Assunto: a aplicação ilegal e inconstitucional do AO90, matéria que nenhum dos candidatos se atreveu, até ao momento, a expor publicamente, nos debates televisivos e não só.
Minhas Senhoras e meus Senhores.
É com tristeza que assinalamos a mediocridade dos nossos órgãos de Comunicação Social (OCS), salvo raríssimas excepções, coniventes com a destruição da Língua Portuguesa, na Educação degradante, na subordinação a interesses obscuros e ao alheamento dos temas a cargo dos órgãos democraticamente eleitos (Assembleia da República e Governo).
Em causa está a deslealdade de todos os que se renderam ao AO90, perante a Constituição da República Portuguesa (CRP), nomeadamente, perante o Art.º 11.º, que trata dos símbolos nacionais e Língua oficial:
A Bandeira Nacional (que anda por aí usurpada indevidamente)
O Hino Nacional (por enquanto intocável, apesar de já ter havido uma tentativa de o desvirtuar)
A Língua Oficial de Portugal – a Língua Portuguesa (que está a ser espezinhada nas Escolas Portuguesas, lugar onde deveria ser posta no pedestal da nossa Identidade como um Povo livre e soberano, e anda por aí a rastejar, como a mais indigente das Línguas).
É sobre este símbolo nacional – a Língua Portuguesa – que a finalidade desta carta se centra, e que muito resumidamente aqui se expõe.
A Língua Portuguesa, nos termos que a definem, actualmente está legislada pelo Decreto-Lei n.º 35 228, de 8 de Dezembro, que aprovou o Acordo Ortográfico de 1945, aplicado e usado com exemplos literários notáveis, em Portugal Continental, Insular e Ultramarino, o qual continua de jure em vigor, uma vez que não foi revogado. Alguns dos novos Estados, de Língua Oficial Portuguesa, não promulgaram, nem ratificaram o AO90, continuando a cumprir o supracitado Decreto-Lei.
Para ilustrar esta afirmação, aqui deixamos uma imagem da capa do livro que o Embaixador Carlos Fernandes escreveu, provando a ilegalidade do AO90, e um seu parecer.

O AO90: «O projecto nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss, foi desde o início um empreendimento com fins lucrativos, apoiado por uma poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portugal» in Jornal «O Diabo», num artigo de investigação, sob o título O Negócio do Acordo Ortográfico , artigo que recomendamos a Vossas Excelências, como candidatos à Presidência da República Portuguesa, bem como a leitura do livro do Embaixador Carlos Fernandes, porque pensamos que o que falta a quem escreve segundo o AO90 é informação.
A Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 8/2011, de 25 de Janeiro, recomendou [não obrigou, porque só uma Lei obriga] a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) em Portugal. Uma resolução do Conselho de Ministros não faz Lei, portanto, não havendo Lei, ninguém em Portugal é obrigado a usar a grafia brasileira, proposta no AO90.
O Decreto-Lei n.º 35 228, de 8 de Dezembro, que aprovou o Acordo Ortográfico de 1945, não foi revogado, pelo que existe uma RCM que se sobrepõe a um Decreto-Lei, e isto é inconstitucional.
Para esta ilegalidade, que já destruiu a educação das gerações pós 2011, e tende a fazer desaparecer a Língua Portuguesa, contribuíram:
Presidentes da República
Presidentes da Assembleia da República
Deputados na Assembleia da República
Governos
Um Acordo Internacional é entre Estados soberanos. Este AO90 não foi ratificado por Angola, nem Moçambique, nem Guiné-Bissau, nem Timor-Leste, pelo que não pode ser cumprido por Portugal, um Estado de direito democrático (Art.º 2.º da CRP).
Vossas Excelências decidiram não cumprir a Lei vigente, e seguir uma simples RCM que não faz lei, e a tal não eram obrigados. Como candidatos continuam a escrever incorretamente [saibam que este vocábulo, segundo as regras da Gramática Portuguesa, lê-se incurrêtâmente] a Língua Oficial de Portugal, e além de a escrever incurrêtâmente, pronunciam-na também incurrêtâmente. Esperava-se – e continua a esperar-se – que como candidatos à Presidência da República assumam, desde já, o compromisso de anular o ilegal e inconstitucional e abominável (para milhares de Portugueses Pensantes) AO90. Portugal merece! Os Portugueses merecem.
A Educação, o Ensino e a Cultura, pilares de um País que se quer civilizado, evoluído e culto, estão fora dos debates, como se estas matérias não tivessem importância alguma para as gerações mais novas, às quais estão simplesmente a passar diplomas de analfabetos funcionais.
Porém, não podemos falar de Educação, nem de Cultura, nem de Identidade Portuguesa, sem primeiro garantir a integridade do seu maior pilar: a Língua Portuguesa. E a Língua Portuguesa anda por aí de rastos, estando a ser ilegalmente aplicada nas Escolas, instituições públicas, órgãos de comunicação social, empresas, e por demais pessoas que talvez não saibam o que andam a fazer, e por que o fazem.
Precisávamos desta linha de pensamento. Necessário se torna, pois, concretizá-la.
Por fim, e contra o AO90, destacamos dois valiosos depoimentos: o do conceituado escritor e crítico literário brasileiro, Paulo Franchetti, e o de Vasco Graça Moura, então Director do Centro Cultural de Belém, escritor e tradutor português, onde se comprovam o valor da Cultura e a relevância da verticalidade dos Homens:


Esperando que Vossas Excelências acolham com simpatia estas nossas palavras, apresentamo-vos os nossos melhores cumprimentos,
P’lo Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes
(Clicar no link para ter acesso aos nomes dos subscritores)
Isabel A. Ferreira
Carlos A. Coimbra, cidadão português radicado no Canadá, enviou-me o seguinte protesto:
Assunto: E o Marcelo não defende isto...
Carreguei agora a APP do ChatGpt.
Quis ver a lista de línguas.
E pronto, já desinstalei a coisa.
O Português padrão não é o original, de Portugal!
O original vem listado separadamente, entre parênteses, como versão especial.
Nem quis ouvir o que aparece como "português", mas suspeito qual seja!
E não sei para onde me queixar...
Carlos A. Coimbra
***
Obviamente que aquele “português” é a Variante Brasileira do Português.
E o Português (Portugal) é a nossa triste Língua acordizada, pelo brasileiro Antônio Houaiss.
