Sábado, 21 de Junho de 2025

Em defesa da Ortografia (LXXXI), por João Esperança Barroca

 

O 81.º escrito da série “Em Defesa da Ortografia” tem características que nenhum dos textos anteriores possuía.

 

A aposta é, agora, a de apresentar diálogos humorísticos que exemplificam as graves falhas do AO90, pondo a nu as suas incoerências.

 

Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias.

 

I

— Tenho cera nos ouvidos.

— Estás com um problema ótico, não é?

— Sim. E também tenho uma conjuntivite na vista direita.

— Estás com um problema ótico, não é?

— Já não percebo nada. Estás a brincar comigo?

— Não. Estou a brincar com a língua.

 

II

 

— Estou na secção infantojuvenil. E tu?

— Cheguei agora ao sector dos produtos materno-infantis.

— Andas a gastar hífenes acima das tuas possibilidades. És um gastador. Assim, não irás longe.  Devias seguir o meu exemplo. Eu sou um poupador de consoantes.

 

III

— Agora, em Portugal, a receção é uma exceção.

— Perdão. No Brasil a recepção é que é uma excepção.

— Pois. Deve ser a unidade essencial da língua, apesar das exceções.

 

IV

— Bom dia. Em que posso ajudar?

— Queria ver aquela camisola cor-de-rosa que está na montra.

— Lamento, mas nessa cor não tenho o seu tamanho. Para si, só tenho cor de laranja.

— E é o mesmo preço?

— É, sim.

— Mas, tendo em conta os custos de produção, não deveria ter um desconto?

— Porquê?

— Como tem menos dois hífenes, era lógico que fosse mais barata. Não acha?

— Acho, mas isto é como a unidade essencial da língua. Umas vezes, quando há folga orçamental, usa-se o hífen. Outras vezes, não. 

 

V

— Estão cá todos? Vamos proceder à chamada. Ótico?

— Presente!

— Ótica?

— Presente!

— Oticidade?

— Presente!

— Oticista?

— Presente!

— Mas, já acabei a chamada e ainda há gente na fila? Como pode isso ser? Tu, como te chamas?

— Optometria.

— E tu?

— Optometrista.

— E tu?

— Ortóptico.

— E tu?

— Opticometria.

— Mas sois da mesma família ou não?

— Éramos. Quando veio o AO90, começaram a cortar consoantes e expulsaram os que tinham . Disseram que queriam criar a maravilhosa língua unificada e universal, mas só aumentaram a desunidade essencial da língua.

 

 

VI

 

— Tenho epilepsia, isto é, sou epilético.

— Tens muita sorte. Muito pior estou eu que tenho dispepsia, isto é, sou dispéptico.

— Tens razão. Isso de ter uma consoante a mais, para alguns, é um problema gravíssimo. Sugiro-te que contrates um podador de palavras para te remover essa consoante.

 

VII

 

 — O teu filho vai estudar Adictologia?

 — Vai, vai.

 — Que raio de ciência é essa?

 — Diz aqui, no dicionário, que é a ciência que estuda os comportamentos aditivos.

 — Então, vai ser sempre a somar, não?

 

 

VIII

 — Menina Bissetriz, fez o trabalho de casa?

 — Fiz, sim, Senhor Professor!

 —  E a menina Trissectriz?

 — Também fiz, Senhor Professor!

 — Ficaram com alguma dúvida?

 — Sim. Ainda, hoje, mais de doze anos depois, não percebo a razão para ter uma consoante a menos que a minha prima Trissectriz. Não posso deixar de me sentir discriminada. Acho que a distribuição de consoantes não respeita a Constituição.

 

IX

 — Vou marcar, com brevidade, uma consulta no adictologista.

 — Esse é o especialista em comportamentos aditivos, não é?

 — Sim, sim.

 — Pode ser dinheiro mal gasto. Tu não achas que a divisão é muito mais difícil que a adição?

 

 

X

  — Tenho uma infeção num pé.

  —  E qual foi o agente infeccioso?

  — Não sei. Tenho de consultar um infecciologista.

  — Não te preocupes. Perigoso seria teres uma infecção. Sem, isso não tem importância nenhuma.

 

XI

  — Estive a ver as primeiras páginas dos jornais expostos no quiosque. Num deles diz que a sobreprocura para o serviço de pedopsiquiatria. Não sei se aquele para é verbo ou preposição.

  — Estava acentuado?

  — Não.

  —  A mim dá-me jeito que seja preposição. Com o serviço parado, o meu filho terá a consulta adiada até 2026.

  — A mim também me dá jeito que seja preposição. Com uma sobreprocura, terei, potencialmente, muito mais clientes para transportar no meu táxi. Além disso, lembrei-me agora que esse jornal (do grupo Cofina) distingue estas duas formas, acentuando a forma verbal.

 

Ah!  Na 95.ª Feira do Livro de Lisboa, foi lançada a obra O Poder da Literatura de Maria do Carmo Vieira. Como sempre, vale a pena ler.    

 

Ah! Nuno Pacheco publicou na passada semana uma crónica de homenagem a Fernando Venâncio.

 

Ah! Há dias, li em rodapé: “Fim de semana de 40 graus”. Qual é o significado? Acabou uma semana em que a temperatura foi de 40 graus ou a temperatura será de 40 graus na sexta-feira, no sábado e no domingo?

 

Ah!  A expressão “coração de abril” deve ser grafada com maiúscula na designação do mês: coração de Abril. O mesmo acontece com 10 de Junho. Sempre!

 

João Barroca 1.png

JOÃO BARROCA 2.png

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:10

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Quarta-feira, 21 de Maio de 2025

Em Defesa da Ortografia (LXXX), por João Esperança Barroca

 

A consulta das mais variadas produções escritas de grande difusão continua a ser, na nossa modesta opinião, a forma mais fiável de aferir a qualidade e a estabilidade da ortografia que por aí circula.

 

 Assim, no nosso escrito de Maio, usaremos um exemplo retirado de um órgão da Comunicação Social e um texto de opinião de uma candidata a deputada nas eleições legislativas de 18 de Maio.

 

1 - «Mycola operava uma retro-escavadora e apercebeu-se das cerâmicas. Deu o alerta ao colega de serviço Yevhen, que diz ter um grande interesse em história e foram juntos entregar os artefatos ao Museu Staroflotski Barracks.

Os especialistas do museu analisaram os materiais arqueológicos e confirmaram mais tarde que o pequeno recipiente cerâmico é uma ânfora grega em miniatura de origem jônica. Tem a configuração de um jarro com duas pegas e um gargalo alto.

Este tipo de artefacto era usado para fins rituais e usada em cerimónias de fúnebres em período grego clássico. 

Para além destes artefactos terem feito a viagem da antiga Grécia para a costa norte do Mar Negro, “o fato de os vasos estarem intactos e sem marca de uso - sugere que os indivíduos enterrados teriam um alto estatuto social”.

