Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2019

«Sophia, “A Menina do Mar” e as partidas dos meninos da terra»

 

«Sophia, que era declaradamente contra o Acordo Ortográfico, foi “adaptada” a ele numa edição recente que no resto não o respeita. Faz isto qualquer sentido?» (Nuno Pacheco in Jornal Público)


Não é só o livro “A Menina do Mar” que está acordizado. Todos os outros livros de Sophia para a infância foram acordizados, pelo motivo parvo que mais abaixo é referido (e está a negrito). Vi-os na Feira do Livro do Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, deste ano. Feriu-me a alma ver as obras para a infância, de Sophia de Mello Breyner, acordizadas, pela porto editora, assim em letras minúsculas, à acordês. Apeteceu-me comprá-los todos e ir queimá-los à rua. Mas não tinha onde queimá-los. Na próxima, providenciarei uma lata e queimá-los-ei, como lixo, não pelo conteúdo, que, para mim, é sagrado. Mas pela forma: um insulto à memória de Sophia. Um insulto à Língua Portuguesa. Um insulto às crianças portuguesas, as quais são forçadas a desaprender a própria Língua Materna, até porque o AO90 é uma fraude, não está em vigor, e ninguém é obrigado a aplicá-lo. E um livro em acordês, não é um LIVRO: é um conjunto de meras folhas de papel. (Isabel A. Ferreira)

 

LÍNGUA.png

 

 «Sophia, “A Menina do Mar” e as partidas dos meninos da terra»

 

Um texto de Nuno Pacheco, no Jornal Público.

 

«Está a chegar ao fim o ano em que se têm vindo a celebrar os centenários do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978) e Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). E se em Setembro essa celebração os juntou em pelo menos dois momentos (um colóquio no Brasil, no Rio de Janeiro, e um ciclo na Cinemateca, dedicados a ambos), agora é a vez dos Encontros Imaginários criados no grupo de teatro A Barraca darem voz a um “diálogo” entre os dois, com Maria do Céu Guerra a encarnar Sophia e José Manuel Mendes na pele de Jorge de Sena. A moderação, como sempre, cabe ao criador destes encontros, o encenador Helder Costa. Dia 16 de Dezembro, às 21h30.

 

Falando apenas de Sophia, este último trimestre tem sido pródigo em apontamentos sobre a sua vida e obra. Matosinhos dedicou-lhe um dia, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (onde agora, de 6 a 8, celebra Sophia e Sena na Festa da Poesia). E o Centro Cultural Vila Flor, de Guimarães, recebeu a adaptação para teatro e música do conto A Menina do Mar, pelo Teatro do Eléctrico, com encenação de Ricardo Neves-Neves e direcção musical de Martim Sousa Tavares (neto de Sophia). Anuncia-se ainda para 13 de Dezembro o espectáculo multimédia O Mundo de Sophia, pela Lisbon Poetry Orchestra, no Auditório Renato Araújo da Universidade de Aveiro. É o queimar dos últimos cartuchos. Oxalá não lhes suceda, depois, o silêncio.

 

Mas ainda falando de Sophia, foi recém-lançada uma “edição muito especial” do conto A Menina do Mar, pela Valentim de Carvalho. E o “muito especial” justifica-se por juntar àquele que foi o primeiro livro infantil de Sophia (de 1958) duas leituras dramatizadas distintas: a que dele fizeram, em 1961, os actores Eunice Muñoz, Francisca Maria, António David e Luís Horta, com direcção de Artur Ramos e música de Fernando Lopes-Graça (aqui incluída em CD); e o espectáculo estreado em Fevereiro no São Luiz, em Lisboa, interpretado por Carla Galvão e Filipe Raposo (ao piano) a partir de música de Bernardo Sassetti (1970-2012), com direcção de Paula Diogo e animações de Beatriz Bagulho, também chamada a ilustrar o livro (o espectáculo surge aqui em DVD). Para dar um ar ainda mais “especial” à edição, pensada e produzida por Rui Portulez, o texto introdutório é de Marcelo Rebelo de Sousa, que sublinha estarmos perante “diferentes leituras, diferentes gerações e diferentes métodos de revisitar um texto fundador.”

 

A única estranheza resulta desta pequena nota incluída na ficha técnica: “Considerando a sua possível leitura em contexto escolar, este livro respeita as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assumindo a Porto Editora a responsabilidade desta adaptação”. É curioso, porque nem a ficha nem o texto do Presidente da República têm essa preocupação, lendo-se, neles, palavras “proibidas” como “direcção” ou “espectáculo”. Será porque pensam que estes não serão lidos “em contexto escolar”? Vamos então conferir o trabalho de adaptação feito no texto original de Sophia. “Hei-de” passou a “hei de”; “Outono” a “outono” (3 vezes); “Verão” a “verão”; “Primavera” a “primavera” (2 vezes); “Inverno” a “inverno”; “projecto” a “projeto”; “vêem” a “veem”. E é só. Dez alterações, ao todo. Justificava o trabalho? Justificava a nota?

 

Aqui podem sempre brandir-se dois argumentos. Um, a favor do Acordo, que dirá: estão a ver, quase não se nota. Outro, contra, que oporá: se quase não se nota, para quê mexer? Sobretudo quando se sabe que Sophia foi declaradamente contra o Acordo Ortográfico? Teve até uma argumentação em dez pontos, em entrevista ao JL, em 1991. Recordemo-la, na íntegra:

 

“1. A cultura é feita de exigência e este acordo é feito de transigência. 2. Vai alterar, em muitos casos, a dicção oral. 3. Vai desfigurar o carácter emblemático e a estética da escrita. 4. Vai-nos separar da tradição grega e latina e, assim, para os estrangeiros que falam línguas românicas, o Português vai-se tornando mais difícil. 5. Vai destruir a modulação das vogais, tornando algumas delas surdas. 6. O acordo nada unifica, pois constantemente recorre a alternativas. 7. A escrita nunca pode coincidir com a fala. 8. A ortografia pertence ao número de coisas que só raríssimas vezes devem ser modificadas, pois também na forma gráfica nos reconhecemos. 9. É verdade que as línguas evoluem, mas evoluem dentro das leis que lhes são próprias e segundo o espírito criador do tempo. O mesmo é verdade para a escrita que, por isso, não pode ser modificada por comissões nem por estratégias políticas. 10. A única palavra portuguesa cuja ortografia precisa de ser mudada é dança que se deve escrever com ‘s’ como era antes, porque o ‘ç’ é uma letra sentada.”

