Quinta-feira, 17 de Maio de 2018

A NEGLIGÊNCIA NA LÍNGUA E NA ESCRITA É PRINCÍPIO DA DECADÊNCIA DE UM PAÍS

 

«Se tivermos presentes os inúmeros exemplos da aberração, mais do que documentada, do Acordo Ortográfico, estas rápidas considerações que fiz deviam bastar para se ter consciência da monstruosidade que foi fabricada, decidida e tão célere e surdamente imposta.»

 

Excelente texto para ler e reflectir.

 

DECADÊNCIA.jpg

(Origem da imagem: Internet)

 

Texto de Guilherme Valente

 

A escrita não é uma arbitrariedade. Tem uma lógica, uma história, uma função, valor e importância inestimáveis.

 

"Patriotismo é o amor pela nossa Terra. Nacionalismo é o ódio à Terra dos outros” Romain Gary

 

"É sempre um défice de pátria que atiça o nacionalismo, nunca um excesso" Pascal Bruckner

 

  1. A escrita não é “uma mera representação do idioma” (1). Nem é uma arbitrariedade. Tem uma lógica, uma história, uma função, valor e importância inestimáveis.

 

A gramática, a sua nomenclatura e terminologia também não podem ser o tricot com que os nossos linguistas alteraram recorrentemente os programas de Português. Talvez para fazerem passar por avanços de ciência o que na realidade não o é.

 

Mas a gramática e a sua nomenclatura têm também uma lógica e uma história.

 

Do mesmo modo que os Jerónimos ou a Batalha também não são a construção de lego com que uma criança possa brincar, ou mamarrachos que se possam alterar ou destruir à vontade. Nem a obra Os Maias pode ser trocada por uma versão facilitista, idiota dela. De facilitismo em facilitismo, de simplificação em simplificação, é inteligência que se atrofia e que matam.

 

A língua, organismo vivo, enriquecível pela interacção inevitável das culturas, não deixa de ser por isso a herança matricial que é, que tem de ser cuidada, ensinada e amada - escola é, sempre, a palavra-chave.

 

Por isso, a escrita, que reflecte essa natureza da língua, pode e deve ser actualizada. Mas no seu tempo e com critério, tocando-se nela com precisão cirúrgica, sem ferir a sua lógica, sem quebrar o fio agregador da sua origem e da sua história. Porque tal como todos os outros elementos que referi, tal como a História, é constitutiva e constituinte duma identidade humana, que é, na sua universalidade, singular. Porque tudo o que somos, pensamos ou fazemos é resultado duma cultura, isto é, "duma compreensão do mundo historicamente adquirida". Que devemos assumir e de nos devemos orgulhar.

 

  1. Se tivermos presentes os inúmeros exemplos da aberração, mais do que documentada, do Acordo Ortográfico, estas rápidas considerações que fiz deviam bastar para se ter consciência da monstruosidade que foi fabricada, decidida e tão célere e surdamente imposta.

 

Tão célere e surdamente que se impõe a pergunta metódica que deve ser colocada quando, entre nós, algo é decidido e imposto tão célere e surdamente: que interesses beneficiou este AO?

 

Devo declarar que muito boa gente lutou por este AO por muito boas razões, sobretudo de política cultural e mesmo económica, designadamente as relações, de vária natureza, com o Brasil, e a valorização da língua portuguesa na comunidade internacional. Na minha opinião, contudo, que os factos confirmam, não era correcta a avaliação que fizeram. E essas bem-intencionadas razões não deviam ter ignorado o desiderato que acima formulei.

 

  1. Na verdade, depois de tudo o que recorrentemente foi sendo imposto na Educação, este AO era, e continua a ser na escola, a bomba atómica que faltava. Que ainda faltava, depois da mediocrização dos programas de Português, da liquidação da História e dos seus protagonistas, da ignorância das datas, do desaparecimento da Geografia, da estigmatização da literatura, da desvalorização do conhecimento substantivo e da cultura (colocaram a palavra entre aspas e estigmatizaram-na chamando-lhe "erudita"), depois da dissolução ou relativização de tudo o que nos torna Portugueses e, sem contradição, cidadãos do mundo.

 

Cidadãos do mundo, porque amar a nossa Terra não é incompatível, bem pelo contrário, com o sonho empolgante de podermos contribuir, com a oferta do que conseguirmos ser, da nossa diferença, para o progresso de todas as nações.

 

Argumentou Henrique Monteiro, no Expresso, que muitos milhares de miúdos já aprenderam as novas regras. Diz isso porque não tem reparado como escrevem hoje os alunos e... muitos professores. E está a esquecer os milhões de portugueses que não as aprenderam e nunca aprenderão. E se muitos miúdos as aprenderam, estão na idade perfeita para aprenderem o que deve ser ensinado.

 

Um dos danos mais profundos e irreversíveis deste AO, tal como acontecera com as sucessivas alterações absolutamente gratuitas na nomenclatura e na terminologia da gramática, foi separar os pais dos filhos, foi impedir que os apoiassem no estudo do Português. Como me aconteceu a mim há trinta e tal anos.

 

  1. Não há Nação sem língua, sem escrita, sem escola. Sem memória, sem História, sem afectos. Que só o conhecimento pode gerar. Sem herança imaterial e material, que se ensine e se aprenda a reconhecer, a compreender, a valorizar criticamente, a continuar. A amar.

 

Não se “nasce” português, ou francês, ou chinês, qualquer um de nós, ser biológico, poderia ter nascido num lugar qualquer. E seria desse lugar. É-se verdadeiramente português, mais português, por se querer ser Português. Wenceslau de Moraes, por exemplo, escolheu ser japonês, e foi tão japonês, mais japonês, seguramente, do que muitos japoneses. Portugueses de Macau, como eu os conheci, mesmo sem nunca terem vindo a Portugal, são mais portugueses do que inúmeros cidadãos portugueses que aqui nasceram, cujos antepassados viveram desde sempre em Portugal.

 

Apagamento da História que foi fazendo com que as gerações que começam hoje a chegar aos 50 anos vivam, na generalidade, sem dimensão do passado, por isso sem sentimento do futuro. Num eterno presente em que só o egoísmo pode dominar.

 

  1. Atente-se na língua e na escrita que cada vez mais frequentemente se ouve e se lê, em que tantas vezes se diz e se escreve exactamente o contrário do que se queria transmitir, na comunicação social ou nas universidades.

 

"A minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Pessoa. Neste sentido parece estarmos a tornar-nos rapidamente apátridas.

 

A negligência e a arbitrariedade com que se trata a língua e a escrita são o primeiro sinal da decadência de uma cultura e de uma nação.

 

Mas tudo depende da inteligência e da vontade dos homens. Por isso estou certo que Portugal será esse País por tantos de tantas gerações sonhado. Por isso combati persistentemente contra as ideias e os actos que livre e convictamente considerei adiarem esse desígnio, bem ao alcance dos Portugueses, não tenho dúvidas. Para que também nós, Portugueses, participemos de novo no destino de conhecimento e solidariedade que tem de ser o destino do Homem.

 

(1) Henrique Monteiro, Expresso, 7/5/16.

P.S.: Gosto muito de me ver representado pelo actual PR. O que não impede, naturalmente, que não subscreva a sua decisão de só intervir na questão do AO se este não obtiver a aprovação dos países que o não aprovaram.

 

Editor da Gradiva

Fonte:

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-negligencia-na-lingua-e-na-escrita-sao-principio-da-decadencia-dum-pais-1731784?page=-1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:49

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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018

GUINÉ EQUATORIAL NÃO MOSTRA VONTADE DE PROMOVER O “PORTUGUÊS”?

