Quinta-feira, 25 de Julho de 2019

AO90 - PARTIDO SOCIALISTA E BLOCO DE ESQUERDA COMPROMETIDOS COM A MEDIOCRIDADE E COM A DESTRUIÇÃO DA LÍNGUA, IDENTIDADE E CULTURA PORTUGUESAS

 

O título desta publicação é meu.

O texto (muito esclarecedor) que se segue é do Francisco Farinha.

Publico-o, lembrando aos milhares de Portugueses que combatem este crime de lesa-língua, conhecido por AO90, que o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda não merecem o nosso VOTO, porque NÃO SERVEM PORTUGAL.

Andam a brincar com coisas muito sérias, e essa brincadeira sair-lhes-á bastante cara.

O VOTO é uma excelente arma de combate.

 

RELATÓRIO.jpg

 

Texto de Francisco Farinha

 

«Dia 19 Julho, data não inocente por ser o último dia antes da AR encerrar para o seu período de férias, dois partidos inviabilizaram o relatório final para avaliar o impacto do AO90. De facto, e contrariamente ao que estaria já combinado entre todos os partidos, à última hora, PS e BE inviabilizaram o referido relatório, aparentemente porque o coordenador teve a ousadia de propor três recomendações no sentido de agilizar as conclusões do seu trabalho.

 

A meu ver, o coordenador limitou-se a apresentar o relatório com uma estrutura clássica: contexto, problema, recomendação, mas, os partidos já mencionados, não apreciaram esta proactividade do coordenador e consideraram-na um atrevimento político ao ponto de inviabilizaram a possibilidade de discussão do AO90, que, repito, era o que estava previsto.

 

No fundo, PS e BE, partidos que provavelmente serão o próximo governo deste País, estão já de acordo em relação ao futuro da nossa língua: o AO90 é para ficar e sobretudo não admitem qualquer discussão.

 

Deixo-vos com as famigeradas recomendações que o relatório propunha, que, não prevendo a hipótese de revogação, eram na minha opinião pessoal, recomendações lógicas e equilibradas face ao actual estado caótico em que se encontra a nossa língua. Infelizmente há quem não esteja de acordo em rever o acordo.

 

Assim, o Relator entende ser de recomendar:

 

1 - Que o Governo dê início a uma negociação político-diplomática entre as autoridades dos diversos Estados-membros com assento na CPLP, com vista à discussão da situação actual ao nível da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 e a ponderação das decisões mais adequadas neste domínio, incluindo a possibilidade e o interesse de se dar início a um processo de alteração ou aperfeiçoamento do actual Acordo ou à negociação de um novo Acordo Ortográfico.

 

2 - A criação de uma Comissão Científica para a Ortografia, sob eventual coordenação de entidades com responsabilidades legalmente atribuídas neste domínio, formada por personalidades representativas das comunidades académica, científica, literária e profissionais, para efeitos de acompanhamento de quaisquer desenvolvimentos de ordem política e diplomática relativos ao Acordo Ortográfico e apresentação, em conformidade, de propostas ao Governo e à Assembleia da República.

 

3 - A realização de estudos, envolvendo os serviços do Estado e as comunidades académica, científica, literária e profissionais, com vista à avaliação das implicações da aplicação do Acordo Ortográfico no sistema educativo, no mercado editorial e na imprensa, bem como ao nível da estabilidade ortográfica nos serviços públicos e nas publicações oficiais.

 

Palácio de São Bento, 19 de Julho de 2019.

O COORDENADOR DO GRUPO DE TRABALHO,

(José Carlos Barros)

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10219283359904607&set=gm.2309013932517681&type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:07

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Segunda-feira, 1 de Julho de 2019

«OS ESPECTADORES ACTIVOS CONTRA OS ESPETADORES ATIVOS - A INÉRCIA E O DESPREZO PELA NOSSA LÍNGUA»

 

Um texto (fabuloso, real e assertivo) de José Pacheco Pereira, in Público, 29/06/2019)

(Os excertos assinalados a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

pacheco.png

José Pacheco Pereira

 

«À memória do Vasco Graça Moura.

Se pensam que este artigo é duro, imaginem o que ele escreveria.

 

Prometi a mim próprio escrever um ou dois artigos por ano contra o chamado acordo ortográfico. E fiz essa promessa para não pecar do mesmo mal da inércia, que é a principal força que mantém este acordo vivo. Na verdade, são duas forças conjugadas, uma, a inércia, e a outra o desprezo pela língua portuguesa. São duas forças muito poderosas e, conjugadas entre si, ainda mais poderosas são. Mas são forças negativas, que misturam preguiça, indiferença, incultura, desprezo pela memória e irresponsabilização pelo desastre e fracasso diplomático que representou o acordo.

 

O resultado é que todos os anos o português escrito em Portugal se afasta do Brasil, de Angola, Cabo Verde, onde o acordo ou não existe ou não é aplicado. Ficamos com um português de ortografia pobre, menos resistente a estrangeirismos e menos expressivo, em nome de um objectivo falhado: o de fazer a engenharia da língua de forma artificial. E não me venham com o “pharmácia” e farmácia, porque o contexto deste acordo inútil é muito diferente dos anteriores, porque foi feito num momento em que tudo aconselharia prudência em mexer numa língua cujas ameaças principais não vêm da falta de unificação ortográfica, mas da correlação entre a perda de dinamismo social e a riqueza da língua, ortografia, léxico, gramática e oralidade. E aqui Portugal fica sempre a perder com o Brasil.

 

E não me venham também com o facto de ser apenas um acordo na ortografia, que não afecta a oralidade, nem a riqueza lexical. Afecta e muito porque lemos com os olhos, e para lá dos olhos é a imagem das palavras que fica, e uma coisa é ser “espetador” e outra ser espectador, apesar da inútil dupla grafia. Por detrás do espetador, como diria o Napoleão diante das pirâmides, mais de dois mil anos de civilização contemplam os infelizes do acordo, sem pai nem mãe latina e grega. Mas quem é que quer saber disso?

 

Este é um dos casos em que fico populista e atiro em cima “deles”, os políticos. “Eles” preocupam-se muito com as beatas no chão, mas nada pela riqueza ortográfica do português, na sua memória nas palavras antigas que são o solo que pisamos. E é por isso que o acordo serve a ignorância, dos políticos do PS e do PSD e do CDS, que deixaram à suposta geração designada de “a mais preparada de sempre” um dos mitos com que alimentamos a nossa mediocridade colectiva. Sim, uma geração que faz cursos universitários sem ler um livro, e que fala com a expressividade dos SMS e do Twitter numa linguagem gutural e pobre, que o acordo ajuda a consolidar.

 

O Big Brother de Orwell eliminava do vocabulário todos os anos algumas palavras. Para ele a linguagem patológica dos escassos caracteres do Twitter, onde não passa um argumento racional, mas passa com facilidade um insulto, seria um ideal a conseguir. Falar com vocabulário variado e rico, algo que só se tem lendo, dá poder. O Big Brother queria retirar poder e não tenho dúvidas que gostaria do acordo ortográfico, para eliminar a memória das palavras vindas dos dias de cor e passar ao cinzento da farda.

 

Na verdade, é um problema maior do que a ortografia, é o problema da cultura e da democracia, onde todos os dias os parâmetros de mínima exigência são baixados, pelos pais, pelos professores, pelas instituições e, como o peixe apodrece pela cabeça, pela nonchalance dos nossos políticos pelas coisas importantes. E se há comparação que me honra é com o “velho do Restelo”. Na verdade, o velho do Restelo é uma das personagens mais interessantes e criativas dos Lusíadas. E tinha razão.

 

E deixem-me lá as excepções. A regra é que os mais velhos traíram a memória da língua, e os mais novos vivem bem no mundo do Big Brother. O tecido cultural do país, agredido pelo acordo, não é feito de excepções, mas sim da regra, e a contínuo enunciação das excepções só serve para esconder a regra.

