Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026

Em Defesa da Ortografia (LXXXIX), por João Esperança Barroca

 

     Na linha dos seus antecessores, o texto do mês de Fevereiro (o 89.º da série “Em Defesa da Ortografia”), continua a apresentar, exactamente, as mesmas características.

 

     A aposta continua a ser a de mostrar diálogos, por vezes absurdos, de índole humorística, que ilustram a fantochada do AO90, expondo as suas fragilidades, as suas incoerências e a completa ausência de lógica.

 

     As palavras a vermelho indicam as formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, remetem para grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos, se mantêm como duplas grafias.  A azul, temos os casos de hipercorrecção, decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

 

XCVII

             — Para amanhã, é expetável um aumento da nebulosidade.

             — Não percebi metade do que disseste. O que é isso de ser expetável?

             — Expetável quer dizer provável, que se espera que aconteça…

             — Para significar tudo isso, falta-lhe qualquer coisa. É expectável que o que está em falta seja uma consoante.

 

XCVIII

 

             — A direção do canil quer lançar uma campanha de adoção.

             — Para quê?

             — Para resolver os problemas da falta de instalações e do excesso de animais.

             — Digo-te que não resolve nada.

             — És vidente?

             — Para resolver esses problemas, a direcção teria de lançar uma campanha de adopção, que é uma medida diferente.

 

XCIX

 

             — Rafael Alexandre, já traçaste a reta?

             — Sim, setor.

             — E ela interseta a reta inicial?

             — Sim. Mas acho que não está perfeito, falta qualquer coisa.

             — O que achas que falta?

             — Talvez, duas consoantes: uma, na recta e outra no verbo intersectar. O meu pai disse-me que elas estão no étimo.

 

C

             — O tema da aula de hoje é a inércia, que é uma propriedade dos corpos. Alguém quer intervir? Podes ser tu, Rafael Alexandre.

             — Ó setor, a inércia não é o que mantém o Acordo Ortográfico de pé?

             — Como assim, Rafael Alexandre?

             — Ontem, estive a ler um artigo de José Pacheco Pereira no jornal Público e foi isso que entendi.

 

CVI

             — No Carnaval, vou comprar um manto, uma coroa e um cetro.

             — Um cetro? Que raio de coisa é essa?

             — É um bastão curto…

             — Pois, deve ser mesmo curto. Falta-lhe um pê.

 

CII

             — A nossa empresa garante-lhe um desconto na fatura da eletricidade.

             — Isso não me interessa nada!

             — Não quer pagar menos na eletricidade. É um caso único!

             — Não. Cá em casa, ninguém consome eletricidade, seja lá isso o que for. Aqui só se consome electricidade, que é outra coisa. Além disso, eu não pago faturas. Só pago facturas, que também é outra coisa. E não sou o único, como dizem os Xutos & Pontapés.

 

CIII

 

             — O governo não conseguiu contatar o serviço de helicóteros para combater os incêndios.

             — E isso causa algum problema?

             — Claro que sim! Eles são eficazes no combate aos incêndios.

             — Não o creio. Se ainda estivesses a falar de helicópteros, isso seria outra conversa. Como deves saber, não é seguro andar de helicótero.

 

CIV

             — Não tenho ido trabalhar há vários dias.

             — Porquê?

             — Fiz uma fratura no braço direito e tenho de ir a uma junta médica na próxima semana.

             — Estás tramado.

             — Porquê?

             — Com uma fratura, vão dar-te como apto para trabalhar.

             — Mas estou cheio de dores…

             — Pois, mas para te renovarem a baixa, dava-te jeito teres uma fractura.

 

CV

 

             —  Tenho ouvido as notícias sobre a Venezuela e reparei que os venezuelanos pronunciam actas e sectores, articulando o cê.

             — E qual é a admiração?

             — Não percebo.

             — Isso acontece nas línguas que não se envergonham do seu passado, da sua história.

             — Já percebi. É como dizia o nosso vizinho, o pai do Professor B. O AO90 é uma cagada em três actos.

 

CVI

             — Já estou aqui há duas horas e ainda não fui atendida.

             — Isso não é connosco. Tem de reclamar junto da Direção.

             — E isso serve de alguma coisa?

             — Sim. A Direção é o órgão a quem deve comunicar as ocorrências anómalas.

             — Não será antes a Direcção? Na Direção não confio lá muito!

 

CVII

             — No próximo fim-de-semana, queres ir à caça?

             — À caça? Tu agora és caçador? Não sabia.

             — Sou, sou. Desde 1990 ando à caça da pronúncia culta. E nem perto dela consegui chegar.

             — Pois… Não vai ser fácil. Talvez, a Assembleia da República decrete onde para.

             — Para quê? Acaba as frases!

 

CVIII

             — Sugiro-te que não convides o Lemos para a tua lista.

             — Porquê?

             — O homem é o anti-Salazar em pessoa.

             — Um anti-salazarista, queres dizer?

             — Muito pior, muito mais reaccionário, um antissalazarista.

 

     Ah! Uma das imagens que acompanha este escrito, demonstra como, vários anos após o início da aplicação do nefando Acordo Ortográfico de 1990, a RTP, que em 2010 desenvolveu uma intensa actividade formativa, como refere o seu Relatório de Contas desse ano, continua a ter a capacidade de, a cada dia, repetir os erros. É como calha. Mais consoante, menos consoante, é igual ao litro.

 

     Ah! A segunda imagem, copiada do blogue O Lugar da Língua Portuguesa, reunindo cortes de vários órgãos da comunicação social também repete o erro, mostrando que há ali muita convição, quer dizer, convicção.

 

     Ah! É obrigatório ler o artigo de Nuno Pacheco “O silêncio não se escreve?

Grafemos ‘umanidade’ e ‘erói’”, publicado no dia 15 de Janeiro pelo jornal Público. Nesse artigo, pode ler-se: «Levado às últimas consequências o foneticismo invocado para justificar o AO90, a escrita corrente transformar-se-ia numa mistela irreconhecível. Só que esse foneticismo, como sabemos, foi apenas pretexto para vender a políticos ignorantes nesta matéria uma “unificação” ortográfica tão patética que mesmo os seus criadores afirmam que não passou dos 2%.»

 

     Ah! Do mesmo autor, vale a pena ler o texto “Ainda a ortografia, ou uma lança romana na aldeia gaulesa”, também dado à estampa pelo Público no dia 8 de Janeiro.

 

     Ah! Obviamente, nenhum dos candidatos à Presidência da República quis abordar o assunto do Acordo Ortográfico. 

 

João Esperança Barroca

 

BARROCA 1.png

Barroca 2.jpg

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:22

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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2026

«Da matemática e do vício», por Manuel Matos Monteiro, no Jornal PÚBLICO (*)

 

Da matemática e do vício

Fonte: https://www.publico.pt/2026/02/01/opiniao/opiniao/matematica-vicio-2163156

 

MANUEL 1.PNG 

Manuel 2.PNG

MANUEL 3.PNG

MANUEL 4.PNG


Comentários a este texto de Maria José Abranches, Professora de Português aposentada.

