Sábado, 29 de Setembro de 2018

DO QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DO DIALECTO BRASILEIRO?

 

Muitos (e infelizmente nem todos) dos que têm como seu instrumento de trabalho a Língua Portuguesa, e minimamente conhecem, da Literatura ou do Jornalismo, a grafia brasileira, reconhecem imediatamente (e é que nem sequer é preciso ser-se catedrático nisto) que a grafia imposta pelo AO90 é a grafia brasileira, excePtuando alguns vocábulos que o Brasil não mutilou (como excePção, recePção, entre mais uns poucos e seus derivados), grafia essa, modificada apenas na acentuação e hifenização (obra de quem não tem a mínima noção da estrutura de uma Língua, e deve milhares de Euros à inteligência), unicamente para constar que o Brasil também foi afeCtado por esta praga.

 

Ora, o que o AO90 preconiza é que os países ditos lusófonos substituam a Língua Portuguesa pelo Dialecto Brasileiro, na sua forma grafada, contribuindo com isto, para o empobrecimento da Língua, e pior do que isso, para o desaparecimento de uma das línguas indo-europeias mais ricas e belas do mundo, e mais antigas da Europa.

 

E do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro (no Brasil grafa-se dialeto (lê-se diâlêtu)? É isto que nos propomos a esclarecer, recorrendo aos mais abalizados estudiosos da Língua Portuguesa e a várias definições e conceitos que podemos encontrar facilmente numa “viagem” pela Internet.

DIALECTO.jpg

 

Dialectologia Portuguesa

 

Como é do conhecimento de quem estuda Línguas, ou de quem ama a própria Língua Materna, ou de quem tem a Língua como instrumento de trabalho, na sua origem, quase todas as línguas começaram por ser dialectos, que se foram impondo por diversas circunstâncias.

 

Para os Espanhóis um dialecto é:

nombre masculino

1.

Variedad de una lengua que se habla en un determinado territorio.

2.

Lengua que deriva o es hija de otra.

"Todas las lenguas románicas son dialectos del latín"

 

Ou seja:

Dialecto é a variedade de uma língua que se fala num determinado território; é uma língua que deriva ou é “filha” de outra; todas as línguas românicas são dialectos do Latim.

Sabemos que o Italiano, por exemplo, foi um dialecto do Toscano. Todas as línguas consideradas latinas, começaram por ser dialectos do Latim, incluindo o galaico-português, que deu origem à Língua Portuguesa.

 

Vejamos algumas definições de dialecto, por ilustres linguistas e lexicógrafos:

 

Raphael Bluteau, ilustre lexicógrafo da Língua Portuguesa, no seu dicionário Vocabulário Português e Latino, mais conhecido como o Vocabulário de Bluteau, considerado o primeiro dicionário de Língua Portuguesa, publicado entre 1712 e 1721, considera que um dialecto é «um modo de falar próprio e particular de uma língua nas diferentes partes do mesmo reino, que consiste no acento ou na pronúncia em certas palavras, ou no modo de conjugar e declinar».

 

David Crystal, linguista britânico, considera o dialecto a «variante de uma língua, distinta em termos sociais ou regionais, identificado por um conjunto de palavras e estruturas gramaticais, associadas a uma pronúncia específica».

 

Wilhelm Meyer-Lübke, filólogo suíço, define o dialecto crioulo como «falar indígena, resultado do emprego de uma língua de civilização pelos nativos nas suas relações, principalmente comerciais, caracterizado pela extrema simplificação das formas gramaticais».

 

Leite de Vasconcelos, o linguista e filólogo português que mais estudou a dialectologia portuguesa, entende que «o estudo dos crioulos tem grande importância, tanto para a psicologia da linguagem, como para a filologia, enquanto revelam operações notáveis no desenvolvimento da fala humana».

 

E foi deste modo que Leite de Vasconcelos classificou os diversos dialectos que tiveram origem na Língua Portuguesa:

 

1 – Continentais:

 

Interamnense (entre Douro-e-Minho)

Transmontano (Trás-os-Montes)

Beirão (Beira-Alta e Beira-Baixa)

Meridional (sul de Portugal)

 

2 – Insulanos:

 

Açoriano (Açores)

Madeirense (Madeira)

 

3 – Ultramarinos:

 

1 – Dialecto Brasileiro

 

2 – Indo-português:

a – Dialecto crioulo de Diu

b – Dialecto crioulo de Damão

c – Dialecto norteiro (Bombaim, Baçaim, Chaul…)

d – Português de Goa

e – Dialecto crioulo de Mangalor

f – Dialecto Crioulo de Cananor

g – Dialecto crioulo de Maé

h – Dialecto crioulo de Cochim

i – Português da costa de Coromandel

 

3 – Dialecto crioulo de Ceilão

 

4 – Dialecto crioulo macaísta ou de Macau

 

5 - Malaio-português:

a – Dialecto crioulo de Java

b – Dialecto Crioulo de Malaca e Singapura

 

6 – Português de Timor

 

7 – Dialecto Crioulo Cabo-verdiano ou de Cabo Verde

 

8 – Dialecto Crioulo Guineense ou da Guiné

 

9 – Dialectos crioulos do Golfo da Guiné (Ilhas de São Tomé e Príncipe e Ano Bom)

 

10 – Português das costas de África – Angola, Moçambique, Zanzibar, Mombaça, Melinde Quíloa.

 

in «Prontuário da Língua Portuguesa», de Manuel dos Santos Alves - Universitária Editora ( páginas 12/13)

 

Eis, em suma, os crioulos e os dialectos aos quais a Língua Portuguesa deu origem, por esse mundo fora, de acordo com J. Leite de Vasconcelos, e salta à vista que o linguista (não um qualquer pseudo-linguista) não considera a língua que se escreve e fala no Brasil (indevidamente denominado Português do Brasil) Português, mas sim um Dialecto Brasileiro, que, mais cedo ou mais tarde, seguirá o rumo natural dos dialectos, transformando-se, naturalmente em Língua Brasileira.

 

Definição de Dialecto no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea: (do Grego dialektós, do Latim dialectus): variedade local ou regional de uma língua que apresenta particularidades fonéticas, lexicais, ou outras, sendo essas outras: gramaticais, ortográficas, de semântica, de sintaxe, de acentuação.

 

No site do Ciberdúvidas encontramos o seguinte:

O dialecto é um falar regional no interior de uma nação onde domina oficialmente outro falar.

