Domingo, 30 de Junho de 2019

PORTUGAL – ÚNICO PAÍS DO MUNDO QUE DÁ AOS SEUS “SÚBDITOS” A LIBERDADE DE ESCREVER DE ACORDO COM A IGNORÂNCIA DE CADA UM

 

Pois esperemos que as coisas se componham no sentido de mandar às malvas este desacordo ortográfico (AO90) que só serve para facilitar a vida dos pouco dotados para a aprendizagem de Línguas. Há gente dessa por aí, mais do que se imagina.

 

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E isto vem a propósito de um texto publicado no Jornal Observador, sob o título «O desacordo. Ortograficamente falando» da autoria de André Duarte.

 


Na primeira frase o autor diz logo dessa grande dificuldade, que teve de ser colmatada com a liberdade de se escrever de acordo com a ignorância de cada um.

 

«Linguisticamente muita coisa mudou em Portugal e a principal é que cada um escreve hoje como quer, coisa que antes não sucedia. O Acordo é bem vindo, pois trouxe um cheirinho acrescentado a liberdade em que cada um respeita mais ou menos o que quer na medida aproximada do que pretende.»



Pois agora cada um é livre para não só dizer, como escrever incorreCtamente as asneiradas que quiser.

 

Este é o resultado caótico da aplicação do AO90 em Portugal, o único país do mundo que dá a liberdade aos seus “súbditos” de escrever de acordo com a ignorância de cada um. E desde os meios de comunicação social subservientemente acordizados, aos funcionários públicos, deputados da Nação, políticos, governantes  e professores, o exercício da escrita é à vontade do “freguês”.

 

Nunca se escreveu tão mal, em Portugal, como hoje.

 

Actualmente somos o país com o índice de analfabetismo mais elevado da Europa, e brevemente seremos o país com o índice de ANALFABETOS FUNCIONAIS mais elevado do mundo, porque quando se é privado de se pensar a Língua, fica-se impossibilitado de entender os textos, ainda que sejam simples e estejam escritos de acordo com a tal ignorância de cada um.

 

Também seremos (se já não somos) o único País do mundo que não terá uma Língua que o identifique como país livre e soberano.


E Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, respectivamente presidente e primeiro-ministro da República Luso-Brasileira, são, actualmente, os maiores culpados deste analfabetismo instalado no País, e da perda da nossa identidade linguística, a juntar a Aníbal Cavaco Silva, José Sócrates e Santana Lopes.



Todos estes impatriotas pagarão bem caro esta postura desleixada, porque o Futuro e a História encarregar-se-ão de os atirar para o caixote do lixo, como eles estão a atirar para o caixote do lixo a Língua Portuguesa.

 

E isto é tão certo como eu estar aqui a escrever isto.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:14

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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019

EM 45 ANOS DESCONSTRUIU-SE O PAÍS QUE O “25 DE ABRIL” TENTOU CONSTRUIR

 

Os governantes pós-25 de Abril mataram a Revolução dos Cravos. Os sucessivos governos, desde então, sufocaram-na com as cordas da corrupção, das vigarices, da roubalheira, do desgoverno, das falsidades, do desleixo, de condutas terceiro-mundistas, de imposições ditatoriais.

E os cravos de Abril murcharam.

Portugal desconstruiu-se e hoje vive num caos, pendurado no abismo, por um fio de teia de aranha. É a chacota do mundo, que lhe finge amizade, por mero interesse, algo que a cegueira mental não permite vislumbrar.

É urgente uma mudança.

É urgente uma nova Revolução, desta vez, a sério. Sem cravos, sem armas, sem ilusões vãs.

É urgente uma Revolução inteligente, que devolva a Portugal a Dignidade e a Identidade perdidas.

Já não somos Portugal.

 

25 de Abril.png

 

Em 25 de Abril de 1947, um grupo de ousados Capitães, que já estão na História como os Capitães de Abril, abriram uma porta para um futuro que se esperava promissor, sem correntes, sem pides, sem o regime opressivo do Estado Novo, sem mentiras, sem qualquer vestígio do passado. Os Capitães de Abril abriram uma porta para as tão ansiadas Democracia e Liberdade.

 

Mas o Poder é uma célula cancerígena corrosiva, que ataca quem ambiciona o Poder apenas pelo Poder. E depressa a ilusão da Democracia e da Liberdade foi abafada pela ganância e pela incompetência dos que iam jurando, por uma honra que neles não habitava, cumprir a missão que lhes era confiada.

 

E Portugal, que se abriu para o futuro, em Abril de 1974, tem vindo a regredir a olhos vistos, e Abril ainda não se cumpriu.

 

O Povo que, por essa altura, estava unido e pensava que jamais seria vencido, foi sub-repticiamente sendo enganado e alienado pelas manobras de diversão que, entretanto, os governantes foram promovendo, com a ajuda de uma comunicação social servilista, até à alienação total.

 

Foi-se desenvolvendo a política do pão e circo, uma política que nasceu no Império Romano, e que consistia no modo como os imperadores romanos lidavam com o Povo, para mantê-lo subjugado à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. A designação panem et circenses, no original em Latim, tem origem na Sátira X de Juvenal, humorista e poeta romano que, no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse pelos assuntos políticos, e só se preocupava com o pão para a boca (hoje, dinheiro no bolso) e com o divertimento.

 

Os tempos são outros, mas a política romana mantém-se, e o Povo só sai às ruas por motivos ligados ao vil metal. Os bolsos mais ou menos cheios e o futebol, as novelas, os reality shows de má catadura, mantêm o Povo amansado, alienado, distante do que é essencial, cego aos jogos políticos que se jogam em São Bento, e nos vão afastando da evolução.

 

E com esta política, acolitada pelo mais poderoso veículo de comunicação social, a televisão, instalou-se de tal modo no País, que o Povo acabou por ser vencido, sem se dar conta, por um Poder fantasiado de uma “democracia”, que esconde uma prepotência pior do que a de Oliveira Salazar, porque esse, ao menos, fazia as coisas às claras, e sabíamos com que contar.

 

Sim, podemos dizer que muitas coisas mudaram, depois de 25 de Abril de 1974.

 

Por exemplo, podemos votar livremente e escolher quem queremos que nos desgoverne.

 

Porém, de que serve o voto livre, se a maioria dos votantes não faz a mínima ideia do que faz, porque não é esclarecida? O padre da freguesia diz na missa: votem naqueles, e eles votam naqueles, sem saberem que aqueles vão para o Governo gerir os interesses dos lobbies e não os interesses do Povo, os interesses do País. Por isso, Portugal é, hoje, o paraíso de povos de várias nacionalidades, que aqui se abancam, podem e mandam e têm mais privilégios do que os Portugueses, e os portuguesinhos aceitam isto passivamente, servilmente, humildemente, parvamente, achando que o que é estrangeiro é que é bom, é que é moderno, é que é bué fixe.

 

Para complicar ainda mais as coisas, o Zé Povinho é adepto dos partidos políticos, como se os partidos políticos fossem o clube de futebol dele, portanto, vota nas cores dos partidos da sua predilecção, ainda que os candidatos possam ser incompetentes, corruptos, mentirosos e vigaristas. Esta parte não interessa ao Povo.

 

E isto não tem nada a ver com Democracia, mas com cegueira mental, ignorância, alienação, seguidismo.

 

As Democracias só funcionam plenamente quando o Povo é maioritariamente esclarecido, informado, instruído, pensante, dotado de espírito crítico. E não estou a referir-me aos canudos, porque os canudos só dão conhecimento específico em determinadas matérias. Um analfabeto pode ser muito mais esclarecido e informado e instruído e pensante e dotado de espírito crítico do que muitos doutores, que por aí andam de gravata ao peito, sendo a gravata a sua única medalha de mérito.