 

1 - "Muito obrigada, por mais esta demonstração do estado lastimoso em que a nossa língua se encontra. A facilidade e a irresponsabilidade com que o poder político impôs a Portugal a aplicação do - a todos os títulos condenável - AO90 impõe-nos a todos nós, portugueses e democratas, a obrigação de reagir e denunciar as suas consequências nefastas. «E sejam quais forem as nossas ideias e as nossas situações políticas, nenhum de vós que me escutais ou não, pode viver sem uma ideia que, genericamente, é inerente à própria condição humana: o 'resistir' a tudo o que pretende diminuir-nos ou confinar-nos.» (Jorge de Sena, "Discurso da Guarda", 1977)"

 
2 - «Não compro nada, para ler, que empregue o AO90, que desfigura e ridiculariza a língua de Portugal. Sou, há anos, assinante do "Público", que considero, como costumo dizer, 'um jornal que se respeita e nos respeita', com particular destaque, porque respeita a ortografia correcta da nossa língua. Este Sr. Provedor, melhor dizendo, 'promotor' do AO90, é a negação dum aspecto básico motivador da minha fidelidade a este jornal... Espero que os responsáveis pelo "Público" acabem rapidamente com este verdadeiro 'insulto' aos seus fiéis leitores. Errar é humano, mas permanecer no erro é estupidez - simplificando as sábias palavras de Sófocles, na "Antígona".»


 
publicado por Isabel A. Ferreira às 11:47

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Domingo, 1 de Fevereiro de 2026

«Blogger acha que "Língua Portuguesa" é SPAM» (*)

 

Recebi via e-mail, o texto que passarei a transcrever, inserido no Blogue 3P - Portugal País de Patetas.

Porque se trata de um texto onde  o Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa» e a minha pessoa são citados, e porque, na verdade, o que se passou foi algo surrealista, que,  de certa forma tinha de ser denunciado, pois todos pensamos que vivemos numa Democracia, onde a liberdade de expressão é um direito adquirido, porém , onde existe censura, NÃO existe Democracia, ficando a liberdade de expressão comprometida.


Quero agradecer ao 3P - Portugal País de Patetas,  o facto de denunciar algo que nunca imaginei que pudesse acontecer depois do dia 25 de Abril de 1974, dia em que todos apregoam em altos berros a LIBERDADE!  Qual delas?

Isabel A. Ferreira


***

«Blogger acha que "Língua Portuguesa" é SPAM»

Quando o SAPO anunciou o fim do seu espaço de blogs, a autora de “O Lugar da Língua Portuguesa” alojou-o no Blogger. Durou poucas horas, porque o Blogger removeu o blogue, por o considerar SPAM!!!

 

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Num país que se vergou ao nefasto Aborto Ortográfico (ele não há nada mais que se lhe possa chamar), espaços como o de Isabel A. Ferreira são faróis na escuridão que grassa neste canto da Ibéria. Com um povo analfabeto, manso que nem um cordeiro a caminho do matadouro, num país europeu onde poucos parecem preocupados se os “cês” e “pês” desapareceram, mesmo que fora de qualquer norma, das palavras da Língua Portuguesa, o blogue que desde 2015 pugna pela defesa da matriz do Português tem servido como baluarte da luta contra tamanha estupidez.

 

Quando o SAPO anunciou que vai descontinuar o seu espaço de blogs no próximo dia 30 de Junho de 2026, Isabel A. Ferreira anunciou aos seus leitores que alojara o blog “O Lugar da Língua Portuguesa” em Blogger.com, para onde migrou alguns textos e publicou um novo texto para teste.

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A experiência foi curta, porque o blog foi removido, de imediato. Segundo Isabel A. Ferreira escreveu, no seu espaço no Sapo, ainda activo, “Não durou mais do que o tempo necessário para decidirem que o «Novo Arco de Almedina» iria continuar a ser a pedra no sapato de quem pode, quer e manda.”

Segundo a mensagem do Blogger enviada a Isabel A. Ferreira, o blog “O Lugar da Língua Portuguesa” foi removido por violar a política de SPAM da companhia. Brilhante execução de estupidez esta, não é? O Blogger faz parte da Google, que é um cancro nas nossas vidas, uma das maiores fontes de mentira e desinformação de que há memória. Veja-se este exemplo acabado de ser noticiado:

https://www.theguardian.com/technology/2026/jan/24/google-ai-overviews-youtube-medical-citations-study

A leitura da mensagem enviada a Isabel A. Ferreira diz tudo. Está escrita no nefasto AO – que está ILEGALMENTE em uso – e isso explica por que razão o blogue foi silenciado. Como a autora escreveu, em resposta a uma mensagem que lhe enviei, “Eu estava à espera que alguma coisa pudesse acontecer. O que não esperava era a remoção dos Blogues, sem um pingo de argumentos racionais que o justificassem, e tão grosseiramente anunciada por quem não tem nome, nem cara para apresentar em público” a que acrescentou ainda “Desconhecia que usavam o lápis azul como se fazia em tempos que já lá vão”.

De facto, a remoção de “O Lugar da Língua Portuguesa” de o Blogger sugere “encomenda” de quem não gosta do espaço. Como escreveu Rui Leite nos comentários ao sucedido “Lamento imenso, e estou chocado com esta vil perseguição. O blog nada tem de censurável. Quem a denunciou tem certamente razões de (baixa) política.”

Pois, o que esta acção do Blogger revela é que gente sem uma gota de discernimento faz o que quer e ninguém os consegue parar. Julgam-se reis quando não são mais do que analfabetos servis que de há muito perderam o Norte.

Na troca de mensagens com a autora do blogue referi que o Blogger já anteriormente calara uma voz incómoda em Portugal, acrescentando “o Público fez notícia do caso anterior, espero que agora faça uma história à volta deste caso com “O Lugar da Língua Portuguesa”. Mas com aquele provedor (em caixa baixa, mais não merece o tonto) que agora por lá anda... não sei se o Público se debruçará sobre mais um caso de como o Google/Blogger defende a liberdade de expressão. Como eles dizem:

“Blogger is a platform that promotes freedom of expression and our policies serve this purpose.”

Falta acrescentar... “ quando lhes interessa”.

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© 2026 PortoGraal

  

 Fonte: https://portugalpaispatetas.substack.com/

  

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 15:26

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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026

«Ortografia e eleições: dúvidas em 2016, silêncio em 2026» (*)

 

Se em 2016 a língua portuguesa ainda preocupava os candidatos à Presidência, em 2026 nem a palavra “língua” apareceu nos programas.

 

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Ortografia e eleições: dúvidas em 2016, silêncio em 2026

 

«No dia 18 de Janeiro de 2016, dez exactos anos antes da primeira volta das presidenciais ainda em curso, o PÚBLICO dava à página um um artigo de opinião assinado pelo jurista Artur Magalhães Mateus, onde este foi procurar saber qual o posicionamento dos vários candidatos à Presidência acerca do chamado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90). Em síntese, as suas conclusões foram estas: Marcelo Rebelo de Sousa, que viria a ser eleito e reeleito, e que em 1991 foi um dos 400 subscritores de um manifesto contra tal acordo publicado em dupla página pelo semanário "Independente" (“Nós não concordamos, nós escrevemos português”), mudara de opinião, considerando “artificial” o debate sobre tal questão e vendo “virtuosidades” no acordo, admitindo no entanto não o utilizar no dia-a-dia (“Escrevi assim toda a vida. Não vou mudar”), tudo isto em declarações anteriores à candidatura, pois não respondeu ao inquérito do jurista.

