Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2019

DESACORDISTAS, ACORDAI! A LÍNGUA PORTUGUESA RECLAMA - UM POVO QUE NÃO DEFENDE A SUA LÍNGUA NÃO TEM FUTURO!

 

Dando continuidade à correspondência trocada com o Professor António Vieira, recebi mais esta carta, abaixo transcrita, na qual ele faz o “ponto de situação” do que acontece e do que não acontece ao redor do AO90, cada vez mais contestado e desprezado (até no Brasil), sob os silêncios vis dos nossos governantes.

 

“Ouçamos” o Professor António Vieira, e levantemo-nos numa onda gigantesca, para obrigar os políticos portugueses a invalidar o que nunca deveria ter sido validado, por nunca ter existido consenso, no seio dos países ditos lusófonos.

 

ACORDAI.png

(Alusão ao belíssimo poema do poeta José Gomes Ferreira, Acordai, musicado por Fernando Lopes Graça, um hino à inércia de um povo que, placidamente, aceita a sua má sorte).

 

«Dr.ª Isabel A. Ferreira, deixe-me sugerir-lhe algumas pistas para eventuais acções anti-AO90, sobretudo agora que se iniciou o ano de 2019, forte em actos eleitorais:

 

Em primeiro lugar, e conforme se sabe, a iniciativa ILCAO vai ser presente à A.R., dado que se acha na fase final da recolha do número mínimo de assinaturas exigidas por Lei.

 

A equipa dinamizadora, encimada pelo Rui Valente tem sido incansável e está de parabéns; até que ponto é que na A. R. as coisas irão decorrer no sentido da desejada inversão, é uma incógnita, mas pelo menos as “águas irão ser bem agitadas”.

 

Mas o problema principal, não nos iludamos, reside na apatia do nosso Povo, que se limita a exprimir a sua não-concordância com a aberração em causa e, nada faz em prol da causa e, conforme se sabe, “quando o terreno é mole, a erva daninha prolifera com maior facilidade”.

 

Bem ao contrário, infelizmente, dos nossos vizinhos aqui do lado (galegos, bascos, catalães) que defendem os seus idiomas locais com unhas e dentes.

 

Como alguém referiu: um Povo que não defende a sua Língua não tem futuro.

 

Sintetizando, o que eu penso é que:

 

1º- Só com pressão do exterior é que as coisas poderão inverter-se: Angola já se decidiu pela não –ratificação do AO90 (segundo as palavras do Prof. Filipe Zau, “é necessária uma rectificação, a fim de possibilitar a ratificação”), Moçambique ainda não adoptou uma postura bem definida, dando a entender que o que pretende é que lhe ofereçam os manuais escolares de borla, sejam conforme o “AO90” ou não. Assim só na próxima cimeira da CPLP (e caso esteja o assunto na agenda) é que algo de positivo poderá surgir. (cumprir-se-ia dessa forma o prognóstico do Prof. Menezes Leitão de que ainda iremos passar pela vergonha de serem os nossos ex-colonizados a virem “ensinar-nos” a redigir o Português de forma correcta!!).

 

Ainda para cúmulo, Cabo Verde adoptou o crioulo como idioma nacional, relegando o Português para segundo plano!

 

2º- Cá “dentro”: só arregimentando, dentro de grupos profissionais bem definidos, um número bem significativo de inconformados com a aberração em causa e, dentro do princípio de que “a união faz a força” forçar pela via da resistência e obstrução directa: por exemplo, no campo do Ensino, que eu conheço bem dado que fui professor até há pouco mais de um ano (Escola Secundária José Estevão, em Aveiro, Grupo de Docência 430, Economia / Contabilidade) a maior parte dos professores estão contra – uns abertamente, outros nem tanto – mas é claro que ninguém ousa rebelar-se, dado que de imediato incorreria em processo disciplinar e em consequência o posto de trabalho ficaria em risco.

 

Penso que no mínimo a suspensão temporária de funções docentes seria o mais provável.

 

(Foi aliás, o que por pouco não sucedeu à minha Colega Maria do Carmo Vieira, da Esc. Sec. Marquês de Pombal, de Lisboa e nossa co-activista anti “AO90” desde a primeira hora, que rebelou-se abertamente, numa atitude muito corajosa e teve de se aposentar, não sei se compulsivamente, ante a ameaça de incorrência em procedimento disciplinar).

 

Mas, retomando, se por exemplo, se elaborasse uma base de dados de profissionais do Ensino, de todos os níveis, disponíveis para dar a cara, e se se planeasse uma acção concertada, mediante o uso de redes sociais, e com o apoio de juristas a fim de se saber dar o passo em questão com segurança (o Prof. Ivo Barroso Duarte, da Fac. de Direito de Lisboa poderia ser a pessoa indicada), estou seguro de que a coisa iria fazer mossa.

 

A Associação de Professores de Português - Anproport – manifestou-se já abertamente, contra o “AO90” só que é minoritária no Sector, contudo não deixa de ser uma voz contra, só que pugna por uma alteração de alguns pontos do mesmo - não está radicalmente contra - o que lhe tem valido críticas mesmo dentro da classe docente, mas poderia dar uma ajuda à ideia em causa.

 

Outro grupo a considerar seria o dos responsáveis autarcas, que poderiam de igual modo levar a cabo uma iniciativa semelhante. Ainda há pouco tempo um Presidente de Junta de Freguesia comentava, enojado, a colocação de placas com a aberração “exceto” (!) (para estacionamento); perguntei-lhe se poderia fazer-se “distraído” e escrever a palavra correcta; respondeu-me “Oh! oh! isso trazia-me problemas logo de imediato, são directrizes vindas de Lisboa…!(*)

 

E são conhecidos casos de Presidentes de Câmara que estão abertamente (e publicamente) contra.

 

A finalizar: não percebo como é que alguns diversos responsáveis políticos, de todos os quadrantes partidários, não “se mexem” e fazem pressão para inverter esta aberração - inclusivamente alguns membros ou ex-membros do Conselho de Estado (Manuel Alegre, Freitas do Amaral, António Bagão Félix, por exemplo): têm todos os instrumentos para o fazer, só poderá ser em Lisboa (“Portugal é Lisboa o resto é paisagem”, sempre foi assim, sempre será assim), não dá para entender!

 

Como não se entende que forças de bloqueio “travem” a decisão do recurso interposto no Supremo Tribunal Administrativo contra o “AO90”. (**)

 

E pergunto: para quando se prevê a decisão do recurso (petição?) apresentado à Unesco? (***)

 

O que se verifica é que o “AO90” tem vindo a servir de “arma de arremesso” para fins políticos e de protagonismo pessoal; senão vejamos: até há algum tempo atrás, só dois partidos (o Partido Nacional Renovador e o PCTP/MRPP) se declaravam oficialmente contra; todos os restantes evitavam uma posição clara e não se comprometiam (sempre de acordo com a conveniência da sua agenda política do momento, nada mais!); em Fevereiro próximo fará um ano que o PCP baixou à A.R. um pedido de retirada do nosso País do “AO90” que, logicamente, (****) foi rejeitado; pergunta-se: porque é que o fez? Para apropriar-se de uma “bandeira” a que nunca havia oficialmente aderido, embora a Intersindical não o tenha feito? E por que é que o seu Partido “satélite” - os Verdes - continuam a apresentar os seus “outdoors” denotando adesão à aberração? dá para entender? (*****)

 

Aquando da última campanha para as Presidenciais, um dos candidatos, o Prof. Sampaio da Nóvoa prometia, no caso de ser eleito, acabar (ou “rever”? o que dá quase no mesmo) com o “AO90” (com que fins? puro eleitoralismo? Para captar franjas de eleitorado?), no entanto, na qualidade de Reitor de Universidade Nova utiliza-o com convicção!! (******)

 

Muito mais haveria para acrescentar, tal como por exemplo as negociatas miseráveis que favorecem descaradamente as Editoras de manuais escolares e dicionários - que é o que penso que constitui, ao fim ao cabo e ao resto, a mola real - e obscura e secreta - de toda esta bandalheira, com a adesão e cumplicidade de alguns professores que colaboram com as mesmas na redacção de manuais escolares, preferindo “dormir com o inimigo” ao invés da coerência (motivos e alegadas “razões” são fáceis de encontrar), em troca dum “arredondamento” do seu salário mensal - mas isto fica para outra oportunidade, dado que não a vou incomodar mais nem lhe tomar mais tempo.