 

Em Democracia, os governantes são meros serviçais do Povo, que lhes paga o salário chorudo que ganham, para (des)governarem o País.

 

Em Democracia, os governantes, sendo nossos serviçais, têm o dever de responder às questões que o Povo lhes coloca, por escrito ou oralmente. Ora acontece que os governantes remetem-se ao silêncio, desprezando os apelos do Povo. Ignorando o Povo. E este desprezo não faz parte da Democracia que, se for verdadeira, o Povo é que é o detentor do Poder.

 

Daí a pergunta: o 25 de Abril entregou-nos uma Democracia a sério?

 

Os cravos de Abril murcharam, e Portugal não avançou para o futuro. Está prisioneiro de políticas retrógradas e de políticos incompetentes, corruptos, vigaristas, sem honra e sem brio, numa vergonhosa subserviência aos estrangeiros.

 

O Portugal hodierno limita-se a Lisboa, Porto, (e vá lá) Coimbra e ao Algarve, onde quem manda são os estrangeiros. O resto é território terceiro-mundista, nomeadamente o interior do País, onde ainda se vive sem água encanada, sem electricidade, onde ainda se passa fome, na maior miséria. Ao abandono total.

 

Eis o que temos para celebrar na passagem dos 45 anos do 25 de Abril (que os servilistas grafam “25 de abril”):

 

- Um país, onde ainda se continua a viver em pobreza extrema, com crianças e idosos a passarem fome.

- Um país, que continua a ter a maior taxa de analfabetismo da Europa.

- Um país dos que menos gasta na Saúde, com um Serviço Nacional de Saúde caótico, onde falta quase tudo, e o aumento da Tuberculose diz do subdesenvolvimento, do retrocesso e da miséria que ainda persistem por aí.

- Um país que empurra para o estrangeiro os seus jovens mais habilitados: enfermeiros, médicos, engenheiros, investigadores, artistas.

- Um país com o terceiro pior crescimento económico da Europa.

-  Um país com a 3ª maior dívida pública da União Europeia.

- Um país cheio de desigualdades sociais, onde os ricos são cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres.

- Um país cheio de banqueiros e outros que tais ladrões.

- Um país cheio de berardos a jogar ao gato e ao rato com o dinheiro do Povo.

- Um país onde a Justiça ainda é extremamente cara, desigual, lenta e injusta.

- Um país que promove a violência contra animais não-humanos, o que por sua vez gera a violência contra os seres humanos.

- Um país com um elevado índice de violência doméstica.

- Um país com um elevadíssimo número de crianças e jovens em risco.

- Um país que atira crianças para arenas de tortura de animais, e permite que sejam iniciadas em práticas violentas e cruéis, roubando-lhes um desenvolvimento normal e saudável, o que constitui um crime de lesa-infância.

- Um país cheio de grupos e grupelhos de trabalho, de secretários, de secretários de secretários, de assessores, de secretários de assessores, de comissões, de subcomissões, que não servem absolutamente para nada, a não ser para ganharem salários descondizentes com os serviços que (não) prestam.

- Um país que descura a sua Flora e a sua Fauna, mantendo uma e outra ao abandono e à mercê de criminosos impuníveis.

- Um país que mantém as Forças de Segurança instaladas em edifícios a cairem de podres, e com falta de quase tudo.

- Um país onde ainda existem Escolas com instalações terceiro-mundistas, sem as mínimas condições para serem consideradas um lugar de aprendizagem.

- Um país onde as prisões são lugares de diversão, com direito a vídeos publicáveis no Facebook.

- Um país cheio de leis e leizinhas retrógradas, que não servem para nada, a não ser para servir lobbies dos mais hediondos, e proteger criminosos impuníveis.

- Um país que não promove a Cultura Culta, e para o qual apenas a cultura inculta conta, e é assegurada, contra tudo e contra todos.

- Um país, cujo Sistema de Ensino é dos mais caóticos, desde a implantação da República, com a agravante de estar a enganar-se as crianças com a obrigatoriedade da aprendizagem de uma ortografia que não é a portuguesa, a da Língua Materna delas, estando-se a incorrer num crime de lesa-infância.

- Um país, que tinha uma Língua Culta e Europeia, e hoje tem um arremedo de língua, uma inconcebível mixórdia ortográfica, imposta ditatorialmente por políticos ignorantes e servilistas, que estão a fabricar, conscientemente, os futuros analfabetos funcionais, e a promover a iliteracia. E já sou poucos os que escrevem correctamente.

- Um país onde, parvamente, se começou a dizer “olá a todos e a todas”.

- Um país, com um presidente beijoqueiro e viciado em selfies, e um primeiro-ministro que não tem capacidade para ver o visível, muito menos o invisível, que qualquer cego, de nascença, vê à primeira vista.

- Um país, que em 2018 foi marcado por uma constante contestação social, com o número mais elevado de sempre de greves em todos os sectores da sociedade portuguesa, número que continua a aumentar no corrente ano.

- Enfim, um País que perdeu o rumo, e faz de conta que é um país.

 

Enquanto tudo isto (e muito mais, que agora não me ocorre) não sair da lista do que não se quer para um País de Primeiro Mundo, evoluído e civilizado, o que há para comemorar neste 25 de Abril?

 

Há o facto de eu poder escrever este texto, sem ir parar ao Campo de Concentração do Tarrafal, o campo da morte lenta, para onde os médicos iam assinar certidões de óbito e não curar, criado pelo Estado Novo, na ilha de Santiago, Cabo Verde, num lugar ironicamente chamado de Chão Bom, de muito má memória.

 

Isabel A. Ferreira

***

Para complementar este texto, leia-se este outro, da autoria de Manuel Damas, publicado no Facebook:

 

45 anos depois...

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2332540223434593&set=a.133659383322699&type=3&theater

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:16

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Terça-feira, 13 de Novembro de 2018

«AO SERVIÇO DA LÍNGUA PORTUGUESA // PORTUGAL»

 

Entrevista a Manuel Monteiro, autor do livro, recentemente publicado «Por Amor à Língua - Contra a Linguagem Que Por Aí Circula», e «Dicionário de Erros Frequentes da Língua», duas obras essenciais para quem escreve e ama a Língua Portuguesa.

 

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Manuel Monteiro

 

«Os políticos, os jornalistas e os habitantes do espaço público escrevem cada vez pior. Claro está que esta generalização é injusta para alguns (poucos, em rigor), mas é uma tendência que só um cego mental não vê. Vivemos na era dos tecnocratas, da velocidade, há pouco espaço para fazer amor com as palavras.»

Manuel Monteiro, Portugal

 

A revisão de textos é, por si só, tarefa de abissal responsabilidade — adentrar universos alheios de cariz literário, técnico ou outro, com o propósito de os aprimorar, corrigindo-os, adequando-os e harmonizando-os, destarte compondo, sagaz e subtilmente, as versões que viremos a conhecer. Tem por principal requisito uma rara combinação entre sensibilidade e erudição, exigindo aptidão e apetência para a estética e a eufonia.

 

Manuel Monteiro é magistral na sua execução. Ademais, é formador profissional de revisores, jornalista e autor (na área da ficção e da não-ficção), tendo publicado, recentemente, pela editora Objectiva, Por Amor à Língua, e, antes disso, Dicionário de Erros Frequentes da Língua. É, creio, um purista sensato e um laborioso agente revitalizador da Língua Portuguesa.

 

Enquanto crescias, entusiasmavam-te especialmente as palavras? Como? Quais?

