Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026

O AO90 NÃO é um “fato consumado”... nem pouco mais ou menos, embora os não-pensantes considerem que é.....

 

A luta contra o AO90 é uma luta com um exército enorme sentado no campo de batalha, e talvez uma dezena  a lutar com as armas que tem: as palavras. Uma luta não se faz nem se ganha apenas com meia dúzia de pessoas a falar entre si sobre o quão nocivo é o AO90, e outras tantas a repetirem-se publicamente nos artigos que escrevem, eu incluída, a dizer coisas que toda a gente pensa, mas não tem a coragem de dizer alto. Eu já estou farta de me repetir. É que o meu conhecimento sobre esta matéria é empírico, é de experiência feito, por ter estado no local do crime, ou seja, no país onde o AO90 foi parido, vendo, ouvindo e lendo o que 99,99% dos que se dizem desacordistas não viram, não ouviram, nem leram, por isso, não sabem.

É preciso que os que se dizem anti-AO90 e pertencem às altas esferas intelectuais, tais como figuras públicas, professores no activo e reformados, linguistas, escritores, jornalistas, tradutores, revisores, editores, saiam da sua bolha de conforto e venham a público, usando os meios de comunicação social ao seu alcance, para clamarem o anti-acordismo que dizem defender, mas só o fazem em privado.

Não vejo nada disso. E no que me toca, sinto-me desacompanhada pela grande, grande maioria dos subscritores do Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes (porque os há não-pensantes), mas acompanhada pelos meus leitores fora de Portugal, espalhados pelos quatro cantos do mundo. Se bem que o apoio que recebo em privado não chega aos olhos e ouvidos dos acordistas que me seguem para tomarem o pulso desta luta, que eles acham que é uma luta perdida, por saberem que uma luta não se ganha com meia dúzia de lobos a uivar à Lua e a repetirem-se repetidamente, porque tudo já foi dito e redito e tredito sobre a perniciosidade do AO90, e os que têm visibilidade pública não se atrevem a dizer em uníssono e desassombradamente, em público, que o rei vai nu. Porquê?

Os desacordistas sabem que  a Língua de Portugal está a afundar-se, cada vez mais, tendo neste momento apenas a cabeça de fora, mas não está na situação de faCto consumado, nem pouco mais ou menos... 

Vejo-me quase sozinha a passar a mensagem da nocividade do AO90; a desmentir as mentiras que se dizem a respeito da nossa Língua, da nossa Cultura, da nossa História; a corrigir os erros que são cometidos em nome da ignorância linguística, nas redes sociais, no YouTube e onde quer que se diga mal da Língua de Portugal, ou onde ela é usada desadequadamente, com a intenção de a denegrir. Estou sempre atenta. Estou lá, mas não vejo mais ninguém a contestar.

A Internet é um antro de mal-escrever o que teimam em chamar Português, mas já não é, e se todos colaborassem na missão de levar o saber onde impera a ignorância, talvez os apátridas assumissem que, afinal, a contestação ao AO90 é uma realidade e existe em grande escala.

AntÔnio Costa.PNG

 

Este é o apelo que faço a todos os desacordistas, para não termos de levar com António Costa, ex-primeiro-ministro de Portugal, que contribuiu aceleradamente para o caos ortográfico no nosso País, a permitir que o tratem por AntÔnio [a não ser que já tivesse rejeitado a nacionalidade portuguesa] e a usar uma construção frásica brasileira na sua publicação: estou acompanhando a situação na Venezuela (...)

 

Podem dizer-me ah! isto é uma tradução...

Até pode ser.

Mas jamais traduziriam o nome da Senhora Merkle, por Merqle.
E a construção frásica brasileira significa que a União Europeia optou pela Variante Brasileira da Língua de Portugal, rejeitando a Língua original, algo que não fizeram com mais nenhuma outra Língua Oficial da EU. E tudo isto com o aval do Antônio, que se está nas tintas para Portugal. Fez os estragos que fez cá dentro, foi para a União Europeia e lá continua a desprezar a nossa Língua.

Mas isto, repito, não é um facto consumado, porque pode ser revertido, a qualquer momento, assim o queiram os Portugueses dotados de massa cinzenta.

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:31

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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2025

Academia das Ciências de Lisboa acolheu a II reunião do grupo multilateral de reflexão sobre Língua Portuguesa do IILP – Esperava-se que concluíssem que o AO90 é uma idiotice, que cria idiotas funcionais, e o anulassem a bem da racionalidade...

 

... no entanto, ao que parece, o encontro serviu apenas para continuar a empurrar com a barriga um problema que afecta Portugal mais do que outro qualquer país da dita CPLP.

Na Iª reunião  Portugal foi representado pela Academia Brasileira de Letras, e isto diz tudo da subserviência de Portugal ao Brasil, não tendo ninguém com capacidade para substituir a Academia de Ciências de Lisboa, que não pôde estar presente nesse encontro.  

 

Já basta o estrago que fizeram até aos dias de hoje!!!!

Errar é humano, mas insistir no erro é INSANO!

 

Nesta IIª reunião   continuou a insistir-se no ERRO.

 

A notícia, um tanto ou quanto SECRETA [os média portugueses estão proibidos de noticiar tais encontros dos predadores da Língua] está escrita em acordês, e para que os Portugueses saibam como se escreve, em PORTUGUÊS, as palavras que estão assinaladas a vermelho, elas vão correCtamente escritas entre parêntesis reCtos, a verde.

O secretismo destas reuniões diz da má-fé, com que elas são feitas. Muito, muito lamentável.

Tenha-se em conta as sábias e lúcidas palavras de Constança Cunha e Sá, falecida há dias.

 

CONSTANÇA Cunha e Sá.jpg

 

Exactamente, Constança Cunha e Sá.