 

Peço desculpa pelo alongar do texto, mas quando se começa a redigir, as ideias e os conteúdos saem ao correr da pena!

 

Mantemo-nos em contacto, e despeço-me cordialmente

 

António Vieira

 

***

 

(*) O mencionado presidente de uma Junta de Freguesia disse ao Prof. António Vieira que a utilização da aberração “exceto”, nas placas de trânsito, são directrizes vindas de Lisboa e teria problemas se não obedecesse. Que problemas? Iria para a Cadeia de Évora? Isto dos problemas, não é verdade, porquanto em muitas vilas e cidades portuguesas, as placas de trânsito estão correCtamente escritas, “excePto”, até porque não há nenhum português que saiba o significado de “exceto” (excêtu), palavrinha que não existe nem em Português, nem em Brasileiro, e os respectivos autarcas não têm qualquer problema. Por que haveriam de ter, se não existe lei alguma que obrigue a escrever incorreCtamente a ortografia oficial vigente em Portugal, a de 1945?

 

(**) Pois não se entende a atitude do Supremo Tribunal Administrativo, que já devia ter-se pronunciado a este respeito, até porque o prazo previsto na lei já deixou de ser razoável, para se tornar inconcebível. O que está a “travar” a decisão?

 

(***) Quanto a quando se prevê a decisão da queixa que o MPLP apresentou à UNESCO, podemos pensar que se por lá os prazos razoáveis forem iguais aos de cá… Mas a informação que eu tenho é que “estas coisas demoram”. Então, não temos outra opção senão aguardar. Aguardemos.

 

(****) Diz o amigo António Vieira: «Em Fevereiro próximo fará um ano que o PCP baixou à A.R. um pedido de retirada do nosso País do “AO90” que, logicamente, foi rejeitado». Eu aqui não diria logicamente. Eu aqui diria irracionalmente, uma vez que depois de tudo o que se tem dito e redito acerca da aberração AO90, os políticos portugueses continuam a insistir no erro. Até o Brasil já chegou à conclusão de que não há acordo sobre o acordo ortográfico (em Janeiro de 2019). E os restantes países ditos lusófonos nem querem saber disto para nada. Os políticos portugueses são os únicos que fincam o pé neste erro. Portugal já está orgulhosamente só, à boa maneira antiga, nesta questão do AO90.

 

(*****) Os Verdes continuam a apresentar os seus “outdoors” denotando adesão à aberração. Dá para entender? Não dá, até porque há pouco tempo emitiram um comunicado onde rejeitavam o acordo. Mas a palavra de políticos é para levar a sério?

 

(******) «O Prof. Sampaio da Nóvoa prometia, no caso de ser eleito, acabar (ou “rever”? o que dá quase no mesmo) com o “AO90” (com que fins? puro eleitoralismo?» Qual é a dúvida? Promessas de políticos em campanhas eleitorais são mentiras embrulhadas em papel de rebuçado. Só as engole quem quer.

 

Por tudo o que aqui está exposto, apelo à mobilização de todos os que se dizem contra o AO90, para que nos sublevamos numa onda gigantesca.

 

Isabel A. Ferreira

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 14:25

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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019

MARCELO CHAMA A ATENÇÃO PARA A DEGRADAÇÃO DE TROÇOS DAS ESTRADAS NACIONAIS, MAS GOSTARÍAMOS QUE FIZESSE O MESMO EM RELAÇÃO À DEGRADAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Porque a Língua Portuguesa também é uma estrada:

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, andou por aí, dentro de um camião, e com as televisões atrás, a tomar o pulso às condições das vias de comunicação, mas esquece-se da via de comunicação oral e escrita dos Portugueses, que se encontra em estado muito mais degradado do que as estradas portuguesas...

 Sabemos que as vias de comunicação terrestre são bastante importantes. Disso ninguém tem dúvida. Devem estar em boas condições, para que a circulação de veículos se faça em segurança.

Contudo, também é de extrema importância que a principal via de comunicação entre as pessoas – a Língua (falada e principalmente escrita) – também esteja em boas condições, para que essa comunicação possa fazer-se com dignidade, e não à baldex com o espírito simplex, que destrói a essência de uma Língua Europeia - a Língua Portuguesa.

 

PR.png

Adaptação da imagem retirada daqui: https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/marcelo-chama-a-atencao-para-a-degradacao-de-trocos-das-estradas-nacionais-caudio

SIC.png

 

Senhor presidente, olhe também para estes FATOS que destroem a  Língua Portuguesa! Ou teremos de os meter na cabine de um camião para que o senhor possa vê-los e as televisões também?

 

Não vejo o senhor presidente da República preocupar-se com a degradação da Língua Portuguesa, que conduz à degradação do Ensino, em Portugal (já instalada), uma vez que ela é a base de comunicação de todas as disciplinas, e a escrita mal escrita, propagada nas escolas, em quase todos os meios de comunicação social, nos ofícios governamentais e públicos, na publicidade, nas traduções, nas legendagens televisivas, diz da imensa pobreza intelectual e cultural e da mediocridade em que o nosso país está mergulhado. Mas isto de chamar a atenção para a degradação linguística talvez não dê para andar com as televisões atrás…

 

Isabel A. Ferreira

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 19:29

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«EUGÉNIO LISBOA E O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO»

 

Texto de Rui Baptista publicado a 20 de Janeiro de 2019, no Blogue DE RERUM NATURA (A Natureza das Coisas):

https://dererummundi.blogspot.com/2019/01/eugenio-lisboa-e-o-novo-acordo.html?fbclid=IwAR17K5ZsDQ69nluBfSWOlUE8XSqBr9FM5aVDqzdeWU8GZJdHpaD27ZofOpY

 

EUGÉNIO.jpg

 

«Com dedicatória amiga, recebi, dias atrás, o último livro de Eugénio Lisboa, intitulado “APERTO LIBRO”, personalidade da vida literária portuguesa de um longo e prestigiante acervo biográfico e obra literária.

 

Neste seu livro, já em Outubro de 1986, tendo passado, entretanto, muita água debaixo das pontes (e quanta haverá de passar mais?), criticava Eugénio Lisboa o Novo Acordo Ortográfico com o texto extraído da supracitada obra (página 100) que se transcreve imediatamente abaixo numa altura em que a solução deste imbróglio corre o risco de se estender por mais anos pela prática bem portuguesa de deixar correr o marfim deixando para amanhã o que pode (e deve!) ser feito hoje:

 

«Novo acordo ortográfico – idiota e completamente fútil. Pretende-se uma ‘unificação’ à qual os factos vão, necessária e melancolicamente, dizer não. Esta ânsia de acordo a todo o custo, de mais um acordo, descontados os casos dos que se perduram nele ou para darem nas vistas ou para fazerem umas viagens à custa do contribuinte, pode também ter que ver – quem sabe? – com a angústia de se ter perdido um império e o acordo passar a ser uma espécie de compensação. Anda muita gente à procura de um ‘quinto império’ qualquer. De resto, como já tenho observado, alguma da nossa esquerda anda transcendental, ocultista, irracionalista e bandarrista. E fútil. De tanto querer ser ‘imparcial’, acaba por aceitar o inaceitável. Em Portugal, hoje em dia, quase ninguém faz aquele esforço continuado, concentrado e articulado, que antigamente dava pelo nome de pensar. Hoje, as pessoas preferem dizer coisas giras, coisas que dão nas vistas. Quanto mais surpreendem ou ultrajam a razão razoável, melhor. E há sempre dois ou três intelectuais, com alguma responsabilidade, para darem corda a este relógio».

