, e dialectos africanos levados pelos escravos – o termo escravizados não se aplica neste âmbito, e agora há um modismo que “proíbe” usar a palavra escravo, como se os escravos nunca tivessem existido, desde as mais remotas civilizações – e, acrescentando-lhe a deslusitanização da Língua do ex-colonizador, mudaram o rumo da Língua Portuguesa.]
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Quando o professor brasileiro Caetano Galindo, em entrevista recente ao PÚBLICO (que muito comentada foi), dizia que só agora o Brasil estava a aperceber-se de que a sua fala e escrita não configuravam um “português errado”, mas sim o português que o Brasil moldou à sua imagem, houve quem o compreendesse e também quem se indignasse ou ironizasse com tal observação. Recordemos o que ele disse, a frase completa: “Só agora se começa a perceber que não estamos falando português errado, não estamos falando incompetentemente a língua da Europa, porque não há português errado nem português certo, nem nas variedades que existem no Brasil nem nas inúmeras variedades que existem em Portugal.”
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[Aqui concordo com o professor Caetano Galindo, quando diz «Só agora se começa a perceber que não estamos falando português errado, não estamos falando incompetentemente a língua da Europa, porque não há português errado nem português certo, nem nas variedades que existem no Brasil nem nas inúmeras variedades que existem em Portugal.» Não, não estão falando um Português errado, porque não estão falando sequer Português, estão falando a Variante Brasileira do Português, e designando essa linguagem deste modo, é óbvio que estão a articulá-la correctamente.]
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Independência ou morte? Não, independência e língua. Podia o português do Brasil chamar-se, por mera decisão política, “brasileiro” (e há quem levante, sem êxito, tal bandeira há anos), que isso não alteraria a sua real condição: a de um idioma, o português, que ganhou características próprias num outro continente, e que com elas tem produzido excelentes obras nos mais variados domínios das letras e das outras artes.
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[Aqui discordo do Nuno Pacheco, pois já não existe o Português do Brasil, a partir do momento em que o enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss deslusitanizou (e o termo é dele) o Português, afastando-o das suas raízes portuguesas, greco-latinas, indo-europeias, e quando isso acontece, a Língua terá de ter outra designação, tal como a já Língua Cabo-Verdiana, que é oriunda do Português, mas já não é Português de Cabo Verde. E não vejo que mal venha ao mundo se tal acontecesse, e as ex-colónias terem uma Língua própria, enriquecida pelos Dialectos e Línguas locais tão diferenciados do Português. É preciso viver e principalmente estudar no Brasil para perceber que, lá, o Português diluiu-se por entre tanta miscelânea de línguas, dialectos e falares dos muitos povos que lá se fixaram, e aqui estou a pensar na Língua Italiana, que tanto se impôs na linguagem falada e escrita no Brasil, e darei apenas um exemplo, mas há muitos mais: Netuno].
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Isso põe em causa o português de Portugal? De maneira nenhuma, tal como o inglês dos Estados Unidos da América não pôs nem põe em causa o inglês de Inglaterra — e tantas diferenças têm, na fala como na escrita. O erro é sempre tentar afunilar as diferenças numa espécie de idioma padrão, que não existe nem existirá nunca, por mais que bramem os paladinos da “unificação”. Esse foi o erro do chamado Acordo Ortográfico de 1990, como lembrou, e bem, José Pacheco Pereira na sua mais recente crónica, “O desprezo da pátria por via do desprezo da língua”.
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[Aqui volto a discordar do Nuno Pacheco. Claro que põe em causa a Língua Portuguesa – dizer Português de Portugal soa a redundância.
Não podemos comparar o que se passa com as ex-colónias inglesas e também espanholas, por exemplo, com o que se passou no Brasil. A Língua Inglesa não foi desinglesada em nenhuma ex-colónia, e a Língua Castelhana não foi descastelhanizada, e nenhuma dessas ex-colónias pretendeu impor aos Ingleses ou aos Espanhóis as poucas diferenças existentes entre as suas Variantes que passam quase despercebidas em relação à Língua Inglesa e ao Castelhano. Porém, a Variante Brasileira do Português não passa despercebida, principalmente na oralidade, em relação ao Português. Há este pormenor que é preciso ter em conta.]
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Graças a tal erro, que não unificou coisa alguma e que, pelo contrário, acirrou animosidades, ouvimos por estes dias locutores de televisão, a propósito do roubo no Louvre, pronunciarem “jôias” (retorno da escrita sobre a fala, pela perda do acento agudo em “jóia”, como antes se escrevia em todo o espaço da língua portuguesa); e temos, entre as várias palavras que vão a votos para “Palavra do Ano” (iniciativa da Porto Editora) uma coisa que, mercê de tal acordo, só existe mesmo em Portugal: “Perceção.” Isto quando o Brasil continua a escrever “percepção”. Não, o que nos divide não são as diferenças; é, infelizmente, e quase sempre, a estupidez.
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[Os vocábulos que em Portugal perderam a consoante muda, mas no Brasil não, como “perceção”, que no Brasil escreve-se à portuguesa, percePção, deve-se de facto à estupidez. No Brasil há umas poucas palavras mais que os Brasileiros escrevem à portuguesa, simplesmente porque pronunciam as consoantes mudas, porém, há uma questão a pôr: qual o critério que levaram Brasileiros, mas também Portugueses, a pronunciarem alguns cês e pês, em determinadas palavras e não noutras? Temos o exemplo de Egito. Não é da estupidez grafar Egito sem pê, e escrever todas as suas derivadas com pê? Sempre pronunciei o pê de EgiPto, por coerência linguística. Esta é uma das incoerências dos acordos ortográficos que já se fizeram entre Brasil e Portugal, e por mais acordos que façam ainda não acertaram as agulhas, e jamais acertarão.
Daí a necessidade de cada país ficar com a sua Língua: a quase nonagenária Língua Portuguesa para Portugal, o seu berço, e a nova Língua gerada no Brasil, a partir do Português, a Variante Brasileira do Português, ou Língua Brasileira, ou Brasilês, para o Brasil.]
Isabel A. Ferreira
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Fonte do artigo de Nuno Pacheco:
https://www.publico.pt/2025/11/06/opiniao/opiniao/portugues-faz-favor-bem-2153373
António Eça de Queiroz dixit na sua página do Facebook:
«Ahahhahahahhaah!!! Só a tugalhada burocrata para fazer uma lei pétrea em que mais de metade da administração pública chumbaria (políticos incluídos)»