 

Pode-se ser culto sem saber quem era Ulisses, ou Electra, ou Lear, ou Otelo, ou Bloom? Não, não pode. Como não se pode ser culto sem perceber a inércia, ou o princípio de Arquimedes. E, no caso português, sem ter lido umas frases de Vieira, ou saber quem eram Simão Botelho, Acácio, o sr. Joãozinho das Perdizes, ou Ricardo Reis, ele mesmo. E não me venham dizer que sabem outras coisas. Sabem, mas não chega, são menos, são diferentes e não têm o mesmo papel de nos fazer melhores, mais donos de nós próprios e mais livres. Sim, livres, porque é de liberdade que se está a falar.

 

Fonte:

https://estatuadesal.com/2019/06/29/os-espectadores-activos-contra-os-espetadores-ativos-a-inercia-e-o-desprezo-pela-nossa-lingua/?fbclid=IwAR0x-TM-UXuKa--i1kXfkUqHW3tEErWZekorl94K1TKf5UQ-4DUiSoVI6_I

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:57

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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019

A INTENÇÃO DE "REVER" O AO90 NO PARLAMENTO É MANOBRA DE DIVERSÃO PARA FAZER O JEITO AO PS?

 

Rever? Rever o quê? O que há para rever no AO90?

Bem, se me disserem que é para repor todas as consoantes mudas que o AO90 surripiou, e dar o dito pelo não dito no que respeita à acentuação e hifenização mal-amanhadas, alinhavadas à pressa o que provocou mais caos do que ordem na escrita, se é para repor a grafia da Língua Portuguesa na sua versão europeia, então será uma medida inteligente.


Tudo o resto será uma tentativa de colar cacos.

 

Untitled.png

Imagem reconstituída daqui: https://medium.com/@pedrograca13/kintsugi-4d16a67040b5

 

Se é para colar os cacos deixados pela imposição ilegal do AO90, a pergunta é: o que andou a fazer o Grupo de Trabalho criado pelo Parlamento para “estudar” (ou fazer-de-conta que ia estudar?) a aplicação das novas regras (desregradas) para a Língua Portuguesa (que é como quem diz, o modo de grafar à brasileira) para chegar à conclusão de que é precisorever” e não revogar urgentemente o aborto ortográfico antes que faça mais mossa do que já fez?

 

É óbvio que ninguém quer uma revisão, porque uma revisão seria admitir que o AO90 tem alguma ponta por onde se lhe pegue. O que não é verdade. Até o Brasil quer a REVOGAÇÃO. Por que há-de Portugal pretender rever o que os outros países estão a descartar?

 

Porém o que mais me chamou a atenção nesta notícia, que pode ser lida mais abaixo, foi o que disse o assessor cultural do presidente da República, Pedro Mexia:

 

Lê-se:

«Mas, afinal, o que está em cima da mesa? Não é provável que a revogação do acordo aconteça em Portugal. Apesar da frontal discordância perante o AO, o escritor e assessor cultural do Presidente da República, Pedro Mexia, reconhece que seria “problemático” anular o acordo, depois de este ter sido aplicado na Administração Pública e nas escolas — “foi dado um passo maior do que as pernas e até alguns dos maiores defensores estão a assumir que foram feitos erros e disparates».

 

Como disse, Pedro Mexia? O maior disparate é dizer que seria “problemático” anular o acordo. Isto é passar um atestado de incapacidade intelectual a todos os que cegamente ou servilmente começaram a escrever incorreCtamente a Língua que passaram anos a escrever correCtamente, antes da imposição forçada da grafia brasileira.

 

Neste grupo dos incapazes de tornar a escrever como sempre escreveram, não estão excluídos as crianças e os jovens, porque estes têm capacidade para aprenderem e desaprenderem tudo e mais alguma coisa, sem o menor problema. Os adultos, que fazem parte da administração pública, não terão a capacidade de tornar a escrever como sempre escreveram? Serão assim tão inscientes? Isso não serve de desculpa, não é um argumento racional, para que se mantenha o erro, enquanto nos restantes países o AO90 está a ser rechaçado.

 

Não há problemática nenhuma, Pedro Mexia, o que há é má vontade. Voltar atrás vai dar algum trabalho, mas não é impossível. Impossível é manter os Portugueses e os funcionários públicos a escrever a mixórdia ortográfica criada pela aplicação do AO90, a exemplo do primeiro-ministro de Portugal e da comunicação social servilista, que nem à brasileira, nem à portuguesa, o que escrevem é à balda.

 

Veja-se aqui um bom exemplo da mixórdia ortográfica gerada pelo AO90, por parte de quem tinha o DEVER de falar e escrever correCtamente a Língua do país, do qual é primeiro-ministro, e no seu Tweeter, dá uma no cravo outra na ferradura, à baldex (para usar uma linguagem muito na moda).

 

Tweet.png

(Imagem recebida via-email)

 

Não é da racionalidade destruir uma Língua, e ficar parvamente sós, apenas porque se acha que uns poucos já não são capazes de voltar a escrever correCtamente, o que levaram anos a aprender. Mas que raciocínio mais retorcido será este? É assim tão mais difícil desaprender o que em menos de dez anos aprenderam? Não posso aceitar esta premissa sem perplexidade.

 

Quanto às crianças, nas escolas, não haverá o mínimo problema. Se não houve para mim, que com a maior facilidade, aprendi e desaprendi a escrever e a falar ora à brasileira, ora à portuguesa, durante a minha infância, adolescência e juventude, sempre que me deslocava daqui para lá, e de lá para cá, e não sou nenhum supercérebro, não haverá o mínimo problema com as crianças e jovens de hoje. Isto é algo que pode ser comprovado pelas Ciências da Mente, porque o cérebro dos mais jovens está mais disponível para a aprendizagem, do que os cérebros menos jovens.

 

Portanto, o “argumento” ah! o acordo já foi aplicado e é “problemático” voltar atrás é um não-argumento.

 

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Regressemos à notícia assinada por

ALEXANDRA CARITA E CHRISTIANA MARTINS

 

Nota: os trechos e os comentários sublinhados a negrito são da minha responsabilidade.

 

Parlamento revê (des)Acordo Ortográfico

 

«Grupo de trabalho constituído pelo Parlamento recomenda alterações. PS é o único partido que não quer mexidas. Uma década depois de entrar em vigor, o acordo pode voltar à estaca zero.

 

(O PS lá terá razões que a racionalidade desconhece).

 

Dez anos depois de ter sido aprovado, em Maio de 2009, o Acordo Ortográfico (AO) deverá agora ser alterado. É isso que defende o grupo de trabalho criado pelo Parlamento para estudar a aplicação das novas regras para a Língua Portuguesa. A recomendação consta do relatório final que será entregue nas próximas semanas. Mas o polémico tratado pode mesmo vir a ser revogado, como exige um projecto-de-lei que resulta de uma petição assinada por mais de 20 mil pessoas e que deu entrada no mês passado na Assembleia da República. Tudo isto numa altura em que, no Brasil, a discussão sobre a revogação do AO está na ordem do dia e em que Cabo Verde está prestes a declarar o crioulo como língua oficial. A reviravolta, esperada por tantos ao longo da última década, pode mesmo acontecer. O Governo está contra.

 

(Ao Governo, estando enterrado nesta negociata obscura até ao pescoço, não convém mexer nela, para que a verdade não venha ao de cima.)

 

Os partidos não são consensuais na análise ao AO e prepara-se um esgrimir de opiniões. PSD, CDS, PCP e Bloco de Esquerda querem alterar ou mesmo revogar o documento. O PS é o único que quer que tudo fique como está. A Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) é o mais radical dos documentos a ser alvo de votação em plenário: pretende a “suspensão” por “prazo indeterminado” com vista a serem “elaborados estudos complementares que atestem a sua viabilidade económica, o seu impacto social e a sua adequação ao contexto histórico, nacional e patrimonial em que se insere”. As 20 mil assinaturas entregues conseguiram o registo de um projecto-de-lei e aguarda-se a definição da data da votação no hemiciclo, que deverá ocorrer ainda nesta legislatura.