 Sempre vivi a literatura como uma segunda pele. Desde criança. Preciso de mergulhar nas palavras dos outros, de entrar noutras cabeças. Os livros conseguem, quando bons, ir mais fundo do que a maior parte das conversas. Não as substituem, evidentemente. Os livros também têm muitas camadas, como as pessoas. Reler é importantíssimo. A releitura de O Jogo das Contas de Vidro empurra-me sempre para novas interpretações. Delicio-me com a descoberta de palavras. É um exercício que nunca perdeu um átomo de deslumbramento. Gosto mesmo muito de dicionários, mormente dos mais antigos, porque têm, grosso modo, mais qualidade. Gosto da sinonímia da nossa língua. Quais? Tenho algumas dilectas no quinto capítulo.

 

Em que ocasiões te vês imerso em êxtase literário? (E que sentes, ao emergir?)

São momentos raros. Mas acontecem. E são de uma felicidade imensa. Poderia citar e citar… O Canto de Mim Mesmo está cheio disso. Para mim, claro está.

 

O cosmos cabe nas palavras que inventámos?

Coube no Folhas de Erva.

 

E o silêncio?

Lobo Antunes disse que: «Quanto mais silêncio houver num livro, melhor ele é.» Ele diz muitos, muitos disparates e coisas que não sente (como não se lembrar de nada do que escreveu), mas também acerta muitas vezes.

 

É, para ti, fundamental divulgar a riqueza e a diversidade da nossa língua. Que sugestões podes dar para que sejamos mais nessa missão?

Ler Camilo, ler Castilho, ler dicionários.

 

Como lidas com a frustração ante a trivialização do uso indevido da língua nesta era tecnológica, propensa à velocidade e, consequentemente, à aniquilação da beleza?

Lendo Theodore John Kaczynski.

 

Sem uma comunicação eficaz, mina-se a autonomia, o respeito e a solidariedade; a comunidade fractura-se. Consideras satisfatório o serviço público, em Portugal, relativo ao acesso e ao aperfeiçoamento da língua portuguesa?

Os políticos, os jornalistas e os habitantes do espaço público escrevem cada vez pior. Claro está que esta generalização é injusta para alguns (poucos, em rigor), mas é uma tendência que só um cego mental não vê. Vivemos na era dos tecnocratas, da velocidade, há pouco espaço para fazer amor com as palavras.

 

Download, feedback, standby, briefing, corporate, cool, teaser, part-time, shopping, peeling, storyboard. A desvalorização da própria língua, e a adopção crescente (e vaidosa!) de uma estrangeira, são reflexo de uma acanhada identidade?

Cito do meu próprio livro: «À imitação totalmente inútil, não se chama “cosmopolitismo”, mas “saloiice”.»

 

Por que não se investe (mais) na preservação e revitalização da língua portuguesa, se é esse o idioma da nossa memória afectiva e um dos factores que nos robustecem o sentimento de pertença?

Não é preciso muito. Comecem por empregar palavras portuguesas, muitas delas correntias, para combater o portinglês. Trata-se de uma moda: dá ares de modernidade não conhecer o nosso idioma, não saber compor uma frase e despejar umas palavras inglesas que mostrarão que se tem mundo.

 

A tua crónica Admirável Língua Nova, no jornal Público, é, também, uma exaustiva e premente demonstração da incoerência do Novo Acordo Ortográfico de 1990. Que balanço fazes deste teu trabalho? (Acreditas num recuo, relativamente à imposição da nova grafia?)

Foram anos de leitura e reflexão. A conclusão é simples: o Acordo é uma merda, um embuste, não tem regras claras quanto aos hífenes nas locuções e quanto à «pronúncia culta». Não há um objectivo que tenha sido cumprido. Não há um argumento que resista aos factos da língua. São setenta páginas no meu livro que o demonstram. Se não houver recuo, os leitores que não comprem os livros acordizados, os autores que não escrevam segundo o dito, quem se ocupa da comunicação lato sensu que não o use. Quanto ao mais, quem o usa… estatela-se sempre. Diz-me uma pessoa que use o Acordo na totalidade. UMA! Seguem partes do Acordo que misturam com o anterior, que misturam ainda com outro que não existe.

Recomendo a leitura de:

https://pt-pt.facebook.com/TradutoresContraAO90/

https://pt-pt.facebook.com/cidadaoscontraAO90/

https://cedilha.net/ap53/

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/

 

Os livros são um dos veículos da memória que, por sua vez, tem implicações na evolução da humanidade. Motiva-te essa perpetuação, quando escreves? Ou preferes celebrar instantes?

A escrita é para muitos, creio, uma tentativa de continuar depois da morte.

 

Nesse «lugar» em que escreves, és livre?

Sou. Até hoje, pelo menos.

 

A estética é uma das tuas directrizes?

Mal da minha escrita se não fosse.

 

A capacidade de comoção perante a arte, nomeadamente, a literatura, é proporcional à noção da interligação de todos os elementos que compõem o universo?

É proporcional ao estro de quem escreve.

 

Fonte desta entrevista:

https://quefizestehojeparamudaromundo.weebly.com/as-histoacuterias/ao-servico-da-lingua-portuguesa-portugal

***

Manuel Monteiro foi ao programa Agora Nós, da RTP1, onde falou de «Por Amor à Língua» e do Acordo (Ortográfico) mais desafinado do mundo.

A intervenção de Manuel Monteiro pode ser ouvida ao minuto 23 da II Parte do programa neste link.

https://www.rtp.pt/play/p4223/e374033/agora-nos

 

Parabéns, Manuel Monteiro. Hoje em dia é raro ver um jovem a pugnar pelas coisas que interessam, pela Cultura e pela Língua Portuguesas, que andam ambas por aí a arrastar-se como mortas-vivas, puxadas pelas mãos de cegos mentais.

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:06

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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

IMPOSIÇÃO ORTOGRÁFICA OU OFUSCAMENTO DOS PIROSOS?

 

«Ao procurar o calendário dos jogos da Selecção encontrei uma página da RTP, que me levou a crer estar a ler uma página da Globo, não fosse ter notado que a Polónia estava de acordo com os critérios da grafia portuguesa.

Ver Coréia, Irã e Egito (que se pronuncia Egipto) assim escritos, levou-me à triste conclusão de que se tudo assim continuar, a Imposição Ortográfica será total, aniquilando a ortografia portuguesa do séc. XX😥 😡 (João M. Félix Galizes‎)

 

Pois é óbvio que estamos a ser colonizados, e os parvos não se apercebem disso, ou se se apercebem, estão-se nas tintas, porque acham que o que é estrangeiro é que é giro e moderno. E a isto chama-se "ofuscamento dos pirosos", uma pestilência que atacou os políticos, alastrando-se pelos órgãos estatais, incluindo os da comunicação social, servos do Poder, e os subservientes de serviço. Uma autêntica calamidade pública. (Isabel A. Ferreira)

Fonte:

https://www.rtp.pt/noticias/desporto/mundial-2018-conheca-os-grupos-e-o-calendario-do-campeonato-do-mundo_i1043890

 

PIROSICE.jpg

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=864319553757991&set=gm.2127652110812626&type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:46

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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018

POLÍTICOS E POLÍTICAS DO MEU PAÍS…

 

Jornalistas e jornalistos subservientes aos políticos e políticas, que estão sentados e sentadas na Assembleia da República…

Adeptos e adeptas do novo linguajar que os políticos e as políticas do meu país andam por aí a impingir aos portugueses e portuguesas, como se todos fossem muito estúpidos e estúpidas….

