Terça-feira, 12 de Outubro de 2021

Mais um Livro de Manuel [Matos] Monteiro, lançado amanhã em Lisboa

 

Manuel [Matos] Monteiro lança amanhã, 13 de Outubro, o seu novo livro «O funambulista, o ateu intolerante e outras histórias reais», da editora «Objectiva», e aqui fica o convite para todos os que puderem comparecer.


Para os desacordistas (e são milhares, em Portugal, ao contrário do que os acordistas querem fazer crer), o lançamento de um livro, em Português de Facto, é motivo de grande regozijo, por parte dos leitores, que exigem bons livros escritos em Bom Português, apesar de, ultimamente, notar-se uma certa debandada de escritores, que até há pouco tempo eram acordistas, e agora não o são. Cada vez há mais livros desacordizados.

Manuel Monteiro é um dos que, em Portugal, combatem fervorosamente o AO90,  e «Por Amor à Língua» é «contra a linguagem que por aí circula». Uma linguagem pobre, reduzida ao ínfimo,  assente numa iliteracia - maleita muito disseminada em Portugal - forjada na ignorância optativa, que se tem alastrado, por aí, irreprimivelmente, nestes últimos tempos.

De modo que, quando vem a público um livro livre do AO90 é motivo para festejar.

Parabéns, Manuel [Matos] Monteiro, e muito sucesso para mais este livro.

Isabel A. Ferreira

 

Convite MM  (1).png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:07

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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2021

Fase final do Projecto «Abaixo a Ditadura do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)»

 

 

Companheiros desacordistas, uma vez que, por larga maioria, venceu a versão 2 do Autocolante, e foram tidas em conta as várias sugestões apresentadas, nas Páginas do Facebook, eis a versão definitiva do Autocolante, e, mais abaixo, todas as informações necessárias para a sua aquisição.

 

Autocolante definitivo.PNG

 

Antes de prosseguirem talvez fosse boa ideia recordarem os objectivos deste projecto, neste link: «Abaixo a Ditadura Ortográfica!» - Um projecto de Amadeu Mata, no qual TODOS os que abominam o AO90 podem e devem participar

 

Os pormenores da execução dos pedidos de um “kit” e respectivos custos são fornecidos pela Gráfica: 

 

Podemos executar o autocolante por medida ou ao metro2.

 

O "kit" tem um custo de 7,50€ + IVA + portes de envio:

 

- 2 autocolantes 15x15cm;

- 2 autocolantes 8x8cm;

- 3 autocolantes 6x6cm;

***

- A reprodução em t-shirt (Branca ou Cor) tem um custo de 15€ + IVA + portes de envio.

- Podemos fazer tipo emblema académico, ou crachá.

 

- Ou ainda qualquer outra solução de grande formato (poster, tarjas, lonas impressas, etc.).

 

Os pedidos podem ser efectuados para o seguinte endereço electrónico:

 

brigoffice3publicidade@gmail.com

 

GRAFPUB - Grupo Brigoffice
Alameda de Santa Apolónia - nº 30 . R/chão
5300-253 Bragança - Portugal
Tel. 273 329 090 - NIPC - 509 128 548

 

***

Informação adicional:

 

Informação de autocolante.PNG

 

Posto isto, esperamos que os desacordistas adiram, em massa, a este projecto, pelos motivos mais óbvios. É urgente, muito, muito urgente acabar com este insulto à Língua Portuguesa, aos Portugueses e a Portugal, por parte de quem deveria defender os interesses do nosso País, e não defende. Não podemos ser cúmplices da destruição do nosso precioso Património Linguístico-Cultural Português.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:14

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Sábado, 2 de Outubro de 2021

«(…) até que ponto o tal "acordo" [AO90] contribui para a estupidificação das massas!»

 

A que extremos ridículos chegou a prática da linguagem, em Portugal!

 

O RATO.PNG

in: https://www.facebook.com/groups/emaccao

 

«Demonstra bem até que ponto o tal "acordo" contribui para a estupidificação das massas: duas consoantes seguidas, corte-se a primeira... Tristeza! Já há muito que a iliteracia é apanágio da sociedade portuguesa, mas, desde o AO90, ela tem estado nos píncaros. O exercício de pensar parece ser cada vez mais raro.»  - Elisabeth Henriques

 

***

Acordem PROFESSORES!

Não estará na hora de se REVOLTAREM?

Recusem-se a ser cúmplices desta miséria linguística.

 

Daqui faço um apelo a estas duas Associações:

Associação de Professores de Português: APP

Anproport - Associação Nacional de Professores de Português

Unam-se como se fossem um exército. Está nas vossas mãos extinguir o AO90.

 

Nenhum Governo, por mais ditatorial que seja, pode despedir ou penalizar um EXÉRCITO de Professores, que têm a RAZÃO do lado deles.

 

Nenhuma Lei vos obriga a ser incompetentes, ao ponto de em vez de ensinar aos alunos a Língua Portuguesa, optaram por uma língua de farrapos.

 

Tenham espírito de MISSÃO.

Como Mestres do Ensino, não se demitam da vossa RESPONSABILIDADE quanto ao estado caótico em que se encontra a prática da linguagem escrita, mas também falada, em Portugal.

 

Vós sois PROFESSORES! Não sois paus-mandados!

 

Devolvam ao ENSINO a dignidade perdida. Porque a Língua não abrange apenas uma disciplina. A Língua é o pilar de TODAS as disciplinas.

 

Não cedam a chantagens! Ergam as vossas vozes, porque é urgente acabar com esta pobreza linguística, e só vós o podereis fazer. Tenho certeza de que terão o apoio de  todos os desacordistas portugueses.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:16

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Quinta-feira, 30 de Setembro de 2021

«Em defesa da Ortografia (XXXVIII)» - por João Esperança Barroca

 

Antes de transcrever o texto de João Esperança Barroca, permitam-me este comentário à imagem que o autor escolheu para ilustrar o seu texto: 

 

- Devido à “injeção” (que se lê “inj’ção”) de capital, Marcelo Rebelo de Sousa só poderia ter ficado “estupefato”, contudo, sendo ele um jurista e também o guardião-mor da Constituição da República Portuguesa, a qual jurou DEFENDER (mas não defende) , além de “estupefato” deveria ter ficado também ENVERGONHADO, pela sua figura estar associada a dois erros ortográficos de palmatória (no Brasil “objetivo” e “estupefato” não são erros ortográficos, uma vez que lá, a grafia dessas palavras é essa, assim tal e qual, desde 1943) erros, esses, cometidos com o seu aval, pois está a contribuir para esta ortografia ILEGAL e INCONSTITUCIONAL, obedecendo,  servilmente, curvando-se religiosamente, ao paCto de silêncio, que os predadores da Língua Portuguesa fizeram, algures num subterrâneo onde a LUZ não entra, violando com isso a CRP, que jurou defender. Tudo isto é de uma desmedida VERGONHA!!!!!!! (Isabel A. Ferreira)

 

Marcelo estupefato.png

 

Por João Esperança Barroca

 

«[…] De facto, ninguém quer o acordo entre a lusofonia — nem Angola, nem Moçambique, nem o Brasil; ninguém em Portugal, que trabalhe com a língua (escritores, professores, editores, jornalistas) quer ou entende para que serve o AO, excepto umas raras sumidades académicas que não existiriam sem esta oportunidade; o AO é um delírio de aberrações e idiotices que nenhum dos seus defensores consegue sustentar numa discussão séria; […]» (Miguel Sousa Tavares, Jornalista e Escritor)

 

 «O Acordo “Tortográfico”, de que não sou adepto, é do ponto de vista político uma coisa que oscila entre a tristeza e a vergonha. Do ponto de vista cultural é perfeitamente ridículo. Este normativismo fabricado e imposto, além das desgraças, que pode provocar, nem sequer corresponde àquilo que é a vida, o desenvolvimento e a transformação da língua. A forma entre o contentinho e o pateta com que as pessoas aceitam este tipo de coisas é confrangedora.» (José Barata-Moura, Filósofo e ex-Reitor da Universidade de Lisboa)

 

Em entrevista ao canal TVI24, difundida no dia 3 de Junho do corrente ano, Manuel [Matos] Monteiro, autor das obras O Suave e o Negro, Dicionário de Erros Frequentes da Língua, Por Amor à Língua, Sobre o Politicamente Correcto e O Funambulista, o Ateu Intolerante e outras histórias Reais, mencionou, com alguma ênfase uma consequência (mais uma!) nefasta da adopção do AO90. Por ser bastas vezes olvidada, trazemo-la aqui à colação.

 

Disse, então, Manuel [Matos] Monteiro, de forma muito clara, que o AO90 dificulta a aprendizagem das línguas estrangeiras (nomeadamente as línguas de matriz latina) por parte dos nossos alunos, ao mesmo tempo que cria obstáculos ao domínio da nossa língua por parte de falantes e escreventes estrangeiros.

 

Exemplifiquemos com três palavras de uso bastante frequente: acção, espectador e directo. Pegando na primeira dessas palavras (acção, do latim actiōne), vejamos, por simples curiosidade, como se escreve em várias línguas: aksie, em africâner; aktion, em alemão; akcija, em bósnio e em macedónio; acció, em catalão; aksyon, em cebuano (língua austronésia falada nas Filipinas), filipino e em haitiano; akce, em checo, azzione, em corso; akcijski, em croata; akcia, em eslovaco; acción, em espanhol (castelhano) e em galego; action, em francês e em inglês; aksje, em frisão; aiki, em haúça (língua falada em grande parte do Sudão); actie, em holandês; akció, em húngaro; aktioun, em luxemburguês; azzjoni, em maltês; akcja, em polaco; acțiune, em romeno e aksiyon, em turco. São, pois, vinte e cinco línguas sem pejo de mostrarem as suas raízes e o respeito pela etimologia, ao mesmo tempo que obrigam as pobres criancinhas a decorarem uma caterva de consoantes.

 

Abordemos, agora espectador (do latim spectatōre). Como se escreverá num variado grupo de línguas? Spektatori, em albanês; espectador, em catalão, em espanhol (castelhano) e em galego; spettatore, em corso e em italiano; spectateur, em francês; espektatè, em haitiano; spectator, em inglês e em romeno; spektator, em macedónio e spettatur, em maltês. São, agora doze línguas que valorizam a história da sua língua, não permitindo confusões entre quem assiste e quem espeta.