Descanse em paz, se puder, porque nós cá neste pedaço de terra à beira mar plantado, em que vivemos, temos de continuar a defender a nossa amada Língua, de predadores, dos mais idiotas que existem.

 

Isabel A. Ferreira

***

 

A II Reunião do Grupo Multilateral de Reflexão sobre Língua Portuguesa (GMR-LP) do IILP teve ontem, dia 4, início com a presença de representantes de Angola (Ministério da Educação e Comissão Nacional do IILP), Brasil (Academia de Letras do Brasil e Representação Permanente do Brasil junto da CPLP), Cabo Verde (Ministério da Educação), Portugal (Academia de Ciências de Lisboa e Camões - Instituto da cooperação e da Língua/Comissão Nacional do IILP de Portugal), Timor-Leste (Comissão Nacional do IILP e Representação Permanente de Timor-Leste junto da CPLP) e do IILP (Diretor [DIRECTOR] Executivo e Assistente da Direção) [DIRECÇÃO] . Por problemas logísticos, as delegações de Moçambique (Ministério da Educação) e da Guiné-Equatorial (Ponto focal e Coordenador Nacional para Assuntos CPLP) juntam-se à reunião no segundo dia de trabalhos.

Por proposta da Academia das Ciências de Lisboa no decurso da primeira reunião, na cidade da Praia, em 2024, este segundo encontro decorre em Lisboa, na sede da ACL, tendo o seu Presidente, Prof. Doutor José Francisco Rodrigues, salientado, na intervenção de abertura, a sua satisfação pelo acolhimento da reunião, o compromisso da organização, no exercício da missão que lhe cumpre, com a promoção da língua portuguesa através de várias iniciativas e projectos [PROJECTOS] do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa e o balanço muito positivo queefetua [EFECTUA] da colaboração com o IILP, formalizada no protocolo assinado em maio [MAIO], que apresenta já resultados concretos e linhas de trabalho futuras já bem definidas, a que se junta o firme interesse em continuar a colaborar com este grupo de trabalho, em concreto.

 

Na sua intervenção, o Diretor [DIRECTOR] Executivo destacou o facto de a realização desta segunda reunião, com uma adesão crescente de entidades representativas dos Estados-Membros da CPLP, representar, desde logo, o reconhecimento da pertinência e da oportunidade da criação, em 2024, deste fórum de partilha e de  reflexão em torno de matérias de política e gestão linguística de interesse para todos os países, procurando plataformas de colaboração e de articulação que concorram para o melhor cumprimento da missão do IILP, o fortalecimento das comissões nacionais e o enriquecimento de uma agenda para a promoção da língua portuguesa como língua pluricêntrica.

A agenda da reunião, que se estende ao dia 5, compreende três tópicos de discussão (Ampliação das discussões sobre recursos lexicais e ferramentas digitais para a promoção da diversidade e da variação da língua portuguesa; VOC: Estratégias para a ampliação, atualização [ACTUALIZAÇÃO] e gestão do Vocabulário Ortográfico Comum e Tecnologias da língua e variação linguística). Aprofundar temas e reflexões que integraram a agenda da primeira reunião; efetuar [EFECTUAR] o balanço de ações [ACÇÕES] cuja realização decorreu já de recomendações da primeira reunião; articular novas iniciativas conjuntas no âmbito do desenvolvimento de projetos [PROJECTOS] e de ferramentas de promoção da língua portuguesa numa perspetiva [PERSPECTIVA] pluricêntrica figuram entre os principais objetivos [OBJECTIVOS] do encontro.

Fonte:  

https://iilp.cplp.org/2025/12/05/academia-das-ciencias-de-lisboa-acolhe-ii-reuniao-do-grupo-multilateral-de-reflexao-sobre-lingua-portuguesa-do-iilp/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:05

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Sábado, 15 de Novembro de 2025

«Montenegro quer ser o coveiro da Língua Portuguesa»

 

in Blogue «3P - Portugal País de Patetas»

 

Professor  Ngũgĩ wa Thiong’o.png

 

Montenegro quer ser o coveiro da Língua Portuguesa

 

As crianças portuguesas em idade escolar podem ter de aprender a sua língua materna com sotaque de uma variante da mesma, se a contratação de professores brasileiros for aprovada por imbecis.

 

Aug 16, 2025

O anúncio de que um político “português”, Montenegro, pretende “importar” professores brasileiros para ensinar Português na Primária é um sinal mais da choldra de políticos que domina, de forma feudal, um país que se deixa enrolar em todas as tretas.

 

Afinal, um povo tem os políticos que merece… e este povinho – que não merece a designação de Povo porque de há muito perdeu o sentido do que isso é – tem um Montenegro, que pretende mesmo ser o coveiro maior da Língua Portuguesa. Com o beneplácito de Lula, esse polvo político do Brasil.

 

Depois dos Cavacos, Sócrates e outros políticos de má fama que este País teve - e tem - de sustentar, se terem comprometido com a hegemónica ambição de Lula da Silva de querer “todo o mundo a falar brasileiro” – uma meta que aparentemente António Costa perfilha, ciumento do sotaque da variante brasileira do Português falada naquele país – é a vez de Montenegro vir dizer que “Nós temos todo o interesse, temos mesmo todo o interesse, em recrutar professores, nomeadamente professores para o ensino primário, o ensino do ciclo básico, do primeiro ciclo” , o que parece ser a forma mais rápida de acabar com o Português. Mata-se a Língua de forma rápida, fazendo com que logo na chegada à escola as crianças comecem a falar… brasileiro. Imagino o que diria Camões se soubesse quão estúpido este outro Luís é! Ou talvez esse seja o plano desta “montanha negra” que ensombrou a política portuguesa.

