Quarta-feira, 9 de Maio de 2018

«OS AGENTES POLÍTICOS E O (DES)ACORDO ORTOGRÁFICO»

 

Mais uma voz que se levanta, que protesta, que diz verdades incontornáveis sobre o AO90. E o que dizem a isto os “donos” deste “acordo”? Nada, porque não sabem como sair desta trapalhada.

 

«Já se percebeu que a classe política decidiu “assobiar para o lado” em relação ao conhecido “AO90”, de modo a fazer aceitar paulatinamente, e por inacção, uma ortografia da língua portuguesa com as propostas aberrantes que vai impondo através da gestão do silêncio. De tal modo se manifesta a rejeição de um debate sobre o tema que dir-se-ia existir um lobby secreto actuando na sombra para obter dividendos que, por ora, nos escapam».

 

MANUEL SIMÕES.png

 

por MANUEL SIMÕES

 

«A comunicação social informou-nos de que finalmente ia ser apreciada na Assembleia da República uma das muitas petições formuladas pelos cidadãos indignados, mas nem sei se chegou a saber que destino teve a petição, se foi discutida, se foi adiada… ou se foi simplesmente ignorada. À consideração de quem concede os votos a estes agentes da política…

 

Pelos vistos, nem sequer se considera a hipótese de aperfeiçoamento do “AO90”, de que se começou a falar há anos e sobre o qual a Academia das Ciências de Lisboa, como «órgão consultivo do Governo português em matéria linguística», apresentou em 2017 um projecto-base de discussão, tendo em vista questões de acentuação gráfica (“pára” e “para”, “pôr” e “por”, exemplos gritantes), de sequências consonânticas (o fulcro do desacordo) e ainda sobre o emprego do hífen, sugestões não totalmente adequadas, visto que não colmatariam as lacunas e manteriam a contradição evidente, ao diferenciar (eliminação ou conservação) as consoantes ditas surdas. Como é sabido, a língua portuguesa passa por um processo de consonantização (já o disse Mia Couto), razão por que a supressão das consoantes etimológicas tenderá a um sucessivo fechamento das vogais átonas, com efeitos imprevisíveis na evolução da língua. Apesar disso, esta proposta de trabalho não teve seguimento, talvez porque os “donos” do acordo não sabem como sair desta trapalhada e por isso calam-se.

 

Deste modo, os agentes da política não se pronunciam, fazem resistência passiva aos milhares de páginas, de pareceres, de abaixo-assinados protestando contra um acordo ortográfico não discutido previamente, aprovado quase em segredo, e não ratificado por alguns dos mais significativos países de língua portuguesa. Recentemente, porém, o ministro da Cultura, em entrevista ao “Diário de Notícias” de 10 de Março, concedeu-nos a honra de dizer o que pensa sobre o acordo. E o que disse ele?

 

«Não considero que este Acordo Ortográfico seja perfeito […] mas sendo o que se utiliza oficialmente achei que seria hipócrita não o fazer. Isto sem criticar outras pessoas, até porque não tenho ideias tão fortes sobre ortografia como elas. O acordo não é o melhor possível, mas está vigente e segui-o para horror e espanto de muitos amigos. Não porque lhe tenha um grande amor, mas porque para mim a ortografia é uma convenção e não considero que a anterior seja a maior das maravilhas».

 

Dado o estatuto do entrevistado (ministro da Cultura), esta deve ser entendida como a posição explícita do partido do Governo e, considerando o silêncio, dos demais partidos com assento na Assembleia da República. Mas o discurso não deixa de ser espantoso pelo “encolher de ombros “com que se enfrenta a questão: o acordo não é perfeito, mas adopta-o; não tem ideias fortes sobre ortografia, mas aceita-a com o seguidismo acrítico de quem a sancionou; «não é o melhor possível», mas não propõe nada para o melhorar…porque «está vigente»; não lhe tem «grande amor» e «tudo se pode aperfeiçoar», mas a proposta da Academia das Ciências não teve qualquer efeito prático. Claro que a ortografia é uma convenção, assentando, porém, em bases científicas, de que a etimologia não pode ser apagada da memória das palavras.»

 

Fonte:

https://aviagemdosargonautas.net/2018/04/19/os-agentes-politicos-e-o-desacordo-ortografico-por-manuel-simoes/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:34

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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015

O AO/1990 É FRUTO DE UM COMPLEXO DE INFERIORIDADE, MAS À “FINA” …

 

O título da notícia, no Diário Digital é este: «Paris: Pai de terrorista «teria matado» o filho se soubesse do plano»

 

Depois segue-se a explicação: «Said Mohamed-Aggad disse à agência de notícias francesa AFP que só soube hoje, juntamente com o resto do país, que o seu filho de 23 anos, Foued, era um dos três atiradores que dispararam sobre os espetadores do concerto no Bataclan com espingardas automáticas, fazendo 90 mortos no mais grave dos atentados de 13 de novembro.

 

ESPETADORES.jpg

(Origem da imagem: Internet)

 

Não me contive e deixei lá o meu comentário:

 

«Não sabia que ao concerto no Bataclan tinham ido tantos ESPETADORES.

Espetadores de quê? O que é que essas pessoas, que foram ao Bataclan, ESPETARAM?

Fiquei intrigada. Alguém é capaz de decifrar este enigma?»

 

***

E logo o Zorro respondeu:

 

«Realmente. Mas, a avaliar pelo tipo de "música", se calhar muitos espetavam mesmo alguma coisa na veia».