 

Para terminar a exemplificação, vejamos a palavra directo (do latim directu). Como se grafa num conjunto, outra vez maia alargado, de línguas? Direk, em africâner; direkte, em alemão, dinamarquês e em norueguês; direktno, em bósnio e em croata; direkten, em búlgaro e em macedónio; directe, em catalão; direkta, em cebuano; direttu, em corso directo, em espanhol (castelhano) e em galego; magdirekta, em filipino; direct, em francês, holandês, inglês e em romeno; direkt, em frísio ocidental, iídiche, luxemburguês e em sueco; dirèk, em haitiano; diretto, em italiano; dirett, em maltês e direktan, em sérvio. São agora vinte e seis línguas a não se envergonharem da sua história.

 

A propósito da palavra direto, durante o Campeonato da Europa de Futebol, numa reportagem sobre a Selecção Nacional, um canal de televisão inseriu em rodapé a seguinte legenda: EM DIRETO – MUNIQUE – ALEMANHA. Alguém nos perguntou se Direto era um bairro de Munique. Fartámo-nos de consultar mapas e ainda não sabemos a resposta.

 

Dêmos a palavra a quem sabe destes assuntos:

 

«A “unificação” ortográfica dos países de língua portuguesa é, definitivamente, objectivo inalcançável, e qualquer tentativa de forçá-la acaba em caricatura, tapando num lado e destapando noutro. O AO90 foi, nisto, exemplo acabado, ao criar centenas de novas discrepâncias que nada resolveram e só nos ficarão envergonhando. Venha agora, e depressa, uma comissão que nos liberte deste emaranhado, que ninguém pediu e restitua à língua portuguesa um rosto apresentável.» (Fernando Venâncio, Linguista, Escritor e Crítico Literário)

 

João Esperança Barroca

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:18

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Domingo, 26 de Setembro de 2021

«O Acordo Ortográfico de 1990 (AO-90) e a incurável azia» - Artigo de opinião enviado ao jornal Público e, naturalmente, não publicado

 

Chegou-me este artigo via e-mail.
Fiquei estupefacta com o facto de depois do tremendo INSUCESSO e do caos ortográfico causado pelo AO90, ainda haja alguém que, sem argumentar coisa nenhuma a favor dele, venha a público dizer o que disse, sem o menor pejo.    

Desta vez não fiquei com azia. Fiquei irritada. Como é isto possível?
Então decidi esmiuçar o que disse Carlos Esperança, autor do texto .

O que está em itálico é dele. O que está a negrito é meu.

Isabel A. Ferreira

Grafia portuguesa vs grafia brasileira.png

A grafia portuguesa que vigora em Portugal vs. a que o governo português nos quer impingir

(Para quem estiver interessado em consultar)

 

Por Carlos Esperança in:

https://ponteeuropa.blogspot.com/2021/09/artigo-de-opiniao-enviado-ao-jornal.html

 

Começando pelo título: sim, o AO90 é tão, mas tão, mas tão intragável que provoca não uma azia, mas uma espécie de azia nefasta a todos os que amam a Língua Portuguesa, e a conhecem muito bem, ou mais ou menos, ou assim-assim. Contudo incurável azia, não! Ela será curada quando o intragável AO90, deixar de ser introduzido, à força, pelas goelas de quem abomina ignorâncias linguísticas, e nem sequer é preciso ser-se linguista. 

 

Quem conhece a grande alteração e uniformização da língua portuguesa, efetuada [em Português efeCtuada] pela Reforma Ortográfica de 1911, não devia solidarizar-se com manifestações de raiva que a perda de algumas consoantes mudas e tímidas alterações provocaram numa sociedade avessa à mudança, independentemente da validade dos argumentos. 

 

Primeiro: a Reforma Ortográfica de 1911 foi elaborada segundo as regras das Ciências da Linguagem, e NÃO porque um punhado de políticos ignorantes e editores mercenários assim o quiseram.


Segundo: as manifestações que existem com a perda de várias CENTENAS (não de algumas) consoantes não-pronunciadas, mas com função diacrítica, e aberrantes (não tímidas) alterações nos hífenes e acentuação, não são de raiva, mas de inquietação pela enormidade da ignorância dos acordistas que não apresentaram UM SÓ argumento racional, portanto VÁLIDO, para defender um tal “Acordo”, que na verdade nem sequer existe, e não porque a sociedade seja avessa à mudança, porque MUDANÇA implica EVOLUÇÃO, e o que aconteceu foi um gigantesco RETROCESSO linguístico, e a sociedade portuguesa é AVESSA sim, a retrocessos. E por que é o AO90 é um retrocesso? Porque pretende que a Língua Portuguesa, bela, elegante e europeia, retroceda a uma variante sul-americana derivada do Português, no que à grafia de inúmeras palavras diz respeito.

 

O misoneísmo, palavra cunhada pelo psicologista [em Portugal psicólogo] italiano César Lombroso, esse horror à novidade, está bem entranhado nos portugueses.

 

Aqui temos algo que apenas por muita má-fé se diz sobre a personalidade dos Portugueses, que, de boa-fé, até aceitam bem as novidades. Acontece que a destruição da Língua Portuguesa não pertence ao rol das novidades. A Língua Portuguesa é o maior Património Cultural Imaterial de Portugal, que não se ajeita a "novidades" assentes na ignorância. Os Portugueses não rejeitaram a caixinha mágica (televisão), os telefones, os telemóveis, os computadores, os hipermercados, os tractores, os frigoríficos, enfim, nunca rejeitaram as novidades que lhes vieram facilitar a vida, mesmo no mundo rural. Rejeitam sim, e nisso fazem muito bem, as “novidades” prejudiciais ao corpo e à mente e à sua intelectualidade, quando lhes querem vender gato por lebre. Que é o caso do AO90.

 

A Reforma Ortográfica de 1911, a primeira iniciativa de normalização e simplificação da escrita da língua portuguesa, foi profunda, numa altura em que o Brasil facilmente a aceitou e as colónias não participavam.

 

Repetindo: o que fez a Reforma Ortográfica de 1911 foi simplificar a escrita, mas NÃO a afastou das suas raízes, das suas origens, da sua História. Os vocábulos não foram mutilados. Passou-se do PH (fonema grego, com o mesmo som da consoante latina F), porque o nosso alfabeto era e continua a ser o LATINO, onde a letra F está incluída, tão incluída que Fernando Pessoa grafava PHarmacia, mas escrevia o seu nome com F. Passou-se de “elle” para ele sem lhe mexer na pronúncia. Passou-se de “lyrio” (com o i grego) para lírio (com o i do alfabeto latino) sem lhe mexer na pronúncia. Todas as consoantes com função diacrítica mantiveram-se, porque se os cês ou os pês fossem suprimidos, a pronúncia deveria modificar-se.

 

O Brasil aceitou (mal) esta reforma, tanto quanto sabemos,  tanto que muitos continuaram a escrever com a grafia anterior a 1911, e logo que puderam, em 1943, os Brasileiros elaboraram um Formulário Ortográfico, que distanciou o Português da sua Matriz, transformando-o na Variante Brasileira da Língua Portuguesa, ainda hoje em vigor, no qual, na sua Base IV, os parideiros do AO90 foram buscar a mutilação das palavras cujas consoantes não se pronunciavam.

 

Tenho enorme consideração por muitos dos que não toleram as pequenas alterações que o AO-90 introduziu, sobretudo quando se trata de cultores da língua, de prosa imaculada na sintaxe e na ortografia que mantêm, mas vejo neles a exaltação de Fernando Pessoa e Teixeira de Pascoais cuja ortografia que estes defenderam repudiariam agora.

 

Como está enganado o senhor Carlos Esperança. O AO90 não introduziu pequenas alterações em Portugal, o AO90 introduziu gigantescas alterações na NOSSA Língua, na forma de grafar, mutilando as palavras que o Brasil já mutilava, desde 1943 (excePtuando as que eles, por algum motivo, continuaram a pronunciar os pês e os cês, como excePção ou aspeCto), e na forma de falar, porque quem escreve afeto (lê-se âfêtu”) e pronuncia afétu, pronuncia mal. Porque aféto só é aféto se levar o C =  afeCto, porque o C tem função diacrítica.

 

A ortografia é uma convenção imposta por lei sem sanções penais, salvo para os alunos, que se arriscam a reprovar se não escreverem como está oficialmente determinado.

 

As ortografias de 1911 e de 1945 até podem ser convenções impostas por LEI, porque essas LEIS EXISTEM. Contudo, a de 1990 não é nem acordo, nem convenção nem coisa nenhuma, porque NÃO EXISTE LEI que obrigue os professores, ou os alunos a escreverem incurrêtâmente a Língua Portuguesa, e se algum professor ou aluno OUSAR ensinar ou escrever correCtamente a sua Língua Materna, as reprovações ou as sanções são ILEGAIS. Só uma LEI poderia sancionar algo que uma simples RCM quis impor, mas como não tem valor de Lei, não pode obrigar. Aliás todos os juristas são unânimes em dizer que o AO90 é ILEGAL e INCONSTITUCIONAL, algo que está mais do que comprovado nos livros que se escreveram a este propósito e que os governantes, Marcelo Rebelo de Sousa incluído, IGNORARAM e continuam vergonhosamente a IGNORAR. Por algum MAU motivo há-de ser.

 

Aos autores da Reforma Ortográfica de 1911, que hoje já ninguém contesta, coube-lhes pôr fim à anarquia ortográfica do país, com 80% de analfabetismo, quando os países do norte da Europa tinham entre 2% e 10%, e normalizar a ortografia. Eminentes filólogos discutiram se deviam seguir o modelo francês, fortemente dependente da etimologia, ou o espanhol e italiano, que seguiam de perto a oralidade.

Optaram por revogar falsas etimologias e, condescendendo com a origem das palavras, deram preferência à oralidade, caminho que embora tímido esteve presente no AO-90.