 

Para que fique claro: o Português é uma Língua. O que se fala no Brasil é uma variante brasileira do Português. Deixem-se de tretas com a ideia de uma variante europeia do Português e outras idiotices quejandas. O Português é a matriz, o que se fala no Brasil é algo que perdeu a ligação às origens da língua e enveredou por uma senda própria que, por não ter matriz, corta “cês” e “pês” a eito. Como muitos sugerem, e o autor há muito defende, chamem-lhe Brasileiro, Brasilês, o que quiserem… mas não toquem na minha Língua! (...)

 

Infelizmente, apesar do que esta medida que Montenegro pretende implementar significa para a sobrevivência da Língua Portuguesa – que tantos parecem querer matar – poucos parecem importar-se, porque Portugal é um País de Patetas, de modo geral, havendo mui poucas cabeças pensantes numa população que, sempre avessa à escrita e leitura, mal consegue passar ao papel as suas ideias. E para quem a felicidade está no futebol, centros comerciais, apps de desconto e pouco mais…

 

A importação de professores Brasileiros para ensinar Português só podia mesmo sair da cabeça de PATETAS – e da corja de políticos e seus sequazes d’aquém e d’além mar, interessados nessa medida, – mesmo se isso significa, além da morte da Língua Portuguesa, um maior desemprego para os professores portugueses… que talvez agora se arrependam de não terem feito frente à implementação – ILEGAL diga-se – do A(b)cordo Ortográfico, quando o podiam ter feito. Tivessem os professores os ditos no sítio para dizer não ao “Abortês” e teriam, agora, menos uma preocupação pela frente. Mas como nem tugiram nem mugiram, salvo algumas excepções, e acataram a ordem de cortar “cês” e “pês” contentes com essa “modernização” simplista da Língua Portuguesa, agora vão ter de engolir mais um sapo.



Afinal, são mais uns PATETAS num reino de PATETAS que engole sapos a torto e a direito. Agora vão ter de engolir mais um sapo, este de Montenegro… a mando de um Lula.

 

Fonte:  https://portugalpaispatetas.substack.com/p/montenegro-quer-ser-o-coveiro-da

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:55

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Sexta-feira, 14 de Novembro de 2025

«A língua de pau de todos os dias», por Manuel Matos Monteiro

 

“Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.”

 

 

MANUEL MM.PNG

 

É oficial: já não há repercussões, efeitos, consequências, embates, colisões — há impactos. Impactos que impactam. Não se consegue, muitas vezes, divisar se beneficiam, prejudicam, influenciam, mas que importa isso? Importante é a violência sonora e o perfume inglês (língua em que a palavra impact superabunda): os impactos impactam e deixam outros impactados (há quem diga a palavra tão rapidamente, que soa a “empacotados”). As pessoas e as coisas são constantemente impactadas.
 
Disse “constantemente”? Isso já não se usa. Nada é frequente, ou ocorre frequentemente, nada é comum, ou ocorre comummente, nada é usual, costumeiro, habitual, regular, e os diferentes matizes das palavras, as modulações de significado dos diferentes vocábulos só atrapalham. Papagueemos o que ouvimos a toda a hora (sem sequer haver poupança silábica): tudo é recorrente, tudo acontece recorrentemente. É mais simples. É mais rápido. É mais moderno.

 
Regressemos ao “impacto”. Não raro, Fulano não tem influência no balneário (entre uma caterva de exemplos) — ele tem impacto no balneário. Não raro, Fulano nem deixa a sua marca — deixa o seu impacto. Ou, como se diz hoje, naquilo que é o balneário. É impressionante. Ou impactante. Whatever!

 
Em cima disto tudo, ainda temos as aberrações fomentadas pelo espírito do infausto acordo ortográfico (que pouco tem de acordo e de ortográfico) — em 31 de Julho deste ano, podemos ler no Diário da República: “colete de impato e flutuação”. De “impato”. Quem anda frequentemente (recorrentemente, leia-se) atento a estas monstruosidades do acordês já havia encontrado (e denunciado, incluindo em Camilo e Saramago) e ferido os olhos e ouvidos com patos de silêncio, patos de estabilidade, patos com o Diabo, patos com Satanás.

Naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude. Ou como sói dizer-se hoje: dizer que, naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude.

A macaqueação, a redução do léxico, a mecanização da linguagem e do pensamento são metuendas, isto é, creepy, mas nunca desistamos, porfiemos sempre, isto é, sejamos sempre resilientes, pesem embora as baixas expectativas (outra palavra de todas as horas). Afirmar que o expectável não é incrível (leia-se: “maravilhoso”), mas pelejemos. Quem lê este texto poderá pensar que o estado de espírito (o mood, aliás) daquele que burila estas linhas não é incrível, mas, se de ora em diante, tiver os olhos e os ouvidos de vigia, não passará um dia sem tropeçar recorrentemente nestes aleijões. Concentre-se e comprove-o por si. Sentir-se-á overwhelmed.

 
Concentre-se? Perdão, foque-se. Foca-te, foco-me, o meu foco, o importante é focar de três em três minutos: atente (foque-se, quero dizer) na quantidade de focas e focos (quais animais fêmeos e machos) que ouve e lê por hora. É por essa razão que estou a inventariá-los. Inventariar? Pausa, pausa, pausa. Não se inventaria, nem se lista, nem se enumera — elenca-se.

 

Nem tudo é mau, porém, porque, nos dias de hoje, há sempre, sempre, sempre janelas de oportunidades para coisas bonitas. Que disse? Também já não se diz assim: para coisas diferenciadas, leia-se. Eis uma palavra que vai invadindo as diferentes áreas do saber e sendo crescentemente utilizada, ou seja, e traduzindo para português hodierno: há uma escalada do vocábulo “diferenciado”. Escalada essa que… vai escalando e escalando. Vivam os automatismos que evitam pensar e perder tempo!

