Sexta-feira, 14 de Novembro de 2025

«A língua de pau de todos os dias», por Manuel Matos Monteiro

 

“Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.”

 

 

MANUEL MM.PNG

 

É oficial: já não há repercussões, efeitos, consequências, embates, colisões — há impactos. Impactos que impactam. Não se consegue, muitas vezes, divisar se beneficiam, prejudicam, influenciam, mas que importa isso? Importante é a violência sonora e o perfume inglês (língua em que a palavra impact superabunda): os impactos impactam e deixam outros impactados (há quem diga a palavra tão rapidamente, que soa a “empacotados”). As pessoas e as coisas são constantemente impactadas.
 
Disse “constantemente”? Isso já não se usa. Nada é frequente, ou ocorre frequentemente, nada é comum, ou ocorre comummente, nada é usual, costumeiro, habitual, regular, e os diferentes matizes das palavras, as modulações de significado dos diferentes vocábulos só atrapalham. Papagueemos o que ouvimos a toda a hora (sem sequer haver poupança silábica): tudo é recorrente, tudo acontece recorrentemente. É mais simples. É mais rápido. É mais moderno.

 
Regressemos ao “impacto”. Não raro, Fulano não tem influência no balneário (entre uma caterva de exemplos) — ele tem impacto no balneário. Não raro, Fulano nem deixa a sua marca — deixa o seu impacto. Ou, como se diz hoje, naquilo que é o balneário. É impressionante. Ou impactante. Whatever!

 
Em cima disto tudo, ainda temos as aberrações fomentadas pelo espírito do infausto acordo ortográfico (que pouco tem de acordo e de ortográfico) — em 31 de Julho deste ano, podemos ler no Diário da República: “colete de impato e flutuação”. De “impato”. Quem anda frequentemente (recorrentemente, leia-se) atento a estas monstruosidades do acordês já havia encontrado (e denunciado, incluindo em Camilo e Saramago) e ferido os olhos e ouvidos com patos de silêncio, patos de estabilidade, patos com o Diabo, patos com Satanás.

Naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude. Ou como sói dizer-se hoje: dizer que, naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude.

A macaqueação, a redução do léxico, a mecanização da linguagem e do pensamento são metuendas, isto é, creepy, mas nunca desistamos, porfiemos sempre, isto é, sejamos sempre resilientes, pesem embora as baixas expectativas (outra palavra de todas as horas). Afirmar que o expectável não é incrível (leia-se: “maravilhoso”), mas pelejemos. Quem lê este texto poderá pensar que o estado de espírito (o mood, aliás) daquele que burila estas linhas não é incrível, mas, se de ora em diante, tiver os olhos e os ouvidos de vigia, não passará um dia sem tropeçar recorrentemente nestes aleijões. Concentre-se e comprove-o por si. Sentir-se-á overwhelmed.

 
Concentre-se? Perdão, foque-se. Foca-te, foco-me, o meu foco, o importante é focar de três em três minutos: atente (foque-se, quero dizer) na quantidade de focas e focos (quais animais fêmeos e machos) que ouve e lê por hora. É por essa razão que estou a inventariá-los. Inventariar? Pausa, pausa, pausa. Não se inventaria, nem se lista, nem se enumera — elenca-se.

 

Nem tudo é mau, porém, porque, nos dias de hoje, há sempre, sempre, sempre janelas de oportunidades para coisas bonitas. Que disse? Também já não se diz assim: para coisas diferenciadas, leia-se. Eis uma palavra que vai invadindo as diferentes áreas do saber e sendo crescentemente utilizada, ou seja, e traduzindo para português hodierno: há uma escalada do vocábulo “diferenciado”. Escalada essa que… vai escalando e escalando. Vivam os automatismos que evitam pensar e perder tempo!

 
Lembremo-nos sempre: já temos um adjectivo obrigatório para quando morre certa pessoa com determinada exposição mediática — na esfera pública, impõe-se dizer que morreu uma figura incontornável. Lembremo-nos ainda: se não sabemos o que foi, diga-se que foi um evento interessante. Essas duas palavrinhas dão para tudo. São, no fundo, brutais. Ou incríveis. Em suma: são vocábulos que provocam boas vibes.

 
E, claro, nos diálogos, mormente das gerações mais novas, enxameia-se a linguagem escrita e falada com “imagina”, “tipo”, “é do género”, “basicamente”, e os verbos colocar e partilhar (que deslizou do mundo digital para o dia-a-dia, tal como o pesquisar; já só falta pesquisar se temos as chaves, a carteira e o telemóvel quando saímos de casa).

 
— Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.

— Tens razão nessa cena, basicamente. Quando coloco a minha atenção nas cenas, tipo, é incrível. Obrigado por partilhares comigo.

 
Quanto mais familiarizado o leitor estiver com outras línguas (olá, inglês), mais fundamente perceberá que as hodiernas palavras ubíquas são um epifenómeno da globalização linguística.

Fonte: https://www.publico.pt/2025/11/12/opiniao/opiniao/lingua-pau-dias-2154348#
 
 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:15

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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2025

A conversa fluida tinha fluído bem - Língua na cama: Episódio 40

 

Fluido ou fluído? O nome, o adjectivo e o particípio passado. Desfaçamos esta confusão de vez. E de forma fluida.