 

Tendo em conta que o Brasil já foi território pertença do Reino de Portugal, e onde a Língua levada pelos Portugueses foi sendo paulatinamente adulterada pela introdução dos falares dos indígenas e dos escravos africanos, e de outros povos, que não os Portugueses, que sempre se sentiram atraídos pelas riquezas (e não só) do Brasil, e lá se fixaram, até que a Língua do colonizador se transformasse num conjunto de particularidades tais, que dá a impressão de ser um falar distinto do falar em que está integrado, apesar do parentesco que tem com os outros (os de Portugal) facilmente pode chegar-se à conclusão de que o falar dessa região, que era uma extensão da Nação portuguesa, onde dominava outro modo de falar é, sem dúvida, um dialecto.

 

O modo de expressão oral e escrita do Brasil difere do modo de expressão oral e escrita de Portugal e dos restantes países ditos lusófonos. Ou não? Quando uma pessoa abre a boca para falar, podemos imediatamente identificá-la pelo modo como fala. E se essa pessoa começa a falar com tchis e djis colocamo-la imediatamente no Brasil. Não dizemos que é de Angola ou de Timor-Leste ou de Portugal. É como os açorianos. Abrem a boca e dizemos logo que são dos Açores. Porém, se um angolano, um moçambicano ou outro qualquer africano de expressão portuguesa nos dirige a palavra, vacilamos, e apenas podemos colocá-los na África.

 

Portanto, esta coisa do “dialecto brasileiro” já tem barbas brancas. Remonta ao tempo do Império. O Brasil era uma extensão do território português, para onde Dom João VI transferiu a corte (não fugiu, como os ignorantes andam por aí a dizer), e criou-se o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e a língua do Brasil já se diferenciava da língua de Portugal, tanto, que houve dificuldade entre os de cá e os de lá de se entenderem.

 

Dialecto é, pois, uma variante linguística constituída por características fonológicas, sintácticas, semânticas e morfológicas próprias, em que o brasileiro se encaixa perfeitamente.

 

O dialecto passa a ser língua, quando adquire independência total. Foi o que aconteceu com as línguas novilatinas. E é o que vai acontecer com o Dialecto Brasileiro, como já aconteceu com o Crioulo Cabo-verdiano, oriundo do Português. Não haja qualquer dúvida.

 

Existe ainda um detalhe muito significativo: os editores brasileiros (pelo menos alguns) pedem-nos (aos escritores portugueses) que traduzamos as nossas obras para brasileiro, porque os brasileiros não nos entendem. Ora, se não nos entendem, falaremos a mesma língua? Não sei dos outros escritores, sei que José Saramago se recusou a ser traduzido para brasileiro, e eu também.

 

Logo, dizer que se é "xenófobo" por se defender o que os mais abalizados linguistas defendem, é da mais óbvia ignorância

ISABEL.png

 

Daí ser premente que o Brasil, que se distanciou substancialmente da Matriz da Língua Portuguesa, tanto na oralidade, como na escrita, fique com o Dialecto deles, e nós, Portugueses, fiquemos com a nossa Língua Portuguesa, para que esta possa ter futuro em Portugal, na Europa e no mundo. Se o AO90 se impuser, a Língua Portuguesa será extinta, como foi o Latim, ao contrário do que dizem os acordistas, que percebem tanto de Linguagem como uma galinha percebe de astronomia. E da galinha tenho dúvidas.

 

Não interessa ser a língua mais falada no mundo, quando essa língua perde a sua dignidade de Língua, e é substituída por um Dialecto, na sua forma grafada. E atenção que isto não significa que um Dialecto não tenha a sua dignidade também, e não venha a transformar-se numa Língua. O Português já foi dialecto do Latim. Não se esqueçam disso. O que isto significa é que uma Língua não pode recuar para dialecto, sem que isto não constitua um retrocesso. Mas um dialecto pode ascender a Língua.

 

Nada contra o Dialecto Brasileiro. Muito pelo contrário. O Brasil possui um riquíssimo vocabulário e uma Literatura fabulosa, que tem potencial para seguir um caminho diferente do dos outros países ditos lusófonos, e mais propriamente de Portugal, o único país que se vergou a esta vergonhosa e ilegal imposição da grafia de um dialecto.

 

Se existe um Crioulo Cabo-verdiano, oriundo da Língua Portuguesa, que ascendeu a Língua e hoje é a Língua Oficial de Cabo Verde, por que não aceitar que o que se fala e escreve no Brasil é Dialecto Brasileiro, oriundo da Língua Portuguesa? E isto não é desprestígio para o Brasil, muito pelo contrário, significa que o Brasil é um país livre e cortou o cordão umbilical (que já apodreceu) com o país colonizador, assim como já o fez Cabo Verde.

 

Ou haverá a pretensão de que todos os países ditos lusófonos tenham de grafar à brasileira, apenas porque eles são muitos e nós somos poucos?

 

A isto chama-se subserviência a uma Nação estrangeira.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fontes:

Prontuário Ortográfico da Língua Portuguesa, de Manuel dos Santos Alves, Edição Universitária Editora, Lda. (Edição de 1993)

Opúsculos (Volume VI) Dialectologia (Parte II) de  J. Leite de Vasconcelos.

 

Para que se saiba mais do que falamos quando abordamos este tema, consultar estes textos:

«REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DA “LÍNGUA BRASILEIRA”»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/reflexoes-sobre-a-historia-da-lingua-137008

 

«A LÍNGUA BRASILEIRA»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-lingua-brasileira-99635

 

GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-genese-do-acordo-ortografico-de-1990-126542

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:55

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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2018

DO QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DO DIALECTO BRASILEIRO?

 

 

Muitos (e infelizmente nem todos) dos que têm como seu instrumento de trabalho a Língua Portuguesa, e minimamente conhecem, da Literatura ou do Jornalismo, a grafia brasileira, reconhecem imediatamente (e é que nem sequer é preciso ser-se catedrático nisto) que a grafia imposta pelo AO90 é a grafia brasileira, excePtuando alguns vocábulos que o Brasil não mutilou (como excePção, recePção, entre mais uns poucos e seus derivados), grafia essa, modificada apenas na acentuação e hifenização (obra de quem não tem a mínima noção da estrutura de uma Língua, e deve milhares de Euros à inteligência), unicamente para constar que o Brasil também foi afeCtado por esta praga.

