Quinta-feira, 27 de Maio de 2021

Por via da “igualdade de género” a moda do “ele e ela” afinal, não é para “todos e todas”…

 

Se dermos uma voltinha pelas redes sociais, para tomar o pulso à linguagem que por aí anda disseminada, deparamos com a piroseira de que fala Miguel Esteves Cardoso, nesta imagem, cuja consulta do link, aconselho vivamente:  

https://portugalglorioso.blogspot.com/2016/02/portuguesas-e-portugueses-e-uma-estupidez.html

 

miguel_cardoso_portugueses.jpg

 

Além disso, ninguém leva a sério alguém que fale assim, como diz Ricardo Araújo Pereira, neste outro link, que também sugiro que consultem:

http://portugalglorioso.blogspot.com/2016/05/ricardo-araujo-goza-com-bloco-esquerda.html

 

ricardo_cartao_cidadao.png

 

E se tivermos em conta o que se passa com as inúmeras greves que vão agitando as águas da política em Portugal, haverá alguém que diga:

 

Greve dos Enfermeiros e das Enfermeiras

Greve dos Professores e das Professoras

Greve dos Juízes e das Juízas

Greve dos Bombeiros e das Bombeiras

Greve dos Funcionários e das Funcionárias públicos e públicas

Greve dos Funcionários e das Funcionárias judiciais

Greve dos Polícias (ou dever-se-á dizer Polícios) e das Polícias

Greve dos Guardas (ou será Guardos) e das Guardas prisionais

Greve dos Médicos e das Médicas

Greve dos Notários e das Notárias

Greve dos Trabalhadores e das Trabalhadoras dos Impostos

Greve dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Carris

Greve dos Funcionários e das Funcionárias dos Serviços dos Estrangeiros e das Estrangeiras e Fronteiras…

 

Então? Em que ficamos?

 

Mas há quem diga que dizer “meus caros amigos facebookianos” ou dizer “boa noite a todos” ou “os que estiveram na manifestação” é apoucar as mulheres, desconhecendo que uma coisa é pugnar pela igualdade de género, no que diz respeito a direitos (e apenas a direitos e não a uniformidades de ser, estar ou sentir), e outra coisa é usar o feminino e o masculino, e desprezar o nome colectivo, num discurso, apenas porque haverá algumas “mulheres” que se sentem diminuídas porque não as destacam do GRUPO de seres humanos, que inclui o feminino e o masculino.   

 

Ora isto é um grande disparate, que está a generalizar-se, e a tornar os discursos e textos numa parvoíce tal, que só diz do subdesenvolvimento mental de quem assim procede.

 

Aqui há tempos, chegou-me às mãos um comunicado da Câmara Municipal de Palmela a dizer o seguinte, e tentem ler o texto alto, fechando igualmente as vogais das palavras assinaladas, porque é fechadas que devem ser lidas, segundo as vigentes regras gramaticais, para que possam alcançar o efeito deste tipo de linguagem aparvalhada:

 

(os erros ortográficos estão assinalados, porque estamos em Portugal e a ortografia vigente é a de 1945, por não ter sido revogada).

 

«Voluntárias/os ajudaram a embelezar o Centro Histórico de Palmela

 

A 6.ª edição do projeto “2 (de)mãos por Palmela”, realizada a 18 de maio, juntou seis dezenas de voluntárias/os, que ajudaram a embelezar o Centro Histórico de Palmela.

 

Com a ajuda de todas/os, foi intervencionada, com trabalhos de pintura, uma área de quase mil metros quadrados, que incluiu o Centro Histórico de Palmela e os muros da Alameda 25 de Abril, da Fonte do Carvacho, da estrada nacional, em direção a Centro Histórico de Palmela (acima da Fonte) e do Largo do Passo da Formiga.

 

O Município de Palmela agradece a colaboração voluntária de todas/os as/os que participaram neste “2 (de)mãos por Palmela”, que contou com o envolvimento do Grupo de AEP40 (que, desde o primeiro momento, participa na atividade), do Centro Histórico de Palmela, da Magjacol, a par das/os cidadãs/ãos da comunidade, que se associaram a esta jornada no Centro Histórico de Palmela.

 

Leiam alto: Todas/os as/os. A par das/os cidadãs/ãos.

O que é isto? Que linguagem horrorosa é esta?

 

Já agora, o Grupo de Escuteiros, seguindo este raciocínio arrevesado, não teria de se designar Grupo de Escuteiros e de Escuteiras?

 

Isto é algo surrealista.  

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:44

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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2020

Um texto acabado de chegar do outro lado do Atlântico: «Portugal: Colônia lingüística do Brasil»

 

Eis um texto escrito por um Professor universitário brasileiro, Arthur Virmond de Lacerda, que estudou em Portugal, e conhece a fundo a Língua Portuguesa, e também ele se ofende com o abrasileiramento do Português.