E isto é usurpação de um dos símbolos da NOSSA Identidade: a Língua Portuguesa.

Para que a verdade seja reposta, o que deve aparecer é o seguinte:

E o Marcelo não defende isto???????
NÃO, não defende, e nós sabemos muito bem porquê.
O Carlos não sabe a quem fazer queixa.
Eu também não sei.
Já corremos muitas autoridades, e nenhuma nos respondeu, e nós também sabemos muito bem porquê.
Se houver algum jurista que possa orientar-nos nessa queixa, agradeço que me contacte para o e-mail do Blogue: isabelferreira@net.sapo.pt
Isto é uma vergonha para Portugal.
O Português é de Portugal e de quem não deslusitanizou a Língua Portuguesa, como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau.
O Português NÃO é do Brasil.
Do Brasil é a Variante Brasileira do Português.
O que mais me irrita nesta questão do “português” na Internet é ver a pouca vergonha com que a Google, o ChatGpt e outros software passaram a considerar "Português" o que se fala e escreve no Brasil, e "Português (Portugal)" indicado como Língua regional, marginalizada, quando é o Português original, o Português padrão, a GENETRIZ das Variantes que se criaram a partir dela, incluindo a Variante ( = dialecto) Brasileira da Língua Mãe dos Portugueses.
Há que ter vergonha na cara!!!!
Isabel A. Ferreira
A questão que podemos pôr é a de saber se esse Português é a Língua Genetriz, a Língua Portuguesa, aquela que gerou as mais diversas variantes nos territórios descobertos, povoados, uns, ou repovoados, outros, por Portugueses, no tempo do Império Português, espalhado pela Ásia, África e América do Sul, ou se é a Variante Brasileira do Português, falada e escrita no Brasil, que tem vindo a ser imposta ilegalmente aos países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua [oficial] Portuguesa: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste. A Guiné Equatorial também faz parte da CPLP, tem o Português como Língua Oficial, mas nessa Guiné ninguém fala Português, pois foi introduzida na CPLP, apenas por motivos comerciais. E para os efeitos da conservação da biodiversidade global, inclui-se a Malásia e Indonésia.

É preciso fazer aqui um aparte, porque uma coisa é a Língua Oficial desses países, por motivações políticas ou comerciais, outra coisa são os dialectos, falados em Angola e Moçambique, por exemplo, e até outras Línguas que se falam em alguns países, como é o caso do Brasil, onde se falam actualmente 274 Línguas e dialectos nativos, de acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) em 2022, que considera também as variantes (dialectos); e de Cabo Verde, que já tem a sua Língua Cabo-Verdiana.
É inacreditável como a Língua Portuguesa, a Língua dos Portugueses, a Língua de Portugal, o Português anda por aí na boca do mundo, com vídeos no YouTube onde se diz os maiores disparates sobre uma Língua que desconhecem e da qual se atrevem a falar.
Mas mais inacreditável ainda é não haver nenhum linguista, nenhum jurista, nenhum tribunal, nenhum governante com bom senso, nenhum professor, nenhum escritor, nenhum jornalista que venha ao terreno repor a verdade. Esse tem sido o meu trabalho nos últimos tempos. E não vejo mais nenhum português a defender a Língua Portuguesa, nesses vídeos.
Portugal é mesmo uma República DOS Bananas!
Ver aqui a notícia, que deu origem a este meu alerta.
Isabel A. Ferreira
A imagem abaixo foi retirada daqui, com a seguinte introdução:
«Não se pode dizer a uma criança que vem de uma escola brasileira, onde aprendeu de uma determinada forma, que aquilo que aprendeu está incorrecto. O que tem de ser dito é que existem variedades e, estando aqui, também é bom conhecer a variedade de Portugal para poder usá-la cá, caso venha a continuar a viver no país, sem perder a variedade que já conhece.», sublinha Marco Neves.
É obvio que não pode dizer-se a uma criança que vem de uma escola brasileira que a linguagem que aprendeu está incorrecta, porque não está. O que tem de ser dito é que no Brasil aprende-se a escrever e a ler a Variante Brasileira do Português, que é diferente do Português que as crianças portuguesas aprendem nas escolas portuguesas, e aproveita-se para acrescentar que a diferença não está apenas na fala (a fonética é a parte mais audível das diferenças), mas também na ortografia (onde as diferenças são inúmeras), no léxico, na morfologia, na sintaxe, na semântica, na acentuação, na construção frásica, explicando de um modo simples, o que tudo isto quer dizer.
O que se fala e escreve em Portugal NÃO é nem uma variedade nem uma variante do Português. O que se fala e escreve em Portugal é o Português ou Língua Portuguesa, ou Idioma Português, a Língua de Portugal, e desta Língua criaram-se muitas variantes ( = dialectos) como a do Brasil, a de Cabo Verde (Crioulo Cabo-verdiano, que evoluiu para Língua Cabo-Verdiana), e muitas outras espalhadas pela Ásia e África, de acordo com o mais conceituado dialectologista português: José Leite de Vasconcelos. Sendo que Angola, Moçambique, Timor escrevem e falam Português, com um ligeiro sotaque característico de cada um desses países. O modo de falar brasileiro NÃO é um sotaque, porque tem elementos sonoros bem distanciados da fonética portuguesa.
Sotaque é o modo como se fala no Norte e no Sul de Portugal, portuenses e alentejanos, por exemplo.
O que se tem de dizer às crianças, não só brasileiras, mas de todas as outras nacionalidades (e são muitas) que frequentam as escolas portuguesas, é que devem aprender o Português original, livre do AO90, sem, contudo, esquecer as suas Línguas Maternas. Porque o Português só é Língua Materna de quem nasceu português.

O que se lê nesta imagem não é verdade. Aprendi a ler e a escrever no Brasil, lá passei por todos os ciclos de ensino e sei que isto não é verdade.
Quando regressei a Portugal, tive de aprender a ler e a escrever a minha Língua Materna. E tanta, tanta coisa nova tive de aprender! O Brasileiro NÃO era a minha Língua Materna.
O Brasileiro é brasileiro. O Português é português.
Por muito que queiram não podem distorcer o que é factual, e o que é factual, é que o Brasil usa a Variante Brasileira do Português (Língua do Brasil) e Portugal usa o seu Idioma de raiz greco-latina, o Português ou Língua Portuguesa (Língua de Portugal).
