Segunda-feira, 3 de Agosto de 2020

«Quem acode ao “mayday” (*) do AO90?»

 

Um texto do Professor (aposentado) Manuel Alte da Veiga, de leitura absolutamente obrigatória, para se ficar com a noção do tamanho do crime que o AO90 constitui, e do qual já Vasco Graça Moura tinha dado conta. Aliás, todos os que têm um cérebro saudável e activo sabem e gritam isso mesmo. Apenas as mentes mirradas teimam no erro.

Mas fiquemos com o que nos diz Manuel Alte da Veiga.

 

Vasco Graça Moura.jpeg

 

Por Manuel Alte da Veiga

 

«Quem acode ao “mayday” (*) do AO90?»

 

«O grito até aumenta, mas parece que as pessoas andam perdidas sem saber o que fazer. O temerário voo do AO90 espalhou destroços por toda a parte. Chega-se a preferir que os gritos se cansem ou morra de tristeza e desespero quem na verdade quer alertar para essa poluente combustão sob montes de lixo, que revolta e entristece quem vê as fagulhas traiçoeiramente corrompendo a riqueza da Língua Portuguesa.

 

Faz parte do renascido movimento dos iconoclastas: contra os símbolos de importantes momentos da História, desde os mais nobres aos mais condenáveis. Capazes de destruir tanto a história de Luther King como a dos campos de concentração. Capazes de vandalizar a assombrosa obra de arte que une todas as pessoas do mundo: a linguagem.

 

Faz parte do poluente fogo lento que facilitou a Covid-19: ninguém é responsável de nada, porque se destruiu a noção de trabalho responsável – e que o trabalho de cada pessoa é sempre devedor do ambiente natural e humano que herdámos para dele cuidar.

 

Covid-19 exibiu a destruição das qualidades do ar, da terra e de tudo o que é vivente, aniquilando as forças espirituais que impulsionam e unem a Humanidade. E assim se destrói o sentido e a beleza da nossa Língua.

 

Quando a gente se submete de mão beijada, cada vez mais essa mão nos obriga a fazer assim ou assado, a falar «achim ou achado», a pagar gabinetes, material novo mas pior… de tal modo «achim» que se fica mesmo «assado»…

 

Muita gente bem-pensante condenou o AO90. Poucos se manifestaram. Podiam ao menos deixar de assinar a subserviente (vendida?) imprensa e apoiar a imprensa livre e consciente da sua função cultural.

 

Mas há quem só assine ou compre jornais e livros no Português que já era um hábito adquirido pacientemente e que foi o primeiro grande passo na alfabetização da grande maioria dos portugueses e na publicação significativa que projectou  a cultura nacional. Recorde-se, porém, que o AO45, ao preocupar-se sobretudo com uma grafia única oficial, não soube atender à dimensão cultural, histórica e racional, provocando um sério golpe na riqueza e na afinidade europeia da Língua Portuguesa – e serviu de mote aos «novos reformadores».

 

E por que é que as universidades, incluindo a católica, se apressaram a seguir uma proposta cientificamente errada e legalmente incorrecta? Por interesse de contrapartidas? Para se mostrarem aliados do Poder? Ou para atrair e facilitar o «intercâmbio cultural» especialmente com o Brasil? Ou para desculparem a ignorância dos próprios professores? Entre outros casos, lembro uma aula de Filosofia da Educação, que dava a alunos de Física e Química via Ensino: ao entrar, preparei-me para apagar o que o professor anterior tinha escrito no quadro, mas os alunos pediram para ler o que estava escrito - um ror de erros de ortografia e sintaxe.

 

O Presidente da República falou contra o irresponsável apetite de se mudar volta e meia o currículo escolar, quando não o próprio sistema educativo. Por que será que os Estados querem dominar ditatorialmente os sistemas educativos? Será por honesta defesa da cultura?

 

Também disse o nosso Presidente que o após Covid seria o tempo para mudar o que está mal. Porém, nem sequer discute o «crime cultural» provocado pelo AO90. De que tem medo? De «mais uma mudança»? Na verdade, o AO90 foi sobretudo a mortificação da vitalidade da nossa Língua e a conjunção de interesses de promoção pessoal (sem cabal justificação científica) com interesses económicos (perfeita oligocracia).

 

O Governo até podia tomar uma decisão (parece mas não é brincadeira): reconhecer que no espaço nacional (e naturalmente nos espaço lusófono, sem imposição de «acordos»), há dois principais níveis de Língua: o CULTO e o POPULAR; ou OFICIAL e COMUM. No segundo, a grafia poderia ser dupla, admitindo a omissão da primeira consoante dos grupos consonânticos PT (PÇ), CT (CÇ)… (Uma espécie de coabitação entre o Português e o Brasileiro, como acontece entre o Inglês e o Americano).

 

À medida que me pus a aprofundar a etimologia das línguas indo-europeias e particularmente da linhagem greco-latina, verifiquei que desde há séculos se dá a tendência para eliminar a primeira consoante desses grupos. Contudo, a consoante representativa do radical é justamente a primeira – pois o T apenas indica ter-se feito a derivação através do «supino», forma verbal que praticamente indica estar «feita» (supino irregular de «fazer») a acção implicada no verbo. A tendência geral parece ser a de suavizar ou eliminar as consoantes mais duras.

 

Acresce que muita gente culta ou estrangeira pronuncia, com maior ou menor ênfase, essas temerosas consoantes. Serei obrigado a deixar de pronunciar excePto, aCto, inseCto, deteCtive, eleCticidade, óPtica, deteCtar, adoPtar, espeCtáculo, entre quase a lista inteira de palavras infantilizadas? Ganhei o hábito de não pronunciar o P em óPtimo ou em recePção, mas pronuncio oPtimizar e não desejo que as recePções sejam recessões…

 

O facto de coexistirem a «língua de feirantes» (pragmática e normalmente mutável) e a «língua culta», atenta à riqueza semântica e à precisão dos conceitos e da gramática, cuja estabilidade protege a história e etimologia comum (a arqueologia cultural) da família greco-latina, é uma das razões principais para manter a grafia culta – e cultamente consciente das variantes populares e das tendências fonéticas.

 

A formação dos professores de Línguas só se revelou um sucesso naqueles que se sentiam vocacionados para tal, e, portanto, capazes de persistente esforço para que tanto a formação na especialidade como na cultura geral se enriquecesse com os condimentos de reflectida pedagogia. Os ramos educacionais afastaram-se demasiado dos departamentos ou faculdades da especialidade. O ensino da Língua Portuguesa exige que «a aula aconteça», como dizia Sebastião da Gama: o que só é possível quando se cria um ambiente de entusiasmante descoberta das suas virtualidades e segredos, entre as quais o jogo das palavras do ponto de vista fonético, morfológico e sintáctico. E sem humilhação pelos «erros»: estes dão azo a aprofundar a alma da Língua e exemplificam as tendências e virtualidades fonéticas, cuja possível diversidade exige, por motivos racionais e estéticos, a defesa dos radicais comuns. Só assim a família das palavras aponta para o conjunto das importantes experiências humanas nelas reveladas, fortificando a ideia central ou núcleo.

 

É verdade que o Brasil publica muito mais obras científicas (sobretudo traduções directamente da Língua original) e entre elas os primeiros dicionários etimológicos da Língua Portuguesa (mas tenho um dicionário que anota, no prefácio, seguir o português que é falado na região sob a influência cultural da cidade de S. Paulo…). Como grandes obras no domínio das ciências da Educação, Psicologia e Sociologia, Religião e Teologia… Se no ensino superior houvesse necessidade de uma obra alemã, teríamos que procurar a tradução no Brasil. Note-se que o Brasil pode escolher milhões entre milhões, é uma nação de influências diversas, por migração ou contágio geopolítico, além de uma cultura autóctone com riqueza cultural muito diversificada. Será que os portugueses, para se orgulharem deles, têm que passar a escrever e falar como eles, ou vice-versa? A Língua Portuguesa nasceu e continua a enriquecer-se sob a influência dominante de grandes ramos do indo-europeu e da situação geopolítica da Europa.