 

Na rubrica 'Língua na Cama', Manuel (Matos) Monteiro escalpeliza erros frequentes do nosso idioma, curiosidades linguísticas, maravilhas idiomáticas. Aprenda e divirta-se. 'Língua na Cama' é serviço público de qualidade.

***

ERROS NOS RESTAURANTES - Língua na cama: Episódio 31

Qual o plural de «arroz-doce»? Sabia que «filhós» é plural de «filhó»? Que «caldo-verde» e «bolo-rei» são hifenizados? Porque se transforma a «baba-de-camelo» em puro asco ao perder os hífenes?

 

***

VERBOS E CLÁSSICOS - Língua na cama: Episódio 30

O Verão é uma boa altura para compulsar os clássicos, muito citados e pouco lidos. Prefere fazer isto e aquilo mal do que ou a não fazer nada? «O que mais gosta» ou «do que mais gosta»? Disse o João e a Joana? Ou disseram? Ou ambos?

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:52

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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2025

«Língua na cama: Episódio 39 - À parte isso, escreveu o outro, tenho em mim todos os sonhos do mundo. À parte isso ou à parte disso? Uma explicação sem apartes»

 

Na rubrica 'Língua na Cama', Manuel (Matos) Monteiro escalpeliza erros frequentes do nosso idioma, curiosidades linguísticas, maravilhas idiomáticas. Aprenda e divirta-se. 'Língua na Cama' é serviço público de qualidade.

***

Língua na cama: Episódio 34

Pronomes com exemplos quotidianos  

Com exemplos quotidianos, saibamos usar os pronomes. Se a Joana não gosta de si, ela não gosta de você ou de si própria? Etc., etc., etc.

***

Língua na cama: Episódio 33

Bem hajais, se fazeis favor

Bem haja, bem hajam, bem-haja? Flexiona? Tem hífen? Qual é a diferença entre «abaixo assinado» e «abaixo-assinado»? «Abaixo assinada» grafa-se assim? Vede o episódio de hoje, se fazeis favor. «Fazeis», isso mesmo.

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:31

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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2025

No Episódio 37, o tema da rubrica «Língua na Cama» é a Clareza: «Não durmo mais com esse comprimido, porque não volto a dormir com esse comprido, ou por que esse comprimido não me faz dormir mais?»

 

Manuel Matos Monteiro questiona:

 

 

No Episódio 36 do «Língua na Cama», o tema foi Concordâncias.

«Ele é daqueles que gosta ou gostam de golfinhos assados? A Paula é das que defende ou defendem a monarquia?»

Um episódio recheadíssimo de exemplos de uso corrente.

 

«Língua na Cama», Episódio 37. Tema: Influências.

Dr. Luís Montenegro, o Jorge Jesus não é uma boa influência- Língua na cama: Episódio 37

 

«Reuni com ou reuni-me com? Reuniu com ou reuniu-se com? Conheça as nódoas gramaticais do idiolecto do nosso primeiro-ministro».

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:30

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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2025

Serviço público de qualidade: no YouTube a rubrica «Língua na Cama», da autoria de Manuel Matos Monteiro (*) esmiúça a Língua Portuguesa, até ao mais ínfimo pormenor

 

Como foi possível eu só ter descoberto a rubrica «Língua na Cama», da autoria de Manuel Matos Monteiro, neste 35º Episódio?

Se não fosse o amigo João Esperança Barroca a enviar-me o link, olhem o que eu andava a perder!

Muito bem, Manuel Matos Monteiro. Adorei, o que significa ter gostado muito, muito, mesmo muito desta sua rubrica. Fiquei sua ouvinte.

Na nova rubrica do PÁGINA UM ‘Língua na Cama’, Manuel (Matos) Monteiro – escritor e um dos melhores cultores da Língua Portuguesa, além de formador da Escola da Língua – escalpeliza, de forma caseira e descontraída, erros frequentes do nosso idioma, curiosidades linguísticas, maravilhas idiomáticas. Aprenda e divirta-se. ↓

 

Este 35º Episódio, tem endereço: o Dr. Luís Montenegro.

 

E a pergunta é: Dr. Luís Montenegro, a sua Pátria é a Língua Portuguesa?

 

Caros leitores/ouvintes conheçam as máculas linguísticas do nosso primeiro-ministro, que deixou o idioma nos cuidados intensivos.

«Língua na Cama» é serviço público de qualidade.

 

Isabel A. Ferreira

 

(*) Manuel Matos Monteiro é director da Escola da Língua, autor, jornalista, formador e revisor. Autor dos livros:  «Dicionário de Erros Frequentes da Língua»; «Por Amor à Língua — Contra a Linguagem que por aí Circula»; «O Mundo Pelos Olhos da Língua»; «Por Amor à Língua e à Literatura»; «Sobre o Politicamente Correcto».

 

Sugiro vivamente que vejam os Vídeos e leiam os Livros de Manuel Matos Monteiro.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:13

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Quarta-feira, 13 de Março de 2024

«A beleza das palavras», por Manuel Matos Monteiro, Director da Escola da Língua



Manuel Matos Monteiro.png

Por Manuel Matos Monteiro

Director da Escola da Língua

 

A beleza das palavras

 

Num tempo em que a lusa língua é tão maltratada, poderia vituperar contra o paupérrimo artigo de Jorge Miranda em que o constitucionalista defende um Acordo Cacográfico que não sabe aplicar (veja-se “heróica”) e cuja própria data desconhece (imagine-se o texto de um historiador a comemorar os cinquenta anos do 25 de Abril… de 1975…), mas que defende e propagandeia há anos sem conseguir observar a condição sine qua non para a sua defesa e apologia: inventariar as vantagens (uma só!) desse instrumento ante o anterior.