 

Os autores das Reformas Ortográficas de 1911 e de 1945, que tiveram MOTIVAÇÕES LINGUÍSTICAS NÃO revogaram falsas etimologias, nem condescenderam com a origem das palavras, nem deram preferência à oralidade,  deram isso, sim, preferência à ETIMOLOGIA das palavras. Estas reformas foram feitas com o intuito de diminuir a taxa de analfabetismo então existente no Brasil e em Portugal. Pelo que vemos, não adiantaram de nada, porque tanto no Brasil como em Portugal a taxa de analfabetismo é ainda elevadíssima, e em Portugal é a mais alta da Europa.


O AO90, como não teve nenhuma motivação linguística, mas apenas política e económica, não timidamente, mas DESCARADAMENTE, deu preferência à oralidade, que já vinha do Formulário Ortográfico de 1943, desenraizando e desfeando a Língua Portuguesa. isto é um facto.

 

Há muito que as palavras homógrafas não são necessariamente homófonas, mas duvido que os críticos mais cultos tenham dificuldade em distinguir a fonia das que perderam os acentos e cujos exemplos caricaturais não passam disso mesmo.

 

A acentuação e a hifenização EXISTEM para melhor facilitar a compreensão das palavras e das frases. A ortografia de 1945 tem algumas falhas nesse sentido. Dever-se-iam retomar alguns acentos, para que as frases fossem imediatamente perceptíveis, para quem está a aprender a Língua -  as nossas crianças, por exemplo. Se lhes perguntarmos, como eu já perguntei, o que quero dizer quando digo “ninguém PARA o Benfica”, na aCtual conjuntura, as respostas são as mais óbvias: não há ninguém para o Benfica. E o que eu quis disser foi ninguém PÁRA o Benfica, (porque não perde há sete jogos consecutivos). Se o acento estivesse lá, ninguém teria dúvidas.

 

Lamentável é ver as redes sociais, até jornais, com inúmeros detratores [em Português detraCtores] do AO-90, que explodem de raiva na mais boçal prevaricação ortográfica e ignorância de elementares conhecimentos básicos do idioma cuja ‘nova’ ortografia condenam sem respeitarem a anterior, não sendo este o caso do Público.

 

Em Portugal não há detractores do AO90, nem explodem de raiva. Explodem de tristeza por ver uma Língua tão bela escorrer para o esgoto. O que há é DEFENSORES da Língua Portuguesa.  Os detractores são os que muito servilmente, muito ignorantemente, muito acriticamente aceitaram este “acordo”, que não é “ acordo”  e desataram por aí a escrever uma mixórdia ortográfica (mistura da grafia brasileira com a grafia portuguesa, numa mesma frase) Ex: «o objetivo da acção foi repor os salários em atraso», sim porque em 1943 os Brasileiros passaram a escrever objetivo (que sem o lê-se “ub’j’tivu” de acordo com as regras gramaticais, algo que os acordistas também atiraram ao lixo, até as crianças já sabem disto) , e aCção, como deve ser escrita esta palavra em Língua Portuguesa. “Âção” sem pertence à Variante Brasileira do Português, que em Portugal se lê deste modo.

 

Definida uma grafia, que alguns julgam facultativa, depois de vários anos a ser ensinada de acordo com a lei, qualquer tentativa de regresso é um apelo à anarquia ortográfica e à instabilidade do idioma e das normas jurídicas que o definem.

 

Senhor Carlos Esperança, não é da boa praxe vir para aqui tentar enganar os mais incautos, porque os menos incautos SABEM que a grafia que nos querem impor é ILEGAL, e a qual ninguém em Portugal é obrigado a usar, e foi vilmente ensinada às nossas crianças, que escrevem CAOTICAMENTE, incluindo os governantes, os jornalistas (com excePções do Jornal PÚBLICO e muitos jornais regionais) e todos os que se atiram para aí a escrever acordês/mixordês. Mais caótico do que isto é IMPOSSÍVEL.



As crianças aprenderão mais facilmente a escrever correCtamente a Língua Materna do que estão aprender “incurrêtamente”, tendo em conta que aprendem Inglês e já escrevem um Inglês ACORDIZADO, de tanto escreverem mal o Português. Há quem escreva em Inglês “diretor”, porque foi assim, mutilada, que aprenderam a escrever essa palavra. Isto é inadmissível, e argumentar com a aprendizagem das criancinhas é da estupidez,  pois as crianças têm uma capacidade extraordinária para a aprendizagem de Línguas. O AO90 ficará como MAIS uma língua, a BRASILEIRA, que eles aprenderam, como eu aprendi. Na lista de Línguas que aprendi, está incluída a Brasileira, porque aprendi-a no Brasil, aos seis anos, e quando vim para Portugal, aprendi o Português.  Foi isto que me explicaram aos oito anos. Nunca mais esqueci a lição.

 

E outra coisa, senhor Carlos Esperança, não há normas jurídicas que definem o AO90. Simplesmente NÃO HÁ. Isso é a cassete do ministério dos Negócios Estrangeiros, que os papagaios papagueiam por aí como se fosse verdade. Mas não é verdade.

 

Já é tempo de os jornais que cultivam o imobilismo subversor da legalidade ortográfica se submeterem. O Público não pode continuar a ser o arauto da insurreição ortográfica contra a norma legal que há 12 anos vigora em Portugal e Brasil e observada por autores como José E. Agualusa e Mia Couto, respetivamente [em Português respectivamente] de Angola e Moçambique.

 

O tempo é de os predadores da Língua Portuguesa se recolherem à sua insignificância, e saírem de cena, até porque cada vez há mais gente a abandonar o AO90, por chegar à conclusão de que além de ILEGAL é uma mixórdia intragável que, de facto, provoca azia, e se alguém está a subverter a legalidade são TODOS os que estão a usar uma ortografia ILEGAL. Em Portugal, o que vigora há 12 anos, é uma MIXÓRDIA linguística sem precedentes, e o Agualusa e o Mia Couto, que eu muito prezava, são apenas dois, e mais não fazem do que garantir a publicação dos seus livros nas editoras ACORDISTAS deles. Perderam leitores com essa atitude subserviente. Fale-me de Ondjaki, de Paulina Chiziane e de muitos outros angolanos e moçambicanos que não cederam à falsa miragem acordista.

 

Não é seguramente o facto de o tratado internacional ter sido firmado em 1990 pelo PM Cavaco Silva e promulgado em 2008 por Cavaco Silva (PR) que motiva a obstinação do Público na insurreição ortográfica contra o AO-90, e não se percebe a deliberada teimosia na prevaricação ortográfica. 

  

Quem está a prevaricar são TODOS os que aplicam o ILEGAL AO90. Os políticos e servilistas e seguidistas portugueses são os únicos, do universo da CPLP, que muito servilmente, se arrastam atrás dos milhões, porque sofrem de um absurdo complexo de inferioridade.

 

Não me obriguem a esconder o Público aos netos. Não quero agravar as suas hesitações ortográficas.

Coimbra, 18 de setembro [em português Setembro] de 2021

 

O que deverá esconder aos netos é a MIXÓRDIA que o AO90 veio gerar, e que os obrigaram a aprender. Isso é que é de esconder. Os meus netos SABEM distinguir MIXÓRDIA ortográfica e Língua Portuguesa, e se na escola escrevem “incurrêtamente”, para não serem penalizados (e eles têm essa consciência) cá fora sabem exaCtamente conde estão os cês e os pês, os hífenes e os acentos, nas palavras que escrevem. O PÚBLICO, como todos os outros que não cederam à ignorância e muito inteligentemente não adoPtaram o AO90 sabem que mais dia, menos dia, o AO90 acabará por acabar, e todos os que para tal contribuíram acabarão também a um canto, como os maiores predadores da Língua Portuguesa, desde que Dom Dinis a elevou a Língua de Portugal.  E a esses, ninguém erguerá estátuas ou serão perpetuados em nomes de ruas. Se forem, os filhos dos meus netos e os filhos dos seus netos encarregar-se-ão de as destruir. E os livros acordizados mofarão numa qualquer cave húmida, e desaparecerão, para sempre, da face da Terra.


E a história do AO90 será, então, contada aos vindouros, como uma história de terror, cujos protagonistas serão descritos como gente que, no lugar da cabeça, tinha uma cabaça

 

Isabel A. Ferreira

***

Nota:

Para uma douta opinião, uma pérola, sugiro aos leitores a leitura do artigo que está neste link, sob o título:


Uma lição do Estado Novo Ortográfico

Obedeçam! Submetam-se!

https://oposto.pinho.org/argumentos-legalistas-em-favor-do-4862?fbclid=IwAR0GZuWuDaZZkM_TLjociLjaXAlmOgCqgClP_x2cFGBl4qn0V21HVct9C-Y

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:57

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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2021

Comentários ao texto de Manuel Matos Monteiro, sob o título «Admirável Língua Nova – uma resposta a J.-M. Nobre-Correia»

 

 in

https://www.publico.pt/2021/08/31/opiniao/opiniao/admiravel-lingua-nova-resposta-jm-nobrecorreia-1975831

Porque os comentários também interessam.

Bertolt Brecht.png

 

ipsolorem

Experiente

Tanto prejuízo para Portugal e Brasil por tão fracas causas. Os autores do AO90 incharem o ego grande por ter feito algo que mudou a História. Como não podem fazer nada de relevante, resta-lhes modificar a ortografia do português. Grande vitória. Alegadamente unificar as ortografias de Brasil e Portugal com o resultado final de as ortografias ficarem muito mais distantes uma da outra e muito mais incompreensíveis entre si. E decidir como se Brasil e Portugal fossem donos da língua e não houvesse outros povos e países. Lucros para os grupos editoriais que dependem da edição de livros escolares e dicionários. Poupanças para as empresas tecnológicas: usam o argumento de que agora há apenas "uma escrita" para lançar as versões em português apenas em português do Brasil.

05.09.2021 01:03

 

ipsolorem

Experiente

Nada demove o projecto de vaidade pessoal dos proponentes do AO90, nem estudos, nem artigos científicos, nem resultados práticos nem nada. Querem apenas ser obedecidos, não importa que o "instrumento" seja tão mau que os dicionários para o aplicar têm de fazer adendas explicando como interpretaram as regras do AO90 e nem sequer concordam uns com os outros.

05.09.2021 00:53

 

 Idalete Giga

Iniciante

O AO90 foi o maior absurdo ortográfico da nossa Língua Materna. Muito obrigada pelo excelente artigo! SEREI SEMPRE DESACORDISTA!