 

Mas nem o Houaiss («traduzido» para português por Malaca Casteleiro), nem o dicionário da Academia das Letras ou Lello ilustrado… se preocupam com uma verdadeira introdução ou prefácio sobre o fenómeno linguístico. Nos «bons» dicionários de inglês, francês, espanhol, alemão… encontramos «a alma» da respectiva língua, a sua evolução e tendências, ligação com línguas da mesma origem, etimologia com exemplos apelativos, etc. Abordam a questão dos sinónimos e antónimos, bem como a formação das palavras. Sem estas componentes, ignoramos o valor próprio de cada palavra – reflexo das referidas experiências humanas; e arriscamo-nos a usar sons como quem papagueia ou quase como irreflexo «ladrar». Por outro lado, pertence ao dicionário incluir mais do que excluir – como expressões familiares ou regionais (tá, tamém,  atão…). E porquê deixar de incluir vocábulos e locuções estrangeiras? Seremos menos dotados do que os nacionais desses países? Locuções latinas, gregas, francesas, inglesas…

 

 E porquê o belequendeque, viquingue (se até já recuperámos o k,w,y!), estoque e o disparatado mídia? Ou apresentar o vocábulo «Bus» como derivado do inglês «bus», ignorando a interessante e enriquecedora história de «omnibus» e cometendo erro científico? Outro importante porquê: em Portugal, não deveríamos exigir legendas e instruções no Português que nos compete aprofundar em vez de infantilizar?

 

A informática veio naturalmente (mas também perversamente) responder à nossa apetência pela velocidade, rapidez em ser o primeiro, a ficar-se por um simples toque ou com ícones da mais sumária simbologia, por vezes sem ar nem graça (como os ícones da Universidade do Minho, destruindo resmas de papel com o «brasão» de Braga, tão rico de simbologia e história). E quem aprecia o prazer de rever o que escreveu, atendendo à exactidão e beleza da Língua? Prevalece o mais fácil, o que não precisa de ser pensado, os likes ou cruzinhas… em total sujeição ao que um grupo de poder nos impõe – com bom senso? Honestidade? Fundamentação científica?...). Ao dactilografar, já nos é apresentada a frase mais provável. Isto é: não pense, deixe-se ir…

 

A grande revolução actual no campo da comunicação irá provocar mais desentendimentos, obscurantismo, ignorância… se não estabelecer uma base firme, assente nas «primeiras pedras» de cada cultura. Esta base é que garante a continuidade no tempo. Por outro lado, permite compreender e descobrir como tirar partido, racionalmente, dos modos tão diversos e criativos que enriquecem a comunicação. Estes modos de comunicação ainda não apareceram devidamente referidos, catalogados e explorados – e apresentados no prefácio de bons dicionários.

 

A linguagem do povo de cada nação tem que ser reconhecida oficialmente. Mas os dicionários, bem como as obras didácticas, não deveriam estar submetidos a parlamentos ou coisa do género. Quantos parlamentares estarão no hemiciclo apenas para votarem no líder ou líderes do partido? Se fossem mais cultos ou honestos, seriam perigosos para a política dominante (reproduzindo a estratégia de que é mais seguro mandar com a ignorância ou preguiça dos outros).

 

Que dizer de uma democracia não assente na cultura e honestidade de um povo? Que dificulta a criatividade e o próprio desenvolvimento económico, por meio de aberrante burocracia, manipulada educação e desconfiança de quem pensa e quer servir o maior bem geral com genuína liberdade?

 

 Manuel Alte da Veiga, Aveiro, 2 de Agosto de 2020.»

 

***

 

(*) Para quem não sabe: “mayday” é uma palavra-código para emergência. É usada em todo o mundo nas comunicações emitidas por tripulantes de aeronaves ou de navios, quando estão em situação de risco. Faz parte do Código Internacional de Sinais e do Código Fonético Internacional. 

 

Nota biográfica de Manuel Alte da Veiga

 

1- Nasceu em Mogofores (Bairrada), 4 Janeiro 1941. Casado. Três filhos.

2- Formação secundária e superior em instituições da Companhia de Jesus, tendo organizado vários eventos de índole científica e social.

3- Licenciado em Filosofia (1965) e Filosofia e Humanidades (1978).

Curso da licenciatura em Psicologia Clínica na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) (1972-1976), como bolseiro do Instituto de Alta Cultura.

4- Doutorado em Educação (Universidade de Aveiro, 1986), tendo preparado o doutoramento, como bolseiro, no Institute of Education da Universidade de Londres.

5- Professor Associado de nomeação definitiva, no Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho.

6- Professor Agregado em Ciências da Educação, por unanimidade, pela Universidade de Coimbra (2003).

7- Aposentado em Outubro 2005.

8- Fundou e organizou os Departamentos de Ciências de Educação das Universidades de Aveiro (1976) e Vila-Real (1988). Pertenceu à direcção e Conselho científico de dois Centros de Formação de Professores e de outros Institutos Superiores. Formador de Professores em exercício. Pertenceu à direcção de Associações de Pais e de sindicatos de professores, colaborando desde 1976. Várias vezes director de departamentos de Educação/Pedagogia (5 anos em Aveiro, 3 anos na UTAD e 5 anos em Braga).

9- Prática em Jardins de Infância, Ensino Básico e Secundário, tendo leccionado Português, História, Psicologia, Filosofia, Latim e Grego. No Ensino Superior, leccionou várias disciplinas no domínio da pedagogia, psicologia e filosofia. Responsável de História e Filosofia da Educação e do mestrado em Filosofia da Educação, orientando várias teses de mestrado e doutoramento (sobretudo na Universidade do Minho, 1990-2005).

10- Formador (registo CCPFC/RFO-09853/00) em Educação Comparada, Filosofia da Educação, Educação e Valores, Educação Multicultural.

11- Desde a aposentação, colabora com várias universidades e institutos superiores (públicos e particulares) e mantém a actividade científica.

12- Foi Bolseiro do Instituto de Alta Cultura, da Direcção Geral do Ensino Superior, da Fundação C. Gulbenkian, do Instituto Nacional de Investigação Científica, Erasmus e Instituto de Inovação Educacional (na Bélgica, UK, Alemanha, Dinamarca, EUA).

13- Membro de várias sociedades científicas, nomeadamente Philosophy of Education Society of Great Britain (1982 - primeiro membro português).

14- Trabalhos científicos publicados em revistas diversas (particularmente na Revista Portuguesa de Pedagogia Revista Portuguesa de Filosofia); conferencista no país e no estrangeiro; colaborador em programas radiofónicos e em jornais.

15- No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (Academia das Ciências de Lisboa e Editorial Verbo, 2001), é citado diversas vezes, pelo menos nos seguintes vocábulos: alienar, catequese, compreensivo, despotismo, educação, ética, ético, finito, fundamentar, marxista, recusa, religião, religioso, rito.

No Dicionário de Filosofia da Educação (cord. Adalberto Dias de Carvalho, Porto Editora, 2006), artigos Obediência e Educação, Professor (perfil ético).

 

16. LIVROS PUBLICADOS:

Filosofia da Educação e Aporias da Religião. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1988 (esgotado).

Vida, Violência, Escola, Família, Braga: APPACDM, 1998. (3ª ed. em 2003)

Um Perfil Ético para Educadores. Viseu: Palimage, 2004.

Obediência como matriz da autoridade. Porto: Estratégias Criativas. 2008.

Um Critério para a educação? Covilhã: Universidade da Beira Interior,  www.lusosofia.net 2009.