 

Tanto os políticos portugueses, como os políticos brasileiros meteram o pé na argola, e o povão, à ceguinha, vai atrás deles, sem a mínima noção de que caminham para o abismo, ou seja, para a extinção da Língua Portuguesa…

Um texto para ler e meditar.

Isabel A. Ferreira

 

Carmen de Frias e Gouveia.png

 

Por Arthur Virmond de Lacerda

 

«Portugal: Colônia lingüística do Brasil»

 

Portugal é colônia lingüística do Brasil, cujas expressões e palavras coloquiais aí grassam: tudo bem, dica, dar a volta por cima, bora, a gente, acho e sem-número de dizeres populares, bem como a alteração do sentido de palavras, a ausência das segundas pessoas, da mesóclise, dos pronomes contraídos, o desuso do pronome "vosso". As telenovelas portuguesas são abrasileiradas há décadas, quer na agressividade verbal, na cólera, no destempero de suas personagens, quer na sua elocução (não no sotaque).

 

Comunicadores falam à brasileira (Marques Mendes [já ouvi Marques Mendes a parabenizar já não sei quem] Carlos Vaz Guedes, Ricardo Araújo Pereira) e parece-me que fazem questão de marcar seu abrasileiramento, pela repetição, várias vezes, dos recursos brasileiros (como o verbo achar e "a gente"). Por outro lado, é raríssima qualquer palavra tipicamente portuguesa no Brasil ("cimeira" até circula, ocasionalmente; "mais do mesmo" circula um pouco). Mesóclise, segundas pessoas, pronomes contraídos, passam por lusitanismos. Importante corrente lingüística preconiza a recusa da herança idiomática portuguesa, a inovação da gramática, a independência idiomática de Portugal, o desprezo da mesóclise, da ênclise etc. No Brasil, saber mal e falar mal o idioma é traço da identidade cultural, bem assim condenar a forma culta do idioma como pedantismo e lusitanismo.

 

Ainda ontem (10.XII.2020) em telenovela da SIC, personagem feminina falava em tom colérico (o que é típico das telenovelas brasileiras, em que há ira, raiva, agressividade verbal) e com elocução brasileira de todo. Empregou, por exemplo, a palavra "aposta" em "fulano é nossa aposta" ou coisa por este estilo. Por que os redatores de telenovelas portuguesas, exibidas em Portugal, são brasileiros ou escrevem abrasileiradamente?

 

Livros portugueses são abrasileirados, em suas edições brasileiras (salvo os de Saramago e de Miguel de Sousa Tavares).

 

A edição juvenil da Ilíada e da Odisséia, de Frederico Lourenço, foi abrasileirada, com a supressão das segundas pessoas, de mesóclises, alteração de alguma sintaxe. O que seria leitura educadora para jovens e adultos brasileiros, é apenas mais da mesma mediocridade reinante no Brasil.

 

Ao mesmo tempo, o livro de ensinança de latim do próprio Frederico Lourenço leva título abrasileirado: "Latim do zero", em que "do zero" é como se diz no Brasil: comecei a estudar latim do zero, ou seja, sem dele nada saber.

 

Vá lá que o idioma é o mesmo e o que se incorpora do Brasil, incorpora-se do mesmo idioma. Mas pergunto-me por que os portugueses gostam tanto dos brasileirismos, por que comunicadores fazem questão de dizer à brasileira, por que as telenovelas portuguesas são abrasileiradas? A simpatia pelo Brasil vai a esse ponto?

 

É como praticam lusofonia? Seja, mas praticá-la envolve falar à brasileira, como se estivessem no Brasil?

 

É claro que há liberdade de falarem assim; cada um é livre de adotar brasileirismos (ou não), máxime porque o idioma é o mesmo. Até certo ponto, a influência dá-se naturalmente, pela presença já antiga de 40 anos de telenovelas brasileiras e de brasileiros em Portugal. Mas por que as telenovelas portuguesas são redigidas provavelmente por brasileiros, com elocução brasileira?

 

Por que comunicadores e até o presidente da república falam à brasileira? Julgam (os brasileiros dizem "acham") que assim aproximam Portugal do Brasil? Enganam-se. Julgam que assim granjearão ouvintes brasileiros? Necessitam disto?

 

Enquanto a influência brasileira em Portugal é maciça, é ínfima a presença da fala portuguesa no Brasil: tirante os livros de Saramago e M. S. Tavares (acaso também outro), os mais são adaptados, ou seja, descaracterizados em sua construção original, com supressão das segundas pessoas, mesóclises, vocabulário. Enquanto os portugueses leem Jorge Amado tal como ele escreveu, os brasileiros não leem F. Lourenço tal como ele escreveu. Enquanto as telenovelas portuguesas são abrasileiradas há décadas, os dizeres portugueses no Brasil resumem-se a "mais do mesmo", "cimeira" e mais uma ou duas expressões. João Pereira Coutinho e Ricardo Araújo Pereira escrevem na Folha de S. Paulo: à brasileira?