 

Ora, o que o AO90 preconiza é que os países ditos lusófonos substituam a Língua Portuguesa pelo Dialecto Brasileiro, na sua forma grafada, contribuindo com isto, para o empobrecimento da Língua, e pior do que isso, para o desaparecimento de uma das línguas indo-europeias mais ricas e belas do mundo, e mais antigas da Europa.

 

E do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro (no Brasil grafa-se dialeto (lê-se diâlêtu)? É isto que nos propomos a esclarecer, recorrendo aos mais abalizados estudiosos da Língua Portuguesa e a várias definições e conceitos que podemos encontrar facilmente numa “viagem” pela Internet.

DIALECTO.jpg

 

Dialectologia Portuguesa

 

Como é do conhecimento de quem estuda Línguas, ou de quem ama a própria Língua Materna, ou de quem tem a Língua como instrumento de trabalho, na sua origem, quase todas as línguas começaram por ser dialectos, que se foram impondo por diversas circunstâncias.

 

Para os Espanhóis um dialecto é:

nombre masculino

1.

Variedad de una lengua que se habla en un determinado territorio.

2.

Lengua que deriva o es hija de otra.

"Todas las lenguas románicas son dialectos del latín"

 

Ou seja:

Dialecto é a variedade de uma língua que se fala num determinado território; é uma língua que deriva ou é “filha” de outra; todas as línguas românicas são dialectos do Latim.

Sabemos que o Italiano, por exemplo, foi um dialecto do Toscano. Todas as línguas consideradas latinas, começaram por ser dialectos do Latim, incluindo o galaico-português, que deu origem à Língua Portuguesa.

 

Vejamos algumas definições de dialecto, por ilustres linguistas e lexicógrafos:

 

Raphael Bluteau, ilustre lexicógrafo da Língua Portuguesa, no seu dicionário Vocabulário Português e Latino, mais conhecido como o Vocabulário de Bluteau, considerado o primeiro dicionário de Língua Portuguesa, publicado entre 1712 e 1721, considera que um dialecto é «um modo de falar próprio e particular de uma língua nas diferentes partes do mesmo reino, que consiste no acento ou na pronúncia em certas palavras, ou no modo de conjugar e declinar».

 

David Crystal, linguista britânico, considera o dialecto a «variante de uma língua, distinta em termos sociais ou regionais, identificado por um conjunto de palavras e estruturas gramaticais, associadas a uma pronúncia específica».

 

Wilhelm Meyer-Lübke, filólogo suíço, define o dialecto crioulo como «falar indígena, resultado do emprego de uma língua de civilização pelos nativos nas suas relações, principalmente comerciais, caracterizado pela extrema simplificação das formas gramaticais».

 

Leite de Vasconcelos, o linguista e filólogo português que mais estudou a dialectologia portuguesa, entende que «o estudo dos crioulos tem grande importância, tanto para a psicologia da linguagem, como para a filologia, enquanto revelam operações notáveis no desenvolvimento da fala humana».

 

E foi deste modo que Leite de Vasconcelos classificou os diversos dialectos que tiveram origem na Língua Portuguesa:

 

1 – Continentais:

 

Interamnense (entre Douro-e-Minho)

Transmontano (Trás-os-Montes)

Beirão (Beira-Alta e Beira-Baixa)

Meridional (sul de Portugal)

 

2 – Insulanos:

 

Açoriano (Açores)

Madeirense (Madeira)

 

3 – Ultramarinos:

 

1 – Dialecto Brasileiro

 

2 – Indo-português:

a – Dialecto crioulo de Diu

b – Dialecto crioulo de Damão

c – Dialecto norteiro (Bombaim, Baçaim, Chaul…)

d – Português de Goa

e – Dialecto crioulo de Mangalor

f – Dialecto Crioulo de Cananor

g – Dialecto crioulo de Maé

h – Dialecto crioulo de Cochim

i – Português da costa de Coromandel

 

3 – Dialecto crioulo de Ceilão

 

4 – Dialecto crioulo macaísta ou de Macau

 

5 - Malaio-português:

a – Dialecto crioulo de Java

b – Dialecto Crioulo de Malaca e Singapura

 

6 – Português de Timor

 

7 – Dialecto Crioulo Cabo-verdiano ou de Cabo Verde

 

8 – Dialecto Crioulo Guineense ou da Guiné

 

9 – Dialectos crioulos do Golfo da Guiné (Ilhas de São Tomé e Príncipe e Ano Bom)

 

10 – Português das costas de África – Angola, Moçambique, Zanzibar, Mombaça, Melinde Quíloa.

 

in «Prontuário da Língua Portuguesa», de Manuel dos Santos Alves - Universitária Editora ( páginas 12/13)

 

Eis, em suma, os crioulos e os dialectos aos quais a Língua Portuguesa deu origem, por esse mundo fora, de acordo com J. Leite de Vasconcelos, e salta à vista que o linguista (não um qualquer pseudo-linguista) não considera a língua que se escreve e fala no Brasil (indevidamente denominado Português do Brasil) Português, mas sim um Dialecto Brasileiro, que, mais cedo ou mais tarde, seguirá o rumo natural dos dialectos, transformando-se, naturalmente em Língua Brasileira.

 

Definição de Dialecto no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea: (do Grego dialektós, do Latim dialectus): variedade local ou regional de uma língua que apresenta particularidades fonéticas, lexicais, ou outras, sendo essas outras: gramaticais, ortográficas, de semântica, de sintaxe, de acentuação.

 

No site do Ciberdúvidas encontramos o seguinte:

O dialecto é um falar regional no interior de uma nação onde domina oficialmente outro falar.

 

Tendo em conta que o Brasil já foi território pertença do Reino de Portugal, e onde a Língua levada pelos Portugueses foi sendo paulatinamente adulterada pela introdução dos falares dos indígenas e dos escravos africanos, e de outros povos, que não os Portugueses, que sempre se sentiram atraídos pelas riquezas (e não só) do Brasil, e lá se fixaram, até que a Língua do colonizador se transformasse num conjunto de particularidades tais, que dá a impressão de ser um falar distinto do falar em que está integrado, apesar do parentesco que tem com os outros (os de Portugal) facilmente pode chegar-se à conclusão de que o falar dessa região, que era uma extensão da Nação portuguesa, onde dominava outro modo de falar é, sem dúvida, um dialecto.

