Segunda-feira, 28 de Junho de 2021

A questão não é quem é o “dono” da Língua Portuguesa. A questão é que nenhum povo, que a adoptou como “língua oficial”, tem o direito de a destruir e continuar a chamá-la de “portuguesa”

 

Considerações ao redor da Língua Portuguesa, que está na berlinda, por ser a única Língua do mundo abandonada à sua má sorte.

 

Nenhuma outra Língua foi tão açoitada como a Língua Portuguesa, que anda por aí mal-tratada, mal-ensinada, mal-escrita, mal-falada, graças ao mal-parido AO90, assente maioritariamente na grafia brasileira, e na falácia dos milhões de falantes, contra os milhares que a escrevem e falam correCtamente.

 

ACORDAI!.png

(Alusão ao belíssimo poema do poeta José Gomes Ferreira, Acordai! musicado por Fernando Lopes Graça, um hino à inércia de um povo que, placidamente, aceita a sua má sorte).

 

Carlos Reis, ensaísta e professor português, “especialista” em estudos queirosianos [?)] e defensor acérrimo do AO90, em 2015 (*) disse esta verdade de la palisse: "não temos de falar como os brasileiros". Na verdade, não temos. Mas também não temos de ESCREVER como eles. Ou temos?

 

Num artigo publicado no PÚBLICO, no passado sábado, sob o título «Académicos no Reino Unido debatem descolonização da língua portuguesa» (**), Luís Gomes, co-organizador e professor de Português na Universidade de Glasgow, diz o seguinte: «Em certa medida, ainda há uma sensação de que Portugal é o dono da língua portuguesa, quando, na verdade, a maior parte dos países que falam português têm mais falantes do que Portugal, salvo algumas excepções. É uma questão que está muito presa na língua portuguesa, mais do que noutras línguas, como o inglês”».

Contudo, o que é ser “dono” da Língua? Todas as línguas têm um berço: são filhas dos Países onde foram geradas.  A Língua é como aquele filho que, apesar de solto no mundo, e de ter gerado os seus próprios filhos, noutros lugares, não deixa de pertencer aos Pais que o conceberam, os quais não sendo os “donos” dele, são a sua raiz, a sua origem, a sua fonte, a sua alma, em suma, a sua genetriz.

 

Portanto, esta coisa de dizer que Portugal não é o dono da Língua, nem sequer se põe. Portugal não será o dono da Língua, mas a Língua Portuguesa é pertença de Portugal, o seu berço.  O berço da Língua Portuguesa não é, pois, nenhuma das ex-colónias portuguesas que ao adoptarem a Língua Portuguesa, como língua oficial, geraram as suas próprias variantes (filhas), e não há nada que possa mudar a circunstância genética da Língua, porque foi em Portugal que ela nasceu, como Língua Portuguesa, pela mão de Dom Dinis.  E isto é um facto que não pode ser desprezado. Daí que cada país deva ficar com a Língua ou variante da Língua que gerou.  

 

Porém, por conveniências político-jurídico-económicas, surge a ideia peregrina e delirante de que lá por existirem o tais milhões de falantes, que se apoderaram da Língua e a destruíram (porque de destruição se trata não tendo sequer esse direito), por serem muitos, há que impor aos milhares que a escrevem e falam correCtamente, nos quatro cantos do mundo, um mal-engendrado  acordo ortográfico, que apenas Portugal, cega e servilmente, tenta cumprir.   

 

Os milhares de Ingleses, ou Espanhóis, ou Franceses, que também espalharam pelo mundo as suas respectivas Línguas, jamais permitiriam que elas fossem desenraizadas e destruídas, apenas porque também é falada por milhões.

 

José Saramago.png

 

Como diz José Saramago (cuja memória está a ser insultada, com a acordização da sua obra) «Uma língua que não é defendida, morre».

 

Sabemos que a Língua Portuguesa está a morrer, e que a intenção é matá-la e enterrá-la de vez.

 

Estas são as vozes contra a extinção da Língua Portuguesa

 

O que andam a fazer todas estas vozes, que não as ouço gritar bem alto, contra esta infame tentativa de assassinato do nosso mais precioso património identitário?

 

***

Nota marginal:

 

Há quem ande no Facebook a dizer (porque serve os interesses acordistas)  que quem acredita, como eu, que um Acordo Ortográfico (mesmo que mal-amanhado, como foi este de 1990) consegue EXTERMINAR a Língua Portuguesa, não sabe nada de idiomas; e até me mande escrever poesia ou romances de terror, mas que não fale do que não sei.

 

Coitado, o que pretende, quem assim fala, é que eu não fale do que SEI, porque não lhe convém, nem a ele, nem aos que ele serve, sem a mínima cultura crítica.

 

A Língua Portuguesa  terá os dias contados, sim, nas mãos daqueles que acham que nada sei de idiomas. Na verdade, nada sei dos idiomas que desconheço. Mas sei da Língua Portuguesa e do que os seus predadores são capazes de fazer e de dizer para acabar com ela.

 

ACORDEM, Portugueses!

 

 

Isabel A. Ferreira

 

(*) ver notícia aqui
https://expresso.pt/sociedade/2015-05-12-Carlos-Reis-um-defensor-do-Acordo-Ortografico.-Nao-temos-de-falar-como-os-brasileiros

 

(**) ver notícia aqui

https://www.publico.pt/2021/06/26/culturaipsilon/noticia/academicos-reino-unido-debatem-descolonizacao-lingua-portuguesa-1968070

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:34

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Sexta-feira, 25 de Junho de 2021

«Portugal em Movimento contra o AO90 – Unidos pela Defesa da Língua Portuguesa» - eis o que faltava para dar a machadada final à inadmissível imposição ilegal de uma ortografia que nada tem a ver com a cultura linguística europeia

 

A ideia partiu do Paulo Teixeira, que vai coordenar os trabalhos.

 

«Citando A. Jackson (presidente dos Estados Unidos da América do Norte de 1829 a 1837, pelo Partido Democrata): «um só homem armado de coragem, vale por uma maioria». Nem mais. 

 

O Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa» está totalmente à disposição deste novo Movimento, para divulgar o que for necessário divulgar. Eu continuarei a aplicar o meu lema: «Contra o AO90, marchar, marchar



Porque já chega de marcar passo e de deixar que políticos ignaros, incompetentes, irresponsáveis e servis usem e abusem do poder que (ainda) têm, para impor a Portugal um “tratado” que nenhum dos países, ditos lusófonos, cumpre, por ser algo do foro da irracionalidade.

 

Deixo-vos com a carta onde Paulo Teixeira diz ao que vem.

 

Da minha parte, espero que as figuras públicas/mediáticas, que se têm manifestado publicamente contra a absurdez do AO90, saiam da sua zona de conforto e se disponham a usar da sua influência e mediatismo, para que Portugal possa, definitivamente, ver-se livre, deste pesadelo, gerado por gente que não sabe ser e, muito menos, não sabe estar.

 

Isabel A. Ferreira

 

Portugal em Movimento contra o AO90.jpg

 

Caros desacordistas,

 

É com enorme agrado e orgulho que vos contacto, em especial para vos felicitar pela corajosa opção de rejeitar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) na vossa vida!

 

O meu é nome é Paulo Teixeira, sou gestor comercial e, certamente, do mesmo modo que todos vós, abomino o AO90! É um bom começo e uma constatação feliz para todos, sim, mas não basta haver muitas pessoas como nós. Na verdade, e ainda que sejamos a maioria nesta batalha contra o AO90, partilhamos entre nós um grave problema que nos impede de ser bem-sucedidos: estamos todos a trabalhar isoladamente, cada um para seu lado, desorganizados e a cada instante mais desgastados e desmotivados...

 

Mas há dias tive uma ideia que abrandou as minhas preocupações e me encheu de motivação, um pensamento que bem delineado poderá transformar-se numa poderosa "ferramenta" contra o AO90. E então pensei: se o acordo continua de pé por culpa de estarmos desunidos e desfocados do cerne desta batalha, então a criação de um "grupo de trabalho" no Facebook com as pessoas certas pode ser o primeiro passo para convergirmos para o mesmo fim!