Manuel Lameira, a propósito disto, escreveu um texto, que me foi enviado via Messenger, por uma amiga anti-acordista, e que tomo a liberdade de transcrever, concordando com ele:
«A língua é muito mais que a ortografia. Porque é que uma criança brasileira há-de ser tratada de forma diferente de uma marroquina ou ucraniana quando frequente as nossas escolas? Aquilo que ela aprendeu noutro lado tem alguma coisa a ver? Em Portugal as regras são as nossas e são essas que todos devem seguir (infelizmente aldrabadas com os acordos ortográficos).
Além disso se a maioria das palavras se escrevem do mesmo modo, em Portugal e no Brasil, o seu uso e significado - a língua - podem ser totalmente diferentes. Nós vamos "para casa" e os brasileiros vão "em casa"; facto e fato escrevem-se do mesmo modo em Portugal e Brasil, mas não significam o mesmo. Além do mais, isso de variedades é treta de "professores" que se armam em donos "onipotentes" da língua. Por esse andar ainda falamos todos variantes do galego, do latim, ... dos grunhidos do Pai Adão.
O que há é uma língua original, com séculos, o Português genuíno, e outra derivada que evolui de forma independente há 200 anos, e pelo número de falantes, e pela forma como é favorecida no nosso país de subservientes (com a gente que hoje temos a mandar - o fraco rei, já dizia Camões ... - , nem às Berlengas teríamos chegado!) acaba por inquinar a nossa língua. Falar em variantes é meter tudo no mesmo saco e já se sabe quem sai a perder, e não é o brasileiro. Tratar o português e o brasileiro como variantes (*), é imaginar uma árvore só com ramos e sem tronco, coisa que só cabe na cabeça de professores "amigos da onça", que sabem "tudo" sobre a matéria que ensinam, mas desconhecem o essencial. E o essencial, que as universidades não ensinam e a inútil Academia das Ciências não defende, é que o Português é a língua que se fala em Portugal. Como diria o Senhor de La Palice.»
Manuel Lameira
***
Obs. da autora deste Blogue:
(*) O Português é a Língua original, NÃO é variante de coisa nenhuma. Já foi dialecto, e hoje é uma Língua oriunda do Latim. O Brasileiro é a Variante Brasileira do Português, que um dia será uma Língua oriunda do Português.
***
Em país nenhum, em parte alguma do mundo, se andou ou anda a travar uma luta pela integridade de um Idioma, com quase mil anos de história, apenas porque uma ex-colónia, que o adoptou, mexeu na sua estrutura, transformou-o numa outra linguagem e continuou abusivamente a chamar-lhe Português.
Já é tempo de parar com este abuso.
O Brasil tem a sua Língua.
E nós temos a nossa.
***
E posto isto, aqui deixo um recado para o Brasil:
«Excelentíssimo Senhor Inácio Lula da Silva, venho aqui apenas para lhe lembrar que o que de mal se faz neste mundo, cá se paga. O Brasil está metido em alhadas com as tarifas de Trump, e Vossa Excelência não está a gostar nada disso. É para ver!
Nós, Portugueses, também não estamos a gostar nada da ingerência de Vossa Excelência na vergonhosa questão da Língua Portuguesa. O Brasil tem uma Língua própria, que já não é a Portuguesa, porém, o Brasil insiste em destruir um Idioma quase milenar, para impor a Variante Brasileira do Português, com o aval dos muito servis políticos portugueses, que serão todos julgados pela História.
Nós não gostamos disto. Nós não aceitamos isto. Nós não vamos acatar o que nos querem impor.
Espero que Vossa Excelência aprenda a lição que a vida quis dar ao Brasil, com esta ingerência das taxas de Trump (que está na lista dos que também hão-de sofrer as consequências dos seus actos desprezíveis). A História está cheia de exemplos desse “sofrer as consequências pelos actos desprezíveis cometidos”.
Há um ditado português que diz: «o que cá se faz, cá se paga». É a mais pura verdade.
Não queremos mal a Vossa Excelência.
Só queremos que liberte Portugal do jugo brasileiro (de qualquer modo, havemos de nos libertar), e venha para o evoluído século XXI d. C.. Só assim poderá redimir-se e, talvez, entrar para a História. Os nossos políticos, que não souberam defender a soberania linguística de Portugal, já têm lugar garantido do lado de fora da História.
Com os meus mais cordiais cumprimentos,
Isabel A. Ferreira
«Portugal é um braço do Paquistão e da Índia», disse ele, mas, no Brasil, há quem diga que Portugal é o 28º Estado brasileiro. Vou mais por aqui, uma vez que os governantes portugueses são vassalos desta ex-colónia.
Concebo que Portugal seja um braço não só do Paquistão e da índia, como também do Bangladesh, de Angola, de Cabo-Verde, de Moçambique, de Timor-Leste, de São-Tomé-e-Príncipe, da Guiné-Bissau e até de outras comunidades estrangeiras, menos visíveis.
Mas do Brasil, Portugal é o corpo inteiro.
E ele diz que quem está entregando Portugal está desonrando os seus antepassados.
É isso aí! Mas não só estão a desonrar Portugal, como estão principalmente a desonrar os seus próprios filhos, os seus descendentes, não lhes deixando o País que os nossos antepassados ergueram com muito sangue, suor e lágrimas, para que as gerações futuras pudessem dizer que tinham um País!
Eu faço parte da última geração que ainda teve um País. Os meus filhos e os meus netos e os que ainda hão-de vir, já não podem dizer o mesmo, porque já começam a ser apátridas dentro do seu próprio País: sem Língua, sem História, sem Cultura, sem Futuro.
E isto graças aos que por um prato de lentilhas hipotecaram a própria coluna vertebral.
Isabel A. Ferreira
Como os acordistas querem fazer crer, o AO90 veio para unificar a grafia na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: Portugal, Angola, Moçambique, Timor-Leste, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil – a Guiné Equatorial não é para aqui chamada, porque lá ninguém fala Português, ainda que seja um mal-amanhado Português), e eis senão quando, as regras viraram-se do avesso, mandou-se a Gramática portuguesa às malvas, e cada um escreve como lhe dá na real gana, e por aí começaram a borbulhar vocábulos absolutamente ridículos, que nada têm a ver com a Língua Portuguesa = Português = Língua de Portugal (designações para uma só Língua: a dos Portugueses, que todos respeitaram, excePto o Brasil).