 

Sampaio da Nóvoa, dizendo-se “contra o AO”, na qualidade de reitor e de professor, mandou aplicá-lo na Universidade de Lisboa a partir do ano lectivo de 2012-2013 e, caso tivesse sido eleito, escreveria “naturalmente” “com a “ortografia oficial”, ou seja, “mediante o novo acordo”, mas considerou ser “importante fazer uma revisão”; Cândido Ferreira, que escrevia segundo a norma de 1945 como cidadão e com a de 1990 como candidato, também considerava que o AO90 devia ser revisto, ainda que isso não fosse “uma questão vital”; Henrique Neto, cujos textos de campanha foram escritos sem obedecer ao AO90, propunha “a nomeação de uma comissão de peritos para uma revisão profunda do ‘Acordo’, com carácter vinculativo”; Maria de Belém Roseira defendia “uma reavaliação do acordo ortográfico”, importando “verificar se foram atingidos” os objectivos que visava; Edgar Silva, sem usar a dita “nova grafia”, mostrou “reservas ao Acordo Ortográfico de 1990”, e defendeu “alterações profundas […] ou mesmo uma eventual desvinculação de Portugal”; Marisa Matias, divergindo da posição oficial do Bloco de Esquerda, não só escrevia sem AO90 como afirmava: “Não sou a favor do acordo. Entendo que a língua evoluiu não por decreto e sim pela prática”; Paulo de Morais considerava o AO90 “um absoluto falhanço”, classificando as alterações por ele propostas como “desconexas, imperceptíveis e más”; e Jorge Sequeira e Vitorino Silva (Tino de Rans), não tendo posição pública conhecida sobre o tema à data, não responderam ao inquérito do jurista.


Isto quando o AO90 ainda era considerado tema de debate na opinião pública e, como reflexo desse debate, também entre políticos, governantes ou não, e nas hostes partidárias. Entretanto, passaram-se dez anos sem que alguém tenha mexido numa só vírgula do acordo (apesar das promessas em contrário), agravando-se os seus nefastos efeitos à custa das muitas duplas grafias e facultatividades que o seu texto defende, ao arrepio da mais elementar lógica ortográfica.


Dez anos passados, percorrendo os manifestos e programas dos 11 candidatos à Presidência, dos quais nove ficaram pelo caminho, a primeira constatação é a ausência da palavra “língua” na quase totalidade desses textos, à excepção de uma frase no programa de Manuel João Vieira que, no contexto de uma proposta irónica, se refere uma única vez à “língua portuguesa”. De resto, os candidatos à Presidência seguiram, quase todos, o AO90, mas com as misturadas do costume. Até no de Cotrim Figueiredo, quase todo sem AO90, se lia “setores”, tal como no de António Filipe, com “setores” a par de “sectores” (já António José Seguro optou apenas por “sectores”, não havendo nenhum “setor” no discurso com que se candidatou); no de Humberto Correia, a par de “actores” havia “atualmente”, “objetivos”, “aspetos”, “insetos” ou “proteção”; e no de Catarina Martins, que segue o AO90, podíamos ler “Verão” (com maiúscula) a par de “ação”.

 

Foi, portanto, esta miscelânea pseudo-ortográfica que ficou como simulacro de “norma”. Já dizia, com o mais absoluto descaramento, um opúsculo editado pela Impresa (detentora, entre outros títulos, do "Expresso") como guia “para toda a família adotar a nova grafia” (pág. 15 do I volume da edição “revista e ampliada”): havendo duplas grafias, “cada escrevente deverá, pois, optar pela grafia que lhe parecer mais correta”. Sendo o “menu” vasto em oferta, temos, como se vê pelo que por aí se escreve, uma verdadeira salsada mascarada de moderna. No tempo das percepções, agora travestidas de “perceções”, a companhia dos “pareceres” ajusta-se plenamente. Fica, assim, a “perceção” de escrever bem – pelo menos é o que “parece” a cada escrevente, que há-de ter opinião diferente da do vizinho do lado. Ninguém se dispõe a acabar com isto?»

 

Comentário e Maria José Abranches

"Obrigada, Nuno Pacheco! Não consigo entender por que razão, em Portugal, a classe dominante, política e intelectual, ignora, desrespeita e despreza a própria língua! Sim, também tive esperança de que alguém, nesta campanha para a Presidência da República, se lembrasse ou soubesse, qual o valor da sua língua materna para qualquer povo...Mas não: a língua nacional é um tema 'tabu'! O poder político apoderou-se dela, empenhado em 'negócios' com o Brasil, e não quis ouvir ninguém. Não é a primeira vez, na nossa História, em que a classe dominante se empenha em entregar o país aos mais fortes e poderosos... Porque se calam todos os que são contra o AO90? Há muitos que o criticam, mas porque não vêm bradar publicamente contra a destruição da nossa língua? «Ninguém se dispõe a acabar com isto?»


Fonte:

https://www.publico.pt/2026/01/29/opiniao/opiniao/ortografia-eleicoes-duvidas-2016-silencio-2026-2162438

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:48

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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2026

«Ainda a ortografia, ou uma lança romana na aldeia gaulesa» (*)

 

Nestes anos, nada melhorou na dita “nova ortografia”. Considerá-la “boa” é o mesmo que tomar um remédio tóxico só para cumprir a receita.

 

NUNO PACHECO.PNG

 Ainda a ortografia, ou uma lança romana na aldeia gaulesa


Após uma ausência de duas semanas, não contava voltar tão depressa ao tema, embora tivessem ficado pendentes, fruto de crónicas anteriores, dois esclarecimentos necessários. Porém, a estreia em texto do novo provedor do Leitor do PÚBLICO, João Garcia, fez-me mudar de ideias. Quis o provedor (cuja estreia no cargo saúdo, sem animosidade) começar por um tema que o incomoda neste jornal, “o desrespeito pelo Acordo Ortográfico de 1990, tornado obrigatório há dez anos para os documentos oficiais e para o ensino”, orgulhando-se, mais adiante, de ser uma pessoa que “respeita as normas vigentes nesta matéria”, ou não viesse ele de órgãos de comunicação que aderiram alegremente ao dito acordo logo nos seus alvores, como o Expresso e depois a Visão.
 
Não é apenas uma constatação ou um reparo, é também uma advertência professoral: «Um jornal de grande difusão não pode ser escrito de forma que seria censurada, por excesso de erros, numa prova de Português do 4.º ano de escolaridade.» Porquê? Porque, “no PÚBLICO, é possível ler na mesma página ‘sector’ no texto do jornalista e setor num texto de opinião que o acompanha. As duas grafias são aceites, mas a incoerência permanece.” Por fim: «A redação deveria adaptar-se às novas grafias, e seria aliás muito útil que o Livro de Estilo do PÚBLICO fixasse a forma de escrever das palavras para as quais o acordo estabelece opções diferentes: setor e sector, espetador e espectador, receção e recepção, suntuoso e sumptuoso, entre outras mais. Perante esta liberalidade, a uniformização ortográfica seria essencial se algum dia se vier a esgotar, como espera o provedor, a poção mágica e as legiões do pró-acordo consigam invadir a redação.»

