Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2024

«Em Defesa da Ortografia (LXIV)», por João Esperança Barroca

 

«Uma das consequências esperadas de um novo código ortográfico é a criação ou a manutenção da estabilidade da dimensão escrita de uma determinada língua. Infelizmente, no caso do "portuguez lingua escripta" (feliz expressão de Francisco Adolpho Coelho, criada no final do século XIX), apareceu o AO90 e, com ele, regressou a instabilidade ortográfica. A origem de tal desdita é política e deve-se ao desprezo pela opinião especializada, à propalação de erros crassos e à consequente invenção de teorias sem nexo. […] O "Diário da República" é uma montra crucial e privilegiada para se deduzir acerca do comportamento dos escreventes de português europeu em relação ao AO90. Crucial, porque, em última análise, foi uma verificação do caos ortográfico que reinava no (então) "Diário do Governo" que levou à criação, em 1911, de uma ortografia oficial do português europeu. Privilegiada, porque temos à mão de semear uma indicação real (e não uma ideia peregrina) daquilo que efectivamente se passa

Francisco Miguel Valada, linguista, em artigo do jornal Lusitano de Zurique edição de Dezembro

 

«Vivemos tempos em que o Acordo Ortográfico destrói dia a dia não apenas a ortografia, mas também a própria ideia de ortografia, fazendo o País regredir séculos.»

Maria Rueff, actriz, no programa Assim se faz Portugal, em 27-11-23

   

«A língua de Portugal, que há séculos nos define, nos molda e estrutura, está a ser ostensiva e visivelmente esfarrapada. É insuportável assistir a esta destruição da nossa língua, em tudo o que é texto escrito, inclusivamente na televisão, assim como nos atropelos à própria pronúncia abundantemente adulterada!

 Claro que os políticos são responsáveis, por terem imposto o AO90 ao país, sem atenderem aos inúmeros pareceres que o condenam. Esse "mostrengo" NÃO «constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional», como lá expressamente se diz. Constitui sim o desmembramento da língua portuguesa, que tinha duas normas oficialmente reconhecidas, e tem agora, no país que lhe deu vida, uma nova versão, disparatada e ridícula

Maria José Abranches, professora reformada, no Blogue O Lugar da Língua Portuguesa

 

Uma das marcas identificativas da ortografia que por aí circula (expressão roubada a Manuel Monteiro) é a caterva de dislates, com os omnipresentes fatos e contatos à cabeça. Um olhar mais atento, centrado no que por cá se publica, traz à superfície inúmeros exemplos da cacografia imposta pelo AO90. Nesse levantamento sobressaem também as misturas de grafias, dando razão a quem afirma a inaplicabilidade do referido Acordo Ortográfico. Vejamos, então, com breves comentários, mais alguns casos ilustrativos da burundanga:

 

1 - «Outro aspecto que realça é o fato de na montanha se estar em total sintonia com a natureza e esta ser um equilibrador. Expresso, 28-11-23. Poupa-se uma consoante aqui para a desperdiçar ali.

 

2 - Chipre tem uma superpopulação de felinos na rua e, desde o início do ano, a chamada “ilha dos gatos” está a ser afetada de forma “anormal” por uma “combinação de um coronavírus felino e de um coronavírus canino”. O primeiro caso já foi identificado no Reino Unido e “existe a possibilidade” de a infecção se espalhar no país. O que está em causa? Expresso, 21-11-23. De novo, a mistura de ortografias.

 

3 - «Distinção sem grande impato nos mercados (vídeo).

Sem retirar importância à escolha da Madeira como melhor destino insular do mundo, os hoteleiros consideram que este prémio tem um impacto relativo junto dos mercados emissores. A região ganhou pela sétima vez o World Travel Awards.» RTP, 06-12-21. O impato tem sempre algum impacto.

 

4 - «O fato de Yesilgöz ser ela própria uma ex-refugiada, de origem turca, dá-lhe alguma vantagem argumentativa.Como a própria explicou ao Politico [sic]], "existe um influxo de demasiadas pessoas, não apenas em busca de asilo e estudantes internacionais, o que significa que não temos capacidade para auxiliar verdadeiros refugiados.» RTP, 22-11-2023. De quando em vez, o omnipresente fato que não é de vestir.