 

Como diria Pessoa, deixemos no bengaleiro a inclinação de discutir os assuntos. O acordo ortográfico está mais do que discutido. Falta, apenas, dar-lhe um enterro condigno para não apodrecer em vala-comum, como mais uma ‘boutade’ nacional, em que o estudo da origem latina e grega do nosso léxico atapeta o chão das causas perdidas com folhas outonais que desbotaram o verde da esperança!»

 

Rui Baptista

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 15:05

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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

UM RETRATO REAL DO NOSSO DESDITOSO PORTUGAL

 

Com a devida autorização, transcrevo uma carta que recebi de uma cidadã portuguesa, com sentido crítico, e que exerce magistralmente o seu direito cívico, e denuncia e luta e age e incomoda e agita a consciência de quem a tem.

 

Afinal, ainda há Padeiras de Aljubarrota em Portugal!

 

Não me peça desculpa, Idalete. Não me maçou nada com a sua carta. Ao lê-la fui até ao fundo do abismo em que Portugal e os Portugueses adormecidos se arrastam.

 

ÁRVORE.png

Origem da imagem: https://www.facebook.com/pg/raphaelgouveamonteiroescritor/posts/?ref=notif

 

Cara Isabel

 

Muito obrigada pela sua rápida resposta. Congratulo-me em saber que continua activa no Movimento que criou! O que revela sobre os anti-acordistas que se fecharam em copas quando lhes foi pedido apoio e acção, não é nenhuma novidade para mim. Com a Frente Cívica (à qual pertenço, como associada) liderada pelo Dr. Paulo de Morais, tem sido a mesmíssima coisa. Imagine que ainda não se conseguiram as 20 mil assinaturas para apresentar na AR o Projecto de lei para acabar com as PPPs Rodoviárias que são altamente lesivas para o erário público (!) Isto é quase inacreditável.

 

Acho que fez muito bem sair dos Grupos do Facebook. Através dos comentários que me irritavam (muitos deles completamente estúpidos e cheios de erros de ortografia) é que podemos avaliar o tipo de pessoas que se dizem anti-acordistas. Estou convencida de que não fazem a mínima ideia do que significa a tragédia cultural do AO90 e as negociatas porcas que estiveram na sua origem. Faz muito bem em denunciar, a seu tempo e em Tribunal de confiança, as implicações do 1º ministro e do anestesista do povo português que é o PR, (e não só...) nas negociatas do AO90. Mas, sim! O segredo é a alma do negócio!

 

Claro que me interesso por tudo o que está a ser feito pelo MPLP. Aliás, vou pedir a familiares ligados ao Ensino que apoiem e façam parte do MPLP. Se não se importa dar-lhes-ei o seu email e os links que me enviou, incluindo o do seu Blog.

 

Portugal encontra-se numa encruzilhada muito perigosa, pois continuamos nas "garras" de políticos tecnocratas sem ética, sem moral, que só vêem cifrões e estão mergulhados num verdadeiro tsunami economicista. A recente "reestruturação" eleitoralista do (des)governo é uma maquilhagem manhosa, enganadora, eu direi mesmo, sinistra (!) Aquilo que o (des)governo oculta no OE é verdadeiramente escandaloso. Por exemplo o que vai pagar (largas centenas de milhões) às PPPs (!) é um crime financeiro e social de lesa Pátria (!) Mas como o povo está estupidificado, alienado por sucessivos desgovernos desde o 25 de Abril, já não reage a nada. Nem se interessa. Só percebe de futebol. Vai para o FB escrever asneiras (!) E isto é assustador! Os sucessivos desgovernos (PS+PSD+CDS) não fizeram outra coisa senão destruir, sub-repticiamente, as reservas morais do povo português. Desprezo pela Cultura. Sistema Educativo a cair de podre. Corrupção em toda a Administração Pública. Poder Judicial + Poder Político+ Poder Financeiro unidos numa promiscuidade repugnante com um objectivo comum: destruir o que resta da riqueza própria do País. Vender tudo a estrangeiros com a promessa garantida de auferirem salários principescos quando mudam da principal Central de Negócios que é o Parlamento para se acomodarem parasitariamente nas grandes empresas (Bancos, Empresas multinacionais, Empresas Público-Privadas, etc., etc.).

 

Li há dias uma entrevista do Coronel Pedro Tinoco de Faria que me emocionou profundamente. É um dos poucos militares de alta patente que não se deixou corromper. Também criou aquele "Movimento das Espadas" que teve muitos apoiantes no início, mas quando chegou a hora para depositar as espadas aos pés do PR, os grandes cobardes desertaram e ele ficou praticamente sozinho. Na entrevista dada por Skype (pois o Coronel vive em Londres) há interferências constantes e muito estranhas, sobretudo quando um dos jornalistas, João Chaves, lhe dirige perguntas. Mesmo assim ouvi até ao fim. Abordam-se todos os principais problemas que levaram o País à desgraça em que se encontra. (Corrupção nas Forças Armadas, na Política, em toda a parte; Roubo de armas em Tancos; Maçonaria - a que pertencem praticamente todos os militares de alta patente, políticos, empresários, etc.) O Coronel não demonstra qualquer medo em relação ao que afirma e afirma coisas incríveis que se passam em Portugal, dominado pela Maçonaria. Cita nomes. Tira a radiografia realista do País. Depois do Movimento das Espadas, foi humilhado, perseguido, insultado, desprezado pelos camaradas traidores (!). Vive em Londres com os dois filhos e quis ser empregado de mesa num Hotel para saber o que é a vida de um emigrante. Está a escrever um livro que certamente vai ser uma bomba em Portugal. Acredito que a palavra pode ser uma arma mais mortífera que mil granadas! Dizer a verdade já é um acto revolucionário! São destes homens que Portugal necessita com urgência. Ele, a dada altura, afirma mesmo que a situação em Portugal só mudará com um novo golpe. Felizmente que tem, apesar dos camaradas traidores de braço dado com a velhacaria política, outros que o apoiam e não o abandonaram.

 

Peço desculpa se a macei com um email tão longo. Continue a contar comigo. A palavra é uma arma!!!!

 

Idalete Giga

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:43

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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019

«NÃO HÁ ACORDO SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO – AGORA É O BRASIL QUE O RECONHECE, EM JANEIRO DE 2019»

 

Mais um excelente texto de Nuno Pacheco, publicado no jornal Público, o qual põe a nu, uma vez mais, a monumental farsa que é o AO90, sendo Portugal o farsante-mor.

 

737876.jpg

 

Por Nuno Pacheco

 

De onde vêm as palavras dos dicionários? Trá-las a cegonha, como aos bebés

 

Não há acordo sobre o acordo ortográfico – agora é o Brasil que o reconhece, em Janeiro de 2019.

 

17 de Janeiro de 2019

 

Não tencionava voltar esta semana ao tema, mas três razões vieram impor-se: os argumentos invocados por alguns comentários à minha crónica anterior; uma notícia da Rádio Agência, de Brasília, sobre o acordo ortográfico; e a edição, recente, de mais um dicionário da Texto.

 

Comecemos pelos comentários. Num, diz-se que “o AO não é um instrumento perfeito. (…) Que tem bastantes incongruências, é verdade. Que muitas delas podem ser corrigidas, também o é.” Mas alguém as corrigirá? Outro: “Graças a si e aos demais como o sr. pensam e (pior) agem, a língua portuguesa daqui a menos de duas décadas estará num museu.” Engana-se, já está. Em São Paulo. E ainda ninguém se queixou.