 

E quem são as pessoas certas, perguntarão? Para mim, são todas aquelas capazes de contribuir activamente com algo importante para o grupo e suas acções, em especial as figuras públicas de relevo, que se manifestam declaradamente contra o AO90! Se queremos vencer este atentado ortográfico, vamos precisar de toda a criatividade do mundo para chegar às melhores ideias, de muita energia para dar andamento às estratégias de ataque mais eficazes e do "peso" das maiores figuras públicas/mediáticas! E porque são as figuras públicas/mediáticas tão especiais? Porque são a "influência" perfeita para inverter tendências e mudar mentalidades! Actores, cantores, compositores, músicos, escritores, tradutores, professores, linguistas, comediantes, juristas, médicos! Todos juntos seremos imparáveis e capazes de derrotar a inutilidade que é o AO90! Todos juntos num lugar que, passo a partilhar, se encontra aberto no Facebook com o nome Portugal em Movimento Contra o AO90, em:

https://facebook.com/groups/pemcao90/

 

Dito isto, ficam desde já convidados a integrar este Movimento, pois acredito que a vossa presença, a par de tantas outras de renome, vai fazer toda a diferença na defesa e preservação da Língua Portuguesa! Conto convosco!

 

Muito obrigado pelo vosso tempo!

Com os melhores cumprimentos,

PAULO TEIXEIRA - coordenador deste Movimento.

pauloteixeiramailbox@gmail.com

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:17

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Terça-feira, 22 de Junho de 2021

Um alerta (vermelho) para Portugal e para o seu Povo, no que ao Ensino da Língua Portuguesa diz respeito

 

Se nada se fizer, daqui a cinco anos (poderá até ser menos) a Língua Portuguesa já terá desaparecido, porque os Portugueses e quem de direito, incluindo professores, pais, políticos, governantes, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” que têm a obrigação e o dever de saber escrever bem e falar bem, não souberam lutar por ela, e a próxima geração será a geração dos analfabetos funcionais, que estarão (já estando) na cauda da Europa (como sempre estiveram).

 

Alerta vermelho.png

 

Já em 2002, de acordo com o estudo “O futuro da Educação em Portugal”, apresentado pelo então Ministro da Cultura, Roberto Carneiro, se dizia que o nosso sistema educativo era «medíocre, quando comparado com os níveis internacionais» tendo Portugal, segundo o mesmo estudo, «um atraso de 200 anos, (…) 80% dos Portugueses não tinha mais de nove anos de escolaridade e (…) 60% da população estava satisfeita com o seu nível educativo».

 

Se a situação em 2002 já era péssima, e já estávamos atrasados 200 anos, desde então, as coisas pioraram substancialmente e o atraso será agora para cima de mil anos, com a introdução do AO90 e o colossal desleixo no uso da Língua nas escolas, nos livros escolares, nos livros traduzidos, nos livros publicados, na comunicação social escrita e televisionada, nas legendas de filmes, no rodapé das notícias, em todos os canais televisivos,  imperando em Portugal uma agigantada iliteracia, em que estão bem evidenciadas as dificuldades na escrita, na leitura, na capacidade de interpretação do que se escreve e também na oralidade, com tantas bacoradas, de bradar aos céus, que se dizem alto… E as pessoas que lêem, ou ouvem rádio ou vêem televisão têm o direito de exigir que se escreva e se expressem num Português correCto.

 

Para não falar nas desventuradas crianças que foram frequentar escolasm para terem um Ensino de Qualidade, como é do direito delas, e atiraram-lhes à cara o lixo ortográfico, base de toda a comunicação e de todo o Ensino, desde o básico ao superior! Mas quando temos "peixe graúdo" como um presidente da República, um primeiro-ministro, ministros e deputados da nação a falar e a escrever tão mal, nas páginas oficiais e nas suas redes sociais, e que deveriam dar o exemplo da boa escrita e da boa oralidade, esperar o quê  dos "mexilhões"? Poderiam, ao menos, ter vergonha, mas não têm.  



Não é apenas na Covid-19 que Portugal ultrapassa a linha vermelha.

 

No Ensino da Língua Portuguesa já se ultrapassou, faz tempo, todas as linhas vermelhas possíveis e imagináveis.

 

Daí que seja premente que todos os Portugueses e quem de direito:  professores, pais, políticos, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” e mediáticas acordem e se unam para exigir dos governantes e do constitucionalista-mor, que é o primeiro a não cumprir a Constituição da República Portuguesa, a anulação do aberrante AO90 e a reposição da grafia de 1945, não só nas escolas, como em TUDO o que mexe com o Idioma Oficial de Portugal, além de um Ensino de Qualidade, que nos faça acompanhar os níveis europeus.

 

Ou somos gente que sente, ou não somos ninguém!

Ou seremos apenas fantoches nas mãos de fantocheiros, a deambular por aí, sempre a dizer que sim, que sim… ?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:11

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Um alerta (vermelho) para Portugal e para o seu Povo, no que ao Ensino da Língua Portuguesa diz respeito

 

Se nada se fizer, daqui a cinco anos (poderá até ser menos) a Língua Portuguesa já terá desaparecido, porque os Portugueses e quem de direito, incluindo professores, pais, políticos, governantes, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” que têm a obrigação e o dever de saber escrever bem e falar bem, não souberam lutar por ela, e a próxima geração será a geração dos analfabetos funcionais, que estarão (já estando) na cauda da Europa (como sempre estiveram).

 

Alerta vermelho.png

 

Já em 2002, de acordo com o estudo “O futuro da Educação em Portugal”, apresentado pelo então Ministro da Cultura, Roberto Carneiro, se dizia que o nosso sistema educativo era «medíocre, quando comparado com os níveis internacionais» tendo Portugal, segundo o mesmo estudo, «um atraso de 200 anos, (…) 80% dos Portugueses não tinha mais de nove anos de escolaridade e (…) 60% da população estava satisfeita com o seu nível educativo».

 

Se a situação em 2002 já era péssima, desde então, as coisas pioraram substancialmente e o atraso será agora para cima de mil anos,  com a introdução do AO90 e o colossal desleixo no uso da Língua nas escolas, nos livros escolares, nos livros traduzidos, nos livros publicados, na comunicação social escrita e televisionada, imperando em Portugal uma agigantada iliteracia, em que estão bem evidenciadas as dificuldades na escrita, na leitura, na capacidade de interpretação do que se escreve e também na oralidade, com tantas bacoradas que se dizem alto… E as pessoas que lêem, ou ouvem rádio ou vêem televisão têm o direito de exigir que se escreva e se expressem num Português correCto.

 

Para não falar nas desventuradas crianças que foram frequentar escolas para terem um Ensino de Qualidade, como é do direito delas, e atiraram-lhes à cara o lixo ortográfico, base de toda a comunicação e ensino.



Não é apenas na Covid-19 que Portugal ultrapassa a linha vermelha.

 

No Ensino da Língua Portuguesa já se ultrapassou, faz tempo, todas as linhas vermelhas possíveis e imagináveis.

 

Daí que seja premente que todos os Portugueses e quem de direito:  professores, pais, políticos, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” e mediáticas acordem e se unam para exigir dos governantes e do constitucionalista-mor, que é o primeiro a não cumprir a Constituição da República Portuguesa, a anulação do aberrante AO90 e a reposição da grafia de 1945, não só nas escolas, como em TUDO o que mexe com o Idioma Oficial de Portugal, além de um Ensino de Qualidade, que nos faça acompanhar os níveis europeus.

 

Ou somos gente que sente, ou não somos ninguém! Ou seremos apenas fantoches nas mãos de fantocheiros, a deambular por aí, sempre a dizer que sim, que sim… ?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:00

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Sexta-feira, 11 de Junho de 2021

Ainda no rescaldo do dia 10 de Junho, em que se comemorou «(…) o Dia de Portugal, da Língua Portuguesa, de Camões e da diáspora»

 

Não podia estar mais de acordo com o que JPG  diz no texto

10 de Junho, Dia da Língua Portuguesa

publicado no Apartado 53 - Um blog contra o AO90 e outros detritos, e o qual transcrevo mais abaixo.

 

«Esta é uma data a celebrar, efectivamente, e que nada tem a ver, pelo que em caso algum deve dar azo a quaisquer confusões, por lapso ou contaminação propagandística, com o dia da língua brasileira, a 5 de Maio; esta outra data, totalmente alheia a Portugal, aos portugueses e à sua Língua, consiste numa série de eventos artificiais patrocinados por brasileiros, pelo político profissional António Guterres, por uma organização brasileira (paga pelo erário público português) a que resolveram os implicados chamar “CPLP” e por uma pequena seita de fanáticos brasileirófilos misturados com alguns sôfregos capitalistas e um grupinho de rapazolas para ir apanhar as canas e servir umas caipirinhas.» (JPG)

 

Haja quem diga a verdade verdadeira, que se espelha neste texto, de leitura obrigatória. É que o que mais irrita nisto tudo é os actuais governantes, nomeadamente aquele que deveria defender e cumprir a Constituição da República Portuguesa, e não defende nem cumpre, pensarem que TODOS os Portugueses são parvos. Se ao menos houvesse vergonha e honra!!! 