 

Quanto ao mais, o artigo está pejado de enfermidades linguísticas e de considerações desastradas sobre erros de português (veja-se o caso do «porque»/«por que»), sem um singelo exemplo ilustrativo. Poderia ainda bradar contra a ausência desse crime de leso-idioma (o Acordo Cacográfico) na discussão eleitoral, instrumento esse que os partidos políticos e os mais altos dignitários do Estado continuam sem saber aplicar, enquanto decretam, cegos e surdos (porque o Acordo tem consequências na língua escrita e falada), que seja aplicado.

 

Poderia até enumerar a quantidade de vezes que ouvi “acórdos” (isso mesmo) nos debates das legislativas. “A minha pátria é a língua portuguesa”, papagueiam com frequência e solenidade os habitantes do espaço público, mormente políticos, que (com louváveis excepções) estão sempre mortos por usar uma palavra estrangeira para exprimir determinado conceito que, na língua portuguesa, tem quatro, cinco ou seis palavras (por vezes, até mais) que dizem a mesmíssima coisa, enquanto apresentam um vocabulário reduzido e estereotipado, debitando a ladainha de dois em dois minutos: “empatia”,   impacto”, “inclusivo”, “expectável”, “expectativas”, “janela de oportunidades”, “recorrente” e o verbo “colocar”. Será, por tudo isso, natural que os efeitos (“impactos”, para melhor compreensão) do Acordo Cacográfico não os afectem (“afetem”, escreverão eles, se souberem ou se a tecnologia os ajudar).

 

(Concedo ter cedido parcialmente à paralipse até aqui.)

 

Sucede que falar sempre mal faz mal, pelo que me dedicarei a boiar, garantidamente mais feliz, pelo que o título deste texto anuncia, preferindo de ora em diante algo deleitoso a algo deletério.

 

Estamos em Fevereiro de 2016, na sala de aula da terceira classe de uma pequena e tranquila cidade (Copparo) no Norte de Itália, e a professora Margherita Aurora pede aos seus alunos que escrevam dois adjectivos para cada vocábulo que dita.

Uma dessas palavras é “flor”.

Matteo, um menino de oito anos, escreve: “perfumada e petalosa”.

A professora assinala o segundo adjectivo, a palavra petalosa, como um “erro

bonito”.

A professora diz a Matteo e aos colegas que redijam uma carta à Accademia della Crusca, a mais alta instância linguística italiana.

Passadas três semanas…

… chega uma carta à escola de Matteo.

 

Diz a carta:

Querido Matteo, a palavra que inventaste é uma palavra bem formada e poderia ser usada em italiano, assim como são usadas palavras formadas da mesma maneira.

Tu juntaste petalo + oso ➞ petaloso = cheio de pétalas, com muitas pétalas

Da mesma forma, existem em italiano:

pelo + oso ➞ peloso = cheio de pêlos, com muitos pêlos

coraggio + oso ➞ coraggioso = cheio de coragem, com muita coragem.

A tua palavra é bonita e clara […].

[…]

Obrigada por nos teres escrito.

Cumprimentos para ti, para os teus companheiros e para a tua professora.

 

Maria Cristina Torchia

Redacção da Consultoria Linguística

Accademia della Crusca

 

A história — … e, com ela, a palavra… — difundiu-se pela televisão, pela rádio, pelos jornais, pelas redes sociais. O próprio primeiro-ministro italiano Matteo Renzi felicitou Matteo num tuíte. O já saudoso Fernando Alves, que só sabia fabricar superbíssimas crónicas, dedicou-lhe uma superbíssima crónica.

 

Tropeçamos na beleza e desatamos a correr?

James Joyce, na sua obra mais difícil, Finnegans Wake, criou palavras que fundiam dois verbos. Por exemplo, pegou em “catapultar” e “arremessar”, e escreveu: “catapultarremessam”. Pegou em “arrasar” e “massacrar”, e escreveu: “avançam para arrasamassacrar”.

Pegando numa onomatopeia e num substantivo, o escritor irlandês deu-nos a sonora e expressiva ideia de uma… “pftjqueda”.

 

Lembrei-me disto, porque escrevi ao Instituto de Lexicologia e Lexicografia da

Língua Portuguesa (ILLLP) propondo os vocábulos “lucivelo” e “ancenúbio”,

vocábulos esses que foram felizmente acolhidos no Dicionário da Língua

Portuguesa (DLP). “Lucivelo” e “ancenúbio” são as palavras portuguesas que

exprimem respectivamente os francesismos abat-jour e nuance.

“Lucivelo” vem de luz e véu, e significa o mesmo que o galicismo “abajur”. O DLP acolhia a palavra francesa abat-jour, mas não acolhia a palavra portuguesa

“lucivelo”.

 

Recorde-se que, para o galicismo abat-jour, temos:

“quebra-luz”

“pára-luz”

“tapa-luz”

“veda-luz”

“abaixa-luz”

e… claro… lu-ci-ve-lo.

É digno de nota que estas seis palavras portuguesas sejam muitíssimo menos usadas do que a palavra do francês.