Atentem neste magnífico texto de Ricardo Araújo Pereira, porque…

 

RAP.jpg

 

Fonte:

https://entreostextosdamemoria.blogspot.pt/2018/02/visao-15022018-p130.html

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (III)

 

 

É óbvio que os grandes, os maiores, os abissais e únicos responsáveis pelo caos ortográfico que se instalou em Portugal são os políticos portugueses (e as forças ocultas que os manipulam), desde Cavaco Silva e José Sócrates, passando por todos os que se lhes seguiram e estão instalados no Poder.

 

Mas também aqueles portugueses que tão facilmente, tão servilmente se deixaram manipular pela classe política.

 

É óbvio.

 

BRASIL PORTUGAL.jpg

Origem da imagem: Internet

 

Porém, convém que fique bem claro o que está na origem de tudo isto e as intenções subsequentes, para que possamos entender os políticos portugueses, que estão a cometer o maior linguicídio de toda a História de Portugal, e que pretendem fazer-nos de parvos, e pior do que isto, incutindo às nossas crianças a escrita incorrecta da Língua Materna.

 

Abram os olhos aqueles que os têm cerrados. Usem óculos com lentes de aumento, para poderem ver o que é visível a olho nu, pelas mentes saudáveis.

 

***

O que vou abordar hoje assenta nas crónicas escritas entre 1993 e 2001, compiladas no livro «A Brasilidade dos Portugueses» da autoria de A. Gomes da Costa (***), um homem que teve «o privilégio de estar na primeira fila do desenrolar dos acontecimentos que envolvem os dois países» que estão no centro de toda a polémica acordista: o Brasil, por estar a tentar impor ao mundo a versão inculta da Língua Portuguesa (isto era o que me diziam quando, em Portugal, tive de reaprender a grafia que me tinham ensinado no Brasil, na escola primária, onde aprendi a ler e a escrever); e Portugal, por, analfabeticamente, ter assinado um tratado internacional que impõe essa versão mutilada da língua e pretender, a todo o custo, impingi-la aos portugueses.

 

No Brasil, até meados do século XX, Portugal ainda esteve presente na cultura brasileira. Porém, verificaram-se mudanças profundas nas relações luso-brasileiras, a partir de então, com a influência norte-americana que «foi tão forte e devastadora que o desligamento com os valores europeus – e de modo especial com os portugueses – tonou-se inevitável».

 

Começou então a sentir-se uma quase irracional lusofobia, que se infiltrou no sistema de ensino com a dialéctica marxista, que culpa os colonizadores de tudo e mais alguma coisa. Porém, não é apenas no estudo da Língua e da Literatura que se nota esse afastamento entre os dois países. É também no estudo da História que «reduz a saga colonial à pilhagem e ao genocídio, ao tráfico negreiro e às oposições das Cortes».

 

Em 1999, ano em que Gomes da Costa escreveu a crónica «Começar de Novo», de onde retirei estas referências, o autor escrevia: «A esta altura temos de começar tudo pela escola se quisermos dar às relações luso-brasileiras uma outra essência (…) Hoje (…) completa-se o curso no 2º ciclo e não se aprende nada sobre a herança colonial, a não ser a exploração do pau-brasil, os horrores da escravatura e as derramas das Minas Gerais; e para o brasileiro comum, não existe a literatura portuguesa (…)».

 

Houve uma tentativa de ambos os países, para melhorar o “enquadramento histórico” e para que «em Portugal se aprendesse que o Brasil continuou a existir depois da Independência em 1822, e que aos jovens brasileiros não se transmitisse a ideia peregrina de que o português só veio para explorar as riquezas da colônia, perseguir os índios e explorar os negros» (isto, aliás, foi o que pretenderam “ensinar-me” quando lá estudei, depois de já ter estudado em Portugal e conhecer a realidade histórica.

 

E o que aconteceu? «Em Portugal a História do Brasil parou com a volta a Lisboa da corte joanina, e no Brasil a cartilha do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) continua a jurar que da metrópole só vieram criminosos para nos levar o pau-brasil e o ouro (…)» e que a «“terra dos papagaios” antes de Cabral, era um paraíso; chegou o branco, e o branco saqueou, oprimiu e matou. E lá se foi o paraíso…».

 

No entanto, enquanto, por um lado, no Brasil, os brasileiros se afastavam de Portugal, com claras ou menos claras intenções, por outro, começaram a enviar para cá as telenovelas, em que os brasileiros são grandes mestres (quem não se deliciou com a “Gabriela, Cravo e Canela”?) e a música (quem não se encanta com a música brasileira, que já quase faz parte da nossa cultura, pois se até os nossos cantores já a cantam (se bem que não encantem tanto quanto encantam os cantores brasileiros), às quais os portugueses se renderam incondicionalmente?

 

Do Brasil, no ano 2000, também vieram as declarações lusófobas e ignorantes  de Caetano Veloso, do tão venerado em Portugal, Caetano Veloso, que numa entrevista ao Expresso, em 1999, afirmou o seguinte: «A colonização portuguesa do Brasil foi a pior coisa que você pode imaginar. Foi o oposto dos Estados Unidos… Os portugueses foram a um lugar que não interessava para nada, apenas para sugar, sugar, sugar o que fosse possível e matar índios… Portugal já é uma piada, o Brasil é uma grande piada universal…» algo que ele, como brasileiro, aprendeu na escola, tal como eu, como portuguesa, também aprendi, quando lá estudei. Contudo, há que saber discernir e ir beber às fontes límpidas da História, e não beber da água dos charcos de relatos preconceituosos.

 

Terá Caetano Veloso, a quem foi atribuída a Grã-Cruz do Infante D. Henrique, culpa da sua tremenda ignorância? Talvez, porque poderia ter ido mais além nas suas leituras e não se ficar pelos manuais escolares. Como eu não fiquei.

 

Porém o grande mal «está na degradação dos níveis de ensino, nos textos envenenados dos livros didáticos, e no cultivo sistemático do estereótipo. (…) o resultado é que o jovem brasileiro sai do colégio com a “cabeça feita” contra o colonizador, a rir-se do bispo Sardinha que foi comido pelos índios, marcado pela tragédia dos quilombos, ou dos navios negreiros, a odiar a rainha (Dona Carlota Joaquina) que deixou, entre pragas e maldições, a terra boa que a acolheu» …

 

No Brasil, julga-se o passado à luz da ética actual, e isso, além de ser um grave erro, está impregnado de uma profunda ignorância, que conduz à lusofobia cravada na alma dos emigrantes portugueses. É da ignorância interpretar a Colonização do Brasil à luz dos valores éticos, culturais e sociais do Século XXI D.C..

 

Para a esmagadora maioria dos Brasileiros, hoje, Portugal é o colonizador de má memória, é Cristiano Ronaldo, é o bacalhau, é o padeiro (porque ainda os há muitos no Brasil), é Roberto Leal, é o fado…

 

Para os Portugueses, o Brasil é o futebol (agora um pouco mais na mó de baixo), praias, mulheres bonitas, telenovelas, carnaval e samba.

 

Todas as tentativas que Brasileiros e Portugueses cultos encetaram para unir os dois povos que já foram “irmãos” (mas não necessariamente gémeos) e que políticos incultos e adeptos da dialéctica marxista desuniu, foram infrutíferas, porque todos sabemos que, nas questões da cultura, quem manda é o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil). E quando um órgão do Poder Executivo não é dirigido pelo político certo, a política incerta prevalece.

 

Em 2001, na crónica “Salvar o Português”, já tão maltratado no Brasil e entupido de expressões norte-americanas e neologismos americanizados, Gomes da Costa refere que «pior ainda é que não nos faltam intelectuais a exprimir um profundo desprezo pelo idioma (português)», a que chamam «o “sepulcro do pensamento”; e que «não tem a musicalidade do francês; falta-lhe a vibração canora do italiano; está longe da universalidade do inglês, por isso, não se importam nada com os vícios da linguagem, as mazelas da gramática e o decalque dos barbarismos», conclui Gomes da Costa.