 

Tirando esta última sugestão poética, que os defensores do Acordo costumam usar como caricatura, a argumentação de Sophia é clara. Corrigi-la postumamente é indefensável, pelo que o livro, para honrar a sua memória, deveria ser mantido na grafia original da autora. Porque não são as dez palavrinhas que estão em causa, mas sim uma questão de princípio. Ou sugerem atirar à fogueira as edições anteriores, não vão as crianças ter um choque ao lê-las?»

 

Fonte:

https://www-publico-pt.cdn.ampproject.org/v/s/www.publico.pt/2019/12/05/culturaipsilon/opiniao/sophia-menina-mar-partidas-meninos-terra-1896127/amp?fbclid=IwAR0NAf6QEUEx-oxR2QkuAKY_KZNyt5gtB6JOAvmszERuXYUH7RP1jfvjQqg&amp_js_v=0.1#referrer=h

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:59

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Terça-feira, 12 de Novembro de 2019

«Ao cuidado de todos os professores de Língua Portuguesa»

 

Um apelo, um desafio a todos os professores que se têm como tal.

 

«Este é o ponto fulcral para o combate vitorioso sobre o infame Acordo Ortográfico de 1990: «Se os professores tomarem uma posição firme de real oposição ao AO90, amigo António Sérgio Marques, ele acaba em dois tempos

 

Isto foi o que eu disse num comentário, que está na base da publicação de António Sérgio Marques, no Grupo «Professores Contra o Acordo Ortográfico», no Facebook, e que aqui transcrevo, em jeito de apelo e de desafio a todos os professores que (des) ensinam os alunos, e farei minhas as palavras que Angel Marinho, professor aposentado, do ensino secundário, escreveu num comentário: «O que mais me impressiona não é, propriamente, o famigerado acordo. É sim, o elevado número de pessoas, obedientes, que caíram neste embuste

E enquanto o embuste não é resolvido na Justiça, poder-se-ia ir adiantando o processo de extinção do AO90.

 

Professores.jpg

Duas crianças portuguesas exibem a bandeira portuguesa, como que reclamando justiça para a Língua Materna delas.

 

(…)

(Os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

«Comentários (ao meu comentário: «Se os professores tomarem uma posição firme de real oposição ao AO90, amigo António Sérgio Marques, ele acaba em dois tempos») - e ACÇÃO, principalmente, acção - precisa-se, nobres companheiros de combate ao AO90. Se não forem os professores a quebrar a deriva trágica da Língua Portuguesa - mutilada e amesquinhada pela nova ortografia imposta inconstitucional e prepotentemente pelo governo de José Sócrates, depois de cozinhada por Cavaco Silva sob as instruções da Porto Editora e congéneres, com as batutas decrépitas e presunçosas de Malaca e Bechara - o AO90 prevalecerá, pois nós que recusamos o acordo vamos todos morrer sem descendência que fale e escreva em Português inteiro e livre do vírus da mediocridade 'acordista'.

 

Vamos lá, nobres professores deste e de outros fóruns de combate ao AO90. Vamos ser coerentes com o que pensamos e escrevemos. A humanidade não teria saído das cavernas, não teria ido à lua, se não houvesse coragem de acreditar na possibilidade do impossível!

 

Vencer o AO é possível e simples, mas depende inteiramente de vocês (e de mim, que em breve espero estar a dar aulas como vós - em PORTUGUÊS)!

 

Sem medo, pelas gerações mais jovens, cujo futuro largamente comprometido pelos desmando das nossas miseráveis elites politicas e económicas, não tem que incluir a perda da integridade desse património colectivo e identitário que é a sublime língua de Pessoa, Eça, Camões e Saramago, ameaçada de morte por esta bárbara e mesquinha afronta de quem se arrogou o direito de apropriação de um bem superlativo que pertence aos portugueses de hoje, de ontem e, principalmente, de amanhã.

 

 Claro que os professores enfrentarão obstáculos que, na prática, poderão parecer difíceis de transpor, como é o caso de todos os manuais escolares estarem redigidos no Português mutilado pela ortografia 'acordista'. Nada que, em cada aula, não possa ser corrigido, a caneta, pelos alunos, sob a orientação atenta dos docentes.



Haverá, ainda, a ter em conta a resistência de pais e professores candidamente preocupados com a incapacidade dos meninos e meninas que nunca escreveram português correctamente - porque ingressaram no ensino com o AO90 já (ilegalmente) em vigor, como é o caso do meu filho - serem obrigados a adoptar a ortografia pré-acordo que lhes é estranha.


Trata-se do principal argumento daqueles defensores da perseverança no erro trágico que é o AO90, não por convicção, mas sim por inércia e comodismo de não querer travar 'o comboio da desgraça já em andamento'!


Só que esse argumento é ostensivamente desonesto, pois aqueles alunos, como a minha filha (mais velha que o irmão) que entraram para a escola quando o Português aí ensinado e utilizado obedecia à grafia pré-AO90, foram obrigados a ser capazes de desaprender o bom Português e passar a expressar-se por escrito na versão bastarda do mesmo.
(*)


Como não existem estudos científicos que suportem uma pretensa quebra acentuada de QI entre a faixa etária da minha filha e a do meu filho, seria bom que esses apologistas acomodados do AO90 renovassem o seu argumentário.»

 

António Sérgio Marques

 

(*) E a falácia desse argumento de que já aprenderam a escrever segundo o AO90, é tanta que tenho a dizer o seguinte (e já o repeti vezes sem conta): eu aprendi a ler e a escrever segundo o AO43 (= ao AO90, mais coisa, menos coisa) no Brasil, dos seis aos oito anos. Aos oito anos vim para Portugal, e tive de desaprender o Brasileiro, para aprender o Português. E aos 12 fui para o Brasil novamente, e tive de deixar o Português. E isto repetiu-se mais umas vezes. E isto foi como aprender duas línguas; às quais juntei o Inglês, o Castelhano e o Francês. E estou aqui: inteira e de boa saúde, porque as crianças têm uma capacidade extraordinária para aprender Línguas, que os adultos não têm.