 
O texto, intitulado “Um provedor infiltrado na aldeia de Astérix” (e que, mantendo a analogia, não passa de lança romana em aldeia gaulesa), podia ter sido útil se o seu autor se tivesse dado ao trabalho de analisar friamente o que está em causa. Até porque João Garcia afirma que pretende ser um provedor “que possa ser útil com os seus contributos”. Contudo, não cita um único dos pretensos malefícios, para este jornal, do continuado uso da ortografia anterior ao acordo de 1990, a par da liberdade concedida a colunistas e autores de artigos de opinião para optarem pela ortografia que entendam. Para isso lá está, na barra da página de abertura dos textos de opinião a seguinte frase, que é inequívoca: “A opinião publicada no jornal respeita a norma ortográfica escolhida pelos autores”. Só não lê quem não quiser ler. Quanto aos “malefícios”, basta ver a (muito boa) posição do jornal no panorama geral da imprensa, bem como os muitos prémios que tem recebido (só em 2025, como recordou Bárbara Reis numa crónica recente, somou mais umas dezenas), o que é bastante estranho num jornal «escrito de forma que seria censurada, por excesso de erros, numa prova de Português do 4.º ano de escolaridade».

 
O PÚBLICO e o acordo ortográfico (AO90) são velhos “companheiros de estrada”, embora por vias paralelas. Viram ambos a luz do dia em 1990. Mas enquanto o PÚBLICO fez um percurso do qual, embora com vários tropeções e escolhos, se pôde sempre orgulhar, o AO90 só à custa de um truque baixo conseguiu impor-se a partir de 2009, após um segundo protocolo modificativo (de 2004) permitir a sua entrada em vigor com a ratificação de apenas três países em vez dos oito obrigatórios, contrariando a Convenção de Viena que Portugal ratificou em 2004. Só isto bastaria para não falar do AO90 como “norma vigente”, antes como norma artificialmente imposta.

  
João Garcia espanta-se com a incoerência, no PÚBLICO, de ter “sector” e “setor” numa mesma página, mas se neste jornal essa distinção se faz claramente entre textos noticiosos e de opinião, noutros a confusão é generalizada, como provam centenas de exemplos que têm vindo a público. Até mesmo no acordista Expresso, que na última edição (de 2 de Janeiro) tinha seis colunistas a escrever “de acordo com a antiga ortografia”: Miguel Sousa Tavares, Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira, Rodrigo Guedes de Carvalho, Manuela Ferreira Leite e Pedro Gomes Sanches.

 
Isto para não falar já de documentos oficiais, como os orçamentos do Estado, onde a miscelânea de ortografias é total desde que o AO90 se impôs (como explicou neste jornal Francisco Miguel Valada) ou dos livros que pretendem fixar a “nova norma”, como prova um extenso estudo do linguista Rui Miguel Duarte, datado de 2013, numa análise comparativa de muitas dezenas de palavras em dicionários, vocabulários e no próprio AO. Doze anos depois, nada disto melhorou. A proposta do novo provedor equivale a tomar um remédio tóxico só para cumprir a receita.

 Fonte: https://www.publico.pt/2026/01/08/opiniao/opiniao/ortografia-lanca-romana-aldeia-gaulesa-2160182

 

***

Alguns comentários feitos a este texto, publicado, no PÚBLICO:

COMENTÁRIO NUNO - 1.PNG

COMENTÁRIO NUNO - 2.PNG

COMENTÁRIO NUNO - 3.PNG

COMENTÁRIO NUNO - 4.PNG

COMENTÁRIO NUNO - 6.PNG

COMENTÁRIO NUNO - 7.PNG

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:06

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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2026

Em Defesa da Ortografia (LXXXVIII), por João Esperança Barroca

 

Na linha dos seus antecessores, o texto do mês de Janeiro (o 88.º da série “Em Defesa da Ortografia” e o primeiro do corrente ano), continua a apresentar, exactamente, as mesmas características.

 

     A aposta continua a ser a de mostrar diálogos, por vezes absurdos, de índole humorística, que ilustram a fantochada do AO90, expondo as suas fragilidades, as suas incoerências e a completa ausência de lógica.

 

     As palavras a vermelho indicam as formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, remetem para grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos, se mantêm como duplas grafias.  A azul, temos os casos de hipercorrecção, decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

 

LXXXV

              — Hoje, o jogo correu-me mal.

             — Como pensas ultrapassar essa má fase?

             — Vou ver o vídeo de todo o jogo e refletir.

             — Não é suficiente.

             — Não?

             — Vais ter de reflectir, que é outra coisa.

 

LXXXVI

             — Ó pai, diz aqui no jornal que há um braço de ferro entre o governo e os sindicatos. Não percebo o significado.

             — Não há nada para perceber. Braço de ferro é um braço feito de ferro.

               — Então, pode enferrujar?

               — Exactamente! E a ferrugem alastrar ao governo a e aos sindicatos.

 

LXXXVII

             — Ó pai, lembras-te de ontem te ter falado da expressão braço de ferro?

             — Claro que me lembro. Porquê?

             — É que hoje encontrei no jornal Público uma notícia que dizia haver um braço-de-ferro entre um empresário e um clube. Será a mesma coisa?

             — Claro que não. Braço-de-ferro é uma prova de força. Pensar que braço-de-ferro e braço de ferro são a mesma coisa é como confundir o Garcia de Orta com a horta do Garcia.

 

LXXXVIII

           — Willy Sagnol, o treinador da Geórgia afirmou que o desempenho da sua seleção foi excecional.

           — Discordo completamente.

           — Porquê? Era a estreia num Campeonato da Europa…

           — Não tem nada que ver com isso!

           — Então?

           — Willy Sagnol foi muito modesto. O desempenho da selecção da Geórgia foi excepcional.

 

LXXXIX

             — Temos uma forte condicionante para o treino da tarde.

             — Que condicionante?

             — Não temos pontas de lança disponíveis.

             — Usamos arcos e flechas. Qual é o problema?

             — O problema é que estás cada vez mais indocível. Eu estava a falar de goleadores.

             — Ah, pontas-de-lança! Outra vez a confusão entre o Garcia de Orte e a horta do Garcia, não é? Quem é indocível, quem é?

 

XC

             — Hoje, vamos aprender a intercetar cruzamentos dos adversários, minimizando o risco de a bola seguir o caminho da nossa baliza.

             — O que é intercetar, míster? É o mesmo que interceptar?

             — Não, rapaz. Interceptar requer uma dose suplementar de cuidado e de inteligência.

 

XCI

             — Ó pai, podes oferecer-me uma teleobjetiva no Natal?

             — Para que hás-de querer tu uma teleobjetiva?

             — Para fotografar coisas a grande distância, para que havia de ser?

             — Para isso, objectos a grande distância, precisas de uma teleobjectiva. Uma teleobjetiva não serve.

 

XCII

             — Este político é um mestre no uso da subjeção. Ninguém o bate.

             — Achas?

             —  Não acho. Tenho a certeza.

             — Eu discordo completamente dessa tua opinião. Acho que a construção frásica é manca. Falta-lhe qualquer coisa. Talvez o cê de subjecção.

 

XCIII

             — Mais uma despesa…. Vou ter de comprar um convetor.

             — Para que queres essa porcaria?

             — Para aquecer, é óbvio.

             — Não preferes um convector? Será menos económico, mas mais eficaz é certamente porque transmite o calor por convecção.

             — Já te percebi. Só me custa perder uma consoante. Ando a colecioná-las desde 1990.