 

Os signatários exigem a revogação da Resolução da Assembleia da República que aprova o segundo protocolo modificativo do AO, no qual se decidiu que a sua ratificação por apenas três dos então sete países de língua oficial portuguesa (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, e, mais tarde, um oitavo chamado Timor-Leste) era o bastante para que o documento entrasse em vigor (ver texto em baixo).

 

Mais: o projecto-de-lei designa ainda a ortografia anterior ao AO, vigente até 31 de Dezembro de 2009 e nunca revogada, como aquela a utilizar no presente. Maria do Carmo Vieira, membro da comissão representativa da ILC, defende que “não se trata de um braço-de-ferro, mas sim de uma luta pela inteligência, pelo carácter científico e pelo patriotismo”. “Aperfeiçoar o que é medíocre e está errado não me parece válido”, conclui.

 

Os deputados terão duas oportunidades para reflectir. O relatório conclusivo da “Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990” será apresentado na Comissão de Cultura nas próximas semanas e a sua votação parece ser mais fácil, bastando a iniciativa legislativa de um deputado ou grupo parlamentar para chegar a plenário.

 

O que querem os partidos

 

“No entendimento do grupo de trabalho, o AO carece, no mínimo, de ser aperfeiçoado”, afirma José Carlos Barros, deputado do PSD, coordenador do grupo de trabalho e relator do relatório final. “É evidente que a unificação ortográfica não se conseguiu. Na prática, o que está a acontecer é que Portugal está a aplicar o AO à força por uma resolução do Conselho de Ministros”, continua o deputado. Para o PSD, o Acordo foi um passo “não ponderado”. Na mesma linha está a deputada centrista Teresa Caeiro: “Não conheço ninguém que se reveja no AO”. O documento, afirma a representante do CDS-PP no grupo de trabalho, “foi absolutamente precipitado e levado a cabo por meia dúzia de académicos, que conseguiram levar em frente uma decisão que ninguém exigia”. Teresa Caeiro acredita que “mais vale reverter o erro do que perpetuá-lo” e defende, por isso, a revogação do Acordo. “O meu desejo é que se tenha a honestidade e a humildade para parar e rever o AO.”

 

O PCP, pela voz de Ana Mesquita, garante que as incongruências na aplicação do tratado são gritantes. “É a boa altura para se fazer a discussão sobre o AO e arranjar uma saída elegante do imbróglio em que estamos metidos”.

 

A tendência de voto do Bloco de Esquerda parece ir no mesmo sentido. Luís Monteiro assinala que existem críticas a fazer ao AO e tem muitas reservas em alguns pontos. O bloquista considera “pertinente uma iniciativa legislativa sobre o acordo e apoia a sua discussão em plenário”. “O AO pode ser melhorado”, diz, advertindo, no entanto, que a posição do BE é contra a revogação.

 

(Como é que algo que é rejeitado por milhares de escreventes, e que já ficou provado que é um aborto ortográfico, pode ser melhorado? Não pode melhorar-se algo que não é passível de ser melhorado. É como tentar dessalgar um arroz de ervilhas salgado, ou tornar sã uma fruta podre).

 

Sozinho, aparece o Partido Socialista. Diogo Leão, o deputado que acompanhou as reuniões do grupo de trabalho, diz, que “o PS não tem qualquer iniciativa em vista”. Para o partido do Governo, o acordo está em vigor e o “Estado respeita-o, as novas gerações já foram educadas com a nova ortografia e toda a Administração Pública o utiliza”. “Sendo assim, não temos motivos para o questionar”, conclui Diogo Leão.

 

(Bem, o PS com este modo de pensar, passa um atestado de estupidez não só aos Portugueses, como às novas gerações e principalmente à administração pública, que passou vários e compridos anos a grafar à portuguesa, e uns poucos a grafar à brasileira, e agora já não se lembra o que aprendeu na infância. Isto até pode acontecer a quem tem cérebros mirrados, mas não a quem tem cérebros activos, que é o caso das novas gerações. E há que ter em contra que é IRRACIONAL manter um erro, assente num argumento também tão IRRACIONAL).

 

Ao Expresso, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, diz que “os sistemas de ensino, editorial, jurídico e científico estão hoje sintonizados e a concertação político-diplomática com os outros países de língua portuguesa nesta matéria é ainda significativa”. Por isso, conclui o ministro que tutela o Acordo Ortográfico, “não se afigura a necessidade ou a oportunidade de, no momento, efectuar uma reversão”.

 

(O que diz o kapo de serviço para a destruição da Língua Portuguesa é uma redonda mentira. Ninguém está sintonizado em nenhum dos sistemas referidos, e muito menos existe concertação político-diplomática com os outros países. Zero concertação. Mas esta é a função de um kapo, que todos nós esperamos que seja afastado da próxima governação, para que a racionalidade regresse a Portugal.)

 

No entanto, feitas as contas, se o PS ficar isolado na votação do relatório conclusivo do grupo de trabalho, o AO será mesmo revisto e discutido com os votos do PSD, CDS, PCP e BE. O PAN não teve assento neste grupo de trabalho.

 

Cúmplices de Bolsonaro

 

Questionado pelo Expresso na viagem à China, o Presidente da República remete o desafio de alterar a situação para os políticos: “Estive em Moçambique há três anos e dizia-se que ia haver uma posição; em Angola iam tomar uma posição; no Brasil, periodicamente diz-se o mesmo, mas depois não é tomada posição nenhuma. Desde o início do meu mandato que me falam nisso [revogação] e o que tenho visto é que, quer em Portugal quer nos outros países, é uma matéria recorrentemente tratada, mas não há nenhuma iniciativa política. Mesmo no Parlamento não há”.

 

(O senhor presidente anda muito distraído e tão focado na sua pessoa que não está a par do que se passa ao seu redor. Acorde, senhor Presidente! Existe um país chamado Portugal, do qual é o presidente. A Constituição da República Portuguesa não está a ser respeitada. Portugal violou várias convenções e o senhor não tem conhecimento disto? E ainda diz que não há nenhuma iniciativa política, quando devia pressionar o Governo para que revogue o AO90, que está a destruir a nossa identidade?)

 

Enquanto chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa diz que não pode formular juízos. Ainda assim, mantém as críticas que fez no passado. Em 2016, Marcelo, em declarações polémicas ao Expresso, referindo-se à não-ratificação do acordo por Angola e Moçambique, abriu a porta a uma revisão da vigência do AO. “Não é claro que o objectivo diplomático esteja a ser atingido e, caso estes países decidam não o adoptar, impõe-se uma reflexão sobre a matéria, que é de competência governamental, mas o Presidente não deixará de sublinhar a utilidade e necessidade de reflexão se se verificar que o objectivo primeiro não é atingido.”

 

(Enquanto Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa formula juízos de tudo e mais alguma coisa, excePto da Língua Portuguesa, que ele, como Chefe de Estado, devia defender e não defende).

 

Até hoje, passados três anos, nem Angola nem Moçambique ratificaram o tratado. E agora é o Brasil que ameaça sair. Há uma semana, em Brasília, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou um requerimento de audiência pública para que seja debatida a revogação do AO.

 

No documento a que o Expresso teve acesso, o deputado Jaziel Pereira de Sousa, do Partido da República, uma das siglas de direita, afirma que o pedido vem na sequência de um desejo do Presidente Jair Bolsonaro. Ainda antes deste requerimento oficial, Filipe Martins, assessor especial de Bolsonaro para Assuntos Internacionais, publicou no Twitter a intenção do Governo. “Depois de nos livrarmos do horário de Verão, temos de nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrónicas e do acordo ortográfico.”