 

5 - «O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, lamentou hoje o espancamento do deputado Farid Fadul, vulgo Cuca, alegadamente por militares do palácio da República, mas esclareceu que aquele estava de fato a filmar aquelas instalações.» RTP 14-11-2023. Conclui-se, pois, que é expressamente proibido filmar de fato.

 

6 - «A DGAV apelou ainda a que todos os detentores de aves que cumpram as boas práticas de produção, evitem contatos entre aves domésticas e selvagens e a que se reforcem os procedimentos de higiene nas explorações e equipamentos.» Jornal I 14-11-2023. Conselho de amigo: Os contatos são sempre de evitar.

 

Ah, pára por aí um grupo significativo de acérrimos defensores do AO90 que se espalha de cada vez que escreve. Usa a nova ortografia, mas só numa determinada fatia.

 

Ah, há dias, ao consultar a página de uma empresa de fisioterapia, encontrei o que se segue: «Em certas ocasiões, pode mesmo surgir uma dor torácica mais intensa com irradiação para a grade costal ou mama esquerda, a qual se confunde incorretamente com um problema cardíaco. Nestas situações, é possível distinguir a azia, não só pelo ardor/queimadura, como também por outros sintomas que muitas vezes a acompanham: erutação (arrotos), aumento da salivação ou gosto amargo na boca, correspondente ao refluxo do ácido do estômago que sobe para o esófago.» Erutação? É arroto sem cê!

 

João Esperança Barroca

 

João Barroca 1.jpg

João Barroca 2.png

Jopão Barroca 3.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:30

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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2023

Jornal «Lusitano de Zurique», onde a Língua Portuguesa está a salvo

 

É um regalo para os nossos olhos ler este Jornal.

Na diáspora os Portugueses são Portugueses e respeitam a sua História, a sua Língua, a sua Cultura.

Neste Jornal, foi publicado o artigo que aqui reproduzo (espero que o «Lusitano de Zurique» não se importe) mas é importante mostrar ao mundo que Portugal e a Língua Portuguesa existem,  e têm esta bandeira Bandeira de Portugal.PNG

 

Neste artigo, Francisco Miguel Valada expõe a estranheza com que agora vemos a nossa Língua Portuguesa escrita tão desrespeitosamente por quem a devia defender.

Mas nem tudo está perdido, porque existem oásis em Zurique, e posso acrescentar também em Angola, com o Folha 8 , e nas comunidades portuguesas, descendentes do Homo Erectus, que já existiu em Portugal, e ainda bem que emigraram, porque cá dentro, muitos já retrocederam para o Homo Reptilianus.

 

Bem-haja «Lusitano de Zurique»!

Bem-haja Francisco Miguel Valada! 

Isabel A. Ferreira

Valadas 2.PNG

Valadas 1.PNG

Valadas 3.PNG

Fonte: https://online.fliphtml5.com/lgioc/aboo/#p=1 (página 28)

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:29

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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2022

O «LUSITANO» de Zurique é um jornal publicado para a Comunidade Portuguesa na Suíça, e os seus mentores são contra o AO90

 

(Já lá vou a este assunto).

 

Depois de uma pausa a que me obriguei, para repor as forças que já me iam faltando, regressar ao caos não está a ser nada fácil, até porque a minha vontade era permanecer na minha bolha harmoniosa.

Mas RESISTIR é preciso.

E é preciso porquê? Por dois motivos:

 

Primeiro: por respeito àqueles Portugueses que, no estrangeiro, vão resistindo, para que a Língua Portuguesa (*) não se extinga. Afinal, a Língua Portuguesa é o elo que os une entre si e à Pátria, que tiveram, necessariamente, de abandonar, por não existirem políticas que lhes permitissem VIVER no seu próprio País, com um mínimo de dignidade. Não são apenas as guerras insanas, perpetradas por gente insana, que escorraçam os Povos do seus Países. São também os governantes inúteis, incompetentes, desonestos, corruptos e alguns deles também insanos, que se empoleiram no Poder para se servirem a si próprios e às máfias que os sustentam.