 

“Ancenúbio”, que também já mora no DLP, significa o mesmo que o francesismo nuance, sendo formada pelos mesmos elementos latinos presentes na criação do termo estrangeiro. An-ce-nú-bi-o, que palavra tão suave e melodiosa, tão replena de eufonia.

 

Continuo ainda a aguardar que “intimilhação” (1), “trabalhólico”, “calipedia”, “aletia”, “fenotexto”, “tecnofilia”, “tecnófilo” e “tecnodeslumbrado” tenham o mesmo destino: que tais propostas que enviei por escrito ao ILLLP desaguem igualmente no DLP.

 

“Intimilhação” nasce de “intimidação” e “humilhação”. “Intimilhação”, quanto ao mais, traduz muito bem o bullying. Espero ainda que o aportuguesamento de workaholic desague no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (o já referido DLP). Alguém estranha a palavra “alcoólico”? Porquê estranhar então “trabalhólico”? Mera falta de hábito que domestica e amestra o paladar.

 

Manuel Matos Monteiro, Director da Escola da Língua

 

(1) A primeira vez que tropecei neste prodígio foi num texto do tradutor A. Gonçalves.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:40

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Sábado, 2 de Dezembro de 2023

Em Defesa da Ortografia (LXII), por João Esperança Barroca

 

«Acho o AO90 uma máquina de fomentar erros, de criar aberrações e instaurar o caos ortográfico […]. Quando os seguidores e legitimadores deste acordo instaurado por errados e perniciosos cálculos políticos recuam perante algumas das suas regras mais pitorescas […], então é caso para perguntar o que se passa com a monstruosa criatura que não é respeitada nem sequer por quem lhe quer bem. Devo confessar que às vezes até tenho pena do enjeitado, embora não hesitasse em infligir-lhe o golpe de misericórdia

António Guerreiro, Cronista e crítico literário

 

Como o leitor já sabe, o AO90 trouxe, como diz (muito bem) António Guerreiro na citação em epígrafe, uma caterva de aberrações. Dentre elas, salientam-se os fatos e os contatos. Só por estes dois termos, o AO90 já deveria estar no caixote do lixo da História, onde estaria agora a repousar, não foram as intervenções, entre outras, de Lula da Silva, de Santana Lopes e de José Sócrates.

 

Uma breve incursão pelas páginas dos órgãos de Comunicação Social permitiu que respigássemos o que se segue nos próximos parágrafos. Gostaríamos de chamar a atenção para a imagem com o canoísta Messias Baptista. O atleta tem o seu nome escrito na embarcação. Mas o que fez o jornalista? Podou a palavra, retirando-lhe a consoante.

 

“A atual crise permitiu ainda verificar que são os hospitais dos grandes centros urbanos que, em situação de caos, conseguem, com enorme esforço, “aguentar” o SNS. Se esse fato merece atenção, para que nunca se perca, não menos verdade é que se impõe um olhar especial para os hospitais mais pequenos, mais afastados dos grandes centros, que servem populações com menos opções de acesso, e que, sendo os “elos mais fracos” do sistema, foram, exatamente, por onde a cadeia quebrou, para os fortalecer de forma duradoura e irreversível.” 

Isabel Galriça Neto e Miguel Soares de Oliveira, Expresso, 22-11-2023.

 

«Em declarações a uma (sic) canal regional da televisão pública NDR citadas pelo jornal francês LE Monde, a porta-voz da polícia Sandra Levgrun, afirma: “Mobilizámos psicólogos policiais e estamos neste momento a falar com o autor destes actos. Procuramos uma solução negociada”. A polícia considera “muito bom sinal” o fato de o pai ter permanecido em contato com as autoridades “durante tanto tempo”.»

Notícia atualizada às 11h51

Expresso, 05-11-2023

 

«A cantora revelou ainda que continua a trocar mensagens com o vocalista da banda britânica. “Ele tem o meu número de telefone. No último concerto [em Coimbra], pediu o meu número, e fiquei em contato com ele”, disse.»

Expresso / Blitz,04-11-2023

 

«A religião muçulmana é vista no Ocidente como limitadora dos direitos das mulheres, como extremista. Há pessoas que vêem um turbante na cabeça de um homem como perigo, que vêem um hijab na cabeça de uma mulher como um perigo.»

Clara Não, Expresso,13-11-2023 

 

«Esta semana, não só não terminou o conflito israelo-árabe como começou o conflito Marcelo-árabe. As declarações do presidente foram criticadas e este fim-de-semana dezenas de pessoas manifestaram-se à porta do palácio de Belém.»

 Expresso, 06-11-2023

 

«De forma indireta e através dos seus, com Augusto Santos Silva a exigir prazos e explicações à Justiça, e de forma concreta e de viva voz, António Costa não pára de disparar desde que foi inesperadamente alvejado.»

Sebastião Bugalho, Expresso, 20-11-2023 

 

«Não ridicularizem a versão que contradiz a vossa nem valorizem a que a validaEsse não é um exercício inteletualmente honesto.»

Duarte Gomes, Tribuna Expresso, 31-12-23

 

«Parte da espectacularidade do jogo assenta nesses factores, os da incerteza e imprevisibilidade de muitos dos seus momentos.»