 

Assiste-se no Brasil a uma americanização, castelhanização, afrancesamento  e italianização da linguagem (e não só) em detrimento do Português, que no contexto histórico, interpretado à luz da tal dialéctica marxista, é a língua do colonizador e, como tal, deve se banida.

 

A 16 de Abril de 2001, O Globo, um dos mais abalizados jornais do Brasil, publicou um artigo de João Ubaldo Ribeiro - um prestigiado escritor brasileiro, tendenciosamente burlesco (o que não será defeito), o qual os portugueses mais inclinados à Literatura conhecerão - intitulado «Escrevendo Muderno» em que diz o seguinte (assim, tal e qual): «Se não pudemos nos livrarmos de tantas mazelas herdadas da colonização portuguesa, pudemos pelo menos nos livrar de uma língua que nos isola do mundo e atrapalha a nossa ascensão como povo».

 

Sobre isto, Gomes da Costa, na crónica intitulada «O Português no Trinque» salienta que João Ubaldo Ribeiro não querendo ser feiticeiro com o verbo, foi desleal com a História, «e há limites para tudo (…) porque deve existir um mínimo de consideração seja por um valor permanente da nacionalidade, seja pela mãe que nos pariu. Não está em causa perder a piada e manter o amigo. Está em jogo, isso sim, o zelo em preservar um patrimônio comum, que é do povo tanto quanto dos escritores, que é de seis ou sete outros países tanto quanto do nosso».

 

Numa outra crónica de 2001, “Destratando o Português” Gomes da Costa dá-nos conta da mudança dos currículos e da metodologia do ensino da Língua Portuguesa no Brasil: «Até o nome da disciplina foi modificado oficialmente: saiu o Português dos programas e deu lugar à Comunicação e Expressão», e os clássicos foram substituídos pelas crónicas desportivas dos jornais e pelas transcrições da cartilha do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) impregnada de uma irracional lusofobia.

 

«As consequências dessa reforma, todos sabemos quais foram», salienta Gomes da Costa: «a linguagem degradou-se, o ensino do Português virou uma choldra e os alunos terminavam os cursos com uma pobreza de conhecimentos de meter dó, sem nunca terem ouvido falar de Camões ou Machado de Assis, incapazes de seguir as regras de concordância ou de conjugar um verbo defectivo».

 

Em Portugal passou-se mais ou menos o mesmo. O Ministério da Educação aboliu dos programas Os Lusíadas, Eça de Queiroz, Frei Luiz de Sousa, Padre António Vieira, Garrett, substituindo-os por textos informativos, mas nada formativos, retirados dos jornais.

 

Resultado: a qualidade do ensino da Língua degradou-se, levando a um desinteresse pela leitura, e uma incultura e iliteracia pavorosas instalaram-se por aí, até entre os que conseguem completar um curso universitário.

 

(Temos o exemplo maior de muitos (mal) falantes e ainda mais (mal) escreventes entre os políticos portugueses).

 

E o AO90 só veio piorar o já tão degradante estado da Língua.

 

Os alunos saem das escolas com graves deficiências no conhecimento da gramática, do léxico e da interpretação de textos, mostrando um grande pavor pelo Português.

 

«E quem não adquirir na escola o gosto de ler, mais tarde dificilmente abrirá um livro…» diz Gomes da Costa.

 

Só sentirá o verdadeiro prazer da leitura aquele que conhecer bem a Língua, para poder saborear uma escrita escorreita assente na harmonia das palavras.

 

Penso que chegados aqui, ficou bem claro que o que moveu Evanildo Bechara ao convidar Malaca Casteleiro para, juntos, engendrarem o que veio a constituir a maior fraude linguística de todos os tempos, foi a aversão visceral de uma determinada elite brasileira, constituída por editores (veja-se o caso de Antônio Houaiss, que contribuiu para a deslusitanização do Português), escritores, jornalistas, artistas, intelectuais e políticos vergados à dialéctica marxista, pelo colonizador português, atacando o que ele tem de mais precioso e o que mais o identifica: a sua Língua, uma vez que não podem mudar o rumo da História que já foi escrita, e substituir o colonizador português pelo inglês (como se disso dependesse o sucesso ou o insucesso de um país livre).

 

Portanto, tendo em conta que na génese do AO90 está uma evidente lusofobia e um consequente desafecto pela língua do colonizador (a Língua Portuguesa), desafecto esse que originou o abrasileiramento do Português adoptado no Brasil, como língua oficial, e que foi desrespeitada, como tal, pela “necessidade” de se afastarem da língua do colonizador, e somando a isto a secreta intenção de transformar a Língua Portuguesa em Língua Brasileira, logo que o AO90 se instale, com o argumento da existência de milhões de  falantes e  escreventes do Dialecto Brasileiro, prescindindo-se da qualidade em favor da quantidade, como se tal fosse o melhor para a Língua de Camões, temos que os portugueses devem rejeitar o AO90, para que o caos linguístico não se instale em Portugal, tal como já se instalou no Brasil, e principalmente, para que a bela e culta Língua Portuguesa, uma das mais antigas da europa, não desapareça do mapa linguístico das línguas vivas.

 

Foi apenas isto que pretendi salientar com esta «Génese do AO90».

 

E nada mais.

 

Até porque tenho muita consideração pela minha família brasileira e pelos meus bons amigos brasileiros.

 

Mas esses, não se comportam como trogloditas em relação a Portugal, nem pretendem que Portugal se afunde no brasileirismo americanizado.

 

Nada há aqui para unificar. Nem Língua, nem Cultura.

 

A Lusofonia não tem mais razão de existir. Cada ex-colónia deve ficar com a língua (e mais o resto) que bem entender. Daí que Portugal deva atirar ao caixote do lixo o AO90. Daí que se deva acabar, de uma vez por todas, com a farsa da CPLP, que não serve absolutamente para nada, a não ser para desunir ainda mais o que não tem união possível.

 

A Língua Portuguesa nasceu em Portugal. É de Portugal, país que já se separou das ex-colónias, há bastante tempo. Por que teremos de andar a arrastar-nos atrás delas, ou elas atrás de nós?

 

Afinal o que somos? Um país livre e soberano, ou um pedaço de terra onde todos mandam, excepto os portugueses?

 

A CPLP já não se justifica. Todos os países ditos lusófonos são agora livres e autónomos. Senhores das suas escolhas. Não temos de estar ligados a eles pela Língua, como se fôssemos gémeos siameses.

 

Cada país deve escolher e seguir o seu próprio caminho, e não esperar que aquele que deu ao mundo novos mundos, se arraste aos pés do gigante, como um condenado à morte.

 

Aqui não há nada para vingar. A História desenrola-se por épocas, caracterizadas por determinadas e específicas circunstâncias. Já não estamos em 1500, nem em 1822. Estamos no século XXI D.C. E o mundo evoluiu, embora não tanto como seria de esperar.

 

O Brasil tem as suas próprias pernas para andar. Então que ande e cresça, e esqueça que já foi colónia. Desde 1822 é um país livre. Não precisa de andar amuletado a Portugal e, muito menos, aos EUA.

 

Portugal, por sua vez, já deu ao mundo o que tinha a dar. Pariu países grandes, ricos e livres. Se não são potências, a culpa não será dos Portugueses, que já tiveram um grande império, que se estendeu por todos os continentes. Mas esse tempo já passou… e deve ficar no passado. Hoje, o imperialismo não tem mais razão de existir.