 

Isto tudo é lusofonia e aproximação cultural entre Brasil e Portugal no sentido limitado e unilateral da presença da fala brasileira em Portugal e da modificação da elocução portuguesa ao modo brasileiro. A pouco e pouco, a lusofonia vai se tornando em brasileirofonia, o que, aliás, presumivelmente fortalece a concepção, típica de certos meios brasileiros, de que a quantidade de usuários serve como padrão do idioma e que, portanto, o estilo brasileiro representa a língua portuguesa: os brasileiros são mais, os portugueses são menos e já falam à brasileira. Tal critério não leva em conta a profundidade do conhecimento do idioma, que até poucos anos distinguia os portugueses dos brasileiros: aqueles eram menos e melhores; estes são mais e piores (melhores e piores no conhecimento do idioma e no seu uso).

 

A influência brasileira é deletéria, com sua pobreza de elocução quanto aos recursos do idioma.

 

Até 10 ou 15 anos, era educativo os brasileiros freqüentarem Portugal e portugueses, para aprimorarem seu uso do idioma; já agora, não mais: a influência brasileira leva aos portugueses, além de locuções, vícios, empobrecimentos, alterações de sentido, supressão de recursos. Está na hora de os portugueses combaterem a influência brasileira no idioma.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/arthur.virmonddelacerda/posts/3671609496211434?comment_id=3671680132871037&notif_id=1607689856195518&notif_t=comment_mention&ref=notif

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:43

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Segunda-feira, 30 de Dezembro de 2019

«Em 2020, Ricardo Araújo Pereira deseja “uma ortografia que faça sentido”»

 

Penso que todos os Portugueses, portadores de espinha dorsal (série de vértebras articuladas ao longo do corpo, que nos permite andar na vertical, e não a rastejar pelo chão como vermes) desejam que em 2020 nos seja devolvida a ortografia que nos pertence: a PORTUGUESA, a ortografia de 1945 que, aliás, ainda está em vigor, porque é essa que faz sentido, em Portugal.

 

A ortografia de 1943, a alvitrada pelo AO90, só faz sentido no Brasil, de onde é originária.

 

A ortografia brasileira (= AO90) nada tem a ver com as origens greco-latinas do NOSSO Português.

 

Daí que já vai sendo tempo de acabar com esta farsa desprestigiante para Portugal, o único país ex-colonizador do mundo que rasteja aos pés de uma ex-colónia.

 

Vejam o vídeo para ouvirem a voz da Razão:

https://www.facebook.com/watch/?ref=external&v=555344331713408

 

governo-sombra-770x470-tmce.jpg

 

Ainda a este propósito e ao facto de Adolfo Mesquita Nunes "não aguentar o julgamento de uma risquinha vermelha" eis o que escreveu a escritora Teolinda Gersão:


«Caro Adolfo Mesquita Nunes, fiquei muito surpreendida ao ouvi-lo dizer no Governo Sombra que obedece à ortografia que o seu programa de word lhe "impõe"!! Então não pode mudar de programa de word? Ou, em último caso, por que não corrige os erros do computador, de acordo com a SUA ortografia?

É o mínimo que se pode esperar de um homem que defende a liberdade individual de pensar pela sua própria cabeça!»

 

in:

https://www.facebook.com/teolinda.gersao50/posts/2509576002472876?hc_location=ufi

 

https://tvi24.iol.pt/videos/opiniao/adolfo-mesquita-nunes-nao-aguenta-o-julgamento-de-uma-risquinha-vermelha/5dfd5f7f0cf2853f0740ad94

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:32

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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2019

«Acordo Ortográfico: Um Beco com Saída» Novo livro de Nuno Pacheco

 

Depois de ler o livro e ver e ouvir o debate (no vídeo aqui reproduzido) chega-se a uma, e apenas a uma conclusão:

O AO90 é uma coisa estúpida, engendrada por parvos, para ser usado apenas, e apenas, pelos que não nasceram absolutamente nada dotados para a aprendizagem de uma Língua Culta Europeia, seja ela qual for. Porque quem não é capaz de perceber que em Língua Portuguesa direCtor se escreve com um , também não percebe que direCtor também se escreve com , em Inglês e em Castelhano; e, direCteur, em Francês, também com cê. E quem diz direCtor, diz todas as outras palavras às quais se suprimiram as consoantes não pronunciadas comuns às restantes Línguas europeias.

Mas, obviamente, embora se esteja num beco, este beco tem saída, diz Nuno Pacheco.

Recomendo vivamente a leitura do livro e a audição do debate ao redor do livro, com Artur Anselmo [Academia das Ciências de Lisboa], Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia, Guilherme Valente [editor da Gradiva Publicações, S.A.] e de Nuno Pacheco ["Público"].