Ouro exemplo (e há milhões deles): veja-se o Ronaldinho, filho de Cristiano Ronaldo que, de acordo com o pai (e eu acredito, porque aconteceu comigo) o menino, que tem nove anos, sabe escrever e falar na perfeição quatro línguas: a Língua Portuguesa (a do pai); a Língua Castelhana (porque viveu em Espanha); a Língua Inglesa (a língua universal para comunicar com o mundo); e agora a Língua Italiana (que, num ápice, aprendeu, desde que o Pai Ronaldo foi para a Juventus).

 

Porque não hão-de as crianças portuguesas, que aprenderam a escrever incorretamente a sua Língua Materna, aprendê-la a escrever correCtamente e com muito mais lógica?

 

***

Posto isto, o apelo, o desafio, está feito.

E se os professores, que se têm como tal, se unissem nesta acção?

Há que tirar, agora, a prova dos nove.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=428540821169981&set=gm.1478040339013942&type=3&theater&ifg=1

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:43

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2019

Quanta hipocrisia, quanta falsa preocupação didáctico-pedagógica na questão da “Ode Triunfal” de Álvaro de Campos!

 

 

MANUAIS.png

 

Notícia: omitiu-se partes do poema “Ode Triunfal”, de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, num manual escolar de língua aportuguesada do 12.º ano (já não é mais Língua Portuguesa).

 

Já mutilam as palavras, agora querem mutilar um poema que, ou se lê na íntegra, ou simplesmente não se lê, e se contém linguagem explícita, escolhiam outro poema. A obra de Fernando Pessoa é muito vasta.

 

Mais razões teriam para repudiar a ortografia mutilada, estampada nos manuais escolares, que ataca e fere a Língua Portuguesa, e ninguém está preocupado com isso.

 

O Ministério da Educação está a enganar as crianças portuguesas, que vão para a escola desaprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna, e a Porto Editora, muito hipocritamente, vem a público esclarecer que não se tratou de “qualquer censura”, na mutilação da ODE, mas sim de “uma preocupação didáCtico-pedagógica” (à portuguesa, e não didático-pedagógica, à brasileira) tendo em conta que se tratam de três versos com “linguagem explícita e que se relacionam com a prática de pedofilia”. E até já li algures que Fernando Pessoa era pedófilo, mas já não está cá para se defender. E eu não sei nada sobre isto.

 

Tenham vergonha, e se, na realidade, querem ter preocupações didáCtico-pedagógicas, comecem pela ortografia pornográfica, que viola a Língua Portuguesa.

 

Isto fere mais do que a linguagem explícita, que é explícita desde que o Álvaro de Campos a escreveu, e só agora é que deram conta disso? E é da Pedagogia reflectir sobre um poema mutilado?

 

Senhor Ministro da Educação, o ensino em Portugal está um caos. Está pervertido. Os futuros médicos têm melhor desempenho a Português do que aqueles que serão professores. E depois não se surpreendam quando se lê por aí que Portugal está na cauda da Europa nestas questões do Ensino e da Cultura (além de muitas outras).

 

Uma vergonha! Uma hipocrisia! Um atentado à inteligência.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:51

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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019

«Irreversível, o Acordo Ortográfico? Só uma coisa é irreversível: a morte»

 

Quem o diz, desta vez, é Nuno Pacheco, redactor principal do Jornal Público, em mais um excelente artigo, bastante esclarecedor.

 

No entanto, houve quem chamasse ao Nuno, num comentário a este artigo (tal como chamam a mim e aos descadordistas em geral) velho do Restelo, como se isso fosse um insulto! Não se importe, Nuno, porque mais vale ser velho do Restelo, do que novo do rastejo (que anda a rastejar pela ignorância), até porque eles desconhecem o simbolismo do Velho, que em parte alguma do poema se diz que é do Restelo, nas estrofes de Os Lusíadas. Mais uma ignorância a somar a tantas outras.

 

Mas vamos ao texto do Nuno Pacheco, que subscrevo na íntegra.

 

NUNO PACHECO.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2319315661446706&set=gm.1232037056947606&type=3&theater&ifg=1

 

Texto de Nuno Pacheco

 

10 de Janeiro de 2019

 

«Como várias asneiras outrora cometidas e felizmente corrigidas, esta só espera por um momento de clarividência. Porque irreversível, neste mundo, só mesmo a morte.

 

Chegado a 2019, o grupo Cofina decidiu estender a aplicação do acordo ortográfico de 1990 (AO90) às restantes publicações do grupo. Já aplicado no Correio da Manhã, no Destak, no Record e na CMTV, ei-lo agora no Jornal de Negócios e nas revistas Sábado, Máxima e TV Guia.

 

Razões? Porque “é inegável que a sua aceitação está estabilizada e é irreversível”, disse o director do Jornal de Negócios. Já a Sábado, na pequena nota que escreveu sobre o assunto, quis deixar bem claro que “o novo acordo não é perfeito, foi mais político do que técnico, mas é hoje uma realidade incontornável e definitivamente assimilada na sociedade portuguesa”. Mais: “Quando várias gerações de jovens estudantes já estudam por manuais adaptados à nova grafia e toda a administração pública está vinculada a ele, não faz sentido persistir numa atitude de resistência anacrónica.”

 

Recuando seis anos, há alguma similitude com o argumento invocado pelo Correio da Manhã para “adotar” (sic) o AO90 a partir de 2 de Janeiro de 2013. “Já é seguido nos manuais escolares, nos livros, na legendagem”, diziam. Para concluir: “Nunca seremos um obstáculo à mudança.” Portanto, toca a “tornar a comunicação mais fácil”. Como? Escolhendo o que mais lhes convinha, claro! “Nas palavras que admitem dupla grafia optámos por manter tal como na ‘escrita antiga’.”

 

Sim? Fizeram-no em pára e “para”. Mas é bom recordar o resto: se entre espectador e “espetador” e ceptro e “cetro” escolheram as primeiras, no mais fizeram o contrário do que prometiam, optando por “aspeto” em lugar de aspecto, “carateres” em vez de caracteres, “receção” em vez de recepção, “perentório” em vez de peremptório, “setor” em vez de sector, sendo os restantes exemplos falsas escolhas, porque apresentavam como “dupla grafia” palavras que nunca existiram em Portugal, sendo usadas apenas na fala e na escrita brasileira: anistia (amnistia), indenizar (indemnizar), suntuoso (sumptuoso), fato (como facto) ou até gênio (génio)!