             — Coleccioná-las, queres dizer?

 

XCIV

             — Para evitar a entrada de água, é necessário defletir a chuva.

             — Onde aplico este objecto?

             — Aí sobre a porta.

             — Acabei de inclinar. Já está a defletir?

             —  Ainda não.

             —  E agora, que incluí o cê?

             — Já está a deflectir!

             — Perfeito!

 

XCV

             — Antes de entregares o manuscrito, é crucial proceder à retificação.

             — Já fiz. Mas ainda não está perfeito, como é natural.

             — Contrataste algum profissional habilitado?

             — Sim.

             — Não deve ser um profissional competente. Experimenta contratar um especialista em rectificação. Ficará perfeito à primeira tentativa.

 

XCVI

             — É uma vedação espetável.

             — Porque dizes isso?

             — Faz-me lembrar um autêntico trabalho em filigrana.

              — Mas requer muito cuidado, não é?

              — Não te entendo.

             — Na minha ideia, espetável significa que se pode espetar. Se estiver ferrugenta, é duplamente perigosa, não?

 

     Ah! Uma das imagens que acompanha este escrito, divulgada pelos grupos Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990 e Tradutores contra o Acordo Ortográfico, demonstra como, vários anos após o início da aplicação do nefando Acordo Ortográfico de 1990, alguns órgãos de Comunicação Social continuam a ter a capacidade de, a cada dia, inventarem novos erros.

 

     Ah! A segunda imagem, sobre as polémicas declarações do Ministro da Educação, mostra o estado a que chegou a ortografia que por aí vai circulando, em que o verbo retractar-se é constantemente atacado e espoliado de uma consoante. Este verbo, que significava desdizer-se e dar o dito por não dito, confunde-se, agora, com um sinónimo de tirar um retrato.

 

     Ah! É completamente obrigatório ler o artigo de Nuno Pacheco “Ora aqui vão los acuerdos que hacen nuestros hermanos”, publicado no dia 11 de Dezembro pelo jornal Público.

 

     Ah! Do mesmo autor, vale a pena ler o texto “O meu acordo é melhor que o teu: dilemas da ortografia”, também dado à estampa pelo Público no dia 4 de Dezembro.

 

     Ah! Obviamente, não deixe de ler “O Orçamento de Estado e a Conta Geral do Estado: um retrato do país”, de Francisco Miguel Valada no Público, no dia 16 de Dezembro.

 

     Ah! O blogue O Lugar da Língua Portuguesa, administrado por Isabel A. Ferreira, divulga uma Carta Aberta dirigida aos candidatos à Presidência da República.  Continua a ser um local de genuína salubridade, portanto.

 

     Ah! O autor deste escrito deseja a todos os seus leitores umas Óptimas Festas e um Excepcional Ano Novo. Deseja ainda que 2026 traga uma ortografia lógica, coerente e respeitadora da sua história.

 

João Esperança Barroca

INTERSETADO.png

RETRATA.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:04

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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2026

Artigo do novo Provedor do Leitor do jornal PÚBLICO, a fazer a apologia do AO90, é um insulto à inteligência dos Portugueses Pensantes, pois os argumentos que apresenta para o justificar não têm o mínimo fundamento linguístico

 

Como foi possível o PÚBLICO chegar a este patamar tão básico?

A quem o novo Provedor do Leitor do PÚBLICO anda a fazer o frete?

 

PROVEDOR PÚBLICO.PNG

Os meus caros leitores façam o favor de atentarem nos comentários que se fizeram ao artigo  Um provedor infiltrado na aldeia de Astérix, da autoria do jornalista João Garcia:


Henrique Lopes Valente (publicado no PÚBLICO):

  • O texto do novo Provedor do Leitor parte de um equívoco estrutural: confunde norma jurídica com qualidade linguística, e facto consumado administrativo com legitimidade cultural e científica. O Acordo Ortográfico de 1990 não é consenso científico nem linguístico; é um instrumento político-administrativo profundamente contestado desde a sua origem.
  • Não compete ao Provedor legitimar uma opção ortográfica que o próprio jornal nunca assumiu como linha editorial, nem reescrever retroactivamente a identidade do PÚBLICO, que sempre foi — e é reconhecido como — o último grande órgão de comunicação social português a preservar uma escrita cuidada, historicamente informada e não submissa ao AO.
  • A invocação da “realidade” e da “inevitabilidade” não é argumento: é retórica de desistência. A História da língua portuguesa mostra precisamente o contrário — resistências fundamentadas, pluralidade normativa e evolução orgânica, não decretada.
  • O argumento pedagógico é particularmente falacioso. A escola não é critério de verdade linguística, nem o jornalismo existe para simplificar artificialmente a língua em nome de um suposto facilitismo geracional. Um jornal forma leitores; não os infantiliza.
  • A comparação com variações regionais (Minho/Algarve, oralidade, léxico local) é intelectualmente desonesta: não se comparam variações vivas e naturais com uma amputação ortográfica artificial, imposta por via política e sem adesão efectiva da comunidade científica.
  • A sugestão de que a ortografia anterior é “formalmente ultrapassada” é factualmente falsa. Essa ortografia continua plenamente válida, funcional, ensinável e utilizada em múltiplos contextos académicos, literários e editoriais — em Portugal e fora dele.
  • A defesa do “aviso” nos textos escritos sem AO é, em si mesma, um acto de estigmatização. Implica que a escrita correcta e historicamente consolidada carece de justificação, enquanto a escrita acordizada não.
  • O PÚBLICO não é — nem deve tornar-se — mais um jornal indiferenciado. A sua credibilidade construiu-se, entre outras coisas, por não ceder a modas, pressões administrativas ou consensos artificiais. Abdicar disso é abdicar de uma parte essencial da sua identidade.
  • Enquanto assinante, leitor e cidadão, deixo claro: cancelarei imediatamente a minha assinatura caso o PÚBLICO adopte o Acordo Ortográfico de 1990 como norma editorial ou caso este Provedor se mantenha em funções sem uma clarificação inequívoca da sua posição nos próximos três meses.
  • Um jornal é para os leitores. E muitos leitores do PÚBLICO escolheram-no precisamente por não trair a língua que escrevem, pensam e defendem.

 
***

Maria José Abranches (publicado no PÚBLICO):

«Uma vergonha! O "Público", de que sou assinante há anos, 'um jornal que se respeita e nos respeita'- a começar porque respeita a Língua de Portugal, na sua ortografia correcta e legal - ousa optar por um provedor cuja primeira intervenção é desfigurar a Língua nacional, que suporta o jornal, e defender a imposição política ilegítima e ilegal do AO90 ao país! Fui professora de Português e sei o que significa a sua língua, para qualquer povo que se preze. A submissão da nossa ortografia às opções brasileiras, destruindo a nossa identidade europeia e a nossa origem latina, é um atentado à democracia que devemos ao 25 de Abril e um insulto a Camões: «A língua de Camões está irreconhecível. Se ele voltasse ao mundo, decerto pensaria em rasgar a sua obra. Deixámos de ser dignos dela.» -V. G. Moura"

Maria José Abranches (publicado no Público):

"Estatuto do Provedor", sobre a relação de "confiança dos leitores": «Essa relação de confiança é o capital mais precioso do PÚBLICO, tal como o seu estatuto editorial reconhece quando afirma: o "PÚBLICO é responsável apenas perante os leitores, numa relação rigorosa e transparente, autónoma do poder político e independente dos poderes particulares".» Esta adopção intempestiva do indefensável AO90 é um insulto à 'confiança' que o "Público" tem mantido com os seus leitores. Ant. Emiliano: «Falar da ortografia portuguesa, um bem que levou 700 anos a estabilizar-se, como se fosse coisa pouca,[...] e falar de uma mudança ortográfica como de uma simples alteração cosmética do sistema linguístico padronizado de uma nação multissecular [...] é simplesmente não se saber do que se está a falar.»