03.09.2021 01:01

 

Magritte

Experiente

E quem escreve assim não é gago.

01.09.2021 23:15

 

Fun.eduardoferreira.883473

Influente

Avassalador e necessário. Muito obrigado pela excelente e fundamentada reflexão sobre “o Coiso”.

01.09.2021 17:56

 

orion

Influente

Uma língua viva está em interacção com o mundo, com as trocas comerciais e, em consequência, com a cultura global, Uma língua viva não é um corpo estático. E o inglês está especialmente preparado para as trocas e, historicamente, a Inglaterra foi a potência colonizadora que liderou a revolução industrial nas suas origens e colonizou os EUA e a Índia. Muito fácil ao inglês penetrar na comunicação global (também em menor grau o francês, de um país também colonizador, especialmente em África). A Língua, não pode ser, como defende Nobre-Correia, um corpo estranho à mudança. A melhor forma de defender a língua portuguesa é reforçar o ensino das línguas clássicas. Aliás, dizia Manuel S. Lourenço, estudioso destas áreas, que o português é a língua românica com mais semelhanças com o latim.

 

orion

Influente

Estas questões nada têm a ver com a existência ou não-existência do AO ou de outros anteriores. A referência constante às raízes da língua é fundamental. Voltando ao inglês: penetra no português, como tem penetrado noutras línguas. É adoptado em muitas ciências sociais e exactas para designar princípios teóricos, É simples a conjugação verbal, bastando três termos primitivos para a definição de tempos modos e pessoas(exemplo, to get, got, got que deve ser comparado à "complicação" da conjugação de obter, tradução para português) , tal como o são as regras atinentes à composição de palavras, os artigos e as preposições. Em inglês a grande dificuldade são as frases idiomáticas, tal como são em português. Ler muito em português, Assim se defende a língua.

01.09.2021 13:26

 

 fmart8

Experiente

Obrigado por tirar tempo para responder aquela coisa. Alguém tinha de o fazer.

01.09.2021 12:08

 

chagas_antonio

Moderador

Fantástico artigo, bem escrito e fluente, que só vem comprovar a lucidez do lado Anti-Acordo nesta luta que não pode parar. O provinciano e esganiçado texto de Nobre-Correia era uma coisa mal enjorcada e o seu autor acusou o toque de uma forma muito estranha. Enfim: o acordismo andava mudo, e voltará a andar mudo nos próximos tempos; o que era bom era que nunca mais se ouvisse e que desaparecesse, juntamente com o estúpido AO, para os alçapões da história.

01.09.2021 07:32

 

Jose Luis Malaquias

Influente

Bravo! Tinha de ser dito!

01.09.2021 05:23

 

mocosofia.878094

Iniciante

Além dos anglicismos apresentados por Manuel Monteiro, não percebi a necessidade de Nobre-Correia usar o termo estadunidense. Os habitantes dos Estados Unidos da América sempre foram designados, em Portugal, por americanos, sem qualquer confusão. Quantos aos pretensos argumentos em favor do #AO90, não existem. Aquele texto é uma miséria a todos os níveis. Obrigado Manuel Monteiro.

01.09.2021 01:06

   

JMGF.381108

Iniciante

Pois foi a única coisa correcta no texto de Nobre-Correia. E é "estado-unidense" no português europeu. O termo que escreveu no seu texto é mais usado no Brasil. A América não é um país, é um continente. Estados Unidos da América é um país da América. Até o uso de "norte-americano" para referir apenas os EUA é errado. Norte-americanos são os canadianos, os estado-unidenses, os mexicanos e os cubanos.

01.09.2021 10:22

 

chagas_antonio

Moderador

Os Estados Unidos da América são um país da América, certíssimo: mas também é certo que, em Portugal, os habitantes dos Estados Unidos da América são os americanos. Da mesma forma que os habitantes da Rússia são os russos, mesmo que este termo inclua moscovitas, siberianos, mongóis, quirguizes... E o facto de existir um termo não quer dizer que se use, nem o facto de se usar quer dizer que esteja correcto; são tudo coisas diferentes. Espero não provocar nenhum terramoto dogmático, mas o termo estado-unidense também se pode aplicar correctamente ao México (e, no passado, ao Brasil); aí, onde ficamos? E, já agora: os cubanos são tão norte-americanos quanto os haitianos ou os jamaicanos, ou seja: não são. São caribenhos.

01.09.2021 10:49

 

Luis_Morgado

Experiente

JGF, o que diz parece-me ser discutível. A designação de "Americano" para nomear os nacionais dos EUA está legitimada pelo uso em Portugal. Por outro lado, se é verdade que a "América" não é um país, os "Estados Unidos" não são também um país. Esta última designação, que diz ser a correcta, não está isenta de problemas: o nome oficial do vizinho México é precisamente "Estados Unidos Mexicanos". O argumento do rigor levar-nos-ia então a adoptar "estado-unidenses-americanos".

01.09.2021 11:28

 

Luis_Morgado

Experiente

Chagas_António, peço desculpa por ter repetido parte do seu argumento. Só agora vi o seu comentário.

01.09.2021 12:44

 

ipsolorem

Experiente

É certo que o aconselhado é estado-unidendense mas as línguas são coisas vivas e, dito simplesmente, não colou. Os falantes preferem americano e usam americano. Por exemplo o aconselhado é escrever Devónia mas ninguém o faz, todos escrevem Devonshire.

05.09.2021 10:32

 
mgmacedo48.909164

Experiente

Espero que este artigo venha a ocupar, na edição digital do Público de amanhã, uma posição de relevo equivalente à que foi concedida ao artigo a que responde. Neste momento, está como que escondido, de tal forma que só quem esteja muito familiarizado com a navegação na net o consegue encontrar.

31.08.2021 22:13

 

  1. Luis_Morgado

Experiente

Muito bem Manuel Matos Monteiro! Bem desmontada a arrogância e o ataque gratuito e desastrado que Nobre-Correia fez àqueles que justamente não aceitaram o malfadado Acordo Ortográfico de 1990.

31.08.2021 20:34

 

  1. João António Miranda dos Santos

Iniciante

Excelente crónica/resposta do autor ao texto de J.M. Nobre-Correia. Mais uma vez, não se consegue ler uma argumentação coesa e que faça algum sentido, em defesa do acordo ortográfico. Talvez porque seja mesmo impossível, e estejamos numa situação em que a falta de respeito pela apresentação de provas e princípios de racionalidade estejam a pôr em causa a sociedade liberal e de democracia representativa em que pensamos viver.

31.08.2021 20:17

 

  1. mzeabranches

Experiente

Obrigada por mais esta sua intervenção, pois "é uma vergonha calarmo-nos e deixarmos falar os bárbaros" (Eurípides). O AO90 é indefensável sob todos os pontos de vista e a argumentação da sua Nota Explicativa chega a ser ridícula! «O Estado português (...) não propôs - impôs». Sim, apoderou-se da nossa língua materna e decidiu servir-se dela, desprezando os pareceres dos especialistas e o conhecimento e o sentir dos portugueses. E a Assembleia da República tem tido um comportamento vergonhoso, sempre que solicitada sobre esta questão. Portugal não é uma democracia, pois os políticos eleitos por nós se permitem ignorar-nos. Nem com o Presidente da República poderemos contar?! Será possível?!

31.08.2021 19:27

 

  1. Alexandre de Carvalho

Iniciante

O "Acordo" foi uma negociata inventada por nabos e destinada a quem não sabe escrever. O governo deveria preocupar-se com a má qualidade do ensino e procurar que a Língua fosse ensinada correctamente, mas não... agora vale tudo para que as estatísticas mostrem "notas de excelência", mesmo que os alunos mal saibam falar ou escrever. Quem defende o AO90 fá-lo por ignorância ou por estupidez, porque é indefensável. O AO90 é mau e ilegal, tanto internamente como internacionalmente, mas para ninguém acabar com ele deve ter havido marosca da grossa para a aprovação da RCM 08/2011.

31.08.2021 19:25

 

Influente

Enquanto os doutos se insultam e vão lucrando, uns no contra e outros a favor, e enquanto não se faz a inevitável reversão para o glorioso passado, vou aproveitando estes dias felizes em que posso ignorar as malfadadas consoantes mudas, retorcidos rococós que sempre abominei...

31.08.2021 19:11

 

  1. mgmacedo48.909164

Experiente

Excelente, Manuel Monteiro. O artigo lamentável a que se refere já mereceu mais de 150 comentários de leitores do Público, na sua maioria contestando as falácias nele incluídas. Mas impunha-se uma resposta estruturada, e você soube dá-la.

31.08.2021 18:46

 

  1. João Manuel Farias da Silva

Iniciante

Aprecio ambos, cada um nas áreas que dominam, mas nesta matéria M.M. não deixa a sua tese esmorecer e os argumentos são avassaladores contra a situação que o AO90 criou e que aparentemente N-C desvaloriza e ignora.

31.08.2021 18:43

 

  1. Bruno Da Cunha

Iniciante

Os acordistas são muito propensos a contradições

  

  1. António Pestana

Iniciante

Muito bem.

 

 chagas_antonio

Moderador

Fantástico artigo, bem escrito e fluente, que só vem comprovar a lucidez do lado Anti-Acordo nesta luta que não pode parar. O provinciano e esganiçado texto de Nobre-Correia era uma coisa mal enjorcada e o seu autor acusou o toque de uma forma muito estranha. Enfim: o acordismo andava mudo, e voltará a andar mudo nos próximos tempos; o que era bom era que nunca mais se ouvisse e que desaparecesse, juntamente com o estúpido AO, para os alçapões da história.

 

Jose Luis Malaquias

Influente

Bravo! Tinha de ser dito!

 

mocosofia.878094

Iniciante

Além dos anglicisnos apresentados por Manuel Monteiro, não percebi a necessidade de Nobre-Correia usar o termo estadunidense. Os habitantes dos Estados Unidos da América sempre foram designados, em Portugal, por americanos, sem qualquer confusão. Quantos aos pretensos argumentos em favor do #AO90, não existem. Aquele texto é uma miséria a todos os níveis. Obrigado Manuel Monteiro.