 

É isto optar pela “escrita antiga”? Não leram sequer o que escreveram? Não devem ter lido, senão não deixavam passar esta “dupla grafia” extraordinária: “​fémea” [sic] e fêmea. Escolheram a segunda, claro. Aliás, era fácil, porque a primeira não existe em lado nenhum. Ia assim a brincadeira, nos idos de 2013. Agora, por decisão cofineira, alastrou. Teme-se o pior.

 

Mas, para lá desta mudança, que só irá contribuir para ampliar o caos ortográfico reinante a que alguns chamam “nova ortografia” (embora não passe de uma ridícula mistura de grafias a esmo, sem freio nem norte), pesemos os argumentos. O AO90 é mesmo uma “realidade incontornável e definitivamente assimilada na sociedade portuguesa”? E é verdade que “a sua aceitação está estabilizada e é irreversível”?

 

Para palavras, antes tivessem escolhido “enfermeiros”, como fez a Porto Editora. Era mais aplicável neste contexto, até porque a ortografia da língua portuguesa, na forma que lhe foi imposta em Portugal (não por lei, mas já lá iremos), precisa mais de cuidados médicos do que de palavras como “incontornável”, “assimilada”, “estabilizada” e “irreversível”. Todas falsas, como a realidade demonstra.

 

Mas recuemos a 2011, quando o XIX Governo (PSD-CDS) dizia no seu programa que “acompanhará a adopção do Acordo Ortográfico” (assim mesmo, sem AO90, senão teriam escrito “adoção”) com vista à “crescente universalização” da língua portuguesa. Na mesma altura, o então secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, declarava ao Diário Digital: “O acordo ortográfico é uma nova norma do acordo a que se chegou e é para ser implementado. Vamos prosseguir o trabalho de implementação porque é um caminho sem retorno.”

 

Dois anos depois, já ex-governante, o mesmo Francisco José Viegas afirmava ao jornal Record (25/3/2013): “Já não suporto falar do acordo ortográfico, acho que já ninguém o suporta. Portugal e o Brasil já não suportam o acordo ortográfico. E o que acontece é que para fechar o acordo é preciso fechar o vocabulário. Agora isso ainda não aconteceu. E o Governo anterior quis correr mais depressa, ser pioneiro nessa matéria, e impôs a entrada em vigor para 2012. Sem Angola ter dito que sim e sem o vocabulário estar concluído.”

 

Chegados a 2019, eis o panorama: o dito “vocabulário” está “concluído”, não um mas vários e contraditórios entre si; Angola, tal como Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste não entregaram os instrumentos de ratificação do AO90, logo não lhe disseram “sim”; e o AO90, que inventou para Portugal um grande número de palavras que ninguém aplica noutro país (mudando até muitas que aqui e no Brasil se escreviam da mesma maneira), está “em vigor” por resoluções do Conselho de Ministros e da Assembleia da República, enquanto o acordo de 1945 se mantém em vigor por lei – que não foi revogada, nem podia ser, por resoluções ministeriais ou parlamentares.

 

A finalizar, e parafraseando Francisco José Viegas, se já ninguém suportava o acordo ortográfico em 2013, o que devemos dizer agora, em 2019? Talvez isto: como várias asneiras outrora cometidas e felizmente corrigidas, esta só espera por um momento de clarividência. Porque irreversível, neste mundo, só mesmo a morte.

 

Errata: Por lapso (já corrigido), escrevi inicialmente, no segundo parágrafo, Visão onde deveria estar, como é óbvio, Sábado. As minhas desculpas aos leitores e às revistas visadas.

 

(Os excertos assinalados a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

Fonte do texto:

https://www.publico.pt/2019/01/10/culturaipsilon/opiniao/irreversivel-acordo-ortografico-so-irreversivel-morte-1857055?fbclid=IwAR1hHc36Dr9PTSPCJvtTEIjsIXSxQl4Bi0yyGVPR1zD9EhfHN8t-ek-u8bM#comments

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:34

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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2018

QUEM APLICA O AO90 DÁ UMA NO CRAVO, OUTRA NA FERRADURA

 

É raro, nos tempos que correm, encontrar o vocábulo ACTO escrito correCtamente.

 

Agradou-me ver, nesta foto, publicada no SAPO24, aqui há tempos, este aCto médico, assim escrito, porque segundo o AO deveria estar ali ATO  e, nesse caso, ATAVA-SE o médico despropositadamente, como se começou a ATAR  tudo e mais alguma coisa, por aí…

 

AO.jpg

Origem da foto:

http://24.sapo.pt/article/lusa-sapo-pt_2015_11_28_910657499_ministro-da-saude-diz-que-vai-reavaliar-despacho-sobre-fecho-de-urgencias

 

O título da notícia é o seguinte:

 

Ministro da Saúde diz que vai reavaliar despacho sobre fecho de urgências

Actualidade

Lusa

16:04, 28 nov

 

E aqui temos a palavra ACTUALIDADE escrita correCtamente.

 

Depois vem aquele “nov”, correspondente a Novembro, escrito incorreCtamente.

 

Escrever o nome dos meses do ano em minúsculas é o mesmo que escrever lisboa, portugal, e aníbal cavaco silva, malaca casteleiro, porto editora, josé sócrates, pedro santana lopes, augusto santos silva, antónio costa, marcelo rebelo de sousa  (os grandes responsáveis pela actual anarquia ortográfica registada em Portugal), primavera, ásia, europa, ursa maior, zeus, academia brasileira de letras, papa, os lusíadas, e iniciar um parágrafo também com letra minúscula, etc., etc., etc….

 

A regra é a mesma para  todas estas palavras.

 

Desrespeitar as regras gramaticais é um aCto de ignorância.

 

Se a GRAMÁTICA não serve para nada, atire-se a Gramática ao lixo, onde já está a Língua Portuguesa acordizada.

 

E é esta INCULTURA que nos querem impor?

 

O AO90 é inconstitucional e ilegal, e não é obrigatório aplicar em nenhuma escola ou repartição pública, muito menos em empresas privadas e nos meios de comunicação social, que se querem  dissociados do Poder. A resolução de ministros, que  impôs o AO90 aos Portugueses,  não tem valor de LEI. E pela LEI , o que está em vigor é a ortografia de 1945. Portanto, todos os que se vergaram a esta imposição estão a cometer uma ilegalidade avalizada pelos governantes, o que, apesar disso, não deixa de ser uma ilegalidade. Dizem-me os juristas. Até porque os governantes cometem muitos erros, impunemente.