 

E porque carga d’água haveria de fazê-lo, se esse “português” não é Português?

 

GUINÉ.gif

 

Lemos na notícia que a recém-eleita presidente do conselho científico do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), a portuguesa Margarita Correia (***), afirmou hoje que "não tem sido muito visível a vontade" da Guiné Equatorial para difundir o português no país.

 

Qual o espanto? Por que haveria a Guiné Equatorial de fazê-lo?

O que é que a Guiné Equatorial tem a ver connosco? NADA.

Qual o interesse da Guiné Equatorial em promover o dialecto brasileiro (porque é disto que se trata) no país? Interesse ZERO.

 

Margarita Correia diz estar «consciente e disponível para enveredar esforços para que o “Português” venha a ter outra representatividade na Guiné Equatorial, assim as autoridades do país o desejem».

 

A Guiné Equatorial já foi portuguesa e perdemo-la para Espanha. O cordão umbilical foi cortado. Impor o dialecto brasileiro, porque é disso que se trata, no país não será uma opção muito inteligente. Esquecem-se os promotores do AO90 de que nem todos são parvos para aceitarem um dialecto quando existe uma Língua.

 

A nova presidente do conselho científico do IILP defende que "tem de haver um esforço também da própria CPLP (…) "a difusão e desenvolvimento do português na Guiné Equatorial também tem de resultar de vontade política, e essa vontade política não diz respeito ao IILP, mas é assumida por outros órgãos da CPLP».

 

Ainda não pararam para pensar que a Guiné Equatorial pode estar-se nas tintas para o “português” mal-amanhado que lhe querem impingir? Como os países ditos lusófonos (a Guiné Equatorial nem sequer é lusófona) à excepção de Portugal, também se estão nas tintas para este “português” mal-amanhado que lhes querem impor?

 

Margarita Correia salientou ainda que têm havido apoios de Portugal e do Brasil à promoção do “português” (leia-se AO90) na Guiné Equatorial, um compromisso da adesão desta antiga colónia espanhola quando aderiu à CPLP, em 2014 (uma adesão extemporânea, diga-se de passagem) quando tornou a Língua Portuguesa como uma das línguas oficiais, a par do Castelhano e do Francês.

 

Ora acontece que a Guiné Equatorial talvez, na altura, tivesse pensado que essa Língua Portuguesa era a Língua Portuguesa e não o dialecto brasileiro, porque nem o Castelhano, nem o Francês usado na Guiné Equatorial são os dialectos oriundos do Castelhano e do Francês, usados nas ex-colónias espanholas e francesas.

 

Concluindo:

 

Qual o interesse da Guiné Equatorial e dos países africanos de expressão portuguesa em mudar da Língua Portuguesa para o dialecto brasileiro? Interesse ZERO.

 

Vamos ser realistas: a CPLP e a IILP também não interessam para nada. Já deviam estar extintas há muito. A época colonial finou-se. Está morta, mas pelo que se vê, não foi ainda enterrada. E é preciso enterrá-la para que os povos possam seguir o seu caminho, livres do ex-colonizador.

 

Deixemos as ex-colónias seguir o destino delas, e deixem-se de saudosismos bacocos.

 

(***) Linguista e professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que foi eleita na semana passada presidente, até 2020, do conselho científico do IILP, organismo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a promoção e desenvolvimento do Português, melhor dizendo, do dialecto brasileiro.

 

Fonte da notícia:

https://www.dn.pt/lusa/interior/guine-equatorial-nao-mostra-vontade-de-promover-portugues----conselho-cientifico-do-iilp-9338026.html

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:16

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Terça-feira, 15 de Maio de 2018

AO REDOR DA PALAVRA “PARABENIZAR"…

 

… que, no meu computador, dotado de um corrector de Língua Portuguesa desacordizada, dá erro, bem como também dá erro o termo “desacordizada”. Ambos não existem no léxico da Língua Portuguesa (e quando me refiro à Língua Portuguesa quero dizer Língua Portuguesa), contudo, um, é ilegítimo, porque não pertence a Portugal. O outro, é legítimo porque deriva do “acordo ortográfico” que querem impingir a Portugal.

 

PARABENIZA.png

 

No site sinónimos.com.br, lemos:

Sinônimo de parabenizar

10 sinônimos de parabenizar para 1 sentido da palavra parabenizar:

Dar os parabéns:

congratular, felicitar, cumprimentar, saudar, elogiar, gratular, festejar, celebrar, brindar, beber.

 

Os 10 sinónimos aqui referidos constam da Língua Portuguesa, e faltou parabentear, e entre parabentear e parabenizar, que venha o diabo e escolha.

 

Ora se temos tantos modos, na nossa Língua para dar os parabéns a alguém, que necessidade há de importar este estrangeirismo?

 

A propósito disto alguém me disse para não me irritar.

 

Eu não me irrito, eu sinto-me mal. Em geral, não gosto de estrangeirismos, provenham eles de onde provierem, quando temos palavras NOSSAS, e muito mais elegantes e felizes, para dizer o mesmo. Quando não temos, lá terá de ser. Neste caso, além de possuirmos 10 sinónimos, não gosto da palavra. Como não gosto, por exemplo, de "avalancha", do francês avalanche, muito mais elegante, e que prefiro e uso.

 

Portanto, comigo, isto nada tem a ver com ser ou não ser estrangeirismos do Brasil. Até porque aprendi a ler e a escrever e estudei no Brasil, e ainda uso, no meu dia a dia, muitas palavras brasileiras, apenas oralmente. Na escrita evito-as, porque a escrita é ESCRITA. Exemplos: toró (tóró)por tempestade; mamãe e papai, por mãe e pai; do tamanho de um bonde, por grande; cumbuca, por vasilha; cafuné, por afago; poxa (pôxa), por arre; meleca (mêlécâ), por porcaria; enfim, estaria aqui o resto do dia...

 

Nós, em Português, temos uma palavra bem mais elegante e feliz para desejar os parabéns a alguém, que é FELICITAR. Por que haveremos de importar o PARABENIZAR, que considero uma palavra espessa? E isto também não é uma questão de gosto. É uma questão de não haver necessidade de importar palavras estrangeiradas, quando as temos nossas. Apenas isso.

 

Antes de 2012, na legenda que vemos na imagem, leríamos «Rui Vitória não felicita FC Porto».

 

Em 2018, a que propósito se parabeniza, se temos: dar os parabéns, congratular, felicitar, cumprimentar, saudar…? Porquê este parabenizar, que é um vocábulo exclusivo do léxico brasileiro? Isto não faz parte do “acordo”, faz?

 

Dizem-me que implico demasiado com o Brasil, e nada está mais longe da verdade. É preciso lembrar que a minha Cultura assenta na Cultura Portuguesa, mas também na Cultura Brasileira, que considero riquíssima, mas está mal divulgada e aproveitada, especialmente nas escolas brasileiras, e na Cultura Inglesa, que aprofundei numa escola inglesa.

 

Dizem-me que duvidam que a Língua Portuguesa seja mais maltratada pelos Brasileiros do que pelos Portugueses, e que o inglês americano está distante do original, principalmente em termos de léxico e pronúncia, mas também de ortografia, e os Ingleses não se melindram com isso…

 

Contudo, a distância do inglês americano para a Língua Inglesa é de 1 para 10. A distância do brasileiro para o Português é de 1 para 100, ou talvez de 1 para 1.000. Além disso, a Língua Inglesa não está na berlinda, em parte alguma, como está a Língua Portuguesa em Portugal, no Brasil e em todos os outros países de expressão lusófona. Se estivesse, garanto que, conhecendo, como conheço, os Ingleses, eles reagiriam, como todos os Portugueses lúcidos reagem. É que não é fácil ver a nossa Língua Materna a despedaçar-se.