 

Isabel A. Ferreira

 

ILCAOflag.jpg

 

«Comemora-se hoje, 10 de Junho, o Dia de Portugal, da Língua Portuguesa, de Camões e da diáspora.

 

Esta é uma data a celebrar, efectivamente, e que nada tem a ver, pelo que em caso algum deve dar azo a quaisquer confusões, por lapso ou contaminação propagandística, com o dia da língua brasileira, a 5 de Maio; esta outra data, totalmente alheia a Portugal, aos portugueses e à sua Língua, consiste numa série de eventos artificiais patrocinados por brasileiros, pelo político profissional António Guterres, por uma organização brasileira (paga pelo erário público português) a que resolveram os implicados chamar “CPLP” e por uma pequena seita de fanáticos brasileirófilos misturados com alguns sôfregos capitalistas e um grupinho de rapazolas para ir apanhar as canas e servir umas caipirinhas.

 

Por exemplo (se bem que nestes casos exista um dever de observar alguma espécie de gravitas e de dignitas, dado o estatuto de algumas das pessoas em causa), CavacoMalacaSócratesBechara, LulaReisSantana Canavilhas contribuiram — cada qual a seu modo e na medida das suas possibilidades políticas e das respectivas “influências” — não apenas para esgalhar o AO90, essa arma de destruição maciça da Língua Portuguesa, como também para inventar a festarola sambística do “5 de Maio“. Esta invenção ocorreu primeiramente em 2018 (caramba!, há três anos, mas que coisa antiga, vetusta, cheia de tradição e verdete) e no ano seguinte, 2019, a UNESCO, sabe-se lá por que bulas e a troco de quê, resolveu puxar o lustro àquela bota “proclamando” essa mesma data como “Dia Mundial” da língua brasileira.

 

Coisa estranha, esta suspeitíssima manobra diplomática junto da UNESCO, visto que parece ser esse “Dia Mundial” da língua brasileira, precisamente, um caso muito raro ou único. Existe naquele organismo supranacional o “Dia Internacional da Língua Materna”, o que consubstancia um conceito radicalmente diferente, por genérico e abrangente, mas qualquer pesquisa (interna ou via Google) por “Dia da Língua” (ou por “language day”) devolve apenas um resultado, no que respeita a línguas de países historicamente colonizadores: além do tal “5 de Maio”, o “Day” da “bambochata” do “pôrrtugueiss universáu”, não existe qualquer “Day” para qualquer outra Língua nacional. À excepção, evidentemente, dos dias dedicados às línguas de trabalho oficiais admitidas na ONU: Arabic (18 December), Chinese (20 April), English (23 April), French (20 March), Russian (6 June) e Spanish (23 April). Estes seis casos justificam-se por aquilo que representam (línguas de trabalho da ONU), mas o dia da língua brasileira é o único a fintar essa lógica formal.

 

Dever-se-á talvez rever a definição do verbo “tresandar”. Isto já não é só uma história (muito) mal contada.

 

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Se a UNESCO e o próprio secretário-geral da ONU estão atolados em tão viscoso entroncamento de lamaçais, então estaremos não apenas perante uma das maiores burlas diplomáticas de sempre como vamos assistindo — muitos, com passividade ou indiferença — a um filme de encenação deprimente, péssimo guião, actores horríveis. Demasiado mau para ser verdade, de facto.

 

É hoje o único, o verdadeiro Dia da Língua Portuguesa. Eis uma certeza absoluta, séria e fiável.

 

Deixemos as alucinações para os imperialistas e os xenófobos, as mentiras para os desequilibrados e mitómanos, a verborreia para aqueles “intelectuais” em cuja cabeça apenas existe um preço escrito na testa.

JPG

 

MInha Patria.jpg

Público.png  A arte de transformar uma ILC-AO numa ILCalem-se

 

Imagine-se o ridículo: pedir à AR que recomendasse ao governo que pedisse à AR que revogasse uma resolução da própria AR!

 

Nuno Pacheco
“Público”, 10 de Junho de 2021

 

Não há inspiração camoniana (“Cale-se de Alexandre e de Trajano…”) no título deste texto, apesar de hoje, 10 de Junho, se celebrar Camões, a par de Portugal e das Comunidades. Não, o motivo é outro e nada tem de metafórico; pelo contrário, é literal. Expliquemo-nos: há um “cantinho” reservado aos cidadãos na Assembleia da República (AR); não para se sentarem, para isso há as galerias, mas para intervirem na actividade parlamentar. É um espaço virtual onde podem ser apresentadas três tipos de iniciativas: legislativas, petições e referendos. E ali se acolhe o que a lei e as regras (há um manual do utilizador, com 23 páginas) permitem. Dia 7, por exemplo, estavam lá três iniciativas legislativas de cidadãos (ILC, com 3393, 3101 e 543 assinaturas, respectivamente) e 36 petições. A mais “pesada”, de Abril, tinha 192.129 assinaturas (para afastar o juiz Ivo Rosa), a segunda 10.625 e a última apenas 3.

 

Mas, antes delas, uma outra ILC foi fazendo um longo e duro caminho até estar composta, aceite e pronta à votação. Se não tivesse esbarrado, antes, num muro. Falamos da ILC-AO, respeitante ao Acordo Ortográfico (AO90) e de que já aqui se falou mais do que uma vez (declaração de interesses: sou um dos subscritores). As raízes de tal iniciativa remontam a 2008 e centram-se no segundo protocolo modificativo do dito: “[o AO90] entrará em vigor com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa.” Isto, que muitos políticos acharam natural, foi um golpe inadmissível. Um acordo que envolve oito países (depois de se lhes juntar Timor-Leste) não podia entrar em vigor só com o “sim” de três; ou melhor, só poderia se todos os oito tivessem ratificado essa alteração de fundo. Só que, de facto, quatro nem sequer ratificaram o acordo, quanto mais os dois protocolos modificativos; e os restantes fizeram-no com métodos e em datas bastante duvidosas, como também oportunamente aqui se demonstrou em Agosto e em Dezembro de 2019. Mas a verdade é que a Assembleia da República aprovou, pela Resolução n.º 35/2008, de 29 de Julho, esse inominável segundo protocolo. Objectivo da ILC-AO? Que a AR o revogasse.

 

Nestes muitos anos, e enfrentando mudanças de leis e regras, a ILC fez o seu caminho. Foi recolhendo assinaturas, entregou-as em Abril de 2019 (21.206 validadas, feitos os acertos) e foi transformada oficialmente em projecto de lei, com o número 1195/XIII. Datada de 30 de Outubro de 2019, a Nota de Admissibilidade concluía: “A apresentação desta iniciativa cumpre os requisitos formais de admissibilidade previstos na Constituição, no Regimento da Assembleia da República e na Lei sobre a Iniciativa Legislativa dos Cidadãos. Tudo certo?

 

Sim e não. Porque depois o assunto emperrou. Em 6 de Novembro, baixou à Comissão de Cultura e foi como se tivesse baixado à terra, na acepção funerária do termo. Debateu-se, contrariou-se, pediram-se pareceres e… ignorou-se a Lei das ILC, a n.º 17/2003, que diz expressamente que o respectivo relatório e parecer devem ser elaborados no prazo de 30 dias e, esgotado tal prazo, a ILC deve ser agendada “para uma das 10 reuniões plenárias seguintes”. Ora o relatório/parecer só foi enviado ao Presidente da AR em 29 de Junho de 2020, com muitos 30 dias já gastos e só em 16 de Setembro de 2020 é que foi discutida em Conferência de Líderes, órgão ao qual cabe decidir a agenda do Plenário. E o que sugeriram os líderes em conferência? Que a ILC fosse transformada em petição. Imagine-se o ridículo: pedir à AR que recomendasse ao governo que pedisse à AR que revogasse a resolução da própria AR!