 Junto destes artefatos foram também encontrados restos de esqueletos humanos, entretanto entregues a antropólogos. A análise aprofundada dos vestigios osteológicos dará pistas sobre a vida dos habitantes da região de há 2600 anos.» RTP, 02-04-2025

 Ah, como se vê, é uma oscilografia rectígrada que cambaleia, acertando aqui, errando ali…

Ah, os vasos estão intactos… E os fatos?

 

Outro texto que nos chamou a atenção foi o curioso artigo de opinião (que transcrevemos integralmente) de Joana Amaral Dias, activista política e candidata a deputada pela ADN:

 

«Os caniches de Bruxelas

 Todos os partidos com representação parlamentar – todos! – são responsáveis pelo apagão de 28 de Abril de 2025. Afinal, todos eles, sem excepção, têm sido seguidistas acríticos destas políticas europeias psicopatas: desde a chamada transição energética à dita transcrição digital.

 

São todos caniches de Bruxelas, focas amestradas de Von Der Leyen e Lagarde, mas, agora, perante o forte abanão que todos levamos, querem hipocritamente posicionar-se como grandes salvadores da situação, críticos das causas do desastre. Balelas. Fungos oportunistas.

 

A transição energética ou verde é uma das maiores burlas da história da humanidade. Com o pretexto da proteção do clima, não apenas se cobram mais taxas e taxinhas aos pobres cidadãos, como se dá a ganhar muito (mas mesmo muito) dinheiro às empresas dos hidrogénios verdes, dos carros eléctricos, do lítio, etc., escondendo às populações que essas indústrias são tão ou mais poluentes do que os combustíveis fósseis. Além disso, do ponto de vista político estratégico, afunilar todas as fontes de energia na electricidade, colocar todos os ovos no mesmo cesto, é um erro fatal, como se viu neste blackout, como se observou na crise energética aquando do começo da guerra na Ucrânia e da evidente dependência da Alemanha perante a Rússia.

 

Aliás, esta Europa acarinhada e aplaudida por partidos tão díspares como o Livre ou o Chega, é a Europa Globalista, a que defende sobretudo a centralização, a perigosa centralização com redes de interdependência, que leva a fenómenos dominó como este de dia 28. Esta é a Europa dos grandes interesses e dos poderes fácticos. Não é a Europa dos povos. É a Europa dos tubarões brancos, misantropa e anti-regionalismos, contrária às pequenas e médias empresas, adversa à diversidade e à localização da economia. Nenhum dos deputados tem promovido a nossa autonomia nacional, o Estado Nação, a soberania, na qual se inclui a segurança energética. Nem um.

 

Já a transição digital, a confiança cega e quase religiosa na desmaterialização é também burlona. Mata o ensino, destrói a medicina e toda a prática clínica, rebenta com a socialização e extermina os nossos direitos, liberdades e garantias. Basta ver a introdução do euro digital e a morte lenta do dinheiro físico para o entender. Aliás, todo o projecto da identidade digital é um caminho despótico e totalitário, que começou com o passaporte digital na era covid que, repito, nenhum partido com assento parlamentar contestou.

 

Até ao dia 28 de Abril de 2025, nunca se ouviu um pio que fosse de reparo ou reflexão sobre esta Europa a caminho do totalitarismo por parte dos partidos da Assembleia da República. Portanto, que verdadeira convicção podem estar agora a verter nos seus discursos? Nenhuma, claro. Tudo não passa de surfar a onda do momento, de rentabilizar a ocasião, de aproveitamento político. Para a semana, quando o povo já estiver de novo distraído com a bola, a praia e o ordenado que não estica para tudo pagar, já voltam a lamber as botas da Úrsula e Christine. E nós às escuras.»

***

Ah, como se vê, outro exemplo de oscilografia, assinalada a negrito, embora aqui pareça haver alguma vontade de escrever na legítima ortografia de 1945.

 

Ah, os ingleses, esse povo atrasado, escreve phatic, quando quer dizer fáctico. Com “ph”, vede lá!

 

Ah, tubarão-branco, em qualquer ortografia, é sempre, sempre com hífen. Hipercorrecção, já deveis ter ouvido.

 

Ah, a propósito da imagem, copiada da internet, galáctico é a única forma aceite, quer numa, quer noutra ortografia.

 

João Esperança Barroca

 

GALÁTICOS.png

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:50

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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2024

Li, por aí, que Portugal é o sexto país do mundo onde MELHOR se fala Inglês, em contrapartida, infelizmente, é o ÚNICO país do mundo onde PIOR se fala e escreve a Língua Materna do seu Povo – o Português

 

Também li que na Educação: os indicadores pioram e o país encolhe os ombros; que o Declínio das competências dos adultos portugueses começa logo aos 25 anos; que segundo as Tendências em Estudos Internacionais de Matemática e Ciências - TIMSS: alunos do 4.º e do 8.º anos com pior desempenho a Matemática face a 2019; que de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, PISA 2022: queda “sem precedentes” nas médias dos alunos da OCDE. Portugal acompanha trambolhão; li «Ortografia, mudança, progresso e um suave analfabetismo»e também li que este é  O triste retrato do nosso atraso.

 

 E que atraso monumental!!

 

O Ensino em Portugal está em franca decadência, há anos consecutivos, posso até afirmar que a decadência começou logo no pós-25 de Abril, quando quiseram reformar o ensino, e, por exemplo, acabaram com o estudo da História e puseram os professores a inventar sobre matérias para entreter os alunos do segundo e terceiro ciclos com: vestuário, habitação e alimentação. Sem rede, sem apoio, sem manuais. A disciplina, o respeito devido aos professores dentro da sala de aula e fora dela, eram nulos. Os alunos podiam fazer o que bem entendessem. E viva a liberdade! Até jogar à bola, dentro da sala de aula, podiam! Podiam até dar palmadinhas no traseiro das professoras mais novas, e nada lhes acontecer. Não podia mandar-se o aluno malcriado porta fora. Era proibido passar faltas de castigo ao aluno que não se comportasse bem nas aulas. E vejam até onde chegou esta política: hoje, não só os alunos batem nos professores, como, por vezes são também os pais dos alunos a vier à escola bater nos professores. 

O sistema de ensino começou a inventar novos métodos, menos exigentes, para não sobrecarregarem os alunos, coitadinhos, que com a revolução dos cravos os decisores políticos da altura acharam que ficariam muito menos aptos e mais imbecis do que todas as gerações que existiram desde a fundação de Portugal. E hoje, é o que vemos: de tanto quererem tomá-los por imbecis, muitos já estão a tomar-lhe o gosto.

 

Foi esta decadência que me levou a abandonar o Ensino, iniciado no ano lectivo de 1973/74; 1974/75 e abandonado em 1975/76.

 

Ou havia disciplina e matéria culta para ensinar aos alunos, ou a gerações dali em diante iriam tornar-se analfabetas funcionais. E eu não quis participar nesta decadência, ser cúmplice da ignorância que se instalou nas escolas. E tinha de se ter pachorra para aguentar os desmandos dos políticos, que andavam à deriva sem saber o que fazer com tanta liberdade.