 

Quanto à dúvida no maltrato da Língua, os Portugueses actualmente maltratam a Língua muito mais do que há uns poucos anos. Mas os Brasileiros (os Brasileiros comuns, os Cultos estão fora desta apreciação) se chamam Português ao que falam e escrevem... cuidado!

 

Considero o Brasil um país irmão de Portugal. Mas não um irmão gémeo, até porque ambos ficariam a perder, se fossem gémeos. A Cultura de um completa a Cultura do outro. E é por esse completamento que me bato.

 

O Brasil já está tão distante do Português que, primeiro: já nem sequer o estudam com essa designação; e segundo: não tenho qualquer dúvida de que se tornará uma língua autónoma com qualquer outra designação, excePto Língua Portuguesa, porque essa, já não é portuguesa.

 

E não se passou isto com o Latim, com o Português, com todas as outras línguas? Todas as línguas começaram por ser dialectos de outras línguas, e foram-se distanciando até se tornarem autónomas. O mesmo acontecerá com o que eu, em concordância com Manuel dos Santos Alves, autor do Prontuário da Língua Portuguesa, da Universitária Editora, chamo dialecto brasileiro, candidato a Língua Brasileira, sem qualquer dúvida.

 

Por isso, esta coisa de "países lusófonos " é uma grande falácia. No Brasil usa-se o dialecto brasileiro, nos restantes países de expressão portuguesa, apenas uma minoria mais instruída usa o Português não mutilado. De resto, o povo usa os dialectos nativos, que são às dezenas. E não é assim que deve ser? Afinal são países independentes, onde já existia um povo com uma cultura própria.

 

O que se passa em Portugal, no que respeita à importação de estrangeirismos, brasileiros ou não, provém daquela mentalidade terceiro-mundista, que faz adoPtar o que é estrangeiro, porque isso é que é bonito.

 

A isto chama-se PAROLICE.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:29

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Sábado, 12 de Maio de 2018

O MIXORDÊS DO SENHOR PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

 

«Quando um docente do ensino superior e ex-governante com responsabilidades escreve assim (embora sem obrigatoriedade de o fazer), é porque algo não está bem no instrumento aplicado nem na filosofia que lhe serviu de base. Continua, portanto, a confirmar-se que o Acordo Ortográfico é transversalmente um factor de perturbação da escrita e indutor de analfabetismo.»

(Tradutores Contra o Acordo Ortográfico).

 

MIXORDÊS3.png

 

Imagens daqui: https://bit.ly/2G01svt

Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645077242260614.1073741827.199515723483437/1557477114353951/?type=3&theater

 

***

Isto já nem é coisa de um país terceiro-mundista! É sim, de um país quinto-mundista, onde o ensino da Língua não existe. 

 

Isto é absolutamente intolerável. Inimaginável, num país Culto.

 

Votam a favor do acordo ortográfico. Aplicam-no, convencidos de que estão a escrever o supra-sumo de uma Língua, e eis este vergonhoso resultado.

 

E é assim na escrita, e é assim também no falar.

 

Quando um professor universitário e ex-governante adopta a mixórdia ortográfica, o que farão os outros, os que têm menos habilitações literárias, como os legendadores e tradutores televisivos, as crianças, os jovens, que nas escolas aprendem este mixordês, quando têm direito ao ensino qualificado da Língua Materna – a Língua Portuguesa, na sua grafia culta e europeia!

 

Mas há ainda mais. Há o mixordês também nos canais televisivos.

 

E o pior é que o governo português e o presidente da República acham piada a isto, e calam-se. E não tomam a iniciativa de pôr ordem na casa.

 

 

MIXORDÊS.jpg

Fonte da imagem: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=195953047868881&set=gm.1857525544292810&type=3&theater&ifg=1

MIXORDÊS1.jpg

 Fonte da imagem: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10156393674308556&set=gm.2048019628555840&type=3&theater&ifg=1#

 

 Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:03

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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

PALAVRAS E CONSIDERAÇÕES AO REDOR DO AO90 – O MEU COMBATE

 

Via e-mail, frequentemente recebo pedidos de informação, ou mesmo uma opinião sobre o que está a passar-se a propósito do despropósito de um acordo ortográfico que ninguém pediu, não é necessário, sendo, portanto, inútil, e muito menos é um acordo racional.

 

E é sobre o que escrevo em privado, que partilho, hoje, em público.

 

PALAVRAS.jpg

 

Não sou Filóloga, nem Linguista. Tive de dar aulas de Português, porque os de História tinham de dar também a disciplina de Português, para a qual, no entanto, nunca foram preparados na Universidade. Daí, ter tido a necessidade de estudar a Língua Portuguesa, mais aprofundadamente, para não defraudar os meus alunos.

 

Aprendi a ler e a escrever no Brasil, e fui estudando cá e lá, ao longo da infância, adolescência e juventude. Conheço a fundo as duas versões do Português, para poder dizer, com conhecimento de causa, e sem titubear, que o que nos estão a impingir, hoje, é a ortografia brasileira, que eu aprendi na escola primária, no Brasil. Com que intenções fazem isso? Naturalmente com as intenções mais obscuras por parte de Portugal que, servilmente, se curva aos interesses exclusivos do Brasil.

 

Não sou propriamente avessa aos neologismos, quando estes têm fundamento. Não gosto de certas adaptações de palavras estrangeiras para Língua Portuguesa, se lhes retiram a elegância. Estou a lembrar-me de “avalanche”, do francês “avalanche”. Detesto a palavra aportuguesada “avalancha” que não tem graciosidade nenhuma. É uma palavra espessa. Eu utilizo o termo “avalanche”, que existe nos nossos dicionários (quando digo nossos, descarto os novos dicionários acordistas, que não são nossos). E isto é como chamar João Lenão ao John Lennon. Não gosto de palavras espessas, e agora com o AO90 é o que mais existe, por aí: palavras espessas e muito deselegantes.

***

Passando às questões:

Acessibilidade (do latim accessibilitas, -atis) significa qualidade do que é acessível, alcançável, atingível.

Jamais pode ser aplicada como acesso (entrada) a alguma coisa.

Os que usam o vocábulo acessibilidade para significar “acesso” cometem uma grande calinada.

 

Mas as calinadas são aos milhares: eles “cOmprimentam-se”, eles “fOncionam”, eles dizem das suas "circOnstâncias", à última DA hora, eles aplicam mal os tempos dos verbos, eles não sabem Português. Estou a referir-me aos governantes responsáveis pela decadência da Língua Portuguesa. Estejam atentos ao modo como falam.

 

***

Quanto ao “contratualizar” (contratual + izar), significa estabelecer as regras contratuais de…; pôr em contrato.

 

Deriva da palavra CONTRATUAL do francês “contractuel” relativo a um CONTRATO (= convenção, acordo).

Contratar = empregar (do latim contractare)

Contrato (do latim contractus)

Ambas as palavras perderam o C antes do AO90. São daquelas excepções, à regra.

 

A palavra “contratualizar” não existe nos dicionários de Língua Portuguesa, mas não me faz mossa.

Porque o vocábulo “contractar” não existe.

O que existe é “contracto” (do latim contractus) = contraído, encolhido, que sofreu contracção = CONTRAÍDO.