Duarte Gomes, Tribuna Expresso, 31-12-23

 

«O encenador da peça “Turismo”, Tiago Correia, acusa o diretor do Teatro Municipal do Porto de “censura, chantagem emocional, coação, ameaça e abuso de poder” por ter rejeitado a distribuição da folha de sala da peça da Companhia A Turma, que subiu ao palco do Teatro do Campo Alegre na passada sexta-feira e sábado. Em causa está uma nota de rodapé da sinopse do espetáculo e da autoria de Regina Guimarães - que considera tratar-se de censura e “terrorismo inteletual” a não distribuição da folha.»

 Isabel Paulo, Expresso, 04-02-2020

    

«Extremo moçambicano pára duas a três semanas; apto depois da paragem para os jogos das seleções.»

A Bola, 06-11-2023

   

 «Trabalho não pára por aqui.»

  A Bola, 30-05-2023

 

Como se vê, a boa ortografia ressurge, por vezes, (actos e vêem) concretizando uma das afirmações do texto em epígrafe.

 

Ah, vários órgãos da Comunicação Social noticiaram, há dias, que uma mãe que raptara a filha do Hospital de Faro tinha problemas de adição. Nada que umas explicações com um bom professor de Matemática não resolva.

 

Ah, já saiu o livro Assim se Faz Portugal, que reúne textos de Luísa Costa Gomes, Manuel Matos Monteiro, Filipe Homem Fonseca e Afonso Cruz. Como se pode ler na página da TSF, são crónicas de humor, sátira e reflexão, escritas em Português imaculado.

 

João Esperança Barroca

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 11:53

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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2023

Um texto para reflectir a absurdez do AO90: «Admirável Língua Nova (Parte III)», por Manuel Matos Monteiro

 

 

Este texto foi publicado em 06 de Julho de 2017, no Jornal PÚBLICO, e como em tudo, no nosso país, poderia ter sido escrito hoje, porque nele não se mudava sequer uma vírgula, devido à inexistência de políticas que façam avançar Portugal. Infelizmente o que temos é uma política regressiva, que nos transporta para um tempo passado, de muito má memória.

 

Daí ter considerado importante republicar o texto, para que sirva de reflexão a todos aqueles que, em Portugal, não perderam a lucidez, nem a capacidade de Pensar.

Isabel A. Ferreira

 

***

«Não há duas pessoas que sigam o Acordo Ortográfico e que concordem quanto àquilo que é o Acordo. A “norma” (com setenta aspas de cada lado) é lábil, difusa, imprecisa – só não vê quem não quer ver.»

Manuel Matos Monteiro

 

 

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«Admirável Língua Nova (Parte III)»

Por Manuel Matos Monteiro

 

«Caro leitor, pedia-lhe que prestasse atenção às seguintes frases.

“Os telespetadores estavam expetantes.”

“O país vive sob o espetro da corrução.”

“Chuva para Lisboa.”

“Para o carro!”, disse perentoriamente.

“Desliga o interrutor.”

“O conetor serve, como o nome indica, para conectar.”

 

Não são frases escritas por semianalfabetos. São frases redigidas tendo por base o Acordo Ortográfico.

 

Consultando o (excelente) Novo Prontuário Ortográfico, de José M. de Castro Pinto, a grafia “telespetadores” é a única possível. “Expetantes” é uma palavra que, por exemplo, o Portal da Língua Portuguesa e a Infopédia (Porto Editora) abonam. O Dicionário do Português Atual Houaiss (edição de Agosto de 2011) acolhe apenas “espetral”, “espetro”, “espetrofobia” (entre dezasseis palavras em torno de “espetro”), todas sem o c. “Corrução” e “corrupção” são acolhidas pelo Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto de Editora, de 2010. A frase “Chuva para Lisboa”, que foi o título principal da primeira página de um conhecido jornal, tanto pode ser, à luz do Acordo, uma previsão meteorológica, como uma situação de paralisação causada pela chuva (o que era o caso da notícia). Em “Para o carro”, podemos ter a ordem de ir para o carro ou de parar o carro. Quanto a “perentoriamente” (ou a “perentoriedade”), como afiança o Portal da Língua Portuguesa, temos (Portugueses) de escrever assim e ponto final, enquanto o Brasil escreve “peremptoriamente”. Azar o nosso… É um de muitos casos em que o igual passou a ser diferente. Mas o Acordo era para uniformizar, pois claro. Lembremos Maria Regina Rocha: “[H]avia 2691 palavras que se escreviam de forma diferente e que se mantêm diferentes (por exemplo, facto - fato), havia 569 palavras diferentes que se tornam iguais (por exemplo, abstracto e abstrato resultam em abstrato), e havia 1235 palavras iguais que se tornam diferentes. Está a ler bem: com o Acordo Ortográfico, aumenta o número de palavras que se escrevem de forma diferente!!!” No mesmo portal, temos “conetor” e “conector”, mas apenas “conectar”.

