Terça-feira, 11 de Janeiro de 2022

Em nome das crianças portuguesas exigimos do novo governo que aí vem, a ANULAÇÃO imediata do AO90

 

Vou recuar até ao ano de 2016, quando andaram por aí a correr umas notícias que, apesar de parecerem boas, não soaram bem… E, como desde então para cá, nada mudou, e continua-se a insistir nesses erros, trago à liça o que se disse, que é o que ainda se diz sobre o malfadado, o malparido e o mal-amanhado AO90.

 

Seria da racionalidade, os partidos políticos discutirem este tema na campanha eleitoral, em curso. Mas qual quê?

Que jornalista se atreve a pôr em cima da mesa tal assunto?

Cabeça cheia de nadas.png

Origem da imagem: Internet

 

A ACL (Academia das Ciências de Lisboa) veio a público dizer que queria apresentar, ainda nesse ano, um “estudo para aperfeiçoar o AO90”, como se o AO90 seja algo que possa ser aperfeiçoado!

 

A APP (Associação de Professores de Português) veio logo dizer que aceitava uma “revisão ligeira” do AO90, mas não a sua anulação. Revisão ligeira de algo que não tem pernas para andar, não será dar tiros nos pés?

 

A ANPROPORT (Associação Nacional de Professores de Português) por sua vez diz que a “revisão do AO90 é bem-vinda”.

Nenhuma revisão é bem-vinda. Apenas a anulação deste abortográfico é bem-vinda.

 

Tudo isto seria interessante se o AO90 tivesse alguma ponta por onde pegar. 

Mas, como sabemos, o AO90 é a maior fraude política de todos os tempos, e assenta em interesses político-económicos obscuros, e numa atabalhoada e aparvalhada visão do que é uma Língua culta e íntegra, e na ignorância de quem o aplica cegamente.

 

Esmiucemos o que disse a APP:

 

«A presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Antunes Ferreira, afirma que aceita uma “revisão ligeira” do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), “para não trazer tantos prejuízos, mas nunca anular o AO90”

 

Para não trazer tantos prejuízos a quem? Os prejuízos já são mais que muitos e continuarão a crescer até ao infinito, se AO90 não for anulado urgentemente.

 

«Relativamente ao regresso de algumas consoantes mudas, Edviges Ferreira foi clara: nós não concordamos; é muito mais simples escrever conforme falamos do que estarem a perceber ou a decorar, principalmente depois de ter abolido e estar a escrever de uma determinada forma, estar a voltar atrás”.

 

Não admira que o Português ande tão de rastos. Se a senhora disse isto assim tal e qual, não estará tudo dito?

 

Vamos lá a ver, senhora Edbiges (é assim que se fala no Porto, logo deverei escrever assim), se é mais simples escrever conforme falamos, deitemos ao lixo as gramáticas, e ensinemos às crianças o alfabeto, depois a juntar as letras e depois que escrevam conforme falam. E teremos uma Torre de Babel no nosso minúsculo país, que de terra, para terra, fala-se de modo diferente.

 

Cá para os meus lados diz-se ceboles e batates.

Mais ao sul, dizem se nan qerem ir nan van.

Ao norte, bai-se de calqer jeitu.

Em Lisboa paceiase à bâira riu.

 

A senhora Edbiges parece não ter andado na escola, e não aprendeu a decorar. Todos nós decorámos tudo e cantávamos todos os rios e seus afluentes e linhas de comboios, e montanhas e mais tantos outros saberes, apenas com 8/9 anos. Só os menos dotados intelectualmente é que se atrapalhavam.

 

Não é desse tempo a senhora Edbiges.

 

A senhora referiu ainda que «observando as contestações ao AO90, o nível etário das pessoas é bastante elevado, em média, o que significa que há sempre aquelas vozes, que são os ‘Velhos do Restelo’, que tudo que seja mudança, não a vêem com bons olhos».

 

Como disse senhora Edbiges?

 

«Velhos do Restelo»?

 

Não sei se a senhora ensina crianças, se ensina, pobres crianças.

 

A senhora conhece a expressão “Velhos do Restelo”, mas não sabe o que significa.

 

Nesta jornada anti-AO90, existem muitos jovens, que de velhos do restelo nada têm. O que têm é bom senso e amor à sua Língua Materna, e sabem distinguir o trigo (a Língua Portuguesa) do joio (a ortografia abrasileirada e amixordizada pelos acordistas portugueses, a qual dá pelo nome de AO90).

 

É mais fácil dizer às crianças: escrevam como falam, do que lhes ensinar as regras gramaticais. Não é? Ensinar dá muito trabalho. Mas se ganhamos salários é para ensinar, não é para fazer-de-conta-que-ensinamos.

 

Defensores da anulação do AO90 rejeitam propostas de revisão

 

Os defensores da anulação (não se diz “revogação” porque não podemos revogar algo que não existe, que é ilegal) do Acordo Ortográfico de 1990, entre eles o jurista Ivo Miguel Barroso, consideram que as posições “revisionistas” do AO90 “são de rejeitar”.

 

Porquê?

 

As razões jurídicas apresentadas por Ivo Miguel Barroso:

 

«O destino adequado para o AO90 é o caixote do lixo.

 

Quem conhece o Direito dos Tratados sabe perfeitamente que, se o AO90 é para ser revisto, é necessário que haja uma alteração do teor do Anexo I e II (Bases e Nota Explicativa). Ou seja, tal implicaria um novo Tratado ou uma revisão do mesmo entre todos os Estados da CPLP, no sentido de alterar o Anexo I do AO90.

 

Ora, para que isso suceda, é necessário que todos os Governos dos Estados assinem; e que, depois, o novo Tratado seja ratificado internamente. Por outro lado, tal propósito de revisão significaria que pelo menos parte das normas do AO90 não seriam para cumprir».

 

***

 

Outras razões razoáveis:

 

Não queiram atribuir às crianças a PARVOÍCE dos adultos.

 

Utilizam as crianças como escudo, para não terem de retroceder e anular o abortográfico.

 

No entanto é preciso ter em conta o seguinte: se as crianças conseguem aprender facilmente o Inglês, cujo léxico inclui tantas consoantes mudas, e o Castelhano, poderão mais facilmente aprender o Português que tem algumas, mas não tantas, como a língua de Shakspeare (ou deverei escrever Xeikcepiâr, e a de Cervantes, Cerbantes à moda do Puârto.

 

Se elas conseguem aprender a escrever THOUGHT, mais facilmente aprenderão a escrever ACTO ou ACÇÃO. Porque sem o , estas palavras terão de ser escritas assim: ÁTO e ÁÇÃO, ou então atirem com a Gramática ao lixo.

 

Está provado cientificamente que o cérebro das crianças é como uma esponja: absorve tudo com muita facilidade, porque ainda está vazio de conhecimentos (isto dito assim para que todos entendam). Aprendem e desaprendem com uma perna às costas, sem a mínima dificuldade.