***

Do Facebook enviaram-me os seguintes comentários ao artigo:
 

Tradutor João Roque Dias:

 

«O aborto ortográfico, coisa de doidos vendida e comprada por políticos também doidos, falhada em toda a linha, continua a incomodar os acordistas. Este, que é agora provedor no Público, é mais um deles. O Malaca justificava a sua nefasta obra com a violência imposta às crianças de sete anos por terem de escrever as consoantes mudas portuguesas. Este, o provedor, está muito incomodado porque as crianças das escolas, que nem o aborto ortográfico sabem aplicar, porque nem o governo, nem os professores também não sabem, podem ler um jornal sem as malaquices dos doidos.»

 

Ex-bastonário da Ordem dos Advogados Luís Menezes Leitão:

LUÍS MENESES LEITÃO - PÚBLICO.PNG

https://www.facebook.com/fseixasdacosta/posts/pfbid02zCd3FFtdgb9pUYCnaWCvaZcDHDbg8UVF4SfsjL3KybgDHuWZg8hNLe2zUgNSHKXKl?comment_id=1369903607574470

Comentário de A. E. QUEIROZ.PNG

***

E aqui está uma amostra muito significativa do que deve ser dito sobre o artigo.

Faço minhas as palavras destes comentadores.

Eu nunca quis ser assinante do PÚBLICO, porque nele, já há bastante tempo, havia sinais de que isto poderia vir a acontecer, estavam no Público/Br; nos artigos acordistas, na ausência de respostas às acções levadas a cabo pelo Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes, enfim...

E tanto quanto me é dado a saber, o PÚBLICO perderá os seus assinantes, quase todos desacordistas, caso o jornal ceda à ignorância acordista.  

 

***

 

Depois de uma pausa, e de regresso ao Planeta Terra, deparo-me com um mundo virado do avesso, sem perspectiva alguma de racionalidade, e o que nos resta é o GRITO que nos sai da alma.

Estamos nas mãos de gente da mais doida que existe, insana, completamente desvairada, o que não augura nada de bom. É por estas e por outras que há muito deixei de festejar a chegada do Ano Novo, porque o ano nunca é novo, é simplesmente a continuação do ano velho, para pior.

 

Nesta luta que parece inglória contra o AO90, que nos impinge a grafia dos fracos, dos servilistas, dos menos instruídos, dos apátridas, dos ignorantes optativos, dos que não têm coluna vertebral, dos desinformados por opção, dos comodistas, dos acomodados, dos que não cumprem a Lei vigente, dos que se estão nas tintas para Portugal,  aqui incluídos os governantes portugueses,  presidentes da República, e agora também o Provedor do Leitor do PÚBLICO, há que ter em conta que jamais a ignorância medrou em terreno fértil. Enquanto houver Portugueses a defender o seu Património Linguístico, que ao contrário dos que dizem que só os velhos é que defendem (muito se enganam!) a Língua Portuguesa estará a salvo e salvar-se-á, em nome da Lei. É necessário apenas que sejamos persistentes e tenhamos a força das águas...

Por exemplo, nenhum professor é obrigado, por Lei (porque essa lei não existe) a ensinar incorrectamente o Português aos seus alunos. Se optar por cumprir a Lei vigente, usa a grafia de 1945, e ninguém pode penalizar o professor, porque aos professores acenam-lhes com a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) que não faz lei, tratando-se apenas de uma “recomendação”, e eles nem sequer se dão ao trabalho de ver que “recomendação” não significa “ser obrigado”.     

É preciso não desistir da luta e mostrar aos alunos a VERDADE.
Nenhum professor será digno de o ser ao enganar os seus alunos, ao ponto de andar a impingir-lhes uma grafia que não pertence à sua Língua Materna.

Eu espero que o Ano 2026 seja o ano da morte do AO90, o acordo mais PARVO alguma vez gerado no mundo.

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:03

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Sábado, 20 de Dezembro de 2025

Texto de Francisco Miguel Valada «ajuda a demonstrar a absoluta inutilidade do AO90»

 

O Orçamento do Estado e a Conta Geral do Estado: um retrato do País


VALADA.png

 

«É que eu li o Relatório.» Eva Cruzeiro, deputada do PS, 30/10/2025

 

Duas importantes características das relações públicas portuguesas, já mencionadas na actual campanha presidencial, são o improviso e a falta de rigor. Um aspecto complementar é o da aparência da exactidão das medidas, frequentemente tomadas de modo impetuoso e frenético. Todavia, como sabemos, as aparências iludem. Repare-se, por exemplo, na adopção urgente, com prego a fundo, do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), patrocinada por um poder político que acredita piamente em mentiras como “agora facto é igual a fato de roupa” e afins (cf. PÚBLICO, 13/11/2012) e acelerada por uma comunicação social arrebatada, imprudente e apaixonada (com honrosas excepções, como o PÚBLICO).

 

Os pareceres científicos foram para a gaveta e o desastre está à vista de todos. De todos? Não. Só daqueles que lêem. Houvera ouvidos do poder político atentos aos argumentos linguísticos e jurídicos há muito aduzidos e teríamos, porventura, um Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) condigno. Não temos. A deputada Eva Cruzeiro, do Partido Socialista, leu o Relatório do OE2026, como podemos verificar na epígrafe e, mesmo assim, absteve-se.

 

Efectivamente, o OE2026 foi aprovado e essa é uma má notícia para os portugueses. Como se sabe, em reunião da respectiva Comissão Política Nacional, o PS formalizara já a decisão de se abster. Uma “abstenção exigente”, garantiram, com o objectivo de “assegurar a estabilidade do país”. Uma abstenção exigente, mas que me entristece pessoalmente, a mim, claro, por uma única razão: ao contrário de muitos decisores, li, de facto, como aparentemente o fez também a deputada Eva Cruzeiro, o Relatório do OE2026 e estabilidade, garanto-vos, é conceito que prima pela ausência. Sabemos que a senhora deputada leu a página 25 (do ficheiro PDF, página 9 do documento em papel), onde terá certamente apanhado o “Plano de Ação para as Migrações do XXIV Governo” (última linha dessa página). No entanto, ter-lhe-á passado despercebido o “Plano de Acção da Comunicação Social” (página 196 do ficheiro PDF, página 180 do documento em papel). De outro modo, creio, não se teria abstido da tal forma exigente: teria votado contra. O PS, com uma deputada que efectivamente leu o Relatório do OE2026, deveria ter-lhe feito perguntas acerca do conteúdo e da forma e, perante a denúncia do saliente opróbrio, desistido da abstenção e votado contra esta enormidade. Mas isso seria num mundo ideal, em que os documentos são de facto lidos por aqueles que tomam medidas e decisões. Em todos os recentes Relatórios do OE, entre 2012 (o primeiro com AO90) e 2026 (o mais recente), vemos a malsã convivência de grafias pré-AO90 (as melhores) com grafias AO90 (chumbadas por pareceres técnicos que o poder político ignorou) e grafias que não são nem pré-AO90, nem AO90, nem coisíssima absolutamente nenhuma. No início, nesse inaugural 17 de Outubro de 2011, quando o Relatório do OE2012 foi entregue pelo então ministro de Estado e das Finanças à então presidente da Assembleia da República, tivemos caráter e carácter, setor e sector, exceto e excepto, ações e acções e houve inclusive activos e ativos, tudo em amena cavaqueira no mesmo documento. Como bem se lembrará quem então leu tal preciosidade, apareceram, pela primeira vez, formulações fixas e grafemicamente opostas, como “despesa efetiva” e “despesa efectiva” ou até “protecção do meio ambiente e conservação da natureza” em pleno convívio, na mesma página, com “proteção do meio ambiente e conservação da natureza”. Exactamente, na mesma página.