 

250x.jpg

https://www.youtube.com/watch?v=VumXddbmchI

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:29

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Segunda-feira, 6 de Maio de 2019

«Como se fala e escreve hodiernamente – Do triunfo do portinglês e do ubíquo "tipo"»

 

Em nome da Língua Portuguesa, que lamento estar em muito maus lençóis, e a escorrer para o cano de esgoto, qual líquido fétido, partilho este texto de Manuel Matos Monteiro, que muito nos conta.

 

Manel.jpg

Manuel Matos Monteiro - Autor, jornalista, formador e revisor

 

«Como se fala e escreve hodiernamente — do triunfo do portinglês e do ubíquo “tipo”

 

O Português já não pede uma opinião, um comentário, uma apreciação — agora debita incessantemente: “Dá-me o teu feedback.”

 

A malta já não combina encontrar-se num determinado lugar, local, sítio. A malta, tipo, combina num spot. Tipo, é mais cool. Num spot, o mood é outro.

 

Elas sonham com o estrelato k-pop — porque as japonesas também podem ser “assim tão cool” .

 

Os trabalhadores independentes ou por conta própria parecem ter desaparecido — restam freelancers.

 

Acabaram-se as rábulas — há sketches. Tipo, já não está na moda. Que digo?! Já não é trendy.

 

O “público-alvo” é para totós. O target vassourou-o, tornando-nos mais cosmopolitas. Qual público-alvo, qual mercado-alvo, quais destinatários. Mesmo quando alguém tem um determinado objectivo, não raro, diz que tem um determinado target. “O meu target para este ano é vender tipo quinze casas. E ‘tou cá com um feeling de que ainda chego tipo às vinte.”

 

Os desportistas não têm um bom ou mau desempenho, começam a não ter sequer uma boa ou má exibição; têm crescentemente uma boa ou má performance. Sucede o mesmo com os músicos nos concertos — qual boa ou má actuação... tipo boa ou má performance. Até os políticos nos debates e as próprias empresas são avaliados pela sua performance. Verdadeiramente importante é que os políticos e os trabalhadores (tipo, “os activos”) das empresas tenham skills e know-how, de modo que haja um boom no output e os CEO, tipo, evitem os downsizings, ou que, pelo menos, tipo, haja um delay nos downsizings e o staff se vá mantendo. [1]

 

Trabalho “a tempo inteiro” e “a tempo parcial”? Part-time e full-time, caramba.

 

A sobredosagem (de medicamentos, de informação, de futebol, de tudo) morreu. É oficial. Hoje, só há lugar para a overdose.

 

Já ninguém age com discrição ou procura passar despercebido ou é desprovido de magnetismo: cabe tudo no grande e impreciso chapéu do low-profile.

 

Os especialistas e os peritos tendem a ser substituídos pelos experts.

 

Prospectos? Folhetos? Panfletos? Desdobráveis? (Que não significam exactamente o mesmo.) Flyers!

 

Boletins informativos? Newsletters!

 

Padrão? Modelo? Norma? Nível? Standard, standard, standard, standard. Até já usamos “estandardizar” com naturalidade, ora essa.

 

À boca da baliza, alguém falha uma oportunidade? Claro que não. Falha ou desperdiça a chance (oriunda do francês, mas largamente disseminada por via do inglês).

 

Contratação externa? Recrutamento externo? Externalização? Subcontratação (de serviços)? Outsourcing e "mai" nada!

 

Oficinas, oficinas de formação, oficinas experimentais, seminários, formações, sessões de trabalho, cursos, cursos práticos — tudo isso para quê? Workshops, senhores!

 

Pagamentos em dinheiro (vivo)? Pagamentos em numerário? Pagamentos em cash!

 

Já ouviu falar da ilicitude das vendas com prejuízo? Ah, ah, ah. (Hoje, terá de ser em inglês: ha ha ha ou lol lol lol — ou uma série de bonecos a rir.) Que é isso? Dumping. Ah!, em inglês nos entendemos.

 

“Ei” — que é isso? (Uma forma de chamar, cumprimentar, mas que também pode ser usada com os sentidos de “Alto lá!”, “Alto aí!”, “Tem calma”, “Sossega”.) Só admissível (e reconhecível?) em inglês: hey. “Ups?” Só em inglês também: oops.

 

Piratas informáticos? Hackers, por favor.

 

Passatempos? Hobbies!

 

Senhas? Passwords!

 

Aspecto? Visual? Aparência? Imagem? Look!

 

Disposição? Configuração? Formato? Estrutura? Desenho? Modelo? Esquema? Esquisso? Esboço? Bosquejo? Rascunho? Layout e draft dispensam essas e muitas outras. Há matizes quanto ao significado de ambas? Who cares?

 

Hiato? Fosso? Pára, pára: gap.

 

Subestimado, sobrestimado, subvalorizado, sobrevalorizado — quem é tão tolo que ainda caia numa dessas? Underrated e overrated.