 
Lembremo-nos sempre: já temos um adjectivo obrigatório para quando morre certa pessoa com determinada exposição mediática — na esfera pública, impõe-se dizer que morreu uma figura incontornável. Lembremo-nos ainda: se não sabemos o que foi, diga-se que foi um evento interessante. Essas duas palavrinhas dão para tudo. São, no fundo, brutais. Ou incríveis. Em suma: são vocábulos que provocam boas vibes.

 
E, claro, nos diálogos, mormente das gerações mais novas, enxameia-se a linguagem escrita e falada com “imagina”, “tipo”, “é do género”, “basicamente”, e os verbos colocar e partilhar (que deslizou do mundo digital para o dia-a-dia, tal como o pesquisar; já só falta pesquisar se temos as chaves, a carteira e o telemóvel quando saímos de casa).

 
— Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.

— Tens razão nessa cena, basicamente. Quando coloco a minha atenção nas cenas, tipo, é incrível. Obrigado por partilhares comigo.

 
Quanto mais familiarizado o leitor estiver com outras línguas (olá, inglês), mais fundamente perceberá que as hodiernas palavras ubíquas são um epifenómeno da globalização linguística.

Fonte: https://www.publico.pt/2025/11/12/opiniao/opiniao/lingua-pau-dias-2154348#
 
 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:15

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Domingo, 9 de Novembro de 2025

Périplo pelo último artigo de Nuno Pacheco no Jornal PÚBLICO, sob o título «Em português, se faz favor. Muito bem; mas qual deles?» - Esmiuçando os comentários (Parte II)

 

Como sempre, os artigos de Nuno Pacheco geram muitos comentários, uns mais a favor do que outros, e como para esta questão da Língua Portuguesa parece que ainda não se vislumbra o fim, que virá, só ainda não se sabe quando, respigo alguns comentários feitos ao  texto  de Nuno Pacheco que chamaram a minha atenção, e é sobre eles que me proponho a discorrer hoje.

 

Mas antes quero dizer isto: Portugal está na cauda da Europa em quase, quase tudo, e também no desleixo que governantes, professores, canais televisivos, alguns escritores, jornalistas e tradutores, e uma massa amorfa de portugueses servilistas, que vão atrás de modismos, apenas porque não sabem pensar por si próprios, dedicam à Língua Oficial do País que servem de um modo bastamente medíocre.


Penso que já era tempo de se deixar de venerar a Ignorância e a Estupidez que grassam por aí, chamando a atenção dos que as veneram para o mal que estão a fazer a Portugal e a si próprios, quando decidem expor publicamente a miséria cultural que os embriaga, ainda que anonimamente, como é apanágio dos cobardes.

COMENTÁRIOS ARTIGO NUNO - 1.PNG

 

O Fernando. Camencelha deu a sua opinião, e a ela tem todo o direito. Porém, na realidade, e tal como disse a Maria do Vieira, o Fernando não tem a noção do que diz.


Limitou-se a repetir o argumento sem pés nem cabeça usado pelos acordistas-mor, para justificar a introdução em Portugal, de uma grafia que não nos diz respeito e jamais dirá. Sabe porquê? Porque enquanto houver no mundo um português, apenas UM português, que se preze de o ser e que respeite os símbolos do seu País, a Língua Portuguesa estará a salvo.

Se em 2125 só houver quatro milhões de portugueses, a Língua Portuguesa será uma Língua minoritária, mas continuará VIVA.  O Galego, Língua-gémea do Português, esteve quase a extinguir-se, com a imposição, na Galiza, do Castelhano, e vou citar uma passagem do livro «Historia da Língua Galega», referido no texto que ontem publiquei, contada na primeira pessoa como se o Galego fosse gente: «Ora ben, afortunadamente, mesmo nas peores épocas, sempre contei com defensores entre os galegos, com xente que loitou pola dignificación e defensa da súa fala dentro da Galiza, tradición reivindicativa procedente das classes sociais cultas e que estivo acesa ininterrompidamente até a actualidade». (Pág. 28).

 

Fiz questão de não traduzir esta passagem do livro, do Galego para Português, porque como Línguas-gémeas, e quem assim as designa são os autores do livro, que português não conseguirá perceber o que aqui está escrito?

 

Pois o mesmo está a acontecer com o Português, genetriz de muitas Variantes, o qual tem muitos defensores espalhados por todo o mundo, e que também manterão acesa a Língua ininterrompidamente até ao final dos tempos. Graças aos defensores do Galego, esta Língua foi recuperada e hoje é uma das Línguas co-oficiais de Espanha.

COMENTÁRIOS ARTIGO NUNO - 2.PNG

 

Ai o a.galrinho! Escreve em que linguagem? Nem é Português, nem é Acordês, nem é Brasilês. Tem todo o direito de opinar, mas ao menos opine numa linguagem correCtamente escrita, e que se entenda. O a.galrinho quer regressar à linguagem básica, de comunicação apenas. Porém, a função de um Idioma bem estruturado é fixar o Saber e o Pensamento dos Povos. E pobre é aquele que mesmo sabendo as letras, não sabe escrever.