E como contratualizar significa “fazer um contrato”, é um neologismo que não faz mossa na Língua.

 

***

 

Agora, não me venham com “parabenizar”, uma palavra horrorosa que os portugueses andam a adoptar do brasileiro (e que me desculpem os brasileiros, também as temos horrorosas, por cá). É como “apenado” (condenado, o que sofreu uma sanção penal); ou “estrelar” (protagonizar - o Johnny Depp estrelou o filme «Piratas das Caraíbas», talvez com umas batatinhas fritas…), palavras americanizadas, escusadamente, até porque temos vocábulos tão mais graciosos, em Português.

 

Mas há muitos mais que agora não me ocorrem.

 

***

Pois se fôssemos a seguir essa regra parva de "perde a consoante porque não é pronunciada" teríamos de aumentar a lista em várias centenas de palavras.

 

É que a lógica dos acordistas quanto à supressão das consoantes mudas é tão ilógica que se lhes perguntamos porque (h)avemos de suprimir a consoante em faCtor, porque não pronunciamos o C, por que não a suprimir em (h)avemos, uma vez que também não pronunciamos o H? E eles não têm uma explicação racional para o fazer. Mas eu já vi por aí escrita este conjunto de letras - ospital. Talvez porque o H passe despercebido… como no vocábulo “umidade” (humidade em Portugal), que no Brasil se grafa sem H, porque o H passa "despercebido" na palavra... (li isto no Ciberdúvidas), e li mais, ainda se escreve, por exemplo, (h)oje e (h)ora, com H, porque, por força do uso, algumas palavras com H inicial já têm fixação visual e deixa alguma perplexidade grafias como "oje" ou "ora"... Foi o que li no Ciberdúvidas.

 

Considero esta “explicação” de uma inteligência raríssima.

 

Pois se aos acordistas a grafia “oje” (por hoje) e “ora” (por hora) causa perplexidade, porque aquele H mudo inicial já tem fixação visual, a mesma perplexidade, causam grafias como "fatura" (fâturâ), "fator" (fâtôr), "fração" (frâção), “direto” (dirêtu), “diretor” (dir’tôr, “objeto” (objêtu), “rutura”, “receção” (r’c’ão),”exceto” (eiscêtu), “Egito”, “aspeto” (âspêtu), “adoção” (âdução), “inseto” (insêtu), “ação” (âção), “deteta” (d’têtâ), “exato” (ixâtu), enfim, estes e centenas de abortinhos ortográficos, que assim escritos, é obrigatório pronunciá-los conforme está entre parêntesis e não significam nada.

 

E é deste modo híbrido que os acordistas justificam a supressão das consoantes mudas em palavras onde elas são indispensáveis, e não fazem cair as outras porque, visualmente, elas criam perplexidade!!!!! Isto é de quem não tem a mínima noção do que diz, o mínimo conhecimento da estrutura das Línguas, de todas as Línguas.

 

Depois existe um outro detalhe: quando me dizem que os estrangeiros percebem o “brasileiro” melhor do que o Português… é mentira! Na escrita, um inglês, um francês, um espanhol ou um alemão que não saibam muito bem o Português, se depararem, por exemplo, com as palavras directo, director, factor, saberão reconhecê-las-ão. Ao contrário, se depararem com “direto”, diretor, fator, não saberão o que isto é.

 

Eu, que não domino o Alemão, mas domino o Inglês, consigo entender uma frase em alemão tirando pela a pinta as palavras. E isto acontece porque a etimologia é a mesma. Somos da família indo-europeia. Não somos da família sul-americana, aliás, cuja língua, à excepção das línguas nativas, é oriunda da Europa.

 

Quando eu digo que se fala mal, ou escreve mal, no Brasil, refiro-me ao emprego do tempo dos verbos, dos plurais, dos artigos, dos pronomes, da acentuação, que o comum dos Brasileiros não sabe aplicar, muito por culpa do "não-ensino" da Gramática, nas escolas. Não me refiro ao "sotaque" que, até lhe acho piada.

 

E o que se fala e escreve no Brasil será a mesma Língua Portuguesa que, por exemplo, os Angolanos e Moçambicanos instruídos falam e escrevem?

 

É óbvio que os Timorenses, Angolanos, Moçambicanos e restantes povos ditos lusófonos não falam todos do mesmo modo. Até em Portugal, de Norte para Sul, o modo de falar difere.

 

Mas não é ao "modo" que me refiro. É à "forma" como a Língua é utilizada, é grafada, é pronunciada. Não se conhecendo a Gramática, dizem-se e escrevem-se os maiores disparates.

 

Quanto à escrita, dos sete povos ditos lusófonos ou lusógrafos, apenas os Brasileiros deformaram a ortografia, mutilando-a e criando palavrinhas sem significação real alguma.

 

No que respeita ao Inglês e ao Castelhano o que se passa não é bem a mesma coisa. Os povos colonizados pelos Ingleses e Espanhóis não mutilaram as línguas que adoptaram do colonizador. Têm novos vocábulos para designar as mesmas coisas, uma grafia diferente, muito pontualmente, o “sotaque” difere de país para país, mas não mutilaram ostensivamente as palavras. E jamais Inglaterra ou Espanha fariam um "acordo" para adoptar a grafia das ex-colónias. E os falantes e escreventes das Línguas Inglesa e Castelhana também são aos milhões nas ex-colónias deles.

 

Então porquê substituirmos a nossa Língua Portuguesa, pelo Dialecto Brasileiro? Por eles serem milhões e nós milhares? Isso nunca será argumento válido, em parte alguma do mundo.

 

E é essencialmente isto que combato.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

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Segunda-feira, 7 de Maio de 2018

A GRANDE FALÁCIA DOS ACORDISTAS

Num comentário algures, online, e como argumento de defesa do AO90, alguém que dá pelo nome de «a favor do acordo ortográfico»  escreveu o seguinte:

 

«Antes de mais, o português fala-se em Portugal e em mais sete países. Em Portugal estão apenas 4% dos falantes nativos de língua portuguesa... daqui a 50 anos seremos apenas 2% ou 3%. Acha justo querer obrigar 250 milhões de pessoas (só no Brasil são 204 milhões) a querer adotar (lê-se âdutár) a velha grafia portuguesa (a de 1945)? O acordo ortográfico não serviu para abrasileirarmos a nossa ortografia, tratou-se apenas de um esforço aproximativo... deixem-se de dramas!»

 

CONSTANÇA.jpg

 

Se não ouvesse mais umas coisas que eu gostaria de acrescentar, Constança Cunha e Sá teria dito tudo, e por aqui me ficava.

 

Mas é preciso desmascarar a petulante falácia dos acordistas.

 

Antes de mais, o Português, fala-se e escreve-se em Portugal.

 

Nos restantes sete países ditos lusófonos, em cinco deles (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) apenas uma minoria instruída fala e escreve Português, porque a esmagadora maioria do povo desses países fala os muitos dialectos locais. Num deles, Cabo Verde, a língua oficial já é o Crioulo Cabo-verdiano, tendo o Português passado para língua estrangeira.

 

O Brasil é uma história à parte, que se distancia dos demais países, ditos lusófonos. No Brasil, fala-se e escreve-se dialecto brasileiro, uma vez que, tanto na fala como na escrita, o distanciamento do Português é evidente, de tal modo que já lhe deu o direito de ser dialecto, ou seja, a variedade de uma língua própria de uma região, que se distanciou da sua matriz (o Português - tal como o dialecto português se distanciou da sua matriz latina e transformou-se em Língua Portuguesa). Tanto que, na grafia, como na acentuação e hifenização e entoação das palavras, pouco já resta da língua matriz. Por outro lado, no Brasil, já não se estuda Português e Literatura Portuguesa. Estuda-se tão-somente “Expressão e Comunicação”. E estão no seu pleno direito.