 

O modo de expressão oral e escrita do Brasil difere do modo de expressão oral e escrita de Portugal e dos restantes países ditos lusófonos. Ou não? Quando uma pessoa abre a boca para falar, podemos imediatamente identificá-la pelo modo como fala. E se essa pessoa começa a falar com tchis e djis colocamo-la imediatamente no Brasil. Não dizemos que é de Angola ou de Timor-Leste ou de Portugal. É como os açorianos. Abrem a boca e dizemos logo que são dos Açores. Porém, se um angolano, um moçambicano ou outro qualquer africano de expressão portuguesa nos dirige a palavra, vacilamos, e apenas podemos colocá-los na África.

 

Portanto, esta coisa do “dialecto brasileiro” já tem barbas brancas. Remonta ao tempo do Império. O Brasil era uma extensão do território português, para onde Dom João VI transferiu a corte (não fugiu, como os ignorantes andam por aí a dizer), e criou-se o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e a língua do Brasil já se diferenciava da língua de Portugal, tanto, que houve dificuldade entre os de cá e os de lá de se entenderem.

 

Dialecto é, pois, uma variante linguística constituída por características fonológicas, sintácticas, semânticas e morfológicas próprias, em que o brasileiro se encaixa perfeitamente.

 

O dialecto passa a ser língua, quando adquire independência total. Foi o que aconteceu com as línguas novilatinas. E é o que vai acontecer com o Dialecto Brasileiro, como já aconteceu com o Crioulo Cabo-verdiano, oriundo do Português. Não haja qualquer dúvida.

 

Existe ainda um detalhe muito significativo: os editores brasileiros (pelo menos alguns) pedem-nos (aos escritores portugueses) que traduzamos as nossas obras para brasileiro, porque os brasileiros não nos entendem. Ora, se não nos entendem, falaremos a mesma língua? Não sei dos outros escritores, sei que José Saramago se recusou a ser traduzido para brasileiro, e eu também.

 

Logo, dizer que se é "xenófobo" por se defender o que os mais abalizados linguistas defendem, é da mais óbvia ignorância

ISABEL.png

 

Daí ser premente que o Brasil, que se distanciou substancialmente da Matriz da Língua Portuguesa, tanto na oralidade, como na escrita, fique com o Dialecto deles, e nós, Portugueses, fiquemos com a nossa Língua Portuguesa, para que esta possa ter futuro em Portugal, na Europa e no mundo. Se o AO90 se impuser, a Língua Portuguesa será extinta, como foi o Latim, ao contrário do que dizem os acordistas, que percebem tanto de Linguagem como uma galinha percebe de astronomia. E da galinha tenho dúvidas.

 

Não interessa ser a língua mais falada no mundo, quando essa língua perde a sua dignidade de Língua, e é substituída por um Dialecto, na sua forma grafada. E atenção que isto não significa que um Dialecto não tenha a sua dignidade também, e não venha a transformar-se numa Língua. O Português já foi dialecto do Latim. Não se esqueçam disso. O que isto significa é que uma Língua não pode recuar para dialecto, sem que isto não constitua um retrocesso. Mas um dialecto pode ascender a Língua.

 

Nada contra o Dialecto Brasileiro. Muito pelo contrário. O Brasil possui um riquíssimo vocabulário e uma Literatura fabulosa, que tem potencial para seguir um caminho diferente do dos outros países ditos lusófonos, e mais propriamente de Portugal, o único país que se vergou a esta vergonhosa e ilegal imposição da grafia de um dialecto.

 

Se existe um Crioulo Cabo-verdiano, oriundo da Língua Portuguesa, que ascendeu a Língua e hoje é a Língua Oficial de Cabo Verde, por que não aceitar que o que se fala e escreve no Brasil é Dialecto Brasileiro, oriundo da Língua Portuguesa? E isto não é desprestígio para o Brasil, muito pelo contrário, significa que o Brasil é um país livre e cortou o cordão umbilical (que já apodreceu) com o país colonizador, assim como já o fez Cabo Verde.

 

Ou haverá a pretensão de que todos os países ditos lusófonos tenham de grafar à brasileira, apenas porque eles são muitos e nós somos poucos?

 

A isto chama-se subserviência a uma Nação estrangeira.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fontes:

Prontuário Ortográfico da Língua Portuguesa, de Manuel dos Santos Alves, Edição Universitária Editora, Lda. (Edição de 1993)

Opúsculos (Volume VI) Dialectologia (Parte II) de  J. Leite de Vasconcelos.

 

Para que se saiba mais do que falamos quando abordamos este tema, consultar estes textos:

«REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DA “LÍNGUA BRASILEIRA”»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/reflexoes-sobre-a-historia-da-lingua-137008

 

«A LÍNGUA BRASILEIRA»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-lingua-brasileira-99635

 

GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-genese-do-acordo-ortografico-de-1990-126542

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:04

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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE VI)

 

 

Continuando o périplo pela grafia que o governo português nos quer impingir, hoje destacamos as palavras começadas pela letra F, começando pelo vocábulo facção e o inacreditável enredo que o envolve.

 

GRAFIA6.png

 

Vejam o que anda a circular na Internet:

Facção – Wikipédia, a enciclopédia livre

https://pt.wikipedia.org/wiki/Facção

  1. Em cache

Facção (português brasileiro) ou Fação (português europeu) pode(m) referir-se a: Facção Central — um grupo de rap brasileiro, formado na cidade de São Paulo no ano de 1989; Facção Central - Ao Vivo — a primeira compilação do grupo de rap Facção Central; Família Facção — um álbum da banda de rap Facção ...

 

 

Eu quando li isto não quis acreditar!

 

Facção, assim bem escrito em boa grafia portuguesa, é português brasileiro???

 

E fação, (lê-se fâção), assim mal escrito, numa grafia analfabeta, é português europeu???

 

Mas nem aqui nem na China!

 

Isto é de uma ignorância descomunal.

 

E os linguistas portugueses permitem que uma barbaridade destas circule na Internet, e não fazem nada?

 

Não faço ideia de quem foi o ignorante que colocou esta parvoíce na wikipédia, mas seja quem for, mostrou uma ignorância descomunal, não faz a menor ideia do que seja o Português (dito europeu), e prestou um péssimo serviço à História das Línguas Europeias.

 

Ponto único: o Português É europeu, e não há Português de mais parte alguma.

O que há é dialectos.