 

Podiam tê-la usado para tirar o país da miséria educacional, cultural e social que então caracterizava a nossa sociedade, mas não, devagar, devagarinho, puseram Portugal na cauda da Europa, nos sectores mais primordiais de uma sociedade civilizada.



E agora, eis que chegámos ao ponto de universitários, já com os seus canudos na mão, NÃO conseguirem escrever um relatório médico, escolar, empresarial, político, etc., num Português correCto e escorreito. Além dos conhecimentos adquiridos, era o mínimo que poderiam fazer, para merecerem louvores.

 

A Cultura Geral actual dos Portugueses, que passaram pelas escolas e universidades, hoje em dia, é uma miséria franciscana. Os manuais escolares são elaborados de uma forma tão básica, como se os alunos fossem todos muitos estúpidos. Uma vergonha!


A Língua de um Povo é o PILAR em que assenta todo o Ensino, o Saber e a Cultura de um Povo. E o que fizeram com ela? Injectaram-lhe um vírus, que dá pelo nome científico de AO90, que a deformou de um modo horrendo, e apesar de haver cura para este mal, os decisores políticos recusam-se, peremptoriamente, a usá-lo.



O porquê desta atitude irracional não é desconhecido, faz parte de uma maquinação, tão mal engendrada, que deixou o rabo de fora, tal como o gato escondido. A intenção não pode ser mais irracional e desastrosa, e está nas mãos dos Portugueses PENSANTES (que ainda os há) exigir dos decisores políticos que governem Portugal, usando a cabeça que têm em cima dos ombros, e não com a cabeça do dedo mindinho do pé.

É que, como diz Voltaire:

Voltaire.PNG

 

Isabel A. Ferreira


publicado por Isabel A. Ferreira às 18:35

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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2023

Para SABER é preciso LER, e esta falha, a par da falta de sentido crítico da maioria dos professores, foi a grande alavanca para a disseminação do caos ortográfico, que está a criar ainda mais ignorantes, além dos que já existiam, em Portugal

 

Isto vem a propósito de duas mensagens que uma professora me enviou, a propósito do AO90 vs. Língua Portuguesa, e que, por ser do interesse público, vou transcrever,  com as minhas respectivas respostas,  numa tentativa de informar os desinformados, ou incentivar os que não querem ser informados, para a informação, porque a desinformação é irmã gémea da ignorância.

 

1ª mensagem:

«Relativamente ao português ensinado nas escolas, não é verdade que seja a variante brasileira. No que concerne a ortografia, dada a obrigatoriedade de ensinar com as regras do AO, não se fica longe da variante brasileira. Mas a língua não é só ortografia: há a sintaxe, o léxico, a pontuação e a morfologia, que são ensinadas segundo a variante portuguesa, embora com influência pontual da variante brasileira.

Infelizmente, o português corrente já usa tantos vocábulos e expressões brasileiras, que o português de Portugal se tornou e se vai tornar cada vez mais brasileiro. E não há nada que possamos fazer para o evitar.»

 

Minha resposta:

Esta sua conversa leva-me a crer que é uma acordista, nada interessada em defender a Língua Portuguesa. Ou é impressão minha? Eu explicarei porquê.

 

Quanto à ortografia ensinada nas escolas (repare que eu não me referi à sintaxe, ao léxico, à morfologia, à fonética e à semântica):

 

Primeiro: Ela é, salvo aquelas poucas excePções e suas derivações, que escaparam à mutilação, a ortografia brasileira que me ensinaram, quando eu comecei a aprender a escrever no Brasil. Os meus netos, hoje, grafam exactamente do mesmo modo que eu grafava, quando comecei a aprender a escrever.  Repare que eu disse grafam.


Segundo: Não é verdade que seja obrigatório a aplicação do AO90 nas escolas. Só o aplicam, porque NÃO querem incomodar-se. O AO90 é ilegal, é inconstitucional, e ninguém, em Portugal, é obrigado a aplicá-lo, porque não existe lei alguma que a tal obrigue. Existem Professores que não o aplicam, e não são penalizados, porque a lei vigente não permite essa penalização. Só os professores o aplicam.

 

Terceiro: NÃO há variante portuguesa da Língua. Há a Língua Portuguesa ou Português. Ponto final. Existe sim, a Variante Brasileira do Português que está a ser introduzida em Portugal de má-fé.

 

Quarto: InfelizmenteSE o Português corrente já usa tantos vocábulos e expressões brasileiras a culpa é unicamente dos professores, que se vergaram ao Brasileirês, ou então porque vêem demasiadas novelas brasileiras, em vez de lerem livros em Bom Português.

 

Quinto: NÃO existe Português de Portugal. Existe simplesmente Língua Portuguesa, que jamais se tornará cada vez mais brasileira, porque existe um batalhão de gente que não o permitirá. E quem está a ser cúmplice desta ingerência brasileira na nossa Língua são os professores servilistas.

 

Sexto: Há muita coisa que podemos fazer para mandar às malvas o AO90 e recuperar a GRAFIA portuguesa.  E uma delas é não seguir o seu raciocínio. E não duvide nunca de que não é possível reverter a estupidez ortográfica vigente. Tudo se encaminha para que, estando o CAOS implantado, no que respeita à Língua, ou o governo RECUA, ou o governo CAI.

***

2ª mensagem:

 

«Realmente não há nenhuma variante portuguesa, com a pressa expressei-me mal. Quanto ao português ensinado nas escolas, é obrigatório respeitar o AO desde o ano lectivo de 2011/12. A consequência de não o fazer é, no mínimo, um processo disciplinar. Nem uma acta se pode escrever sem o AO (eu tentei e fui logo avisada). Por outro lado, se alguns professores de Português ensinassem a ortografia anterior, contrariamente a todos os outros, assim como aos livros e manuais da disciplina, iriam causar a maior confusão aos alunos. E, nos exames, qualquer palavra escrita segundo a ortografia anterior é penalizada como erro ortográfico.

Acredito que professores de outras disciplinas não escrevam usando o AO no ensino, mas professores de Português parece-me impossível. Os pais que dessem por isso apareciam logo na escola furiosos, e é se não fossem contar o caso na CMTV. Eu felizmente já não dou aulas (e nos últimos anos só me calhou Francês), pelo que não tive de passar por esse dilema

 

Minha resposta:

 

Aos professores foi-lhes impingida a Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 25 de Janeiro, que determinou [NÃO obrigou através de uma LEI] a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011-2012. E os professores deviam saber que uma Resolução do Conselho de Ministros NÃO faz LEI. E diante da infâmia de terem de ensinar aos alunos a escrever incorrectamente a sua Língua Materna, deviam parar para pensar [é obrigatório o professor ser dotado de espírito crítico, para poder desenvolvê-lo nos alunos, para que estes possam pensar por si próprios e, sobretudo, questionar] e recusarem-se a desensinar os alunos, sem que houvesse uma Lei para tal.