 

Para as que já aprenderam a língua mutilada, vai ser muito simples desaprendê-la, e reaprender a verdadeira Língua Portuguesa, acompanhada pela Gramática, até porque, muitas estão também a aprender a Língua Inglesa e a Língua Castelhana e para elas é estranho escrever-se, em Inglês e Castelhano, por exemplo direCtor e em português diretor (e atenção, que neste caso deve ler-se dir’tor). O abre o E, se no há deve escrever-se dirÉtor.

 

Vou aqui repetir algo, que já escrevi muitas vezes, para que se saiba que uma criança não é a estúpida que os adultos, nomeadamente os professores menos dados a “esforços extras”, dela pretendem fazer: Eu viajei para o Brasil com dois anos, e aos seis, lá aprendi a ler e a escrever o “Português” mutilado; aos oito anos tive de regressar a Portugal, e cá tive de reaprender a língua culta (era o que me diziam) tal como deve ser. E simplesmente APRENDI, sem a mínima dificuldade. Aos catorze anos, de volta ao Brasil, tive de DESAPRENDER a minha Língua Materna e regressar à língua mutilada. Sem problemas.

 

Aos vinte anos deixei o Brasil definitivamente e fui estudar para Coimbra, e lá tive eu de abandonar a língua mutilada, e fixar-me na minha adorada Língua Materna, que aprendi a amar com a leitura dos nossos clássicos, e hoje defendo-a com as garras de fora.

 

E por aqui me fico, dizendo que o AO90 nada tem para rever.

É lixo ortográfico que deve ser incinerado como lixo altamente tóxico.

 

Isabel A. Ferreira

 

(Os textos completos das notícias, em que me baseei, podem ser lidos nestes links):

 

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/reversao-do-acordo-ortografico-associacao-de-professores-de-portugues-so-aceita-revisao-ligeira

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/associacao-nacional-de-professores-de-portugues-diz-que-as-pessoas-nao-conseguem-cumprir-novo-acordo-ortografico

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/defensores-da-revogacao-do-novo-acordo-ortografico-rejeitam-propostas-de-revisao

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:35

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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2021

«Em Defesa da Ortografia (XLII)», por João Esperança Barroca

 

«Repare agora nas imagens que acompanham este escrito. Uma, que ilustra a aberração trazida pelo AO90, publicada por Artur Magalhães Mateus na página de Facebook dos Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico de 1990, é bem exemplificativa do estado da ortografia em diversas instituições. A outra, juntando um excerto de uma notícia do jornal Record a uma publicação da cidadã brasileira Amanda Veríssimo, mostra as diferenças entre a versão europeia do Português e a variante brasileira.» (João Esperança Barroca)

 

CONVIÇÃO.jpg

 

«Ricardo Araújo Pereira – A gente estava nos bastidores a falar sobre a maneira como o acordo ortográfico não resolve rigorosamente nada…

 

Gregório Duvivier – E cria novos problemas.

 

Ricardo Araújo Pereira – Exacto. Até porque o acordo ortográfico ataca precisamente o único sítio onde a gente não tem muita dificuldade em entender-se. Não há muito problema para o… a gente escreve “acção” com dois cês, vocês escrevem só com um. Não interessa para muito. Agora, a maneira como às vezes a gente se desentende tem a ver com o vocabulário. Se em Portugal eu disser que “estou no acostamento porque a minha perua não tem estepe”, não há um português… um português entende que se está a falar Português, mas ele não sabe nada do que se está a dizer. Porque em Português essa frase diz-se “eu estou na berma porque a minha carrinha não tem pneu sobresselente”. É muito diferente de “acostamento porque a minha perua não tem estepe”. E, portanto, as nossas diferenças são às vezes de pronúncia e de sotaque e outras vezes são de vocabulário, sendo que essas diferenças nos deviam enriquecer e não afastar. E como é óbvio o acordo ortográfico não resolve em nada essa questão.

 

Gregório Duvivier – Além de criar problemas terríveis, terríveis, que eu acho que são realmente… na minha opinião foi um crime tão grande quanto a tomada de três pinos. Eu acho que ele é uma tomada de três pinos linguística porque ele cria uma solução para um problema que não havia. Ninguém olhava para uma tomada de dois pinos e falava “hmmm, falta alguma coisa aqui!” Não existia isso. Ninguém olha para a língua portuguesa e fala “hmmm, ‘tá faltando aqui… ah, esse trema, eu não aguento esse trema, não posso com esse trema, dá uma preguiça escrever esse trema…”

 

Transcrição de excerto de um programa humorístico com Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier em 2017

 

No momento em que o caro leitor estiver a ler este escrito já terão ocorrido os três espectáculos, dois no Teatro Tivoli BBVA e um na Aula Magana da Universidade de Lisboa, em que Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier prometeram zurzir no Acordo Ortográfico de 1990. Daí, em jeito de homenagem, a razão para uma tão longa epígrafe.

 

Na senda dos escritos anteriores, continuamos a desenganar os que, piamente, crêem utilizar a nova (com 31 anos, como na expressão “jovem agricultor”) ortografia:

 

- O Expresso, pioneiro na adopção do AO90, mais de dez anos depois, escreve com regularidade termos da ortografia de 1945, como: mão-de-obra, afectados, projectos, sector e efectivo, a par de mão de obra, setor(es), março, infraestruturas, trajetória e vetor, demonstrando que é imperioso que se estudem algumas basezinhas;

 

- Marina Costa Lobo, politóloga, grafa Verão, Julho e anti-sistema, mas opta por termos como atos, atualidade, objecto e outubro. Também aqui é necessário rever algumas bases do AO90;

 

- Rute Lima, professora, reeleita Presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, escreve há-de, afecta, dia-a-dia e desinfectar, termos compatíveis com a ortografia de 1945, mas resvala para a cacografia, como em descontração, desinfeção, desinfetante, proteção e protetor, dando toda a razão aos que, como António-Pedro Vasconcelos, afirmam que nenhum acordista sabe utilizar correctamente a nova grafia, sem recorrer ao corrector ortográfico;

 

- Vital Moreira, professor universitário, jurisconsulto e político, um ferrenho acordista, escreve abril, acção e o omnipresente contatos, do qual dificilmente nos livraremos.

 

Caro leitor, pergunte comigo: Se é assim nos meios intelectuais (e não inteletuais como se vai, por vezes, vendo), como será com os cidadãos comuns? Quando alguém afirmar que segue o AO90, pode também perguntar-lhe: Em que percentagem?