 

Em Portugal, um dos principais rostos da defesa do Acordo Ortográfico, Carlos Reis, professor da Universidade de Coimbra, diz que não existe uma estratégia para a língua portuguesa em nenhum dos países enquanto “o discurso político se limitar a declarações de circunstância, sem conteúdo nem propósito de continuidade”. E deixa um alerta aos partidos portugueses que discordam do acordo: “Resta saber se acabarão por se descobrir cúmplices inesperados de Jair Bolsonaro.”

 

O que vai mudar

 

Mas, afinal, o que está em cima da mesa? Não é provável que a revogação do acordo aconteça em Portugal. Apesar da frontal discordância perante o AO, o escritor e assessor cultural do Presidente da República, Pedro Mexia, reconhece que seria “problemático” anular o acordo, depois de este ter sido aplicado na Administração Pública e nas escolas — “foi dado um passo maior do que as pernas e até alguns dos maiores defensores estão a assumir que foram feitos erros e disparates”.

 

(Pedro Mexia é assessor do presidente. E quem é assessor do presidente, normalmente diz ámen.)

 

É precisamente para corrigir alguns desses erros que o grupo de trabalho constituído pelo Parlamento propõe o aperfeiçoamento do AO. Na base está o documento “Sugestões para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, entregue na AR em 2017, pela Academia de Ciências de Lisboa, o órgão consultivo do Governo no que respeita à língua portuguesa. Os três pontos-chave que determinam as alterações ao Acordo prendem-se com a acentuação gráfica, as sequências consonânticas e o emprego do hífen. Nada mais nada menos do que as regras que mais confusão têm gerado na escrita pós-AO. Exemplos multiplicam-se, mas vejam-se os mais comuns. O presente do indicativo da 3ª pessoa do singular do verbo parar (que, com o acordo, passou a escrever-se “para”) voltará a ter acento (“pára”), deixando de se confundir com a proposição para; no caso das consonantes mudas, voltam a ser escritas em algumas palavras para não gerar ambiguidade, como acontece com recessão (económica) e receção (de hotel); finalmente, no que respeita à hifenização, palavras com sentido único como faz-de-conta recuperam o hífen, bem como as palavras com formas reduzidas, afro-brasileiro ou euro-asiático.

 

(Aqui falta dizer que a acentuação e a hifenização são importantes para Brasil e para Portugal, porém para os Portugueses, além da hifenização e da acentuação há a grafia brasileira, que NÃO pertence à Língua Portuguesa, e essa tem de ser eliminada. A grafia brasileira é do Brasil. Não é de Portugal. As consoantes MUDAS têm de ser devolvidas à Língua Portuguesa. A revogação do AO90, para o Brasil, reduz-se apenas à acentuação e à hifenização, porque as consoantes mudas, lá, continuarão a ser suprimidas, tal como são desde 1943. Para Portugal a revogação do AO90 inclui a hifenização, a acentuação e a GRAFIA. Não esquecer deste pormenor importante: a grafia portuguesa tem de ser devolvida a Portugal).

 

Para quem pensa que as alterações poderão ser uma catástrofe para a economia livreira, João Alvim, presidente da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), desdramatiza: “O AO tem de evoluir e melhorar, muitas regras têm de ser analisadas, repensadas. Se tivermos de fazer alterações onde é necessário, fá-lo-emos progressivamente”. Mas não deixa de anunciar o pior, caso se tenha que alterar tudo, o que obrigaria a uma revisão completa dos livros técnicos, de ensino, manuais e livros de referência. “Nem quero pensar nisso”, diz João Alvim.

 

(Assim como se atirou ao lixo, os livros e os manuais correCtamente escritos, assim se atira ao lixo os livros e manuais incorreCtamente escritos. As editoras deviam ser penalizadas pela ganância que tiveram, na destruição da Língua, mirando lucros com os novos livros acordizados. Daí que a falência era a pena que deviam levar pelo crime de lesa-língua.)

 

COM FILIPE SANTOS COSTA

 

Dez anos de legalidade pouco ou nada clara

 

Dos oito Estados subscritores, só Portugal cumpriu o que estava assinado. Os outros ou nunca ratificaram, ou não cumprem, ou querem sair.

 

Se Jair Bolsonaro cumprir a intenção de revogar o Acordo Ortográfico (AO) no Brasil, a ideia de uma língua transatlântica ficaria esvaziada em cerca de 220 dos mais de 250 milhões de falantes de Português. Mas esta hipótese é apenas o mais recente problema numa longa história de percalços num projecto que beneficia a fonética em detrimento da ortografia e começou a ser concebido no fim dos anos 80 e ainda hoje não tem aplicação plena. Amanhã comemora-se o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura e a 13 de Maio passam dez anos da efectiva entrada em vigor do AO, mas pouco há para comemorar.

 

Além da proposta brasileira, esta semana, o secretário executivo da CPLP em deslocação a Luanda reuniu-se com a ministra da Educação de Angola para discutir o acordo. Questionada pelo Expresso, a CPLP não esclareceu o conteúdo da reunião. Sabe-se, contudo, que Angola, juntamente com Moçambique, nunca ratificou o AO, mantendo muitas reticências à sua aplicação. Mas, mesmo quanto aos países que o terão ratificado, como São Tomé e Príncipe, o cumprimento prático do AO é questionável.

 

(São Tomé e Príncipe está-se nas tintas para o AO90. A língua dominante é o Francês.)

 

Tudo começou em Janeiro de 1990, quando Pedro Santana Lopes foi nomeado secretário de Estado da Cultura por Cavaco Silva com duas incumbências fundamentais: concluir o Centro Cultural de Belém e fazer o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Em apenas uma semana daquele ano, delegações dos sete Estados — Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe — aprovaram os contornos do AO na Academia de Ciências em Lisboa. Em Maio de 1991, o tratado foi aprovado pelo Parlamento português, com votos favoráveis do PSD, CDS; o PS dividiu-se e o PCP absteve-se; e o então Presidente, Mário Soares, ratificou a decisão.

 

O primeiro protocolo modificativo surgiu em 1998 e o sentido originário do AO começou a ruir, com a supressão da exigência da entrada em vigor simultânea nos sete Estados subscritores. A AR aprovou as alterações e Jorge Sampaio ratificou-as em 2000. Em 2004, os chefes de Estado e de Governo da CPLP decidiram que, passados 24 anos da assinatura formal, era melhor era baixar a fasquia, tendo em conta que o acordo ainda não havia entrado em vigor por não ter sido ratificado por todas as partes contratantes. Assim, para vigorar, o AO necessitaria “apenas” que três Estados depositassem a ratificação no Ministério dos Negócios Estrangeiros português. Mas continua por esclarecer se tal critério foi cumprido e, se foi, se não está manchado por alguma ilegalidade processual.

 

A ratificação expressa aconteceu apenas em Portugal e Cabo Verde. São Tomé terá finalizado o processo de ratificação em 2006, mas não é conhecido o depósito da ratificação. Questionado pelo Expresso, o MNE português afirma apenas que o AO “encontra-se em vigor em Portugal e também no Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe”. E que “Guiné-Bissau e Timor-Leste terminaram os respectivos processos internos de aprovação, embora ainda não tenham procedido ao depósito”.

 

(O kapo de serviço tem um discurso chapa 5, onde a mentira impera. Além de estar a prestar um péssimo serviço a Portugal está a enganar os Portugueses).

 

No Brasil, os problemas vêm de trás. O Congresso aprovou o tratado inicial em 1995, que não foi promulgado pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 2008, o “Diário Oficial” — equivalente do “Diário da República” — referia que quaisquer alterações ao AO teriam de ser alvo de intervenção do Congresso, mas o protocolo modificativo de 2004 só terá sido promulgado em 2008 por Lula da Silva sem discussão prévia na Câmara.