 

A consequência disto, jamais poderia ser um processo disciplinar, porque, não existindo lei para o suportar, seria ilegal. Isto também os professores deviam saber.

 

«Eu tentei e fui logo avisada» diz a professora. E aceitou cegamente esta advertência?

«Se alguns professores de Português ensinassem a ortografia anterior, contrariamente a todos os outros, assim como aos livros e manuais da disciplina, iriam causar a maior confusão aos alunos», diz a professora. O problema dos professores é achar que os alunos são estúpidos.
 

Eu comecei a dar aulas de História e Português no ano lectivo de 1973/74, era ainda Bacharel, e recusei-me a ensinar aos meus alunos as mentiras históricas que vinham nos manuais. E expliquei-lhes porquê. E eles entenderam, sem a mínima dificuldade. Não ficaram confusos, e fizeram muitas perguntas, que foram respondidas com perguntas que eu lhes ia fazendo, apelando ao raciocínio deles e ao que eles viam à sua volta. À margem dos textos dos manuais, eles escreviam a História tal como ela se desenrolava, e não como o governo da altura queria que fosse.

 

«E, nos exames, qualquer palavra escrita segundo a ortografia anterior é penalizada como erro ortográfico». Diz a professora. Nãoortografia anterior. Há a ortografia em vigor, a de 1945. E a penalização sobre os alunos, que escrevem correctamente a sua Língua Materna, e lhe dão erro, além de tremendamente injusta, é ilegal.

 

Os professores de Português são os maiores culpados do caos ortográfico e desta imposição de uma grafia mutilada, que nada tem a ver com a Língua Portuguesa. Tem a ver, tão-só, com a estupidez acordista.

A maioria dos pais não sabe sequer o que é o AO90, ou como os filhos escrevem ou deixam de escrever. O que não deixa de ser muito lamentável.

 

E como para SABER é preciso LER, aqui deixo a sugestão da leitura deste livro, o qual, SE os professores de Português, que se deixaram vergar pela ignorância dos políticos, que impuseram o AO90 aos Portugueses, sem lhes dar cavaco, tivessem o hábito de ler, de se questionar, tivessem espírito crítico, tinham-no lido, porque foi bastamente divulgado, e nele explica-se tim-tim por tim-tim porque é que os professores NÃO eram obrigados a ensinar os seus alunos a escrever e a lerincorretamente” , ou seja, “incurrêtâmente”, pois é assim que deve ler-se este vocábulo brasileiro.

 

As minhas saudações desacordistas,

Isabel A. Ferreira

 

LIVRO.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:06

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Terça-feira, 14 de Junho de 2022

O “10 de Junho”, a Língua Portuguesa e a Bolha onde, fora da realidade, “vive” o constitucionalista Jorge Miranda

 

Título da notícia: «10 de junho: Jorge Miranda critica "atropelos" à Língua Portuguesa»

 

Quando se fala no dia “10 de Junho”, ainda que se seja SERVIL ao AO90, o nome do mês deve ser escrito com letra MAIÚSCULA, tal como em “25 de Abril”, porém, os acordistas, nada sabendo de Língua Portuguesa, não sabem que o Junho do “10 de Junho” se escreve em MAIÚSCULAS.

O título deste texto, encontrei-o no link, que refiro mais abaixo, numa notícia do acordista Jornal de Notícias.

 

Vou aqui transcrever a notícia, com o erro corrigido, para não parecer mal, porque fiquei siderada com o conteúdo do discurso do muito conceituado constitucionalista Senhor Professor Doutor Jorge Miranda, que na mixórdia ortográfica, gerada pelo AO90, que ele aplica, com convicção – até porque, segundo ele, o que seria do Português, se não fossem os milhões do lado de lá do Oceano Atlântico? Ainda que o Português desses milhões já não seja Português – os únicos “atropelos” que vê na Língua Portuguesa é na sintaxe, ficando de fora a ortografia – do grego ortho (ορθο) que significa "correcto" e gráphos (γράφος) que significa "escrita".  A Ortografia é, pois, a parte da Gramática Normativa que ensina a escrever correctamente as palavras de uma Língua. Algo que escapa, por completo, aos acordistas, porque nada sabem de Gramática, e da Ortografia? … o que é isso????  


Dois cidadãos, que LUTAM pela integridade da Língua Portuguesa, comentaram esta notícia, online, e destaco aqui esses comentários, para que se tenha a noção do SERVILISMO que atacou os que (des)governam Portugal e os que GRAVITAM ao redor deles.

 

Artigo no JN.PNG

 

Nota: vou transcrever a notícia em itálico, e o que está entre parênteses rectos são as observações que não pude deixar de fazer, por motivos óbvios.

 

«O presidente da comissão organizadora das comemorações do 10 de Junho, Jorge Miranda, criticou hoje, em Braga, os frequentes "atropelos" de que a Língua Portuguesa é alvo, sublinhando que "internacionalizar não pode significar desnacionalizar".

 

[Um triste flagrante desconhecimento da Língua: internacionalizar (tornar internacional) vai dar quase ao mesmo de desnacionalizar (fazer perder a índole nacional). Os Brasileiros desnacionalizaram, deslusitanizaram, desenraizaram a Língua Portuguesa, e o que se pretende com o AO90 é internacionalizar a desnacionalização da Língua Portuguesa]

 

 "Não posso deixar de reagir contra os atropelos que [a Língua Portuguesa] vem sofrendo entre nós", disse Jorge Miranda, no discurso da cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

 

 Entre os atropelos, apontou os "constantes" erros de sintaxe na comunicação social, o ensino em escolas superiores portuguesas por professores portugueses a alunos portugueses em língua estrangeira, a denominação de algumas escolas superiores também em Inglês e o "alastramento" de denominações comerciais de empresas portuguesas operando em Portugal em Inglês.


[Tudo que aqui foi dito neste parágrafo nada tem a ver com atropelos à Língua Portuguesa, a não ser a sintaxe, mas também a morfologia, e a semântica. Os  MAIORES atropelos à Língua Portuguesa são os ERROS ORTOGRÁFICOS, a acentuação e a hifenização introduzidos pelo caótico AO90. O Inglês é uma Língua de comunicação global, entre TODOS os Países. É muito natural que esta Língua seja usada para comunicar e designar especificidades que, traduzidas, seriam uns autênticos abortos ortográficos]

(…)

Para Jorge Miranda, o uso da Língua Portuguesa constitui um "direito fundamental dos cidadãos portugueses e brasileiros, tal como dos cidadãos de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe, de Angola, de Moçambique, de Timor".

 

"O direito de falar, de ouvir, de escrever, de ler, de receber mensagens, o direito de comunicar em Português. Um direito e também um dever", reforçou.