COMENTÁRIOS ARTIGO NUNO - 3.PNG

 

O a.galrinho ou é o protótipo do menino que foi à escola, aprendeu as letras, e depois desistiu, porque não conseguiu aprender mais do que isso, ou é um adulto que, continuando a não conseguir juntar o B com o A, vem para aqui gozar com a Língua. A isto chama-se, como bem disse a Maria do Vieira, ignorância, e uma vez que é ignorante, quer que todos sejam ignorantes também. Há gente assim. O que vale é que também há gente assado

 

COMENTÁRIO TEXTO NUNO 4.PNG

 

Martim Joane, isso é que é escrever com estilo! Muito bem.
Quanto ao vocábulo percePção, o Brasil grafa-o, vá-se lá saber porquê, à portuguesa, tal como os Portugueses, mas atenção! a falar, os Brasileiros acrescentam-lhe um i: dizem “pêrrcépição”. Quem escreve perceção são aqueles que não têm a percePção do que é um Idioma, ou seja, são uns requintados ignorantes.

Para que a parvoíce não se espalhe por aí como uma praga, declara-se aqui que a palavra percePção, em Portugal, leva o P, ainda que muitos não o queiram. Porém, como a grafia de 1945 é a que está em vigor “de jure”, a palavra escreve-se com ., e não adianta dizer que o correCto é escrever sem. Eu, por exemplo, pronuncio-lhe o , e, neste caso, concordo com os Brasileiros. O mais correCto é, portanto, pronunciar todos os pês e cês não pronunciados, como fazem os restantes povos de Línguas Românicas. Deste modo, os acordistas já conseguiriam escrever correCtamente.

 

COMENTÁRIO TEXTO NUNO 5.PNG

 

Ó a.galrinho, o documento do acordo ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é uma enxurrada de ignorâncias, de incongruências, de disparates jamais reunidos num só lugar.  Um deles, mas há-os aos montes, é o facto de o AO90 ter sido engendrado para unir as ortografias do Brasil e de Portugal. Certo?  Veja-se essa união, por exemplo, no artigo 6º do dito documento: «Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam blálábláblá...».

 

Como é sabido, o AO90 foi gerado e criado no Brasil pelo enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss, para unir as ortografias, ou seja, para que Portugal começasse a escrever à brasileira, porque eles são milhões blábláblá... blábláblá... Porém, eles lá não abdicaram dos acentos circunflexos, em Antônio, Amazônia, topônimos, enfim uma salgalhada dos diabos. Querem enganar quem?????? O documento do AO90, nem para estrumar uma terra infértil serve.


O Pedro Penha é que disse bem: o AO90 foi uma medida colonialista fora do tempo, uma fazedora de analfabetos funcionais, a começar pelos governantes que nos impuseram e continuam a impor tal palermice.

 

Comentário Texto Nuno 6.PNG

 

Decididamente o a.galrinho é adepto da simplicidade linguística. Ora isso é um sintoma muito comum entre aqueles que, não tendo nenhuma capacidade para PENSAR a Língua, precisam de a reduzir ao mínimo, para poderem escrevê-la ainda que, mesmo assim, mal.

 
Uma escrita que se aproxime da fala é a escrita das gentes primitivas. 

Não se andou milhares de anos a aprimorar a Linguagem do Homem, para virem agora uns omens que, devido a uma incapacidade atávica, querem recuar a tempos em que se faziam desenhos para que o outro percebesse o que se estava a dizer.

 

Isto só acontece porque existem dois países no mundo, Brasil e Portugal, com mais ignorantes por metro quadrado. Por este motivo, foram os dois únicos países do mundo que fizeram mais acordos ortográficos, e ainda assim, inutilmente...

 

Isabel A. Ferreira

Os comentários foram retirados daqui  

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:23

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Terça-feira, 4 de Novembro de 2025

Lei da Nacionalidade: é preciso NÃO andarem a enganar os estrangeiros com o “brutuguês” que lhes impingem, chamando-lhe Português

 

António Eça de Queiroz dixit na sua página do Facebook:

 

«Ahahhahahahhaah!!! Só a tugalhada burocrata para fazer uma lei pétrea em que mais de metade da administração pública chumbaria (políticos incluídos)»

Nacionalidade.jpg

 

Para ter a nacionalidade portuguesa os candidatos terão de demonstrar “suficiente” conhecimento de algo que nem o presidente da República, nem o primeiro-ministro, conseguem demonstrar?

 

Primeiro: em Língua Portuguesa, grafando-a incorrectamente, ou melhor, usando a grafia brasileira para a escrever, e a dizer “portuguesas” e “portugueses”, parolamente, sem terem conhecimento da Gramática portuguesa?

 

Segundo: o mesmo para a Cultura e História portuguesas que andam por aí a espezinhar, a desrespeitar, a enchê-las de incongruências e de coisas inventadas para reparar um passado que não pode ser reparado, por ninguém do século XXI depois de Cristo, que não tem culpa de nada do que se passou há séculos?

 

Terceiro: dos símbolos nacionais, (como a bandeira e o hino), que andam também a desrespeitar na Internet, nomeadamente a bandeira portuguesa estando a ser substituída pela bandeira brasileira para assinalar o Português, a Língua de Portugal? Quanto ao hino, ainda vai sendo cantado como foi criado, mas já houve tentativas de o mudar.

 

Quarto: dos direitos e deveres “inerentes à nacionalidade portuguesa”, que os políticos portugueses não respeitam, dando uma imagem de pobreza moral, social e cultural ao mundo?

 

Quinto: da organização política do Estado Português? Se perguntássemos aos deputados da Nação o que isto era, quantos seriam capazes de dissertar sobre esta matéria?



É verdade que para se ter na nacionalidade portuguesa é preciso ter algum conhecimento sobre todas estas matérias. Porém, há um PORÉM, quem iria avaliar os candidatos a portugueses se nem os portugueses abarcam estes itens com saber? 