 

“Autofotografia”? “Autofoto”, que tem menos sílabas? NUNCA. Mas estão dicionarizadas. Whatever, selfies forever.

 

Mentalidade, pensamento, lógica, raciocínio? Ainda não deu conta do mindset? Vá-se actualizando... vá, tipo, fazendo uns updates.

 

[1] Citando Ricardo Araújo Pereira, da crónica “Anestesia Linguística”, da Visão, “[toda a gente se sente] habilitada a contestar os despedimentos impostos por um patrão, mas ninguém se atreva a criticar um downsizing determinado por um CEO”.

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/05/05/culturaipsilon/opiniao/fala-escreve-hodiernamente-triunfo-portingles-ubiquo-tipo-1870036

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:21

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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2019

ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA (PARTE X)

 

Mais um admirável texto de Manuel Matos Monteiro, onde o AO90 e a sua irracional aplicação estão na berlinda.

 

Manuel Monteiro.jpg

Manuel Matos Monteiro *

 

«O Acordo e a sua aplicação encarregaram-se de aniquilar os seus apregoados objectivos. A impossível unificação traduziu-se no acentuar das diferenças ortográficas entre o português de Portugal e o português do Brasil.

 

— Vais comprar um carro novo?

— Vou. O meu carro para sempre.

 

Guarde bem a ideia do diálogo.

 

Leia agora:

 

— Vais comprar um carro novo? 

— Vou. O meu carro pára sempre.

 

Neste jornal, Francisco Miguel Valada, em 1 de Dezembro de 2018, apresentou dois exemplos que falam por si. Vejamos. “Bloqueio nos fundos da UE pára projecto de milhões na área do regadio” (um título deste jornal) — é evidente que “Bloqueio nos fundos da UE para projecto de milhões na área do regadio” será lido de outra forma. Tão evidente, que os jornais, as revistas, os canais televisivos que adoptaram o Acordo continuam a pôr abundantemente o acento no “pára” quando querem desmanchar a ambiguidade ou até a leitura errónea. Faz lembrar Ricardo Araújo Pereira: “Pode-se fazer, mas é proibido.” O outro exemplo vem de Saramago (Cadernos de Lanzarote II): “Ninguém pára para o socorrer.” Com o Acordo, ficará a parecer gralha ou gaguez: “Ninguém para para o socorrer.”

 

E já que falamos do Nobel da Literatura e do Acordo, mergulhemos em Bob Dylan traduzido (Canções — Volume I).

 

(Deixemos de lado o merecimento ou desmerecimento do Nobel, quando a poesia tem uma percentagem escassíssima na lista dos galardoados. Dylan será certamente um poeta maior do que Cummings, Herberto Helder, Auden. E terá até dado um contributo à literatura que, por exemplo, Tolstói, Joyce, Borges, Proust, Fitzgerald, Nabokov, Conrad, Virginia Woolf, Lawrence Durrell não deram.)

 

Oh, a Primeira Guerra Mundial, rapazes

Desperdiçou a sua sorte

A razão para a luta

[…][1]

 

Imagine que era uma edição acordizada. Imagine que no original estava “A razão pára a luta”. Ficaria igual à fiel tradução do que Dylan realmente escreveu: The reason for fighting.

 

Alguém consegue explicar porque desaparece obrigatoriamente o acento de “pára”, enquanto se preservam os acentos de “pôr” e “pôde” e se decreta — pasme-se — a facultatividade do acento de “dêmos”? Ninguém.

 

Camilo Castelo Branco, em O Santo da Montanha: “Já que morreu a serpente, demos duas cabriolas; que, medrosos de seus olhos, nada até ora fizemos.”

 

Sem tirar o acento e como Camilo escreveu: “Já que morreu a serpente, dêmos duas cabriolas; que, medrosos de seus olhos, nada até ora fizemos.”

 

Alguém consegue explicar a vantagem da facultatividade do acento em “dêmos”?, em “lavámos”, “jogámos”, “ganhámos”, “trocámos”? Ninguém.

 

Que ornamento ortográfico é este que só serve para confundir o tempo pretérito com o tempo presente e até futuro? “Não ganhamos” poderá ser, com o Acordo, “não ganhamos” (no presente), “não ganhamos” (opinião sobre algo que se realizará futuramente, passe a redundância) ou… “não ganhámos” (no passado).

 

Que ganha a Língua Portuguesa com isto?

 

Que ganha a Língua Portuguesa por “descaracterizámos” (no pretérito perfeito) passar a dispor de um cardápio de quatro ortografias: “descaracterizámos”, “descaraterizámos”, “descaracterizamos” e “descaraterizamos”?

 

Alguém consegue explicar a razão que presidiu a estas decisões? Ninguém.