 

O que é OBRIGATÓRIO e URGENTE é COMBATER esta PRAGA, que governantes incultos querem IMPINGIR-NOS.

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:53

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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

NO DIA MUNDIAL DO LIVRO CELEBRO A MINHA BIBLIOTECA IMPOLUTA

 

Hoje, dia 23 de Abril, comemora-se, por todo o mundo, o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, criado na XXVIII Conferência Geral da UNESCO que ocorreu entre 25 de Outubro e 16 de Novembro de 1995, para promover o prazer da leitura, a publicação de livros e a protecção dos direitos autorais.

 

Porquê 23 de Abril? Porque foi no dia 23 de Abril de 1616 que morreram dois grandes nomes da Literatura Universal: William Shakespeare e Miguel de Cervantes.

 

E em Portugal? O que há para celebrar em relação aos livros que hoje se publicam, por aí?

 

BIBLIOTECA.png

 

Esta é uma pequeníssima amostra da minha Biblioteca, que acolhe várias colecções e edições antigas, outras mais modernas, publicadas, por exemplo, pelo Jornal Público (que se mantém fiel à grafia portuguesa); ou pela Visão e pelo Expresso, no tempo em que estes ainda publicavam em grafia portuguesa; obras completas autografadas, de autores contemporâneos; obras completas dos clássicos portugueses e de estrangeiros (neles estando incluídos os meus preferidos autores lusógrafos); livros de História e das Ciências auxiliares da História, Filosofia, Política, Ciência, Religiões, Poesia, Arte, Literatura, Biografias, Dicionários, Prontuários, Gramáticas, Enciclopédias, enfim, um mundo de livros, que é o meu verdadeiro mundo.

 

Porém, na minha Biblioteca não entram obras acordizadas, ainda que fique com colecções de obras de autores contemporâneos, por completar; e como era (já não sou mais, por já não haver no mercado obras com qualidade linguística, que me seduzam, exceptuando os autores de renome, que não se renderam ao modismo linguístico, ou os publicados por editoras com verdadeiro brio profissional, que são uns oásis no meio do deserto editorial português), dizia eu, como era uma compradora de livros compulsiva, hoje, tenho um acervo de boas obras ainda por ler, e se não fizesse mais nada na vida, e me pusesse a ler de manhã à noite, teria leitura, com prazer, até ao fim dos meus dias, e, ainda assim, deixaria, com muita mágoa minha, aliás, como vou deixar, várias centenas ainda por ler.

 

Hoje, o que há para celebrar neste dia 23 de Abril, quando as publicações, as traduções, as revisões dos livros e até algumas escritas estão nas mãos de ignorantes?

 

Sim, de ignorantes.

 

E para que não digam que estou a insultar, chamando ignorantes aos que estão a destruir a Língua Portuguesa e a desleixar tudo o que diz respeito à publicação de um livro, algo que deve ser quase sagrado, feito com Arte e Saber, aqui fica o significado de ignorante:

 

Aquele que não sabe, desconhece, ignora, que não tem conhecimentos, saber, instrução, formação, cultura ou competência em determinada matéria; que não tem conhecimentos teóricos ou práticos em determinado domínio…

 

E a edição em Portugal, salvo raras e honrosas excepções, não estará nas mãos daqueles que pouco ou nada sabem de Línguas, de traduções, de revisão tipográfica? Daqueles que não têm conhecimentos, nem teóricos ou práticos, da Língua Portuguesa? Daqueles que não têm competência alguma no domínio da Língua, e editam obras sem a mínima qualidade, cheia de erros (e nestes está excluída a grafia brasileira preconizada pelo AO90), erros de todo o género. A edição de livros, hoje, é uma edição descuidada.

 

No passado mês de Fevereiro, desloquei-me à Feira do Livro do Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, exclusivamente para comprar o livro Gadanha do meu amigo Aurelino Costa, um poeta poveiro que muito aprecio, editado pela Modo de Ler – Centro Literário Marinho, Ldª., cujo lançamento se realizou durante o Correntes, prefaciado por António Cabrita, tudo escrito em boa Língua Portuguesa. Um primor de livro: capa, paginação, grafia e, obviamente, o conteúdo.

 

Dei uma volta pela Feira. Uma autêntica desgraça. Mas o que mais me feriu, foi ver as obras para a infância, de Sophia de Mello Breyner, acordizadas, pela porto editora, assim em letras minúsculas, à acordês, porque não será mais do que o mês de abril, escrito em minúsculas, também à acordês.

 

Senti-me insultada. Isto sim, é um verdadeiro insulto, não só à memória de Sophia, como a todos os Portugueses que prezam a Língua Portuguesa.



Soube que, este ano, esta Feira do Livro foi um autêntico fracasso.  E eu, que, nesta feira, gastava fortunas em livros, limitei-me a comprar o Gadanha, do meu amigo  Aurelino.

 

Por isso, hoje, Dia Mundial do Livro, celebro a Minha Biblioteca Impoluta, onde não permito a entrada de edições acordizadas.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:24

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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017

Grupo Editorial LEYA vende negócio no Brasil

 

 

Um negócio que eles sonharam vir a ser um negócio da China, ou seja, que desse bons lucros, mas à boa maneira brasileira, deram com os burros n’água, ou seja (vá que não saibam) o negócio foi ao fundo, porque embarcaram numa canoa furada.

E querem saber que mais? Todas as editoras que tentaram vender a Língua Portuguesa ao Brasil deviam ir à falência. Bem o merecem.

A notícia lesse no Expresso, pela pena de Margarida Fiúza

Leya vende negócio no Brasil

 

FUNDO.png

 

Foi o meu amigo Francis quem me chamou a atenção para a notícia, com esta mensagem: «A merecida descida aos infernos, de quem tentou vender o Património Imaterial de Portugal. E é bem feito!»

 

Pois é! É bem feito! Mereciam isto e muito mais.

 

Diz a notícia: «A venda do segmento das edições escolares da editora LeYa no Brasil, às Edições Escala Educacional, que decorreu no final desta semana, faz parte de um plano maior. Em declarações ao Expresso, Miguel Pais do Amaral, dono do grupo editorial, avança que “a venda de uma ou várias divisões no Brasil está em cima da mesa” e que “existem contactos” e “conversações avançadas com diversas entidades”. O grupo já vendeu uma unidade de negócio, mas está a tentar alienar todas

Porquê?