 

Portugal nunca obrigou nenhuma das suas ex-colónias a adoPtar a Língua Portuguesa como língua oficial, depois que se libertaram do país colonizador.

 

Portanto é uma grande mentira dizer «acha justo querer obrigar 250 milhões de pessoas (só no Brasil são 204 milhões) a querer adoPtar a velha grafia portuguesa (a de 1945)


Esses 250 milhões de pessoas não são obrigados a nada. Quando muito poderá dizer-se que os tais 4% dos falantes e escreventes de Língua Portuguesa, referentes a Portugal, são obrigados à actual (e não velha) grafia portuguesa de 1945, porque é essa que está em vigor em Portugal. Os subservientes, esses, usam a grafia brasileira.

 

De resto, o resto é mentira. Os cinco países que adoPtam a Língua Portuguesa não mutilada, adoPtam-na de livre vontade, e não porque sejam obrigados. Ou não são esses países, países livres? E mais um detalhe: adoPtam a Língua Portuguesa desacordizada.

 

Por outro lado, dos 204 milhões de Brasileiros, a esmagadora maioria nem em Português, nem em dialecto: simplesmente não sabem escrever. E o que falam está a milhas do Português.

 

E isso até uma criança percebe: se esta ouve um brasileiro falar, ela diz logo que fala brasileiro. Em parte alguma do mundo se diz que os brasileiros falam Português. A diferença é de tal maneira percePtível que um estrangeiro chama-lhe brazilian language. Nada contra.

 

Portanto, injusto, injustíssimo, é um país livre, como Portugal (a não ser que não seja livre) subjugar-se à ortografia de uma ex-colónia.

 

Dizer que o acordo ortográfico não serviu para abrasileirarmos a nossa ortografia, tratou-se apenas de um esforço aproximativo... é outra monumental mentira.

O AO90 só serviu para abrasileirar a ortografia portuguesa. Só serviu para isso. Isto é um facto indesmentível. E disse bem o tal «a favor do acordo ortográfico» tratou-se (não se trata) tratou-se de um esforço aproximativo, sim, um esforço muito forçado pela ignorância, de aproximar algo inaproximável, é assim como querer aproximar o Sol da Lua.

 

Qual o motivo desta fixação por Portugal, e não pelos restantes países lusófonos, que não são trazidos à baila?

 

Qual o drama? É que se Portugal (porque, já vimos, os restantes países seis estão-se nas tintas para o AO90) continuar a teimar nesta fraude, daqui por 50 anos seremos apenas 2% ou 3% a escrever e a falar mal uma língua que já não será o Português, porque este desaparecerá do mapa, tão certo como eu estar aqui a escrever isto, enquanto os outros sete países falarão e escreverão os seus dialectos que, entretanto, se transformaram nas línguas Angolana, Moçambicana, Brasileira, São-tomense, Cabo-verdiana, Timorense, Guineense.

 

O Brasil já oPtou pelo seu dialecto. Nada contra. Assinaram as convenções de 1911 e 1945 e deitaram-nas ao lixo. Problema dos brasileiros. O falso acordo serviu tão-só para impor ao mundo dito lusófono a ortografia brasileira. Isto é um facto indesmentível. Incontornável

 

E há outro detalhe: a quantidade nunca foi bitola para amarfanhar a qualidade.

 

Mais vale poucos, mas bons falantes e escreventes da Língua Portuguesa, do que milhões a escrevê-la mutiladamente.

 

Além disso, o que aqui está em causa é algo muito mais obscuro do que um "esforço aproximativo", que todos sabemos ser inviável. Jamais haverá unificação ortográfica entre os países lusógrafos. Jamais. E isto é um dado adquirido, e nem sequer nisso há o mínimo interesse. Até porque no Brasil, os brasileiros continuarão a introduzir fatos na conversa, e nós introduziremos factos… a não ser que…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:12

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Sábado, 5 de Maio de 2018

A LÍNGUA PORTUGUESA ESTÁ EM “PRIGO”…

Ora se está!

Realmente, nunca como agora a Língua Portuguesa correu tanto perigo de se transformar num simples linguajar de analfabetos.

E quem se importa?

Importo-me eu – que a tenho como instrumento não só de trabalho, mas também de lazer, porque ler com prazer é o meu passatempo favorito – e muitos outros que, no entanto, não estão a ser suficientemente ruidosos, para serem ouvidos pelo governo português, perito em fazer ouvidos de mercador.

 

PRIGO.png

 

O que vemos na legenda desta imagem, que nos diz dos “migantes em prigo” não será culpa do AO90, mas é com toda a certeza consequência dele. Porque o AO90, além de assentar na ignorância da Língua, é também um veículo que conduz ao desleixo do Saber Escrever.

 

Para quem tem de escrever em acordês, cheio de palavras mutiladas, mal acentuadas e pessimamente hifenizadas, tanto faz, como tanto fez escrever correctamente ou não. A ordem é para escrever como falam, seguir a oralidade, suprimir as consoantes que não se lêem, tirarem acentos e hífenes, e levam isto à letríssima.

 

Então cortam tudo, a torto e a direito. E os canais de televisão que, ao que parece, são órgãos estatais, pois alguém os obrigou a adoptar o AO90, embora não fossem a tal obrigados, não se limitaram a usar a grafia brasileira, foram ainda mais longe, uma vez que a grafia portuguesa, correcta, escorreita, baseada em regras, não é obrigatória, para quê estarem com preciosismos? Não é verdade? Em acordês não há necessidade de estilo. Qualquer palavreado serve.

 

Quando lemos “migantes em prigo” não sabemos logo o que isto é? Então, para quê estar a queimar neurónios?

 

Isto ultrapassa o razoável.

 

Perante isto, o governo português está mudo. O ministro da Educação está mudo. O presidente da República está mudo. Os tribunais, que ficaram de dar um parecer sobre o AO90, estão mudos. Aquela comissão da Assembleia da República”, que ficou de “estudar o impacto do AO”, está muda.

 

A Academia das Ciências de Lisboa também está muda.

 

Os juristas, que alardeiam a ilegalidade e inconstitucionalidade do AO90, não usam os seus conhecimentos jurídicos para processar o Estado Português. Eu, se soubesse aquele fraseado jurídico, já o teria feito.

 

Nas escolas usa-se da chantagem para impor o AO90, a quem não o quer utilizar, porque a tal não é obrigado: ou escrevem em acordês ou chumbam. E o medo instalou-se, à boa maneira das ditaduras.

 

O AO90 está envolvido num mistério de tal modo obscuro e poderoso, que nenhum argumento racional, conseguiu ainda ter força suficiente para derrubá-lo. Por enquanto.

 

Agora que mistério é este? O que está por trás desta parva teimosia? O que propriamente foi cozinhado à porta fechada entre Evanildo Bechara (Brasil) e Malaca Casteleiro (Portugal), paus-mandados de políticos desonestos, ainda está no semi-segredo dos deuses, porque existe uma explicação para tal descalabro, só que essa explicação é tão, mas tão, mas tão macabra que nenhum mortal consegue aceitá-la a bem, levando-a para o domínio dos delírios, e automaticamente descarta-a, por lhe parecer inconcebível. Mas não é.

 

Este “negócio da língua” aglomera vários interesses, e nenhum deles serve Portugal, os Portugueses, e a Cultura Portuguesa, sendo que o principal interessado é o Brasil. Os Brasileiros já o admitiram.