Vem isto a propósito de uma imagem que me enviaram, via e-mail, para me dar conta de um novo abortinho ortográfico: “execional”, que grelou no site da E-Redes, que não sendo um organismo do Estado Português NÃO tem obrigação de escrever incorreCtamente a Língua de Portugal. Apenas os que são afectos à Presidência da República, ao Governo Português e infelizmente às Escolas se sentem na obrigação de escrever incorreCtamente a Língua Portuguesa, para agradar a Inácio Lula da Silva, o tal que manda nisto tudo. E não refiro aqui os partidos com assento no Parlamento, porque esses NÃO são obrigados a escrever em MAU Português, se fossem obrigados, o Partido Comunista Português escreveria incurrêtamente, e NÃO escreve.
Não sei se sabem, o AO90 veio surripiar a Identidade Linguística e a Soberania Portuguesas, e Portugal caminha para a extinção, e os Portugueses ficam a olhar para isto em cima do muro, calados como pedras...
Isto para mostrar a desgraçada sina de um País (o nosso) que já teve a Língua mais bela entre as Línguas Indo-Europeias, e que uma ignorância e uma indiferença insólitas estão a destruir intencionalmente.
Eis as imagens do meu descontentamento:
A primeira, está como me chegou, com um fundo quase negro, e não se percebe o que está por detrás do “recado” da E-Redes.
Na segunda, ajustei o logótipo da E-Redes, no mesmo lugar onde ele está no site, para melhor identificação. Isto não é uma montagem!
“EXECIONAL”???????
Ao menos “carácter” está correCtamente escrito. E quando se dá uma no cravo outra na ferradura, diz-se que escrevem em Mixordês, a vergonhosa novilíngua portuguesa.
Isabel A. Ferreira


Observação: por ser do interesse de todos os que, com boa-fé, se entregam à luta anti-AO90, eu, como autora do Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa», um lugar/repositório de quase, quase tudo o que tem sido publicado e realizado acerca da luta contra o AO90 e em defesa da Língua Portuguesa, considerei, por bem, reproduzir a entrevista que o site «Vidas e Obras» fez à Página do Facebook «Tradutores Contra o Acordo Ortográfico».
É preciso que exista em Portugal uma verdadeira e informada opinião pública, como refere a Professora Helena Carvalhão Buescu, e para tal é necessário ler o que se diz e o que se escreve acerca desta matéria.
Isabel A. Ferreira

Fizeram várias publicações no Facebook sobre a “Resistência ao Acordo Ortográfico”. O que é preciso para que a resistência consiga efeitos imediatos?
A resistência já vem de longe, desde 1986, quando a sociedade civil se mobilizou em peso contra uma proposta de acordo ortográfico cheia de bizarrias (como o famoso “cágado” sem acento). Ainda assim, esse plano não foi derrotado — com uns retoques, havia de redundar no Acordo Ortográfico (AO) de 1990. Desde Vitorino Magalhães Godinho e o Grémio Literário a Vasco Graça Moura e ao Público, passando por José Pacheco Pereira, Miguel Sousa Tavares, Teolinda Gersão, Maria do Carmo Vieira e tantas personalidades e cidadãos mais ou menos anónimos, a resistência sempre esteve viva, fosse sob a forma de artigos de opinião, petições, uma iniciativa legislativa de cidadãos, acções judiciais, cartas a deputados e governantes, audições parlamentares, grupos de trabalho no Parlamento, a tentativa de referendo, activismo nas redes sociais e em blogues, etc. Em 2012, porque a voz dos tradutores sobre a questão foi quase nula, esta página quis dar o seu contributo.
Para se ter uma ideia do nível de oposição que existe, nunca houve uma única sondagem ou inquérito de opinião favorável, com a rejeição do AO a ultrapassar sempre os 60 %. Por todo o país, inúmeros órgãos de comunicação social, entidades públicas e privadas, editoras e autores continuam a não aplicar a nova norma. Esse simples acto, juntamente com a renúncia à compra de determinados livros ou jornais, ou a correcção de grafias em placa/avisos, constitui uma poderosa forma de resistência ao alcance de todos, embora com o passar do tempo essa atitude vá esmorecendo. Chegou-se a uma fase em que enquanto não houver vontade política, seja da maioria dos partidos, do Governo ou da Presidência da República, as tentativas de anulação ou discussão do assunto ao mais alto nível estão votadas ao fracasso. A postura do facto consumado tem feito o seu caminho, mas como se costuma dizer, nunca é tarde para se corrigir um erro. Neste caso, vários erros, tantos quantas as bases do Acordo, que levaram a confusões ortográficas, semânticas e de pronúncia. Nenhuma reforma anterior levou a este estado de coisas, o que diz bem das deficiências técnicas e científicas do documento.
Têm uma fotografia duma manifestação intitulada “A Língua não é uma mercadoria. Não está à venda!”. A ortografia já foi alterada três vezes à revelia do povo, resultando neste novo acordo ortográfico. De que forma é possível que esta premissa de que a Língua não é uma mercadoria e que não está à venda seja cumprida?
As alterações ortográficas têm coincidido com mudanças de regime, fosse em 1911, com a instauração da República, em 1945, durante o Estado Novo, ou em 1990, na democracia. Daqui se depreende que têm sempre um grande cunho político, subalternizando-se a parte técnico-científica. Isto foi por demais evidente no caso do último Acordo, em que a vertigem do tema levou o então primeiro-ministro Cavaco Silva a mandar assinar logo o documento e o Governo de José Sócrates a fazer aprovar o Segundo Protocolo Modificativo, de acordo com o qual bastaria a ratificação de apenas três países para que o tratado vigorasse. Uma manobra de desespero e imposição a todo o custo, visto que o assunto estava engavetado e esquecido há vários anos.