 

17. OUTRA COLABORAÇÃO:

17.1. Liturgia Pagã – um programa desde 1999, primeiramente publicado semanalmente no Correio do Minho e actualmente lançado no site Aveiro e Cultura. Procure no Google ou no seguinte endereço:

http://www.prof2000.pt/users/avcultur/altedaveiga/litpag000.htm

Neste endereço, encontram-se outros trabalhos e informações, nomeadamente:

Lições de Filosofia de Educação. Braga, 2009.

17.2. A árvore de Zaqueu, publicado na secção de «Espiritualidade» do Correio do Vouga.

 

Ver também:

«Mayday Mayday AO90!»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:52

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Sexta-feira, 24 de Julho de 2020

«Este acordo [AO90] é vergonhoso para Portugal»

 

«A imprensa internacional noticiou este acordo, como sendo a primeira vez na História em que a outrora colónia (Brasil) de Portugal é que determina como se vai escrever português no presente e no futuro. Este acordo é vergonhoso para Portugal.» (Carlos Mota)

 

Vem isto a propósito de um artigo publicado no Diário de Notícias, há cerca de duas semanas, intitulado «Angola e o Acordo Ortográfico», da autoria de João Melo, jornalista e escritor angolano, e que pode ser consultado neste link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/11-jul-2020/angola-e-o-acordo-ortografico-12411257.html?target=conteudo_fechado

 

Um texto escrito em acordês, a apelar para a consagração do AO90, que, como todos sabem, só favorece a ex-colónia do Brasil, atirando para o charco a nossa Língua Portuguesa.

 

Tal texto gerou indignação entre os que se recusam a ser enganados, e a levar gato por lebre. É o resultado dessa indignação, em forma de comentários, que aqui transcrevo.

 

Mark Twain.jpg

 

Carlos Mota

 

Santa ignorância do autor deste artigo! Citando o dito cujo: "os números mostram, desde logo, que o Brasil fez mais concessões do que Portugal no que concerne ao novo Acordo Ortográfico". Mostre-nos lá esses números!


É preciso não conhecer nada do AO para produzir semelhante aberração. A única concessão que o Brasil fez foi no trema e nem sequer se pode falar de uma concessão, pois acho que a maioria dos portugueses não se importavam que os brasileiros continuassem a usar o trema. As concessões foram todas de Portugal!


A imprensa internacional noticiou este acordo, como sendo a primeira vez na História em que a outrora colónia (Brasil) de Portugal é que determina como se vai escrever português no presente e no futuro. Este acordo é vergonhoso para Portugal.


E os PALOP nem sequer foram ouvidos na redacção do AO, sendo completamente ignorados. Este "acordo" apenas serve ao Brasil, pois não muda nada na norma brasileira do português.


Este "Aborto Ortográfico" não serviu para mais nada excepto para vender mais papel, que constituiu a principal razão para a sua criação: satisfazer o lobby da indústria gráfica e livreira, pois de um momento para o outro as pessoas foram a correr comprar novos dicionários. A outra razão foi satisfazer os caprichos dos idiotas que o redigiram.


Como Português e Angolano deixo aqui o meu elogio a Angola por se recusar a ratificar o "Aborto Ortográfico".

 

*

 

Manuel Rodrigues

 

O texto, tal como o AO, parte de um pressuposto errado e acientífico: o de que é possível unificar a grafia do português a partir da fonética. Com efeito, as variações fonéticas do português falado nos vários países (e mesmo dentro de um país tão pequeno como Portugal) são de tal ordem que a aplicação desse princípio só pode produzir o efeito contrário do pretendido. Tal aconteceu com a norma portuguesa, onde ocorrem grafias que se afastam da brasileira e das dos outros países falantes do português - e, o que é bem pior, do bom senso. Veja-se o caso de palavras como "receção", "conceção", "perceção" e outras que tais.


Para além disso, faz uma afirmação que está longe de corresponder à verdade: a de que o Brasil fez mais concessões. Os estudos mostram exactamente o contrário. Finalmente, apoia-se num mito, o de que a unificação facilitaria a circulação internacional do português. O inglês mostra que tal não passa de um mito.


Finalmente: ao ratificar o AO, que norma irá seguir Angola? A portuguesa ou a brasileira? Como irá escrever as palavras transcritas acima entre aspas? À portuguesa ou à brasileira?

 

*

 

Isabel A. Ferreira

 

 

O autor deste artigo que me desculpe a sinceridade, mas demonstra uma gigantesca IGNORÂNCIA sobre o que é uma Língua e a sua funcionalidade.

 

Demonstra, aliás, uma grande ignorância sobre tudo o que diz respeito ao acordo ortográfico de 1990.

 

Estará a soldo dos que querem destruir a Língua Portuguesa, e substituí-la pela variante brasileira ( = dialecto oriundo do Português)?

 

 

Que vergonha! E diz-se jornalista e escritor angolano, "dir'tôr" de uma revista.

 

Aconselho-o a ir estudar Língua Portuguesa e a sua já longa história, para não vir a público esparramar tantas ignorâncias e tantas inverdades!

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:49

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Quarta-feira, 22 de Julho de 2020

AO90: «Como conclusão temos um pretenso acordo entre oito países em que só dois levam a sério, outros dois não ratificam e os restantes "estão-se borrifando"…

 

«Parabéns. Este escrito devia ser de leitura obrigatória no início das sessões da Assembleia da República». (Diamantino Correia)

 

Faço minhas as palavras de Diamantino Correia, com uma observação: será que na Assembleia da República existe alguém que tenha a capacidade de entender o que o nosso amigo Luís Filipe Pimentel Costa escreve?  Digo isto porque há vários anos o AO90 é amplamente contestado pelos mais ilustres intelectuais, juristas, escritores, jornalistas (poucos, mas bons) de todos os países lusófonos, e os nossos deputados da Nação ainda não conseguiram entender que o AO90 é uma perfeita idiotice (coisa única em todo o mundo) que um grupo de idiotas implementou e ainda mantém, insistindo num erro que custará muito caro a Portugal. 

 

Vejamos o que Luís Filipe Pimentel Costa tem para nos dizer a este respeito.

 

Isabel A. Ferreira

 

Luís Leitão.png

Olavo de Carvalho.jpg

 

Por Luis Filipe Pimentel Costa

 

 