 

Pais do Amaral refere que «a Leya tem três operações no mercado brasileiro. Em São Paulo, actua no sector das edições gerais (através das marcas Leya, Lua de Papel, Casa das Palavras e Alumnus), sendo “o quarto operador do mercado”, e da educação (negócio agora vendido), como “sexto operador”. Em Brasília, tem ainda uma operação de e-learning e formação, a UnYLeYa (ensino universitário a distância).

 

E mais:

«São operações independentes, pelo que podem ser vendidas em separado”. A primeira, a operação das edições escolares, foi vendida à Edições Escala Educacional, que faz “parte do grupo Escala, antigo sócio brasileiro da Hachette, e com 24 anos de tradição no mercado brasileiro, actuando na edição de revistas, serviços gráficos e livros».

 

Segundo Miguel Pais do Amaral, «o plano de venda dos negócios da editora no Brasil, decorre em função da depressão em que entrou a economia brasileira, o que tem tido um impacto forte no negócio da Leya naquele mercado. Por um lado, a Leya tem sofrido com o baixo consumo que o Brasil regista. Por outro lado, também o facto de o Governo brasileiro se encontrar sem recursos financeiros, pagando atrasado ou não pagando, tem dificultado a vida das editoras que estão no mercado».

 

O baixo consumo era expectável. Mas não será apenas isso.

 

Lá diz um ditado bem português: «pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita», e isto significa que algo que começa mal, dificilmente consegue mudar e seguir o bom caminho.

 

Pois as editoras portuguesas vendilhonas, aquelas que se venderam, que rejeitaram a Língua Portuguesa, que renunciaram a princípios por interesses pessoais, o de encher os bolsos, começaram este negócio muito mal, e espero que todas acabem mal.

 

Estão a ser rejeitadas no Brasil, mas também em Portugal, por motivos diferentes.

 

É que como diz Miguel de Cervantes, que viu os seus carrascos serem castigados: «Deus suporta os maus, mas não eternamente».

 

A notícia refere ainda: «A LeYa no Brasil entrou no mercado dos livros escolares em 2010, onde actuava ao nível da educação básica e de ensino médio, com obras didácticas, plataformas digitais de ensino e sistema de ensino. Há três anos, ainda antes da crise económica brasileira, Miguel Pais do Amaral dizia esperar que o negócio da LeYa no Brasil ultrapassasse o de Portugal em vendas. Na altura, o investidor afirmava que a empresa já era rentável nas áreas das edições gerais e de e-learning, mas que ainda estava numa fase de investimento na área educacional e que, por isso, esperava algumas perdas naquele segmento de negócio, apesar das vendas em alta. As expectativas em relação ao mercado brasileiro eram grandes: Tinha “a demografia certa, ao contrário de Portugal” e era um mercado onde a classe média estava a crescer, onde as pessoas estavam a ler mais e onde o ensino era “uma prioridade do Governo”, segundo o investidor. Tudo “novas oportunidades que se abrem aos operadores na área”, sublinhou Pais do Amaral em 2013. Mas o mercado mudou e as expectativas refrearam. A expectativa agora é a de vender tudo e sair do Brasil».

 

Querem recuperar o lucro perdido?

 

Abandonem a canoa furada da unificação ortográfica impossível de unificar, porque jamais terão sucesso.

 

As crianças portuguesas precisam de novos manuais escolares que estejam escritos na Língua Materna delas, a Portuguesa, culta e europeia, e elaborados a pensar que as crianças não são tão idiotas como os adultos, que acham que as crianças são idiotas.

 

Deixem a ortografia brasileira, para os Brasileiros. Eles são maiores e vacinados. São independentes. Têm um linguajar próprio. Desde 1911que os Brasileiros sempre se recusaram a adoptar a ortografia   portuguesa, que se pretendeu, por várias vezes, unificar. Nunca aceitaram, apesar de terem assinado as várias convenções luso-brasileiras. Porque havemos nós de ceder, e de abdicar da nossa Língua Portuguesa de Matriz Europeia, para ceder aos caprichos da ex-colónia?

 

Isto não faz o mínimo sentido. É completamente irracional.

E se o negócio correu mal, bem feito!

É o que apetece dizer.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da notícia:

http://expresso.sapo.pt/economia/2016-07-02-Leya-vende-negocio-no-Brasil

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:27

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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017

RESTAURAÇÃO DA MATRIZ DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Artigo da autoria de

Francisco João DA SILVA*

 

23416154_1925978410986092_809418415_n[1].jpg

 

Em 2016, 

Paulo de Morais  foi candidato a Presidente da República, e durante a campanha eleitoral declarou que "O mercado dos livros escolares no ensino básico está dominado por três editoras — a Porto Editora, a Leya e a Santillana — que têm ao seu serviço um conjunto de políticos que no Ministério da Educação e na Assembleia da República, pela via, mais uma vez, da corrupção, ficam de cócoras perante este tipo de editoras", disse, na altura, o professor universitário. E acrescentou: "o sistema educativo está viciado, alimentando o interesse das editoras". 

Ver aqui:

https://www.publico.pt/2017/10/26/sociedade/noticia/tribunal-decide-que-paulo-de-morais-nao-tem-de-indemnizar-porto-editoria-por-difamacao-1790440/amp     

         

 A Porto Editora avançou com uma acção cível contra Paulo de Morais e o Tribunal da Póvoa de Varzim, salvo erro, em Outubro de 2017 absolveu-o e ilibou-o das pretendidas injúrias e   ofensas   de que foi acusado pêla Porto Editora.

ver   aqui : 

https://www.publico.pt/2017/10/26/sociedade/noticia/tribunal-decide-que-paulo-de-morais-nao-tem-de-indemnizar-porto-editoria-por-difamacao-1790440/amp  

 

Fica assim provado   que o   famigerado Acordo Ortográphico 

1990, dito AO199O, além de ser ilegal e inconstitucional, violando escandalosamente a  Constituição da Republica Portuguesa  e   a  Convenção de Viena que rege o direito internacional  de  Tratados  ver aqui  o artigo  que publiquei a

3 de Outubro de 2017

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/carta-aberta-a-sociedade-81243),   

dado que o des-governo duma personagem altamente  tóxica, como José  SÓCRATES, usurpou poderes  que não tinha  e que  não lhe são  sequer  reconhecidos pêla  Constituição Portuguesa, através duma   Resolução de Conselho de Ministros (RCM 8/2011),  procede igualmente de interesses económicos e financeiros, na sua gula para angariar lucros, não recuaram  diante da  destruição da  MATRIZ  da LÍNGUA PORTUGUESA ao conseguirem impôr  dictadurialmente, como está  agora  amplamente claro, através da cumplicidade de políticos, uma [nova] variante estrangeira, e importada ilegalmente do Brasil, mas que, de maneira totalmente cómica e ridícula, distorceram totalmente, pois, além de ser apenas utilizado minoritariamente em Portugal, transformou-se igualmente    num dialecto estatal, um novo crioulo português, e que já é até motivo de troça da parte de muitos Brasileiros (cultos) e de muitos estrangeiros, mais respeitosos   do que os próprios Portugueses, do Património Imaterial de Portugal do qual a MATRIZ da língua, faz parte, segundo a Convenção da UNESCO.