O ritmo a que Portugal faz reformas ortográficas, já sem contar com ajustes pontuais, resulta em alterações a cada 35 anos, um caso sem paralelo na Europa, por exemplo. A ortografia é conservadora por natureza, dado que a estabilidade convém à compreensão e é uma forma de entendermos o ontem e nos fazermos entender no futuro. Não deve ser alterada a bel-prazer, com ligeireza e como uma cartada ideológica ou uma moeda de troca diplomática. Por alguma razão nada disto aconteceu com o inglês, que, apesar de “arcaico” na forma, é a língua franca internacional, da modernidade e do futuro, seja na Internet, nas aplicações, na programação informática, nas publicações científicas, etc. Também a ortografia cristalizada do francês, cheia de duplas consoantes, letras mudas e falta de correspondência entre escrita e fala, não obstou à sua aprendizagem e a que o idioma tivesse nível mundial e fosse veículo de conhecimento. Por conseguinte, deixe-se a língua em paz. O património maior de qualquer nação, por ser um bem intangível, não pode servir para mercadejar. Acresce que, volvidos quase 15 anos da adopção, nenhum dos objectivos do Acordo foi cumprido, fosse no intercâmbio entre países lusófonos, na uniformização, na projecção do português, na maior simplificação, nas actas únicas em fóruns internacionais e na abertura do mercado livreiro.
Têm um álbum no Facebook sobre: “Oposição em Portugal ao Acordo Ortográfico”. De que forma é possível aumentar a oposição ao acordo?
Páginas como esta e grupos no Facebook e noutros locais, blogues, artigos em jornais, reportagens específicas e emissões dedicadas ao AO constituem contributos valiosíssimos não só para a compreensão e o despertar para as questões da língua, mas também para desconstruir muitas das teorias do acordismo e expor o seu fracasso. A este respeito, o jornalista Nuno Pacheco tem sido um lutador incansável, divulgando não só os erros e o caos ortográfico, mas dissertando sobre a relação que a política e os costumes em geral têm com a língua e a sua forma escrita. Também o escritor e revisor Manuel Monteiro, nos seus livros e em entrevistas, nunca perde a oportunidade de denunciar os atropelos do Acordo, que nem estará vigente (o decreto da norma anterior não foi revogado), conforme explanou o embaixador Carlos Fernandes em livro.
Criou-se em relação à língua portuguesa a ideia de que pode ser diversa em tudo, menos na ortografia, o que não se passa em nenhuma das línguas com variantes fortes. Esta visão é completamente anacrónica nos dias que correm. Cada país deve seguir as suas próprias orientações em consonância com as especificidades da sua variante, gozando de soberania linguística. Os Brasileiros mandam na sua variante, nós na nossa e os Angolanos na sua. Esta perspectiva teria evitado tantos equívocos e verdadeiros atentados culturais. É divulgando estas ideias, que no fundo são de senso comum, que será possível chegar a mais pessoas e aumentar a oposição, seja do ponto de vista técnico, social ou até filosófico. É que o AO faz mesmo o pleno — é uma aberração científica, política, jurídica e diplomática.
Têm um álbum no Facebook sobre: “Caos ortográfico pós-AO”. Após vários anos de imposição ilegal do Estado, Presidência, escolas, universidades, revistas, canais de televisão e outros meios de comunicação em que medida o AO tem prejudicado quer a ortografia, quer a oralidade? E que impacto é que tem tido este este Caos Ortográfico nos alunos, quem lê na TV ou jornais e revistas? Em que medida as alterações desde a reforma ortográfica têm prejudicado a ortografia, e este caos tem prejudicado as traduções?
O Acordo lançou a ortografia portuguesa num caos que é indigno de uma língua desta dimensão, como observou Bagão Félix. Não só continua a existir uma mistura permanente de grafias pré e pós-AO, como surgiram erros atribuíveis aos novos preceitos, como sejam “adeto”, “elítico” e “interrutor” (supressão do “p”), “espétaculo” e “desinfétar” (acentuação indevida pela retirada da consoante muda diacrítica), “inteletual”, “impato” e “fição” (ausência do “c”), “galático”, ”adição”, “contato” e “fato” (não perderam mesmo o “c”), “25 de abril” (mantém a maiúscula), “excessão” (a queda do “p” levou a uma deturpação ainda maior), etc. Grafias deste tipo aparecem com frequência no Diário da República e já constaram numa reprodução da Constituição Portuguesa no site da Assembleia da República. Além disso, um fenómeno inédito que ocorreu foi o retorno da escrita sobre a oralidade, como proferir “afêta” (devido à grafia “afeta”), em vez de “aféta” (“afecta”), ouvido a um jornalista há uns dias, ou “coâção” (“coação”) por “coàção” (“coacção”). Vocábulos noutras línguas têm surgido com consoantes truncadas, incluindo na imprensa. Depois, por via da supressão de hífenes, passámos a ter verdadeiras aberrações gráficas, tais como “conarrar”, “cocomandante”, “corréu”, “contraião”, “semirrei” ou “intrauterino”, além de confusões ortográfico-semânticas entre palavras que se tornaram demasiado parecidas, como são os casos de “conceção”/“concessão” e “interceção”/”intercessão”/”interseção”. Tudo isto, que está documentado em profundidade na página, e a que acresce o desmembramento de famílias de palavras, leva o falante a ter mais dúvidas do que certezas na hora de escrever. Houve uma dispersão ortográfica ainda maior do que antes, com a não-aplicação das novas regras pela maioria dos países lusófonos, com destaque para Angola e Moçambique, e nos próprios países que as aplicam devido às duplas grafias e à colagem da grafia à pronúncia, que será o aspecto da língua que mais variação apresenta. Toda a gente passou a escrever de uma forma ainda mais diferente.
Embora o objectivo fosse facilitar e simplificar a escrita, o que vemos é o inverso, porque a nova ortografia é pouco intuitiva. Temos recebido na página imagens de professores que se deparam com erros gritantes resultantes do Acordo em provas dos seus alunos, com os próprios a confessarem que não viam esse tipo de erros antes. Nas traduções, particularmente em filmes e séries, e inclusive em capas de livros, surgem vários tipos de anomalias, de que damos conta na página. Em sites de empresas de tradução, não é raro ler a indicação “Contatos”. Há tradutores que passaram a trabalhar para os mercados de Angola e Moçambique, a fim de contornar toda esta trapalhada.
Têm um álbum no Facebook sobre “Factos e propaganda anti-AO”. De que forma pode isso ajudar a esclarecer e levarem as pessoas a tomarem uma posição contra o acordo ortográfico?
É no esclarecimento que está a chave para que os cidadãos tenham consciência deste problema. Há pessoas que não tinham uma opinião definitiva ou eram a favor, mas perante as contínuas evidências foram obrigadas a reconhecer que não estavam a par de toda a realidade da questão. Em vez de bater no peito com o patriotismo lusitano, que em si não serve de muito para esta causa e pode prejudicá-la pelo desvio para outros campos, a solução é informar, explicar, educar. E convocar pessoas que nos outros países combatem este processo, incluindo no Brasil, onde existe uma oposição significativa entre académicos, personalidades de várias áreas e políticos.