 

Repare agora nas imagens que acompanham este escrito. Uma, que ilustra a aberração trazida pelo AO90, publicada por Artur Magalhães Mateus na página de Facebook dos Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico de 1990, é bem exemplificativa do estado da ortografia em diversas instituições. A outra, juntando um excerto de uma notícia do jornal Record a uma publicação da cidadã brasileira Amanda Veríssimo, mostra as diferenças entre a versão europeia do Português e a variante brasileira. Conclui-se, pois, que as divergências estão muito para lá da questão das consoantes. Repare, agora, que os portugueses assinaram um acordo com os brasileiros para unificar a língua. Assim, os brasileiros continuaram a escrever aspectos e os portugueses passaram a escrever aspetos. Percebeu esta lógica?

 

ASPECTO.png

 

 

João Esperança Barroca

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:04

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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2021

Uma vez que quem de direito não cumpre a lei vigente, que obriga à grafia de 1945, haja quem dê o exemplo, para não parecer que Portugal é um país onde reinam os fora-da-lei

 

Uma vez que os governantes, o PR, o PM, os ministros, os deputados da Nação e os professores NÃO cumprem a LEI, por usarem e abusarem do ilegal e inconstitucional AO90, haja alguém que dê o bom exemplo e cumpra a Lei, ou seja, que escreva de acordo com a grafia do AO45, a que legalmente está em vigor, de outro modo, parecerá que Portugal é um país onde reinam os fora-da-lei. E não é verdade. Então, sinto-me na obrigação de apoiar os autores portugueses que CUMPREM a Lei vigente, no que respeita à Língua Portuguesa, dando-lhes parangonas. 

Constança Cunha e Sá.jpeg

 

A propósito de um texto que escrevi sob o título «Neste Natal adquira ou ofereça livros em BOM Português…» porque é óbvio que não vamos dar lucros aos editores e aos escritores que se venderam, quais judas iscariotes, a interesses estrangeiros, Manuel Figueiredo comentou o seguinte, no Facebook:

 

MF.PNG

 

Não posso estar mais de acordo, com o que diz Manuel Figueiredo. Mas fiquei com a pulga atrás da orelha: políticos editores na Assembleia da República? Será por isso que o AO90 não é anulado, como é da Inteligência?



Então, falando em “políticos editores”, vejamos o que nos conta Manuel Figueiredo:

 

PÚBLICO.png

 

Este anexo do Público/Ípsilon é de 02.12.2021 – Entretanto o Prémio LeYa 2021, foi atribuído ao ex-deputado da AR, do PSD, e relator do Grupo de Trabalho para Avaliação do Impacto da Aplicação do AO90, José Carlos Barros, Grupo que não ata nem desata o nó górdio desta que é a maior embrulhada de todos os tempos.

 

«O principal alvo é a ex-deputada (CDS) Ana Rita Bessa, nova CEO da LeYa Portugal; já dirigira na LeYa entre 2010 e 2015 o sector do livro escolar (!).

A LeYa é líder das edições gerais, e nº 2 na área dos livros escolares. Agrega 17 editoras!

 

ANA RITA BESSA.PNG

 

Como será possível uma tal deputada ser contra o "acordo", que alimenta a sua empresa pela sua dimensão (é multinacional) e pela (nociva) influência na educação escolar?

 

E não deve ter estado isolada no Parlamento: quais serão as suas redes de interesses, no seu partido e nos outros partidos? Com que argumentos defendeu o "acordo", ilegal, e não pugnou pelo cumprimento da Lei que protege o Acordo Ortográfico de 1945, e assim defendendo a Língua Portuguesa? 

 

Terá sido esta a sua principal/única missão no Parlamento?

 

O outro deputado é João Soares (PS), que é apresentado com a profissão de político e editor literário (desde 1975 na "Perspectivas & Realidades"). Nunca li nenhuma das obras que editou, e por isso não posso afirmar que não siga o "acordo". Mas foi anos a fio deputado, nacional e europeu, e nunca lhe ouvi uma vogal ou uma consoante a contestar o "acordo". Foi cúmplice no incumprimento da lei, no Parlamento.

 

Mais: foi (brevemente) Ministro da Cultura, e nenhuma acção desenvolveu para apagar a vileza que também o envolveu nos anos em que habitou S. Bento! Uma responsabilidade acrescida.

 

Agora, em sentido contrário:

 

Zita Seabra (PCP, e PSD desde 1997), de profissão editora, foi deputada em várias legislaturas, sendo a última a X.

 

Na área editorial, foi conhecida por ser a "dona" da Bertrand.

 

Foi uma das principais signatárias do "Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico de 1990", com mais de 115 mil assinaturas. Este Manifesto foi apresentado em Maio de 2009 para apreciação pelo Parlamento. Não conheço os resultados dessa "apreciação", e seria interessante saber quais as declarações e os silêncios dos deputados - os deputados que o povo elegeu, e que nem a força de 115 mil assinaturas os levou a meterem a mão na consciência!

 

O Ministério da Educação tem particulares responsabilidades ao não avaliar os malefícios já causados aos jovens, vítimas da ganância, da cobardia e da ignorância de muitos - políticos, professores e eleitores.

 

A minha opinião, que é ainda a mesma: cabe agora ao Presidente da República exercer o seu legítimo poder de influência no sentido de levar ao cumprimento da Lei, que a Assembleia da República teimosamente ignora: a Lei que está em vigor, e não a Resolução do Conselho de Ministros, que abusivamente a pretende substituir.

 

Manuel Figueiredo

 

***

 

Tudo isto é vergonhoso. São tramóias atrás de tramóias, e ainda querem maiorias?



Que tipo de governantes são estes?

 

Que tipo de governantes queremos para Portugal?

 

Há que pôr fim a esta dinastia da incompetência, ou, de outro modo, Portugal perderá o comboio da respeitabilidade e da honestidade. É isso que queremos para o nosso País?

 

Estará o presidente da República disposto a repor a legalidade desta questão?

 

É hora de arregaçar as mangas, pegar em paus e pedras e LUTAR pela NOSSA dignidade.


Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:24

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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2021

«De recepção em “receção” até à “direção” final», por António Bagão Félix

 

 

«O AO90 é um instrumento ao serviço da preguiça, do empobrecimento de uma rica língua, da “brasileirização” do nosso idioma, da influência de interesses económicos nem sempre claros. E é um sinal de facilitismo que se dá às crianças e jovens, para juntar à língua cifrada dos dispositivos e do uso de redes sociais. Uma lástima, a que as autoridades políticas (sem excepção!) fecham os olhos, preferindo gastar as energias em qualquer minudência ou truísmo diários(António Bagão Félix)

 

RECEÇÃO.jpg

 

Por António Bagão Félix

 

EM PORTUGUÊS

  1. 54

“𝑀𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑝𝑎́𝑡𝑟𝑖𝑎 𝑒́ 𝑎 𝑙𝑖́𝑛𝑔𝑢𝑎 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑠𝑎”

Fernando Pessoa

 

DE RECEPÇÃO EM "RECEÇÃO" ATÉ À "DIREÇÃO" FINAL

 

Há dias, tive de me deslocar a um estabelecimento hospitalar, por sinal, o mais recentemente inaugurado.