 

“Interrutor”, uma palavra inadjectivável, merece um parágrafo. Verifique o leitor com os seus olhos tal grafia na Infopédia ou numa edição do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, com o Acordo, ou no próprio Portal da Língua Portuguesa. Enquanto adjectivo relativo àqueles ou àquelas que interrompem, tem os “interrutores”, as “interrutoras”. E se um aluno escrever, fazendo uso da dupla grafia decretada pela Porto Editora e pelo ILTEC, na mesma construção frásica, “o interruptor, a interrutora, os interrutores, as interruptoras”, o professor deverá assinalar algum erro? Se dicionários aceitam que “sector” e “subsector” têm dupla grafia, o aluno poderá portanto escolher e escrever “o subsetor do sector”? Copiamos da Infopédia:

 

interrutor
nome masculino
1. aquele ou aquilo que interrompe
2. aparelho ou pequeno manípulo que permite abrir ou fechar um circuito elétrico
adjetivo
que interrompe

 

Escrevemos acima: “São frases redigidas tendo por base o Acordo Ortográfico.” Mais bem dito, tendo por base a forma como dicionários ou prontuários que adoptam o Acordo registam determinados vocábulos, porquanto o Acordo, ao não estabelecer uma norma cristalina, se traduziu na divergência da interpretação daquilo que ele é, bastando ao leitor consultar dois prontuários ou dois dicionários a seu bel-prazer para comprovar esta obviedade.

 

Consultando dicionários com o Acordo, prontuários, livros explicativos do mesmo para verificar se a consoante é muda ou não, encontramos: a) que a consoante se mantém; b) que a consoante desaparece; c) que poderá manter a consoante ou não (dupla grafia), porque dentro de Portugal há oscilação quanto à pronúncia; d) que em Portugal e no Brasil há divergências de pronúncia e que, portanto, apesar de haver dupla grafia, num desses dois países deve escrever-se a consoante, mas no outro não (os demais países de língua portuguesa são olimpicamente ignorados nesta história do Acordo).

 

Ao contrário do que muito boa gente pensa, o Acordo não definiu a lista dos milhares de casos em que a pronúncia da consoante é dúbia. Apenas nos diz que devemos seguir a inescrutável “pronúncia culta”, deixando até hoje aos lexicógrafos essa impossível tarefa. A perda da consoante muda com base no critério lábil da pronúncia não permite que haja unanimidade, sequer consenso!, quanto à grafia de uma caterva de palavras. Evidentemente, o corolário disto só poderia ser o que hoje está diante dos olhos de todos: a trapalhada generalizada. Os dicionários e demais fontes não se entendem quanto às palavras que perderam a consoante muda, quanto às que têm dupla grafia dentro de Portugal e quanto às que têm dupla grafia considerando Portugal e o Brasil. (E outros há que não definem o que é dupla grafia por haver dupla pronúncia intra-Portugal e dupla pronúncia por haver divergências entre Portugal e o Brasil. O caos é total.) Do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa: “Grafia no Brasil: estupefação.” Do Portal da Língua Portuguesa: “[E]stupefacção (Brasil).”

 

O caos é ainda maior para quem pretende averiguar se determinada locução perde os hífenes. Escalpelizemos os hífenes. Como demonstrámos no artigo anterior, a Base XV, Ponto 6 do Acordo, além de mutilar a lógica da língua portuguesa, é totalmente imprecisa quanto aos hífenes. Vejamos seguidamente como instituições muito consagradas – e que para muitos escreventes da língua portuguesa representam a “lei” da mesma – interpretam o Acordo quanto às locuções que perderam os hífenes: o Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM).

 

Na lista “CASOS EM QUE SE MANTÉM O HÍFEN NOS COMPOSTOS CONSAGRADOS PELO USO da INCM, estão registados: “ajudante-de-campo”, “alfinete-de-ama”, “baba-de-camelo”, “boca-de-incêndio”, “braço-de-ferro”, “cabeça-de-casal”, “cabo-de-guerra”, “capitão-de-fragata”, “capitão-de-mar-e-guerra”, “dia-a-dia”, “fogo-de-artifício”, “folha-de-flandres” , “gaita-de-foles”, “jardim-de-infância”, “língua-de-gato”, “lua-de-mel”, “maçã-de-adão”, “mão-de-obra”, “mestre-de-cerimónias”, “mestre-de-obras”, “pão-de-ló”, “pé-de-atleta”, “pé-de-vento”, “pedra-de-toque”, “pó-de-arroz”, “pronto-a-vestir”, “testa-de-ferro”, “tinta-da-china”, “toucinho-do-céu”. No Portal da Língua Portuguesa, do ILTEC, todos estes “casos” aparecem sem hífenes! As demais locuções com hífenes decretadas pela INCM são “água-de-colónia”, “arco-da-velha”, “cor-de-rosa”, “pé-de-meia”, que o ILTEC consagra com hífenes e sem hífenes (apesar de serem excepções escarrapachadas no texto do Acordo como tendo necessariamente hífenes… Nem os acordistas seguem o Acordo no pouco que ele tem de objectivo…), “cabo-de-mar” que o ILTEC não acolhe nem com nem sem hífenes, “dente-de-cão” (que por ser espécie botânica é com hífenes), “frente-a-frente” que o ILTEC não acolhe nem com nem sem hífenes, “mais-que-perfeito” que mantém os hífenes no ILTEC como conceito gramatical e excepção do texto do Acordo, e “tromba-d’água” (que o Acordo de 1990 se esqueceu de repescar das bases que copiou do Acordo de 1945 e que os dicionários com o Acordo de 1990 continuam a escrever usando o Acordo de 1945). Significa isto concretamente o seguinte: nas locuções em que há interpretação subjectiva, há tão-somente cem por cento de divergência.