O AO não é de esquerda nem de direita, tem apoiantes e detractores de ambos os lados, nem a norma de 1945/73 é «o português dos nacionalistas», como se escreveu por aí, e não presta porque é «do tempo da ditadura», segundo Santana Lopes. É apenas a norma estável, mais coerente e mais bem elaborada após as alterações de 1911.
Quais são os vossos sonhos para a Língua portuguesa e para Portugal?
É evidente que a língua portuguesa não se esgota no AO. Há quem afirme, como o professor Fernando Venâncio, outro antiacordista, que o idioma não está tão mau como muitos querem fazer crer e que esse sentimento é cíclico e já ocorreu noutras épocas. Pode ser verdade até certo ponto, mas é inegável que, somando-se ao AO, o português enfrenta desafios como o uso massificado e tantas vezes despropositado de anglicismos, o empobrecimento do ensino ou o afunilamento do vocabulário. Não podemos ser passivos e ficar à espera de que a língua sobreviva só por si própria, até porque, como se sabe, se extinguem línguas todos os anos com a morte do último falante e o avanço hegemónico do inglês a nível global ou de outras línguas mais poderosas a nível regional.
Por outro lado, não podemos estar dependentes do Brasil como o motor da língua e a olhar sempre para o outro lado do Atlântico. O Brasil faz o que lhe compete, faz avançar a sua variante, e tem algo que Portugal ainda hoje não tem, uma verdadeira política da língua, algo que o AO serviu para mascarar, sem nenhuns resultados práticos, como é notório. Será isso que falta a Portugal como um todo, mais iniciativa, mais capacidade de comando, menos atrelamentos, menos dependências, seja demográfica, económica ou culturalmente. Por vezes, dá a ideia de que temos um país ao contrário.
Obrigado pelo seu tempo, votos de bom trabalho.
Projecto Vidas e Obras
Entrevista: Pedro Marques
Correcção: João Aristides Duarte
01 De Abril De 2025
Fonte:
Fernando Kvistgaard, português radicado na Dinamarca, e um dos subscritores do nosso Grupo Cívico, grande opositor do AO90, que anda a sondar o que o ChatGPT anda por aí a responder a quem lhe faz perguntas, escreveu-me a dar-me conta da resposta que recebeu à pergunta referida no título, que ele apresentou no ChatGPT, e aplicou este adjectivo: ESCANDALOSO! Eu acrescentaria também transgressão e usurpação.
Vou transcrevê-la e desmontá-la ponto a ponto, porque já estou farta de ver a ignorância prosperar na Internet, através de gente que tem por missão destruir a Língua de Portugal, com a aprovação do servil governo português, para impor ao mundo a Variante (= Dialecto) Brasileira do Português ou o Brasileiro, disfarçada de Português.
A cassete do ChatGPT é a cassete usada pelos predadores da Língua Portuguesa, d´aquém e d’além-mar, espalhada por todas as redes sociais, por todas as plataformas digitais, e que dá muito nas vistas, por andarem sempre a bolçar os mesmos paralogismos.
Então, vamos lá.
Em itálico está o que a insciente IA escreveu.
A azul está o que corrigi para Português.
Mas antes vou deixar aqui imagens que falam da abusiva usurpação do maior símbolo identitário dos Portugueses – a Língua de Portugal – as quais manipulei, para repor a verdade, ou seja, a bandeira brasileira deve assinalar a Língua Brasileira ou Variante Brasileira do Português, e a bandeira Portuguesa assinala a Língua de Portugal, o Português.



A Língua Portuguesa é frequentemente representada pela bandeira do Brasil por algumas razões principais:
1. Número de falantes: o [só o ponto . exige letra maiúscula] Brasil é o país com o maior número de falantes de Português no mundo, com uma população de mais de 200 milhões de pessoas que falam a Língua. Isso faz do Brasil um dos pilares da Língua Portuguesa globalmente.
*** Não é verdade que o Brasil seja o país com o maior número de falantes de Português no mundo, simplesmente porque no Brasil o que se fala e escreve é a Variante Brasileira do Português (ou Brasileiro), diversos dialectos em determinadas regiões, diversas línguas dos vários povos estrangeiros lá radicados, e 274 Línguas indígenas diferentes, faladas por 305 etnias. Apenas os emigrantes Portugueses mais velhos falam Português.
2. Cultura e influência: a cultura brasileira, com [a] sua rica diversidade em literatura, música, cinema e outras artes, tem contribuído para a promoção da Língua Portuguesa em várias partes do mundo, tornando-a uma Língua mais visível e influente.
*** É mentira que a rica diversidade em literatura, música, cinema e outras artes tenha contribuído para a promoção da Língua Portuguesa no mundo, quando o mundo todo sabe que quando um brasileiro abre a boca está a falar Brasileiro. Na escrita as diferenças não são tão evidentes, mas ainda assim existem bastantes diferenças, porém, na fala, é evidente que falam o Brasileiro ou a Variante Brasileira do Português. E quanto à visibilidade e influência, dizer isto é uma grande falácia. Nem visibilidade, nem influência, em parte alguma. É uma Língua que passa despercebida entre as Línguas mais influentes do mundo. O Português é apenas a Língua POLITICAMENTE oficial de seis países, porém, apenas Portugal tem o Português como Língua oficial legítima, os restantes países têm-na como Língua oficial por interesses meramente políticos.
*** A isto chama-se USURPAÇÃO da Língua de Portugal. E dizer que embora o Português seja falado em vários outros países como Portugal etc., é de uma estupidez crassa. O Brasil não é o dono da Língua Portuguesa. Não foi no Brasil que a Língua Portuguesa nasceu, por isso, essa frase é uma anedota, dá a ideia de que o Português é oriundo do Brasil, mas é falado em vários outros países, como, por exemplo, em Portugal, Angola, Moçambique etc.. O Português é a Língua de Portugal, foi Portugal que a levou para os países que descobriu e colonizou, e nesses países como Angola ou Moçambique apenas a elite culta ainda fala e escreve Português, de resto as populações usam os muitos dialectos africanos, que fazem parte da sua História. Usar a bandeira brasileira para representar o Português, que é a Língua de Portugal, é surripiar o símbolo maior da identidade de um Povo, e isso pode configurar um crime de usurpação do símbolo identificativo de um País.