 

Logo à chegada, dirigi-me à recepção. Valeu-me o inglês. Como se pode ver na fotografia que lá tirei, havia a indicação neste idioma: “RECEPTION”. Por cima desta palavra, também estava escrito “RECEÇÃO”. Tive de fazer algum esforço para entender se era a recepção que estaria em fase de recessão, ou se era alguma recessão que me teria levado à recepção do hospital.

 

É assim o “aborto ortográfico”. O tal que mandou às malvas o critério da raiz etimológica, para eleger a prevalência do critério fonético, designadamente no que se refere à eliminação das consoantes mudas, não levando sequer em consideração o seu valor diacrítico que abre a vogal átona que a precede, assim contrariando a tendência para o seu fechamento. De tal forma que há, agora, no AO90, palavras que, no Brasil, se escrevem com as tais consoantes, e que nós, por cá, saneámos… (exemplos, conforme quadro em baixo: recepção, concepção, espectador, decepção).

 

COMPARAÇÕES ORTOGRÁFICAS.png

 

Chegámos, aliás, ao ponto de as outras línguas latinas respeitarem o critério etimológico (e até o inglês, como no exemplo aqui considerado), e nós o termos abandonado.

 

Para baralhar ainda mais, há as chamadas facultatividades, que é, como quem diz, o deixar, à vontade do freguês, o uso desta ou daquela maneira de escrever, ou até favorecer uma terceira “via criativa” para a confusão e a indigência serem ainda maiores. É o caso de pacto que por simpatia de “contato”, pode virar subitamente para “pato compato”.

 

O AO90 é um instrumento ao serviço da preguiça, do empobrecimento de uma rica língua, da “brasileirização” do nosso idioma, da influência de interesses económicos nem sempre claros. E é um sinal de facilitismo que se dá às crianças e jovens, para juntar à língua cifrada dos dispositivos e do uso de redes sociais. Uma lástima, a que as autoridades políticas (sem excepção!) fecham os olhos, preferindo gastar as energias em qualquer minudência ou truísmo diários!

E.T. Um aditamento de natureza pessoal. A ida à “receção” deveu-se a uma consulta marcada por causa de um síndroma vertiginoso, a que, de vez em quando, os indisciplinados cristais dos meus ouvidos me obrigam. Por pouco, a vertigem auricular-ortográfica não chegou ao ponto da imagem que anexo...

 

VERTIGEM ORTOGRÁFICA.jpg

Fonte:  https://www.facebook.com/photo?fbid=10219926429380120&set=pcb.10219926431660177

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2021

Li n’ “O Globo” que «Portugal vai conscientizar professores sobre diversidade da língua e tolerância ao “brasileiro”». Esperamos que o Brasil faça o mesmo e aceite a diversidade e comece a tolerar o “Português”

 

O link para esta notícia foi-me enviado via e-mail. Como não me foi permitido ler o texto, porque não sou assinante deste jornal, não sei a quem o autor se refere quando diz “Portugal vai”… Mas seja quem for, ou seja o que for que o autor pretendesse com este título, ele, só por si, já dá para fazer uma pequena reflexão.

 

O GLOBO.PNG

 

Eu, quando era professora de Português, tive uns alunos brasileiros, que vieram fixar-se em Portugal. Eu sabia o que era estudar num país, que embora tivesse a Língua Portuguesa como língua oficial, falava-se e escrevia-se à brasileira, e eu falava e escrevia à portuguesa, porque apesar de ter aprendido a ler e escrever no Brasil, vim para Portugal, por um breve tempo, e tive de aprender a falar e a escrever à portuguesa, e quando regressei ao Brasil, levava comigo a minha Língua Materna.

 

No Brasil, fala-se e escreve-se à brasileira. E isto é um facto. Logo, no Brasil, não foram tolerantes comigo, NEM TINHAM DE SER (atenção!!!) e eu tive de reaprender a falar e a escrever à brasileira. OBVIAMENTE que sim. Afinal, o Brasil é o Brasil e as suas circunstâncias linguísticas, culturais, sociais e até morais. E quem vai para um país estrangeiro, seja ele qual for, e não quer adaptar-se às regras desse país, melhor é regressar ao país de origem.


Um exemplo: quando uma mulher ocidental vai viver para um país árabe, onde as mulheres têm de usar o véu, o que faz? Usa o véu e aprende a falar árabe, se quiser permanecer no país. Dentro da sua residência, o mundo é outro, é o seu mundo, e faz o que bem entender, tira o véu e fala a sua Língua Materna.

 

Bem, mas já desandei na conversa. Quando era professora de Português, tive uns alunos brasileiros, e como eu já sabia o que era ser estrangeiro, num país onde teoricamente se fala a mesma língua, obviamente fui tolerante com as crianças, permitindo que elas falassem à brasileira, enquanto não se habituassem ao modo de falar português, porque todas as crianças inevitavelmente aprendem a falar uma nova língua com toda a certeza e facilidade. Porém, quanto à escrita, naturalmente tive de ser rigorosa, e ensiná-los a escrever correCtamente à portuguesa, ou não estaria a ser justa para com o resto da turma. E como eles chegaram à escola, já com o combóio em andamento, no fim das aulas, aproveitava o intervalo para os orientar e integrá-los no modo de ser e estar português (algo que, no Brasil, tive de aprender sozinha, e aprendi facilmente, e não estou a fazer queixinhas). No entanto, numa Escola Inglesa que frequentei, fui ajudada por uma Lady (que engraçou comigo, por me achar parecida com a Mosa Lisa), a integrar-me no British Way of Life. E adorei. Hoje, tomo o “five o’clock tea”, com todos os requintes que lhe deu Dona Catarina de Bragança, quando se casou com Carlos II de Inglaterra, corte, onde aquela Rainha iniciou a tradição do chá e o uso da porcelana.  


E isto acontece em todos os países do mundo. Se vamos para um país estrangeiro, só dentro da nossa casa somos o que somos. Em sociedade teremos de nos adaptar às circunstâncias de cada país, e se não quisermos adaptar-nos, então é melhor regressar ao país de origem.

 

Posto isto, Portugal não tem de «consciencializar (à portuguesa) os professores sobre a diversidade da língua e tolerância ao “brasileiro”». (Afinal, sempre há um “brasileiro”).

 

Os alunos brasileiros não podem vir para Portugal estudar à brasileira. Os professores podem e devem tolerar o modo de falar, desde que o modo de falar esteja conforme as regras da gramática portuguesa (não podemos permitir, por exemplo que digam TU VAI, ou EU LHE GOSTO) uma vez que mais tarde ou mais cedo eles assimilarão inevitavelmente o modo de falar à portuguesa.


Foi o que aconteceu com os meus alunos brasileiros, que, no final do ano lectivo, já falavam perfeitamente Português. E uns anos mais tarde, reencontrei-os e eles em nada se diferenciavam dos Portugueses.