 

Como isto não tinha, nem tem, pés ou cabeça, a resposta foi “não”. Resultado: a ILC-AO continua lá, embalsamada, à espera, com as seguintes notas (claramente contraditórias): “Aguarda agendamento pela Conferência de Líderes”; e na linha abaixo: “Iniciativa não agendada por não estarem cumpridos os requisitos constitucionais, legais e regimentais para o efeito”. Tudo isto se resume a uma argumentação surreal: os cidadãos podem propor leis, mas leis não revogam resoluções; para isso, tinham de propor uma resolução; só que os cidadãos não estão autorizados, por lei, a propor resoluções; solução? A petição; que é pedir ao governo da nação que recomende a tal resolução que revogue a resolução. Há paciência?

 

Tudo isto é uma não-resposta. Lembra-me um conto de Hergé que li em miúdo, chamado O “Manitoba” não responde. O “Manitoba” era um transatlântico, silenciado por piratas. Terá o “Manitoba” encalhado em São Bento, transformando a ILC-AO numa ILCalem-se?

 

Nuno Pacheco

 

[Transcrição integral de artigo, da autoria de Nuno Pacheco, publicado no jornal “Público” de 10 de Junho de 2021. Destaques e “links” (a verde) meus. Cópia do artigo recebida por email.] (JPG)

 

Fonte:  https://cedilha.net/ap53/2021/06/10-de-junho-dia-da-lingua-portuguesa/#comment-area

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:37

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Segunda-feira, 7 de Junho de 2021

“Neo(i)logismos” – uma excelente lição de Português, por Bagão Félix, para os que têm a mania de imitar as falas de além-mar, entre outros “ilogismos”…

 

 «Como me dizia um bom amigo, cada canal da nossa TV é uma 𝑚𝑖𝑛𝑒𝑟𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑢𝑟𝑎 𝑖𝑛𝑒𝑥𝑎𝑢𝑟𝑖́𝑣𝑒𝑙 𝑑𝑒 𝑛𝑒𝑜𝑣𝑜𝑐𝑎𝑏𝑢𝑙𝑖𝑠𝑚𝑜𝑠 𝑎 𝑠𝑖𝑛𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑟, 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑐𝑜𝑏𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑑𝑢𝑟𝑎𝑠, 𝑎 𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑟!» (António Bagão Félix)

 

Língua Portuguesa.png

 

Por  Bagão Félix

 

EM PORTUGUÊS 

N. 40

 

𝑀𝑖𝑛𝑎 𝑝𝑎́𝑡𝑟𝑖𝑎 𝑒́ 𝑎 𝑙í𝑛𝑔𝑢𝑎 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑠𝑎

 

Fernando Pessoa

 

NEO(I)LOGISMOS

 

A televisão tem-se vindo a revelar uma incubadora privilegiada para a gestação de forçados ou pretensos neologismos da nossa língua. Por hoje, limito-me a exemplificar com algumas “novidades”.

 

Numa curta entrevista televisiva, e a propósito de uma notícia local, um presidente de câmara fez uma solene comunicação em que informava e comentava que, com subentendido mérito próprio, os seus munícipes iriam poder “ᴀᴄᴇssᴀʀ” (sic) a determinado benefício. É claro que, para dar essa informação, o erudito autarca poderia ter-se socorrido do verbo “aceder”, como qualquer praticante raso da nossa língua. Mas não o fez. A mania da superioridade na fala e na escrita tê-lo-á levado a um exercício de assinalável contorcionismo linguístico. Dir-se-á que, no português do Brasil, “acessar” é usado (por exemplo, acessar a Internet, acessar a conta), mas, em Portugal, além de soar mal, evidencia uma “inovação” que uma pessoa comum não entende (ou, quem sabe, se não ouvindo ou percebendo o “𝑎” inicial, fica com medo que algum benefício vá … cessar). E assim se lançou para as submissas ondas electromagnéticas da Televisão um verbo de legitimidade duvidosa, que não faz falta nenhuma na comunicação social, nem justifica registo nos nossos dicionários. Servirá somente para pretensa exibição, como a moda e o estilo em voga impõem.

 

Noutro dia, foi a vez de um apresentador de um programa, lançar para a luz do dia um novo verbo. Dizia ele, que “era necessário valorizar e … ɪᴍᴘᴏʀᴛᴀɴᴛɪᴢᴀʀ” (sic) um determinado assunto. Pronto: depois de priorizar, alavancar, elencar e outros que tais, surge a obsessão neologística de “importantizar” o que é ou não é importante. Isto se, entretanto, tal neófito verbo não for “ᴇᴜᴄᴀʟɪᴘᴛᴀᴅᴏ” (outro verbo inventado que já anda por aí, ainda por cima, com alguma injustiça para a árvore a que está ligado).

 

A propósito da vacinação, também tenho ouvido a expressão “os menores de 60 anos”. Confesso que fico confundido, porque sempre pensei que os menores não chegassem àquela idade. Tudo muda, e agora temos menores de 60 anos e maiores de 18 anos. Não se trata, evidentemente, de um erro, mas mandaria a clareza que se escrevesse e dissesse “pessoas com menos de 60 anos” em vez de “menores de 60 anos”. Com o aumento da esperança de vida, ainda se vai chegar aos “menores de 100 anos”, transformando Portugal num infantário, com a capital no “Portugal dos pequeninos”!...

 

Também por estes dias, ouvi, numa entrevista, uma pessoa querendo dizer, com orgulho e entusiasmo, que, no seu ofício, trabalhava com base no “estado da arte”. Esta expressão significa o nível mais avançado de conhecimento ou de desenvolvimento em determinada área e em determinado momento. Acontece que o entrevistado, por desconhecimento ou lapso, disse “estado da nação”. Como não houve rectificação, nem do próprio, nem da entrevistadora, fiquei a pensar por que razão não há estado de alerta linguístico nas exigências do actual estado de calamidade. E, de seguida, até percebi que confundir estado da arte com estado da nação é coisa que se vê todos os dias, num infindável estado de graça (ou “interessante”?).

 

Como me dizia um bom amigo, cada canal da nossa TV é uma 𝑚𝑖𝑛𝑒𝑟𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑢𝑟𝑎 𝑖𝑛𝑒𝑥𝑎𝑢𝑟𝑖́𝑣𝑒𝑙 𝑑𝑒 𝑛𝑒𝑜𝑣𝑜𝑐𝑎𝑏𝑢𝑙𝑖𝑠𝑚𝑜𝑠 𝑎 𝑠𝑖𝑛𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑟, 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑐𝑜𝑏𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑑𝑢𝑟𝑎𝑠, 𝑎 𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑟!

 

P.S. Nem sempre o domínio das Finanças leva ao domínio do bom português. Foi o que aconteceu ao nosso Ministro das Finanças que, em solene conferência de imprensa depois de uma reunião europeia no Centro Cultural de Belém, “solfejou” tempos de verbos no presente do conjuntivo, na sua forma preocupantemente invasiva nos nossos canais televisivos: "estêjemos" (em vez de estejamos) e "póssamos” (em vez de possamos). Sempre ladeado por um comissário europeu e outro ministro estrangeiro, foi felicitado, suponho que depois de um bom trabalho dos intérpretes. Como agora há quem diga mais eruditamente, 𝑣𝑒𝑟𝑏𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑟, em vez de tão simplesmente pronunciar dizer, falar, pensar ou referir, aqui o governante também verbalizou …, mas mal.»

 

Fonte:   https://www.facebook.com/antonio.bagaofelix/posts/10219079830175669

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:08

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Sexta-feira, 4 de Junho de 2021

«Pronome no lugar certo é elitismo - Eugénio Lisboa recupera um texto antigo com uma accolade ao Nuno Pacheco»

 

Quarta-feira, 2 de Junho de 2021

 

A minha opinião sobre o Acordo Ortográfico é simples e transparente: trata-se de um exercício tão monumentalmente fútil quanto dispendioso. Um formidável desperdício que nunca resolverá o problema que ostensivamente visa resolver: a “defesa da unidade essencial da língua portuguesa” (cito João Malaca Casteleiro e faço notar que ele não fala em “unidade ortográfica” mas sim em “unidade essencial da língua portuguesa”). 

 

Eugénio Lisboa.jpg

Fonte da imagem: Expresso

 

A minha questão é só uma: como é que a unificação, aliás relativa, da ortografia – que não passa de uma simples convenção de escrita (mas com implicações etimológicas graves!) – pode ambiciosamente significar “a unidade essencial da língua portuguesa”, quando a gramática e uma parte substancial do glossário não farão outra coisa que não seja divergirem alegre e abundantemente, entre os sete países da CPLP? Divergência aliás salutar, por significar maior diversidade e riqueza... Divergência que já existe e não fará senão crescer à medida que os anos passem.