 

E fação (fâção) seja lá o que isto for, nem é dialecto, nem Português. É uma aberração ortográfica qualquer, inventada por uma cambada de ignorantes, que querem, à força dessa ignorância, destruir a Língua Portuguesa, e pô-la ao ridículo perante o mundo.

 

Senhor presidente da República, não acha que está na hora de virar os seus afectos para a Língua Portuguesa, e salvá-la desta vergonhosa destruição?

 

É um DEVER de Vossa Excelência.

 

Isabel A. Ferreira

 

Ver também:

GRAFIA PORTUGUESA VS. GRAFIA BRASILEIRA

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE I)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE II)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE III)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE IV)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE V)

 

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:42

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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018

EM ESPANHA MARCELO REBELO DE SOUSA É O “PRESIDENTE DOS AFECTOS”…

 

… mas em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa é o “Presidente dos Afetos, ou seja, dos “afêtos”, pois é deste modo que se deve ler a palavrinha mutilada, de origem brasileira, sem significado algum, em Portugal.

 

Tendo em conta que a Língua Portuguesa e a Língua Castelhana são “hermanas” nas suas origens, porque carga d’água, em Portugal, se há-de escrever os afeCtos do nosso presidente, à moda brasileira, e não conforme as grafias portuguesa ou castelhana?

 

Para agradar a quem? Não me dizem?

 

AFECTOS.png

 

Quando Manuela Carmena, Alcaide de Madrid, mencionou Marcelo como “presidente de los afeCtos”, e o legendador/tradutor da SIC nos atira com aquele vocábulo mutilado, sem significado algum, insultou não só a culta e europeia Língua Portuguesa, como também todos os Portugueses que não se vergaram ao modismo brasileiro, por a tal não serem obrigados.

 

E uma vez que abordo o modismo brasileiro, devo acrescentar que quando em 1943, no Brasil, os reformadores da língua decidiram mutilar as palavras, que hoje constam do rol das que os governantes portugueses querem impingir a Portugal, e que teve como objectivo facilitar a aprendizagem da língua e diminuir o índice de analfabetismo que então existia naquele país, nada sabiam de Língua Portuguesa, ou se sabiam, estiveram-se nas tintas para a culta e europeia língua, herdada do colonizador (não era a Língua deles!), se assim não fosse, jamais a teriam mutilado e transformado num idioma pé-rapado.

 

E não se atrevam a chamar-me de xenófoba ou racista, como habitualmente fazem, porque empregam mal estas palavras.

 

O que digo dos brasileiros, digo exactamente o mesmo dos ignorantes acordistas portugueses, e não podem chamar-me de xenófoba ou racista em relação aos meus próprios conterrâneos.

 

É que amigos, amigos, negócios à parte…

 

Não vou aceitar a mutilação da minha Língua Materna só para agradar aos meus irmãos brasileiros… É que se sou realmente amiga dos meus irmãos, um dos meus deveres é chamar-lhes a atenção para os erros que cometem.

 

E os brasileiros que me perdoem, mas cometeram um grave erro, um grave erro que nenhum outro país, dito lusófono, cometeu, ao mutilarem a Língua culta que era também a deles. Agora, chamem-lhe o que quiserem, mas não lhe chamem português brasileiro, porque não é. Quando muito, será um crioulo brasileiro.

 

Uma língua crioula é uma língua que se distingue das restantes devido a algumas características: o seu processo de formação (embora não haja muita influência das línguas nativas brasileiras, se bem que o seu léxico inclua bastantes termos indígenas); a sua relação com uma língua de prestígio (neste caso, a Língua Portuguesa) e algumas particularidades gramaticais, e sabemos muito bem que no Brasil o estudo da Gramática Portuguesa é praticamente inexistente, de outro modo, ninguém diria “beija eu”, ou “sentava na mesma mesa líderes mundiais”, ou “iam no médico”, ou diziam ao ser amado “eu lhe amo", ou "quando Eliza se apaixona com a criatura"...

 

Portanto, o seu a seu dono. Só assim há irmandade. Só assim há compreensão.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:27

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Quarta-feira, 7 de Março de 2018

RECESSÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA SÓ EM PORTUGAL

 

 

Facto: o AO90 em vez de unificar, desunificou. Em vez de simplificar, complicou. Em vez de dizer ao que vem, diz ao que vai...

E andamos nisto.

 

Ninguém se entende, e a Língua Portuguesa transformou-se no patoá do gentio, sendo que o gentio é o grupo restrito de quem acha que uma resolução do conselho de ministros tem valor de lei.

 

Os acordistas engoliram uma cassete, e por mais que lhes mostremos, por A+B, a monumental ignorância deles, no que ao AO90 diz respeito, não querem saber disso para nada, porque a treta da cassete cristalizou-lhes cérebro.

 

Fincam o pé na recessão e chamam-lhe evolução.

 

Veja-se esta pérola da estupidez que circula na Internet, com o aval do governo português…

 

 

RECEPCAO.png

 

Origem da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.212426635525679.35361.199515723483437/890547341046935/?type=3&theater#

 

Se procura “receção” (português europeu) o lugar onde se recebem pessoas, veja recePção (português brasileiro).

 

Receção” português europeu?? Português europeu??

 

RecePção? Português brasileiro?? Português brasileiro??

 

Mas é que nem aqui, nem na China, nem na Cochinchina… nem sequer no Brasil...

 

Isto é um insulto à Língua Portuguesa. Aos Portugueses. A Portugal. Ao Latim. Às línguas latinas, indo-europeias, uma grande família linguística à qual a Língua Portuguesa pertence, enfim, isto é do domínio da decadência cultural e da inversão dos papéis históricos, representados por Portugal e Brasil.

 

E não vamos permitir que isto ande por aí a circular como se fosse verdade. Porque não é.

 

A palavra “receção” significa o mesmo que "anacreto", ou seja, não significa absolutamente nada. É um monstrinho ortográfico fabricado pela ignorância entranhada nos “fabricantes” do AO90. “Receção” e “anacreto” são dois amontoados de letras que se juntaram num casamento que não deu certo, por incompatibilidade de modos e feitios.

 

A palavra RECEPÇÃO pertence ao léxico da Língua Portuguesa, culta e europeia. Ponto. Do latim recepcio, e isto nada tem a ver com o Brasil. Absolutamente nada.