[O uso da Língua Portuguesa é um direito fundamental APENAS dos Povos que NÃO a deturparam, não a deslusitanizaram, não a desnacionalizaram, não a afastaram das suas raízes, da sua Família Indo-Europeia. Querem usar a Língua Portuguesa que, como o nome indica é PORTUGUESA, usem-na no seu original. Quem a deturpa NÃO tem o direito de a usar. E o DEVER prende-se APENAS em usá-la SEM a deturpar, e o que anda por aí é um Português mutilado, mal escrito, mal acentuado, mal hifenizado, cheio de erros ortográficos, e ninguém tem nem o direito nem o dever de DEFORMAR a Língua Portuguesa, na sua grafia e na sua oralidade, e chamar-lhe Portuguesa. Se o querem fazer, e aqui, sim, têm esse DIREITO, chamem-lhe tudo, excepto Português, e chamarem-lhe outra coisa é que é um DEVER].

 

No seu discurso, Jorge Miranda disse não conhecer nenhum outro país que eleve a celebração a dia nacional de um seu poeta, designadamente Camões, "que ergueu a Língua Portuguesa ao máximo esplendor".

 

[Sim, Luiz de Camões ergueu a Língua Portuguesa ao máximo esplendor, era um cidadão PORTUGUÊS. E os acordistas apátridas, levaram-na à máxima decadência. E isto é absolutamente INACEITÁVEL].

 

"Todavia, Portugal e a Língua Portuguesa não se confundem. Ela pertence não só a Portugal, pertence ao Brasil e pertence aos cinco estados africanos e a Timor que a declaram sua língua oficial", concluiu.

 

[Jorge Miranda está enganado. A Língua Portuguesa pertence a Portugal. Ponto final. Foi Portugal que a levou aos quatro cantos do mundo. E nesses quatro cantos do mundo GEROU Variantes, nomeadamente a Variante Brasileira, que pertence unicamente ao Brasil. Não queiram os do sistema atirar areia para quem tem OLHOS de VER, e OUVIDOS de OUVIR e Língua para se MANIFESTAREM contra este inconcebível complot prefiro o galicismo à tradução, com base na oralidade, (complô) retirando elegância à palavra, de origem francesa – que só serve o Brasil, e prejudica Portugal, retirando-lhe a sua IDENTIDADE. Para mim, é inimaginável que um constitucionalista português possa defender a perda de IDENTIDADE do nosso País, rastejando aos pés do País que DESLUSITANIZOU (desnacionalizou) a Língua Portuguesa].

 

Bravo! Professor Jorge Miranda! Conseguiu uma proeza: o AO90 é INCONSTITUCIONAL, mas o senhor usa-o, porque pertence ao Sistema, e o Sistema, muito servilmente, rendeu-se aos "milhões", vendendo a Língua Portuguesa por tostões.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da notícia:

https://www.jn.pt/nacional/10-de-junho-jorge-miranda-critica-atropelos-a-lingua-portuguesa-14932416.html?fbclid=IwAR3W2wdBALbGwWdvlBCroI_vZOhJWqCBapGZBZqE3IOLGUiOSInUrL8bWz4

 

Comentário no Facebook, com o qual concordo inteiramente:

Pedro Henrique.PNG



publicado por Isabel A. Ferreira às 16:35

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Terça-feira, 24 de Maio de 2022

«Em Defesa da Ortografia (XLVII), por João Esperança Barroca

 

ALERTA!!!!

Por tudo o que neste artigo, da autoria de João Esperança Barroca, se diz e se vê, SE, na Assembleia da República, houver alguém dotado de LUCIDEZ, apela-se a esse alguém que, em nome da RACIONALIDADE, sugira que (e citando José Vieira) «está na altura de baixar o IRS e passar a taxar a ignorância», porque a IGNORÂNCIA, disseminada nas escolas, nas televisões e nas traduções e edições acordizadas, está a ENCARCERAR os cérebros e a transformar Portugal no país com mais IGNORANTES por metro quadrado, nos sectores que mais estão ligados à expansão do nosso Idioma. (Isabel A. Ferreira)

 

Cérebro encarcerado.jpg

 

«Em Defesa da Ortografia (XLVII)»

por João Esperança Barroca

 

«É altura de dar uma alegria à língua portuguesa: é altura de a libertar do Acordo Ortográfico.

 O Acordo Ortográfico foi feito numa altura em que a uniformização estava na moda, numa época em que se pedia às pessoas que esquecessem as diferenças.

Mas, entretanto, tudo mudou: agora são as diferenças que é preciso celebrar. Portugal já não é um país pequenino diante do Brasil e dos outros países que falam português. Agora, Portugal é Portugal e o Brasil é o Brasil e São Tomé e Príncipe é São Tomé e Príncipe.  

O contrário da uniformização é a celebração das diferenças. A melhor maneira de as celebrar é através do estudo. Deite-se fora o Acordo Ortográfico e, em vez desse desmando, ensinemos às nossas crianças a riqueza, a graça e a personalidade das várias versões nacionais da língua portuguesa.

E nós também temos direito à nossa versão, à nossa ortografia, às nossas manias, às nossas particularidades.

Miguel Esteves Cardoso, Escritor, em 22 de Abril de 2022

 

«[…] o AO é um acto de genocídio cultural, estético, racional e político.»

Miguel Esteves Cardoso, Escritor, em 12 de Agosto de 2011

 

«Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

A jogada repugnante dos acordistas imperialistas — ignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se.

 Miguel Esteves Cardoso, Escritor, em 20 de Maio de 2015

 

Após três citações, do escritor Miguel Esteves Cardoso, apoiante oficial da iniciativa Acordo Zero, um pouco mais longas que o habitual, o espaço para as nossas reflexões ficou mais escasso. Por essa razão, o nosso texto de Maio, dedicado à Beatriz, que faz hoje 29 anos e que merece conviver com uma ortografia lógica, coerente, congruente e sem vergonha da sua história, incide sobre alguns aspectos desse movimento de cidadãos.

 

Em Fevereiro do corrente ano, o jornal Cidade de Tomar, divulgou esta iniciativa, totalmente independente, livre de facções de qualquer espécie e que canaliza as suas forças para a imediata revogação do Acordo Ortográfico de 1990, única forma de proteger a Língua Portuguesa em todo o espaço onde é falada e escrita. Saliente-se, a propósito, que há alguns cidadãos tomarenses com o estatuto de subscritores de apoio desta iniciativa.

 

Na página de Facebook da iniciativa Acordo Zero têm sido regularmente publicadas, no âmbito do tópico “Circo Cacográfico”, algumas frases, que abaixo se transcrevem, ilustrativas do caos a que isto chegou (parafraseando uma célebre expressão do capitão de Abril Salgueiro Maia):

 

- Cato pelos e pelo catos na boca do urso!

- Pouco dinheiro para todos nós neste circo!

- Nem sei se o elefante tem problemas óticos ou óticos!

- O corréu correu rua fora e acabou na jaula do tigre!

- O egiptólogo francês foi ao circo no Egito!

- O macaco roubou a caneta corretora do corretor!