 

É realmente extraordinário analisar, mesmo superficialmente, a futilidade dos argumentos que são apresentados com toda a pompa e circunstância normalmente ligadas a “assuntos de Estado” que implicam o futuro da “pátria” e da sua “imagem” em “areópagos internacionais”. Citemos ainda Malaca Casteleiro: “O segundo motivo”, pondera o ilustre campeador do Acordo, “relaciona-se com a política externa do idioma. Do ponto de vista internacional, a escolha entre duas ortografias oficiais pode levantar problemas diplomáticos delicados e mesmo insolúveis.” É curioso que possam surgir mas que até hoje não tenham surgido. Porém, todas estas aflições “diplomáticas” ficariam, segundo os apologistas do Acordo (entre os quais se inclui, enfaticamente, o actual Ministro da Cultura), resolvidas com a (relativa) unificação da ortografia. Internacionalmente (e diplomaticamente), desde que se escrevesse “fato” por “facto” e “afeto” por “afecto”, não teria qualquer importância que, em documentos ou relatórios ou livros, encontrássemos coisas como estas, que recolho, sem dificuldade, de apenas dois livros, de dois grandes nomes da literatura brasileira do nosso tempo: 

 

- “Não vou aqui me gabar – mas vi Luzes da Cidade mais de vinte vezes”; 

-“... King Vidor queria dizer tudo para nós, os intransigentes em cinema...”;

- “Imagino a inveja em que não se terão”; 

- “Quem sabe não sou tão ingénuo assim”; 

“...uma atriz apenas passável (...) que sente, na madureza, o impulso de rever e reviver os seus admiradores...”; 

- “Não faz mal ser convencional assim”

- “Impuseram-lhe a predominância ao científico...”; 

- “põe-se a imitá-la, jogando folhas secas na água”; 

- “Esses «anjos da cara suja» tornaram-se um tratado de caceteações ambulante”; 

- “para mostrar ao público como se o engana claramente”; 

- “Ela com aquele arzinho levemente preocupado, tão buscadamente preocupado, e ele com aquela mesma simpatia quarentona. Uma pinóia”; 

- “no muro de um cineminha de subúrbio”; 

- “Ficou com os calungas da Lanterna Mágica”; 

- “Bobagem querer convencer o filho de tal pai...”; 

- “Mudaram os truques mas a bossa é a mesma”; 

“Romance de Circo é uma joça”; 

- “Não é à toa que tanto literato agora deu para pintar”;

-  “Cinema, por exemplo, custa um dinheiro surdo”

- “Em lhe faltando o cujus, nada feito”; 

- “Só tenho vontade de pegá-lo e levá-lo a ir comer um tutu com linguiça na casa da gente”; 

- “Domingo mesmo, quando andei amolando Deus”

- “O público te paga para escrever, e você, em vez, fica a andar de bicicleta”; 

- “Eu também gosto de fita que tem índio e de fita que tem piratas”

- “Aí a moça dá um lenço dela para o mocinho que eu acho que estava resfriado”; 

- “Puxa, tem um duelo desgraçado no final de Robin com um outro cara, e o cara dá com a espada na cara do Robin”;

- "... mas tu não só podes pensar que eu estou mentindo, como há um sem número de gente que fica dizendo que eu estou é querendo me mostrar, fazer o farol, essa coisa”; 

- “Fui reto ao maître. Passei-lhe uma gaita gorda e ele me providenciou uma mesinha reservada bem perto dela”;

 - “Eu estou absolutamente disposta a esnobar ele. Eu acho que a gente deveria simplesmente começar a ignorar ele”; 

- “Qual você prefere? – perguntou o outro...”; 

- “O que fosse sugerido ele aceitaria em seguida”

- “Resolveu blefar”

-etc. etc. 

 

Destes dois livros de Vinicius de Morais e de Luis Fernando Veríssimo, seleccionei apenas alguns exemplos a esmo, os quais constituem menos do que a vigésima parte da colheita que poderia ter feito. Mas são exemplos mais do que significativos da profunda divergência, em termos gramaticais e de léxico, entre o português do Brasil e o português de Portugal. Divergências que aparecerão, gritantes, nos tais papéis dos areópagos internacionais e nas trocas de papelada entre chancelarias: e de modo tão evidente, que o pífio penteado ortográfico, em que tanto investimento se tem feito e se quer continuar a fazer, desaparecerá, pálido e insignificante, confrontado com a pujança divergente daquilo que constitui o cerne da língua – o glossário rebelde e a gramática impertinente. Pensar que um acordo ortográfico irá apagar as diferenças vitais e fundamentais – aquelas que realmente dão nas vistas – é não querer aceitar o óbvio. 

 

Dizia o célebre dicionarista americano  (1750 – 1811) que a sua gramática era baseada neste princípio sagrado: “grammar is formed on language, and not language on grammar”. Webster aceitava perfeitamente a distinção (que incluía a ortografia) entre o “American English”, a que chamava com orgulho, “Federal English”, e o inglês de Londres (que considerava afectado e com o qual não queria confusões). Quem já andou por embaixadas, sabe perfeitamente que muitos brasileiros só quando não podem é que não troçam do português europeu, que consideram antiquado e um pouco ridículo (dizer “casa de banho” em vez de “banheiro” suscita-lhes a vis trocista ao mais alto grau...) Talvez, por isto mesmo, um personagem de uma crónica deliciosa de Luis Fernando Veríssimo observe, jogando à defesa e olhando de viés para a construção gramatical portuguesa: “Pronome no lugar certo é elitismo”. Como se vai resolver esta atitude bastante generalizada entre brasileiros? Unificando (só em parte) a ortografia? Passando a dizer, como eles, “planejando”, “equipe”, “estrogonofe” e outras coisas assim? Tenhamos a coragem de admitir, de uma vez por todas, que há um português ortónimo – o que se fala e escreve em Portugal – e vários portugueses heterónimos (os que se falam no Brasil, em Moçambique, em Angola, etc.) Que se falam e que se escrevem. Apagar esta heteronímia, tentar fingir que o português é só um, por via de uma tímida e ridícula unificação ortográfica é querer tapar o sol com uma peneira. Acham, a sério, que se pode confundir uma uniformização ortográfica com a “unidade essencial da língua”? Que “E embolaram” é da mesma língua que diz: “E pegaram-se à zaragata”? A sério que acham? Num tá bom da bola! 

 

Eugénio Lisboa

 

P.S.: Quando me encontrava em Londres, como conselheiro cultural da nossa embaixada, fui convidado pela rádio da BBC, para um “mano a mano” com a minha homóloga brasileira, para que cada um de nós dissesse as suas impressões sobre o português falado no país do outro. Eu disse, do português do Brasil, todo o bem que achava – e sentia-o, e pensava-o! - : que era uma língua fresca, viva, permanentemente inventiva e acolhedora dos bons neologismos, em suma, sedutora. E por aí fora. Quando chegou a vez da minha colega, gastou ela o seu tempo todo a achar ridículo, arcaico e mesmo grotesco o português falado e escrito em Portugal. Como exemplo, entre outros, deu, rindo estrepitosamente, o dizermos “casa de banho” em vez de “banheiro”. Isto, perante um moderador inglês que dizia, na sua língua, “bathroom”, tal como nós, em português de Portugal... À snobeira (esnobeira em “brasileiro”) parola, a minha colega achou maneira de acrescentar, com desenvoltura, uma total e distraída falta de cortesia.

 

Fonte:

http://dererummundi.blogspot.com/2021/06/pronome-no-lugar-certo-e-elitismo.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:04

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Terça-feira, 1 de Junho de 2021

Celebrar o quê no Dia Mundial da Criança, em Portugal, quando se está a cometer contra elas um crime de lesa-infância, ao obrigá-las a escrever “incurrêtamente” a Língua Materna delas?

 

Infelizmente, em Portugal, os crimes de lesa-infância não se reduzem apenas a esta imposição absurda, de obrigarem as crianças a escrever “incurrêtamente” a Língua Materna delas. A fome, a pobreza extrema, as violações, a pedofilia, os assassinatos (demasiadas vezes perpetrados pelos progenitores), as desigualdades abismais, tudo isto são crimes inadmissíveis, numa sociedade do século XXI d. C..