 

Sublinhe-se que o Portal da Língua Portuguesa, ao elidir os hífenes, acolhe (coerentemente) os antropónimos e topónimos com maiúscula inicial – “folha de Flandres”, “maçã de Adão” e “tinta da China”. Ou seja, a fina chapa utilizada, entre outras coisas, para a fabricação de latas (“folha-de-flandres”) ou o artefacto industrial usado como instrumento de percussão (“folha-de-flandres”) passa a escrever-se tal qual uma folha (papel ou pétala) de Flandres; a maçã dos tempos primevos de Adão e Eva passa a escrever-se tal qual a proeminência laríngea; o tipo de tinta para desenho indelével (“tinta-da-china”) passa a escrever-se como qualquer tinta (oriunda) da China. São as maravilhosas subtilezas introduzidas pelo Acordo… Mas há mais. O Portal da Língua Portuguesa acolhe “maçã de Adão” e “pomo de Adão” apenas sem hífenes. Sucede que o Acordo decreta na Base XV, Ponto 3: “Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento.” Sucede ainda que há uma espécie botânica chamada “pomo-de-adão”…

 

Um matemático chegará rapidamente aos triliões (não é uma hipérbole) de Acordos com base nas combinações de palavras que perderam ou não perderam a consoante muda, nas locuções que perderam ou não perderam os hífenes, na facultatividade (outra aberração do Acordo) da letra maiúscula inicial e na facultatividade da acentuação.Como fará um professor que é obrigado a penalizar os alunos que não escrevem com a “ortografia” do Acordo, se não há consenso quanto à ortografia – se não há, no fundo, ortografia, ou seja, grafia correcta – nos dicionários relativamente a tantos vocábulos? Terá de comprar todos os dicionários, prontuários, gramáticas, fontes digitais, livros explicativos e sinópticos do Acordo e acolher todas as possibilidades, perdendo duas horas com cada palavra ou locução, ou decretará cada professor o seu próprio Acordo? Um bico-de-obra! A propósito, “bico-de-obra” perde os hífenes com o Acordo? Fazemos uma pausa na escrita e consultamos apenas dois dicionários. Ora bem, no Dicionário do Português Atual Houaiss, os hífenes estão lá. No da Porto Editora, não. Bastaria consultar estes dois dicionários nas locuções que perdem ou não os hífenes para se perceber o vácuo em que o Acordo assenta. Faça o exercício se quiser, caro leitor. O Dicionário Houaiss com o Acordo – por considerar desprezável ou desprezível? – ignora o estatuído no Acordo de nas locuções de qualquer tipo não se empregar “em geral” o hífen.

 

Regressemos às consoantes mudas. Há uma miríade de palavras que apresentam dupla grafia dentro de Portugal – os lexicógrafos não terão conseguido apurar a “pronúncia culta”, que, teimosa, parece oscilar no próprio assento etéreo em que repousa. Mas há dois aspectos que urge clarificar. Primeiro aspecto. Um sem-número de pessoas afirma: “Eu não quero saber o que diz o dicionário A ou B, eu quero saber o que diz o Acordo.” Sucede que o Acordo não tem tal lista de palavras. Segundo aspecto. Muitas pessoas asseguram: “Essa palavra tem dupla grafia.” A essa presunção, contraponha-se a pergunta: “Em que dicionário?” O que é de dupla grafia num dicionário não é noutro. Se uns dizem que tem e outros que não tem, aceita-se a versão mais abrangente, bastando que um diga que tem para se aceitar a dupla grafia? Ou vai-se pela média? Ou determinadas fontes merecem uma ponderação maior no cálculo da média? Como devem fazer os professores para avaliar os alunos? E nos casos em que as pessoas não concordam com o que os dicionários dizem sobre a consoante ser ou não ser muda (e são tantas as palavras!)? Fazer como diz o Ciberdúvidas sobre a palavra “ceptro”! “Voltando ao Ceptro/cetro, esta palavra não está indicada com pronúncia do p em nenhum dos dicionários a(c)tuais (mas simplesmente ¦cetro¦), nem existe a variante ceptro no Brasil. Ora o companheiro diz que há comunidades que pronunciam o p. Nesta base, passo a aceitar a necessidade da dupla grafia e deixei, portanto, de lhe fazer obje(c)ções.” Um dos grandes dramas do Acordo: os próprios acordistas não se entendem…

 

Não há duas pessoas que sigam o Acordo e que concordem quanto àquilo que é o Acordo. A “norma” (com setenta aspas de cada lado) é lábil, difusa, imprecisa – só não vê quem não quer ver. Que falta para a farsa terminar? Coragem política.»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:05

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Sábado, 6 de Maio de 2023

“Patoá dos Tugas” defendido na Antena 1 no falso “dia mundial da língua portuguesa”. Apenas Manuel Matos Monteiro esteve bem nesse debate

 

Conheço crianças que querem escrever correCtamente a sua Língua Materna e não lhes permitem fazê-lo, acenando-lhes com penalizações.

 

Conheço gente adulta, a fazer mestrado, que quer escrever correCtamente a sua Língua Materna e não lhes permitem fazê-lo, acenando-lhes com penalizações.

 

E, no entanto, NÃO há lei alguma que as obrigue a escrever incurrêtamente a sua Língua Materna.


Isto só acontece num País que tem um PR, um PM e um PAR a defender interesses que não interessam a Portugal e aos Portugueses.