Para exigirem, e muito bem, que para ter a nacionalidade portuguesa é preciso entranhar tudo o que dignifica o ser português, é preciso que quem vai avaliar seja PORTUGUÊS com letras maiúsculas, e como diz e muito bem António Eça de Queiroz querem avaliar os candidatos a portugueses, através de matérias em que a maioria dos portugueses, incluídos aqui os políticos, chumbariam.

 

Mas mais do que isso, é preciso NÃO andarem a enganar os estrangeiros com o brutuguês que lhes impingem, chamando-lhe Português.

Para mim, essa é a pior mentira.

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:12

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Domingo, 2 de Novembro de 2025

«O desprezo da pátria por via do desprezo da língua»

 

Esta não é uma questão de elites contra o “povo”, mas sim um confronto entre quem respeita a sua língua e quem a despreza, entre quem despreza o saber e quem sabe o que lhe falta saber.

 

José Pacheco Pereira.PNG

José Pacheco Pereira

01 de Novembro de 2025, 6:51

Há patriotismo e há nacionalismo travestido de patriotismo. Eu considero-me patriota, sei bem, quando estou cá dentro, onde estão os meus pés, em que solo piso e como esse solo me faz, e quando estou fora como falta sempre qualquer coisa. Cosmopolitismo é uma boa coisa e faz-nos muita falta, mas ser patriota e cosmopolita nada tem de contraditório porque a gente espreme, espreme e, sem diminuir o mundo, há sempre algo que nos molda antes do mundo: a pátria. Às vezes, quando falava desta diferença, citava algo que li há muito tempo sobre o teatro Nô japonês, sobre as personagens que estão vivas e os fantasmas: as primeiras mantinham os pés no chão, os segundos levantavam-nos como se levitassem. Procurei para este artigo uma referência e não encontrei nenhuma, vai como está na minha memória.

 
Há uma coisa que mais que tudo representa a pátria: a nossa língua, o português, seja o nosso, seja o do Brasil ou dos PALOP, ou mesmo dos crioulos como o papiamento. Podem falar diferente, mas a língua que está lá por trás é o português.

 

PAcheco Pereira 1.PNG

 
O que certamente não representa a pátria é o desprezo pelo português nas redes sociais e, mais importante ainda, a a indiferença política perante o maior atentado recente contra a língua portuguesa que foi o Acordo Ortográfico. Aqui está uma pergunta obrigatória aos políticos em legislativas e presidenciais que ninguém faz, e que deve ser colocada a partidos que se dizem nacionalistas e conservadores e falam o português bastardo do Acordo Ortográfico de 1990, como o Chega.

 Vejam-se estes exemplos de uma caixa de comentários na página de Facebook do Chega:

 
È por camara escondida para depois os visitar-mos na calada da noite. E apagar essas velas

 *

Eles com as coécas todas mulhadas

*

O homem está corretíssimo,mas como é um homem onesto a grande parte desta gente mamona,ou BURRA NÃO GOSTA.

*

Nem mais .. é a mesma coisa aqui na englaterra.. se fore preson por mais de um ano . Compre a pena e a deportado

*

 
Estão com medo de alguma coisa! Força André Ventura,se fores presidente da República,no CHEGA a substitutos a altura para liderar o partido! CHEGA [sic]

 *


Todos os dias, nesta página de Facebook, e por todo o lado nas caixas de comentários, escreve-se assim, e pode-se imaginar como fala quem assim se expressa. Ora, quem escreve assim não é patriota, porque despreza aquele que é um dos principais factores de identidade nacional: a língua.
 

 Esta não é uma questão de elites contra o “povo”, mas sim um confronto entre quem respeita a sua língua e quem a despreza, entre quem despreza o saber e quem sabe o que lhe falta saber. Isto hoje é uma questão política, porque a democracia precisa da consciência do valor do saber, do falar, do conhecer. Esta consciência é hoje um dos alvos preferenciais do populismo que valoriza a ignorância.

 
Quem, por razões sociais, não tem o mínimo de educação formal, vem de meios de vida difícil, não teve oportunidade de estudar, teve de atravessar muita dificuldade, muita miséria, tem vergonha de não falar ou escrever bem, porque tem a aguda consciência que isso é um factor de pobreza e exclusão. Quem, por outro lado, fala e escreve mal português e tem um vocabulário exíguo pode escrever com erros de ortografia palavra sim ou palavra não, e ser muito eficaz em usar emojis de merda em linhas e linhas ou em insultar, mas não pode bater no peito nacional pelo seu país.

 
Uma das suas ironias é a reivindicação aos imigrantes de, para terem a legalização, saberem falar português, coisa que os seus julgadores não sabem de todo. É por isso que muitos imigrantes, a começar pelos que vieram das nossas colónias, falam muitas vezes melhor, num português impecável, e querem que os seus filhos aprendam aquela que é, para muitos deles, também a sua língua natal. Teriam vergonha de escrever a língua absurda das citações acima.

 
Mas esta deterioração da língua vem de cima para baixo, vem de quem tem poder no topo para terminar nesta cloaca de ressentimento e raiva. O Acordo Ortográfico de 1990 — a que, felizmente, quem gosta da sua língua e do seu país resiste —, para além de um desastre diplomático, uma nulidade em termos de “unificação” do português — posso, por exemplo, num processador de texto, escolher a opção “português de Angola” —, traduziu-se num abastardamento da língua. Esse abastardamento foi retirar-lhe a memória, eliminando os traços da sua origem no latim. Como disse também Pessoa: “A ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.” Tiraram-lhe o pai e a mãe, obra desses firmes partidários da tradição e da família.

 
 Sim, “isto” não é o Bangladesh, mas também não é o Portugal dos que desprezam a nossa língua, a língua em que nasceram, e que usam pior do que “os” do Bangladesh a sua. Podem ser muita coisa, mas patriotas não são.