UMA HISTÓRIA DA CAROCHINHA


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Em tempos idos a escrita era restrita a uma elite de copistas, normalmente monges, que copiavam documentos.
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Com o tempo, os nobres aprenderam a ler e a escrever.
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Havia divergências de escrita, mesmo dentro da mesma língua e do mesmo povo.
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Com o surgimento das universidades e a escolaridade obrigatória a escrita estendeu-se ao cidadão comum, verificando-se uma necessidade de uniformização da escrita. Esta uniformização era feita a nível académico por pessoas entendidas no assunto, que, mais do que impor normas, procuravam acompanhar as evoluções naturais da língua, enquadrando-a na sua realidade.
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Até aqui as coisas caminharam dentro duma mínima normalidade e assertividade.
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Cedo, no entanto, os donos dos povos, antes ainda com os nobres e mais ainda com o surgimento dos políticos, se acharam no direito de mandar também na língua.
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Assim surgiram normas, algumas através de acordos. Chegámos assim ao Acordo Ortográfico entre Portugal e o Brasil, numa vã, ilusória e utópica tentativa de uniformizar a língua portuguesa entre os dois países. Em Portugal esse acordo foi legalizado com o Decreto-lei n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945.
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Na altura ainda faltavam 12 anos para eu nascer, pelo que pouco sei sobre o mesmo. Tenho, no entanto, na ideia que este acordo foi elaborado com cuidados mínimos, por forma a respeitar minimamente a língua portuguesa. O certo é que quando nasci estava este acordo em vigor e legalizado com o referido Decreto-lei.
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Mais do que até então, na indústria livreira, foi reacesa a ilusão utópica de fazer o irrealizável e impraticável, uniformizar a língua portuguesa, não vendo ou não querendo ver ou ainda não tendo capacidade para ver que as diferenças entre os dois países, o português e o português do Brasil, se colocam, mais do que a nível da ortografia, a nível vocabular, pelo que uma obra dum país, para ser editada no outro país, ou mantém a escrita original, o que eu considero mais correcto, ou tem sempre que ter adaptações, porque, em Portugal sempre será um autocarro, enquanto que no Brasil sempre será um
ônibus, tal como em Moçambique e em Angola será um machimbombo.
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O certo é que um grupo de interesseiros da indústria livreira pretendeu fazê-lo. Precisavam, no entanto de cativar os donos dos países, os políticos, pelo que lançaram em Portugal o fantasma de que, a nível internacional, o português do Brasil iria substituir o português, por força dos números que se traduzem na força financeira. No Brasil lançaram a "cenoura-isco" de que uniformizando o português com a sua variante brasileira traria vantagens a nível internacional o que se traduziria em vantagens financeiras.
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Basearam-se em duas premissas irrealizáveis. A primeira foi quererem igualar a oralidade à escrita, o que não é possível, devido à imensa variedade nas pronúncias, mesmo dentro do mesmo país. Para isto cortaram umas letras e hífens e acentos. Isto veio contra a sua segunda premissa, que seria igualar a escrita nos dois países e que se confirmou também impossível de realizar, porque, por força da primeira premissa criou variantes entre os dois países, pelo que uma pretensa unificação se traduziria em formas diversas de escrita nos dois países.
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Para os políticos justificarem a sua concordância tiveram que incluir os restantes países que adoptaram a língua portuguesa como língua oficial.
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Toda esta salganhada teve os seguintes resultados.
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1) A igualdade entre pronúncia e escrita confirmou-se irrealizada e irrealizável.
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2) A uniformização entre a escrita nos dois países confirmou-se irrealizada, criando, com excepções e duplas grafias, várias variantes mais da escrita. O português, que muitos portugueses continuam a fazer questão de utilizar; o português do Brasil, que muitos brasileiros fazem questão de continuar a utilizar; mais o malaquês, que é a forma que Portugal adoptou, do ao90 (agressor ortográfico de 1990), mais a versão do mesmo ao90 que o Brasil pretende adoptar, e mais ainda as infinitas variantes das enormes confusões que diariamente se verificam, nos mais diversos meios, públicos e privados, e mais ainda outras tantas variantes daqueles que começaram a recuperar formas antigas de escrever, como o caso do uso do trema.
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3) Entrou-se numa ilegalidade, pelo menos em Portugal, visto que o Decreto-lei em vigor é e continua a ser o de 1945, porque um Decreto-lei só pode ser revogado ou alterado por outro Decreto-lei ou diploma legal de valor superior, o que, tanto quanto eu tenha conhecimento não aconteceu, e nem poderia acontecer, pelo menos em Portugal, por forças legais que têm que ver com o ponto seguinte.
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4) O que se pretendia, um acordo entre 8 países, resultou no seguinte:
a) Dos 8 países só dois estão a, ditatorialmente, e, pelo menos em Portugal, ilegalmente a impor a sua utilização, Brasil e Portugal,
b) Pelo menos dois dos oito países não ratificou o pretenso acordo, Angola e Moçambique, e tudo indica que o não irão ratificar, visto já há muito ter passado os 6 (seis) anos que foram considerados para tal acontecer,
c) Os outros 4 países não o aplicam nem mostram que o venham a aplicar.
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Como conclusão temos um pretenso acordo entre 8 países em que só dois levam a sério, outros dois não ratificam e os restantes "estão-se borrifando".


Por força deste desacordo no pretenso acordo, em Portugal não é possível legalizá-lo, devido a imposições legais, nomeadamente da Constituição da República Portuguesa, pelo que,
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5) Uma norma governamental impôs, abusivamente, a sua utilização no funcionalismo público e empresas sob a alçada dos políticos, não tendo força de lei, mantendo-se assim em vigor o decreto-lei de 1945.
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6) Usando este estratagema os políticos portugueses violam os direitos cívicos dos cidadãos impondo, ditatorial e abusivamente uma escrita errada e ilegal no ensino, forçando a que, mediante o uso da força de uma ilegalidade e por força do cansaço e subjugação se venha a tornar de uso corrente algo que, repito, é ilegal

 

Fonte:

https://www.facebook.com/pimentelcosta/posts/3489741847737409

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:48

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Terça-feira, 21 de Julho de 2020

«Não podemos deixar morrer o Português!»

 

Os apelos nunca faltaram.

 

O que falta é audácia para atacar com força e massivamente os predadores da Língua Portuguesa que, perante o comodismo dos milhares que se dizem anti-AO90, e que andam por aí e pelos grupos do Facebook a repetir eu não escrevo conforme o acordoeu não escrevo conforme o acordo, tal qual discos riscados (como se isso interessasse para alguma coisa, pois o problema grave e maior está na disseminação de uma grafia truncada, nas escolas e órgãos de comunicação social servilistas), perante este comodismo e servilismo, dizia eu, os predadores da Língua esfregam as mãos de contentamento, por poderem continuar a reduzir a Língua Portuguesa a uma linguagem gráfica, cada vez mais básica, mais primitiva, completamente distanciada do cerne de um Idioma Culto, para ser mais fácil de a aprender, como se isto não fosse um argumento de ignorantes.

 

Mas isto é fruto da cultura inculta que o Estado português obscurantista está a promover, com intenção de destruir a Cultura Portuguesa, e impor a incultura, à qual prestam vassalagem.

 

ACORDAI POVO, se não quereis ser escravos de uma tirania, que anda por aí fantasiada de democracia, para enganar os parvos.

 

Isabel A. Ferreira

 

MORTE.jpg

 

Texto de Sérgio Marques

 

«É incompreensível que uma instituição com a tremenda responsabilidade cívica de contribuir para a construção de uma sociedade cuja evolução tenha entre os seus principais pilares o conhecimento científico, se demita de assumir publicamente uma posição sobre o Acordo Ortográfico de 1990 assente exclusivamente em critérios científicos.

 

Com o vil argumento de não pretenderem fazer política - a ACL não é contra o AO90 e, aparentemente, nem se reconhece com legitimidade para poder sê-lo!... Santa paciência... foram muitos anos de salazarismo ... - acabam precisamente a fazer política, mas pela via mais infame: respeitando servilmente os poderes instituídos e os poderes fácticos, caucionam ignobilmente com a falsa chancela da ciência o mais violento e atroz atentado alguma vez cometido pelo Estado de uma nação soberana contra a sua própria língua.

 

A Academia de Ciências de Lisboa está, politicamente, de acordo com este assassinato irresponsável e doloroso do património maior de um povo, dispondo-se, apenas, a propor paliativos em vez de, com a coragem que se impunha, almejar erradicar a doença.

 

Tudo em nome de um projecto absurdo de unificação e uniformização da língua portuguesa no mundo, castrador da evolução natural e orgânica da diversidade geográfica dos falares lusófonos. Em nome de um tenebroso empreendimento orwelliano de empobrecimento coercivo da língua - coisa que os anglo-saxónicos, espanhóis e franceses tiveram a sabedoria e o bom senso de jamais tentar pôr em prática.

 

É uma espécie de imperialismo ao contrário, ditado pelos mesquinhos interesses de uma ou duas editoras portuguesas, posto em marcha por governantes acéfalos e ignorantes, gente sem visão nem sentido de Estado, notavelmente apoiada, à época, por todos os representantes eleitos pelos cidadãos deste país assim tristemente entregue em imundas mãos.