 

Pediram-me uma opinião sobre isto. Fizeram-me algumas perguntas. Qual a minha opinião?

 

Pois é a seguinte:

 

A primeira questão foi: de 27 membros da Academia das Ciências de Lisboa, 25 manifestaram-se contra o AO90, e ainda assim isto foi para diante? Se isto é Democracia? Se em Democracia há espaços para secretismos?

 

Respondi que não, isto não é democracia. É uma ditadura disfarçada de democracia. E numa ditadura disfarçada de democracia haverá espaço para o secretismo? Sem dúvida alguma que há. Para o secretismo e um descomunal obscurantismo, uma oposição sistemática ao desenvolvimento da instrução e do progresso, um estado de completa ignorância.

 

O que está por detrás de toda esta maquinação?

 

Eu tenho uma opinião. Baseada em factos documentados e empíricos. Já os expus neste meu Blogue, sem papas na língua. Sem receio de ser politicamente incorrecta.

 

A maquinação é maquiavélica. Os interesses são, acima de tudo, políticos, mas também económicos, e um desejo secreto, há muito acalentado, de esmagar o Português. E os políticos portugueses, envolvidos nesta maquinação, não saem disto de mãos a abanar.

 

Por que é que ninguém diz abertamente o que se forjou secretamente com os representantes brasileiros? Porquê? E alguém diz abertamente as trafulhices em que está envolvido?

 

Porque é que o nosso presidente da República anda tão encolhidinho, e nada diz a este respeito, desrespeitando, como desrespeita, a Constituição da República Portuguesa, que jurou defender?

 

Sendo ele uma pessoa reconhecidamente influenciável, ora virado para o Norte, ora para o Sul, um narcisista ao mais alto grau, foi há tempos, a Moçambique e lá questionaram-no sobre esta matéria, e ele ponderou reabrir a discussão, mas quando cá chegou, alguém, que poderia ter sido o ministro dos negócios da língua, aconselhá-lo-ia a calar-se (estou a supor), porque ele nunca mais abriu a boca para falar no assunto. Nem de raspão. Um silêncio de defunto. Ora isto faz pensar…

 

Portugal está a ser vendido ao retalho, e os Portugueses estão a ser tomados por lorpas. Até os Brasileiros já o dizem.

 

Até agora, tudo o que os antiacordistas têm falado e escrito sobre esta matéria tem entrado por um ouvido (se é que entra) dos políticos e saído pelo outro.

 

Até agora. Mas não há mal que sempre dure…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:19

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Quinta-feira, 3 de Maio de 2018

FOI JOSÉ SÓCRATES QUE ILEGAL E INCONSTITUCIONALMENTE IMPÔS A PORTUGAL A GRAFIA BRASILEIRA, À QUAL DESPROPOSITADAMENTE CHAMAM AO90

 

Texto de Francisco João DA SILVA

 

 Isto é faCtual!

Foi sim, José Sócrates, actualmente acusado pelo Ministério Público, em Portugal, de numerosos crimes, usurpando poderes   que NÃO tinha e que, muito menos, NÃO lhe eram   conferidos pela Constituição da República Portuguesa (CRP), que, através duma Resolução do Conselho de Ministros (RCM 8/2011) cometeu um crime de lesa-língua portuguesa e de atentado ao Estado de Direito (artigo 9 da Lei Nº 34/87).

 

PÁTRIA.jpg

 

Isto ao mandar aplicar a grafia brasileira, sub-repticiamente através do que chamam muito pomposamente AO1990, de maneira ditatorial, ilegal e inconstitucionalmente, apenas a serviços administrativos e escolares dependentes do Estado, e JAMAIS à Justiça, Tribunais (INDEPENDENTES do Poder Executivo, é bom não esquecer), à   Sociedade Civil, às empresas, à Imprensa, a Associações sediadas em Portugal ou no estrangeiro, nacionais, aos particulares etc., etc., etc., através dum despacho meramente normativo autónomo, isto é a RCM 8/2011 supra citada, e como é óbvio, sem qualquer força de LEI, repito, pelo menos num Estado de Direito.

 

Como   é que se pôde manipular a opinião pública e os diversos actores da vida nacional   com esta GIGANTESCA “fake new”?  A Culpa é do Trump? Ou do Putin?  

    

O pretenso acordo ortográfico NÃO está em vigor!

 

Numerosos professores, escritores, jornalistas, advogados, juristas, actores, etc., sabem-mo perfeitamente, mas, aparentemente preferem paCtuar  com a  ilegalidade  e não têm coragem para defender o Estado de  Direito, visto que  a  sua  Constituição  foi violada grosseiramente, entre  outros, pelo político supra-indicado e   que em breve deverá  responder pelos crimes  de que é acusado pelo Ministério Público,   perante  o poder judiciário, o qual  é  independente do Poder Executivo, pelo menos que eu saiba.

 

 Aparentemente o poder judiciário no Brasil mostra o caminho, ou seja, que os políticos não estão acima das leis (que, aliás, eles próprios votam na Assembleia da República...).

 

Esse dialeCto estatal (AO1990) não é obrigatório para ninguém, pois é ilegal e inconstitucional.

 

língua oficial da República Portuguesa é o Português grafado à portuguesa, não é, e nunca será a Ortografia Brasileira, que pertence aos Brasileiros, que a deveriam chamar pelo seu verdadeiro nome, ou seja: Língua Brasileira.  Já é tempo de o assumirem! 

 

Mas a IMPRENSA, em geral, esconde estes factos ao Povo Português.

 

 Porquê?  

 

44 anos depois do 25 de Abril, será que têm novamente medo, da Ditadura Ortográfica?   

 

Sim! Sim! Apenas por Decreto-Lei da Assembleia da República se pode legiferar (pelo menos num Estado de Direito) e não em Conselho de Ministros.

 

Como o Decreto-Lei Nº 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, que pôs em vigor a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945, não foi revogado por outro Decreto-Lei, da Assembleia da República, o anterior continua em vigor, na ordem jurídica nacional e internacional.

 

Só por esse facto (mas há muitos mais) o pseudo e bastardo "Acordo Ortográfico - AO1990", não está em vigor, é ILEGAL e INCONSTITUCIONAL.

 

Portugal e o povo português estão cada vez mais dominados por interesses financeiros, que nem o Património Imaterial de Portugal respeitam: a Língua Portuguesa e a sua MATRIZ  fazem parte  DESTE PATRIMÓNIO.  

 

Frederico Duarte Carvalho, expõe claramente esta e outras temáticas (político-financeiras) através do seu Livro    "O Governo Bilderberg”, aquilo que   outros descrevem de outra maneira: «De súbito os Portugueses descobriam uma perversa aliança entre figuras de primeira linha do poder político, do poder financeiro e do poder económico» (in Caso Sócrates). Ou seja, «Uma investigação exaustiva apoiada em documentação oficial e inédita do Arquivo Salazar, do arquivo da Presidência da República,  do arquivo  do Ministério dos Negócios Estrangeiros», etc..

 

Este novo crioulo português é apenas um dialeCto estatal e está a destruir a Matriz da Língua Portuguesa, a qual se originou em Portugal e não no Brasil.

 

Em Portugal escreve-se e escrever-se-á sempre Português culto e europeu.

 

Os outros países   que façam o que quiserem da Língua Portuguesa! É o direito deles e igualmente problema deles. Mas em Portugal a maioria da   população quer manter as suas raízes, a sua Cultura e a sua Língua.