 

Não tendo sido aprovado o Acordo de 1986 (que pretendia abolir os acentos das palavras graves e esdrúxulas), o Novo Acordo — o de 1990… porque porque será que, em 2019, ainda se fala tanto do dito?, será pelos seus inexcedíveis méritos? — lá condescendeu que se mantivessem acentos nas palavras graves e esdrúxulas: “análise (s.[2])/analise (v.[3]), fábrica (s.)/fabrica (v.), secretária (s.)/secretaria (s. ou v.), vária (s.)/varia (v.), etc., casos que, apesar de dirimíveis pelo contexto sintáctico [eis o Acordo a não seguir o Acordo], levantariam por vezes algumas dúvidas e constituiriam sempre problema para o tratamento informatizado do léxico”.

 

No caso do “pára”, porém, o acento desaparece, porque “tratando-se de pares cujos elementos pertencem a classes gramaticais diferentes, o contexto permite distinguir claramente tais homógrafas”. Mas esperem lá, os exemplos de “análise/analise”, “fábrica/fabrica”, “secretária/secretaria [que pode ser forma verbal], “vária/varia” não pertencem também a classes gramaticais diferentes?! E o “para” que é “pára” não levanta “por vezes algumas dúvidas”?! Continuando nesta lógica de manicómio: e “pôde”, que é palavra grave e tem uma frequência muito menor na escrita do que “pára”/”para”, porque manteve o acento para não se confundir com “pode”?

 

Tudo isto serviu para internacionalizar a Língua Portuguesa? Quem é tão tolo que possa acreditar nisso? Tudo isto serviu apenas para a abandalhar.

 

O Acordo e a sua aplicação encarregaram-se de aniquilar os seus apregoados objectivos. A impossível unificação traduziu-se no acentuar das diferenças ortográficas entre o português de Portugal e o português do Brasil, com a criação de palavras num laboratório exclusivo para o português de Portugal, porque os Brasileiros pronunciam muitas consoantes etimológicas que nós não pronunciamos; na destruição dos vestígios do nosso património cultural e no consequente afastamento ante as línguas que preservaram as raízes etimológicas; numa proliferação diária e omnipresente de erros em falsas “consoantes mudas” (nasceram milhões de “contatos”); num português falado que vai fabricando pronúncias inauditas com o fechamento de vogais (revelou-se que, afinal, era bem mais fácil ensinar que “recepção” se escrevia com p do que ensinar que “receção” se deve ler “recéção” e não “recessão”, como por aí crescentemente se vai dizendo).

 

Continuemos a exigir dos políticos discussão e acção quanto ao Acordo. Não esqueçamos, porém, a arma essencial: a resistência de cada indivíduo e instituição: não adoPtar o Acordo. É o combate de quem rejeita que a estupidez vingue sobre a inteligência.

 

[1] Agradeço ao professor João Esperança Barroca o envio da fotografia da página do livro.

[2] Substantivo.

[3] Verbo.

* Autor, jornalista, formador e revisor

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/02/23/culturaipsilon/opiniao/admiravel-lingua-nova-parte-x-1863129?fbclid=IwAR1LtntyAB6Nouu-MajxiR2TcE5czcocH8SxHtPqEQbC--OmfGwwHErznXM#gs.a854ol2l

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:03

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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2019

No Correntes D'Escritas 2019 o «AO90 “brilhará” na escuridão que o envolve»

 

(Texto recebido via e-mail)

 

LITERATURA.png

 

«Caros amigos “desacordistas” (aqueles que são contra o acordo ortográfico de 1990):

 

Contamos com a vossa prestimosa participação, no protesto que se pensa efectuar contra o AO90, conhecido por Aborto Ortográfico, no dia 19 de Fevereiro de 2019, pelas 11H00, terça-feira, à entrada do casino da Póvoa de Varzim, aquando da cerimónia de abertura do Correntes d’Escritas pelo Senhor Presidente da República.

 

Caso não queira ou não possa aderir, solicitamos os bons ofícios, no sentido de fazer circular este texto por todos os vossos contactos do FACEBOOK e assim sucessivamente até que a mensagem chegue ao maior número de pessoas possível, que são contra o AO90, que tem lesado permanentemente o ensino da Língua Portuguesa na matriz culta indo-europeia, um autêntico linguicídio, crime de LESA-PÁTRIA.

 

O que se pretende é que a mensagem chegue ao conhecimento dos professores e alunos das escolas e freguesias da Póvoa de Varzim, e cidades vizinhas da região, onde o evento se realizará, e que se sentem maltratados e coagidos na aprendizagem da língua, segundo a cartilha brasileira: o AO90.

 

Eis o que vai passar-se neste evento, onde o AO90 brilhará na escuridão que o envolve.

 

A 20ª edição do Correntes d’Escritas decorrerá na Póvoa de Varzim, de 16 a 27 de Fevereiro.

 

Além de Marcelo Rebelo de Sousa, o Correntes d’Escritas contará com mais de 140 escritores de 20 países (Alemanha, Angola, Argentina, Brasil, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Cuba, Espanha, Guatemala, Guiné Bissau, México, Moçambique, Nicarágua, Peru, Portugal, Republica Dominicana, S. Tomé, Timor e Uruguai).