 

Face à cobardia e/ou ao comprometimento das instituições e individualidades nacionais de quem se esperaria outra independência e integridade moral e intelectual perante esta guerra desencadeada de forma brutal contra a língua de Pessoa e Camões, de Eça e Saramago, de Torga e Vieira e de outros ilustres embaixadores da Pátria maior que é o Português, guerra pusilânime que tomou como reféns e arautos involuntários da 'novilíngua' as nossas crianças e jovens, só nos resta, cidadãos comuns, tomar em mãos a tarefa de salvar a língua portuguesa da tragédia que se anuncia.

 

Com este inominável acordo, não estamos apenas a importar uma grafia estrangeira que reflecte uma fonética que nos é estranha, que incorpora uma História que não é a da nossa língua.

 

Com este acordo, estamos a garantir que no prazo de duas gerações se concretize a importação e assimilação dessa fonética que não é a nossa. Ou seja, a adulteração inorgânica e artificial, mas que será real, da língua portuguesa falada, e não apenas escrita, em Portugal.

 

Não podemos deixar morrer o Português às mãos da triste e fraca gente que nos governa e governou. É um dever patriótico. É um dever moral, de cidadania, por respeito aos nossos antepassados, mas, principalmente, por respeito pelas gerações vindouras. É um imperativo histórico, de combate a esta afronta fascizante ao povo português, mas também aos povos de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de Timor, da Guiné, de São Tomé e Príncipe, do Brasil.

 

A língua é a manifestação maior da civilização humana. Tem vida, evoluiu, cresce, ramifica-se, diverge, mistura-se com outras línguas, gera novas línguas. Morre. É História. É quase Biologia. Não precisa de iluminados, oportunistas e neocolonialistas (neste caso, com papéis invertidos), auto-empossados ditadores da história futura, inteligências menores arrogadas em senhores do destino de um mundo que não lhes pertence.

 

Deixem em paz o Português do Brasil. Um dia já não será português, será outra coisa que a evolução histórica ditar, igualmente rica e tão nobre como o Português de Portugal, tão preciosa e respeitável como qualquer outra língua de outro lugar qualquer do mundo.

 

Já não falamos Latim! Mas deixem igualmente, em paz o Português de Portugal. Um dia, será, também diferente. E morrerá. Como qualquer outra língua. Mas não a matemos por decreto. Porque ainda está exuberante de vida. Porque está na boca, no pensamento, nos sentidos, na pena, na ponta dos dedos com que os nossos filhos riscam o ecrã do “tablet” e do telemóvel. Porque lhes está na alma. E há muito se entranhou na nossa.

 

Desobediência civil, massiva, activa, imperativa, ao criminoso acordo da vergonha. Pelos nossos filhos. Pelos filhos deles. Não há legado maior do que a nossa língua. A Língua de Portugal.

 

VAMOS À LUTA!»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/sergio.marques.37266/posts/1044559192322071

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:13

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Sexta-feira, 10 de Julho de 2020

Portugal é o único país do mundo que, conforme o grau de instrução e de cultura dos seus escribas, emprega várias grafias diferentes simultaneamente

 

1 – A grafia portuguesa de 1945, que está em vigor, visto não ter sido revogada -  é aplicada pelos mais instruídos, mais cultos e pelos mais conscientes do significado de uma Língua para um País.

 

2 – A grafia brasileira de 1943, preconizada pelo AO90, e que não está em vigor em país nenhum, excePto em Portugal - é aplicada pelos mal informados, mal formados, ignorantes, cobardes, acomodados, comodistas e escravos do Poder, mais conhecidos por acordistas.

 

3 – A Mixórdia Ortográfica Portuguesa, a mais disseminada – é aplicada pelos semianalfabetos e pelos analfabetos funcionais (que os há por aí aos montes) que escrevem absolutamente à balda, como lhes dá na telha, a mistura das grafias portuguesa e brasileira e a que provém da ignorância deles.

 

Perante isto, é da inteligência mandar às malvas o AO90, e regressar à nossa grafia, à grafia portuguesa, pois Portugal é um país (por enquanto independente, mas a caminho de deixar de ser) que tem uma Língua, por que haverá de adoPtar a variante brasileira do nosso Português, e andar para trás como o caranguejo?

 

Porém, ao que consta, os que podem, querem e mandam não pretendem finar o AO90, nem aprimorar o estudo da Língua Portuguesa, nas escolas portuguesas, para estarmos ao nível das escolas europeias. Os que podem, querem e mandam apoiam, incondicionalmente, a Mixórdia Ortográfica Portuguesa, a nova linguagem, que eles próprios adoPtaram, e que acham (se ao menos pensassem!) que é moderna e muito graciosa.

 

Vivemos tempos estranhos, em que os €€€€€€€€€€€ e outros obscurantismos, e não o sonho da Língua escrita e falada com qualidade, comandam a vida… 

 

Então façamos correr mundo, o que se passa em Portugal, no que respeita ao desrespeito pela Língua Oficial do País.

 

Claro que o que irão ver a seguir, tem a ver com a bandalheira que o AO90 introduziu na grafia portuguesa. Nunca como depois deste "acordo", o Português se degradou tanto, porque agora tanto faz, como tanto fez, escrever de um modo ou de outro. Ninguém paga multa por escrever incorrectamente a Língua Materna. Mas devia pagar. Por cada erro deviam pagar uma multa de 5.000 €, e Portugal poderia, deste modo, contratar Professores habilitados para o Ensino da Língua Portuguesa Portuguesa, pagar as suas dívidas, e ainda sobraria dinheiro nos cofres do Estado para editar manuais escolares em Língua Portuguesa. Portugal seria um país muito, muito rico.

 

Assim, é um pobretanas,  e desprestigiado no mundo inteiro, um alvo fácil da chacota das pessoas mais cultas e instruídas.

 

José Sousa Dias.png

 

O jornal i em grande estilo 😂

 

1 - jornal i.png

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10159941120149418&set=gm.2697704463807385&type=3&theater&ifg=1

 

A filosofia do AO90 é para cortar tudo o que não se lê, mas a gana é tanta, que eles cortam até o que se lê…

 

2 - A bola.png

Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645077242260614/2806779406090376/?type=3&theater&ifg=1

 

 Até tu, Expresso?

 

3- Expresso.png

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3353136544718521&set=gm.2696272397283925&type=3&theater&ifg=1

 

Será que isto é abrangido pelo novo acordo ortográfico!? 😅 É que não se lê, corta-se!  

 

4 - RTP não se lê corta.png

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3033250156754022&set=gm.2687014518209713&type=3&theater&ifg=1

 

 Do verbo “TRACAR”

 

5 - Do verbo TRACAR.png

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215047974986480&set=gm.2681651245412707&type=3&theater&ifg=1

 

No site da RTP anda alguém fortemente empenhado em dar cabo da língua portuguesa.
Vergonhoso! Santa ignorância!

 

6 - CESCES RTP.jpg

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10220677746591465&set=a.1278758846968&type=3&theater&ifg=1

 

Portugal... RTP 3 – CULTA e Adulta e portuguesa (?) e paga com os nossos impostos.

 

6 - estado unidenses.png

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3312186715459156&set=gm.2670864693158029&type=3&theater&ifg=1

 

É só ler com sotaque…

 

7 - Dos português.png

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10158408010038774&set=gm.2673817059529459&type=3&theater&ifg=1

 

Ainda andamos nisto de fato. Só falta a gravata.

 

8 - Ainda andamos nisto.jpg

 

Não é à primeira, não é à segunda… seria à terceira?

 

10 - Carróseis.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4097308630311304&set=gm.2704066529837845&type=3&theater&ifg=1

 

E, para finalizar, algo com que nos deparamos demasiadas vezes:

9 - gostas-te.jpg

 

Quem, no seu juízo perfeito, poderá dizer que está contentinho com o que se passa em Portugal com todo este desmando ortográfico (e isto é apenas uma ínfima recolha, das várias centenas que por aí existem).

 

E com isto me vou, por um tempo, para preservar a minha sanidade.