 

E lutarão por isso! E as gerações futuras igualmente. 

 

As  ditaduras (incluindo as ortográficas) não se combatem. DERRUBAM-SE! 

 

Os políticos passam, mas a Nação portuguesa e os descendentes dos portugueses dignos e verticais continuarão a existir e revogarão esta vergonha que nenhum outro país infligiu ao seu próprio património. Portugal é único, até neste tipo de descalabro nacional e internacional.

 

Qualquer outro país sentir-se-ia ENVERGONHADO. E em Portugal?  Assobia-se para o lado!    

 

O chamado AO199O é, na verdade, um AVATAR da língua brasileira, a qual vestiu ilegal e inconstitucionalmente a pele do Português culto e europeu.

 

A Língua Oficial da República Portuguesa continua a ser o Português culto e europeu, grafado à portuguesa e não à brasileira, disfarçado de "Acordo Ortográfico"!

 

Vejam lá se percebem, finalmente, porque é que a matriz da Língua Portuguesa está a ser destruída politicamente, isto é, por razões financeiras.

 

O Património Imaterial de Portugal (do qual a Língua Portuguesa é parte integrante, segundo a Convenção da UNESCO) está igualmente a ser "vendido" ao desbarato!

 

Ver aqui este artigo publicado no Blogue de Isabel A. Ferreira:

 

 O QUE FIZERAM DA REVOLUÇÃO DE ABRIL?

 

 

Caros Amigos,

 

 Podem escolher:

1 – Lutar como portugueses dignos e verticais e defender a Pátria de Fernando Pessoa dos traidores;

ou:   

 2 – Assobiar e olhar para o lado, se é o vosso “campeonato”.

 

Nunca é tarde para recuperarem o que é vosso, o que é nosso e dos vindouros. 

 

 Bem-haja! 

Abraços cordiais.

 

Francisco João DA SILVA (livre pensador)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:19

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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018

UMA DAS MAIORES IGNORÂNCIAS DOS ACORDISTAS É PRETENDEREM COMPARAR O AO90 COM AS ANTERIORES REFORMAS ORTOGRÁFICAS

 

Os acordistas estão-se nas tintas para a contestação gerada ao redor do AO90, porque, dizem eles, os “outros”, os das outras épocas (e atiram-nos com Fernando Pessoa) também contestaram as reformas de 1911 e 1945, e elas avançaram.

 

Isto só demonstra uma profunda ignorância, e é essa ignorância que pretendo demonstrar.

 

oslusiadas[1].png

 

Não há comparação possível quanto a isto, porque a motivação da contestação às anteriores reformas nada tem a ver com a motivação da contestação ao AO90.

 

Porquê?

 

1 - Porque o AO90 não foi movido pela evolução da Língua, mas tão-só por obscuros interesses, políticos e económicos.

 

2 - Porque as anteriores contestações basearam-se na “mudança”, e mudar, para alguns, é difícil, é complicado. Não tinham justificações concretas para contestarem o conteúdo, mas apenas a forma. Por isso as outras reformas avançaram.

 

Ao contrário, a contestação ao AO90 baseia-se em algo muito mais objectivo: na mutilação de palavras que conduz a estranhos sentidos e a pronúncias impronunciáveis, pois trata-se da imposição da grafia de um dialecto. E os anteriores reformistas jamais nos impingiram a grafia de um dialecto. A Língua que já era Portuguesa, já tinha deixado o estatuto de dialecto do Latim, foi modernizada. Um dia, ao dialecto brasileiro também acontecerá o mesmo: será Língua Brasileira.

 

Além disso, as reformas de 1911 e 1945 basearam-se na evolução da Língua. E para se entender isto, é preciso conhecer a Gramática e as regras pelas quais a Língua se rege. O AO90 não segue regras linguísticas. Segue regras de ignorantes. Porque todas as línguas, aliás, toda a actividade humana se baseia em regras. E isto, ou se sabe ou não se sabe.

 

Se se sabe, entende-se que as reformas anteriores ao AO90 assentaram em regras específicas que simplificaram a escrita, sem a desenraizar, sem a afastar da sua raiz greco-latina, sem a mutilar, sem a deformar, sem a desformosear, sem a descaracterizar.

 

Se não se sabe, faz-se papel de ignorante, ao dizer-se que “os outros” também contestaram as reformas, e que os contestatários actuais são velhos do Restelo, e que os brasileiros são milhões e nós milhares, como se isso fosse argumento para se destruir uma Língua.

 

A diferença entre as reformas ortográficas de 1911 e 1945 e a do AO90 é abissal.

 

Não cabe aqui esmiuçar a questão até á exaustão. Vou dar apenas os exemplos mais comuns:

 

Nas reformas de 1911 e 1945 o que era exahusto passou a exausto; o que era orthographia passou a ortografia; o que era portvgvesa, passou a portuguesa; o que era immoral passou a imoral; o que era lyrio passou a lírio; o que era pharmacia passou a farmácia; o que era phosphoro passou a fósforo, etc.. E o que mudou aqui? Suprimiu-se o H mudo, que não mudou a pronúncia; os Vs, para não serem confundidos, passaram a Us, e a pronúncia continuou a mesma; suprimiu-se o eme mudo, e a pronúncia continuou igual; substituiu-se o Y grego, pelo I do nosso alfabeto romano, e a pronúncia ficou igual; e o PH (som F) foi substituído pelo F do nosso alfabeto romano. Antigamente, grafava-se o fonema f com ph somente nas palavras de origem grega, por isso, Fernando Pessoa escrevia pharmacia com ph, e o F de Fernando, seu nome, grafava f. E o som era o mesmo.

 

Portanto, as consoantes mudas foram suprimidas apenas quando não interferiam com as vogais que as precediam, ou com a sua pronúncia, mantendo-se a etimologia e a elegância das palavras. As letras gregas foram substituídas pelas já existentes no nosso alfabeto, que é latino e não grego. E a matriz da Língua não foi alterada.

 

E a isto chama-se evolução.

 

Já o que acontece com o AO90 nada tem a ver com evolução, mas com a decadência da língua, assente na sua destruição deliberada.

 

O AO90 mutila as palavras, suprimindo consoantes mudas que interferem com as vogais que as precedem, alterando a sua pronúncia e, em determinados casos, o seu significado, afastando-as da sua etimologia, da sua raiz, e tornando-as visivelmente muito deselegantes.

 

Veja-se este exemplo: ao suprimir-se a consoante P no vocábulo adoção, não só se interfere com a vogal O que a precede, modificando a sua pronúncia (deve ler-se âdução), como no seu significado, que será algo a que se acrescentou bastante açúcar.

 

Agora repare-se neste conjunto de vocábulos, correctamente escritos, na grafia portuguesa, ao lado da sua forma mutilada, na grafia brasileira, com a respectiva pronúncia exacta:

 

Actor - Ator (âtôr); acepção - aceção (âc’ção); recepção - receção (rec’ção); adopto - adoto (âdôtu); afecto - afeto (âfêtu); arquitecto - arquiteto (ârquitêtu); tecto - teto (têtu); aspecto - aspeto (âspêtu); excepto - exceto (êxcêtu); coacção - coação (cuâção); colecta - coleta (culêta); correcto - correto (currêto); erecto - ereto (irêtu).

 

Repare-se na elegância da grafia portuguesa em relação à outra. As palavras mutiladas não são nada. Não significam nada. Não pertencem à Língua Portuguesa. São deselegantes. Ao lhes serem suprimidos os Cês e os Pês, interferiu-se com as vogais que as precedem, mudou-se-lhes a pronúncia, e, em certos casos, o significado também mudou, como na palavra coação (cuâção), que significa o acto de coar, e não coagir, como os acordistas pretendem.