 

CHRISTIANA MARTINS

 

NOTA: transcrição integral de notícia e “caixa” publicadas no Expresso de 4 de Maio de 2019. Texto convertido para Português Europeu.

 

Fonte:

https://ilcao.com/2019/05/06/parlamento-reve-desacordo-ortografico-expresso-04-05-2019/?fbclid=IwAR0XPm4AfKLT99Vq3R7DAByN62ACjDOCRJGQmf5kk5sklGImdTNz4Fb02H4

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:34

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Domingo, 5 de Maio de 2019

PASSADOS DEZ ANOS DE DESTRUIÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA, SÓ HÁ UM DESTINO PARA O AO90: A REVOGAÇÃO

 

Hoje, em Portugal, raros são aqueles que sabem escrever correCtamente a sua Língua Materna. Desde o menino da escola primária, aos que podem e (des)mandam no Parlamento Português.

 

E anda por aí o Instituto Camões a vender gato por lebre e a dizer que “Há um crescimento generalizado da Língua Portuguesa em diferentes latitudes», e isto não corresponde à verdade. A verdade é que andam por aí a chamar Português, a uma linguagem que se grafa à brasileira, distanciada da matriz greco-latina, de que o Português europeu é originário, e, portanto, já deixou de ser portuguesa.

 

Untitled.png

 

Origem da imagem: https://twitter.com/100penemcabeca

 

A língua que se grafa por aí, promovida pelo Instituto Camões, e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), entre outras entidades  e governantes, presidente da República e ministro pofrtuguês dos Negócios DOS Estrangeiros incluídos, que estão ao serviço da Brasilidade, é exclusivamente brasileira, à excepção dos hífens e acentos que, com o AO90, são comuns a ambos os países: Brasil e Portugal.

 

O ministro dos Negócios DOS Estrangeiros, Augusto Santos Silva (uma espécie de kapo de serviço, para a Destruição Total da Língua Portuguesa (DTLP), apontado para continuar o "trabalho" de aniquilar a Língua no próximo Governo, e esperemos que já lá não esteja, por ser o principal propagandista do maior desastre linguístico ocorrido em Portugal, e não deve continuar no (des)governo do País), afirmou ao Expresso que «os sistemas de ensino, editorial, jurídico e científico estão hoje sintonizados e a concertação político-diplomática com os outros países de língua portuguesa nesta matéria é ainda significativa. (...) não se afigura a necessidade ou a oportunidade de, no momento, efectuar uma reversão», o que não corresponde à verdade. Tudo isto é mentira, senhor ministro. Nada nem ninguém está sintonizado, muito menos há concertação político-diplomática com os outros países de Língua Portuguesa, portanto afigura-se a necessidade urgente de seguir as pisadas de Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe (que se está nas tintas para o AO90) e agora o Brasil, e mandar às malvas o “acordo” mais desacordado de sempre.

 

A quem pretende enganar, senhor ministro Augusto Santos Silva?

 

A propósito do episódio protagonizado, há dias, pelos partidos de esquerda e de direita unidos, com o PS de fora, no que respeita à aprovação da contagem integral do tempo de serviço dos professores, ouviu-se Santos Silva referir-se a esta dita “coligação negativa” e ao que ela aprovou, que era algo ilegítimo, imoral e inconstitucional, esquecendo-se o senhor ministro de que ilegítima, imoral e inconstitucional é a imposição do AO90 em Portugal, que está a destruir a Língua Oficial dso Portugueses, e com isto ele, Santos Silva, não está nada nada, nada preocupado, e a ilegitimidade, a imoralidade e a inconstitucionalidade aqui já é admissível. A governação é pautada por dois pesos e duas medidas.

 

O Grupo de Trabalho constituído pelo Parlamento, para estudar a aplicação das novas regras para a Língua Portuguesa recomenda alterações no AO90. O PS é o único partido que não quer que se mexa nisto, talvez porque mexer nisto implique algo que o PS tenta esconder, deixando o rabo de fora.

 

Uma década depois de entrar em vigor, o acordo pode voltar à estaca zero? Devia ter voltado há muito. Desde o início que se sabe que o AO90 é um descomunal erro ográfico , uma aberração, um verdadeiro aborto, sem pés nem cabeça. Andaram todo este tempo a brincar ao quê?

 

O AO90 não tem qualquer futuro, e agora que o Brasil está em vias de o rasgar, o que restará para manter? Portanto, recomendar “alterações” é recomendar que se remende o que está absolutamente esburacado, falhado, em todos os sentidos e em todos os países. O AO90 tem de ser revogado, e quanto mais depressa melhor, porque o futuro é já amanhã, e o ontem foi um falhanço absoluto.

 

Passados dez anos de destruição da Língua Portuguesa, o AO90 não deve ser alterado. Deve ser rasgado. Simplesmente rasgado, porque o AO90, não tendo pés nem cabeça, é um enjeitado pela maioria dos países de expressão portuguesa, e como tal, inviável.

 

Por que haveria Portugal de ficar parvamente só a segurar ao colo este aborto ortográfico?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:17

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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2019

NOS CANAIS DE TELEVISÃO, PARA ALÉM DO AO90, REINA O ESPÍRITO DA IMITAÇÃO BACOCA

 

O que pretendo demonstrar com o que aqui apresento hoje, é que nos canais de televisão servilistas portugueses, não se limitam a aplicar ilegalmente a grafia brasileira, ou seja, o AO90. Começaram já a introduzir outros brasileirismos, para além dos vocábulos mutilados, e de uma acentuação e hifenização completamente obtusas.

 

E das duas uma: ou a legendagem está estrategicamente entregue a cidadãos brasileiros, para que garantam que a língua seja a Brasileira, ou os portugueses decidiram êscrêvê à brasileira, numa imitação muito bacoca, para além do exigido pelo AO90.

 

Então vejamos a amostragem seleccionada:

 

BAGUNÇA.jpg

 

A palavra BAGUNÇA é brasileira (de origem duvidosa) e significa desordem, confusão, em Língua Portuguesa. No Brasil, “bagunça” também significa máquina de remover aterro. O que é que isto tem a ver com Portugal? Nada.

 

PARABENIZAR.jpg

 

 

A palavra PARABENIZAR é brasileira, e significa dar os parabéns a, felicitar, congratular, saudar, em Língua Portuguesa. O que é que isto tem a ver com Portugal? Nada.

Ver mais neste link:

AO REDOR DA PALAVRA “PARABENIZAR"…

 

RIFLE.png

 

A palavra RIFLE significa espingarda em Língua Portuguesa, e vem do Inglês rifle, e que os Brasileiros preferiram usar, em detrimento da palavra portuguesa espingarda, que é como em Portugal se diz.

 

VIRA.png

 

Em Língua Portuguesa, o verbo VIRAR tem vários significados, mas apenas no Brasil tem o significado que a legenda lhe dá: transformar-se em.

 

DIZER A VOCÊ.png

 

Em Portugal, esta legenda pode escrever-se de dois modos, dependendo do grau de relação entre as personagens: se se tratam por tu, escrever-se-á: tenho uma coisa para dizer-te; se se tratam com cerimónia: tenho uma coisa para dizer-lhe.

Em brasileiro falado: “Eu tênhu úmá côisá párá djizê à vôcê”.

 

VAGÕES.png

 

Neste caso, não era um vagão (do Inglês wagon) que, em Língua Portuguesa, significa veículo que circula sobre carris, especialmente destinado ao transporte de mercadorias. Era sim, uma carruagem de passageiros, a que se referia a notícia, no entanto, usaram a palavra vagão que, no Brasil, tem um significado mais alargado: é cada um dos carros de um comboio ferroviário, utilizados no transporte de mercadorias, animais ou passageiros.

 

Em Portugal os passageiros viajam em carruagens. Em vagões transportam-se mercadorias e, infelizmente, também animais vivos.