 

É de toda a conveniência, aproveitar uma aula para falar da DIVERSIDADE das línguas. Uma diversidade que se quer DIVERSA, e não UNIFICADA, como o falso AO90 pretendeu. 

 

Agora, exigir privilégios, num país estrangeiro é pedir demais, até porque não se pode ser injusto com as TURMAS, que, no caso particular de Portugal, integram TAMBÉM ucranianos, chineses, indianos, africanos, entre muitas outras nacionalidades. E se eles também pedissem “tolerância” para a Língua Materna de cada um deles? Que Babel seria a escola!!!


Ao Brasil o que é do Brasil, a Portugal o que é de Portugal. Só deste modo a tão “falada” diversidade poderá ser verdadeira. E a tolerância, deixemo-la para a integração na sociedade, mas não na linguagem, ou corremos o risco de o ENSINO (que já anda de rastos) tornar-se numa grande pantomima. A não ser que seja essa a intenção de quem nos (des)governa. E se assim é, há que providenciar uma revolução, para depor os traidores.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte para o texto que deu origem a esta reflexão:

https://blogs.oglobo.globo.com/portugal-giro/post/portugal-vai-conscientizar-professores-sobre-diversidade-da-lingua-e-tolerancia-ao-brasileiro.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:40

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Domingo, 28 de Novembro de 2021

«Língua Brasileira e Outras Histórias - Discurso sobre a língua e ensino no Brasil», livro da linguista brasileira Eni P. Orlandi que põe os pontos em todos os "is"

 

O futuro (já presente) da Língua "Portuguesa" no Brasil.

  

Encontrei esta preciosidade na Internet.

Todos sabemos que o AO90 preconiza a grafia brasileira, assente na Base IV do Formulário Ortográfico de 1943, que vigora no Brasil desde então até aos dias de hoje.

 

Tenho andado por aqui a dizer aquilo que sei: mais dia, menos dia, a Língua Portuguesa deixará de existir, se o AO90 vingar, e transformar-se-á em Língua Brasileira, defendida pela linguista brasileira Eni P. Orlandi, no livro cuja capa ilustra este texto.  

 

E querem saber? Concordo plenamente com a Eni P. Orlandi, porque o que se fala e escreve no Brasil distanciou-se de tal modo do Português, que já não pode ser chamado de Português.

 

Uma entrevista conduzida por Manuel Alves Filho, muito interessante, oportuna e muito, muito esclarecedora, e que vem ao encontro de tudo o que tenho andado a escrever por aqui…

 

Isabel A. Ferreira

 

Livro-Eni.jpg

 

Entrevista realizada a Eni P. Orlandi, por Manuel Alves Filho (manuel@reitoria.unicamp.br) ao JORNAL DA UNICAMP, em Agosto de 2009, e escrita conforme a grafia brasileira, exactamente a que o AO90 impõe.  Destaquei a negrito as palavras que as nossas crianças são obrigadas a escrever como “portuguesas”, sendo, afinal, pertenças do Brasil. E isto não se faz! Repare-se igualmente na estrutura das frases. E destaquei igualmente os argumentos racionais apresentados pela linguista.

 

 «Reflexões sobre a história da "Língua Brasileira"»

 

«A língua falada e escrita atualmente no Brasil distanciou-se de tal modo do português, em consequência das mudanças que sofreu através dos tempos, que hoje já é possível falar em uma língua brasileira, que tem forma e características próprias. A hipótese é defendida no livro Língua Brasileira e Outras Histórias – Discurso sobre a língua e ensino no Brasil, de autoria de Eni Orlandi, professora do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp. A obra, que resulta das pesquisas realizadas pela docente ao longo dos últimos 20 anos, trata, entre outros aspectos, de como esta língua brasileira e o conhecimento sobre ela foram constituídos historicamente.

 

De acordo com a linguista, o português europeu começou a sofrer mudanças desde que os primeiros colonizadores aportaram por aqui.

 

A partir de então, passou a incorporar elementos das línguas indígenas, africanas, de imigrantes e de fronteira, e a se transformar também em sua materialidade, no embate com a materialidade do novo mundo e de sua história, processo que culminou com a composição de uma língua rica e com suas singularidades.

 

“O que eu trabalho, no campo teórico, é que temos diferenças suficientes tanto na materialidade da língua quanto no âmbito discursivo que já nos permitem falar em uma língua brasileira. Nós produzimos discursos diferentes, com sentidos igualmente distintos. Nossos processos de significação também são diferentes. Ou seja, nossa língua está muito distante daquela que era ou ainda é falada em Portugal. E veja: não se trata de patriotismo. É apenas uma questão de reconhecer as mudanças. Penso que é chegado o momento de produzirmos teorias próprias, atuais, que levem em conta e permitam compreender o processo de colonização e as consequências em relação às línguas, e não mais usar as teorias de países colonizadores que, na maior parte das vezes, estacionam em um sentido de “mudança” próprio para falar da mudança do latim para o português, o francês etc., mas têm pouco a dizer sobre a mudança do português para o brasileiro”, afirma. Na entrevista que segue, Eni Orlandi fornece mais detalhes sobre as reflexões presentes no livro.

 

 Foto: Antoninho Perri

ENI.png

A professora e linguista Eni Orlandi, autora de Língua Brasileira e Outras Histórias – Discurso sobre a língua e ensino no Brasil: “Penso que é chegado o momento de produzirmos teorias próprias

 

Jornal da Unicamp – Como surgiu a ideia do livro?

 

Eni Orlandi – O livro é resultado dos projetos de pesquisas que tenho desenvolvido ao longo dos anos. A produção da obra propriamente dita, porém, remonta aos cinco últimos anos. Ela coincide com o período em que cresceu a discussão em torno da relação da nossa língua com as outras línguas, por conta do fenômeno da mundialização. No texto, eu trato de várias questões, mas creio que o ponto principal é a discussão em torno de como a língua se constitui e como a história do conhecimento sobre essa língua também se constitui. No meu entendimento, esses dois processos ocorrem conjuntamente.

 

JU – O título do seu livro registra “língua brasileira”. Nós já não falamos mais a língua portuguesa?

 

Eni Orlandi – A língua falada actualmente no Brasil é muito diferente da falada em Portugal. O que eu trabalho, no campo teórico, é que temos diferenças suficientes tanto na materialidade da língua quanto no âmbito discursivo que já nos permitem falar em uma língua brasileira. Nós produzimos discursos diferentes, com sentidos igualmente distintos. Nossos processos de significação também são diferentes. Ou seja, nossa língua está muito distante daquela que era ou ainda é falada em Portugal. E veja: não se trata de patriotismo. É apenas uma questão de reconhecer as mudanças. De situar-se diante do quadro de relações internacionais de estados e línguas, ou seja, de saber avaliar as questões postas pelo multilinguismo. Penso que é chegado o momento de produzirmos teorias próprias, e não mais usar as teorias de países colonizadores sem refletir sobre o lugar dessas teorias na história das ciências e na história social.