  

JOSE GOMES FERREIRA.381108

Iniciante

Pois foi a única coisa correcta no texto de Nobre-Correia. E é "estado-unidense" no português europeu. [**] O termo que escreveu no seu texto é mais usado no Brasil. A América não é um país, é um continente. Estados Unidos da América é um país da América. Até o uso de "norte-americano" para referir apenas os EUA é errado. Norte-americanos são os canadianos, os estado-unidenses, os mexicanos e os cubanos.

 

chagas_antonio

Moderador

Os Estados Unidos da América são um país da América, certíssimo: mas também é certo que, em Portugal, os habitantes dos Estados Unidos da América são os americanos. Da mesma forma que os habitantes da Rússia são os russos, mesmo que este termo inclua moscovitas, siberianos, mongóis, quirguizes... E o facto de existir um termo não quer dizer que se use, nem o facto de se usar quer dizer que esteja correcto; são tudo coisas diferentes. Espero não provocar nenhum terramoto dogmático, mas o termo estado-unidense também se pode aplicar correctamente ao México (e, no passado, ao Brasil); aí, onde ficamos? E, já agora: os cubanos são tão norte-americanos quanto os haitianos ou os jamaicanos, ou seja: não são. São caribenhos.

  

Luis_Morgado

Experiente

JGF, o que diz parece-me ser discutível. A designação de "Americano" para nomear os nacionais dos EUA está legitimada pelo uso em Portugal. Por outro lado, se é verdade que a "América" não é um país, os "Estados Unidos" não são também um país. Esta última designação, que diz ser a correcta, não está isenta de problemas: o nome oficial do vizinho México é precisamente "Estados Unidos Mexicanos". O argumento do rigor levar-nos-ia então a adoptar "estado-unidenses-americanos".

 

mgmacedo48.909164

Experiente

Espero que este artigo venha a ocupar, na edição digital do Público de amanhã, uma posição de relevo equivalente à que foi concedida ao artigo a que responde. Neste momento, está como que escondido, de tal forma que só quem esteja muito familiarizado com a navegação na net o consegue encontrar.

 

Luis_Morgado

Experiente

Muito bem Manuel Matos Monteiro! Bem desmontada a arrogância e o ataque gratuito e desastrado que Nobre-Correia fez àqueles que justamente não aceitaram o malfadado Acordo Ortográfico de 1990.

 

João António Miranda dos Santos

Iniciante

Excelente crónica/resposta do autor ao texto de J.M. Nobre-Correia. Mais uma vez, não se consegue ler uma argumentação coesa e que faça algum sentido, em defesa do acordo ortográfico. Talvez porque seja mesmo impossível, e estejamos numa situação em que a falta de respeito pela apresentação de provas e princípios de racionalidade estejam a pôr em causa a sociedade liberal e de democracia representativa em que pensamos viver.

 

mzeabranches

Experiente

Obrigada por mais esta sua intervenção, pois "é uma vergonha calarmo-nos e deixarmos falar os bárbaros" (Eurípides). O AO90 é indefensável sob todos os pontos de vista e a argumentação da sua Nota Explicativa chega a ser ridícula! «O Estado português (...) não propôs - impôs». Sim, apoderou-se da nossa língua materna e decidiu servir-se dela, desprezando os pareceres dos especialistas e o conhecimento e o sentir dos portugueses. E a Assembleia da República tem tido um comportamento vergonhoso, sempre que solicitada sobre esta questão. Portugal não é uma democracia, pois os políticos eleitos por nós se permitem ignorar-nos. Nem com o Presidente da República poderemos contar?! Será possível?!

 

António Marques

Influente

Enquanto os doutos se insultam e vão lucrando, uns no contra e outros a favor, e enquanto não se faz a inevitável reversão para o glorioso passado, vou aproveitando estes dias felizes em que posso ignorar as malfadadas consoantes mudas, retorcidos rococós que sempre abominei...

 

mgmacedo48.909164

Experiente

Excelente, Manuel Monteiro. O artigo lamentável a que se refere já mereceu mais de 150 comentários de leitores do Público, na sua maioria contestando as falácias nele incluídas. Mas impunha-se uma resposta estruturada, e você soube dá-la.

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2021/08/31/opiniao/opiniao/admiravel-lingua-nova-resposta-jm-nobrecorreia-1975831

 

***

 [*] Outro dia,  no texto de J.-M. Nobre-Correia, este nobre senhor acordista apátrida, denominou os discursos dos desacordistas,  de discursos patrioteiros, mas estes, ao menos, têm uma vantagem: são feitos por gente que tem uma Pátria. E ter uma Pátria, não é defeito. Defeito é ter Pátria e ir defender os interesses da Pátria dos outros, em detrimento da própria Pátria, por mero servilismo e obscurantismo.

 

[**] Tanto quanto me é dado saber, e até porque já estudei no Brasil e sei do que estou a falar, o termo “estado-unidense”, embora existindo em Português, é um termo usado exclusivamente no Brasil. Em Portugal, e conforme os comentadores já referiram, os habitantes dos EUA são americanos ou norte-americanos. Sempre foi assim. Não tentem os acordistas, à conta do AO90, querer, à força, impor a Portugal brasileirismos que não utilizamos. Como também é o caso do vocábulo “parabenizar”, exclusivamente brasileiro, e que já se anda por aí a dizer, substituindo-o pelo muito nosso FELICITAR.  

 

É de lamentar que nem os políticos portugueses (que têm a faca na mão), nem os professores portugueses (que têm o queijo na mão), nem os linguistas portugueses (que têm [terão?] conhecimentos específicos sobre a estrutura da nossa Língua) venham beber a esta fonte, o SABER que desconstrói o AO90, e o põe no seu devido lugar: abaixo de zero.

 

 Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:36

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«Admirável Língua Nova – uma resposta a J.-M. Nobre-Correia»

 

Parabéns Manuel Matos Monteiro, por mais este excelente, minucioso e precioso texto, que rebate inteligentemente os (des)argumentos do Sr. Nobre-Correia, no que ao AO90 diz respeito.

 

Isabel A. Ferreira

 

Manuel Matos Monteiro.jpg

 

Por Manuel Matos Monteiro

 

«Não encontro no texto de J.-M. Nobre-Correia uma resposta à única pergunta relevante nesta matéria: porque é o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 um instrumento melhor do que o anterior?» 

 

«Admirável Língua Nova – uma resposta a J.-M. Nobre-Correia»

 

Começo por saudar J.-M. Nobre-Correia pela coragem. O acordismo tem andado mudo. Ei-lo de volta.

 

Quem já leu e ouviu quilómetros de discussão em torno do assunto ficou, porém, desanimado. Mais uma vez. Porque o acordismo sistematicamente defende o Acordo sem conseguir uma coisa singela: apresentar motivos de defesa do que o Acordo introduz (ou mutila) na nossa língua. Há sempre desvios, tergiversação, evasivas, subterfúgios, tiros para todo o lado, mas nunca nada que tenha que ver com a redacção desse texto. Perdi a conta ao número de discussões sobre o dito que seguem o padrão (só mudam os matizes):

 

— Erros? Já havia antes… Homografia? Já havia antes.

— Mas agora há novos erros… E bem mais palavras homógrafas, algumas que dificultam a leitura…

— A ortografia é dos aspectos menos importantes…

— Porque fizeram o Acordo Ortográfico, então?

— O que nos deveria preocupar não é o Acordo, é a falta de leitura, os estrangeirismos, uma série de erros que damos, isto, aquilo e aqueloutro.

— Mas o Acordo não resolveu nenhum desses problemas e criou inúmeros problemas. Porque está a defender o Acordo, então?!

— Também há coisas absurdas com que não concordo nada…

— E porque nem essas se emendam?

— Nada é perfeito.

 

Os argumentos em favor da adopção do “novo acordo” só têm legitimidade se consubstanciarem respostas à pergunta: quais as vantagens do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90) perante o anterior? Tudo o que não diga respeito à comparação entre os dois instrumentos é, por conseguinte, usando uma expressão popular do Brasil, conversa para boi dormir.

 

Não encontro no texto de J.-M. Nobre-Correia uma resposta à única pergunta relevante nesta matéria. Repito-a com outra formulação: porque é o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 um instrumento melhor do que o anterior?

 

J.-M. Nobre-Correia nem sequer se digna de responder a algumas das inúmeras perguntas que foram feitas ou sequer refuta incongruências e graves defeitos que muitos estudiosos da língua portuguesa, provenientes de diferentes países, têm denunciado ao longo dos anos. Não deverá espantar-nos. Nem os próprios fautores do AO90 se deram a tal trabalho, havendo até livros explicativos do AO90, designadamente do seu principal mentor, que contrariam o próprio texto do AO90. O único documento oficial de defesa do Acordo será a sua própria Nota Explicativa, que não apresenta nenhum estudo e que tem valor científico, técnico e linguístico nulo, enquanto jura amor eterno às pobres criancinhas, que terão de aprender as consoantes roubadas pelo AO90 para falar e escrever inglês (e francês e espanhol).

 

O Estado português, que decidiu ignorar a quase unanimidade de pareceres negativos sobre o AO90, não propôs — impôs. Não convocou uma discussão pública nem tão-pouco apresentou justificações ao povo português, que, a avaliar por todas as sondagens conhecidas, é contra o AO90. Pior do que isso: o Estado português continua a não saber aplicar o AO90. Não está sozinho. Nos livros, no jornalismo, na academia, na comunicação escrita que garante adoptar o Acordo, encontramos a escrita tripla: um pouco do AO90, um pouco do AO45, um pouco de hipercorrecção do AO90. Se J.-M. Nobre-Correia quiser, far-lhe-ei chegar (privada ou publicamente, como preferir), todos os dias, grafias destrambelhadas que começaram a surgir depois da aplicação do AO90: “mição”, “núcias”, “fição”, “oção”, “inteletual”, “proveta idade”, “helicótero”, “fatos e contatos” aos pontapés, entre tantas outras. Bem como adulterações da própria língua inglesa: fator, eletronic, eletro, diretion, nomes de meses em inglês com minúscula.   

 

Esperava-se mais de quem é tão contundente na descrição dos que se opõem (publicamente, supõe-se) ao AO90: os “fetichistas da precedente ortografia”, a “autoproclamada intelectualidade” [quem se proclamou intelectual no exercício da crítica ao AO90?], a “autoproclamada “elite” persiste, no entanto, em escrever na antiga ortografia [vírgula que não está na versão em linha, mas está na versão em papel] marca para ela de pertença à “boa sociedade”, “esta mesma autoproclamada ‘elite’ purista”.