 

Dos autores convidados, estão já confirmadas as seguintes presenças: um prémio Cervantes: Sérgio Ramírez (Nicarágua); três Prémios Camões: Arménio Vieira, Germano Almeida e Hélia Correia; cinco Prémios Literários Casino da Póvoa: Lídia Jorge, Ana Luísa Amaral, Hélia Correia, Manuel Jorge Marmelo, Juan Gabriel Vásquez (Colômbia); seis Prémios Saramago (e já todos os vencedores passaram por cá ao longo das várias edições): Paulo José Miranda, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo, Ondjaki, Bruno Vieira Amaral e 8 ex-conferencistas de Abertura das Correntes: Nélida Piñon, Marcelo Rebelo de Sousa, José António Pinto Ribeiro, Álvaro Laborinho Lúcio, Adriano Moreira, Guilherme D’Oliveira Martins, Francisco Pinto Balsemão e Ignácio de Loyola Brandão.

 

A Conferência de Abertura desta edição, a 19 de Fevereiro, terça-feira, às 15h00, será proferida pelo Presidente da Conferência dos Chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Jorge Carlos Fonseca, que falará sobre “As Letras da Língua e a Mobilidade dos criadores na CPLP”. Um dos objectivos do actual presidente da CPLP é a mobilidade entre os países da Comunidade. Jorge Carlos Fonseca é também o Presidente da República de Cabo Verde.

 

(Logo Cabo Verde que passou a Língua Portuguesa para segunda língua, e adoptou o Crioulo Cabo-verdiano como língua oficial, em 2017).

  

Neste mesmo dia, às 11h30, vai realizar-se, no Casino da Póvoa, a Sessão de Abertura do Correntes, com o anúncio dos vencedores dos Prémios Literários 2019 e o lançamento da Revista Correntes d'Escritas nº 18, dedicada a Nélida Piñon. O Presidente da República presidirá a esta cerimónia.

 

Muitas outras iniciativas, além das Mesas (temas serão versos da Sophia de Mello Breyner, cujo centenário do nascimento se assinala este ano), vão coabitar neste 20º Correntes d’Escritas: a Feira do Livro (que promove edições acordizadas). As Galerias Euracini 2 vão acolher não apenas a Feira do Livro mas Exposições, Lançamentos de Livros, sessões com alunos do 1º ciclo e famílias, as Correntes DAR, pequenas conversas literárias e muitas outras conversas paralelas.

 

Serão lançados durante o Encontro meia centena de livros, destacando: “Correntes D’Escritas & Correntes Descritas” de Onésimo Teotónio Almeida, uma compilação das suas intervenções ao longo dos anos no Correntes D’Escritas.

 

A Arte terá um papel de destaque nesta edição e vai espalhar-se um pouco por toda a cidade com as mais variadas exposições. Palavras, Música e a musicalidade das palavras estão sempre presentes, desde a 1ª edição, no Correntes e este ano vários cantores, músicos e poetas darão voz às suas e às palavras dos outros em vários espectáculos.

 

Destaque ainda para a emissão em directo do Programa Governo Sombra, da TVI24, às 24h00 de 22 de Fevereiro, sexta-feira, com Carlos Vaz Marques, João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira, a partir do Cine-Teatro Garrett. Além deste, vários programas de Rádio e Televisão serão gravados durante o Correntes, como: Obra Aberta, da Rádio Renascença, Ensaio Geral, da Rádio Renascença e Todas as Palavras, da RTP.»

 

O programa completo pode ser consultado aqui:

https://www.cm-pvarzim.pt/areas-de-atividade/povoa-cultural/pelouro-cultural/areas-de-accao/correntes-d-escritas/correntes-descritas-2019/programa

 

E aqui está o Dossiê de comunicação:

https://www.cm-pvarzim.pt/areas-de-atividade/povoa-cultural/pelouro-cultural/areas-de-accao/correntes-d-escritas/correntes-descritas-2019/dossie-de-comunicacao

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:31

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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

«AFINAL RICARDO ARAÚJO PEREIRA TINHA RAZÃO»

 

NUNO.jpg

 

Um texto de Nuno Pacheco

 

Agora dizem-nos que tecto se lê “têto” Sim, leram bem: têto, com acento circunflexo.

 

Num dos filmes da primeira fase de Woody Allen como realizador, O ABC do Amor (1972), há uma cena delirante onde um homem (ele próprio, como actor) é perseguido por uma aterradora mama gigante, num tributo cómico e burlesco aos clássicos de terror (não por acaso, o cientista louco do filme é encarnado por John Carradine). Ora é impossível não pensar nesta delirante cena quando se ouve Ricardo Araújo Pereira falar, a propósito dos equívocos do acordo ortográfico de 1990, em “arquitetas”. É uma imagem a que ele costuma recorrer, para mostrar os absurdos da chamada “nova ortografia”.