 

JU – As diferenças são tão profundas assim?

 

Eni Orlandi – São, sim. Mas essas diferenças não têm merecido a devida atenção. Alguns autores até falam dessas distinções, mas as classificam como “variedades”. Penso que não estamos mais no momento de falar em variedades, pois isso não mostra que falamos uma língua própria. Temos que falar em mudanças. Por que admitimos mudanças entre o latim e o português que se constituiu na Europa, mas não fazemos isso em relação ao português e a língua falada no Brasil?

 

JU – A recente reforma ortográfica teria sido uma forma de resistência a essa discussão sobre língua brasileira?

 

Eni Orlandi – De certa forma. Penso que precisamos rediscutir o que é lusofonia. Temos que pensar a lusofonia como um campo heterogéneo de línguas. É preciso tratar das diferenças entre a língua brasileira e o português, assim como das diferenças do português para o latim. Ambas são filiadas ao latim, mas são distintas deste. Mas veja: não se trata de negar a filiação da nossa língua, mas sim de destacar as singularidades dela. Ou seja, lusofonia é um campo heterogêneo de línguas que resultaram do processo de colonização, mas que se “independentizaram” ao longo do tempo. A língua brasileira é filiada ao português, que por sua vez é filiado ao latim. Ocorre, porém, que nossa língua também traz elementos das línguas indígenas, africanas, de imigração e de fronteira. Temos uma língua que se individualizou à sua maneira no processo de sua historicização.

 

JU – Pela sua hipótese, o português começou a sofrer transformações desde que os primeiros colonizadores aportaram em terras brasileiras. É isso?

 

Eni Orlandi – Quando os portugueses aportaram por aqui, eles depararam não apenas com seres diferentes, mas também com uma variedade de línguas faladas pelos índios e com um mundo muito diferente do seu. Esses portugueses precisaram nomear coisas que não conheciam, que não estavam na memória linguística deles. Precisamos lembrar que, naquele momento, nomear era também administrar. Ou seja, o que não era nomeado poderia fugir ao controle. Assim, os primeiros colonizadores perceberam que não poderiam manter a língua portuguesa como ela era, pois precisavam se fazer entender. Havia, enfim, um mundo novo a ser descoberto, a ser conquistado, a ser nomeado. Aí já ocorrem as primeiras transformações da língua. A materialidade do mundo começa a interferir na materialidade da língua e vice-versa.

 

JU – Ou seja, a língua tem uma dimensão política e ideológica importante.

 

Eni Orlandi – Exatamente. É nesse embate político, ideológico e social que a língua vai sendo constituída. Para poder administrar, os portugueses foram obrigados a alterar a própria língua e a dominar a língua dos indígenas. Entretanto, no início da colonização as autoridades portuguesas começaram a perder o controle sobre os próprios patrícios, que passaram a dominar as línguas indígenas localmente e a formar pequenos feudos, nos quais davam as cartas. Para superar essa dificuldade, a corte portuguesa enviou os jesuítas ao Brasil, com a missão de colocar “ordem” e dar visibilidade deste país para a coroa. O que os religiosos fizeram? Eles pegaram uma das línguas indígenas, o tupi, e a adaptaram, mesclando com um pouco do português e do latim. Foi criado, assim, o tupi-jesuítico, língua geral que foi falada no Brasil todo. No entanto esse processo se voltou contra a própria corte, pois os jesuítas passaram a ter um enorme controle sobre a população brasileira e sua língua. Daí sua expulsão dos religiosos e a proibição de se escrever nessa língua. Mas nenhuma língua desaparece sem deixar traço. Como se vê, as mudanças vêm de muito tempo.

 

JU – Essas transformações não foram apontadas anteriormente? Por que só agora está surgindo uma discussão mais ampla sobre a existência de uma língua brasileira?

 

Eni Orlandi – Com a independência do Brasil, eclodiu um movimento, promovido por gramáticos, de organização de um conhecimento sobre a nossa língua que já mostrava essas modificações. Mas o mais importante naquele momento não era tanto destacar descritivamente essas diferenças, e sim reivindicar o reconhecimento à nossa escrita, à nossa literatura, ao conhecimento produzido por brasileiros, nossos gramáticos, sobre a língua no Brasil, à nossa língua nacional, sinal de nossa soberania. Assim, foram produzidas gramáticas e dicionários com o objetivo principal de legitimar uma língua nacional, que obviamente pudesse nos representar no plano internacional. Ocorre que essa língua chamava-se língua portuguesa. Assim, as obras receberam títulos como “Gramática Portuguesa”, “Gramática da Língua Portuguesa” e “Gramática Brasileira da Língua Portuguesa”. Mas no final do século 19 e principalmente no início do século 20 é que gramáticos como João Ribeiro e Said Ali registraram com maior destaque essas transformações da língua. Said Ali, por exemplo, escreveu um livro chamado “As dificuldades da língua portuguesa”. Essas dificuldades nada mais eram do que as diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal. É a partir da análise do discurso desses especialistas que eu mostro como temos diferenças, que já vêm sendo registradas por gramáticos, sobretudo desde o século 19, que nos permitem falar em língua brasileira, embora isso quase nunca seja dito.

 

JU – Se a questão quase não tem sido discutida no plano intelectual ou acadêmico, imagino que em sala de aula ela sequer é considerada. É isso mesmo?

 

Eni Orlandi – Um dos objectivos do livro é atingir o ensino. Os linguistas são muito fechados nesse sentido. Eles resistem em chamar a nossa língua de língua brasileira. Ainda em razão da ideologia da colonização, há professor que considera como “língua correta” o português de Portugal. Acham que, no Brasil, a língua é mal falada. Nada disso. Nós temos nosso padrão. Como disse anteriormente, o nosso falar sofreu influências das línguas indígenas, africanas, de imigração e de fronteira. Isso não é defeito, muito pelo contrário. Não só por essas influências, mas porque é próprio de uma língua que ela mude, que nossa língua, como qualquer outra, também mudou. É assim que as línguas se constituem. As línguas estabelecem relações entre si. É isso que confere riqueza e singularidade a cada uma. Ademais, a língua conta a sua própria história. Não podemos ficar parados na época da colonização. Penso que o livro contribui para essas discussões. Nesse sentido, ele é provocativo: propõe, de certo modo, que nos livremos dessa camisa-de-força que já está posta na maneira como nomeamos nossa língua.»

 

Link desta entrevista:

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/agosto2009/ju437pdf/Pag03.pdf

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:03

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Terça-feira, 23 de Novembro de 2021

Posso fazer uma perguntinha inofensiva: quantos dos que aderiram a grupos anti-acordo no Facebook se negam a comprar livros que seguem o AO90?