 

Homogeneizar um grupo tão vário é difícil, porquanto abrange diferentes faixas etárias, diferentes ideologias políticas e filiações partidárias, diferentes classes sociais, diferentes países. Sobra o insulto. Quanto ao mais, se o AO90 é “uma guerrilha largamente estéril”, não se compreende por que razão o autor decidiu meter a colher (e da forma que o fez…) na discussão.

 

 J.-M. Nobre-Correia decidiu que a “autoproclamada intelectualidade continua a guerrear o acordo ortográfico, mas fica indiferente perante a acelerada perversão da língua” e que: “Curiosamente, esta mesma autoproclamada ‘elite’ purista não diz nada da avassaladora invasão da terminologia inglesa na versão estado-unidense.” Reconheço, como outros, a avassaladora invasão de que o autor, justamente, fala, tendo escrito sobre isso ao longo dos anos. Mas que tem isso que ver com o AO90? Nada. Acaso quem é crítico do AO90 é tendencialmente favorável a essa invasão? Evidentemente, não. Posso enviar-lhe, caro J.-M. Nobre-Correia, um punhado de autores que criticam o AO90 e essa avassaladora invasão. (Não o fazem é no mesmo arrazoado, inventando tribos e putativos nexos de causalidade.)

 

Já que falou da importância de consultar dicionários, pergunto-lhe: está ao corrente da quantidade de palavras em que os dicionários e prontuários acordizados não se entendem quanto à presença do cê ou do pê, à sua ausência ou à dupla grafia, bem como quanto à presença ou ausência de hífenes nas locuções? Sabe que, consoante a fonte acordizada que consultar, encontrará diferentes respostas quantos às ditas “consoantes mudas” em não poucas palavras e quanto à presença ou ausência de hífenes em muitas locuções (e, por conseguinte, da presença de maiúscula ou minúscula em nomes próprios que integrem tais locuções)?

 

Como sempre, a defesa do acordismo desagua num desvio. Ainda não foi desta que escutámos (consegue, J.-M. Nobre-Correia, explicar-me a vantagem de o AO90 tornar este acento dispensável, facultativo?) argumentos fundamentados em favor do AO90. Misturar alhos com bugalhos parece ser a única forma de defender o indefensável.

 

Com excepção de lérias como “simplificação” (menos letras, menos acentos, menos hífenes não significa, de forma alguma!, maior facilidade de aprendizagem da escrita ou maior facilidade de leitura ou de clareza na mensagem, como demonstra o acento de “pára”, de que nem os acordistas abdicam); “evolução” (já mudámos antes, mudemos outra vez e tantas quantas forem necessárias, apenas porque isso é evolução!, desconhecendo-se que o AO90 tem características únicas, como a ortografia ir a reboque dessa mirífica “pronúncia culta”); “unificação” (é mentira, é mentira, é mentira), com excepção dessas tretas, dizia, não há, até hoje, um argumento sólido em favor do Coiso.

 

Deixo uma sugestão a J.-M. Nobre-Correia e a todos os leitores que se preocupam com a língua portuguesa. Procurem ler os resultados do projecto EILOS (Estudo sobre o Impacto na Linguagem Oral e na Sematologia – AO90), incluindo sobre a própria adulteração da pronúncia das palavras por parte dos discentes. Entre outros dados, leia-se: “33% dos alunos não distinguem o significado de receção e recessão (e 43% conhecem um deles); 73% não distinguem o significado de concessão e conceção (10% conhecem um deles); 60% não distinguem o significado de intercessão e interceção (16,6% conhecem um deles).”

 

Pós-escrito: para quem se proclama tão avesso a estrangeirismos, “constatação” e “constatações” são galicismos, e “em termos de”, um anglicismo.

 

Manuel Matos Monteiro - Autor, jornalista, formador e revisor

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2021/08/31/opiniao/opiniao/admiravel-lingua-nova-resposta-jm-nobrecorreia-1975831

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:04

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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021

Que as nossas crianças e jovens aprendam Inglês, Castelhano, Francês, porque, ao menos, saberão grafar correctamente essas Línguas

 

Uma troca de ideias, com o Professor A. Vieira, que torno pública, para que elas circulem, pois pode ser que alguém mais atento ou interessado nesta questão do AO90 (há milhares a dizerem-se contra, mas é talvez uma escassa dezena de pessoas que estão na linha da frente a lançar torpedos – bem fundamentados, é preciso sublinhar isto -  para manter a luta activa, até aparecer alguém que reúna todas as condições para ser candidato a Herói da Exterminação do AO90.

 

IMPOSSÍVEL.jpg

Nós, desacordistas, não temos nada a ver com esta invenção, porque nós não desistimos e, para nós, a palavra IMPOSSÍVEL não existe.

 

Dr.ª Isabel, como está? vou alinhavar em traços gerais aquilo que eu penso ser o "estado da arte" actual da nossa luta; assim, e em poucas linhas:

 

- Enquanto o "lobby" das Editoras de manuais escolares (e dicionários) continuar a "mamar" do M. E. é para esquecer qualquer possibilidade de operar um volte-face na nossa luta. Facto é que hoje em dia os jovens já quase não lêem livros (só quando são a isso obrigados), as mensagens que trocam (redes sociais, telemóveis, etc.) só as sabem fazer com abreviaturas (é mais rápido...e cómodo..!) são os tb. (também) pk (porque), etc., por vezes "trazem" para a nossa Língua termos tirados do Inglês, pela via informática (quantas vezes  eu lia "contracto"!!), e só dão prova que o nosso índice de literacia é cada vez mais baixo!! os argumentos que imputavam à "Outra Senhora" as causas do nosso atraso, o obscurantismo (!!)  a falta de sentido crítico "imposto" não passam de balelas, nada mais.

 

- Quando a Dr.ª Isabel critica a Classe dos Professores por nada fazerem para acabar com o AO 90, está a ser demasiado dura; não é que eu não deva ser solidário para com a minha antiga Classe Profissional, mas sei muito bem (e por um imperativo de consciência) que tanto a segurança do posto de trabalho como a garantia do salário no final do mês é que contam; para além disso, nenhum profissional do Ensino pode fazer o que quer que seja individualmente. E aqui, torno a trazer à baila aquilo que li há tempos atrás, quando a Associação de Professores de Português assumiu a posição de repensar o AO90 - e até torno a trazer à colação a célebre frase: dar um passo atrás para de seguida caminhar dois em frente (seria uma citação da célebre frase do Lenine?) “. Disto tenho eu a CERTEZA: só que depois ficou-se com a impressão de que "foi passada uma esponja" rápida sobre o assunto e nunca se ouviu falar mais no assunto. O que é que TERÁ ACONTECIDO?

 

Assim é de perguntar: quem "mexeu" os cordelinhos e barrou o caminho? quem é que por detrás da cortina "puxou o tapete”? A Dr. ª Isabel tem algum dado sobre este assunto? eu não tenho! é que lá estranho, muito estranho, isso foi! Houve forças "muito estranhas", garantidamente "tocadas" por interesses (todos imaginamos quais é que serão!) que não perderam tempo e mexeram-se logo.

 

- Torno a "martelar" na mesma tecla de sempre (e as vezes necessárias): só com um grande interesse ECONÓMICO ou um grande interesse a nível de PROTAGONISMO INDIVIDUAL" é que algum volte-face poderá ocorrer. pela via do primeiro, nada há a fazer, já concluímos (e as empresas não ligam "peva" ao assunto, têm outras prioridades); quanto ao segundo, só estou a ver qualquer intervenção NA ESFERA POLÍTICA. E já houve precedentes! duas: a proposta do candidato às presidenciais de 2017 Sampaio da Nóvoa (por puro eleitoralismo ??) e a iniciativa legislativa do PCP de Fev. de 2018 (por puro protagonismo?). Assim sendo, só vejo que em próximos actos eleitorais o assunto possa ser relançado. Mas só com um esforço colectivo, sendo que para isso, a criação de uma base de dados de indefectíveis anti-AO 90 é crucial, e por exemplo nas próximas eleições autárquicas, se houver um número substancial de candidatos aderentes a esta causa, a coisa poderá ser viável. Mas sempre com aderentes-entusiastas da ordem dos milhares, nunca menos. Para tanto, a criação da referida base de dados através do Facebook) é o passo a tomar. basta ser um tomar a iniciativa e em moldes convincentes. Como os Portugueses funcionam sempre em espírito de "Maria vai com as outras" é a única via possível.

 

Tirando isto eu não estou a ver o que mais se possa fazer DE CONCRETO. Contudo, faz todo o sentido que as duas iniciativas, o "Acordo Zero" e os autocolantes sigam em frente. Despeço-me, aguardando os desenvolvimentos respectivos.

 

Um abraço do

A. Vieira

 

***

 

Boa tarde, Professor A. Vieira,

Respondendo à sua mensagem:

 

- Concordo consigo, quanto ao lobby das Editoras mercenárias. Deviam ir todas à falência. Para tal, as Associações de PAIS deviam reclamar junto às escolas da mediocridade dos manuais, no conteúdo e na forma. Uma vergonha. E queimá-los todos à porta da escola. Se eu tivesse um filho a estudar, não permitiria que usasse tais manuais.

 

- Os jovens já não lêem livros porque o que lhes dão para ler é de uma pobreza e mediocridade gritante. A literatura infantil e juvenil está abaixo de zero, acrescentando-lhe a mixórdia ortográfica para a piorar. Mas a intenção dos governantes e dos que, hoje em dia, se dedica a traduzir e a escrever para crianças será a de formar os analfabetos funcionais do futuro.

 

- Que as nossas crianças e jovens aprendam Inglês, Castelhano, Francês, porque, ao menos, saberão grafar correctamente essas Línguas.

 

- A sociedade portuguesa está transformada num bando de tansos e mansos (a expressão não é minha) que não contribuem em nada para a evolução cultural do País.