No entanto, hoje, neste Blogue, ater-me-ei ao crime da Língua mal-ensinada, nas escolas portuguesas, com o aval de TODOS os governantes e do Presidente da República Portuguesa.

 

No outro meu Blogue, abordei os restantes crimes, perpetrados contra as crianças, que podem ser consultados neste link:

A HIPOCRISIA do mundo, neste Dia Mundial da Criança


 ***

«As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se» é um texto de Miguel Esteves Cardoso, reproduzido mais abaixo, datado de 2015, infelizmente, ainda muito actual, porque nada foi feito no sentido de pôr fim ao linguicídio e ao crime de lesa-infância que está a ser cometido, impunemente, por governantes, professores e pais.

 

É com ele que que “celebro” este dia dedicado às crianças, porque celebrar o Dia da Criança, com festas e festinhas, prendas e prendinhas, não as ajudará a NÃO SEREM as analfabetas funcionais do futuro, mal que não desejo para a nenhuma criança portuguesa.

 

O Português varêia.jpg

Origem da imagem -  http://pt.winkal.com/share/m/X9VO

 

Daí que seja urgente que se comece a dizer às crianças portuguesas, que estão a escrever à brasileira, e tal ortografia nada tem a ver com Portugal e com as raízes europeias da Língua Materna delas.

 

A Língua das crianças portuguesas é a Língua Portuguesa, com todas as letras no seu devido lugar, como no Inglês, por exemplo, Língua que muitas crianças portuguesas estão a aprender nas escolas, como segunda Língua, e baralham-se tanto ao ponto de já terem questionado: «Por que em Inglês se escreve direCtor, aCtor, objeCt, aspeCt, inseCt, colleCtion, adoPt, affeCtion, colleCtive, dialeCt, direCt, correCt, inspeCtor (etc.) e em Português (aquele que lhes estão a impingir nas escolas portuguesas), se escreve diretor (dir’tor), ator (âtor), objeto (objêto), aspeto (aspêto), inseto (insêto), coleção (col’ção), adotar (adutar), afeto (afêto), coletivo (col’tivo), dialeto (dialêto), direto (dirêto), correto (corrêto), inspetor (insp’tor), (etc.)?

 

(O que está entre parêntesis é o modo de ler das crianças que aprendem Inglês, porque elas não são estúpidas, como os governantes pretendem que elas sejam).

 

A esta pergunta simples e lógica há que responder-lhes, como eu já respondi à minha neta: «Em Inglês escreve-se desse modo, porque os governantes ingleses sabem Inglês, respeitam e defendem a Língua Inglesa, e não se subjugam ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias - os Estados unidos da América; e em Português escreve-se e lê-se desse modo, porque os governantes portugueses não sabem Português, não respeitam, nem defendem a Língua Portuguesa e subjugam-se ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias - o Brasil».

 

As crianças portuguesas, ao contrário do que os governantes portugueses acham (porque se conseguissem pensar achariam outra coisa) não são estúpidas e compreendem perfeitamente o que está a passar-se, basta explicar-lhes, tintim por tintim, a questão das três linguagens aqui envolvidas: a Língua Inglesa, a Língua Portuguesa e a ortografia brasileira.

 

Foi o que já fiz em relação à minha neta. E ela, obviamente, porque não é estúpida, entendeu perfeitamente, e perguntou: «Então estamos a aprender a escrever errado?».

 

Eu - «Erradíssimo».

 

Ela - «E agora?»

 

Eu - «E agora? E agora, mais dia, menos dia, irás aprender a escrever usando a tua Língua Materna, correCtamente (e vinquei bem o C), porque num futuro próximo, quando fores mais crescida, não pretenderás escrever incorreCtamente a tua própria Língua, que é uma Língua europeia e culta, trocando-a por uma ortografia sul-americana, que nada tem a ver com a Europa; e também a escrever correCtamente a Língua dos Ingleses, que não é a tua Língua, e também é uma Língua europeia e culta».

 

Fez-se um certo silêncio.

 

Contei-lhe, então, a minha história: a de ter aprendido a ler e a escrever no Brasil, à moda do Brasil, ou seja, usando a ortografia que agora estão a obrigá-la a aprender na escola, embora ela não esteja no Brasil; mas eu, era lá que me encontrava, desde os dois anos, e não tive outra opção. Com oito anos regressei a Portugal, e tive de reaprender a ler e a escrever a minha Língua Materna; e mais duas vezes fui e vim, vim e fui, e mais duas vezes tive de escrever e reescrever a Língua à moda do Brasil, e à moda de Portugal, durante a infância, a adolescência e parte da juventude.

 

Mas quando se é criança aprende-se e desaprende-se tudo muito facilmente. Só quem não está atento ao desenvolvimento das crianças, só quem não sabe nada sobre crianças, é que não sabe disto, o que parece ser o caso dos governantes portugueses e dos acordistas.

 

Portanto, os pais ou avós que se interessem realmente pelas suas crianças, devem dizer-lhes que estão a aprender a escrever incorreCtamente a Língua Materna delas, mas deverão aprender a escrevê-la correCtamente, fora da escola (na escola, por incrível que pareça, penalizam as crianças que escrevem correCtamente a sua Língua Materna) porque não seria justo saberem escrever a Língua Inglesa, com todas as letras que não se pronunciam (e são bastantes) e serem capazes disso; e não escreverem a Língua Portuguesa, com todas as letras que não se pronunciam, apenas porque um punhado de ignorantes as consideram mais estúpidas do que as crianças inglesas.

 

E isto não se faz.

 

As nossas crianças não merecem tamanha desconsideração.

 

Miguel Esteves Cardoso abordou esta problemática de um modo excePcional, e só posso fazer minhas as suas palavras.

 

Isabel A. Ferreira

 

 **** 

 

Texto de Miguel Esteves Cardoso  

 

O segundo acto

 

«Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

 

A jogada repugnante dos acordistas imperialistas — ignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

 

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se. Deseducando-as sistematicamente, conseguirão enganá-las facilmente. A ignorância é a inocência. Pensarão, a partir deste ano, que só existe aquela maneira de escrever a língua portuguesa.

 

Os adversários morrerão e predominará a inestética e estúpida ortografia de quem quis unir o "mundo lusófono" através de um Esperanto lusográfico que não tem uma única vontade colectiva ou raiz comum.

 

Como bilingue anglo-português, incito os jovens portugueses que falam bem inglês (quase todos) a falar português com a exactidão fonética, vinda do bom latim, da língua portuguesa. Eu digo "exacto" e "correcto" como digo "pacto" e "concreto". Digo "facto" como fact, tal como "pacto" como pact.

 

Falar como se escreve (ou escrevia) é um acto de rebeldia. Ler todas as letras é libertador. Compreender a raiz das palavras é conhecê-las e poder tratá-las por tu.

 

Às armas!

 

Miguel Esteves Cardoso»

 

Fonte:

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-segundo-acto-1696097?fb_ref=Default#/comments

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:55

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Sábado, 29 de Maio de 2021

«A Língua Portuguesa no seu melhor…»

 

«Porque alguém decidiu, por gosto ou conveniência (falta saber quantos milhões de euros saiu do erário público), alterar determinados vocábulos, eis a Língua Portuguesa no seu melhor…»  

 

Um texto de Amadeu Mata, que mata a pretensão dos políticos que nos desgovernam, e põe de rastos os seus muito leais e submissos seguidistas.

 

De leitura obrigatória.

 

Isabel A. Ferreira

 

José Barata Moura.jpg

 

Texto de Amadeu Mata

 

Porque alguém decidiu, por gosto ou conveniência (falta saber quantos milhões de euros saiu do erário público), alterar determinados vocábulos, eis a Língua Portuguesa no seu melhor…  

 

A evolução da Língua Portuguesa, segundo os acordistas tem destas coisas.

 

Como já não somos o país que deu origem à Língua Portuguesa, a partir de agora vai ser assim: 

 

No Brasil, final do século XIX, do ponto de vista político, interessou fazer uma simplificação abusiva do português, promovendo a diferença, aproximando-o do crioulo então praticado pelos analfabetos.  

 

Depois de criados, o hábito de uma escrita desigual, agora é difícil conseguir um entendimento.


Com o argumento de que a esmagadora maioria pratica este português simplista, os políticos (outra vez eles) não se importam de colonizar a meia dúzia (10 Milhões) de falantes deste lado do Atlântico.

 

Não percebo como é que por um lado se privilegia a diferença, (são os mesmos), e por outro se elogia a uniformização. 