 

E isto a isto chama-se decadência.

 

Ao olhar para estas e todas as outras palavras mutiladas, e as sem hífenes e acentos que nos querem impingir, é como se olhássemos para esta imagem:

 

DECADÊNCIA.png

 

Na verdade, o AO90 é isto: é a desistência da Arte de bem grafar as palavras; é tornar degradante o que já foi belo.

 

A falsa reforma do AO90 baseia-se na mutilação de palavras, supressão de hífenes em palavras compostas que, sem eles, ficam com outro significado; e eliminação de acentos que descaracterizam os vocábulos, o que resultou num monumental empobrecimento da Língua, na destruição da sua matriz, na deformação e afeamento das palavras, e em inúmeras incongruências que a leviandade e os motivos obscuros que estão por detrás de tudo isto desencadearam.

 

Nada disto faz sentido, porque o AO90 tem como objectivo único impor-nos o dialecto brasileiro, justificando esta imposição com o argumento da quantidade, sobrepondo-a à qualidade: «eles são milhões e nós milhares», e isto nada tem a ver com o que levou Dom Diniz a rodear-se de estudiosos da Língua e a demarcar o Português, que se afastou do idioma galaico-português, usado por Galegos e Portugueses, e mais tarde em 1911 e 1945, outros estudiosos da Língua adaptaram-na aos tempos modernos, mas jamais a mutilaram, a deformaram, a empobreceram.

 

A Língua Portuguesa é uma língua românica ou neolatina, oriunda do Latim, introduzido na Península Ibérica aquando da invasão romana. É uma Língua irmã do Galego. Tem genealogia, tem história e é memória (cf. Fernando Paulo Baptista). Portanto, é inadmissível que um bando de ignorantes destrua essa genealogia, essa história, essa memória, apenas por que sim.

 

Anda-se há anos a tentar unificar o que não é unificável. Nada resultou, porque não pode resultar. Por que se há-de insistir neste monumental erro?

 

Lê-se por aí que a Língua portuguesa é o único idioma moderno a admitir duas ortografias, o que dificulta a sua promoção externa, quer em universidades estrangeiras, quer em organismos internacionais em que Portugal tem assento.

 

Mas que falácia é esta?

 

Tomemos a Língua Inglesa como exemplo. Uma língua culta e europeia, grafada nas suas ex-colónias de modo diferente e falada até de modo diferente. Mas quando se trata de promoção externa ou em universidades estrangeiras é a Língua Inglesa, na sua forma culta e europeia que prevalece, e não o dialecto americano. E o mesmo se dá com as outras línguas de ex-colonizadores.

 

Então porque há-de Portugal vergar-se ao dialecto brasileiro, e esquecer que a Língua Portuguesa é a Língua Portuguesa? Para agradar a quem?

 

É que aqui não se trata de uma “reforma ortográfica”, mas trata-se tão-só de impor o dialecto brasileiro a Portugal, ao mundo dito lusófono e aos estrangeiros, só porque eles são milhões.

 

Eu jamais trocaria a Língua Inglesa ou o Castelhano, que domino, pelos dialectos americano e sul-americanos. E a quem se dispõe a aprender Línguas, não lhe interessam dialectos, a não ser para complementar o conhecimento.

 

Lê-se também por aí que a “diferença” ortográfica era o principal impedimento à circulação do livro português no Brasil. Mas em Portugal não há impedimento. Os Portugueses sempre leram (os que lêem) as obras de autores brasileiros no seu original, e nunca foi impedimento a sua circulação em Portugal. Porquê? Os Brasileiros serão menos espertos do que os Portugueses?

 

Mas se isso é impedimento, então o Brasil que adopte a grafia da Língua Portuguesa, e não o contrário. Eles são milhões? E daí? São milhões e têm um dialecto. Nós somos milhares e temos uma Língua. Porque se há-de impor o dialecto em detrimento da Língua?

 

É chegada a hora de cortar o cordão umbilical, e cada um ficar com a sua grafia, pois, para haver unificação, ou passamos todos a ser Pôrrtugau, ou passamos todos a ser Bráziu.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:47

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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018

EM ESPANHA MARCELO REBELO DE SOUSA É O “PRESIDENTE DOS AFECTOS”…

 

… mas em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa é o “Presidente dos Afetos, ou seja, dos “afêtos”, pois é deste modo que se deve ler a palavrinha mutilada, de origem brasileira, sem significado algum, em Portugal.

 

Tendo em conta que a Língua Portuguesa e a Língua Castelhana são “hermanas” nas suas origens, porque carga d’água, em Portugal, se há-de escrever os afeCtos do nosso presidente, à moda brasileira, e não conforme as grafias portuguesa ou castelhana?

 

Para agradar a quem? Não me dizem?

 

AFECTOS.png

 

Quando Manuela Carmena, Alcaide de Madrid, mencionou Marcelo como “presidente de los afeCtos”, e o legendador/tradutor da SIC nos atira com aquele vocábulo mutilado, sem significado algum, insultou não só a culta e europeia Língua Portuguesa, como também todos os Portugueses que não se vergaram ao modismo brasileiro, por a tal não serem obrigados.

 

E uma vez que abordo o modismo brasileiro, devo acrescentar que quando em 1943, no Brasil, os reformadores da língua decidiram mutilar as palavras, que hoje constam do rol das que os governantes portugueses querem impingir a Portugal, e que teve como objectivo facilitar a aprendizagem da língua e diminuir o índice de analfabetismo que então existia naquele país, nada sabiam de Língua Portuguesa, ou se sabiam, estiveram-se nas tintas para a culta e europeia língua, herdada do colonizador (não era a Língua deles!), se assim não fosse, jamais a teriam mutilado e transformado num idioma pé-rapado.

 

E não se atrevam a chamar-me de xenófoba ou racista, como habitualmente fazem, porque empregam mal estas palavras.

 

O que digo dos brasileiros, digo exactamente o mesmo dos ignorantes acordistas portugueses, e não podem chamar-me de xenófoba ou racista em relação aos meus próprios conterrâneos.

 

É que amigos, amigos, negócios à parte…

 

Não vou aceitar a mutilação da minha Língua Materna só para agradar aos meus irmãos brasileiros… É que se sou realmente amiga dos meus irmãos, um dos meus deveres é chamar-lhes a atenção para os erros que cometem.

 

E os brasileiros que me perdoem, mas cometeram um grave erro, um grave erro que nenhum outro país, dito lusófono, cometeu, ao mutilarem a Língua culta que era também a deles. Agora, chamem-lhe o que quiserem, mas não lhe chamem português brasileiro, porque não é. Quando muito, será um crioulo brasileiro.

 

Uma língua crioula é uma língua que se distingue das restantes devido a algumas características: o seu processo de formação (embora não haja muita influência das línguas nativas brasileiras, se bem que o seu léxico inclua bastantes termos indígenas); a sua relação com uma língua de prestígio (neste caso, a Língua Portuguesa) e algumas particularidades gramaticais, e sabemos muito bem que no Brasil o estudo da Gramática Portuguesa é praticamente inexistente, de outro modo, ninguém diria “beija eu”, ou “sentava na mesma mesa líderes mundiais”, ou “iam no médico”, ou diziam ao ser amado “eu lhe amo", ou "quando Eliza se apaixona com a criatura"...

 

Portanto, o seu a seu dono. Só assim há irmandade. Só assim há compreensão.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:27

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

.

.CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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