 

- Critico e continuarei a criticar a classe docente, sabe porquê? Porque se se revoltassem, em BLOCO, contra a situação, até porque NÃO SÃO obrigados a aplicar o AO90, não haveria como instaurar processos disciplinares ou despedir tantos professores, porque seria irracional deixar milhares de crianças sem escola. O posto de trabalho NÃO estaria em causa, nem sequer o salário. E é óbvio que nenhum profissional, seja de que profissão for, não pode fazer uma revolução INDIVIDUALMENTE. Existem Associações de Professores que poderiam, SE QUISESSEM, fazer essa revolução, necessária e urgente, para acabar, de uma vez por todas, com esta fraude ortográfica, que impuseram aos inocentes alunos e aos que, muito servilmente, se apressaram a usar, sem o mínimo sentido crítico. Quando estamos diante de um absurdo deste calibre, a primeira pergunta a fazer é a seguinte: sou obrigado a fazer figura de parvo? E a resposta é: obviamente, NÃO! Mas como cada um sabe de si, optam por fazer o que mais condiz com a personalidade deles.

 

- Quanto ao que diz sobre a ANPROPORT - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PROFESSORES DE PORTUGUÊS, é bem provável que “alguém” mexesse cordelinhos para que tivessem desistido de dar um passo em frente. Mas ainda assim, deveriam ter dado esse passo, até porque não acredito que estivessem a ser dissuadidos sob a ameaça de uma metralhadora. E quando assim é, vai-se para a frente, porque ninguém poderá barrar uma multidão que tem como arma a RAZÃO. Até porque o mundo nunca avançou com gente que se esconde debaixo da mesa, quando alguém os intimida, fazendo de bicho-papão. Há que enfrentar os bichos-papões, e apontar certeiro para o calcanhar de Aquiles de cada um, porque todo os bichos-papões têm um calcanhar de Aquiles. É só QUERER. 

 

- Quanto ao que diz sobre o aparecimento de um outro grande interesse ECONÓMICO, é preciso ir mais além das palavras: é preciso uma ideia concreta sobre isso.

 

- Quanto a um grande interesse a nível de PROTAGONISMO INDIVIDUAL é pouco provável, devido à actual inexistência de BRIO. Tudo é feito sem profissionalismo, sem o mínimo interesse pelo requinte, sem o mínimo gosto em apresentar uma ideia inteligente, sem a mínima vontade de serem competentes no que fazem. O que interessa é o PODER, ainda que exercido mediocremente. Vivemos numa época em que predomina uma mediocridade extravagante, ociosa, apalermada. Já não há vergonha na cara, porque a cara transformou-se em careta. Não há palavra de honra, porque não há honra. Não há dignidade porque foi substituída pela falta de respeito por eles mesmos. Sampaio da Nóvoa, por interesses óbvios, transformou-se num defensor do AO90. O PCP não tem quórum para poder eliminar mostrengo.

 

- Posto isto, há várias vias para acabar com o AO90, tendo algumas de passar pelo QUERER dos que se dizem anti-AO90, mas, também dizem, que são obrigados! São obrigados a quê? A serem servis e submissos?

 

Uma outra via, e talvez a mais provável, é a de a Solução Final vir de fora para dentro, quando o AO90 estiver ainda mais podre do que já está, e os intervenientes estiverem falidos e os políticos, envolvidos nisto, totalmente na mó de baixo.

 

Entretanto, iremos continuar a lutar e a pôr em prática várias ideias.

Espero que nestas próximas eleições autárquicas, os anti-AO90 façam muita mossa àqueles que não pugnam pelos interesses de Portugal e dos Portugueses, no que à Cultura Linguística diz respeito.

 

E, meu caro Professor, para que esta nossa troca de palavras não seja completamente inútil (como foram todas as outras) vou dar-lhe publicidade, porque só assim as ideias circulam, e pode ser que alguém mais atento ou interessado nesta questão do AO90 (há milhares a dizer-se contra, mas são talvez uma escassa dezena de pessoas que estão na linha da frente a lançar torpedosbem fundamentados, é preciso dizer isto -  para manter a luta activa, até aparecer alguém que reúna todas as condições para ser candidato a Herói da Exterminação do AO90.

 

Com as minhas saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:19

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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2021

Quando ouço dizer que o AO90 foi “criado” por Portugueses, e que a Língua Portuguesa é uma “variante”, das duas uma: ou foram beber a fontes de águas muito turvas ou estão de má-fé

 

Comecemos pela criação do AO90, contando a verdadeira história, documentada, do negócio do AO90, uma ideia assente na Base IV do Formulário Ortográfico de 1943, ainda em vigor no Brasil.

 

Formulário Ortográfico de 1943.png

 

Sabendo, como sabemos, que a maior tragédia para Portugal, com a aplicação do AO90, foi OBRIGAR os Portugueses a grafar objetivo, teto, arquiteto, setor, fatura, adoção, direto, objecto, correto, etc., etc., etc., (pronunciando-se tudo isto com as consoantes antecedentes às não-pronunciadas, fechadas, se queremos pronunciar correCtamente) e uma infinidade mais de vocábulos, aos quais mutilaram as consoantes não-pronunciadas, mas com uma função diacrítica, vemos que em 1943, os Brasileiros começaram a escrever precisamente desse modo, como refere a Base IV, e apesar de terem assinado o Acordo Ortográfico de 1945, onde se pretendia unificar a Língua, mantendo-se as consoantes não-pronunciadas, deram o dito pelo não-dito e optaram por grafar os vocábulos mutilando-lhes os cês e os pês, à excepção de uns poucos, como aspeCto, excePção, recePção, infeCção, e as suas derivantes, que os Brasileiros pronunciavam e continuam a pronunciar. Porquê estes e não outros? É um mistério.


Para não se dizer que os Brasileiros não mexiam em nada, no que à grafia dizia respeito, pois se o AO90 mandava mutilar as palavras não-pronunciadas (como haveriam as crianças [e os
crianços, para contentar os que bradam pela linguagem inclusiva] de saber que direCtor tinha um , se não o pronunciavam, não é verdade?) e os Brasileiros já as mutilavam desde 1943, então decidiu-se mexer obtusamente nos hífenes e na acentuação, que têm a função de facilitar a leitura e compreensão das palavras, complicando essa mesma função e criando horrendos abortos ortográficos.  E os hífenes e a acentuação seriam a única mexedela na grafia para os Brasileiros, se aplicassem AO90, sendo a grande tragédia, para eles, a supressão do trema. E com toda a razão.

 

Uma investigação minuciosa e criteriosa, publicada pelo Jornal O DIABO em 05/12/2015, mostra, preto no branco, a negociata, que envolve o AO90, a qual está a conduzir à decadência da Língua Portuguesa, apenas porque uns “intelectais” (o termo é este mesmo) mercenários decidiram querer que sete países (Portugal, ) que mantinham e ainda mantêm, à excepção de Cabo Verde, uma ortografia normalizada, clara e escorreita, começassem a grafar à brasileira uma infinidade de palavras.

 

E para os que ficam com urticária quando se diz grafar à brasileira, é mesmo grafar à brasileira, porque, como se vê na imagem, a partir de 1943, os Brasileiros começaram a grafar objetivo, teto, arquiteto, setor, fatura, adoção, direto, objeto, correto (etc., etc., etc.), e, como aprendi a ler e a escrever no Brasil, era deste modo que eu escrevia estas e todas as outras palavras com consoantes não-pronunciadas. À portuguesa grafa-se objeCtivo, teCto, arquiteCto, seCtor, faCtura, adoPção, direCto, objeCto, correCto (etc., etc., etc.) abrindo-se as vogais, porque estas consoantes têm uma função diacrítica.

 

E, se bem que nada tenhamos contra a grafia brasileira (e que isto fique aqui bem claro) que pertence unicamente ao Brasil e aos Brasileiros, e faz parte da norma linguística da Variante Brasileira da Língua Portuguesa, a qual os políticos (não, os linguistas) brasileiros escolheram para o Brasil, não podemos aceitá-la como nossa, porque além de não ser nossa, retira Portugal do seu contexto Europeu, uma vez que a Língua de um Povo é a sua identidade, e nós não somos Brasileiros, e quem não quer perceber isto, só pode estar imbuído de muita má-fé.

 

Nesse artigo de fundo, O DIABO começa por dizer o seguinte:

 

«O projecto, nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss, foi desde o início um empreendimento com fins lucrativos, apoiado por uma poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portugal.

 

A ideia, é certo, nasceu na cabeça de um académico esquerdista, o brasileiro Antônio Houaiss, que contou em Portugal com o providencial auxílio do linguista Malaca Casteleiro. Viajemos, então, no tempo e procuremos a génese de todo o processo, que nas últimas três décadas tem enchido os bolsos a um grupo restrito de autores e editores.

 

O português mais distraído talvez pense que um colégio de sábios bons e eminentes terá decidido um dia, após longos anos de estudo e investigação, proceder à reforma do sistema ortográfico da Língua Portuguesae que os governos dos países lusófonos, tendo-se debruçado sobre o assunto com o auxílio ponderado de gramáticos e lexicógrafos, terão conscienciosamente aprovado essa tão bem preparada reforma. Mas o português distraído estaria redondamente enganado.

(…)

Segundo o testemunho do escritor português Ernesto Rodrigues, professor da Faculdade de Letras de Lisboa, publicado no seu ‘blog’ na Internet, “Antônio Houaiss e Malaca Casteleiro dinamizavam, desde 1986, um projecto de acordo ortográfico”. Este fora sugerido, em primeiro lugar, no ano anterior, por Houaiss, que até aí fizera carreira como autor de versões brasileiras de dicionários enciclopédicos e dirigira, havia pouco, um “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” (1981).

(…)

Em 1985, Antônio Houaiss era apenas um intelectual de esquerda com uma ambição: compor um dicionário da Língua Portuguesa que ombreasse com o famoso “Dicionário Aurélio”, da autoria de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, que desde a sua primeira edição, em 1975, já vendera até então mais de um milhão de exemplares. Mas Houaiss confrontava-se com uma “pequena” dificuldade técnica: para ultrapassar as marcas de Aurélio, o seu dicionário teria de galgar as fronteiras do Brasil e impor-se em todo o mundo lusófono como obra de referência. E para tanto era preciso “unificar a Língua”…

 

Esta é a verdadeira história da criação do AO90.