 

Quantos, no próximo Natal, não darão lucros aos escritores e editores traidores, seguidistas e servilistas?


Eu já tinha encomendado uns livrinhos para oferecer às crianças, no Natal, e quando soube que os livrinhos seguiam o AO90 desfiz o negócio, logo ali.



E o autor disse-me: «Ah! Mas as crianças estão a aprender a escrever esta nova linguagem

Ai estão?
Pois não estão a aprender coisa nenhuma. Estão a DESAPRENDER
 a escrever na sua Língua Materna, e os culpados são os que têm a faca e o queijo na mão para anular este erro de palmatória, e não o fazem, pelo contrário, incentivam a sua aplicação ilegal, através da chantagem e ameaças de penalizações, numa miserável atitude.



No próximo Natal vamos todos recusar comprar livros que seguem o acordo ilegal? Vamos oferecer apenas livros em BOM Português, que os há por aí. Em Português de faCto.

Ver neste link: https://www.facebook.com/portuguesdefacto

 

E para as crianças, se não houver no mercado (ao que me dizem retiraram do mercado os livros que estavam escritos correCtamente, e substituíram-nos pela escrita “incurrêta) façam como eu: recorram a edições antigas, ou aos alfarrabistas, mas NÃO ofereçam livros incorrectamente escritos às vossas crianças. Estão a enganá-las.

 

Isabel A. Ferreira

 

BOICOTEM LIVROS ACORDIZADOS.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:20

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Sábado, 13 de Novembro de 2021

«Língua Cabo-verdiana vai ser leccionada no Secundário no próximo ano lectivo», a notícia saiu no “Expresso das Ilhas” (*) no passado dia 10 de Novembro

 

Eu, como cidadã portuguesa defensora da descolonização linguística nas ex-colónias portuguesas, até porque todas elas possuem uma linguagem riquíssima que se afastou, muito naturalmente, do Português, e têm os seus próprios dialectos, congratulo-me com Cabo Verde, por ter sido a primeira ex-colónia a ter a coragem de assumir uma Língua Nacional, a Língua Cabo-verdiana, cortando, deste modo, o cordão umbilical que ainda ligava o arquipélago ao colonizador português. Ninguém é verdadeiramente livre, agarrado ao umbigo da mãe.  Se bem que as ex-colónias espanholas, inglesas, holandesas e francesas nunca tiveram qualquer problema com a Língua dos países que as colonizaram, dando-se muito bem com as suas  VARIANTES.  

 

E aqui não está na berlinda o acto da colonização, que aconteceu numa época passada, em que o mundo ainda estava por desbravar. E o que se fez ou deixou de fazer, então, pertence aos valores do passado, que nada têm a ver com os valores actuais, e querer misturar esses valores não é da inteligência.

 

Portanto, é de toda a legitimidade que, agora como um país livre, o Arquipélago de Cabo Verde tenha a sua própria Língua, e não há mal nenhum que o país tenha a Língua Cabo-verdiana (como me soa bem!) como primeiro idioma, e o Português como segunda ou até terceira Língua. Há tantos países que são plurilinguísticos!

 

Que Cabo Verde seja exemplo para as restantes colónias, nomeadamente, o Brasil, que tanta repulsa mostra pela Língua do ex-colonizador, e que, com Portugal, engendrou um “acordo” com o intuito de impor o brasileirismo a todas as outras ex-colónias. Algo que não deu certo, e jamais dará.

 

Vejamos, então, o que nos diz a notícia.

 

Isabel A. Ferreira

 

Expresso das Ilhas.jpg

 

O Governo [cabo-verdiano] vai introduzir a disciplina de Língua Cabo-verdiana no Ensino Secundário (a partir do 10º ano de escolaridade), no ano lectivo 2022/2023. A iniciativa, que acontece no âmbito dos novos planos curriculares da reforma do ensino secundário, foi anunciada esta terça-feira, 9, pelo Ministério da Educação.

 

De acordo com o Ministério da Educação, a introdução da nova disciplina será feita de forma experimental e vai “servir de piloto para o seu alargamento a médio prazo, após amplos consensos científicos”.

 

A disciplina será introduzida no âmbito dos novos planos curriculares da reforma do ensino secundário, em processo de conceptualização e implementação, lê-se ainda na página de Facebook da tutela.

 

A par desta iniciativa ao nível curricular, o governo manifesta, na mesma publicação “total disponibilidade em apoiar e fomentar a investigação de base académica visando consensos técnico-científicos em matérias da linguística, uniformização e padronização das bases gramaticais e ortográficas da língua nacional, comum às suas diversas variantes”.

 

A nível do alfabeto, diz o governo que “a investigação poderá também incidir sobre o alfabeto unificado do crioulo, o ALUPEC, tendo em vista alcançar abrangência e conter resistências ao seu uso na escrita do crioulo”.

 

Conforme relembra o post, o Ministro da Educação, Amadeu Cruz, reuniu-se no passado mês de Julho, com representantes do grupo promotor da petição sobre a política linguística em Cabo Verde e com o investigador e linguista, Manuel Veiga. Durante esse encontro foram abordadas questões ligadas à investigação linguística e à metodologia para a integração da disciplina de língua cabo-verdiana no sistema de ensino, no âmbito da reforma do Ensino Secundário.

 

Entretanto, reconhece-se, haverá necessidade de fazer uma articulação e sintonização entre o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, “em virtude de alinhamento em matérias mais ligadas à cultura e de ordem constitucional, bem como a necessidade da criação de um grupo de trabalho conjunto para a elaboração de um plano de acção de fomento da investigação e do ensino da língua cabo-verdiana”.

 

Fonte:

https://expressodasilhas.cv/pais/2021/11/10/lingua-cabo-verdiana-vai-ser-leccionada-no-secundario-no-proximo-ano-lectivo/77433

 

(*) O Expresso das Ilhas é um dos jornais semanários publicados em Cabo Verde, foi fundado em 1991. Tem a sua sede na cidade da Praia, no concelho homónimo da Ilha de Santiago. O jornal é publicado predominante em português. As cores usadas no logótipo são o vermelho e o azul, representando as cores da bandeira de Cabo Verde.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:26

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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021

Que utilidade prática poderá ter o AO90, depois de a inclusão linguística e diversidade do Português terem sido defendidas por lusófonos nos EUA, em 22/10/2021?

 

 

Três escritores do Brasil [João Almino], Cabo Verde [Maria Augusta Teixeira] e Portugal [Lídia Jorge] destacaram que devem ser aceites e incluídas as diferenças da Língua Portuguesa em diversas partes do mundo, de acordo com a identidade dos povos que a falam.

 

Espero que isto valha para Portugal, berço da Língua Portuguesa, o país lusófono onde a aplicação do AO90 foi mais destruidora, e continua a ser absolutamente cada vez mais caótica. Uma autêntica tragédia portuguesa.