 

Hoje, o que resta a Portugal é a sua Língua, a sua Identidade, a sua Cultura Culta. A sua Honra. A sua Dignidade.

 

Não se pretenda destruir, com um golpe baixo, o que levou séculos a construir.

 

De resto… amigos para sempre…

 

***

Fonte:

«A Brasilidade dos Portugueses», da autoria de A. Gomes da Costa, editado pela Editorial Nórdica Lda., em 2002.

As passagens a negrito foram retiradas desta obra.

 

(***) A. Gomes da Costa (…) «ostenta, desde sempre um posicionamento declarado de amar desmedidamente tanto o Brasil quanto Portugal e sentir orgulho de ser brasileiro e de ser português»,tendo estado «por dedicação e mérito à frente das instituições lusas de cúpula no Brasil há mais de três décadas e foi presidente do Real Gabinete Português de Leitura». Natural da Póvoa de Varzim, morreu em Maio de 2017, no Brasil.

 

«A Brasilidade dos Portugueses» é um livro que devia ser de leitura obrigatória em Portugal, nomeadamente entre os políticos portugueses que, levados pelo ocultismo e pelo obscurantismo estão a vender Portugal ao desbarato.

 

Tenham brio e saibam HONRAR Portugal e os cargos que ocupam.

 

Isabel A. Ferreira

 

***

A GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (I)

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-genese-do-acordo-ortografico-de-1990-52848

 

A GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (II)

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-genese-do-acordo-ortografico-de-1990-53853

 

 A GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (III)

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/genese-do-acordo-ortografico-de-1990-55885

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:25

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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

HÁ COISAS MAIS IMPORTANTES DO QUE O AO90

 

 

Angola e Moçambique não têm qualquer interesse em ratificar uma ortografia mutilada

 

BARRICA.png

 

José Marcos Barrica, Embaixador de Angola em Portugal, diz que "Há coisas mais importantes” do que o Acordo Ortográfico de 1990.

 

Logo, o AO90, não sendo acordado pelos oito países que fazem parte da lusofonia, não tem qualquer validade.

 

Não tendo qualquer validade, não pode continuar a ser aplicado em Portugal, muito menos ensinado às crianças, nas escolas.

 

José Marcos Barrica, à semelhança do que disse o moçambicano Murade Isaac Murargy, Secretário executivo da CPLP, antes da XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP salientou que «Há coisas mais importantes a ter em conta do que o Acordo Ortográfico. Nós entendemo-nos perfeitamente escrevendo com ou sem alguns cês ou pês. Na nossa óptica, não é uma questão que deva mobilizar os nossos esforços

 

Ora o senhor Embaixador Angolano disse o que disse, e muito bem.

 

Estávamos nós todos, muito tranquilos, a escrever em Bom Português, e a entendermo-nos perfeitamente, com todos os cês e pês nos seus devidos lugares, por que motivo haveríamos de deitar ao lixo todo um legado linguístico culto e um precioso acervo literário, apenas para satisfazer a vontade obscura a uma minoria?

 

Refira-se que Angola e Moçambique continuam sem ratificar o AO90,  nem o 1.º, nem o 2.º Protocolos Modificativos, o que deverá levar a um recuo, que ficou suspenso por um fio de aranha, quando Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, visitou Moçambique, e   inteirando-se da situação, disse alto e em bom som que o assunto deveria ser ponderado, mas desde então emudeceu, não estando a defender a constitucionalidade, conforme jurou defender.

 

A Angola e Moçambique, que têm para cima de duas dezenas de “línguas nacionais”, não têm qualquer interesse em ratificar o AO90, que, com as suas duplas grafias, erros e deficiente cientificidade, em vez de unificar a língua, desunificou-a, de tal modo que seria um desastre implementar esta ortografia mutilada apenas porque sim, nestes países africanos, assim como está a ser desastroso em Portugal e, a manter-se, só irá prejudicar o ensino do Português euro-afro-asiático-oceânico, que até 2012 estava de muito boa saúde.

 

O AO90, que não interessa nem ao Menino Jesus (como sói dizer-se)  seduz apenas os subservientes políticos que, vá-se lá saber porquê (ou saberemos?) querem, porque querem, vender por dez réis de mel coado, aquela que é a Língua Oficial de Portugal, consignada na Constituição da República Portuguesa.

 

E como diriam os nossos irmãos brasileiros: «Nesse mato tem coelho».

 

Isabel A. Ferreira

Fonte:

http://www.jornaltornado.pt/angola-e-mocambique-nao-tem-qualquer-interesse-em-ratificar-o-acordo/#.WClrASMMzoY.facebook

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:20

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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

«POR UMAS LETRINHAS APENAS»

 

Este é o título de uma crónica de Nuno Pacheco, Redactor- principal do Jornal Público, a qual nos faz pensar como Portugal precisa de muitos Nunos Pachecos em todos os sectores da vida portuguesa…

 

"Políticos e políticas, portugueses e portuguesas" (esta moda... só por gozo!!!), aprendam com quem tem lucidez para saber que o AO90 não passa de uma grande fraude.

 

LETRINHAS.jpg

 

Texto de Nuno Pacheco

27/10/2016

 

Os ingleses não são loucos e sabem, como também deveríamos saber, que a escrita e a fala são disciplinas distintas.

 

Não foi há muito tempo. No dia 10 de Outubro, na Gulbenkian, na sessão de atribuição dos prémios do património cultural (a mesma sessão onde foram distinguidos Eduardo Lourenço e Plantu), uma das oradoras, ao explicar as actividades que justificavam o prémio, disse por várias vezes “actividades” sublinhando o C. Não foi engano, porque nunca disse “âtividadej”, como faz a maioria, disse sempre “âktividadej”. Falará ela “à antiga”, como por aí se diz? Ou pura e simplesmente tem da palavra o sentido primeiro, próximo do étimo latino? A discussão pode parecer uma bizarria, mas não é. Porque quando se instituiu que o acordo ortográfico de 1990 era mesmo para ser imposto, um dos grandes argumentos que o sustentavam, além da pretensa “simplificação” da escrita, era a “facilitadora” submissão à oralidade em detrimento da etimologia. “Não se lê, não se escreve” ou “o que não se pronuncia não se escreve!” foram regras que andaram insistentemente a soprar-nos aos ouvidos. Mas como é possível pôr alguém que diz “aktividade” a escrever “atividade”? Escreve o C porque o diz? Ou altera a fonética?

 

Isto passa-se com inúmeras palavras, às vezes de forma caricata. Por exemplo: há quem diga "expectativas", sublinhando o C, e quem diga "expétâtivas". O que faz o acordo? Fácil, permite dupla grafia, coisa que já existia antes, mas só de país para país. Agora é transfronteiriça. O mesmo com "características", onde muita gente pronuncia o C em ct, ou "carácter", onde é generalizada a omissão desse mesmo C.

 

E a regra da fonética, quando é que se aplica? Na verdade, a regra da fonética é pura tolice, como facilmente se comprovará. A ser assim, o verbo "Estar" teria de mudar. Ninguém diz, em voz corrente, "estou a almoçar" ou "estás a aprender muito devagar" ou "estamos fechados, volte mais tarde"; diz-se ‘tou, ‘tás, ‘tamos. Se a regra da fonética fosse para valer, teríamos o verbo Tar: Eu tou, Tu tás, ele tá, nós tamos, vós tais, eles tão. Bonito? Há pior. Querem ver como se altera o som de uma palavra pela escrita? Veja-se, por exemplo, "co-adopção". Assim, lê-se " (de ‘com’, daí a acentuação do "o") âdóção". Se retirarmos o P, leremos por impulso "cô-adução"; mas se tirarmos o hífen leremos "cuadução", porque nas palavras onde o "co" perdeu vida própria essa é a tendência vocálica dominante.