 

Ora, caros amigos, uma das características das repúblicas bananeiras é justamente esta que estamos a presenciar em Portugal: a violação da Constituição, por uma classe política ilegítima, ipso facto.

 

O Estado de Direito deixou, também assim, de existir em Portugal. Parece que   a democracia   PRALAMENTAR 

ver aqui

 http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/e-preciso-exigir-a-restituicao-da-7721  

foi  restabelecida  depois do 25 de ARDIL,  para ser  agora substituída  por uma  dictadura Ortográfica.

 

Perante esta situação, relembro aquele poema de Bertolt BRECHT: (Die Lösung -  A  Solução), citação:

 

“…   o povo

Tinha deitado fora a confiança do Governo.

E que só poderia recuperá-la

Por esforços redobrados.

Não seria mais fácil,

Neste caso, para o governo

Dissolver o povo

E eleger outro?”

   

Fim de citação.

 

Onde está a Sociedade Civil? Onde está o   Povo Português? Onde está Antão de Almada (que dizia que  ia ali mudar de Rei  e  já voltava)  e  os  conjurados  do 1º  de Dezembro de 1640?

 

Vamos exigir cada vez com mais força e determinação, a restituição à Pátria da MATRIZ da Língua Portuguesa.

 

A   decadência 

e o desaparecimento duma Nação  começam também por aí, se não lutarmos e não resistirmos, como o fizeram outros valorosos Portugueses no dia 1 de Dezembro de 1640, contra outro tipo de usurpadores: os Castelhanos!

 

Pêla minha parte deixo aqui um apelo ao actual Presidente da Republica, cujo papel é, também,  o  de não deixar  que os valores  consagrados na Constituição Portuguesa,  sejam assim  espezinhados,  por usurpadores !


A ofensa, essa sim, é feita a todos os portugueses dignos e verticais.

 

É portanto pertinente relembrar (enviar ao Presidente da República) este   poema  de Martin NIEMÖLER (1892-1984):

 

 “E não sobrou ninguém

 

 Primeiro levaram os comunistas

mas não me importei com isso

eu não era comunista;

Em seguida levaram os sociais-democratas

mas não me importei com isso

eu também não era social-democrata;

Depois levaram os judeus

mas como eu não era judeu

não me importei com isso;

Depois levaram os sindicalistas

mas não me importei com isso

porque eu não era sindicalista;

Depois levaram os católicos

mas como não era católico

também não me importe i;

Agora estão me levando

mas já é tarde,

pois não há ninguém para

se importar com isso.

 

Francisco João DA SILVA


 

* Francisco João DA SILVA, um livre pensador.  Em defesa da língua portuguesa, que é uma parte essencial do Património Imaterial de Portugal, segundo a Convenção da UNESCO, o remetente desta mensagem NÃO adoPta o “Des-Acordo Ortográfico” de 1990 (AO9O),

um dialeCto estatal, devido a ser:

 

1) - ILEGAL e INCONSTITUCIONAL 

2) - Linguisticamente inconsistente 

3) - Estruturalmente incongruente.

4) - Para além de, comprovadamente, ser causa de crescente iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral e de ter provocado um caos ortográfico em Portugal e um descalabro a nível internacional e já motivo de troça. Foi REJEITADO por vários outros países (Angola, Moçambique).

 

ANULAÇÃO IMEDIATA!

Francisco João

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:44

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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2017

O SILÊNCIO AO REDOR DO AO90 É CRIMINOSO

 

Nunca Portugal desceu tão baixo. O facto de os políticos portugueses terem vendido a sua própria Língua é caso único na História da Humanidade, desde que o mundo é mundo.

 

Portugal, entre os 193 países existentes no Planeta Terra, é um dos que está condenado a DESAPARECER, por ter governantes demasiado subservientes aos interesses dos estrangeiros. Pouco a pouco, tentáculos alheios abraçam o território português e, mais ano, menos ano, seremos uma colónia daquele que ficar com o melhor pedaço.

 

Portugueses, abram os olhos e mandem para o espaço os políticos que estão a VENDER PORTUGAL ao retalho, porque se não o fizerem brevemente deixarão de ser portugueses.

 

FATUALIDADE.png

Isto, de facto, é uma fat(u)alidade

 

A este propósito, leiam o que NUNO PACHECO escreveu no Jornal Público:

 

«Dança com letras nas modas de cá e lá

Em Portugal escreve-se facto e no Brasil fato, mas na família de tais palavras reina uma total desunião.

 

Há duas semanas, e por culpa de Cleópatra, não se aprofundaram aqui as potencialidades do chamado Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, já online, com o qual se pretende uniformizar a ortografia dos países de língua portuguesa a partir do famigerado Acordo Ortográfico de 1990 (AO).

 

Façamos, pois, um pequeno exercício. Peguemos num Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, anterior ao acordo (por exemplo, a 8.ª edição de 1998), e procuremos algumas famílias de palavras onde as mudanças propostas pelo AO tiveram algum efeito. Feitas as listas, comparemo-las com o que nos propõe como norma o dito vocabulário comum (VOC). Ou melhor, o que propõem os vocabulários de Portugal e Brasil, a ele adstritos, porque o VOC é a soma de todos os nacionais.

 

Comecemos pela família de palavras iniciadas por “concep”. No Brasil, escrevem-se ainda tal qual se escreviam em Portugal: concepção, concepcional, concepcionário, conceptáculo, conceptibilidade, conceptismo, conceptista, conceptiva, conceptível, conceptivo, conceptual, conceptualismo, conceptualista, conceptualização, conceptualizar. Já em Portugal temos conceção, concecional, concecionário, concetivo, todas sem “p”; nas restantes admite-se escrevê-las com “p” ou sem ele; e numa única palavra, conceptibilidade, só é admissível a versão com “p”. Porquê? Não se adivinha.