 O autor é colunista do PÚBLICO

 

Fonte: https://www.publico.pt/2025/11/01/opiniao/opiniao/desprezo-patria-via-desprezo-lingua-2152971



publicado por Isabel A. Ferreira às 18:01

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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2025

Grupo de cientistas defende que a Língua Portuguesa (ou Português) deve ser “língua prioritária” para conservação da biodiversidade global

 

A questão que podemos pôr é a de saber se esse Português é a Língua Genetriz, a Língua Portuguesa, aquela que gerou as mais diversas variantes nos territórios descobertos,  povoados, uns, ou repovoados, outros, por Portugueses, no tempo do Império Português, espalhado pela Ásia, África e América do Sul, ou se é a Variante Brasileira do Português, falada e escrita no Brasil, que tem vindo a ser imposta ilegalmente aos países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua [oficial] Portuguesa: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste. A Guiné Equatorial também faz parte da CPLP, tem o Português como Língua Oficial, mas nessa Guiné ninguém fala Português, pois foi introduzida na CPLP, apenas por motivos comerciais. E para os efeitos da conservação da biodiversidade global, inclui-se a Malásia e Indonésia.

 

Luto pela Língua Portuguesa.png

 

É preciso fazer aqui um aparte, porque uma coisa é a Língua Oficial desses países, por motivações políticas ou comerciais, outra coisa são os dialectos, falados em Angola e Moçambique, por exemplo, e até outras Línguas que se falam em alguns países, como é o caso do Brasil, onde se falam actualmente 274 Línguas e dialectos nativos, de acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) em 2022, que considera também as variantes (dialectos); e de Cabo Verde, que já tem a sua Língua Cabo-Verdiana.
 

É inacreditável como a Língua Portuguesa, a Língua dos Portugueses, a Língua de Portugal, o Português anda por aí na boca do mundo, com vídeos no YouTube onde se diz os maiores disparates sobre uma Língua que desconhecem e da qual se atrevem a falar.

Mas mais inacreditável ainda é não haver nenhum linguista, nenhum jurista, nenhum tribunal, nenhum governante com bom senso, nenhum professor, nenhum escritor, nenhum jornalista que venha ao terreno repor a verdade. Esse tem sido o meu trabalho nos últimos tempos. E não vejo mais nenhum português a defender a Língua Portuguesa, nesses vídeos.

 

Portugal é mesmo uma República DOS Bananas!

 

 Ver aqui a notícia, que deu origem a este meu alerta.


Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:47

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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2025

Da Dinamarca: «Revolta-me, entristece-me e frustra-me confrontar-me com novas palavras, não saber o que significam e como pronunciá-las. (...). Que raio de linguagem é esta que se usa agora em Portugal?» pergunta Fernando K.

 

Uma vez mais chegou-me da Dinamarca outro desabafo de Fernando Kvistgaard, um cidadão luso-dinamarquês entristecido por ver a sua Língua Materna tão maltratada, no País do seu próprio berço.



O sentimento do Fernando também é o meu sentimento e o de milhares de portugueses que, por esse mundo fora, sofrem ao ver a Língua Portuguesa tão maltratada, tão amesquinhada, tão mal escrita, tão mal falada, tão insultada, tão desprezada, atirada ao lixo acordista.



É natural que quem vive fora de Portugal, sabendo Português, quando se depara com palavras estranhas, como exceções, informacoes, efetiva, entre muitas outras, fique triste, frustrado, doído, sem saber o significado destas palavras alienígenas e como se pronunciam.

Fernando 1.JPG

Fernando 2.JPG

Fernando 3.png

 

Responderei ao Fernando o seguinte: nenhuma dessas palavras tem correspondência no Português, na Língua Portuguesa.

 

O vocábulo Exceções, que se lê “eisc’ções”, é desconhecido em Língua Portuguesa. É uma parolice criada pela ignorância daqueles que, seguindo o ilógico AO90, acham [se tivessem a capacidade de PENSAR, não achavam] que as consoantes que NÃO se lêem NÃO são para escrever, como se isto pudesse ser uma regra gramatical em linha recta. E esta nem os Brasileiros, que foram os precursores da eliminação, sem critério algum, das consoantes que não se pronunciavam, mas com função diacrítica, a mutilaram. Escrevem-na conforme a grafia portuguesa: excePções. Porquê? Porque os Brasileiros pronunciam o em excePções. Porém, NÃO pronunciam as consoantes numa infinidade de vocábulos, como: objeto – “ob’jêtu”; objetivo – “ob’j’tivu; setor – (s’tôr); teto – “têtu”; direto – “dirêtu”, etc., por isso, as mutilaram, e pronunciam-nas com a consoante aberta, erradamente.

Dão umas no cravo, outras, na ferradura, não tendo seguido um critério científico e igual para todas as consoantes, que têm uma função diacrítica, ou seja, a função de acentuar as palavras, abrindo-as.

 

O mesmo se aplica na palavra efetiva, que se lê “if’tivâ”, que é um vocábulo que NÃO pertence à Língua Portuguesa, sendo exclusivo da Variante Brasileira do Português, portanto, em Português é erro ortográfico.

É por estas e por outras, que sou adepta de que se pronunciem todas as consoantes com função diacrítica, como o fazem, por exemplo, os Ingleses, os Franceses, e os Espanhóis.


Tomemos por exemplo a palavra direCtor, que em Português escreve-se com e lê-se di-ré-tôr; em Inglês escreve-se do mesmo modo que em Português, direCtor, e lê-se dai-rék-tuh, com o pronunciado; em Francês, escreve-se direCteur, e lê-se di-rrék-târr, com otambém pronunciado; em Castelhano escreve-se direCtor, e lê-se di-rék-tôr, com opronunciado; em Brasileiro escreve-se diretor e lê-se dji-ré-tô oudji-ré-tôrrr, abrindo o E, ainda que não tenha lá o, cuja função é abrir o E, e este é um vocábulo exclusivo do Brasil.