 

Um exemplo inglês, que andou por aí muito em voga devido ao nome de um clube. Leicester, como Worcester ou Gloucester, perde na fala o “ce” do meio. Lê-se Leister, Worster, Glouster. Pelo extraordinário acordo português, mudariam de grafia. Só que os ingleses não são loucos e sabem, como também deveríamos saber, que a escrita e a fala são disciplinas distintas.

 

Por cá, há quem vá percebendo isso. Até quem menos se esperava. Na sua reunião de 2010, em Sintra, a CPLP fez questão de reafirmar que o acordo ortográfico era “um dos fundamentos da Comunidade e um instrumento essencial para a unidade da Língua Portuguesa.” Agora, o ainda secretário executivo da CPLP, o moçambicano Murade Murargy, disse há dias em entrevista à Agência Brasil o seguinte: “Não me preocupo se estou a aplicar [o acordo ortográfico] ou não. Se as pessoas me entendem, vamos em frente”. E disse mais: “Quanto ao acordo ortográfico, muita gente não está de acordo, há muitos intelectuais, jornalistas, que não aplicam, pois acham que não traz vantagens. Não há uma unanimidade sobre se valeu a pena, ou não, o tanto de dinheiro que se gastou. As implicações financeiras da aplicação do acordo são grandes”. Um problema que ele realçou foi o dos manuais escolares. “Acredito que devemos concentrar-nos no que é fundamental para permitir que os outros [países-membros] possam se desenvolver”.

 

Querem traduzir isto para uma fala simplificada e mais fonética? Eu traduzo: vão para o diabo mais as normas de um acordo que não unifica (há mais palavras diferentes agora do que havia antes), não padroniza, não simplifica, não melhora nem torna mais “internacionalizável” a língua portuguesa. Alguns já perceberam a fraude há muito tempo, outros têm vindo a percebê-la com o passar dos meses e dos anos.

Falta apenas uma coisa: coragem para acabar com isto.

 

Fonte:

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/por-umas-letrinhas-apenas-1748894

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:21

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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

A NOMEAÇÃO DE GUTERRES PARA A ONU ORGULHA PORTUGAL, E PORTUGAL ORGULHARÁ GUTERRES?

 

Com que ortografia se comunicará com o mundo?

 

É o que vamos esmiuçar

 

AG-1[1] GUTERRES.jpg

 

Penso que serão poucos, aqueles que não se sentirão orgulhosos da nomeação de António Guterres, ocorrida no passado dia 6 de Outubro, para Secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

 

Da direita à esquerda, a unanimidade, perante esta aclamação, parece-nos inequívoca.

 

António Guterres é dos poucos portugueses que passaram pela política sem nódoas negras a manchar-lhe o nome e a reputação.

 

Como Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados reuniu consensos e prestigiou Portugal nas suas atitudes serenas e sensatas, ao contrário de outros portugueses que nos envergonham e arrastam o nome de Portugal pela lama…

 

A sua candidatura a Secretário-geral da ONU foi transparente e, apesar da pouca cristalina entrada de Kristalina Georgieva, já no final da “corrida” ao cargo, com pretensões menos claras, a aclamação de António Guterres foi absolutamente cristalina. Disso ninguém tem dúvidas.

 

Portugal intumesceu de tanto orgulho. Nunca um português chegou tão alto em cargos da governação do mundo.

 

Então, no mundo, quem não sabia, ficou a saber que António Guterres é oriundo de Portugal, um pequeno país europeu, situado na ponta mais ocidental da Península Ibérica.

 

Portugal é agora falado no mundo inteiro. Parece estar na berlinda. Na mó de cima.

 

Mas estará?

 

Os mais curiosos pretenderão saber que país é este, de onde é oriundo o novo Secretário-geral da ONU, uma organização que integra 193 estados-membros.

 

Que país será o país de Guterres?

 

É um país com um bom clima. Muito sol. É Lisboa. É o Porto. É o Algarve. É a Ilha da Madeira. As boas praias. Os passeios pelo Douro. Os bons vinhos. A boa gastronomia. Os excelentes e premiados hotéis. É a Arquitectura. O rio Tejo, onde aportam os maiores cruzeiros do mundo…

 

Mas isto é o Portugal dos turistas, que aqui vêm trazidos pela propaganda, pelo sol e pelo clima de tranquilidade que, por cá e por enquanto, ainda se vive, longe da mira dos terroristas.

 

E deste Portugal todos nós nos orgulhamos. Mas este Portugal representa apenas uma pequena parcela dos 92.090 km² do total do seu território.

 

Existe um outro Portugal. O Portugal das mentes mirradas, que se esconde dos turistas, para não parecer mal. Mas isto acontece em quase todos os países do mundo. Mesmo naqueles mais civilizados. Um turista é levado a ver apenas o que a propaganda quer que vejamos. Já me aconteceu a mim, em vários países. Sei como é. Mas como sou curiosa, não me fico pelo que me querem mostrar. Vou sempre muito mais além. Nem que vá às escondidas.

 

Deste Portugal das mentes mirradas, aposto que nem António Guterres, nem nenhum português que se preze de o ser, sente qualquer orgulho. Eu não sinto.

 

Vejamos:

 

Portugal é um país fragmentado. Venderam-no aos Brasileiros, aos Angolanos, aos Chineses, aos Espanhóis… e são estes povos que praticamente “mandam” no país.

 

Há ainda cerca de meio milhão de analfabetos em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), com base no Censos de 2011. Não se aposta na Educação (e quando o Ministro desta tutela pede aos professores para não chumbarem os alunos, estará tudo dito), no Ensino, na Cultura Culta. Aos políticos convém manter o povo no banho-maria da ignorância para que ele seja mais facilmente manobrado.

 

Ainda um destes dias ouvi falar na geração Nem, Nem, aquela que nem estuda, nem trabalha, e só atrapalha a evolução do país. Mas interessará aos políticos fazer evoluir o País, acabando com esta geração Nem, Nem?

 

(…)

Da União Europeia, os Portugueses são dos cidadãos com menores taxas de participação em actividades culturais (cultas), segundo o relatório do Eurobarómetro. Esta miséria cultural em que Portugal está mergulhado deve-se à falta de investimento no sector, à débil aposta na Educação e ao baixo poder de compra dos portugueses, dizem vários especialistas e responsáveis por estas matérias.

 

(…)

E para culminar, Portugal, que é um dos mais antigos países da Europa, e que até há bem pouco tempo podia gabar-se de ter uma Língua culta e europeia, bem estruturada e das mais belas e ricas, lexicalmente falando, hoje, devido a uma desmedida e incompreensível cegueira mental, à incultura, à ignorância e a interesses económicos (entre outros) obscuros, anda por aí vulgarizada uma ortografia terceiro-mundista, cientificamente desestruturada, inútil, funesta, grotesca, inconstitucional, ilegal e inculta rejeitada por milhares de portugueses, cultos e menos cultos, a que continuam a chamar inadequadamente Português, que os políticos estão a tentar impingir aos Portugueses e ao mundo.

 

Ainda agora na China, António Costa, primeiro-ministro de Portugal, referiu a necessidade de difundir a nossa Língua, a 5ª mais falada no mundo e que até está difundida na Internet… esquecendo-se António Costa de que o que está difundida na Internet é a versão inculta e desenraizada de uma ortografia que envergonha Portugal, e nada tem a ver com o verdadeiro símbolo da Identidade Cultural Portuguesa.