Até ao meu regresso!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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Domingo, 28 de Junho de 2020

«Posição sobre o acordo ortográfico e sua aplicação»

 

… Excelente e irrefutável defesa da Língua Portuguesa do escritor  A M Pires Cabral no Grupo de Trabalho para Avaliação do Impacto do AO90, criado no âmbito da Comissão Parlamentar da Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, pelas mãos do PSD.

 

Se, depois desta grande defesa (mais uma entre tantas que já foram feitas) este Grupo não ficar completamente elucidado e não disser: «BASTA! Não precisamos de ouvir mais nada, porque nada mais há a acrescentar. O assunto fica encerrado. O AO90 vai para o caixote do lixo», é porque este Grupo de Trabalho não passa de uma farsa, e ninguém está realmente interessado em ouvir a opinião dos sábios.

 

O que será preciso mais? Fazer um desenho?

***

Excelentíssimos senhores  governantes, políticos e afins...

Esperando que a racionalidade, o bom senso e o senso comum imperem, aqui deixo mais um contributo para a eliminação da ortografia imposta aos portugueses, que está a fabricar analfabetos funcionais, em Portugal, ao mais alto nível. 

(E por favor, não me enviem mais esta resposta Chapa5: «Cumpre-me acusar a receção do e-mail de V. Exa....» Ao menos escrevam recePção, à moda brasileira, angolana, moçambicana, guineense, são tomense e timorense), porque este montinho de letras "receção" é um modismo, que não fica nada bem a quem o aplica). 

Isabel A. Ferreira

 

PIRES CABRAL.jpg

A M Pires Cabral (origem da foto: Internet)

 

«Posição sobre o acordo ortográfico e sua aplicação

 

Começo com uma prevenção: a de que fui, sou e serei sempre adversário do Acordo Ortográfico (AO).

 

Publiquei recentemente um texto de que repesco algumas linhas:

 

«A pendência que anda assanhada entre os antagonistas do AO e os seus defensores é insanável, porque radica em duas atitudes básicas inconciliáveis.

 

De um lado, temos os que olham para a língua acima de tudo como meio de comunicação. São sujeitos práticos e desempoeirados. Para eles, o Português é um instrumento como outro qualquer, uma navalha ou um isqueiro. Usa-se, é tudo — e tanto se lhes dá que se escreva desta como daquela maneira. Que mais dá escrever ‘insecto’ ou ‘inseto’? Desde que o receptor entenda... O importante é pois fazerem-se entender. A sua concepção da língua é utilitária: não lhe pedem mais nada — apenas que funcione.

 

Por outro lado, há os que olham para a língua como ferramenta comunicacional, sim, mas não apenas isso. Olham-na também amorosamente como se deve olhar uma verdadeira obra de arte, nos seus aspectos históricos e, porque não?, estéticos. Acarinham as aderências culturais de que a língua se vai revestindo à passagem dos séculos. A esses repugna escrever — e, se bem os conheço, nunca escreverão — ‘arquiteta’, ‘recetar’, ‘semirreta’, ‘espetador’, ‘ereção’.

 

Não há, nesta história, os bons e os maus. Cada um é como é. E a história terminou com a adopção do AO (com o seu quê de golpada, em boa verdade), porque, naquele momento, a relação de forças pendeu para o lado dos primeiros: os nossos políticos de então, desde os senhores deputados que o aprovaram, ao senhor presidente da República que o promulgou e ao senhor primeiro-ministro que o pôs em marcha, eram todos criaturas práticas, p’rafrentex, que não se deixavam embaraçar por considerações de ordem histórica e estética, isto é, cultural e afectiva. Foram surdos a tudo, excepto ao canto de sereia dos professores Malaca e Houaiss, a anunciar amanhãs que cantavam à língua portuguesa.»

 

Na verdade, o AO, que almejava unificar, acabou em muitos casos por diversificar: onde havia uma só grafia (‘recepção’, por exemplo), passou a haver duas: ‘recepção’ e ‘receção’ (esta correntemente confundida com ‘recessão’). Não vale a pena aduzir mais exemplos.

 

Por outro lado, o AO é um cúmulo de incoerências, que têm sido devidamente apontadas e exploradas. Não vale a pena enumerá-las a todas; bastará o exemplo da retirada do acento em ‘pára’ (do verbo ‘parar’), que era antes do AO justificado pela necessidade de distinguir de ‘para’ (preposição). Ora, se a necessidade de distinção cessou como por milagre (o mirífico contexto! — que estamos fartos de saber que funciona... quando funciona), porque se manteve o acento no verbo ‘pôr’? Incoerência. Ou que justificação séria pode ser encontrada para escrever com hífenes ‘cor-de-rosa’ e sem hífenes ‘cor de laranja’?

 

Não insistirei na enumeração de casos particulares. Direi apenas que o AO não tem qualquer justificação científica em que se apoie. Tem apenas a justificação política de que da sua aplicação resultariam benefícios para a língua portuguesa, a nível de prestígio e mais fácil utilização nos fóruns internacionais. Até hoje, creio que ninguém de boa fé poderá dizer que já notou alguma diferença.

 

Aproximando-nos agora um pouco mais dos objectivos do Grupo de Trabalho, julgo oportuno fazer uma única e definitiva consideração (transcrevendo também palavras já por mim publicadas algures):

 

«O Sr. Professor Malaca Casteleiro, escreveu recentemente, defendendo o AO, que o dito está a ser aplicado “sem problemas”. Santa ingenuidade! Não se dá conta o professor da chusma de ‘fatos’ (em vez de ‘factos’) que enxameia o próprio Diário da República? Se não se dá conta, em que país das maravilhas devaneia o professor? Se dá, não acha o professor que isso é um problema — e bem bicudo —, que rói o próprio cerne da língua portuguesa?»

 

Defendem os apoiantes do AO dizendo que isso não é culpa do acordo, mas do mau uso e ignorância de alguns utentes da língua. É claro que sim. Mas quando é que, antes do AO, se disse ‘fato’ em vez de ‘facto’, e ‘contato’ em vez de ‘contacto’, deste lado do Atlântico? Será arriscado afirmar que foi o AO que criou o ambiente propício para mutilações destas da língua portuguesa, as quais — água mole em pedra dura... — acabarão por se tornar irreversíveis?

 

Contrariamente ao que o Sr. Professor Malaca Casteleiro quer fazer crer, a aplicação do AO tem gerado inúmeros problemas (oiçam os professores!) e está a ser um factor de erosão do Português.

 

Termino, recomendando que Portugal se desvincule, e quanto antes, do tratado do Acordo Ortográfico de 1990.

 

 A. M. Pires Cabral»

 

Fonte:

http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684a53556c4d5a5763765130394e4c7a457951304e44536b5176523152425355464254793942636e463161585a765132397461584e7a595738765132397564484a70596e563062334d765132397564484a70596e5630627955794d47526c4a5449775157353077374e756157386c4d6a425161584a6c637955794d454e68596e4a68624639504a54497751574e76636d52764a54497754334a30623264797736466d61574e764c6e426b5a673d3d&fich=Contributo+de+Ant%C3%B3nio+Pires+Cabral_O+Acordo+Ortogr%C3%A1fico.pdf&Inline=true

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:55

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Quinta-feira, 18 de Junho de 2020

Senhor Presidente da República, não estará mais “estupefato” do que eu!

 

Eu, além de estupefata, estou farta de estar farta de ver a Língua Portuguesa assim tão maltratada, tão espezinhada, tão amesquinhada, por quem tinha o dever de a escrever e falar correCtamente, de a defender, pois ela é o nosso mais precioso Património Cultural Imaterial. 

 

Estou farta desta “inj’ção” de vocábulos deformados, achando-se que isto é Português.

 

E sabe de quem é a culpa, senhor presidente? É de Vossa Excelência, é do governo, é dos partidos políticos que acham muito bacana este tipo de linguagem, para assim se afastarem de uma Europa com a qual os que querem, podem e mandam, neste nosso desditoso País, não se identificam, tão deslumbrados estão com os milhões.