- A adoção de adoçante no engodo da foca foi uma boa ideia!

- O palhaço não ata nem desata no primeiro ato da ata!

- Tetas e tetos falsos deteta o mágico à distância!

- Espetador arruína espetáculo de espetador de facas!

 

Confuso, caro leitor? Isto não é mais do que «[…] a impressionante oscilografia que o Monstruoso Acordo (MA) instalou, com consequências terríveis para os olhos e para os ouvidos — sim, para os ouvidos.  […] (Não, isto não tem nada que ver com o MA, contraporão os empedernidos. Nadinha. Ainda terão lata para tal dislate?)»

Manuel Monteiro, autor, tradutor, revisor e formador, em 22 de Março de 2022

 

Talvez a solução seja a preconizada por José Vieira, cidadão do Entroncamento, num comentário, no Facebook, ao artigo “Em Defesa da Ortografia XLIV: «Está na altura de baixar o IRS e passar a taxar a ignorância

 

João Esperança Barroca

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 15:25

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Quarta-feira, 20 de Abril de 2022

O que o brasileiro “Ramon Pintudo” diz sobre a Língua Portuguesa não é para se levar a sério, mas também não é para ignorar

 

No passado dia 02 de Abril, no Facebook, mais precisamente no Grupo «Portugueses e Lusófonos contra o Acordo Ortográfico» deparei-me com esta publicação de um tal “Ramon Pintudo” (este nome não dirá tudo?):

 

Ramon Pintudo.PNG

 

Na verdade, isto é algo que está bastante disseminado em vídeos, no YouTube, nos quais a Língua Portuguesa é tratada abaixo de cão.  


Daí que me tivesse ocorrido deixar, nesta publicação, o meu parecer, baseado na minha experiência por terras brasileiras, onde, frequentemente, os Portugueses, que lá vivem, têm de levar com este tipo de considerações que, no entanto, só dizem da extrema mediocridade e pobreza de espírito, que grassam num País que não soube aceitar o seu passado.

Isabel A. Ferreira.PNG

 

Posto isto, há que dizer também – e não sou eu que o digo, mas os JURISTAS – que Portugal é o DEPOSITÁRIO da Língua Portuguesa, uma das Línguas oficiais portuguesas (a outra é o Mirandês) que foi levada pelos navegadores portugueses aos quatro cantos do mundo, dela nascendo diversas VARIANTES, entre elas a Variante Brasileira. E nenhum País, que a adoPtou e a adaptou às circunstâncias culturais e sociais nacionais, ou políticos, eivados de uma viscosa IGNORÂNCIA, têm o direito de IMPOR a Portugal qualquer das VARIANTES que existem por esse mundo fora, seja ou não a VARIANTE dos milhões.

Jamais a quantidade foi ou é sinónimo de qualidade.

 

Daí que continuaremos a EXIGIR a ANULAÇÃO deste acordo RIDÍCULO, baseado na cacografia, ou seja, na escrita contra as normas da ortografia.


Miguel Esdteves Cardoso.jpg


A Língua Portuguesa transformou-se na Língua BRUTOGUESA, como diz, e muito bem, Miguel Esteves Cardoso. E a isto chama-se RETROCESSO.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:08

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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022

«Em defesa da Ortografia XLIII», por João Esperança Barroca

 

«É evidente que a escrita da palavra tem um carácter emblemático que não pode ser mudado por decretos ou acordos oficiais. Ao mesmo tempo, simplificar demais a ortografia é um simplismo contrário ao desenvolvimento intelectual de todos os povos que falam uma determinada língua. […] E creio também que o dito acordo [ortográfico] vai interferir na oralidade e a vai degradar. […] Em face de tudo isto, só posso sentir a mais extrema indignação

Sophia de Mello Breyner Andresen, Escritora

 

«Vivi na Inglaterra quase doze anos e reparei que os ingleses nunca se preocuparam se os americanos escreviam de forma diferente ou não. Para os ingleses o problema é dos americanos, não deles. Nunca foi por isso que a língua inglesa deixou de ter importância no mundo. […] Os ingleses fazem a língua através da sua escrita forte, apesar de serem muito menos do que os americanos; fazem a sua cultura valer (nós “vendemos” a nossa cultura).»

Mário Forjaz Secca, Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa

 

Na senda dos anteriores escritos, que põem a nu as fragilidades do AO90, continuamos hoje a expor as incoerências de alguns destes apoiantes da nova ortografia, em contraste com a posição assumida por muitos autores, tradutores, revisores e outros que modelam a língua. Tem sido um desfile, iniciado no Outono, que chegou ao Inverno e que, ao contrário da moda, não expõe fatos. Aqui fatos não são factos e para é uma simples preposição, que jamais ascenderá a forma verbal, como o mostra uma das imagens que acompanha este escrito, colhida na página do Facebook dos Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990.

 

 

JB1.jpg

 

Dêmos (diferente de demos) então início ao desfile de mais um grupo de lesados pelo AO90:

 

- Martim Silva, director adjunto do Expresso, escreve Janeiro, Dezembro, directo, reacção e hiperactivo (saudável recaída!), mas ativo, fim de semana, novembro, objetivos e reação, o que lhe permite, na lógica do Expresso, poupar a módica quantia de três consoantes;

 

- O Conselho Superior da Magistratura grafa Janeiro, acção, actividade, actos, dia-a-dia, electrónico, excepção e respectivos, mas estas formas coexistem com afetação, agosto, atividade, atos, correção, Inspeção, projetos e com o cada vez mais omnipresente contato;  

 

- Gonçalo Ribeiro Teles, utilizador da nova ortografia, consultor de comunicação, usa anti-vacinas e fim-de-semana, por exemplo;

 

- Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda, escreve neocanabinóides, (acentuação que se saúda e inviabilizadora do fechamento da vogal que se vai insidiosamente instalando);

 

- Bebiana Cunha, deputada do PAN, grafa proactiva, mas, sem razão que se vislumbre, além do pouco estudo das Bases do AO90, opta pela forma reativa;

 

- A página do Governo no comunicado do Conselho de Ministros de 10 de Junho, utilizou a forma fim-de-semana;

 

- A mensagem de Ano Novo do Senhor Presidente da República leva-nos a concluir que se livrou do ortogravírus, pois desrespeita, como o mostrou Francisco Miguel Valada, a Base XIX; 

 

 

JB3.jpg

 

- Para finalizar estes exemplos, Elísio Estanque, professor universitário e investigador, escreve Verão quente e verão quente na mesma linha.

 

Os acordistas mais assanhados dirão que erros destes sempre existiram e que o AO90 é alheio a esse facto. Como explicar, então, que a maior parte dos escreventes soubesse escrever correctamente na ortografia de 1945 e tenha deixado de o fazer nestes últimos dez anos? Lembre-se ainda que o AO90 surgiu, segundo os seus mentores, para simplificar e prestigiar o português no mundo. Simplificar? Só se for a ocorrência de erros. Prestigiar? Só no âmbito do anedotário.