 

Outro ainda: “É pena não ver algo muito mais importante (e preocupante!), que é a (cada vez menos) subreptícia [sic] instalação de anglo-americanismos no discurso diário [PÚBLICO incluído].” Uma coisa não exclui a outra: as aberrações da “nova ortografia” são, aliás, mais recentes do que as modas dos anglicismos (antes foram os galicismos), porque o papaguear “estrangeiro” sempre foi, desde há décadas ou até séculos, forma ridícula de nos imaginarmos “maiores”; enchemos a boca dos valores do Português, mas à mínima oportunidade ignoramo-lo. Isso enquanto permitimos que o Português se deforme até ficar irreconhecível à vista e à fala.

 

Por fim: “Qualquer entidade pública e até as empresas devia [sic] estar obrigadas por lei a aplicar somente o AO que esteja em vigor!Pois se assim fosse, aplicariam o AO de 1945, único ainda em vigor por lei. O AO90 foi imposto por resoluções, do governo e da assembleia, e essas, como devia ser claro para todos, não têm valor para revogar tal lei. Fica claro?

 

Há, no meio de tudo isto, um justo alerta: o “quase desaparecimento do ensino do Latim e do Grego do ensino secundário português, e das consequências desta situação na qualidade do ensino do Português.” É verdade, mas até isso anda associado aos efeitos nefastos do dito acordo de 1990, com a deslegitimação da etimologia em prol da fonética.

 

Basta ver a mais recente edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Texto (já com o AO), das mesmas autoras do Dicionário Verbo de 2006 (ainda sem AO). Num e noutro, não há indicações etimológicas (ao contrário do que sucedia no Universal da Texto de 1995, ou no da Porto Editora de 2009). De onde vêm as palavras? Não dizem. Nem grego, nem latim, nem árabe, nem qualquer língua que haja influenciado a nossa. Podemos talvez arriscar esta explicação patética: Palavras? Trá-las a cegonha, como aos bebés. Tentem agora dizer isso às crianças.

 

Mas já que falamos deste dicionário, que só por si há-de merecer um texto (não por ele, em particular, mas pelas aberrações que o acordês lhe impõe), registe-se reabilitação de óptico (relativo à luz, aos olhos, à visão), deixando o ótico aos ouvidos. E sem dupla grafia! Isto contradiz o AO, claro, mas alguém se importa?

 

Já a secção das “espetadas” ganhou curioso alinhamento. Assim: espetacular, espetáculo, espetada, espetador, espetar, espeto. No Brasil escreve-se espectador, cá não, e o Dicionário deixa isso claro, com um pêzinho ao lado de espetador, indicando que tem “uso privilegiado” [sic] em Portugal. Para quê isto, no entanto, se, como se afirma na Introdução, o AO “prevê o uso facultativo das variantes lexicais europeia e brasileira em todo o espaço lusófono”? Prevê mesmo? Olhe que não.

 

No site brasileiro Português à Letra (que aplica e pretende “explicar” o AO) diz-se claramente: “Quando duas formas são indicadas como válidas, embora sejam ambas corretas [sic], não são necessariamente recomendadas em todos os países.” E mais adiante: “Por seguirem até agora a mesma norma que Portugal, considera-se que os PALOP e Timor apresentarão formas idênticas [no pós-acordo]. ”

 

E aqui vem, em todo o esplendor, a monumental farsa que é o AO90. Continuamos a ter duas normas, a portuguesa e a brasileira, e jamais uma ortografia “unificada”. Se tivéssemos mantido as normas portuguesa de 1945 e a brasileira de 1943 podíamos fazer o mesmo exercício, com a vantagem de não termos de ler notícias como a que publicou no dia 10 de Janeiro a Rádio Agência, de Brasília (que transmite as sessões da Câmara dos Deputados): “Não há acordo sobre Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.”

 

Na reportagem radiofónica (e também escrita), diz-se que o AO “só se tornou obrigatório no Brasil em 2016. Em Portugal e Cabo Verde o acordo também já é obrigatório. Mas isso ainda não ocorreu nos outros países que falam português.” Mais: “Apesar de todos os esforços, não há acordo sobre o AO, nem mesmo no Brasil.” Uma professora de Letras afirma que, “na verdade, não precisaríamos de um acordo ortográfico. (...) É alguma coisa na contramão do desenvolvimento da escrita”; um professor universitário diz, a favor do AO, que este quis “eliminar a duplicidade de ortografias que havia em português” [só que não as eliminou, pelo contrário, mudou-as para pior]; e a presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, Raquel Muniz (do PSD) afirma que é este o “momento para revisão da norma.”

 

Querem parar de brincar com a nossa paciência, de uma vez por todas?

 

Nuno Pacheco

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/01/17/culturaipsilon/opiniao/onde-vem-palavras-dicionarios-tralas-cegonha-bebes-1858066?fbclid=IwAR3ZtyvVzKJtJ1Rb2JX_Og_AxZSDV3QzwA93a7wowUtLd390_qPWIP29uVE

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:21

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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019

PRÉMIO ANTÓNIO DE MACEDO (EDIÇÃO 2019) SEM AO90

 

Apenas podem concorrer textos inéditos, em Língua Portuguesa, respeitando o Acordo Ortográfico de 1945, ou seja, o que está legalmente  em vigor em Portugal.

Não esquecer que resistir à imposição ilegal do Acordo Ortográfico de 1990 é um dever cívico.

 

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«De forma a promover a ficção especulativa em Portugal na forma de romance em Língua Portuguesa e homenagear um grande nome da nossa literatura e cinematografia, a Editorial Divergência abre as inscrições para a segunda edição do “Prémio António de Macedo”.

 

António de Macedo, nasceu em Lisboa em 1931. Escritor, cineasta e professor universitário, frequentou a Faculdade de Letras da Universidade Clássica e a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde se formou em Arquitectura em 1958. Exerceu durante alguns anos a profissão de arquitecto que abandonou em 1964 para se dedicar à actividade de cineasta, escritor e professor.

 

Inclui na sua extensa filmografia dezenas de documentários, programas televisivos e filmes de intervenção sociopolítica, bem como onze longas-metragens de ficção. Paralelamente, especializou-se na investigação e estudo das religiões comparadas, de esoterologia, de história da filosofia e da estética audiovisual, e das formas literárias e fílmicas de speculative fiction, temas que tem abordado em inúmeros colóquios e conferências, e em diversas publicações, quer de ficção, quer de ensaio. Publicou mais de uma dezena e meia de livros, entre romances de ficção fantástica e ensaios temáticos.

 

Entre 2001 e 2005 dirigiu a colecção literária Bibliotheca Phantastica da antiga Editora Hugin; em Setembro de 2001 foi homenageado pelo 30o Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, pelo contributo prestado à cultura cinematográfica portuguesa; em Maio de 2007 recebeu o Prémio Consagração de Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores; em 2012 foi homenageado pela Cinemateca Portuguesa com uma retrospectiva da sua obra cinematográfica completa, exibida durante os meses de Junho e Julho; e em Novembro do mesmo ano recebeu o Prémio de Carreira «Sophia 2012», da Academia Portuguesa de Cinema. Em 2013, foi a vez do Fantasporto lhe dedicar uma homenagem com atribuição do troféu Prémio de Carreira, com textos subordinados ao tema «António de Macedo – O Fantástico no Cinema Português», inseridos no catálogo do 33º Festival Internacional de Cinema do Porto — Fantasporto 2013; e em 2014 recebeu o Prémio ADAMASTOR «Personalidade Fantástica 2014», atribuído pelo Colectivo Trëma e pelo Fórum Fantástico. O seu último romance, Lovesenda ou o Enigma das Oito Portas de Cristal foi escolha do ano pelo Fórum Fantástico em 2017. Faleceu a 5 de Outubro de 2017.