 

E o Miguel Antunes, mais para o sério e certeiro, disse o seguinte:

 

«Não há nada para saber, Isabel! É, apenas e só, uma demonstração da estupidez natural das nossas, ditas, "elites" intelectuais, que querem sempre mostrar que são mais papistas que o próprio papa...

No Brasil, mantiveram a grafia antiga! Cá, tiveram que a mudar para mostrar a toda a gente o "inteligentes e cultos" que eram...»

Já com o euro fizeram a mesma porcaria, pondo lá o morabitino, que ninguém conhece, para mostrar a excelência da "sua" cultura.

É o chamado complexo de inferioridade, mas à fina!

 

***

 

Pois é! Nem mais. Gostei deste comentário. O Miguel Antunes disse absolutamente tudo, e com clareza.

 

É esse complexo de inferioridade que se estende aos governantes e os fazem VERGAR aos milhões e ao lobby editorial, que só tem uma coisa naquelas "cabeças" (leia-se cabaças): ganhar dinheiro à custa dessas "elites" intelectuais que, por sua vez, se vergaram a uma imposição ILEGAL e INCONSTITUCIONAL do dito aborto ortográfico, engendrado em 1990, para “engordar” as contas bancárias de editores brasileiros e portugueses (sem sucesso).

 

É que «o Acordo Ortográfico é ilegal, porque o Dec-Lei 35228 de 08/12/1945 não foi revogado e é nele que está regulamentada a ortografia Lusa. A Resolução de Conselho de Ministros 8/2011 que ilegalmente aplicou o AO90 a toda a Administração Pública foi produto da capitulação do Governo aos interesses das editoras brasileiras. (…) Ganhem vergonha, sejam patriotas e escrevam na NOSSA ORTOGRAFIA (Alexandre Carvalho).

 

Fonte da notícia:

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=802590#comment-2401881314

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:13

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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

O Lugar da Língua Portuguesa

 

«Mal vai aos povos que não respeitam o próprio idioma. É como ultrajar a Bandeira. É como renegar a Pátria» (Fernando de Araújo Lima*)

 

CAMÕES.png

 

Porque é urgente, urgentíssimo, travar a onda de ignorância que anda por aí a ultrajar a Língua Portuguesa, a esmagá-la, a estraçalhá-la, a mutilá-la, como se fosse um farrapo velho, sem utilidade, sem dignidade, sem história, senti-me impulsionada a criar este Blogue para congregar as ideias de todos os que, como eu, sentem a revolta a moer-lhe a alma.

 

Eu, pessoalmente, sou livre para desobedecer a uma “ordem” oriunda de quem não tem a mínima noção do que está a fazer.

 

Recuso-me a deixar-me levar na onda da ignorância e da estupidez que uns poucos traidores da Pátria lançaram sobre nós.

 

E porque a imposição de uma escrita, que não serve Portugal, nem os portugueses, mas também os países que integram a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), pois sabemos que nenhum deles está de acordo com este acordo da discórdia linguística, vai contra os interesses da Pátria, temos o dever de alçar as nossas armas para defender a Identidade Portuguesa que, para quem não sabe, é a qualidade própria do que é português, o carácter específico da cultura ou da História de Portugal, o sentimento de amor ou de grande afeição por Portugal, e exigir que o próximo governo português recue nesta que é, segundo palavras de Eugénio Lisboa, «das coisas mais infames que este nosso Parlamento tem votado. Ficará na História, como uma das maiores nódoas produzidas depois de o 25 de Abril».

 

E Eugénio Lisboa, um ensaísta e crítico literário português, especialista em José Régio, disse ainda mais isto:

 

«Quando ainda estava em Londres, fui surpreendentemente nomeado vogal, em representação do Primeiro-ministro, da Comissão da Língua Portuguesa ou lá como se chamava, sendo chamado a pronunciar-me sobre o Acordo. Votei contra e dei as minhas razões, tendo o cuidado de não medir as palavras… Tenho escrito frontalmente contra o acordo e assinado todas as petições contra o dito.

 

O problema é a profunda iliteracia e cobardia dos deputados que insistem em implementar este aborto, devido ao lobby forte dos editores oportunistas que se apressaram a fabricar manuais e dicionários, seguindo o (des) acordo, contra o que tudo recomendava.»

 

Eis a verdade.

 

Mas o pior, o pior é a desalfabetização, já em curso, nas escolas portuguesas, tendo como cobaias, inocentes crianças que não têm como dizer NÃO à sua desinstrução, e os professores, acobardados pela “imposição oficial” deste aborto ortográfico, nada fazem para desfazer esta coisa infame, estando amis preiocupados com os bolsos.

 

O Blogue O Lugar da Língua Portuguesa será um lugar de luta, e servirá para derrubar os muros que se ergueram, para não deixar passar a Luz que irradia de uma Língua construída ao longo de séculos, e que uns poucos, vendidos ao lobby de ignorantes mercenários, pretendem destruir num ápice.

 

Reparem na imagem abaixo:

Eu sou a que está de pé.

 

Quem estará disposto a seguir-me, para cumprir o dever cívico de salvar a Língua Portuguesa?

 

LUGAR DA LÍNGUA2.jpg

 (Origem da imagem: Internet)

 

Isabel A. Ferreira

 

* in Prefácio do livro «A Língua Portuguesa» de João Araújo Correia (Editorial Verbo – Lisboa/S. Paulo)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:05

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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