 

Contudo, se espremerem bem esses milhões, comprovarão que noves fora os analfabetos, os semianalfabetos, os analfabetos funcionais, serão menos que uns meros milhares, se tanto (já contando com os nossos) ...

 

Isabel A. Ferreira

 

estupefato.png

Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10207325114122082&set=gm.2685719365005895&type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:10

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Sexta-feira, 12 de Junho de 2020

Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico (ILC-AO) muito atribulada e menosprezada pelo Parlamento Português, ou um jogo político onde se “faz jogo de cintura” (*)?

 

… como se a questão da Língua Portuguesa, fosse uma questão de lana caprina, e não uma questão fundamental da identidade portuguesa.

 

O que se anda a jogar no Parlamento Português?

 

O texto que se segue narra a saga da ILC-AO, que parece não ter fim…  

 

Enquanto isso, a Língua Portuguesa afunda-se numa ignorância que até faz sangrar o olho bom de Luís de Camões…

Isabel A. Ferreira

 

CAMÕES.jpg

 

Por Rui Valente  

 

«ILC-AO solicita agendamento do Projecto de Lei 1195/XIII

 

 

Depois de ter sido adiado no dia 27 de Maio, o debate sobre a hipotética inconstitucionalidade da ILC-AO voltou a ser adiado no dia 3 de Junho. Está agora novamente marcado para o próximo dia 17. Será desta?

 

Na verdade, já pouco importa. Se a Lei nº 17/2003, de 4 de Junho (“Lei das ILC”), for cumprida, como não pode deixar de ser, o debate previsto para esse dia tornar-se-á irrelevante — a Comissão Representativa da ILC-AO acaba de solicitar ao Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República o agendamento da apreciação e votação em plenário do nosso Projecto de Lei.

 

Recordamos que a Lei das ILC prevê que as Iniciativas Legislativas de Cidadãos, uma vez admitidas pela Assembleia da República, baixem à Comissão que for considerada competente em função da matéria tratada. Essa Comissão tem o prazo de um mês para produzir um relatório sobre o respectivo Projecto de Lei.

 

Ora, a mesma Lei nº 17/2003 também prevê que uma ILC possa ser agendada sem esse relatório. No que só pode ser entendido como um mecanismo para evitar manobras dilatórias, o n.º 1 do artigo 10.º diz-nos que “Recebido o parecer da comissão ou esgotado o prazo referido no n.º 1 do artigo anterior, o Presidente da Assembleia da República promove o agendamento da iniciativa para uma das 10 reuniões plenárias seguintes, para efeito de apreciação e votação na generalidade”.

 

Em rigor, aguardamos, desde o dia 6 de Novembro de 2019, um parecer definitivo sobre a ILC-AO (Projecto de Lei 1195/XIII/4ª), a cargo da Comissão de Cultura e Comunicação. Os recentes adiamentos são apenas os últimos de uma longa série de atrasos na tramitação deste processo.

 

É certo que atravessámos um período de suspensão, com o estado de Emergência imposto pela pandemia. Ainda assim, sobre o dia 6 de Novembro passaram já sete meses — quantos mais teremos de esperar até que passem os 30 dias do prazo?

 

Foi neste contexto que enviámos ao Presidente da Assembleia da República, no dia 8 de Junho, uma mensagem solicitando o agendamento da ILC-AO.

 

Como se imagina, o adiamento da passada quarta-feira — mais um, “a pedido do deputado-relator” e sem mais explicações — foi um dos factores que nos levaram a solicitar o cumprimento da Lei das ILC. Mas não foi o mais importante. Acima de tudo, pesou o facto de as Comissões envolvidas estarem a “perder tempo” com uma questão de forma, em vez de tentarem genuinamente resolver o problema que assola a Língua Portuguesa.

 

É óbvio que a conformidade de uma Lei à luz da Constituição está longe de ser um pormenor. Mas a insistência na necessidade de mais um parecer, depois de a própria Assembleia da República ter declarado essa conformidade, depois de nós próprios termos atestado, repetidamente, a adequação do nosso Projecto de Lei, só pode ser considerada, no mínimo, como um excesso de zelo.

 

Se tivermos em conta que esse parecer, além de desnecessário, prima também por se fazer esperar, então torna-se difícil não pensarmos que estamos perante uma manobra de diversão.

 

Esperamos que a votação da ILC no plenário possa finalmente recentrar o debate naquilo que realmente importa: a Língua Portuguesa.

 

Como atalhar o actual cAOs ortográfico? Como resgatar o Português Europeu da sua completa obliteração? Como colmatar o fosso cavado entre países de expressão oficial portuguesa por via da criação artificial de uma nova “norma” ortográfica?

 

Este é o debate que, verdadeiramente, importa levar a cabo.

 

Assim saiba o plenário tratar este assunto com a dignidade que merece. A conferência de líderes e o próprio Presidente da Assembleia da República deverão ter em conta que o Projecto de Lei nº 1195/XIII transcende a mera revogação de uma simples Resolução da Assembleia da República. Para todos os efeitos, a ILC-AO é indissociável do futuro da nossa Língua. Os tempos de intervenção e debate devem estar ao nível dos que são regra para os grandes temas da sociedade portuguesa.

 

A votação deste Projecto de Lei não pode ter lugar em sessões-maratona, próprias de um fim-de-estação legislativa, em que dezenas de votações são despachadas por atacado, numa vertigem que escapa à compreensão dos não-iniciados. Está em jogo a nossa identidade enquanto povo e enquanto país. O debate deverá decorrer com serenidade e objectividade mas, acima de tudo, deverá estar à altura deste importante desígnio nacional.»

 

 Fonte:

https://ilcao.com/2020/06/10/ilc-ao-solicita-agendamento-do-projecto-de-lei-1195-xiii/?fbclid=IwAR1eYrcA_YSvLLphvjVAn830jpAzmGJ6n4qoFONF-IJt4jUAgHSpVdItT-s

 

(*) Fazer jogo de cintura, para quem não sabe, é esquivar-se; fugir às questões, fugir aos assuntos.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:52

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Sexta-feira, 5 de Junho de 2020

Portugal não é território brasileiro, tal como o Brasil já foi (mas já não é) território português, para termos de aceitar uma grafia que não nos pertence

 

Respondendo a um comentário que me deixou perplexa, pelo desaforo…

 

Walnice Nogueira Galvão.jpg

 

Comentário no post AO90: o maior erro histórico desde a fundação de Portugal, em 1139

 

Ficar de braços cruzados e ficar a destilar veneno na internet não adianta. Já se passaram dez anos e nada de Portugal voltar atrás com o AO90.O mundo está mudando e precisamos encontrar uma forma genérica para as duas variantes é uma desvantagem continuarmos assim no mercado de softwares. A maioria dos estrangeiros procuram o português brasileiro para aprender a falar. Os padres jesuítas que adaptaram o idioma depois que Marques de Pombal proibiu a pronunciação de qualquer outro idioma que não fosse o português. E anos mais tarde Getúlio Vargas proibiu que os imigrantes europeus e asiáticos famintos, depois da segunda grande guerra, falassem outro idioma além do português.Lembre-se: a língua é um organismo vivo em constante mudanças.

Laura Borelli Cabral 

 

***

Cara Laura Borelli Cabral,

 

Agradeço este seu comentário, porque me dá oportunidade de esclarecer o que não está claro para si.

 

Diz a Laura: «Ficar de braços cruzados e ficar a destilar veneno na internet não adianta».

 

Neste ponto quem pede esclarecimentos sou eu: quem “fica de braços cruzados”, e quem “fica a destilar veneno”??????