 

PINGUINS.png

 

O trema é um sinal ortográfico (¨) usado para indicar que certas vogais não formam ditongo com a vogal anterior. Em Língua Portuguesa, o trema era utilizado nas vogais átonas -i- e -u- e foi (a meu ver, infelizmente) suprimido depois do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 1945, antes do qual se escrevia, por exemplo saüdade .

 

Porém, no Brasil, o trema continuou a usar-se, e muito bem, e só foi hipoteticamente suprimido com o AO90 (porque no Brasil apenas os acordistas o suprimiram), o que traz, e muito naturalmente, os restantes Brasileiros tão importunados, como os Portugueses desacordistas com a parvoíce da supressão do acento em pára do verbo parar. Porque para os Brasileiros, ter acento ou não ter acento, tanto faz, porque eles abrem o A, em pára (verbo) e em para (preposição).

 

E isto tudo para dizer que em Portugal, em Língua Portuguesa, escreve-se Pinguins sem trema, e no Brasil, com trema. Contudo, fica-nos a dúvida: ou este grupo carnavalesco, da minha terra (Ovar) é escrito com trema, para imitar a grafia brasileira, ou por ser um grupo que integra um carnaval quase 100% à moda do Brasil.

 

CONFECCIONADOS.png

Pois a Lagoa da são e os “peixes mais confeccionado” até pode ser gralha, ou então aquele pavoroso desleixo com que agora se trata a Língua, mas bem podia ser um fraseado à brasileira, como eu te preciso, beija eu, eu lhe amo, nós vai, ou aquele super-irritante para eu, com que o Gmail nos atira à cara, nos e-mails.

 

***

 

Bem, os exemplos são às centenas. Esta foi uma pequena amostra, da invasão da Língua Brasileira, em Portugal. Os canais de televisão servilistas, filmes e séries e documentários na TVCINE e outros canais da NOS estão cheios de legendas escritas tipicamente à brasileira, na acentuação (econômico, atômico), na grafia, na sintaxe, no vocabulário, enfim, fica-nos a quase certeza de que as legendas são escritas por Brasileiros. Se são Portugueses que as escrevem, então, são uns paus-muito-mal-mandados.

 

E, tal como milhares de Portugueses, também me questiono: por que será que todos os (des)governantes olham para o lado quando se trata de reverter esta caótica situação? Esta anormalidade? Poderá ser possível que no contrato desta parceria público-privada (entre o Estado e as editoras) constem cláusulas de indemnização às editoras, caso o AO90 seja anulado? Que outro motivo poderá haver? O da irreversibilidade, por as crianças não conseguirem reaprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna, depois de lhes ser ensinado a escrevê-la incorreCtamente?

 

Consulte-se os Pedopsicólogos. As crianças têm uma capacidade superior à dos adultos, no que respeita à aprendizagem. Mais difícil será pôr os professores a reaprenderem o que andaram anos a ensinar correCtamnente.

 

Foi um (des)governo do PS que pôs o AO90 em prática. Seguiu-se outro (des)governo, do PSD/CDS, no qual os líderes, enquanto na oposição eram contra, passaram a defender o AO90 ao chegarem ao "poder". Formou-se depois mais outro (des)governo, liderado por um antigo elemento do (des)governo que impôs o AO90 à população. Claro que o actual primeiro-ministro não iria contra as decisões que ele próprio havia apoiado enquanto ministro. O actual (des)governo tem na sua composição partidos que eram opositores do primeiro (des)governo "socialista", mas apesar disso, um deles (o BE) até adoptou o AO90, e o outro (o PCP) faz de conta que não percebe o que aconteceu!

 

Por vezes digo que nisto há muita ignorância por parte dos políticos. Mas não, aqui além da ignorância da Língua e muita distracção, há, também, muita, muita corrupção e traição.

 

Tudo isto acontece com a conivência de quem nos (des)governa. Infelizmente, para eles, a Língua Portuguesa não é prioridade!

 

O grande problema é sermos desgovernados por traidores. Que os Brasileiros se queiram impor é um problema deles, e estão no seu direito, mas que quem nos deveria defender ceda aos interesses dos estrangeiros é que já é um problema nosso.

 

Tal como muitos intelectuais e linguistas brasileiros, e porque conheço bem a Língua que aprendi no Brasil, sou defensora de que o Brasil mude o nome da sua língua para Língua Brasileira. É que se o vão fazer (como é certo e seguro, todos o sabemos) que o façam já, pois este é o momento certo. Brasil acima de tudo!

 

Se o Brasil mudasse oficialmente (porque oficiosamente já circula por aí, na Internet) o nome da Língua para Brasileira, a Língua Portuguesa não ficaria mais pobre, pelo contrário, haveria, até, de se manter mais rica. Porque empobrecida ficou ela agora, com a imposição ilegal do AO90.

 

Com essa mudança não haveria necessidade de "uniformizar" o que não tem uniformização possível, e jamais será uniformizado.

 

O tempo vai passando, e dado o vergonhoso desleixo a que está votada a Língua Portuguesa, as novas gerações "lusitanas” a quem os (des)governantes não dão oportunidades em Portugal, irão interessar-se muito mais pelo Inglês, Língua de Comunicação Internacional, do que por um Português que nem é carne nem é peixe, mal-amanhado, desenraizado, empobrecido, menosprezado, desrespeitado... 

 

E é como disse Marcos Bagno, um dos mais importantes linguistas do Brasil, numa entrevista, que hei-de transcrever neste Blogue: «Essa ideia de que existe uma coisa chamada “lusofonia”, com vários países de Língua Portuguesa é uma bobagem»…

 

E que BOBAGEM! Acrescento eu, concordando, em absoluto, com Bagno.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:27

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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2018

NO NOSSO PAÍS NÃO HÁ VAGAS PARA CRESCER

 

Cada vez estamos piores.

E os canais de televisão a piorar de dia para dia.

E a Língua Portuguesa a escorrer para o esgoto.

E a ignorância a espalhar-se como um cancro.

E António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa circulando por aí, como se Portugal fosse um paraíso.

E não há vagas para se CRESCER, neste país desnorteado…

E o PS sonha com maiorias absolutas…

E o povo, dopado, continua entorpecido…

 

CRESCES.png

TVI.png

CRESCES - escrito da mesma maneira nas duas fotografias: em rodapé e no mapa. Donde se prova que não foi gralha, mas tão só uma ignorância descomnunal.

 

Fonte das imagens:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10204809864762420&set=pcb.2205288106382359&type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:10

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Segunda-feira, 9 de Abril de 2018

«A ORTOGRAFIA PORTUGUESA NAS ESCOLAS AJUSTADA AO MIXORDÊS DA “CARTILHA BRASILEIRA”»

 

"Quem não se dá ao respeito, como pode ser respeitado” ...?

 

ARTUR ANSELMO.png

 

Por: Amadeu Mata

 

A (rcm) (***), nº 8/2011, de 25 de Janeiro, foi aplicada à revelia do Decreto-Lei nº 35.228, de 08 de Dezembro de 1945, o qual a maioria dos portugueses de bom senso e carácter sabem que está em vigor no País.  

 

Vª.s Exªs ,  órgãos directivos  competentes das escolas, e não só,  devem  saber  (supõe-se) que esta  (rcm) não passa dum mero despacho normativo - “acto legislativo de natureza regulamentar, que é utilizado, quando houver ou (existir) uma  Lei que o (a) tal autorize”. 

 

Como   sabem ou (pelo menos deviam saber), a (rcm) n.º 8/2011, de 25 de Janeiro, não tem nenhuma Lei ou Decreto-Lei, que a suporte, e  por isso é ilegal, sendo ilegal, é inconstitucional!  