 

O artigo completo, onde se conta toda a negociata e fraude do AO90, investigadas pel’ O DIABO pode ser consultado neste link:

http://jornaldiabo.com/cultura/acordo-ortografico-negocio/

 

***

Vamos agora à dita “variante europeia” do Português:

 

Ouço muito por aí falar no Português de Portugal (que é, de facto e de direito, de Portugal, pois foi Portugal que lhe deu o nome e a forma) como variante europeia do Português. Só que, uma linguagem, que ascendeu a Língua, jamais poderá ser variante, se é a genetriz das variantes que por aí vão surgindo! Isto é como dizer que a Mãe da Isabel descende da Isabel, quando é a Isabel que descende da Mãe dela.

 

A Língua Portuguesa é O Idioma. O que se fala e escreve nos outros países, ditos lusófonos, é que são as VARIANTES da Língua Portuguesa. A Língua Portuguesa, se tem de ser chamada de “variante” que seja Variante Portuguesa do Latim, que é a genetriz das Línguas Românicas, na qual o Português se inclui. Mas essa variante já ascendeu a Língua, como a Variante Brasileira ascenderá, muito brevemente. 

 

Porque a palavra VARIANTE (o mesmo que dialecto  - há quem não goste que se diga isto, mas procurem nos dicionários e vejam o significado de variante e de dialecto) linguisticamente falando, significa uma DERIVAÇÃO que uma determinada comunidade ou povo criou a partir de um determinado Idioma, na pronúncia, na grafia, no léxico, na sintaxe, na morfologia, na semântica, afastando-se da raiz desse Idioma. Que foi o caso do Brasil, ou de Cabo Verde, com o seu Crioulo Cabo-verdiano, hoje língua oficial de Cabo Verde, ou de alguns ex-territórios portugueses da Ásia. E não cito os restantes países de expressão portuguesa, porque esses não desvirtuaram a Língua, apenas a enriqueceram com um léxico local e nacional.


Como é que a Língua Portuguesa é uma VARIANTE, se ela é a GENETRIZ de todas as variantes que se criaram a partir dela?

   

Não há meio de entenderem isto? Isto ofenderá o Brasil? Isto terá alguma coisa a ver com xenofobia e racismo, de que às vezes me acusam? Os que assim agem, desconhecem, por completo, o significado de variante, de racismo, de xenofobia.

 

Desconhecem igualmente o que passa no Brasil, onde um aluno português, ou inglês ou de qualquer outra nacionalidade, tem de aprender a escrever e a falar à brasileira, para poder estudar e ter boas notas nas escolas. E eu penso que essa exigência deve ser feita, de outro modo, numa turma onde estivessem várias nacionalidades, falar e escrever seria uma balbúrdia. Em Roma sê romano. É o que todos fazem, quando assentam arraiais em terras estrangeiras.

 

Surpreende-me ouvir falar da variante europeia da Língua Portuguesa, quando a Língua Portuguesa é simplesmente A Língua Portuguesa, a Língua que foi gerada em PORTUGAL, a Língua que identifica Portugal, que é um país europeu, que deu novos mundos ao mundo, e andou por aí a espalhar a sua Língua, a sua Cultura. Porque é que isto incomoda certos senhores?



Surpreende-me também que se recusem a LER, a investigar, a raciocinar, apenas porque têm medo de que lhes chamem xenófobos,  outra palavra mal aplicada neste contexto.

 

O que aqui está em causa não é o Brasil, nem os Brasileiros, nem a Variante Brasileira da Língua Portuguesa, nem o pseudo anti-brasileirismo, porque o anti-brasileirismo não existe. O que existe é um sentimento de preservação da NOSSA Cultura, que é riquíssima, tão rica como a dos Brasileiros.  

 

O que não há necessidade é de se FUNDIR as duas Culturas, porque são duas entidades diferentes, e que assim continuem, para que a riqueza de ambas perdure ad aeternum.

 

O que aqui está em causa é uma negociata idealizada pelo brasileiro Antônio Houaiss, que chamou à liça o linguista português,  Malaca Casteleiro,  que,   muito finoriamente (que Deus o tenha em descanso) lá conseguiu convencer os desinformados e complexados e subservientes políticos portugueses, tanto do PS (não esquecer que tudo começou com Mário Soares, depois José Sócrates, António Costa, Augusto Santos Silva) como do PSD (Aníbal Cavaco Silva, Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa) tão desinformados e complexados como os políticos marxistas brasileiros, entre eles Lula da Silva.

 

Talvez por vingança, ferido no seu brio, pelo insucesso do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, editado pela Academia das Ciências de Lisboa, que lhe mereceu muitas críticas, ou por outro motivo qualquer, João Malaca Casteleiro passou de linguista a negociante da Língua, conseguindo passar a mensagem de que este era um bom “negócio”.

 

Mas não foi. No Brasil ninguém lê autores portugueses, a não ser, obviamente, uma elite intelectual muito restrita; a Língua Portuguesa já não é ensinada nas escolas, substituíram-na por “Comunicação e Expressão”, que é para o que serve agora; o Grupo LEYA, com o fito de ganhar milhões, implantou-se no Brasil, mas já de lá saiu. Em Portugal, ninguém lê autores brasileiros, e nem sequer estão à venda nas Feiras dos Livros.

 

Há um muito insalubre virar-de-costas entre Brasil e Portugal, que o AO90 só veio agravar.

 

O que está aqui em causa é a ditadura do Acordo Ortográfico de 1990, imposta aos Portugueses pelos políticos, sem os consultarem, não tendo sequer em conta a opinião dos linguistas portugueses (por onde andarão eles? Emigrariam?) Não queremos o AO90, não serve os interesses dos Portugueses. Aliás, não serve os interesses de nenhum país da CPLP. Apenas serve os interesses dos poucos que encheram os bolsos à custa desta obscura negociata.

 

O caos ortográfico continua, cada vez mais agravado. O pacto de silêncio, por parte dos actuais predadores-mor da Língua (SS, PM, PR) continua. E na campanha eleitoral, em curso, ninguém aborda este gravíssimo problema nacional. Temos aí um novo ano escolar, com manuais cheios de erros ortográficos. As crianças continuarão a escrever e a ler incorrectamente, os pais não dizem nada, e resta um punhado de desacordistas a tentar salvar a Língua Portuguesa, em cima de um pedaço de madeira, em alto mar revoltoso. E isto é uma tarefa hercúlea. Mas havemos de conseguir matar o monstro.

 

E é assim que Portugal está orgulhosa e parvamente só, na aplicação de um “acordo” essencialmente político, tão político que está nas mãos do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto S. S. pôr ou não pôr fim a esta vergonhosa subserviência. Um dia, ele disse (está publicado algures): «Se eu quisesse acabava com o AO90. Mas não quero». Pois não quer. É muito cioso das obrigações que tem para com os estrangeiros, em detrimento das obrigações que tem para com os Portugueses e para com Portugal.  Querem atitude mais ditatorial do que esta? Isto não dirá tudo deste (des)acordo?


Penso que seria da racionalidade que, os que andam por aí sempre a criticar quem LUTA contra o AO90, apresentando actos e factos, deixassem o que não interessa, e se fixassem no fundamental:  exigir e obrigar o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro António Costa e o ministro dos Negócios DOS Estanheiros, Augusto Santos Silva, que têm como aliados e cúmplices os professores, a libertarem a Língua Portuguesa, que está perversamente agrilhoada ao mostrengo AO90.


Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:48

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Terça-feira, 14 de Setembro de 2021

«Abaixo a Ditadura Ortográfica!» - Um projecto de Amadeu Mata, no qual TODOS os que abominam o AO90 podem e devem participar

 

Em que consiste?

 

Consite em ostentar um autocolante (conforme a imagem exibe) na bagageira da viatura de cada desacordista, a fim de publicitar a nossa indignação contra a Ditadura Ortográfica imposta pelos sucessivos governos de Portugal. 

 

Informa-se que há a garantia de que o autocolante não danifica nem corrói  a pintura do carro.

 

O que vemos na imagem é a maqueta do autocolante e a sua aplicação na bagageira da viatura de Amadeu Mata, a qual já circula por aí a mostrar a indignação deste desacordista, que não tem poupado esforços na luta contra este atentado à identidade portuguesa, embora todo o seu trabalho esteja a ser feito nos bastidores.

 

Amadeu Mata enviou-me a maqueta e a ideia, solicitando a minha opinião.

 

AUTOCOLANTE e MAQUETA.png

 

Considerei a ideia brilhante. Gostei bastante, apenas fiz um reparo ao autocolante: não é só nas escolas e função pública que a ditadura ortográfica está a ser imposta. É também nas empresas (privadas e não privadas), nas televisões, nos jornais, nas revistas, e até parece que são todos organismos do Estado, ou então, não sendo, são meros servilistas e seguidistas sem o mínimo espírito crítico.

 

Diz-me Amadeu Mata que «a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) sobre o AO90 decide impor (ditadura) ao Ensino, à Função Pública e aos Organismos ligados ao Estado o AO90, não vincula o mesmo ao sector privado. As empresas privadas e também o próprio Estado, aparecem no processo do AO90, por influência e oportunismo dos políticos, como sempre se afirmou, através de interesses obscuros

 

Concordo totalmente com esta análise.

 

Obviamente que não ficaria bem, esteticamente falando, mencionar, no autocolante, todos estes servilistas e seguidistas, daí que o que lá vem, referido, estará em boa conta.

 

Contudo Amadeu Mata solicitou-me o seguinte:

 

«Informar os caros leitores do Blogue da iniciativa do autocolante e, se desejam aderir a este projecto, o mesmo está à disposição, basta enviar o nome e a morada. Caso queiram aderir mantendo o anonimato, vejam a foto e peçam a uma gráfica da localidade para o fazer. E se alguém considerar que o conteúdo do autocolante não é elucidativo ou convincente, então a alternativa é mandar fazer outro de acordo com a sua preferência. 

Salvo melhor opinião, aceitam-se sugestões para o endereço electrónico deste Blogue:

[isabelferreira@net.sapo.pt] 

Saudações desacordistas

AFMata»

 

A finalizar, Amadeu Mata faz estes votos:

 

«Como é do interesse de todos os desacordistas acabar com esta palhaçada, faço votos que TODOS adiram a esta ideia do autocolante, após a publicação no seu Blogue.»

 

Assim também eu espero.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:44

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