 

Segundo: porque logo no dia 01 de Agosto, no Primeiro Jornal da SIC, às 13 horas, e a propósito do repugnante acto racista contra os filhos de dois actores brasileiros, num restaurante de praia, na Costa da Caparica, e da triste cena que se seguiu, o comentador-mor de tudo e mais alguma coisa (excepto daquilo que não lhe convém) ou seja, o presidente da República disse que em Portugal não havia um racismo generalizado, excepto pontualmente, no que respeita à Língua Portuguesa, onde se revela racismo e xenofobia contra os Brasileiros. Mas que raio de exemplo foi ele buscar?!!!!

 

Devemos ouvir isto e calar-nos?

 

Obviamente que, para Marcelo Rebelo de Sousa, os defensores da Língua Portuguesa, que rejeitam com veemência e apropriadamente a grafia do AO90, por esta ser quase cuspida e escarrada a grafia brasileira, em vigor, no Brasil, desde 1943, e que em nada nos diz respeito, são racistas e xenófobos, demonstrando, deste modo, um desconhecimento total do significado de racismo e de xenofobia.

 

Já agora, os Portugueses não podem DEFENDER o que ele, como presidente da República Portuguesa, tem o DEVER e a OBRIGAÇÃO de defender e não defende, porque opta por defender interesses que não interessam a Portugal e aos Portugueses?

Defender a nossa Cultura Linguística nada tem a ver com racismo ou xenofobia, mas unicamente com HONRA, algo que falta àqueles políticos portugueses que estão altamente envolvidos na deliberada destruição da Língua Portuguesa.

Regressando ao título deste texto:

 

LUSITANO DE ZURIQUE.png

 

Fui contactada pelo director-adjunto do Jornal «LUSITANO», o qual desconhecia totalmente, com a seguinte mensagem:

 

«Editamos um pasquinzinho (https://yumpu.com/user/araujomota) para a Comunidade portuguesa na Suíça e somos contra o AO.

Porque é importante o texto que publicou no seu blog (https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/desde-ontem-que-o-grupo-novo-movimento-380362), pergunto se nos permite a publicação na edição de Julho/Agosto.»

 

Obviamente, autorização concedida (nem era preciso concedê-la, pois desde que se mencione a fonte dos textos, tudo o que publico no Blog é passível de partilha, em qualquer Jornal, de qualquer parte do mundo) o texto foi publicado na edição cuja capa aqui reproduzo.

 

Agradeço a honra que me deram, e celebro com toda a minha fibra portuguesa ao facto de os mentores do «LUSITANO» de Zurique não se rebaixarem ao SERVILISMO, podendo, desse modo, proporcionar  à Comunidade Portuguesa, na Suíça, uma leitura HONESTA em Língua Portuguesa.

 

Um BEM-HAJA aos mentores do «LUSITANO».

 

***

 

(*) Apenas para que não haja qualquer dúvida: a Língua Portuguesa é a Língua Portuguesa. Ponto. O Português é o Português. Ponto. Não existe Português Europeu. Existe Português. Ponto. Assim como NÃO existe Francês Europeu, Inglês Europeu, Alemão Europeu, Castelhano Europeu. Todas estas Línguas são Indo-Europeias. Ponto. Todas as outras línguas delas derivadas, são VARIANTES ou DIALECTOS. Ponto. Não existe Português brasileiro. Ponto. O que existe é a Variante Brasileira do Português.

 

NÃO existe Português guineense, Português angolano, Português timorense, Português moçambicano, Português cabo-verdiano, Português são-tomense. Não existe. Portanto, há que mudar o paradigma da designação da Língua Portuguesa, que é apenas UM, e desse UM nasceram as VARIANTES. A LÍNGUA PORTUGUESA é a Língua pOrtuguesa. Ponto final.

 

Nenhum outro País do mundo anda com estas NIQUICES ao redor das suas Línguas Nacionais e OFICIAIS. Portugal tem HONRA, mas os nossos governantes NÃO a honram, porque não têm honra. É preciso começar a honrar a HONRA PORTUGUESA, para que possamos ser um País entre Países, e não uma reles República DOS Bananas, sem rei nem roque,  que tem com um presidente que NÃO defende Portugal e os interesses dos Portugueses.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:22

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