 

Diz a Laura: «Já se passaram dez anos e nada de Portugal voltar atrás com o AO90

 

Quer que eu lhe responda? Porque Portugal não tem gente suficientemente corajosa e lúcida para reconhecer o gravíssimo erro que foi embarcar na canoa furada que o Brasil lhe pôs à porta, e porque os políticos portugueses, tal como os políticos brasileiros, sofrem de um complexo de inferioridade tal, se bem que por motivos diferentes, que uns acham que têm de esmagar o ex-colonizador, através da Língua; os outros acham que como os ex-colonizados são milhões, a escrever uma língua que eles acham que é portuguesa, há que ser subserviente ao “gigante”.

 

E isto só diz da pequenez de espírito dos que assim pensam.

 

Diz a Laura: «O mundo está mudando e precisamos encontrar uma forma genérica para as duas variantes é uma desvantagem continuarmos assim no mercado de softwares».

 

De que “duas” VARIANTES está a falar a Laura? Uma variante eu sei que é o DIALECTO (= variante de uma língua que apresenta particularidades fonéticas, lexicais, morfológicas, sintácticas) BRASILEIRO, que é uma variante da Língua Portuguesa. Chegados aqui, qual é a outra variante? Que eu saiba, todos os outros países da CPLP mantiveram a Língua Portuguesa intacta, e foram enriquecendo-a com os próprios regionalismos. Qual o problema no mercado de software, se a língua do mercado do software é a INGLESA? Pretendem que digamos à brasileira “mercado logiciário ou mercado de suporte lógico”?  Mil vezes o anglicismo, porque a linguagem técnica não é traduzível, assim como não são traduzíveis os nomes próprios.  Ninguém diz João Lenão. Sabe quem é? Um cantor, dos mais badalados, já falecido, fundador da Banda mais famosa do mundo, cujo nome traduzido é um horror linguístico.

 

Diz a Laura: «A maioria dos estrangeiros procuram o português brasileiro para aprender a falar

 

A maioria dos estrangeiros procura (não procuram; consegue ver a diferença?) o português brasileiro (= dialecto brasileiro) para FALAR, comunicar, porém, quando querem aprender o IDIOMA PORTUGUÊS não é o “brasileiro” que eles procuram, mas sim o PORTUGUÊS, o original, o europeu, o que é da grande família indo-europeia. E isto é um facto, não é uma ideia. Contudo, agora, vêm-se aflitos por causa do mal-amanhado acordês. A Língua Portuguesa, tal como está, será uma Língua para esquecer. E isto é um facto. Não, uma ideia.

 

Diz a Laura: «Os padres jesuítas que adaptaram o idioma depois que Marques de Pombal proibiu a pronunciação de qualquer outro idioma que não fosse o português».


E o Marquês de Pombal estava no seu direito, uma vez que o Brasil, naquela época, era território português e em território português fala-se a Língua oficial, ou seja, o PORTUGUÊS. Com toda a lógica. E os padres jesuítas também fizeram bem em adaptar a Língua, uma vez que o objectivo deles era evangelizar, e não se pode evangelizar numa Língua que os indígenas não conhecem. E isto faz parte da História da época. Quer se goste, ou não se goste.

 

Ora acontece que, hoje, o Brasil é um país independente e Portugal NÃO É território brasileiro. Então, por alma de quem é que os PORTUGUESES têm de grafar à brasileira, se os brasileiros se recusaram a grafar à portuguesa?  Por serem milhões? A quantidade jamais foi bitola para esmagar a qualidade. Muito pelo contrário: quanto maior a quantidade, menor a qualidade. Isto acontece em tudo.   

 

Dia a Laura: « E anos mais tarde Getúlio Vargas proibiu que os imigrantes europeus e asiáticos famintos, depois da segunda grande guerra, falassem outro idioma além do português


E Getúlio Vargas fez muito bem em proibir as “outras falas” que não a brasileira. Se assim não fosse o Brasil viraria uma BABEL. E não sei se sabe que para se ter uma determinada NACIONALIDADE um dos requisitos é saber falar a língua do país, e em Portugal, fala-se Português, não, Brasileiro.

 

E por fim a Laura diz algo muito estranho: «Lembre-se: a língua é um organismo vivo em constante mudanças

 

É verdade que a Língua é um organismo vivo em constantes mudanças (plural). Mas não é verdade que nessas constantes mudanças a Língua tenha de sofrer mutilações e reduzir-se ao dialecto (= variante) de uma ex-colónia.

As mudanças sempre se fizeram com fito no AVANÇO, não, no RECUO.
E o AO90, impingido a Portugal ilegalmente, constitui um monumental recuo, um retrocesso único no mundo: fazer regressar uma Língua, que deixou de ser um dialecto do Latim, para se tornar numa Língua Independente e Íntegra, a um dialecto oriundo dessa mesma Língua, que uma ex-colónia adoptou, com a agravante de se ter tornado numa “coisa” que nem é português, nem brasileiro; mas simplesmente numa mixórdia ortográfica que põe Portugal fora da família linguística indo-europeia.


E isto não é algo que os Portugueses dotados de espinha dorsal possam aceitar de ânimo leve.



Daí que, cara Laura Borelli Cabral, não venha para aqui tentar que atiremos fora a Cultura de um dos países mais antigos da Europa, que tem uma das também mais antigas Línguas da Europa, só por causa da desvantagem no mercado do software, que não é por acaso que se serve da Língua Inglesa para comunicar. Ou os Brasileiros não são capazes de escrever em Inglês, os vocábulos próprios da tecnologia informática, por terem muitas consoantes não-pronunciáveis, e querem reduzi-la ao básico e traduzi-la inabilmente?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:47

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Domingo, 17 de Maio de 2020

Matemos a charada, amigos desacordistas!

 

Enviei aos senhores governantes de Portugal um texto com este título:

 

PARA PORTUGAL!

E perguntei-lhes: «Qual o sentido de PARA PORTUGAL

Este “para” é uma preposição ou um verbo? E conforme for uma ou outra coisa, o sentido da minha pergunta ou vai para norte ou vai para sul.

O que eu pretendo dizer depende da decifração desta charada.

Mas há mais.

 

IGNORÂNCIA.jpg

Vamos fazer de conta que o boneco da esquerda representa os desacordistas, e o da direita, os acordistas.

 

O da esquerda pergunta:

- O que é pior? A ignorância ou a indiferença?

 

Responde o da direita:

- Nem sei, nem me importa!

 

Devido a este não saber e não importar, a Língua Portuguesa anda por aí a morrer de fome de consoantes, de acentos, de hífenes, empobrecida, esfarrapada, maltratada, e Suas Excelências, lá do alto dos seus postos de faz-de-conta que governam Portugal e zelam pelos seus interesses e pelos interesses dos Portugueses, estão a permitir um caos ortográfico que, a continuar assim, acabará por arruinar definitivamente o Português, que já perdeu o seu berço, a sua História de mais de 800 anos, a sua beleza.



O Português que se escreve por aí, e que os órgãos de comunicação social, particularmente os televisivos (que dão mais nas vistas) disseminam abundantemente, e cujas legendas e rodapés de notícias estão nas mãos de semianalfabetos, já não é Português, mas tão-só uma mal-amanhada massamorda, graças a políticos pouco esclarecidos e muito desalumiados que decidiram arvorar-se em donos da Língua, e fazer dela o tapete comunitário em que todos limpam os pés, à entrada de Portugal. E apenas em Portugal, onde, reza a História, nasceu a Língua Portuguesa. Mas não parece. Por incrível que pareça, parece mais que nasceu em África, nomedamente em Angola ou Moçambique, onde a Língua mantém as suas origens europeias.

 

Querem uma amostra?

 

CORROPIO.png

DEFENIR.png

Deficientes audiovisuais.png

EXTENDIDA.png

EXTENDER.png

 

excessionais.png

TRAGEFONAS.png

VINHAIS.png

Fonte das imagens:  

https://www.facebook.com/groups/observatoriodaasneira.emaccaocontraoacordo/

 

 Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:00

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