 

Será que o Professor Malaca Casteleiro nunca ouviu falar na regra gramatical das consoantes mudas que servem para indicar que as vogais que as antecedem devem ser pronunciadas abertas?  

 

Se não escrevermos o “c” em “director”, em vez de pronunciarmos “dirétor” teremos que pronunciar “dir’tor – “e” fechado e tantas outras palavras como por exemplo objectivo, activo, actual, etc., etc. ... 

 

Porque se há-de tirar o ‘c’ da palavra “acto”? Para ficar “ato”, igual ao “ato” do verbo “atar”?  

 

Por causa dos acordistas cortarem os “c” e os “p” a eito, deu origem a vocábulos inexistentes na Língua Portuguesa. 

 

Recepção por (receção), decepção por (deceção) excepção por (exceção), espectador por (espetador)…etc., etc.,   palavras estranhas à Língua Portuguesa de Matriz indo-europeia

 

 “Facto” passar a “Fato”? – Não, o “c” até nem é mudo, pronuncia-se.


“Pacto” passar a “Pato”? – Não, nunca, o “c”, além de não ser mudo, pronuncia-se.

 

“De fato está cagado” e não “de facto o cágado”, ou “de fato é corruto” e não “de facto é corrupto”, ou passar a mão pelo pelo do cão e não “ passar a mão pelo pêlo do cão”.  

 

Como poderemos distinguir os tempos presente e passado em formas verbais como “acabamos”, presente, e “acabámos”, passado, já que de uma assentada, os acordistas em todas as palavras acentuadas na penúltima sílaba retiraram o acento?

 

À conta do aborto ortográfico já anda por aí muito boa gente a pronunciar da mesma maneira as duas formas verbais, com a respectiva confusão inerente, e o manda-chuva do AO90, o SS cometeu este erro, numa entrevista dada à TVI e ficou admirado, por ter sido chamado à atenção, pelo entrevistador da “patacoada” pronunciada, isto só denota a falta de cultura, prepotência e respeito deste senhor.  

 

 Afinal, qual é o Património Imaterial mais importante de uma comunidade?

 

É seguramente, o instrumento de comunicação, a LÍNGUA, as pessoas de bom senso e carácter assim o reconhecem e exigem. 

 

Bagão Félix.png

 

Os “iluminados” usam o argumento da palavra “pharmacia”, que passou a “farmácia”, para justificar o recente acordo ortográfico… Mas esquecem que essa grafia partiu de iniciativa nacional, e não externa, no ano de 1945!

 

Tratou-se de substituir o fonema grego PH, pela letra do NOSSO alfabeto latino F (com o mesmo som). [Fernando Pessoa escrevia pharmacia, mas Fernando, e não tinha razão de ser]. 



 Também à revelia de todos, entre os quais os maiores especialistas da Língua, os escritores, os poetas e os “usuários” utilizadores da Língua em geral, fizeram alterações arbitrárias à maneira de escrever o Português, com a cumplicidade oportunista de muitos. 

 

 “Coscuvilheiro/a” passou a “Cusco/a”. “Coscuvilhice” passou a “Cusquice”. Isto é evolução.


Com o advento da informática e os computadores mais antigos a não reconhecerem correctamente os acentos, as pessoas habituaram-se a “esquecê-los”, sobretudo no serviço do “messenger”, do “MSN”, e nos velhinhos “Mirc” e “Chat”, que desconfiguravam os acentos, e o mesmo se verificava nos primeiros telemóveis no serviço de mensagens escritas.

 

Para poupar tempo e espaço, os mais jovens inventaram uma escrita estenográfica, que a maioria dos adultos não entende, mas ninguém condena esta tendência, a não ser quando se trata do ambiente escolar, obviamente!  

 

Será isto  evolução da língua, ou  dentro de anos teremos como oficial uma escrita abreviada para algumas palavras: “Que” passará a “K”; “Quê” passará a “Ke”; “Porque” passará a “Pk”; “Porquê” passará a “Pke”; “Queres” passará a “Keres” ou “Kers”; “Achas” passará a “Axas” ou “Axs”; etc., etc., etc..

 

Foi um escândalo quando passou a constar a palavra “bué”, de origem africana, no Dicionário da Língua Portuguesa!  

 

Considera-se uma aberração, mas quase todos se habituaram a dizê-la, mas há muita gente que não a diz nem a escreve, talvez apenas por não gostar mesmo da palavra. É considerada um africanismo, porque não? Isto é evolução.

 

A palavra “computador” apareceu no nosso dicionário há pouco mais de 25 anos, e é um estrangeirismo, anglicismo (“computer”). Isto é evolução.

 

Agora já temos, também no dicionário, “software” e “hardware”, anglicismos, que não conseguimos arranjar palavras em Português para adaptação. Isto é evolução.

 

Quase todos usamos, em informática, o sistema operativo “Windows”, e ninguém teve a ousadia de traduzir para “Janelas”, seria uma comédia. Isto é evolução.

 

Quando apareceram os “Compact Disc”, ainda houve algum tempo em que se pronunciava o anglicismo, mas passou a dizer-se naturalmente disco, e a designar-se o “velho” disco como “disco de vinil”, e depois agarrou-se o (ainda actual) “CD”. Isto é evolução.

 

Quando apareceram os filmes em CD de grande capacidade, designados “DVD”, ninguém tentou contornar o acrónimo e em todo o mundo diz-se DVD. Isto é evolução.

 

Muita gente não deve saber que a palavra “etapa” é um galicismo, estrangeirismo de origem francesa. Nas competições de ciclismo ninguém se dá ao trabalho de substituir esta palavra. Isto é evolução.

 

O que dizer dos anglicismos desportivos? Futebol, Basquetebol, Andebol, Voleibol (que já se diz e escreve Vólei), Hóquei, Ténis, Beisebol, Râguebi (que ainda há quem teime em dizer “reibi”, ou “reiguebi”). Isto é evolução.  

 

Os espanhóis ainda se deram ao trabalho de traduzir algumas, como “Balomano”, “Baloncesto”, e nos Estados Unidos da América chamam ao verdadeiro futebol de “soccer” (lêem “sóquer”)! Manias.  

 

No Brasil até se diz “futchibó” (eles chamam a esta palavra evolução)!


Tendo em conta a quantidade de povos e civilizações que passaram pela Península Ibérica e a povoaram, deixando vestígios ao nível da escrita e alguns ablativos, ninguém pode afirmar que a nossa língua ficou ou quer ficar estática.  

 

Temos escrita alfanumérica de origem árabe e romana, palavras de origem árabe, castelhana, anglo-saxónica e africana, por exemplo, e agora querem chamar-nos de “velhos do restelo”, “atrasados”, “preguiçosos” por sermos uns chatos que não queremos “apagar” umas consoantes e uns “h” mudos, que nunca chatearam ninguém, quando afinal os brasileiros têm o “timi”, que escrevem “time” e dizem “tchimi”, um anglicismo (“team”), enquanto nós dizemos e escrevemos “equipa”, um galicismo (“équipe”); eles dizem e escrevem “copa”, um anglicismo (“cup”), enquanto nós dizemos e escrevemos “taça”;  

 

Eles dizem e escrevem “torcida”, nós dizemos e escrevemos “adeptos”; eles dizem “vai ‘txi’ cátá”, enquanto nós dizemos “vai à merda”; eles dizem “panaca”, enquanto nós dizemos “panasca”, e afinal eles é que têm uma letra a menos!

 

Eles chamam de “galera” ao público dos concertos, nós usamos essa palavra no que se refere a camiões TIR!  

 

E por falar em CAMIÕES, eles ainda dizem “CAMINHÕES”, que pode remeter para o verbo caminhar! Para esta palavra não quiseram acordo ortográfico! 

 

 Nós dizemos e escrevemos BILIÃO, que no nosso sistema de contagem vale muito mais que Mil Milhões, enquanto eles dizem “Bilhão” (que mais parece uma bilha muito grande), e lá, vale o mesmo que cá,  Mil milhões! Para esta palavra também não quiseram acordo ortográfico!



Nós dizemos “stress”, embora escrevamos “stresse”, eles dizem “istressi” e escrevem “estresse”. Não quiseram acordo ortográfico!


Por acaso alguém deixou de escrever “Humidade”? “Hoje”? “Homem”? “Horta”? “Hábito”? Claro que não! Se eles omitem o “H” isto é lá com eles, mas respeitem as diferenças dos outros oito países de expressão portuguesa: Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor e até mesmo Macau e Goa. 