 

O que se passa é que no Brasil pronunciava-se o P, em percePção, aquando da apresentação do Formulário Ortográfico de 1943, sendo este um conjunto de instruções estabelecido pela Academia Brasileira de Letras para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa do mesmo ano. É este documento, com as alterações introduzidas pela Lei (não por uma resolução de ministros) 5.765 de 18 de Dezembro de 1971, que regula a grafia do Português no Brasil, tendo sido incorporado pelo Acordo Ortográfico de 1990, e modificado apenas em alguma acentuação e hifenização. Este incorporado são os Brasileiros que dizem. Não sou eu. (Ver Wikipédia).

 

A Base IV deste Formulário diz o seguinte: consoantes mudas: extinção completa de quaisquer consoantes que não se proferissem, ressalvadas as palavras que tivessem variantes com letras pronunciadas ou não. (?)

 

Ora acontece que nas palavras percePção e recePção e restantes vocábulos desta família, e em aspeCto, espeCtador e em algumas mais, as consoantes e pronunciavam-se, logo, safaram-se da extinção completa.

 

Em mais nenhum país lusófono se escreve “receção” e muito menos “recessão” por RECEPÇÃO. Em nenhum, excePto em Portugal, a caminho de ser o menos lusófono dos oito países ainda ditos lusófonos.

 

(Um aparte: sendo a lusofonia um resquício do tempo colonial, não se entende como o Brasil, que tanta aversão tem à colonização portuguesa, algo bastamente comprovado, permite encaixar-se nesta designação).

 

O seguidismo deste modismo, ou seja, deste idiotismo de linguagem, por parte dos portuguesinhos é insultuoso e não abona nada a favor de Portugal. E isto com o aval do incompetente governo português, que não defende a Língua Oficial de Portugal - a Língua Portuguesa, na sua versão culta e europeia - ao contrário de todos os outros países da Europa e do mundo que, ciosamente, afectivamente, reverentemente preservam as suas línguas maternas, como se fossem deusas.

 

Veja-se no que dá ser mais papista do que o papa

 

Esta vergonhosa recessão da língua, só mesmo no Portugal dos pequeninos…

 

RECESSÃO.png

 

Origem da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.212426635525679.35361.199515723483437/890570781044591/?type=3&theater#

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:43

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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018

AO90 – DESVINCULAÇÃO PROPOSTA PELO PCP REJEITADA PELO PS, PSD, CDS E BE

 

Uma vergonha.

 

Nada que já não fosse esperado, dada a subserviência que reina na Assembleia da República no que respeita à versão simplex da Língua Portuguesa, ou seja, ao dialecto/crioulo brasileiro, mais fácil de aprender…

 

O único que manteve a racionalidade na defesa da desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990 foi o PCP que, não detendo a maioria parlamentar, não conseguiu levar a água ao seu moinho.

 

 

Conclusão: a Inteligência não venceu no Parlamento. Temos uns deputados vendidos. Impatrióticos e altamente subservientes ao Brasil (salvo honrosas excePções).

 

Quero aqui deixar uma mensagem, especialmente para o deputado Jorge Campos, que defendeu a posição do Bloco de Esquerda, neste breve, infrutífero e pobre debate considerando que «o abandono do AO de 1990 acarretaria riscos, nomeadamente a nível de tratados internacionais e de manuais escolares».

 

Que tratados internacionais são esses? Este desacordo não faz parte de nenhum tratado internacional, por motivos que os juristas já explicaram. E que fizesse! O que interessa um tratado internacional que prejudica Portugal, os Portugueses e a sua Cultura Linguística? O que é mais importante?

 

E que riscos acarretaria para os manuais escolares? Não se destroem milhares de manuais, para se fazerem outros? Então destruam-se os manuais abrasileirados e editem-se manuais que não enganem as crianças portuguesas.

 

A insistência em prolongar o caos ortográfico instalado, terá consequências inimagináveis num futuro que já começou.

 

Mas a luta continuará, até que a Racionalidade vença.

 

O que temos de fazer é colocar gente inteligente no Poder.

 

Não foi por acaso que, precisamente ontem, o presidente da República e o ministro dos negócios da Língua estavam em São Tomé e Príncipe a inaugurar uma escola de Língua Portuguesa. Resta saber que língua. A Portuguesa ou o dialecto/crioulo brasileiro, que querem impingir ao países ex-lusófonos? Sim, porque a lusofonia já não existe. Nem sequer é obrigatória existir.

 

cplp-pt[1].jpg

É este, erradamente, chamado português brasileiro que o Brasil e, vá-se lá saber por alma de quem, também Portugal, querem impingir aos restantes países da já injustificável CPLP.

 

Cada povo seguiu o seu rumo, e na África e em Timor, apesar da Língua oficial ser a Portuguesa, os dialectos autóctones, que são bastantes, prevalecem sobre a língua herdada do ex-colonizador. E muito bem.

 

No Brasil, porém, a situação é outra.

 

Ora, foi Portugal que levou a esses mundos a Língua Portuguesa, e esses mundos só têm duas coisas a fazer: ou respeitam, na íntegra, a língua que herdaram e livremente adoptaram, ou desvinculam-se dela e criam e abraçam os seus próprios dialectos, que são muito válidos, mas não lhes chamem português daqui ou dali, porque Português, Português, só o de Portugal, que a ex-colónias adoptam ou não.

 

O Brasil (conforme podemos ver nesta imagem) foi o único que nunca cumpriu os acordos assinados com Portugal e que dele se desvinculou, em 1943, quando criou um dialecto próprio a que, erradamente, chamou Português Brasileiro.

 

Não há um Português brasileiro versus um Português europeu. Não há. O Português, a Língua Portuguesa é de Portugal, pois foi Portugal que lhe deu o nome, e sendo Portugal um país europeu, é óbvio que a língua é europeia. Indo-europeia. Assim como a Língua Inglesa é da Inglaterra, a Língua Castelhana, de Espanha, a Língua Alemã, da Alemanha. Bem como o Latim era a Língua do Latium (Lácio) uma região da Itália Central, onde a cidade de Roma foi fundada, e não da Península Ibérica. Ponto.

 

O Brasil, ao desvincular-se, por opção (nada contra) da Língua Portuguesa, não criou um português brasileiro, mas sim um "dialeto" (grafado à moda do Brasil, e que deve ler-se “dialêto”) brasileiro, ou crioulo brasileiro, oriundo da Língua Portuguesa. E é este dialeto brasileiro que o Brasil deve adoptar, assim como Cabo Verde adoptou o Crioulo Cabo-verdiano como Língua Oficial de Cabo Verde, passando a Língua Portuguesa para língua estrangeira.