 

JB2.png

 

«É preciso haver mais livros, é preciso haver mais língua. Devo dizer que o Acordo Ortográfico é das coisas que não ajudam, é a sabotagem da língua portuguesa no mundo. Eu sou muito radical em relação ao acordo, acho a diversidade muito mais poderosa do que a coesão. Depois há todas as razões que muita gente apontou melhor do que eu, como acabar com a história das palavras, ignorar a escrita como um acto de cultura e argumentar que são os sons que regem a língua. Este populismo barato de que a língua é o que se fala — a língua é o que se fala e o que se escreve! Como se o que se escreve não afectasse o que se fala: “recessão” não é o mesmo que “recepção”.»

João Paulo Borges Coelho, Escritor e historiador moçambicano

 

João Esperança Barroca

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:59

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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021

Em Defesa da Ortografia (XL) por João Esperança Barroca

 

João Esperança Barroca apresenta-nos mais uns exemplos entre centenas, e cada vez mais frequentes, de um inaceitável mixordês, na comunicação social, a maior divulgadora de disparates linguísticos, e que já estão a ultrapassar todos os limites.

 

E o que se vislumbra lá para as bandas de Belém e de São Bento, no sentido de acabar com esta VERGONHA NACIONAL?

 

NADA.

 

E este NADA diz bem do NENHUM INTERESSE em defender a Língua Portuguesa, e de não ter vergonha na cara de se andar por aí a fazer de conta que Portugal NÃO é um país, mas simplesmente um insignificante território de NINGUÉM, que nem um presidente da República tem para defender a alínea 3 do artigo 11º (Símbolos Nacionais e Língua Oficial) da Constituição da República Portuguesa, que diz o seguinte: «A Língua oficial é o PORTUGUÊS». Não consta que seja o MIXORDÊS, que vai nesta amostragem mais abaixo.

 

Isabel A. Ferreira

 

MIXORDÊS 1.png

MIXORDÊS 2.jpg

MIXORDÊS 3.png

ERUÇÃO.png

 Fonte: https://www.facebook.com/photo?fbid=10224189935789452&set=gm.4702832613095408

 

Em Defesa da Ortografia (XL)

 

por João Esperança Barroca

 

«[…] neste ponto do inútil e inutilizável Acordo Ortográfico, ninguém sabe bem como se escreve ou pronuncia a língua portuguesa que, ao contrário das línguas anglo-saxónicas, cortou as suas raízes latinas na ortografia e na fonética e aderiu ao patois africano e brasileiro, países onde ninguém sabe bem o que é e para que serve o Acordo Ortográfico.» (Clara Ferreira Alves, Jornalista e escritora)

 

«De facto! Como é possível a crianças de língua inglesa conseguirem aos 6-7 anos aprender a escrever “egg”, “leg”, “science”, “scene”… ou de língua francesa, “scène”, “science”, “cousin”, “cousine”… sem ficarem traumatizadas para sempre? […] O chamado Acordo Ortográfico não decapitou apenas a eito as consoantes mudas, com os resultados conhecidos e prenhes de exotismo que fizeram brotar das pedras vocábulos como espetador, interrutor, receção, conceção, aceção, perceção, percetível, espetável, espectáculo, etc. O AO inventou também confusões onde estas não existiam, quando, por exemplo, decide incongruentemente retirar o acento diferencial a pára, mas o mantém no verbo pôr (para o distinguir, argumenta-se, da preposição por. […] Daí a alfaiataria em que se viu transformado o “Diário da República”, com fatos página sim, página não, os contatos para contactos, que passaram a encher as páginas online de Portugal, incluindo as das universidades, ou a invenção de uma espécie rara só existente entre nós: os inteletuais, alguns deles cultores de fição e ténicas apuradas.» (Ana Cristina Leonardo, Crítica literária e autora)

 

No último “Em Defesa da Ortografia XXXIX”, publicado em Setembro, apresentámos um conjunto de personalidades que, convictos (e não convitos, como também por aí se lê) de que aplicam o AO90, utilizam na verdade uma outra ortografia, com fatias do Acordo de 1945 à mistura com vocábulos nascidos com o AO90. São, pois, exemplos das multigrafias que este acordo potenciou, à imagem de um qualquer scriptorium medieval.

 

Como é infindável o número de erros a que o AO90 abriu portas, continuamos hoje a divulgar mais alguns exemplos dos que foram iludidos pelas lérias da unidade essencial da língua e da língua de trabalho da ONU, isto é, à imagem do BES, verdadeiramente lesados pelo Acordo Ortográfico:

 

- Maria Eduarda Gonçalves, investigadora, escreve adopção, contrariando a Base IV do acordo;

 

- Filipa Raimundo, professora, escreve Outubro, não respeitando a Base XIX;

 

- Miguel de Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira escreve projecção, prospecção, objectivos e perspectiva, não aplicando a Base IV;

 

- A Presidência da República utiliza, na sua página, proactivamente, reactivamente e Jardim-de-Infância, desrespeitando, respectivamente, as Bases IV e XV;

 

- Pedro Santana Lopes, Secretário de Estado da Cultura, em Dezembro de 1990, e responsável pela assinatura portuguesa no AO90, como já vimos num escrito anterior, recorre a uma ortografia mista, com os nomes dos meses em maiúscula (Janeiro, Abril, Maio, Julho, Agosto, Setembro e Dezembro), recta, cabeça-de-lista e anti-sistema, a par de redações, diretor, atuais, atualizados, diretas e perspetivas. O autor da tristemente célebre tirada “Agora facto é igual a fato” não respeita, pois, as Bases IV, XV e XIX.

 

Se nos meios académicos e nos actores políticos o panorama é este, como será com o cidadão comum?

 

Quando, caro leitor, deparar com este tipo de situação, em que os respectivos emissores caíram no logro e afirmam, sem rebuço, usar o AO90, desengane-os, por favor.

 

Apetece, pois, fazer a pergunta que já foi feita: «[…] O que pode levar indivíduos de reconhecida qualidade científica a propor, e tornar a propor, medidas que um exame crítico, mais ou menos aturado, demonstra serem descabeladas, irresponsáveis, quando não idiotas?» (Fernando Venâncio, escritor e crítico literário)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:47

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Terça-feira, 1 de Junho de 2021

Celebrar o quê no Dia Mundial da Criança, em Portugal, quando se está a cometer contra elas um crime de lesa-infância, ao obrigá-las a escrever “incurrêtamente” a Língua Materna delas?

 

Infelizmente, em Portugal, os crimes de lesa-infância não se reduzem apenas a esta imposição absurda, de obrigarem as crianças a escrever “incurrêtamente” a Língua Materna delas. A fome, a pobreza extrema, as violações, a pedofilia, os assassinatos (demasiadas vezes perpetrados pelos progenitores), as desigualdades abismais, tudo isto são crimes inadmissíveis, numa sociedade do século XXI d. C..