 

Então pergunto-me: porque é que em Português não havemos também de pronunciar o , em direCtor? Desse modo, os governantes e restantes acordistas, uma vez que não conhecem a palavra, saberiam que o vocábulo direCtor escreve-se com . E não a conhecem porque NÃO lêem. Aprendemos a escrever, lendo, visualizando as palavras. É desse modo que as crianças aprendem a escrever e a ver os cês e os pês, nos respeCtivos lugares.

Quanto ao vocábulo informacoes, na imagem está cedilhado. Falta-lhe o til, o que torna a palavra difícil de pronunciar: “infurmâçóes” (talvez!) Não sei dizer-lhe.

 

 «E, já agora: Morada = New address em inglês?» Pergunta o Fernando.

O Inglês information, post office, new address justifica-se talvez para chegar a clientes estrangeiros. É comum, em Portugal. Nós lá fora é que não temos dessas sortes. Se não conhecemos a Língua, temos de perguntar, ou levar um dicionário.

Espero ter respondido às suas dúvidas, Fernando Kvistgaard.

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:53

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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2025

Como é possível Marco Neves dizer que «andar para trás [no que respeita ao AO90] já não é possível», quando sabemos que isto é a maior falácia disseminada pelos acordistas, para manterem ignorantemente o ilógico (des)acordo ortográfico?

 

Marco Neves é professor na NOVA FCSH e investigador na área das línguas, literaturas e culturas, e autor de vários livros. Diz-se anti-acordo ortográfico. Será mesmo? Ou está a jogar com um pau de dois bicos, para agradar a gregos e a troianos? Será um NIM?


Foi com alguma surpresa [digo alguma, porque já não é a primeira vez que Marco Neves me surpreende com  as incongruências acerca da questão da Língua] que num texto da autoria de Fernanda Cachão, Editora da Correio Domingo, do Correio da Manhã, li as palavras do professor, neste excerto que passo a transcrever:

 

 «[O AO90]Tem um grande pecado à partida que é a sua inutilidade. Sempre existiu o português do Brasil e de Portugal e a ortografia era um pormenor. Acho que se criou uma instabilidade na maneira como nós encaramos a ortografia e depois esta consequência quase divertida de termos não duas mas três ortografias da língua portuguesa – que é a do Brasil, porque houve coisas que se mantiveram, a portuguesa de Portugal e a ortografia angolana e moçambicana porque eles não aceitaram o acordo. Eu não tenho solução para isto – andar para trás já não é possível.»  


Em primeiro lugar, não existe Português do Brasil e de Portugal. Existe o Português (a Língua dos Portugueses, dos Angolanos e dos Moçambicanos) e a Variante Brasileira do Português, e isto é assim por uma questão óbvia, que não devia passar ao lado da avaliação dos linguistas: o Brasil afastou-se do Português na Ortografia, no Léxico, na Morfologia, na Sintaxe, na Semântica  e principalmente na Fonética onde as diferenças são abismais, e não é mais Português.



É verdade que o ilógico AO90, engendrado pelo enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss, acolitado por outro brasileiro, Evanildo Bechara e pelo português Malaca Casteleiro, veio criar várias ortografias, trazendo instabilidade e idiotizar o Português,  quando a ideia era UNIR as ortografias brasileira e portuguesa, algo que até um calhau com olhos, a olho nu, veria que seria impossível.



Marco Neves diz que não tem solução para isto. Acredito que não tenha. Não tem, porque não está interessado em ter, porque é tão fácil recuar, como se recuou quando o AO90 foi imposto ilegalmente, quase à força, nas escolas e funcionalismo público, nele incluídos os órgãos de comunicação social, que se prestaram a aderir ao acordo, à ceguinha, sem um pingo de espírito crítico, sendo hoje os maiores difusores dos maiores disparates linguísticos, que jamais se viram em Portugal, quiçá, no mundo e arredores.



Quando impuseram o AO90, no ano lectivo de 2011/2012, toda a gente em Portugal usava a grafia de 1945, aliás a que está de jure em vigor. Havia crianças já com o primeiro, segundo e terceiro anos do primeiro ciclo feitos, e tiveram de passar do direCto ao direto, de um dia para o outro.

E foi possível, não foi?

 

Então por que é que agora NÃO é possível fazer o mesmo, tendo, como se tem todas as ferramentas digitais, como o correCtor ortográfico, apenas para referir um, que ajudam a reaprender a Língua com a maior facilidade?

 

Qual a impossibilidade disto? Por acaso acham que de repente as crianças, os jovens e os adultos portugueses se estupidificaram tanto com o uso do AO90, ao ponto de já não conseguirem reaprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna? Os que tiveram de desaprender a Língua para a escreverem incorreCtamente seriam mais espertos?

Não podemos admitir que os falaciosos acordistas, incluindo aqui o Marco Neves, queiram fazer de todos nós os maiores idiotas do mundo.

O ensino está um caos. A ortografia está um caos maior. A ignorância impera, e é com isto que querem fazer evoluir Portugal?

Haja discernimento por parte de quem pode, quer e manda.

 

Recuar no AO90, obviamente que é POSSÍVEL e DESEJÁVEL!

Urgentemente.

NO POMBAL 2.png

 

Isto nada terá a ver directamente com o AO90, mas tê-lo-á a ver indirectamente, com a contratação de mão-de-obra barata, que mal sabe escrever, e então uma mulher [escondida]  num pombal, foi detida por matar cinco filhos.

Se não fosse trágico dava para rir!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:52

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