 

A Língua Portuguesa não é um símbolo da Identidade do Brasil. O Brasil adoptou-a como língua oficial, mas não se identifica com ela, por isso, desenraizou-a, afastando-a das suas origens europeias. Mas os Portugueses não são obrigados a ceder a esta proposta indecente que é substituir a Língua Portuguesa pelo AO90.

 

Será com esta ortografia terceiro-mundista, (mal) engendrada no outro lado do Atlântico e que nada tem a ver com as raízes cultas das línguas europeias, que o novo Secretário-geral das Nações Unidas começará a comunicar-se com o mundo?

 

O Engenheiro António Guterres tem duas opções: ou rejeita liminarmente esta ortografia parva, que os governantes portugueses escrevem e querem impingir ao povo, e preserva a Identidade Cultural Portuguesa, a dignidade e a verticalidade com que até hoje regeu as suas atitudes, como figura pública, ou entra no jogo inquinado dos políticos, e mancha o seu nome e a sua reputação, arrastando o nome de Portugal pelo chão.

 

Pesando os prós e os contras, que aqui foram expostos, penso que o Engenheiro António Guterres não tem motivo algum para se orgulhar de Portugal, enquanto este panorama terceiro-mundista se mantiver.

 

E se quiser que Portugal mantenha o orgulho que nos deu a sua nomeação para Secretário-geral da ONU, António Guterres terá de fazer a opção certa, e talvez recomendar aos governantes portugueses que se dignem entrar no século XXI D.C. e abandonem o primitivismo em que ainda se encontram, e façam Portugal crescer como nação integrada numa Europa evoluída, que mantém as suas Línguas cultas e intactas, e que há muito deixou as práticas medievais que envergonharam um passado que já passou, avançando para o futuro.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:21

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Domingo, 4 de Setembro de 2016

«TODA A LÓGICA INSTRUMENTAL DO AO90 É BRASILEIRA»

 

Encontrei um texto muito curioso no Apartado 53 - Um blog contra o AO90 e outros detritos, intitulado «Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira» [jornal “Opção” (Brasil)]» que me provocou urticária, porque já estou farta desta ditadura ortográfica que os governos português e brasileiro nos andam a impor sem um mínimo fundamento lógico e contra toda a lógica da contestação que está a sofrer em todo o mundo lusófono.

 

É chegada a hora de derrubar esta ditadura, porque na verdade as ditaduras não se combatem, derrubam-se.

 

DITADURA ORTOGRÁFICA.jpg

Origem da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=436998136495476&set=a.139582772903682.1073741833.100005558791212&type=3&theater

 

Nesse texto começa-se por dizer que «os países lusófonos apresentam resistência em introduzir as novas normas de modo efectivo. Por quê? O argumento principal é de que se trata de um acordo brasileiro».

 

Não. Não é verdade. O argumento principal não é este. Nem pouco mais ou menos, até porque “ser brasileiro” não seria impedimento, se a ortografia sugerida nesse acordo, tivesse uma proveniência culta e fosse baseada na genealogia da Língua Portuguesa, algo completamente “chinês” para os “estudiosos” brasileiros que ousaram “mexer” na Língua sem o mínimo conhecimento dela. E a prova será presenteada mais adiante.

 

O argumento principal para o mundo lusófono rejeitar este AO90 é o facto deste não ter pés nem cabeça, não ter ponta por onde se lhe pegue; por destruir a etimologia das palavras, empobrecendo, de um modo grosseiro, a Língua Portuguesa, transformando-a numa língua inculta e mutilada; «é um instrumento cientificamente deficiente, não há nele uma única norma que se aproveite, nem uma única vantagem que lhe possa ser apontada», de acordo com Artur Magalhães Mateus.

 

Em suma, é um autêntico aborto ortográfico destinado a ir parar ao caixote do lixo.

 

Mas o mais insólito, neste texto, é a descrição dos motivos que levaram os seus “fabricantes” a elaborá-lo, não constando nenhuma razão cientifico-linguística:

 

O acordo foi elaborado em 1990 e previa:

 

1 – «A uniformização da língua em todas as suas variantes» e em todos os continentes. Objectivo que não foi alcançado, e nunca será, até pela impossibilidade de ser alcançado, pelos motivos mais óbvios. São oito os países, cada um com as suas especificidades, e a uniformização destruiria a estrutura de uma Língua que nasceu na Europa.

 

Segundo o autor do texto «a proposta de uniformidade era para contribuir com a internacionalização da Língua Portuguesa. Além disso, a acção iria propiciar a disseminação da língua, possibilitando a circulação de bens culturais entre os países lusófonos, que contam com mais de 250 milhões de falantes - só o Brasil possui mais de 200 milhões.»

 

É preciso que se diga que aos Portugueses Cultos não interessa a disseminação da versão inculta da Língua Portuguesa. O Brasil até pode ter 200 milhões de falantes e escreventes de Português. Mas desses 200 milhões, quantos escreverão correctamente o Português? Quantos falarão correctamente o Português (não estou a falar da pronúncia)?

 

2 – «A simplificação da ortografia para que ela fosse melhor aceita…» E perguntamos: "melhor aceita" por quem? Pelos que não têm capacidade intelectual para aprender uma língua? As línguas são assim, simplificadas, sem mais nem menos, para poderem ser aceites ou não aceites pelos menos dotados intelectualmente? Qual das línguas cultas existentes no mundo foi simplificada para ser melhor aceite, como se se tratasse de uma comum mercadoria?

 

3 – «Para tornar a língua mais acessível a estrangeiros». Como disseram? Os estrangeiros estarão preocupados em simplificar a língua deles para a tornar mais acessível aos brasileiros ou portugueses mais atacanhados? Algum povo, algum dia se lembrou de uma tal idiotice? Os Alemães (que têm, uma língua difícil) os Ingleses, os Franceses, os Italianos, os Russos, os Espanhóis, enfim… algum dia simplificarão as línguas deles, para facilitar a vidinha dos imbecis?

 

4 «Para aproximar os países, sobretudo Portugal e Brasil». Aproximar como? Estão assim tão distantes linguisticamente que não conseguem entender-se uns aos outros? É sabido que os brasileiros mais incultos têm muita dificuldade em entender o Português. Mas qualquer português inculto não tem a mínima dificuldade em entender seja quem for: um brasileiro, um inglês, um francês ou até um chinês… Se não se entendem de um modo, entendem-se de outro. Sempre há a linguagem universal: a das mãos (e não estou a falar do Braille). E que saibamos, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor, Cabo Verde e Guiné-Bissau sempre estiveram próximos de Portugal, não precisando de simplificar a língua para se entenderem connosco. Porquê, então, os brasileiros?

 

5 – E finamente para «facilitação dos negócios». Ao longo de todos estes séculos os negócios entre os países lusófonos teriam sido prejudicados pela falta de “comunicação” ou “aproximação”? Por acaso os negócios que fazemos com países como a China, cuja língua é um mistério para a maioria dos portugueses, não se fazem? Terão os chineses de simplificar a língua deles, para que nós possamos aprendê-la e aceitá-la melhor e com isso facilitar os negócios?

 

Bem. Estes foram os cinco “argumentos” para que o AO90 fosse parido. Nenhum deles apresenta uma razão de peso.

 

Mas faltou referir o argumento principal: a negociata obscura que envolve editores, livreiros e políticos duvidosos, portugueses e brasileiros (apenas), porque os outros países lusófonos não foram para aqui chamados. E este é que foi a principal mola que moveu os que pariram este aborto ortográfico.

 

E o texto prossegue com afirmações das mais espantosas e que dizem da verdadeira natureza do que está por detrás deste acordo do descontentamento de milhões de falantes e escreventes da Língua Portuguesa.

 

Ler o texto completo aqui:

http://cedilha.net/ap53/?p=4096

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:11

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O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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