 

DIALETO BRASILEIRO.png

Será este o novo mapa que se pretende produzir com o AO90? Estarão todos os países aqui mencionados dispostos a esta imposição?

 

O Brasil devia seguir o bom exemplo de Cabo Verde. Ficar com o seu "dialeto"/crioulo brasileiro e cortar definitivamente o cordão umbilical com Portugal. E ter a Língua Portuguesa como língua estrangeira. É que amigos, amigos, negócios à parte. Esta foi sempre a melhor política.

 

E Portugal, devia ter vergonha na cara, por rejeitar a ortografia portuguesa, a única em vigor em Portugal, para a substituir pelo dialecto/crioulo brasileiro. Pois se já temos a maior taxa de analfabetos da Europa, essa taxa irá aumentar consideravelmente, se a Inteligência não se instalar no Parlamento Português.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:22

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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2018

A LÍNGUA PORTUGUESA É SIMPLESMENTE A LÍNGUA PORTUGUESA

 

É um descomunal disparate andar por aí a falar-se na versão europeia da Língua Portuguesa e no português brasileiro...

 

A Língua Portuguesa não é uma VERSÃO de coisa nenhuma. A Língua Portuguesa é simplesmente a Língua Portuguesa.

 

E quando se fala (erradamente) do português brasileiro, está-se a falar do crioulo brasileiro, um dialecto sul-americano, com o qual Portugal jamais estará comprometido.

 

LÍNGUA.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:04

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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

O QUE OS BRASILEIROS INCULTOS ACHAM DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

O que se segue é uma pequena amostra das várias centenas de comentários de brasileiros, dirigidos a mim e a mais uns tantos, no Google, no vídeo «TODOS em aCção contra o "acordo ortográfico"», e num outro, onde se fala de Portugal como o “novo Estado do Brasil”, e nos quais se desdenha da Língua Portuguesa, como se desdenha do lixo à porta da nossa casa, e muitos de nós somos obrigados a sair à liça, para a defender e mostrar aos menos cultos o que eles não sabem, uma vez que as escolas brasileiras não o fazem.

 

O que se segue, fruto do ENSINO brasileiro, e está disseminado como uma praga, serve de intróito para a terceira parte da “Génese do Acordo Ortográfico de 1990» que publicarei em breve.

 

(Peço desculpa, desde já, pelo vernáculo brasileiro).

 

frase-sem-a-cultura-e-a-liberdade-relativa-que-ela

 

Otaviano_MT

«EU FALO BRASILEIRO COM MUITO ORGULHO MESMO, uma pena que tenho que falar esse idioma chato e ridículo que é o português. Mas o Brasil ta mudando e queremos muito se afastar de pessoas como você, e desse seu português correCto que não sei da onde tiraram esse c. Vai ficar com esse seu linguajar pra lá, com essa população que tem no menor ESTADO brasileiro. VOCÊS PORTUGUESES NÃO SÃO DONO DA LÍNGUA PORTUGUESA E NUNCA VÃO SER. O ACORDO VENCE ONDE SE TEM A MAIOR POPULAÇÃO DE FALANTES. 10 MILHÕES DE HABITANTES, UMA POPULAÇÃO QUE CABE DENTRO DE UM ÔNIBUS. O PORTUGUÊS BRASILEIRO É O MAIS FALADO DO MUNDO VOCÊS NÃO MANDAM MAIS NO ACORDO. SOMOS 200 MILHÕES DE PESSOAS!!! ACEITA».

***

Luis Couto

«A gente salva a língua deles da extinção (pois 10 de milhões de pessoas pode-se considerar ameaça de extinção) e ainda somos recriminados. Infelizmente, colonização não se escolhe. Todo brasileiro preferia mil vezes ter sido colonizado pela Inglaterra. Todos nós sabemos que os Estados Unidos não seriam o que é hoje se fosse colonizado por Portugal. Até na linha a gente deu azar, pois era para o Brasil falar uma língua universal que é a inglesa. Da onde vocês inventaram essa língua? Que 'presente* de grego para o Brasil».

***

Otaviano_MT

«+Isabel A. Ferreira E daí que você pertence a europa? TO POUCO ME LIXANDO PRA ISSO. vocês pertence a europa por localização mesmo, são o acre da europa. Brasil é a maior sétima economia do mundo. Brasil é muito superior a Portugal. Europa pra mim é França, Itália e etc... Se manque o Português Brasileiro vai dominar o mundo, nós ainda somos muito bons com vocês por dizermos que falamos português, se não fosse por isso o pt europeu seria esquecido no mundo. Na verdade, o pt europeu é invisível ao mundo kkkkkkk

***

Otaviano_MT

«Não sobrevive fora do Brasil????

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Piada a essa hora, Só se for ai em Portugal que não. O PORTUGUÊS COM A VARIANTE BRASILEIRA TA SENDO APLICADO EM VÁRIAS ESCOLAS FORA DO BRASIL (América Latina, China, Estados Unidos, Italia e etc). DÁ UMA PESQUISADA NO GOOGLE E VER O QUANTO A LÍNGUA PORTUGUESA FICOU CONHECIDA NO MUNDO GRAÇAS AO BRASIL. TEM MUITAS PESSOAS APRENDENDO O PORTUGUÊS E NEM É DE PAÍS LUSÓFONO. O IDIOMA CRESCEU NO MUNDO E MUITAS PESSOAS QUEREM APRENDER. PORTUGAL É QUEM PERTO DO GRANDE BRASIL? VOCÊS NÃO SÃO OS DONOS E NEM OS PRINCIPAIS FALANTES DA LÍNGUA. TCHAU»

***

Luis Couto

«Que sotaque horrivel, acho que só o francês é mais horrivel que o português de portugal. uma ilhota de 10 milhões de habitantes não consegue nem mesmo manter a sua propria lingua. mercado de midia em Portugal = menos que 1 bilhão de dolares em 2014. mercado de midia no brasil = 35 bilhões de dólares em 2014. atenção: Foram os portugueses que destruíram a nossa língua DOS ÍNDIOS no brasil quando eles chegaram aqui. quem me dera que fossemos colonizados pelos INGLESES. SORTE TEVE OS ESTADOS UNIDOS.»