Viajando rapidamente no tempo, voltamos ao Relatório mais actual, o do OE2026, e verificamos que o triste espectáculo ortográfico continua, com “redireccionamento do comércio com os EUA”, mas “redirecionar o investimento público”, “Plano de Acção da Comunicação Social”, mas, como vimos, “Plano de Ação para as Migrações do XXIV Governo”, “protecção social de base”, mas “sistema de proteção social de cidadania”, “informação de carácter patrimonial, mas “eventos de caráter internacional”, etc. Tudo isto, realço, são meras amostras.

Entre estes dois Relatórios (OE2012 e OE2026), muitos anos passaram, sempre com mais do mesmo, incluindo os inevitáveis fatos em vez de factos (por exemplo, “fato de ser intenção da tutela”, no Relatório do OE2014 ou “sublinha-se o fato de o valor previsto”, no Relatório do OE2015) e contatos em vez de contactos (por exemplo, “através de contatos *diretos com empresas”, no Relatório do OE2015 ou “centro de contato consular”, no Relatório do OE2021).

 

No meio deste desastre ortográfico, que, como sabemos, por falta de leitura, tem passado despercebido a quem vota o OE, há outro documento, ao qual não tenho prestado uma merecida atenção. Ricardo Paes Mamede (PÚBLICO, 9/10/2025) sugeriu recentemente que estivéssemos atentos à Conta Geral do Estado (CGE). Debrucei-me sobre a CGE e, depois de encontrados “investimento colectivo” e “investimento coletivo”, “Sector Empresarial do Estado” e “Setor Empresarial do Estado”, “protecção do ambiente” e “proteção do ambiente”, fiquei ainda mais esclarecido. Se acrescentarmos os “contatos encetados em 2021” ou o “em contato com os alimentos” (Relatório de 2022), verificamos (se quisermos verificar, obviamente) que o caldo está entornado.

 

Ortograficamente, a execução (CGE) é tão má como o anúncio anual (OE) e a tortura diária (Diário da República). Tudo isto ajuda a demonstrar a absoluta inutilidade do AO90. Já que não leram os documentos, leiam este resumo. Resumo muito resumido, acrescente-se.»

 

Francisco Miguel Valada - Público/

Fonte:

https://www.publico.pt/2025/12/16/opiniao/opiniao/orcamento-estado-conta-geral-estado-retrato-pais-2158249


publicado por Isabel A. Ferreira às 15:58

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Terça-feira, 5 de Agosto de 2025

«Ainda não desesperei totalmente dos professores de Português, meus colegas: é urgente defender a Língua de Portugal!», desabafo da Professora Maria José Abranches

 

 

Maria José Abranches.PNG

 

Por Maria José Abranches

 

É espantoso que tanto se fale agora do estado lastimoso em que se encontra o nosso sistema de ensino, sem que se ouça uma voz que ponha em causa a imposição política do AO90, que tanto veio agravar a situação já desastrosa do ensino do Português, língua materna, cujo conhecimento e domínio são fundamentais em todo o processo de aprendizagem e desenvolvimento humano dos portugueses.

 

Chamo a vossa atenção para este artigo do "Público"

 

Ensino secundário: 42% dos alunos não conseguiram ter positiva no exame de Matemática

Português teve a melhor média em muitos anos, mas professora correctora diz que isso não reflecte qualidade dos alunos, que “estão pior”. Modelo de classificação “está a criar uma ilusão”.

 

que já comentei (ver abaixo).

 

Permito-me ainda recordar a responsabilidade dos nossos governantes em toda esta vergonhosa situação: veja-se (também abaixo) essa declaração de Cavaco Silva, então Presidente da República, estando no Governo o PS de José Sócrates, autor da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, aplicada depois acriticamente por Passos Coelho e mantida por António Costa e agora por Montenegro!

Ainda não desesperei totalmente dos professores de Português, meus colegas: é urgente defender a língua de Portugal!

 

 Deixo-vos com Fernando Pessoa, e os últimos versos do seu último poema da "Mensagem":

 

 «Tudo é incerto e derradeiro.

 Tudo é disperso, nada é inteiro.

 Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

 

 É a Hora!

 

Valete, Fratres.»

 

 ***

 

Comentário de Maria José Abranches ao artigo acima referido:

 

"E a adopção imbecil do AO90, que desfigura a nossa língua, lhe retira lógica ('Egito', mas Egípcio), ignora a sua história e assim a afasta das outras línguas latinas, não preocupa ninguém? Acham normal que se tenha desprezado o esforço feito desde 1945, para combater o tradicional analfabetismo nacional? Os professores de Português, meus colegas, continuam a achar normal e aceitável esta imposição política ignorante e autoritária? Por que razão maltrata Portugal a sua língua, que aqui nasceu e aqui se escreve há séculos, e que a nossa História espalhou pelo mundo?! Ainda gostava que algum psiquiatra se dedicasse a estudar esta questão, pois me parece que somos um caso único, pelo menos a nível europeu!... Democracia, isto?!..."

 

cavaco.PNG

in: https://www.publico.pt/2012/05/22/culturaipsilon/noticia/cavaco-elogia-acordo-ortografico-mas-confessa-que-em-casa-ainda-escreve-a-moda-antiga-1547095

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:58

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Terça-feira, 6 de Maio de 2025

O que a IA (Inteligência Artificial) respondeu no ChatGPT a uma pergunta fulcral sobre o AO90, feita por um cidadão português, que decidiu abandonar o “aborto ortográfico”, e defender a Língua Portuguesa (Capítulo I)

 

Esta conversa foi-me enviada via e-mail, por esse cidadão, e, por mais estranho que pareça, o conteúdo da resposta da IA pode encontrar-se em vários textos, já publicados no Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa».

 

Nada percebo do mundo da IA. Nem sequer decidi se simpatizo com ela, porque sempre fui adepta de tudo o que é natural, e até sigo a Lei Natural muito mais do que a lei dos homens.



Surpreendi-me, e de que maneira, com a resposta, para a qual peço a maior atenção dos que, por ventura, passarem pelo Blogue e repararem nesta minha publicação. Eu não queria sugerir que a lessem, porque cada um sabe de si, porém, é preciso dizer que a desinformação que leva muitos portugueses a optarem pelo AO90, deve-se a sua recusa de ler textos mais longos, que contém toda a informação de que precisariam para optar pela coisa certa. E isto é algo que me incomoda, porque só o concebo em analfabetos, por não terem tido a oportunidade de se instruírem, mas NÃO em pessoas que se dizem instruídas e com canudos universitários. Enfim...