 

Regulamento

  1. Apenas podem concorrer textos inéditos, em língua portuguesa, respeitando o Acordo Ortográfico de 1945 e submetidos pelos próprios autores. Por inédito entendem-se textos que não tenham sido anteriormente publicados de forma profissional por terceiros, como um todo ou em parte, em formato físico ou electrónico. Textos anteriormente publicados em formato amador ou de auto-publicação podem ser aceites mediante análise individual.
  2. Não podem concorrer autores que tenham sido vencedores das edições anteriores do prémio Divergência, nem do Prémio António de Macedo. Do mesmo modo não podem concorrer membros da equipa da Editorial Divergência que estejam no activo.
  3. Podem concorrer autores residentes em Portugal Continental e Regiões Autónomas, independentemente da nacionalidade.
  4. Autores menores de idade, com idade igual ou superior a 16 anos, podem concorrer desde que autorizados pelo responsável legal. A autorização deverá ser remetida em conjunto com a submissão e o responsável legal estar claramente identificado (nome, morada, idade, endereço electrónico, contacto telefónico).
  5. Os textos submetidos terão de ter pelo menos 40000 (quarenta mil) palavras.
  6. Todos os textos submetidos deverão estar inseridos no género da ficção especulativa: Terror, Fantasia ou Ficção Científica. A mistura com outros géneros e sub-géneros, de ficção especulativa ou outros, é encorajada.
  7. O prazo-limite de entrega por via electrónica nos moldes abaixo indicados é as 23:59 do dia 30 de Junho de 2019, hora de Portugal Continental. Os textos enviados após essa data não serão considerados para efeito do concurso.
  8. Cada autor poderá submeter apenas um manuscrito.
  9. Os textos devem ser enviados para submissoes@divergencia.pt com o assunto Prémio António de Macedo 2019. Serão aceites textos em formato .doc ou .odt, contendo como no cabeçalho de cada página o título, o nome do autor e o sub-género em que se insere. O autor receberá uma mensagem de resposta acusando a boa recepção do texto no prazo máximo de 48 horas após o envio.
  10. O manuscrito deverá ser formatado em Times New Roman, justificado (alinhado à esquerda e direita) com o tamanho de 11pt e um espaçamento de 1,5 linhas.
  11. Na primeira página de cada submissão deverá constar o título do texto, o nome do autor, idade, endereço electrónico, contacto telefónico e morada. A segunda página deve conter uma sinopse de obra com o máximo de 500 palavras.
  12. O resultado será tornado público até 15 de Novembro de 2018 através do sítio da Editora. O autor será contactado previamente via correio electrónico.
  13. O manuscrito vencedor será publicado pela Editorial Divergência e o autor receberá um prémio monetário de 100 (cem) euros. Os direitos de autor serão pagos à parte.
  14. Os critérios para a selecção do vencedor serão parametrizados em termos da envolvência da trama, credibilidade e coerência das personagens e mundos criados, originalidade e fluidez narrativa.
  15. A Editora reserva-se no direito de propor ao autor alterações à obra premiada caso entenda que venham melhor adequá-la à futura publicação. Estas sugestões poderão ser alvo de contra-proposta por parte do autor. Caso não se chegue a bom entendimento de ambas as partes, a Editora reserva-se no direito de dar por anulado o prémio.
  16. Sempre que solicitado pela Editora, o autor vencedor deverá colaborar a participar activamente em actividades, eventos e campanhas a realizar com o objectivo de promoção, divulgação e comercialização da obra vencedora, também devendo fornecer fotografias, nota biográfica, bibliografia e outros elementos necessários à divulgação da obra.
  17. A Editorial Divergência reserva-se na não atribuição do prémio por falta de qualidade dos manuscritos.
  18. Os direitos de autor são de 15% do preço de capa da obra em papel e 25% no caso dos livros em formato electrónico. Poderão ser pagos através da oferta de exemplares ou de transferência bancária. O modo de pagamento é escolhido pelo autor. A Editora retém o direito de publicação do manuscrito por um prazo de dois anos a contar da data de publicação.
  19. O Júri será constituído por cinco elementos, entre personalidades reconhecidas pela experiência no género, editores da Editorial Divergência e/ou vencedores das edições anteriores.
  20. Não haverá recurso à decisão do júri.
  21. Qualquer situação omissa ou de interpretação dúbia neste regulamento deverá ser apresentada à Editora, sendo decidida pela administração da Editorial Divergência e comunicada no sítio.
  22. A apresentação da obra a concurso implica, por parte do autor, que este compreende e aceita todas as alíneas estipuladas no presente regulamento bem como as explicações fornecidas pela Editora de acordo com a alínea 21.

 

Fonte da notícia:

https://divergencia.pt/premio-antonio-de-macedo-edicao-2019/?fbclid=IwAR3eHZegMtMMUH_e_Qa_l2QlJBF2naciF3_dqYNgqlaGtp7-1FTHzGZcF6s

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:44

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2019

QUANTA HIPOCRISIA, QUANTA FALSA PREOCUPAÇÃO DIDÁCTICO-PEDAGÓGICA NA QUESTÃO DA “ODE TRIUNFAL” DE ÁLVARO DE CAMPOS!

 

 

MANUAIS.png

 

Notícia: omitiu-se partes do poema “Ode Triunfal”, de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, num manual escolar de língua aportuguesada do 12.º ano (já não é mais Língua Portuguesa).

 

Já mutilam as palavras, agora querem mutilar um poema que, ou se lê na íntegra, ou simplesmente não se lê, e se contém linguagem explícita, escolhiam outro poema. A obra de Fernando Pessoa é muito vasta.

 

Mais razões teriam para repudiar a ortografia mutilada, estampada nos manuais escolares, que ataca e fere a Língua Portuguesa, e ninguém está preocupado com isso.

 

O Ministério da Educação está a enganar as crianças portuguesas, que vão para a escola desaprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna, e a Porto Editora, muito hipocritamente, vem a público esclarecer que não se tratou de “qualquer censura”, na mutilação da ODE, mas sim de “uma preocupação didáCtico-pedagógica” (à portuguesa, e não didático-pedagógica, à brasileira) tendo em conta que se tratam de três versos com “linguagem explícita e que se relacionam com a prática de pedofilia”. E até já li algures que Fernando Pessoa era pedófilo, mas já não está cá para se defender. E eu não sei nada sobre isto.

 

Tenham vergonha, e se, na realidade, querem ter preocupações didáCtico-pedagógicas, comecem pela ortografia pornográfica, que viola a Língua Portuguesa.

 

Isto fere mais do que a linguagem explícita, que é explícita desde que o Álvaro de Campos a escreveu, e só agora é que deram conta disso? E é da Pedagogia reflectir sobre um poema mutilado?

 

Senhor Ministro da Educação, o ensino em Portugal está um caos. Está pervertido. Os futuros médicos têm melhor desempenho a Português do que aqueles que serão professores. E depois não se surpreendam quando se lê por aí que Portugal está na cauda da Europa nestas questões do Ensino e da Cultura (além de outras).

 

Uma vergonha! Uma hipocrisia! Um atentado à inteligência.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:51

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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2019

«SAUDAÇÕES BRASILEIRAS A ISABEL A. FERREIRA»

 

Inesperadamente recebo um e-mail.

Assunto: Acordo Ortográfico

 

«Sou estudante de letras (português e espanhol) em Pernambuco. Nasci em Recife. Li em teu blog uma crítica ao acordo ortográfico de 1990. Particularmente escrevo "óptimo", "Egipto", "facto", etc. No entanto, sei que algumas palavras com o "p" e o "c" não são pronunciadas em Portugal, apenas uma leve minoria de pessoas o faz. O que tens a dizer-me sobre isso? todas as palavras que têm o "p" e o "c" mudos devem ser pronunciadas?

Gabriel

 

Porque se trata de algo que interessa a Brasileiros e a Portugueses, decidi tornar público, o que escrevi em privado, salvaguardando, evidentemente, a identidade do cidadão que me escreveu.

 

BRASIL PORTUGAL.jpg

Esta multiculturalidade não é interessante? Por que a querem destruir?