 

Na palavra Egipto não se pode eliminar o “p”, porque se pronuncia! Todas as pessoas que se prezam,  a pronunciam, se assim não fosse os seus habitantes não se chamariam Egípcios mas sim Egítios  ou Egícios ou outro nome qualquer ao sabor dos acordistas.

FACTO e CONTACTO  permanecem FACTO e CONTACTO, e não passará a “FATO”e CONTATO, como se vê escrito por toda a comunicação social, incluído no diário da república, jornal oficial do Estado, o que  é muito grave,  denota  que os deputados da Nação e os correspondentes órgãos de soberania, estão-se nas tintas para a sua leitura, e como  responsáveis deviam dar o exemplo, chamando à atenção para estas situações. 

 

Já dizia Voltaire: “É muito perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas (regime autoritário) estão comple­tamente equivocadas.”  

 

É muito perigoso ter razão quando se denunciam palavras substituídas por outras ao sabor dos acordistas, a saber: 

 

Recepção por receção, e a palavra recessão! 

Concepção por conceção, e a palavra concessão. 

Etc., .etc. …  

 

Quando o sábio aponta a Lua, os idiotas olham para o dedo... Isto para dizer o quê? Sempre que alguém divulga estes crimes de lesa-língua, as pessoas atacam o denunciador e deixam os infractores em paz, isso só acontece num governo de faz de conta mais os seus súbditos delatores. 

 

Os verdadeiros responsáveis são os políticos e um sistema de justiça que apenas anda preocupado com os anjos e se têm ou não sexo....  

 

Quem cala consente, é bem verdade, e quem vota nestes partidos acordistas ps e psd e cds e BE, que fazem isto há anos, é cúmplice. 

 

O que eu penso é que este Acordo é uma grande merrda – com dois erres, que é como os brasileiros pronunciam! 

 

O que faz sentido é respeitar a evolução das grafias dos vários países e plasmá-las no papel.  

 

Segundo dizem os defensores do Acordo Ortográfico (aborto) ninguém é dono da Língua, mas sempre que o dizem (políticos) estão a tornar-se donos dela, com a agravante de o terem imposto à viva força (Estado, especial incidência à Educação).  

 

Não sendo ninguém dono da Língua, é preciso respeitar as especificidades dos vários donos, a Língua é a coisa mais livre que há, façam o favor de não a aprisionarem.  

 

Inventou-se um problema real que não existia, e enquanto não se acabar com ele, andaremos sempre a tropeçar e a viver nesta mixórdia inventada por analfabetos. 

 

A verdade é só uma: fizeram o AO90 porque já havia o plano de encherem Portugal de Brasileiros e assim também é mais fácil para os estrangeiros aprenderem porque não há referências etimológicas — que agora se calhar até as consideram fascistas e autoritárias. 


Isto é um produto deliberado da canalha miserável que governa este buraco — e da rataria subserviente que a apoia.  

 

E só vai lá com uma guerra entre os bons e os maus.  

 

A forma como falam os brasileiros é cheia de gerúndios, pronomes trocados e palavras desconhecidas. E é esta, a língua imposta aos portugueses…

 

Não quero ir ao dicionário quando comprar um produto para descobrir o que é “pimbolim”, cardaço, planilha, bate-papo, e muitos mais. 

 

Como todo o processo da mixórdia ortográfica vem de gente analfabeta, que cozinhou toda esta esta tramóia, temos de acabar com este sistema de coisas que coloca o PODER ABSOLUTO nas mãos da Maçonaria e dos Partidos Políticos (constituídos maioritariamente por maçons), enquanto o Povo não passa da massa ESCRAVA que sustenta tudo isto.  

 

Temos de acabar com o PODER CENTRAL, arrancar os Municípios das mãos da corrupção e entregá-los aos HOMENS BONS, sérios e honrados, que, juntamente com as famílias de cada Município, irão recolocá-los no caminho certo.» 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:17

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Quinta-feira, 27 de Maio de 2021

Por via da “igualdade de género” a moda do “ele e ela” afinal, não é para “todos e todas”…

 

Se dermos uma voltinha pelas redes sociais, para tomar o pulso à linguagem que por aí anda disseminada, deparamos com a piroseira de que fala Miguel Esteves Cardoso, nesta imagem, cuja consulta do link, aconselho vivamente:  

https://portugalglorioso.blogspot.com/2016/02/portuguesas-e-portugueses-e-uma-estupidez.html

 

miguel_cardoso_portugueses.jpg

 

Além disso, ninguém leva a sério alguém que fale assim, como diz Ricardo Araújo Pereira, neste outro link, que também sugiro que consultem:

http://portugalglorioso.blogspot.com/2016/05/ricardo-araujo-goza-com-bloco-esquerda.html

 

ricardo_cartao_cidadao.png

 

E se tivermos em conta o que se passa com as inúmeras greves que vão agitando as águas da política em Portugal, haverá alguém que diga:

 

Greve dos Enfermeiros e das Enfermeiras

Greve dos Professores e das Professoras

Greve dos Juízes e das Juízas

Greve dos Bombeiros e das Bombeiras

Greve dos Funcionários e das Funcionárias públicos e públicas

Greve dos Funcionários e das Funcionárias judiciais

Greve dos Polícias (ou dever-se-á dizer Polícios) e das Polícias

Greve dos Guardas (ou será Guardos) e das Guardas prisionais

Greve dos Médicos e das Médicas

Greve dos Notários e das Notárias

Greve dos Trabalhadores e das Trabalhadoras dos Impostos

Greve dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Carris

Greve dos Funcionários e das Funcionárias dos Serviços dos Estrangeiros e das Estrangeiras e Fronteiras…

 

Então? Em que ficamos?

 

Mas há quem diga que dizer “meus caros amigos facebookianos” ou dizer “boa noite a todos” ou “os que estiveram na manifestação” é apoucar as mulheres, desconhecendo que uma coisa é pugnar pela igualdade de género, no que diz respeito a direitos (e apenas a direitos e não a uniformidades de ser, estar ou sentir), e outra coisa é usar o feminino e o masculino, e desprezar o nome colectivo, num discurso, apenas porque haverá algumas “mulheres” que se sentem diminuídas porque não as destacam do GRUPO de seres humanos, que inclui o feminino e o masculino.   

 

Ora isto é um grande disparate, que está a generalizar-se, e a tornar os discursos e textos numa parvoíce tal, que só diz do subdesenvolvimento mental de quem assim procede.

 

Aqui há tempos, chegou-me às mãos um comunicado da Câmara Municipal de Palmela a dizer o seguinte, e tentem ler o texto alto, fechando igualmente as vogais das palavras assinaladas, porque é fechadas que devem ser lidas, segundo as vigentes regras gramaticais, para que possam alcançar o efeito deste tipo de linguagem aparvalhada:

 

(os erros ortográficos estão assinalados, porque estamos em Portugal e a ortografia vigente é a de 1945, por não ter sido revogada).

 

«Voluntárias/os ajudaram a embelezar o Centro Histórico de Palmela

 

A 6.ª edição do projeto “2 (de)mãos por Palmela”, realizada a 18 de maio, juntou seis dezenas de voluntárias/os, que ajudaram a embelezar o Centro Histórico de Palmela.

 

Com a ajuda de todas/os, foi intervencionada, com trabalhos de pintura, uma área de quase mil metros quadrados, que incluiu o Centro Histórico de Palmela e os muros da Alameda 25 de Abril, da Fonte do Carvacho, da estrada nacional, em direção a Centro Histórico de Palmela (acima da Fonte) e do Largo do Passo da Formiga.

 

O Município de Palmela agradece a colaboração voluntária de todas/os as/os que participaram neste “2 (de)mãos por Palmela”, que contou com o envolvimento do Grupo de AEP40 (que, desde o primeiro momento, participa na atividade), do Centro Histórico de Palmela, da Magjacol, a par das/os cidadãs/ãos da comunidade, que se associaram a esta jornada no Centro Histórico de Palmela.

 

Leiam alto: Todas/os as/os. A par das/os cidadãs/ãos.

O que é isto? Que linguagem horrorosa é esta?

 

Já agora, o Grupo de Escuteiros, seguindo este raciocínio arrevesado, não teria de se designar Grupo de Escuteiros e de Escuteiras?

 

Isto é algo surrealista.  

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:44

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