***

demarchiheed

«Manca Mulas Merda é seu país de bosta, se não fosse o Brasil, o português só seria mais uma língua entre muitas outras. Ainda com essa crise somos a 7° economia mundial, temos indústrias nacionais. O Brasil é um país recente. AINDA BEM QUE NÃO SOU DESCENDENTE DE PORTUGUÊS, povo atrasado.

***

demarchiheed

«+Isabel A. Ferreira Chora mais por favor. Todo idioma evolui, só o idioma mais adaptado e com mais falantes sobrevive, como o Latin que entrou em extinção des da queda de roma. Pode ser o caso de Portugal. Agora, chore mais portuga, vocês não representam nada.»

***

Otaviano_MT

«+Isabel A. Ferreira Mas os países aprendem o Português Brasileiro. Se toca senhora

***

Luis Couto

«Miguel Fernandes em uma ilha pequena e com população de cidade, claro que a violência é menor, né?. mas, nos demos uma forcinha para vocês construindo um avião em Portugal. o kc-390. só assim Portugal se inseri no mapa mundi. escrevemos com as nossas gírias e bordoes e vocês entendem. isso sim é ser colônia nossa. fui..»

***

Língua Brasileira

«Este abaixo assinado visa à mudança do nome da língua portuguesa falada no Brasil, para “língua Brasileira”, visto que possuímos características que diferem do Português Europeu, construídas por falas das três etnias o Índio, Branco e o Negro, que formaram nosso Brasil, deixando praticamente nulo a existência de uma imagem de colônia que ainda fala Língua de seus colonizadores. Sendo impreterivelmente necessária nomeá-la como “língua Brasileira”, no que se refere a uma Sociedade ou Nação e no falar de seus cidadãos. Sua autonomia! Assim como ilustres Visconde de Pedra Branca, Varnhagen, Paranhos da Silva, Machado de Assis, Mário de Andrade e os românticos como Gonçalves Dias, José de Alencar que defendiam nossa autonomia propugnando por uma língua nossa, a “língua brasileira”. E á revogação do projeto de ortografia unificada da Língua Portuguesa, que elimina os acentos o novo acordo entrou em vigor em 1º de janeiro de 2009, sendo assim acabando com a identidade brasileira naquilo que se diz mais autentico sua fala e gramática, caracterizando ainda mais como Colônia subdesenvolvida e semianalfabeta. Exemplos de pronuncias e escritas sem acentos. Avó - Avô / Avo Língua / Lingua Coração / Coraçao Céu / Ceu Etc.

http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR71343»

***

demarchiheed

«+Isabel A. Ferreira Vocês são tão inteligente que nem tecnologia própria conseguem ter, vocês são uma raça ignorante mesmo, são tão burros que não OLHAM para o fato de que Portugal é MUITO mais antigo que o Brasil e tem uma população insignificantemente, já o Brasil tem apenas pouco mais de 500 anos, e em menos de 5 séculos o Brasil conseguiu fazer mais que Portugal. Podem falar oque quiser, pode chorar até, que não dou ouvidos a um bando de iludidos. Sem essa merda falida de União Européia vocês seriam mais interessante do que já são e PONTO FINAL

***

Ponto final, não. Há muitos mais comentários como estes em vários vídeos, na Internet. Mas penso que esta amostra dá para ter uma ideia do que se passa no Brasil, no que respeita ao desrespeito pela Língua Portuguesa e ideias subjacentes.

 

Para finalizar, farei completamente minhas, as palavras sábias da Marina e do Cristiano, apenas para que não se diga que apenas eu implico com isto…

 

(E já agora confira-se a diferença entre a versão inculta e a versão culta da língua).

 

Marina Martins

«Vejo aqui nos comentários uma grande confusão entre o número de falantes de uma língua e outras funções que ela pode ter. Uma dessas funções é a identidade de um povo: Bem se importam os bascos, ou os catalães, ou os da Córsega, ou o grupo romanche da Suíça de serem poucos; eles exigem falar e escrever a sua língua e que ela seja ensinada nas escolas. Em Espanha é frequente ver o nome de cidades bascas (na estrada, mas ainda longe do país basco) indicado em castelhano e em basco, só para dar um exemplo que conheço. E já agora: devem estar convencidos de que o inglês é mais internacional por ter um maior número de falantes no mundo. Pois não tem: a língua mais falada é o mandarim chinês. Alguém aqui a conhece? E o inglês nem sequer é internacional pelo nº de falantes, já que tem pelo menos 18 variantes, sendo algumas bem diferentes (podem ver num corrector ortográfico do Word), portanto muitas mais que o português. É internacional pelo poder ECONÓMICO dos EUA, que já começou a sua decadência. Deixem-se de achar que o Brasil é importante por ser grande em território. Afinal não é tão rico como os EUA ainda são, e no aspecto cultural é o que se vê, até aqui nos comentários. E se se querem afirmar, seja por que motivo for, digam que falam BRASILEIRO e não Português. Nós continuaremos a falar Português, pouco importando se somos poucos ou muitos, ricos ou pobres. Somos um país com identidade própria, um dos mais antigos da Europa, e isso é suficiente.»


Cristiano Camacho

«Pelos comentários de alguns brasileiros incomodados parece que este vídeo fere a sensibilidade dos mesmos. Vá lá, deitem cá para fora essa frustração de séculos, contida nessas mentes complexadas de inferioridade intelectual. Despejem essa raiva contra o país que chegou primeiro a essas paragens. Vá lá, aceitem e embrulhem o facto de que foi Portugal, o país que mais marcas culturais deixou enraizadas nesse território. Mentalizem-se e aceitem a vossa incapacidade em perceberem, falarem e escreverem uma língua milenar como a Portuguesa. Antes de criticarem cultivem-se, leiam e só depois venham para aqui atacar os portugueses. Pois, até ao momento, só conseguiram mostrar o rancor e a raiva que sentem pelo facto de ter sido este pequeno país europeu a deixar um legado cultural e arquitectónico nesse vasto território, hoje em dia, habitado por cerca de duzentos milhões de almas, aparentemente, frustradas por não saberem utilizar a maior ferramenta que um povo pode legar a outro, a sua cultura e, por conseguinte, a sua língua. Vá, de uma vez por todas, façam-nos um favor e designem esse linguajar por "brasileiro".»

 

Isabel A. Ferreira

 

Fontes dos comentários:

https://www.youtube.com/watch?v=F1RYDsWsh0c&t=2s

https://www.youtube.com/watch?v=hSQJ77W0yE0

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:27

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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