 

Caro Gabriel,

Agradeço o seu contaCto (vocábulo em que se lê o Cê, em Portugal, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor-Leste e Cabo Verde, à excePção (pronuncio o Cê) do Brasil, onde se lê “contátu” e escreve-se contato, vocábulo que não existe em Língua Portuguesa, tão-só no dialeCto (***) (pronuncio o Cê) brasileiro).

 

Fiquei muito surpreendida, por dizer que é brasileiro, e, apesar disso, escrever "óPtimo", "EgiPto", "faCto”, vocábulos que no Brasil se escrevem “ótimo, “Egito” e “fato” (ótchimu”, ”Igitu” e “fatu”) por não se lerem as consoantes mudas, tal como em Portugal, sendo deste modo ensinados a escrever nas escolas brasileiras, onde aprendi a ler e a escrever aos seis anos de idade, e aprendi-as já mutiladas, assim: ótimo, Egito e fato.

 

Mas não é pelo faCto (em Portugal lemos o Cê) de não se pronunciarem, que não se deva escrevê-las correCtamente, para que mantenham o seu significado.

 

Se perguntar a um francês, ou espanhol, ou inglês, ou alemão, se identificam as palavras “ótimo”, “Egito” e “fato” (por faCto), escrito à brasileira, eles não saberão identificar as palavras. Se as escrever à portuguesa, eles, ainda que não saibam Português, identificarão imediatamente os vocábulos óPtimo; EgiPto (que apenas no Brasil e os acordistas portugueses grafam Egito), e faCto. Assim como um português, ainda que não saiba inglês, francês ou alemão, identificará esses vocábulos imediatamente, estando escritos com os cês e os pês nos devidos lugares, naquelas línguas.

 

Indo à sua questão: não são “algumas” as palavras com s e pês que não são pronunciados. São várias, várias centenas, ultrapassando o milhar, e se contarmos com os cerca dos dois mil vocábulos que se escrevem com H mudo, teremos milhares deles com consoantes mudas não pronunciadas, o que não significa que não devamos escrevê-las, sob pena de estarmos a criar palavras sem sentido e desenraizadas da família Indo-Europeia, de que são originárias, que estarão “bem” para o dialecto brasileiro, mas não para uma Língua românica.

 

Uma vez que há tantos milhões de lusógrafos que não conseguem escrever as palavras com as consoantes não pronunciadas (e apenas lusógrafos, porque os restantes povos europeus, que têm tantas consoantes mudas numa só palavra como, por exemplo em Auschwitz, thought, e conseguem escrevê-las) e para terminar de vez com esta aberração do acordo ortográfico, seria bem mais simples começar a pronunciar TODAS as consoantes mudas (assim saberiam escrevê-las) do que mutilar as palavras e transformá-las em bisonhos vocábulos, sem sentido algum.



Diga-me, o que significam estas palavras (vou escrevê-las tal como se pronunciam sem as respeCtivas (pronuncio este Cê) consoantes mudas: ôbj’tivu; s’tor; fâtura; âção; isp’tâdôr (de isp’tar); dirêtu; r’c’ção; fâção, d’t’tár; rutura; p’rsp’tiva; conf’ção; corrêtu; incurrêtu; adutar; e centenas de centenas de outros vocábulos mais, que querem à força que os portugueses escrevam incorreCtamente. Em Portugal estas palavras não têm qualquer sentido, nem significado. Ou as escrevemos correCtamente, com as consoantes mudas no devido lugar, ou passamos a pronunciar essas consoantes mudas, como o fazem os ingleses, os franceses, os espanhóis, para que as palavras possam ter sentido.


Ao escrevê-las sem as consoantes mudas não podemos encaixá-las na Língua Portuguesa.

 

Por exemplo, escrevem-se cerca de duas mil palavras com H mudo.
Nunca entendi, por que os Brasileiros hão-de escrever “úmido” e “umidade” , mas homem e hora. Qual foi o critério, para esta mutilação? O porque-sim de políticos ignorantes? Isso não é critério, é imponderação. E por uma simples irreflexão se destrói uma Língua culta? É isto que eu combato.

 

Os Brasileiros reduziram a Língua Portuguesa a um dialeCto, (dialeto, como vocês escrevem, será algo num dialeCto) na pronúncia, na sintaxe, na ortografia, na morfologia, no léxico, e que evoluirá naturalmente para Língua Brasileira, oriunda da Língua Portuguesa, mais dia, menos dia. Tal como o Crioulo Cabo-Verdiano, que já é língua oficial de Cabo Verde. Tudo bem. O Brasil é um país livre e soberano. Tem esse direito. O povo brasileiro pode fazer o que quiser com as palavras que usa para se comunicar entre si.

 

Mas não queiram que a Língua Portuguesa retroceda e se transforme em dialecto sul-americano, apenas para agradar a políticos ignorantes e a editores e livreiros mercenários de cá e de lá, e unicamente de cá e de lá, porque os restantes países lusógrafos não escrevem incorreCtamente.

 

Última questão que colocou: «todas as palavras que têm o "p" e o "c" mudos devem ser pronunciadas

 

Quer saber o que penso? Muito sinceramente? Dada a dificuldade que os brasileiros e portugueses adultos (e apenas brasileiros e portugueses adultos, num universo de 193 países) têm em escrever os cês e os pês onde eles são necessários (aprende-se isto muito bem VISUALIZANDO as palavras, qualquer criança o faz sem a mínima dificuldade em TODOS os países do mundo, incluindo as portuguesas de todas as gerações anteriores e actuais, onde as consoantes mudas não são UMA, mas várias dentro da mesma palavra), mas como estava a dizer, dada a grande dificuldade que os brasileiros e portugueses ADULTOS têm em escrever as palavras com UMA consoante muda, só uma (um cê ou um pê) penso que seria óPtimo começar a pronunciar TODAS as consoantes mudas, porque assim acabava-se com a ignorância.

 

Não concorda comigo, caro Gabriel?

Com as minhas saudações desacordistas,

Isabel A. Ferreira



***

 

«Isabel!

Muito obrigado pelas respostas contundentes e admiravelmente longas.

Particularmente consigo escrever as palavras com "p" e "c" havia muito tempo, ainda que as não pronunciasse em determinadas palavras. Apesar que soa mais belo por ser mais difícil pronunciá-las. Não só essas, mas também temos os exemplos de "omnipotente", "subtil", "amígdala", etc.

Vejo um empobrecimento para a língua falada e escrita esquecermo-nos dessas consoantes que advêm do latim.

Afirmo-te que sou um "peixe fora d'água" cá em Brasil, uma vez que sempre admirei a língua portuguesa e por aqui há um desprezo notório em todos os âmbitos por nossa língua. O português do Brasil é vulgar, com má eufonia e anti-gramatical. Aprendi a falar o português (conforme o padrão de Lisboa) com o livro de fonética de professor António Emiliano: "Fonética do Português Europeu - Descrição e Transcrição", além de ouvir muito fado. É facto que não posso falar dessa forma (com o sotaque lisboeta aqui) porque as pessoas não entenderiam, porém, traquejo livremente com meus amigos portugueses.

Brasil deveria aprender o português legítimo de Portugal, mas o que vejo é que Portugal está a subtrair-se pela ex-colónia. Tanto é verdade que em Lisboa algumas pessoa já dizem "vi ela", em vez de "vi-a" pela influência dos brasileiros que descaradamente vão morar em Portugal a levar os vícios para lá. É lamentável. Espero que isso possa reverter-se num futuro próximo.

Gabriel

 

***

Caro Gabriel,

Facto: o Brasil empobreceu muitíssimo a riquíssima Língua Portuguesa, herdada do ex-colonizador. Na altura da independência, em 1822, poderiam ter escolhido uma língua indígena, mas escolheram a Portuguesa, que não souberam acompanhar, rejeitando as evoluções que, entretanto, foram feitas, em 1911 e 1945, optando por fazerem uma reforma (1943) onde se decidiu aleatoriamente mutilar as palavras, desfeando-as, desenraizando-as, deslusitanizando-as, com um único propósito: afastarem-se o mais possível da Língua do colonizador, por motivações políticas. Isto é um facto.