 

E porque assim é, Vossas Exªs, órgãos directivos das escolas e as instituições públicas e alguma comunicação social (televisão, jornais e revistas) estão a infringir o Decreto-Lei acima referido, em vigor, ao utilizar a ortografia ajustada ao "mixordês" da "cartilha brasileira".

 

Os brasileiros escrevem e falam à sua maneira.

 

"Não é possível unificar divergências que assentam em claras diferenças de pronúncia".

 

Por essa via, fazem tábua rasa da pronúncia culta que invocam para outros fins e separam irremediavelmente famílias lexicais, passando a si próprios verdadeiros atestados de analfabetismo funcional, aos ditames da fonética em geral e da "pronúncia culta" em particular, - algo que nenhum académico com o rigor científico indispensável, até hoje é capaz de nos explicar o que significa.

 

É através dessa malfadada (rcm) que os nossos excelsos deputados e os sucessivos governos do (PS, PSD e CDS-PP e agora o BE), salvo honrosas excepções para o PCP o mais coerente de todos nesta matéria, meteram toda a sociedade portuguesa, em particular as crianças em idade escolar, bem como as instituições públicas, nesta embrulhada e aventura desmedida, introduzida no País com requintes de malvadez, imposta de emboscada e à paulada a todos os portugueses!

 

Dessa imposição, o Ministério da Educação (que de educação pouco ou nada deve ter), mandou cumprir a (rcm), ameaçando os órgãos directivos das escolas, caso o professorado não aplicasse o AO90, (fica-se por saber, quais os Países signatários, suas condições e Lei a autorizar), seriam processados judicialmente (processos de  inquérito e disciplinar)!

 

Apesar do medo instalado nas Escolas, desde 2011 até ao momento, Março de 2018, não existe   conhecimento na esfera do ensino, algum professor ou outro funcionário, por utilizar correctamente a ortografia segundo "a matriz culta da língua portuguesa", tenha sido judicialmente processado pelo incumprimento do "Estatuto Disciplinar", da função pública, relativamente a esta matéria. 

 

Isto só mostra inequivocamente, como já foi denunciado publicamente por Paulo de Morais, em 2016, na campanha para a eleição presidencial, demonstrado e provado em tribunal, que existem fortes razões financeiras e interesses privados, com o beneplácito do poder político!

 

Perante estes factos, o governo actual na pessoa do ministro dos negócios estrangeiros tem sido autoritário, arrogante, dogmático e deselegante para com a Academia das Ciências.

 

A Academia, que é, de acordo com a lei em vigor, conselheira do Governo em matéria da língua, não foi ouvida nem achada no que diz respeito a este disparate. 

 

Limitou-se a apresentar, um conjunto de sugestões indicativas para que se começasse a debater este assunto com seriedade ou tentar melhorar, se possível, um acordo que nasceu mal, um acordo falhado.

 

Esta posição do ministro [Augusto Santos Silva], que fala em nome do Governo, revela um grande desprezo por todos aqueles que tem feito oposição desde o princípio a este acordo.

 

Desprezo por escritores, por gente das letras, por académicos, por professores e por muitos cidadãos que se manifestam contra esta aberração deste acordo, que está a fragmentar a língua e a dividir os portugueses.

 

Não se conhece nenhum escritor de nomeada que seja favorável a este acordo.

 

Em Portugal, apenas os subservientes, os partidos do (PS, PSD, CDS e BE) televisão e alguns jornais, adoptaram uma grafia assente na grafia brasileira, por mera ignorância (eles sabem o que fazem) vão mutilando as palavras, a torto e a direito, instalando o caos ortográfico, o mixordês ajustado à cartilha brasileira, nas escolas e instituições públicas.

 

 Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor, estão de parabéns por não terem alinhado nesta trama e panaceia vergonhosa, que está a destruir a “Matriz Culta da Língua Portuguesa".  

  

Faz-se um apelo solene aos juristas do País, para apresentarem  ao Tribunal de Justiça Europeu ou Internacional uma "Queixa Crime", contra o Governo Português, Assembleia da República, Presidência da República e Tribunais Portugueses, (que fazem do assunto  "ouvidos de mercador"), para que não deixe perdurar este crime de lesa-Língua Portuguesa e do Património Imaterial de Portugal, que é um atentado ao Estado de Direito (artigo 9º da Lei Nº 34/87) a reposição da Língua Oficial da República Portuguesa,  o Português culto e europeu, que  não pode ser substituída por um (novo) crioulo português, ou um dialecto estatal, importados ilegalmente de um país estrangeiro, que tem a sua própria língua, e foi imposto de maneira ditatorial ao povo português, sem este ter sido consultado ou dado o seu assentimento.

 

Amadeu Mata

 

(***) (rcm) = resolução do conselho de ministros

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:27

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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2018

«ACORDO ORTOGRÁFICO SIM, MAS O ANTIGO!»

 

«O Governo de António Costa que já fez inúmeras alterações na educação deveria ponderar um recuo neste Acordo Ortográfico. Seria um acto de inteligência, de liberdade individual e de liberdade de escrita. E, Marcelo Rebelo de Sousa deve reabrir o debate sobre o AO.»

 

JOAQUIM JORGE.png

Joaquim Jorge

Biólogo, Fundador do Clube dos Pensadores

 

 

«O PCP, no Parlamento, defendeu sozinho a desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990. O PSD, PS, CDS e BE demarcaram-se do projecto de resolução do PCP, que pretende a desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990, ainda que admitam a necessidade de o aperfeiçoar.

 

Tenho escrito inúmeros artigos de opinião, ao longo destes anos, contra este acordo ortográfico.

 

A diversidade da nossa língua é uma mais-valia e enriquecimento cultural. A beleza da nossa língua está nessa diversidade. Não é ser avesso à mudança, é ser contra ter que, adoptar uma ortografia que não se justifica e não é uma necessidade premente

 

Sou português e defendo a minha língua e como ma ensinaram, não sou brasileiro. Mudaram na secretaria algo que não serve para nada. Esta imposição legislativa é contraproducente. Esta unificação é ilusória. Quando se muda não quer dizer que se vá para melhor. Deixemos que a língua evolua naturalmente. Veja-se que estamos no euro mas continuamos muitos de nós ainda a falar em escudos, respeitemos o nosso passado.

 

O Governo de António Costa que já fez inúmeras alterações na educação deveria ponderar um recuo neste Acordo Ortográfico. Seria um acto de inteligência, de liberdade individual e de liberdade de escrita. E, Marcelo Rebelo de Sousa deve reabrir o debate sobre o AO.

 

Um episódio exemplar como nunca haverá unificação de coisa nenhuma. Um dia, em Portugal, o brasileiro Ruy Castro, autor do livro “Carnaval no Fogo”, disse à sua secretária: “Isabel, por favor, chame o bombeiro para consertar a descarga da privada”. Perante o espanto de Isabel, teve que ser ajudado por um amigo que fez a “tradução”: “Isabel, por favor, chame o canalizador para reparar o autoclismo da retrete”.

 

O Acordo tende a transformar-se numa confusão e barafunda, em que ninguém se entende, cujas consequências se desconhecem, além de subsistirem dificuldades na sua aplicação. O Acordo Ortográfico não passou de experimentalismo ortográfico sobretudo para os alunos que tiveram de o aplicar.

 

E não me venham com a desculpa dos tratados internacionais e dos manuais escolares. É um acto de bom-senso alterar o que está mal. O facto consumado e de que o AO não pode ter retroactividade é um pecado na nossa querida língua.»

 

Fonte:

http://www.jornaltornado.pt/acordo-ortografico-sim-mas-o-antigo/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:03

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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018

AO90 – DESVINCULAÇÃO PROPOSTA PELO PCP REJEITADA PELO PS, PSD, CDS E BE

 

Uma vergonha.