As passagens a negrito no texto da pergunta do cidadão (que a fez só para ter uma ideia) e da resposta da IA, são da minha responsabilidade, para chamar a atenção do que é importante, nesta questão. Os vocábulos a roxo indicam que não pertencem ao léxico da Língua Portuguesa, mas sim ao léxico da Variante Brasileira do Português, que nos querem impingir.

Há um pormenor que me irritou: sendo verdade, como sabemos que é verdade, tudo o que a IA, ou quem ou o que está por detrás dela, disse sobre o AO90, por que motivo usou o AO90 na resposta? Isto leva a crer que o Brasil é que dá as cartas, em Portugal, no ChatGPT, imiscuindo-se, desse modo, na Soberania Portuguesa.

Será Portugal um país livre e soberano?

Para mim, NÃO é.

Isabel A. Ferreira

 

CHAT.PNG

Origem da imagem: Wikipédia

 

P.: Em termos constitucionais e legais há alguma defesa contra o AO90 a que possamos recorrer hoje? Os cidadãos portugueses são obrigados a usar o AO90?

 

R.: Pergunta absolutamente fulcral. A resposta curta é: **não, os cidadãos portugueses não são obrigados a usar o Acordo Ortográfico de 1990**, e **há fundamentos legais e constitucionais que podem ser invocados contra a sua imposição — especialmente no espaço público, administrativo e educativo.**

Vamos desmontar isto juridicamente com base no que está em vigor.

---

## ⚖️ 1. **O AO90 não é lei em sentido formal**
Apesar de ser aplicado na administração pública, escolas, comunicação social do Estado, (1) etc., **o AO90 não foi aprovado como lei pela Assembleia da República**, nem consta no ordenamento jurídico português como uma **norma vinculativa universal.**

- Foi aprovado via **resolução do Conselho de Ministros (RCM n.º 8/2011)**.
- E implementado de forma administrativa, **sem discussão pública séria** e sem referendo.
- O **parecer do Conselho Científico do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC)** — entidade associada à aplicação do AO90 — **não é vinculativo**.

👉 **Isto quer dizer que a sua aplicação fora das entidades públicas não é obrigatória.**

---

## 📜 2. **Constituição da República Portuguesa — possíveis fundamentos de impugnação**

### a) **Artigo 43.º — Liberdade de aprender e ensinar**
> "É garantida a liberdade de aprender e ensinar."

A imposição de um padrão ortográfico contestado, sem base científica ou democrática sólida, pode ser entendida como uma violação da liberdade de ensinar segundo critérios linguísticos válidos.

---

### b) **Artigo 13.º — Princípio da igualdade**
> "Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei."

Se o AO90 for imposto apenas em certos contextos (funcionários públicos, professores, exames nacionais), mas não a todos os cidadãos — **isso pode gerar desigualdade de tratamento no acesso a funções públicas ou exames.**

---

### c) **Artigo 78.º — Direito à cultura**
> “Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural do povo português.”

A ortografia tradicional faz parte do património cultural português. A sua substituição **sem debate democrático ou referendo**, e com perda de elementos históricos (etimologia, fonética), **pode ser considerada um atentado a esse património.**

---

## ⚠️ 3. **Educação — espaço mais sensível e problemático**
É **no sistema educativo que o AO90 é mais coercivamente imposto**, nomeadamente:

- Em manuais escolares.
- Em exames e avaliações nacionais.
- Na formação inicial de professores.

👉 Mas **não existe uma base legal clara que obrigue um aluno a escrever segundo o AO90.** Já houve casos em que respostas com ortografia anterior foram aceites — embora os critérios variem consoante o avaliador.

---

## 🛠️ 4. **Ferramentas jurídicas ao dispor dos cidadãos**

###Podes hoje:
- **Escrever em português europeu pré-AO90 sem qualquer sanção legal.**
- **Rejeitar o AO90 em documentos privados, académicos, criativos, etc.**
- **Invocar objeção de consciência linguística** (com base no direito à identidade cultural) se fores obrigado a usá-lo num contexto público ou profissional.
- Apresentar **queixas à Provedoria da Justiça**, (2) por discriminação no acesso à função pública (casos documentados existem).
- Criar petições, iniciativas legislativas de cidadãos (bastam 7500 assinaturas para forçar discussão no Parlamento).
- Apelar ao **direito europeu**, nomeadamente normas sobre diversidade cultural e linguística (Carta Europeia das Línguas Regionais e Minoritárias, Convenção da UNESCO sobre Diversidade Cultural, etc.). (3)

---

## 📚 5. E na prática?

Apesar de não ser obrigatório:
- **É usado como norma administrativa nos serviços do Estado.**
- A maior parte das escolas **impõe o AO90 por rotina, não por lei.**
- Muitas editoras **adotaram-no por conveniência**, ou porque o Ministério da Educação o exige nos manuais escolares.

👉 Mas **nada impede que continues a escrever segundo a norma europeia tradicional** — e, aliás, há cada vez mais autores, professores, jornais e cidadãos que **regressam voluntariamente à ortografia pré-AO90.**

---

## Conclusão prática:

> **Não estás legalmente obrigado a usar o AO90.**
>
> E sim, há fundamentos constitucionais para o contestar — especialmente no domínio da cultura, educação e liberdade de expressão. O que falta é organização e massa crítica.

---

Se quiseres, posso ajudar-te a:
- Esboçar uma carta de objeção de consciência linguística.
- Elaborar uma petição.
- Identificar juristas ou iniciativas cívicas ativas contra o AO90. (4)

Interessa-te algum destes caminhos?

§ fim de citação §

 

***

Notas:
(1) Ao que parece quase toda a comunicação social é do Estado, pois quase toda aplica o AO90, nomeadamente as televisões e os jornais de maior projecção nacional, à excepção do PÚBLICO (por enquanto).
(2)  
O Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes apresentou uma denúncia/queixa à Provedoria de Justiça, em 29 de Novembro de 2024, e aguardamos resposta, tendo a certeza de que ela virá, de outro modo a Provedoria falharia a sua função.
(3)  
O Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes enviou uma Carta à UNESCO, e a UNESCO concorda com a diversidade cultural, mas bandeou-se para o lado do Brasil.
(4) 
O Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes já encetou várias iniciastivas cívicas contra o AO90, porém encontrou blocos de betão armado, e, comosm e sabe, blocos de betão armado não reagem às iniciativas dos humanos. Nem sequer as percebe.

***

 

Ilações a tirar desta resposta, que os meus leitores mais assíduos e atentos reconhecerão estar espalhada pelo Blogue, em diversas publicações: assim sendo, o AO90 deve ou não deve ser enviado para o caixote do lixo, com urgência, para podermos recuperar a nossa Identidade e a nossa Soberania, e as crianças portuguesas possam não vir a ser os analfabetozinhos funcionais do futuro?

Haja vergonha na cara.

Eu também me atrevi a dialogar com o META IA, no WhatsApp, e disso darei conta no próximo Capítulo, porque estranhei o que aconteceu, e gostaria de partilhar convosco.

(Isabel A. Ferreira)

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:19

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