 

E o Brasil distanciou-se, deste modo, dos restantes sete Países lusógrafos, que mantêm uma unidade ortográfica, até aos dias de hoje.

 

Veja bem, nenhum outro povo no mundo, mutilou as palavras com consoantes mudas, até porque, além da etimologia, temos a estética da linguagem: adota (âdôtâ) não tem a graciosidade de adopta. Sem o P, o vocábulo está nu, e os nus nem sempre são formosos.

 

Porque é que os Brasileiros dão uma no cravo, outra na ferradura, na questão de palavras com consoantes mudas ou pronunciadas?

 

Na Lusofonia, todos dizem dirétu e escrevem direCto, (não se pronunciando o C); aMnistia (pronunciando o M); suBtil (pronunciando o B); amíGdala (pronunciando o G); r’céção (recePção - não se pronunciando o P), e o Brasil nestas e noutras palavras distanciaram-se dos SETE países lusógrafos porquê?

 

Os grandes clássicos brasileiros produziram belas obras literárias, escritas num Português mutilado, que sim, é vulgar e antigramatical. No entanto, não deixam de ser obras fabulosas na essência, mas não na forma.

 

Estando no Brasil, falo e escrevo à brasileira. Como sempre fiz. Andei cá e lá, na infância, adolescência e juventude. Em Portugal, falava e escrevia à portuguesa. No Brasil, falava e escrevia à brasileira. Nunca me senti um peixe fora d’água, nesse tempo.

 

Hoje, é que me sinto um peixe fora d’água, no meu próprio País.

 

Estou em Portugal, e o que leio por aí está à brasileira, e já se começa a falar à brasileira, graças à enxurrada de telenovelas, umas seguidas às outras que as televisões passam. Vê quem quer. Eu não vejo. Mas o povo, que não lê e não tem outros interesses, afunda-se nas telenovelas, e é como diz: já se diz “vi ela”, “alô” “”, ôpção, econômico, enfim… estamos a ser colonizados pela ex-colónia, através da Língua. E agora sim, sinto-me um peixe fora d’água: nem no Brasil, nem em Portugal. Estou numa fronteira entre um país e outro.

 

Para acabarmos de vez com esta DESUNIÃO, o Brasil é que tinha de reaprender a ortografia, porquê é o único que escreve e fala diferentemente de todo os outros países lusófonos.

 

E não diga que os Brasileiros vêm descaradamente morar em Portugal. Se vêm em busca de uma oportunidade de ter uma vida melhor, não vejo mal nenhum. Se vêm com objectivos políticos obscuros, condeno. A multiculturalidade é bem-vinda, na minha óPtica (com P, se não tiver P, falamos de ouvidos). Considero bonito e bom conviver com múltiplos povos e “beber” da sua cultura, desde que não se esvazie a nossa Cultura da sua essência. Os Portugueses são fruto de uma mescla de povos desde os tempos pré-históricos, e sofremos a influência das culturas dos Iberos, Celtas, Lusitanos, Romanos, Vândalos, Suevos, Visigodos, Muçulmanos. De todos temos um pouco. E isso é bom.

 

 

Com esta nova invasão chinesa, brasileira, africana e povos vindos do Leste, talvez a nossa Cultura sofra outras influências, e num futuro, que pode não ser assim tão longínquo, deixemos de ser Portugueses, para sermos outra designação qualquer. Talvez sino-brasileiros. Tudo se encaminha para tal. Mas esta transformação já não será para o meu tempo.

 

O que espero, Gabriel, é que os políticos portugueses tomem vergonha na cara e não se submetam a políticas obscuras, que transformarão Portugal no quintal dos estrangeiros, conforme já acontece.

 

Se querem acabar com a Língua Portuguesa e com o Povo Português está-se no bom caminho.

 

Com as minhas saudações desacordistas,

Isabel A. Ferreira

 

(***) Porquê Dialecto? Língua que deriva ou é “filha” de outra. Todas as línguas românicas são dialectos do Latim. O dialecto é uma forma particular de uma língua em determinado domínio. Define-se por um conjunto de particularidades tais, que dá a impressão de ser um falar distinto do falar (ou falares) em que está integrado, apesar do parentesco que tem com os outros.

O dialecto passa a ser língua, quando adquire independência total. Foi o que aconteceu com as línguas novilatinas. Dialecto é uma variante linguística constituída por características fonológicas, sintácticas, semânticas e morfológicas próprias. Esta é a situação da linguagem brasileira.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:07

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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2019

A IRREVERSIBILIDADE DO (DES)ACORDO ORTOGRÁFICO É UMA FALÁCIA SUSTENTADA POR NÃO-PENSANTES

 

Pensemos:

Se foi possível destruir o que levou séculos a ser construído racionalmente, mais possível ainda é reconstruir o que foi destruído irracionalmente, em menos de 10 anos.

 

O argumento da irreversibilidade do AO90 que, ardilosamente, andam por aí a espalhar com o fito de se pensar que, lá pelo facto de já estar instalado, não é mais possível voltar atrás, é coisa para mentes mirradas e medíocres, porque o caos sempre pôde ser ordenado, e a fénix pode ressurgir das cinzas.

 

CAOS.jpg

FÉNIX.png

Origem das imagens: Internet

 

Quando olhamos para a destruição de Berlim, por exemplo, depois da II Guerra Mundial, parecia impossível reconstruir a cidade a partir daquele caos, de tantos destroços, das cinzas. No entanto, quando a vontade, aliada à capacidade dos HOMENS (reparem que não disse homenzinhos) são poderosas, tudo é possível. Ressuscitar seres vivos mortos é que não é possível.

 

 

Uma Língua, ainda que morta ou mutilada, é sempre possível ressuscitar.

 

Dizem que o Latim é uma língua morta. Designação errada. O Latim é uma língua adormecida. Pode ser acordada a qualquer momento e ser activada nas escolas, o que seria bem necessário, para se compreender por que não se deve SUPRIMIR as consoantes ditas mudas.

 

Portanto, abortar a questão do AO90, não só é possível, como desejado por milhares de falantes e escreventes de Língua Portuguesa, nos oito países, ditos lusófonos. O estrago que já se fez à Língua não  é irrecuperável. Portugal ainda vai muito a tempo de desfazer o malfeito acordo.

 

Ainda ontem, foi espalhada por aí, a notícia de que os candidatos à Educação nos Cursos Superiores são os que têm pior desempenho a Português. Pudera!!!!

 

Esta notícia devia ser considerada por aquele grupo (fantasma?) que foi criado para avaliar o impacto do AO90, e que nunca mais deu o ar da sua graça, para que daí tirasse conclusões objectivas, ou seja, que a aplicação ilegal o AO90 é de tal modo caótica que, hoje em dia, e a começar pelos governantes ao mais alto nível, incluindo o Chefe de Estado português, são poucos aqueles que, em Portugal, sabem escrever correCtamente a sua Língua Materna, a Língua Portuguesa. Aliás, o que se escreve por aí nem sequer é acordês. A linguagem (escrita e falada) que anda por aí vulgarizada é um mixordês de fazer corar as pedras.

 

E a tendência é para piorar.

E não se pense que o que está instalado por aí é o sucesso do AO90, Não. O que está instalado por aí é o seu bestial insucesso.

 

De modo que, repito, se foi possível destruir o que levou séculos a ser construído racionalmente, mais possível ainda é reconstruir o que foi destruído irracionalmente, em menos de 10 anos, e fazer a Língua Portuguesa ressurgir dos destroços a que o AO90 a reduziu.


E isto em nome de um ensino de qualidade, a começar pela Língua Materna, consignado na Constituição da República Portuguesa, e a que TODOS os Portugueses têm direito. E está a falhar desastrosamente.