No entanto, hoje, neste Blogue, ater-me-ei ao crime da Língua mal-ensinada, nas escolas portuguesas, com o aval de TODOS os governantes e do Presidente da República Portuguesa.

 

No outro meu Blogue, abordei os restantes crimes, perpetrados contra as crianças, que podem ser consultados neste link:

A HIPOCRISIA do mundo, neste Dia Mundial da Criança


 ***

«As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se» é um texto de Miguel Esteves Cardoso, reproduzido mais abaixo, datado de 2015, infelizmente, ainda muito actual, porque nada foi feito no sentido de pôr fim ao linguicídio e ao crime de lesa-infância que está a ser cometido, impunemente, por governantes, professores e pais.

 

É com ele que que “celebro” este dia dedicado às crianças, porque celebrar o Dia da Criança, com festas e festinhas, prendas e prendinhas, não as ajudará a NÃO SEREM as analfabetas funcionais do futuro, mal que não desejo para a nenhuma criança portuguesa.

 

O Português varêia.jpg

Origem da imagem -  http://pt.winkal.com/share/m/X9VO

 

Daí que seja urgente que se comece a dizer às crianças portuguesas, que estão a escrever à brasileira, e tal ortografia nada tem a ver com Portugal e com as raízes europeias da Língua Materna delas.

 

A Língua das crianças portuguesas é a Língua Portuguesa, com todas as letras no seu devido lugar, como no Inglês, por exemplo, Língua que muitas crianças portuguesas estão a aprender nas escolas, como segunda Língua, e baralham-se tanto ao ponto de já terem questionado: «Por que em Inglês se escreve direCtor, aCtor, objeCt, aspeCt, inseCt, colleCtion, adoPt, affeCtion, colleCtive, dialeCt, direCt, correCt, inspeCtor (etc.) e em Português (aquele que lhes estão a impingir nas escolas portuguesas), se escreve diretor (dir’tor), ator (âtor), objeto (objêto), aspeto (aspêto), inseto (insêto), coleção (col’ção), adotar (adutar), afeto (afêto), coletivo (col’tivo), dialeto (dialêto), direto (dirêto), correto (corrêto), inspetor (insp’tor), (etc.)?

 

(O que está entre parêntesis é o modo de ler das crianças que aprendem Inglês, porque elas não são estúpidas, como os governantes pretendem que elas sejam).

 

A esta pergunta simples e lógica há que responder-lhes, como eu já respondi à minha neta: «Em Inglês escreve-se desse modo, porque os governantes ingleses sabem Inglês, respeitam e defendem a Língua Inglesa, e não se subjugam ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias - os Estados unidos da América; e em Português escreve-se e lê-se desse modo, porque os governantes portugueses não sabem Português, não respeitam, nem defendem a Língua Portuguesa e subjugam-se ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias - o Brasil».

 

As crianças portuguesas, ao contrário do que os governantes portugueses acham (porque se conseguissem pensar achariam outra coisa) não são estúpidas e compreendem perfeitamente o que está a passar-se, basta explicar-lhes, tintim por tintim, a questão das três linguagens aqui envolvidas: a Língua Inglesa, a Língua Portuguesa e a ortografia brasileira.

 

Foi o que já fiz em relação à minha neta. E ela, obviamente, porque não é estúpida, entendeu perfeitamente, e perguntou: «Então estamos a aprender a escrever errado?».

 

Eu - «Erradíssimo».

 

Ela - «E agora?»

 

Eu - «E agora? E agora, mais dia, menos dia, irás aprender a escrever usando a tua Língua Materna, correCtamente (e vinquei bem o C), porque num futuro próximo, quando fores mais crescida, não pretenderás escrever incorreCtamente a tua própria Língua, que é uma Língua europeia e culta, trocando-a por uma ortografia sul-americana, que nada tem a ver com a Europa; e também a escrever correCtamente a Língua dos Ingleses, que não é a tua Língua, e também é uma Língua europeia e culta».

 

Fez-se um certo silêncio.

 

Contei-lhe, então, a minha história: a de ter aprendido a ler e a escrever no Brasil, à moda do Brasil, ou seja, usando a ortografia que agora estão a obrigá-la a aprender na escola, embora ela não esteja no Brasil; mas eu, era lá que me encontrava, desde os dois anos, e não tive outra opção. Com oito anos regressei a Portugal, e tive de reaprender a ler e a escrever a minha Língua Materna; e mais duas vezes fui e vim, vim e fui, e mais duas vezes tive de escrever e reescrever a Língua à moda do Brasil, e à moda de Portugal, durante a infância, a adolescência e parte da juventude.

 

Mas quando se é criança aprende-se e desaprende-se tudo muito facilmente. Só quem não está atento ao desenvolvimento das crianças, só quem não sabe nada sobre crianças, é que não sabe disto, o que parece ser o caso dos governantes portugueses e dos acordistas.

 

Portanto, os pais ou avós que se interessem realmente pelas suas crianças, devem dizer-lhes que estão a aprender a escrever incorreCtamente a Língua Materna delas, mas deverão aprender a escrevê-la correCtamente, fora da escola (na escola, por incrível que pareça, penalizam as crianças que escrevem correCtamente a sua Língua Materna) porque não seria justo saberem escrever a Língua Inglesa, com todas as letras que não se pronunciam (e são bastantes) e serem capazes disso; e não escreverem a Língua Portuguesa, com todas as letras que não se pronunciam, apenas porque um punhado de ignorantes as consideram mais estúpidas do que as crianças inglesas.

 

E isto não se faz.

 

As nossas crianças não merecem tamanha desconsideração.

 

Miguel Esteves Cardoso abordou esta problemática de um modo excePcional, e só posso fazer minhas as suas palavras.

 

Isabel A. Ferreira

 

 **** 

 

Texto de Miguel Esteves Cardoso  

 

O segundo acto

 

«Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

 

A jogada repugnante dos acordistas imperialistas — ignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

 

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se. Deseducando-as sistematicamente, conseguirão enganá-las facilmente. A ignorância é a inocência. Pensarão, a partir deste ano, que só existe aquela maneira de escrever a língua portuguesa.

 

Os adversários morrerão e predominará a inestética e estúpida ortografia de quem quis unir o "mundo lusófono" através de um Esperanto lusográfico que não tem uma única vontade colectiva ou raiz comum.

 

Como bilingue anglo-português, incito os jovens portugueses que falam bem inglês (quase todos) a falar português com a exactidão fonética, vinda do bom latim, da língua portuguesa. Eu digo "exacto" e "correcto" como digo "pacto" e "concreto". Digo "facto" como fact, tal como "pacto" como pact.

 

Falar como se escreve (ou escrevia) é um acto de rebeldia. Ler todas as letras é libertador. Compreender a raiz das palavras é conhecê-las e poder tratá-las por tu.

 

Às armas!

 

Miguel Esteves Cardoso»

 

Fonte:

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-segundo-acto-1696097?fb_ref=Default#/comments

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:55

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