 

Passemos agora a uma família onde a divisão devia ser clara, a de “fact”. Pois em Portugal escreve-se facto e no Brasil fato, com o mesmíssimo significado de “acção realizada, acontecimento”. Nos dois países, apesar disso, há um grupo de palavras que tem o “c” obrigatório: facticidade, factitivo, factoring (esta integrada na lista, mas inglesa), factótum ou factoto. Em Portugal, só com “c”, temos factício, factível, factual, palavras que no vocabulário brasileiro online surgem com dupla variante (fatício, fatível, fatual) embora o Priberam brasileiro só as admita com “c”! Já fáctico pode escrever-se com ou sem “c” nos dois países. Obrigatoriamente sem “c”, em Portugal e no Brasil, surgem: fator, fatorial, fatorizar, fatura, faturar. Como se vê, uma família muito unida. Alguém entende isto?

 

Vejamos a família “recep”. Aqui é mesmo tudo limpinho. No Brasil é (sem admissão de variantes) recepção, recepcionista, receptação, receptacular, receptáculo, receptador, receptar, receptibilidade, receptiva, receptível, receptividade, receptivo, receptor. Em Portugal, pelo contrário, tudo isto perdeu o pio, perdão o “p” com o AO. O que originou o surgimento de um estranho verbo: Recetar. Presente (está no VOC): eu receto, tu recetas, ele/ela receta, nós recetamos, vós recetais, eles/elas recetam…

 

Ainda na letra R, uma curiosidade em “rupt”. No Brasil escreve-se tudo com “p”: ruptura, rúptil, ruptilidade, ruptório. Em Portugal idem, menos ruptura, que perdeu o “p” e passou a… rutura.

 

Vamos agora à família das partições, “secç” e “sect”. No vocabulário brasileiro admite-se dupla grafia (com ou sem “c”) para todas estas palavras: secção, seccional, seccionamento, seccionar, sector, sectorial, sectorização, sectorizar. Em Portugal, dupla grafia só em sector/setor e sectorial/setorial. De resto escreve-se secção, sectorização, sectorizar (sem dupla grafia). Mas – há sempre um mas nesta enviesada história – temos meia dúzia de palavras desta família só admissíveis com “c”, em Portugal ou no Brasil: sectário, sectarismo, sectarista, séctil, sectório e sectura. Tudo tão claro e tão óbvio…

 

Para acabar, porque já devem estar cansados desta dança com letras, vamos à família “tact”. No Brasil e em Portugal admitem-se duas variantes (com ou sem “c”) nas palavras tacticografia, tacticográfico, táctil e tactismo. O Brasil também admite dupla grafia em tacto, táctico, táctica, tacticalidade ou tactura, mas aqui Portugal distancia-se: numas só escreve sem “c”, tato, tático, tática; noutras só escreve com “c”, tacticalidade, tactura. Porquê? É para uniformizar a ortografia, não se vê logo?

 

Exercícios idênticos podem multiplicar-se à exaustão. Divirtam-se (ou chorem) a fazê-los. Uma coisa é clara, e está à vista de todos: não há uniformidade gráfica alguma em tais vocabulários, a ortografia “nova” é uma inominável quimera e os que há muito gritam “basta” não podem nem devem calar-se. O silêncio sobre este caso é criminoso. Não é Pedrógão Grande, claro, nem há comparação possível; mas não podemos adiar uma decisão que se impõe sobre tão magno tema. Será depois do Verão?»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2017/07/27/culturaipsilon/noticia/danca-com-letras-nas-modas-de-ca-e-la-1780259

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:15

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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

HOJE, NUMA LIVRARIA, EM ACÇÃO ANTI-AO90…

 

LIVROS.jpg

 

Hoje, descoloquei-me à livraria onde habitualmente compro livros e material de escritório, em busca de um determinado livro, para oferecer a um amigo galego (que lê bem o Português), e naturalmente frisei que só o levaria na versão Portuguesa (não vou oferecer gato por lebre a um amigo com quem costumo “trocar” livros). Até agora enviei os meus, e em troca, ele envia-me autores galegos, em bom Galego e Castelhano. Mas só tenho nove livros publicados. Agora terei de lhe enviar outros autores.

 

E aproveitei para dar uma vista de olhos.

 

Encontrei autores portugueses que não se vergaram à ortografia mutilada, e a quem tiro o meu chapéu, mas em contrapartida, encontrei uma série de livros, da Porto Editora, para crianças, mal escritos. Horrorosamente escritos em acordês, e todos os livros traduzidos, que eu até gostaria de ler, seguem o ao-mutilado, e terei de lê-los nos originais, ou nas traduções inglesa e castelhana.

 

E foi isto mesmo que disse à empregada de balcão, acrescentando também que, às minhas crianças, ofereceria os livros que as editoras me enviavam (antes desta tragédia chamada AO90), para que eu os comentasse e publicitasse nas minhas páginas dedicadas à infância, num jornal, que já foi um dos mais prestigiados do Norte, e que a incompetência extinguiu: «O Comércio do Porto». Tenho-os ali todos. Novinhos. E são esses que oferecerei. As novas versões desses mesmos livros serão para atirar ao lixo.

 

Hoje estava sozinha na livraria. Então a senhora aproveitou (penso eu, porque eu sempre que ali vou digo o mesmo) para me dizer que de todos os clientes que ali vão eu sou a única que ligo ao pormenor da Língua.

 

Como disse?????

 

Nunca ninguém aqui entrou a procurar livros escritos em boa Língua Portuguesa?

 

«Não. Nunca. A senhora é a única! Os outros, pedem os livros, e estejam como estiverem escritos, compram-nos».

 

Confesso que fiquei desiludida.

 

Então eu ando pelo Facebook, e aparece-me tanta gente a dizer que não compra e não oferece livros em acordês-malaquês e dou comigo a ser a única a ligar ao pormenor da Língua, numa livraria onde tanta gente compra livros?

 

Das duas uma: ou a senhora da livraria mentiu-me, ou existem muitos mentirosos por aí…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:43

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.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

. «Português de Facto» - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. a href="https://www.facebook.com/portuguesdefacto/" target="_blank">https://www.facebook.com/portuguesdefacto/

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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