 

O que, neste momento, o Estado Português está a permitir, nas escolas portuguesas, é um ensino caótico, baseado numa aprendizagem INCORRECTA da Língua Materna, que engloba todas as outras disciplinas, lançando o caos e fomentando a ignorância.

 

E será que não existe em Portugal um governantezinho sequer, que se aperceba deste caos que está a transformar o nosso país no paraíso dos analfabetizados? Dos que vão para a escola desaprender a escrever?



Pensem nisto, senhores governantes e senhores professores, porque isto é uma vergonha.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:02

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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019

«IRREVERSÍVEL, O ACORDO ORTOGRÁFICO? SÓ UMA COISA É IRREVERSÍVEL: A MORTE»

 

Quem o diz, desta vez, é Nuno Pacheco, redactor principal do Jornal Público, em mais um excelente artigo, bastante esclarecedor.

 

No entanto, houve quem chamasse ao Nuno, num comentário a este artigo (tal como chamam a mim e aos descadordistas em geral) velho do Restelo, como se isso fosse um insulto! Não se importe, Nuno, porque mais vale ser velho do Restelo, do que novo do rastejo (que anda a rastejar pela ignorância), até porque eles desconhecem o simbolismo do Velho, que em parte alguma do poema se diz que é do Restelo, nas estrofes de Os Lusíadas. Mais uma ignorância a somar a tantas outras.

 

Mas vamos ao texto do Nuno Pacheco, que subscrevo na íntegra.

 

NUNO PACHECO.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2319315661446706&set=gm.1232037056947606&type=3&theater&ifg=1

 

Texto de Nuno Pacheco

 

10 de Janeiro de 2019

 

«Como várias asneiras outrora cometidas e felizmente corrigidas, esta só espera por um momento de clarividência. Porque irreversível, neste mundo, só mesmo a morte.

 

Chegado a 2019, o grupo Cofina decidiu estender a aplicação do acordo ortográfico de 1990 (AO90) às restantes publicações do grupo. Já aplicado no Correio da Manhã, no Destak, no Record e na CMTV, ei-lo agora no Jornal de Negócios e nas revistas Sábado, Máxima e TV Guia.

 

Razões? Porque “é inegável que a sua aceitação está estabilizada e é irreversível”, disse o director do Jornal de Negócios. Já a Sábado, na pequena nota que escreveu sobre o assunto, quis deixar bem claro que “o novo acordo não é perfeito, foi mais político do que técnico, mas é hoje uma realidade incontornável e definitivamente assimilada na sociedade portuguesa”. Mais: “Quando várias gerações de jovens estudantes já estudam por manuais adaptados à nova grafia e toda a administração pública está vinculada a ele, não faz sentido persistir numa atitude de resistência anacrónica.”

 

Recuando seis anos, há alguma similitude com o argumento invocado pelo Correio da Manhã para “adotar” (sic) o AO90 a partir de 2 de Janeiro de 2013. “Já é seguido nos manuais escolares, nos livros, na legendagem”, diziam. Para concluir: “Nunca seremos um obstáculo à mudança.” Portanto, toca a “tornar a comunicação mais fácil”. Como? Escolhendo o que mais lhes convinha, claro! “Nas palavras que admitem dupla grafia optámos por manter tal como na ‘escrita antiga’.”

 

Sim? Fizeram-no em pára e “para”. Mas é bom recordar o resto: se entre espectador e “espetador” e ceptro e “cetro” escolheram as primeiras, no mais fizeram o contrário do que prometiam, optando por “aspeto” em lugar de aspecto, “carateres” em vez de caracteres, “receção” em vez de recepção, “perentório” em vez de peremptório, “setor” em vez de sector, sendo os restantes exemplos falsas escolhas, porque apresentavam como “dupla grafia” palavras que nunca existiram em Portugal, sendo usadas apenas na fala e na escrita brasileira: anistia (amnistia), indenizar (indemnizar), suntuoso (sumptuoso), fato (como facto) ou até gênio (génio)!

 

É isto optar pela “escrita antiga”? Não leram sequer o que escreveram? Não devem ter lido, senão não deixavam passar esta “dupla grafia” extraordinária: “​fémea” [sic] e fêmea. Escolheram a segunda, claro. Aliás, era fácil, porque a primeira não existe em lado nenhum. Ia assim a brincadeira, nos idos de 2013. Agora, por decisão cofineira, alastrou. Teme-se o pior.

 

Mas, para lá desta mudança, que só irá contribuir para ampliar o caos ortográfico reinante a que alguns chamam “nova ortografia” (embora não passe de uma ridícula mistura de grafias a esmo, sem freio nem norte), pesemos os argumentos. O AO90 é mesmo uma “realidade incontornável e definitivamente assimilada na sociedade portuguesa”? E é verdade que “a sua aceitação está estabilizada e é irreversível”?

 

Para palavras, antes tivessem escolhido “enfermeiros”, como fez a Porto Editora. Era mais aplicável neste contexto, até porque a ortografia da língua portuguesa, na forma que lhe foi imposta em Portugal (não por lei, mas já lá iremos), precisa mais de cuidados médicos do que de palavras como “incontornável”, “assimilada”, “estabilizada” e “irreversível”. Todas falsas, como a realidade demonstra.

 

Mas recuemos a 2011, quando o XIX Governo (PSD-CDS) dizia no seu programa que “acompanhará a adopção do Acordo Ortográfico” (assim mesmo, sem AO90, senão teriam escrito “adoção”) com vista à “crescente universalização” da língua portuguesa. Na mesma altura, o então secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, declarava ao Diário Digital: “O acordo ortográfico é uma nova norma do acordo a que se chegou e é para ser implementado. Vamos prosseguir o trabalho de implementação porque é um caminho sem retorno.”

 

Dois anos depois, já ex-governante, o mesmo Francisco José Viegas afirmava ao jornal Record (25/3/2013): “Já não suporto falar do acordo ortográfico, acho que já ninguém o suporta. Portugal e o Brasil já não suportam o acordo ortográfico. E o que acontece é que para fechar o acordo é preciso fechar o vocabulário. Agora isso ainda não aconteceu. E o Governo anterior quis correr mais depressa, ser pioneiro nessa matéria, e impôs a entrada em vigor para 2012. Sem Angola ter dito que sim e sem o vocabulário estar concluído.”

 

Chegados a 2019, eis o panorama: o dito “vocabulário” está “concluído”, não um mas vários e contraditórios entre si; Angola, tal como Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste não entregaram os instrumentos de ratificação do AO90, logo não lhe disseram “sim”; e o AO90, que inventou para Portugal um grande número de palavras que ninguém aplica noutro país (mudando até muitas que aqui e no Brasil se escreviam da mesma maneira), está “em vigor” por resoluções do Conselho de Ministros e da Assembleia da República, enquanto o acordo de 1945 se mantém em vigor por lei – que não foi revogada, nem podia ser, por resoluções ministeriais ou parlamentares.

 

A finalizar, e parafraseando Francisco José Viegas, se já ninguém suportava o acordo ortográfico em 2013, o que devemos dizer agora, em 2019? Talvez isto: como várias asneiras outrora cometidas e felizmente corrigidas, esta só espera por um momento de clarividência. Porque irreversível, neste mundo, só mesmo a morte.

 

Errata: Por lapso (já corrigido), escrevi inicialmente, no segundo parágrafo, Visão onde deveria estar, como é óbvio, Sábado. As minhas desculpas aos leitores e às revistas visadas.

 

(Os excertos assinalados a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

Fonte do texto:

https://www.publico.pt/2019/01/10/culturaipsilon/opiniao/irreversivel-acordo-ortografico-so-irreversivel-morte-1857055?fbclid=IwAR1hHc36Dr9PTSPCJvtTEIjsIXSxQl4Bi0yyGVPR1zD9EhfHN8t-ek-u8bM#comments

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:34

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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