 

Nada que já não fosse esperado, dada a subserviência que reina na Assembleia da República no que respeita à versão simplex da Língua Portuguesa, ou seja, ao dialecto/crioulo brasileiro, mais fácil de aprender…

 

O único que manteve a racionalidade na defesa da desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990 foi o PCP que, não detendo a maioria parlamentar, não conseguiu levar a água ao seu moinho.

 

 

Conclusão: a Inteligência não venceu no Parlamento. Temos uns deputados vendidos. Impatrióticos e altamente subservientes ao Brasil (salvo honrosas excePções).

 

Quero aqui deixar uma mensagem, especialmente para o deputado Jorge Campos, que defendeu a posição do Bloco de Esquerda, neste breve, infrutífero e pobre debate considerando que «o abandono do AO de 1990 acarretaria riscos, nomeadamente a nível de tratados internacionais e de manuais escolares».

 

Que tratados internacionais são esses? Este desacordo não faz parte de nenhum tratado internacional, por motivos que os juristas já explicaram. E que fizesse! O que interessa um tratado internacional que prejudica Portugal, os Portugueses e a sua Cultura Linguística? O que é mais importante?

 

E que riscos acarretaria para os manuais escolares? Não se destroem milhares de manuais, para se fazerem outros? Então destruam-se os manuais abrasileirados e editem-se manuais que não enganem as crianças portuguesas.

 

A insistência em prolongar o caos ortográfico instalado, terá consequências inimagináveis num futuro que já começou.

 

Mas a luta continuará, até que a Racionalidade vença.

 

O que temos de fazer é colocar gente inteligente no Poder.

 

Não foi por acaso que, precisamente ontem, o presidente da República e o ministro dos negócios da Língua estavam em São Tomé e Príncipe a inaugurar uma escola de Língua Portuguesa. Resta saber que língua. A Portuguesa ou o dialecto/crioulo brasileiro, que querem impingir ao países ex-lusófonos? Sim, porque a lusofonia já não existe. Nem sequer é obrigatória existir.

 

cplp-pt[1].jpg

É este, erradamente, chamado português brasileiro que o Brasil e, vá-se lá saber por alma de quem, também Portugal, querem impingir aos restantes países da já injustificável CPLP.

 

Cada povo seguiu o seu rumo, e na África e em Timor, apesar da Língua oficial ser a Portuguesa, os dialectos autóctones, que são bastantes, prevalecem sobre a língua herdada do ex-colonizador. E muito bem.

 

No Brasil, porém, a situação é outra.

 

Ora, foi Portugal que levou a esses mundos a Língua Portuguesa, e esses mundos só têm duas coisas a fazer: ou respeitam, na íntegra, a língua que herdaram e livremente adoptaram, ou desvinculam-se dela e criam e abraçam os seus próprios dialectos, que são muito válidos, mas não lhes chamem português daqui ou dali, porque Português, Português, só o de Portugal, que a ex-colónias adoptam ou não.

 

O Brasil (conforme podemos ver nesta imagem) foi o único que nunca cumpriu os acordos assinados com Portugal e que dele se desvinculou, em 1943, quando criou um dialecto próprio a que, erradamente, chamou Português Brasileiro.

 

Não há um Português brasileiro versus um Português europeu. Não há. O Português, a Língua Portuguesa é de Portugal, pois foi Portugal que lhe deu o nome, e sendo Portugal um país europeu, é óbvio que a língua é europeia. Indo-europeia. Assim como a Língua Inglesa é da Inglaterra, a Língua Castelhana, de Espanha, a Língua Alemã, da Alemanha. Bem como o Latim era a Língua do Latium (Lácio) uma região da Itália Central, onde a cidade de Roma foi fundada, e não da Península Ibérica. Ponto.

 

O Brasil, ao desvincular-se, por opção (nada contra) da Língua Portuguesa, não criou um português brasileiro, mas sim um "dialeto" (grafado à moda do Brasil, e que deve ler-se “dialêto”) brasileiro, ou crioulo brasileiro, oriundo da Língua Portuguesa. E é este dialeto brasileiro que o Brasil deve adoptar, assim como Cabo Verde adoptou o Crioulo Cabo-verdiano como Língua Oficial de Cabo Verde, passando a Língua Portuguesa para língua estrangeira.

 

DIALETO BRASILEIRO.png

Será este o novo mapa que se pretende produzir com o AO90? Estarão todos os países aqui mencionados dispostos a esta imposição?

 

O Brasil devia seguir o bom exemplo de Cabo Verde. Ficar com o seu "dialeto"/crioulo brasileiro e cortar definitivamente o cordão umbilical com Portugal. E ter a Língua Portuguesa como língua estrangeira. É que amigos, amigos, negócios à parte. Esta foi sempre a melhor política.

 

E Portugal, devia ter vergonha na cara, por rejeitar a ortografia portuguesa, a única em vigor em Portugal, para a substituir pelo dialecto/crioulo brasileiro. Pois se já temos a maior taxa de analfabetos da Europa, essa taxa irá aumentar consideravelmente, se a Inteligência não se instalar no Parlamento Português.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:22

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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018

COISAS QUE DÃO (OU DEVIAM DAR) QUE PENSAR...

 

AO90.png

 

Texto de Ana Cristina Pereira Leonardo  

 

O Prémio Camões não tem espinhas. Criado em 1989 por iniciativa dos governos de Portugal e do Brasil, visa “consagrar anualmente um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

 

Quanto ao prémio de “Jornalismo Cultural”, instituído pela Sociedade Portuguesa de Autores em 2013, pretende “distinguir personalidades individuais e colectivas (sic) que mereçam reconhecimento devido à divulgação regular do trabalho de autores, artistas e outros agentes culturais, seja ao nível da imprensa escrita, da radiofónica ou da televisiva”.

 

Este ano, ambos coincidiram num ponto (se escrevesse “aspecto”, veria a palavra passar a “aspeto”, algo que quis evitar para que não se pensasse que pretendo bandarilhar alguém...): tanto o galardoado com o Prémio Camões como o galardoado com o Prémio de Jornalismo Cultural são férreos opositores ao Acordo Ortográfico. Na sua qualidade de deputado, Manuel Alegre foi o único do PS a votar contra; Nuno Pacheco, jornalista do “Público”, tem escrito sobejamente sobre o tema, definindo-se na primeira pessoa como “defensor acérrimo da diversidade da língua portuguesa, nas suas riquíssimas variantes, e adversário do acordo ortográfico de 1990”.

 

Se citássemos agora Margarida Rebelo Pinto: “não há coincidências”, o argumento não deixaria de ser tão fraco como os seus livros. Porque, realmente, podia ser coincidência. O que já nos obriga a pensar é que, de todos os portugueses contemplados com o Camões a partir de 1995 (os anteriores foram Miguel Torga, 1989, Vergílio Ferreira, 1992, e Eugénio de Andrade, 2001), nem um para amostra veio defender o AO. Manuel Alegre, Hélia Correia, Manuel António Pina, António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís, Maria Velho da Costa, Sophia de Mello Breyner, Eduardo Lourenço e José Saramago – todos se pronunciaram contra.

 

Ora isto, sejamos honestos e coincidências à parte, são muitos contra de peso. Ouço vozes. Ah! Tudo escritores antigos! Ah! Mas também o Pascoaes defendia o Y e o Pessoa o PH (***)! A armadilha de tornar a discussão sobre o AO numa discussão entre progressistas e conservadores deu no que deu. Porque, sejamos de novo honestos. O Y de Pascoaes sempre se leu I e o PH de Pessoa sempre se leu F. Agora tentem lá distinguir oralmente “receção” e “recessão” e provem que isto não é desfigurar a língua.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/ana.c.leonardo/posts/10211329527582572

 

(***) Para dizer que Fernando Pessoa defendia o PH, mas escrevia o seu nome com F (Ambos têm o mesmo som). Então, se tínhamos um F no alfabeto português, por que utilizar o PH dos gregos?

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:07

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

.

.CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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