Para ter a nacionalidade portuguesa os candidatos terão de demonstrar “suficiente” conhecimento de algo que nem o presidente da República, nem o primeiro-ministro, conseguem demonstrar?
Primeiro: em Língua Portuguesa, grafando-a incorrectamente, ou melhor, usando a grafia brasileira para a escrever, e a dizer “portuguesas” e “portugueses”, parolamente, sem terem conhecimento da Gramática portuguesa?
Segundo: o mesmo para a Cultura e História portuguesas que andam por aí a espezinhar, a desrespeitar, a enchê-las de incongruências e de coisas inventadas para reparar um passado que não pode ser reparado, por ninguém do século XXI depois de Cristo, que não tem culpa de nada do que se passou há séculos?
Terceiro: dos símbolos nacionais, (como a bandeira e o hino), que andam também a desrespeitar na Internet, nomeadamente a bandeira portuguesa estando a ser substituída pela bandeira brasileira para assinalar o Português, a Língua de Portugal? Quanto ao hino, ainda vai sendo cantado como foi criado, mas já houve tentativas de o mudar.
Quarto: dos direitos e deveres “inerentes à nacionalidade portuguesa”, que os políticos portugueses não respeitam, dando uma imagem de pobreza moral, social e cultural ao mundo?
Quinto: da organização política do Estado Português? Se perguntássemos aos deputados da Nação o que isto era, quantos seriam capazes de dissertar sobre esta matéria?
É verdade que para se ter na nacionalidade portuguesa é preciso ter algum conhecimento sobre todas estas matérias. Porém, há um PORÉM, quem iria avaliar os candidatos a portugueses se nem os portugueses abarcam estes itens com saber?
Para exigirem, e muito bem, que para ter a nacionalidade portuguesa é preciso entranhar tudo o que dignifica o ser português, é preciso que quem vai avaliar seja PORTUGUÊS com letras maiúsculas, e como diz e muito bem António Eça de Queiroz querem avaliar os candidatos a portugueses, através de matérias em que a maioria dos portugueses, incluídos aqui os políticos, chumbariam.
Mas mais do que isso, é preciso NÃO andarem a enganar os estrangeiros com o brutuguês que lhes impingem, chamando-lhe Português.
Para mim, essa é a pior mentira.
Isabel A. Ferreira
Carlos A. Coimbra, cidadão português radicado no Canadá, enviou-me o seguinte protesto:
Assunto: E o Marcelo não defende isto...
Carreguei agora a APP do ChatGpt.
Quis ver a lista de línguas.
E pronto, já desinstalei a coisa.
O Português padrão não é o original, de Portugal!
O original vem listado separadamente, entre parênteses, como versão especial.
Nem quis ouvir o que aparece como "português", mas suspeito qual seja!
E não sei para onde me queixar...
Carlos A. Coimbra
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Obviamente que aquele “português” é a Variante Brasileira do Português.
E o Português (Portugal) é a nossa triste Língua acordizada, pelo brasileiro Antônio Houaiss.
E isto é usurpação de um dos símbolos da NOSSA Identidade: a Língua Portuguesa.

Para que a verdade seja reposta, o que deve aparecer é o seguinte:

E o Marcelo não defende isto???????
NÃO, não defende, e nós sabemos muito bem porquê.
O Carlos não sabe a quem fazer queixa.
Eu também não sei.
Já corremos muitas autoridades, e nenhuma nos respondeu, e nós também sabemos muito bem porquê.
Se houver algum jurista que possa orientar-nos nessa queixa, agradeço que me contacte para o e-mail do Blogue: isabelferreira@net.sapo.pt
Isto é uma vergonha para Portugal.
O Português é de Portugal e de quem não deslusitanizou a Língua Portuguesa, como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau.
O Português NÃO é do Brasil.
Do Brasil é a Variante Brasileira do Português.
O que mais me irrita nesta questão do “português” na Internet é ver a pouca vergonha com que a Google, o ChatGpt e outros software passaram a considerar "Português" o que se fala e escreve no Brasil, e "Português (Portugal)" indicado como Língua regional, marginalizada, quando é o Português original, o Português padrão, a GENETRIZ das Variantes que se criaram a partir dela, incluindo a Variante ( = dialecto) Brasileira da Língua Mãe dos Portugueses.
Há que ter vergonha na cara!!!!
Isabel A. Ferreira
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