 

Claro que os defensores do dito AO dirão que é má vontade, que é óbvio que se lê “arquitètas” e não “arquitêtas”, toda a gente sabe. Sabe? Pois agora vem o Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa (não confundir com a própria ACL, já que a esta preside Artur Anselmo, cultor do bom senso ortográfico, e àquele preside agora Telmo Verdelho, defensor acérrimo do AO90), através do seu Vocabulário, explicar como se fala, para evitar equívocos. E o que diz o Vocabulário? Procura-se por arquitecta e não há; procura-se arquitecto e surge “arquiteto”, com esta explicação: “nome masculino, Grafia AO1945: arquitecto.” Sem qualquer indicação de pronúncia. E tecto? Aqui sim, explica-se. Diz a respectiva fichinha: “teto /ê/ nome masculino, Grafia AO1945: tecto.” Sim, leram bem: têto, com acento circunflexo. Assim ensina o douto instituto a pronúncia correcta de tecto, ou melhor, teto, aliás, têto. Por analogia directa, arquitecto ler-se-á arquitêto e arquitecta ler-se-á arquitêta. Em “bom português”, meus senhores! Razão tinha Ricardo Araújo Pereira. Só falta mesmo a maléfica “arquiteta” de Woody Allen.

 

Não é exemplo único. Se procurarmos o tristemente célebre “espetador”, o Vocabulário mostra-nos tal palavra com esta nota: “espetador /ô/, adjetivo, nome masculino, Grafia AO1945: espectador, Grafia dupla: espectador.” Como a única indicação fonética é “ô”, deduz-se que se lê “espetador”, tal como o sujeito que espeta, e não “espètador”, como nos garantem que se lerá. Mas se procurarmos no mais trivial Dicionário Priberam, edição digital brasileira, lê-se isto: “espetador /èt...ô/ s. m. [...] Etimologia: latim spectator, -oris. Grafia no Brasil: espectador.” Não só indica a fonética de forma mais completa, o que no Vocabulário da ACL se omite, como diz que “espetador” não existe, com tal sentido, na grafia brasileira.

 

Mas para que o instituto não fique sozinho na sua arte de ensinar o “bom português”, e já que estamos em época de exames, não fica mal recordar que a Associação de Professores de Português, pela voz de Paulo Feytor Pinto ou Edviges Ferreira (hoje seus ex-presidentes), chegou a bramar pela punição dos que não cumpriam o AO90 nas escolas, garantindo Paulo Feytor Pinto que bastaria uma meia hora para que os professores aprendessem as regras do acordo. Pelos vistos, não bastou uma década. No ano passado, o parecer da própria APP à prova do 12.º ano de português, além de má pontuação (vírgulas e pontos fora do sítio) e um erro inadmissível em professores (12º, como doze graus, em lugar de 12.º, como décimo-segundo), tinha palavras do AO90 como objetivas, objetivamente, correta, perspetivas e objetividade, a par de objectivas ou percepcionar, que, sendo correctas pelo Acordo de 1945 (ainda em vigor na lei) não são aceites pela “nova ortografia”. Não admira, por isso, que o ponto II dos Critérios de Classificação do IAVE às provas de Português do Secundário exiba agora, desde 2017, esta nota lapidar: “A ocorrência de erros ortográficos não implica a desvalorização da resposta.” Preçeberaum bãim u alkansse distu?

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/06/28/culturaipsilon/opiniao/afinal-ricardo-araujo-pereira-tinha-razao-1835985

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:25

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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018

Políticas e políticos do meu País…

 

Jornalistas e jornalistos subservientes aos políticos e políticas, que estão sentados e sentadas na Assembleia da República…

Adeptos e adeptas do novo linguajar que os políticos e as políticas do meu país andam por aí a impingir aos portugueses e portuguesas, como se todos fossem muito estúpidos e estúpidas….

Atentem neste magnífico texto de Ricardo Araújo Pereira, porque…

 

RAP.jpg

 

Fonte:

https://entreostextosdamemoria.blogspot.pt/2018/02/visao-15022018-p130.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2018

RICARDO ARAÚJO PEREIRA RIDICULARIZA O AO90 NO PALÁCIO DE BELÉM

 

Ricardo Araújo Pereira, convidado da iniciativa "Escritores no Palácio de Belém", aproveitou a oportunidade para, uma vez mais, ridicularizar o Acordo Ortográfico e instar o presidente da República a fazer algo em relação ao assunto.

 

Um verdadeiro Escritor, cidadão Português, não iria a Belém falar sobre Escrita, sem malhar na ortografia que andam por aí a impingir como sendo Portuguesa.

 

Uma vez mais, Ricardo Araújo Pereira demonstrou que quando se é inteligente, usa-se a inteligência inteligentemente. Porque há quem a use desinteligentemente...

E para bons entendedores…

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:49

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