*** A Língua Portuguesa é uma Língua indo-europeia, de raiz greco-latina, concebida em Portugal, por qualificados linguistas no reinado de Dom Diniz, e dispersada pelo mundo aquando dos Descobrimentos Portugueses. E nenhum outro país do mundo, afastou a Língua de Portugal das suas raízes, como fez o Brasil, portanto é mentira que tivesse mantido a Língua original, porque a mutilou e afastou-a da fonética, da ortografia, do léxico, da morfologia, da sintaxe e da semântica que estão na base da estrutura do Português. E no Brasil, a Língua NÃO evoluiu, muito pelo contrário, regrediu ao seu estado mais básico. A Língua hodierna já não é a mesma Língua com que Jorge Amado e outros clássicos brasileiros escreveram a sua preciosa obra literária.
Por essas razões, a bandeira do Brasil se torna um símbolo comum para a Língua Portuguesa, mesmo que existam outras nações que também a falam.
*** Por todas as razões que apresentei, a bandeira do Brasil NÃO pode ser um símbolo comum para a Língua Portuguesa, porque a Língua Portuguesa NÃO é falada nem escrita no Brasil correCtamente, mas sim em Angola, o último bastião do Português correCto (por enquanto). Em Moçambique, com a leva de professores e manuais brasileiros para as escolas moçambicanas, o abrasileiramento da Língua é mais do que notório. Apenas a elite culta de Moçambique fala e escreve o Português correCto. E em Portugal, actualmente, o Português está tão deturpado, tão maltratado que se transformou numa linguagem mixordesa, sem futuro algum.
As “informações” do ChatGPT são uma falácia. Fartos desta cassete estão os Portugueses. Bolçam mentiras sobre o símbolo maior da Identidade de Portugal, apenas por interesses meramente políticos do Brasil, que só são mantidos, graças ao arreigado e vergonhoso servilismo do governo português.
Aguardamos por um salvador, com coragem para derrubar o bunker onde têm cativa a NOSSA Língua Portuguesa.
E que ninguém venha apodar-me de xenófoba ou racista, porque isso sei que NÃO sou.
Isabel A. Ferreira
Portugal inteiro já ouviu falar ou de ter lido sobre a existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se mantém e se deseja saudável, pois à excepção da Guiné Equatorial – país non grato, porque mantém o não respeito pelos Direitos Humanos e porque mantém a pena de morte – são países, também à excepção da Guiné Equatorial, que antes de Abril de 1974, viviam sob administração portuguesa, e agora independentes.
Esta Comunidade, a CPLP, começou como razão e força da sua criação, o desenvolvimento mútuo, a partilha da Língua Portuguesa, da Cultura e o grande interesse pela afirmação da democracia. Como é evidente e normal, através desse caminhar, entre outros, tem-se avançado em interesses económicos, sociais, culturais e até já se pensa que a CPLP tem como estratégia futura a livre circulação de pessoas e bens entre si, o que é qualquer coisa de grandioso!
Sendo que, a partilha da Língua e Cultura, são, têm sido, o forte destas comunidades que falam Português, o enciclopedista brasileiro-libanês, Antônio Houaiss, engendrou o chamado Acordo Ortográfico há mais de 30 anos, que nem Angola nem Moçambique aderiram a tal acordo até aos dias de hoje. O Acordo Ortográfico (AO) deve dizer-se – nunca foi bem aceite por todos os países que falam Português e o Brasil só em 01 de Janeiro de 2016 (creio), pôs o AO em uso (assim disseram), contra a vontade dos brasileiros, sobretudo da intelectualidade do grande Brasil.

É de salientar que, em devido tempo, Vasco Graça Moura, grande escritor e político no activo, de então, condenou acerrimamente o Acordo Ortográfico/1990, classificando-o como “uma espécie de supermercado de palavras sem qualquer base ou razão que o justificasse”.
Apesar de várias alterações que o AO foi sofrendo desde 1990, não foi subscrito por todos os países como pressuposto é, e nem a Lei de 1945 que aprovou a Língua Portuguesa com bases científicas foi revogada. Logo, este AO usado à revelia por uns e ostracizado por outros – porque não tem como base verdade e realidade – confunde o povo, desprotege-o e prejudica-o, porque não está em vigor em todos os Estados signatários.
Os brasileiros sempre se firmaram no seu “brasileirês” e marimbam-se para o rigor do Português, excepto, claro está, a sua (deles) intelectualidade que defende e usa a Língua Portuguesa, na sua versão simplificada pelo Formulário Ortográfico Brasileiro de 1943.
Para os brasileiros o “facto” (acontecimento) será sempre o “fato”, porque ao nosso “fato” (calça e casaco) eles chamam-lhe “terno”, que para nós é ternura ou carta de jogar, entre outras. Claro que podiam ser citadas centenas e centenas de palavras que foram alteradas nesse semimorto AO que anarquiza os órgãos da Comunicação Social, Estabelecimentos de Ensino e faz dele o tal “supermercado” de palavras”.
Como atrás se afirma, os brasileiros cultos, como Escritores, Músicos, Críticos literários, Colunistas, etc. criticam o AO e recusam-se a usá-lo. Walnice Nogueira Galvão, escritora e crítica literária é peremptória:
«Quando sai uma reforma dessas, jogam-se no lixo todos os livros didácticos, para fabricar e vender tudo de novo. É uma reforma supérflua e inútil, provavelmente interesseira. Nunca vi ninguém fazer isso com o Inglês, por exemplo, que é cheio de consoantes e vogais que ninguém pronuncia e nem por isso é preciso fazer reformas ortográficas periódicas.»
Hélio Schwartsman, filósofo e colunista deu um grande berro, porque é muito lido e ouvido no seu Brasil ao afirmar:
«Línguas são como organismos vivos: nascem, crescem e morrem. Fazem-no independentemente de leis e decretos. E, até onde me lembro, jamais deleguei a nenhum parlamentar ou governante poderes para regular o meu quinhão do contracto social linguístico que vigora entre falantes de um idioma. Se dependesse de mim, o acordo ortográfico seria denunciado e todos poderíamos seguir escrevendo sem a interferência de burocratas de pouco tino».