 

Mas vejamos o que nos dizem os escritores citados, e também o Luciano de Queiroz, com o qual concordo inteiramente.

 

Luciano de Queiroz.png

 

Especialmente promovida para uma audiência lusófona nos Estados Unidos da América (EUA), a décima Conferência de Literatura em Língua Portuguesa decorreu de forma virtual, com o título "Em que português nos entendemos?" e foi organizada pela Coordenação do Ensino Português nos EUA (CEPE-EUA) e pelo Centro de Língua Camões na Universidade de Massachusetts, na cidade norte-americana de Boston.

 

A diversidade é fonte de "dinâmica", disse o escritor brasileiro e diplomata João Almino, membro da Academia Brasileira de Letras, acrescentando que todos podem "enriquecer" com o diálogo entre as diferenças e sublinhando que "o que ameaça a língua é a paralisia".

 

Professor universitário e autor de diversos romances e volumes de ensaios sobre literatura e sobre história e filosofia política, João Almino disse que o português "é muito diverso de um lugar para outro e nós devemos respeitar essas diferenças, reconhecê-las e aceitá-las do ponto de vista gramatical ou sintáctico".

 

Defendendo que os escritores, originários de qualquer parte do mundo, devem ter "liberdade" para "incorporar" as suas vivências e cultura na mesma língua portuguesa, João Almino acrescentou: "E quando eu leio, por exemplo, um escritor africano, eu quero sentir o sabor da língua da África, daquele lugar".

 

A escritora cabo-verdiana Maria Augusta Teixeira, também conhecida como Mana Guta, defendeu que é da responsabilidade e da "militância" dos escritores, que são os que "estão sempre na vanguarda" de soluções, "recuperar a memória oral" cultural de cada país para uma "forma perene", com a transcrição das histórias para livros.

 

A presidente da Assembleia Geral da Sociedade Cabo-verdiana de Autores e vice-presidente da Autoridade Reguladora para a Comunicação Social considerou estar numa posição, em Cabo Verde, de "juntar as pontas soltas" das duas línguas no país insular, português e cabo-verdiano ou crioulo.

 

Mana Guta, também gestora pública e professora universitária, defendeu "sair da dicotomia: porque nós temos crioulistas e lusofonistas em Cabo Verde. A minha postura é juntar as pontas soltas, precisamos das duas línguas".

 

Para Lídia Jorge, autora portuguesa de 26 obras e distinguida com numerosos prémios portugueses e internacionais, mais do que diferenças, as identidades são também formadas por contrastes, inclusive em Portugal.

 

"Eu fiquei profundamente marcada por um país que era pobre, de estender a mão, mas que queria ser ao mesmo tempo um país que dominava uma vasta zona do mundo", disse a professora, que já ensinou em Portugal, Angola e Moçambique e é membro do Conselho de Estado, órgão político de consulta presidencial.

 

Entre outros assuntos, foram discutidos o "impasse" do acordo ortográfico e as abordagens sobre o "fim do mundo" na literatura, com os três autores a concordarem que, de uma maneira ou outra, o mundo está "num momento de transição" ou de "quase fim do mundo", por causa da crise sanitária mundial provocada pela pandemia de covid-19 desde início do ano passado.

 

Na apresentação da conferência, o cônsul-geral de Cabo Verde em Boston, Hermínio Moniz sublinhou que "mais do que nunca, precisamos de inclusão linguística, porque a língua é uma arma muito poderosa".

 

O tema da língua e construção de identidades é, para o cônsul-geral do Brasil em Boston, Benedicto Fonseca Filho, "vastíssimo" e "abre tantas possibilidades (...), como relações de poder ou papel das migrações".

 

João Pedro Fins do Lago, cônsul-geral de Portugal em Boston, destacou que a conferência "tripartida" e multicultural, no seu décimo aniversário, decorreu numa nota "positiva de inclusão e de reconhecimento do papel da mulher na literatura", com a atribuição do Prémio Camões à escritora moçambicana Paulina Chiziane.

 

"É com imensa satisfação e com imenso orgulho que vimos um prémio tão importante ser atribuído a uma mulher, a uma mulher africana, a um vulto da literatura lusófona, que há muito merecia esse reconhecimento", declarou o cônsul português.

 

A conferência, inicialmente apresentada em inglês e em português, teve a assistência `online` de dezenas de pessoas e pelo menos duas turmas de estudantes nos Estados Unidos.

 

Entre as entidades envolvidas na promoção da Conferência de Literatura Portuguesa destacam-se o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e da Universidade de Massachusetts de Boston.

 

Fonte:

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/inclusao-linguistica-e-diversidade-do-portugues-defendida-por-lusofonos-nos-eua_n1357880

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:46

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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

A notícia diz que a Academia de Montpellier recusa ensinar “Português” nas escolas públicas para não baixar o nível de ensino, e preferem o Mandarim

 

Contudo, o que a notícia deveria dizer é que a Academia de Montpellier recusa ensinar o “mixordês português”, que anda por aí disseminado, na sua forma grafada, e que realmente baixa o nível de qualquer ensino, em qualquer Escola do mundo.

 

Os acordistas tiveram a pretensão de achar (deveriam ter pensado, em vez de achar) que o mal-amanhado AO90, iria trazer prestígio à Língua Portuguesa e expandi-la pelo mundo. Acharam mal. Em vez disso, arrastaram-na para a lama.

 

Nenhuma Escola, que se preze, considerará a grafia do “acordês”, que querem à força chamar de “Português”, uma grafia culta e europeia, até porque a grafia portuguesa, sendo uma grafia de origem românica, será muito mais perceptível aos alunos estrangeiros, que têm Línguas também românicas.  


Quem entenderá estes palavrões assépticos como “aspeto”, “receção” “exceto”, “afeto” e centenas de outros, aos quais foram suprimidos os cês e os pês não pronunciados? Quem entenderá este título de notícia «Ninguém para a manifestação?» Quem entenderá este absurdo vocábulo contrarreação?

 

Cada vez mais cresce a consciência de que o AO90 é um monumental retrocesso linguístico que desprestigia o ensino da Língua Portuguesa no mundo. E é como diz Mauro Seralo, o pensador angolano citado na imagem: «Quando a estupidez fala mais alto, do que a razão, as sociedades demoram séculos a desenvolver-se».

 

Por que haveríamos nós de regredir, em nome da estupidez, e recuarmos séculos na desconstrução do nosso Idioma?

 

Isabel A. Ferreira  

 

A notícia pode ser lida aqui:

https://tvi24.iol.pt/internacional/idiomas/academia-de-montpellier-recusa-ensinar-portugues-nas-escolas-publicas-porque-baixaria-o-nivel-de-ensino?fbclid=IwAR1_BMUyqROJuM4s0PgZFyFsPojpRQjysOZaI8XUCtIIox39TlR0eAbWohA

 

Mauro Seraulo.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:15

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