QUERO ESCREVER CORRECTAMENTE.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo?fbid=612068260948294&set=a.592015392953581

 

Antena 1: Cultura

Dia Mundial da Lingua Portuguesa|05 mai. 2023

Filomena Crespo conversou com Carlos Rocha, coordenador executivo da plataforma Ciberdúvidas, e também com Manuel Monteiro, revisor linguístico e autor dos livros "Por Amor à Língua" e "O Mundo Pelos Olhos da Língua"

 

Para ouvir o debate clicar no link:

 https://www.rtp.pt/play/p2803/e689929/pecas-culturais

 

Ouvi este debate com muita atenção, e o que tenho a dizer sobre ele é que o único que esteve bem e não disse disparates foi Manuel Matos Monteiro. E isto não é para o bajular, até porque sou das que diz o que tem a dizer, seja a quem for, sem papas na língua.


Manuel  Matos Monteiro defendeu bem o seu ponto de vista e apontou a fraqueza de um acordo que só veio APODRECER a Língua Portuguesa.


Ao contrário, como é possível a Filomena Crespo dizer que «há letras que não estão lá a fazer nada»? referindo-se  às consoantes não-pronunciadas de uma infinidade de vocábulos,  as quais o Brasileiros decidiram suprimir, apenas porque sim, sem ter em conta as regras das Ciências da Linguagem, no Formulário Ortográfico Brasileiro de 1943, cuja Base IV serviu para engendrar o AO90.

 

Filomena Crespo demonstrou um desconhecimento que não esperava dela. Pareceu-me que, para ela, o AO90 só veio facilitar uma escrita que ela não conseguia PENSAR.

 

O Carlos Rocha, esse então, esteve péssimo, ao defender o AO90, achando (foi o que espremi das palavras dele) que a Língua Portuguesa estava mais pobre antes da introdução deste abortográfico que nos impingiram, e que o AO90 só veio enriquecer a nossa Língua, reduzindo-a à mais básica grafia. E quando disse que desde 2012 já há muita gente, até nas universidades, a aplicar o AO90, como poderia este sair de cena?


Este é o argumento mais parvo que já ouvi na minha vida, e que anda por aí disseminado, pelos acordistas,  com o objectivo de impedir que se mande às malvas algo que os Portugueses não pediram, não querem e é irracional: o AO90.


Em 2012, já havia muita gente, incluindo crianças do 1º ciclo, que escreviam correCtamente a sua Língua Materna. E o que aconteceu? De um dia para o outro, tiveram de a escrever "incorretamente" (que sem o C, obviamente, lê-se incurrêtâmente). E tão incurrêtâmente que, nas Línguas que também andam a estudar (Inglês e Castelhano) escrevem diretor (lê-se dir'tôr) em vez de direCtor (tanto em Inglês como em Castelhano) porque se, em Português, ao escreverem direCtor marcam erro, as crianças ficam com dúvidas e, pelo sim ou pelo não, escrevem em Inglês ou em Castelhano "diretor" sem o C.

 

Disto tenho provas concretas, porque tenho netos no 5º ano e no 8º ano, e a mixórdia ortográfica que lhes ensinam é a mesma mixórdia que o PR, o PM e o PAR também usam nas suas escrevinhações públicas.


Esta foi a leitura que fiz sobre este programa, que em vez de celebrar a NOSSA Língua, desprezou-a, até porque no dia 05 de Maio NÃO se celebra o dia mundial da Língua Portuguesa, mas dá voz à mixórdia ortográfica portuguesa, que apenas os acordistas celebram, nesse dia.

Com gente assim, em lugares-chave de divulgação da Língua, Portugal virá a ser (ou até já é) o único país do mundo que tem por Língua Oficial um patoá, mais conhecido por Patoá dos Tugas, indo-se do 80 para o 08 sem o mínimo pejo.

  

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:24

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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2022

No próximo dia 16 de Dezembro, Manuel M. Monteiro irá lançar mais um livro, na Língua de Portugal, com apresentação de Ricardo Araújo Pereira

 

Manuel M. Monteiro e Ricardo Araújo Pereira, dois cidadãos portugueses que pugnam pela preservação da Língua Portuguesa, em Portugal.

 

Desejo muito sucesso para mais este livro de Manuel Matos Monteiro, e espero que se aproveite o momento do lançamento para enviar aos governantes e à classe docente e a todos os que, subservientemente, se vergaram à ignorância, uma clara mensagem de repúdio ao AO90, responsável pelo CAOS que se vive nas escolas, com professores a impingirem uma vergonhosa mixórdia ortográfica, que o tal acordo mais desacordado do mundo originou. É que não conheço nenhum aluno, seja de que ciclo escolar for, que escreva escorreitamente a sua Língua Materna. Além dos disparates acordistas, há a outra parte, que demonstra um desleixo total pelo estudo da Língua.

O que andará a fazer o ministro da Educação? Para onde quer levar o Ensino, o ministro da Educação? Para que serve um ministro da Educação que DESPREZA o ensino da Língua de Portugal?

Manuel e Ricardo, aproveitem o momento para abanarem a estrutura do Ensino, mal assente no seu pilar: a Língua Materna dos Portugueses, para que o "edifício" caia, e possa erguer-se uma nova estrutura mais condizente com o SABER escrever e falar, e que rejeite, em absoluto, a ignorância que se instalou em Portugal.

Isabel A. Ferreira

 

Manuel Monteiro.png

 

Comentários a este texto no grupo do Facebook  NOVO MOVIMENTO CONTRA O AO90:

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publicado por Isabel A. Ferreira às 11:55

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