Pessoalmente entendo que esta reforma ortográfica não enriquece nem favorece absolutamente nada a Língua Portuguesa e, como a escritora referida escreveu, alguém tem enriquecido com ela. Serei enquanto for possível, radicalmente contra estas regras “gramatiqueiras” de rabiscadores que querem que o facto passe a calça e casaco.
Artur Soares – Escritor – Braga, Portugal)
(Março de 2016)
(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990).
«Custa ver Angola mais sensata do que Portugal num caso como o Acordo Ortográfico. Muito pouca gente quis este acordo. Na verdade, quem quis este acordo foram duas classes profissionais portuguesas que agiram por interesse próprio: a classe dos editores, que maravilha ter que [sic] substituir os dicionários e os livros escolares todos, e meia dúzia de académicos que tiveram aquele sonho clássico do intelectual, que é legislar.»
Pedro Mexia, Escritor e crítico literário
«Na história da nossa democracia, não há procedimento tão absurdo e tão próprio de um poder totalitário como este. Assistimos desde o início a manobras visando calar toda a contestação, mesmo a de um órgão de aconselhamento do Governo em matéria de língua, a Comissão Nacional de Língua Portuguesa, coordenada então pelo Professor Vítor Manuel Aguiar e Silva que, por ter elaborado um parecer bastante crítico do anteprojecto de 1988, foi impedido de ter acesso ao texto do AO assinado em 1990.»
António Guerreiro, Cronista e crítico literário
«Há-de haver um português de Angola, de Moçambique, de São Tomé, etc. Isso é uma forma de riqueza prodigiosa, não há que ter receio disso. Logo, é uma patetice completa este Acordo Ortográfico de 1990 e, mais, uma vigarice, porque não há unificação possível da língua. O que quiseram fazer foi uma mera unificação da ortografia e, mesmo para isso, foram agredir barbaramente a etimologia das palavras. Este acordo cheio de excepções é, portanto, mentiroso, criminoso, completamente inútil e, a meu ver, ilegal. Não percebo esta obstinação e precipitação de Portugal. Nós sujeitamo-nos à vergonha de Angola não aceitar o acordo porque tem demasiado respeito pela língua. E nós merecemos essaeugénio lisboa, bofetada.»
Eugénio Lisboa, Escritor e crítico literário
«Comparadas com as diferenças lexicais e sintácticas entre o português europeu e o brasileiro, as diferenças ortográficas são nada. Daí a inutilidade e a estultícia do Acordo Ortográfico de 1990.»
Helder Guégués, Tradutor, revisor e autor, no blogue O Linguagista, em 14-03-2024
«Contrariamente ao muito que se diz por aí, as alterações que vão ser introduzidas são muito poucas e julgo que basta uma meia hora para os professores aprenderem as novas regras. E depois é aplicá-las.»
Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP), em 2-09-2009, “Diário Digital”
Como tem vindo a ser habitual, nalguns dos anteriores escritos, a par de citações de personalidades ligadas à língua, damos a conhecer exemplos do que consideramos ser o caos ortográfico decorrente da aplicação do AO90. Uma breve investida por apenas dois órgãos da Comunicação Social trouxe na rede o que se segue:
1 - «As emissões de dívida obrigacionista continuam a beneficiar de um duplo contexto favorável: “As expetativas de que o Banco Central Europeu vá iniciar o ciclo de descida de taxas de juro em junho, aliado ao fato de Portugal ter visto revisões em alta, quer do seu rating quer das perspetivas para a sua economia, têm levado a uma ligeira descida dos prémios de risco nacional”, refere Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa.
Recorde-se que a notação da dívida faz, agora, o pleno das cinco principais agências de rating, no escalão A, mais favorável à ampliação dos investidores interessados na dívida portuguesa, e que as contas nacionais registaram um excedente de 1,2% do PIB, o maior desde o 25 de abril, e o segundo superávite alcançado pelos governos de António Costa.» Expresso, 10-04-2024.
Dando de barato a questão da dupla grafia de expectativa, chamamos a atenção do leitor para a profecia de Pedro Santana Lopes de que “facto é agora igual a fato”, como nos lembra, mais uma vez o jornal Expresso. Acrescente-se que o AO90, que tinha o objectivo de unificar a língua, veio dar-nos a obrigação de utilizarmos a forma abstrusa perspetiva, enquanto um brasileiro continuará a usar perspectiva. Unificação foi o que disseram? Além disso, à imagem de muitos outros, o Expresso e até as escolas (como se vê numa das imagens, retirada da página de Facebook dos Tradutores contra o Acordo Orográfico) parecem continuar a escrever sempre com minúscula os nomes dos meses, sem terem em conta o que estipula o AO90 no que se refere às efemérides. Chama-se aplicação fatiada!
2 - «Para os empresários, contactados pelo Expresso, estar presente no MIPIM é uma oportunidade única para estabelecer contatos, trocar ideias e explorar oportunidades de negócio e, por isso, um conjunto cada vez mais alargado de empresas nacionais repete, ano após ano, a sua presença no evento.
O sentimento partilhado é que [sic] os resultados dos contactos realizados na feira têm sobretudo efeitos no médio prazo, resultando daí a concretização de negócios e estabelecimento de parcerias com investidores.» Expresso, 18-03-2024.
Já cá faltava o omnipresente contato, acompanhado três linhas abaixo pela forma correcta contactos. Confuso? Ná, parece um texto escrito com os pés, em que a opção ortográfica é como calha.
3 - «Na carta, mostra-se solidária e até preocupada com os polícias portugueses e acrescenta ainda que vai apoiar os polícias e usar a rede de contatos que têm na Europa para lhes dar uma voz mais forte.» RTP, 19-02-2024.
Para não ficar atrás, também a RTP, qual Pai Natal, nos presenteia com este exemplo da mixórdia ortotrágica (como lhe chama Clara Ferreira Alves) que por aí vai circulando e da qual parece ser difícil livrarmo-nos de vez.
Ah, no novo governo há, pelo menos, três ministros que, no passado, tomaram posição clara na oposição ao AO90. São eles: Nuno Melo, Ministro da Defesa, Paulo Rangel, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, e Dalila Rodrigues, Ministra da Cultura.
Ah, felizmente, quer o jornal A Bola, quer o canal SIC, às vezes, vão tendo umas saudáveis recaídas.
Ah, será que ainda faltam muitas meias horas?
João Esperança Barroca





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